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	<title>Greves &#8211; Passa Palavra</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>[RJ] UERJ: Calendário de lutas dos vigilantes e auxiliares administrativos da Conquista</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Mar 2026 20:08:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Movimentos em Luta]]></category>
		<category><![CDATA[Greves]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho_e_sindicatos]]></category>
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					<description><![CDATA[Funcionários terceirizados que pretam serviço para a UERJ, denunciam atrasos no salário. Por Invisíveis]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Invisíveis</h3>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/DVWSEt1DnKW/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p>&nbsp;</p>
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<div style="color: #3897f0; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: 550; line-height: 18px;">Ver essa foto no Instagram</div>
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<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/p/DVWSEt1DnKW/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">Um post compartilhado por Invisíveis (@invisiveistrabalhador)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script>CALENDÁRIO DE LUTAS CONTRA CALOTES EM SALÁRIOS DE VIGILANTES E AUXILIARES ADMINISTRATIVOS PELA <a class="x1i10hfl xjbqb8w x1ejq31n x18oe1m7 x1sy0etr xstzfhl x972fbf x10w94by x1qhh985 x14e42zd x9f619 x1ypdohk xt0psk2 x3ct3a4 xdj266r x14z9mp xat24cr x1lziwak xexx8yu xyri2b x18d9i69 x1c1uobl x16tdsg8 x1hl2dhg xggy1nq x1a2a7pz notranslate _a6hd" tabindex="0" role="link" href="https://www.instagram.com/conquista.grupo/">@conquista.grupo</a> NA UERJ</p>
<p>2 e 3 de março: 9h rua Teixeira Ribeiro 229.na sede da empresa, para cobrar o pagamento, já que a diretoria disse que tem &#8220;explicações&#8221;. com o <a class="x1i10hfl xjbqb8w x1ejq31n x18oe1m7 x1sy0etr xstzfhl x972fbf x10w94by x1qhh985 x14e42zd x9f619 x1ypdohk xt0psk2 x3ct3a4 xdj266r x14z9mp xat24cr x1lziwak xexx8yu xyri2b x18d9i69 x1c1uobl x16tdsg8 x1hl2dhg xggy1nq x1a2a7pz notranslate _a6hd" tabindex="0" role="link" href="https://www.instagram.com/sindicatodosvigilantesrj/" target="_blank" rel="noopener">@sindicatodosvigilantesrj</a></p>
<p>3 de março: 18h, reunião online para pensar a mobilização e luta com trabalhadores terceirizados (link por dm) CHAMANDO ESTUDANTES, PROFESSORES, SERVIDORES E MAIS QUISER APOIAR A LUTA.</p>
<p>12 de março, 18h no hall do queijo, UERJ MARACANÃ: contra o calote da empresa CONQUISTA,<br />
REITORIA deve pagar salários!</p>
<p>3 MESES SEM SALÁRIO PARA VIGILANTES A E 2 MESES PARA AUXILIARES ADMINISTRATIVOS!</p>
<p>Não ESPERE articulação com Ministério do Trabalho, que é do presidente, que vai demorar para exigir decisão do poder judiciário! PROTESTE E PARALISE!</p>
<p>REITORIA GULNAR E DEUSDARÁ se coloca como &#8220;boazinha&#8221; por ter pago todas as FATURAS para a empresa CONQUISTA. MAS ELA QUE CONTRATOU UMA EMPRESA ENVOLVIDA EM CORRUPÇÃO E QUE DÁ CALOTES CONSTANTES EM TRABALHADORES TERCEIRIZADOS!</p>
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		<title>&#8220;As pessoas lutam onde estão&#8221;: entrevista com Joshua Clover</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/02/158726/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Feb 2026 14:37:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ideias & Debates]]></category>
		<category><![CDATA[Greves]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho_e_sindicatos]]></category>
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					<description><![CDATA[Entrevista realizada em 2024 com Joshua Clover sobre revoltas, greves e comunas que já existem agora.   Por Ronja Mälström]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="level3">
<h3 style="text-align: justify;"> Por Ronja Mälström</h3>
<p style="text-align: justify;"><em>“Riot. Strike. Riot</em> : <em>The New Era of Uprisings”</em> foi o livro que consagrou Joshua Clover como um dos principais pensadores contemporâneos sobre revoltas (<em>riots</em>) como métodos de luta política. Mantendo-se fiel às questões que teoriza, Clover acredita que teoria e prática não devem estar tão distantes uma da outra, ao contrário do que o meio acadêmico muitas vezes sugere. Por exemplo, Clover oferece treinamentos sobre “Conheça seus direitos” para pessoas que têm pouca experiência e não conhecem os riscos legais dos protestos — ele não é alheio aos métodos de luta que analisa.</p>
<p style="text-align: justify;">Na conversa a seguir, Ronja Mälström faz a Clover todas as perguntas, por mais simples que fossem, que ela gostaria de ter feito antes de ler o livro dele. Como você verá, Clover argumenta convincentemente por que as greves (<em>strikes</em>) não são mais a principal forma de luta e sobre a importância de explorar métodos políticos que alguns podem considerar desconfortáveis ​​ou perigosos. Sua perspectiva oferece uma estrutura para entendermos as formas pelas quais as pessoas lutam por justiça e pela paz, tanto hoje quanto historicamente. Começando pelo motivo pelo qual as pessoas lutam, em primeiro lugar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>JOSHUA CLOVER</strong>: Minha primeira regra absoluta é que as pessoas enfrentam seus problemas onde estão. Eu não ofereço soluções prontas, nem digo: “Não, vá para lá e faça isso”. As pessoas lutam onde estão. Se você odeia seu trabalho e ele te deixa infeliz, você luta nesse espaço para mudar isso. Minha impressão é que as pessoas estão em um lugar diferente agora do que estavam na década de 1950. A era do industrialismo, do trabalho fabril, declinou, especialmente no Ocidente superdesenvolvido. Para cada vez mais pessoas, o lugar onde encontram sua própria infelicidade é frequentemente fora do trabalho, e o lugar onde elas podem ter alguma influência para mudar o mundo também é frequentemente fora do trabalho. Então, vemos mais lutas fora do ambiente de trabalho. Este é o contexto social onde eu acho que as revoltas acontecem. Para mim, o que categorizamos como uma revolta está ligado a um contexto social e histórico muito amplo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>RONJA MÄLSTRÖM: Como podemos então dar sentido a essa categoria? Por que ocorre uma revolta, como ocorre uma revolta, quando ocorre uma revolta?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Meu objetivo era criar uma categoria que abrangesse diversos tipos de eventos, em vez de uma categoria específica e restrita. Acho que há quem olhe para uma determinada revolta e diga: “Isso não é uma revolta, é um levantamento, é uma insurreição”, para lhe conferir mais legitimidade política. Mas, na minha opinião, todos são politicamente importantes, certo? Não quero selecionar algumas formas e deixar outras de lado — dizer “essa não conta, não faz parte da vida política”. Eu queria incluir tudo o que faz parte da vida política. O que eu não queria era discutir sobre palavras. Simplesmente aceitei a palavra comum “riot”<strong>[1]</strong> e decidi tentar resgatá-la como categoria política.</p>
<p style="text-align: justify;">O termo sofisticado que criei é “lutas da circulação”. Não preciso me aprofundar na economia política desse termo, exceto para dizer que “circulação” significa, mais ou menos, o mercado. Não apenas o supermercado literal, mas o mundo onde trocamos mercadorias, compramos e consumimos coisas para tentar sobreviver. Especialmente para pessoas que não têm um emprego fixo, que trabalham em casa ou, em geral, que não têm oportunidade de lutar no ambiente de trabalho. Elas ainda podem estar tendo dificuldades para sobreviver, conseguir comida para suas famílias, sentir-se seguras da polícia. Todas as coisas que acontecem na praça pública e no mercado, é lá que elas vão lutar. E é isso que uma revolta representa para mim. Qualquer tipo de luta que se desenrola nesse espaço. O mercado, a praça pública, o espaço de troca, de transporte, de consumo.</p>
<p style="text-align: justify;">As pessoas que lutam ali podem ser trabalhadores, mas não estão se apresentando <em>como</em> trabalhadores. Esse é um ponto crucial. Eu posso ter um emprego, mas se eu bloquear uma rodovia porque quero paralisar o mundo porque a situação é intolerável, não estou fazendo isso como trabalhador, mas sim como alguém que pode bloquear uma rodovia. Esses são os parâmetros da categoria que uso para definir revolta — é uma definição bastante ampla, como você pode ver. Espero que isso comece a responder à sua pergunta.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Com certeza, entendo como isso inclui métodos como ocupações, bloqueios e inúmeras outras formas de luta.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Isso é importante. Se você reduzir as revoltas a “pessoas quebrando janelas”, não será explicado nada do que está acontecendo ou como a história mudou. Mas se você começar a observar todas essas lutas — o bloqueio, a ocupação, a barricada, os tumultos e os saques — todas essas coisas juntas, e como elas mudaram, surgiram e desapareceram, você pode começar a entender uma história de luta.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158729" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/ae3ccdddc65b455fb769ff4ff63c778c.jpg" alt="" width="1692" height="2391" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/ae3ccdddc65b455fb769ff4ff63c778c.jpg 1692w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/ae3ccdddc65b455fb769ff4ff63c778c-212x300.jpg 212w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/ae3ccdddc65b455fb769ff4ff63c778c-725x1024.jpg 725w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/ae3ccdddc65b455fb769ff4ff63c778c-768x1085.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/ae3ccdddc65b455fb769ff4ff63c778c-1087x1536.jpg 1087w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/ae3ccdddc65b455fb769ff4ff63c778c-1449x2048.jpg 1449w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/ae3ccdddc65b455fb769ff4ff63c778c-297x420.jpg 297w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/ae3ccdddc65b455fb769ff4ff63c778c-640x904.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/ae3ccdddc65b455fb769ff4ff63c778c-681x962.jpg 681w" sizes="(max-width: 1692px) 100vw, 1692px" />Então, temos as lutas da circulação — o que vocês chamam de formas de resistência das quais participamos fora de nossos locais de trabalho e não como trabalhadores. E como você chamaria as lutas no local de trabalho? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Para manter nosso vocabulário pseudotécnico, se chamamos revoltas de “lutas da circulação”, deveríamos chamar as lutas no trabalho de “lutas da produção”. Lutas no local onde você produz bens, serviços ou gera lucros para o seu chefe. A greve é ​​a mais famosa delas, mas não a única. Podemos também pensar na sabotagem e desfalque no local de trabalho, operações-tartaruga e até mesmo participação em reuniões de organização sindical.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Voltando às perguntas bobas, por que as greves têm boa reputação e as revoltas, má reputação?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Depende a quem você pergunta, haha. Em geral, acho que as greves têm maior legitimidade, mesmo entre quem não participa delas. Os participantes geralmente acham que o que estão fazendo é justificado, ou pelo menos espero que sim, seja uma greve ou um protesto.</p>
<p style="text-align: justify;">Na verdade, acho que as pessoas têm um respeito bastante sensato pelo trabalho e pelos sofrimentos inerentes a ele. Elas o compreendem, inclusive as greves, nesse contexto. Muitas pessoas têm experiência com o trabalho, com salários baixos, tédio, exaustão, lesões, assédio do chefe; obrigação de trabalhar quando precisam cuidar da família. Todas essas coisas horríveis do trabalho. Por isso, elas simpatizam com as greves.</p>
<p style="text-align: justify;">As greves muitas vezes foram e são muito violentas, tanto por parte da polícia quanto dos grevistas, ou de ambos. E essa é uma história esquecida. Mas a reputação de serem mais organizadas, mais pacíficas, mais voltadas a uma retirada do que a um ataque, faz com que as pessoas se sintam melhor em relação a elas de muitas maneiras. A greve parece algo passivo. “O que estou fazendo? <em>Não</em> estou trabalhando!” E não há nada que pareça imediatamente agressivo ou ameaçador quando meu vizinho diz: “Não estou trabalhando”.</p>
<p style="text-align: justify;">As revoltas são vistas como caóticas, incontroláveis ​​e voláteis, e você sabe que o bom liberal sempre se oporá a qualquer tipo de luta social que, de alguma forma, ameace chegar à sua porta. Portanto, o caráter indisciplinado de uma revolta, que faz parte de seu poder, também faz parte de sua ameaça e de seu risco. Isso faz com que o centrista, o liberal, seja naturalmente antipático às revoltas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Só mais uma coisa sobre greves. Em países como a Suécia e a Finlândia, com uma longa história de fortes movimentos operários e de social-democracia, houve muitas ameaças ao direito de greve nos últimos anos e tentativas claras de limitar essa possibilidade. Gostaria de saber sua opinião sobre isso. Como isso se encaixa no contexto geral? Se seguirmos sua posição de que as lutas por direitos circulatórios, ou revoltas, são os principais focos de protesto hoje em dia, mas ao mesmo tempo observarmos que aqueles no poder estão visando as “lutas por direitos da produção”, limitando a possibilidade de greve. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Boa pergunta. Quer dizer, uma razão pode ser que as revoltas já são completamente ilegais. Não dá para torná-las <em>ainda mais</em> ilegais. Embora nos EUA haja grandes esforços para legalizar, por exemplo, atropelar pessoas que bloqueiam a rua. Várias novas leis foram aprovadas, assim como o aumento das penalidades contra protestos de qualquer tipo. Então, acho que é possível tentar criminalizar ainda mais as revoltas.</p>
<p style="text-align: justify;">Parece haver bastante espaço para restringir as proteções legais para uma greve. Então, consigo entender porque isso poderia ser um interesse. Aqui chegamos talvez a um pouco do meu ceticismo, não em relação ao movimento operário histórico, mas em relação aos sindicatos e ao seu funcionamento. Acredito que deixar espaço legal e legitimidade para as greves foi, na verdade, uma estratégia útil para os capitalistas no período de expansão econômica massiva após a Segunda Guerra Mundial. Chamamos isso de “comprar a paz social”. É possível aumentar os salários para que as pessoas continuem indo trabalhar, porque o trabalho gera lucros enormes para os capitalistas e, por isso, há mais espaço para os trabalhadores se movimentarem e conquistarem ganhos correspondentes. Ficou claro que era do interesse do capital ceder a algumas demandas em vez de deixar a economia parar de crescer.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Você diria que mesmo antes do capitalismo já víamos revoltas ao longo da história? E que greves são, na verdade, a nova categoria?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Isso é absolutamente correto. Greves realmente não existiam antes do século XVII. Por outro lado, se observarmos atividades mais ou menos revoltosas, confrontos violentos com as autoridades, com o governo, elas estão quase se tornando “trans-históricas”. Sempre nos dizem para nunca começar uma redação com “Desde o início dos tempos”. Então, estou tentando evitar isso. Mas as lutas antiautoritárias são bastante constantes.</p>
