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	<title>Angola &#8211; Passa Palavra</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>[Nigéria] [Angola] Libertem Daniel Akande e todos os presos!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Oct 2024 13:52:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Movimentos em Luta]]></category>
		<category><![CDATA[Angola]]></category>
		<category><![CDATA[Nigéria]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão_e_liberdades]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho_e_sindicatos]]></category>
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					<description><![CDATA[Manifestação cultural preparatória para a luta pela liberdade dos presos políticos. Por Terceira Divisão]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;"><strong>Por Terceira Divisão</strong></h3>
<p style="text-align: justify;">No domingo, 1º de setembro, Daniel Akande, membro da MSA na Nigéria, foi preso pela polícia em Abuja, capital da Nigéria. Exigimos sua libertação imediata, com todas as acusações retiradas.</p>
<p style="text-align: justify;">Exigimos a libertação de todos os manifestantes presos e mantidos sob custódia desde que o protesto #EndBadGovernanceProtest terminou em 10 de agosto. No total, centenas de pessoas foram presas.</p>
<p style="text-align: justify;">Estamos acompanhando de perto os acontecimentos na Nigéria, onde os enormes aumentos de preços de combustível, transporte e alimentos causaram protestos em massa este ano, o último e maior deles no início de agosto. Também observamos que o novo salário mínimo não está sendo implementado.</p>
<p style="text-align: justify;">A resposta do regime do presidente Tinubu foi o aumento da repressão contra ativistas e trabalhadores, com acusações totalmente infundadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Pedimos que as organizações sindicais, de esquerda e democráticas de base se envolvam e divulguem informações e protestos para a libertação imediata de todos os presos.</p>
<h4 style="text-align: justify;">Sobre Daniel</h4>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Daniel Akande é um ativista dos movimentos sociais e da juventude, e também um militante socialista. A luta por sua libertação, junto com outros dez ativistas (incluindo sindicalistas) que, como ele, estão sendo acusados ​​de supostos crimes que podem levar à pena de morte, é uma questão decisiva para o movimento sindical. Trata-se de uma causa assumida por líderes sindicais na Nigéria e em muitas partes do mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">Joe Ajaero, presidente do Nigeria Labour Congress (NLC) esteve presente pessoalmente na primeira sessão de julgamento de Akende e dos outros dez ativistas, demonstrando solidariedade aos lutadores sociais perseguidos. O próprio Joe Ajaero também foi detido pela polícia quando pretendia comparecer ao Congresso da confederação sindical britânica TUC, mas foi libertado após protestos. A sede do NLC foi atacada e vandalizada pela polícia nigeriana.</p>
<p style="text-align: justify;">Entre os apoios internacionais mais significativos de líderes sindicais à campanha para libertar Akende e os outros ativistas presos está o de Steve North, presidente do UNISON, o maior sindicato do setor público da Grã-Bretanha.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Envie mensagens de protesto para:</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Gabinete do Presidente Tinubu: info@osgf.gov.ng , info@statehouse.gov.ng</p>
<p style="text-align: justify;">Polícia em Abuja: pressforabuja@police.gov.ng</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Cópia para: nigeria.solidarity.campaign@gmail.com</p>
<p>Protesto em Angola, em solidadarieade aos presos nigerianos, termina em <a href="https://holdonangola.com/2024/10/07/show-de-solidariedade-aos-presos-politicos-e-marcado-por-interferencia-da-policia/" target="_blank" rel="noopener">repressão</a>:</p>
<p style="text-align: justify;"><iframe style="border: none; overflow: hidden;" src="https://www.facebook.com/plugins/video.php?height=314&amp;href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fmovimentoterceiradivisao%2Fvideos%2F874223878229986%2F&amp;show_text=false&amp;width=560&amp;t=0" width="560" height="314" frameborder="0" scrolling="no" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>[Angola]Liberdade para os presos políticos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Oct 2023 21:22:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Movimentos em Luta]]></category>
		<category><![CDATA[Angola]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão_e_liberdades]]></category>
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					<description><![CDATA[Os companheiros do grupo de rap Terceira Divisão em Angola tem sido implacáveis na luta em defesa dos trabalhadores. Por Luta Popular]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3><strong>Por Luta Popular</strong></h3>
<p style="text-align: justify;">Os companheiros do grupo de rap Terceira Divisão em Angola tem sido implacáveis na luta em defesa dos trabalhadores e trabalhadoras em Angola e denunciando o autoritarismo do governo.</p>
<p style="text-align: justify;">Recentemente o Tribunal Provincial de Luanda condenou quatro dos sete ativistas detidos no último sábado, após uma tentativa de manifestação em defesa dos direitos de mototaxistas, em Luanda. São eles Adolfo Campos, Tanaice Neutro, Gildo das Ruas e Daniel Pensador, que participavam do protesto. A pena de dois anos e meia de prisão é por &#8220;ultraje e injúrias ao Presidente da República&#8221;! Um absurdo ditatorial!</p>
<p style="text-align: justify;">Recentemente, tivemos a oportunidade de conhecer um dos companheiros do grupo, que pôde nos contar o que o povo tem passado por lá e fortalecer a troca e a solidariedade entre os de baixo!</p>
<p style="text-align: justify;">Liberdade imediata para os presos!</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-150467" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.06.00.jpeg" alt="" width="1417" height="1417" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.06.00.jpeg 1417w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.06.00-300x300.jpeg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.06.00-1024x1024.jpeg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.06.00-70x70.jpeg 70w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.06.00-768x768.jpeg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.06.00-420x420.jpeg 420w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.06.00-640x640.jpeg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.06.00-681x681.jpeg 681w" sizes="(max-width: 1417px) 100vw, 1417px" /> <img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-150468" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.05.59.jpeg" alt="" width="1417" height="1417" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.05.59.jpeg 1417w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.05.59-300x300.jpeg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.05.59-1024x1024.jpeg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.05.59-70x70.jpeg 