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	<title>Índia &#8211; Passa Palavra</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>Velha Toupeira (30)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enzo Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 May 2025 19:16:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cartoons]]></category>
		<category><![CDATA[Govs_nacionais_e_internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Índia]]></category>
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					<description><![CDATA[]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-156650" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/05/VT18-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="853" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/05/VT18-scaled.jpg 2560w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/05/VT18-300x100.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/05/VT18-1024x341.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/05/VT18-768x256.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/05/VT18-1536x512.jpg 1536w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/05/VT18-2048x683.jpg 2048w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/05/VT18-1260x420.jpg 1260w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/05/VT18-640x213.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/05/VT18-681x227.jpg 681w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /></p>
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		<title>Para onde vai a Índia?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Jan 2024 04:43:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Achados & Perdidos]]></category>
		<category><![CDATA[Extrema_direita]]></category>
		<category><![CDATA[Fascismo]]></category>
		<category><![CDATA[Índia]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo]]></category>
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					<description><![CDATA[A transformação de um país constitucionalmente laico como a Índia numa espécie de teocracia fundamentalista é um fenômeno comum a outras nações que mergulharam no nacionalismo étnico-religioso. Por Henrique Carneiro]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por <a href="https://www.facebook.com/henrique.carneiro.5/posts/pfbid025rd32NEcoM3EfhwWvsbW5gJaz3WXNAPb681VPi1RW49JELCAxhMTupwECCFYeajRl?__cft__[0]=AZUTCJL55paXQm3L02x111I1FX0JrNjEqsCbdKL2reLK2sIR9kN1lZhXfzCLVNYamtaTqNkrSe35aYOECrVzCtgjAFracfhVIx16aG87g1AbCr2-7Fndar4WQU-Sx9UMfPA&amp;__tn__=%2CO%2CP-R" target="_blank" rel="noopener">Henrique Carneiro</a></h3>
<p style="text-align: justify;">O governo indiano acaba de inaugurar, ao custo de centenas de milhões de rúpias, um dos maiores templos hinduístas, dedicado a Rama, no lugar em que se acredita ele teria nascido, na pequena cidade de Ayodhia, no mais populoso dos estados indianos, o Uttar Pradesh, no norte do país. Esse templo foi, desde o ataque, em 1992, de uma multidão hinduísta para destruir a mesquita que lá havia e substituí-la pelo templo à Rama, um pivô do conflito que levou o partido hinduísta de extrema direita, o Barathia Janata Party, a chegar ao poder, sob a liderança de Narendra Modi.</p>
<p style="text-align: justify;">A transformação de um país constitucionalmente laico como a Índia numa espécie de teocracia fundamentalista é um fenômeno comum a outras nações que mergulharam no nacionalismo étnico-religioso. Todo país que reconheça a cidadania a partir de uma única religião ou etnia é um etnonacionalismo que exclui e tende ao supremacismo contra as minorias.</p>
<p style="text-align: justify;">O nazismo foi o mais radical desses projetos que estabelecia a racialidade como base da nacionalidade. Israel também está indo nessa mesma dinâmica, com a cidadania garantida a todos os judeus do mundo, independente de sua nacionalidade, e excluindo os nativos palestinos desse direito, num projeto que os setores mais explícitos definem como a expulsão dos árabes de toda a Palestina.</p>
<p style="text-align: justify;">O hinduísmo, como todas as religiões, tem um enorme acervo cultural, com valores universais, mas também possui a sua deriva supremacista e opressora. Não é à toa o fascínio que o hinduísmo vai ter no nascimento do nazismo. Não é apenas a suástica, símbolo sagrado no hinduísmo e no budismo, que vai ser apropriada. O movimento germanista do Völkisch, que no século XIX criou uma identidade racialista biomística, se inspirou na mitologia do nordicismo para construir um mito ariano.</p>
<p style="text-align: justify;">Um dos seus inspiradores foi o britânico Houston Stewart Chamberlain (1855-1927), que emigrou e se radicou na Alemanha, casando-se com a filha do compositor Wagner e se tornando um dos guardiões de sua herança em Bayreuth. Seu livro “As fundações do século XIX” será a principal inspiração para o “filósofo” do Terceiro Reich, Alfred Rosenberg, um dos executados em Nuremberg, que publicou “O mito do século XX”, a obra nazista mais vendida depois do Mein Kampf. Chamberlain aprendeu sânscrito para se aprofundar nos Vedas, que representam uma sociedade baseada em castas, com o domínio absoluto da Tradição, oposta ao racionalismo científico, ao republicanismo laico e à democracia.</p>
<p style="text-align: justify;">Alguns dos intelectuais mais influentes do neo-fascismo pós hitleriano, na vertente analisada por Benjamin R. Teitelbaum, em “Guerra pela eternidade”, foram o italiano Julius Evola e o francês René Guénon. Ambos admiradores e estudiosos do hinduísmo, que lhes forneceu a noção de uma decadência histórica do Ocidente, na era da Kali Yuga, quando a fonte mais original do tradicionalismo religioso de uma metafísica irracionalista foi buscada num suposto tronco da cultura védica ariana. Guénon se tornará muçulmano e foi viver no Egito, em busca de uma sociedade anti-moderna, onde faleceu após duas décadas sem voltar para a Europa.</p>
<p style="text-align: justify;">Na recusa do igualitarismo social, na denúncia da mestiçagem como um “Völkerchaos” (caos de povos), na atribuição de supremacia a uma suposta raça branca nórdica, vinculada a mitologias de Atlântida e da ilha boreal lendária de Thule, na exaltação da violência imperial e do militarismo colonialista, essa vertente do pensamento da ultra-direita encontra hoje um terreno fértil na Índia.</p>
<p style="text-align: justify;">A perseguição aos muçulmanos assume nesse país a condição de estigmatização mais profunda e sectária, ameaçando repetir o que foi um dos maiores massacres do século XX, quando da separação da Índia e do Paquistão, repetido depois pela guerra de independência de Bangladesh. Hoje, os massacres em Manipur sinalizam a disposição genocida de uma parte do hinduismo fanático do partido governante na Índia, cuja origem foi, nos anos de 1920, no RSS, que simpatizava com o nazismo e do qual saiu o assassino de Gandhi. O templo de Rama em Ayodhia não é apenas um “Vaticano hindu”, como está sendo chamado, mas um altar do neofascismo, do racismo e do<br />
fudamentalismo religioso.</p>
<p style="text-align: justify;">Fenômenos análogos ocorrem em outros países, com outras religiões, que justificam projetos de extermínio e limpeza étnica, como em Israel. Não é coincidência a aliança política entre Modi e Netanyahu e a proposta de buscar trabalhadores indianos para serem mão de obra barata em Israel. O Paquistão, também criado em base ao fundamentalismo islâmico e ao nacionalismo religioso, também fomenta o ódio racial e religioso, criando a situação mais perigosa para os futuros conflitos mundiais, onde ambos os contendores são detentores de armamento nuclear.</p>
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		<title>Espiritualmente evoluída</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Jul 2023 07:44:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Flagrantes Delitos]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Índia]]></category>
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					<description><![CDATA[Contava orgulhosa sobre como havia mudado sua alimentação por conta das questões ambientais, dizendo que não era possível comer carne com o planeta acabando. O colega disse que a tendência era de que com menos gente passando fome o consumo de carne aumentasse, e como os níveis de vida subiam na Índia e na China… [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Contava orgulhosa sobre como havia mudado sua alimentação por conta das questões ambientais, dizendo que não era possível comer carne com o planeta acabando. O colega disse que a tendência era de que com menos gente passando fome o consumo de carne aumentasse, e como os níveis de vida subiam na Índia e na China… Ela respondeu que na Índia não, pois tinha feito um retiro lá e viu que os indianos eram espiritualmente evoluídos e vegetarianos. Quando foi lembrada de que havia o equivalente à população do Brasil de muçulmanos na Índia, ela nada soube responder. <strong>Passa Palavra</strong></p>
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		<title>Os trabalhadores precários estão inseguros, assustados e mal conseguem sobreviver</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Oct 2021 11:28:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[África_do_Sul]]></category>
		<category><![CDATA[Colômbia]]></category>
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		<category><![CDATA[Trabalho_e_sindicatos]]></category>
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					<description><![CDATA[O modelo de trabalho das plataformas está reformulando economias, setores, estilos de vida e meios de subsistência.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por <a class="urlextern" title="https://restofworld.org/2021/the-global-gig-workers/" href="https://restofworld.org/2021/the-global-gig-workers/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">Rest of World</a></h3>
<p style="text-align: justify;">21 de setembro de 2021</p>
<p style="text-align: justify;">Em Seul, os aplicativos de entrega de comida competem entre si para entregar uma refeição na “velocidade da luz”, enviando entregadores como Jang Hyuk pela cidade, correndo contra o relógio em rotas pré-planejadas por um algoritmo. O mesmo acontece em Bogotá, onde o imigrante venezuelano Lisandro Linarez corre contra o tempo, o crime e alguns cães irritados por $9/dia, se ele tiver sorte, trabalhando para a Rappi, o super aplicativo de entrega de comida.</p>
<p style="text-align: justify;">O trabalho precário mediado digitalmente aumentou ao longo da última década. A Organização Internacional do Trabalho <a href="https://www.ilo.org/infostories/en-GB/Campaigns/WESO/World-Employment-Social-Outlook-2021#digital-labour-platform/types" target="_blank" rel="noopener">contou</a> 489 plataformas de corridas e entregas ativas  em todo o mundo em 2020, dez vezes o número que existia em 2010. A natureza fluida da força de trabalho significa que há poucas estimativas consistentes de quantas pessoas estão envolvidas nesta categoria de trabalho, mas alguns pesquisadores acreditam que cerca de 10% da força de trabalho global agora se envolve em algum tipo de trabalho precário em plataformas.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto o modelo de “economia de compartilhamento” realmente começou a decolar nos EUA, <a class="urlextern" title="https://restofworld.org/2021/global-gig-workers-investors-behind-gig-work-model/" href="https://restofworld.org/2021/global-gig-workers-investors-behind-gig-work-model/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">as plataformas agora são globais</a>, adaptando — ou não — seus modelos para contextos totalmente diferentes. Para tentar entender como é este tipo de trabalho fora do Ocidente, <em>Rest of World</em> falou com trabalhadores de plataforma em todo o mundo. Através de <a class="urlextern" title="https://restofworld.org/collection/global-gig-work-a-deep-data-dive/" href="https://restofworld.org/collection/global-gig-work-a-deep-data-dive/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">uma pesquisa com mais de 4.900 trabalhadores</a>, realizada em parceria com a empresa de pesquisa Premise, e de entrevistas com dezenas de outros trabalhadores, temos tentado captar suas experiências. Encontramos grandes semelhanças: o trabalho precário em plataformas é<a class="urlextern" title="https://restofworld.org/2021/global-gig-workers-index-mixed-emotions-dim-prospects/" href="https://restofworld.org/2021/global-gig-workers-index-mixed-emotions-dim-prospects/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc"> estressante e frágil</a>; paga relativamente bem, mas também tem custos elevados devido aos gastos com combustível, internet e seguros. Os trabalhadores, seja dirigindo um táxi na Etiópia ou um caminhão na Indonésia, não sentem que podem recusar as demandas, o que significa que raramente o trabalho é tão flexível como as empresas dizem.</p>
<p style="text-align: justify;">Os problemas em comum que os trabalhadores precários em plataformas enfrentam, seja em Manhattan ou Mumbai, Joanesburgo ou Londres, estão estimulando a criação de um verdadeiro movimento global. Motoristas e entregadores estão se juntando através das fronteiras, pressionando as empresas e governos a reconhecerem um fato simples: trabalho precário é trabalho, e precisa ser melhor remunerado.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Médicos, motoristas, entregadores: as verdadeiras vozes do trabalho precário em plataformas</strong></p>
<h4></h4>
<h4 style="text-align: justify;">Colômbia</h4>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-140404" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/colombia.jpg" alt="" width="768" height="432" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/colombia.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/colombia-300x169.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/colombia-747x420.jpg 747w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/colombia-640x360.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/colombia-681x383.jpg 681w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /></p>
<p style="text-align: justify;"><a class="urlextern" title="https://restofworld.org/2021/global-gig-workers-delivery-biker-rappi-colombia/" href="https://restofworld.org/2021/global-gig-workers-delivery-biker-rappi-colombia/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">53,9 quilômetros</a></p>
<p style="text-align: justify;">A distância percorrida em um dia por Lisandro Linarez, <strong>entregador</strong> da Rappi na Colômbia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h4 style="text-align: justify;">Sri Lanka</h4>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-140403" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/srilanka2.jpg" alt="" width="768" height="432" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/srilanka2.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/srilanka2-300x169.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/srilanka2-747x420.jpg 747w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/srilanka2-640x360.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/srilanka2-681x383.jpg 681w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /></p>
<p style="text-align: justify;"><a class="urlextern" title="https://restofworld.org/2021/global-gig-workers-tuktuk-driver-srilanka/" href="https://restofworld.org/2021/global-gig-workers-tuktuk-driver-srilanka/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">25%</a></p>
<p style="text-align: justify;">O valor pago por Nangahami Premawathi, <strong>motorista de tuk-tuk</strong>, para os aplicativos de corrida no Sri Lanka.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h4 style="text-align: justify;">Indonésia</h4>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-140402" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/indonseia.jpg" alt="" width="768" height="432" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/indonseia.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/indonseia-300x169.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/indonseia-747x420.jpg 747w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/indonseia-640x360.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/indonseia-681x383.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px" /></p>
<p style="text-align: justify;"><a class="urlextern" title="https://restofworld.org/2021/global-gig-workers-truck-driver-indonesia/" href="https://restofworld.org/2021/global-gig-workers-truck-driver-indonesia/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">5.0</a></p>
<p style="text-align: justify;">A avaliação perfeita do <strong>motorista de caminhão</strong> Apriansa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h4>Índia</h4>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-140401" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/India.jpg" alt="" width="768" height="432" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/India.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/India-300x169.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/India-747x420.jpg 747w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/India-640x360.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/India-681x383.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px" /></p>
<p style="text-align: justify;"><a class="urlextern" title="https://restofworld.org/2021/global-gig-workers-telemedicine-doctor-india/" href="https://restofworld.org/2021/global-gig-workers-telemedicine-doctor-india/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">1.000 chamadas</a></p>