<p style="text-align: justify;">As revoltas camponesas e as revoltas de escravos são categorias humanas, políticas e históricas incrivelmente importantes. Estou tentando diferenciá-las das lutas por circulação, que são mais específicas historicamente e mais restritas. Elas podem parecer muito semelhantes às revoltas camponesas e de escravos, mas acredito que têm uma base diferente. Surgem de algo específico do capitalismo, na forma como ele estrutura os mercados locais e globais e como organiza nossas vidas para o lucro; como nos torna dependentes desses mercados para sobreviver. Na forma como inclui algumas pessoas e exclui outras, e nas formas particulares pelas quais coloca as pessoas umas contra as outras. Portanto, acho útil fazer essa distinção.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas também quero chamar a atenção para as semelhanças entre levantes camponeses ou de escravos e revoltas. As lutas pela circulação de mercadorias podem girar em torno do custo de vida, o preço da sobrevivência em um contexto de mercado, mas inevitavelmente envolvem confrontos com a polícia, uma vez que ela aparece. É importante lembrar que a polícia é uma invenção moderna. Nos Estados Unidos, a polícia só surgiu no século XVII ou provavelmente no XVIII. Sua origem está ligada a dois fatores: no Sul, como patrulhas de escravos, e no Nordeste, como forma de disciplinar a mão de obra.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas é também nesse sentido que se veem as ligações com todas essas lutas históricas, porque o confronto com a força coercitiva também faz parte dos levantes camponeses e de escravos. O confronto com a polícia conecta o levante de escravos à greve, à revolta. Todas elas têm a ver com a busca pela liberdade. Todas elas têm a ver com a luta no contexto em que se está inserido. Envolvem especificamente a tentativa de superar a força coercitiva que os aprisiona em um determinado modo de vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Minha grande referência intelectual, Fredric Jameson [que faleceu entre a realização desta entrevista e sua publicação], escreveu que é preciso sempre ter em mente a continuidade e a ruptura simultaneamente. Esse é o melhor conselho intelectual que já recebi. Aprendi isso em um livro — as pessoas deveriam ler livros.</p>
<p style="text-align: justify;">Tento abordar isso com a sua pergunta, sobre se as revoltas sempre existiram. Há uma ruptura, que é a integração do mercado mundial, o fato de você ter que se vender para comprar mercadorias nesse mercado, mesmo enquanto o grão local é enviado para outro lugar onde pode gerar mais lucro. Isso transforma vidas. Acho que isso merece sua própria história e é diferente dos levantes camponeses e de escravos. Mas, como ambas inevitavelmente envolvem o confronto com forças coercitivas de violência que impõem a sua miséria, também existe uma continuidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158728" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Theo_van_Doesburg_Composition_XXII.jpg" alt="" width="1447" height="1532" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Theo_van_Doesburg_Composition_XXII.jpg 1447w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Theo_van_Doesburg_Composition_XXII-283x300.jpg 283w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Theo_van_Doesburg_Composition_XXII-967x1024.jpg 967w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Theo_van_Doesburg_Composition_XXII-768x813.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Theo_van_Doesburg_Composition_XXII-397x420.jpg 397w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Theo_van_Doesburg_Composition_XXII-640x678.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Theo_van_Doesburg_Composition_XXII-681x721.jpg 681w" sizes="(max-width: 1447px) 100vw, 1447px" />Você disse no início que queria resgatar as revoltas como categoria política. Pelo menos para mim, foi isso que aconteceu. Na época em que seu livro foi lançado, eu estava cercada por amigos que eram muito céticos em relação à ideia de revoltas, dizendo “revoltas não levam a lugar nenhum mesmo”. E, por outro lado, amigos achavam que não precisávamos de nenhuma teoria para as revoltas, mas que “as pessoas simplesmente as fazem”. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Eu estava insatisfeita com ambas as posições. Achei que poderíamos encontrar uma maneira de não criar uma lacuna tão grande entre o pensamento e a prática, de integrá-los. Através do seu livro, encontrei uma forma de conversar sobre revoltas com todos os meus amigos a partir de uma perspectiva mais metodológica e menos moralista. Pensando na luta como diferentes ferramentas, e nas revoltas como uma delas, e baseando nossa análise em quando fez sentido para as pessoas usar uma ou outra. Isso foi incrível, obrigada. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Agora, a conexão entre teoria e prática me leva à ideia de comuna, sobre a qual ainda não falamos, mas talvez possamos começar com o básico: o que a comuna significa para você?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Comecei a pensar nisso perto do final do livro. Para o próximo livro em que estou trabalhando, introduzo uma terceira categoria que acompanha as revoltas e greves, e sim, é a comuna.</p>
<p style="text-align: justify;">Reprodução é o nome dado a tudo o que fazemos para que nossos amigos, nossa família e nossa comunidade possam existir de um dia para o outro, de um mês para o outro, de uma geração para a outra. Inclui tudo, desde cozinhar e cuidar uns dos outros até gerar e criar filhos, e tudo o que há entre esses dois extremos. O capitalismo precisa disso porque precisa de trabalhadores e de consumidores. Não se trata de algo para você e para mim, não é para proporcionar uma vida boa para nossos amigos e parentes em nossas comunidades, é para criar consumidores e trabalhadores para o capitalismo. Mas não precisa ser assim — a comuna aponta para essa possibilidade de outra vida.</p>
<p style="text-align: justify;">A produção industrial em uma fábrica pode desaparecer com o fim do capitalismo. Fazer compras no supermercado ou na IKEA é circulação. Isso também é capitalismo, e quando o capitalismo acabar, isso também pode acabar. Mas o nosso cuidado mútuo, cozinhar uns para os outros, gerar e criar filhos juntos não vai acabar. Isso pode ser externo ao capital. Então, todo esse esforço que chamaremos de trabalho reprodutivo para reconstruir nossas comunidades dia após dia, geração após geração, é a base da comuna. Essa atividade é o que a comuna faz. Essa é a vida comunitária. A comuna é apenas um nome para a atividade reprodutiva separada do capitalismo, e acabamos pensando que, bem, isso é algo para o futuro.</p>
<p style="text-align: justify;">Temos exemplos famosos no passado: a Comuna de Paris, mas também a Comuna de Xangai e a Comuna de Morelos durante a Revolução Mexicana, entre várias outras. Mas, na maioria das vezes, pensamos: “Bem, a comuna é algo do futuro. Vamos superar o capitalismo algum dia, mas a comuna não existe no presente.”</p>
<p style="text-align: justify;">Ela existe, sim, no presente. E não me refiro àqueles grupinhos de 12 ricos com barbas e tudo mais que vão morar no campo e dizem que aquilo é um país. Não é disso que estou falando. O que quero dizer quando penso em comuna, e particularmente na comuna como tática, é o seguinte:</p>
<p style="text-align: justify;">Para o meu livro, estou lendo bastante sobre os bloqueios de oleodutos — uma luta clássica da circulação, né? É a circulação desse recurso. Você não chega lá como um trabalhador dizendo “Estou em greve por causa do oleoduto”. Você chega dizendo: “Não vou deixar esse oleoduto passar pela minha terra, meu território, o território dos meus amigos, nossa terra comunitária. Não vou deixar que ele destrua os rios e o solo. Não vou deixar isso acontecer. Vou bloqueá-lo com mil dos meus amigos”. O que acontece?</p>
<p style="text-align: justify;">Se você pretende permanecer lá e manter o bloqueio não apenas na segunda-feira, mas também na terça, quarta, quinta, sexta e pelo resto do ano, algumas coisas precisam acontecer. É preciso começar a cozinhar, então monta-se uma cozinha comunitária. As pessoas precisam descansar. Providenciam-se lugares para dormir e abrigo. As pessoas precisam receber cuidados médicos. Monta-se uma tenda médica e outras estruturas. Isso é o acampamento.</p>
<p style="text-align: justify;">Não se trata de um acampamento de protesto tentando chamar a atenção para algo e dizendo: “Estamos indignados”. É algo muito prático. E o que esse acampamento prático está fazendo? Está fazendo exatamente o que chamávamos de trabalho reprodutivo há pouco tempo. Está fornecendo comida, abrigo, cuidados e comunidade para as pessoas que estão bloqueando o oleoduto. É uma comuna que começa a se formar como parte de uma tática de luta. Está realizando esse trabalho comunitário que identificamos com a comuna ou o trabalho reprodutivo, não para produzir mão de obra para o capitalismo, não para produzir consumidores para o capitalismo, mas para produzir um bloqueio ao oleoduto. E, na verdade, o bloqueio ao oleoduto não existe sem essa pequena comuna, e a comuna não existe sem o bloqueio. Eles estão totalmente ligados. São um só. Não é um ou outro. Você não precisa escolher entre militância e trabalho de cuidado. São a mesma coisa.</p>
<p style="text-align: justify;">É aí que a comuna se encaixa, não como uma visão do futuro, o que é ótimo, mas como uma tática prática no presente em que todos já estamos envolvidos. E como sempre, meu trabalho não é dizer às pessoas o que fazer, mas sim tentar nomear as coisas corretamente, tentar descrever o que já está acontecendo. Os grandes teóricos são as pessoas que estão bloqueando os oleodutos e cuidando dos acampamentos. São eles que estão descobrindo como fazer isso e o que fazer para se libertar, e eu tenho a sorte de ter a oportunidade de tentar pensar sobre isso e formular as ideias em palavras.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158730" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/W1siZiIsIjE2MjY1OCJdLFsicCIsImNvbnZlcnQiLCItcXVhbGl0eSA5MCAtcmVzaXplIDIwMDB4MjAwMFx1MDAzZSJdXQ.jpg" alt="" width="2000" height="1982" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/W1siZiIsIjE2MjY1OCJdLFsicCIsImNvbnZlcnQiLCItcXVhbGl0eSA5MCAtcmVzaXplIDIwMDB4MjAwMFx1MDAzZSJdXQ.jpg 2000w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/W1siZiIsIjE2MjY1OCJdLFsicCIsImNvbnZlcnQiLCItcXVhbGl0eSA5MCAtcmVzaXplIDIwMDB4MjAwMFx1MDAzZSJdXQ-300x297.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/W1siZiIsIjE2MjY1OCJdLFsicCIsImNvbnZlcnQiLCItcXVhbGl0eSA5MCAtcmVzaXplIDIwMDB4MjAwMFx1MDAzZSJdXQ-1024x1015.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/W1siZiIsIjE2MjY1OCJdLFsicCIsImNvbnZlcnQiLCItcXVhbGl0eSA5MCAtcmVzaXplIDIwMDB4MjAwMFx1MDAzZSJdXQ-70x70.jpg 70w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/W1siZiIsIjE2MjY1OCJdLFsicCIsImNvbnZlcnQiLCItcXVhbGl0eSA5MCAtcmVzaXplIDIwMDB4MjAwMFx1MDAzZSJdXQ-768x761.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/W1siZiIsIjE2MjY1OCJdLFsicCIsImNvbnZlcnQiLCItcXVhbGl0eSA5MCAtcmVzaXplIDIwMDB4MjAwMFx1MDAzZSJdXQ-1536x1522.jpg 1536w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/W1siZiIsIjE2MjY1OCJdLFsicCIsImNvbnZlcnQiLCItcXVhbGl0eSA5MCAtcmVzaXplIDIwMDB4MjAwMFx1MDAzZSJdXQ-424x420.jpg 424w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/W1siZiIsIjE2MjY1OCJdLFsicCIsImNvbnZlcnQiLCItcXVhbGl0eSA5MCAtcmVzaXplIDIwMDB4MjAwMFx1MDAzZSJdXQ-640x634.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/W1siZiIsIjE2MjY1OCJdLFsicCIsImNvbnZlcnQiLCItcXVhbGl0eSA5MCAtcmVzaXplIDIwMDB4MjAwMFx1MDAzZSJdXQ-681x675.jpg 681w" sizes="(max-width: 2000px) 100vw, 2000px" />Essa visão da comuna me parece muito promissora, traz esperança. Tenho sentido falta de reflexões sobre continuidade e reprodução relacionadas à luta, nesse sentido.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Se você não tem salário ou está vinculado a um emprego, não pode fazer greve, ou pode tentar, mas o que vai acontecer? Se você não tem muita saúde, o que acontece com todos nós em algum momento da vida, é difícil participar de uma revolta. Mas como é numa comuna? O que é preciso para fazer parte dela ou para lutar dessa forma? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Essa é uma ótima pergunta, sobre a qual não tenho certeza se refleti tanto quanto deveria, mas acho que você já ofereceu uma maneira útil de pensar a respeito. Se dividirmos, de forma redutiva, todos os tipos de luta no mundo em três categorias: revolta, greve e comuna; ou lutas da circulação, lutas da produção e lutas da reprodução, isso abre um amplo espaço para diversos tipos de atividade. E, idealmente, se pensarmos nelas como parte de uma unidade, em vez de escolhas opostas, isso significa que há muitas maneiras diferentes pelas quais as pessoas podem se posicionar em termos de como desejam participar.</p>
<p style="text-align: justify;">Muitas vezes alguém diz que não, que a única tática correta é esta. Mas, como você apontou, haverá muitas pessoas que dirão que isso não é possível para elas. Mesmo que eu acreditasse nessa tática, mesmo que esse fosse o meu desejo, por vários motivos ela não é possível para mim: por causa de onde moro, da minha situação de cidadania, da minha situação laboral, das minhas capacidades físicas, entre outras coisas. E estar atento ao fato de que nem todas as formas de luta são possíveis para todas as pessoas é fundamental. Se pudermos pensar em todos nós juntos, com nossas diferentes capacidades, formando uma espécie de unidade, isso abre um leque enorme de caminhos que as pessoas podem seguir.</p>
<p style="text-align: justify;">E é por isso que é importante não inventar oposições. Uma das mais destrutivas é o debate entre militância e cuidado. Alguém diz: “Vamos fazer algo muito militante” — algo codificado como militante, algo violento, arriscado ou simplesmente fisicamente ambicioso. E então alguém diz: “Bem, na verdade, deveríamos estar mais atentos ao trabalho de cuidado e nos concentrar nisso, sem cair na armadilha de tentar ser ultrarradicais e assim por diante”. Esse debate é frequentemente marcado por questões de gênero, com a militância codificada como masculina e o trabalho de cuidado como feminino. Mas também evoca outras diferenças, incluindo quem é <em>capaz</em> e de que maneira. Assim, surge uma oposição real entre militância e cuidado, apresentada como um debate ético. Qual é a coisa certa a fazer? E enquanto você escolher uma dessas opções, acabará com um conjunto incompleto de táticas e com pessoas excluídas.</p>
<p style="text-align: justify;">Podemos pensar nessas coisas como uma unidade, como tenho tentado sugerir. A comuna e o bloqueio são um ótimo exemplo. Não se trata de uma coisa contra a outra, elas formam um todo. No fim, quero que as três — revolta, greve, comuna — formem um todo no qual as pessoas possam participar de diversas maneiras. A poetisa Diane di Prima tem um poema que termina com a frase: “Será preciso que todos nós empurremos a coisa por todos os lados para derrubá-la”. Essa é uma forma de colocar a situação.</p>
<p style="text-align: justify;">Outra forma de dizer isso é: é isso que significa uma greve geral. Porque uma greve geral não é, na verdade, uma greve no sentido técnico de paralisação dos trabalhadores; envolve muito mais coisas. Greve geral é o nome dado quando a revolta, a greve e a comuna acontecem simultaneamente. É isso que a greve geral realmente é. E esse é o dia, a semana ou o ano em que haverá um papel para todos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Obrigado, Joshua Clover. Chegar à greve geral é a maneira perfeita de encerrar esta entrevista e mal posso esperar que esse ano chegue. Você deu pistas essenciais sobre como compreender as várias formas de luta possíveis</strong> — <strong>ou impossíveis</strong> — <strong>para as pessoas e por que faz sentido usá-las em contextos e momentos específicos. Como você disse, as pessoas lutam onde estão e, idealmente, todas as diversas táticas juntas criam uma unidade. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Aguardo ansiosamente seu livro sobre a comuna [2], para entender ainda melhor essa tática nos dias de hoje. Só a ideia de algo que permanecerá mesmo após o fim do capitalismo já é poderosa. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>As futuras revoltas, greves e comunas promovidas por aqueles que vocês chamam de “grandes teóricos” terão uma aparência um pouco diferente para mim, agora que tenho um arcabouço que permite conectar todos os pontos.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Ronja Mälström é escritora e editora do Turning Point. Ela se dedica a temas como comunidades organizadas, movimentos de resistência e alternativas para uma vida além do capitalismo e do patriarcado</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Traduzido de: <a class="urlextern" title="https://turningpointmag.org/2024/11/24/people-struggle-where-they-are-joshua-clover-on-riots-strikes-and-commune-that-are-already-here/" href="https://turningpointmag.org/2024/11/24/people-struggle-where-they-are-joshua-clover-on-riots-strikes-and-commune-that-are-already-here/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://turningpointmag.org/2024/11/24/people-struggle-where-they-are-joshua-clover-on-riots-strikes-and-commune-that-are-already-here/</a></p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>Notas</strong></h4>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1]</strong> <em>Riot</em> em inglês possuem um sentido que seria melhor traduzido como uma revolta na forma de um tumulto ou motim. Uma ação de uma multidão indignada que age normalmente nas ruas enfrentando forças do Estado, muitas vezes danificando propriedade. Traduzimos riot por revolta, embora revolta não carregue o sentido negativo que <em>riot</em> possui na sociedade (Nota do Tradutor).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[2]</strong> Joshua Clover faleceu em abril de 2025, o livro sobre a comuna que eles estava escrevendo acabou não sendo publicado (Nota do Tradutor).</p>
