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	<title>Greves &#8211; Passa Palavra</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>Revolta. Greve. Revolta: A nova era de levantes (1)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jun 2026 12:55:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Greves]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Revoluções]]></category>
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					<description><![CDATA[Esta é, portanto, a necessidade mais básica: uma teorização propriamente materialista da revolta. Por Joshua Clover]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por Joshua Clover</h3>
<blockquote><p>Este livro foi publicado originalmente em inglês pela editora Verso (2016). Esta é uma tradução coletiva feita por alguns camaradas no âmbito de um grupo de estudos. A revisão da tradução é do Passa Palavra.</p></blockquote>
<p style="text-align: right;"><em>para Oakland, para a comuna</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>A. Uma ordem violenta é desordem; e</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>B. Uma grande desordem é uma ordem.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Estas duas coisas são uma. (Páginas de ilustrações.)</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>—“The Connoisseur of Chaos,” Wallace Stevens</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Você sabe como conseguir, sem entrada, sem dinheiro nunca, dinheiro não dá em árvore de jeito nenhum, só os brancos têm, fazem com uma máquina, para te controlar, você não pode roubar nada de um homem branco, ele já roubou, ele te deve tudo o que você quiser, até a vida dele. Todas as lojas abrirão se você disser as palavras mágicas. As palavras mágicas são: Contra a parede, filho da puta, isso é um assalto! Ou: Quebre a janela à noite (essas são ações mágicas), quebre as janelas durante o dia, a qualquer hora, juntos, vamos quebrar a janela e tirar a merda de lá. Sem entrada. Sem tempo para pagar. Pegue o que quiser.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>—“Black People!”, Amiri Baraka</em></strong></p>
<hr />
<h4 style="text-align: justify;"><strong>Agradecimentos</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Como muitos outros livros de teoria política, este livro é fruto de mobilizações políticas que, por sua vez, orientaram grupos de leitura, pesquisas e inúmeras discussões. Em todas essas variadas circunstâncias, tenho sido grato pela amizade, discernimento e diligência — literal e figurativa — de Ian Balfour, Ali Bektaş, Lauren Berlant, Sean Bonney, Bruno Bosteels, Shane Boyle, Sarah Brouillette, Lainie Cassel, Maya Gonzalez, Virginia Jackson, Neil Larsen, Laura Martin, Phil Neel, Sianne Ngai, Will O&#8217;Connor, Simone Pinet, Nina Power, Louis-Georges Schwartz, Tim Simons, Michael Szalay, Alberto Toscano, Wendy Trevino e Derek Zika. Provavelmente esqueci alguns. As formulações iniciais foram propostas por Beverly Silver, incentivadas por William Sewell, e desenvolvidas posteriormente em visitas ao Centro de Teoria Social e História Comparada de Robert Brenner e ao Centro Arrighi de Estudos Globais. A produção deste livro não teria sido possível sem o apoio de Sebastian Budgen e do pessoal da Verso, de David Theo Goldberg e do Instituto de Pesquisa em Humanidades da Universidade da Califórnia, do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de Warwick e da assistência editorial de Deborah Young.</p>
<p style="text-align: justify;">Seeta Chaganti e Carol Clover proporcionaram as condições de possibilidade. Sou particularmente grato aos camaradas cujos pensamentos e ações são os nervos e tendões deste livro, incluindo Aaron Benanav, Jasper Bernes, Chris Chen, Tim Kreiner, Colleen Lye, Annie McClanahan, Chris Nealon e Juliana Spahr. <em>E quando tudo estiver terminado, dê-me sua mão para que possamos recomeçar do início.</em></p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>INTRODUÇÃO</strong></h4>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Uma Teoria da Revolta</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">As revoltas estão chegando, já estão aqui, outros estão a caminho, ninguém duvida disso. Eles merecem uma teoria adequada.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma teoria da revolta é uma teoria da crise. Isso é verdade em uma dimensão específica e local, em momentos de vidros quebrados e incêndios, em que a revolta é considerada a irrupção de uma situação desesperadora, a pauperização até o limite, a crise de uma determinada comunidade ou cidade, de algumas horas ou dias. Entretanto, a revolta só pode ser compreendida como tendo uma significação estrutural e imanente, para parafrasear Frantz Fanon, na medida em que pudermos descobrir o movimento histórico que fornece sua forma e substância. Devemos, então, passar para outros níveis, nos quais as instâncias aglutinadoras próprias das revoltas são indissociáveis da crise capitalista contínua e sistêmica. Além disso, a revolta como uma forma particular de luta ilumina o caráter da crise, torna-a novamente pensável e oferece uma perspectiva a partir da qual podemos ver seu desdobramento.</p>
<p style="text-align: justify;">A primeira relação entre a revolta e a crise é a do excedente. Isso já parece um paradoxo, pois tanto a crise quanto a revolta são comumente entendidos como decorrentes de escassez, carência, privação. Ao mesmo tempo, a revolta é a própria experiência do excesso. Excesso de perigo, excesso de informação, excesso de equipamento militar. Excesso de emoção. De fato, as revoltas já foram conhecidas como “emoções”, uma história ainda visível na palavra francesa: <em>émeute</em>. O excesso crucial no momento da revolta é simplesmente o dos participantes, da população. O momento em que os partidários da revolta excedem a capacidade de gerenciamento da polícia, quando os policiais fazem sua primeira retirada, é o momento em que a revolta se torna totalmente ela mesma, se afasta da continuidade sombria da vida cotidiana. A incessante regulação social que parecia ideológica, onipresente e abstrata é, nesse momento de excesso, revelada como uma questão prática, aberta à contestação social.</p>
<p style="text-align: justify;">Todos esses excessos correspondem a transformações sociais mais amplas, das quais essas experiências de excesso afetivo e prático são indissociáveis. Essas transformações são as reestruturações materiais que respondem à crise capitalista e a constituem, e que apresentam excedentes de capital e população como características centrais. E são elas que propõem a revolta como uma forma necessária de luta.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter wp-image-158125 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/11/la_92_still_-_publicity_-_embed_-_h_2017.jpg" alt="" width="928" height="627" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/11/la_92_still_-_publicity_-_embed_-_h_2017.jpg 928w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/11/la_92_still_-_publicity_-_embed_-_h_2017-300x203.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/11/la_92_still_-_publicity_-_embed_-_h_2017-768x519.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/11/la_92_still_-_publicity_-_embed_-_h_2017-622x420.jpg 622w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/11/la_92_still_-_publicity_-_embed_-_h_2017-640x432.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/11/la_92_still_-_publicity_-_embed_-_h_2017-681x460.jpg 681w" sizes="(max-width: 928px) 100vw, 928px" /></p>
<p style="text-align: justify;">“Qualquer população tem um repertório limitado de ação coletiva”, observa Charles Tilly, grande historiador dessas questões. Escrevendo em 1983, ele mede uma transformação histórica singular, uma mudança oceânica cujas marés se espalharam logo ou tarde pelo mundo industrializado:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Em algum momento do século XIX, as pessoas da maioria dos países ocidentais abandonaram o repertório de ação coletiva que vinham usando há cerca de dois séculos e adotaram o repertório que usam até hoje <strong>[1]</strong>.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">A mudança em questão foi da revolta para a greve. Desde a passagem marcada por Tilly, ambas as táticas existem no repertório; a questão é saber qual delas predomina, fornecendo a orientação principal na guerra incessante pela sobrevivência e pela emancipação. A percepção de um recuo da revolta nessa narrativa tem sido um lugar-comum. A frase de abertura do popular volume <em>Rioting in America</em>, de 1996, nos informa: “As revoltas fazem parte do passado americano” <strong>[2]</strong>. Mas o passado nunca está morto. Ele sequer é passado.</p>
<p style="text-align: justify;">Na verdade, outra transformação já estava em andamento: desde os anos 60 ou 70, a grande mudança histórica se inverteu. À medida que as nações superdesenvolvidas entraram em uma crise contínua, ainda que irregular, a revolta voltou a ser a principal tática no repertório da ação coletiva. Isso é verdade tanto no imaginário popular quanto no domínio dos dados (na medida em que tais questões permitem a comparação estatística). Independentemente da perspectiva, as revoltas alcançaram uma resoluta centralidade social. As lutas trabalhistas foram, em sua maioria, reduzidas a ações defensivas esfarrapadas, enquanto a revolta aparece cada vez mais como a figura central do antagonismo político, um espectro que surge em debates insurrecionais, em estudos governamentais ansiosos e em reluzentes capas de revistas. Os nomes se tornaram pontos cardeais de nosso tempo. A nova era de revoltas tem raízes em Watts, Newark, Detroit; passa pela Praça Tiananmen em 1989 e Los Angeles em 1992, chegando ao presente global de São Paulo, Gezi Park, San Lázaro. A revolta proto-revolucionária da Praça Tahrir, a revolta quase permanente da Exarcheia, a virada reacionária da Euromaidan. No núcleo crepuscular: Clichy-sous-Bois, Tottenham, Oakland, Ferguson, Baltimore. São muitos para contar.</p>
<p style="text-align: justify;">A teoria é imanente à luta; muitas vezes ela precisa se apressar para alcançar uma realidade que se acelera. Uma teoria do presente surgirá de seus confrontos vividos, em vez de chegar à cena carregada de homilias e prescrições retroativas a respeito de como a guerra contra o Estado e o capital deve ser travada, programas que, segundo nos dizem, alguma vez funcionaram e que agora podem ser renovados e impostos mais uma vez em nosso momento bastante distinto. O subjuntivo é um modo adorável, mas não é procedimento do materialismo histórico.</p>
<p style="text-align: justify;">Aqui chegamos a uma espécie de encruzilhada. De forma muito esquemática, a associação da estrutura analítica de Marx com uma descrição leninista da estratégia política — centrada na organização proletária em direção ao partido revolucionário e na tomada do Estado e da produção — está profundamente sedimentada. A revolta não tem lugar nesse cenário conceitual. Com frequência, entende-se que a revolta não tem política alguma, é uma irrupção espasmódica que deve ser lida de forma sintomática e talvez receba uma dose paternalista de simpatia. Aqueles que atribuíram à revolta o potencial de uma abertura insurrecional para uma ruptura social geralmente vêm de tradições intelectuais e políticas indiferentes ou até mesmo antitéticas ao comando do Estado e da economia, mais notoriamente (mas não exclusivamente) as de algumas vertentes do anarquismo <strong>[3]</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso expressa uma ligação subterrânea do comunismo, tanto por céticos quanto por adeptos, com a “organização” como tal, e mais ainda com algum partido de esquerda da ordem, com um senso científico do progresso da história, com a modernidade pela qual devemos passar com toda sua barbárie maquinada. Ao contrário, a revolta, como é amplamente aceito até mesmo entre seus partidários, é uma grande desordem.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, a oposição entre greve e revolta passa a representar, por meio de um silogismo velado, a oposição do marxismo <em>tout court</em> a outras tradições intelectuais e políticas, geralmente aquelas que são antidialéticas, se não diretamente anticomunistas. A maioria, se não todos os lados, compartilharam dessa visão. Não faltaram livros à esquerda e à direita para nos informar, ora em tons melancólicos, ora comemorativos, que o declínio do movimento trabalhista e do binômio classe revolucionária &#8211; partido de massa, ou a suposta transcendência de qualquer teoria do valor-trabalho, significam que podemos finalmente deixar a análise de Marx e suas categorias para o século XX, se não para o século XIX. Você já deve estar familiarizado com a narrativa. Os países de origem do capitalismo não apresentam mais uma classe trabalhadora industrial com poder ou magnitude crescentes, que pudesse servir como uma vanguarda para as classes exploradas em geral, muito menos tomar as rédeas da produção. Além disso, o foco original no trabalhador fabril inglês e a contabilização desse trabalho como particularmente produtor de valor e, portanto, mais próximo do coração do capital, representou o sujeito da política inevitavelmente como branco e masculino. Dada a globalização do capital, seu salto para todos os cantos da existência social e os desenvolvimentos vitais da política anticolonial (para abreviar uma série de intervenções cruciais e complexas), será necessário um novo sujeito revolucionário e um novo desdobramento revolucionário.</p>
<p style="text-align: justify;">Decerto isso é uma caricatura. Essas sugestões são, de fato, em muitos aspectos, instrutivas, se não simplesmente verdadeiras. Isso não significa uma refutação do materialismo histórico, mas põe um conjunto de problemas para ele. O enfraquecimento dos movimentos trabalhistas tradicionais no Ocidente e a intensificação de uma desapropriação mais completa não apontam para o fim do antagonismo anticapitalista potencialmente revolucionário nem da força analítica do materialismo histórico. Além disso, ainda precisaremos do último para compreender o primeiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Afinal de contas, o materialismo histórico é uma teoria da transformação, se é que é alguma coisa. Isso não quer dizer que toda mudança histórica deva ser apoiada. Mas um marxismo que só consegue entender a tendência da realidade como um erro não é marxismo algum. O significado da revolta mudou radicalmente. Ela não será entendida se não nomearmos as determinações e forças segundo as quais ela assume seu novo papel e pelas quais ela é impelida irresistivelmente para o futuro, mesmo quando olha para trás, para os séculos XVII e XVIII. Esta é, portanto, a necessidade mais básica: uma <em>teorização propriamente materialista da revolta</em>. A revolta para os comunistas, digamos.</p>
<p style="text-align: justify;">Não está claro se esse livro existe. Talvez a abordagem mais próxima seja <em>The Rebirth of History: Times of Riots and Uprisings</em>, de Alain Badiou: “Eu também sou marxista — na íntegra, completamente e, portanto, naturalmente, não há necessidade de reiterar isso”, insiste ele, reiterando-o em várias ocasiões ao mesmo tempo em que observa que ele é</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">bem ciente dos problemas que foram resolvidos e que é inútil reexaminá-los; e dos problemas que permanecem pendentes e que exigem de nós uma retificação radical e uma esforço inventivo. Todo conhecimento vivo é composto de problemas que precisam ser construídos ou reconstruídos, e não de descrições repetitivas <strong>[4]</strong>.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Depois de oferecer essa nota promissória, ele não se preocupa muito com a problemática do capital, nem faz muito uso das categorias que nos foram legadas pela crítica da economia política. Ficamos com “a Ideia” desempenhando o papel deixado pelo partido, fornecendo uma coordenação do espírito revolucionário que procede a certa distância dos desenvolvimentos dialéticos das forças sociais.</p>
<p style="text-align: justify;">Badiou organiza seu livro como uma taxonomia de revoltas organizada em torno da Primavera Árabe. Essa é uma das abordagens genéricas que se sobrepõem a esses estudos, dividindo as revoltas de acordo com o status político, a causa disparadora principal ou eventual, a composição dos participantes. Outra é o estudo sociológico dos manifestantes e suas condições imediatas, e seu primo próximo, a fenomenologia (geralmente em primeira pessoa). Há também os estudos de caso de revoltas famosas, além de pesquisas e atlas menos glamourosos. Independentemente de suas lacunas, a biblioteca das revoltas é escura e profunda; apenas uma fração pode ser abordada aqui. Este livro tem outras promessas a cumprir. Ele também se baseia na teoria do valor de Marx e na teoria da crise, da qual a primeira não pode ser desvinculada, em relatos de como os setores urbanos se esvaziam, como setores inteiros da economia se erguem e caem, e como o sistema-mundo se organiza e desorganiza; a tradição da análise dos sistemas mundiais fornece uma estrutura de amplitude global e de <em>longue durée</em> para pensar o evento localizado da revolta.</p>
<p style="text-align: justify;">Há limites para essa extensão, necessariamente. É evidente que as revoltas na Índia e na China, para escolher apenas dois exemplos contemporâneos, têm suas próprias características distintas (e seus próprios estudos em desenvolvimento). Minhas alegações se referem principalmente às nações do Ocidente de desenvolvimento industrial precoce e agora em processo de desindustrialização. Esses lugares não têm um apelo privilegiado para as revoltas; eles são, na verdade, o terreno em que uma lógica específica se torna visível, uma lógica tanto da revolta quanto do capital em seu outono catastrófico. Espero que essas reflexões sejam, de certa forma, adaptáveis, pois estão inseridas em mudanças político-econômicas que, por sua vez, estão fadadas a viajar.</p>
