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	<title>El Salvador &#8211; Passa Palavra</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>Radio Victoria, comprometida com as lutas, conquistas, tristezas e alegrias em El Salvador</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Jul 2012 09:38:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[El Salvador]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia/comunicação_social]]></category>
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					<description><![CDATA[Criada em 1993, a Radio Victoria é um projeto de comunicação para a ação, denúncia e, sobretudo, para a promoção de uma participação social e crítica. ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;"> <strong>Por </strong><strong>Yeny Romero </strong></h3>
<p style="text-align: justify;">San Salvador, El Salvador. A Radio Victoria nascia a 15 de Julho de 1993, parte de um processo de democratização que se desenvolvia em San Salvador após a assinatura dos Acordos de Paz de 1992. Este nascimento foi acompanhado pela Associação de Desenvolvimento Económico e Social (ADES), tendo contado com o apoio de Cristina Star, uma jornalista e cineasta norte-americana que, nos anos 80, cobriu o conflito armado salvadorenho.</p>
<p style="text-align: justify;"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-144970" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/07/radiovictoria1-391x261-300x200-1.jpg" alt="" width="300" height="200" /> A rádio iniciou as suas transmissões em Santa Marta, no oeste do país, comunidade emblemática pela sua experiência ao longo da guerra civil e, na atualidade, pela sua constante luta. Teria sido fundada por três jovens da comunidade, dedicados ao estudo e à ajuda familiar nas suas atividades produtivas. Para além do trabalho no campo, para poderem se alimentar, trabalhavam em prol da democratização da palavra, algo que, naqueles anos, constituía uma tarefa urgente.</p>
<p style="text-align: justify;">Em Março de 1981, o exército da ditadura militar iniciou operações de bombardeamento sobre populações campesinas, entre as quais a de Santa Marta. Esta situação conduziu a uma fuga das populações civis, acusadas de compor a base social das guerrilhas então ativas, as Forças Populares de Libertação (FPL) e as Forças Armadas de Resistência Nacional (RN). O abandono da comunidade deveu-se à ação dos operativos de <em>Tierra Asada</em>, enviados pelo coronel Sigifredo Ochoa Pérez, na altura responsável pelo destacamento militar N.º2 de Sensuntepeque.</p>
<p style="text-align: justify;">Anos depois, as populações deslocadas começaram a regressar às suas terras e a reconstruir a sua comunidade a partir do zero. É nesse contexto que surge a ideia de um meio de comunicação que denuncie, organize e previna a população de ataques semelhantes. Foi em 1993, um ano após a assinatura dos acordos de paz, que o projeto se concretizou. A Radio Victoria surgiu no âmbito do processo reorganizativo de Santa Marta. Depois de dez anos de exílio forçado nas Honduras, mais concretamente nos acampamentos de refugiados de Mesa Grande, o retorno dos seus povoadores originou a refundação da comunidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde o seu início, a Radio Victoria ficou marcada por muitas mudanças. A procura de uma maior cobertura local levou à sua transferência para o município de Ciudad Victoria (à data, Villa Victoria). Tal mudança provocou, contudo, a perda do sinal no local que a viu nascer. O desafio de romper o cerco gerou assim outro desafio: o de manter o sinal no seu território político de origem. Inicialmente, o projeto não contava com nenhum tipo de figura legal, motivo pelo qual as instituições governamentais e os meios de comunicação social de direita a acusavam de ser uma rádio pirata, ilegal, subversiva e guerrilheira (embora, na verdade, a sua história reunisse um pouco disso tudo). Obter uma frequência radiofónica obrigou a uma luta incessante, razão pela qual se criou a Associação de Rádios e Programas Participativos de El Salvador (ARPAS), composta por seis emissoras comunitárias. Organizando-se, obtiveram a frequência 92.1, a usar pelas diversas rádios. O resultado foi fruto de grandes sacrifícios por parte das comunidades e das organizações e populações que as apoiaram. O investimento econômico exigido foi por todos compartilhado, quer por via de um trabalho realizado a nível local, quer através da procura de solidariedade exterior.</p>