</div>
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<div class="no"><em>As imagens que ilustram o artigo são de  Theo Van Doesburg</em></div>
</form>
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<h3 id="entrevista_com_nildo_viana_critica_das_plataformas_e_da_politica_progressista" class="sectionedit26" style="text-align: justify;"></h3>
</div>
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		<item>
		<title>[Irã] Apoio à luta do povo iraniano por seus direitos: rumo à verdadeira liberdade e igualdade, não a um retorno ao passado</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/01/158485/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Jan 2026 13:46:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Movimentos em Luta]]></category>
		<category><![CDATA[Greves]]></category>
		<category><![CDATA[Irão/Irã]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão_e_liberdades]]></category>
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					<description><![CDATA[O Sindicato dos Trabalhadores da Companhia de Ônibus de Teerã e Subúrbios enfatiza a necessidade de continuarmos com protestos independentes, conscientes e organizados. Por Sindicato dos Trabalhadores de Ônibus de Teerã]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Sindicato dos Trabalhadores de Ônibus de Teerã</h3>
<p style="text-align: justify;">Os protestos e greves em cidades por todo o país já duram onze dias. Apesar da intensificação da segurança, da forte presença policial e das forças de segurança e da violenta repressão, o alcance dos protestos permanece amplo e diversificado. Segundo relatos, pelo menos 174 locais em 60 cidades, distribuídas por 25 províncias, testemunharam manifestações nesse período, e centenas de manifestantes foram presos. Tragicamente, pelo menos 35 cidadãos, incluindo crianças, perderam a vida durante os protestos.</p>
<p style="text-align: justify;">De janeiro de 2018 a novembro de 2019 e setembro de 2022, o povo oprimido do Irã demonstrou repetidamente — ao sair às ruas — que não tolerará a ordem político-econômica vigente e as estruturas construídas sobre a exploração e a desigualdade. Esses movimentos não visam um retorno ao passado. Eles se formaram para construir um futuro livre da dominação do capital — um futuro fundamentado na liberdade, na igualdade, na justiça social e na dignidade humana.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao declararmos nossa solidariedade às lutas populares contra a pobreza, o desemprego, a discriminação e a repressão, afirmamos claramente nossa oposição a qualquer retorno a um passado definido pela desigualdade, corrupção e injustiça.</p>
<p style="text-align: justify;">Acreditamos que a verdadeira libertação só é possível por meio da liderança consciente e organizada e da participação da classe trabalhadora e dos oprimidos — não pela reprodução de antigas e autoritárias formas de poder. Nessa luta, trabalhadores, professores, aposentados, enfermeiros, estudantes, mulheres e, especialmente, os jovens — apesar da repressão generalizada, das prisões, das demissões e da piora das condições de vida — permanecem na linha de frente.</p>
<p style="text-align: justify;">O Sindicato dos Trabalhadores da Companhia de Ônibus de Teerã e Subúrbios enfatiza a necessidade de continuarmos com protestos independentes, conscientes e organizados.</p>
<p style="text-align: justify;">Já dissemos isso muitas vezes e repetimos: o caminho para a libertação dos trabalhadores e da classe trabalhadora não passa por “líderes” fabricados e impostos de cima para baixo, pela dependência de potências estrangeiras ou por facções dentro do establishment governante. A união, a solidariedade e a construção de organizações independentes nos locais de trabalho, nas comunidades e em nível nacional são fundamentais. Não podemos nos permitir ser novamente vítimas de jogos de poder e dos interesses das classes dominantes.</p>
<p style="text-align: justify;">O sindicato também condena veementemente qualquer propaganda, justificativa ou apoio à intervenção militar por governos estrangeiros, incluindo os Estados Unidos e Israel. Tais intervenções não apenas levam à destruição da sociedade civil e à morte de pessoas, como também fornecem às autoridades mais um pretexto para continuar a violência e a repressão. A experiência passada demonstra que os Estados hegemônicos ocidentais não valorizam a liberdade, os meios de subsistência ou os direitos do povo iraniano.</p>
<p style="text-align: justify;">Exigimos a libertação imediata e incondicional de todos os detidos e enfatizamos a necessidade de identificar e processar aqueles que ordenaram e executaram os assassinatos.</p>
<p style="text-align: justify;">Viva a liberdade, a igualdade e a solidariedade de classe!</p>
<p style="text-align: justify;">A resposta para os trabalhadores é a união e a organização.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Sindicato dos Trabalhadores da Companhia de Ônibus de Teerã e Subúrbios</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>7 de janeiro de 2026</em></p>
<p><a href="https://www.instagram.com/p/DTM-LskDhhV/" target="_blank" rel="noopener">https://www.instagram.com/p/DTM-LskDhhV/</a></p>
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			</item>
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		<title>[RJ] Protesto de terceirizados do Hospital Universitário Pedro Ernesto contra calotes</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/12/158246/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Dec 2025 14:57:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Movimentos em Luta]]></category>
		<category><![CDATA[Greves]]></category>
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					<description><![CDATA[Os trabalhadores reclamam de atraso no pagamento do 13º salário e irregularidades no pagamento do vale alimentação e do vale transporte. Por Invisíveis]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Invisíveis</h3>
<p style="text-align: justify;">PARALISAÇÃO E PROTESTO COM TERCEIRIZADOS E TERCEIRIZADAS DO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO PEDRO ERNESTO CONTRA CALOTES E ASSÉDIOS DA EMPRESA GÁVEA FACILITIES</p>
<p style="text-align: justify;">Os trabalhadores reclamam de atraso no pagamento do 13º salário e irregularidades no pagamento do vale alimentação e do vale transporte.</p>
<p style="text-align: justify;">O PROTESTO ACONTECE AGORA, NA BLV 28 DE SETEMBRO 77. com PARALISAÇÃO DE TERCEIRIZADOS DA LIMPEZA e apoio do coletivo Invisíveis.</p>
<p style="text-align: justify;">#gaveafacilities<br />
#HospitalPedroErnesto<br />
#uerjresiste</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/DRuHyqOjh3R/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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</div>
</blockquote>
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		<title>A report of the pro-Palestinian demonstrations in Italy</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/10/157767/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Oct 2025 16:00:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Traduções]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
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					<description><![CDATA[ Perhaps the Palestinian issue has become the unifying theme of a set of diffuse social dissatisfaction. By Pérez Gallo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;"><a href="https://passapalavra.info/2025/09/157669/" target="_blank" rel="noopener">By Pérez Gallo</a></h3>
<p style="text-align: justify;">I took part, somewhat by chance, in the demonstration in Milan on September 22, which had wide international repercussions due to the violent clashes with the police that took place at the entrance to the Central Railway Station. I was in Germany during the previous week, where I was attending an academic event and, being originally from Italy, I decided to extend my trip a few more days in Milan, to visit friends and family. I arrived on the evening of Friday, the 19th, and it soon seemed to me that the mood was different from the usual &#8211; more tense, in expectation. The Palestinian genocide, in fact, is a powerful theme in the Italian debate, either because of the presence of an important Arab and Palestinian community in the territory or because of the geographical and geopolitical proximity. But also &#8211; I believe &#8211; because hopes have converged in recent years on the Palestinian issue for the resumption of some movement after more than a decade of ebb and flow of struggles. The retreat that in Milan feels even stronger: a city completely dominated by <em>gentrification</em> and real estate speculation, by the great fashion events and gourmet food fairs, by the increase in urban transport and an economic rhythm (and exploitation) in full swing. And where, for a long time, social struggles have been something kind of absent from the horizon of urban life.</p>
<p style="text-align: justify;">On the 19th, just as I was returning from the airport, there was a small demonstration and work stoppage organized by the CGIL, the largest trade union confederation, in solidarity with Gaza. Contrary to what one might think, the CGIL decision was not the brave choice to organize a political strike, but the cowardly attempt to recover the struggle, advancing the strike that had already been scheduled for the 22nd by the grassroots unions USB, Cobas, ADL Cobas, CUB, SGB, under the impulse of the Genoa Port Workers collective. The idea would be to make a stoppage of only two hours, on a Friday afternoon, and not adhere to — and in this way weaken — the other strike scheduled for the whole Monday (a day in which a blockade would do much more damage). The maneuver, apparently, did not work out. Throughout the weekend, people around me — even many of my acquaintances who hadn&#8217;t participated in a demonstration in 15 years &#8211; kept talking about the upcoming event on the 22nd. Rain was forecast, and this raised some doubts about the success of the mobilization.</p>
<p style="text-align: justify;">On Monday morning, in fact, the rain was intense and constant. Despite this, when I arrived in Piazza Cadorna a little before the scheduled time for the concentration, you could tell that the demonstration would be huge. Thousands of people were gathering there under umbrellas, to the point that when the front of the demonstration began to move, people were still arriving in the square. The demonstration, with more than 50,000 people, marched in a confused way for almost 5 kilometres to the Central Station, not before making a detour to pass in front of the United States Consulate, where the flags of the United States, Israel, the European Union and NATO were burned. What surprised me, perhaps because I had been away from Italian protests for many years, was its political composition, that is, not the division into blocks organized by the entities and the social centers, but rather a long heterogeneous and indefinite human serpent, all behind a single sound truck of the USB union, in which the social composition was mixed: students and retirees, Arab immigrants, young secondary school students from the periphery and families with children, workers and middle class, and here and there small groups that made some specific intervention, such as a group of fanfare or healthcare workers under the banner of “healthcare workers for Gaza”. In general, it also seemed to me a not-so-loud demonstration, almost silent at times, as if the lack of a sound speaker left more room for the atrocious emptiness of the moment we are living in.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DO6jl2KDJNA/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DO6jl2KDJNA/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by MIM (@milanoinmovimento)</a></p>
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</blockquote>
<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script><em><strong>Milan demonstration seen from above.</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">When we arrived, around 1 p.m., in the Central Station Square, the general feeling was one of strangeness: the demonstration seemed to be over, but we had not yet blocked anything, while news arrived of occupations of stations, highways, and ports in other cities. The police had a huge contingent lined up for the defence of the station, and it seemed crazy to try to challenge them, apart from the fact that no group seemed to be organised for such. Little by little, however, frustrations and expectations were leading a group of people down the stairs of the subway, from where they would have a passage to the station by underground. Just below, however, was another police contingent. The pressure was building until we managed to get to the bottom of the station thanks to a lot of shouting and some pushing. From there, however, to occupy the tracks, we had to go up to another floor by an escalator, above which the confrontation began, and continued through the glass doors of the station hall, defended by the police and destroyed by the protesters. Finally, the police began throwing tear gas canisters, many at face height. The battle lasted an hour and a half inside the station, plus a couple of hours in via Vittor Pisani, the large avenue outside the station, with the police advancing and the crowd resisting, without retreating, throwing stones and other objects. Although it did not reach the tracks, for a long time the station was closed, with the trains, already accumulating delays of more than two hours due to the strike, stopping for some time instead of passing through the station. From what I read afterwards, the participation in the most heated clashes was of a thousand people, with as many supporting from the outside. The toll was 60 police officers injured, with 24 hospitalised, 11 protesters detained (including two minors), and about ten taken away by ambulance. I was really surprised by the disposition of the crowd: I do not remember, since I was a teenager, a demonstration with such lengthy and at the same time unprepared confrontations. In the past, the most common were “performative” confrontations of the crowd from the ex <em>tute bianche</em>, with a little melee from the first lines with the police to have a photo in the media and then retreat, or moments of a more planned <em>riot</em>, with burning of cars during the demonstration by a smaller group but completely disconnected with the general feeling of the crowd, as occurred in the large “No Expo” demonstration of May 1, 2015. From there, the desert.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DO6hXCqAP2w/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DO6hXCqAP2w/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by Federação Árabe Palestina (@fepal_brasil)</a></p>
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</blockquote>
<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script><em><strong>Videos of the confrontation</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">If Milan, due to its violent outcome, was the centre of the news and images that passed through the media and social networks — and obviously echoed by Prime Minister Giorgia Meloni, who at no time attacked the Israeli barbarism in Gaza with the same harshness that she dedicated to the “Milan vandals” —, in the rest of Italy the struggles were also giant. According to the union USB, more than 1 million people in 84 cities participated in the demonstrations.</p>