70w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.05.59-768x768.jpeg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.05.59-420x420.jpeg 420w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.05.59-640x640.jpeg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.05.59-681x681.jpeg 681w" sizes="(max-width: 1417px) 100vw, 1417px" /> <img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-150470" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.06.00-1.jpeg" alt="" width="1417" height="1417" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.06.00-1.jpeg 1417w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.06.00-1-300x300.jpeg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.06.00-1-1024x1024.jpeg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.06.00-1-70x70.jpeg 70w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.06.00-1-768x768.jpeg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.06.00-1-420x420.jpeg 420w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.06.00-1-640x640.jpeg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.06.00-1-681x681.jpeg 681w" sizes="auto, (max-width: 1417px) 100vw, 1417px" /> <img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-150469" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.05.59-1.jpeg" alt="" width="1417" height="1417" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.05.59-1.jpeg 1417w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.05.59-1-300x300.jpeg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.05.59-1-1024x1024.jpeg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.05.59-1-70x70.jpeg 70w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.05.59-1-768x768.jpeg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.05.59-1-420x420.jpeg 420w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.05.59-1-640x640.jpeg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/10/WhatsApp-Image-2023-10-23-at-12.05.59-1-681x681.jpeg 681w" sizes="auto, (max-width: 1417px) 100vw, 1417px" /></p>
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		<title>Protestos exigem liberdade dos presos políticos em Angola</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Oct 2015 23:33:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Angola]]></category>
		<category><![CDATA[Govs_nacionais_e_internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão_e_liberdades]]></category>
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					<description><![CDATA[Para nós, é incompleto culpar apenas a figura do presidente José Eduardo. Todas as empresas e governos que se beneficiam dos negócios em Angola também são culpadas pela situação.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;"> <strong>Por Coletivo Loukanikos</strong></h3>
<p style="text-align: justify;">A 20 de Junho de 2015 estes dezoito jovens angolanos foram acusados de “crimes” como tentativa de golpe de Estado e incitação a rebelião. O que faziam? Participavam de protestos contra o governo de Angola e, na ocasião da prisão “em flagrante” (a polícia invadiu, sem mandado, a casa onde se reuniam), discutiam a leitura de livros sobre os problemas do país e como enfrentá-los com uma revolução pacífica. O julgamento está marcado para 16 a 20 de Novembro, sendo que as duas mulheres aguardam em liberdade, enquanto os 15 homens foram mandados para o presídio, cumprindo um período de prisão “preventiva” de mais de três meses – sendo, portanto, uma prisão ilegal mesmo no código penal angolano. Além da ilegalidade da prisão, destacamos que no momento da prisão não foram judicialmente notificados os motivos de estarem sendo detidos, sendo informados dias depois dos “crimes” já anteriormente citados.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-143658 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2015/10/liberdade-300x300-1.jpg" alt="" width="300" height="300" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2015/10/liberdade-300x300-1.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2015/10/liberdade-300x300-1-70x70.jpg 70w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" />O caso chama atenção internacional e exige solidariedade de lutadores por todo o mundo, sendo que vários grupos de defesa dos Direitos Humanos, como a Anistia Internacional, já agem pela libertação imediata dos jovens e pela retirada de todas as acusações. Os jovens Mbanza Hanza, Albino Bingobingo e Luaty Beirão iniciaram a 21 de Setembro a greve de fome, encerrada por Beirão nesta terça-feira (27), cumprindo mais de um mês sem se alimentar e portanto encontra-se em estado crítico de saúde.</p>
<p style="text-align: justify;">Os atuais presos políticos são acusados de “crimes” como incitação a rebelião e golpe de Estado, sendo que foram presos “em flagrante” em invasão da polícia a uma reunião onde se discutiam leituras de livros, algo que o regime realmente acha perigoso. São ativistas conhecidos no país, alguns estudantes, outros professores e outros rappers, sempre produzindo letras e presentes em manifestações – e alguns já detidos diversas vezes – contra o governo de José Eduardo, cujo maior medo, exposto nos inquéritos e acusações formuladas pelo Ministério Público e outras instituições, é que se faça em Angola algo como a Primavera Árabe – jornadas de luta admiradas por lutadores sociais angolanos.</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;">Em Portugal, a partir do contexto do 28 de Maio de 1926, criaram-se polícias políticas a fim de se manter pela repressão o regime ditatorial. Pulando alguns anos e siglas, começamos por citar a PDPS (Polícia de Defesa Política e Social) criada em 1932, com Salazar já Presidente do Ministério, coexistindo com a PIP (Polícia Internacional Portuguesa). Em 1933, já outorgado o Estado Novo, as polícias fundem-se na PVDE (Polícia de Vigilância e Defesa do Estado), exclusivamente para espionagem e repressão política a opositores, abertamente anticomunista. Em 1945, torna-se PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado) e em 1968, já com Marcello Caetano na chefia do governo, DGS (Direcção-Geral de Segurança).</p>
<p style="text-align: justify;">As duas últimas são conhecidíssimas polícias políticas do regime fascista português, instituições que perseguiam opositores e promoviam torturas, ameaças e assassinatos. Era uma instituição que recebia especial atenção do regime, tendo um vasto quadro de funcionários, gozando de considerável autonomia, atuando no serviço carcerário e sendo considerada por muitos como “o Estado dentro do Estado”. Tinham dossiês de milhares de portugueses, infiltravam agentes e bufos (civis “recrutados” como informantes), perseguiam opositores na metrópole, nas colônias e em outros países, grampeavam telefones, violavam correspondências e assassinavam. Entre as práticas, era comum que se prendessem “suspeitos” sem acusação formada e sem mandados, jogando-os nos presídios políticos em prisões “preventivas” que podiam durar meses, onde sofriam torturas e sevícias dos mais variados tipos. Os tribunais de julgamento normalmente eram compostos pela própria PIDE/DGS, e os advogados, quando não eram os indicados pela própria polícia, sofriam igualmente ameaças e intimidações.</p>
