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	<title>Bahrain &#8211; Passa Palavra</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>Bahrain: Um banho de sangue apoiado pelos Estados Unidos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 May 2011 23:19:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[A “primavera árabe” do povo do Bahrain está a sofrer a mesma repressão violenta que sofrem os líbios. Porque é que Obama nada tem a dizer sobre isso? Por Amy Goodman]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3><strong>Por Amy Goodman</strong></h3>
<p style="text-align: justify;"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignright size-full wp-image-138062" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/05/bahrain_1-300x219-1.jpg" alt="" width="300" height="219" />Três dias depois da renúncia de Hosni Mubarak à sua longa ditadura no Egipto, o povo do Bahrain, pequeno Estado do Golfo [Pérsico], lançou-se em massa para as ruas em Manama, capital do país, e concentrou-se na Praça da Pérola, a sua versão da praça egípcia de Tahrir. O Bahrain vem sendo governado pela mesma família, a dinastia de Khalifa, desde a década de 1780, há mais de duzentos e vinte anos. Com as manifestações, os bahrainenses não exigiam o fim da monarquia, mas sim uma maior representação no seu governo.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao fim de um mês de sublevação, a Arábia Saudita enviou tropas militares e policiais pela ponte de mais de 25 km que liga o território continental saudita à ilha do Bahrain. A partir daí, é cada vez mais forte e violenta a repressão sobre os manifestantes, a imprensa e as organizações de direitos humanos.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma corajosa jovem bahrainense activista pró-democracia, Zainab al-Khawaja, viu a brutalidade de perto. Horrorizada, foi testemunha de como o seu pai, Abdjlhadi al-Khawaja, destacado activista pelos direitos humanos, foi agredido e preso. A partir de Manama ela descreve o que aconteceu:</p>
<p style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-138061" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/05/bahrain_2-300x171-1.jpg" alt="" width="300" height="171" />“Forças de segurança atacaram a minha casa. Chegaram sem pré-aviso. Derrubaram a porta do edifício, derrubaram a porta do nosso apartamento e atacaram directamente o meu pai, sem explicar os motivos da sua detenção nem o deixar falar. Arrastaram o meu pai pelas escadas e agrediram-no ali à minha frente. Bateram-lhe até que desmaiou. As últimas palavras que o ouvi dizer foi que não conseguia respirar. Quando tentei intervir, quando tentei dizer-lhes ‘Por favor, párem de lhe bater. Ele irá convosco voluntariamente. Não precisam bater-lhe assim&#8217;, o que me disseram foi mandar-me calar e arrastaram-me pelas escadas acima até ao apartamento. Quando voltei a sair, o único rasto que havia do meu pai era o seu sangue nas escadas”.</p>
<p style="text-align: justify;">A organização de direitos humanos Human Rights Watch exigiu a libertação imediata de Al-Khawaja. O marido e o cunhado de Zainab também foram presos. Zainab publica no Tweetter como “angryarabiya” e, em protesto pelas detenções, iniciou uma greve da fome à base de líquidos unicamente. Também escreveu uma carta ao presidente Barack Obama onde diz: “Se algo acontecer ao meu pai, ao meu marido, ao meu tio, ao meu cunhado ou a mim, declaro o senhor tão responsável como o regime de Al Khalifa. O seu apoio a este governo torna o seu governo cúmplice dos crimes daquele. No entanto ainda tenho esperança de que você dê conta de que a liberdade e os direitos humanos significam para uma pessoa bahrainense o mesmo que para uma pessoa estadunidense”.</p>
<p style="text-align: justify;">No discurso em que condena o governo de Khadafi, Obama justificou os recentes ataques contra a Líbia com estas palavras: “Assassinaram pessoas inocentes. Atacaram hospitais e ambulâncias. Prenderam, violaram e assassinaram jornalistas.” Agora acontece o mesmo no Bahrain mas Obama não tem nada para dizer.</p>
<p style="text-align: justify;">Tal como nas sublevações do Egipto e da Tunísia, o sentimento que há é nacionalista e não religioso. O país é 70% xiita mas quem o governa é uma minoria sunita. Todavia, uma das principais palavras de ordem presentes nos protestos foi “Nem xiita, nem sunita, bahrainense”. Isto desacredita o argumento esgrimido pelo governo bahrainense de que o actual regime é a melhor defesa contra a crescente influência do Irão, um país xiita no Golfo Pérsico tão rico em petróleo. Resume-se ao seguinte o papel estratégico do Bahrain: é ali que se encontra a base da 5ª Frota Naval estadunidense, com a missão de proteger os “interesses dos EUA”, como o Estreito de Ormuz e o Canal de Suez, e de fornecer apoio às guerras do Iraque e do Afeganistão. Não fará parte, também, dos interesses estadunidenses apoiar a democracia e não os déspotas?</p>
<p style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="alignright size-full wp-image-39726" title="bahrain_3" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/05/bahrain_3.jpg" alt="bahrain_3" width="300" height="210" />Nabil Rajab ´presidente do Centro para os Direitos Humanos do Bahrain, organização que foi dirigida pelo recém-sequestrado Abdulhadi al-Khawaja. Rajab está em risco de ser julgado em tribunal militar por publicar uma fotografia de um manifestante que morreu quando estava detido. Rajab disse-me: “Centenas de pessoas estão presas e torturadas por exercerem a sua liberdade de expressão. E tudo por vingança, porque um dia, há um mês atrás, quase metade da população do Bahrain veio para as ruas exigir democracia e respeito pelos direitos humanos”.</p>
<p style="text-align: justify;">Rajab observou que a democracia no Bahrain poderia implicar a luta pela democracia nas vizinhas ditaduras do Golfo Pérsico, em especial na Arábia Saudita. Por isso a maior parte dos governos da região tem interesse em que se ponha fim aos protestos. A Arábia Saudita está bem colocada para a tarefa, já que é a recente beneficiária do maior acordo de venda de armas da história dos Estados Unidos. Apesar das ameaças, Rajab foi firme: “Enquanto respirar, enquanto tiver vida, continuarei a lutar. Creio na mudança. Creio na democracia. Creio nos direitos humanos. Estou disposto a dar a vida. Estou disposto a dar o que for preciso para alcançar esta meta”.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Amy Goodman</strong> é a animadora da Democracy Now, um serviço noticioso internacional que é emitido diariamente em mais de 600 emissoras de rádio e de televisão em inglês, e em mais de 300 em espanhol. É co-autora do livro </em>Os que lutam contra o sistema: Heróis ordinários em tempos extraordinários nos Estados Unidos<em>, editado por </em>Le Monde Diplomatique – Cone Sul<em>.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Artigo original (em inglês) publicado no jornal londrino </em><a class="urlextern" title="http://www.guardian.co.uk/commentisfree/cifamerica/2011/apr/13/barack-obama-bahrain-bloodshed" href="http://www.guardian.co.uk/commentisfree/cifamerica/2011/apr/13/barack-obama-bahrain-bloodshed" rel="nofollow">Guardian</a><em> em 13 de Abril de 2011. Versão em espanhol em <a class="urlextern" title="http://www.democracynow.org/es/blog/2011/4/14/estados_unidos_respald_un_derramamiento_de_sangre_que_manch_la_primavera_rabe" href="http://www.democracynow.org/es/blog/2011/4/14/estados_unidos_respald_un_derramamiento_de_sangre_que_manch_la_primavera_rabe" rel="nofollow">Democracy Now</a>. Amy Goodman teve a colaboração jornalística de Denis Moynihan. Tradução do Passa Palavra.</em></p>
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