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	<title>Alemanha &#8211; Passa Palavra</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>Good Bye, Kapital!? A Alemanha em queda</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/01/158595/</link>
					<comments>https://passapalavra.info/2026/01/158595/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Jan 2026 12:43:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Alemanha]]></category>
		<category><![CDATA[Capitalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
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					<description><![CDATA[ As crises cíclicas do capital são cada vez mais potentes no coração do sistema. Por Charles Júnior, Antônio Carlos e Pedro Seeger]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Charles Júnior, Antônio Carlos e Pedro Seeger</h3>
<p style="text-align: justify;">O celebre filme “Adeus, Lênin!” retrata o fim da chamada Alemanha Oriental de uma forma tragicômica. O dedicado Alex tenta a todo custo esconder de sua mãe o fim da Alemanha socialista. No limite, após uma grande propaganda da Coca-Cola cobrir a lateral do prédio ao lado, de frente a sua janela, grava um telejornal com ajuda de um taxista e seus amigos informando a mãe que a Coca-Cola é uma criação comunista. Um lindo e amoroso filme que carrega nossa melancólica mágoa da derrota <strong>[1]</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Chegando a contemporaneidade, parece que na Alemanha de 2025 a vida voltou a imitar a arte, porém com os sinais contrários e uma população inteira como coadjuvante. Literalmente tá entrando muita água no chopp da Alemanha capitalista. A principal economia do bloco derrete.</p>
<p style="text-align: justify;">O fechamento da Fábrica da Volkswagen em Desdren e a demissão de 35.000 operários é o símbolo maior desse grande rearranjo capitalista. A máquina capitalista mais potente da Europa começa a falhar. O país que há décadas importa migrantes do mundo inteiro hoje tem a mesma taxa de desemprego da última crise. No geral, parece uma operação complexa para a burguesia alemã esconder de milhões de trabalhadores que as suas vidas estão em risco. Sua propaganda é a clássica demagogia do inimigo externo o risco do comunismo invadir as ruas da Europa é sempre um ótimo argumento para justificar mudanças <strong>[2]</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158606" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/gb.png" alt="" width="1920" height="1080" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/gb.png 1920w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/gb-300x169.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/gb-1024x576.png 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/gb-768x432.png 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/gb-1536x864.png 1536w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/gb-747x420.png 747w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/gb-640x360.png 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/gb-681x383.png 681w" sizes="(max-width: 1920px) 100vw, 1920px" />Produção industrial em queda</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Marx no capítulo 1, do livro 1 do Capital diz que “A riqueza das sociedades onde reina o modo de produção capitalista aparece como uma &#8216;enorme coleção de mercadorias&#8217;”. Nós acrescentamos que a capacidade de manutenção e ampliação da produção determina os limites da dominação da burguesa e as possibilidades de luta dos trabalhadores <strong>[3]</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste sentido, a situação da Alemanha merece atenção. Sua produção manufatureira, o motor da economia, vem decaindo e isto se espelha na política. Vamos aos dados.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Tabela 1. Produção Anual da Manufatura</strong></p>
<div class="table sectionedit14" style="text-align: justify;">
<table class="inline">
<tbody>
<tr class="row0">
<td class="col0"><strong>2010</strong></td>
<td class="col1">90.5</td>
<td class="col2"><strong>2018</strong></td>
<td class="col3">105.0</td>
</tr>
<tr class="row1">
<td class="col0"><strong>2011</strong></td>
<td class="col1">98.2</td>
<td class="col2"><strong>2019</strong></td>
<td class="col3">101.7</td>
</tr>
<tr class="row2">
<td class="col0"><strong>2012</strong></td>
<td class="col1">97.1</td>
<td class="col2"><strong>2020</strong></td>
<td class="col3">92.7</td>
</tr>
<tr class="row3">
<td class="col0"><strong>2013</strong></td>
<td class="col1">97.1</td>
<td class="col2"><strong>2021</strong></td>
<td class="col3">97.1</td>
</tr>
<tr class="row4">
<td class="col0"><strong>2014</strong></td>
<td class="col1">99.0</td>
<td class="col2"><strong>2022</strong></td>
<td class="col3">96.9</td>
</tr>
<tr class="row5">
<td class="col0"><strong>2015</strong></td>
<td class="col1">100.0</td>
<td class="col2"><strong>2023</strong></td>
<td class="col3">95.8</td>
</tr>
<tr class="row6">
<td class="col0"><strong>2016</strong></td>
<td class="col1">101.1</td>
<td class="col2"><strong>2024</strong></td>
<td class="col3">91</td>
</tr>
<tr class="row7">
<td class="col0"><strong>2017</strong></td>
<td class="col1" colspan="3">103.8</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p style="text-align: justify;">Fonte : OCDE. <a class="urlextern" title="https://data-explorer.oecd.org/vis?fs[0]=Topic%2C1%7CEconomy%23ECO%23%7CShort-term%20economic%20statistics%23ECO_STS%23&amp;pg=0&amp;fc=Topic&amp;bp=true&amp;snb=54&amp;df[ds]=dsDisseminateFinalDMZ&amp;df[id]=DSD_KEI%40DF_KEI&amp;df[ag]=OECD.SDD.STES&amp;df[vs]=4.0&amp;dq=DEU.Q.PRVM.IX.C..&amp;pd=2024-Q4%2C2025-Q4&amp;to[TIME_PERIOD]=false&amp;vw=tb" href="https://data-explorer.oecd.org/vis?fs[0]=Topic%2C1%7CEconomy%23ECO%23%7CShort-term%20economic%20statistics%23ECO_STS%23&amp;pg=0&amp;fc=Topic&amp;bp=true&amp;snb=54&amp;df[ds]=dsDisseminateFinalDMZ&amp;df[id]=DSD_KEI%40DF_KEI&amp;df[ag]=OECD.SDD.STES&amp;df[vs]=4.0&amp;dq=DEU.Q.PRVM.IX.C..&amp;pd=2024-Q4%2C2025-Q4&amp;to[TIME_PERIOD]=false&amp;vw=tb" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">Data explorer</a> — Índice 100 base 2015</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Tabela 2. Produção trimestral da manufatura</strong></p>
<div class="table sectionedit15" style="text-align: justify;">
<table class="inline">
<tbody>
<tr class="row0">
<td class="col0"><strong>2024-T4</strong></td>
<td class="col1">92.5</td>
</tr>
<tr class="row1">
<td class="col0"><strong>2025-T1</strong></td>
<td class="col1">93.4</td>
</tr>
<tr class="row2">
<td class="col0"><strong>2025-T2</strong></td>
<td class="col1">92.8</td>
</tr>
<tr class="row3">
<td class="col0"><strong>2025-T3</strong></td>
<td class="col1">91.8</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p style="text-align: justify;">Fonte: OCDE. <a class="urlextern" title="https://data-explorer.oecd.org/vis?fs[0]=Topic%2C1%7CEconomy%23ECO%23%7CShort-term%20economic%20statistics%23ECO_STS%23&amp;pg=0&amp;fc=Topic&amp;bp=true&amp;snb=54&amp;df[ds]=dsDisseminateFinalDMZ&amp;df[id]=DSD_KEI%40DF_KEI&amp;df[ag]=OECD.SDD.STES&amp;df[vs]=4.0&amp;dq=DEU.Q.PRVM.IX.C..&amp;pd=2024-Q4%2C2025-Q4&amp;to[TIME_PERIOD]=false&amp;vw=tb" href="https://data-explorer.oecd.org/vis?fs[0]=Topic%2C1%7CEconomy%23ECO%23%7CShort-term%20economic%20statistics%23ECO_STS%23&amp;pg=0&amp;fc=Topic&amp;bp=true&amp;snb=54&amp;df[ds]=dsDisseminateFinalDMZ&amp;df[id]=DSD_KEI%40DF_KEI&amp;df[ag]=OECD.SDD.STES&amp;df[vs]=4.0&amp;dq=DEU.Q.PRVM.IX.C..&amp;pd=2024-Q4%2C2025-Q4&amp;to[TIME_PERIOD]=false&amp;vw=tb" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">Data explorer</a> — Índice 100 base 2015</p>
<p style="text-align: justify;">Na série histórica iniciada em 2015 até o 3° trimestre de 2025, observamos que a produção da economia alemã caiu quase 9%. Pode parecer pouco, mas precisamos ter em mente que o capital é acumulação, é investimento em cima de investimento, é aumento da máquina produtiva. Caso contrário a feroz concorrência pode levar a chama da acumulação a se apagar. Instantaneamente, o reflexo na vida do povo trabalhador é direto: aumento do desemprego, queda no poder de compra, políticas de austeridade, redução do Estado de bem-estar social, etc. A situação é tão delicada para os burgueses alemães que a névoa da guerra volta a assombrar os trabalhadores na Europa <strong>[2]</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">No gráfico 1 temos na linha laranja as despesas de consumo das famílias, linha verde investimentos em máquinas e equipamentos e a linha investimentos em construção civil. O mais relevante para nós é a linha verde, importante indicador da acumulação de Capital, que, como podemos ver, está em franca queda e bem distante do ponto máximo atingido em 2020.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Gráfico 1: Investimentos e consumo na economia alemã</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158604" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/g1-1.png" alt="" width="967" height="1080" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/g1-1.png 967w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/g1-1-269x300.png 269w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/g1-1-917x1024.png 917w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/g1-1-768x858.png 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/g1-1-376x420.png 376w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/g1-1-640x715.png 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/g1-1-681x761.png 681w" sizes="(max-width: 967px) 100vw, 967px" /></p>
<p style="text-align: justify;">Fonte: Departamento Federal de Estatística (Destatis)</p>
<p style="text-align: justify;">Além do fechamento de fábricas, queda da produção e investimentos, outra coisa que será difícil a classe dominante alemã esconder dos trabalhadores é a queda nas exportações. No gráfico 2, temos na cor laranja o índice de crescimento das exportações e em azul o crescimento das importações.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Gráfico 2. Crescimento da exportação e importação</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158601" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/g2.png" alt="" width="1080" height="1466" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/g2.png 1080w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/g2-221x300.png 221w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/g2-754x1024.png 754w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/g2-768x1042.png 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/g2-309x420.png 309w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/g2-640x869.png 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/g2-681x924.png 681w" sizes="(max-width: 1080px) 100vw, 1080px" /></p>
<p style="text-align: justify;">Fonte: Departamento Federal de Estatística (Destatis)</p>
<p style="text-align: justify;">No meio desse baque econômico a burguesia alemã tenta esconder dos trabalhadores sua habilidade ímpar em fazer a vida virar morte. “Adeus, Lênin” é fichinha perto do que vem pela frente. Mesmo uma das opções clássicas para sair da crise, o desemprego, parece não estar funcionado. Segundo a chefe da Agência Federal de Emprego do país, Andrea Nahle, <a class="urlextern" title="https://www.google.com/amp/s/g1.globo.com/google/amp/economia/noticia/2025/12/28/mercado-de-trabalho-alemanha.ghtml" href="https://www.google.com/amp/s/g1.globo.com/google/amp/economia/noticia/2025/12/28/mercado-de-trabalho-alemanha.ghtml" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">as chances de desempregados na Alemanha encontrarem trabalho nunca foram tão baixas</a>. A taxa de desemprego está em 6.3%, igualando ao ponto mais alto durante a crise econômica de 2020, como podemos ver no gráfico abaixo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Gráfico 3 — desemprego na Alemanha</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158602" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/g3.png" alt="" width="922" height="464" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/g3.png 922w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/g3-300x151.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/g3-768x386.png 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/g3-835x420.png 835w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/g3-640x322.png 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/g3-681x343.png 681w" sizes="auto, (max-width: 922px) 100vw, 922px" /></p>
<p style="text-align: justify;">Fonte : <a class="urlextern" title="https://pt.tradingeconomics.com/germany/unemployment-rate" href="https://pt.tradingeconomics.com/germany/unemployment-rate" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">Bundesagentur für Arbeit</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A combalida saúde da economia Alemã</strong></p>
<p style="text-align: justify;">No final de 2025 <a class="urlextern" title="https://www.dw.com/pt-br/a-corrida-das-montadoras-alem%C3%A3s-para-alcan%C3%A7ar-a-china/a-75372891" href="https://www.dw.com/pt-br/a-corrida-das-montadoras-alem%C3%A3s-para-alcan%C3%A7ar-a-china/a-75372891" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">uma notícia no jornal DW destacou</a>: “A indústria automobilística emprega mais de um milhão de pessoas e há muito tempo é um termômetro da saúde econômica alemã”. A notícia segue com um preciso diagnóstico “as vendas estão encolhendo, empregos estão sendo cortados e fábricas enfrentam ameaças de fechamento”. Ou seja, como verificamos nos dados acima a saúde da economia alemã não vai bem.</p>
<p style="text-align: justify;">Um do motivos é que sua menina dos olhos era o mercado chinês, isso mesmo, “era”. Segue o DW:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">“Houve tempos em que a participação de mercado da Volkswagen se aproximava de 50%. Até alguns anos atrás, as montadoras alemãs vendiam um em cada três carros no país asiático”.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Porém, após 2008, o governo chinês passou a incentivar a produção de veículos elétricos, sendo o principal tipo de carro vendido na China atualmente.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">“Hoje, a cada dois <a class="urlextern" title="https://www.dw.com/pt-br/chinesa-byd-supera-tesla-como-maior-vendedora-de-carros-el%C3%A9tricos/a-75371916" href="https://www.dw.com/pt-br/chinesa-byd-supera-tesla-como-maior-vendedora-de-carros-el%C3%A9tricos/a-75371916" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">carros vendidos na China</a>, um é elétrico — e quase todos são de marcas chinesas. As vendas alemãs despencaram em seu mercado mais importante”.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Por fim, a notícia relata que diante da derrota sofrida pela burguesia alemã no mercado chinês, eles se voltam para a Índia, porém, enfrentando a concorrência dos carros indianos, coreanos, japoneses e agora dos carros chineses.</p>
