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	<title>Iraque &#8211; Passa Palavra</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>Moda passageira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enzo Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Dec 2020 19:34:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Flagrantes Delitos]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Iraque]]></category>
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					<description><![CDATA[Na véspera do Natal de 2007, um policial iraquiano voltava para casa na cidade de Anbar e, surpreso, passou por jovens do seu bairro lançando fogos de artifício e bebendo álcool com suas namoradas, hábitos cristãos há não muito proibidos pelos zarqawistas. “Vocês estão celebrando como cristãos, mas ano passado eram todos da al-Qaeda!” Os [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Na véspera do Natal de 2007, um policial iraquiano voltava para casa na cidade de Anbar e, surpreso, passou por jovens do seu bairro lançando fogos de artifício e bebendo álcool com suas namoradas, hábitos cristãos há não muito proibidos pelos zarqawistas. “Vocês estão celebrando como cristãos, mas ano passado eram todos da al-Qaeda!” Os jovens riram. “Al-Qaeda? Isso foi no ano passado!” <strong>Passa Palavra</strong></p>
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		<title>Iraque: Dez anos depois, o que há de novo?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Aug 2013 17:21:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Govs_nacionais_e_internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Iraque]]></category>
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					<description><![CDATA[Os protestos não vão parar até que sejam libertados os presos políticos e as mulheres; até que seja anunciada uma amnistia geral que anule o artigo 4º da Lei Antiterrorista e o fim deste governo.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;"> <strong>Por Carla Fibla e Passa Palavra</strong></h3>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Embora pouco se ouça falar disso, a situação interna do Iraque está hoje muito diferente do que era há uns anos atrás, quando os três temas noticiosos recorrentes da ocupação eram a guerra civil sectária instigada pelos ocupantes (com as suas bombas e as suas milícias), a resistência nacionalista iraquiana aos ocupantes e os terríveis sofrimentos humanos impostos ao povo iraquiano, com mais de um milhão de mortos e 6 milhões de deslocados e refugiados e grandes regiões inteiras contaminadas com a radioactividade do urânio empobrecido usado pelos EUA.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi a fase em que se concretizou a conhecida ameaça que James Baker, secretário de Estado dos EUA, fez a Tareq Aziz, ministro dos Negócios Estrangeiros do Iraque &#8211; então o país mais desenvolvido de todo o Médio-Oriente e do mundo árabe, com notáveis serviços de educação e de saúde, infrastruturas e nível médio de vida da população. Essa ameaça &#8211; uma óbvia referência ao <a title="http://en.wikipedia.org/wiki/Morgenthau_Plan" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Morgenthau_Plan">Plano Morgenthau</a>, idealizado pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos no final da segunda guerra mundial, que consistia em desindustrializar completamente a Alemanha, que reduziria a sua economia à simples agricultura e pastorícia &#8211; foi feita no fim de um encontro em Genebra: “Nós vamos fazer o Iraque voltar à Idade da Pedra”.</p>
<p style="text-align: justify;">A evolução dos acontecimentos no Iraque constituiu a maior derrota geopolítica dos Estados Unidos desde há muitas décadas. Os Estados Unidos derrubaram o regime anti-iraniano de Sadam Hussein e no final acabaram por ter um regime pró-iraniano instalado em Bagdad. Ainda recentemente, o secretário de Estado John Kerry foi a Bagdad para tentar convencer o governo iraquiano a impedir o trânsito de armas iranianas para o regime de al-Assad, o presidente sírio, e tudo o que obteve foi um rotundo não. Ou seja, a administração Bush destruiu o regime de Sadam Hussein, que havia estado ao serviço do capitalismo norte-americano na guerra contra o Irão, para no final o Irão obter a hegemonia sobre o Iraque. Aliás, a inclusão do Iraque na área de poder persa tem tradições históricas no mundo islâmico.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde 2010, mas com um recrudescimento notável nos últimos seis meses, espalhou-se pelo Iraque, talvez alimentada por uma nova geração de iraquianos, uma onda de manifestações, <em>sit-in</em>, desfiles e ocupações de locais públicos. As divisões internas do governo, a fragilidade das instituições, a impreparação ou hesitação das novas “forças de segurança” em paralelo com fortes milícias incontroladas e, talvez sobretudo, a exposição à luz do dia de uma corrupção generalizada e descarada &#8211; tudo isso tendeu a criar movimentos de massas enormes.</p>
<p style="text-align: justify;">A ideia com que se fica, embora parcialmente desmentida por uma ou outra das entrevistas referidas abaixo, é a de que os temas dominantes há dez anos nas declarações contra Bagdade &#8211; o nacionalismo e a resistência à ocupação &#8211; deixaram de ser dominantes. Agora exige-se a liberdade, a libertação dos presos políticos e das mulheres, a supressão da Lei Antiterrorista, a demissão do governo e a perseguição dos corruptos. Agora convoca-se e coordena-se sobretudo pelas redes sociais da internet.</p>
<p style="text-align: justify;">No Iraque de hoje, cheira mais a Praça Tahrir do que a maquis francês.</p>
<p style="text-align: justify;">No artigo que se segue, a jornalista espanhola Carla Fibla, do site Aish.com.es, apresenta e resume as dez entrevistas que fez a diversas figuras da política e da intelectualidade iraquiana. O nome de cada entrevistado está linkado para a página da respectiva entrevista no site Aish (em inglês, quer os textos quer os áudios). Embora nós discordemos muito de alguns dos entrevistados, pareceu-nos útil e oportuno &#8211; Praça Tahrir, Praça Taksim &#8211; dar aos leitores uma perspectiva mais actualizada do que se passa no Iraque. Chamamos todavia a atenção para os erros “anti-imperialistas” e frentistas que sempre têm marcado a forma como a esquerda encarou a invasão e a ocupação do Iraque pelos EUA.</p>
<p style="text-align: justify;">Está a haver uma mudança no Iraque (pelo menos na imagem que sempre tem sido dada, pela esquerda e não só, de que é uma situação de invasão-ocupação-resistência nacionalista), e essa mudança é no sentido de movimentos de massas autónomos e sem partido que lutam por liberdade, democracia e direitos básicos do povo, como em outros países muçulmanos, na África do Sul, na Índia, na Europa, no Brasil, etc.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Passa Palavra</em></strong></p>
</blockquote>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>Dez conversas para se entender o Iraque actual</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Ao completarem-se 10 anos da invasão do Iraque seleccionámos um número igual de entrevistas e conversas realizadas pelo Aish com actores e protagonistas da cena política e social iraquiana.</p>
<p style="text-align: justify;"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-149647" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2013/08/fullsize-226x300-1.jpg" alt="" width="226" height="300" />Tentar apreender a realidade do Iraque quando está em marcha um processo de mutação intenso e altamente incerto não é coisa fácil. A percepção que se tem no Ocidente do que acontece no Iraque resume-se a que o país está mergulhado numa espiral de violência, num confronto sectário cíclico cada dia mais marcado, no caos político e em que há uma falta de segurança devida à recente ocupação estrangeira.</p>
<p style="text-align: justify;">Tendo em conta o passado do Iraque, a sua situação geográfica estratégica, os traços próprios da sua população e a história da sua resistência e dos seus confrontos, é possível compreender uma parte importante do que está a acontecer agora; no entanto, sem nos aproximarmos dos cidadãos que protagonizam a mudança ou, pelo menos, fazem tremer os pilares do sistema, é impossível conhecer o que está por trás das suas reivindicações. Foi isso que o Aish fez poucas semanas depois de as manifestações contra o governo de Nuri al-Maliki se terem tornado constantes e de milhares de iraquianos terem ocupado praças e ruas pedindo o fim da corrupção e do sectarismo e o retorno a uma vida digna em que todos disfrutem dos direitos mínimos, como a água, a electricidade, os alimentos, a saúde, a educação e a segurança.</p>
<p style="text-align: justify;">As dez conversas que agora partilhamos com os leitores do Aish foram realizadas por telefone a partir de Aman ou pessoalmente em vários pontos da capital jordana.Passaram-se mais de três meses desde que foram feitas mas o seu conteúdo e o grau de reflexão tornam-nas actuais. Os processos de mudança em lugares com tantos actores, como é o terreno iraquiano, não são fáceis nem rápidos, e só nas últimas semanas as fontes iraquianas que continuamos a consultar admitem que pode ser dado um passo definitivo, alcançado um ponto de inflexão, que pressuponha um avanço considerável na transformação do Iraque actual.</p>