<p style="text-align: justify;">In Rome, 200 to 300 thousand people marched for 8 hours, for 10 kilometres, through the streets surrounding the Termini Station (the largest in the city), causing a momentary blockade of rail traffic, and occupying the university campus of La Sapienza and the Eastern Ring Road for hours in both directions. There, many drivers stopped in traffic didn&#8217;t react with anger but with applause, horns, and demonstrations of complicity.</p>
<p><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/NnNe1MzD2_4?si=8egqsDkgr8mFK5L3" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Drivers&#8217; support for the demonstration</strong></em></p>
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<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DO51pJfjNPJ/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by Welcome to Favelas (@welcometofavelas)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script><em><strong>Demonstration in Rome seen from above</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Another huge demonstration happened in Bologna, with 50,000 people filling the streets of the centre to later occupy the Ring Road, where there was a police crackdown with four people arrested.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/DO5i_llCCTG/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/p/DO5i_llCCTG/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by HubAut Bologna (@hubautbologna)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script><em><strong>Demonstration in Bologna</strong></em></p>
<p><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/6dD2wHPrU-c?si=_4tH6CwGyNZZv0ZJ" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Clashes on the Ring Road in Bologna</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Demonstrations with 15 to 20 thousand people also took place in Naples and Turin (where the railway station was occupied); Genoa (with the occupation of the port); and in Venice, where the social centres of the Northeast blockaded Porto Marghera and had clashes with the police, who made use of water jets.</p>
<p><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/HhCYfSOTMdQ?si=wvIlGmwayluEcGh3" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Venice</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Other clashes and arrests took place in Brescia as 10,000 protesters attempted to occupy the railway station after blocking the city&#8217;s Metro, while a similar number of people paraded in Palermo, Florence, and Pisa. In the latter city, protesters managed to block the bus station, the train station and even the Firenze-Pisa-Livorno Highway. Five thousand people took to the streets in southern cities such as Cagliari, Catania, and Bari. There were also blockades and disruptions at other major port terminals such as those in Trieste, Ravenna, Ancona, Civitavecchia and Salerno. In Livorno, the blockade of the Valessini terminal turned into a permanent protest aimed at the next day, when the passage of a US cargo ship bound for Israel was expected.</p>
<p style="text-align: justify;">As a whole, the journey was undoubtedly successful and surprising. Surprisingly, in the first place, because Italy had stayed away from the last cycles of global upheavals. Social movements are totally fragmented, and what has prevailed among comrades in recent years is a constant sense of disillusionment and impotence, feelings heightened in recent times by the rise of a far-right government. Since the beginning of the genocide in Palestine, the occupations on university campuses have shown a certain reactivation of the youth composition, certainly dominant also in the demonstrations of Monday, but extremely reduced in demographic terms in what is the second-oldest country in the world. At the same time, under the impetus of the small Palestinian youth organisation, protests in solidarity with Gaza have acquired a certain frequency, becoming, in the case of Milan, even weekly, with some small demonstrations that take place every Saturday. Possibly, the departure of the global Sumud Flotilla must have given some inspiration, as well as the French “let&#8217;s block everything” movement that has emerged in recent weeks against Macron&#8217;s policies. Perhaps the outrage has crossed some threshold with the escalation of the “final solution” to the Palestinian Holocaust set in motion by Israel in recent months. Perhaps the Palestinian issue has become the unifying theme of a set of diffuse social dissatisfaction. Maybe it is, today, <a class="urlextern" title="https://ilmanifesto.it/palestina-e-il-nome-del-nostro-scontento" href="https://ilmanifesto.it/palestina-e-il-nome-del-nostro-scontento" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">“the name of our discontent”</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">The demonstrations were undoubtedly successful, but above all, the strategic choice to block the main communication routes. Very quickly, from the blockades of the docks of the ships loaded with weapons and ammunition to directly supply the Israeli army, the understanding came that all the logistics of war are inseparable from the logistics of global capitalism in this destructive stage. If the bottlenecks of transport and communications of goods and people make up the material skeleton of the global economy, the understanding arose that it is from there that it would perhaps be possible to exercise some kind of “counterpower” to fascist barbarism.</p>
<p style="text-align: justify;">Less successful, however, was the result of the stoppage in the strict sense. Faced with the convergence between the obvious difficulties of carrying out a “political” strike (in fact, this was the first experience since the genocide in Gaza began) and the cowardice of the CGIL and the other major trade union confederations, which has hegemony of affiliates in production and public employment, the participation rate seems to have been <a class="urlextern" title="https://www.tag24.it/1353021-dati-adesione-sciopero-generale-per-gaza-22-settembre-la-percentuale" href="https://ilmanifesto.it/palestina-e-il-nome-del-nostro-scontento" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">below 10%</a> in many sectors, with probable exceptions in the public education sector and in some sectors of the circulation, which in some cities joined en masse. This opens up many questions about whether it is possible to paralyse economic life without the mass participation of the organised working class, but manage to hit the main bottlenecks of the global economy. At a time when wage pressure, unemployment, blackmail in the workplace, job insecurity and coward union leaders make it more difficult to effectively exercise the instrument of the strike, to what extent can a very effective revolt itself become a form of general stoppage?</p>
<p style="text-align: justify;">But the main question, here and now, is whether this new movement will have the strength and the capacity to move forward, to grow, to put in crisis a Meloni government that so far still sails with some degree of consensus, and above all to spill over to other countries to make a real contribution to ending the ongoing genocide. As announced by the Genoa Port Workers collective, the current strike was launched as a rehearsal for the moment when there would be some kind of aggression against the Global Sumud Flotilla, which is approaching the Gaza Strip. If this happens, the dock workers have already threatened that they will not carry “not even a nail” and would stop “the whole of Europe”. Time will tell. For now, we are left with the feeling that, for once, we have raised our heads, we have overcome resignation. Maybe it&#8217;s just a flash, a feeling that, together in the streets, we can still feel alive. That we can still shout, even if it makes almost no sense given the level of the present tragedy, that “the peoples in revolt write their history, intifada until victory!”</p>
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		<title>Quatro anos da greve dos entregadores de São José dos Campos: Entrevista com Elisson de Lima (Cabeça).</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Sep 2025 21:11:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Capitalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Greves]]></category>
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					<description><![CDATA[Depois daquela paralisação de seis dias, houve uma paralisação esse ano. Depois daquela de seis dias foi muito difícil parar de novo. Por Leo Vinicius]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 id="quatro_anos_da_greve_dos_entregadores_de_sao_jose_dos_campos_entrevista_com_lideranca" class="sectionedit9" style="text-align: justify;">Por Leo Vinicius</h3>
<div class="level3" style="text-align: justify;">
<p>Em 11 de setembro de 2021 os motoboys que trabalhavam com aplicativo em São José dos Campos, São Paulo, iniciaram uma greve por tempo indeterminado. A paralisação durou seis dias e foi a mais longa da categoria no país até então. Foi um marco, pois as paralisações de motoboys não costumam ser por tempo indeterminado e em geral são de um ou dois dias. Essa greve inspirou que motoboys de outras cidades, principalmente do interior de São Paulo, iniciassem as suas também com tempo indeterminado nas semanas seguintes. Foram os casos de Jundiaí, que também durou seis dias, e de Paulínia, que resultou na greve mais longa da categoria até hoje: nove dias.</p>
<p>No início de 2020 os motoboys de São José dos Campos criaram um grupo de Whastapp chamado Buzinaço, para organizar manifestações em estabelecimentos em que algum motoboy reportava problema com pagamento ou de outro tipo. Essa experiência de ação coletiva foi importante para desencadear a greve de setembro de 2021.</p>
<p>Completando 4 anos daquela marcante greve em São José dos Campos, conversei sobre ela com Elisson de Lima, conhecido como Cabeça, que teve papel destacado na organização.</p>
<p><strong>Leo Vinicius</strong>: Eu vi que você comentou numa live no Youtube que aquela greve só tinha rolado porque “os motoboys acreditaram no pessoal que agitou a nossa greve”. Deu a entender que as pessoas que tomaram essa iniciativa já tinham um respaldo da categoria, eram uma referência pro pessoal ter confiança. Como foi construída essa referência? Eu sei que tem a história do grupo do Buzinaço. Foi só o Buzinaço ou teve algo para além do Buzinaço que fez ter respaldo da categoria?</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-157697" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-part-i-primavera-1994.jpgPinterestSmall.jpg" alt="" width="310" height="514" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-part-i-primavera-1994.jpgPinterestSmall.jpg 210w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-part-i-primavera-1994.jpgPinterestSmall-181x300.jpg 181w" sizes="auto, (max-width: 310px) 100vw, 310px" /></p>
<p><strong>Cabeça</strong>: Eu acho que o que ajudou bastante [para] o pessoal pegar confiança foi o trabalho que faço em grupos de motoboys. A gente faz ação social. A gente vai na comunidade, entrega brinquedo, faz Natal solidário, dia de Páscoa, essas coisas. Depois tivemos problema com um estabelecimento aqui. Um amigo nosso teve uns problemas. Foi quando foi criado o grupo do Buzinaço. E depois do grupo do Buzinaço eu joguei esses negócios que estavam acontecendo, o pessoal reclamando, e como eu era OL, então… tipo assim, &#8216;se o cara que é OL tá reclamando, achando que tá ruim e vão parar, então vamos abraçar a causa&#8217;. Então acho que o que ajudou mais, além dessas coisas, foi devido na época eu ser OL, Operador Logístico. E puxar esse bonde aí, porque se eu não fosse Operador Logístico não sei se eu teria conseguido puxar tão forte assim não.</p>
<p><strong>Leo</strong>: O que a gente via nos Breques e nas paralisações é que era mais difícil os OLs pararem do que os Nuvens, porque OLs tem o supervisor e tal. E aí em São José dos Campos todo mundo fez a greve junto, participou, os Nuvens e os OLs. Mas a iniciativa foi dos OLs. Pra você, o que explicaria essa diferença em relação a SJC com os OLs? Que relação vocês tinham com os chefes, supervisores? Eu imagino que vocês deviam ter uma relação melhor com os chefes. Foi combinado com os chefes das OLs, com os supervisores, eles apoiarem de certa forma a greve?</p>
<p><strong>Cabeça</strong>: Apoiar, apoiar eles não apoiaram. Porque querendo ou não mexeu no bolso deles. Mas eles respeitaram porque a gente sempre teve um bom diálogo. Nos três primeiros dias eles respeitaram muito a gente. Disseram &#8216;a gente vai respeitar, não vamos logar ninguém&#8217;. Quando chegou no quarto, no quinto dia aí começou a choradeira. Começaram a querer falar, &#8216;ah vamos precisar logar&#8217; e que não sei quê. Falei, beleza, se quiser logar os caras você loga, mas o seguinte, os caras não vão pegar pedido. Vieram com o &#8216;ah que eu to passando fome&#8217;. Dissemos que se tiver passando fome, qualquer coisa dá um toque, a gente dá um jeito de fazer um rateio, tá todo mundo quebrado aqui, mas num rateio a gente ajuda você aí&#8217;. Mas não logaram, não logaram. Até então. Mas isso foi na minha base. Na base da qual eu prestava serviço [havia quatro bases de OL em SJC]. A outra tinha um motoboy que estava com a gente, que também conseguiu travar. Outra logou os caras, só que os caras não conseguiram pegar pedido.</p>
<p><strong>Leo</strong>: Então eles não apoiaram mas também não ficaram pressionando. Só depois que começou a pesar no bolso…</p>
<p><strong>Cabeça</strong>: Foi. Porque até então eles também tinham umas dores. Pra você ter uma ideia, quando o iFood na época veio através do Johnny [funcionário do iFood] pra vir falar comigo, os caras da base de OL pediram o contato com o cara. Porque eles não tinham contato com o iFood. Eles também abraçaram a causa no início por causa disso.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-157698" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-part-ii-estate-1994.jpgPinterestSmall.jpg" alt="" width="310" height="481" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-part-ii-estate-1994.jpgPinterestSmall.jpg 210w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-part-ii-estate-1994.jpgPinterestSmall-193x300.jpg 193w" sizes="auto, (max-width: 310px) 100vw, 310px" /></p>
<p><strong>Leo</strong>: Essa decisão de não trabalhar e continuar a greve, dentro das equipes era tomada só pelos motoboys, não era tomada pelo chefe da equipe, né? Ele não participava das decisões, certo?</p>
<p><strong>Cabeça</strong>: Não, quem participava era só nós os motoboys. Acabava o dia, dava dez horas da noite, dez e meia que era a hora que fechava o shopping, a gente tinha um ponto específico pra se reunir. Era onze horas e ali a gente decidia entre nós, os motoboys. E aí o líder de base mandava mensagem pra gente perguntando, ou então chegava vídeo pra ele que a rapaziada gravava, e aí que ele ficava sabendo.</p>
<p><strong>Leo</strong>: Por que os estabelecimentos apoiaram e de que forma eles apoiaram? Como eles foram convencidos a apoiar a greve e fechar o delivery? Já havia laços com os estabelecimentos antes?</p>
<p><strong>Cabeça</strong>: A gente tinha bastante contato com os estabelecimentos. Só que até então começou a ter muita discussão. Apoio, apoio de estabelecimento a gente não teve. Foi muito pouco estabelecimento. Depois do terceiro dia é que começou a dar uma crescida, de alguns estabelecimentos nos apoiarem. Porque a gente chegava lá, conversava com o dono no máximo respeito possível, &#8216;nós estamos aqui, fazendo a paralisação assim, assim, assado, se o senhor puder desligar o aplicativo de vocês desliga; se puder pegar pedido somente pelo Whatsapp qualquer coisa a gente arruma um motoboy pra fazer as entregas pra vocês, pra vocês não ficarem prejudicados&#8217;. [Eles diziam] &#8216;não não, a gente vai desligar&#8217;. Teve dois ou três estabelecimentos que acabaram aceitando, pegando motoboy pra fazer entrega. A fama de motoboy é aquela coisa, que motoboy é arruaceiro, quebra tudo, e acelera, empina… Essa é a fama do motoboy. E aqui na nossa cidade, devido ao Buzinaço… muitos estabelecimentos ficaram sabendo dos Buzinaços que estavam acontecendo, que a gente tava indo na porta dos estabelecimentos, que a gente tava indo cobrar os donos de estabelecimentos. Então creio eu que isso ajudou bastante para fazer eles desligarem. Até porque também no segundo ou no terceiro dia o iFood mesmo desligou a plataforma.</p>