<p style="text-align: justify;">Outra notícia que explica o desengavetamento do empoeirado acordo com o Mercosul, parado há 25 anos, <a class="urlextern" title="https://www.dw.com/pt-br/uni%C3%A3o-europeia-aprova-acordo-de-livre-com%C3%A9rcio-com-mercosul/a-75449058" href="https://www.dw.com/pt-br/uni%C3%A3o-europeia-aprova-acordo-de-livre-com%C3%A9rcio-com-mercosul/a-75449058" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">vem do próprio DW</a>:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">“Para os defensores, como Alemanha e Espanha, este acordo, ao contrário, revitalizará uma economia europeia em dificuldades, enfraquecida pela concorrência chinesa e pelas tarifas dos Estados Unidos (…) Ao eliminar grande parte das tarifas, o pacto impulsionaria as exportações europeias de automóveis, máquinas, vinho e queijo”.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Levando em consideração a grande importância da indústria automobilística que “há muito tempo é um termômetro da saúde economia alemã”, vamos focar um pouco mais em seus dados.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Gráfico 4- Produção de veículos automotores: Alemanha</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158603" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/g4.png" alt="" width="1200" height="500" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/g4.png 1200w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/g4-300x125.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/g4-1024x427.png 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/g4-768x320.png 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/g4-1008x420.png 1008w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/g4-640x267.png 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/g4-681x284.png 681w" sizes="auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /></p>
<p style="text-align: justify;">Fonte : <a class="urlextern" title="https://www.ceicdata.com/pt/indicator/germany/motor-vehicle-production" href="https://www.ceicdata.com/pt/indicator/germany/motor-vehicle-production" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">CEICDATA</a></p>
<p style="text-align: justify;">No gráfico acima, observamos a grande queda vinda junto da última crise cíclica. Como de praxe, o padrão/patamar produtivo foi alterado, agora os carros elétricos são a bola da vez e a Alemanha não está acompanhando a toada. A queda em relação ao ápice ocorrido em 2025 é de 33%.</p>
<p style="text-align: justify;">Em <a class="urlextern" title="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cpvmedkn80lo" href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cpvmedkn80lo" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">matéria da BBC NEWS</a> observamos o busílis:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">“Todas as &#8216;três grandes&#8217; montadoras viram seus lucros antes dos impostos despencarem em cerca de um terço nos primeiros nove meses de 2024, e cada uma delas avisou que seus ganhos para o ano como um todo seriam menores do que o previsto anteriormente”, ou seja o cerne é a queda da taxa de lucro. Também pode ser verificado na queda vendas: “Entre 2017 e 2023, as vendas da VW caíram de 10,7 milhões para 9,2 milhões, enquanto, no mesmo período, as da BMW passaram de 2,46 milhões para 2,25 milhões, e as da Mercedes-Benz, de 2,3 milhões para 2,04 milhões, conforme mostram os relatórios das empresas”.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Para encerrar esse mapeamento das notícias no jornalão burguês, <a class="urlextern" title="https://www.dw.com/pt-br/ind%C3%BAstria-alem%C3%A3-perde-100-mil-postos-de-trabalho-em-12-meses/a-72832333" href="https://www.dw.com/pt-br/ind%C3%BAstria-alem%C3%A3-perde-100-mil-postos-de-trabalho-em-12-meses/a-72832333" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">mais uma notícia do DW</a>, segundo Jan Brorhilker, sócio de umas das maiores consultorias empresariais do mundo, a Ernst &amp; Young:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">“As empresas industriais estão sob imensa pressão” e “concorrentes agressivos, especialmente da China, estão forçando a queda dos preços, os principais mercados consumidores estão enfraquecendo, a demanda na Europa está estagnada em um nível baixo e há uma grande incerteza em torno de todo o mercado dos EUA”.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158596" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/Good_Bye_Lenin-369390260-large-1643718632.jpg" alt="" width="1661" height="1200" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/Good_Bye_Lenin-369390260-large-1643718632.jpg 1661w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/Good_Bye_Lenin-369390260-large-1643718632-300x217.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/Good_Bye_Lenin-369390260-large-1643718632-1024x740.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/Good_Bye_Lenin-369390260-large-1643718632-768x555.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/Good_Bye_Lenin-369390260-large-1643718632-1536x1110.jpg 1536w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/Good_Bye_Lenin-369390260-large-1643718632-581x420.jpg 581w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/Good_Bye_Lenin-369390260-large-1643718632-640x462.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/Good_Bye_Lenin-369390260-large-1643718632-681x492.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 1661px) 100vw, 1661px" />Conexões e conclusões </strong></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">“Os cortes de gastos são mais fáceis de vender em nome da defesa do que em nome de uma noção generalizada de eficiência. Ainda assim, esse não é o propósito da defesa, e os políticos devem insistir neste ponto. O objetivo é a sobrevivência. O chamado “capitalismo liberal” precisa sobreviver e isso significa reduzir os padrões de vida para os mais pobres e gastar dinheiro para ir à guerra. Do estado de bem-estar social ao estado de guerra…”.</p>
<p style="text-align: justify;">E vão nesta toada: reduzindo gastos sociais, aumentando a capacidade de endividamento e, numa nova rodada, tendem a retomar a retirada de direitos dos trabalhadores <strong>[2]</strong>.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Fechamos assim nosso último material sobre a Europa e com os dados acima sobre a Alemanha tudo se encaixa.</p>
<p style="text-align: justify;">Os investidores, governos, economistas, analistas, jornalistas e demais ideólogos burgueses se acostumaram com o fato de que em cada fim de ciclo econômico fosse sacrificada uma economia da periferia do capital. Foi assim com Argentina, Venezuela, Brasil, Grécia e outras. Dessa vez as coisas estão ocorrendo de outra maneira. Além das tradicionais vítimas da periferia do capital, entrou para o seleto grupo de economias combalidas a cada rodada de ciclo econômico uma importante economia do centro do capital, desde a crise de 2020 a economia da Alemanha continua em declínio. Em resumo, as crises cíclicas do capital são cada vez mais potentes no coração do sistema.</p>
<p style="text-align: justify;">Outra importante conclusão, a China durante décadas foi mercado de trabalho e consumo para as grandes empresas da Europa, porém em alguns setores as coisas começam a mudar, como vimos no caso dos carros elétricos. Nesse importante mercado a economia chinesa consegue praticar preços de produção bem menores que os seus concorrentes, porém, pelo fato da taxa de lucro tendencialmente diminuir, ela precisará de um mercado consumidor muito maior, como muito bem nos ensinou Marx no livro 3 do Capital e Rosa Luxemburgo em seu <em>Acumulação de Capital</em>. Nessa busca por mercados, além dos alemães, ela encontrará empresas dos EUA, França, Coreia do Sul e Japão. Se a tendência atual for confirmada e o capital sair do estado estacionário, veremos outra rodada de superação, ápice, crise e estagnação com retomada se iniciando.</p>
<p style="text-align: justify;">Levando em conta que nessa quadratura histórica as disputas por mercados assumem cada vez mais as características militares. Ou seja, a guerra e o protecionismo tomam a frente da economia-política, tudo fica às claras (arma na mesa e dedo em riste!).</p>
<p style="text-align: justify;">Neste novo momento do capital, com a necessidade do império-do-terror/coração-do-sistema se salvar, uma crise no coração do sistema tende a estar mais próxima. Com tudo isso no jogo, nos resta saber onde explodirá a nova destruição do capital a fim de retomar suas taxas de lucros perdidas e se agora com o velho e experiente proletariado europeu ameaçado ele há de se tornar classe para si novamente. No berço das revoluções ainda há muitos bebês para serem gerados e o céu, meus amigos, o céu deve ser atacado.</p>
<p style="text-align: justify;">Seguimos afiando nossas armas para quando o carnaval chegar e nós descer! Até a próxima.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Notas</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1]</strong> Derrota iniciada em 1921 com o massacre de Kronstadt. O pior é que nos lembra nossos amigos que tentam com todas as maneiras mostrar que os “socialistas de mercado” ou sem mercado (como Cuba) são superiores e tem ou tiveram vitórias que, se não fossem o malvado Capitalismo imperialista, seria a salvação do povo pobre do mundo. Este debate é complicado, mas partimos do pressuposto que estamos derrotados. Imóveis não, derrotados.<br />
<strong>[2]</strong> <strong>Charles Júnior e Antônio Carlos</strong>, <em>“Europa – do estado de bem-estar ao estado de guerra”</em>. In: <a class="urlextern" title="https://revistachama.wordpress.com/2025/06/03/europa_doestadodebemestaraoestadodeguerra/" href="https://revistachama.wordpress.com/2025/06/03/europa_doestadodebemestaraoestadodeguerra/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">Revista Chama</a> (03/06/2025)<br />
<strong>[3]</strong> Quando está tudo bem (emprego em alta, todo mundo comendo, pagando seus alugueis, bebendo seu chopp, comprando uma peita nova pro mozão e se reproduzindo a felicidade reina, quando as demissões começam a aparecer a vida aperta e os questionamentos ganham força.</p>
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
					
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		<title>Berlim: entregadores protestam contra condições perigosas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Apr 2021 12:51:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[PassaPalavraTV]]></category>
		<category><![CDATA[Alemanha]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho_e_sindicatos]]></category>
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					<description><![CDATA[Em fevereiro, entregadores em Berlim foram forçados a entregar pedidos com suas bicicletas mesmo com temperaturas que chegavam a 16 graus]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por Labour Net</h3>
<p><iframe loading="lazy" src="https://labournet.tv/iframe_embed_v2.php?clipId=7718" width="425" height="245" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;">Inglês com legendas em inglês | 3 min | 2021 |</p>
<p style="text-align: justify;">Em fevereiro, entregadores em Berlim foram forçados a entregar pedidos com suas bicicletas mesmo com temperaturas que chegavam a 16 graus negativos. No dia 11 de fevereiro de 2021, entregadores do Lieferando e do Wolt protestaram contra as condições perigosas, para chamar atenção para os riscos que enfrentam ao pedalarem nas ruas.Naquela semana um entregador foi morto por um carro em Madri, e semanas antes outro foi morto em Frankfurt.</p>
<p style="text-align: justify;">Os entregadores estão exigindo que as empresas de entrega levem sua segurança a sério e cancelem os turnos durante o tempo gelado, sem deduções salariais ou outras consequências negativas.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Traduzido para o Passa Palavra por Marco Túlio Vieira.</em></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>&#8220;Seremos resistência&#8221;? (6)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Dec 2019 12:25:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Flagrantes Delitos]]></category>
		<category><![CDATA[Alemanha]]></category>
		<category><![CDATA[Extrema_direita]]></category>
		<category><![CDATA[Extrema_esquerda]]></category>
		<category><![CDATA[Outras_lutas]]></category>
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					<description><![CDATA[Na Alemanha, no estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no distrito de Nordwestmecklenburg, no município de Gägelow, no final da estrada vicinal Jameler Strasse, existe uma vila de quarenta habitantes chamada Jamel. Sobre as casas, tremula orgulhosa a Reichsflagge, símbolo da extrema-direita neonazi. Um sinal rodoviário aponta para Braunau am Inn, cidade natal de Adolf Hitler na [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Na Alemanha, no estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no distrito de Nordwestmecklenburg, no município de Gägelow, no final da estrada vicinal Jameler Strasse, existe uma vila de quarenta habitantes chamada Jamel. Sobre as casas, tremula orgulhosa a <em>Reichsflagge</em>, símbolo da extrema-direita neonazi. Um sinal rodoviário aponta para Braunau am Inn, cidade natal de Adolf Hitler na Áustria, cerca de 800 km ao sul. O vereador da vila, Sven Krüger, é destacado membro do Partido Nacional Democrático da Alemanha (NPD), com extensa ficha policial. Trata-se de uma “zona nacional libertada”, tática de territorialização da extrema-direita alemã que desde 1990 cria verdadeiras “zonas do medo” Alemanha adentro. Birgit e Horst Lohmeyer são os únicos antinazistas locais. Insultados na rua, seguidos por estranhos nas estradas, já foram intimados a vender sua casa. Recusam-se a sair. Depois de terem seu celeiro incendiado em 2007, abriram seu pequeno sítio para a realização de um pequeno festival de bandas antinazistas, onde uma vez por ano a pequena vila é tomada por antinazistas de todos os tipos. <strong>Passa Palavra</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Investigação militante nos call centers: entrevista com o Coletivo Kolinko, da Alemanha</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Apr 2019 18:30:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Alemanha]]></category>
		<category><![CDATA[Extrema_esquerda]]></category>
		<category><![CDATA[Itália]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho_e_sindicatos]]></category>