<p style="text-align: justify;">O número de consultas online feitas em um mês pelo <strong>médico</strong> indiano Girikumar Venati.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h4 style="text-align: justify;">Coréia do Sul</h4>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-140400" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/coreiadosul.jpg" alt="" width="768" height="432" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/coreiadosul.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/coreiadosul-300x169.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/coreiadosul-747x420.jpg 747w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/coreiadosul-640x360.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/coreiadosul-681x383.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px" /></p>
<p style="text-align: justify;"><a class="urlextern" title="https://restofworld.org/2021/global-gig-workers-delivery-driver-south-korea/" href="https://restofworld.org/2021/global-gig-workers-delivery-driver-south-korea/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">21.300 won</a></p>
<p style="text-align: justify;">Cerca de $18,50. Isso é quanto o <strong>entregador</strong> Jang Hyuk ganha por hora na Coréia do Sul.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h4 style="text-align: justify;">África do Sul</h4>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-140399" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/africadosul.jpg" alt="" width="768" height="432" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/africadosul.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/africadosul-300x169.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/africadosul-747x420.jpg 747w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/africadosul-640x360.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/africadosul-681x383.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px" /></p>
<p style="text-align: justify;"><a class="urlextern" title="https://restofworld.org/2021/global-gig-workers-on-demand-cleaner-south-africa/" href="https://restofworld.org/2021/global-gig-workers-on-demand-cleaner-south-africa/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">400 rand</a></p>
<p style="text-align: justify;">Cerca de $28,00. Isso é quanto o <strong>faxineiro</strong> Nomagugu Sibanda ganha por dia na África do Sul.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h4 style="text-align: justify;">Etiópia</h4>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-140398" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/etiopia.jpg" alt="" width="600" height="1066" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/etiopia.jpg 600w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/etiopia-169x300.jpg 169w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/etiopia-576x1024.jpg 576w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/10/etiopia-236x420.jpg 236w" sizes="auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px" /></p>
<p style="text-align: justify;"><a class="urlextern" title="https://restofworld.org/2021/global-gig-workers-ride-hailing-driver-ethiopia/" href="https://restofworld.org/2021/global-gig-workers-ride-hailing-driver-ethiopia/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">13 horas</a></p>
<p style="text-align: justify;">A jornada de trabalho do <strong>motorista</strong> Ashenafi Alemseged na Etiópia.</p>
<h4></h4>
<h4 style="text-align: justify;">&#8212;</h4>
<p style="text-align: justify;">O trabalho nas plataformas é precário por natureza. Mesmo que mais da metade de todos os trabalhadores dependam dele para a maior parte de sua renda, 40% deles ganham menos do que o salário mínimo. Mas não se trata apenas de dinheiro. É sobre fragilidade e insegurança. Dia a dia, <a class="urlextern" title="https://restofworld.org/2021/global-gig-workers-index-mixed-emotions-dim-prospects/" href="https://restofworld.org/2021/global-gig-workers-index-mixed-emotions-dim-prospects/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">os trabalhadores precários se preocupam</a> com sua saúde, sua segurança, e se eles vão ou não fazer o suficiente para cobrir seus custos. Mais de <strong>60%</strong> dos trabalhadores querem desistir dentro de um ano. Esse tipo de trabalho <a class="urlextern" title="https://restofworld.org/2021/global-gig-workers-how-platforms-set-women-up-to-fail/" href="https://restofworld.org/2021/global-gig-workers-how-platforms-set-women-up-to-fail/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">é pior para as mulheres</a>, que ganham menos nas plataformas do que os homens. Enquanto isso, embora as maiores plataformas estejam remodelando a força de trabalho global, poucas dessas <a class="urlextern" title="https://restofworld.org/2021/global-gig-workers-investors-behind-gig-work-model/" href="https://restofworld.org/2021/global-gig-workers-investors-behind-gig-work-model/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">empresas mostraram</a> que podem ter lucro de forma sustentável, dependendo de investidores para estimular seu crescimento.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Traduzido por Marco Túlio Vieira.</em></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Greve selvagem em Manesar, Índia</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/03/136823/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Enzo Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Mar 2021 03:13:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[PassaPalavraTV]]></category>
		<category><![CDATA[Greves]]></category>
		<category><![CDATA[Índia]]></category>
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					<description><![CDATA[Os trabalhadores permaneceram dentro da fábrica e se recusaram a entrar nos ônibus da empresa, ficando juntos durante a noite. Por Angry Workers]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Angry Workers</h3>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Leia <a href="https://www.angryworkers.org/2021/03/08/wildcat-strike-of-women-workers-at-jns-auto-parts-factory-in-manesar-india/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">aqui</a> o original.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">8 de março de 2021</p>
<p><iframe loading="lazy" width="560" height="315" src="https://www.youtube.com/embed/y0ONT0U3ncs" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe></p>
<p style="text-align: justify;">Trabalhadores da JNS em Manesar fizeram uma greve selvagem hoje [08/03/21]. A JNS fabrica peças automotivas, como velocímetros, empregando 2.200 trabalhadores, a maioria mulheres. Em 8 de março, o turno A começou uma greve de ocupação, seguido pelo turno B. A polícia foi até a fábrica, mas não interveio. Os trabalhadores permaneceram dentro da fábrica após o seu turno acabar e se recusaram a entrar nos ônibus da empresa, ficando juntos durante a noite. Eles exigem aumento salarial e contratos permanentes. Esta fábrica tem um histórico de atos de trabalhadores temporários.</p>
<p style="text-align: justify;">Leia mais em nosso <a class="urlextern" title="https://libcom.org/blog/struggles-‘make-india’-–-series-factory-riots-occupations-wildcat-strikes-delhi’s-industria" href="https://libcom.org/blog/struggles-‘make-india’-–-series-factory-riots-occupations-wildcat-strikes-delhi’s-industria" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc noreferrer">artigo anterior</a> (em inglês).</p>
<blockquote><p>Traduzido para o Passa Palavra por Marco Túlio Vieira.</p></blockquote>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Índia: desocupação de uma fábrica da Honda</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/02/129761/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Enzo Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Feb 2020 12:29:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Índia]]></category>
		<category><![CDATA[Ocupações]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho_e_sindicatos]]></category>
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					<description><![CDATA[ Avançar e recuar como ondas. Espalhar as ideias, opiniões e práticas. Este é o momento para os trabalhadores de uma fábrica se tornarem trabalhadores de mil fábricas. Por Faridabad Majdoor Samachar ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por Faridabad Majdoor Samachar</h3>
<div class="td-paragraph-padding-2">
<p style="text-align: justify;"><em>Na semana passada publicamos o texto <a href="https://passapalavra.info/2020/01/129679/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Índia: terceirizados ocupam fábrica da Honda</a>, escrito pelos <a href="https://angryworkersworld.wordpress.com/2019/11/10/factory-occupation-temporary-and-permanent-honda-workers-in-manesar-india/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Angry Workers of the World</a>, sobre a ocupação de uma fábrica por trabalhadores terceirizados em Manesar. O texto abaixo tem uma perspectiva de conjunto dos acontecimentos, detalhando o cotidiano da ocupação até o seu desfecho e refletindo sobre a experiência da ocupação, suas forças e fraquezas, as divisões entre trabalhadores efetivos e terceirizados, as tensões entre trabalhadores e sindicatos, as tensões entre trabalhadores e empresa. Por fim, o texto também reflete sobre as possibilidades de expansão e fortalecimento do movimento.</em></p>
</div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Novo eixo, novo terreno, novo ambiente: atividades de trabalhadores terceirizados na fábrica da Honda Motorcycle &amp; Scooters India em Manesar</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A edição de novembro do <strong>Majdoor Samachar</strong> estava quase pronta para ser publicada. Recebemos e acrescentamos a seguinte mensagem de um terceirizado através de uma empresa de terceirizados dentro da fábrica da Honda no dia 5 de Novembro: “No turno A, durante o intervalo do almoço às onze e meia, os trabalhadores não foram aos refeitórios. Eles se reuniram em um lugar da fábrica. Cacofonia eufônica! A produção parou na fábrica. O turno B chegou à fábrica. Os operários do turno A não saíram da fábrica. Fora da fábrica, 250-300 trabalhadores, e dentro da fábrica Honda milhares de trabalhadores reuniram-se num só lugar.” Depois que os trabalhadores permanentes saíram da fábrica, mil e quinhentos trabalhadores terceirizados permaneceram dentro da fábrica. Eles ocuparam a fábrica por quinze dias. Isso trouxe à tona, com incrível clareza, as mudanças que aconteceram durante esses 25-30 anos. Isto se mostrou muito importante para todos os trabalhadores. Não só isso, foi importante para uma arena mais ampla. Por isso, apesar de ocupar mais espaço, estamos publicando os trechos do <em>aadan-pradaan</em> (roda de conversa) realizado entre 5 e 28 de novembro:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>7 de Novembro: Trabalhadores temporários da fábrica de bicicletas e motonetas Honda ocuparam a fábrica.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ontem, a gerência da Honda tentou iniciar a produção usando efetivos, temporários, aprendizes e funcionários. (Os temporários da empresa trabalham há anos na fábrica, e continuarão temporários por mais dois anos antes de serem efetivados). Apenas 50 veículos em um dia. Através de uma notificação, a gerência os convocou a todos para o mesmo turno hoje. Os efetivos decidiram ficar nos seus próprios departamentos e recusaram-se a trabalhar na linha de montagem. As linhas de montagem fecharam.</p>
<p style="text-align: justify;"># Aviso da Direção para suspender a produção nos dias 8 e 9 de Novembro.</p>
<p style="text-align: justify;"># O aviso de suspensão de trabalho está dando um pretexto aos trabalhadores permanentes para não virem à fábrica amanhã e no dia seguinte.</p>
<p style="text-align: justify;"># Amanhã e depois de amanhã a gerência e o governo, juntos, poderiam fazer alguma coisa para expulsar os trabalhadores temporários da fábrica.</p>
<p style="text-align: justify;"># Solução… somente unidos.</p>
<p style="text-align: justify;">Agora, dentro ou fora da fábrica, a tarefa imediata parece ser pensar e preparar-se para derrotar o que é, provavelmente, um ataque iminente por parte da empresa e do governo.</p>
<p style="text-align: justify;"># Isto não é uma luta de vida ou morte. É como as ondas do oceano, avançando e recuando repetidamente, continuamente. É bom ter conversas sobre os caminhos para esgotar os poderosos.</p>
<p style="text-align: justify;"># A companhia e o governo estão assustados. Eles estão desconcertados. A sua fraqueza é simbolizada pelos seus preparativos.</p>
<p style="text-align: justify;">A autoconfiança de todos vocês, trabalhadores temporários, é algo fantástico. É preciso manter a calma. Discussões prolongadas sobre as sugestões de todos são indispensáveis.</p>
<p style="text-align: justify;"># O ambiente mudou. O ambiente precisa ser mudado ainda mais.</p>
<p style="text-align: justify;">Isto não é nem uma luta pela honra, nem uma luta de vida ou morte. Isto não é algo a ser levado a uma mesa de negociação.</p>
<p style="text-align: justify;">A mesa e as negociações tornaram-se irrelevantes. Elas se tornaram obsoletas. Tornaram-se inúteis.</p>
<p style="text-align: justify;">Todos sabem disso.</p>
<p style="text-align: justify;">Avançar e recuar como ondas. Espalhar as ideias, opiniões e práticas. Este é o momento para os trabalhadores de uma fábrica se tornarem trabalhadores de mil fábricas.</p>
<p style="text-align: justify;">A consternação da empresa e do governo vai aumentar ainda mais.</p>
<p style="text-align: justify;"># Parece que a falência está coberta pelo traje de gala.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>8 de Novembro: Agora a comida e a água de todos os trabalhadores ocupantes foram cortadas.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"># Ninguém está autorizado a entrar nas instalações da empresa.</p>
<p style="text-align: justify;"># Bloquear a entrada hoje é um passo defensivo da atemorizada gestão da Honda.</p>
<p style="text-align: justify;">Incapaz de entender o que está acontecendo, a Honda bloqueou as entradas para provocar os milhares de trabalhadores que ocupavam a fábrica, e também os trabalhadores no piquete do lado de fora da fábrica. Os trabalhadores provocados fazem coisas que permitem que os poderosos entrem pela ação policial.</p>
<p style="text-align: justify;">A lição aprendida com as experiências de 2011 dos trabalhadores da fábrica Maruti Suzuki Manesar é não ser provocado. Os trabalhadores não foram provocados mesmo quando prenderam seus companheiros de trabalho chamados para negociações.</p>
<p style="text-align: justify;">Em outubro de 2011, quando a fábrica foi desocupada pela segunda vez, um trabalhador da Maruti compartilhou o seguinte sobre o tempo passado juntos na fábrica: “Nós, que trabalhávamos juntos há anos, sentimo-nos durante esses sete dias como se estivéssemos nos vendo pela primeira vez. Conversamos muito. Nós cantávamos. Nós dançamos. Eram os melhores dias das nossas vidas”. E a gerência da Maruti teve de recuar, dando concessões e mais concessões.</p>
<p style="text-align: justify;">Para os trabalhadores temporários reunidos na fábrica Honda, a fábrica é agora o seu espaço. Muitas conversas. Muito descanso. Cantam à vontade. Compõem novas canções. E transmitem as suas canções e conversas para nós, do lado de fora.</p>
<p style="text-align: justify;">Aproveitem. É um momento de júbilo. Estes são momentos de alegria. Vamos tornar este tempo e estes momentos mais memoráveis.</p>
<p style="text-align: justify;">A gerência da Honda não sabe o que fazer.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>9 de Novembro: Esta noite, por volta das 8:30, os trabalhadores que ocupam a fábrica Honda receberam biscoitos, lanches, pão e suco.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"># Amanhã, amigos, venham das 11 às 12 horas para encorajar estes irmãos casuais, e se puderem cozinhar em casa, então tragam comida para que não fique ninguém para trás no movimento dos nossos irmãos… Tragam <em>bidi</em><strong>[1]</strong> para fumar…</p>
<p style="text-align: justify;"># Aumentou a discussão e o apoio aos trabalhadores firmes na ocupação da fábrica.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>10 de Novembro: Caro Associado, devido à situação prevalecente na fábrica, as operações foram suspensas e a fábrica permanecerá fechada até novas intimações.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"># O que significa isto?</p>
<p style="text-align: justify;">Isto significa que a empresa não sabe o que fazer. A gerência suspendeu a produção por dois dias pensando que no 8º, 9º ou 10º dia vocês adoecerão.</p>
<p style="text-align: justify;"># O que significa a seguir?</p>
<p style="text-align: justify;">A nova e significativa diferença frente às ocupações da Maruti Suzuki em 2011-12<strong>[2]</strong> é que milhares de trabalhadores terceirizados estão juntos conduzindo a agitação. Não há base para um acordo de negociação de demanda representativa para manter o <em>status quo</em>. Este é um novo terreno.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-129769" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2020/02/131326868941318000-min.jpg" alt="" width="700" height="471" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>12 de Novembro: Hoje, a edição de novembro do <em><a class="urlextern" title="https://faridabadmajdoorsamachar.blogspot.com" href="https://faridabadmajdoorsamachar.blogspot.com" rel="nofollow">Majdoor Samachar</a></em> esteve disponível perto da casa de força no Setor 3 do Distrito Industrial Modelo (DIM) de Manesar</strong>[3]<strong> das 5:30 às 9:30 da manhã. 1800+500+250 cópias entre trabalhadores de muitas fábricas no DIM de Manesar. Depois conhecemos trabalhadores no piquete fora da fábrica da Honda.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Somos gratos aos trabalhadores da Honda que nos encontraram alegremente, disseram o que queriam dizer, ouviram-nos, discutiram. Foi um bom exemplo de <em>aadaan-pradaan</em> (roda de conversa) para nós.</p>