<p style="text-align: justify;">A Radio Victoria sempre contou com o apoio de jovens voluntários das comunidades de Santa Marta, bem como de outras comunidades em redor de Ciudad Victoria. O seu trabalho desenvolve-se segundo o conceito de <em>rádio comunitária</em>, ou seja, um tipo de comunicação que visa o desenvolvimento humano nas comunidades, promovendo uma participação social, de forma crítica. É a partir do seu próprio meio que se parte para esta participação, cuja finalidade não é comercial, mas sim social. Entre as suas principais áreas de trabalho, encontram-se os direitos humanos, a identidade cultural, a participação cidadã, a política, a etnia, o género e o meio-ambiente.</p>
<p style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-144969" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/07/Edificio-primero-300x118-1.jpg" alt="" width="300" height="118" />Enquanto meio de comunicação alternativo, o seu principal objetivo é acompanhar e apoiar as reivindicações e propostas das comunidades e populações. Tal função vem reforçar as capacidades e o nível de conhecimento da Radio Victoria, permitindo um crescimento sustentável do seu ser e fazer. Com o tempo, algumas das suas metas foram alcançadas. Elvis Zavala, produtor e membro da equipa central do projeto há cerca de 15 anos, quando era ainda adolescente, salienta o grupo formado por 35 jovens, oriundos de oito municípios da região de Cabañas. “Um dos mais importantes fatores é que o projeto permaneça com vida, apesar de todos os obstáculos com que fomos confrontados, como ameaças constantes, difamação por parte de funcionários de direita, bloqueio comercial, entre outros”. Zavala afirma ter visto na Radio Victoria um espaço aonde aplicar o seu conhecimento em torno da questão dos direitos humanos, “informar do que realmente se passa na região (jurisdicional), já que os grandes meios de comunicação não atribuem relevância à inexistência de serviços básicos nas comunidades”. Considera igualmente importante que a rádio ajude a audiência a ver a sua própria realidade de outra forma, mais crítica e analítica.</p>
<p style="text-align: justify;">Aos poucos, a Radio Victoria desenvolveu a sua estrutura de trabalho. Conta com pessoal qualificado (o que permite uma melhor cobertura), equipas profissionais e instalações próprias e adequadas. Para além disso, tem uma grande audiência e aufere de um conjunto de pessoas conscientes da luta a realizar enquanto meio de comunicação. A rádio integra diferentes espaços informativos, com uma programação variada, capaz de agradar a crianças, jovens e pessoas adultas. Possui igualmente dez programas de debate e opinião, muitos deles dirigidos por jovens.</p>
<p style="text-align: justify;">Pela sua proximidade às Honduras, o seu sinal conseguiu penetrar nalgumas zonas do país, obtendo reconhecimento por parte da população vizinha. Esse espaço foi ganho não só pela Radio Victoria, enquanto rádio comunitária, como também pelos seus membros, que tiveram a oportunidade de ser convidados para encontros organizados pelas comunidades hondurenhas. Tal permitiu-lhes contatar com um tecido social sólido, participativo e comunitário, conforme o provam o contexto posterior ao golpe de Estado de 2009 e a resistência à militarização naquele país.</p>
<p style="text-align: justify;">Oscar Beltrán, membro da equipa coordenadora, já com 14 anos de trabalho na Radio Victoria, ressalva que a radio constitui um meio de defesa dos direitos humanos. Caracteriza-se igualmente pela defesa dos recursos naturais, pela oposição a projetos de construção de minas e bioprospecção, pelo acompanhamento das comunidades nas suas lutas e pela denúncia de injustiças. A atividade mineira e a sua oposição por parte de população afetadas e não afetadas têm sido um tema particularmente denunciado. Pela sua participação neste processo de oposição, tanto as pessoas da Radio Victoria, como seus familiares, têm recebido ameaças de morte. Alguns líderes comunitários foram sujeitos a ameaças semelhantes, tendo sido forçados ao exílio no estrangeiro. Sob ameaça desde 2006, no ano de 2009 as intimações aumentaram, fazendo manifestar-se por carta, correio eletrónico e telemóveis, mas principalmente pela perseguição aos seus membros, fatos que sem dúvida determinaram o rumo a seguir.</p>