<p style="text-align: justify;">Na cadeia ou nas esquadras, a PIDE e DGS promoviam a tortura, marca de sua atuação. Tortura do sono, na qual o preso era impedido de dormir; tortura da estátua, em que devia que ficar imóvel em uma posição desconfortável; tortura de ruídos inquietantes; socos e pontapés; ameaças de tortura a familiares; injeção do LSD ou Pentotal (soro da verdade); e outras variadas formas, sendo que a polícia política do Estado Novo privilegiava sempre a tortura psicológica (de caráter mais “científico”, até médicos participavam das sessões para garantir que o preso se mantivesse acordado, alguns contabilizando horas ou mesmo dias em tortura), a fim de se obter qualquer informação ou confissão de fosse lá o que queriam ouvir – normalmente um “sim”. Nos estabelecimentos prisionais e campos de concentração, feitos para prisioneiros políticos, os maus tratos e torturas nos ambientes degradantes continuavam, com frequentes espancamentos promovidos por agentes e proibições de contato entre prisioneiros ou mobilidade nos espaços comuns. Alguns eram mandados para a chamada “frigideira”, e outros para a solitária, sem dúvida, pelos relatos de ex-presos políticos, uma das piores faces da tortura psicológica.</p>
<p style="text-align: justify;">O crime, para o Estado, era a oposição, a crítica à ditadura e ao fascismo. Militantes de esquerda eram alvo principal, mas se fossem militantes de esquerda e trabalhadores pobres, sofriam ainda mais. Se fossem militantes de movimentos de libertação nas colônias africanas, sofriam ainda mais, vide Tarrafal, São Nicolau e outras prisões e campos de concentração portugueses em África. O PAIGC, Frelimo ou MPLA, só como exemplos, eram consideradas organizações terroristas, criminosas, acompanhadas de perto pela PIDE/DGS. Um caso que possa ilustrar é o do sacerdote católico angolano Joaquim da Rocha Pinto de Andrade, acusado de pertencer ao MPLA. Foi preso pela primeira vez em 1960, no Aljube, e toda sua família também foi perseguida e alguns assassinados. Dali, em 1961 foi solto e preso no ano seguinte no Porto, sem acusação formada, e enviado novamente para Aljube, passando 86 dias numa minúscula cela. Solto em 1963 e preso às portas da prisão de Aljube e mandado para a de Caxias, sendo solto no mesmo ano, mas convivendo diariamente com a vigilância da GNR (Guarda Nacional Republicana que, assim como a PSP e PIP/PJ, eram forças auxiliares da PIDE/DGS). Em 1964 foi preso novamente e solto, nunca em liberdade, pois estava sempre sob vigilância. Em 1970 foi raptado por agentes e preso novamente, sendo julgado em 1971 por crimes contra o Estado e tendo seus direitos políticos cassados por 15 anos.</p>
<p style="text-align: justify;">Em Angola há o SINSE (Serviço de Inteligência e Segurança do Estado), antigo SINFO, que é a polícia política que persegue estes e outros ativistas. Em declarações de amigos, ativistas, familiares e advogados, nota-se sempre a referência a agentes à paisana que lhes perseguem e vigiam no cotidiano. Infiltravam bufos ou agentes (no Brasil conhecidos como P2) nas reuniões e manifestações e intimidam mesmo nas vigílias que ainda são feitas em favor dos presos políticos, sendo essas vigílias consideradas ilegais pelo presidente, acompanhadas inclusive de tropas de intervenção (choque) e canhões de água.</p>
<p style="text-align: justify;"> Estes presos políticos foram detidos sem mandado e sem acusações, sendo que essas foram formadas dias depois, quando já cumpriam a prisão preventiva, que hoje já expirou e ultrapassa os limites legais da legislação de Angola. O SINSE, como polícia política, faz o mesmo, intimidando advogados, familiares e a população em geral, prevenindo que não haja mais manifestações, apresentações culturais de teor opositor ou críticas públicas – e leitura de livros oficiosamente proibidos. E também, como alegado pelos advogados e pelos presos, alguns foram raptados pela polícia e todos sofreram torturas na cadeia e nas esquadras, passando inclusive por períodos de solitária.</p>
<p style="text-align: justify;">Os ativistas presos são trabalhadores, artistas e estudantes, que se mobilizavam no direito democrático de se protestar contra um governo tirano e ilegítimo, que explora e oprime a classe trabalhadora angolana, impondo o medo como regra social. Seus familiares, defensores e outros militantes estão sendo ainda perseguidos e vigiados, sofrendo ameaças constantemente e passando os dias na possibilidade de ser sempre o último. Os presos que saíram da greve da fome se recuperam mal das consequências, e o que se mantém, Luaty Beirão, está em estado crítico de saúde e corre risco de morrer, segundo informações médicas.</p>
<p style="text-align: justify;">* * *</p>
<p style="text-align: justify;">Há quase 40 anos Angola é governada pelo presidente José Eduardo dos Santos, também presidente do MPLA (Movimento Popular para Libertação de Angola), partido que se encontra no poder desde a independência do país em 1975. O país esteve em guerra civil até 2002, um conflito pós-independência entre os movimentos independentistas nacionalistas: o marxista-leninista MPLA e os rivais FNLA e UNITA, sendo um trauma para o país que ainda sofre as consequências de anos de conflito. Em 1977, um grupo dissidente do MPLA entrou em conflito com a parte hegemônica do partido, tentando um golpe, entretanto fracassado, mas abrindo por dois anos um período de represália aos dissidentes que causaram a morte do então líder Agostinho Neto, sendo relatado por angolanos como um período de massacre – portanto um outro trauma que assusta sobretudo os pais dos atuais presos políticos, conhecedores e temerosos do inimigo a quem seus filhos combatem.</p>
<figure id="attachment_143657" aria-describedby="caption-attachment-143657" style="width: 300px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-143657 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2015/10/liberdade_angola-300x225-1.jpg" alt="" width="300" height="225" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2015/10/liberdade_angola-300x225-1.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2015/10/liberdade_angola-300x225-1-80x60.jpg 80w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2015/10/liberdade_angola-300x225-1-100x75.jpg 100w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2015/10/liberdade_angola-300x225-1-180x135.jpg 180w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2015/10/liberdade_angola-300x225-1-238x178.jpg 238w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /><figcaption id="caption-attachment-143657" class="wp-caption-text">Protestos em Lisboa pela liberdade dos presos políticos</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">José Eduardo dos Santos é o sucessor de Agostinho Neto, portanto é parte da ala hegemônica do partido. Mantendo-se há tantos anos no poder, governa o país de maneira ditatorial, controlando as instâncias de poder e a imprensa. Angola é o segundo maior exportador de petróleo em África, sendo também membro da SADC (Southern African Development Community, ou Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral), atraindo investimentos de várias partes do mundo, inclusive do Brasil. Porém, ainda assim é um país onde 36% da população encontra-se abaixo da linha da pobreza, tendo a pior taxa de mortalidade infantil e vendo a maior parte de seus habitantes morando nas musseques, as favelas angolanas, sem condições dignas de moradia, saneamento, energia, educação e transporte.</p>