<p style="text-align: justify;">Somos gratos aos trabalhadores da Honda que também tentaram fazer com que a edição de novembro do <strong>Majdoor Samachar</strong> não fosse lida pelos trabalhadores da Honda. Eles devem ter tido as suas razões para fazê-lo.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois de conhecer os trabalhadores da Honda, parece que:</p>
<p style="text-align: justify;">Algumas secções estão perturbadas com o entusiasmo dos trabalhadores entrincheirados na fábrica da Honda.<br />
O problema deles parece ser que a ocupação da fábrica pode continuar por muito tempo se os trabalhadores ocupantes não estiverem em perigo.<br />
A gerência fechou os refeitórios e manteve os trabalhadores, firmemente entrincheirados na fábrica, com fome por 24 horas.<br />
Havia o receio de que a situação pudesse piorar se os trabalhadores que ocupavam a fábrica continuassem com fome. O sindicato dos trabalhadores permanentes da Honda apresentou-se e colocou comida à disposição dos trabalhadores terceirizados que ocupavam a fábrica.<br />
[Propaganda de que 2.500 trabalhadores ocupantes da fábrica tinham começado uma greve de fome até a morte. O sindicato da Honda parou o fornecimento de comida.] Para garantir que não entrasse comida na fábrica de nenhum lado, alguns dos terceirizados presentes no piquete fora da fábrica foram colocados como guardas adicionais.<br />
O método testado e aprovado de criar uma emergência está a ser aplicado na fábrica da Honda. “O mau acordo teve de ser aceito devido a uma situação de emergência” é uma ladainha ouvida <em>ad nauseam</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Rir. Cantar. Dançar. Ao ver trabalhadores alegres, os patrões suam frio.</p>
<p style="text-align: justify;">Quanto mais o acordo é adiado, mais forte se torna a posição dos trabalhadores terceirizados. As discussões entre os trabalhadores de milhares de fábricas no DIM de Manesar estão a dar-lhes força. É preciso expandir ainda mais estas relações.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>13 de Novembro: Avançou a tática de manter famintos os trabalhadores ocupantes da fábrica. No interior, três trabalhadores adoeceram. Os líderes, ao baterem na tecla de “milhares de trabalhadores dentro da fábrica em jejum até a morte”, lembraram as decepções do épico <em>Mahabharata.</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>14 de Novembro: Às 2:30 da noite, um operário adoeceu. Foi enviado para o Hospital Estadual da Previdência dos Trabalhadores.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"># Aqueles que estão contra ti, o seu plano é criar uma situação de emergência. Debatam entre si. É a vosso favor ou é a favor da companhia que vocês estejam com fome?</p>
<p style="text-align: justify;"># Em vez de ser sério, este é o momento para rir e cantar. O plano de emergência da companhia vai para o brejo.<br />
A alegria do trabalhador é angustiante para os líderes e gerentes.</p>
<p style="text-align: justify;"># O turno B, a caminho da fábrica, e o turno A dos trabalhadores terceirizados na fábrica Maruti Suzuki de Gurgaon, que voltava do trabalho, mostraram grande interesse, curiosidade, esperança e entusiasmo na agitação tocada pelos terceirizados na fábrica Honda desde de 5 de Novembro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>15 de Novembro: A conspiração para criar uma emergência e resolver rapidamente a situação ao manter os trabalhadores famintos entrou em colapso no momento em que foi revelada. Leite, pão e bananas estão a ser dadas aos trabalhadores ocupantes dentro da fábrica.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>17 de Novembro: Estou do lado de fora da fábrica da Honda. Falei com alguns trabalhadores sobre dar comida lá dentro. Eles disseram que estão dando aos trabalhadores ocupantes apenas a comida suficiente para que sobrevivam… eles estão apenas a tentar esgotar os trabalhadores lá dentro.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">1) Os terceirizados da fábrica Honda em Manesar que ocupam a fábrica desde 4-5 de Novembro não estão a seguir as ordens de ninguém.</p>
<p style="text-align: justify;">Eles não estão sentados lá dentro porque algum líder lhes disse fazê-lo.</p>
<p style="text-align: justify;">Eles não estão sentados lá dentro porque algum tribunal os ordenou.</p>
<p style="text-align: justify;">Eles não estão sentados lá dentro sob as instruções de algum sindicalista.</p>
<p style="text-align: justify;">Na verdade, os trabalhadores terceirizados não podem ter nenhum delegado sindical.</p>
<p style="text-align: justify;">Não havendo absolutamente nenhum espaço para negociações, nessas circunstâncias esses trabalhadores tomam decisões coletivas baseadas em seu pensamento e compreensão.</p>
<p style="text-align: justify;">Parece ser um terreno novo. Isto é absolutamente diferente da briga em curso no mundo para manter o <em>status quo</em> intacto. Terceirizados mantendo-se firmes na ocupação da fábrica da Honda parecem fazer parte das tentativas de trazer uma mudança real para a sociedade.</p>
<p style="text-align: justify;">2) Aqueles que querem expulsar os terceirizados, que ocupam a fábrica da Honda desde 4-5 de novembro, estão assustados.</p>
<p style="text-align: justify;">O que quer que pensem em fazer, enxergam de imediato outros danos, e também se apercebem de um grande perigo.</p>
<p style="text-align: justify;">Milhares de fábricas estão ao lado umas das outras. Milhões de trabalhadores estão perto uns dos outros. Na capital e arredores, dez milhões de trabalhadores fabris, juntos.</p>
<p style="text-align: justify;">O governo está de mãos atadas. Se eles usarem a polícia, há a possibilidade de a situação ficar fora de controle. Milhões de trabalhadores próximos uns dos outros podem tornar a situação explosiva em minutos. O que pode o exército fazer?</p>
<p style="text-align: justify;">A gerência da Honda não sabe o que fazer? O que podem fazer os seguranças?</p>
<p style="text-align: justify;">Os trabalhadores terceirizados entendem e reconhecem muito bem o sindicato dos trabalhadores efetivos da fábrica Honda e seus líderes. Mas o que mais os líderes de vários matizes podem fazer em busca de “apoio”?</p>
<p style="text-align: justify;">O que os tribunais podem fazer? A violação das leis é comum no “Estado de Direito” e a adesão às leis é a exceção. Portanto, os tribunais continuam adiando, dando data após data. E, é comum não implementar as decisões dos tribunais.</p>
<p style="text-align: justify;">3) A cada dia que passa, a posição dos terceirizados é cada vez mais forte. A posição da Honda Company está a ficar cada vez mais fraca a cada dia que passa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>18 de Novembro: Precisamos falar sobre o assunto.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O governo, o departamento do trabalho e todos os sindicatos da região de Gurgaon (incluindo o sindicato da Honda) têm, por enquanto, resgatado a Honda, presa num beco sem saída. Não há mais necessidade de dizer nada sobre as garantias dos líderes e funcionários.</p>
<p style="text-align: justify;">Na fábrica da Honda em Manesar, os terceirizados desocuparam a fábrica. Eles tiraram o controle da gerência sobre a fábrica por 13-14 dias. Os trabalhadores criaram um espaço para si próprios. Esta experiência exige muitas discussões. Agora, a questão é aumentar o espaço dos próprios trabalhadores. A questão é criar um espaço próprio para os trabalhadores, para além das paredes de uma fábrica. Este é o momento de criar e espalhar o espaço em muitas fábricas, em toda a área industrial. Os terceirizados da Honda mostraram um pouco disso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>23 de Novembro: Lemos o aviso especial da gerência da Honda Manesar. Algumas coisas neste contexto:</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em Faridabad, de 1990 a 2000, muitos desses avisos foram vistos. O processo foi um pouco como este:</p>
<p style="text-align: justify;">Após o aviso, os representantes esquentam. Condições inaceitáveis. Não assinam. Nenhuma entrada na fábrica. Piquetes no lado de fora. Por um lado, o locaute patronal ilegal e, por outro, a greve também é ilegal. Naquela altura, estava em curso uma grande transformação no processo de produção. A procura no mercado tinha diminuído muito. O piquete continua indefinidamente fora da fábrica. Murcha. Há uma reestruturação por parte da empresa. Ou declaração de falência, venda de ativos. Os trabalhadores obtiveram quantias extremamente pequenas de seus direitos trabalhistas nos tribunais.</p>
<p style="text-align: justify;">Parece que este processo está de novo em jogo. Mas agora os trabalhadores estão alerta. Portanto, este processo não será eficaz.</p>
<p style="text-align: justify;">Os novos métodos adotados pelos trabalhadores: ocupação coletiva, contagiosa e rápida dos locais de trabalho, e o encerramento das negociações.</p>
<p style="text-align: justify;">Bons tempos estão à frente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>24 de Novembro: Saudações. Atingir o sucesso está ficando difícil. Seis pessoas do sindicato também foram suspensas pela gerência. O resultado não está à vista. Incapaz de entender o que está por vir. Ofertas de subcontratantes. Alguns quebraram as fileiras, o que é terrível.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"># Quando vocês estavam dentro da fábrica, a gerência da Honda era muito fraca.<br />
Depois de vocês saírem da fábrica, a balança inclinou-se a favor da gerência da Honda.</p>
<p style="text-align: justify;">Em tais oportunidades no futuro, é preciso pensar em meios e métodos para ficar por períodos mais longos na fábrica. Agora, é preciso chegar aos trabalhadores de outras fábricas do CIM de Manesar. Suas experiências de 15 dias dentro da fábrica precisam ser espalhadas por toda a área industrial.</p>
<p style="text-align: justify;">A gestão está assustada com duas coisas. Uma é quando os trabalhadores ocupam a fábrica, e a outra é quando os trabalhadores espalham as suas experiências e ideias. Espalhe o que você fez nos últimos 15 dias. Esta é a sua força.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-129770" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2020/02/M_F_Husain_-_Three_Red_Horses_2a6a5899-6d01-4e04-9d35-78c9af086a8e-min.jpg" alt="" width="700" height="388" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>25 de Novembro: Sentados dentro e fora da fábrica durante 15 dias, trabalhadores terceirizados da fábrica da Honda em Manesar tornaram-se um eixo. O apoio e a oposição giram em torno deles.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Parece que um novo terreno se constituiu/foi constituído. Trabalhadores temporários, trabalhadores eventuais, trabalhadores terceirizados, eles constituem o eixo, parecem ser um novo fenômeno. Quando se diz que “os trabalhadores levaram as coisas muito à frente”, pode-se dizer que é uma expressão desta novidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Os trabalhadores que saíram da fábrica da Honda em Manesar depois de 15 dias de ocupação estão se livrando do seu cansaço. Eles estão a adquirir energia. Tornando-se fortes e robustos, eles vão levar o fenômeno muito adiante. Em todas as áreas industriais, os trabalhadores temporários irão acelerar ainda mais a transformação.</p>
<p style="text-align: justify;">O novo terreno veio com novas questões. Ninguém sabe agora quais são os caminhos.</p>
<p style="text-align: justify;">Perto da fábrica, os mil e quinhentos trabalhadores responderam a muitas perguntas com incrível e espantosa clareza. As velhas perguntas estão, agora, ultrapassadas.</p>
<p style="text-align: justify;">O novo terreno precisa de um novo pensamento. As novas perguntas e a ampla troca por meio do <em>aadaan-pradaan</em> (roda de conversa) parecem ser uma necessidade primária.</p>
<p style="text-align: justify;">— [Depois de assinar as condições de acordo com as indicações da direção da Honda, os trabalhadores permanentes entraram na fábrica de 25 a 28 de Novembro].</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>28 de Novembro: Das 6:00 da manhã às 9:30 da manhã, estávamos perto da casa de força no Setor 3 do DIM de Manesar em conversa com trabalhadores de diferentes fábricas. Depois, com um pouco de apreensão, decidimos encontrar os trabalhadores da Honda no nosso regresso. Agora, sentados fora da fábrica, os terceirizados tiveram de ser entrevistados.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">No momento em que os conhecemos, ficamos entusiasmados. Os trabalhadores que estiveram dentro da fábrica de 4 a 18 de Novembro conheceram-nos com entusiasmo.</p>
<p style="text-align: justify;">Um operário: Ao sair da fábrica estava no fundo no poço.</p>
<p style="text-align: justify;">Vários operários: No momento em que saímos da fábrica, ficamos fracos. A balança virou-se a favor da empresa. A gerência retirou-nos do portão da fábrica. Fomos obrigados a nos sentar neste terreno vazio e distante, coberto por árvores.</p>
<p style="text-align: justify;">Os trabalhadores pegaram cópias da edição de novembro do <strong>Majdoor Samachar</strong> e começaram a distribuí-las eles próprios. Isto refrescou as memórias de 12 de novembro, quando algumas pessoas no portão da fábrica tinham tentado parar a circulação do <strong>Majdoor Samachar</strong> entre os trabalhadores dentro e fora da fábrica.</p>
<p style="text-align: justify;">A manifestação de 27 de novembro organizada pelo Conselho Sindical de Gurgaon na sede da administração distrital e as garantias aí dadas foram postas de lado pelos trabalhadores, pela simples menção da “garantia de duzentos por cento” do presidente do sindicato da Honda em nome deste Conselho, no dia 18 de Novembro, dois dias após a saída dos trabalhadores da fábrica.</p>
<p style="text-align: justify;">Quanto ao prolongamento da permanência e enfraquecimento dos trabalhadores: ao contrário dos trabalhadores de outros lugares, nós, os trabalhadores da Honda, não nos tornaremos fracos. Os trabalhadores da Honda que não vieram da Lua.</p>
<p style="text-align: justify;">Discussões em alguns grupos sobre o aumento da força dos trabalhadores:</p>
<p style="text-align: justify;">Conversas sobre caminhos para transformar os trabalhadores de uma fábrica em trabalhadores de milhares de fábricas.</p>
<p style="text-align: justify;">Menção de ocupar seis a sete locais em vez do que se encontra atualmente no DIM de Manesar.</p>
<p style="text-align: justify;">Em relação à ocupação em um local muito importante, alguns detalhes da experiência dos trabalhadores da fábrica Honda Tapukara em Jantar Mantar, em Déli, foram compartilhadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Foram discutidas experiências em Faridabad, e na Área Industrial de Okhla (Déli), de trabalhadores de uma fábrica levando suas experiências entre trabalhadores de milhares de fábricas, escrevendo em papelão.</p>
<p style="text-align: justify;">Discussão sobre 30-40 trabalhadores da Honda de pé durante o turno da manhã com seus cartazes escritos ao longo de estradas em 6-7 lugares no DIM de Manesar, onde um grande número de trabalhadores vai labutar nas fábricas.</p>