<p style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158124" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/11/knbc-la-riots-sliders-pico-fire-before.webp" alt="" width="2000" height="1335" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/11/knbc-la-riots-sliders-pico-fire-before.webp 2000w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/11/knbc-la-riots-sliders-pico-fire-before-300x200.webp 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/11/knbc-la-riots-sliders-pico-fire-before-1024x684.webp 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/11/knbc-la-riots-sliders-pico-fire-before-768x513.webp 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/11/knbc-la-riots-sliders-pico-fire-before-1536x1025.webp 1536w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/11/knbc-la-riots-sliders-pico-fire-before-629x420.webp 629w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/11/knbc-la-riots-sliders-pico-fire-before-640x427.webp 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/11/knbc-la-riots-sliders-pico-fire-before-681x455.webp 681w" sizes="(max-width: 2000px) 100vw, 2000px" />Além disso, assim como a nova era de revoltas expressa as transformações globais do capital e, portanto, carrega suas condições objetivas, ela se torna uma ocasião para examinar mais profundamente essas transformações. Se este livro oferece alguma novidade, elas são as seguintes: primeiro, definições mais claras de <em>revolta</em> e <em>greve</em>, que padecem de mais confusão do que se poderia esperar. Em segundo lugar, uma explicação de por que a revolta voltou e por que ele assume a forma que tem no presente. E, em terceiro lugar, uma vez que a lógica da revolta e sua relação com as transformações do capital tenham sido apreendidas, fornecer algumas previsões sobre o futuro da luta. Uma teoria do presente, portanto. No mínimo, a teoria deve ser capaz de explicar por que, após o fracasso em apresentar uma acusação contra o policial que assassinou Michael Brown em Ferguson, Missouri, houve uma onda nacional de revoltas — e por que, como se por uma telepatia entre os empobrecidos, as revoltas em cidade após cidade assumiram a forma de bloqueio da rodovia disponível mais próxima.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Revolta-Greve-Revolta Linha</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Este livro está organizado mais ou menos em ordem cronológica, desde a era de ouro das revoltas até a era das greves e vice-versa, com foco especial nas passagens de transição. No entanto, não se trata de uma crônica. Em vez disso, ele aproveita a oportunidade para desenvolver uma série de conceitos e argumentos sobre revolta e economia política à medida que avança. Ele constrói um modelo explicativo que pode coordenar os principais fatos do presente, de modo que eles possam se manifestar de forma um pouco mais eloquente. Ao se aproximar da era atual, os capítulos inevitavelmente se tornam um pouco mais detalhados. No entanto, o todo será necessariamente uma simplificação das infinitas complexidades da realidade; assim são os modelos heurísticos. Pelo menos, isso faz com que os livros sejam mais curtos.</p>
<p style="text-align: justify;">O Riot Act do Rei George I em 1714, em resposta, em parte, às revoltas da Coroação que acompanharam sua ascensão, se apresentava como “Um ato para prevenir revoltas e assembleias desordeiras, e para punir os desordeiros de forma mais rápida e eficaz”. Isso levanta uma questão sobre o estatuto comunicativo da revolta desde seu início. Trata-se, em grande parte, de uma declaração, de um discurso — ele prescreve a linguagem que deve ser lida para declarar uma reunião ilegal (daí a expressão, “ler o Riot Act”). Com ele, o termo <em>riot</em> muda decisivamente de seu sentido mais antigo de “vida desregrada, solta ou esbanjadora; deboche, dissipação, extravagância” e até mesmo “folia, alegria ou barulho desenfreados” para seu significado contemporâneo de “uma violenta perturbação da paz por uma assembleia ou grupo de pessoas; um surto de ilegalidade ativa ou desordem entre a população”. Chaucer, como tantas vezes, antecipa a modernidade da palavra. “Roubos e revoltas são conversíveis”, escreve ele em <em>The Cook&#8217;s Tale</em>, observando que o mestre paga o preço pela folia do aprendiz <strong>[5]</strong>. Ele associa a palavra à reviravolta das hierarquias sociais.</p>
<p style="text-align: justify;">A transição da revolta para a greve ocorre de forma irregular. A chegada da greve como fato social ocorre entre 1790 e 1842, data da primeira greve em massa na Inglaterra. Assim como muitas mudanças marítimas, é difícil reconhecê-las em sua primeira aparição, mas elas se mostrarão com clareza em um exame posterior. Será útil reconhecer a continuidade, bem como a oposição, a maneira como o novo conteúdo para a luta emerge de formas mais antigas de ação e, portanto, passa por períodos de indefinição. O mesmo pode ser dito sobre o retorno das revoltas; ainda é cedo. Com o declínio do movimento trabalhista no Ocidente, a revolta aumenta, tanto relativa quanto absolutamente. Inevitavelmente, há um intervalo em que as duas táticas coexistem uma ao lado da outra. De uma perspectiva, elas parecem disputar a primazia; de outra, a volatilidade de sua presença dual durante essa segunda transição produz uma situação revolucionária, que é amplamente conhecida com o nome, não totalmente preciso, de “1968”. O ano histórico-mundial de 1973 é o ano da virada, com o colapso dos lucros industriais sinalizando o início do que deveria ser corretamente chamado de Longa Crise, com suas recomposições de classe e divisão global do trabalho que progressivamente minam as possibilidades de organização militante dos trabalhadores no Ocidente. Na década de 80, a transição está praticamente concluída. Se isso aparece inicialmente como parte de um fechamento mais amplo das fronteiras revolucionárias — como o fim da história concomitante com a saída do comunismo do século XX —, o veredicto é mais uma vez aberto ao debate. O debate está intrinsecamente ligado ao retorno da revolta.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Revolta-greve-revolta</em>, portanto. Mas isso não é suficiente. Tal formulação pode sugerir uma simples oscilação, ou pior, uma regressão. Essa narrativa tem seu apelo, dadas as tonalidades afetivas do presente, as insinuações de um colapso civilizacional acelerado por uma catástrofe ecológica. No entanto, isto é apenas um contorno, não uma teoria. Ela não é explicativa nem precisa. A nova era de revoltas, em muitos aspectos não se assemelha à sua antecessora. Antes do século XIX, as dificuldades gerais enfrentadas pelos pobres para administrar a subsistência, incluindo não apenas as revoltas pelo pão, mas também as revoltas contra os cercamentos das terras comuns, proporcionavam a ocasião para o surgimento do antagonismo social. Notavelmente, esses eventos incluíam as “revoltas contra exportações”, revoltas em que o transporte de grãos para fora do condado, especialmente em épocas de fome, era interrompido por esforços combinados e coordenados. De acordo com muitos relatos, essa configuração básica das necessidades é mantida até hoje; estudos empíricos que relacionam os preços dos alimentos a revoltas continuam sendo comuns e, de certa forma, persuasivos, principalmente em países com baixos salários. No entanto, as revoltas começam agora não no celeiro, mas na delegacia de polícia, literal ou figurativamente, incitados pelo assassinato de um jovem de pele escura pela polícia, ou em decorrência do fracasso do aparato legal em responsabilizar adequadamente a polícia por sua violência. A nova era encontra seu paradigma nas revoltas de Los Angeles de 1992, após a absolvição dos policiais que foram gravados espancando brutalmente Rodney King após uma parada de trânsito — revoltas que se espalharam por várias outras cidades e continuaram por cinco dias. Cada vez mais, as revoltas contemporâneas ocorrem dentro de uma lógica de racialização e têm o Estado, e não a economia, como seu antagonista direto. A revolta retorna não apenas a um mundo mudado, mas ela mesma se transformou.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Revolta-greve-revolta linha</em>. Assim fica melhor. Esses termos compõem as três seções do livro. Cada uma delas tem não apenas um período apropriado, mas também um lugar apropriado. Para a primeira era de revoltas, o mercado, mas sobretudo o porto; para a era da greve, o chão de fábrica; e, para a nova era de revoltas, a praça e a rua. Para cumprir essa sequência tripartite, este livro precisará descobrir tanto a continuidade das duas eras de revoltas quanto suas diferenças: a unidade de uma revolta no mercado e os levantes frequentemente racializados dirigidos aparentemente contra o Estado. Aqui está o argumento, em sua forma condensada e abstrata, ao qual o restante do livro acrescentará detalhes e digressões, bem como uma estrutura político-econômica e um olhar para o futuro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOTAS</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1]</strong> Charles Tilly, “Expressando sua opinião sem eleições, pesquisas ou movimentos sociais”, <em>The Public Opinion Quarterly</em> 47: 4, inverno de 1983, 464.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[2]</strong> Paul A. Gilje,<em> Rioting in America</em>, Bloomington: Indiana University Press, 1999, 1.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[3]</strong> The Invisible Committee, <em>The Coming Insurrection</em>, Cambridge: Semiotext(e), 2009, e sua continuação To Our Friends, trad. Semiotext(e), Cambridge: Semiotext(e), 2015, são as versões mais incisivas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[4]</strong> Alain Badiou, <em>The Rebirth of History: Times of Riots and Uprisings</em>, trad. Gregory Elliot, Nova York: Verso, 2012, 8.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[5]</strong> “For thefte and riot, they been convertible.” Geoffrey Chaucer, <em>The Riverside Chaucer</em>, 3ª ed., Larry D. Benson, ed. geral, Boston: Houghton Mifflin, 1987, 85.</p>
<p style="text-align: center;"><em>As fotografias que ilustram este artigo são da revolta de Los Angeles, em 1992</em></p>
<hr />
<p style="text-align: justify;"><em>Este livro será publicado em 11 partes, um capítulo por semana:</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Introdução: Uma Teoria da Revolta</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Introdução (continuação)</em></p>
<p style="text-align: justify;">REVOLTA</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Capítulo 1: O Que é Uma Revolta?</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Capítulo 2: A Era de Ouro da Revolta</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Capítulo 3: A Mudança, Ou, Revolta à Greve</em></p>
<p style="text-align: justify;">GREVE</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Capítulo 4: Greve Contra a Revolta</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Capítulo 5: A Greve Geral</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Capítulo 6: Fios Cruzados, Ou, Greve para a Revolta</em></p>
<p style="text-align: justify;">REVOLTA LINHA</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Capítulo 7: A Longa Crise</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Capítulo 8: Rebeliões Excedentes</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Capítulo 9: Revolta Agora: Praça, Rua, Comuna</em></p>
<p style="text-align: center;">First published by Verso 2016</p>
<p style="text-align: center;">© Joshua Clover 2016</p>
<p style="text-align: center;">The partial or total reproduction of this publication, in electronic form or otherwise, is consented to for noncommercial purposes, provided that the original copyright notice and this notice are included and the publisher and the source are clearly acknowledged. Any reproduction or use of all or a portion of this publication in exchange for financial consideration of any kind is prohibited without permission in writing from the publisher.</p>
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		<title>Fora (quase) todos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enzo Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 May 2026 03:01:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Flagrantes Delitos]]></category>
		<category><![CDATA[Ensino]]></category>
		<category><![CDATA[Greves]]></category>
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					<description><![CDATA[Durante uma assembleia de funcionários da Universidade de São Paulo, um militante de um partido trotskista concluiu sua fala dizendo que “a gente só vai superar tudo isso quando derrubar Tarcísio, derrubar Lula e tudo isso aí!”. Imediatamente ouviu-se uma voz no meio da multidão: “Lula, não! Ninguém aqui vai derrubar o Lula, não!”. Passa Palavra]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="level3">
<p style="text-align: justify;">Durante uma assembleia de funcionários da Universidade de São Paulo, um militante de um partido trotskista concluiu sua fala dizendo que “a gente só vai superar tudo isso quando derrubar Tarcísio, derrubar Lula e tudo isso aí!”. Imediatamente ouviu-se uma voz no meio da multidão: “Lula, não! Ninguém aqui vai derrubar o Lula, não!”. <strong>Passa Palavra</strong></p>
</div>
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		<title>[RJ] UERJ: Calendário de lutas dos vigilantes e auxiliares administrativos da Conquista</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Mar 2026 20:08:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Movimentos em Luta]]></category>
		<category><![CDATA[Greves]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho_e_sindicatos]]></category>
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					<description><![CDATA[Funcionários terceirizados que pretam serviço para a UERJ, denunciam atrasos no salário. Por Invisíveis]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Invisíveis</h3>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/DVWSEt1DnKW/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p>&nbsp;</p>
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<div style="color: #3897f0; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: 550; line-height: 18px;">Ver essa foto no Instagram</div>
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<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/p/DVWSEt1DnKW/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">Um post compartilhado por Invisíveis (@invisiveistrabalhador)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script>CALENDÁRIO DE LUTAS CONTRA CALOTES EM SALÁRIOS DE VIGILANTES E AUXILIARES ADMINISTRATIVOS PELA <a class="x1i10hfl xjbqb8w x1ejq31n x18oe1m7 x1sy0etr xstzfhl x972fbf x10w94by x1qhh985 x14e42zd x9f619 x1ypdohk xt0psk2 x3ct3a4 xdj266r x14z9mp xat24cr x1lziwak xexx8yu xyri2b x18d9i69 x1c1uobl x16tdsg8 x1hl2dhg xggy1nq x1a2a7pz notranslate _a6hd" tabindex="0" role="link" href="https://www.instagram.com/conquista.grupo/">@conquista.grupo</a> NA UERJ</p>
<p>2 e 3 de março: 9h rua Teixeira Ribeiro 229.na sede da empresa, para cobrar o pagamento, já que a diretoria disse que tem &#8220;explicações&#8221;. com o <a class="x1i10hfl xjbqb8w x1ejq31n x18oe1m7 x1sy0etr xstzfhl x972fbf x10w94by x1qhh985 x14e42zd x9f619 x1ypdohk xt0psk2 x3ct3a4 xdj266r x14z9mp xat24cr x1lziwak xexx8yu xyri2b x18d9i69 x1c1uobl x16tdsg8 x1hl2dhg xggy1nq x1a2a7pz notranslate _a6hd" tabindex="0" role="link" href="https://www.instagram.com/sindicatodosvigilantesrj/" target="_blank" rel="noopener">@sindicatodosvigilantesrj</a></p>
<p>3 de março: 18h, reunião online para pensar a mobilização e luta com trabalhadores terceirizados (link por dm) CHAMANDO ESTUDANTES, PROFESSORES, SERVIDORES E MAIS QUISER APOIAR A LUTA.</p>
<p>12 de março, 18h no hall do queijo, UERJ MARACANÃ: contra o calote da empresa CONQUISTA,<br />
REITORIA deve pagar salários!</p>
<p>3 MESES SEM SALÁRIO PARA VIGILANTES A E 2 MESES PARA AUXILIARES ADMINISTRATIVOS!</p>
<p>Não ESPERE articulação com Ministério do Trabalho, que é do presidente, que vai demorar para exigir decisão do poder judiciário! PROTESTE E PARALISE!</p>
<p>REITORIA GULNAR E DEUSDARÁ se coloca como &#8220;boazinha&#8221; por ter pago todas as FATURAS para a empresa CONQUISTA. MAS ELA QUE CONTRATOU UMA EMPRESA ENVOLVIDA EM CORRUPÇÃO E QUE DÁ CALOTES CONSTANTES EM TRABALHADORES TERCEIRIZADOS!</p>
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		<title>&#8220;As pessoas lutam onde estão&#8221;: entrevista com Joshua Clover</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Feb 2026 14:37:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ideias & Debates]]></category>
		<category><![CDATA[Greves]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho_e_sindicatos]]></category>
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					<description><![CDATA[Entrevista realizada em 2024 com Joshua Clover sobre revoltas, greves e comunas que já existem agora.   Por Ronja Mälström]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="level3">
<h3 style="text-align: justify;"> Por Ronja Mälström</h3>