<p style="text-align: justify;">Este contraste social agrava-se ao se colocar o presidente em questão. Santos é dono de grande fortuna e é acusado de fazer parte em grandes esquemas de corrupção, inclusive na extração e tráfico de diamantes. Sua filha Isabel é considerada a mulher mais rica do continente africano, sendo protagonista também de escândalos internacionais de corrupção. Ora, o MPLA, inicialmente um movimento marxista-leninista, ao chegar no poder e afastar os antigos gestores coloniais portugueses, criou uma nova elite política e econômica no país, portanto uma classe dirigente nativa angolana. Esses novos gestores capitalistas, que chegaram ao poder dizendo defender os interesses do povo, exploram a classe trabalhadora angolana que vende sua força de trabalho a salários baixos a empresas nacionais e, sobretudo, transnacionais, enfrentando ainda um alto custo de vida, principalmente na capital Luanda, onde os preços de bens de consumo são altíssimos.</p>
<p style="text-align: justify;">O governo português é pressionado por movimentos a se posicionar em relação à prisão política dos jovens, tendo enviado o ministro de Negócios Estrangeiros a Angola para acompanhar o caso, mas sem constranger o governo angolano que, confiante, diz até aceitar a visita de observadores da ONU (Organização das Nações Unidos) ao país. Os dirigentes portugueses, mantendo-se sempre hesitantes e nunca assumindo uma postura dura perante as violações de Direitos Humanos em Angola, dizem que não se pode ir além na questão, pois assim estariam violando um artigo constitucional que preza pela não ingerência em outros países. Ora, é muito contraditório tendo em vista que não se trata simplesmente de assuntos internos angolanos, mas de violações de direitos humanos, os quais a Constituição portuguesa de 1974 (a dos Cravos) também diz defender, e, ora, é mais contraditório ainda Portugal afirmar que não pode se ingerir em outros países sendo que é integrante da OTAN e enfrenta atualmente duras críticas de defensores da paz por permitir em seu território exercícios militares desta organização militar internacional que tem como fim, voilà, a interferência armada em territórios estrangeiros – sendo que a atuação da OTAN (ou NATO) em países como Iraque, Afeganistão e Síria abriu a maior crise de refugiados na Europa desde a 2ª Guerra Mundial, colocando milhões de vidas em risco e sem dignidade (muitos ainda estão passando fome, sede, frio e se arriscam nas estradas e fronteiras) e assim violando violentamente os Direitos Humanos.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-143655 aligncenter" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2015/10/freedom-300x225-1.jpg" alt="" width="300" height="225" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2015/10/freedom-300x225-1.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2015/10/freedom-300x225-1-80x60.jpg 80w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2015/10/freedom-300x225-1-100x75.jpg 100w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2015/10/freedom-300x225-1-180x135.jpg 180w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2015/10/freedom-300x225-1-238x178.jpg 238w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<p style="text-align: justify;">A atitude do Estado português não deveria ser surpresa, tendo em vista que, segundo dados do jornal Público, baseado por sua vez em dados do Instituto Nacional de Estatística, 9440 empresas portuguesas exportam mercadorias para Angola, sendo que mais da metade destas dependem 100% da atividade. Mais centenas de empresas portuguesas, entre elas corporações como TAP, Jumbo, Pingo Doce, Galp, EDP, NOS, Cofaco, Coba, Viauto, Oeleoga, Água do Mourão, Famo, Sulnor, Prébuild, Primavera Software, Mota-Engil, Sinfic e Central de Cervejas, têm negócios em Angola e se assustam com a crise no país levada pela queda no preço do petróleo. Marca-se assim a dita parceria comercial e de negócios entre Portugal e Angola – outrora metrópole e colônia – tendo como entidades representativas dessas atividades os próprios bancos, por exemplo, BPI, BCP e Caixa Geral de Depósitos com seus espaços dedicados a investimentos em Angola e, o mais expressivo de todos, o BIC, cujos carro-chefe e finalidade são justamente a de investimentos no país africano.</p>
<p style="text-align: justify;">No rescaldo da guerra civil terminada em 2002, iniciou-se a chamada “Reconstrução de Angola”, com uma maior abertura dada pelo regime do MPLA e presidente José Eduardo a empresas estrangeiras para a exploração económica no país por investimentos de infraestrutura e demais negócios. Empresas dos países do BRIC (bloco de Brasil, Rússia, Índia e China) detêm aproximadamente um terço de toda a relação comercial com Angola, segundo dados em reportagem da Folha de São Paulo. De acordo com o sul-africano Standard Bank, são cerca de 150 empresas chinesas (sendo a China o maior parceiro econômico dos gestores angolanos em valor de investimentos) e cerca de 200 brasileiras. A baixa taxa tributária a essas empresas e a fragilidade das legislações trabalhistas em Angola são facilidades que garantem a alta lucratividade das corporações.</p>
<p style="text-align: justify;">O Brasil é um dos principais parceiros do governo angolano nesse processo, tendo como principal propulsor o governo de Luís Inácio “Lula” da Silva, que em sua gestão (2003-10) assinou 40 acordos comerciais com Angola, em sua política imperialista Sul-Sul de parcerias econômicas em países que já foram denominados de terceiro-mundo. O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Ecônomico e Social) concede crédito a empresas que queiram se expandir a países de Ásia, América Latina e África, sendo Angola um dos principais locais de investimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Há várias empresas de origem brasileira atuando comercialmente ou na exploração econômica em Angola, com empréstimos e incentivos do BNDES. Entre elas estão, por exemplo: Oderbrecht; Camargo Corrêa; Queiroz Galvão; Andrade Gutierrez; Pão de Açúcar; Petrobras; Banco do Brasil; Votorantim; Companhia Siderúrgica Nacional; Gerdau; Taurus; e Vale. Especificando, entre todas as brasileiras, há as goianas: Grupo Odilon Santos que explora em Goiás no agronegócio; indústria alimentícia, a Creme &amp; Mel); setor imobiliário (como o Shopping Cerrado); e transportes rodoviários (com a Rápido Araguaia e Viação Araguarina e participação de interesse nos projetos de VLT e BRT em Goiânia), atualmente explorando em Angola os serviços de transporte interprovincial e recolha de lixo urbano; a holding JBS (cuja empresa mais conhecida é a Friboi); Equiplex, de Heribaldo Egídio e Vanderlan Jr. (ex-prefeito de Senador Canedo e atual presidente regional do PSB-GO, com participação também na JBS e em estreito amor empreendedor com Odilon Santos, a quem chama de “Odilonzinho”); Orca Construtora (de Wilton Pedro, senador pelo DEM); e Multidata (de Helenir Queiroz, também à frente da Associação Comercial e Industrial do Estado de Goiás, a Acieg) que vende softwares a empresas que exploram em Angola.</p>