<p style="text-align: justify;">Parece que os mil e quinhentos terceirizados que ocuparam a fábrica da Honda durante 15 dias têm a capacidade de levar as coisas muito longe.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Notas</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1]</strong> “Bidi” é um tipo de cigarro em que o tabaco é enrolado em folhas secas de tendu ou temburini, muito popular na Índia, utilizado até mais do que o cigarro tradicional; seria o equivalente ao <em>cigarro de palha</em> rústico, ou ao cigarro de <em>fumo de corda/rolo</em> conhecido como <em>pacaia</em> em algumas regiões do Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[2]</strong> Os trabalhadores da Maruti Suzuki em Manesar viveram desde 2011 uma intensificação de suas lutas laborais, incluindo <a class="urlextern" title="https://libcom.org/files/28C59d01.pdf" href="https://libcom.org/files/28C59d01.pdf" rel="nofollow">uma ocupação de fábrica em junho e duas em outubro</a>. <a class="urlextern" title="https://www.livemint.com/Companies/lRKRrq32VAFYpL1mGieWYK/What-triggered-the-violence-at-Maruti8217s-Manesar-factor.html" href="https://www.livemint.com/Companies/lRKRrq32VAFYpL1mGieWYK/What-triggered-the-violence-at-Maruti8217s-Manesar-factor.html" rel="nofollow">Nas palavras de um gerente anônimo</a>: “vias de fato e casos de trabalhadores cuspindo na cara dos gerentes eram comuns”. O episório mais conhecido é o da chamada “violência na Maruti Suzuki”. Em julho de 2012 a fábrica da Maruti Suzuki em Manesar viveu dias de protesto contra as péssimas condições de trabalho: um supervisor assediou um funcionário de casta baixa, Jiya Lal, até provocar sua demissão por haver supostamente espancado um supervisor; isto, e as más condições de trabalho (terceirizados recebem menos da metade que os efetivos), resultaram numa série crescente de atritos entre os trabalhadores da Maruti Suzuki e seguranças contratados pela empresa, até que, no dia 18 deste mês, os trabalhadores atacaram fisicamente os gerentes, matando um deles e ferindo outros cem, e incendiaram duas plantas da empresa. A Maruti Suzuki mandou fechar a fábrica (a legislação sindical indiana – <em>Industrial Disputes Act 1947</em> – permite o <em>lockout</em>), e acionou o governo estadual de Manesar, que deu início a uma onda de prisões: noventa e um trabalhadores foram presos no mesmo dia, acusados de “planejar” a ação, outros cento e quarenta e oito foram presos no dia seguinte, e a gerência da Maruti Suzuki prestou queixa contra seiscentos trabalhadores por assassinato, tentativa de assassinato, dano a patrimônio, tumulto e lesões corporais. A Maruti Suzuki, que anteriormente se comprometera a pagar pelos dias do <em>lockout</em>, demitiu quinhentos e quarenta trabalhadores e ordenou aos restantes retomar as atividades sem pagar o que devia. A Suzuki, de quem a Maruti é subsidiária, exigiu providências duras por parte do governo de Manesar e reabriu a fábrica, sob proteção de mil e quinhentos policiais, com apenas 10% de sua capacidade produtiva, que foi aumentando gradativamente até retornar à normalidade. Quase um ano depois, em julho de 2013, os trabalhadores da Maruti Suzuki fizeram greve de fome contra as prisões de seus colegas. Dos cento e quarenta e oito trabalhadores presos, cento e dezessete foram absolvidos em março de 2017; dos trinta e um condenados por vários crimes e contravenções, dezoito foram condenados a penas mais brandas, e treze receberam prisão perpétua pelo assassinato do gerente – doze dos quais eram dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores da Maruti Suzuki.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[3]</strong> <em>Industrial Model Township – Manesar</em> (“Distrito Indistrial Modelo – Manesar) é o nome de um distrito industrial na pequena cidade indiana de Manesar (18.511 habitantes, segundo o censo de 2011). Está integrado ao Projeto de Corredor Industrial Déli-Mumbai (por meio do Corredor de Carga Dedicado do Oeste) e também sob a área de influência do Corredor Industrial Amritsar-Déli-Calcutá (por meio do Corredor de Carga Dedicado do Leste). Além de encontrar-se nestes entroncamentos ferroviários, Manesar está a 44km do centro da capital indiana, Nova Déli; a 32km do Aeroporto Internacional Indira Gandhi, em Nova Déli; e a 17km de Gurugram/Gurgaon, a quem serve como cidade satélite. Todos estes fatores fazem do Distrito Industrial Modelo de Manesar uma peça importante no planejamento econômico indiano. Estão presentes no DIM de Manesar, além da metalúrgica Maruti Suziki e da automobilística Honda Motorcycles and Scooters India (HMSI), plantas de empresas como Alcatel-Lucent (equipamentos de telecomunicação), Alere (equipamentos de diagnóstico médico), BorgWarner (peças automotivas), Baxter International (equipamentos médicos), Denso (peças automotivas), Hero (peças automotivas e motores elétricos), Johnson Matthey (química e metais preciosos), Keysight (eletrônicos), Mankind Pharma (farmacêutica) e Samsung (eletrônicos).</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Traduzido pelo Passa Palavra a partir do <a class="urlextern" title="https://faridabadmajdoorsamachar.blogspot.com/2019/12/new-axis-new-terrain-new-milieu.html" href="https://faridabadmajdoorsamachar.blogspot.com/2019/12/new-axis-new-terrain-new-milieu.html" rel="nofollow">original disponível no site do Faridabad Majdoor Samachar</a>. Ilustram este artigo obras do artista indiano Maqbool Fida Husain.</strong><em><br />
</em></p>
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		<title>Índia: terceirizados ocupam fábrica da Honda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enzo Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Jan 2020 14:47:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Índia]]></category>
		<category><![CDATA[Ocupações]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho_e_sindicatos]]></category>
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					<description><![CDATA[Uma visão da greve de ocupação dos terceirizados da Honda à luz da onda global de lutas dos trabalhadores. Por Angry Workers of the World]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por Angry Workers of the World</h3>
<div class="td-paragraph-padding-2" style="text-align: justify;"><span style="color: #333333;"><em>O texto abaixo foi publicado originalmente </em></span><em><span style="color: #333333;">em novembro do ano passado, intitulado</span> <a href="https://angryworkersworld.wordpress.com/2019/11/10/factory-occupation-temporary-and-permanent-honda-workers-in-manesar-india/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&#8220;FACTORY OCCUPATION! Temporary and permanent Honda workers in Manesar, India&#8221;</a><span style="color: #333333;">, quando a ocupação em questão estava ainda em curso. Embora ela tenha já terminado, resolvemos ainda assim traduzi-lo e publicá-lo no </span></em><span style="color: #333333;">Passa Palavra<em>. Na próxima quarta-feira publicaremos outro texto sobre o mesmo processo de luta</em><em>. Esse segundo texto tem uma perspectiva </em>a posteriori<em> da ocupação e permite ter uma visão de conjunto dos acontecimentos.</em></span></div>
<p style="text-align: justify;">Os elos subterrâneos globais da luta de classes nem sempre são visíveis de imediato. Nós vemos ondas de protesto irrompendo no Chile, Honduras, Iraque e Líbano, que não se relacionam entre si de nenhuma forma óbvia. Ainda que não exista nenhuma comunicação massiva consciente entre esses movimentos (até agora), nós podemos assumir de forma razoável que eles sejam mais do que só o resultado das desacelerações econômicas, das oscilações globais que têm impactado negativamente o consumo da classe trabalhadora.</p>
<p style="text-align: justify;">Essas lutas pegam dicas umas das outras, como exemplos passados já nos mostraram. Quem se lembra dos trabalhadores imigrantes do Norte da África em greve que bloquearam o depósito da TNT na Itália durante a assim chamada Primavera Árabe gritando “Abaixo Mubarak, abaixo os patrões”? Eles sentiam que se os pobres podem encarar um estado policial “em casa”, eles certamente poderiam encarar uma empresa global de logística. Quem se lembra dos trabalhadores da Maruti Suzuki em Manesar, que deixaram sua fábrica após cinco dias de uma greve de ocupação em 2011 e que, ao voltarem ao mundo externo viram que o Occupy havia acampado em Wall Street ao mesmo tempo, disseram: “Parece que a nossa luta se espalhou!”?</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-129712" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2020/01/4ca422f28cc0507a2148bb2ec892c474.jpg" alt="" width="553" height="700" /></p>
<p style="text-align: justify;">A atual ocupação da planta da Honda em Manesar tem sua própria história e pontos de referências locais. Os trabalhadores mais velhos da fábrica provavelmente se lembram do brutal ataque da polícia em 2005,<strong>[1]</strong> pouco tempo depois de a fábrica ser inaugurada. Eles talvez se lembrem da greve selvagem dos trabalhadores temporários em 2010<strong>[2]</strong> depois que o sindicato dos trabalhadores efetivos se estabeleceu. Os temporários deram um golpe contra um acordo entre a gestão e o sindicato que os excluía e baseava o bônus dos trabalhadores efetivos em aumentos de produtividade que eram espremidos dos temporários. Muitos devem ter tirado suas referências da ocupação conjunta de temporários e terceirizados em 2011 da planta Maruti Suzuki da vizinhança<strong>[3]</strong> ou da onda de ações selvagens em 2014.<strong>[4]</strong></p>
<p style="text-align: justify;">E mais uma vez há ligações para além da experiência local. A indústria automobilística está no coração de uma crise global, não apenas em termos de lucros ou vendas, mas também quanto à legitimidade de todo seu sistema de poluição e exploração. Portanto não é coincidência que haja uma ofensiva operária recente no setor dos dois lados do muro EUA-México. As zonas econômicas especiais do México foram chacoalhadas por greves selvagens na cadeia de suprimentos.<strong>[5]</strong> Essas lutas do lado “mal remunerado” do muro encorajariam os trabalhadores da General Motors nos EUA a atacar, poucos meses depois, o sistema divisivo de duas camadas ao qual seu sindicato havia aderido.<strong>[6]</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto amplos setores da esquerda ainda se focam nos “representantes do mal”, personificados por Trump ou Modi, ou nos “salvadores” na forma de Corbyn ou Sanders, os trabalhadores devem dar passos para além da representação, e estão dando. Ao longo dos últimos meses, seus protestos questionaram tanto governos “esquerdistas” na Bolívia quanto governos “de direita” na Hungria. O que nos falta é uma reflexão coletiva das dinâmicas internas e da dimensão global dos protestos atuais. Nos falta uma visão de como ir além do enfrentamento com as forças do Estado e imaginar uma tomada coletiva dos meios para produzir uma vida melhor. É por isso que lutas como a ocupação em curso na fábrica da Honda pelos trabalhadores são de uma importância essencial. Eles estão literalmente ocupando os meios de produção e, ao fazê-lo, encontrando novas formas de desenvolver conhecimento coletivo.</p>
<p style="text-align: justify;">Nossas informações envolvendo esses recursos são fragmentárias, nós dependemos de camaradas que visitaram os trabalhadores nos portões e que estão em contato com eles através do WhatsApp, e uns poucos artigos e vídeos publicados na imprensa.<strong>[7]</strong></p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>A luta</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">As vendas das scooters e motos da Honda estão em queda. Os gestores planejavam demitir os trabalhadores empregados por terceirizadas antes. Alguns deles haviam trabalhado lá por dez anos. A administração conversava sobre uma dispensa de três meses, após a qual eles considerariam readmitir os trabalhadores — ao evitar uma demissão formal, eles podiam se livrar de gastar com um pagamento redundante. Os primeiros trabalhadores foram demitidos em bloco. Alguns trabalhadores empregados através de terceirizadas reagiram com um boicote à cantina em outubro, o que teve um significativo peso simbólico.</p>
<p style="text-align: justify;">Há ao todo 4 mil trabalhadores empregados, 2500 deles através de terceirizadas. A planta tem uma capacidade anual de 1,5 milhões de unidades. A produção foi recentemente cortada em 50 por cento. Os temporários recebem por volta de 14,000 rupias [moeda indiana] por mês, enquanto os efetivos recebem de quatro a cinco vezes mais. Ainda que o abismo salarial tenha provado ser uma ferramenta confiável para dividir e governar, atualmente os trabalhadores efetivos estão descontentes em função das negociações salariais atrasadas. Eles expressaram solidariedade com a ação dos temporários.</p>
<h4><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-129711" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2020/01/2014_MUM_01202_0012_000tyeb_mehta_untitled.jpg" alt="" width="599" height="700" /></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><em>5 de Novembro</em></h4>
<p style="text-align: justify;">A gerência impede a entrada de 400 trabalhadores empregados por terceirizadas. Dentro, alguns trabalhadores tentam começar um protesto de <em>sit-down</em> [sentar-se no chão] em frente ao escritório do sindicato. Negociações entre o sindicato, a gestão e o governo não tiveram resultados. A empresa colocou no portão a cópia de uma decisão judicial dizendo que os trabalhadores devem ficar a 200 metros de distância do portão, mas eles não dão nenhuma atenção.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><em>6 de Novembro</em></h4>
<p style="text-align: justify;">O turno do dia começa com uma greve de <em>sit-down</em> dentro da fábrica às 11h30. A polícia chega e ameaça trabalhadores individualmente. O turno da tarde é liberado para entrar na fábrica e junta-se ao <em>sit-down</em>, enquanto o da manhã recusa-se a sair. Milhares estão dentro e 300 trabalhadores se reúnem do lado de fora do portão. Há um total de 2500 trabalhadores terceirizados trabalhando na Honda.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><em>7 de Novembro</em></h4>
<p style="text-align: justify;">A gerência circula entre os trabalhadores efetivos um aviso de que os terceirizados estão envolvidos em uma greve de <em>sit-down</em> ilegal e que por isso a produção está suspensa. Eles pedem aos efetivos que fiquem em casa. A gerência para de abastecer a comida das cantinas, os trabalhadores levam comida aos portões. O <em>sit-down</em> continua.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><em>10 de Novembro</em></h4>
<p style="text-align: justify;">Há ainda 2 mil trabalhadores dentro. A gerência publica o seguinte anúncio:</p>
<blockquote><p>Caros colaboradores,<br />
Em função da situação trabalhista existente na fábrica, as operações foram suspensas e a planta permanecerá fechada até futura notificação.<br />
Atenciosamente,<br />
Naveen Sharma<br />
AGM &#8211; Assuntos Gerais<br />
Planta de Manesar</p></blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>Ilustram este artigo obras do artista indiano Tyeb Mehta.</strong></p>
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			</item>
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		<title>Índia: operários da Suzuki lincham gestores e 40 vão para o hospital</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/08/62915/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Aug 2012 08:22:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Índia]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho_e_sindicatos]]></category>
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					<description><![CDATA[No seguimento da injusta suspensão de um operário, a administração da Suzuki contratou umas centenas de valentões para atacar os trabalhadores. Por Working Class Self Organization]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;"><strong>Por Working Class Self Organization</strong></h3>
<p style="text-align: justify;">Aquele que é o maior fabricante de automóveis da Índia encerrou uma das suas duas fábricas, após um conflito laboral que acabou por desencadear uma série de revoltas. Estas provocaram, pelo menos, uma morte e dezenas de feridos.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-145410" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/08/Suzuki-5-300x214-1.jpg" alt="" width="300" height="214" />A fábrica encerrou os seus portões na noite de quarta-feira, devido a um incêndio de grandes proporções, iniciado pelos trabalhadores. Um cadáver carbonizado encontrado na sala de conferências aguarda ainda identificação. De acordo com um comunicado emitido pela empresa, uma subsidiária da multinacional japonesa Suzuki, cerca de 40 gestores e executivos foram hospitalizados, apresentando uma série de ferimentos.</p>
<p style="text-align: justify;">O conflito é o resultado do aumento da inflação, da redução dos salários, do ataque aos direitos adquiridos e do recurso a mão-de-obra temporária, de forma a franquear os regimes jurídicos de trabalho. A situação atingiu o seu limite no dia 18 de Julho, quando um supervisor atacou verbalmente um operário e, sem qualquer processo ou prova de justa causa, decidiu a sua suspensão.</p>
<p style="text-align: justify;">Os operários, indignados, decidiram envolver o sindicato. Enquanto este tentava estabelecer negociações, os patrões reuniam centenas de seguranças contratados, os quais trancaram os portões da fábrica e, a pedido da administração, atacaram os trabalhadores com armas.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-145409" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/08/Suzuki-1-300x221-1.jpg" alt="" width="300" height="221" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/08/Suzuki-1-300x221-1.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/08/Suzuki-1-300x221-1-80x60.jpg 80w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/08/Suzuki-1-300x221-1-100x75.jpg 100w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" />Segundo um delegado do sindicato:</p>
<p><em>“Eles [os seguranças], juntamente com algum pessoal da administração e, mais tarde, alguns agentes da polícia, espancaram uma série de operários, os quais tiveram que ser hospitalizados devido a ferimentos graves. Os seguranças […] destruíram igualmente propriedade da empresa e incendiaram parte da fábrica. Posteriormente, os portões foram abertos, de modo a expulsar os trabalhadores e impor o </em>lock-out<em> da empresa”.</em></p>
<p>O governo e a polícia não demonstraram qualquer interesse na perseguição dos rufias [valentões, capangas] contratados que iniciaram a violência, optando, antes, pela perseguição aos 3.000 operários, acusados de homicídio (até agora, 91 já foram presos).</p>
<p>Os patrões bloquearam o acesso de todos os trabalhadores à fábrica Manesar que, juntamente com a sua unidade congénere, assegura a produção de 40% da frota automóvel indiana.</p>
<p style="text-align: justify;">As condições de trabalho na fábrica são horrendas. Um carro é produzido em cada 38 segundos. Caso se verifique um segundo de atraso, os trabalhadores sofrem de imediato um corte no salário. Se esse atraso ocorrer à entrada do trabalho, eles perdem o dia de trabalho. Se acontecer ao regressar do intervalo, vêem os seus salários reduzidos.</p>