<p style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-149646" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2013/08/phillip-nesmith-iraq-art-300x203-1.jpg" alt="" width="300" height="203" />Por isso continuamos atentos, no Facebook e no Twitter, às reflexões colocadas da <a href="http://www.aish.com.es/node/186" target="_blank" rel="noopener">rede por Abu Fanar</a>, o qual define assim o movimento em que participa: “Somos os donos de uma experiência jovem porque não formamos nenhum partido político, não pertencemos a nenhuma linha política, seja ela anterior ou de agora”. Abu Fanar denuncia que o governo de Maliki “está tentando mandar dinheiro a algumas autoridades religiosas e líderes sociais, e enviar delegações envolvidas no processo político para unir os jovens e convencê-los a deixarem de protestar”, e conclui: “Nos últimos 10 anos, os políticos tiveram suficientes oportunidades e não fizeram nada, foram de fracasso em fracasso ou não conseguiram nada no que se refere à estrutura social do país”.</p>
<p style="text-align: justify;">Não há líderes, repetem todos os entrevistados, mas existe, no exterior, uma coordenação encabeçada pela Associação dos Ulemas Muçulmanos do Iraque. “As manifestações foram espontâneas, no momento preciso, no tempo adequado; as condições relacionadas com as mulheres detidas nas prisões, etc., foram os factores que ajudaram a criar um espaço para que as pessoas saíssem à rua, e por isso as massas o fizeram”, <a href="http://www.aish.com.es/node/176" target="_blank" rel="noopener">explica Muthana Harith ad-Dari</a>, membro da Associação, para depois esclarecer que “a resistência são as manifestações e os <em>sit-in</em>” que se sucedem por todo o país. Sem rodeios, assegura que “Maliki nunca se comportou de forma diferente dos seus predecessores [no que diz respeito às revoltas], sem falar de Khadafi, Mubarak, Ali Abdulah Saleh e até Zine al-Abidin Ben Ali. Esses regimes são despóticos e ditatoriais e o seu único método é a repressão que é usada com a desculpa da segurança”.</p>
<p style="text-align: justify;">Também em nome da Associação de Ulemas Muçulmanos, o <a href="http://www.aish.com.es/node/176" target="_blank" rel="noopener">xeque Mohammad Bashar al-Faidi explica</a>: “Estamos a trabalhar em muitas direcções: com os chefes das tribos do norte, do centro e do sul do Iraque, ao mesmo tempo que nos mantemos em contacto com os jovens através do Facebook”. Confirma que as manifestações de propagaram por todo o país e que há zonas, como al-Anbar, que já se consideram <em>libertadas</em>, e recusam comparações com os acontecimentos da vizinha Síria: “O regime da Síria tem 40 anos, está firme, e as instituições de segurança e o exército são dirigidos pelo chefe do regime com grande firmeza, é esse o segredo da sua permanência no poder até agora. O regime no Iraque está dilapidado e não existe um exército como o exército sírio; no Iraque há uma colecção de milícias, de mercenários, com lealdades múltiplas”.</p>
<p style="text-align: justify;">Entre os chefes de tribos com quem contactámos, o <a href="http://www.aish.com.es/node/177" target="_blank" rel="noopener">xeque Ahmad al-Mishaan al-Bidawi assegura</a> que defendem “a desobediência civil, permitida pela legislação internacional por que nos regemos, pois já não reconhecemos a Constituição iraquiana”, e anuncia: “Estamos a preparar uma marcha até Bagdade mas queremos que o mundo nos ouça; queremos que a nossa voz ressoe porque as acções deste governo anularam a democracia”.</p>
<p style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-149645" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2013/08/sitthiket01-172x300-1.jpg" alt="" width="172" height="300" />Também o <a href="http://www.aish.com.es/node/179" target="_blank" rel="noopener">xeque Khadim Enaizan comenta</a>, a partir de Bassorá, a cidade no sul do Iraque onde a resistência considera que o Irão está a fazer maior pressão para acabar com as manifestações, que “os protestos não vão parar até que sejam libertados os presos políticos e as mulheres, até que seja anuciada uma amnistia geral que anule o artigo 4º da Lei Antiterrorista, além do fim deste governo”, algo que <a href="http://www.aish.com.es/node/175" target="_blank" rel="noopener">secunda o activista Uday al-Zeidi</a>, que foi preso em Bassorá poucos dias depois de falar com o Aish. Agora volta a liderar os protestos, mas já na conversa que tivemos com ele assegurava que “as pessoas estão em efervescência” porque estão perante “a última oportunidade para provocar a mudança”. A revolta começou em 2010 no sul do país, e é daí que nos aparece o objectivo fundamental com mais clareza: “É uma revolta popular pela mudança, para substituir o processo político trazido pelos ocupantes por um processo político patriótico iraquiano, onde os seus representantes serão, todos eles, pessoas do interior do Iraque”.</p>
<p style="text-align: justify;">A emoção com que o analista político <a href="http://www.aish.com.es/node/188" target="_blank" rel="noopener">Walid as-Zubaidi nos explica</a> a sua última viagem ao Iraque, quando percorreu todo o país para comprovar o grau de empenhamento da população nas manifestações e a reacção das autoridades, permite augurar que é grande o alcance do que se está a viver no país: “Estou convencido de que 97% dos manifestantes são líderes dos outros. Não há qualquer liderança central que os dirija”.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-149644" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2013/08/iraq_2003_by_ckp-300x220-1.jpg" alt="" width="300" height="220" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2013/08/iraq_2003_by_ckp-300x220-1.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2013/08/iraq_2003_by_ckp-300x220-1-80x60.jpg 80w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" />Também em Aman tivemos ocasião de ter uma <a href="http://www.aish.com.es/node/180" target="_blank" rel="noopener">longa conversa com Abd el-Amir Tareq</a>, que se declara nacionalista e baasista. “Precisamos de uma resolução das Nações Unidas que declare que o Estado que veio ocupar o Iraque com a desculpa de derrubar o mártir Saddam Hussein; além disso [as Nações Unidas] têm de entrar no Iraque e ajudar os manifestantes; não queremos a ocupação mas precisamos de ajuda; há uma diferença, esses colaboradores trouxeram-nos a ocupação, e por isso cortaremos a cabeça aos ocupantes que entrarem no Iraque”. Sobre o Partido Baas opina: “O Iraque não vai ser governado por um partido único porque agora o Iraque é plural; mesmo durante a época do Baas nós queríamos o pluralismo para que toda a gente avançasse e usufruísse de progressos”.</p>
<p style="text-align: justify;">À frente do <em>Iraq Surveys</em>, uma das referências informativas criadas pelo movimento de protesto no interior do Iraque, <a href="http://www.aish.com.es/node/181" target="_blank" rel="noopener">Ahmad al-Mahmud mostra</a> a sua firme determinação de “não negociar as 13 reivindicações apresentadas nas ruas”, e destaca o interesse do primeiro-ministro Nuri al-Maliki em “dividir, diferenciar-nos do sul, aumentar o tom sectário, e obviar a que o povo proteste porque não quer mais abusos e precisa de uma mudança”, um aspecto que o intelectual <a href="http://www.aish.com.es/node/158" target="_blank" rel="noopener">Abdulkarim Hani contextualiza</a> recordando a revolução de 1952, depois de sublinhar que a população “perdeu o medo e está cada vez mais firme contra o actual governo”.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>O artigo de Carla Fibla foi publicado (em castelhano) em <a title="http://www.iraqsolidaridad.org/2013/docs/Iraq_actual_Fibla.html#a1" href="http://www.iraqsolidaridad.org/2013/docs/Iraq_actual_Fibla.html#a1" target="_blank" rel="noopener">IraqSolidaridad.org</a>. Tradução do Passa Palavra.</em></p>
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		<title>Iraque 2003-2004: O meu álbum de família</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Jan 2011 01:29:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Estética]]></category>
		<category><![CDATA[PassaPalavraTV]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Iraque]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[Este é um dos meus álbuns fotográficos de família, o melhor que eu consegui… Tenho outros, de irmãos e irmãs muito chegados. Este data de 2003-2004. Por Layla Anwar Eu já não tenho palavras… Empacotei-as em cada manhã, ao nascer da aurora, e vendi-as no mercado… Verificou-se ser um negócio que leva à falência – [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Este é um dos meus álbuns fotográficos de família, o melhor que eu consegui… Tenho outros, de irmãos e irmãs muito chegados. Este data de 2003-2004.</em> <strong>Por Layla Anwar</strong><span id="more-35063"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Eu já não tenho palavras… Empacotei-as em cada manhã, ao nascer da aurora, e vendi-as no mercado… Verificou-se ser um negócio que leva à falência – agora pode-se estabelecer a relação – falência.</p>
<p style="text-align: justify;">Por isso decidi, em vez disso, partilhar algumas fotos da minha família… Afinal todos vocês mostraram muita curiosidade em conhecer o meu aspecto… Então, esta noite, eu vou satisfazer a vossa curiosidade e matar-vos a sede.</p>