<p style="text-align: justify;">Angola é grande produtora de petróleo, produto que corresponde à maior parte do PIB do país. Com a crise atualmente vivida, com baixa no preço do barril e desvalorização da moeda local, o Kwanza, o governo angolano anunciou cortes nas finanças e várias corporações mostram preocupação. Para garantir a produtividade, as empresas tomam medidas austeritárias que prejudicam, obviamente, seus trabalhadores. Empresas portuguesas e brasileiras já demitiram e expatriaram milhares de seus operários que trabalhavam em Angola, situação bem diferente do auge de lucratividade em 2008. Entre as brasileiras, está a que mais tem investimentos em África – e obviamente em Angola – com as facilidades concedidas pela gestão do PT: Oderbrecht.</p>
<figure id="attachment_143656" aria-describedby="caption-attachment-143656" style="width: 300px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-143656" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2015/10/protesto-lisboa-300x225-1.jpg" alt="" width="300" height="225" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2015/10/protesto-lisboa-300x225-1.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2015/10/protesto-lisboa-300x225-1-80x60.jpg 80w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2015/10/protesto-lisboa-300x225-1-100x75.jpg 100w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2015/10/protesto-lisboa-300x225-1-180x135.jpg 180w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2015/10/protesto-lisboa-300x225-1-238x178.jpg 238w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /><figcaption id="caption-attachment-143656" class="wp-caption-text">Ato em Lisboa em defesa dos presos políticos</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Os interesses em exploração econômica da Oderbrecht, de origem baiana, na África não são novos. Remontam à década de 1980 em que estreitava laços com a ex-União Soviética e, por consequência, a seus países de influência, como a Angola do MPLA. Segundo reportagens da BBC Brasil, a multibilionária holding brasileira investe em média US$1 bilhão anuais em Angola. Ainda segundo o órgão de imprensa, a <a href="http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/09/150831_odebrecht_angola_condenacao_pai_jf" target="_blank" rel="noopener">Oderbrecht foi condenada</a> pelo crime de trabalho análogo à escravidão, sendo muitas as notícias e relatos de situações degradantes a que os trabalhadores da empresa enfrentam em África.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.makaangola.org/" target="_blank" rel="noopener">Rafael Marques</a>, jornalista angolano e perseguido político do regime por ser opositor, defender os direitos humanos, os presos políticos e por ter escrito o livro Diamantes de Sangue, acusa que a Oderbrecht detém a maior parte dos contratos no país. Também, além de Rafael, ativistas do país acusam uma estreita e privilegiada relação entre a empresa brasileira e o presidente José Eduardo. Por exemplo, ela é parte do projeto Biocom, junto às empresas angolanas Sonangol (estatal responável por explorar petróleo, onde atuam os generais do regime e familiares do presidente) e Damer – segundo dizem, neste projeto não há participação do BNDES. A brasileira também detém a gestão da rede de supermercados Nosso Super, que atua em 18 províncias, e de 2005 a 2012 formou a SDM com a estatal angolana Endiama, que, juntas a Di Oro, exploravam a extração de diamantes em Lunda-Norte – negócio altamente sangrento e lucrativo, beneficiando o mercado e investimentos de luxo, como os da filha de José Eduardo e que faz relembrar as tragédias empreendidas pela Diamang na Angola ainda colônia portuguesa.</p>
<p style="text-align: justify;">E ainda há mais. A Oderbrecht, que mantém estreitas relações com os regimes e governos onde atua, como no Brasil (com várias frentes de exploração, como energia e combustível, infraestrutura, setor imobiliário, transportes – como no PAC de Mobilidade Urbana –, tecnologia, armamentos etc., que deveriam assustar a classe trabalhadora, e que é parte autuada na Operação Lavajato, escândalo de corrupção midiático que assusta mais os gestores ressentidos que ficaram de fora dos esquemas), é íntima do ambiente palaciano do ditador José Eduardo. Ela é parte de uma alcova privilegiada do regime, o Conselho Fiscal da Fundação Eduardo Santos (Fesa), juntamente à Texaco (EUA), Mota-Ergil e Teixeira Duarte (Portugal), Dar Al-Handisah (Líbano) e Sunenge (Angola). Também tem parte no Santos Futebol Clube, time popularmente conhecido em Angola como a “equipa do ZéDu”, de nome em homenagem ao homônimo do litoral paulista, e que é conhecidamente uma empresa de lavagem de dinheiro do ditador, e da qual é de conhecimento público que a Oderbrecht disponibiliza instalações para treinamento do time.</p>
<p style="text-align: justify;">* * *</p>
<p style="text-align: justify;">Para nós, é incompleto culpar apenas a figura do presidente José Eduardo ou a tal “cleptocracia” de seu regime. Todas as empresas e governos que se beneficiam dos negócios em Angola também são culpadas pela situação, pois coadunam com o regime autoritário do MPLA. O que fazem em Angola é bem semelhante ao processo imperialista e colonialista empreendido a partir do século XIX, quando as companhias transnacionais investiam no continente africano tendo os Estados nacionais como intermediadores do processo de exploração capitalista. Essas empresas fomentaram o trabalho forçado e compulsório (denominações as quais, sinceramente, apenas os colonialistas do século XX insistiam em tentar diferenciar), guerras e extermínios (e genocídio), formaram milícias, criaram o imposto de palhota e impuseram as relações sociais de produção capitalista a toda população africana.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-143654 aligncenter" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2015/10/Untitled-300x175-1.jpg" alt="" width="300" height="175" />As atuais empresas seguem um rumo semelhante e, no caso das de origem brasileira, têm o governo PT como principal intermediador diplomático para a abertura de territórios africanos à exploração empreendida por corporações capitalistas. É o medo institucionalizado pelo governo José Eduardo que mantém a classe trabalhadora em Angola sobrevivendo com jornadas exaustivas e salários que não correspondem ao custo de vida, sendo presos por motivação política os que se levantam contra. É essa a situação que faz de Angola, assim como outros países africanos, o Eldorado de capitalistas que prosperam com alta lucratividade. É impossível dissociar a corrupção e o autoritarismo do governo angolano da atuação de transnacionais no país.</p>