<p style="text-align: justify;">Tal tipo de confronto está longe de ser estranho à indústria automóvel indiana. Em 2008, um grupo de operários da Graziano Transmissioni linchou o diretor executivo, tendo esmagado o seu crânio com martelos e barras de metais. A Honda, a Ford, a General Motors e a Hyundai conheceram igualmente, nos últimos anos, uma forte agitação laboral.<img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-145408" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/08/Suzuki-6-300x224-1.jpg" alt="" width="300" height="224" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/08/Suzuki-6-300x224-1.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/08/Suzuki-6-300x224-1-80x60.jpg 80w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/08/Suzuki-6-300x224-1-100x75.jpg 100w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/08/Suzuki-6-300x224-1-180x135.jpg 180w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/08/Suzuki-6-300x224-1-238x178.jpg 238w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<p style="text-align: justify;">A indústria automóvel indiana atravessa, no entanto, um elevado crescimento. A Maruti Suzuki obteve mais de $65.000 de lucro por trabalhador. Apesar dos resultados sem precedentes, os operários da indústria viram os seus salários reduzidos em mais de 50% do seu valor ao longo dos últimos dez anos. Já os diretores executivos viram as suas remunerações disparar em flecha.</p>
<p><em>Traduzido por Passa Palavra a partir <span style="color: #ff0000;"><a href="http://libcom.org/blog/indian-suzuki-workers-lynch-hospitalise-forty-managers-29072012" target="_blank" rel="noopener"><span style="color: #ff0000;">daqui</span></a></span></em>.</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Gurgaon-Delhi, Índia: Estado actual das lutas operárias</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/04/38601/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Apr 2011 11:21:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Greves]]></category>
		<category><![CDATA[Índia]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho_e_sindicatos]]></category>
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					<description><![CDATA[Qualquer debate sobre a “generalização” das lutas tem de se basear nas suas específicas condições e experiências, de contrário são palavras no ar. Operários de uma das maiores zonas industriais da Índia interrogam-se sobre as contradições entre trabalho permanente e trabalho precário. Por Gurgaon Workers News]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Gurgaon Workers News</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Sem optimismos artificiais nem atitudes propagandísticas, podemos dizer que o desenvolvimento do “clima industrial” e das experiências dos trabalhadores na cintura [cinturão] industrial de Delhi criou condições gerais para uma onda maior de lutas salariais. Obviamente não há “inevitabilidade histórica”, mas há muitos indicadores históricos que colocam a pergunta: “Se não for agora, quando será?”</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/04/f_india03.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright size-full wp-image-38604" title="f_india03" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/04/f_india03.jpg" alt="f_india03" width="400" height="300" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/04/f_india03.jpg 400w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/04/f_india03-300x225.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a>Durante os últimos seis meses, a combinação da inflação geral, causa do declínio dos salários reais, com a continuação da produção a 100% na maior parte das empresas locais criou uma tensão palpável no seio de uma mão-de-obra espacialmente concentrada e industrialmente integrada. Os longos horários de trabalho e as horas extraordinárias, apresentados como uma compensação dos salários baixos, chegaram aos limites físicos do ser humano. A maior parte dos trabalhadores não é abrangida pelo regime de salários institucionalizado pela mediação dos sindicatos e, na maioria dos casos, o salário mínimo legal definido pelo Estado não é aplicado. A nível local, constatámos algumas lutas “autónomas” esporádicas dos trabalhadores, mas só parcialmente bem sucedidas e ao nível de uma empresa. Num cenário muito semelhante, a onda de greves salariais do ano passado na China tornou-se um ponto de referência.</p>
<p style="text-align: justify;">Pensamos que a emergência de lutas salariais independentes potencia o aparecimento em primeiro plano de uma “reivindicação salarial generalizada”, que se pode tornar um ponto de referência que ultrapasse o nível da empresa isolada. Em certas condições, as lutas em torno destas “reivindicações salariais” têm potencial para exprimir, mais do que apenas “necessidades económicas”, um descontentamento social generalizado, um equilíbrio de forças entre uma nova geração de trabalhadores e um sistema odiado de zona urbana industrial. Existe uma relação entre a sua “igual condição” na indústria moderna, a necessidade de “formas directas de auto-organização e coordenação de lutas” e reivindicações “igualitárias e generalizadas”. Vamos, a seguir, observar sumariamente as condições gerais, as actuais políticas do Estado e dos sindicatos para integrar política e economicamente a “questão salarial” e a situação específica das diferentes indústrias locais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Condições objectivas</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Podemos dizer que a inflação geral está fora do controlo dos “gestores políticos do capital”. Os preços globais do petróleo, e não só, também os fluxos globais de “dinheiro quente”, fazem inchar as taxas de inflação, não só na Índia mas na generalidade dos “mercados emergentes”. A maior parte das “políticas anti-inflacionistas”, que travam o influxo de investimentos de curto prazo, poderão pôr em perigo a base financeira das “políticas de estímulo” e matar a ténue retoma em curso. Sob a forma de inflação, os “custos do estímulo” (abaixamento de direitos aduaneiros, isenções fiscais para a indústria, etc.) são repercutidos na classe trabalhadora, que assim enfrenta a queda do valor dos salários. A inflação anual geral está nos 10%, mas é superior a isso nos bens essenciais para os trabalhadores, como a alimentação, os transportes ou os alugueres. No sector de telecomunicações e no sector trabalho-intensivo, como as indústrias do vestuário ou dos <em>call centers</em>, os salários são “salários globais” num sentido directo, e quaisquer mudanças de vulto alterar-lhes-ão de imediato a posição que ocupam. A indústria automóvel local funciona “a todo o vapor”, mas com uma grande “pressão de custos” que estreita as margens de lucro. É esta a pressão mais geral do sistema sobre os salários. Para além da inflação geral, é preciso levantar a questão específica da evolução local dos preços e do seu impacto nos salários dos trabalhadores, ou seja, os alugueres de quartos que tendem a aumentar mais do que qualquer pequeno aumento dos salários absolutos. Isto tem de ser levado em conta quando se trata de “defender os salários” no âmbito alargado da esfera reprodutiva.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/04/f_india04.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-38605" title="f_india04" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/04/f_india04.jpg" alt="f_india04" width="400" height="225" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/04/f_india04.jpg 400w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/04/f_india04-300x168.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a>Integração económica e política</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A manifestação nacional dos sindicatos contra a subida dos preços, que teve lugar em Delhi em 23 de Fevereiro, foi um evento simbólico mas revelou a separação fundamental do trabalho entre Estado e sindicatos quanto à integração económica e política da questão salarial. Todos os grandes sindicatos do país mobilizaram para uma “Marcha até ao Parlamento”; apenas 40 a 60 mil pessoas seguiram esse apelo. As fábricas da cintura [cinturão] industrial de Delhi funcionaram em regime lento nesse dia. A maior parte dos manifestantes eram trabalhadores de colarinho branco (sector bancário, funcionários públicos) de 50 anos de idade em média, e ocasionais trabalhadores da construção mobilizados como soldados rasos. No dia seguinte a este manso e bastante minoritário “protesto”, o governo estadual de Delhi anunciou uma subida de 15% do salário mínimo da região de Delhi. Um sinal claro para toda a classe: se vocês se confinarem a formas de protesto democraticamente moderadas, talvez ganhem algo com isso. Sem querermos estabelecer demasiados paralelos, este anúncio deve ser entendido no quadro das sublevações “inflacionantes” do Norte de África. É, também, algo que deve ser entendido no quadro da função histórica dos aparelhos sindicais enquanto correias de transmissão de integração, não só económica mas também política. Com o declínio da legitimidade do Estado, a mais importante “esfera democrática” continua a ser “organicamente” o terreno da classe trabalhadora. Repetidamente, o aparelho sindical promove a “representação institucionalizada” necessária a uma “reformulação do poder do Estado” (desde o tempo da “transição democrática” na Espanha, na Polónia, etc., até ao que se passa agora em países como a Tunísia, onde, à falta de uma “oposição política”, os velhos sindicatos são os primeiros a assumir essa função).</p>
<p style="text-align: justify;">A decisão de aumentar o salário mínimo em Delhi teve como resultado um largo fosso entre os salários oficiais da região de Delhi e os de áreas industriais circundantes no [estado de] Haryana (Faridabad, Gurgaon, Manesar, etc.). O salário mínimo para mão-de-obra industrial não qualificada é, em Delhi, de 6.084 / 234 rupias (salário mensal para 8 horas por dia e 6 dias por semana / salário diário) [€ 96 / 3,7 ou R$ 218 / 8,4], enquanto em Haryana o salário é de 4.503 / 173 rupias [€ 70,7 / 2,7 ou R$ 162 / 6,2]. Qualquer trabalhador sabe que, na maioria dos casos, não se ganha o salário mínimo, nem em Delhi nem em Haryana, mas esse fosso irá aumentar a pressão salarial geral que vem de baixo, ao mesmo tempo que já estabelece um limite oficial. Nesse sentido, a decisão do governo de Delhi é, não apenas uma medida populista, mas também um sinal político, conteúdo material e, em parte, política industrial regional de estruturação de zonas salariais. No Haryana chegou-se a uma situação em que, no “esquema de empregos” MNREGA (sistema de ajuda do Estado ao trabalho-intensivo no caso dos rurais pobres, da escavação de canais, etc.), os salários são mais altos do que o salário mínimo para os trabalhadores da indústria (179 rupias/dia para o MNREGA, 173 na indústria). Isto deve-se realmente a políticas eleitoralistas, uma maneira oficial de comprar votos dos rurais pobres, e não tanto a uma tentativa de atrair trabalhadores industriais para o trabalho rural – de qualquer modo, a maior parte dos trabalhadores industriais estão registados noutros estados.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/04/f_india10.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright size-full wp-image-38611" title="f_india10" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/04/f_india10.jpg" alt="f_india10" width="400" height="266" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/04/f_india10.jpg 400w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/04/f_india10-300x199.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a>O Estado estabelece a grelha ampla do regime legal de salários e ajusta-a ao plano económico geral e às políticas de crise, mas ao nível das empresas individuais a questão salarial é mediada pelos sindicatos. Só para dar um exemplo, vejamos o sindicato da Honda HMSI em Gurgaon. Ninguém negará o “carácter genuíno” do sindicato; na luta por ele foi vertido sangue; não foi formado como um sindicato dos patrões; ninguém o iria abordar de forma traiçoeira. Desde que foi reconhecido em 2005, os salários dos trabalhadores permanentes – os membros do sindicato – quadruplicaram: até Maio de 2005 os trabalhadores permanentes costumavam ganhar cerca de 6.900 rupias [€ 108, R$ 248], agora os salários são de 30.000 rupias ou mais [€ 471, R$ 1.077], incluindo incentivos e prémios. Ao mesmo tempo, os trabalhadores permanentes tornaram-se uma minoria na fábrica. Em 2005 havia 1.200 permanentes, 1.600 estagiários, 1.000 subcontratados e 400 aprendizes. Hoje há 1.800 trabalhadores permanentes e 6.500 recrutados através de subcontratantes nas secções de produção, e ainda cerca de 1.500 também subcontratados para as limpezas, a cantina, serviço de motoristas, etc. Os trabalhadores temporários na produção ganham cerca de 6.800 rupias por mês [€ 107, R$ 244], menos de um quarto do que ganham os seus colegas permanentes. Os trabalhadores permanentes ocupam sobretudo cargos de supervisão. Segundo os acordos estabelecidos entre os sindicatos e os gestores, os salários dos trabalhadores permanentes têm uma parte considerável indexada aos prémios de produtividade. A empresa quer que eles “beneficiem” da maior carga de trabalho que tem sido imposta à força de trabalho temporária. O poder efectivo e real do sindicato diminuiu, e o declínio é compensado tornando-se os próprios [dirigentes sindicais] gestores importantes da hierarquia salarial – não como “vendidos” à empresa, mas como resultado do carácter essencial do sindicato dentro do processo mais amplo de restruturação das relações de classe. É este o pano de fundo da reflexão que temos de fazer quanto às “gloriosas derrotas” em recentes lutas pelo reconhecimento do sindicato, como na Rico e na Denso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Condições e experiências das lutas dos trabalhadores</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A força de trabalho temporária não é representada pelos sindicatos. Não tem grande interesse em acordos salariais de empresa a longo prazo, muda frequentemente de emprego entre empresas e entre secções de empresa. Está objectivamente interessada em condições salariais mais abrangentes. Ao contrário da geração dos seus pais, está pouco interessada em “poupar dinheiro”. A compra de um pequeno terreno e a construção de uma casa na zona é algo que está fora do seu alcance, os seus interesses são mais imediatos: telemóveis [celulares], algum lazer, quanto o permita o salário. Estes factores obrigaram os trabalhadores temporários a lutar por fora das estruturas sindicais.</p>
<p style="text-align: justify;">É este o cenário de fundo de condições de luta muito específicas, diferentes conforme os ciclos económicos dos vários sectores e conforme a específica organização industrial da força de trabalho, tanto numa base sectorial como empresa a empresa. Foquemo-nos por um momento nas diferenças entre os três principais sectores existentes em Gurgaon – os <em>call center</em>, o vestuário e a indústria automóvel.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/04/f_india07.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-38610" title="f_india07" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/04/f_india07.jpg" alt="f_india07" width="391" height="255" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/04/f_india07.jpg 391w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/04/f_india07-300x195.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 391px) 100vw, 391px" /></a>No sector dos <em>call center</em>, os trabalhadores conseguiram aumentar os salários numa base individual por meio da mudança frequente de emprego. Esta possibilidade limitou-se aos <em>call center</em> em língua inglesa e apenas enquanto havia uma procura significativa. Desde o fim de 2008, com a crise dos EUA e da Europa, os salários têm baixado. O nível dos salários nos <em>call center</em> dos EUA desceu tanto que isso repercute-se como pressão nos salários das regiões subcontratantes, como Gurgaon. Daí uma grande diferença de salários entre os <em>call center</em> nacionais e os internacionais. Os trabalhadores dos <em>call center</em> nacionais dificilmente ganham mais do que os trabalhadores da indústria – cerca de 7.000 rupias [€ 100, R$ 251] – enquanto os salários dos <em>call center</em> internacionais são ainda o dobro ou o triplo dessa quantia. Em Março de 2009, os trabalhadores do <em>call center</em> Sparsh, em Gurgaon, pararam o trabalho durante três dias, exigindo melhores salários. Na altura ganhavam 4.800 rupias [€75, R$ 172]. Esta foi uma das poucas acções colectivas de que ouvimos falar.</p>
<p style="text-align: justify;">Na indústria do vestuário, os trabalhadores estão sujeitos a ciclos de forte flutuação – enormes cargas de trabalho nos períodos em que há encomendas, alternando com <em>lay-offs</em> temporários. A força de trabalho é segmentada em função da qualificação individual, o que também se exprime na divisão entre o trabalho à peça para os mais qualificados e os salários mensais para os ajudantes. Temos visto muitas pequenas greves, com sucesso temporário, dos trabalhadores mais qualificados para conseguir melhores pagamentos à peça quando chegam novas encomendas. Não vimos serem dados passos colectivos quanto aos turnos de 16 horas seguidas, seguidos por <em>lay-offs</em> temporários de que resultam salários mensais médios mais baixos. O poder de negociação baseado na qualificação vai sendo minado, cada vez mais. Poucos exemplos vimos de lutas que tenham conseguido estabelecer, dentro de uma empresa, uma ponte entre trabalho à peça e salário mensal, ou entre qualificados e não-qualificados. Numa indústria em que há pouco entrosamento, como acontece no vestuário, o potencial de generalização das lutas é baixo – exceptuando uma insurreição ocasional. O facto de, em Gurgaon, e particularmente em Manesar, as indústrias do vestuário e do automóvel estarem espacialmente concentradas na mesma área, virá a ter importância.</p>