<p><strong>Leo</strong>: Teve estabelecimento que no final pressionou vocês pelo fim da greve? Ameaçou chamar polícia, esse tipo de coisa?</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-157699" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-part-iii-autunno-1994.jpgPinterestSmall-179x300.jpg" alt="" width="281" height="471" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-part-iii-autunno-1994.jpgPinterestSmall-179x300.jpg 179w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-part-iii-autunno-1994.jpgPinterestSmall.jpg 210w" sizes="auto, (max-width: 281px) 100vw, 281px" /></p>
<p><strong>Cabeça</strong>: Não, não. Teve alguns que chegaram a falar que se o iFood liberar a plataforma ia ter que ligar. Falamos que podiam ligar só que ninguém ia pegar pedido. Teve um estabelecimento sim que chegou a falar que ia chamar a polícia. Falou &#8216;vou ter que abrir o meu estabelecimento, vou ligar a plataforma, e o motoboy vai vir aqui retirar o pedido&#8217;. Aí falamos, &#8216;beleza, pode vir, mas se ele vier pegar o pedido a gente não vai deixar ele sair. Se ele tentar sair o prejudicado vai ser ele e o seu pedido&#8217;. [Ele respondeu} &#8216;eu vou chamar a polícia, vou colocar a polícia na porta&#8217;. [Respondemos que] &#8216;não tem problema pra nós, a gente pega ele na esquina ali, na rua de trás, isso é o de menos, fica tranquilo&#8217;. Foi só um mesmo que teve essa pressão. Teve dono de estabelecimento que chegou a ir nos pontos de paralisação que a gente tava. Os estabelecimentos estavam tentando entrar em contato com o iFood para o iFood entrar em conta com a gente, pra poder resolver essa situação.</p>
<p>Os estabelecimentos começaram a fazer isso porque eles começaram a ter problema com o iFood. Naquela época aqui, o iFood soltava muita promoção pra cliente. Então uma coquinha de 200ml saía por 50 centavos, 1 real. O cara ia na plataforma do iFood, pedia cinco, seis, sete. Estourava de entrega. Só que os estabelecimentos não tavam tendo os recursos de volta, não tavam recebendo. E na época também não tinha o código de coleta, o código pra pegar com o cliente. Então tinha muita gente que agia de má fé, e aí o pedido sumia… Então os estabelecimentos também estavam com problema com o iFood. Isso ajudou bastante.</p>
<p>Esse estabelecimento [que falou de chamar a polícia] fica próximo da [rodovia] Dutra e de uma base da Polícia Federal, e esses policiais vão muito lá. E vai Polícia Militar também, então ele se achou no direito de fazer isso. Só que não adiantou nada.</p>
<p><strong>Leo</strong>: Os estabelecimentos então nem chegaram a pressionar os motoboys para o fim da greve?</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-157700" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-part-iv-inverno-1994.jpgPinterestSmall-181x300.jpg" alt="" width="381" height="633" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-part-iv-inverno-1994.jpgPinterestSmall-181x300.jpg 181w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-part-iv-inverno-1994.jpgPinterestSmall.jpg 210w" sizes="auto, (max-width: 381px) 100vw, 381px" /></p>
<p><strong>Cabeça</strong>: Não, não, não [não chegaram a pressionar] O fim da greve só aconteceu mesmo devido a gente ter conseguido… Aqui em São José na época da greve existia uma promoção, só que essa promoção era limitada. Tipo num raio de 3 km, de um ponto da cidade. Então se você fosse pegar um pedido desse ponto da cidade e fosse entregar pra outro, lá tocava entrega mas não tocava promoção. Era promoção de 1,50 ou 2 reais, alguma coisa assim. E aí como a gente ficou seis dias parados, a negociação foi assim: &#8216;vocês soltam promoção pra gente, pra gente recuperar esses seis dias aí, durante o final de semana inteiro mas pra cidade inteira, qualquer parte da cidade&#8217;. E aí eles aceitaram esse acordo e aceitaram fazer uma reunião com a gente presencialmente.</p>
<p><strong>Leo</strong>: Essa era uma questão que eu ia fazer. Quais foram os resultados da greve? Teve a reunião dia 28 de setembro de 2021. Saiu alguma coisa da reunião do dia 28?</p>
<p><strong>Cabeça</strong>: Da reunião do dia 28 saiu a taxa mínima, o valor da taxa mínima. Só que só foi reajustado no ano seguinte.</p>
<p><strong>Leo</strong>: Fizeram esse compromisso na reunião de ajustar a taxa mínima.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-157701" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-primavera-1995.jpgPinterestSmall-179x300.jpg" alt="" width="379" height="633" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-primavera-1995.jpgPinterestSmall-179x300.jpg 179w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-primavera-1995.jpgPinterestSmall.jpg 210w" sizes="auto, (max-width: 379px) 100vw, 379px" /></p>
<p><strong>Cabeça</strong>: Isso, fizeram esse compromisso com a gente. Depois teve o Fórum dos entregadores [Fórum organizado pelo iFood] no final do ano, que foi onde a gente pressionou também. Mas o reajuste foi só no ano seguinte que teve. Na época a gente tava brigando também… era a taxa mínima, o fim dos bloqueios indevidos, a promoção &#8211; a gente conseguiu a liberação da promoção pra cidade inteira &#8211; , e o código de coleta. Essas quatro foram coisas que a gente conseguiu conquistar. Não através dessa reunião especificamente. Essa reunião a gente conseguiu só o valor da taxa mínima. Esses outros pontos que falei a gente foi conseguindo depois, no decorrer. Lá no Fórum dos entregadores a gente conseguiu tudo isso daí. Só que também o iFood demorou. Demorou um ano pra soltar o reajuste. O código de coleta eles colocaram até rápido. O fim dos bloqueios demorou um pouco, mas conseguimos recuperar essas contas de pessoas bloqueadas indevidamente. Fizemos um acordo com o iFood e o iFood deu uma oportunidade de novo pra esse pessoal. E foi isso.</p>
<p><strong>Leo</strong>: Essa questão dos bloqueios indevidos, como é que está isso hoje em dia? Melhorou bastante em relação ao iFood pelo menos, com o fato também de ter o código? Aqueles problemas que davam com os clientes, melhorou bastante ou continua mais ou menos…?</p>
<p><strong>Cabeça</strong>: Melhorou. Melhorou muito isso daí. Melhorou demais, por causa do código de coleta. A gente tem um código de coleta que a gente passa pro estabelecimento e pegamos um código com o cliente, que é os quatro últimos números do telefone. Quando colocou esse negócio do código aqui em São José caiu de uns 90 pra uns 10%. Não vi mais os caras reclamando aqui em São José &#8216;ah minha conta foi bloqueada&#8217;. Teve um ou outro que teve a conta bloqueada, mas quando a gente descobriu foi porque o cara que fez coisa errada mesmo. Injustamente hoje em dia nem se ouve mais falar disso.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-157695" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-estate-1995-1.jpgPinterestSmall-205x300.jpg" alt="" width="305" height="446" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-estate-1995-1.jpgPinterestSmall-205x300.jpg 205w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-estate-1995-1.jpgPinterestSmall.jpg 210w" sizes="auto, (max-width: 305px) 100vw, 305px" /></p>
<p><strong>Leo</strong>: Ocorreram outras paralisações depois daquela aí em São José dos Campos?</p>
<p><strong>Cabeça</strong>: Depois daquela paralisação de seis dias, houve uma paralisação esse ano. Depois daquela de seis dias foi muito difícil parar de novo. Porque o iFood liberou um monte de conta, não teve mais problema com bloqueio, essas coisas. E então a rapaziada pegou e ficou de boa: &#8216;tá de boa pra trabalhar, tá sossegado&#8217;. Agora nessa paralisação que teve foi de dois dias. Até porque muitas pessoas que participaram do breque de seis dias, a maioria não está mais trabalhando de motoboy. Muitos já saíram fora já. Porque foi na época de pandemia, logo depois da pandemia a greve, então tinha muita gente que era de fábrica, essas coisas, que tava rodando com a gente. Mas esse [Breque nacional] que teve agora do dia 31 de março ao dia 1º de abril, a gente conseguiu fazer tranquilo. Só que a gente tomou a decisão, todos nós… perguntei pro pessoal &#8216;ei pessoal vai fazer a greve de um dia, vai fazer a paralisação nacional ou a gente vai ficar mais dias?&#8217;. Teve uma porcentagem de pessoas que queria ficar mais dias. A gente fez uma votação e de 150 motoboys, 50 queria fazer mais dias e os outros 100 não. E como a gente sempre teve uma democracia, o que vale é o maior, o que der maior voto já era. E o que acontece, se eu levantasse a mão primeiro, eu ia puxar todo mundo. Aí pensei, &#8216;não, não vou levantar a minha mão, vou deixar o pessoal votar pra eu depois dar o meu voto&#8217;. Porque muita gente vai no embalo. Aí deu essa votação, 100 pessoas queriam participar do primeiro dia só. E foi bacana, pessoal respeitou bastante. Tivemos muita rapaziada nova, que tinha seis meses, um ano de iFood e já percebeu como o iFood tava arregaçando. E não duvido muito não se logo logo não vai ter uma paralisação também não. Porque esse aumento que o iFood deu de 1 real foi meio que uma enganação pro motoboy. Complicado. Mas, estamos esperando aí pra ver.</p>
<p><strong>Leo</strong>: Greve em geral tem os seus limites por vários fatores, né? É grana que o pessoal deixa de ganhar, que imagino que tenha sido um fator para o término. Mas além disso teve alguns outros fatores? Claro, vai desgastando, o pessoal vai cansando… Quais fatores você elencaria como determinantes praquela greve ser encerrada no sexto dia?</p>
<p><strong>Cabeça</strong>: Primeiro foi o que você falou, a questão financeira. Isso aí foi o que pegou bastante. Você tá sentado e você tá ali na base com o pessoal e você vê o pessoal com o semblante caído, preocupado porque tem algo pra pagar e tal. E o cansaço. O cansaço foi bem puxado. Porque no começo foi eu sozinho. Hoje aqui em São José eu não puxo sozinho um breque, porque hoje tenho outros aliados, que vieram comigo daquele primeiro breque [a greve de seis dias]. Mas no primeiro era tudo eu. O estabelecimento ligava, &#8216;ah, fala com o Cabeça&#8217;, &#8216;ah o iFood tá ligando, fala com o Cabeça&#8217;, &#8216;ah o motoboy tá com problema, fala com o Cabeça&#8217;. Era tudo eu, então era muita coisa pra pensar. Aí a mulher dentro de casa cobrando… Foi um negócio muito louco. Parar [a greve] foi uma decisão coletiva, não foi só minha não. A gente chegou no dia lá e falou &#8216;rapaziada, é o seguinte, o iFood entrou em contato, o iFood aceitou a nossa proposta de aumentar o valor da promoção e soltar pra cidade inteira&#8217;, porque na época era 1,50 se não me engano a promoção. E o iFood aumentou pra 3 reais a promoção. E aí o pessoal falou &#8216;ó Cabeça, a gente conseguiu o que a gente queria, a gente queria é um contato do iFood, a gente queria que o iFood desse uma atenção pra gente. A gente conseguiu uma coisa que várias capitais não tinham conseguido. O pessoal lá de São Paulo os motoboys tinham ido na porta do iFood e o iFood não deu atenção pros caras, e nós conseguimos um contato do iFood aqui. O cara falou com a gente e soltou. Então a gente cumpriu o nosso papel, vamos voltar&#8217;.</p>
<p>O cansaço falou muito alto. O estresse emocional foi cabuloso. Depois eu acho que fiquei uma semana sem falar em grupo de motoboy, sem falar com ninguém, porque foi bem puxado.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-157694" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-autunno-1995.jpgPinterestSmall-205x300.jpg" alt="" width="305" height="447" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-autunno-1995.jpgPinterestSmall-205x300.jpg 205w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-autunno-1995.jpgPinterestSmall.jpg 210w" sizes="auto, (max-width: 305px) 100vw, 305px" /></p>
<p><strong>Leo</strong>: No início de outubro daquele ano, algumas semanas após o fim da greve, foi criada a Associação aí de vocês, ou pelo menos no CNPJ, a Associação dos Motoboys do Vale do Paraíba e do Litoral Norte. Você participou da criação da Associação? E por que viram a necessidade ou acharam que era uma boa ideia criar a Associação?</p>
<p><strong>Cabeça</strong>: Na época eu não participei da criação. Fui até convidado pra participar. O cara que criou a associação, ele tava junto comigo no Buzinaço. Era eu e ele. Mas quando foi na greve do iFood eu fui sozinho, ele não me acompanhou. Até porque ele trabalha de CLT também. Aí depois ele criou essa Associação. Hoje é que a galera aqui em São José tá começando a aceitar essa Associação. Porque entrei como vice-diretor dessa Associação nesse mês de maio agora. Quando eu entrei na Associação só tinha três associados. A Associação foi criada em 2021, mas a categoria não aceita o presidente. Porque, tipo assim, não é motoboy conhecido, motoboy visto. Ele é um cara que trabalha de CLT e faz uns bicos de moto. Então a rapaziada não aceitou. Agora que eu entrei como vice-diretor, puxei uns meninos que participaram comigo da greve, hoje a Associação tá com 89 pessoas. Graças a Deus. Já conseguimos dar uma erguida nela. E estamos devagar, mas hoje a gente entende que pra gente conseguir conquistar alguma coisa a gente precisa de uma Associação. Isso aí a gente vê pelos outros estados e cidades. Teve uma época logo depois da greve, no mesmo ano da greve, que o iFood ofereceu me ajudar a criar uma Associação aqui na minha cidade, me ofereceram uma base de OL e tudo. Mas não aceitei. Não aceitei porque achei que se eu aceitasse eu estaria me vendendo pra eles. Então eu procurei não aceitar isso daí. Que nem outros colegas meus que acabaram aceitando em outros estados, infelizmente. Hoje a gente entende que a gente precisa de uma Associação pra conquistar algo pra categoria. Hoje através dessa Associação a gente conseguiu aqueles bolsões em frente do semáforo pra moto. A gente conseguiu também a faixa azul [faixa exclusiva pra motos]. Já tem um ano que ela foi aprovada, só não colocaram ainda, estamos pressionando eles.</p>
<p><strong>Leo</strong>: Ela serve para ser uma referência, na hora que tem que dialogar com o poder público, essas coisas, né?</p>
<p><strong>Cabeça</strong>: Até o próprio iFood tinha falado pra gente que só ia conversar com a gente quando a gente tivesse uma Associação, que ele não conversaria mais diretamente com entregador.</p>
<p><strong>Leo</strong>: Na greve de vocês, vocês conseguiram parar mesmo os estabelecimentos. Eu não sei se em Jundiaí e Paulínia eles tiveram essa mesma capacidade.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-157696" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/quattro-stagioni-estate-1995.jpgPinterestSmall.jpg" alt="" width="310" height="443" /></p>
<p><strong>Cabeça</strong>: Eles tiveram um êxito bastante bom. Se eu não me engano Paulínia teve apoio dos estabelecimentos. Os estabelecimentos apoiaram. Jundiaí eu sei que teve um probleminha, mas os caras conseguiram segurar. Mas sei que Paulínia foi, modo de dizer, um pouco mais fácil porque eles tiveram os estabelecimentos do lado.</p>
<p><strong>Leo</strong>: O que que você acha que fez essa diferença aí em São José dos Campos ou mesmo nessas cidades que você teve algum contato com o pessoal &#8211; Jundiaí, Paulínia &#8211; para conseguir fazer essa greve de seis dias? Qual o “segredo”? Porque na maioria das cidades já é difícil paralisar um dia, dois. Por que vocês acham que conseguiram fazer essa diferença aí?</p>