<p style="text-align: center;"><object data="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=18538030&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=1&amp;color=00ADEF&amp;fullscreen=1&amp;autoplay=0&amp;loop=0" type="application/x-shockwave-flash" width="500" height="375"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=18538030&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=1&amp;color=00ADEF&amp;fullscreen=1&amp;autoplay=0&amp;loop=0" /></object></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Música de fundo: </em>Enta Mnen<em> [De onde és tu?], velha canção tradicional iraquiana, interpretada por Bashar Al Azzawi.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Publicação original (em inglês) <a class="urlextern" title="http://arabwomanblues.blogspot.com/2010/09/my-family-photo-album.html" href="http://arabwomanblues.blogspot.com/2010/09/my-family-photo-album.html" rel="nofollow">aqui</a>.</em><br />
<em>Tradução, legendagem e montagem do <strong>Passa Palavra</strong>.</em></p>
<h1 style="text-align: center;">O capítulo final</h1>
<p style="text-align: justify;">Passei toda esta hora parindo um poema<br />
assim chamado poema<br />
algumas linhas<br />
arrancadas do meu âmago<br />
com o fórceps de uma Condi Rice <strong>[1]</strong><br />
que me saem do útero<br />
com lancinantes dores de fósforo <strong>[2]</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A minha conexão com o mundo exterior<br />
morreu em mim<br />
perdi o meu poema<br />
as minhas poucas linhas<br />
de um capítulo final<br />
de uma longa perda<br />
livro esquecido…</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright size-full wp-image-153662" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/01/800_41.jpg" alt="" width="283" height="430" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/01/800_41.jpg 283w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/01/800_41-197x300.jpg 197w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/01/800_41-276x420.jpg 276w" sizes="auto, (max-width: 283px) 100vw, 283px" />A conexão morreu em mim<br />
como outros morreram em mim<br />
caindo como pedaços de madeira<br />
nos meus braços<br />
fuligem<br />
seca folha morta<br />
de Outono<br />
azul, um céu de Verão<br />
pastel pálido<br />
botões de flores na Primavera<br />
brancos como floco de neve<br />
uma lua cheia<br />
no frio penetrante<br />
de uma noite de Inverno.</p>
<p style="text-align: justify;">A minha conexão morreu em mim<br />
não é a primeira vez<br />
eu que aspirava<br />
a escrever epopeias heróicas<br />
feitas de números e códigos mágicos<br />
feitas de moradas perdidas<br />
e ritos secretos<br />
de um povo antigo.</p>
<p style="text-align: justify;">Perdi as minhas linhas<br />
as linhas de um capítulo final<br />
de uma história sem fim…<br />
Este é o meu capítulo final<br />
algumas frases<br />
de um poema apostado<br />
em conexões…</p>
<p style="text-align: justify;">Este é o meu capítulo final<br />
de uma longa história de amor<br />
um amor<br />
com fantasmas<br />
em que os amantes<br />
se encontram em sepulturas<br />
erectas pedras tumulares<br />
com os nomes de cada um…</p>
<p style="text-align: justify;">Este é o meu capítulo final<br />
um <em>grafitti</em> de Liberdade<br />
pulverizado em paredes de tijolo<br />
que vos separam<br />
que me separam,<br />
que me separam.</p>
<p style="text-align: justify;">Colados à parede das minhas palavras<br />
afogados na minha voz<br />
cartazes baratos<br />
imagens<br />
de <em>chadors</em> e homens barbudos <strong>[3]</strong><br />
de dentes amarelados<br />
amarelados como o livro<br />
que trago na mão<br />
o grande livro perdido…</p>
<p style="text-align: justify;">Este é o meu capítulo final<br />
o meu grito final<br />
a minha lágrima final</p>
<p style="text-align: justify;">Este é o meu capítulo final<br />
meu Amor<br />
chegou a hora<br />
de te sepultar.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Layla Anwar</strong> : No seu blogue </em><a class="urlextern" title="http://arabwomanblues.blogspot.com/" href="http://arabwomanblues.blogspot.com/" rel="nofollow">An Arab Woman Blues</a><em>, Layla Anwar autodefine-se assim: “Quem sou eu? A eterna Questão. Ainda não sei bem. De mim, basta saberem que sou uma natural do Oriente Médio, uma mulher árabe – na casa dos 40 e já com idade para ver melhor as coisas. Não tenho um lar propriamente dito. Vivo ao mesmo tempo no Iraque, no Líbano, na Jordânia, na Palestina, na Síria e no Egipto… Tudo o mais é a camada de açúcar que enfeita o bolo.”</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Betool Fekaiki</strong> : Todas as ilustrações deste artigo, incluindo a do Destaque, são reproduções de quadros da pintora iraquiana Betool Fekaiki, nascida em Bagdade e residente em Londres. No <a class="urlextern" title="http://betoolfekaiki.com/" href="http://betoolfekaiki.com/" rel="nofollow">seu site</a>, em inglês e em árabe, afirma: “uma pintura é uma chave para abrir o mundo interior ou a esfera privada que, de outro modo, seriam impenetráveis”. E ainda: “Acredito que é um direito humano uma pessoa exprimir-se sem o mais leve receio”.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Notas do tradutor</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1]</strong> Condoleeza Rice que foi, primeiro, conselheira de George W. Bush para a segurança e, depois, ministra dos Negócios Estrangeiros (“Secretária de Estado”) dos EUA.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[2]</strong> Referência às bombas de fósforo que, apesar de totalmente proibidas pelas convenções internacionais, foram usadas pelos EUA nos bombardeamentos no Iraque, em particular no ataque à cidade de Faluja. O fósforo das bombas espalha-se em fogo, agarrando-se à pele das pessoas e queimando-as.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[3]</strong> O <em>chador</em> é o lenço-véu obrigatoriamente usado pelas mulheres de religião islâmica, sobretudo no Irão xiita.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Original (em inglês) <a class="urlextern" title="http://arabwomanblues.blogspot.com/2010/12/final-chapter.html" href="http://arabwomanblues.blogspot.com/2010/12/final-chapter.html" rel="nofollow">aqui</a>.</em><br />
<em><strong>Tradução do Passa Palavra.</strong></em></p>
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		<title>Iraque: as tropas partem, mas a invasão continua</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Oct 2010 12:40:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Iraque]]></category>
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					<description><![CDATA[A conclusão, em 31 de agosto último, da retirada de 90.000 soldados estadunidenses do Iraque sinaliza o começo do novo papel que os EUA irão desempenhar naquele país. De agora em diante é o Departamento de Estado, e não mais o Pentágono, que irá assumir as responsabilidades pela presença norteamericana no país. Por Michel Assis [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>A conclusão, em 31 de agosto último, da retirada de 90.000 soldados estadunidenses do Iraque sinaliza o começo do novo papel que os EUA irão desempenhar naquele país. De agora em diante é o Departamento de Estado, e não mais o Pentágono, que irá assumir as responsabilidades pela presença norteamericana no país. </em><strong>Por Michel Assis Navarro [*]</strong></p>
<p><span id="more-30552"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque01.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-30619" title="iraque01" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque01.jpg" alt="iraque01" width="378" height="283" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque01.jpg 590w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque01-300x224.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 378px) 100vw, 378px" /></a>A retirada das “tropas de combate” estadunidenses do Iraque, depois de 7 anos de uma invasão falaciosamente justificada pela administração Bush e que, em vez de democracia, levou para o povo iraquiano mais morte, estagnação econômica, sectarismo, conflito interno, etc., apesar de ser vendida como o penúltimo passo para a retirada completa dos Estados Unidos do Iraque, a ser concluída em 2011, não condiz definitivamente com o que na realidade está ocorrendo. O contingente de 50.000 soldados “não-combatentes” que ainda permanece no Iraque, e que, segundo autoridades estadunidenses e iraquianas, terá a função de “assessorar e assistir” as forças de segurança do país até o final do próximo ano, não é o que resta da presença norteamericana. O retorno das tropas abre passagem para a entrada de mais soldados de agências privadas de segurança e funcionários do Departamento de Estado, que permanecerão no país muito depois da retirada do último soldado das forças de coalizão, caso esta retirada de fato se conclua.</p>