<p style="text-align: justify;">No Brasil, além da atuação de defensores dos direitos humanos, como a Anistia Internacional, houve um protesto de uma senadora em sessão chamando a atenção à situação dos 15 presos políticos e das outras duas acusadas que aguardam em liberdade. O Brasil é um país cujo governo é um dos principais parceiros do regime em Angola, e onde se viu até então, depois das jornadas de 2013 e 2014, prisões políticas (sendo 23 no Rio de Janeiro, mais Rafael Braga que ainda se encontra preso, tendo a DRCI assumido publicamente a capitania de polícia política, assumida em São Paulo pela DEIC e em Goiás pela DRACO, que fez quatro presos políticos em penitenciária). Tais presos políticos brasileiros não têm somente os órgãos de repressão estatal como algozes: empresas de transporte coletivo (como se demonstra nos documentos da Operação 2,80 em Goiás), bem como outras, como a FIFA em razão da Copa de 2014 – e, assim como anuncia um documento da CIA vazado pelo Wikileaks, é cobrado do Brasil maior vigilância e repressão, mais que para a Copa, na ocasião das Olimpíadas no Rio de Janeiro – são financiadoras das perseguições políticas e crimes de Estado.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-143653 aligncenter" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2015/10/Untitled3-791x1024-1.jpg" alt="" width="791" height="1024" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2015/10/Untitled3-791x1024-1.jpg 791w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2015/10/Untitled3-791x1024-1-232x300.jpg 232w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2015/10/Untitled3-791x1024-1-768x994.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2015/10/Untitled3-791x1024-1-324x420.jpg 324w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2015/10/Untitled3-791x1024-1-640x829.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2015/10/Untitled3-791x1024-1-681x882.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 791px) 100vw, 791px" />As polícias e órgãos de inteligência já estão integrados nacionalmente, como era proposta de “segurança” da campanha eleitoral da vencedora Dilma Rousseff do PT (antiga presa política), em desfavor das lutas sociais por direitos, e mais presos políticos podem surgir ainda no Brasil. Medidas legislativas mais autoritárias, como a proibição de usos de máscaras em manifestações políticas e a tentativa de aprovação de uma lei antiterrorismo que enquadra a luta social como associação criminosa e terrorista, são também reação da classe dominante à resistência de trabalhadores em luta. Nesta situação, vendo que os capitalistas e sua repressão se organizam internacionalmente para garantir a exploração, é necessário e urgente que a luta social e solidariedade também ultrapassem as fronteiras que dividem a classe trabalhadora.</p>
<p style="text-align: justify;">É preciso que os defensores de direitos humanos e direitos civis, e coletivos e movimentos sociais, se unam e discutam a situação em Angola, propondo formas de pressão para que o governo brasileiro e outros governos reconheçam as violações de direitos e crimes de Estado perpetrados pelo regime do MPLA, bem como suas culpas na situação. Em Portugal, a AI promove abaixo-assinados endereçados ao governo português e ao presidente angolano, e no Brasil o mesmo pode ser feito, via Itamaraty, Planalto e embaixadas e consulados, protocolando documentos. É o mais básico a se fazer.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, como informação (e recomendações de que os leitores procurem mais notícias sobre o caso, como na <a href="http://www.redeangola.info/" target="_blank" rel="noopener">Rede Angola</a> , a agência<a href="http://apublica.org/?s=angola" target="_blank" rel="noopener"> Pública</a> , Amnistia Internacional e <a href="http://www.esquerda.net/topics/dossier-246-liberdade-para-os-presos-politicos-angolanos" target="_blank" rel="noopener">dossiê do esquerda.net</a> , além de, claro, a própria <a href="//www.facebook.com/Liberdade-aos-Presos-Pol%C3%ADticos-em-Angola-1606187489646481" target="_blank" rel="noopener">página no Facebook de apoio</a> ) e pedido de intervenção, engrossamos o coro: liberdade já para os presos políticos angolanos; que se retirem todas as acusações por crimes inexistentes; que sejam dignamente tratados os que se encontram fisicamente e psicologicamente debilitados; que seja extinto o processo e o julgamento que começará a 16 de Novembro e, se ocorrer, que se inocente todos, em nome dos valores democráticos e dos direitos humanos; e que, se todas as liberdades e fim de perseguições políticas só sejam possíveis em outro modelo de sociedade, ao menos sejam respeitadas as limitadas liberdades permitidas em uma democracia capitalista.</p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>Só Há Pa, Não Há Pão: Desespero em Cacuaco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 Apr 2013 16:26:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[PassaPalavraTV]]></category>
		<category><![CDATA[Angola]]></category>
		<category><![CDATA[Bairros_e_cidades]]></category>
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					<description><![CDATA[&#160; Mais de 5,000 residentes do bairro Mayombe, no município de Cacuaco, em Luanda, foram desalojados, numa operação militarizada de demolições em massa, a 1 e 2 de Fevereiro de 2013. Mais de dois meses após as demolições, os desalojados continuam a viver em condições sub-humanas, sem acesso a água potável, energia eléctrica ou saneamento [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Mais de 5,000 residentes do bairro Mayombe, no município de Cacuaco, em Luanda, foram desalojados, numa operação militarizada de demolições em massa, a 1 e 2 de Fevereiro de 2013.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais de dois meses após as demolições, os desalojados continuam a viver em condições sub-humanas, sem acesso a água potável, energia eléctrica ou saneamento básico.</p>
<p style="text-align: justify;">A par da Boavista, em 2001, as demolições em massa do Mayombe foram das maiores operações de desalojamentos forçados, por via militarizada, na área de Luanda.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos últimos anos, a capital tem assistido a uma vaga de operações deste tipo, em violação dos direitos mais elementares das populações.</p>
<p style="text-align: justify;">A veiculação de informações sobre as lutas por moradia em países como Angola evidencia que os despejos e a especulação imobiliária não são um privilégio do Brasil e de Portugal (sobre este último ver <a href="http://passapalavra.info/2013/04/76392" target="_blank" rel="noopener">aqui</a> sobre a  recente ocupação do palácio onde funcionou, durante o Estado Novo, o Ministério da Educação). O caso de Angola  demonstra que não basta a independência política para conseguir a igualdade econômica, pois os que conduziram a esta independência política acabaram se tornando os <a href="http://envolverde.com.br/ambiente/a-diplomacia-da-construcao-de-angola-e-brasil/" target="_blank" rel="noopener">novos exploradores</a>. E tudo isso numa ação conjunta com o neoimperialismo brasileiro, que se beneficia desse tipo de despejos, através das suas transnacionais da construção civil.</p>
<p style="text-align: center;"><iframe loading="lazy" src="http://www.youtube.com/embed/PVPzVuOXCtE" width="560" height="315" frameborder="0"></iframe></p>
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		<title>Angola: série de protestos e repressão policial</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Sep 2011 18:25:21 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Angola]]></category>