<p><strong>Cabeça</strong>: Creio eu que o que fez a diferença da gente conseguir segurar bastante tempo essa greve foi justamente devido aos problemas que estavam tendo aqui na cidade. Questão de bloqueios, estabelecimentos maltratando o motoboy. Porque essa greve também foi pra gente poder dar um choque de realidade nos estabelecimentos, porque a gente tava tendo muito problema com estabelecimento aqui. Eles estavam maltratando a gente demais. Qualquer coisinha eles falavam que iam mandar pro iFood bloquear a conta. Aí o cara já ficava com medo. E tinha um estabelecimento aqui em São José, que o irmão da dona do estabelecimento trabalhava dentro do iFood, então teve muita conta boqueada devido a esse estabelecimento. E foi um dos estabelecimentos que a gente travou e travou mesmo. Inclusive eu fui lá pessoalmente nesse estabelecimento, porque eu falei pros caras: &#8216;eu não tenho medo de ser bloqueado, se eu for bloqueado eu boto os caras todos no pau&#8217;. Então isso serviu também. O porquê deu certo é porque todo mundo pensou a mesma coisa: &#8216;tamo fodido, fodido e meio, vamo embora, botar o pé na jaca&#8217;. Foi isso. Não tem um “por que” assim.</p>
<p>As outras cidades eu creio que tentaram fazer também uma greve longa porque, por São José dos</p>
</div>
<div class="level3" style="text-align: justify;">
<p>Campos ter sido a primeira cidade que fez a greve mais longa da história dos motoboys, foi a primeira cidade que conseguiu contato diretamente com o iFood e com a Associação das plataformas, que é a Amobitec. A Amobitec também entrou em contato comigo. Então a gente foi a primeira que conseguiu. Na cabeça dos caras foi &#8216;bom, se os caras conseguiram promoção pra cidade, pra gente conseguir também vamos ter que fazer a mesma coisa&#8217;. E o iFood entendeu isso e depois soltou a nota dizendo pro pessoal que não ia mais entrar em contato com ninguém, que ia criar um Fórum dos entregadores e isso e aquilo e tal, e aquela embromação…</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-157693 size-thumbnail alignleft" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/cy-twombly.jpgPortrait-70x70.jpg" alt="" width="70" height="70" /><em>As ilustrações reproduzem obras de Cy Twombly (1928-2011).</em></p>
<p>&nbsp;</p>
</div>
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		<title>Um relato das manifestações pró-Palestina na Itália</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Sep 2025 09:59:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Greves]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
		<category><![CDATA[Itália]]></category>
		<category><![CDATA[Outras_lutas]]></category>
		<category><![CDATA[Palestina]]></category>
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					<description><![CDATA[Talvez a questão palestina tenha se tornado o tema aglutinador de um conjunto de insatisfações sociais difusas. Por Pérez Gallo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Pérez Gallo</h3>
<p style="text-align: justify;">Participei, meio por acaso, da manifestação em Milão do dia 22 de setembro, amplamente repercutida internacionalmente devido aos violentos confrontos com a polícia que ocorreram na entrada Estação Central ferroviária. Eu estava na Alemanha durante a semana anterior, onde participava de um evento acadêmico e, sendo eu originário da Itália, decidi estender minha viagem mais uns dias em Milão, para visitar amigos e familiares. Cheguei na noite da sexta-feira, dia 19, e logo me pareceu que o clima era diferente do habitual — mais tenso, em expectativa. O genocídio palestino, de fato, é um tema muito forte no debate italiano, seja pela presença de uma importante comunidade árabe e palestina no território, seja pela proximidade geográfica e geopolítica. Mas também — acredito eu — porque na questão palestina chegaram a convergir, nos últimos anos, esperanças de retomada de alguma movimentação depois de mais de uma década de refluxo das lutas. Refluxo que em Milão se sente mais forte ainda: uma cidade completamente dominada pela <em>gentrification</em> e a especulação imobiliária, pelos grandes eventos de moda e as feiras de comida gourmet, pelo encarecimento do transporte urbano e um ritmo econômico (e de exploração) a todo vapor. E onde, faz tempo, as lutas sociais são algo meio ausente do horizonte da vida urbana.</p>
<p style="text-align: justify;">No próprio dia 19, na hora em que eu voltava do aeroporto, estava em curso um pequeno ato e paralisação organizado pela CGIL, a maior confederação sindical, em solidariedade à Gaza. Ao contrário do que se poderia pensar, a decisão da CGIL não foi a corajosa escolha de organizar uma greve política, mas a tentativa covarde de recuperar a luta, adiantando a greve que já havia sido marcada para o dia 22 pelos sindicatos de base USB, Cobas, ADL Cobas, CUB, SGB, sob impulso do coletivo de trabalhadores portuários de Gênova. A ideia seria fazer uma paralisação de apenas duas horas, na parte da tarde de uma sexta feira, e não aderir — e desta forma enfraquecer — a outra marcada para o dia inteiro da segunda-feira (um dia no qual um bloqueio faz muito mais prejuízo). A manobra, aparentemente, não deu certo. Durante todo o fim de semana, pessoas no meu entorno — até mesmo muitos conhecidos meus que não participavam de uma manifestação há 15 anos — não paravam de falar do próximo ato do dia 22. Era prevista chuva, e isso gerava dúvidas sobre o êxito da mobilização.</p>
<p style="text-align: justify;">Na manhã da segunda-feira, de fato, a chuva caía intensa e constante. Apesar disso, já ao chegar em Piazza Cadorna um pouco antes do horário marcado para a concentração, dava para saber que o ato seria grande. Milhares de pessoas iam se acumulando sob os guarda-chuvas, ao ponto de quando a frente do ato começou a se mover, na praça ainda estava chegando gente. A manifestação, com mais de 50.000 pessoas, foi desfilando de maneira confusa por quase 5 quilômetros até a Estação Central, não sem antes realizar um desvio para passar na frente do consulado dos Estados Unidos, onde foram queimadas as bandeiras dos EUA, de Israel, da União Europeia e da OTAN. O que me surpreendeu, talvez por ter ficado muitos anos afastado das manifestações italianas, foi a composição política do ato, ou seja, a não divisão em blocos organizado pelas entidades e os centros sociais, mas sim uma longa serpente humana heterogênea e indefinida, todos atrás de um único carrinho de som do sindicato USB, na qual se misturava a composição social: de estudantes e aposentados, imigrantes árabes, jovens secundaristas de periferia e famílias com crianças, trabalhadores e classe média, com aqui e acolá grupinhos que faziam alguma intervenção específica, como um grupo de fanfarras e os trabalhadores da saúde sob a faixa de “sanitários por Gaza”. Em geral, me pareceu também um ato pouco barulhento, quase silencioso em momentos, como se a falta de caixa de som deixasse mais espaço para o vazio atroz do momento que estamos vivendo.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DO6jl2KDJNA/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p>&nbsp;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DO6jl2KDJNA/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by MIM (@milanoinmovimento)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Ato de Milão visto de cima<br />
<script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script></em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ao chegar, por volta das 13 horas, na praça da Estação Central, a sensação geral foi de estranhamento: o ato parecia ter acabado, mas a gente ainda não tinha bloqueado nada, enquanto chegavam notícias de ocupações de estações, rodovias e portos em outras cidades. A polícia estava com um enorme contingente alinhado para a defesa da estação e parecia loucura tentar desafiá-los, além do fato de que nenhum grupo parecia ter se organizado para isso. Pouco a pouco, todavia, frustrações e expectativas foram levando um grupo de pessoas a descer as escadas do metrô, de onde teria uma passagem para a estação por via subterrânea. Logo abaixo, porém, estava outro contingente policial. A pressão foi se acumulando, até que com muita gritaria e alguns empurrões, conseguimos entrar na parte de baixo da estação. Dali, porém, para chegar a ocupar os trilhos, a gente precisava subir até o andar de cima por uma escada rolante, acima da qual começou o confronto, que continuou nas portas de vidro da hall da estação, defendida pelos policiais e completamente destruídas pelos manifestantes. Finalmente, a polícia começou lançar bombas de gas lacrimogêneo, muitos na altura do rosto. A batalha durou uma hora e meia dentro da estação mais umas duas horas na via Vittor Pisani, a grande avenida do lado de fora, com a polícia avançando e a galera resistindo, sem recuar, lançando pedras e outros objetos. Apesar de não ter chegado aos trilhos, por um bom tempo a estação ficou fechada, com os trens que, já acumulando atrasos de mais de duas horas devido à greve, por um tempo pararam de vez de passar pela estação. Pelo que li depois, a participação nos confrontos mais acesos foi de um milhar de pessoas, com outros tantos apoiando do lado de fora. O saldo foi de 60 policiais feridos, com 24 hospitalizados, 11 manifestantes detidos (entre eles dois menores de idade), e uns dez levados embora pela ambulância. Me surpreendeu realmente a disposição da galera: não lembro, desde que era adolescente, uma manifestação com esse tipo de confrontos tão demorados e ao mesmo tempo sem preparação prévia. No passado, o mais comum eram confrontos “performáticos” da galera das ex <em>tute bianche</em>, com um pouco de corpo a corpo das primeiras linhas com a polícia para ter foto na mídia e depois recuo, ou momentos de <em>riot</em> mais planejados, com queima de carros no meio do ato por parte de um grupo menor mas completamente desconectado com o sentimento geral da manifestação, como ocorreu na grande manifestação “No Expo” de 1º de maio de 2015. De lá para cá, o deserto.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DO6hXCqAP2w/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p>&nbsp;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DO6hXCqAP2w/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by Federação Árabe Palestina (@fepal_brasil)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Vídeos do confronto</em><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Se Milão, pelo seu desfecho violento, foi o centro das notícias e das imagens que passaram na mídia e nas redes — e obviamente repercutida pela primeira ministra Giorgia Meloni, que em momento nenhum atacou a barbárie israelense em Gaza com a mesma dureza que dedicou aos “vândalos de Milão” —, no resto da Itália a jornada de luta também foi gigante. Segundo o sindicato USB, a participação nos atos foi de mais de 1 milhão de pessoas em 84 cidades.</p>
<p style="text-align: justify;">Em Roma, de 200 a 300 mil pessoas desfilaram durante 8 horas, por 10 quilômetros, pelas ruas da cidade, cercando a Estação de Termini (a maior da cidade), provocando o momentâneo bloqueio do trânsito ferroviário, e ocupando o campus universitário de La Sapienza e o anel rodoviário Leste durante horas em ambas direções. Lá, muitos dos motoristas parados no trânsito, reagiram não com raiva mas com aplausos, buzinas e manifestações de cumplicidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/NnNe1MzD2_4?si=l4MwbHI_3XiygMhn" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Apoio dos motoristas à manifestação</strong><br />
</em></p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DO51pJfjNPJ/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p>&nbsp;</p>
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<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DO51pJfjNPJ/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by Welcome to Favelas (@welcometofavelas)</a></p>
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</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Manifestação em Roma vista de cima<script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script></em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Outra manifestação enorme foi em Bolonha, com 50.000 pessoas enchendo as ruas do centro para depois ocupar o anel rodoviário, onde houve repressão policial com quatro pessoas detidas.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-captioned="" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/DO5i_llCCTG/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p>&nbsp;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/p/DO5i_llCCTG/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by HubAut Bologna (@hubautbologna)</a></p>
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<p><strong><em><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script>Ato em Bolonha</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/6dD2wHPrU-c?si=imycw_5Ag6L3Dwtl" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe>Confrontos no anel rodoviário em Bolonha</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Atos de 15 a 20 mil pessoas ocorreram também em Nápoles e Turim (onde foi ocupada a estação ferroviária); Gênova (com a ocupação do porto); e em Veneza, onde os centros sociais do Nordeste foram bloquear Porto Marghera e tiveram confrontos com a polícia que fez uso de jatos de água.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/HhCYfSOTMdQ?si=lEA5lhXiMEkB7Hpr" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></strong></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Veneza</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Outros confrontos e detenções ocorreram em Brescia, na tentativa dos 10.000 manifestantes de ocupar a estação ferroviária depois de bloquear o metrô da cidade, enquanto um número similar de pessoas desfilou em Palermo, Florença e Pisa. Nesta última cidade, os manifestantes conseguiram bloquear a rodoviária, a estação de trens e até mesmo a rodovia Firenze-Pisa-Livorno. Cinco mil pessoas tomaram as ruas em cidades do sul como Cagliari, Catania e Bari. Houve também bloqueios e interrupções em outras importantes terminais portuárias como as de Trieste, Ravenna, Ancora, Civitavecchia e Salerno. Em Livorno o bloqueio da terminal Valessini se transformou em um protesto permanente visando o dia seguinte, quando era esperada a passagem de um navio cargueiro norte-americano dirigido a Israel.</p>
<p style="text-align: justify;">Em seu conjunto, a jornada foi sem dúvida exitosa e surpreendente. Surpreendente em primeiro lugar porque a Itália tinha ficado afastada dos últimos ciclos de revoltas globais. Os movimentos sociais estão totalmente fragmentados, e o que tem imperado entre os camaradas nos últimos anos é uma sensação constante de desilusão e impotência, sentimentos acrescidos, nos últimos tempo, pela ascensão de um governo de extrema-direita. Sim, desde o começo do genocídio na Palestina, as ocupações nos campi universitários tinham mostrado certa reativação da composição juvenil, certamente dominante também nas manifestações da segunda-feira mas extremamente reduzida em termos demográficos naquilo que é o segundo país mais idoso do mundo. Ao mesmo tempo, sob impulso da pequena organização dos Jovens Palestinos, os protestos em solidariedade com Gaza tem adquirido certa frequência, chegando a ser, no caso de Milão, até mesmo semanais, com alguns pequenos atos que acontecem todos os sábados. Possivelmente, a saída da Global Sumud Flotilla deve ter dado alguma inspiração, assim como o movimento francês “bloqueemos tudo”, surgido nas últimas semanas contra as políticas de Macron. Quiçá a indignação tenha ultrapassado algum limiar com a escalada da “solução final” do holocausto palestino posta em marcha por Israel nos últimos meses. E quiçá a questão palestina tenha se tornado, hoje em dia, o principal tema aglutinador de um conjunto de insatisfações sociais difusas. Talvez ela seja, hoje, <a class="urlextern" title="https://ilmanifesto.it/palestina-e-il-nome-del-nostro-scontento" href="https://ilmanifesto.it/palestina-e-il-nome-del-nostro-scontento" rel="ugc nofollow">“o nome do nosso descontentamento”</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Exitosas foram sem dúvidas as manifestações, mas sobretudo a escolha estratégica dos bloqueios das principais vias de comunicações. Muito rapidamente, a partir dos bloqueios dos portuários dos navios carregados de armas e munições para abastecer diretamente o exército israelense, chegou-se a entendimento que toda a logística da guerra é inseparável da logística do capitalismo global nessa sua etapa destrutiva. Se os gargalos dos transportes e das comunicações de mercadorias e pessoas configuram o esqueleto material da economia global, surgiu o entendimento que é a partir dali que seria quiçá possível exercer algum tipo de “contrapoder” à barbárie fascista.</p>