<p style="text-align: justify;">A conclusão, em 31 de agosto último, da retirada de 90.000 soldados &#8211; segunda etapa do acordo selado em 2008, no fim do governo de W. Bush &#8211; sinaliza o começo do novo papel que os EUA irão desempenhar no Iraque. De agora em diante é o Departamento de Estado, e não mais o Pentágono, que irá assumir as responsabilidades pela presença norteamericana no país. E o departamento já iniciou negociações para a contratação em breve de mais 7.000 soldados privados, além de equipamentos, como transportes blindados, helicópteros e aviões, etc., para “assessorar” o treinamento da polícia iraquiana. As guerras do Iraque e Afeganistão são as guerras da história contemporânea nas quais há a maior participação de empresas e contingentes privados de segurança. Em ambas têm havido casos recorrentes de abusos praticados (o assassinato de civis, por exemplo) por soldados funcionários dessas empresas, que em muitos casos são ex-soldados do exército norteamericano, cujo novo trabalho, aliás mais lucrativo, é o de serem mercenários.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo indica que a nova etapa da ocupação estadunidense do Iraque seja quase uma completa passagem de operações de segurança, inteligência e combate das mãos do Estado para o setor privado. Em poucas palavras, uma privatização da invasão. E muitos são os benefícios, para os Estados Unidos, dessa transição.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque04.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright size-full wp-image-30622" title="iraque04" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque04.jpg" alt="iraque04" width="405" height="270" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque04.jpg 450w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque04-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 405px) 100vw, 405px" /></a>O país ainda não se recuperou da pior crise econômica que tem enfrentado desde 1929, ainda sem previsão para ser completamente superada, e com um índice de desemprego de 10%. Na política externa, Obama aumentou a presença estadunidense no Afeganistão, estendendo a guerra para o Paquistão, aliás uma guerra sem previsões de vitória. Portanto, privatizar a invasão do Iraque significa diminuir os custos com uma guerra que já consumiu 700 bilhões de dólares do contribuinte norteamericano.</p>
<p style="text-align: justify;">Os EUA já conseguiram, senão completamente, ao menos em grande parte, consolidar os objetivos em função dos quais empreenderam a invasão: controle sobre o petróleo do país, expansão do poder estadunidense na região e estabelecimento de mais bases militares no Oriente Médio. Agora há, só no Iraque, 100 bases estadunidenses e dos países da coalizão. O objetivo de repartir o petróleo iraquiano entre as corporações norteamericanas já foi concluído logo nos primeiros anos da invasão. A presença militar estadunidense no Oriente Médio jamais foi tão grande quanto agora e as bases no Iraque e países vizinhos tão numerosas e ativas.</p>
<p style="text-align: justify;">Alguns analistas argumentam que os Estados Unidos não venceram no Iraque e que, caso venham de fato a se retirar da região, sairão, mais uma vez, à semelhança do Vietnam, derrotados. Penso que tais analistas não atentam para a diferença fundamental entre as guerras e invasões empreendidas pelos Estados Unidos no período da Guerra Fria e a partir da década de 90 do século passado. Sem menosprezar a resistência iraquiana, que desde o início da invasão tem lutado bravamente contra a tomada, o saque e a destruição do seu país, os objetivos estratégicos e econômicos norteamericanos foram alcançados. O Vietnam foi uma guerra travada entre duas superpotências em uma região estratégica e economicamente diversa. Estava no contexto da Guerra Fria e era uma luta por influências de modelos econômicos em conflito. Já o Iraque possui a segunda maior reserva de petróleo do mundo, e ter controle sobre ela significa estar de posse de uma matéria-prima cuja escassez em poucas décadas será a causa de uma crise energética mundial.</p>
<p style="text-align: justify;">A passagem da responsabilidade pela segurança do país ao setor privado, primeiro, como já dito, diminui os custos do Estado e, em segundo lugar, diminui a pressão da sociedade americana sobre o governo em relação à guerra, dado que, uma vez privatizado o serviço de segurança, o governo norteamericano não precisa mais prestar tantas contas aos seus cidadãos sobre os rumos do Iraque. No que se refere ao Estado iraquiano, as empresas privadas contratadas não são submetidas a suas leis, uma vez que são contratadas pelo Departamento de Estado norteamericano. E como muitos dos donos dessas empresas são militares aposentados do alto escalão das forças armadas, alguns deles inclusive ligados à indústria bélica, o Estado e as corporações se confundem, e, sobre o sofrimento da população iraquiana, os lucros são repartidos.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="../wp-content/uploads/2010/10/iraque02.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-30620" title="iraque02" src="../wp-content/uploads/2010/10/iraque02.jpg" alt="iraque02" width="368" height="240" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque02.jpg 460w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque02-300x195.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 368px) 100vw, 368px" /></a>As condições sociais, políticas e econômicas do Iraque após 7 anos evidenciam o que muitos sabiam com base no que se pode esperar quando os Estados Unidos invadem um país prometendo democracia e liberdade. Afora o fato de o Iraque já estar há seis meses sem um governo, em função das eleições inconclusas para o Parlamento realizadas em março último, e de os integrantes do governo anterior, instalado pelos Estados Unidos, sofrerem ampla rejeição popular, o que mais causa sofrimento ao povo iraquiano é a ausência de infraestrutura básica e de políticas públicas mínimas.</p>
<p style="text-align: justify;">Após anos de embargo econômico e invasão, segundo dados das Nações Unidas, 80% da água iraquiana não é tratada e somente um quarto das casas estão ligadas a uma rede de esgoto pública. Num país em que 50% da população é menor de 19 anos, somente na capital, Bagdá, o índice de desemprego entre o jovens está em 30%. O Iraque possui a segunda maior taxa de mortalidade infantil entre os países da região, e mais de 300.000 iraquianos jovens nunca foram para escola. Estima-se que um quarto dos iraquianos vive em completa pobreza. Energia só é disponível algumas horas do dia e, embora seus poços jorrem petróleo, a escassez de combustível é frequente. Sabe-se muito bem para onde eles vão.</p>
<p style="text-align: justify;">O atual governo iraquiano depende dos Estados Unidos para a sua sobrevivência, e não é de se estranhar que funcionários do alto escalão e militares iraquianos temam a retirada das tropas estadunidenses e sustentem que as forças do país somente estarão prontas para atuar por conta própria em 2020. A população e os grupos insurgentes jamais aceitarão um regime submetido aos ditames de Washington, e cujos membros estão muito mais preocupados em se manter no poder e se beneficiar financeiramente da parceria com o invasor do que em melhorar as condições de vida da população. As lideranças governamentais temem que a saída dos EUA resulte no seu fim. Por isso veem com bons olhos o serviço prestado por soldados mercenários, um dos quais será o de proteger os membros do Parlamento.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo dados oficiais do governo norteamericano e de organizações internacionais, em 7 anos foram mortos por consequência direta da guerra 100.000 iraquianos e 4.400 soldados estadunidenses. Estima-se que aproximadamente 4.000.000 de iraquianos foram deslocados e 2.000.000 tenham deixado o país. Contudo, os números são muito maiores. A presença estadunidense no Iraque remonta a 1991, guerra empreendida por Bush pai, e desde então os Estados Unidos jamais deixaram de bombardear o país e conseguir que o Conselho de Segurança da ONU aprove sanções atrás de sanções. Como decorrência de 20 anos de invasões, guerras e sanções o número de iraquianos mortos ultrapassa de longe 1.000.000.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque05.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright size-full wp-image-30623" title="iraque05" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque05.jpg" alt="iraque05" width="320" height="217" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque05.jpg 320w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque05-300x203.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px" /></a>Sabemos que os crimes de guerra cometidos pelos Estados Unidos no Iraque jamais serão julgados, muito menos os seus principais arquitetos, Bush pai e Bush filho. Embora números sejam importantes para que a opinião pública tome certa dimensão dos horrores pelos quais gerações de iraquianos têm passado com a ocupação norteamericana, eles estão muito longe de fazer um pouco de justiça que seja ao sofrimento do povo iraquiano. A morte pode ser contabilizada, mas não existem dados e cálculos que meçam o medo, o desamparo e a falta de esperança que tomam conta de um povo submetido a um sofrimento forçado e sem perspectiva de término.</p>
<p style="text-align: justify;">Os Estados Unidos não só deixam a responsabilidade da “segurança” do país para terceiros, mas também deixam que as funções humanitárias fiquem a cargo de órgãos das Nações Unidas e ONGs. Após o “fim da guerra”, já aumentam os “porta-vozes internacionais” dos direitos humanos prometendo realizar um trabalho conjunto com o governo local e a sociedade com o objetivo de erradicar a pobreza, a fome, a mortalidade infantil, etc. Este filme já vimos várias vezes. Como no caso do Haiti, com a diferença de que na ilha caribenha a ocupação é feita em grande parte pela própria ONU, já vem no Iraque a privatização, assessorada pelas Nações Unidas, da “ajuda humanitária”. O que significa que muita gente ainda vai lucrar com a filantropia no Iraque.</p>