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					<description><![CDATA[Por Jamie Woodcock e Coletivo Kolinko Nessa entrevista, Jamie Woodcock conversou com antigos membros do coletivo Kolinko, que existiu entre a segunda metade dos anos 90 e a primeira metade dos anos 2000. A investigação que eles realizaram em call centers alemães foi documentada no livro Hotlines, que pode ser lido aqui. Jamie Woodcock: Posso começar perguntando por que [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por Jamie Woodcock e Coletivo Kolinko</h3>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Nessa entrevista, Jamie Woodcock conversou com antigos membros do coletivo Kolinko, que existiu entre a segunda metade dos anos 90 e a primeira metade dos anos 2000. A investigação que eles realizaram em <em>call centers </em>alemães foi documentada no livro <em>Hotlines</em>, que pode ser lido <a class="urlextern" title="https://www.nadir.org/nadir/initiativ/kolinko/lebuk/e_lebuk.htm" href="https://www.nadir.org/nadir/initiativ/kolinko/lebuk/e_lebuk.htm" rel="nofollow">aqui</a>.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong>Jamie Woodcock:</strong> Posso começar perguntando por que vocês decidiram iniciar o projeto de enquete operária/pesquisa militante? Por que vocês escolheram <em>call centers</em>?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Kolinko:</strong> Três aspectos merecem ser mencionados: as limitações da esquerda radical e nossa tentativa de reconectar a política revolucionária com a luta de classes; as experiências de investigação militante – ou <em>conricerca</em> (co-pesquisa, em italiano) – como uma ferramenta útil para fazer isso; e os <em>call centers</em> como novos locais de trabalho em massa, com potencial de lutas dos trabalhadores.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante a década de 1990, a esquerda radical na Alemanha se integrou ao mainstream desprezando a classe trabalhadora. Seu foco estava na construção de alianças “democráticas” antifascistas e em afirmar sua superioridade moral como “anti-germânicos”. “Pós-modernismo”, “pós-industrialismo” e políticas de identidade foram armas ideológicas para facilitar essa integração. Alguns grupos dentro da antiga esquerda autonomista tentaram se relacionar com a realidade social, mas fizeram isso regurgitando a “questão social” de um modo paternalista <img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-125986" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2019/04/concha-praia-02.jpg" alt="" width="348" height="261" />e liberal: os trabalhadores fragmentados deveriam se reunir em torno de “demandas de transição” como garantia de renda, direitos universais ou municipalismo eleitoral. A maioria dos grupos tinha uma forma externa e esquemática de se relacionar com a realidade da classe trabalhadora.</p>
<p style="text-align: justify;">Para nós, a enquete operária foi o primeiro passo para retomar a política revolucionária. Vimos isso não como um esforço sociológico, mas como um esforço experimental para restabelecer uma relação produtiva entre os revolucionários e a auto-organização dos trabalhadores. Queríamos entender as condições particulares para poder encontrar e apresentar uma perspectiva política e propor etapas que transcendessem um local de trabalho ou setor específico.</p>
<p style="text-align: justify;">Alguns de nós tínhamos discutido, por algum tempo, a história e os instrumentos da corrente marxista italiana que ficou conhecida como operaísmo e descobrimos que a enquete operária (<em>conricerca</em>) é um bom método para entender a situação da classe trabalhadora e intervir em suas lutas. Depois de tentativas anteriores com essas investigações – em canteiros de obra, por exemplo – nós tínhamos alguma experiência. Alguns de nós estavam desempregados, e procuramos trabalhos onde pudéssemos iniciar uma investigação coletiva. Os <em>call centers</em> estavam se multiplicando em nossa região na segunda metade da década de 1990, então decidimos ir até eles.</p>
<p style="text-align: justify;">Também focamos nos <em>call centers</em> porque eles representavam uma nova maneira de organizar o trabalho de escritório. Primeiramente, eles aboliram as antigas habilidades e qualificações dos trabalhadores de colarinho branco e redistribuíram-nas entre um número maior de trabalhadores “não qualificados” que são menos capazes de desenvolver “orgulho profissional” e outras formas de mentalidade limitada ligadas à qualificação. Em segundo lugar, os <em>call centers</em> reconcentraram essa força de trabalho, colocando centenas de trabalhadores sob o mesmo teto numa época em que o mainstream afirmava que o computador e a internet inevitavelmente levariam as pessoas a trabalhar isoladas em casa. Em terceiro lugar, os <em>call centers</em> socializavam e conectavam o trabalho além das fronteiras nacionais. Testemunhamos experiências de trabalho e exploração muito semelhantes em todo o mundo, com a mesma força de <img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-125993 alignright" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2019/04/concha-praia-01.jpg" alt="" width="420" height="236" />trabalho jovem e de ambos os sexos. Isso nos deu esperança de estabelecer intercâmbio orgânico e solidariedade transfronteiriça, embora já enxergássemos o problema que os sindicatos “nacionais” representavam para isso.</p>
<p style="text-align: justify;">Logo cedo observamos alguns sinais de resistência, como greves entre os trabalhadores de <em>call centers</em> no setor bancário. Queríamos compreender esses desdobramentos e intervir – e, como um pequeno grupo de cerca de dez pessoas, escolhemos limitar nossos esforços a um determinado setor, a fim de evitar ultrapassar nossas capacidades. Então, a maioria de nós conseguiu empregos em c<em>all centers</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>JW:</strong> Como vocês descreveriam o processo de investigação que vocês construíram? Vocês poderiam nos contar um pouco mais sobre os questionários e panfletos que fizeram?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>K:</strong> Os questionários foram, antes de tudo, uma diretriz para nossas próprias discussões e relatórios. Nós só entrevistamos amigos e colegas de trabalho próximos – não foi uma tentativa de fazer um levantamento de dados em massa. Isso não significa que os questionários não possam ser usados mais extensivamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Os panfletos referiam-se principalmente a problemas concretos em centrais de atendimento específicas. Eles serviam para criar mais agitação. As quatro edições do boletim foram meio didáticas. Decidimos abordar quatro questões principais da exploração: a intensificação do trabalho; a extensão da jornada; o mito da qualidade e a alienação; e a luta contra os chefes e o problema da representação sindical. Tentamos relacionar esses tópicos gerais com a realidade concreta dos <em>call centers</em>. Também adicionamos relatórios e histórias, mas a estrutura era bastante rígida.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-125994" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2019/04/concha-praia-00.jpg" alt="" width="424" height="292" />Olhando em retrospectiva, poderíamos ter apresentado o jornal como algo mais aberto para a troca de notícias entre os atendentes de <em>call center</em>, o que poderia ter encorajado mais pessoas a nos escreverem ou a se envolverem. Nossa própria experiência a esse respeito era incompleta: havíamos participado de vários &#8216;boletins informativos&#8217; e esforços de panfletagem antes, principalmente como parte do coletivo <em><a class="urlextern" title="https://www.wildcat-www.de/" href="https://www.wildcat-www.de/" rel="nofollow">Wildcat</a></em> na Alemanha, mas nossos círculos realmente não tinham muita experiência consistente com publicações e esforços organizativos da classe trabalhadora. Ainda assim, foi interessante ver como os colegas usavam o boletim como fonte de informação, disparando conversas sobre as condições de trabalho. Como o jornal não era pensado para construir uma organização, não o estendemos por muito tempo. Se tivéssemos seguido com ele, o boletim poderia ter contribuído para reunir mais trabalhadores ativistas ou trabalhadores que gostam de “fazer alguma coisa”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>JW:</strong> O contexto da enquete pode ser descrito como “frio”, sem luta aberta. Quais são os desafios ou oportunidades de fazer uma enquete nesse contexto, em vez de um contexto mais “quente”?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>K:</strong> Houve algumas disputas nos <em>call centers</em> em nossa região &#8211; então as coisas eram, pelo menos, “mornas”. Mas, sim, nossa abordagem na época era: não podemos dar o pontapé nas lutas, então vamos seguir o fluxo e aprender. Nós não nos víamos como &#8216;organizadores&#8217; naquela época, e, novamente olhando em retrospectiva, talvez devêssemos ter tentado uma forma mais ativa de intervenção e organização. Entretanto, se não houver luta – ou se não houver raiva profunda entre os trabalhadores, pelo menos – então qualquer tentativa de organização terá efeitos limitados.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>JW:</strong> Você acha que há uma tensão entre pesquisa e organização (ou intervenção) em um projeto como esse? Como isso pode ser resolvido?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>K:</strong> Em geral, uma vez que a pesquisa é feita pelos próprios trabalhadores, não há tensão entre pesquisa e organização – a pesquisa é uma pré-condição contínua e um esforço organizador em si. A tensão existe se os pesquisadores se colocam como externos, com objetivos separados – por exemplo, como acadêmicos ou como representantes de organizações (sindicais) que desenvolvem interesses separados daqueles dos trabalhadores.</p>
<p style="text-align: justify;">Na época, tínhamos certeza de não querermos nos envolver com os principais sindicatos e com a diretoria legal dos conselhos de trabalhadores. E o sindicalismo de base era muito mais fraco do que hoje. Os únicos esforços sérios a esse respeito que testemunhamos foram feitos por sindicatos de base na Itália. Poderíamos ter tentado formalizar mais nossos esforços e nos apresentado como uma “organização de trabalhadores do <em>call center</em>”, mas na maioria das situações em que nos encontrávamos, isso seria um passo artificial. Ainda estava tudo na fase de construção de confiança e de redes informais entre os colegas, e levamos isso o mais longe que podíamos.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-125989" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2019/04/concha-orelha-01.jpg" alt="" width="1000" height="750" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>JW:</strong> Na revista <em>Notes from Below</em>, analisamos a composição da classe a partir dos aspectos técnico e político, mas também pelo viés social. Definimos “composição social” como a organização material específica dos trabalhadores em uma sociedade de classes no âmbito das relações sociais de consumo e reprodução. Esse é um aspecto que vocês consideraram durante as investigações no <em>call center</em>?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>K:</strong> A “composição social” fora dos locais de trabalho e seus antagonismos sociais pode ser bastante individualista ou divisora, especialmente quando se fala em conceitos como “consumidores” ou “cidadãos”. Ainda assim, há uma necessidade de organizar uma luta em algo como uma esfera proletária: organizações de inquilinos, auto-educação dos trabalhadores e a luta das trabalhadoras contra o sexismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Na época, em cidades como Berlim, muitos dos trabalhadores do <em>call center</em> tinham origem estudantil – e qualquer esforço de organização teria que levar em conta essa dupla existência e descobrir seus potenciais, obtendo uma dinâmica entre as lutas do campus e os locais de trabalho. Na região do Ruhr, onde morávamos, os funcionários do <em>call center</em> eram mais heterogêneos; incluíam estudantes, ex-trabalhadores de escritório e ex-trabalhadores industriais. Talvez pudéssemos ter tentado com mais afinco abordar a experiência de trabalho anterior de alguns desses colegas e ver se eles ainda tinham contatos e envolvimento com esferas mais tradicionais de trabalho e lutas. Também não conseguimos abordar a questão de como nossas colegas que eram mães solteiras organizavam sua vida depois do trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-125987" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2019/04/conchas-praia-02.jpg" alt="" width="380" height="285" />Ainda assim, nossa proposta no final do livro <em>Hotlines</em> – a formação de “círculos proletários” – envolve o fato de que a organização da classe trabalhadora deve abranger todas as questões da vida, desde os arranjos de vida até a questão de como lidar com a doença ou velhice. No momento da enquete no <em>call center</em>, simplesmente não tínhamos a capacidade de ter estruturas paralelas de atividades no local de trabalho e “redes de solidariedade”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>JW:</strong> <em>Hotlines</em> assume um tom bastante autocrítico em alguns pontos, dando ao leitor <em>insights</em> sobre o que funcionou e sobre o que não funcionou. Você poderia nos contar um pouco mais sobre o que vocês aprenderam com o processo?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>K:</strong> Bem, a autocrítica e a capacidade de fazer uso da crítica alheia é uma pré-condição para o progresso. Obviamente, tentamos muitas coisas na época e cometemos erros, mas não queríamos apresentar nossa atividade como a melhor solução para tudo ou a luta dos trabalhadores do <em>call center</em> como o conflito central na atual composição da classe. Ainda assim, fomos também atacados na época por grupos que viam o que estávamos fazendo como se cruzássemos alguma linha política sagrada &#8211; muita “intervenção” ou pouco “trabalho organizativo”, dependendo do dogma político por trás.</p>
<p style="text-align: justify;">Em relação aos <em>call centers</em>, aprendemos que, apesar de empregarem centenas de trabalhadores, isso não os transforma em fábricas. A falta de cooperação material entre trabalhadores em <em>call centers</em> pode ser uma das principais razões pelas quais não vimos o surgimento do poder e da confiança entre trabalhadores. Em retrospectiva, deveríamos ter ficado mais confiantes em propor ou pelo menos experimentar algum tipo de estrutura organizacional, como um grupo de trabalhadores de <em>call center</em> de toda a região, um grupo para além do local de trabalho específico de cada um. Por outro lado, nós também não éramos fortes o suficiente como um grupo em termos de membros ativos para se engajar mais em outras lutas na região na época, como a luta dos trabalhadores da <em>General Motors</em>. Durante a investigação no <em>call centers</em>, estávamos muito ocupados com trabalho assalariado e atividade política e não tínhamos muita energia para mais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>JW:</strong> No livro <em>Hotlines</em>, vocês propuseram que núcleos revolucionários realizassem enquetes, com a possibilidade de troca entre eles. Houve algum resultado?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>K:</strong> A enquete nos colocou em contato com grupos de toda a Europa e facilitou o estabelecimento de reuniões de verão regulares, com ativistas de mentalidade semelhante, desde o início dos anos 2000. Nossa pesquisa não foi o gatilho de nenhum movimento maior, mas parece ter inspirado vários grupos em vários países a debater e se engajar na enquete operária. Mesmo agora, cerca de vinte <img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-125992" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2019/04/conchas-praia-03.jpg" alt="" width="360" height="320" />anos depois, ainda nos perguntam sobre isso, e <em>Hotlines</em> é usado como exemplo. Também foi importante termos colocado as principais experiências e resultados nesse livro &#8211; algo que muitos grupos nunca conseguem fazer depois de uma intervenção. O livro até foi republicado alguns anos depois na <a class="urlextern" title="http://phonemebooks.net/" href="http://phonemebooks.net/" rel="nofollow">Índia</a>, com um novo prefácio, e alguns estudantes fizeram enquetes em pequena escala no setor de <em>telemarketing</em> local.</p>