<p style="text-align: justify;"><em>“Riot. Strike. Riot</em> : <em>The New Era of Uprisings”</em> foi o livro que consagrou Joshua Clover como um dos principais pensadores contemporâneos sobre revoltas (<em>riots</em>) como métodos de luta política. Mantendo-se fiel às questões que teoriza, Clover acredita que teoria e prática não devem estar tão distantes uma da outra, ao contrário do que o meio acadêmico muitas vezes sugere. Por exemplo, Clover oferece treinamentos sobre “Conheça seus direitos” para pessoas que têm pouca experiência e não conhecem os riscos legais dos protestos — ele não é alheio aos métodos de luta que analisa.</p>
<p style="text-align: justify;">Na conversa a seguir, Ronja Mälström faz a Clover todas as perguntas, por mais simples que fossem, que ela gostaria de ter feito antes de ler o livro dele. Como você verá, Clover argumenta convincentemente por que as greves (<em>strikes</em>) não são mais a principal forma de luta e sobre a importância de explorar métodos políticos que alguns podem considerar desconfortáveis ​​ou perigosos. Sua perspectiva oferece uma estrutura para entendermos as formas pelas quais as pessoas lutam por justiça e pela paz, tanto hoje quanto historicamente. Começando pelo motivo pelo qual as pessoas lutam, em primeiro lugar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>JOSHUA CLOVER</strong>: Minha primeira regra absoluta é que as pessoas enfrentam seus problemas onde estão. Eu não ofereço soluções prontas, nem digo: “Não, vá para lá e faça isso”. As pessoas lutam onde estão. Se você odeia seu trabalho e ele te deixa infeliz, você luta nesse espaço para mudar isso. Minha impressão é que as pessoas estão em um lugar diferente agora do que estavam na década de 1950. A era do industrialismo, do trabalho fabril, declinou, especialmente no Ocidente superdesenvolvido. Para cada vez mais pessoas, o lugar onde encontram sua própria infelicidade é frequentemente fora do trabalho, e o lugar onde elas podem ter alguma influência para mudar o mundo também é frequentemente fora do trabalho. Então, vemos mais lutas fora do ambiente de trabalho. Este é o contexto social onde eu acho que as revoltas acontecem. Para mim, o que categorizamos como uma revolta está ligado a um contexto social e histórico muito amplo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>RONJA MÄLSTRÖM: Como podemos então dar sentido a essa categoria? Por que ocorre uma revolta, como ocorre uma revolta, quando ocorre uma revolta?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Meu objetivo era criar uma categoria que abrangesse diversos tipos de eventos, em vez de uma categoria específica e restrita. Acho que há quem olhe para uma determinada revolta e diga: “Isso não é uma revolta, é um levantamento, é uma insurreição”, para lhe conferir mais legitimidade política. Mas, na minha opinião, todos são politicamente importantes, certo? Não quero selecionar algumas formas e deixar outras de lado — dizer “essa não conta, não faz parte da vida política”. Eu queria incluir tudo o que faz parte da vida política. O que eu não queria era discutir sobre palavras. Simplesmente aceitei a palavra comum “riot”<strong>[1]</strong> e decidi tentar resgatá-la como categoria política.</p>
<p style="text-align: justify;">O termo sofisticado que criei é “lutas da circulação”. Não preciso me aprofundar na economia política desse termo, exceto para dizer que “circulação” significa, mais ou menos, o mercado. Não apenas o supermercado literal, mas o mundo onde trocamos mercadorias, compramos e consumimos coisas para tentar sobreviver. Especialmente para pessoas que não têm um emprego fixo, que trabalham em casa ou, em geral, que não têm oportunidade de lutar no ambiente de trabalho. Elas ainda podem estar tendo dificuldades para sobreviver, conseguir comida para suas famílias, sentir-se seguras da polícia. Todas as coisas que acontecem na praça pública e no mercado, é lá que elas vão lutar. E é isso que uma revolta representa para mim. Qualquer tipo de luta que se desenrola nesse espaço. O mercado, a praça pública, o espaço de troca, de transporte, de consumo.</p>
<p style="text-align: justify;">As pessoas que lutam ali podem ser trabalhadores, mas não estão se apresentando <em>como</em> trabalhadores. Esse é um ponto crucial. Eu posso ter um emprego, mas se eu bloquear uma rodovia porque quero paralisar o mundo porque a situação é intolerável, não estou fazendo isso como trabalhador, mas sim como alguém que pode bloquear uma rodovia. Esses são os parâmetros da categoria que uso para definir revolta — é uma definição bastante ampla, como você pode ver. Espero que isso comece a responder à sua pergunta.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Com certeza, entendo como isso inclui métodos como ocupações, bloqueios e inúmeras outras formas de luta.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Isso é importante. Se você reduzir as revoltas a “pessoas quebrando janelas”, não será explicado nada do que está acontecendo ou como a história mudou. Mas se você começar a observar todas essas lutas — o bloqueio, a ocupação, a barricada, os tumultos e os saques — todas essas coisas juntas, e como elas mudaram, surgiram e desapareceram, você pode começar a entender uma história de luta.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158729" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/ae3ccdddc65b455fb769ff4ff63c778c.jpg" alt="" width="1692" height="2391" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/ae3ccdddc65b455fb769ff4ff63c778c.jpg 1692w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/ae3ccdddc65b455fb769ff4ff63c778c-212x300.jpg 212w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/ae3ccdddc65b455fb769ff4ff63c778c-725x1024.jpg 725w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/ae3ccdddc65b455fb769ff4ff63c778c-768x1085.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/ae3ccdddc65b455fb769ff4ff63c778c-1087x1536.jpg 1087w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/ae3ccdddc65b455fb769ff4ff63c778c-1449x2048.jpg 1449w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/ae3ccdddc65b455fb769ff4ff63c778c-297x420.jpg 297w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/ae3ccdddc65b455fb769ff4ff63c778c-640x904.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/ae3ccdddc65b455fb769ff4ff63c778c-681x962.jpg 681w" sizes="(max-width: 1692px) 100vw, 1692px" />Então, temos as lutas da circulação — o que vocês chamam de formas de resistência das quais participamos fora de nossos locais de trabalho e não como trabalhadores. E como você chamaria as lutas no local de trabalho? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Para manter nosso vocabulário pseudotécnico, se chamamos revoltas de “lutas da circulação”, deveríamos chamar as lutas no trabalho de “lutas da produção”. Lutas no local onde você produz bens, serviços ou gera lucros para o seu chefe. A greve é ​​a mais famosa delas, mas não a única. Podemos também pensar na sabotagem e desfalque no local de trabalho, operações-tartaruga e até mesmo participação em reuniões de organização sindical.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Voltando às perguntas bobas, por que as greves têm boa reputação e as revoltas, má reputação?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Depende a quem você pergunta, haha. Em geral, acho que as greves têm maior legitimidade, mesmo entre quem não participa delas. Os participantes geralmente acham que o que estão fazendo é justificado, ou pelo menos espero que sim, seja uma greve ou um protesto.</p>
<p style="text-align: justify;">Na verdade, acho que as pessoas têm um respeito bastante sensato pelo trabalho e pelos sofrimentos inerentes a ele. Elas o compreendem, inclusive as greves, nesse contexto. Muitas pessoas têm experiência com o trabalho, com salários baixos, tédio, exaustão, lesões, assédio do chefe; obrigação de trabalhar quando precisam cuidar da família. Todas essas coisas horríveis do trabalho. Por isso, elas simpatizam com as greves.</p>
<p style="text-align: justify;">As greves muitas vezes foram e são muito violentas, tanto por parte da polícia quanto dos grevistas, ou de ambos. E essa é uma história esquecida. Mas a reputação de serem mais organizadas, mais pacíficas, mais voltadas a uma retirada do que a um ataque, faz com que as pessoas se sintam melhor em relação a elas de muitas maneiras. A greve parece algo passivo. “O que estou fazendo? <em>Não</em> estou trabalhando!” E não há nada que pareça imediatamente agressivo ou ameaçador quando meu vizinho diz: “Não estou trabalhando”.</p>
<p style="text-align: justify;">As revoltas são vistas como caóticas, incontroláveis ​​e voláteis, e você sabe que o bom liberal sempre se oporá a qualquer tipo de luta social que, de alguma forma, ameace chegar à sua porta. Portanto, o caráter indisciplinado de uma revolta, que faz parte de seu poder, também faz parte de sua ameaça e de seu risco. Isso faz com que o centrista, o liberal, seja naturalmente antipático às revoltas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Só mais uma coisa sobre greves. Em países como a Suécia e a Finlândia, com uma longa história de fortes movimentos operários e de social-democracia, houve muitas ameaças ao direito de greve nos últimos anos e tentativas claras de limitar essa possibilidade. Gostaria de saber sua opinião sobre isso. Como isso se encaixa no contexto geral? Se seguirmos sua posição de que as lutas por direitos circulatórios, ou revoltas, são os principais focos de protesto hoje em dia, mas ao mesmo tempo observarmos que aqueles no poder estão visando as “lutas por direitos da produção”, limitando a possibilidade de greve. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Boa pergunta. Quer dizer, uma razão pode ser que as revoltas já são completamente ilegais. Não dá para torná-las <em>ainda mais</em> ilegais. Embora nos EUA haja grandes esforços para legalizar, por exemplo, atropelar pessoas que bloqueiam a rua. Várias novas leis foram aprovadas, assim como o aumento das penalidades contra protestos de qualquer tipo. Então, acho que é possível tentar criminalizar ainda mais as revoltas.</p>
<p style="text-align: justify;">Parece haver bastante espaço para restringir as proteções legais para uma greve. Então, consigo entender porque isso poderia ser um interesse. Aqui chegamos talvez a um pouco do meu ceticismo, não em relação ao movimento operário histórico, mas em relação aos sindicatos e ao seu funcionamento. Acredito que deixar espaço legal e legitimidade para as greves foi, na verdade, uma estratégia útil para os capitalistas no período de expansão econômica massiva após a Segunda Guerra Mundial. Chamamos isso de “comprar a paz social”. É possível aumentar os salários para que as pessoas continuem indo trabalhar, porque o trabalho gera lucros enormes para os capitalistas e, por isso, há mais espaço para os trabalhadores se movimentarem e conquistarem ganhos correspondentes. Ficou claro que era do interesse do capital ceder a algumas demandas em vez de deixar a economia parar de crescer.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Você diria que mesmo antes do capitalismo já víamos revoltas ao longo da história? E que greves são, na verdade, a nova categoria?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Isso é absolutamente correto. Greves realmente não existiam antes do século XVII. Por outro lado, se observarmos atividades mais ou menos revoltosas, confrontos violentos com as autoridades, com o governo, elas estão quase se tornando “trans-históricas”. Sempre nos dizem para nunca começar uma redação com “Desde o início dos tempos”. Então, estou tentando evitar isso. Mas as lutas antiautoritárias são bastante constantes.</p>
<p style="text-align: justify;">As revoltas camponesas e as revoltas de escravos são categorias humanas, políticas e históricas incrivelmente importantes. Estou tentando diferenciá-las das lutas por circulação, que são mais específicas historicamente e mais restritas. Elas podem parecer muito semelhantes às revoltas camponesas e de escravos, mas acredito que têm uma base diferente. Surgem de algo específico do capitalismo, na forma como ele estrutura os mercados locais e globais e como organiza nossas vidas para o lucro; como nos torna dependentes desses mercados para sobreviver. Na forma como inclui algumas pessoas e exclui outras, e nas formas particulares pelas quais coloca as pessoas umas contra as outras. Portanto, acho útil fazer essa distinção.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas também quero chamar a atenção para as semelhanças entre levantes camponeses ou de escravos e revoltas. As lutas pela circulação de mercadorias podem girar em torno do custo de vida, o preço da sobrevivência em um contexto de mercado, mas inevitavelmente envolvem confrontos com a polícia, uma vez que ela aparece. É importante lembrar que a polícia é uma invenção moderna. Nos Estados Unidos, a polícia só surgiu no século XVII ou provavelmente no XVIII. Sua origem está ligada a dois fatores: no Sul, como patrulhas de escravos, e no Nordeste, como forma de disciplinar a mão de obra.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas é também nesse sentido que se veem as ligações com todas essas lutas históricas, porque o confronto com a força coercitiva também faz parte dos levantes camponeses e de escravos. O confronto com a polícia conecta o levante de escravos à greve, à revolta. Todas elas têm a ver com a busca pela liberdade. Todas elas têm a ver com a luta no contexto em que se está inserido. Envolvem especificamente a tentativa de superar a força coercitiva que os aprisiona em um determinado modo de vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Minha grande referência intelectual, Fredric Jameson [que faleceu entre a realização desta entrevista e sua publicação], escreveu que é preciso sempre ter em mente a continuidade e a ruptura simultaneamente. Esse é o melhor conselho intelectual que já recebi. Aprendi isso em um livro — as pessoas deveriam ler livros.</p>
<p style="text-align: justify;">Tento abordar isso com a sua pergunta, sobre se as revoltas sempre existiram. Há uma ruptura, que é a integração do mercado mundial, o fato de você ter que se vender para comprar mercadorias nesse mercado, mesmo enquanto o grão local é enviado para outro lugar onde pode gerar mais lucro. Isso transforma vidas. Acho que isso merece sua própria história e é diferente dos levantes camponeses e de escravos. Mas, como ambas inevitavelmente envolvem o confronto com forças coercitivas de violência que impõem a sua miséria, também existe uma continuidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158728" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Theo_van_Doesburg_Composition_XXII.jpg" alt="" width="1447" height="1532" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Theo_van_Doesburg_Composition_XXII.jpg 1447w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Theo_van_Doesburg_Composition_XXII-283x300.jpg 283w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Theo_van_Doesburg_Composition_XXII-967x1024.jpg 967w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Theo_van_Doesburg_Composition_XXII-768x813.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Theo_van_Doesburg_Composition_XXII-397x420.jpg 397w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Theo_van_Doesburg_Composition_XXII-640x678.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Theo_van_Doesburg_Composition_XXII-681x721.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 1447px) 100vw, 1447px" />Você disse no início que queria resgatar as revoltas como categoria política. Pelo menos para mim, foi isso que aconteceu. Na época em que seu livro foi lançado, eu estava cercada por amigos que eram muito céticos em relação à ideia de revoltas, dizendo “revoltas não levam a lugar nenhum mesmo”. E, por outro lado, amigos achavam que não precisávamos de nenhuma teoria para as revoltas, mas que “as pessoas simplesmente as fazem”. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Eu estava insatisfeita com ambas as posições. Achei que poderíamos encontrar uma maneira de não criar uma lacuna tão grande entre o pensamento e a prática, de integrá-los. Através do seu livro, encontrei uma forma de conversar sobre revoltas com todos os meus amigos a partir de uma perspectiva mais metodológica e menos moralista. Pensando na luta como diferentes ferramentas, e nas revoltas como uma delas, e baseando nossa análise em quando fez sentido para as pessoas usar uma ou outra. Isso foi incrível, obrigada. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Agora, a conexão entre teoria e prática me leva à ideia de comuna, sobre a qual ainda não falamos, mas talvez possamos começar com o básico: o que a comuna significa para você?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Comecei a pensar nisso perto do final do livro. Para o próximo livro em que estou trabalhando, introduzo uma terceira categoria que acompanha as revoltas e greves, e sim, é a comuna.</p>
<p style="text-align: justify;">Reprodução é o nome dado a tudo o que fazemos para que nossos amigos, nossa família e nossa comunidade possam existir de um dia para o outro, de um mês para o outro, de uma geração para a outra. Inclui tudo, desde cozinhar e cuidar uns dos outros até gerar e criar filhos, e tudo o que há entre esses dois extremos. O capitalismo precisa disso porque precisa de trabalhadores e de consumidores. Não se trata de algo para você e para mim, não é para proporcionar uma vida boa para nossos amigos e parentes em nossas comunidades, é para criar consumidores e trabalhadores para o capitalismo. Mas não precisa ser assim — a comuna aponta para essa possibilidade de outra vida.</p>