<p style="text-align: justify;">O envolvimento dos Estados Unidos no Iraque está muito longe de ter um fim. O general Ali Ghaidan, comandante em solo das forças iraquianas, afirmou em entrevista que se precisarem de ajuda para manter “a segurança” a receberão dos Estados Unidos. E manter “a segurança” aqui significa, de forma velada, o que o presidente Barack Obama disse abertamente em pronunciamento para a nação estadunidense quando da retirada das tropas: “há ainda muito trabalho por fazer para garantir que o Iraque seja um efetivo parceiro nosso.” Portanto, se os interesses de Washington forem ameaçados, tropas estadunidenses estarão prontas para atender os seus parceiros.</p>
<p style="text-align: justify;">Os rumos internos da vida político-social do Iraque a partir do próximo ano irão dizer o quanto de força os Estados Unidos estarão dispostos a empregar para manter a estabilidade na região dos seus interesses e dos negócios das suas corporações.</p>
<p style="text-align: justify;">E quanto ao sofrimento do povo iraquiano, o atual cenário, tão contrário à projeção de qualquer otimismo fundamentado, parece tornar a mínima esperança, qualquer que ela seja, um sonho infantil… infelizmente.</p>
<p><strong>[*]</strong> Mestrando em Linguística (USP)<br />
E-mail: michelsemantica@gmail.com<br />
Blog: <a class="urlextern" title="http://www.contraevidencia.blogspot.com" href="http://www.contraevidencia.blogspot.com/" rel="nofollow">www.contraevidencia.blogspot.com</a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque03.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30627 alignnone" title="iraque03" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque03.jpg" alt="iraque03" width="460" height="306" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque03.jpg 460w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque03-300x199.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 460px) 100vw, 460px" /></a></p>
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		<title>A presença americana e os trabalhadores do Iraque</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Oct 2010 10:26:12 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Iraque]]></category>
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					<description><![CDATA[Uma saga memorável da classe trabalhadora iraquiana por seus direitos, contra os ingleses, um antigo rei-marionete, Saddam Hussein e estadunidenses, por agora os novos donos do país. Por David Bacon [*] No começo da manhã de 21 de julho de 2010, a polícia invadiu a sede do Sindicato dos Eletricitários [Electricistas] em Basra [Bassorá], a capital [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Uma saga memorável da classe trabalhadora iraquiana por seus direitos, contra os ingleses, um antigo rei-marionete, Saddam Hussein e estadunidenses, por agora os novos donos do país.</em> <strong>Por David Bacon [*]</strong></p>
<p><span id="more-29907"></span></p>
<figure id="attachment_29910" aria-describedby="caption-attachment-29910" style="width: 238px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29910" title="iraque-1" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque-1.jpg" alt="Hashmeya Muhsin, presidente do sindicato dos eletricitários, fala a outros líderes sindicais numa reunião em Basra (Bassorá)" width="238" height="275" /><figcaption id="caption-attachment-29910" class="wp-caption-text">Hashmeya Muhsin, presidente do sindicato dos eletricitários, fala a outros líderes sindicais numa reunião em Basra (Bassorá)</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">No começo da manhã de 21 de julho de 2010, a polícia invadiu a sede do Sindicato dos Eletricitários [Electricistas] em Basra [Bassorá], a capital miserável do sul de um Iraque rico em petróleo. Um oficial envergonhado disse a Hashmeya Muhsin, a primeira mulher a dirigir um sindicato nacional no Iraque, que vinham cumprir ordens do ministro de Energia Hussein al-Shahristani para fechar o sindicato. Quando mais policiais chegaram, foram levadas as fichas de filiação, os arquivos que documentavam as condições de trabalho frequentemente desumanas, os panfletos para manifestações protestando contra as torturantes interrupções de energia, computadores e telefones de Basra. Por último, Muhsin e seus companheiros foram expulsos e as portas trancadas.</p>
<p style="text-align: justify;">O decreto de Shahristani proíbe toda atividade sindical nas instalações administradas pelo ministério, fecha as sedes do sindicato e assume o controle dos seus bens, das contas bancárias ao mobiliário. O decreto estabelece que o ministério definirá quais os direitos serão concedidos aos dirigentes sindicais, e retirou-os todos. Quem protestar será preso com base no Decreto Anti-Terrorismo do Iraque de 2005.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim findaram-se os sete anos em que os trabalhadores das centrais elétricas da região lutaram pelo direito de organizar um sindicato legal para negociar com o Ministério de Energia, e impedir os planos de subcontratação e privatização que ameaçam seus empregos.</p>
<p style="text-align: justify;">O governo iraquiano, embora aparentemente paralisado em muitas frentes, desencadeou uma onda de ações contra os sindicatos do país, destinadas a levar o Iraque de volta à época em que Saddam Hussein proibiu-os para a maioria dos trabalhadores e prendeu os ativistas que protestavam. Só nos últimos meses, o governo [atual] de Nouri al-Maliki emitiu ordens de prisão para os líderes sindicais petroleiros, transferindo-os para locais de trabalho a centenas de quilômetros de casa, proibiu a atividade sindical nos campos de petróleo, nos portos e nas refinarias, vedou aos sindicatos cobrar taxas ou abrir contas bancárias, e até mesmo impediu os líderes de deixar o país em busca de apoio quando o governo reprime mais duramente.</p>
<p style="text-align: justify;">Na Embaixada dos Estados Unidos, a maior do mundo, um funcionário diz melifluamente: “Estamos investigando. Esperamos que todos resolvam suas discordâncias de maneira amigável.” Mas enquanto isso, embora o governo dos EUA retire tropas de combate de muitas áreas, estão reforçando o aparato militar e de segurança privada que mantêm para proteger a onda de companhias de petróleo estrangeiras que chegam a Basra para explorar a riqueza dos campos de petróleo do Iraque.</p>
<p style="text-align: justify;">Destruir o movimento operário do Iraque é uma maneira de garantir um ambiente no qual as empresas gigantes de petróleo possam operar livremente e o governo iraquiano possa estabelecer novas reformas de mercado? Essa foi uma questão lógica durante o governo de Bush, quando seus assessores neoconservadores vaticinavam publicamente que o Iraque se tornaria uma cabeça de ponte para a privatização do setor público nos países do Oriente Médio. Essa política, contudo, não se encerrou após a mudança de governo nos EUA. E hoje o trabalhador iraquiano paga pelas ruinosas consequências dela.</p>
<p style="text-align: justify;">A história do Iraque salienta o rancor que os sindicatos podem sentir por causa dessa situação.</p>
<p><strong>Um sindicalismo já antigo e sempre perseguido</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O Iraque teve sindicatos dos trabalhadores antes de qualquer outro país do Oriente Médio. Os trabalhadores organizaram-se quando os britânicos perfuraram os primeiros poços e construíram as primeiras ferrovias depois da Primeira Guerra Mundial. Os britânicos, no entanto, baniram os sindicatos, lançando-os na clandestinidade. Instalaram um xeque saudita como rei, mas mantiveram controle suficiente para garantir que a riqueza do petróleo corresse para as contas bancárias das empresas britânicas (antecessoras da B[ritish] P[etroleum]), enquanto os iraquianos continuaram desesperadamente pobres. O rei, entrementes, jogava na prisão os trabalhadores que tentavam organizar os sindicatos.</p>
<div class="mceTemp" style="text-align: justify;">
<dl id="attachment_29917" class="wp-caption alignleft" style="text-align: justify; width: 310px;">
<dt class="wp-caption-dt"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29917" title="iraque-2" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque-2-300x200.jpg" alt="iraque-2" width="300" height="200" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque-2-300x200.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque-2.jpg 490w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Um trabalhador da refinaria de petróleo em Basra (Bassorá)</dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;">Uma revolução em 1958 derrubou o rei. Os sindicatos ressurgiram tão rapidamente que a marcha do 1º de Maio de 1959 em Bagdá teve meio milhão de pessoas, quando a população total do país era de apenas 10 milhões. Esta revolução, porém, não durou muito tempo. Em 1963, o partido Baas deu um golpe. Para ajudá-lo a consolidar o poder, a CIA forneceu-lhe listas de milhares de militantes de esquerda e ativistas sindicais iraquianos, que foram presos e assassinados. Após uma década de novos golpes e contragolpes, Saddam Hussein assumiu o controle.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de anos de repressão, os nacionalistas no Iraque ainda eram suficientemente fortes e populares para forçar a nacionalização do petróleo em 1972. A fim de dar-lhes um golpe mortal Saddam Hussein, em 1987, decretou a tristemente célebre Lei 150. Os sindicatos foram proscritos nas empresas públicas, do petróleo e energia elétrica às fábricas, escolas e hospitais. Novamente, como ocorrera sob o rei, os sindicalistas foram para a prisão, passaram à clandestinidade ou deixaram o país. E enquanto o governo agia, Donald Rumsfield, mais tarde secretário de Defesa de George W. Bush e arquiteto da ocupação, apertou a mão de Saddam numa vergonhosa fotografia, prometendo ao ditador informações de espionagem e armas para fazer sua guerra contra o Irã.</p>