<p style="text-align: justify;">Menos exitoso, todavia, foi o resultado da paralisação em sentido estrito. Diante da convergência entre as dificuldades evidentes de realizar uma greve “política” (de fato, essa foi a primeira experiência desde que começou o genocídio em Gaza) e a covardia da CGIL e das outras grandes confederações sindicais, que tem hegemonia de filiados na produção e no público emprego, a taxa de adesão parece ter sido <a class="urlextern" title="https://www.tag24.it/1353021-dati-adesione-sciopero-generale-per-gaza-22-settembre-la-percentuale" href="https://www.tag24.it/1353021-dati-adesione-sciopero-generale-per-gaza-22-settembre-la-percentuale" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">abaixo de 10%</a> em muitos setores, com prováveis exceções no setor da educação pública e em alguns setores da circulação, que em algumas cidades aderiram em peso. Isso abre muitas perguntas sobre se é possível paralisar a vida econômica sem a adesão em massa da classe trabalhadora organizada, mas conseguindo atingir os principais gargalos da economia global. Em tempos em que arrocho salarial, desemprego, chantagem nos locais de trabalho, precarização do emprego, direções sindicais pelegas, tornam mais difícil o efetivo exercício do instrumento da greve, até que ponto uma revolta bem efetiva pode se tornar ela mesma uma forma de paralisação geral?</p>
<p style="text-align: justify;">Mas a principal pergunta, aqui e agora, é saber se esse novo movimento terá a força e a capacidade de seguir em frente, de crescer, de colocar em crise um governo Meloni que até agora ainda navega com algum grau de consenso, e sobretudo de transboradar para outros países para dar um aporte real ao fim do genocídio em curso. Conforme anunciado pelo coletivo de portuários de Gênova, a atual greve foi lançada como ensaio geral para o momento em que houvesse algum tipo de agressão à Global Sumud Flotilla, que nesses mesmos dias está se aproximando da Faixa de Gaza. Caso isso venha a ocorrer, os portuários já ameaçaram que não irão carregar “nem sequer um prego” e parariam “a Europa inteira”. O tempo nos dirá. Por agora, ficamos com a sensação que por uma vez, levantamos a cabeça, vencemos a resignação. Quiças seja apenas por um lampejo, uma sensação de que, juntos nas ruas, podemos ainda nos sentir vivos. Que ainda podemos gritar, mesmo que quase não faça sentido dado o nível da tragédia presente, que “os povos em revolta escrevem sua história, intifada até a vitória!”.</p>
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		<item>
		<title>O que a greve dos caminhoneiros de 2018 nos diz</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Sep 2025 11:30:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Greves]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho_e_sindicatos]]></category>
		<category><![CDATA[Transportes]]></category>
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					<description><![CDATA[O fator mais importante do que as variáveis econômicas e político-institucionais  é relação com a ação coletiva dos trabalhadores. Por Leo Vinicius]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Leo Vinicius</h3>
<p style="text-align: justify;">A greve nacional dos caminhoneiros em 2018 durou onze dias, e com mais de 750 bloqueios de estradas, teve um impacto imenso na economia do Brasil. Estima-se que reduziu 0,2% do PIB e tenha causado perdas de 75 a 100 bilhões de reais. No entanto, essa impressionante demonstração de força e de imenso potencial de barganha resultante da posição estratégica dos caminhoneiros no fluxo da produção e circulação de mercadorias, não se reverteu e não tem se revertido em condições de trabalho e remuneração. As demandas, que giravam em torno do preço do diesel e do preço dos fretes, foram atendidas de forma pouco efetiva. A redução do preço do diesel durou apenas seis meses e, apesar de uma tabela de frete mínimo ter virado lei, ela sofreu suspensões judiciais e hoje depende de vontade e capacidade do governo da vez de fiscalizar e usar seu poder coercitivo para que a tabela tenha efeito real.</p>
<p style="text-align: justify;">Jörg Nowak escreveu um artigo enquanto a tabela do frete estava suspensa judicialmente &#8211; publicado em 2022 &#8211; em que argumenta, com base no exemplo dessa greve e de seus resultados, que o poder estrutural ou estratégico de uma categoria de trabalhadores não é explicativo ou preditivo, ou não suficientemente explicativo ou preditivo, das conquistas materiais dessa categoria <strong>[1]</strong>. Poder estrutural ou poder estratégico entendido como o poder de um grupo ou categoria de trabalhadores de paralisar o processo ou fluxo produtivo devido a sua posição nesse processo ou fluxo. Nowak tenta mostrar que uma análise da economia política envolvendo o setor é necessária para explicar o pouco resultado daquela greve dos caminhoneiros.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-157575" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/WhatsApp-Image-2018-05-23-at-08.46.26.jpeg" alt="" width="1280" height="960" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/WhatsApp-Image-2018-05-23-at-08.46.26.jpeg 1280w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/WhatsApp-Image-2018-05-23-at-08.46.26-300x225.jpeg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/WhatsApp-Image-2018-05-23-at-08.46.26-1024x768.jpeg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/WhatsApp-Image-2018-05-23-at-08.46.26-768x576.jpeg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/WhatsApp-Image-2018-05-23-at-08.46.26-560x420.jpeg 560w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/WhatsApp-Image-2018-05-23-at-08.46.26-80x60.jpeg 80w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/WhatsApp-Image-2018-05-23-at-08.46.26-100x75.jpeg 100w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/WhatsApp-Image-2018-05-23-at-08.46.26-180x135.jpeg 180w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/WhatsApp-Image-2018-05-23-at-08.46.26-238x178.jpeg 238w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/WhatsApp-Image-2018-05-23-at-08.46.26-640x480.jpeg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/WhatsApp-Image-2018-05-23-at-08.46.26-681x511.jpeg 681w" sizes="auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px" />Certamente o nível de conquistas de uma categoria de trabalhadores é determinado por uma equação complexa, cujas variáveis não são apenas a dimensão da ação coletiva e a posição estratégica ou não dessa categoria no fluxo de produção e circulação (o poder de barganha de local de trabalho). Há uma série de variáveis que se reportam a contextos institucionais, econômicos, culturais, políticos, tanto setoriais quanto locais e globais. Nowak tem sem dúvida o mérito de apresentar algumas dessas variáveis e contextos explicativos, deixando claro que conseguir um impacto econômico significativo com a ação coletiva não é condição suficiente para conquistas efetivas. Porém, trago aqui a hipótese de que um fator mais importante do que as variáveis econômicas e político-institucionais apresentadas por Nowak para o fraco resultado daquela greve dos caminhoneiros, tem relação sim com a ação coletiva dos trabalhadores.</p>
<p style="text-align: justify;">Peguemos o conceito de <em>capacidade de gerar disposição de agir</em>, de Claus Offe e Helmut Wiesenthal. No modelo deles, uma organização dos trabalhadores exerce poder através da capacidade de gerar disposição de agir de seus membros <strong>[2]</strong>. Geralmente esse poder se exerce na forma de sanção ao capital por meio da paralisação da produção. Para os objetivos de Offe e Wiesenthal, não era necessário pensar essa capacidade de gerar disposição de agir ao longo do tempo. Porém, na prática a questão que se coloca é que a capacidade de gerar disposição de agir varia no tempo. Disposição de agir por quanto tempo? Em quais intervalos de tempo? Em termos matemáticos, para calcular o poder dessa organização ou categoria de trabalhadores seria necessário calcular a integral da capacidade de gerar disposição de agir num intervalo de tempo.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-157573" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/greve-SO-Ajus-1080x675-1.png" alt="" width="1080" height="675" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/greve-SO-Ajus-1080x675-1.png 1080w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/greve-SO-Ajus-1080x675-1-300x188.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/greve-SO-Ajus-1080x675-1-1024x640.png 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/greve-SO-Ajus-1080x675-1-768x480.png 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/greve-SO-Ajus-1080x675-1-672x420.png 672w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/greve-SO-Ajus-1080x675-1-640x400.png 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/greve-SO-Ajus-1080x675-1-681x426.png 681w" sizes="auto, (max-width: 1080px) 100vw, 1080px" />O que a greve dos caminhoneiros de 2018 e seus resultados talvez nos apontem, é que a capacidade de efetivar mobilização disruptiva da produção quando se quer ou quando se acha necessário &#8211; ou pelo menos a capacidade de fazer o adversário achar que a categoria possui esse poder de paralisar com certa frequência &#8211; , é mais importante do que uma mobilização gigantesca e com ares de revolta. Na medida que os patrões e o Estado não acreditam que ela possa ser desencadeada novamente por organização da categoria, o potencial de reverter em ganhos para a categoria se mantém relativamente reduzido, mesmo que tenha causado bilhões em prejuízo. Um caso que também fortalece essa hipótese é o do pior lançamento de ações na bolsa de valores da história do Reino Unido, no qual estima-se que a Deliveroo tenha deixado de capitalizar cerca de 2 bilhões de libras, resultado de uma campanha sindical. Apesar dessa desastrosa capitalização, isso não reverteu diretamente e nem proporcionalmente em conquistas para os entregadores. Pode-se supor que acabou sendo mais uma em um somatório de ações dos entregadores, uma vez que essa “perda” de 2 bilhões não poderia ocorrer uma segunda vez.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa dimensão temporal, de continuidade ou frequência da ação coletiva, é determinante do poder dos trabalhadores e dos resultados obtidos. Em última análise, é a percepção por parte do Estado e dos patrões da capacidade da organização dos trabalhadores de gerar disposição de agir ao longo do tempo, que irá predispô-los a concessões. Podemos supor que essa percepção é influenciada não apenas pela disposição de agir da categoria de trabalhadores em questão, mas também pelo estado de força da classe trabalhadora como um todo na sociedade. Períodos históricos de ascensão das lutas e da hegemonia da classe trabalhadora na sociedade tendem a forjar um contexto social e político em que as reivindicações dos trabalhadores são melhor aceitas e incorporadas às estratégias de aumento da produtividade e de crescimento econômico.</p>
<p style="text-align: justify;">Em suma, a hipótese aqui exposta, portanto, é que a capacidade de gerar disposição de agir de uma ou de várias organizações de trabalhadores, <em>quando se deseja ou se considera necessário</em>, é tão ou mais importante do que a dimensão do prejuízo de uma mobilização pontual aos patrões ou à economia.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>Notas</strong></h4>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1]</strong> Nowak, J. (2022). Do choke points provide workers in logistics with power? A critique of the power resources approach in light of the 2018 truckers&#8217; strike in Brazil, <em>Review of International Political Economy</em>, 29:5, 1675-1697, DOI: 10.1080/09692290.2021.1931940</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[2]</strong> Offe, C. &amp; Wiesenthal, H. (1984). Duas lógicas de ação coletiva: anotações teóricas sobre classe social e forma organizacional. In: Offe, C. (1984). Problemas Estruturais do Estado Capitalista. (pp. 56-118). Tempo Brasileiro.</p>
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		<title>Duas lições das lutas dos entregadores na Noruega e na Grécia</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/07/157082/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 31 Jul 2025 13:13:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Grécia]]></category>
		<category><![CDATA[Greves]]></category>
		<category><![CDATA[Noruega]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho_e_sindicatos]]></category>
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					<description><![CDATA[Sem retirar o poder das empresas de adotarem a organização de trabalho, relações contratuais e valores pagos aos trabalhadores que bem entendem se torna bastante difícil manter conquistas oriundas de períodos de mais forte mobilização coletiva. Por Leo Vinicius]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Leo Vinicius</h3>
<p style="text-align: justify;">Obviamente, as experiências de luta em outros locais, em outros países e regiões, podem fornecer aprendizados. Podem ajudar a entender os obstáculos e os melhores caminhos a seguir na luta. Noruega e Grécia são dois países muito diferentes entre si, mas que possuem algo em comum em termos de resultado de lutas dos entregadores de aplicativo. Em ambos foram conquistadas inequívocas vitórias sobre duas empresas, a Foodora na Noruega, e o eFood na Grécia. Porém, em alguns poucos anos as conquistas foram parcialmente revertidas (Noruega) ou totalmente revertidas (Grécia).</p>
<p style="text-align: justify;">No Brasil, infelizmente, ainda não houve vitórias de dimensão como na Noruega e na Grécia. De toda forma, os exemplos desses países ajudam a antecipar dificuldades de se manter conquistas que venham por intermédio das lutas dos entregadores e a pensar direcionamentos que evitem que elas sejam logo revertidas pelas empresas.</p>
<p style="text-align: justify;">Podemos dizer que duas lições que as lutas dos entregadores na Grécia e na Noruega nos ensinam são:</p>
<ul style="text-align: justify;">
<li>É preciso conseguir direitos e acordos setoriais, isto é, em que todas as empresas do setor sejam obrigadas a cumprir. Isso para neutralizar a pressão concorrencial entre elas, que leva a buscarem mais avidamente baixar os custos com a força de trabalho.</li>
<li class="li">É necessário retirar o poder das empresas-plataforma de modificarem a bel-prazer, sem consequências legais ou sociais, os valores pagos aos entregadores, as formas de contratação e aspectos da organização do trabalho em geral. Isso para impedir que as empresas possam contornar e esvaziar conquistas dos trabalhadores através desses tipos de mudanças.</li>
</ul>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>Grécia</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">A mais visível organização de luta dos motoboys na Grécia era e é o SVEOD, que se autointitula um sindicato de base horizontal e anti-hierárquico. Em 2019 os motoboys da Grécia conseguiram que as empresas fossem obrigadas por lei a fornecer Equipamentos de Proteção Individual. No ano seguinte realizaram uma greve para que essa lei fosse aplicada.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 2021 uma nova lei liberava as empresas para utilizarem apenas “trabalhadores autônomos”. O eFood, a maior empresa de entrega por aplicativo da Grécia, tinha parte da sua força de trabalho contratada como empregados, embora com contratos temporários de três meses, normalmente renovados. Em junho de 2021 os motoboys realizaram uma paralisação contra essa lei, que, no entanto, foi promulgada na semana seguinte. Em 15 de setembro o eFood informou aos 115 motoboys empregados por ela que não iria renovar seus contratos e que se quisessem continuar a trabalhar para a empresa teria que ser como “autônomos”. Os entregadores convocaram uma mobilização, tendo sido apoiados pelo SVEOD e pelo sindicato dos trabalhadores do setor de turismo e comércio. Paralelamente, foi lançada uma campanha pública pedindo para os consumidores desinstalarem o aplicativo do eFood e o avaliarem negativamente. A campanha ocorreu predominantemente no Twitter, com a a hashtag <em>#cancel_efood</em>. A nota do eFood no Play Store caiu de 4,6 para 1,0 em apenas um dia, e provavelmente um número bastante significativo de pessoas desinstalaram o aplicativo. Em 22 de setembro foi realizada uma paralisação de quatro horas, com uma motociata de cerca de mil motoboys pelas ruas de Atenas. Número esse que era cerca de metade de todos os entregadores do eFood na Grécia.</p>