		<category><![CDATA[Outras_lutas]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão_e_liberdades]]></category>
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					<description><![CDATA[Vídeos documentam a série de protestos que tem ocorrido em Angola desde março e a forte repressão policial do governo de José Eduardo dos Santos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por <strong>Passa Palavra</strong></h3>
<p style="text-align: justify;">Desde março, Luanda, capital de Angola, tem sido palco de manifestações protagonizadas sobretudo pelos jovens. Eles protestam contra a falta de liberdade imposta pelo regime do Presidente José Eduardo dos Santos, do Movimento Popular de Libertação de Angola, que governa o país desde 1980.</p>
<p style="text-align: justify;">O vídeos abaixo denunciam a forte repressão policial que as forças do governo têm usado contra os manifestantes.</p>
<p style="text-align: justify;">O primeiro deles registra imagens de um protesto realizado no dia 25 de maio, no Largo da Independência, quando vários jovens foram detidos. O segundo, gravado no ato do dia 3 de setembro, mostra um jovem gravemente ferido deitado ao chão, enquanto os manifestantes dirigem palavras de protesto aos policiais que assistem a tudo de longe.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://player.vimeo.com/video/29107703?h=5166e86705" width="640" height="480" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://player.vimeo.com/video/29106280?h=e35978efd2" width="640" height="361" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Angola: Protesto de rua anulado, activistas inconformados</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Mar 2011 12:20:41 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Angola]]></category>
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					<description><![CDATA[Caluniada e reprimida pelo partido no poder e pelo Governo, a tentativa de uma manifestação de dissidência inspirada nos acontecimentos do norte de África foi liquidada no ovo. Mas diz-se que, doravante, nada será como antes. Por Louise Redvers, para a IPS Não se concretizou a tentativa para organizar uma manifestação de protesto contra o [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Caluniada e reprimida pelo partido no poder e pelo Governo, a  tentativa de uma manifestação de dissidência inspirada nos  acontecimentos do norte de África foi liquidada no ovo. Mas diz-se que,  doravante, nada será como antes.</em> <strong>Por Louise Redvers, para a IPS</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-37853"></span>Não se concretizou a tentativa para organizar uma manifestação de  protesto contra o governo em Luanda, capital de Angola, mas não há  dúvida de que alguma luz se acendeu nas pessoas que, ao longo de tantos  anos, nunca ousaram desafiar as autoridades.</p>
<p style="text-align: justify;">Só sete pessoas apareceram, às primeiras horas do dia 7 de Março, para  participarem naquilo que os organizadores via internet haviam chamado  “Revolução Popular Angolana”, e logo foram detidas, juntamente com a  equipa de jornalistas que as acompanhava.</p>
<p style="text-align: justify;">
<figure id="attachment_37856" aria-describedby="caption-attachment-37856" style="width: 407px" class="wp-caption alignright"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_angolapamba02jose-eduardo-dos-santos-lidera-angola-desde-setembro-de-1979_fotodn.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37856 " title="f_angolapamba02" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_angolapamba02jose-eduardo-dos-santos-lidera-angola-desde-setembro-de-1979_fotodn.jpg" alt="José Eduardo dos Santos é presidente de Angola desde Setembro de 1979 (foto DN)" width="407" height="283" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_angolapamba02jose-eduardo-dos-santos-lidera-angola-desde-setembro-de-1979_fotodn.jpg 452w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_angolapamba02jose-eduardo-dos-santos-lidera-angola-desde-setembro-de-1979_fotodn-300x208.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 407px) 100vw, 407px" /></a><figcaption id="caption-attachment-37856" class="wp-caption-text">José Eduardo dos Santos é presidente de Angola desde Setembro de 1979 (foto DN)</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Mas o simples facto de terem aparecido é um indício, ouve-se dizer, de  uma mudança de estado de espírito num país onde o poder é ocupado pelo  presidente José Eduardo dos Santos há quase 32 anos, o que faz dele,  depois de Muhammad Khadafi na Líbia e de Teodoro Obiang na Guiné  Equatorial, o terceiro governante mais antigo do continente.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos dias que precederam o protesto, o acto planeado era o principal  assunto de conversa em todos os sectores da sociedade, desde os andares  de topo dos arranha-céus de escritórios até ao chão enlameado das  favelas das periferias das cidades.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Infelicidade nas ruas</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O jornalista e analista político angolano Rafael Marques disse que,  embora se esperasse que muita gente não fosse participar na manifestação  com medo das represálias, essa gente apoiava as reclamações dos  organizadores.</p>
<p style="text-align: justify;">“Em Angola, as pessoas estão descontentes e Dos Santos está a tornar-se  muito impopular. Eu diria que, daqui para a frente, a única coisa certa é  a instabilidade”, disse.</p>
<p style="text-align: justify;">Há um descontentamento crescente entre os angolanos em geral, que não ganham nada com os benefícios do <em>boom</em> económico do país, explicou.</p>
<p style="text-align: justify;">E acrescentou que as pessoas ficaram zangadas com as notícias acerca da  corrupção e do enriquecimento pessoal do presidente e dos seus próximos,  enquanto a maior parte do país continua pobre.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar do crescimento que teve na última década (11%), que ultrapassa o  da China (10,5%), mais de dois terços dos angolanos continuam na pobreza  e metade da população não tem acesso à água e à electricidade, segundo  números do governo publicados no ano passado.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_angolapamba07.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-37858" title="f_angolapamba07" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_angolapamba07.jpg" alt="f_angolapamba07" width="432" height="324" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_angolapamba07.jpg 800w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_angolapamba07-300x225.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 432px) 100vw, 432px" /></a>Fernando Macedo, constitucionalista angolano conhecido pela franqueza,  afirmou que há muitos paralelismos entre Angola e o Egipto, a Tunísia e a  Líbia.</p>
<p style="text-align: justify;">“Desde a maneira como a mídia é manipulada até ao controlo pelo partido  no poder da polícia e da justiça que se supõe serem independentes, há  muitas semelhanças”, disse.</p>