<p style="text-align: justify;">É um pouco difícil de entender por que os militantes de esquerda e ativistas sindicais iraquianos estavam dispostos a ver a invasão de 2003 dos Estados Unidos como um passo rumo à democracia. O certo é que a maioria via o fim do regime de Saddam Hussein como uma pré-condição para qualquer mudança.</p>
<p style="text-align: justify;">As tropas dos Estados Unidos entraram em Basra a partir do Kuwait na manhã de 9 de abril de 2003, e os tanques americanos estacionaram no portão de sua enorme e arruinada refinaria de petróleo. Depois de trinta anos de Saddam Hussein, a maioria dos trabalhadores ali estava saturada de guerra e repressão. Eles estavam preparados para dar boas vindas a praticamente qualquer mudança, mesmo tropas estrangeiras. “Nós estávamos prontos para dizer olá”, relembra Faraj Arbat, um dos bombeiros da refinaria.</p>
<p style="text-align: justify;">Os soldados apontaram as armas para eles e, quando o chefe dos bombeiros protestou, foi obrigado a deitar-se de bruços no chão. “Abdulritha ficou completamente chocado”, relembra Arbat. “Mas ele fez como lhe foi ordenado. Então um americano pôs seu pé sobre as costas dele. Começamos então a empurrar os soldados, porque não compreendíamos aquilo. A torre do tanque começou a girar em nosso rumo, e nesse ponto sentamo-nos todos.” Alguém poderia facilmente ter morrido naquele dia. Seja como for, a recordação do pé nas costas de Abdulritha deixou um gosto amargo.</p>
<p style="text-align: justify;">Os petroleiros já trabalhavam penosamente em meio ao bombardeio do “choque e pavor” [“Shock and Awe”, codinome macabro dado pelo governo de Bush à devastadora operação do ataque aéreo ao Iraque &#8211; PP] que precedeu a invasão. “Aos poucos começamos a restaurar a produção com nossos próprios esforços”, lembra Arbat. “Os eletricitários, às próprias custas, restabeleceram a energia na refinaria. Enquanto isso os norte-americanos e britânicos começaram a vir com caminhões-tanque e carregá-los com a gasolina e o óleo que produzíamos.”</p>
<p style="text-align: justify;">Durante dois meses, ninguém recebeu pagamento. Por fim, Arbat e um pequeno grupo começaram a organizar um sindicato. “No início a palavra assustava as pessoas, porque sob Saddam os sindicatos eram proibidos”, explica ele. No entanto, algumas dezenas dos três mil funcionários da refinaria se reuniram e escolheram Arbat e Ibrahim Radiy para dirigi-los.</p>
<div class="mceTemp" style="text-align: justify;">
<dl id="attachment_29922" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px;">
<dt class="wp-caption-dt"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29922" title="iraque-6" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque-6-300x200.jpg" alt="iraque-6" width="300" height="200" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque-6-300x200.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque-6.jpg 432w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Trabalhadores numa plataforma de perfuração no campo petrolífero de Rumaila</dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;">Para forçar as autoridades a pagar a todos, o pequeno grupo levou um guindaste até o portão e arriou-o transversalmente na estrada. Atrás dele, estavam estacionados duas dúzias de caminhões-tanque com uma escolta militar fortemente armada. “No início havia apenas cem de nós, mas os trabalhadores começaram a chegar. Alguns tiraram suas camisas e disseram aos soldados: &#8216;atirem!&#8217;. Outros deitaram-se no chão.” Dez deles foram para baixo dos tanques, brandindo isqueiros. Anunciaram que se os soldados disparassem, eles incendiariam os tanques. Os soldados não dispararam. Em vez disso, no fim do dia os trabalhadores receberam o pagamento. Em uma semana todos na refinaria se associaram, e o sindicato dos petroleiros renasceu em Basra.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Os ocupantes reprimem e preparam o saque</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O programa de ocupação para a transformação da economia iraquiana foi anunciado por Paul Bremer, nomeado pelo presidente Bush para chefiar o Comando Provisório da Coalizão [Coligação] [dos países invasores &#8211; PP], em meados de 2003. Isso incluía a privatização do setor estatal, especialmente transportes, portos, comunicações e a maior parte da indústria.</p>
<p style="text-align: justify;">Em setembro de 2003, Bremer assinou os regulamentos 29 e 30. Eles reduziam os salários-base de 60 para 40 dólares por mês, acabava com os subsídios para alimentos e habitação, permitia a propriedade privada por estrangeiros de empresas estatais (exceto petróleo) e autorizava a repatriação total de lucros para o exterior. Bremer manteve em vigor a Lei 150. Como consequência, novos sindicatos no Iraque ficaram ilegais. Quando o poder foi entregue a um governo “independente”, em junho de 2004, a lei de transição manteve os regulamentos de Bremer.</p>
<p style="text-align: justify;">O sentimento nacionalista no Iraque vê o setor público, especialmente o petróleo, como garantia de soberania e uma chave para o desenvolvimento econômico futuro. Os sindicatos no Iraque tornaram-se rapidamente os críticos mais sonoros da privatização.</p>
<p style="text-align: justify;">A primeira grande luta em relação ao programa econômico dos EUA veio poucos meses depois do confronto no portão da refinaria de Basra. A KBR, uma subsidiária da gigante de serviços petrolíferos Halliburton, recebeu um contrato sem licitação para apagar incêndios causados pela guerra nos poços dos enormes campos petrolíferos de Rumeila. Em algumas semanas, ela havia assumido as funções financeiras da administração civil de Basra. A fim de receber seu pagamento, os trabalhadores tinham que levar seus registros de frequência aos escritórios locais da KBR para aprovação.</p>
<p style="text-align: justify;">Então a KBR exigiu o trabalho de reconstrução de poços, oleodutos e outras instalações de petróleo. Com o desemprego beirando os 70%, os trabalhadores iraquianos viram uma clara ameaça aos seus empregos. “É nosso dever proteger as instalações petrolíferas, uma vez que são propriedade do povo iraquiano”, explica Hassan Juma&#8217;a, que tornara-se presidente da Federação dos Petroleiros do Iraque. O novo sindicato deu a KBR um prazo para deixar o distrito petrolífero, e quando expirou pararam a produção. “Durante dois dias nos recusamos a bombear uma única gota até que eles se fossem”, diz o líder sindical Farouk Sadiq. “Os outros trabalhadores em Basra recusaram-se também a trabalhar. Foi o dia da independência para o trabalho no petróleo”.</p>
<p style="text-align: justify;">A KBR fechou seus escritórios em Basra.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Reorganização e crescimento dos sindicatos em todo o país</strong></p>
<div class="mceTemp" style="text-align: justify;">
<dl id="attachment_29926" class="wp-caption alignright" style="width: 310px;">
<dt class="wp-caption-dt"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29926" title="iraque-3" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque-3-300x200.jpg" alt="Muhsin Mull Ali, estivador aposentado e avô do movimento operário em Basra (Bassorá). Após ter sido preso na época do rei, e, em seguida, por Saddam Hussein, deixou o Iraque e retornou mais tarde para ajudar a reorganizar o sindicato dos estivadores" width="300" height="200" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque-3-300x200.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque-3.jpg 432w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Muhsin Mull Ali, estivador aposentado e avô do movimento operário em Basra (Bassorá). Após ter sido preso na época do rei, e, em seguida, por Saddam Hussein, deixou o Iraque e retornou mais tarde para ajudar a reorganizar o sindicato dos estivadores</dd>
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<p style="text-align: justify;">Isso fez com que se iniciasse uma onda de organização sindical no sul. Com a ajuda dos petroleiros, um novo sindicato nos portos de Um Qasr e Zubair forçou duas grandes companhias, a dinamarquesa Maersk e a Stevedoring Services of America, com sede na cidade de Seattle, a desistirem das generosas concessões que tinham recebido para operar as instalações portuárias [deepwater shipping facilities] do Iraque. No final de 2003, o sindicato petroleiro ameaçou entrar em greve novamente se os regulamentos de Bremer abaixassem os salários. O ministro do petróleo cedeu, elevando o salário-base para 85 dólares mensais.</p>
<p style="text-align: justify;">Em seguida o sindicato dos petroleiros ajudou os trabalhadores das usinas de energia. Depois que Hashmeya Muhsin foi eleita presidente do novo sindicato, os trabalhadores entraram em greve nas centrais elétricas de Najibeeya, Haartha e de Al Zubeir. Eles invadiram os prédios da administração e ameaçaram desligar a energia. O ministro de Energia concordou igualmente em abandonar os regulamentos salariais de Bremer. O sindicato de Muhsin em seguida lutou para impedir a subcontratação nas centrais elétricas &#8211; um preâmbulo para o controle empresarial.</p>
<p style="text-align: justify;">A organização sindical na refinaria parecia espontânea, mas na realidade se baseava nas experiências dos trabalhadores nos anos de atividade clandestina. Nos portos e centrais elétricas, os ativistas dos antigos sindicatos do Iraque, que retornaram ao país ou saíram da clandestinidade, ajudavam os trabalhadores a se associarem.</p>