<p style="text-align: justify;">Os salários e os tempos de trabalho nas indústrias do vestuário e do automóvel variam pouco, conquanto haja variação significativa na estrutura industrial: um fluxo de produção mais ou menos contínuo nas fábricas de montagem e dentro das redes de centenas de empresas sub-fornecedoras, com grande sensibilidade a qualquer interrupção – veja-se o declínio do <em>output</em> da Honda HMSI aquando das perturbações em vários dos seus fornecedores durante o ano de 2010 (AG Industries, etc.). Nas várias empresas vigoram modos de produção de montagem ou de operação de máquinas mais ou menos idênticos. Um produto que é apresentado como a forma mais elevada de consumo numa sociedade moderna, mas que se mantém fora do alcance dos seus produtores locais. As lutas locais na indústria automóvel e metalúrgica, nos anos recentes, expressaram um potencial concreto de generalização, apesar de a maior parte delas se ter confinado aos limites da empresa. Apenas alguns exemplos.</p>
<p style="text-align: justify;">Exigindo, entre outras coisas, salários mais altos, os trabalhadores temporários da Hero Honda Gurgaon ocuparam a fábrica vários dias em 2006. Quando terminou a ocupação, os trabalhadores do fornecedor da Honda, Shivam Autotech, pararam o trabalho e exigiram subida dos salários, referindo-se aos salários dos permanentes da fábrica Shivam em Binola. Os salários da fábrica de Binola tinham tido um aumento de 900 rupias [€14, R$ 32] durante as perturbações que houve na Honda HMSI em 2005, sem que os trabalhadores tivessem adiantado qualquer exigência – o que diz muito acerca da relação entre a pressão geral e a subida dos salários e sobre a necessidade de acordos formais. Em 2007 irrompeu uma greve selvagem em empresas subcontratantes do sector automóvel logo a seguir ao aumento oficial dos salários mínimos, mas que não tinham sido respeitados pelos gestores das empresas. Em 3 de Agosto de 2007, cerca de 2.000 trabalhadores temporários entraram em greve na Delphi, a 8 de Agosto os trabalhadores da Maharani Paints, a 9 de Agosto na Shyam Elanyaz, a 10 de Agosto os trabalhadores da Sanden Vikas recusaram-se a receber os salários antigos e os da Talbros pararam o trabalho. Esta série de pequenas greves “espontâneas” continuou, aparentemente sem quaisquer laços organizativos. A mais recente “oportunidade” de generalização emergiu durante a greve selvagem de 24 horas na Honda HMSI em Dezembro – a questão dos contratos temporários podia ter sido levantada num nível mais alargado. Ocorreu uma série de greves curtas em várias empresas em Março de 2011 (Eastern Medikit, Concept Clothing, etc.), seja por falta de pagamento de salários em tempo ou por estes não terem sido aumentados após a subida do salário mínimo em Delhi. Até agora, o poder de “atracção” destas greves mantém-se limitado ao âmbito da empresa. No número de Abril do nosso jornal vamos convocar um encontro de trabalhadores em Okhla – onde tiveram lugar a maior parte destas greves – para discutirmos as experiências.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/04/f_india00.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright size-full wp-image-38613" title="f_india00" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/04/f_india00.jpg" alt="f_india00" width="350" height="521" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/04/f_india00.jpg 350w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/04/f_india00-201x300.jpg 201w" sizes="auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px" /></a>Qualquer debate sobre a “generalização” das lutas tem de se basear nestas específicas condições e experiências, de contrário são palavras no ar. Quando olhamos para a grelha histórica mais ampla, por exemplo o último período de grandes greves salariais selvagens nos anos 1970 nos EUA e na Europa, podemos ver que os trabalhadores tiveram de encontrar formas de auto-organização baseadas nas suas condições específicas: tiveram de desenvolver maneiras de usar antagonicamente a dimensão social do seu trabalho na indústria de forma a “generalizar“ as suas lutas. A emergência de uma reivindicação salarial generalizada tornou-se então uma expressão orgânica e, mais do que isso, catalisadora, um ponto de encontro e uma maneira de exprimir tanto as formas igualitárias de organização quanto os desejos próprios. Nas lutas operárias dos anos 1970 estas exigências salariais punham em causa as hierarquias internas da classe trabalhadora, entre os de colarinho branco e os de colarinho azul, questionando a relação com o capital e a produtividade capitalista, e questionando a instituição sindical no seu modo de “resolver as reivindicações salariais”. A “luta salarial” tornou-se uma luta política tanto na forma como no conteúdo: contra o regime da empresa, por mais dinheiro e menos trabalho, aqui e agora.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que podemos fazer?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O pensamento esquemático que faz a separação entre “lutas económicas e lutas políticas”, que ainda prevalece no nosso meio, tem consequências problemáticas. Por um lado, a “crítica política ideológica” é aplicada do exterior: as lutas dos trabalhadores são avaliadas de acordo com a sua forma superficial de “lutas económicas”. Não se faz um esforço sério para analisar o “contexto político” mais amplo destas lutas e as “formas e interrogações políticas” que emergem durante a luta. Esta abordagem deixa-nos na frieza da separação ideológica, e o fosso entre a “consciência revolucionária de classe” e as lutas do dia a dia torna-se uma tarefa insuportável de esclarecimento. Quando se tenta fazer a ponte para essas “lutas do dia a dia”, em muitos casos as nossas iniciativas tornam-se, elas próprias, extremamente “economicistas/legalistas”: focam-se mais nas leis do trabalho e nos acordos escritos do que no poder directo dos trabalhadores, relacionam-se preferencialmente com os aparelhos e os representantes dos sindicatos do que com as experiências dos trabalhadores, com a crença nos efeitos “generalizadores” de reivindicações gerais ou de transição. Isto é apenas uma consequência lógica.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas questões levantadas acima, tentámos esboçar o “contexto material e político” das lutas dos trabalhadores: a dimensão global (mercado mundial, linhas de abastecimento globais), a relação com o Estado e as leis, a “promessa capitalista de desenvolvimento” vs. realidade, a estrutura social da indústria como base para novas formas de organização proletária, a mobilidade dos trabalhadores e os seus problemas na “esfera reprodutiva”. Nestas bases, nem a luta dos trabalhadores será “espontânea”, nem eles poderão ficar “não-políticos” – terão de tratar das grandes questões sociais na sua linguagem própria.</p>
<p style="text-align: justify;">Avançaremos com a questão “500 rupias por um dia de 8 horas – Não podemos aceitar menos”, na Cidade Industrial Modelo de Manesar. Manesar é dominada pela indústria automóvel e está “integrada” quer em termos de indústria – a maior parte das empresas são na realidade departamentos das fábricas de montagem da Suzuki e da Honda –, quer em termos de força de trabalho – a maior parte dos trabalhadores circulam dentro desta densa zona industrial. Discutimos a questão com alguns trabalhadores empregados em diferentes empresas. Colocá-la-emos sob a forma de cartazes escritos à mão, a afixar na zona e dentro das empresas. Decidiremos os passos seguintes em função do debate que, esperamos, irá surgir entre os trabalhadores nas diferentes empresas.</p>
<p style="text-align: justify;">A “antecipação” apresenta um perigo óbvio. Se avançarmos com a palavra de ordem “500 rupias por um dia de 8 horas – Não podemos aceitar menos” relativamente a uma zona industrial específica e num tempo específico, e se propusermos aos trabalhadores de várias empresas que se encontrem para formarem comités, fá-lo-emos com ênfase explícita na questão que vem atrás: “Mas como podemos nós levar isso adiante”. Nós dizemos claramente que essa palavra de ordem, só por si, nem nos dispensa de considerar as condições específicas do nosso sector ou da nossa empresa, nem nos permite ter ilusões quanto a um “acordo final”. Pode ajudar-nos a debater passos concretos. Que passos serão especificamente nossos, e que passos serão comuns a todos? Que podemos fazer dentro do recinto da empresa, e que podemos fazer na zona mais ampla? Não vemos algum perigo em “pré-definir” objectivos ou formas de luta futuras. Vai ajudar-nos a discutir as nossas divisões actuais. Mesmo uma palavra de ordem maximalista como “500 rupias por um dia de 8 horas” – que significaria quantitativamente um aumento de salário de 300% para a maioria dos trabalhadores e desde logo levanta a questão dos agora predominantes dias de 12, 14 e 16 horas – servirá para realçar o facto material de que alguns trabalhadores permanentes (sindicalizados) ganham mais e poderiam sentir-se ameaçados por potenciais conflitos sociais. A forma de luta – o desenvolvimento de uma nova prática social e atmosfera de “solidariedade” – determinará se daí poderá emergir a “unidade dos trabalhadores”. Um dos últimos mitos do movimento trabalhista institucionalizado, o de que a “unidade organizada” é condição prévia e não um processo dentro da luta de classes – terá de ser derrubado. Vocês estão convidados para o debate e para os passos concretos.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Artigo original (em inglês) em <a href="http://gurgaonworkersnews.wordpress.com/2011/03/30/gurgaonworkersnews-april-2010/" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">gurgaonworkersnews.wordpress.com</span></a>. Tradução do Passa Palavra.</em></p>
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		<title>Gurgaon, Índia: Sete vozes em contraluz</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Dec 2010 13:21:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Gurgaon, região apresentada como farol do progresso capitalista da Índia e da sua promessa de vida melhor para as multidões que se amontoam ao portão do desenvolvimento. Sete jovens trabalhadores falam do que são as suas vidas. Por Gurgaon Workers News [*] Falámos com sete jovens trabalhadores de Gurgaon acerca da vida na aldeia e [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Gurgaon, região apresentada como farol do progresso capitalista da Índia e da sua promessa de vida melhor para as multidões que se amontoam ao portão do desenvolvimento. Sete jovens trabalhadores falam do que são as suas vidas.</em> <strong>Por Gurgaon Workers News [*]</strong></p>
<p><span id="more-33078"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaon08.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-33081" title="f_gurgaon08" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaon08.jpg" alt="f_gurgaon08" width="431" height="323" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaon08.jpg 479w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaon08-300x224.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 431px) 100vw, 431px" /></a>Falámos com sete jovens trabalhadores de Gurgaon acerca da vida na aldeia e na cidade, do trabalho e da esperança. Têm cerca de 20 anos de idade e fazem parte da nova geração de trabalhadores da Índia urbana. Trabalham em fábricas têxteis e de automóveis, como condutores de riquexó [riquixá] [carroça-táxi /charrete-táxi de um ou dois lugares puxada por um homem a pé ou de bicicleta] e como empregados de limpeza na hotelaria. As conversas tocam os temas das questões de género, de religião e outras identidades que se colocam na transformação social urbana. E levantam a questão das forças sociais contra o actual <em>status quo</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Uma trabalhadora têxtil</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Estive a dormir. Feri-me, por isso fui dormir quando voltei do trabalho. Feri-me na máquina [de costura]. A agulha espetou-se-me na mão. O fio prendeu-se na máquina. Ao tentar soltá-lo, movimentei sem querer a máquina com o pé e fiquei com a mão debaixo da máquina. A empresa não me deu nenhum tratamento. Muita gente se fere dessa maneira. Há mais acidentes à noite. São cerca de 3.000 trabalhadores na fábrica. Muitas são mulheres, para aí 1.500 ou 2.000 devem ser mulheres. Fazem todo o tipo de trabalhos. Tudo – operador, costura e também operadores manuais. Eu sou operadora de máquina de costura. Coso sempre a mesma peça, uma manga de uma camisa. Durante um turno, tenho de coser pelo menos 80 peças. Se não atingir o mínimo, a linha de montagem continua a desfilar. Não acontece nada. As roupas são exportadas, mas não sei para onde.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaondef02jpg.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright size-full wp-image-33087" title="f_gurgaondef02jpg" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaondef02jpg.jpg" alt="f_gurgaondef02jpg" width="351" height="328" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaondef02jpg.jpg 351w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaondef02jpg-300x280.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 351px) 100vw, 351px" /></a>Tenho 17 anos. Trabalho nesta fábrica há seis meses. Antes trabalhava noutra fábrica. A Brown, que produz medicamentos. Gosto de trabalhar na Export Line porque fazer vestuário é um trabalho mais limpo. Nos medicamentos, nem queira saber. Há muitos objectos de vidro. Quando se quebram, fazem-nos cortes nas mãos. Temos de lavar frascos. Então o pó dos medicamentos, se nos atinge nas mãos ou na cara, arde. Faz-nos mal. Trabalhei nessa fábrica dois meses. Foi o meu primeiro emprego. Deixei-o porque pagavam mal. 2.500 rupias [40,30 euros, 95,5 reais]. E tinha de trabalhar muito. Doíam-me os ossos. Tinha de trabalhar com medicamentos. Não gostava daquilo. Sentia claustrofobia.</p>
<p style="text-align: justify;">Ganho dinheiro, as moças abaixo dos 18 anos não arranjam empregos. Mas eu estava desesperada e menti para ter o emprego. A minha família vive tão mal. Só eu e a minha irmã mais velha é que ganhamos algum. O meu pai está vivo, mas tem problemas nos joelhos. Não trabalha. Tenho um irmão mais novo. Estamos a tratar da sua educação, a minha irmã e eu – trabalhando. Por isso eu disse na empresa que tinha 19. E eles deram-me trabalho. De contrário não mo teriam dado.</p>
<p style="text-align: justify;">Aqui é normal as mulheres trabalharem. Mulheres operárias, sempre as houve aqui. O ambiente nas firmas de exportação é bom. Não há assédio, há mesmo alguma pressão sobre os homens para se comportarem bem. Por isso ninguém se mete. Claro, falamos muito uns com os outros, homens e mulheres, mas ninguém força ninguém. Na fábrica pode-se falar. No nosso refeitório também, os homens comem de um lado, as mulheres do outro. Mas trabalham juntos. Porque assim fazem as mulheres trabalharem mais. E as mulheres estão a passar a perna aos homens. As mulheres até fazem trabalhos que os homens não são capazes de fazer, trabalham mais intensamente. Os patrões acham que talvez as mulheres tenham menos resistência.</p>
<p style="text-align: justify;">O maior problema é ir ao banheiro. Há tantas mulheres e homens a trabalhar na fábrica, mas só 2 ou 3 banheiros. Por isso há sempre fila de espera. Quando fazemos horas extraordinárias a vantagem é que ganhamos a dobrar [o dobro]. Por duas horas de trabalho pagam-nos quatro. Se trabalharmos ao domingo, pelas oito horas dão-nos dezasseis. Fazendo oito horas por dia, eu ganho 4.200 rupias ao mês [68 euros, 161 reais]. Dou o dinheiro todo à minha família, só fico com 400 ou 500 rupias para mim. Dou o resto. O nosso salário deveria ser de 4.500 rupias. Mas a empresa não as paga. Só paga 4.200. Das 4.200 rupias, 500 vão para os descontos das pensões [previdência]. Por isso, depois dos descontos ficamos com cerca de 3.600. Daqui eu tiro 300 para os transportes, e fico com 50 a 100 para os meus gastos pessoais. Se todos se unissem, poderíamos lutar pelos salários. Sozinha, não posso fazer nada. Se nos juntarmos podemos pedir o que nos é devido. Se ganhássemos 4.500 é que estava certo. Devíamos ter bonificações. Como hoje: quando me feri, fui pedir ajuda médica, não fizeram nada por mim. Só me deram meio comprimido. Foi eu que tive de ir tomar uma injecção contra o tétano. E arranjar medicamentos. E então melhorei. Paguei 50 rupias do meu bolso.</p>
<p style="text-align: justify;">P: Na fábrica existe um sindicato?</p>
<p style="text-align: justify;">A: Sindicato?</p>
<p style="text-align: justify;">P: Sindicato – como é que lhe chamam? AITUC <strong>[1]</strong>, por exemplo?</p>
<p style="text-align: justify;">A: Unidade [Ekta]? Há unidade. Se nos pressionam, não é só um que protesta, protestamos todos. Se alguém grita connosco, todos respondem. Somos unidos. O capataz grita porque não lhe entregamos a peça, porque não produzimos, porque não cumprimos as metas, por isso ele grita. Se uma peça tem defeito, ele grita. Nós só lhe dizemos: “O que não fizermos nesta hora, faremos na seguinte”. Ou: “Não sei porque isso aconteceu”. Damos-lhe para trás. Há a mesma unidade entre homens e mulheres.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu tenho uma amiga na fábrica, que se chama Bharti. Aqui no <em>basti</em> [bairro operário], só tenho vizinhos. Aqui não quero fazer amigos. Falam muito bem pela frente, e depois dizem mal pelas costas. Criticam-me. Se faço alguma confidência, vão logo espalhar por todo o lado.</p>