<p style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-144968" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/07/Reconocimiento-391x293-300x224-1.jpg" alt="" width="300" height="224" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/07/Reconocimiento-391x293-300x224-1.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/07/Reconocimiento-391x293-300x224-1-80x60.jpg 80w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/07/Reconocimiento-391x293-300x224-1-100x75.jpg 100w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/07/Reconocimiento-391x293-300x224-1-180x135.jpg 180w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/07/Reconocimiento-391x293-300x224-1-238x178.jpg 238w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /> Graças à sua luta, a Radio Victoria obteve o reconhecimento e apoio da comunidade internacional. A Associação de Procura por Crianças Desaparecidas, que desde 1994 dedica a sua atividade à procura de crianças arrancadas dos braços de seus pais por membros do exército, galardoou [premiou] a rádio pelo seu trabalho na área da comunicação. A Procuradoria pela Defesa dos Direitos Humanos, organização que visa a denúncia de crimes de lesa humanidade e que resultou de uma conquista garantida pelos Acordos de Paz, reconheceu o seu trabalho incansável na defesa de direitos humanos, inclusivamente perante situações de alto risco. Em 2011, a associação <em>Herber Anaya Sanabria</em>, da Universidade de El Salvador, concedeu-lhes a sua homenagem pela defesa dos preceitos humanos. A organização recupera o nome do notabilizado defensor dos direitos humanos da década de 80, uma das vozes que, de forma pacífica, se levantou contra o terrorismo de Estado; isto, quanto todas as vias se encontram cerradas. Na opinião de Elvis Zavala, este reconhecimento constitui um privilégio e, ao mesmo tempo, uma grande responsabilidade, “já que estamos comprometidos com as comunidades. Nas suas lutas, conquistas, tristezas e alegrias”.</p>
<p style="text-align: justify;">Traduzido por <strong>Passa Palavra</strong>, a partir de <a title="http://desinformemonos.org/2012/04/radio-victoria-comprometida-con-las-luchas-logros-tristezas-y-alegrias-en-el-salvador/" href="http://desinformemonos.org/2012/04/radio-victoria-comprometida-con-las-luchas-logros-tristezas-y-alegrias-en-el-salvador/" target="_blank" rel="noopener">http://desinformemonos.org/2012/04/radio-victoria-comprometida-con-las-luchas-logros-tristezas-y-alegrias-en-el-salvador/</a></p>
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		<title>Tempos sinistros: a esquerda de El Salvador</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Apr 2012 02:18:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[El Salvador]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
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					<description><![CDATA[O que poderia ter sido um período de acumulação de forças transformou-se num período de desilusão generalizada e confusão obscura.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;"><strong>Por Erick Barrera Tomasino</strong></h3>
<p style="text-align: justify;">«Dois perigos deve temer o homem novo: a direita quando é destra, a esquerda quando é sinistra», advertia-nos terminantemente o escritor uruguaio Mario Benedetti, como se se tratasse de uma profecia, nestes tempos de indignação desorganizada. Tempos sinistros, em que a direita faz e raramente a esquerda desfaz, pelo contrário, repete-o e reconstrói-o.</p>
<p style="text-align: center;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-143409" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/04/esquerda_direita-300x190-1.png" alt="" width="300" height="190" /></p>