<p style="text-align: justify;">O que provavelmente não deixamos claro é que essa pesquisa não é “um projeto” – na forma como muitos grupos de esquerda escolhem “projetos”, às vezes de maneira bastante aleatória – mas um passo em direção à criação de uma organização política de classe baseada em certa compreensão política e atitude moral. Esperávamos que, com a experiência e os novos contatos com companheiros de toda a Europa, pudéssemos ajudar no reagrupamento da luta de classes que ainda resta. Com este propósito, publicamos o jornal <em><a class="urlextern" title="https://libcom.org/tags/prol-position" href="https://libcom.org/tags/prol-position" rel="nofollow">Prol-position</a></em> (Posição Proletária) que continha artigos e traduções sobre as lutas dos trabalhadores para além das fronteiras das categorias.</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, nem as reuniões de verão nem o jornal conseguiram afastar os três principais obstáculos que separam o meio revolucionário: a crescente profissionalização e a academização da esquerda; o <em>laissez-faire</em> ou a atitude de alguns grupos de esquerda de não intervir nas lutas dos trabalhadores, com medo de contaminar o proletariado; e a atitude formalista que tenta empurrar as lutas dos trabalhadores para estruturas organizacionais já prontas, mas que não analisa os diferentes potenciais que o processo de produção oferece às tentativas de organização dos trabalhadores.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>JW:</strong> Como vocês enxergam a mudança na composição de classes desde o livro <em>Hotlines</em>? Se vocês fossem iniciar uma enquete operária agora, onde iriam procurar trabalho?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>K:</strong> Não por acaso, agora a maioria de nós trabalha ou está ativo na logística, ou em torno dela: como aeroportos ou depósitos e entregas, ou como apoiadores dos esforços de organização na <em>Amazon</em>. As lutas dos trabalhadores dos armazéns na Itália, e em outras regiões, demonstraram que o processo de reconcentração das cadeias modernas de fornecimento e distribuição oferece uma estrutura material para o ressurgimento do poder coletivo dos trabalhadores. Portanto, nós propusemos e iniciamos enquetes dentro da força de trabalho de logística, em colaboração com companheiros de outras iniciativas, incluindo a <em>Wildcat</em> na Alemanha, a <em><a class="urlextern" title="https://libcom.org/blog/ angryworkersworld" href="https://libcom.org/blog/%20angryworkersworld" rel="nofollow">AngryWorkers</a></em> no Reino Unido e a <em><a class="urlextern" title="http://ozzip.pl/" href="http://ozzip.pl/" rel="nofollow">Inicjatywa Pracownicza</a></em> (Iniciativa dos Trabalhadores) na Polônia.</p>
<p>Temos que lembrar que fizemos nossa enquete no final dos anos 1990 e no início dos anos 2000, portanto, antes dos eventos de 11 de setembro de 2001, da “Guerra ao Terror” e da crise iniciada em 2007 e 2008. Pelo menos três coisas mudaram desde então:</p>
<p style="text-align: justify;">Em primeiro lugar, com a crise aumentaram a intensificação do trabalho, sua <img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-125991" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2019/04/conchas-praia-04.jpg" alt="" width="410" height="308" />velocidade e, muitas vezes, a vigilância e o controle também, paralelamente a um processo de redução da qualificação da mão de obra. Nossos trabalhos na logística são apenas exemplos, a situação piorou em muitos locais de trabalho, e isso foi acompanhado por uma maior pressão do estado de bem-estar social e pela constrição do regime de migração.</p>
<p style="text-align: justify;">Em segundo lugar, a renovada globalização da guerra tornou mais fácil discutir “o sistema” com os colegas de trabalho, mesmo que não concordemos com o que seja “o sistema”. Isso foi mais difícil nos anos 90. Hoje nossas pesquisas necessariamente se tornam “políticas” e globais, não apenas pelo caráter global das indústrias e da migração, mas pela dimensão global e política da crise. Portanto, é mais importante do que nunca traçar uma linha clara entre a organização de classe dos trabalhadores, de um lado, e os esforços que comprometem a independência dos trabalhadores por meio de experimentos parlamentares, de outro. A esquerda corre o risco de reproduzir a antiga e obsoleta divisão entre o “sindicalismo honesto” para a luta econômica e o “partido parlamentar” para a luta política. Retomar a prática da enquete, hoje, significa criar organizações capazes de descobrir conexões globais entre as lutas cotidianas da classe trabalhadora, apontando para além dos limites cada vez mais frágeis que o sistema atual impõe – como as fronteiras nacionais, as políticas monetárias, a forma corporativa, a família nuclear e o sistema parlamentar, entre outros.</p>
<p style="text-align: justify;">Em terceiro lugar, assistimos a uma onda global de lutas no final dos anos 2000 e início de 2010: não apenas as “ocupações de praças”, mas muitas greves e até mesmo ondas de greves em muitas partes do mundo, incluindo o hemisfério Sul. Isso nos deu pelo menos uma ideia do que poderia ser possível se essas lutas se combinassem e fossem instauradas por uma vontade e ímpeto revolucionários semelhantes aos do final da década de 1960. Além disso, também assistimos desde então a uma série de lutas operárias, confrontos menores e cotidianos, bem como greves selvagens e greves lideradas por sindicatos em diversos setores na Europa. Nos aeroportos da Alemanha, por exemplo, houve greves de faxineiros, pilotos, equipes de cabine e seguranças de diferentes empresas nos últimos dez anos. E as condições de trabalho tornaram-se tão precárias que muitos trabalhadores estão procurando alternativas.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, parece que este é um bom momento para se envolver nessas lutas através de enquetes operárias – certamente um tempo mais promissor do que o final dos anos 1990.</p>
<figure id="attachment_125990" aria-describedby="caption-attachment-125990" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-125990 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2019/04/Im-all-ears-Elizabeth-Goodspeed.jpeg" alt="" width="800" height="600" /><figcaption id="caption-attachment-125990" class="wp-caption-text">I&#8217;m all ears (Elizabeth Goodspeed, 2016)</figcaption></figure>
<blockquote><p>Originalmente publicado em<em> <a class="urlextern" title="https://notesfrombelow.org/article/interview-kolinko-collective" href="https://notesfrombelow.org/article/interview-kolinko-collective" rel="nofollow">Notes from Below</a></em> e traduzido por um grupo de militantes.</p></blockquote>
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]]></content:encoded>
					
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		<title>Relato de Moscou</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Dec 2017 13:05:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ideias & Debates]]></category>
		<category><![CDATA[Alemanha]]></category>
		<category><![CDATA[Extrema_esquerda]]></category>
		<category><![CDATA[Revolução Russa]]></category>
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					<description><![CDATA[Relato de um comunista alemão sobre o 2º Congresso da Internacional Comunista e a política quanto aos “esquerdistas”. Por Otto Rühle I Viajei ilegalmente para a Rússia. A empreitada foi difícil e perigosa; mas teve sucesso. Em 16 de junho eu pisei no solo russo; no dia 19 eu estava em Moscou. A partida da Alemanha [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Relato de um comunista alemão sobre o 2º Congresso da Internacional Comunista e a política quanto aos “esquerdistas”.</em> <strong>Por Otto Rühle</strong></p>
<p><span id="more-117157"></span></p>
<p style="text-align: center;"><strong>I</strong></p>
<p style="text-align: left;">Viajei ilegalmente para a Rússia. A empreitada foi difícil e perigosa; mas teve sucesso. Em 16 de junho eu pisei no solo russo; no dia 19 eu estava em Moscou.</p>
<p style="text-align: justify;">A partida da Alemanha foi apressada. Em abril, a partir do convite de Moscou, o KAPD (Partido Comunista dos Trabalhadores da Alemanha)<strong>[</strong><strong>1</strong><strong>]</strong> enviou dois camaradas como negociadores ao Executivo, para conversar sobre a entrada do KAPD na III Internacional. Foi dito que os dois camaradas haviam sido presos na Estônia durante a viagem de retorno. Era necessário recomeçar imediatamente as negociações e levá-las a termo e, se possível, enviar um relatório de volta para o KAPD, para que informações vindas do KAPD pudessem ser recebidas antes do início do Congresso.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo com muita pressa, já que o Congresso já devia ter começado em 15 de junho.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-117163 aligncenter" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2017/12/arntzinviteweb-w940h840.jpg" alt="" width="517" height="389" />Tendo chegado à Rússia, para minha felicidade descobri que as notícias sobre a prisão dos nossos camaradas eram incorretas. Eles haviam viajado de volta através de Murmansk e assim já estavam na Noruega a caminho da Alemanha<strong>[</strong><strong>2</strong><strong>]</strong>. Eu também fiquei sabendo que o Congresso não iria começar em 15 de junho, mas somente em 15 de julho.</p>
<p style="text-align: justify;">O que eu descobri além disso foi bem menos agradável. Minha primeira conversa com Radek<strong>[</strong><strong>3</strong><strong>]</strong> foi uma verdadeira discussão. Durou horas. Em parte muito enfática. Cada frase de Radek era uma frase tirada do “Bandeira Vermelha”. Cada argumento era um argumento espartaquista. Radek é, no final das contas, senhor e mestre do KPD. Dr. Levi<strong>[</strong><strong>4</strong><strong>]</strong> e consortes são seus alegres papagaios. Eles não possuem opinião própria e são pagos por Moscou.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu pedi a Radek para me entregar a <em>Carta Aberta ao KAPD</em><strong>[</strong><strong>5</strong><strong>]</strong>. Ele me prometeu entregá-la, mas não manteve a sua palavra. Eu o lembrei repetidamente disto e outros também o lembraram, mas ainda assim eu não a recebi. Quando mais tarde eu soube que os dois camaradas que estavam agindo como negociadores somente receberam a <em>Carta Aberta</em> no último momento antes de sua partida, a psicologia do comportamento de Radek ficou clara para mim. Ele, o mais astuto dos astutos e o mais inescrupuloso dos inescrupulosos, levando em consideração as pérfidas mentiras e ofensas que absolutamente transbordavam na <em>Carta Aberta</em>, sentiu, com certeza, algo como vergonha, que o fez evitar ter que responder por elas frente aos insultados e difamados.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-117159" style="text-align: justify;" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2017/12/2008-07-06-revolution.jpg" alt="" width="345" height="480" /></p>
<p style="text-align: justify;">Os métodos que eu vi praticarem contra mim em Moscou suscitaram minha mais forte aversão. O que eu vi: “mudanças de cenários” políticas, feitas para enganar, usando gritantes resoluções revolucionárias para acobertar o fundo oportunista. O melhor teria sido desistir e ir embora de uma vez. No entanto, eu decidi permanecer até que o segundo delegado, o camarada Merges-Braunschweig<strong>[</strong><strong>6</strong><strong>]</strong>, chegasse.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu usei o tempo para fazer estudos.</p>
<p style="text-align: justify;">Primeiro eu dei uma olhada por Moscou, na maior parte das vezes sem um guia oficial, para poder ver também o que não era permitido ver. Depois eu fiz uma longa viagem de carro para Kashira e visitas em Nizhny-Novgorod, Cazã, Simbirsk, Samara, Saratov, Tambov, Tula, etc., conhecendo assim os locais mais importantes na Rússia Central. Isto me garantiu uma abundância de impressões, mais desagradáveis do que agradáveis. A Rússia estava sofrendo em todos os seus membros, de todas as doenças. Mas como isto poderia ser diferente! Muito estava sendo relatado, porém o exemplo de Crispien<strong>[</strong><strong>7</strong><strong>]</strong> e Dittman<strong>[</strong><strong>8</strong><strong>]</strong> não me tentou a seguir em frente. Quais interesses teriam sido servidos então? Somente os dos oponentes do comunismo. Todos esses problemas e recuos não eram, é claro, provas contra o comunismo. No máximo seriam contra os métodos e táticas usados pela Rússia para realizar o Comunismo.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>II</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A tática russa é a tática da centralização autoritária. Ela foi consistentemente desenvolvida e, no fim, levada ao extremo, pelos bolcheviques, como princípio fundamental do centralismo que levou ao ultracentralismo. Os bolcheviques não o fizeram por desejo ou vontade de experimentar. A revolução os forçou a tanto. Se hoje os representantes das organizações alemãs estão cheios de indignação e se persignam frente ao fenômeno ditatorial e terrorista na Rússia, é fácil para eles falarem. Estivessem eles na posição do governo russo, teriam que fazer exatamente o mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">Centralismo é o princípio organizacional da era capitalista-burguesa. Com ele o Estado burguês e a economia capitalista podem ser construídos. Entretanto, não o Estado proletário e a economia socialista. Estes demandam o sistema de conselhos. Para o KAPD – e contrário a Moscou – a revolução não é um assunto do partido, o partido não é uma organização autoritária que funciona de cima para baixo, o líder não é um chefe militar, as massas não são um exército condenado à obediência cega, a ditadura não é o despotismo de um grupelho, o comunismo não é o trampolim para a ascensão de uma nova burguesia soviética. Para o KAPD a revolução é um assunto de toda a classe proletária, dentro da qual o partido comunista é somente a forma da vanguarda mais madura e determinada. A ascensão e desenvolvimento das massas, a maturidade política desta vanguarda, não espera a tutela da liderança, disciplina e regulação. Pelo contrário: estes métodos produzem em um proletariado avançado como o alemão exatamente o resultado oposto. Eles sufocam iniciativas, paralisam a atividade revolucionária, enfraquecem a combatividade, reduzem o sentimento pessoal de responsabilidade. O que importa é despertar a iniciativa das massas, libertá-las da autoridade, desenvolver sua autoconfiança, treiná-las em sua atividade independente e assim aumentar seu interesse pela revolução. Cada lutador deve saber e sentir porque ele está lutando, pelo que ele está lutando. Todos devem se tornar conscientemente porta-vozes da luta revolucionária e membros criativos da construção comunista. Portanto, a liberdade necessária nunca será ganha no sistema coercitivo do centralismo, nas correntes do controle burocrático-militarista, sob o peso de uma ditadura de líderes e seus inevitáveis acompanhamentos: arbitrariedade, culto à personalidade, autoritarismo, corrupção, violência. Logo: supressão de compromissos e compulsões externos através de preparo e vontade internos. Logo: elevação do comunismo de um palavreado demagógico de um grupelho para as alturas de uma das experiências mais cativantes e realizadoras de todo o mundo.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-117166" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2017/12/Gerd-Arntz-Russland-1934.jpg" alt="" width="508" height="361" /></p>