<p style="text-align: justify;">A produção industrial em uma fábrica pode desaparecer com o fim do capitalismo. Fazer compras no supermercado ou na IKEA é circulação. Isso também é capitalismo, e quando o capitalismo acabar, isso também pode acabar. Mas o nosso cuidado mútuo, cozinhar uns para os outros, gerar e criar filhos juntos não vai acabar. Isso pode ser externo ao capital. Então, todo esse esforço que chamaremos de trabalho reprodutivo para reconstruir nossas comunidades dia após dia, geração após geração, é a base da comuna. Essa atividade é o que a comuna faz. Essa é a vida comunitária. A comuna é apenas um nome para a atividade reprodutiva separada do capitalismo, e acabamos pensando que, bem, isso é algo para o futuro.</p>
<p style="text-align: justify;">Temos exemplos famosos no passado: a Comuna de Paris, mas também a Comuna de Xangai e a Comuna de Morelos durante a Revolução Mexicana, entre várias outras. Mas, na maioria das vezes, pensamos: “Bem, a comuna é algo do futuro. Vamos superar o capitalismo algum dia, mas a comuna não existe no presente.”</p>
<p style="text-align: justify;">Ela existe, sim, no presente. E não me refiro àqueles grupinhos de 12 ricos com barbas e tudo mais que vão morar no campo e dizem que aquilo é um país. Não é disso que estou falando. O que quero dizer quando penso em comuna, e particularmente na comuna como tática, é o seguinte:</p>
<p style="text-align: justify;">Para o meu livro, estou lendo bastante sobre os bloqueios de oleodutos — uma luta clássica da circulação, né? É a circulação desse recurso. Você não chega lá como um trabalhador dizendo “Estou em greve por causa do oleoduto”. Você chega dizendo: “Não vou deixar esse oleoduto passar pela minha terra, meu território, o território dos meus amigos, nossa terra comunitária. Não vou deixar que ele destrua os rios e o solo. Não vou deixar isso acontecer. Vou bloqueá-lo com mil dos meus amigos”. O que acontece?</p>
<p style="text-align: justify;">Se você pretende permanecer lá e manter o bloqueio não apenas na segunda-feira, mas também na terça, quarta, quinta, sexta e pelo resto do ano, algumas coisas precisam acontecer. É preciso começar a cozinhar, então monta-se uma cozinha comunitária. As pessoas precisam descansar. Providenciam-se lugares para dormir e abrigo. As pessoas precisam receber cuidados médicos. Monta-se uma tenda médica e outras estruturas. Isso é o acampamento.</p>
<p style="text-align: justify;">Não se trata de um acampamento de protesto tentando chamar a atenção para algo e dizendo: “Estamos indignados”. É algo muito prático. E o que esse acampamento prático está fazendo? Está fazendo exatamente o que chamávamos de trabalho reprodutivo há pouco tempo. Está fornecendo comida, abrigo, cuidados e comunidade para as pessoas que estão bloqueando o oleoduto. É uma comuna que começa a se formar como parte de uma tática de luta. Está realizando esse trabalho comunitário que identificamos com a comuna ou o trabalho reprodutivo, não para produzir mão de obra para o capitalismo, não para produzir consumidores para o capitalismo, mas para produzir um bloqueio ao oleoduto. E, na verdade, o bloqueio ao oleoduto não existe sem essa pequena comuna, e a comuna não existe sem o bloqueio. Eles estão totalmente ligados. São um só. Não é um ou outro. Você não precisa escolher entre militância e trabalho de cuidado. São a mesma coisa.</p>
<p style="text-align: justify;">É aí que a comuna se encaixa, não como uma visão do futuro, o que é ótimo, mas como uma tática prática no presente em que todos já estamos envolvidos. E como sempre, meu trabalho não é dizer às pessoas o que fazer, mas sim tentar nomear as coisas corretamente, tentar descrever o que já está acontecendo. Os grandes teóricos são as pessoas que estão bloqueando os oleodutos e cuidando dos acampamentos. São eles que estão descobrindo como fazer isso e o que fazer para se libertar, e eu tenho a sorte de ter a oportunidade de tentar pensar sobre isso e formular as ideias em palavras.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158730" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/W1siZiIsIjE2MjY1OCJdLFsicCIsImNvbnZlcnQiLCItcXVhbGl0eSA5MCAtcmVzaXplIDIwMDB4MjAwMFx1MDAzZSJdXQ.jpg" alt="" width="2000" height="1982" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/W1siZiIsIjE2MjY1OCJdLFsicCIsImNvbnZlcnQiLCItcXVhbGl0eSA5MCAtcmVzaXplIDIwMDB4MjAwMFx1MDAzZSJdXQ.jpg 2000w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/W1siZiIsIjE2MjY1OCJdLFsicCIsImNvbnZlcnQiLCItcXVhbGl0eSA5MCAtcmVzaXplIDIwMDB4MjAwMFx1MDAzZSJdXQ-300x297.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/W1siZiIsIjE2MjY1OCJdLFsicCIsImNvbnZlcnQiLCItcXVhbGl0eSA5MCAtcmVzaXplIDIwMDB4MjAwMFx1MDAzZSJdXQ-1024x1015.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/W1siZiIsIjE2MjY1OCJdLFsicCIsImNvbnZlcnQiLCItcXVhbGl0eSA5MCAtcmVzaXplIDIwMDB4MjAwMFx1MDAzZSJdXQ-70x70.jpg 70w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/W1siZiIsIjE2MjY1OCJdLFsicCIsImNvbnZlcnQiLCItcXVhbGl0eSA5MCAtcmVzaXplIDIwMDB4MjAwMFx1MDAzZSJdXQ-768x761.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/W1siZiIsIjE2MjY1OCJdLFsicCIsImNvbnZlcnQiLCItcXVhbGl0eSA5MCAtcmVzaXplIDIwMDB4MjAwMFx1MDAzZSJdXQ-1536x1522.jpg 1536w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/W1siZiIsIjE2MjY1OCJdLFsicCIsImNvbnZlcnQiLCItcXVhbGl0eSA5MCAtcmVzaXplIDIwMDB4MjAwMFx1MDAzZSJdXQ-424x420.jpg 424w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/W1siZiIsIjE2MjY1OCJdLFsicCIsImNvbnZlcnQiLCItcXVhbGl0eSA5MCAtcmVzaXplIDIwMDB4MjAwMFx1MDAzZSJdXQ-640x634.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/W1siZiIsIjE2MjY1OCJdLFsicCIsImNvbnZlcnQiLCItcXVhbGl0eSA5MCAtcmVzaXplIDIwMDB4MjAwMFx1MDAzZSJdXQ-681x675.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 2000px) 100vw, 2000px" />Essa visão da comuna me parece muito promissora, traz esperança. Tenho sentido falta de reflexões sobre continuidade e reprodução relacionadas à luta, nesse sentido.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Se você não tem salário ou está vinculado a um emprego, não pode fazer greve, ou pode tentar, mas o que vai acontecer? Se você não tem muita saúde, o que acontece com todos nós em algum momento da vida, é difícil participar de uma revolta. Mas como é numa comuna? O que é preciso para fazer parte dela ou para lutar dessa forma? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Essa é uma ótima pergunta, sobre a qual não tenho certeza se refleti tanto quanto deveria, mas acho que você já ofereceu uma maneira útil de pensar a respeito. Se dividirmos, de forma redutiva, todos os tipos de luta no mundo em três categorias: revolta, greve e comuna; ou lutas da circulação, lutas da produção e lutas da reprodução, isso abre um amplo espaço para diversos tipos de atividade. E, idealmente, se pensarmos nelas como parte de uma unidade, em vez de escolhas opostas, isso significa que há muitas maneiras diferentes pelas quais as pessoas podem se posicionar em termos de como desejam participar.</p>
<p style="text-align: justify;">Muitas vezes alguém diz que não, que a única tática correta é esta. Mas, como você apontou, haverá muitas pessoas que dirão que isso não é possível para elas. Mesmo que eu acreditasse nessa tática, mesmo que esse fosse o meu desejo, por vários motivos ela não é possível para mim: por causa de onde moro, da minha situação de cidadania, da minha situação laboral, das minhas capacidades físicas, entre outras coisas. E estar atento ao fato de que nem todas as formas de luta são possíveis para todas as pessoas é fundamental. Se pudermos pensar em todos nós juntos, com nossas diferentes capacidades, formando uma espécie de unidade, isso abre um leque enorme de caminhos que as pessoas podem seguir.</p>
<p style="text-align: justify;">E é por isso que é importante não inventar oposições. Uma das mais destrutivas é o debate entre militância e cuidado. Alguém diz: “Vamos fazer algo muito militante” — algo codificado como militante, algo violento, arriscado ou simplesmente fisicamente ambicioso. E então alguém diz: “Bem, na verdade, deveríamos estar mais atentos ao trabalho de cuidado e nos concentrar nisso, sem cair na armadilha de tentar ser ultrarradicais e assim por diante”. Esse debate é frequentemente marcado por questões de gênero, com a militância codificada como masculina e o trabalho de cuidado como feminino. Mas também evoca outras diferenças, incluindo quem é <em>capaz</em> e de que maneira. Assim, surge uma oposição real entre militância e cuidado, apresentada como um debate ético. Qual é a coisa certa a fazer? E enquanto você escolher uma dessas opções, acabará com um conjunto incompleto de táticas e com pessoas excluídas.</p>
<p style="text-align: justify;">Podemos pensar nessas coisas como uma unidade, como tenho tentado sugerir. A comuna e o bloqueio são um ótimo exemplo. Não se trata de uma coisa contra a outra, elas formam um todo. No fim, quero que as três — revolta, greve, comuna — formem um todo no qual as pessoas possam participar de diversas maneiras. A poetisa Diane di Prima tem um poema que termina com a frase: “Será preciso que todos nós empurremos a coisa por todos os lados para derrubá-la”. Essa é uma forma de colocar a situação.</p>
<p style="text-align: justify;">Outra forma de dizer isso é: é isso que significa uma greve geral. Porque uma greve geral não é, na verdade, uma greve no sentido técnico de paralisação dos trabalhadores; envolve muito mais coisas. Greve geral é o nome dado quando a revolta, a greve e a comuna acontecem simultaneamente. É isso que a greve geral realmente é. E esse é o dia, a semana ou o ano em que haverá um papel para todos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Obrigado, Joshua Clover. Chegar à greve geral é a maneira perfeita de encerrar esta entrevista e mal posso esperar que esse ano chegue. Você deu pistas essenciais sobre como compreender as várias formas de luta possíveis</strong> — <strong>ou impossíveis</strong> — <strong>para as pessoas e por que faz sentido usá-las em contextos e momentos específicos. Como você disse, as pessoas lutam onde estão e, idealmente, todas as diversas táticas juntas criam uma unidade. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Aguardo ansiosamente seu livro sobre a comuna [2], para entender ainda melhor essa tática nos dias de hoje. Só a ideia de algo que permanecerá mesmo após o fim do capitalismo já é poderosa. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>As futuras revoltas, greves e comunas promovidas por aqueles que vocês chamam de “grandes teóricos” terão uma aparência um pouco diferente para mim, agora que tenho um arcabouço que permite conectar todos os pontos.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Ronja Mälström é escritora e editora do Turning Point. Ela se dedica a temas como comunidades organizadas, movimentos de resistência e alternativas para uma vida além do capitalismo e do patriarcado</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Traduzido de: <a class="urlextern" title="https://turningpointmag.org/2024/11/24/people-struggle-where-they-are-joshua-clover-on-riots-strikes-and-commune-that-are-already-here/" href="https://turningpointmag.org/2024/11/24/people-struggle-where-they-are-joshua-clover-on-riots-strikes-and-commune-that-are-already-here/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://turningpointmag.org/2024/11/24/people-struggle-where-they-are-joshua-clover-on-riots-strikes-and-commune-that-are-already-here/</a></p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>Notas</strong></h4>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1]</strong> <em>Riot</em> em inglês possuem um sentido que seria melhor traduzido como uma revolta na forma de um tumulto ou motim. Uma ação de uma multidão indignada que age normalmente nas ruas enfrentando forças do Estado, muitas vezes danificando propriedade. Traduzimos riot por revolta, embora revolta não carregue o sentido negativo que <em>riot</em> possui na sociedade (Nota do Tradutor).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[2]</strong> Joshua Clover faleceu em abril de 2025, o livro sobre a comuna que eles estava escrevendo acabou não sendo publicado (Nota do Tradutor).</p>
</div>
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<div class="no"><em>As imagens que ilustram o artigo são de  Theo Van Doesburg</em></div>
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<h3 id="entrevista_com_nildo_viana_critica_das_plataformas_e_da_politica_progressista" class="sectionedit26" style="text-align: justify;"></h3>
</div>
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		<item>
		<title>[Irã] Apoio à luta do povo iraniano por seus direitos: rumo à verdadeira liberdade e igualdade, não a um retorno ao passado</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/01/158485/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Jan 2026 13:46:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Movimentos em Luta]]></category>
		<category><![CDATA[Greves]]></category>
		<category><![CDATA[Irão/Irã]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão_e_liberdades]]></category>
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					<description><![CDATA[O Sindicato dos Trabalhadores da Companhia de Ônibus de Teerã e Subúrbios enfatiza a necessidade de continuarmos com protestos independentes, conscientes e organizados. Por Sindicato dos Trabalhadores de Ônibus de Teerã]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Sindicato dos Trabalhadores de Ônibus de Teerã</h3>
<p style="text-align: justify;">Os protestos e greves em cidades por todo o país já duram onze dias. Apesar da intensificação da segurança, da forte presença policial e das forças de segurança e da violenta repressão, o alcance dos protestos permanece amplo e diversificado. Segundo relatos, pelo menos 174 locais em 60 cidades, distribuídas por 25 províncias, testemunharam manifestações nesse período, e centenas de manifestantes foram presos. Tragicamente, pelo menos 35 cidadãos, incluindo crianças, perderam a vida durante os protestos.</p>
<p style="text-align: justify;">De janeiro de 2018 a novembro de 2019 e setembro de 2022, o povo oprimido do Irã demonstrou repetidamente — ao sair às ruas — que não tolerará a ordem político-econômica vigente e as estruturas construídas sobre a exploração e a desigualdade. Esses movimentos não visam um retorno ao passado. Eles se formaram para construir um futuro livre da dominação do capital — um futuro fundamentado na liberdade, na igualdade, na justiça social e na dignidade humana.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao declararmos nossa solidariedade às lutas populares contra a pobreza, o desemprego, a discriminação e a repressão, afirmamos claramente nossa oposição a qualquer retorno a um passado definido pela desigualdade, corrupção e injustiça.</p>
<p style="text-align: justify;">Acreditamos que a verdadeira libertação só é possível por meio da liderança consciente e organizada e da participação da classe trabalhadora e dos oprimidos — não pela reprodução de antigas e autoritárias formas de poder. Nessa luta, trabalhadores, professores, aposentados, enfermeiros, estudantes, mulheres e, especialmente, os jovens — apesar da repressão generalizada, das prisões, das demissões e da piora das condições de vida — permanecem na linha de frente.</p>
<p style="text-align: justify;">O Sindicato dos Trabalhadores da Companhia de Ônibus de Teerã e Subúrbios enfatiza a necessidade de continuarmos com protestos independentes, conscientes e organizados.</p>
<p style="text-align: justify;">Já dissemos isso muitas vezes e repetimos: o caminho para a libertação dos trabalhadores e da classe trabalhadora não passa por “líderes” fabricados e impostos de cima para baixo, pela dependência de potências estrangeiras ou por facções dentro do establishment governante. A união, a solidariedade e a construção de organizações independentes nos locais de trabalho, nas comunidades e em nível nacional são fundamentais. Não podemos nos permitir ser novamente vítimas de jogos de poder e dos interesses das classes dominantes.</p>
<p style="text-align: justify;">O sindicato também condena veementemente qualquer propaganda, justificativa ou apoio à intervenção militar por governos estrangeiros, incluindo os Estados Unidos e Israel. Tais intervenções não apenas levam à destruição da sociedade civil e à morte de pessoas, como também fornecem às autoridades mais um pretexto para continuar a violência e a repressão. A experiência passada demonstra que os Estados hegemônicos ocidentais não valorizam a liberdade, os meios de subsistência ou os direitos do povo iraniano.</p>
<p style="text-align: justify;">Exigimos a libertação imediata e incondicional de todos os detidos e enfatizamos a necessidade de identificar e processar aqueles que ordenaram e executaram os assassinatos.</p>
<p style="text-align: justify;">Viva a liberdade, a igualdade e a solidariedade de classe!</p>
<p style="text-align: justify;">A resposta para os trabalhadores é a união e a organização.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Sindicato dos Trabalhadores da Companhia de Ônibus de Teerã e Subúrbios</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>7 de janeiro de 2026</em></p>
<p><a href="https://www.instagram.com/p/DTM-LskDhhV/" target="_blank" rel="noopener">https://www.instagram.com/p/DTM-LskDhhV/</a></p>
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		<title>[RJ] Protesto de terceirizados do Hospital Universitário Pedro Ernesto contra calotes</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/12/158246/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Dec 2025 14:57:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Movimentos em Luta]]></category>
		<category><![CDATA[Greves]]></category>