<p style="text-align: justify;">A sindicalização do sul foi a dianteira de uma onda que se espalhou por todo o Iraque. Greves ocorreram em Bagdá e em outras cidades. Novas centrais sindicais muitas vezes concorrentes foram formadas. Os sindicatos organizados pelos comunistas do Iraque fundiram-se com alguns poucos que Saddam tinha permitido nas empresas privadas para formar a Central Geral dos Trabalhadores do Iraque. Outros em muitos locais de trabalho fundiram-se na Central Geral dos Conselhos Operários e dos Sindicatos do Iraque, à qual mais tarde juntaram-se os petroleiros. Os professores e os jornalistas reorganizaram seus antigos sindicatos também, que permaneceram independentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Como a maioria dos trabalhadores iraquianos ainda trabalha em empresas ou serviços públicos, quase todos se levantaram contra a Lei 150. Depois que as eleições resultaram num novo governo, e foi dissolvido o Comando da Coalizão de Bremer, uma nova constituição prometeu a reforma da legislação trabalhista. Em vez disso, o governo não só não revogou a Lei 150, como aprovou uma série de outras destinadas a impedir a atividade trabalhista.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 2005, o Decreto 870 deu ao governo o poder para intervir nos sindicatos, e proibiu-os de abrir contas bancárias ou cobrar taxas. Os sindicatos continuavam a funcionar com base no desejo dos trabalhadores de apoiá-los, porém o governo empenhava-se em negar-lhes os recursos para florescerem.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 2007, enquanto os EUA pressionavam por uma nova lei do petróleo destinada a garantir que as transnacionais obtivessem acesso a condições mais favoráveis, o sindicato petroleiro organizava o que foi, com efeito, uma greve política. Em 4 de junho, a Federação dos Empregados no Petróleo do Iraque fechou os oleodutos dos campos de Rumeila perto de Basra que abastecia a refinaria de Bagdá e o resto do país. Foi uma greve destinada a reforçar seu apelo para manter o petróleo nas mãos do setor público, e forçar o governo a cumprir suas promessas econômicas.</p>
<p style="text-align: justify;">O primeiro-ministro iraquiano Nouri al-Maliki convocou o exército e cercou os grevistas em Sheiba, perto de Basra. Em seguida, assinou mandados de prisão para os líderes do sindicato. Aviões estadunidenses sobrevoaram Basra em voos rasantes durante e após a greve, aumentando a pressão sobre o sindicato. No Iraque, as manobras hostis dos aviões militares não são consideradas ameaças fúteis pelas pessoas embaixo. Na quarta-feira, 6 de junho, o sindicato encerrou a greve. Maliki, que enfrentou a possibilidade de que a greve pudesse se transformar em interrupções nas próprias plataformas, concordou com a reivindicação principal do sindicato. A aplicação da lei do petróleo seria suspensa enquanto o sindicato apresentasse objeções e propusesse alternativas.</p>
<div class="mceTemp" style="text-align: justify;">
<dl id="attachment_29930" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px;">
<dt class="wp-caption-dt"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29930" title="iraque-5" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque-5-300x200.jpg" alt="Barraca onde vendem-se gasolina e óleo de motor para os carros que circulam" width="300" height="200" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque-5-300x200.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque-5.jpg 432w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Barraca onde vendem-se gasolina e óleo de motor para os carros que circulam</dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;">Mesmo nos EUA vozes se levantaram dizendo que a privatização do petróleo fora uma má ideia. O deputado Dennis Kucinich denunciou que “a privatização do petróleo do Iraque é um roubo”. Apesar disso, os EUA ameaçaram reter um bilhão de dólares do financiamento de reconstrução, se o Iraque não aprovasse a Lei de Hidrocarbonetos. Maliki enfrentou um fato que os políticos estadunidenses se recusavam a reconhecer. A indústria petrolífera é um símbolo da soberania iraquiana, e entregar seu controle a empresas estrangeiras é extremamente impopular.</p>
<p style="text-align: justify;">O sindicato dos petroleiros, ainda tecnicamente ilegal, surgiu como uma das vozes mais fortes do nacionalismo iraquiano. Outras reivindicações refletiam a desesperada situação dos trabalhadores. Eles queriam que o Ministério do Petróleo desse empregos permanentes aos milhares de trabalhadores temporários. Num país onde a habitação fôra destruída em grande escala, o sindicato queria terrenos para a construção de casas. Exigiu empregos e um futuro para os jovens formados no Instituto do Petróleo. A luta por essas exigências tornou os sindicatos populares &#8211; a única força no Iraque que tentava manter um padrão de vida mínimo para os milhões de iraquianos, que têm de se levantar e ir trabalhar todos os dias no meio de uma guerra. Os governantes dos EUA, por outro lado, veem os iraquianos como um inimigo propenso a reforçar a pobreza.</p>
<p style="text-align: justify;">A fundamentação, na imprensa dos EUA, para a privatização das indústrias do Iraque, como energia e petróleo, é que as indústrias estatais são obsoletas e ineficientes. As autoridades de ocupação diziam que o <em>know-how</em> técnico dos EUA era necessário para trazê-las a padrões modernos. O líder trabalhista árabe Hacene Djemam observou amargamente que “a guerra facilita a privatização: primeiro você destrói a sociedade, depois você deixa as corporações reconstruírem-na.”</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O negócio da “reconstrução” e a repressão do atual governo</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Mas as centrais elétricas elas nunca reconstruíram. As empresas estadunidenses juntaram bilhões em contratos por administração para a reconstrução da rede elétrica – só a General Electric recebeu 3 bilhões de dólares. Contudo, os moradores de Basra somente tinham direito a algumas horas de energia por dia, embora a temperatura atingisse 49 graus no verão. Antes da primeira guerra do Golfo, o Iraque gerava 9,3 mil megawatts de energia. Os EUA bombardearam instalações e linhas de transmissão naquela guerra, e as sanções impostas pelos EUA em seguida impediram muitas delas de serem reconstruídas. A produção caiu para um terço. Atualmente, depois de sete anos de “reconstrução” pelos empreiteiros estadunidenses, a produção é de apenas 6 mil megawatts, dois terços do que era há vinte anos. Enquanto isso, a população do Iraque cresceu e o consumo aumentou.</p>
<p style="text-align: justify;">Os empreiteiros estadunidenses ficaram famosos por fornecer peças e geradores às centrais elétricas iraquianas incompatíveis com o equipamento existente, e por andarem rodeados de seguranças particulares armados. Enquanto isso, os trabalhadores iraquianos, que eram frequentemente atacados por rebeldes que tentavam sabotar o sistema, faziam o trabalho efetivo de manter as instalações funcionando.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa combinação explosiva finalmente produziu uma enorme manifestação em 19 de junho, quando os moradores de Basra e Nassiriya saíram às ruas com cartazes dizendo “A prisão é mais confortável que nossas casas!”. A polícia matou um manifestante, Haider Dawood Selman, e atirou em outros. Como resultado, o ministro de energia demitiu-se, e Shahristani, que já era ministro do Petróleo, acumulou a pasta de Energia. Quando ele publicou sua ordem para fechar o sindicato dos eletricitários, outra grande manifestação levou mil trabalhadores a Basra para protestar. Suas palavras de ordem perguntavam a Shahristani para onde tinham ido os 13 bilhões de dólares da reconstrução elétrica, cantando: “Hussein, onde está a energia?”.</p>
<div class="mceTemp" style="text-align: justify;">
<dl id="attachment_29933" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px;">
<dt class="wp-caption-dt"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29933" title="iraque-4" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque-4-300x200.jpg" alt="Faleh Abood Umara , secretário-geral dos petroleiros" width="300" height="200" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque-4-300x200.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque-4.jpg 432w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Faleh Abood Umara , secretário-geral dos petroleiros</dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;">Três semanas mais tarde, o sindicato foi despejado de sua sede.</p>