<p style="text-align: justify;">O KAPD chegou a estas conclusões através da simples percepção da situação mais óbvia, a de que cada país e cada povo, por terem sua própria economia, estrutura social, tradições, maturidade do proletariado, i.e., seus próprios requisitos e condições revolucionárias, deve também ter suas próprias leis, métodos, ritmo de desenvolvimento e aparições externas da revolução. A Rússia não é a Alemanha, a política russa não é a política alemã, a revolução russa não é a revolução alemã. Lênin pode demonstrar centenas de vezes que as táticas dos bolcheviques foram de grande sucesso na revolução russa, ainda assim elas não seriam as táticas corretas para a revolução alemã. Toda tentativa de nos forçar a adotar estas táticas deve provocar a mais resoluta oposição.</p>
<p style="text-align: justify;">Moscou está fazendo esta tentativa terrorista. Ela quer elevar os seus princípios a princípios da revolução mundial. O KPD é o seu agente. Ele trabalha sob ordens russas e pelo modelo russo. Ele é o gramofone de Moscou. Como o KAPD não aceita este papel de eunuco, é perseguido com ódio mortal. Somente se leem os ataques mais insultantes, as difamações e acusações mais venenosas, com as quais lutam contra nós sem conhecimento algum da situação revolucionária na qual nos encontramos e dos efeitos que esta prática vil desperta em nossos oponentes burgueses. Dr. Levi e Heckert<strong>[</strong><strong>9</strong><strong>]</strong> tem que atirar contra nós cada quantidade de lixo que Radek e Zinóviev<strong>[</strong><strong>10</strong><strong>]</strong> põem em suas mãos. É para isso que esses rapazes são pagos. Entretanto, como o KAPD não desiste, ele deve ser censurado pelo Congresso da III Internacional para se sujeitar ao comando de Moscou. Tudo foi excelentemente preparado. A guilhotina foi montada. Radek testou contentemente o fio da lâmina. E a alta corte já estava reunida. Teria sido um espetáculo grandioso, deveras bonito para ter acontecido.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>III</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quando eu retornava do Volga o camarada Merges chegou a Moscou.</p>
<p style="text-align: justify;">No mesmo dia ocorreu uma sessão do Executivo da III Internacional. Nós não fomos convidados. Na nossa ausência, a moção de Meyer<strong>[</strong><strong>1</strong><strong>1</strong><strong>]</strong> (KPD), de que nos deveria ser recusada a admissão no Congresso foi discutida. A moção foi rejeitada. Nisso eles nos chamaram para a sessão e foram generosos a ponto de nos garantir <em>status</em> consultivo para o Congresso.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright size-full wp-image-117164" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2017/12/gerd-Arntz-mouvement-ouvrier.png" alt="" width="312" height="162" /></p>
<p style="text-align: justify;">Nesta reunião pudemos ver as orientações das discussões que seriam apresentadas no Congresso. Elas seriam as bases para as decisões do Congresso. Sobre elas, Radek já havia me dito antes, em sua maneira excessivamente orgulhosa, que ele as tinha no seu bolso. “No seu bolso!”</p>
<p style="text-align: justify;">As orientações das discussões &#8212; não eram elas velhas conhecidas? De fato. Nós reconhecemos nelas uma repetição das notórias teses de Heidelberg<strong>[</strong><strong>1</strong><strong>2</strong><strong>]</strong>. Elas só estavam algo mais elaboradas, algo mais teoricamente desenvolvidas, algo melhoradas com “centralismo ditatorial”. Elas foram transformadas em teses da política de poder russa, a partir de teses da politica de divisão espartaquista, e agora deveriam se tornar teses da violação internacional por métodos russos.</p>
<p style="text-align: justify;">Nós sacrificamos uma noite para o seu estudo, e de manhã sabíamos o que tinha de ser feito.</p>
<p style="text-align: justify;">Fomos até Radek e colocamos para ele a questão de que se na <em>Carta Aberta</em> (que ainda não havia nos sido entregue) a demanda pelas expulsões de Laufenberg<strong>[</strong><strong>1</strong><strong>3</strong><strong>]</strong>, Wolfheim<strong>[</strong><strong>1</strong><strong>4</strong><strong>]</strong> e Ruhle era um ultimato, e se o Executivo insistia no cumprimento destas demandas antes que o KAPD fosse admitido na III Internacional. Radek tentou várias evasivas, mas nos demandamos uma resposta clara. Então Radek explicou: seria satisfatório para o Executivo se o KAPD prometesse que iria &#8212; em outro momento, mais oportuno &#8212; se livrar de Laufenberg e Wolfheim. Quanto a minha expulsão, não faziam mais questão. Este notável recuo de demandas que foram levantadas com a mais verdadeira convicção como <em>conditio sine qua non</em> nos deixaram com suspeitas. Então nós demandamos saber quais demandas do Executivo a respeito da admissão do KAD na III Internacional eram definitivas. Radek explicou: vocês devem, em nome do seu partido, no início do Congresso declarar que o KAPD vai se submeter a todas as decisões, então vocês receberão o status de votante no Congresso; aí nada mais entrará no caminho da sua admissão na III Internacional.</p>
<p style="text-align: justify;">Estávamos ouvindo direito: declarar solenemente que nos submeteríamos adiantadamente às decisões do Congresso, sendo que nem as conhecíamos ainda… Isto era para ser uma das piadas de Radek?</p>
<p style="text-align: justify;">Não, era sério.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-117158" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2017/12/10_6037c123-a2e7-439c-9a41-7752942ffb62_1024x1024.jpeg" alt="" width="541" height="363" />E se o Congresso decidisse pela dissolução do KAPD?… Brincadeiras à parte, ele realmente tinha esta intenção.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim Radek foi desmascarado.</p>
<p style="text-align: justify;">Quais eram as teses então?</p>
<p style="text-align: justify;">Agora sim.</p>
<p style="text-align: justify;">– Os comunistas são obrigados a montar uma organização rigidamente centralista, inflexível, militarista e ditatorial.</p>
<p style="text-align: justify;">– Os comunistas são obrigados a participar das eleições parlamentares, e a entrar no Parlamento para levar adiante um novo tipo de trabalho parlamentarista revolucionário.</p>
<p style="text-align: justify;">– Os comunistas são obrigados a permanecerem nos sindicatos para assim ajudarem a vitória da revolução nestas instituições transformáveis revolucionariamente.</p>
<p style="text-align: justify;">– Cada um dos partidos que são membros da III Internacional deve se chamar de Partido Comunista, consequentemente o KAPD tem que sacrificar a independência que vinha mantendo e se dissolver no KPD.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, brincadeiras à parte: o Congresso realmente deveria pronunciar a sentença de morte do KAPD, e nós, os delegados do KAPD, deveríamos receber status de votante, i.e., deveríamos ser capazes de ajudar a pronunciar a sentença de morte se declarássemos com antecedência que nos submeteríamos sem resistência à pena de morte declarada.</p>
<p style="text-align: justify;">Poderia haver maior comédia política? Ou maior perfídia?</p>
<p style="text-align: justify;">Nós rimos na cara de Radek, e perguntamos se ele estava louco.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-117160" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2017/12/arntz_2.jpg" alt="" width="696" height="272" /></p>
<p style="text-align: justify;">Um partido que, sobre as bases das teses de Heidelberg, tinha se separado do KPD, se constituído sob novas orientações, e que se deu organizacionalmente uma nova estrutura, taticamente uma nova orientação e teoricamente um novo programa, que se ergueu vigorosamente sobre os seus próprios pés, concentrando em si mesmo todas as forças ativas da revolução alemã e com um tamanho em número de membros bastante superior ao KPD &#8212; tal partido recusa, na verdade deve recusar entrar uma vez sequer em uma discussão sobre a discussão de seu direito de existir. Assim como uma criança nunca pode retornar para o útero de sua mãe, similarmente o KAPD não pode retornar para o KPD. Mesmo uma palavra na discussão sobre isto é um engano, é um absurdo, é infantilidade política.</p>
<p style="text-align: justify;">Nós deixamos Radek parado lá, com a corda que ele pretendia por ao redor do pescoço do KAPD, e seguimos o nosso caminho. Não sentíamos mais desejo algum de ficar tendo dores de cabeça nesta atmosfera de truques políticos e traições, de diplomacia de palco e puxadas de corda oportunistas, de falta de limites morais e fria esperteza.</p>
<p style="text-align: justify;">Dentro de nós não havia nada, definitivamente nada que nos levasse a procurar algo em um congresso que se encontrava tão longe do comunismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto declaramos: “recusamos com um agradecimento a participação no Congresso. Decidimos voltar para casa, para recomendar ao KAPD uma postura de espera, até que surja uma Internacional verdadeiramente revolucionária para que possamos nos juntar a ela. Adeus!”</p>
<p style="text-align: center;"><strong>IV</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nossa decisão teve um efeito surpreendente. Se até agora éramos tratados como crianças mimadas, cujas malcriações enchiam de vergonha ou ansiedade os pobres pais e deveriam ser postas no colo para levar uma surra, subitamente tomaram outro caminho. O chicote ameaçador desapareceu atrás do espelho e a cenoura foi tirada da gaveta. Começaram a nos elogiar com palavras fraternais, como deveria ser costumeiro entre comunistas, e com a aparência de boa vontade para retomar as comunicações objetivas, e até mesmo Radek passou a se comportar. Ele negociou com razoabilidade e reclamou amargamente contra o KPD, que ele chamou de “gangue preguiçosa e covarde”, e disse que os faria “molhar as suas calças”, etc. Nós tivemos uma longa e profunda discussão com ele, Zinóviev, Bukhárin<strong>[</strong><strong>1</strong><strong>5</strong><strong>]</strong> e no último momento até uma discussão resoluta com Lênin. O grande respeito e admiração que temos por ele, e que durante a discussão aumentou ainda mais, não nos impediu de dizer a ele, de uma maneira bem alemã, nossas opiniões. Nós explicamos para ele que sentíamos que era um escândalo e um crime contra a revolução alemã que, no momento em que centenas de livros tinham que ser escritos contra o oportunismo, ele dispôs de tempo e achou oportuno escrever um justamente contra o KAPD, o partido mais ativo e resoluto da revolução alemã, e que agora, como outros dos seus escritos mais recentes, ele está sendo usado por toda a contrarrevolução como um arsenal, não para corrigir uma tática supostamente equivocada frente aos interesses da revolução, mas para eliminar qualquer atividade estimulante das massas com argumentos e citações de Lênin. Demonstramos que ele está completamente desinformado sobre a situação na Alemanha, e que seus argumentos sobre o uso revolucionário do parlamento e dos sindicatos são risíveis. Por fim, deixamos claro que, sem a menor sombra de dúvida, o KAPD, que recusa qualquer ajuda material de Moscou, decidiu absolutamente que não aceitará qualquer interferência de Moscou em suas políticas.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-117165" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2017/12/Gerd-Arntz-Revolution.jpg" alt="" width="438" height="358" />As discussões nos deixaram com a impressão de que os camaradas russos começaram a perceber que erro havia sido deixar que as coisas chegassem tão longe. Que no final, a Internacional, i.e., em primeiro momento a Rússia, precisa mais do KAPD do que o contrário, o KAPD da Internacional. Por isso, para eles nossa decisão foi bastante desagradável, e eles buscaram um compromisso. Quando estávamos em Petrogrado, a caminho de casa, o Executivo nos enviou outro convite para o Congresso, com a declaração de que ao KAPD (ainda que ele não tivesse se submetido ou prometido se submeter a sequer uma das condições draconianas da Carta Aberta) havia sido concedido o direito ao <em>status</em> de votante no Congresso. Muito precária a isca! Fundamentalmente, era totalmente indiferente se o KAPD concordava com a sua execução proposta em Moscou com <em>status</em> consultivo ou votante. Portanto, agradecemos mais uma vez e viajamos para a Alemanha.</p>
<p style="text-align: justify;">O resultado do Congresso justificou as nossas táticas. As decisões tomadas nas questões que dizem respeito a nós &#8212; construção do partido, participação no parlamento, política sindical &#8212; revelam os mais desbragado oportunismo. Elas são decisões na linha da ala direitista do USPD<strong>[</strong><strong>1</strong><strong>6</strong><strong>]</strong>, decisões que, mesmo na interpretação dos Daumigs<strong>[</strong><strong>1</strong><strong>7</strong><strong>]</strong>, Curt Geyers<strong>[</strong><strong>1</strong><strong>8</strong><strong>]</strong>, Koenens<strong>[</strong><strong>1</strong><strong>9</strong><strong>]</strong>, etc., nas questões sobre o parlamento e os sindicatos significam uma violação. Mas pode e deve o KAPD compartilhar das mesmas decisões do Congresso no mesmo terreno que o USPD? Deve-se responder afirmativamente a essa questão e pensar nas consequências para poder julgar a completa monstruosidade e a absoluta impossibilidade do KAPD ingressar na III Internacional.</p>
<p style="text-align: justify;">Isto não que dizer que queremos nos opor a uma unificação organizacional dos trabalhadores comunistas e a uma aliança internacional do proletariado revolucionário. De forma alguma! Nós só queremos dizer que a filiação a uma Internacional realmente revolucionária não será decidida através de decisões de papel em Congressos ou da boa vontade da camada das hierarquias. Ela se decide através da vontade de luta e das atividades revolucionárias das massas na hora da decisão. Ela é o produto do grande processo de purificação e maturação da revolução, que elimina tudo o que é faltoso e incorreto e faz com que somente o íntegro e verdadeiro conte. O KAPD pode confiantemente esperar por esta decisão, então ele se erguerá a altura da tarefa histórica que lhe aguarda.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto me despedia de Lenin, eu disse para ele: “Espero que o próximo Congresso da III Internacional possa ocorrer na Alemanha. Então nós traremos para você as evidências concretas que provam que estávamos certos. Aí você terá que corrigir o seu ponto de vista.” Ao que Lenin respondeu rindo: “Se isto acontecer, não seremos nós que vamos atrapalhar a correção.”</p>