<p style="text-align: justify;">Gostava de ser alguém, apesar de não ter instrução. Ter uma profissão, um emprego de escritório. Era bom conseguir um emprego desses. Aqui, chego em forma pela manhã; mas volto para casa muito cansada. Cansada de trabalhar.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez os meus pais me casem daqui a um ou dois anos. Se não for aqui, será com alguém da aldeia. O que essas pessoas querem que eu faça e o que não querem que eu faça – eles têm de decidir. Se me casar, poderei ver a minha família? Não me deixarão ir ver como estão os meus pais. Eu gostaria de ficar com eles. A nossa situação presente pode mudar. Posso arranjar um bom emprego e melhorar a nossa situação. Sim, eu gostaria de trabalhar depois de estar casada, porque a inflação é muito alta actualmente. Por isso, havendo dez pessoas na família, se elas não ganham nada, a casa não se aguenta. É tudo tão caro. A família não se aguenta só com um salário. É por isso que eu quero trabalhar depois de casar, se me deixarem. Nunca fui à aldeia. Não sei como é. Não sei fazer o trabalho de uma aldeia.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Condutor de riquexó</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Vivo em Gurgaon há dez anos. Conduzo uma bicicleta-riquexó. As condições há dez anos atrás eram melhores, agora estão muito mal. Porque há muito mais gente. O trabalho que se fazia por 2.000 rupias, agora temos de o fazer por 1.000. Está mal. As pessoas vêm de Bengala Oeste, de Bihar, do Uttar Pradesh, de Jharkland, de Madhya Pradesh…</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaondef03.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright size-full wp-image-33088" title="f_gurgaondef03" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaondef03.jpg" alt="f_gurgaondef03" width="384" height="256" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaondef03.jpg 800w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaondef03-300x199.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 384px) 100vw, 384px" /></a>Quando cheguei a Gurgaon não havia aqui nada. Não havia estes prédios grandes, nem tantas casas, nem alugueres [aluguéis] caros. Pagávamos 200, 300, no máximo 500 rupias de aluguer. Os proprietários das terras costumavam pedir-nos para alugar as casas e eram prestáveis com os inquilinos. Agora, quando se vai alugar, dizem que não têm lugar, mesmo quando têm casas vazias para alugar. Porque não podemos pagar as rendas que eles querem. Podemos pagar 1.000 ou 1.200 rupias. Como poderíamos pagar 2.000 ou 4.000?</p>
<p style="text-align: justify;">A maior parte dos trabalhadores alugam os seus riquexós, o aluguer é de 1.000 rupias por mês. Nós ganhamos 4.000 a 4.500. Por isso ficam 3.500. Pagamos 1.000 rupias pelo aluguer da barraca.</p>
<p style="text-align: justify;">A barraca custa 1.000 rupias, mas por esse preço pode-se também alugar um quarto. Viver num quarto de uma casa a sério é difícil porque aí temos de cozinhar a gás. Nós cozinhamos com lenha. Para o gás precisamos de um cilindro [botijão]. E não conseguimos o cilindro porque precisamos de ter um cartão de racionamento <strong>[2]</strong>. Além disso não nos dão qualquer espaço para arrumar [guardar] o riquexó. É por isso que temos de viver em barracas.</p>
<p style="text-align: justify;">Existe alguma tensão entre os mais antigos e os que chegam agora. Por exemplo, você vem e eu digo-lhe: “São 50 rupias pela corrida”, enquanto outro condutor de riquexó chega e diz-lhe “São 20 rupias”. Assim não pode funcionar. Tem de haver tensão. Se a tarifa é 50 rupias, como é que se pode levar só 20? Uma tarifa mínima de riquexó? Ninguém fala disto. Porque aqui não temos um sindicato de riquexós. Por isso ninguém fala do assunto. Se não tiramos 20 rupias por quilómetro, não há nada a fazer.</p>
<p style="text-align: justify;">Por vezes a polícia faz rusgas. Dizem “este é um imigrante ilegal”, mas são simples trabalhadores. O problema que temos com a polícia é que nós parqueamos [estacionamos] os riquexós nas ruas. A polícia não quer que estacionemos em cima das ruas. Se estacionarmos à frente de um hipermercado, os seguranças queixam-se e a polícia agride-nos com bastões. Temos de suportar isso.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaondef03a.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-33090" title="f_gurgaondef03a" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaondef03a.jpg" alt="f_gurgaondef03a" width="460" height="288" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaondef03a.jpg 460w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaondef03a-300x187.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 460px) 100vw, 460px" /></a>Mas o que é que se pode ganhar noutro emprego, por exemplo na fábrica? 2.000 ou 3.000 rupias, talvez 3.500. Mas ninguém consegue mais do que isso. Como se pode sobreviver assim? Na fábrica trabalha-se 12 horas. Nós trabalhamos cerca de 10 horas. E na fábrica há o patrão e o encarregado. Aqui nós trabalhamos quando queremos. Mas, sim, existe tensão: sem passageiros não há trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu penso que isto vai piorar. A situação está muito má. Daqui a dois ou três anos vai estar mesmo mal. As pessoas vão ter de passar fome. O arroz que comíamos custava 10 rupias o quilo, agora custa 25. Daqui a dois anos vai estar a 30 ou 40 rupias. E as nossas tarifas de riquexó não aumentam. Por isso o que nos resta senão passar fome?</p>
<p style="text-align: justify;">Que é que podemos fazer? Não podemos ir à polícia. Queixamo-nos ao governo, ele não nos ouve. Se nós, uns 10 ou 100 condutores de riquexó, ocuparmos a rua e pedirmos ao público um aumento das tarifas, a polícia virá bater-nos, porque nós não temos um sindicato. Se houvesse um sindicato, bastavam dois riquexós para bloquear a rua, nem um carro passaria.</p>
<p style="text-align: justify;">Como fazer um sindicato? Suponha que você é o representante daqui. Poderia dizer a todos os condutores de riquexó para pagarem 500 rupias, ou 200, por mês. Então todos os condutores de Gurgaon depositariam 100 ou 200 rupias por mês, como você, e sacariam a licença, com a indicação da tarifa para cada zona. Se a polícia o chatear, você mostra-lhes a licença. Se eles não o ouvirem, você deixa o veículo ali mesmo e chama o sindicato para intervir. Há um sindicato em Bihar, também em Bengala, mas não em Haryana.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Empregados de limpeza na hotelaria</strong></p>
<p style="text-align: justify;">L:</p>
<p style="text-align: justify;">Eu vim para aqui há dois anos e meio. Para arranjar emprego, trabalho, salário, por isso eu vim. Pode-se ganhar 2.000 ou 3.000. Na aldeia não é fácil arranjar trabalho. Para ter um emprego público é preciso ter qualificações, cunhas [pistolão], dinheiro, tudo isso. E nós não temos. Se não se consegue um emprego do governo, na aldeia não há empresas. Só se consegue algum trabalho na agricultura ou nas casas. Não é permanente. É temporário. Trabalha-se um dia e depois fica-se uma semana a arrastar pelas cadeiras. Não está certo.</p>
<p style="text-align: justify;">N:</p>
<p style="text-align: justify;">Eu cheguei em 2000. Estou aqui há nove anos. Então ainda era criança. Agora estou crescido e posso ganhar um pouco mais. Acho que não vou ficar aqui muito tempo. Vou voltar para a aldeia. É melhor na aldeia do que aqui. Aqui ninguém te respeita. Em Haryana, Gurgaon, se um bengali comete um erro é espancado. Aqui não se pode viver bem ou à vontade. Por isso eu não gosto de aqui estar – em Haryana, Gurgaon. Sim, há nove anos atrás era ainda pior. Na aldeia os meus pais nada podiam fazer. Cultivavam. Ainda temos uma pequena terra, mas agora os meus pais vivem aqui.</p>
<p style="text-align: justify;">L:</p>
<p style="text-align: justify;">Quando vim para cá, vim com um amigo. Ele já cá costumava estar, então foi à aldeia e trouxe-me com ele. Encontrei um emprego ao fim de dois ou três dias. Numa empresa. Pequena. Uma pensão. Sim, fazer limpezas numa pensão. Sim, encontrei emprego em pouco tempo porque o meu amigo me trouxe com ele.</p>
<p style="text-align: justify;">N:</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaondef04.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright size-full wp-image-33092" title="f_gurgaondef04" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaondef04.jpg" alt="f_gurgaondef04" width="398" height="309" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaondef04.jpg 568w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaondef04-300x233.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 398px) 100vw, 398px" /></a>Quando cheguei eu ainda era miúdo [pequeno], não se arranjava trabalho. Nesse tempo, eu tinha 10 anos e as pessoas não davam trabalho a crianças pequenas. Foi o meu tio, que viera para cá antes, que nos trouxe. A primeira vez que chegámos a Haryana, não havia apartamentos grandes. Era como uma floresta. E também nós vivíamos em barracas. Não tínhamos um apartamento. Agora temos. Gurgaon tornou-se uma bela cidade. Antes, não era tão boa. Havia poucas ruas e estradas. Os meus pais foram à aldeia há uns dias, e voltaram, e tornarão a ir. O meu pai trabalha aqui nas limpezas. Na aldeia não há tantos odores, nem tantos carros, nem tantas ruas.</p>
<p style="text-align: justify;">L:</p>
<p style="text-align: justify;">Foi a primeira vez que vim a Gurgaon. Quando cá cheguei, eu nunca tinha estado numa cidade assim tão grande. Julguei que me ia perder. Não sabia o que dizer se alguém falasse comigo. Nessa altura eu não sabia falar o hindi, só bengali. Se alguém me perguntasse “Como se chama?” eu costumava pensar “O que vou responder?” Porque eu sou bengali, falo bengali. Agora não tenho dificuldades. Todos os outros bengalis que cá estão têm cá algum parente, mas até agora eu não tenho nenhum, só amigos. Não tenho cá parentes de sangue.</p>
<p style="text-align: justify;">Aqui os costumes são bastante maus porque os bengalis bebem muito, disputam-se com as suas mulheres e não se falam de forma respeitosa. Quando há uma vaga, aparecem dez jovens a querê-la. Por isso, o que se pode fazer? Qual desses dez é que vai conseguir o emprego? Por isso há sempre perigo na questão dos empregos, há sempre imensas dificuldades. Que salário ganhamos? 3 ou 4 mil rupias. O que se pode fazer com 3 ou 4 mil rupias? Nada. Temos tantas despesas. Só o aluguer de um quarto custa 1.500 rupias. Para trabalhar num <em>call </em><em>cent</em><em>re</em> a primeira coisa que é preciso é ter qualificações. E eu não tenho as qualificações necessárias. É preciso pelo menos o nível secundário. E o BA <strong>[3]</strong> tem de ser em inglês. Mas na minha aldeia o inglês não existe. Nem o hindi. Só o bengali. Só aqui é que comecei a aprender o hindi.</p>
<p style="text-align: justify;">Há uma grande diferença entre trabalhar numa pensão ou numa fábrica. Numa pensão é um pouco mais fácil. Não temos de trabalhar tão duramente. Trabalhamos em sítios [locais] com ar condicionado, não ao calor. Podemos trabalhar livremente. Ninguém está a vigiar-nos. Nas fábricas há imenso barulho das máquinas e há muita gente. Por isso é difícil. Na hotelaria, o supervisor tem de ter uma qualificação mínima de B.A. E quem não tiver o B.A.? – não se consegue um salário. Para quem vive sozinho, é muito duro. Eu aceitei ter outra pessoa no meu quarto. Assim o aluguer fica reduzido para 700 ou 800 rupias. E se aceitar outra pessoa ainda, será ainda menos.</p>
<p style="text-align: justify;">Vim para aqui há muitos dias – não assim tanto tempo. Depois de viver aqui cerca de um ano, voltarei à minha aldeia, vou viver com os meus pais. Depois volto aqui por uns seis meses, um ano. Mas nós não queremos ficar aqui para sempre.</p>
<p style="text-align: justify;">O N. e eu somos amigos, ele é muçulmano, eu sou hindu. Mas as pessoas que não são amigas pensam “Essa pessoa não me devia dirigir a palavra, não devia tocar-me”. “Não gosto de me encontrar com eles”. É assim que pensam nas aldeias. Aqui, menos. Aqui não pode funcionar assim. Aqui a amizade funciona. Na aldeia, se eu for a casa de alguém, dizem-me para não ir. Dizem “Não venhas, não me toques”. Acontece muito, ainda hoje. Eu penso de outra maneira. Para mim, ele é um bom amigo – é isso que eu penso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Operário de fábrica de automóveis</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Estou a chegar do trabalho na empresa. Acabei agora o turno da noite, de 12 horas. Sou operador de VMC. “Vertical Machining Center” – é um trabalho de desenho e de moldagem. É um trabalho de coloração. A partir das colorações é que fazemos os modelos, e então é que começa a produção na oficina de prensagem. O principal cliente é a JCB, que são fabricantes de escavadoras. Fazemos componentes delas. E também para o Hero Honda e o Escort.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaondef05.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright size-full wp-image-33093" title="f_gurgaondef05" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaondef05.jpg" alt="f_gurgaondef05" width="368" height="233" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaondef05.jpg 460w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaondef05-300x189.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 368px) 100vw, 368px" /></a>Há 450 a 500 operários na fábrica. Cerca de 150 a 200 são permanentes. E sou contratado directamente pela empresa. Os subcontratantes recebem cerca de 4.200 rupias por oito horas e pagam cerca de 3.500. Eu ganho 9.000 rupias por mês. Por oito horas diárias, mais quatro horas extra de turno de dia. Na fábrica há trabalho de forjas, por isso há fumos [fumaças] e há fogo. É um trabalho duro e os trabalhadores têm problemas. Há muito trabalho. A fábrica funciona 24 horas, mesmo aos domingos. Após 12 horas de trabalho, eu durmo quatro ou cinco horas e fico sentado junto da família. Só tenho tempo para trabalhar e comer e dormir.</p>
<p style="text-align: justify;">Trabalho numa máquina CNC <strong>[4]</strong>. Depois de a regularmos, ela trabalha sozinha, não temos de fazer nada. Tirei um curso de manipulação [operação] de máquinas. São cerca de dois anos para tirar esse diploma. O curso custa cerca de 30.000 rupias. Com o diploma consegue-se um emprego de 8.000 a 10.000 rupias por oito horas de trabalho [por dia]. Trabalho aqui há três meses. Antes disso estive em estágio. O próprio trabalho pode ser feito sem ter tirado o curso, mas levava mais tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">O meu pai trabalha para o Electricity Board. Por isso ele é o único que não vive em Allahabad. Os irmãos ainda lá vivem. A minha mulher também ainda lá vive. Eu sou brâmane, mas na fábrica não há diferenças entre castas. Aqui nos <em>bastis</em> [bairros operários], as pessoas pensam em função das castas e isso cria diferenças. Diferenças quanto à alimentação. Comemos separados. Nós não comemos carne, ao passo que as pessoas das classes inferiores comem carne. Eu gosto quando as pessoas se misturam e comem juntas. É correcto.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Operário têxtil</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A princípio, quando cheguei da minha aldeia, eu achei estranho o ambiente aqui na cidade. É difícil arranjar um emprego; vim para cá para trabalhar sete ou oito meses e depois voltar para casa, e depois voltar para aqui. Na cidade, há estranhas maneiras de viver e de comer. Não há tempo para comer e dormir. Levantamo-nos para ir trabalhar, tomamos o duche [chuveiro] para ir trabalhar, comemos para ir trabalhar. Não sobra nada para a nossa vida própria.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu tinha aprendido o trabalho de coser durante dois anos, na aldeia. Tinha então 12 anos de idade. E tinha 14 anos e meio quando vim para aqui. Não vim para a cidade sozinho. Havia um parente – o filho de um tio do meu pai. Vim com ele. Ensinou-me o trabalho durante sete ou oito meses. Vivi com ele durante três ou quatro anos, após o que passei a viver sozinho. Desde então tenho vivido sempre aqui.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaondef061.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-33104" title="f_gurgaondef061" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaondef061.jpg" alt="f_gurgaondef061" width="405" height="269" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaondef061.jpg 450w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaondef061-300x199.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 405px) 100vw, 405px" /></a>O primeiro emprego era duro. Durante seis meses trabalhei continuamente das 9h até à 1 da madrugada. Sem férias nem feriados. Por via disso tive problemas de saúde – respiratórios. Tive de ser tratado durante um ano. Com o tratamento, gastei mais do que ganhava. Agora estou bem. Ao fim de seis meses fui trabalhar para outra fábrica, a J.P. Export, até à idade de 15 anos. Quando fiz 15 anos fui trabalhar durante dois anos na Liliput Kidswear. Agora estou a trabalhar há um ano na Unistyle Image. Ao todo, trabalhei numas sete ou oito fábricas e, ao longo destes sete anos, o salário nunca aumentou. Nunca fui admitido como permanente, foi sempre assim. Agora tenho 22 anos.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante o ano, trabalhamos dez ou onze meses e passamos um mês na aldeia. E também vamos à aldeia uma ou duas semanas todos os três ou quatro meses. Vamos uma semana e voltamos. Não é muito aconselhável. Há pessoas que só voltam à aldeia ao fim de cinco anos porque lá nada muda – tudo está na mesma. Por isso vai-se indo à aldeia conforme as necessidades. Essas pessoas têm uma relação com a aldeia por causa dos pais, ficam na aldeia durante dois a quatro meses. Trabalham só seis meses. Os que não têm dinheiro voltam para a aldeia ao fim de nove ou dez meses, ou ao fim de quatro ou cinco anos. Para quem vem de Bihar é difícil ir a casa de três em três meses. Ganham-se 3.000 rupias, poupam-se 1.000 ou 2.000. A viagem de combóio [trem] custa 1.000 ou 2.000 rupias. Por isso não se vai. A minha aldeia está aqui mais próxima. Custa só 150 rupias, por isso vou lá mais vezes. Mas os que têm de pagar 500 ou 600 rupias e demoram 36 horas na viagem, esses fazem-no com menos frequência.</p>