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					<description><![CDATA[Os trabalhadores reclamam de atraso no pagamento do 13º salário e irregularidades no pagamento do vale alimentação e do vale transporte. Por Invisíveis]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Invisíveis</h3>
<p style="text-align: justify;">PARALISAÇÃO E PROTESTO COM TERCEIRIZADOS E TERCEIRIZADAS DO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO PEDRO ERNESTO CONTRA CALOTES E ASSÉDIOS DA EMPRESA GÁVEA FACILITIES</p>
<p style="text-align: justify;">Os trabalhadores reclamam de atraso no pagamento do 13º salário e irregularidades no pagamento do vale alimentação e do vale transporte.</p>
<p style="text-align: justify;">O PROTESTO ACONTECE AGORA, NA BLV 28 DE SETEMBRO 77. com PARALISAÇÃO DE TERCEIRIZADOS DA LIMPEZA e apoio do coletivo Invisíveis.</p>
<p style="text-align: justify;">#gaveafacilities<br />
#HospitalPedroErnesto<br />
#uerjresiste</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/DRuHyqOjh3R/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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		<title>A report of the pro-Palestinian demonstrations in Italy</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/10/157767/</link>
					<comments>https://passapalavra.info/2025/10/157767/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Oct 2025 16:00:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Traduções]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Greves]]></category>
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					<description><![CDATA[ Perhaps the Palestinian issue has become the unifying theme of a set of diffuse social dissatisfaction. By Pérez Gallo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;"><a href="https://passapalavra.info/2025/09/157669/" target="_blank" rel="noopener">By Pérez Gallo</a></h3>
<p style="text-align: justify;">I took part, somewhat by chance, in the demonstration in Milan on September 22, which had wide international repercussions due to the violent clashes with the police that took place at the entrance to the Central Railway Station. I was in Germany during the previous week, where I was attending an academic event and, being originally from Italy, I decided to extend my trip a few more days in Milan, to visit friends and family. I arrived on the evening of Friday, the 19th, and it soon seemed to me that the mood was different from the usual &#8211; more tense, in expectation. The Palestinian genocide, in fact, is a powerful theme in the Italian debate, either because of the presence of an important Arab and Palestinian community in the territory or because of the geographical and geopolitical proximity. But also &#8211; I believe &#8211; because hopes have converged in recent years on the Palestinian issue for the resumption of some movement after more than a decade of ebb and flow of struggles. The retreat that in Milan feels even stronger: a city completely dominated by <em>gentrification</em> and real estate speculation, by the great fashion events and gourmet food fairs, by the increase in urban transport and an economic rhythm (and exploitation) in full swing. And where, for a long time, social struggles have been something kind of absent from the horizon of urban life.</p>
<p style="text-align: justify;">On the 19th, just as I was returning from the airport, there was a small demonstration and work stoppage organized by the CGIL, the largest trade union confederation, in solidarity with Gaza. Contrary to what one might think, the CGIL decision was not the brave choice to organize a political strike, but the cowardly attempt to recover the struggle, advancing the strike that had already been scheduled for the 22nd by the grassroots unions USB, Cobas, ADL Cobas, CUB, SGB, under the impulse of the Genoa Port Workers collective. The idea would be to make a stoppage of only two hours, on a Friday afternoon, and not adhere to — and in this way weaken — the other strike scheduled for the whole Monday (a day in which a blockade would do much more damage). The maneuver, apparently, did not work out. Throughout the weekend, people around me — even many of my acquaintances who hadn&#8217;t participated in a demonstration in 15 years &#8211; kept talking about the upcoming event on the 22nd. Rain was forecast, and this raised some doubts about the success of the mobilization.</p>
<p style="text-align: justify;">On Monday morning, in fact, the rain was intense and constant. Despite this, when I arrived in Piazza Cadorna a little before the scheduled time for the concentration, you could tell that the demonstration would be huge. Thousands of people were gathering there under umbrellas, to the point that when the front of the demonstration began to move, people were still arriving in the square. The demonstration, with more than 50,000 people, marched in a confused way for almost 5 kilometres to the Central Station, not before making a detour to pass in front of the United States Consulate, where the flags of the United States, Israel, the European Union and NATO were burned. What surprised me, perhaps because I had been away from Italian protests for many years, was its political composition, that is, not the division into blocks organized by the entities and the social centers, but rather a long heterogeneous and indefinite human serpent, all behind a single sound truck of the USB union, in which the social composition was mixed: students and retirees, Arab immigrants, young secondary school students from the periphery and families with children, workers and middle class, and here and there small groups that made some specific intervention, such as a group of fanfare or healthcare workers under the banner of “healthcare workers for Gaza”. In general, it also seemed to me a not-so-loud demonstration, almost silent at times, as if the lack of a sound speaker left more room for the atrocious emptiness of the moment we are living in.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DO6jl2KDJNA/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DO6jl2KDJNA/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by MIM (@milanoinmovimento)</a></p>
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</blockquote>
<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script><em><strong>Milan demonstration seen from above.</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">When we arrived, around 1 p.m., in the Central Station Square, the general feeling was one of strangeness: the demonstration seemed to be over, but we had not yet blocked anything, while news arrived of occupations of stations, highways, and ports in other cities. The police had a huge contingent lined up for the defence of the station, and it seemed crazy to try to challenge them, apart from the fact that no group seemed to be organised for such. Little by little, however, frustrations and expectations were leading a group of people down the stairs of the subway, from where they would have a passage to the station by underground. Just below, however, was another police contingent. The pressure was building until we managed to get to the bottom of the station thanks to a lot of shouting and some pushing. From there, however, to occupy the tracks, we had to go up to another floor by an escalator, above which the confrontation began, and continued through the glass doors of the station hall, defended by the police and destroyed by the protesters. Finally, the police began throwing tear gas canisters, many at face height. The battle lasted an hour and a half inside the station, plus a couple of hours in via Vittor Pisani, the large avenue outside the station, with the police advancing and the crowd resisting, without retreating, throwing stones and other objects. Although it did not reach the tracks, for a long time the station was closed, with the trains, already accumulating delays of more than two hours due to the strike, stopping for some time instead of passing through the station. From what I read afterwards, the participation in the most heated clashes was of a thousand people, with as many supporting from the outside. The toll was 60 police officers injured, with 24 hospitalised, 11 protesters detained (including two minors), and about ten taken away by ambulance. I was really surprised by the disposition of the crowd: I do not remember, since I was a teenager, a demonstration with such lengthy and at the same time unprepared confrontations. In the past, the most common were “performative” confrontations of the crowd from the ex <em>tute bianche</em>, with a little melee from the first lines with the police to have a photo in the media and then retreat, or moments of a more planned <em>riot</em>, with burning of cars during the demonstration by a smaller group but completely disconnected with the general feeling of the crowd, as occurred in the large “No Expo” demonstration of May 1, 2015. From there, the desert.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DO6hXCqAP2w/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DO6hXCqAP2w/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by Federação Árabe Palestina (@fepal_brasil)</a></p>
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</blockquote>
<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script><em><strong>Videos of the confrontation</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">If Milan, due to its violent outcome, was the centre of the news and images that passed through the media and social networks — and obviously echoed by Prime Minister Giorgia Meloni, who at no time attacked the Israeli barbarism in Gaza with the same harshness that she dedicated to the “Milan vandals” —, in the rest of Italy the struggles were also giant. According to the union USB, more than 1 million people in 84 cities participated in the demonstrations.</p>
<p style="text-align: justify;">In Rome, 200 to 300 thousand people marched for 8 hours, for 10 kilometres, through the streets surrounding the Termini Station (the largest in the city), causing a momentary blockade of rail traffic, and occupying the university campus of La Sapienza and the Eastern Ring Road for hours in both directions. There, many drivers stopped in traffic didn&#8217;t react with anger but with applause, horns, and demonstrations of complicity.</p>
<p><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/NnNe1MzD2_4?si=8egqsDkgr8mFK5L3" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Drivers&#8217; support for the demonstration</strong></em></p>
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<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DO51pJfjNPJ/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by Welcome to Favelas (@welcometofavelas)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script><em><strong>Demonstration in Rome seen from above</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Another huge demonstration happened in Bologna, with 50,000 people filling the streets of the centre to later occupy the Ring Road, where there was a police crackdown with four people arrested.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/DO5i_llCCTG/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/p/DO5i_llCCTG/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by HubAut Bologna (@hubautbologna)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script><em><strong>Demonstration in Bologna</strong></em></p>
<p><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/6dD2wHPrU-c?si=_4tH6CwGyNZZv0ZJ" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Clashes on the Ring Road in Bologna</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Demonstrations with 15 to 20 thousand people also took place in Naples and Turin (where the railway station was occupied); Genoa (with the occupation of the port); and in Venice, where the social centres of the Northeast blockaded Porto Marghera and had clashes with the police, who made use of water jets.</p>
<p><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/HhCYfSOTMdQ?si=wvIlGmwayluEcGh3" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Venice</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Other clashes and arrests took place in Brescia as 10,000 protesters attempted to occupy the railway station after blocking the city&#8217;s Metro, while a similar number of people paraded in Palermo, Florence, and Pisa. In the latter city, protesters managed to block the bus station, the train station and even the Firenze-Pisa-Livorno Highway. Five thousand people took to the streets in southern cities such as Cagliari, Catania, and Bari. There were also blockades and disruptions at other major port terminals such as those in Trieste, Ravenna, Ancona, Civitavecchia and Salerno. In Livorno, the blockade of the Valessini terminal turned into a permanent protest aimed at the next day, when the passage of a US cargo ship bound for Israel was expected.</p>
<p style="text-align: justify;">As a whole, the journey was undoubtedly successful and surprising. Surprisingly, in the first place, because Italy had stayed away from the last cycles of global upheavals. Social movements are totally fragmented, and what has prevailed among comrades in recent years is a constant sense of disillusionment and impotence, feelings heightened in recent times by the rise of a far-right government. Since the beginning of the genocide in Palestine, the occupations on university campuses have shown a certain reactivation of the youth composition, certainly dominant also in the demonstrations of Monday, but extremely reduced in demographic terms in what is the second-oldest country in the world. At the same time, under the impetus of the small Palestinian youth organisation, protests in solidarity with Gaza have acquired a certain frequency, becoming, in the case of Milan, even weekly, with some small demonstrations that take place every Saturday. Possibly, the departure of the global Sumud Flotilla must have given some inspiration, as well as the French “let&#8217;s block everything” movement that has emerged in recent weeks against Macron&#8217;s policies. Perhaps the outrage has crossed some threshold with the escalation of the “final solution” to the Palestinian Holocaust set in motion by Israel in recent months. Perhaps the Palestinian issue has become the unifying theme of a set of diffuse social dissatisfaction. Maybe it is, today, <a class="urlextern" title="https://ilmanifesto.it/palestina-e-il-nome-del-nostro-scontento" href="https://ilmanifesto.it/palestina-e-il-nome-del-nostro-scontento" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">“the name of our discontent”</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">The demonstrations were undoubtedly successful, but above all, the strategic choice to block the main communication routes. Very quickly, from the blockades of the docks of the ships loaded with weapons and ammunition to directly supply the Israeli army, the understanding came that all the logistics of war are inseparable from the logistics of global capitalism in this destructive stage. If the bottlenecks of transport and communications of goods and people make up the material skeleton of the global economy, the understanding arose that it is from there that it would perhaps be possible to exercise some kind of “counterpower” to fascist barbarism.</p>
<p style="text-align: justify;">Less successful, however, was the result of the stoppage in the strict sense. Faced with the convergence between the obvious difficulties of carrying out a “political” strike (in fact, this was the first experience since the genocide in Gaza began) and the cowardice of the CGIL and the other major trade union confederations, which has hegemony of affiliates in production and public employment, the participation rate seems to have been <a class="urlextern" title="https://www.tag24.it/1353021-dati-adesione-sciopero-generale-per-gaza-22-settembre-la-percentuale" href="https://ilmanifesto.it/palestina-e-il-nome-del-nostro-scontento" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">below 10%</a> in many sectors, with probable exceptions in the public education sector and in some sectors of the circulation, which in some cities joined en masse. This opens up many questions about whether it is possible to paralyse economic life without the mass participation of the organised working class, but manage to hit the main bottlenecks of the global economy. At a time when wage pressure, unemployment, blackmail in the workplace, job insecurity and coward union leaders make it more difficult to effectively exercise the instrument of the strike, to what extent can a very effective revolt itself become a form of general stoppage?</p>
<p style="text-align: justify;">But the main question, here and now, is whether this new movement will have the strength and the capacity to move forward, to grow, to put in crisis a Meloni government that so far still sails with some degree of consensus, and above all to spill over to other countries to make a real contribution to ending the ongoing genocide. As announced by the Genoa Port Workers collective, the current strike was launched as a rehearsal for the moment when there would be some kind of aggression against the Global Sumud Flotilla, which is approaching the Gaza Strip. If this happens, the dock workers have already threatened that they will not carry “not even a nail” and would stop “the whole of Europe”. Time will tell. For now, we are left with the feeling that, for once, we have raised our heads, we have overcome resignation. Maybe it&#8217;s just a flash, a feeling that, together in the streets, we can still feel alive. That we can still shout, even if it makes almost no sense given the level of the present tragedy, that “the peoples in revolt write their history, intifada until victory!”</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Quatro anos da greve dos entregadores de São José dos Campos: Entrevista com Elisson de Lima (Cabeça).</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Sep 2025 21:11:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Capitalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Greves]]></category>