<p style="text-align: justify;">Em que momentos ambos os extremos convergem, se entrecruzam, se confundem nas diagonais da política e da ideologia? Estamos à beira da bipolaridade ou de tanto ver, deixar fazer, deixar passar, estamos a tornar-nos viscosos e já não distinguimos um do outro? São estes tempos sem vaivéns, sem norte nem sul, num dos mais pequenos e diminutos países das Américas? Este país que parece um manicómio com duas portas, uma que dá para a Guatemala e a outra para as Honduras, onde a única saída é converter-se num pequeno espaço sócio-comunitário, onde tudo se revolva e se entremeie.</p>
<p style="text-align: justify;">Não há nada, ou quase nada, que passe despercebido. Isto se os grandes meios de entretenimento não distraírem uma população propensa às artes subtis de alcançar sempre, ou quase sempre, os extremos. Por isso não se deve estranhar que num país com aproximadamente seis milhões de habitantes em 21.040 quilómetros quadrados, ou seja, com uma densidade populacional de 290 habitantes por quilómetro quadrado, a esquerda se possa encontrar com a direita e de vez em quando dêem apertos de mão e façam sorrisos.</p>
<p style="text-align: justify;">É demasiada população para não se ficar ao corrente do que se passa em redor ou, precisamente por isso, para fingir que não se vê aquilo que esteja mais longe do que o nariz, tão achatado de pancadas e tropeções que já quase nada interessa nem surpreende. Aqui, onde se dança a cumbia como se fosse original do país [a cumbia é uma dança popular de origem colombiana], tal como sucede nos velhos manuais de DIAMAT [cartilha stalinista do materialismo dialéctico] a política move montanhas de opinião sem lhes conhecer a origem.</p>
<p style="text-align: justify;">Perante este panorama emaranhado, nos corredores da política, da política de esquerda, as pessoas interrogam-se qual será a opção, se é que existe, para encontrar o caminho da liberdade. Aqueles que caíram com o muro em 89, aqueles que além de depor as armas também depuseram os seus princípios dão imediatamente um tiro na cabeça, e nas cabeças de quem lhes permita, anunciando o fim da esquerda. E confundem as suas mãos e as suas canetas com as canetas e as mãos e os livros de cheques dos que continuam a acreditar na livre empresa.</p>
<p style="text-align: justify;">É que a história recente deste pequeno e desgrenhado paisinho habitua-nos a pensar em partidos para eleições e quando se pensa em partidos de esquerda associamo-los automaticamente à FMLN [Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional]. E aqueles que não querem considerar a FMLN como o partido da esquerda renovam os seus votos de castidade ideológica fundando partidos que concorrem e morrem em cada eleição na disputa pelos votos.</p>
<p style="text-align: center;"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-57000 aligncenter" title="esquerda-e-direita" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/04/esquerda-e-direita.jpg" alt="" width="210" height="210" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/04/esquerda-e-direita.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/04/esquerda-e-direita-70x70.jpg 70w" sizes="auto, (max-width: 210px) 100vw, 210px" /></p>
<p style="text-align: justify;">O que resta do velho Lenin quando definia o partido político como a «forma superior de organização», se aqui nem as formas inferiores são bem vistas, por lhes faltar democracia? Como se a democracia se reduzisse a colocar todos na salgalhada da nação, sem diferenças e com palavras pagas ou apagadas consoante o destino que cada um trouxer.</p>
<p style="text-align: justify;">Em que momento aprendemos que se os partidos se constituírem como formas superiores de organização o imaginário colectivo não supera a visão de uma estrutura a partir das suas direcções — e acções — mais visíveis e não a partir da composição orgânica de todos os seus militantes?</p>
<p style="text-align: justify;">Parece quase aterrador, quase apocalíptico, que após as últimas eleições se ouçam várias pessoas decretando o fim da FMLN, como se uma redução no número de votos fosse o sintoma único do enfraquecimento de um partido. Isto numa clara perspectiva linear e positivista da política. Como se a política fosse uma empresa que mede o lucro a partir dos votos e não o avanço na edificação de um projecto político a partir das suas acções.</p>