<p style="text-align: justify;">Que isso possa acontecer! Isso vai acontecer!</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-117162" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2017/12/arntz_6.jpg" alt="" width="522" height="369" /></p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><em>As imagens que ilustram o artigo são de Gerd Arntz: gravurista, designer gráfico modernista e comunista alemão</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong>Notas</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[</strong><strong>1</strong><strong>] </strong>O <strong>Kommunistische Arbeiter-Partei Deutschlands &#8212; </strong><strong>KAPD (Partido Comunista Operário da Alemanha)</strong> foi um partido comunista antiparlamentar fundado em abril de 1920 em Heidelberg por 80 mil militantes do Partido Comunista da Alemanha em desacordo com sua política de desarmamento do Exército Vermelho do Ruhr. Atuava muito proximamente à <strong>Allgemeine Arbeiter-Union Deutschlands &#8212; </strong><strong>AAUD (União Geral dos Sindicatos da Alemanha)</strong>, organização que congregava conselhos de fábricas em oposição aos sindicatos então existentes, que se organizavam por ofícios. Tinha 43 mil membros em 1921, mas as sucessivas críticas a ele direcionadas pela Internacional Comunista, assim como do próprio Lênin, e uma política constante de difamação movida pelo Partido Comunista da Alemanha, levaram sua influência a diminuir paulatinamente. Dividiu-se, em 1922, na Fração de Essen do KAPD e na Fração de Berlim do KAPD, cada uma delas reivindicando-se ser <em>o </em>KAPD. A Fração de Essen chegou a participar da fundação da Internacional Comunista Operária em 1925 junto a outras organizações conselhistas da Holanda e Inglaterra, mas viu-a dissolver-se em 1927; a Fração de Berlim sobreviveu até 1933, quando dissolveu-se em vários grupos de resistência clandestina ao nazismo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[2] </strong>O episódio da viagem a Petrogrado de <strong>Jan Appel</strong> e <strong>Franz Jung</strong>, delegados pelo KAPD ao 2º Congresso da Internacional Comunista, é digno de nota. Acompanhados pelo marinheiro Hermann Knüfken, e devido às dificuldades de chegarem à Rússia por outros meios, embarcaram na cidade portuária alemã de Cuxhaven como clandestinos no pesqueiro <em>Senator Schröder</em> e sequestraram-no, com a ajuda de um marinheiro de Cuxhaven chamado Willy Klahre, membro da <em>Seemannsbund</em> (Associação dos Marinheiros), e do resto da tripulação. Ao passarem pela ponta setentrional do arquipélago da Heligolândia, prenderam o capitão e seus oficiais à mão armada e trancaram-nos na cabine dianteira. A jornada começou em 20 de abril e terminou em 1º de maio em Alexandrovsk, o porto marítimo de Murmansk. Foram todos recebidos como camaradas, e logo em seguida viajaram de trem para Petrogrado; lá chegando, encontraram-se brevemente com Lênin, que apelidou os delegados de “camaradas piratas”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[3] </strong><strong>Karol Sobelsohn</strong>, mais conhecido como <strong>Karl Berngardovich Radek</strong> (31 out. 1885 &#8212; 19 maio 1939) foi um marxista ativo na social-democracia polonesa e alemã antes da Primeira Guerra Mundial e um líder comunista internacional na União Soviética após a Revolução Russa. Ficou mais conhecido como agente da Internacional Comunista na Alemanha, onde teve influência decisiva sobre o Partido Comunista da Alemanha.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[</strong><strong>4</strong><strong>] Paul Levi</strong> (11 mar. 1883 &#8212; 9 fev. 1930) foi um líder político comunista e social-democrata alemão. Foi o líder do Partido Comunista da Alemanha em seguida ao assassinato de Rosa Luxemburg e Karl Liebknecht em 1919. Depois de sua expulsão do partido por criticar publicamente as táticas do partido durante as ações de março, formou a Organização Operativa Comunista, que em 1922 fundiu-se ao Partido Social Democrata Independente. Este partido, por sua vez, fundiu-se ao Partido Social Democrata poucos meses depois, e Levi tornou-se um dos líderes de sua ala esquerda.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[</strong><strong>5</strong><strong>] </strong>A <em>Carta Aberta aos Membros do KAPD</em> foi um documento publicado em 1920 na <em>l&#8217;Internationale Communiste</em>, No. 11 (June 1920), pp. 1909-1921. Em linhas gerais, condena o abandono dos sindicatos por parte dos “trabalhadores da vanguarda” e a recusa à participação nas eleições para os comitês de empresa estabelecidos por lei. Reafirmava a necessidade do parlamentarismo, pois “a nova era, a era da revolução proletária, formará parlamentares de novo tipo”, e as campanhas eleitorais, segundo a <em>Carta</em>, colocavam os militantes em posições favoráveis para “pregar suas ideias” e conquistar, nas câmaras municipais, “uma grande influência sobre a classe dos pequenos e médios camponeses”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[</strong><strong>6</strong><strong>] </strong><strong>August Ernst Reinhold Merges</strong> (3 mar. 1870 &#8212; 6 mar. 1945) foi um político e revolucionário alemão, além de membro de várias organizações comunistas e sindicais da extrema-esquerda alemã. Foi uma das figuras principais da Revolução de Novembro em Braunschweig, presidente da República Socialista de Braunschweig, deputado à Assembleia Nacional de Weimar e ao parlamento estatal de Braunschweig. Depois de 1933 tornou-se membro de um grupo de resistência contra o regime nazista. Morreu em consequência de maus-tratos pela Gestapo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[</strong><strong>7</strong><strong>] </strong><strong>Arthur Crispien</strong> (4 nov. 1875 &#8212; 29 nov. 1946) foi um pintor e político social-democrata alemão. Originalmente membro do Partido Social-Democrata da Alemanha, rompeu brevemente com ele entre 1917 e 1922 para depois retornar às suas fileiras como co-presidente. Liderou uma delegação do Partido Social-Democrata Independente ao 2º Congresso da Internacional Comunista em 1920, que demarcou a recusa deste partido em aderir às condições para ingresso na IC. Depois do incêndio do <em>Reichstag</em> Crispien exilou-se primeiro na Áustria e depois na Suíça, onde integrou o Partido Social-Democrata no Exílio e o Partido Socialista Suíço. Morreu em Berna.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[</strong><strong>8</strong><strong>] </strong><strong>Wilhelm Dittmann</strong> (1 nov. 1874 &#8212; 7 ago. 1954) foi um carpinteiro e político social-democrata alemão. Inicialmente membro do Partido Social-Democrata da Alemanha, foi membro fundador e secretário do Comitê Central do Partido Social-Democrata Independente da Alemanha entre 1917 e 1922.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[</strong><strong>9</strong><strong>] </strong><strong>Friedrich (Fritz) Carl Heckert</strong><strong> </strong>(28 mar. 1884 &#8212; 7 abr. 1936) foi um político alemão, co-fundador da Liga Espártaco e do Partido Comunista da Alemanha, e militante destacado da Internacional Comunista. Em 1923 Heckert foi, por 19 dias, Ministro de Assuntos Econômicos da Saxônia. Morreu de derrame em Moscou, e foi enterrado no cemitério do muro do Kremlin.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[</strong><strong>10</strong><strong>] </strong><strong>Hirsch Apfelbaum, </strong>também conhecido como <strong>Ovsei-Gershon Aronovich Radomyslsky</strong> e, mais correntemente, como <strong>Grig</strong><strong>ó</strong><strong>ry Yevs</strong><strong>êi</strong><strong>evich Zin</strong><strong>ó</strong><strong>viev </strong>(23 set. 1883 &#8212; 25 ago. 1936), foi um revolucionário bolchevique e político comunista soviético. Um dos sete membros do primeiro <em>Politburo</em>, fundado em 1917 para lidar com a revolução bolchevique, Zinóviev é mais lembrado por seu longo mandato à frente da Internacional Comunista e arquiteto de várias tentativas frustradas de transformar a Alemanha num país comunista nos anos 1920. Entrou em conflito com Stálin, que eliminou-o da liderança política soviética em 1936, sendo o principal acusado no Julgamento dos Dezesseis, que marcou o começo do Terror na URSS. Condenado à morte, foi executado no dia seguinte.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[</strong><strong>1</strong><strong>1</strong><strong>] </strong><strong>Ernst Meyer </strong>(10 jul. 1887 &#8212; 2 fev. 1930) foi um político e militante comunista alemão, lembrado principalmente como um dos fundadores e integrante da liderança do Partido Comunista da Alemanha. Oponente de Ernst Thälmann, Meyer foi removido da liderança partidária depois de 1928, pouco antes de sua morte causada por uma pneumonia decorrente de uma tuberculose.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1</strong><strong>2</strong><strong>]</strong> Em outubro de 1919, Paul Levi apresentou ao congresso do Partido Comunista da Alemanha, realizado em Heidelberg, uma resolução em favor do trabalho nos sindicatos e nos parlamentos; contrariando o princípio partidário da democracia operária (cada distrito tinha um mandato, independentemente de seu tamanho), e violando a decisão da conferência partidária de Frankfurt, ocorrida em agosto do mesmo ano, o Comitê Central do Partido Comunista da Alemanha recebeu carta branca para expulsar do partido a esquerda, que defendia a saída do trabalho nos sindicatos e o antiparlamentarismo. Apesar de majoritária, a esquerda foi enfim expulsa. Uniu-se, mais tarde, às tendências nacional-bolchevista, de Fritz Wolffheim e Heinrich Laufenberg, e sindicalista, de Otto Rühle, que haviam sido anteriormente expulsas do partido, e formaram o KAPD.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1</strong><strong>3</strong><strong>] </strong><strong>Heinrich Laufenberg</strong>, também conhecido como <strong>Karl Erler</strong> (19 jan. 1872 &#8212; 13 fev. 1932) foi um historiador e proeminente comunista alemão, um dos primeiros a desenvolver a ideia do nacional-comunismo. Expulso do Partido Comunista da Alemanha junto com seus correligionários em 1920 em virtude do anátema imposto por Lênin ao nacional-comunismo, carreou-os para a fundação do KAPD, de onde foi expulso no mesmo ano pelas mesmas razões. Tornou-se <em>persona non grata</em> nos círculos comunistas e aposentou-se da política.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1</strong><strong>4</strong><strong>] </strong><strong>Fritz Wolffheim</strong> (30 out. 1888 &#8212; 17 mar. 1942) foi um político e escritor comunista alemão, figura de proa na tendência nacional-comunista que foi, brevemente, de grande influência na Alemanha logo após a Primeira Guerra Mundial. Expulso do Partido Comunista da Alemanha junto com seus correligionários em 1920 em virtude do anátema imposto por Lênin ao nacional-comunismo, carreou-os para a fundação do KAPD, de onde foi expulso no mesmo ano pelas mesmas razões. Após a expulsão, Wolffheim tornou-se membro da Liga para Estudos do Comunismo Alemão, um grupo pró-nacionalista que incluía representantes de grandes empresas e oficiais do exército entre seus membros. Sua participação neste grupo colocou-o em contato com elementos próximos ao partido nazista, mas seu envolvimento com o nazismo foi freado por sua origem judaica. Associou-se, ao invés disto, com o <em>Gruppe Sozialrevolutionärer Nationalisten</em> de Karl Otto Paetel em 1930. Preso pelos nazistas em 1936, morreu no campo de concentração de Ravensbrück em 1942.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1</strong><strong>5</strong><strong>] </strong><strong>Nikolái Ivânovich Bukhárin </strong>(9 out. 1888 &#8212; 15 mar. 1938) foi um revolucionário bolchevique de origem russa, político soviético e prolífico teórico revolucionário. Quando jovem, viveu seis anos exilado, trabalhando junto a companheiros de exílio como Lênin e Trótski. Depois da revolução de fevereiro de 1917 retornou a Moscou, onde suas credenciais bolcheviques garantiram-lhe altas posições no partido, e depois da revolução de outubro tornou-se editor do jornal partidário <em>Pravda </em>(<em>Verdade</em>). Inicialmente um comunista de esquerda, moveu-se gradualmente para a direita a partir de 1921, quando apoiou e defendeu entusiasticamente a Nova Política Econômica (NEP). Por volta de 1924, era o principal aliado de Stálin, para quem elaborou a teoria e a política do socialismo num só país. Juntos, Bukhárin e Stálin expulsaram Trótski, Zinóviev e Kámenev do partido no 15° Congresso partidário em dezembro de 1927. De 1926 a 1929 gozou de grandes poderes como secretário geral do comitê executivo da Internacional Comunista, mas a coletivização agrária colocou-o em conflito com Stálin e resultou na sua expulsão do <em>Politburo </em>em 1929, na sua prisão em 1937 e na sua execução em 1938, sob a acusação de conspiração para derrubada do Estado soviético. A farsa judicial a que foi submetido afastou muitos antigos simpatizantes ocidentais da esfera de influência do comunismo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1</strong><strong>6</strong><strong>]</strong> O <strong>U</strong><strong>nabhängige Sozialdemokratische Partei Deutschlands &#8211; </strong><strong>USPD (</strong><strong>Partido Social Democrata Independente da Alemanha</strong><strong>)</strong> foi um partido político alemão existente entre 1917 e 1931 como resultado da saída de elementos da esquerda do Partido Social-Democrata da Alemanha em função de suas políticas eleitoralistas e revisionistas. A organização tentou estabelecer um meio-termo entre a posição conservadora dos social-democratas e a posição revolucionária do bolchevismo. Fundiu-se ao Partido Social-Democrata Operário da Alemanha em 1931.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1</strong><strong>7</strong><strong>] </strong><strong>Ernst Friedrich Däumig</strong><strong> </strong>(25 nov. 1866 &#8212; 04 jul. 1922) foi um militar e político social-democrata alemão. Inicialmente membro do Partido Social-Democrata da Alemanha, migrou em 1917 para o Partido Social-Democrata Independente da Alemanha. Tentou em 1920 negociar a entrada do partido na Internacional Comunista, sem sucesso. Saiu do partido com a ala esquerda para entrar no Partido Comunista da Alemanha, que por força desta fusão passou a chamar-se, por dois anos, Partido Comunista Unificado da Alemanha. Saiu do partido pouco depois, para fundar, com Paul Levi, expulso pela mesma época, a União dos Trabalhadores Comunistas, que terminaria por se fundir, em 1922, ao Partido Social-Democrata Independente da Alemanha. Morreu pouco depois.