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					<description><![CDATA[Depois daquela paralisação de seis dias, houve uma paralisação esse ano. Depois daquela de seis dias foi muito difícil parar de novo. Por Leo Vinicius]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 id="quatro_anos_da_greve_dos_entregadores_de_sao_jose_dos_campos_entrevista_com_lideranca" class="sectionedit9" style="text-align: justify;">Por Leo Vinicius</h3>
<div class="level3" style="text-align: justify;">
<p>Em 11 de setembro de 2021 os motoboys que trabalhavam com aplicativo em São José dos Campos, São Paulo, iniciaram uma greve por tempo indeterminado. A paralisação durou seis dias e foi a mais longa da categoria no país até então. Foi um marco, pois as paralisações de motoboys não costumam ser por tempo indeterminado e em geral são de um ou dois dias. Essa greve inspirou que motoboys de outras cidades, principalmente do interior de São Paulo, iniciassem as suas também com tempo indeterminado nas semanas seguintes. Foram os casos de Jundiaí, que também durou seis dias, e de Paulínia, que resultou na greve mais longa da categoria até hoje: nove dias.</p>
<p>No início de 2020 os motoboys de São José dos Campos criaram um grupo de Whastapp chamado Buzinaço, para organizar manifestações em estabelecimentos em que algum motoboy reportava problema com pagamento ou de outro tipo. Essa experiência de ação coletiva foi importante para desencadear a greve de setembro de 2021.</p>
<p>Completando 4 anos daquela marcante greve em São José dos Campos, conversei sobre ela com Elisson de Lima, conhecido como Cabeça, que teve papel destacado na organização.</p>
<p><strong>Leo Vinicius</strong>: Eu vi que você comentou numa live no Youtube que aquela greve só tinha rolado porque “os motoboys acreditaram no pessoal que agitou a nossa greve”. Deu a entender que as pessoas que tomaram essa iniciativa já tinham um respaldo da categoria, eram uma referência pro pessoal ter confiança. Como foi construída essa referência? Eu sei que tem a história do grupo do Buzinaço. Foi só o Buzinaço ou teve algo para além do Buzinaço que fez ter respaldo da categoria?</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-157697" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-part-i-primavera-1994.jpgPinterestSmall.jpg" alt="" width="310" height="514" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-part-i-primavera-1994.jpgPinterestSmall.jpg 210w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-part-i-primavera-1994.jpgPinterestSmall-181x300.jpg 181w" sizes="auto, (max-width: 310px) 100vw, 310px" /></p>
<p><strong>Cabeça</strong>: Eu acho que o que ajudou bastante [para] o pessoal pegar confiança foi o trabalho que faço em grupos de motoboys. A gente faz ação social. A gente vai na comunidade, entrega brinquedo, faz Natal solidário, dia de Páscoa, essas coisas. Depois tivemos problema com um estabelecimento aqui. Um amigo nosso teve uns problemas. Foi quando foi criado o grupo do Buzinaço. E depois do grupo do Buzinaço eu joguei esses negócios que estavam acontecendo, o pessoal reclamando, e como eu era OL, então… tipo assim, &#8216;se o cara que é OL tá reclamando, achando que tá ruim e vão parar, então vamos abraçar a causa&#8217;. Então acho que o que ajudou mais, além dessas coisas, foi devido na época eu ser OL, Operador Logístico. E puxar esse bonde aí, porque se eu não fosse Operador Logístico não sei se eu teria conseguido puxar tão forte assim não.</p>
<p><strong>Leo</strong>: O que a gente via nos Breques e nas paralisações é que era mais difícil os OLs pararem do que os Nuvens, porque OLs tem o supervisor e tal. E aí em São José dos Campos todo mundo fez a greve junto, participou, os Nuvens e os OLs. Mas a iniciativa foi dos OLs. Pra você, o que explicaria essa diferença em relação a SJC com os OLs? Que relação vocês tinham com os chefes, supervisores? Eu imagino que vocês deviam ter uma relação melhor com os chefes. Foi combinado com os chefes das OLs, com os supervisores, eles apoiarem de certa forma a greve?</p>
<p><strong>Cabeça</strong>: Apoiar, apoiar eles não apoiaram. Porque querendo ou não mexeu no bolso deles. Mas eles respeitaram porque a gente sempre teve um bom diálogo. Nos três primeiros dias eles respeitaram muito a gente. Disseram &#8216;a gente vai respeitar, não vamos logar ninguém&#8217;. Quando chegou no quarto, no quinto dia aí começou a choradeira. Começaram a querer falar, &#8216;ah vamos precisar logar&#8217; e que não sei quê. Falei, beleza, se quiser logar os caras você loga, mas o seguinte, os caras não vão pegar pedido. Vieram com o &#8216;ah que eu to passando fome&#8217;. Dissemos que se tiver passando fome, qualquer coisa dá um toque, a gente dá um jeito de fazer um rateio, tá todo mundo quebrado aqui, mas num rateio a gente ajuda você aí&#8217;. Mas não logaram, não logaram. Até então. Mas isso foi na minha base. Na base da qual eu prestava serviço [havia quatro bases de OL em SJC]. A outra tinha um motoboy que estava com a gente, que também conseguiu travar. Outra logou os caras, só que os caras não conseguiram pegar pedido.</p>
<p><strong>Leo</strong>: Então eles não apoiaram mas também não ficaram pressionando. Só depois que começou a pesar no bolso…</p>
<p><strong>Cabeça</strong>: Foi. Porque até então eles também tinham umas dores. Pra você ter uma ideia, quando o iFood na época veio através do Johnny [funcionário do iFood] pra vir falar comigo, os caras da base de OL pediram o contato com o cara. Porque eles não tinham contato com o iFood. Eles também abraçaram a causa no início por causa disso.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-157698" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-part-ii-estate-1994.jpgPinterestSmall.jpg" alt="" width="310" height="481" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-part-ii-estate-1994.jpgPinterestSmall.jpg 210w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-part-ii-estate-1994.jpgPinterestSmall-193x300.jpg 193w" sizes="auto, (max-width: 310px) 100vw, 310px" /></p>
<p><strong>Leo</strong>: Essa decisão de não trabalhar e continuar a greve, dentro das equipes era tomada só pelos motoboys, não era tomada pelo chefe da equipe, né? Ele não participava das decisões, certo?</p>
<p><strong>Cabeça</strong>: Não, quem participava era só nós os motoboys. Acabava o dia, dava dez horas da noite, dez e meia que era a hora que fechava o shopping, a gente tinha um ponto específico pra se reunir. Era onze horas e ali a gente decidia entre nós, os motoboys. E aí o líder de base mandava mensagem pra gente perguntando, ou então chegava vídeo pra ele que a rapaziada gravava, e aí que ele ficava sabendo.</p>
<p><strong>Leo</strong>: Por que os estabelecimentos apoiaram e de que forma eles apoiaram? Como eles foram convencidos a apoiar a greve e fechar o delivery? Já havia laços com os estabelecimentos antes?</p>
<p><strong>Cabeça</strong>: A gente tinha bastante contato com os estabelecimentos. Só que até então começou a ter muita discussão. Apoio, apoio de estabelecimento a gente não teve. Foi muito pouco estabelecimento. Depois do terceiro dia é que começou a dar uma crescida, de alguns estabelecimentos nos apoiarem. Porque a gente chegava lá, conversava com o dono no máximo respeito possível, &#8216;nós estamos aqui, fazendo a paralisação assim, assim, assado, se o senhor puder desligar o aplicativo de vocês desliga; se puder pegar pedido somente pelo Whatsapp qualquer coisa a gente arruma um motoboy pra fazer as entregas pra vocês, pra vocês não ficarem prejudicados&#8217;. [Eles diziam] &#8216;não não, a gente vai desligar&#8217;. Teve dois ou três estabelecimentos que acabaram aceitando, pegando motoboy pra fazer entrega. A fama de motoboy é aquela coisa, que motoboy é arruaceiro, quebra tudo, e acelera, empina… Essa é a fama do motoboy. E aqui na nossa cidade, devido ao Buzinaço… muitos estabelecimentos ficaram sabendo dos Buzinaços que estavam acontecendo, que a gente tava indo na porta dos estabelecimentos, que a gente tava indo cobrar os donos de estabelecimentos. Então creio eu que isso ajudou bastante para fazer eles desligarem. Até porque também no segundo ou no terceiro dia o iFood mesmo desligou a plataforma.</p>
<p><strong>Leo</strong>: Teve estabelecimento que no final pressionou vocês pelo fim da greve? Ameaçou chamar polícia, esse tipo de coisa?</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-157699" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-part-iii-autunno-1994.jpgPinterestSmall-179x300.jpg" alt="" width="281" height="471" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-part-iii-autunno-1994.jpgPinterestSmall-179x300.jpg 179w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-part-iii-autunno-1994.jpgPinterestSmall.jpg 210w" sizes="auto, (max-width: 281px) 100vw, 281px" /></p>
<p><strong>Cabeça</strong>: Não, não. Teve alguns que chegaram a falar que se o iFood liberar a plataforma ia ter que ligar. Falamos que podiam ligar só que ninguém ia pegar pedido. Teve um estabelecimento sim que chegou a falar que ia chamar a polícia. Falou &#8216;vou ter que abrir o meu estabelecimento, vou ligar a plataforma, e o motoboy vai vir aqui retirar o pedido&#8217;. Aí falamos, &#8216;beleza, pode vir, mas se ele vier pegar o pedido a gente não vai deixar ele sair. Se ele tentar sair o prejudicado vai ser ele e o seu pedido&#8217;. [Ele respondeu} &#8216;eu vou chamar a polícia, vou colocar a polícia na porta&#8217;. [Respondemos que] &#8216;não tem problema pra nós, a gente pega ele na esquina ali, na rua de trás, isso é o de menos, fica tranquilo&#8217;. Foi só um mesmo que teve essa pressão. Teve dono de estabelecimento que chegou a ir nos pontos de paralisação que a gente tava. Os estabelecimentos estavam tentando entrar em contato com o iFood para o iFood entrar em conta com a gente, pra poder resolver essa situação.</p>
<p>Os estabelecimentos começaram a fazer isso porque eles começaram a ter problema com o iFood. Naquela época aqui, o iFood soltava muita promoção pra cliente. Então uma coquinha de 200ml saía por 50 centavos, 1 real. O cara ia na plataforma do iFood, pedia cinco, seis, sete. Estourava de entrega. Só que os estabelecimentos não tavam tendo os recursos de volta, não tavam recebendo. E na época também não tinha o código de coleta, o código pra pegar com o cliente. Então tinha muita gente que agia de má fé, e aí o pedido sumia… Então os estabelecimentos também estavam com problema com o iFood. Isso ajudou bastante.</p>
<p>Esse estabelecimento [que falou de chamar a polícia] fica próximo da [rodovia] Dutra e de uma base da Polícia Federal, e esses policiais vão muito lá. E vai Polícia Militar também, então ele se achou no direito de fazer isso. Só que não adiantou nada.</p>
<p><strong>Leo</strong>: Os estabelecimentos então nem chegaram a pressionar os motoboys para o fim da greve?</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-157700" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-part-iv-inverno-1994.jpgPinterestSmall-181x300.jpg" alt="" width="381" height="633" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-part-iv-inverno-1994.jpgPinterestSmall-181x300.jpg 181w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-part-iv-inverno-1994.jpgPinterestSmall.jpg 210w" sizes="auto, (max-width: 381px) 100vw, 381px" /></p>
<p><strong>Cabeça</strong>: Não, não, não [não chegaram a pressionar] O fim da greve só aconteceu mesmo devido a gente ter conseguido… Aqui em São José na época da greve existia uma promoção, só que essa promoção era limitada. Tipo num raio de 3 km, de um ponto da cidade. Então se você fosse pegar um pedido desse ponto da cidade e fosse entregar pra outro, lá tocava entrega mas não tocava promoção. Era promoção de 1,50 ou 2 reais, alguma coisa assim. E aí como a gente ficou seis dias parados, a negociação foi assim: &#8216;vocês soltam promoção pra gente, pra gente recuperar esses seis dias aí, durante o final de semana inteiro mas pra cidade inteira, qualquer parte da cidade&#8217;. E aí eles aceitaram esse acordo e aceitaram fazer uma reunião com a gente presencialmente.</p>
<p><strong>Leo</strong>: Essa era uma questão que eu ia fazer. Quais foram os resultados da greve? Teve a reunião dia 28 de setembro de 2021. Saiu alguma coisa da reunião do dia 28?</p>
<p><strong>Cabeça</strong>: Da reunião do dia 28 saiu a taxa mínima, o valor da taxa mínima. Só que só foi reajustado no ano seguinte.</p>
<p><strong>Leo</strong>: Fizeram esse compromisso na reunião de ajustar a taxa mínima.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-157701" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-primavera-1995.jpgPinterestSmall-179x300.jpg" alt="" width="379" height="633" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-primavera-1995.jpgPinterestSmall-179x300.jpg 179w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-primavera-1995.jpgPinterestSmall.jpg 210w" sizes="auto, (max-width: 379px) 100vw, 379px" /></p>
<p><strong>Cabeça</strong>: Isso, fizeram esse compromisso com a gente. Depois teve o Fórum dos entregadores [Fórum organizado pelo iFood] no final do ano, que foi onde a gente pressionou também. Mas o reajuste foi só no ano seguinte que teve. Na época a gente tava brigando também… era a taxa mínima, o fim dos bloqueios indevidos, a promoção &#8211; a gente conseguiu a liberação da promoção pra cidade inteira &#8211; , e o código de coleta. Essas quatro foram coisas que a gente conseguiu conquistar. Não através dessa reunião especificamente. Essa reunião a gente conseguiu só o valor da taxa mínima. Esses outros pontos que falei a gente foi conseguindo depois, no decorrer. Lá no Fórum dos entregadores a gente conseguiu tudo isso daí. Só que também o iFood demorou. Demorou um ano pra soltar o reajuste. O código de coleta eles colocaram até rápido. O fim dos bloqueios demorou um pouco, mas conseguimos recuperar essas contas de pessoas bloqueadas indevidamente. Fizemos um acordo com o iFood e o iFood deu uma oportunidade de novo pra esse pessoal. E foi isso.</p>
<p><strong>Leo</strong>: Essa questão dos bloqueios indevidos, como é que está isso hoje em dia? Melhorou bastante em relação ao iFood pelo menos, com o fato também de ter o código? Aqueles problemas que davam com os clientes, melhorou bastante ou continua mais ou menos…?</p>
<p><strong>Cabeça</strong>: Melhorou. Melhorou muito isso daí. Melhorou demais, por causa do código de coleta. A gente tem um código de coleta que a gente passa pro estabelecimento e pegamos um código com o cliente, que é os quatro últimos números do telefone. Quando colocou esse negócio do código aqui em São José caiu de uns 90 pra uns 10%. Não vi mais os caras reclamando aqui em São José &#8216;ah minha conta foi bloqueada&#8217;. Teve um ou outro que teve a conta bloqueada, mas quando a gente descobriu foi porque o cara que fez coisa errada mesmo. Injustamente hoje em dia nem se ouve mais falar disso.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-157695" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-estate-1995-1.jpgPinterestSmall-205x300.jpg" alt="" width="305" height="446" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-estate-1995-1.jpgPinterestSmall-205x300.jpg 205w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-estate-1995-1.jpgPinterestSmall.jpg 210w" sizes="auto, (max-width: 305px) 100vw, 305px" /></p>
<p><strong>Leo</strong>: Ocorreram outras paralisações depois daquela aí em São José dos Campos?</p>
<p><strong>Cabeça</strong>: Depois daquela paralisação de seis dias, houve uma paralisação esse ano. Depois daquela de seis dias foi muito difícil parar de novo. Porque o iFood liberou um monte de conta, não teve mais problema com bloqueio, essas coisas. E então a rapaziada pegou e ficou de boa: &#8216;tá de boa pra trabalhar, tá sossegado&#8217;. Agora nessa paralisação que teve foi de dois dias. Até porque muitas pessoas que participaram do breque de seis dias, a maioria não está mais trabalhando de motoboy. Muitos já saíram fora já. Porque foi na época de pandemia, logo depois da pandemia a greve, então tinha muita gente que era de fábrica, essas coisas, que tava rodando com a gente. Mas esse [Breque nacional] que teve agora do dia 31 de março ao dia 1º de abril, a gente conseguiu fazer tranquilo. Só que a gente tomou a decisão, todos nós… perguntei pro pessoal &#8216;ei pessoal vai fazer a greve de um dia, vai fazer a paralisação nacional ou a gente vai ficar mais dias?&#8217;. Teve uma porcentagem de pessoas que queria ficar mais dias. A gente fez uma votação e de 150 motoboys, 50 queria fazer mais dias e os outros 100 não. E como a gente sempre teve uma democracia, o que vale é o maior, o que der maior voto já era. E o que acontece, se eu levantasse a mão primeiro, eu ia puxar todo mundo. Aí pensei, &#8216;não, não vou levantar a minha mão, vou deixar o pessoal votar pra eu depois dar o meu voto&#8217;. Porque muita gente vai no embalo. Aí deu essa votação, 100 pessoas queriam participar do primeiro dia só. E foi bacana, pessoal respeitou bastante. Tivemos muita rapaziada nova, que tinha seis meses, um ano de iFood e já percebeu como o iFood tava arregaçando. E não duvido muito não se logo logo não vai ter uma paralisação também não. Porque esse aumento que o iFood deu de 1 real foi meio que uma enganação pro motoboy. Complicado. Mas, estamos esperando aí pra ver.</p>