<p style="text-align: justify;">No dia seguinte, 23 de setembro, o eFood decidiu voltar atrás. Mais do que isso, além de decidir não mais mudar a relação de trabalho daqueles 115 entregadores, decidiu conceder contratos permanentes a dois mil entregadores que tinham contratos temporários através de empresas terceirizadas. Com isso, a greve de 24 horas que havia sido marcada para o dia 24 de setembro se tornou uma manifestação de comemoração dessa grande vitória no centro de Atenas. Vitória que foi conquistada ao atingir um ativo imaterial da empresa: o efeito de rede da plataforma. Isto é, a mobilização atingiu a relação da empresa com os consumidores, os quais estavam até mesmo deletando o aplicativo. Em novembro daquele mesmo ano os entregadores do eFood criaram um sindicato específico de entregadores da empresa.</p>
<p style="text-align: justify;">O contra-ataque do eFood começou no ano seguinte, 2022. A empresa passou a tornar mais atrativo aos entregadores trabalharem como “autônomos” do que como empregados. Tornando os ganhos financeiros dos “autônomos” maiores do que os dos empregados, a empresa criou uma situação em que os empregados começaram a migrar para “autônomos”. Com a plena liberdade para alterar aspectos da relação de trabalho ou da organização do trabalho, como a remuneração dada em cada forma de contratação, a empresa tornou a contratação como “autônomo” não mais uma imposição sua, mas uma “escolha” do trabalhador.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-157084" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/54426566561_f560fa5d28_b.jpg" alt="" width="1023" height="682" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/54426566561_f560fa5d28_b.jpg 1023w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/54426566561_f560fa5d28_b-300x200.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/54426566561_f560fa5d28_b-768x512.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/54426566561_f560fa5d28_b-630x420.jpg 630w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/54426566561_f560fa5d28_b-640x427.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/54426566561_f560fa5d28_b-681x454.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 1023px) 100vw, 1023px" />Em junho de 2022 os entregadores realizaram paralisações e manifestações para retirada do artigo na lei de 2021 que permitia às empresas contratarem apenas “autônomos”. Contudo, não obtiveram sucesso. O fato é que poucos anos depois da grande vitória dos entregadores da eFood em 2021, a empresa conseguiu reverter totalmente aquela vitória, fazendo os entregadores migrarem “por escolha própria” de empregados para “autônomos” e, após essa migração massiva, foram reduzindo os valores das taxas que atraíram os entregadores à condição de “autônomos”. Ou seja, a empresa conseguiu que uma imensa vitória dos entregadores fosse revertida a ponto de eles estarem na Grécia na mesma situação que os entregadores do Brasil se encontram hoje, assim como os de muitos outros países.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>Noruega</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">O exemplo da Noruega é similar ao que ocorre na Suécia. Os países nórdicos formam um caso interessante por possuírem ainda fortes mecanismos que institucionalizam os conflitos laborais, através de um mercado de trabalho bastante sindicalizado e de regras estatais que favorecem o poder institucional dos sindicatos, comparativamente a outros países.</p>
<p style="text-align: justify;">A empresa de entrega por aplicativo Foodora entrou no mercado norueguês em 2015. Embora com contratos atípicos, ela contratou os entregadores como seus empregados, com o gerenciamento do trabalho feito através do aplicativo (gerenciamento algorítmico). Uma parte dos entregadores se filiou ao sindicato dos trabalhadores de transporte, que em 2019 se fundiu ao maior sindicato do setor privado da Noruega, o Fellesforbundet, que cobre mais de duzentas ocupações laborais. Foi também em 2019 que os entregadores da Foodora, através do Fellesforbundet, realizaram uma greve que durou cinco semanas. A mais longa greve de entregadores de aplicativo que tenho notícia no mundo até hoje. Sem o aparelho do Fellesforbundet, essa greve, com essa extensão, não seria possível. Fundo de greve, funcionários dedicados à mídia, relações vastas já constituídas, em suma, uma grande estrutura de apoio possibilitou a greve em toda sua extensão e capacidade de exercer poder sobre a empresa. Além da paralisação do trabalho, campanha nas mídias sociais e o apoio de políticos e da confederação sindical à qual o sindicato é vinculado contribuíram para exercer poder sobre a empresa.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante a greve, o sindicato mais que duplicou o número de entregadores filiados. Inicialmente os entregadores discutiam se seria melhor criarem sua própria organização ou se filiar ao sindicato. Prevaleceu a opção pragmática de se filiar ao sindicato, a partir do entendimento de que o forte sistema sindical e de acordo coletivo norueguês oferecia maiores probabilidades de levar a uma melhoria salarial e das condições de trabalho. A greve foi substancialmente vitoriosa. Através dela foi firmado um acordo coletivo em que os entregadores da Foodora conquistaram um aumento salarial, um adicional para equipamentos e para os meses de inverno, e um plano de previdência. O acordo coletivo foi renegociado em 2020 e 2022.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante a pandemia de Covid-19, a Wolt, uma empresa concorrente da Foodora, ganhou mercado utilizando apenas trabalhadores “autônomos”. Isso fez com que a Foodora passasse a usar cada vez mais entregadores contratados como “autônomos”. Essa mudança fez com que os entregadores da Foodora fossem perdendo poder sobre a empresa, uma vez que os “autônomos” não são cobertos pelo acordo coletivo. Qualquer pedido de aumento nas negociações anuais do acordo coletivo passou a encontrar uma resistência muito maior por parte da Foodora, uma vez que ela poderia contar com “autônomos”, para os quais ela determinava unilateralmente o valor pago. Com a concorrência da Wolt, a Foodora também passou a utilizar um gerenciamento algorítmico mais restritivo.</p>
<p style="text-align: justify;">Embora não sejam desprezíveis as conquistas conseguidas a partir da greve de 2019 que gerou o acordo coletivo com a Foodora, cada vez menos entregadores são cobertos pelo acordo coletivo. Além disso, a capacidade dos entregadores de manter e principalmente de avançar em conquistas foi muito reduzida com as mudanças de contratação realizadas pela Foodora. Mesmo nos países nórdicos, com arcabouços institucionais trabalhistas mais favoráveis aos trabalhadores do que nos demais países, esse contexto aparentemente mais favorável não foi suficiente para uma melhoria estável do pagamento e das condições de trabalho dos entregadores de aplicativo.</p>
<p style="text-align: justify;">O caso da Noruega aponta que o poder de barganha sobre uma empresa tende a ser pouco efetivo num mercado concorrencial, de modo a obter conquistas duradouras. O poder dos trabalhadores teria que ser exercido setorialmente, sobre todas as empresas, de modo a anular a pressão concorrencial pela redução dos custos com a força de trabalho. Além disso, assim como no caso grego, o caso norueguês mostra que o poder dessas empresas-plataforma de alterar de uma hora para outra parâmetros de pagamento, de relações contratuais e da organização do trabalho em geral, são um importante obstáculo para manutenção de conquistas arrancadas através de greves e mobilizações. Sem retirar o poder dessas empresas de adotarem a organização de trabalho, relações contratuais e valores pagos aos trabalhadores que bem entendem, sem nenhum constrangimento (legal ou social), se torna bastante difícil manter conquistas oriundas de períodos de mais forte mobilização coletiva.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>Referências</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Além de uma breve conversa em 2025 com militantes gregos que trabalharam como entregadores, a parte sobre a Grécia tem como referência a seguinte bibliografia:</p>
<p style="text-align: justify;">Avagianou, A. et al. (2024). Precarity and agency in youthspaces of work: The case of food delivery platform workers in Athens, Greece. <em>Environment and Planning a Economy and Space</em>. <a class="urlextern" title="https://doi.org/10.1177/0308518x241282536" href="https://doi.org/10.1177/0308518x241282536" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://doi.org/10.1177/0308518&#215;241282536</a></p>
<p style="text-align: justify;">Doherty, I. (2021<em>). How Greek Delivery Riders Are Fighting the Gig Economy</em>. Tribune. <a class="urlextern" title="https://tribunemag.co.uk/2021/10/how-greek-delivery-riders-arefighting-the-gig-economy" href="https://tribunemag.co.uk/2021/10/how-greek-delivery-riders-arefighting-the-gig-economy" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://tribunemag.co.uk/2021/10/how-greek-delivery-riders-arefighting-the-gig-economy</a></p>
<p style="text-align: justify;">Tsardanidis, G. (2024). <em>#cancel_efood: Online solidarity to platform Workers. </em>Futures of Work. <a class="urlextern" title="https://futuresofwork.co.uk/2024/04/29/cancel_efood-onlinesolidarity-to-platform-workers/" href="https://futuresofwork.co.uk/2024/04/29/cancel_efood-onlinesolidarity-to-platform-workers/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://futuresofwork.co.uk/2024/04/29/cancel_efood-onlinesolidarity-to-platform-workers/</a></p>
<p style="text-align: justify;">‌Vrikki, P. &amp; Lekakis, E. (2023). Digital consumers and platform workers unite and fight? The platformisation of consumer activism in the case of #cancel_efood in Greece. <em>Marketing Theory</em>, <em>24</em>(1), 173-190. <a class="urlextern" title="https://doi.org/10.1177/14705931231195191" href="https://doi.org/10.1177/14705931231195191" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://doi.org/10.1177/14705931231195191</a></p>
<p style="text-align: justify;">A parte sobre a Noruega foi baseada na seguinte bibliografia:</p>
<p style="text-align: justify;">Jesnes, K. (2025). Power relations in app-based food delivery in Norway. PhD Thesis. Department of Sociology and Work Science. University of Gothenburg. Disponível em: <a class="urlextern" title="https://gupea.ub.gu.se/handle/2077/84334" href="https://gupea.ub.gu.se/handle/2077/84334" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://gupea.ub.gu.se/handle/2077/84334</a></p>
<p style="text-align: justify;">Jesnes, K. (2024). Shifting gears: how platform companies maintain power in app-based food delivery in Norway. <em>Transfer</em>. <a class="urlextern" title="https://doi.org/10.1177/10242589241228199" href="https://doi.org/10.1177/10242589241228199" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://doi.org/10.1177/10242589241228199</a></p>
<p style="text-align: center;"><em>As fotografias que ilustram este artigo são de <a href="https://www.flickr.com/photos/vmonteiro/albums/72177720324828567/" target="_blank" rel="noopener">Vanessa Monteiro</a></em></p>
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		<title>[Ceará] Paralisação dos Terceirizados da Limpeza (UFC) conquista pagamento de salário</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Jun 2025 00:22:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Movimentos em Luta]]></category>
		<category><![CDATA[Greves]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho_e_sindicatos]]></category>
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					<description><![CDATA[A reunião com a UFC terminou com o anúncio de que o pagamento dos salários estaria previsto para hoje (10) — o que foi cumprido. Por SIGAE-CE]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Sindicato Geral Autônomo de Educação do Ceará</h3>
<p style="text-align: justify;">Nesta tarde, 10 de junho, o justo salário foi pago aos trabalhadores da LDS, empresa que presta serviço terceirizado de limpeza à UFC (Universidade Federal do Ceará). Sem dúvidas, a pressão feita pela base foi indispensável para que o atraso não durasse ainda mais. Falta ainda o pagamento dos vales-alimentação e transporte. A certeza é que o SIGAE-CE (Sindicato Geral Autônomo de Educação do Ceará) continua lado a lado dos trabalhadores para cobrar o que está atrasado e avançar na conquista de direitos.</p>
<p style="text-align: justify;">Ontem, 9 de junho, a paralisação se deflagrou pela manhã, envolvendo tanto o Campus do Benfica quanto o Campus do Pici. Os trabalhadores denunciaram que, mesmo entre os terceirizados, o setor da limpeza enfrenta muito mais atrasos salariais do que os demais. “A fatura do meu cartão venceu e eu tive que pagar juros por conta do atraso. Quem vai arcar com esse prejuízo?”, relatou um trabalhador.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto o SIGAE-CE buscava abrir canal de negociação com a Reitoria, foi informado de uma reunião às 14h entre a UFC e o SEEACONCE, sindicato oficial da categoria — que, segundo os próprios trabalhadores, não comparecia quando convocado por eles diante do atraso salarial deste mês. Apesar da manifestação unânime dos trabalhadores paralisados no Campus do Benfica em quererem ser representados pelo SIGAE-CE, por meio de uma comissão formada por dois terceirizados e um estudante, essa participação foi negada, e a reunião aconteceu apenas com o sindicato oficial. No entanto, a pressão da base garantiu a presença de dois trabalhadores terceirizados na reunião — algo raro até então.</p>
<p style="text-align: justify;">Antes dessa reunião, os trabalhadores mobilizados junto ao SIGAE-CE foram alvo de diversos assédios por parte do sindicato oficial, que alegava que a paralisação era ilegal e que haveria retaliações. Um discurso típico de patrão, vindo de quem afirma estar a serviço da categoria. A legitimidade do SIGAE-CE em mobilizar os trabalhadores foi constantemente questionada — um claro ataque à liberdade sindical e ao direito dos trabalhadores de se organizarem como bem entendem. “No Brasil, há quem defenda que o trabalhador está marcado a ferro, tal qual um animal, a uma entidade sindical única. Isso é um absurdo!”, afirmou um coordenador do SIGAE-CE.</p>
<p style="text-align: justify;">A reunião com a UFC terminou com o anúncio de que o pagamento dos salários estaria previsto para hoje (10) — o que foi cumprido. Os vales ficaram de ser pagos ao longo da semana e, até o presente momento, não foi confirmada pela base sua efetivação.</p>
<p style="text-align: justify;">O SIGAE-CE reafirma seu compromisso com a base, estando disposto a fortalecer quantas paralisações os trabalhadores decidirem. Pois quem faz o trabalho acontecer é quem deve decidir — sempre.</p>
<p style="text-align: justify;">Agradecemos toda a solidariedade emanada de norte a sul do país. Sabemos que não estamos sós. Mesmo diante de grandes forças, é o povo quem tem o poder de virar o jogo.</p>
<p style="text-align: justify;">Basta de precarização dos trabalhadores terceirizados na UFC! Avante!</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-156821" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/06/IMG-20250609-WA00081.jpg" alt="" width="1479" height="1265" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/06/IMG-20250609-WA00081.jpg 1479w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/06/IMG-20250609-WA00081-300x257.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/06/IMG-20250609-WA00081-1024x876.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/06/IMG-20250609-WA00081-768x657.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/06/IMG-20250609-WA00081-491x420.jpg 491w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/06/IMG-20250609-WA00081-640x547.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/06/IMG-20250609-WA00081-681x582.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 1479px) 100vw, 1479px" /></p>
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