<p style="text-align: justify;">A culpa é da cúpula, gritam as cúpulas sem base dos caudilhos da esquerda. Contraditoriamente, os sectores que se consideram mais radicais coincidem aqui com as opiniões da burguesia, também radicais, mas ao contrário. Neste último período, estas organizações propuseram-se como objectivo único demonstrar que a FMLN «virou á direita», que não é o mesmo que «endireitada»; que se tornou «neoliberal», admitindo que alguma vez se «liberalizara». Mas que em lado nenhum se discuta — para não dizer se efectue — um combate frontal contra o capitalismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Logo anunciam que são a verdadeira esquerda que, atacando a esquerda eleitoralista, falsa esquerda, se apresentarão como intransigente opção… nas próximas eleições. E chama-se à FMLN, partido que muitas vezes sofre de uma surdez programada, partido político eleitoralista, para se distanciarem quando eles mesmos participarem do jogo eleitoral. Que, como eles são verdadeiras refeências de esquerda, deixarão de ser processos eleitoralistas e passarão a ser processos políticos, numa confusão dialéctica.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-143407" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/04/mão_esquerda_direita-300x161-1.png" alt="" width="300" height="161" /></p>
<p style="text-align: justify;">Desde há uns anos, aquilo que poderia ter sido um período de acumulação de forças transformou-se num período de desilusão generalizada e confusão obscura. As teses de Fukuyama vão e vêm em cada eleição, consoante os resultados que estas revelarem. O que demonstra que em geral existe uma crise «teórica, programática e orgânica» deste leque incompleto das esquerdas de El Salvador.</p>
<p style="text-align: justify;">«Um dos grandes objectivos das negociações de paz entre a FMLN e o então governo de El Salvador para pôr fim à luta armada foi a abertura de um processo de democratização que deixasse para trás as décadas de ditadura, de violações dos direitos humanos e de fraudes eleitorais», disse Schafik Handal no remoto ano de 2004. E que em 2012 parece ser superado pelo entusiasmo burguês da democracia de eleições sem programas nem bases teóricas.</p>
<p style="text-align: justify;">Temos de ser mais participativos, é o que se exige à esquerda em nome da «democracia», para converter os espaços de tomada de decisões numa espécie de <em>ring</em> onde se puxam os cabelos despenteados das ideologias. Que os figurinos dos cabeleireiros de El Salvador mudam de acordo com as modas, pois vivemos num país da América Central que só as vêem passar quando vão do norte para o sul ou inversamente, como as aves de arribação na mudança de época. Senão, que se pergunte ao presidente, que tem um pé em cada hemisfério e o pescoço torcido de tantas voltas que dá.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta coisa das esquerdas parece um melodrama. Cada vez que uma comete um erro, as outras afastam-se e acusam-na; mas se houver uma fresta por onde entrar, dançam ao ritmo das alianças tácticas e momentâneas. São movidas pelas conjunturas como um bloco de carnaval. Uma esquerda que se encontra sem se cumprimentar, ainda que faça sorrisos.</p>
<p style="text-align: center;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-143406" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/04/direita-esquerda-300x288-1.png" alt="" width="300" height="288" /></p>
<p style="text-align: justify;">A crise também atinge o estado de espírito das esquerdas; por isso, cuidado com as tentativas de criação de um novo partido em plena crise, pois em plena crise nascerá. E em cada eleição estaremos a desarmar-nos por sinistras razões. E — oxalá que não — também menos sinistras e mais destras lutando pelos direitos exclusivos de representação da esquerda no jogo eleitoral.</p>
<p style="text-align: justify;">Originalmente publicado em espanhol em: <a href="http://wp.me/pnYZv-9X" target="_blank" rel="noopener">antes da tempestade</a></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Tradução por </em><strong>Passa Palavra</strong><em> &#8211; passapalavra.info &#8211; noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas.</em></p>
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