<p><strong>Leo</strong>: Greve em geral tem os seus limites por vários fatores, né? É grana que o pessoal deixa de ganhar, que imagino que tenha sido um fator para o término. Mas além disso teve alguns outros fatores? Claro, vai desgastando, o pessoal vai cansando… Quais fatores você elencaria como determinantes praquela greve ser encerrada no sexto dia?</p>
<p><strong>Cabeça</strong>: Primeiro foi o que você falou, a questão financeira. Isso aí foi o que pegou bastante. Você tá sentado e você tá ali na base com o pessoal e você vê o pessoal com o semblante caído, preocupado porque tem algo pra pagar e tal. E o cansaço. O cansaço foi bem puxado. Porque no começo foi eu sozinho. Hoje aqui em São José eu não puxo sozinho um breque, porque hoje tenho outros aliados, que vieram comigo daquele primeiro breque [a greve de seis dias]. Mas no primeiro era tudo eu. O estabelecimento ligava, &#8216;ah, fala com o Cabeça&#8217;, &#8216;ah o iFood tá ligando, fala com o Cabeça&#8217;, &#8216;ah o motoboy tá com problema, fala com o Cabeça&#8217;. Era tudo eu, então era muita coisa pra pensar. Aí a mulher dentro de casa cobrando… Foi um negócio muito louco. Parar [a greve] foi uma decisão coletiva, não foi só minha não. A gente chegou no dia lá e falou &#8216;rapaziada, é o seguinte, o iFood entrou em contato, o iFood aceitou a nossa proposta de aumentar o valor da promoção e soltar pra cidade inteira&#8217;, porque na época era 1,50 se não me engano a promoção. E o iFood aumentou pra 3 reais a promoção. E aí o pessoal falou &#8216;ó Cabeça, a gente conseguiu o que a gente queria, a gente queria é um contato do iFood, a gente queria que o iFood desse uma atenção pra gente. A gente conseguiu uma coisa que várias capitais não tinham conseguido. O pessoal lá de São Paulo os motoboys tinham ido na porta do iFood e o iFood não deu atenção pros caras, e nós conseguimos um contato do iFood aqui. O cara falou com a gente e soltou. Então a gente cumpriu o nosso papel, vamos voltar&#8217;.</p>
<p>O cansaço falou muito alto. O estresse emocional foi cabuloso. Depois eu acho que fiquei uma semana sem falar em grupo de motoboy, sem falar com ninguém, porque foi bem puxado.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-157694" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-autunno-1995.jpgPinterestSmall-205x300.jpg" alt="" width="305" height="447" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-autunno-1995.jpgPinterestSmall-205x300.jpg 205w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-autunno-1995.jpgPinterestSmall.jpg 210w" sizes="auto, (max-width: 305px) 100vw, 305px" /></p>
<p><strong>Leo</strong>: No início de outubro daquele ano, algumas semanas após o fim da greve, foi criada a Associação aí de vocês, ou pelo menos no CNPJ, a Associação dos Motoboys do Vale do Paraíba e do Litoral Norte. Você participou da criação da Associação? E por que viram a necessidade ou acharam que era uma boa ideia criar a Associação?</p>
<p><strong>Cabeça</strong>: Na época eu não participei da criação. Fui até convidado pra participar. O cara que criou a associação, ele tava junto comigo no Buzinaço. Era eu e ele. Mas quando foi na greve do iFood eu fui sozinho, ele não me acompanhou. Até porque ele trabalha de CLT também. Aí depois ele criou essa Associação. Hoje é que a galera aqui em São José tá começando a aceitar essa Associação. Porque entrei como vice-diretor dessa Associação nesse mês de maio agora. Quando eu entrei na Associação só tinha três associados. A Associação foi criada em 2021, mas a categoria não aceita o presidente. Porque, tipo assim, não é motoboy conhecido, motoboy visto. Ele é um cara que trabalha de CLT e faz uns bicos de moto. Então a rapaziada não aceitou. Agora que eu entrei como vice-diretor, puxei uns meninos que participaram comigo da greve, hoje a Associação tá com 89 pessoas. Graças a Deus. Já conseguimos dar uma erguida nela. E estamos devagar, mas hoje a gente entende que pra gente conseguir conquistar alguma coisa a gente precisa de uma Associação. Isso aí a gente vê pelos outros estados e cidades. Teve uma época logo depois da greve, no mesmo ano da greve, que o iFood ofereceu me ajudar a criar uma Associação aqui na minha cidade, me ofereceram uma base de OL e tudo. Mas não aceitei. Não aceitei porque achei que se eu aceitasse eu estaria me vendendo pra eles. Então eu procurei não aceitar isso daí. Que nem outros colegas meus que acabaram aceitando em outros estados, infelizmente. Hoje a gente entende que a gente precisa de uma Associação pra conquistar algo pra categoria. Hoje através dessa Associação a gente conseguiu aqueles bolsões em frente do semáforo pra moto. A gente conseguiu também a faixa azul [faixa exclusiva pra motos]. Já tem um ano que ela foi aprovada, só não colocaram ainda, estamos pressionando eles.</p>
<p><strong>Leo</strong>: Ela serve para ser uma referência, na hora que tem que dialogar com o poder público, essas coisas, né?</p>
<p><strong>Cabeça</strong>: Até o próprio iFood tinha falado pra gente que só ia conversar com a gente quando a gente tivesse uma Associação, que ele não conversaria mais diretamente com entregador.</p>
<p><strong>Leo</strong>: Na greve de vocês, vocês conseguiram parar mesmo os estabelecimentos. Eu não sei se em Jundiaí e Paulínia eles tiveram essa mesma capacidade.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-157696" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-estate-1995.jpgPinterestSmall.jpg" alt="" width="310" height="443" /></p>
<p><strong>Cabeça</strong>: Eles tiveram um êxito bastante bom. Se eu não me engano Paulínia teve apoio dos estabelecimentos. Os estabelecimentos apoiaram. Jundiaí eu sei que teve um probleminha, mas os caras conseguiram segurar. Mas sei que Paulínia foi, modo de dizer, um pouco mais fácil porque eles tiveram os estabelecimentos do lado.</p>
<p><strong>Leo</strong>: O que que você acha que fez essa diferença aí em São José dos Campos ou mesmo nessas cidades que você teve algum contato com o pessoal &#8211; Jundiaí, Paulínia &#8211; para conseguir fazer essa greve de seis dias? Qual o “segredo”? Porque na maioria das cidades já é difícil paralisar um dia, dois. Por que vocês acham que conseguiram fazer essa diferença aí?</p>
<p><strong>Cabeça</strong>: Creio eu que o que fez a diferença da gente conseguir segurar bastante tempo essa greve foi justamente devido aos problemas que estavam tendo aqui na cidade. Questão de bloqueios, estabelecimentos maltratando o motoboy. Porque essa greve também foi pra gente poder dar um choque de realidade nos estabelecimentos, porque a gente tava tendo muito problema com estabelecimento aqui. Eles estavam maltratando a gente demais. Qualquer coisinha eles falavam que iam mandar pro iFood bloquear a conta. Aí o cara já ficava com medo. E tinha um estabelecimento aqui em São José, que o irmão da dona do estabelecimento trabalhava dentro do iFood, então teve muita conta boqueada devido a esse estabelecimento. E foi um dos estabelecimentos que a gente travou e travou mesmo. Inclusive eu fui lá pessoalmente nesse estabelecimento, porque eu falei pros caras: &#8216;eu não tenho medo de ser bloqueado, se eu for bloqueado eu boto os caras todos no pau&#8217;. Então isso serviu também. O porquê deu certo é porque todo mundo pensou a mesma coisa: &#8216;tamo fodido, fodido e meio, vamo embora, botar o pé na jaca&#8217;. Foi isso. Não tem um “por que” assim.</p>
<p>As outras cidades eu creio que tentaram fazer também uma greve longa porque, por São José dos</p>
</div>
<div class="level3" style="text-align: justify;">
<p>Campos ter sido a primeira cidade que fez a greve mais longa da história dos motoboys, foi a primeira cidade que conseguiu contato diretamente com o iFood e com a Associação das plataformas, que é a Amobitec. A Amobitec também entrou em contato comigo. Então a gente foi a primeira que conseguiu. Na cabeça dos caras foi &#8216;bom, se os caras conseguiram promoção pra cidade, pra gente conseguir também vamos ter que fazer a mesma coisa&#8217;. E o iFood entendeu isso e depois soltou a nota dizendo pro pessoal que não ia mais entrar em contato com ninguém, que ia criar um Fórum dos entregadores e isso e aquilo e tal, e aquela embromação…</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-157693 size-thumbnail alignleft" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/cy-twombly.jpgPortrait-70x70.jpg" alt="" width="70" height="70" /><em>As ilustrações reproduzem obras de Cy Twombly (1928-2011).</em></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Um relato das manifestações pró-Palestina na Itália</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Sep 2025 09:59:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Greves]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
		<category><![CDATA[Itália]]></category>
		<category><![CDATA[Outras_lutas]]></category>
		<category><![CDATA[Palestina]]></category>
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					<description><![CDATA[Talvez a questão palestina tenha se tornado o tema aglutinador de um conjunto de insatisfações sociais difusas. Por Pérez Gallo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Pérez Gallo</h3>
<p style="text-align: justify;">Participei, meio por acaso, da manifestação em Milão do dia 22 de setembro, amplamente repercutida internacionalmente devido aos violentos confrontos com a polícia que ocorreram na entrada Estação Central ferroviária. Eu estava na Alemanha durante a semana anterior, onde participava de um evento acadêmico e, sendo eu originário da Itália, decidi estender minha viagem mais uns dias em Milão, para visitar amigos e familiares. Cheguei na noite da sexta-feira, dia 19, e logo me pareceu que o clima era diferente do habitual — mais tenso, em expectativa. O genocídio palestino, de fato, é um tema muito forte no debate italiano, seja pela presença de uma importante comunidade árabe e palestina no território, seja pela proximidade geográfica e geopolítica. Mas também — acredito eu — porque na questão palestina chegaram a convergir, nos últimos anos, esperanças de retomada de alguma movimentação depois de mais de uma década de refluxo das lutas. Refluxo que em Milão se sente mais forte ainda: uma cidade completamente dominada pela <em>gentrification</em> e a especulação imobiliária, pelos grandes eventos de moda e as feiras de comida gourmet, pelo encarecimento do transporte urbano e um ritmo econômico (e de exploração) a todo vapor. E onde, faz tempo, as lutas sociais são algo meio ausente do horizonte da vida urbana.</p>
<p style="text-align: justify;">No próprio dia 19, na hora em que eu voltava do aeroporto, estava em curso um pequeno ato e paralisação organizado pela CGIL, a maior confederação sindical, em solidariedade à Gaza. Ao contrário do que se poderia pensar, a decisão da CGIL não foi a corajosa escolha de organizar uma greve política, mas a tentativa covarde de recuperar a luta, adiantando a greve que já havia sido marcada para o dia 22 pelos sindicatos de base USB, Cobas, ADL Cobas, CUB, SGB, sob impulso do coletivo de trabalhadores portuários de Gênova. A ideia seria fazer uma paralisação de apenas duas horas, na parte da tarde de uma sexta feira, e não aderir — e desta forma enfraquecer — a outra marcada para o dia inteiro da segunda-feira (um dia no qual um bloqueio faz muito mais prejuízo). A manobra, aparentemente, não deu certo. Durante todo o fim de semana, pessoas no meu entorno — até mesmo muitos conhecidos meus que não participavam de uma manifestação há 15 anos — não paravam de falar do próximo ato do dia 22. Era prevista chuva, e isso gerava dúvidas sobre o êxito da mobilização.</p>
<p style="text-align: justify;">Na manhã da segunda-feira, de fato, a chuva caía intensa e constante. Apesar disso, já ao chegar em Piazza Cadorna um pouco antes do horário marcado para a concentração, dava para saber que o ato seria grande. Milhares de pessoas iam se acumulando sob os guarda-chuvas, ao ponto de quando a frente do ato começou a se mover, na praça ainda estava chegando gente. A manifestação, com mais de 50.000 pessoas, foi desfilando de maneira confusa por quase 5 quilômetros até a Estação Central, não sem antes realizar um desvio para passar na frente do consulado dos Estados Unidos, onde foram queimadas as bandeiras dos EUA, de Israel, da União Europeia e da OTAN. O que me surpreendeu, talvez por ter ficado muitos anos afastado das manifestações italianas, foi a composição política do ato, ou seja, a não divisão em blocos organizado pelas entidades e os centros sociais, mas sim uma longa serpente humana heterogênea e indefinida, todos atrás de um único carrinho de som do sindicato USB, na qual se misturava a composição social: de estudantes e aposentados, imigrantes árabes, jovens secundaristas de periferia e famílias com crianças, trabalhadores e classe média, com aqui e acolá grupinhos que faziam alguma intervenção específica, como um grupo de fanfarras e os trabalhadores da saúde sob a faixa de “sanitários por Gaza”. Em geral, me pareceu também um ato pouco barulhento, quase silencioso em momentos, como se a falta de caixa de som deixasse mais espaço para o vazio atroz do momento que estamos vivendo.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DO6jl2KDJNA/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p>&nbsp;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DO6jl2KDJNA/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by MIM (@milanoinmovimento)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Ato de Milão visto de cima<br />
<script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script></em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ao chegar, por volta das 13 horas, na praça da Estação Central, a sensação geral foi de estranhamento: o ato parecia ter acabado, mas a gente ainda não tinha bloqueado nada, enquanto chegavam notícias de ocupações de estações, rodovias e portos em outras cidades. A polícia estava com um enorme contingente alinhado para a defesa da estação e parecia loucura tentar desafiá-los, além do fato de que nenhum grupo parecia ter se organizado para isso. Pouco a pouco, todavia, frustrações e expectativas foram levando um grupo de pessoas a descer as escadas do metrô, de onde teria uma passagem para a estação por via subterrânea. Logo abaixo, porém, estava outro contingente policial. A pressão foi se acumulando, até que com muita gritaria e alguns empurrões, conseguimos entrar na parte de baixo da estação. Dali, porém, para chegar a ocupar os trilhos, a gente precisava subir até o andar de cima por uma escada rolante, acima da qual começou o confronto, que continuou nas portas de vidro da hall da estação, defendida pelos policiais e completamente destruídas pelos manifestantes. Finalmente, a polícia começou lançar bombas de gas lacrimogêneo, muitos na altura do rosto. A batalha durou uma hora e meia dentro da estação mais umas duas horas na via Vittor Pisani, a grande avenida do lado de fora, com a polícia avançando e a galera resistindo, sem recuar, lançando pedras e outros objetos. Apesar de não ter chegado aos trilhos, por um bom tempo a estação ficou fechada, com os trens que, já acumulando atrasos de mais de duas horas devido à greve, por um tempo pararam de vez de passar pela estação. Pelo que li depois, a participação nos confrontos mais acesos foi de um milhar de pessoas, com outros tantos apoiando do lado de fora. O saldo foi de 60 policiais feridos, com 24 hospitalizados, 11 manifestantes detidos (entre eles dois menores de idade), e uns dez levados embora pela ambulância. Me surpreendeu realmente a disposição da galera: não lembro, desde que era adolescente, uma manifestação com esse tipo de confrontos tão demorados e ao mesmo tempo sem preparação prévia. No passado, o mais comum eram confrontos “performáticos” da galera das ex <em>tute bianche</em>, com um pouco de corpo a corpo das primeiras linhas com a polícia para ter foto na mídia e depois recuo, ou momentos de <em>riot</em> mais planejados, com queima de carros no meio do ato por parte de um grupo menor mas completamente desconectado com o sentimento geral da manifestação, como ocorreu na grande manifestação “No Expo” de 1º de maio de 2015. De lá para cá, o deserto.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DO6hXCqAP2w/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p>&nbsp;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DO6hXCqAP2w/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by Federação Árabe Palestina (@fepal_brasil)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Vídeos do confronto</em><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Se Milão, pelo seu desfecho violento, foi o centro das notícias e das imagens que passaram na mídia e nas redes — e obviamente repercutida pela primeira ministra Giorgia Meloni, que em momento nenhum atacou a barbárie israelense em Gaza com a mesma dureza que dedicou aos “vândalos de Milão” —, no resto da Itália a jornada de luta também foi gigante. Segundo o sindicato USB, a participação nos atos foi de mais de 1 milhão de pessoas em 84 cidades.</p>