<p style="text-align: justify;">Acrescentou que as detenções também violam a recém-ratificada  Constituição, que consagra o direito à manifestação pacífica, o que só  vem demonstrar a falta de respeito do governo pelas suas próprias leis.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Será o protesto uma invenção do partido no poder?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A situação tem a marca tipicamente angolana da “confusão”, com alegações  e contra-alegações de que o movimento de protesto de 7 de Março era de  facto uma invenção do MPLA no poder, para testar as reacções populares e  conseguir identificar os agitadores.</p>
<p style="text-align: justify;">Muita gente sentiu desconfiança dos emails que pareciam provir de muitas  pessoas diferentes, ao ponto de uma delas se chamar Agostinho Jonas  Roberto dos Santos, o primeiro nome de cada um dos líderes dos três  movimentos de libertação do país, mais o apelido do actual presidente.</p>
<p style="text-align: justify;">O maior partido da oposição, a UNITA, declarou apoiar a ideia de  mudança, mas que não poderia caucionar uma organização sem rosto,  prevenindo que uma acção desorganizada podia levar à violência.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A autenticidade dos emails</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quer os emails fossem autênticos quer não, e independentemente da  maneira como as pessoas participaram no 7 de Março, Marques diz que o  episódio foi um momento de definição porque revelou fraqueza, tanto por  parte da oposição como por parte do partido no poder.</p>
<p style="text-align: justify;">“Mostrou que a oposição se encontrava demasiado desorganizada e sem  respaldo intelectual para poder tirar partido da situação”, disse.</p>
<p style="text-align: justify;">Marques pensa também que a forma como o MPLA reagiu ao email de ameaça  do protesto, seja este autêntico ou não, assim como as posteriores  detenções, também não lhe foi nada favorável.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos dias anteriores ao protesto, dirigentes do partido usaram os  jornais, a rádio e a televisão, em grande parte controlados pelo Estado,  para repetidamente instar as pessoas a manterem-se afastadas.</p>
<p style="text-align: justify;">O primeiro secretário do MPLA para Luanda, Bento Bembe, abriu as  hostilidades dizendo: “Quem quer que tente manifestar-se será  neutralizado, porque Angola tem leis e instituições e um bom cidadão  compreende as leis, respeita o país e é um patriota.”</p>
<p style="text-align: justify;">A isto seguiam-se acusações de que os organizadores do protesto  pretendiam reacender a guerra [civil], estando a ser “apoiados” pela  bisbilhotice de “agentes externos” em locais como Portugal e o Reino  Unido.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mobilização no mato</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Chegaram mesmo a circular boatos de que estavam a ser mobilizadas tropas  secretas no “mato”, prontas para atacar as cidades, desenterrando  negras recordações da guerra civil de 27 anos e semeando o pânico no  país.</p>
<p style="text-align: justify;">Um pequeno grupo de partidos da oposição, conhecido como POC (Partidos  da Oposição Civil), tentou organizar uma vigília própria para o domingo 6  de Março. O Governo Provincial de Luanda (<acronym title="GNU General Public License">GPL</acronym>)  negou autorização por motivos técnicos. Temendo uma reacção violenta, o  grupo decidiu obedecer à decisão. Manuel Fernandes, líder do POC,  disse: “A situação é muito delicada e muitos de nós receberam ameaças de  morte. Como não queríamos um banho de sangue decidimos ficar em casa e  pensar no que fazer a seguir.”</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto o <acronym title="GNU General Public License">GPL</acronym> não teve qualquer problema em autorizar o MPLA a realizar uma  manifestação a que o partido chamou “Marcha pela Paz e a Estabilidade.” A  mídia estatal falou de mais de quatro milhões de participantes, embora o  número real estivesse mais perto dos 40.000, muitos dos quais se pensa  terem sido forçados a entrar em autocarros [ônibus] e levados para a  marcha.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_angolapamba05.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright size-full wp-image-37857" title="f_angolapamba05" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_angolapamba05.jpg" alt="f_angolapamba05" width="426" height="264" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_angolapamba05.jpg 752w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_angolapamba05-300x185.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 426px) 100vw, 426px" /></a>O vice-presidente do MPLA Roberto de Almeida fez uma série de discursos  inflamados, lembrando às pessoas os avanços conseguidos em tempo de paz e  desancando os dissidentes que queriam pôr isso em causa e mergulhar o  país de novo na guerra.</p>
<p style="text-align: justify;">“O modo como o MPLA reagiu foi horrível”, explicou Marques. “Tentaram  tirar proveito da situação, semeando a confusão e o medo, e isso  enfureceu as pessoas.”</p>
<p style="text-align: justify;">Macedo concorda: “Toda essa conversa sobre guerra é ridícula. Onde está  essa guerra? Não há nenhumas tropas secretas; a guerra está na mente do  MPLA. Como podem dar essa importância toda à paz e depois ameaçar as  pessoas?”</p>
<p style="text-align: justify;">O modo como o governo conduziu as coisas também foi alvo de críticas do  lóbi novaiorquino Human Rights Watch (HRW), que condenou o que chama  “campanha de intimidação” contra partidos da oposição, jornalistas e  cidadãos. O director da HRW para a África, Daniel Bekele, disse: “O  partido no poder em Angola não deveria assustar as pessoas com o  regresso da violência para as dissuadir de exprimirem as suas opiniões.  Esse desrespeito pelas liberdades políticas fundamentais não pressagia  nada de bom para as eleições gerais angolanas de 2012.”</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Que irá acontecer agora?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em Abril o MPLA deverá organizar o seu congresso extraordinário onde,  tudo indica, haverá muita reflexão e debate sobre como restaurar a calma  depois dos acontecimentos recentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Os analistas de riscos não anteveem qualquer revolta importante nos  tempos mais próximos, o que dará algum conforto às hostes de  investidores estrangeiros envolvidos nos florescentes negócios do  petróleo angolano, dos diamantes e da construção civil, mas o certo é  que os ventos de mudança já começaram a soprar.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar disso, Marques afirmou que, a haver qualquer mudança, ela não  viria da oposição nem de um levantamento popular, mas sim de um colapso  do MPLA, o qual, segundo ele, está tomado pela insegurança, como as  reacções desta semana demonstraram.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Artigo original (em inglês) <a rel="nofollow" href="http://www.ips.org/africa/2011/03/mass-protests-fail-but-angolan-activists-remain-defiant/" target="_blank">aqui</a>. Tradução do Passa Palavra.</em></p>
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