<p style="text-align: justify;">Quem tiver mais idade, 45 anos, não pode trabalhar tão duramente; porque hão-de ser pressionados? E quanto mais velhos vamos ficando, menos capacidade temos para trabalhar. Agora que tenho 40 anos já não consigo ver bem para coser, acabarei por ficar cego. Porque as linhas de cosedura [costura] são muito fininhas, é um trabalho de pormenor. Por isso tenho de pensar no que vou fazer a seguir. Veremos. Alguns voltam para a aldeia e cultivam a terra.</p>
<p style="text-align: justify;">Normalmente ganho entre 5.000 e 6.000 rupias. Pago 850 de aluguer. Como somos três, o meu aluguer fica em 300. Em comida consigo gastar entre 2.000 e 2.200 rupias. Claro que, para quem fumar ou beber, essa despesa é maior. Mas eu vivo simplesmente, por isso arranjo-me com 2.000 rupias. Se acontecer ficar doente, não se pode saber quanto vamos gastar. Não se sabe o que nos vão levar os médicos. Quem ganhar 6.000 rupias pode poupar umas 3.500. Eu tenho de mandar algum dinheiro para casa.</p>
<p style="text-align: justify;">O governo tem aumentado o salário diário, mas o que se ganha no trabalho à peça tem vindo a diminuir. Até agora, eu trabalhei sempre à peça. Há sete anos, a tarifa de Delhi para uma semana de oito horas eram 3.200 rupias; agora são 4.550. Por exemplo: pode-se dizer que, há 20 anos atrás, todos os trabalhadores era permanentes. Há 10 anos atrás talvez metade fossem subcontratados. Agora devem ser 80% dos trabalhadores subcontratados. Mas, comparando com o passado, os nossos ganhos desceram.</p>
<p style="text-align: justify;">Antes, as máquinas eram conduzidas com os pés. Agora há uma máquina computorizada em que não é preciso cortar o fio. A máquina computorizada é mais segura e mais rápida. Enquanto nas máquinas antigas nós podíamos fazer sete peças, nas novas chegamos às dez. Mais três peças. Onde se ganhavam 12 rupias, ganham-se agora 36. O problema é ter de estar sentado durante 16 horas. É uma posição difícil mas temos de ficar ali sentados porque a empresa está sempre a pressionar-nos. Se não o fizermos, vamos para a rua. Por isso é assim que fazemos, para podermos viver. O ambiente entre os operários é bom, mas por vezes há tensões. Uns têm mais trabalho do que outros. Sendo à peça, há uns que conseguem 10 peças enquanto outros conseguem 20, então fala-se porque é que uns têm mais peças do que outros.</p>
<p style="text-align: justify;">Para melhorarem a sua vida, os operários só acreditam numa coisa: o que está escrito no destino de cada um é o que irá acontecer. É esse o seu único objectivo. Se o seu destino é fazer 12 horas por dia, então não adianta, ou nem sequer se perguntam o que fazer para mudar isso. A nossa vida não melhorou; ao contrário, tornou-se um inferno. E está a piorar porque há menos trabalho. Há uma empresa que fechou, e tudo foi vendido. Nos próximos três ou quatro anos o trabalho vai diminuir e a situação vai-se tornar mesmo má. Vamos andar de empresa em empresa. Quinze dias num sítio, e logo mudar para outro. Vamos continuar a ganhar o nosso pão mas, em vez de 5.000 ou 6.000 rupias, conseguiremos 4.000. Torna-se difícil mudar de emprego porque é preciso aprender o novo trabalho. Quando se observa outra pessoa a fazê-lo parece fácil, mas quando nos calha a nós percebemos que é tudo treta.</p>
<p style="text-align: justify;">Os operários estão descontentes, mas os encarregados estão sempre ali a vigiar. E trabalhadores não lhes faltam. Se um se vai embora, há dez para ocupar esse lugar. Se não cumprir os objectivos, mandam-no embora e colocam outro no lugar. E os operários estão sempre a mudar – ninguém é permanente. Hoje volta-se do trabalho, mas não há qualquer garantia de que amanhã se terá o mesmo trabalho. Por isso não adianta estar a pensar no futuro. Aqui, a condição dos operários mantém-se sempre assim. Se não há espaço para respirar, há que aguentar. Por isso não há esperança pois não sabemos o que poderá acontecer amanhã.</p>
<p style="text-align: justify;">Em sete anos, esta foi a única fábrica onde os operários pararam o trabalho, porque eles ofereciam 10 rupias por peça e nós dissemos que isso é pouco e eles se negaram a aumentar. Por isso parámos o trabalho. Então foi negociado que eles iriam aumentar uma ou duas ou quatro rupias. Quando vimos que isso nos daria mais 200 a 250 rupias, então voltámos ao trabalho. Há pouco tempo ofereceram 28 rupias por peça. Nós parámos a trabalho e eles aumentaram para 32, e depois para 35. Nós continuámos parados e eles acabaram por oferecer 37 rupias. Nisto estiveram envolvidas todas as 50 pessoas que fazem a costura.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaondef06b.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright size-full wp-image-33106" title="f_gurgaondef06b" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaondef06b.jpg" alt="f_gurgaondef06b" width="400" height="272" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaondef06b.jpg 500w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaondef06b-300x204.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a>Ao todo há cerca de 100 operários na fábrica, dos quais 100 são alfaiates-cortadores, 20 senhoras que cortam o fio, 15 ou 20 que passam a ferro, e os ajudantes. Os alfaiates-cortadores lutaram pela sua tarifa, os outros não participaram. São quase todos subcontratados. E dizem-nos: “Vocês são operários especializados. Se saírem daqui encontram trabalho noutro sítio. Mas para nós será difícil arranjar outro trabalho. Estamos bem como estamos.”</p>
<p style="text-align: justify;">Não tivemos muito medo de fazer greve. O nosso trabalho é tão inseguro que nós, os que trabalhamos à peça, nunca sabemos quando nos vão mandar embora. Alguns tinham medo de perder o emprego. Mas nós trabalhamos à peça, de forma que, se amanhã não houver trabalho, eles livram-se de nós na mesma. Foi por isso que, quando ele recusou dar-nos a tarifa que nós queríamos, nós lhe dissemos para fechar as nossas contas. Quando ele se preparava para nos despedir, veio o encarregado da produção e disse que daria 37 rupias. E assim foi retomado o trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;">Não, não houve nenhum líder. Éramos 50 operários especializados. Na hora do almoço, às 15 horas, todos os operários especializados vieram cá para fora e falaram uns com os outros e eles deviam aumentar-nos senão íamos parar de trabalhar às 15h30. Então fomos todos para dentro e parámos de trabalhar. Quando o encarregado nos disse que trabalhássemos, nós dissemos “Primeiro aumentem a tarifa”. Não era preciso um líder. E não houve um acordo com os directores, só com o contratador. Os directores disseram que nada tinham a tratar connosco. Os patrões não têm nada a tratar connosco. Somos operários subcontratados, por isso é a empresa subcontratante que vem falar connosco. Há duas subcontratantes. Eles é que falaram com os directores. Os directores nunca falaram connosco, se íamos trabalhar ou não.</p>
<p style="text-align: justify;">Conseguimos 100 rupias por cada 12 horas. Uma vez acordada a tarifa, ela mantém-se igual para a mesma produção [encomenda]. Porque as encomendas são de 2.000 a 4.000 peças. Neste momento a produção é de 12.000 peças, e para essas peças concordámos que seria aplicada essa tarifa. Mas o maior problema é que há uma grande quantidade de trabalhadores disponíveis. Por isso é difícil decidir como fazer. No nosso caso acontecia que nós fazíamos a peça inteira. Noutros sítios é feita em produção em cadeia, por isso não se pode fazer assim. Com a peça inteira pode-se parar a produção. Em muitas fábricas dessas, onde se trabalha à peça, este tipo de situações está sempre a acontecer. Há sempre desacordos sobre a tarifa e eles sobem o salário duas ou quatro rupias. E os operários tentam obter qualquer coisa. Mas o problema com o trabalho à peça é que hoje há trabalho e amanhã não há, só para os que são assalariados, que ganham com regularidade. Mas a coisa vai dar ao mesmo. Eles ganham 5.000 rupias e nós ganhamos 5.000 rupias. Só que, à peça, há tensão e há objectivos a atingir.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando querem, os operários têm poder, tudo é possível, mas há constrangimentos – há a mulher e os filhos. Quando parámos o trabalho durante quatro dias, fomos aumentados. Se todos fizessem o mesmo, a vida ficava melhor. Mas se os operários tiverem pouca margem de manobra tentam safar-se dentro desses limites. Então como é que se lhes pode falar, se eles nem sequer estão preparados para pensar dessa forma? E não podemos ficar à espera de que haja uma revolução. Como dizer? Se acontecer os operários unirem-se, então se verá. Isto são tradições muito antigas e vai levar tempo a livrarmo-nos delas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Operário têxtil</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Na secção de costura trabalham 300 operários especializados – somos alfaiates-cortadores. Depois há 250 na secção de engomar e 150 na secção de corte do fio. Normalmente começamos às 9h da manhã e deixam-me acabar pelas 8 ou 9 da noite. Normalmente não me deixam parar aos domingos. Não há um dia de descanso na semana, nem sequer no mês.</p>
<p style="text-align: justify;">É muito simples. Trabalhando duramente 16 horas, vamos directos para a cama dormir. Comemos e bebemos o que houver – seja frio ou quente – e vamos dormir. Estamos extenuados, vamos tomar algum remédio para as dores do corpo, e voltamos ao trabalho. Se não apareceres no trabalho, és despedido. Se chegares a horas [no horário], eles registam que tu chegaste e dão-te trabalho. E supõe que trabalhaste até às 2 da madrugada a noite passada, dói-te o corpo – não interessa. Sacam-te a mesma quantidade de trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaondef06a.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-33101" title="f_gurgaondef06a" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaondef06a.jpg" alt="f_gurgaondef06a" width="421" height="280" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaondef06a.jpg 468w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaondef06a-300x199.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 421px) 100vw, 421px" /></a>No corpo, é o estômago que, de repente, me começa a doer. Tomei um comprimido e fui para a empresa. Sento-me na máquina, mas se produzir menos ele não o aceita. Ele quer o máximo de trabalho, conforme o objectivo da produção. Ele quer que eu atinja hoje o mesmo objectivo de produção que consegui ontem.</p>
<p style="text-align: justify;">Há muitas queixas. Não nos dão água limpa para beber. Bebendo água insalubre, apanhamos resfriados, febres, dores de cabeça e coisas assim. Também arranjamos problemas de saúde devido à ausência de higiene nos lavabos – malária, tuberculose, e outras. Se trabalhares 16h sem parar, sem a alimentação e o descanso devidos, é simples: ficas tuberculoso.</p>
<p style="text-align: justify;">O corpo não coopera. Como pode o corpo cooperar quando lhe sacas 16h de trabalho? Se trabalhares com o corpo como deve ser e lhe deres o descanso devido, não há problema. Mas é muito simples. Ganhamos um salário de 4.000 a 4.300 rupias. Se a empresa não nos der horas extraordinárias, só para o quarto e a alimentação vão 2.000 rupias. Se, em cima disso, tirarmos 500 rupias para outras despesas ficamos então com 1.000 a 1.500 . E com isso não podemos fazer nada. Por isso fazemos mais horas extra para ganhar mais dinheiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Não é obrigatório trabalhar até à 1h da manhã. Eu posso parar mais cedo. O problema está em minha casa. Na minha família, eu inscrevi os meus filhos na escola e no liceu. Para lhes dar instrução e mantê-los, para os vestir, eu vou ter de trabalhar mesmo que seja uma pressão muito grande para mim. Isso pode dar cabo de mim, mas não posso parar de trabalhar. É assim. Para os outros, para os nossos pais – devido a serem pobres, para lhes dar dinheiro para comerem, é para isso que eu tenho de ganhar.</p>
<p style="text-align: justify;">O meu coração diz-me: “Está bem, trabalhemos até à 1h da manhã porque o dia dura o que dura. Três horas extra não são suficientes. Temos de fazer seis. Então temos de ir até à 1h da manhã. A trabalhar até à 1h da manhã vamos ficar doentes e ter outros problemas com o corpo. Então o dinheiro que ganhamos com as horas extra vai ser gasto com os problemas de saúde. Por isso os salários teriam de ser melhores. Se agora são de 4.000 rupias, deveriam ser aumentados para 5.500 rupias. Então não precisaríamos das horas extra.</p>
<p style="text-align: justify;">O que eu vejo é que, um ano depois de arrancarem [começarem] com a empresa, os patrões podem comprar três outras empresas e pensam em instalar mais máquinas. Tal é o lucro que eles fazem.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Notas</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[*]</strong> Gurgaon, no Estado de Haryana (Índia) é apresentada como a Índia resplandecente, um símbolo de sucesso capitalista que promete uma vida melhor para todos na senda do desenvolvimento. À primeira vista, as torres de escritórios e os centros comerciais reflectem essa quimera, e até as fachadas das fábricas de vestuário têm o aspecto de hotéis de três estrelas.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaon09.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright size-full wp-image-33108" title="f_gurgaon09" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaon09.jpg" alt="f_gurgaon09" width="220" height="368" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaon09.jpg 220w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/12/f_gurgaon09-179x300.jpg 179w" sizes="auto, (max-width: 220px) 100vw, 220px" /></a>Por trás da fachada, por trás das paredes da fábrica e nas ruas laterais das zonas industriais há milhares de operários no seu corre-corre sem esperança, produzindo carros e scooters [motos] para as classes médias que irão acabar na confusão do tráfego da nova autostrada [rodovia] que liga Delhi a Gurgaon. Milhares de jovens proletarizados das classes médias gastam o tempo, as energias e as aspirações académicas em turnos noturnos de <em>call centres</em>, vendendo esquemas [planos] de empréstimos ao povo trabalhador dos EUA ou esquemas de electricidade pré-paga aos pobres do Reino Unido. Na porta ao lado, milhares de operários imigrados do campo, desenraizados pela crise da agricultura, costuram e cosem para a exportação, competindo com os seus zangados irmãos e irmãs de Bangladesh ou do Vietname. E o corre-corre sem esperança não vai acabar; nos arredores de Gurgaon, está em formação a maior Zona Económica Especial da Ásia. Este artigo documenta alguns dos aspectos desta expansão regional miserável. Se quiser saber mais sobre o trabalho e as lutas em Gurgaon, se quiser obter mais informação ou mesmo contribuir para este projecto, pode fazê-lo através do site <a title="http://www.gurgaonworkersnews.wordpress.com" rel="nofollow" href="http://www.gurgaonworkersnews.wordpress.com/" target="_blank">www.gurgaonworkersnews.wordpress.com</a> ou do email gurgaon_workers_news@yahoo.co.uk.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1]</strong> O All India Trade Union Congress [Congresso dos Sindicatos de Toda a Índia] (AITUC) é a mais antiga federação sindical da Índia e uma das cinco maiores. Foi fundado em 1919 e até 1945, quando os sindicatos se organizaram em linha com os partidos, era a organização mais importante da Índia. Desde então tem estado filiado no Partido Comunista da Índia. <em>[NDT]</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[2]</strong> Os cartões de racionamento têm sido um importante instrumento do Sistema Público de Distribuição (PDS), na Índia. As pessoas com determinada situação económica podem comprar bens como cereais, açúcar, querosene, etc. a preços diferentes, na base do cartão de racionamento. <em>[da Wikipédia]</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[3]</strong> B.A. significa Bachelor of Arts. É um primeiro grau universitário. Em geral destina-se aos jovens que concluíram o ensino secundário na área das artes. Mas quem tiver seguido matemáticas ou biociências também pode cursar um grau B.A. <em>[NDT]</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[4]</strong> Computer numerical control: um sistema computorizado lê as instruções e opera a máquina. <em>[NDT]</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Tradução do inglês: Passa Palavra</strong><br />
</em></p>
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