<p style="text-align: justify;">Em Roma, de 200 a 300 mil pessoas desfilaram durante 8 horas, por 10 quilômetros, pelas ruas da cidade, cercando a Estação de Termini (a maior da cidade), provocando o momentâneo bloqueio do trânsito ferroviário, e ocupando o campus universitário de La Sapienza e o anel rodoviário Leste durante horas em ambas direções. Lá, muitos dos motoristas parados no trânsito, reagiram não com raiva mas com aplausos, buzinas e manifestações de cumplicidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/NnNe1MzD2_4?si=l4MwbHI_3XiygMhn" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Apoio dos motoristas à manifestação</strong><br />
</em></p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DO51pJfjNPJ/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p>&nbsp;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DO51pJfjNPJ/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by Welcome to Favelas (@welcometofavelas)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Manifestação em Roma vista de cima<script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script></em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Outra manifestação enorme foi em Bolonha, com 50.000 pessoas enchendo as ruas do centro para depois ocupar o anel rodoviário, onde houve repressão policial com quatro pessoas detidas.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-captioned="" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/DO5i_llCCTG/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p>&nbsp;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/p/DO5i_llCCTG/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by HubAut Bologna (@hubautbologna)</a></p>
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<p><strong><em><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script>Ato em Bolonha</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/6dD2wHPrU-c?si=imycw_5Ag6L3Dwtl" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe>Confrontos no anel rodoviário em Bolonha</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Atos de 15 a 20 mil pessoas ocorreram também em Nápoles e Turim (onde foi ocupada a estação ferroviária); Gênova (com a ocupação do porto); e em Veneza, onde os centros sociais do Nordeste foram bloquear Porto Marghera e tiveram confrontos com a polícia que fez uso de jatos de água.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/HhCYfSOTMdQ?si=lEA5lhXiMEkB7Hpr" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></strong></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Veneza</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Outros confrontos e detenções ocorreram em Brescia, na tentativa dos 10.000 manifestantes de ocupar a estação ferroviária depois de bloquear o metrô da cidade, enquanto um número similar de pessoas desfilou em Palermo, Florença e Pisa. Nesta última cidade, os manifestantes conseguiram bloquear a rodoviária, a estação de trens e até mesmo a rodovia Firenze-Pisa-Livorno. Cinco mil pessoas tomaram as ruas em cidades do sul como Cagliari, Catania e Bari. Houve também bloqueios e interrupções em outras importantes terminais portuárias como as de Trieste, Ravenna, Ancora, Civitavecchia e Salerno. Em Livorno o bloqueio da terminal Valessini se transformou em um protesto permanente visando o dia seguinte, quando era esperada a passagem de um navio cargueiro norte-americano dirigido a Israel.</p>
<p style="text-align: justify;">Em seu conjunto, a jornada foi sem dúvida exitosa e surpreendente. Surpreendente em primeiro lugar porque a Itália tinha ficado afastada dos últimos ciclos de revoltas globais. Os movimentos sociais estão totalmente fragmentados, e o que tem imperado entre os camaradas nos últimos anos é uma sensação constante de desilusão e impotência, sentimentos acrescidos, nos últimos tempo, pela ascensão de um governo de extrema-direita. Sim, desde o começo do genocídio na Palestina, as ocupações nos campi universitários tinham mostrado certa reativação da composição juvenil, certamente dominante também nas manifestações da segunda-feira mas extremamente reduzida em termos demográficos naquilo que é o segundo país mais idoso do mundo. Ao mesmo tempo, sob impulso da pequena organização dos Jovens Palestinos, os protestos em solidariedade com Gaza tem adquirido certa frequência, chegando a ser, no caso de Milão, até mesmo semanais, com alguns pequenos atos que acontecem todos os sábados. Possivelmente, a saída da Global Sumud Flotilla deve ter dado alguma inspiração, assim como o movimento francês “bloqueemos tudo”, surgido nas últimas semanas contra as políticas de Macron. Quiçá a indignação tenha ultrapassado algum limiar com a escalada da “solução final” do holocausto palestino posta em marcha por Israel nos últimos meses. E quiçá a questão palestina tenha se tornado, hoje em dia, o principal tema aglutinador de um conjunto de insatisfações sociais difusas. Talvez ela seja, hoje, <a class="urlextern" title="https://ilmanifesto.it/palestina-e-il-nome-del-nostro-scontento" href="https://ilmanifesto.it/palestina-e-il-nome-del-nostro-scontento" rel="ugc nofollow">“o nome do nosso descontentamento”</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Exitosas foram sem dúvidas as manifestações, mas sobretudo a escolha estratégica dos bloqueios das principais vias de comunicações. Muito rapidamente, a partir dos bloqueios dos portuários dos navios carregados de armas e munições para abastecer diretamente o exército israelense, chegou-se a entendimento que toda a logística da guerra é inseparável da logística do capitalismo global nessa sua etapa destrutiva. Se os gargalos dos transportes e das comunicações de mercadorias e pessoas configuram o esqueleto material da economia global, surgiu o entendimento que é a partir dali que seria quiçá possível exercer algum tipo de “contrapoder” à barbárie fascista.</p>
<p style="text-align: justify;">Menos exitoso, todavia, foi o resultado da paralisação em sentido estrito. Diante da convergência entre as dificuldades evidentes de realizar uma greve “política” (de fato, essa foi a primeira experiência desde que começou o genocídio em Gaza) e a covardia da CGIL e das outras grandes confederações sindicais, que tem hegemonia de filiados na produção e no público emprego, a taxa de adesão parece ter sido <a class="urlextern" title="https://www.tag24.it/1353021-dati-adesione-sciopero-generale-per-gaza-22-settembre-la-percentuale" href="https://www.tag24.it/1353021-dati-adesione-sciopero-generale-per-gaza-22-settembre-la-percentuale" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">abaixo de 10%</a> em muitos setores, com prováveis exceções no setor da educação pública e em alguns setores da circulação, que em algumas cidades aderiram em peso. Isso abre muitas perguntas sobre se é possível paralisar a vida econômica sem a adesão em massa da classe trabalhadora organizada, mas conseguindo atingir os principais gargalos da economia global. Em tempos em que arrocho salarial, desemprego, chantagem nos locais de trabalho, precarização do emprego, direções sindicais pelegas, tornam mais difícil o efetivo exercício do instrumento da greve, até que ponto uma revolta bem efetiva pode se tornar ela mesma uma forma de paralisação geral?</p>
<p style="text-align: justify;">Mas a principal pergunta, aqui e agora, é saber se esse novo movimento terá a força e a capacidade de seguir em frente, de crescer, de colocar em crise um governo Meloni que até agora ainda navega com algum grau de consenso, e sobretudo de transboradar para outros países para dar um aporte real ao fim do genocídio em curso. Conforme anunciado pelo coletivo de portuários de Gênova, a atual greve foi lançada como ensaio geral para o momento em que houvesse algum tipo de agressão à Global Sumud Flotilla, que nesses mesmos dias está se aproximando da Faixa de Gaza. Caso isso venha a ocorrer, os portuários já ameaçaram que não irão carregar “nem sequer um prego” e parariam “a Europa inteira”. O tempo nos dirá. Por agora, ficamos com a sensação que por uma vez, levantamos a cabeça, vencemos a resignação. Quiças seja apenas por um lampejo, uma sensação de que, juntos nas ruas, podemos ainda nos sentir vivos. Que ainda podemos gritar, mesmo que quase não faça sentido dado o nível da tragédia presente, que “os povos em revolta escrevem sua história, intifada até a vitória!”.</p>
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		<title>O que a greve dos caminhoneiros de 2018 nos diz</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Sep 2025 11:30:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Greves]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho_e_sindicatos]]></category>
		<category><![CDATA[Transportes]]></category>
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					<description><![CDATA[O fator mais importante do que as variáveis econômicas e político-institucionais  é relação com a ação coletiva dos trabalhadores. Por Leo Vinicius]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Leo Vinicius</h3>
<p style="text-align: justify;">A greve nacional dos caminhoneiros em 2018 durou onze dias, e com mais de 750 bloqueios de estradas, teve um impacto imenso na economia do Brasil. Estima-se que reduziu 0,2% do PIB e tenha causado perdas de 75 a 100 bilhões de reais. No entanto, essa impressionante demonstração de força e de imenso potencial de barganha resultante da posição estratégica dos caminhoneiros no fluxo da produção e circulação de mercadorias, não se reverteu e não tem se revertido em condições de trabalho e remuneração. As demandas, que giravam em torno do preço do diesel e do preço dos fretes, foram atendidas de forma pouco efetiva. A redução do preço do diesel durou apenas seis meses e, apesar de uma tabela de frete mínimo ter virado lei, ela sofreu suspensões judiciais e hoje depende de vontade e capacidade do governo da vez de fiscalizar e usar seu poder coercitivo para que a tabela tenha efeito real.</p>
<p style="text-align: justify;">Jörg Nowak escreveu um artigo enquanto a tabela do frete estava suspensa judicialmente &#8211; publicado em 2022 &#8211; em que argumenta, com base no exemplo dessa greve e de seus resultados, que o poder estrutural ou estratégico de uma categoria de trabalhadores não é explicativo ou preditivo, ou não suficientemente explicativo ou preditivo, das conquistas materiais dessa categoria <strong>[1]</strong>. Poder estrutural ou poder estratégico entendido como o poder de um grupo ou categoria de trabalhadores de paralisar o processo ou fluxo produtivo devido a sua posição nesse processo ou fluxo. Nowak tenta mostrar que uma análise da economia política envolvendo o setor é necessária para explicar o pouco resultado daquela greve dos caminhoneiros.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-157575" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/WhatsApp-Image-2018-05-23-at-08.46.26.jpeg" alt="" width="1280" height="960" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/WhatsApp-Image-2018-05-23-at-08.46.26.jpeg 1280w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/WhatsApp-Image-2018-05-23-at-08.46.26-300x225.jpeg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/WhatsApp-Image-2018-05-23-at-08.46.26-1024x768.jpeg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/WhatsApp-Image-2018-05-23-at-08.46.26-768x576.jpeg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/WhatsApp-Image-2018-05-23-at-08.46.26-560x420.jpeg 560w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/WhatsApp-Image-2018-05-23-at-08.46.26-80x60.jpeg 80w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/WhatsApp-Image-2018-05-23-at-08.46.26-100x75.jpeg 100w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/WhatsApp-Image-2018-05-23-at-08.46.26-180x135.jpeg 180w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/WhatsApp-Image-2018-05-23-at-08.46.26-238x178.jpeg 238w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/WhatsApp-Image-2018-05-23-at-08.46.26-640x480.jpeg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/WhatsApp-Image-2018-05-23-at-08.46.26-681x511.jpeg 681w" sizes="auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px" />Certamente o nível de conquistas de uma categoria de trabalhadores é determinado por uma equação complexa, cujas variáveis não são apenas a dimensão da ação coletiva e a posição estratégica ou não dessa categoria no fluxo de produção e circulação (o poder de barganha de local de trabalho). Há uma série de variáveis que se reportam a contextos institucionais, econômicos, culturais, políticos, tanto setoriais quanto locais e globais. Nowak tem sem dúvida o mérito de apresentar algumas dessas variáveis e contextos explicativos, deixando claro que conseguir um impacto econômico significativo com a ação coletiva não é condição suficiente para conquistas efetivas. Porém, trago aqui a hipótese de que um fator mais importante do que as variáveis econômicas e político-institucionais apresentadas por Nowak para o fraco resultado daquela greve dos caminhoneiros, tem relação sim com a ação coletiva dos trabalhadores.</p>
<p style="text-align: justify;">Peguemos o conceito de <em>capacidade de gerar disposição de agir</em>, de Claus Offe e Helmut Wiesenthal. No modelo deles, uma organização dos trabalhadores exerce poder através da capacidade de gerar disposição de agir de seus membros <strong>[2]</strong>. Geralmente esse poder se exerce na forma de sanção ao capital por meio da paralisação da produção. Para os objetivos de Offe e Wiesenthal, não era necessário pensar essa capacidade de gerar disposição de agir ao longo do tempo. Porém, na prática a questão que se coloca é que a capacidade de gerar disposição de agir varia no tempo. Disposição de agir por quanto tempo? Em quais intervalos de tempo? Em termos matemáticos, para calcular o poder dessa organização ou categoria de trabalhadores seria necessário calcular a integral da capacidade de gerar disposição de agir num intervalo de tempo.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-157573" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/greve-SO-Ajus-1080x675-1.png" alt="" width="1080" height="675" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/greve-SO-Ajus-1080x675-1.png 1080w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/greve-SO-Ajus-1080x675-1-300x188.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/greve-SO-Ajus-1080x675-1-1024x640.png 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/greve-SO-Ajus-1080x675-1-768x480.png 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/greve-SO-Ajus-1080x675-1-672x420.png 672w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/greve-SO-Ajus-1080x675-1-640x400.png 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/greve-SO-Ajus-1080x675-1-681x426.png 681w" sizes="auto, (max-width: 1080px) 100vw, 1080px" />O que a greve dos caminhoneiros de 2018 e seus resultados talvez nos apontem, é que a capacidade de efetivar mobilização disruptiva da produção quando se quer ou quando se acha necessário &#8211; ou pelo menos a capacidade de fazer o adversário achar que a categoria possui esse poder de paralisar com certa frequência &#8211; , é mais importante do que uma mobilização gigantesca e com ares de revolta. Na medida que os patrões e o Estado não acreditam que ela possa ser desencadeada novamente por organização da categoria, o potencial de reverter em ganhos para a categoria se mantém relativamente reduzido, mesmo que tenha causado bilhões em prejuízo. Um caso que também fortalece essa hipótese é o do pior lançamento de ações na bolsa de valores da história do Reino Unido, no qual estima-se que a Deliveroo tenha deixado de capitalizar cerca de 2 bilhões de libras, resultado de uma campanha sindical. Apesar dessa desastrosa capitalização, isso não reverteu diretamente e nem proporcionalmente em conquistas para os entregadores. Pode-se supor que acabou sendo mais uma em um somatório de ações dos entregadores, uma vez que essa “perda” de 2 bilhões não poderia ocorrer uma segunda vez.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa dimensão temporal, de continuidade ou frequência da ação coletiva, é determinante do poder dos trabalhadores e dos resultados obtidos. Em última análise, é a percepção por parte do Estado e dos patrões da capacidade da organização dos trabalhadores de gerar disposição de agir ao longo do tempo, que irá predispô-los a concessões. Podemos supor que essa percepção é influenciada não apenas pela disposição de agir da categoria de trabalhadores em questão, mas também pelo estado de força da classe trabalhadora como um todo na sociedade. Períodos históricos de ascensão das lutas e da hegemonia da classe trabalhadora na sociedade tendem a forjar um contexto social e político em que as reivindicações dos trabalhadores são melhor aceitas e incorporadas às estratégias de aumento da produtividade e de crescimento econômico.</p>
<p style="text-align: justify;">Em suma, a hipótese aqui exposta, portanto, é que a capacidade de gerar disposição de agir de uma ou de várias organizações de trabalhadores, <em>quando se deseja ou se considera necessário</em>, é tão ou mais importante do que a dimensão do prejuízo de uma mobilização pontual aos patrões ou à economia.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>Notas</strong></h4>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1]</strong> Nowak, J. (2022). Do choke points provide workers in logistics with power? A critique of the power resources approach in light of the 2018 truckers&#8217; strike in Brazil, <em>Review of International Political Economy</em>, 29:5, 1675-1697, DOI: 10.1080/09692290.2021.1931940</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[2]</strong> Offe, C. &amp; Wiesenthal, H. (1984). Duas lógicas de ação coletiva: anotações teóricas sobre classe social e forma organizacional. In: Offe, C. (1984). Problemas Estruturais do Estado Capitalista. (pp. 56-118). Tempo Brasileiro.</p>
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