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1</strong><strong>8</strong><strong>] </strong><strong>Curt Theodor Geyer</strong>, também conhecido como <strong>Kurt Geyer</strong> e <strong>Max Klinger</strong> (19 jun. 1891 &#8212; 24 jun. 1967), foi um historiador, jornalista e político socialista alemão. Inicialmente membro do Partido Social-Democrata da Alemanha, migrou em 1917 para o Partido Social-Democrata Independente da Alemanha. Saiu do partido com a ala esquerda para entrar no Partido Comunista da Alemanha, que por força desta fusão passou a chamar-se, por dois anos, Partido Comunista Unificado da Alemanha. Saiu do partido pouco depois, para fundar, com Paul Levi, expulso pela mesma época, a União dos Trabalhadores Comunistas, que terminaria por se fundir, em 1922, ao Partido Social-Democrata Independente da Alemanha. Retornou, no fim das contas, ao Partido Social-Democrata, onde tornou-se integrante do comitê editorial do comitê central. Com a ascensão dos nazistas ao poder em 1933, exilou-se em Praga, e de lá coordenou a corrente que se opôs a qualquer colaboração com o Partido Comunista da Alemanha. Por força da guerra, migrou para a França em 1938, para Portugal e depois para a Grã-Bretanha. Recebeu a cidadania britânica em 1945 e trabalhou como correspondente para vários jornais alemães até morrer num <em>spa</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1</strong><strong>9</strong><strong>] </strong><strong>Wilhelm Koenen</strong> (7 abr. 1886 &#8212; 19 out. 1963) foi um político comunista alemão. Inicialmente membro do Partido Social-Democrata da Alemanha, migrou em 1917 para o Partido Social-Democrata Independente da Alemanha. Saiu do partido para entrar no Partido Comunista da Alemanha, a cujo comitê central pertenceu. Deputado ao <em>Reichstag</em> entre 1920 e 1932. Foi demovido das posições mais importantes do partido por força de seu apoio a Ernst Thälmann, mas mesmo assim foi emigrado por ordens do partido para o Sarre, de onde fugiu para a França; entre 1935 e 1938 viveu na Tchecoslováquia, e em 1940 migrou para a Grã-Bretanha, onde ele e sua esposa Emmy Damerius, também militante comunista, foram classificados como “estrangeiros inimigos” e presos em campos de concentração na Ilha de Man e no Canadá até 1942. Fundou o movimento <em>Alemanha Livre</em> em 1943 em Londres, e em 1944 integrou-se à rádio clandestina <em>Soldatensender Calais</em>, voltada para a propaganda junto às tropas alemãs. Com o fim da guerra, voltou à Alemanha para refundar o Partido Comunista, e com a divisão da Alemanha em duas e com a subsequente fusão do Partido Comunista e da seção oriental do Partido Social-Democrata no Partido Socialista Unificado da Alemanha, integrou seu comitê central, a partir de onde exerceu vários cargos até sua morte.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><em>Traduzido por Marco Túlio Vieira a partir de uma tradução anglófona disponível <a class="urlextern" title="https://www.marxists.org/archive/ruhle/1920/ruhle01.htm" href="https://www.marxists.org/archive/ruhle/1920/ruhle01.htm" rel="nofollow">neste link</a>, revisado e anotado pelo Passa Palavra. Este artigo faz parte do esforço coletivo de traduções do centenário da Revolução Russa mobilizado pelo Passa Palavra. Veja <strong><a class="urlextern" title="http://passapalavra.info/2017/03/110877" href="http://passapalavra.info/2017/03/110877" rel="nofollow">aqui</a></strong> a lista de textos e o chamado para participação.</em></p>
</blockquote>
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		<title>Solidariedade a Bernhard Heidbreder</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Oct 2014 18:39:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Alemanha]]></category>
		<category><![CDATA[Govs_nacionais_e_internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão_e_liberdades]]></category>
		<category><![CDATA[Venezuela]]></category>
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					<description><![CDATA[Bernhard é um militante internacionalista de esquerda que merece toda nossa solidariedade. Por ele, exigimos ao Estado venezuelano que proteja seus direitos humanos abstendo-se de extraditá-lo a Alemanha e garantindo um devido processo no país.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;"><em> </em><strong>Por Federação Anarquista Revolucionária da Venezuela</strong></h3>
<p style="text-align: justify;">No início de julho 2014, o militante da esquerda alemã revolucionária e popular Bernhard Heidbreder foi detido em Merida, na Venezuela, por agentes da Interpol. Nesse momento, ele se encontra nos cárceres de Caracas, ameaçado de ser extraditado à Alemanha dentro de poucos dias.</p>
<figure id="attachment_100614" aria-describedby="caption-attachment-100614" style="width: 333px" class="wp-caption alignright"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2014/10/Bernhard_Heidbreder_3-e1414514831161.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-100614" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2014/10/Bernhard_Heidbreder_3-e1414514831161.jpg" alt="" width="333" height="357" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2014/10/Bernhard_Heidbreder_3-e1414514831161.jpg 997w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2014/10/Bernhard_Heidbreder_3-e1414514831161-279x300.jpg 279w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2014/10/Bernhard_Heidbreder_3-e1414514831161-955x1024.jpg 955w" sizes="auto, (max-width: 333px) 100vw, 333px" /></a><figcaption id="caption-attachment-100614" class="wp-caption-text">Bernhard Heidbreder, militante internacionalista preso pela Interpol em Merida, na Venezuela</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Culpado pela solidariedade?</p>
<p style="text-align: justify;">Ambas ações propagandísticas foram marcadas por princípios altruístas e de solidariedade a povos e pessoas cujos direitos humanos estavam sendo violados por políticas de Estado alemãs. A primeira se dirigiu contra uma instalação do exército alemão e buscava denunciar a assessoria militar alemã ao Exército turco (este então em plena guerra contra o povo curdo). A segunda ação teve como objetivo impedir a reabertura de um cárcere de internamento dos indigentes em Berlim. Na Alemanha, os imigrantes indigentes do Sul que são presos ou denunciados pela população são detidos como se fossem criminosos e podem passar anos nesta condição antes de serem deportados a seus países; há anos isto gera protestos de grupos e coletivos antirracistas devido à violação dos direitos humanos que constituem. Inclusive a Corte Europeia (European Court of Justice) em julho 2014 se pronunciou enfaticamente contra as práticas de encarceramento dos imigrantes na Alemanha, considerando-as uma violação dos direitos fundamentais. O cárcere de deportações em Berlim-Grunau tem sido durante muitos anos um símbolo destas políticas institucionais racistas. No momento da sabotagem, ele estava em remodelação. O “Komitee” declarou então que, com esta ação, queriam sacudir a opinião pública alemã para reverter esta injustiça, num momento político em que a inclusão do direito ao asilo político para aquelas pessoas ameaçadas de morte em seus países de origem estava sendo socavado radicalmente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Violação de seus direitos na Alemanha</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não está claro se Bernhard realmente participou nestes dois atos de sabotagem, mas em qualquer caso a justiça alemã não garante um processo transparente e justo em casos dessa natureza.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8211; Embora normalmente tais ações de sabotagem descritas não sejam qualificadas como terrorismo, e sim como atentado à propriedade por motivações altruístas, desde as grandes confrontações dos anos 70 o código penal alemão considera como terrorista qualquer associação de no mínimo três pessoas que se proponha a atos ilegais por motivos políticos, mesmo quando estes não tenham envolvido risco de danos às pessoas.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8211; Efetivamente nos casos das ações em questão, nunca se colocou em risco vidas humanas. As ações foram desenhadas para não ferir nada e ninguém. Trataram de defender os interesses da população civil curda (vítima da repressão do Estado turco) e dos imigrantes indigentes na Alemanha. Neste sentido foram ações solidárias e populares em defesa dos direitos da população do Sul Global.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8211; Desde a queda do muro em 1989, tem ocorrido múltiplos assassinatos contra imigrantes e atos de violência premeditados pela extrema direita e grupos neonazis. No entanto, a justiça alemã sempre se recusou a qualificar estes atos como políticos, enquanto que, ao mesmo tempo, se empenhou em perseguir politicamente a ativistas de esquerda. Atualmente, por exemplo, está em marcha um juízo contra um grupo denominado “Clandestinidade Nacionalista” (NSU) que assassinou pelo menos 10 imigrantes por motivos de ódio racial. Ao largo do juízo permaneceu em evidência que diversos serviços secretos alemães, assim como a polícia, esconderam ativamente este caso de terrorismo da ultra-direita. É pouco provável que todos os culpados possam ser julgados já que a institucionalidade os protege reciprocamente.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2014/10/Maduro_e_Merkel.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-100615 alignleft" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2014/10/Maduro_e_Merkel.jpg" alt="Maduro_e_Merkel" width="308" height="227" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2014/10/Maduro_e_Merkel.jpg 998w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2014/10/Maduro_e_Merkel-300x221.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 308px) 100vw, 308px" /></a>Bernhard Heidbreder e outras pessoas que fugiram pelas mesmas circunstâncias têm sido perseguidas pelo Estado alemão por mais de 20 anos – o que assombra, porque os delitos leves dos quais os acusam deveriam ser prescritos. No entanto, as autoridades alemãs os colocou na lista dos 10 homens mais buscados da Alemanha, junto com assassinos e mafiosos. Tudo indica que se trata mais de uma perseguição política do que de um caso regular, pelo que se sublinham os riscos de violação dos princípios de juízo justo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Nossa exigência</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Bernhard, quem se vê ameaçado de violação de seus direitos humanos, é um militante internacionalista de esquerda que merece toda nossa solidariedade. Por ele, exigimos ao Estado venezuelano que proteja seus direitos humanos abstendo-se de extraditá-lo a Alemanha e garantindo um devido processo no país.</p>
<p style="text-align: justify;">Nós transcrevemos:</p>
<blockquote>
<h1 style="text-align: center;"><strong>…Um MUNDO Melhor</strong></h1>
<p style="text-align: center;"><strong><em>Por Bernhard Heidbreder</em></strong></p>
<figure id="attachment_100612" aria-describedby="caption-attachment-100612" style="width: 246px" class="wp-caption alignright"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2014/10/Bernhard_Heidbreder_1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-100612" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2014/10/Bernhard_Heidbreder_1.jpg" alt="Bernhard_Heidbreder_1" width="246" height="312" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2014/10/Bernhard_Heidbreder_1.jpg 479w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2014/10/Bernhard_Heidbreder_1-236x300.jpg 236w" sizes="auto, (max-width: 246px) 100vw, 246px" /></a><figcaption id="caption-attachment-100612" class="wp-caption-text">Retrato de Bernard pela polícia alemã</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Meu nome é Bernhard Heidbreder, quem por estado de necessidade teve que assumir a identidade de John Londoño S., que foi como me conheceram no entorno de minha comunidade e também no trabalho. Desde 11 de julho de 2014 fui detido, pois desde abril de 1995 a justiça alemã me caçava por uma suposta vinculação com um grupo denominado K.O.M.I.T.E.E. e indevidamente classificado como terrorista (pois de fato nunca feriram ou mataram alguém), conhecido por realizar duas ações: por queimar uma pequena sede do exército e por uma tentativa de violar uma estrutura de cárcere vazia, que não foi levada a cabo. Agora, se perguntam, por que um cárcere? Bom, porque não iria ser um cárcere qualquer senão um muito especial, um cárcere que significava um novo passo adiante na perspectiva política dos governos alemães contra os imigrantes sem visto na Alemanha, dirigida a encarcerá-los, violando seus direitos humanos fundamentais. Imaginem que vocês estão como turista na Alemanha, e lhes oferecem um trabalho, como garçom; você decide se manter no país sem ter um visto trabalhista nem permissão legal, pois vocês bem sabem que a embaixada alemã jamais lhe daria; você trabalha durante um tempo no restaurante quando chega uma intimação da policia alemã que leva-o ao mencionado cárcere modelo, que foi feito exclusivamente para pessoas como você: os imigrantes que se encontram sem visto na Alemanha. Lá, você esperaria cerca de um semestre pela expulsão. Mas quando chega o dia, você não é deportado ao seu país de origem: o levam a um país vizinho onde lhe abandonam à sua sorte.</p>
<p style="text-align: justify;">Qualquer um sabe que os países de “primeiro mundo” têm uma dívida incalculável com os países da América Latina e de outros continentes (que para eles são de “terceiro mundo”); sobre a base do roubo dos recursos naturais destes continentes foi que surgiu a riqueza dos países europeus. Uma maneira de pagar, embora seja pouco, a dívida histórica seria permitir que qualquer um possa ingressar na U.E. em busca de sua sorte no mundo do trabalho; mas longe disto, se constrói um cárcere para os estrangeiros que se encontram na Alemanha; não há direito!</p>
<p style="text-align: justify;">A meu respeito, quero dizer que em toda minha vida não matei nenhuma pessoa; ao contrário, a política migratória da U.E é cúmplice da morte de muitos que em seus países de origem não encontram condições de vida, onde em vez de trabalho encontram fome, miséria e às vezes perseguição política e tortura.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu pertencia sim à esquerda revolucionária alemã: milhões de pessoas (eu entre elas) nos organizamos no movimento social autônomo que desenvolveu uma luta política, altruísta e solidária com os imigrantes indigentes, contra a violação a seus direitos humanos fundamentais, enquadrados nas ações da esquerda alemã indignada frente a tantos atropelos.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje por hoje, sigo sendo fiel aos meus ideais, e às bandeiras de luta antifascistas, anti-imperialistas, antimachistas, anticapitalistas, e tenho as melhores intenções de ser um bom esposo, um vizinho solidário, um trabalhador lutador e revolucionário, participativo na criação de um sistema justo “eco-socialista”, mas considerando que não se necessita destas características políticas ou pessoais, senão somente um pouco de sangue solidário correndo nas veias, para ver que aquela política migratória é um atentado contra o mais elemental dos sentidos humanos.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste caso, tento clarificar as circunstâncias e as razões políticas com espírito altruísta que acompanharam as ações da esquerda revolucionária, incluindo aquele grupelho que eu supostamente integrava há quase 20 anos. E escrevo este comentário porque tento evitar a extradição (existem muitos argumentos jurídicos pelos quais, sobretudo amparados por um juízo apegado a Constituição e a lei onde está garantido o devido processo e direito de defesa, eu não deveria ser extraditado) e poder seguir com minha vida junto à minha esposa e minha comunidade em Merida.</p>
<p style="text-align: justify;">Busco a solidariedade de todas e todos aqueles que se identificam com minha causa e peço à esquerda venezuelana em particular que me tenha em conta como o que sou: alguém que dá diariamente seu grão de areia na luta por um mundo melhor.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><em>Traduzido por João V. M. Ramos</em></p>
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		<title>Entrevista com um refugiado em Berlim</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Oct 2014 18:23:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Alemanha]]></category>
		<category><![CDATA[Nacionalismo]]></category>
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					<description><![CDATA[Entrevista com Darlinton, envolvido na Greve dos Refugiados de Berlim e com a Universidade Autônoma de Berlim.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;"><strong>Por Passa Palavra</strong></h3>
<p style="text-align: justify;">O Passa Palavra entrevistou Darlinton, participante do movimento de refugiados em Berlim. As mobilizações do grupo se iniciaram em protesto contra a lei &#8220;<em>Residenzpflicht&#8221;, </em>que limita a circulação dos refugiados no país e dificulta sua integração com a sociedade. Devido ao grande isolamento e à distância dos alojamentos provisórios, os refugiados organizaram um acampamento na <em>Oranien Platz. M</em>esmo após o seu fim, as mobilizações continuam.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Passa Palavra (PP)</strong>:<em>De que países vem a maioria dos refugiados que estão no acampamento?</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Darlinton (D):</strong> De vários países. Sudão, Chade, Nigéria, países do norte da África.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-155056" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2014/10/phpFIZZ7Y-300x.jpg" alt="" width="300" height="150" />PP:</strong> <em>Quais foram as razões para ir para a Alemanha? A principal razão dos despejos foi econômica, política ou religiosa?</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>D:</strong>É uma questão individual, cada um teve uma razão diferente para vir. O principal motivo são as guerras e a corrupção na África. Está-nos esfacelando. Nossas terras têm sido destruídas, nossas sociedades estão em crise. Não tenho um lugar que possa chamar de lar. A Europa é responsável por essa situação. Desde a invasão da África, gerações e gerações têm apenas se deparado com crise e morte. A colonização e a exploração brutal trouxeram essa mentalidade para a África. Mas agora estamos aqui, nós viemos para a Europa. Aqui onde tudo começou. Aqui em Berlim é onde, 130 anos atrás, o mundo dividiu a África como pedaços de um bolo. É por isso que viemos para cá. Este é o melhor lugar para conduzirmos nossa luta.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>PP:</strong> <em>Como são as condições do Centro de Refugiados?</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>D:</strong> Há muitas palavras para dizer isso. Mas deixe-me dizer com apenas uma: <em>Scheiße</em> [merda em alemão]. Não é um tipo de vida que você deseja viver. Eles condicionam a sua mentalidade, eles destroem a sua razão ao manter-lhe ocupado num lugar chamado “Centro de Refugiados”, que fica muito distante, então você não tem contato com o restante da sociedade. Por quê? Porque eles não querem que você saiba a verdade. É uma situação crítica. Seus cães e gatos não poderiam viver lá, você não permitiria. Ninguém quer viver daquele jeito. Eles chegam a nos dar comida com validade expirada. Por quê? Por que não somos seres humanos? Não podemos escolher o que comemos. Eles nos descriminam porque somos refugiados. Não estamos ligados a nada, somos apartados da vida em comum. Onde estão meus direitos humanos?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-155055" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2014/10/php0VKIkS-350x.jpg" alt="" width="350" height="234" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2014/10/php0VKIkS-350x.jpg 350w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2014/10/php0VKIkS-350x-300x201.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px" />PP:</strong><em>Como você organizaram o acampamento na praça?</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>D:</strong> Demo-nos conta de que não podíamos ficar no Centro de Refugiados por mais tempo. As pessoas organizaram uma marcha de Würzburg para Berlim e durante o trajeto houve muita fiscalização. Então chegamos a Berlim e ocupamos dois lugares, a <em>Oranienplatz</em>, uma praça pública, e uma antiga escola que estava abandonada. Berlim foi feita um centro e um símbolo da nossa resistência porque foi aqui que tudo começou. E aqui vai acabar.</p>
<p style="text-align: justify;">Agora nós ocupamos muitos lugares, apesar de termos sido despejados da praça principal. Em Hamburgo, Hanover, Nuremberg, Bielefeld e muitos outros lugares. Nós estamos em toda parte.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>PP:</strong> <em>Como são tomadas as decisões no acampamento?</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>D:</strong> As decisões são tomadas coletivamente. Nós somos um movimento amplo. Todo mundo pode trazer suas ideias e contribuir para o processo. Nós ponderamos as vantagens e desvantagens e então tomamos as decisões. É um movimento político. Quando as pessoas tomarem consciência de que o poder pertence ao povo e não ao governo, então vão se levantar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>PP:</strong><em>Você trabalha? Como é o acesso ao mercado de trabalho?</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>D:</strong> Para início de conversa, não tenho qualquer possibilidade de participar do mercado de trabalho simplesmente porque nos chamam de refugiados. Somos completamente ignorados; nossas escolhas, nossas necessidades, mesmo o nosso direito à vida é um problema.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>PP:</strong> <em>Como vocês fazem para sobreviver?</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>D:</strong> Não é fácil. Na verdade, nós já éramos sobreviventes antes de chegarmos aqui, então nos adaptamos a qualquer situação que nos encontremos e tentamos tirar o melhor disso. Eu perdi tudo, mas eu preciso viver. Esse espírito me mantém vivo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>PP:</strong><em>Quais são as reivindicações do movimento de refugiados?</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>D:</strong> As principais reivindicações do movimento são a abolição da <em>Residenzpflicht</em> (a lei que restringe o movimento dos refugiados), a extinção dos Centros de Refugiados e o fim das deportações.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-155054" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2014/10/phpNRHsZT-300x.jpg" alt="" width="300" height="200" />PP:</strong> <em>Como foi a demolição do acampamento de refugiados?</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>D:</strong> Por conta da nossa ocupação da <em>Oranienplatz</em> o governo se deu conta de que era hora de usar sua autoridade sem atender as nossas reivindicações. Eles usaram a força para se livrarem superficialmente do problema. Claro, você pode despejar as pessoas de um lugar, de um edifício, de um acampamento, mas você não pode desmantelar um movimento. Nós ainda estamos aqui e isso nos faz mais fortes. Todos os dias vemos deportação e morte. Mas aprendemos e fazemos o melhor que podemos. Nós só queremos ser livres como qualquer outra pessoa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>PP:</strong> <em>Vocês têm contatos com outros movimentos na Alemanha?</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>D:</strong> É claro, nós temos contatos com outros movimentos que estão lutando por mudanças. Com o “Blockupy”, por exemplo, temos feito muitas coisas juntos. Também com o movimento dos inquilinos e com o grupo “Zwangsräumung verhindern”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>PP:</strong> <em>Qual é forma de ação do movimento?</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>D:</strong> Nós somos um movimento pacífico. Tudo o que temos é a nossa voz. É pacífico e continuará sendo assim.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O Passa Palavra agradece a Daniel Mützel por ter intermediado a entrevista</strong> .</p>
<p>&nbsp;</p>
<form action="http://wiki.passapalavra.info/doku.php" method="post"></form>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Os nacionalistas ao espelho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Aug 2013 10:51:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Alemanha]]></category>
		<category><![CDATA[Nacionalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Zona euro]]></category>
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					<description><![CDATA[É uma boa notícia saber que na Alemanha há mais gente ajuizada e sensata à esquerda do que na periferia da zona euro.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;"> <strong>Por Passa Palavra</strong></h3>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Na Alemanha o partido Alternativa para a Alemanha (AfD), conhecido pelas suas posições favoráveis a uma saída do euro, <a href="http://www.publico.pt/mundo/noticia/partido-antieuro-atacado-na-alemanha-1604141" target="_blank" rel="noopener">foi atacado num comício por um grupo de activistas de esquerda</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">É, de facto, uma boa notícia saber que na Alemanha há mais gente ajuizada e sensata à esquerda do que na periferia da zona euro. De realçar que estes activistas de esquerda atacaram explicitamente um partido que tem como grande reivindicação o fim do euro e que é dinamizado a partir de sectores que romperam com o partido da Democracia Cristã: a CDU da chanceler Angela Merkel. O partido AfD <a href="http://www.spiegel.de/international/germany/new-party-in-germany-goes-after-euro-skeptic-voters-a-887744.html" target="_blank" rel="noopener">tem sido dinamizado por vários economistas e académicos da direita conservadora e por um ex-presidente da Federação dos Industriais Alemães</a> (BDI). Entretanto, a BDI diverge destas propostas, como pode ver-se pelos <a href="http://www.worldcrunch.com/business-finance/mario-draghi-039-s-german-charm-offensive/germany-mario-draghi-ecb-bundesbank/c2s9705/#.UUkVHRyeOSo" target="_blank" rel="noopener">aplausos que o liberal Mario Draghi (Presidente do Banco Central Europeu) recebeu num evento organizado por aquela confederação patronal</a> em Março passado. Sendo assim, é legítimo afirmar que o AfD é fundamentalmente constituído por sectores minoritários e marginais no seio da classe dominante.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-149764" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2013/08/Alemanha-300x168-1.jpg" alt="" width="300" height="168" />Pelas informações existentes, é também legítimo afirmar que a saída do euro é, nos centros de poder da União Europeia, uma proposta política central apenas em meios refractários das classes dominantes provenientes de filiações conservadoras, e em meios políticos da direita mais extrema. Em França tem sido a Frente Nacional, de Marine Le Pen, a maior difusora dessa via absolutamente nefasta para as condições de vida dos trabalhadores e para o futuro das lutas sociais na Europa.</p>
<p style="text-align: justify;">E aqui entra um outro aspecto interessante da contestação ao comício do AfD, a que aludimos acima. A saber, o facto desse partido antieuro estar atento para que não entre gente de extrema-direita no seu seio. Ora, enquanto na Alemanha (e até por quase toda a Europa) as teses da saída do euro são vistas como um património da direita mais à direita, e em torno do qual as várias direitas batalham entre si, em Portugal (como em Espanha) é a esquerda que faz dessa via um cavalo de batalha.</p>
<p style="text-align: justify;">Pudera que fiquem escandalizados e insultem quando lhes apontamos a convergência de posições com a extrema-direita. Mirados ao espelho, os nacionalistas facilmente trocam as voltas ao lado direito e ao lado esquerdo. É preciso dizer-lhes que, independentemente do braço onde seguram a sua bandeira nacional, o corpo é o mesmo.</p>
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		<title>Distantes no mapa, próximos na criminalização dos movimentos sociais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Mar 2010 18:41:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[PassaPalavraTV]]></category>
		<category><![CDATA[Alemanha]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão_e_liberdades]]></category>
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					<description><![CDATA[Em 2009, a Justiça alemã condenou ativistas antimilitaristas a três anos de prisão. Eles foram acusados de tentar atear fogo em caminhões militares. No Brasil, movimentos sociais também sofrem pressão semelhante. Por Agência Pulsar Brasil O processo contra Axel, Florian e Oliver gerou repercussão internacional. A indignação por parte de alguns grupos se concretizou numa [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Em 2009, a Justiça alemã condenou ativistas antimilitaristas a três anos de prisão. Eles foram acusados de tentar atear fogo em caminhões militares. No Brasil, movimentos sociais também sofrem pressão semelhante.</em> <strong>Por Agência Pulsar Brasil</strong><span id="more-19668"></span></p>
<p style="text-align: justify;">O processo contra Axel, Florian e Oliver gerou repercussão internacional. A indignação por parte de alguns grupos se concretizou numa aliança de protesto chamada “Pela suspensão do Processo”.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse caso exemplifica um tipo de perseguição e repressão por parte do Estado alemão aos movimentos sociais. O Brasil, assim como os demais países da América Latina, também apresenta casos de criminalização desses grupos. Um dos maiores exemplos é a forte perseguição sofrida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).</p>
<p style="text-align: justify;">Nessa reportagem, que é uma co-produção entre Rádio Matraca (Berlim) e Pulsar Brasil, você ouvirá uma análise sobre as semelhanças e diferenças nos mecanismos utilizados pelos Estados para perseguir e vigiar militantes e ativistas de movimentos sociais. A alemã Kathrin Buhl, que trabalha na Fundação Rosa Luxemburgo no Brasil, em seu depoimento, nos ajuda a compreender quais são essas estratégias e como militantes dos dois “mundos” podem se ajudar para se proteger.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>A reportagem:</strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><object width="355" height="18" data="http://politube.org/mp3player.swf" type="application/x-shockwave-flash"><param name="align" value="center" /><param name="flashvars" value="file=http://politube.org/mp3/media_2508.mp3&amp;autostart=false&amp;largecontrols=&amp;callback=http://politube.org/flv_callback/2508" /><param name="src" value="http://politube.org/mp3player.swf" /><param name="wmode" value="transparent" /></object></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: left;">Originalmente publicado em <a href="http://www.brasil.agenciapulsar.org/tapa.php" target="_blank">Agência Pulsar Brasil</a>.</p>
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