<p style="text-align: justify;">Hashmeya Muhsin e Hassan Juma&#8217;a estavam entre os vários sindicalistas iraquianos que viajaram aos EUA para procurar apoio trabalhista em suas lutas contra a situação ilegal e a privatização. A <em>U.S. Labor Against the War</em> [Trabalhadores dos EUA contra a guerra], uma organização nacional de sindicatos antiguerra, organizou vários percursos para os iraquianos. Eles foram convidados para várias reuniões da AFL-CIO [<em>American Federation of Labor and Congress of Industrial Organizations</em>, maior central sindical estadunidense, sucumbida ao patronato &#8211; PP] . O <em>American Center for International Labor Solidarity</em> (afiliada à AFL-CIO) e os <em>Trades Union Congress</em> da Inglaterra começaram a oferecer-lhes apoio material e treinamento nas instalações da Jordânia. Como, no entanto, os conflitos no Iraque aumentavam, o governo movimentou-se para cortar esse apoio. Os sindicatos já estavam proibidos de receber dinheiro ou mesmo manter contas bancárias. Mas depois que os líderes das duas federações, Falah Alwan e Rasim Awadi, visitaram os EUA em 2009, Maliki publicou o despacho nº 3/2004. No futuro, os dirigentes sindicais teriam de ter a permissão do Supremo Comitê Ministerial para viajar ao exterior. Essa permissão, evidentemente, não estará disponível.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo nas escolas públicas, os sindicatos sentiram o fechamento do governo. Em janeiro passado, o governo de Maliki fez uma tentativa de tomar o controle do Sindicato dos Professores do Iraque da sua liderança independente. Ele organizou uma chapa que os professores denunciaram como sendo uma frente do partido dominante de Maliki. O presidente do sindicato em Basra foi jogado na prisão. “Ele está recebendo telefonemas ameaçadores, tais como: &#8216;Se você não parar, nós vamos te matar&#8217;”, segundo a líder sindical Nasser al Hussain.</p>
<p style="text-align: justify;">Ameaças de morte não são menosprezadas no Iraque. Desde o início da ocupação, dezenas de sindicalistas foram assassinados. Os sindicalistas iraquianos ainda lamentam a morte de Hadi Saleh, que foi torturado e assassinado em sua casa em Bagdá em 2005, por assassinos tão cruéis que esvaziaram suas armas no corpo dele depois que o tinham estrangulado. Saleh era o mais conhecido dos ativistas sindicais presos por Saddam Hussein, posteriormente exilado, e que retornou ao Iraque para começar a reconstruir os sindicatos. A maioria acha que o assassinato foi obra de ex-agentes, transformados em rebeldes, da antiga polícia secreta de Saddam, a <em>Mukhabarat</em>. Em 2008, Shihab al-Tamimi, dirigente do Sindicato dos Jornalistas do Iraque, foi fuzilado por pistoleiros em Bagdá. Al-Tamimi, um corajoso repórter independente, era um forte crítico da ocupação e da violência sectária [fundamentalista].</p>
<p style="text-align: justify;">Em janeiro a pressão contra os sindicatos nos distritos petrolíferos aumentou. Hassan Juma&#8217;a, presidente da Federação dos Empregados no Petróleo do Iraque, criticou os administradores da refinaria pelo corte das rações alimentares que os trabalhadores recebem como suplemento aos seus baixos salários. Horas extras foram cortadas, reduzindo o rendimento ainda mais, e alguns trabalhadores foram rebaixados. Um administrador disse anonimamente aos correspondentes do <em>Iraq Oil Report</em> que temia que alguns pudessem ser transferidos em retaliação: “Estamos sempre sob a ameaça dos funcionários petrolíferos graduados para punir e demitir pessoas que falem sobre os problemas do setor de petróleo.” A declaração de Juma&#8217;a foi seguida alguns dias depois por um protesto de trabalhadores na própria refinaria.</p>
<p style="text-align: justify;">Em março, os trabalhadores organizaram manifestações em todo o distrito petrolífero exigindo aumento salarial, empregos permanentes para os trabalhadores temporários, a modernização dos equipamentos e instalações, e a legalização de seu sindicato. Desde a constituição de 2007 que os sindicatos iraquianos tinham recebido a promessa de uma reforma da legislação trabalhista para abolir a Lei 150 e criar uma estrutura em que pudessem funcionar normalmente. Em agosto, porém, a comissão parlamentar, ao analisar o projeto de lei, rejeitou-o. Isso não só fez voltar ao início o processo de reforma, como deixou que a Lei 150 e as proibições sobre a atividade ficassem como a única legislação em vigor.</p>
<p style="text-align: justify;">Em abril os receios de represálias foram concretizados. Cinco dirigentes sindicais foram transferidos da refinaria de Basra para Bagdá, a centenas de quilômetros de distância. Dentre eles Ibrahim Radiy, que havia arriado o guindaste na estrada no confronto em que o sindicato nasceu sete anos antes. Os outros eram Alaa al-Basri, Majid Ali, Khaza&#8217;al Hamoud e Faraj Misban. O porta-voz da <em>South Refineries Company</em>, Qassem Ramadhan, admitiu que as transferências foram castigo pelos protestos anteriores dos trabalhadores.</p>
<p style="text-align: justify;">Em junho, a repressão espalhou-se aos portos na parte sul de Basra. Líderes do sindicato dos portuários foram transferidos para mil quilômetros de seus locais de trabalho, e quando os trabalhadores protestaram, a administração chamou unidades militares que cercaram os manifestantes. Finalmente, em 1 de junho, enquanto os eletricitários enchiam as ruas de Basra, a <em>Southern Oil Company</em> distribuiu mandados de prisão para Hassan Juma&#8217;a e Faleh Abood Umara, secretário-geral do sindicato dos petroleiros, que ficaram detidos por dois dias. Os dois foram acusados de “retardar o trabalho” e “incitar os trabalhadores a ficarem contra a direção da empresa”, segundo Umara. O porta-voz do Ministério do Petróleo, Assam Jihad, disse ao <em>Iraq Oil Report</em> que “o problema é que os sindicalistas instigam a população contra os planos do Ministério de Petróleo e sua ambição de desenvolver as riquezas do petróleo (do Iraque) utilizando o desenvolvimento externo.”</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como sugar recursos e bilhões <em>manu militarii</em></strong></p>
<div class="mceTemp" style="text-align: justify;">
<dl id="attachment_29938" class="wp-caption alignright" style="width: 310px;">
<dt class="wp-caption-dt"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29938" title="iraque-7" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque-7-300x200.jpg" alt="Um trabalhador encostado (de baixa) por um acidente na refinaria em sua casa em Basra (Bassorá). Na parede uma  gravura do mártir muçulmano Hussein, fundador do islamismo xiita" width="300" height="200" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque-7-300x200.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque-7.jpg 432w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Um trabalhador encostado (de baixa) por um acidente na refinaria em sua casa em Basra (Bassorá). Na parede uma  gravura do mártir muçulmano Hussein, fundador do islamismo xiita</dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;">O parlamento iraquiano, sob cerco dos sindicatos e partidos nacionalistas do Iraque, nunca foi capaz de concluir a Lei de Hidrocarbonetos, apesar da intensa pressão do governo de Bush. Mas o governo de Maliki encontrou maneiras de deixar as empresas dentro. Nos enormes campos de petróleo em torno de Basra, ele realizou leilões de contratos de prestação de serviços para a <em>Iraqi National Oil Company</em>. Esses serviços incluíam a expansão da produção nos campos já existentes e a exploração de novos. O governo de Maliki prevê que a produção de petróleo possa crescer dos atuais 2,6 milhões de barris por dia para 12,5 milhões em sete anos.</p>
<p style="text-align: justify;">Contratos foram adjudicados a dezoito empresas, incluindo a estadunidense Exxon/Mobil, as européias Shell e Eni, as russas Gazprom e Lukoil, a Petronas da Malásia e estatais chinesas. Uma parceria entre a BP e a Chinese National Petroleum Corporation obteve o contrato para o campo gigante de Rumaila.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma ex-membro do parlamento iraquiano, Shetha Musawi, processou o governo pelos contratos, acusando-o de, essencialmente, extorquir créditos dos beneficiários, incluindo 500 milhões de dólares da BP/CNPC, 300 milhões da ENI e 400 milhões da Exxon Mobil, de acordo com o <em>Iraq Oil Report</em>. Alguns empréstimos foram substituídos por 100 milhões de “bônus” não-reembolsáveis. O tribunal iraquiano decidiu que ela tinha de pagar centenas de milhares de dólares para contratar consultores estrangeiros de petróleo para representar sua causa, e depois ela começou a receber ameaças de morte. Quando o processo foi à audiência, ela não compareceu ao tribunal, e o caso foi rejeitado.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto isso, os militares dos EUA assumiram a antiga base britânica em Basra, convertendo-a em um centro para ajudar executivos de empresas do petróleo e funcionários que começavam a operar no Iraque. Enquanto Musawi enfrentava as ameaças sozinha, e os sindicalistas iraquianos eram expulsos de suas sedes e presos, os executivos que procuravam contratos e paz trabalhista encontraram os militares estadunidenses a seu serviço. O general Ray Odierno, comandante das forças dos EUA no Iraque, disse aos repórteres: “há uma boa coordenação acontecendo entre todas as companhias de petróleo e o campo operacional de Basra”. Odierno previu que, apesar da saída das tropas de combate, os EUA manteriam forças para garantir a segurança lá e nos campos de petróleo. Além disso, empresas de segurança irão fornecer milhares de soldados rasos, pagos aos EUA, para fornecer proteção suplementar aos bens que ele acredita que devam ser defendidos. Isso, sem dúvida, inclui o petróleo.</p>
<p style="text-align: justify;">No mês passado, o embaixador dos EUA Christopher Hill convidou executivos e diplomatas à base, conhecida formalmente como Base Operacional de Contingência, em Basra, para um almoço especial. Eles conversaram sobre as maneiras de facilitar vistos para os empregados que pretendam trazer. O embaixador Hill ofereceu ajuda para facilitar o caminho para a transferência dos bilhões de dólares das empresas. O sindicato dos petroleiros iraquianos, entretanto, não pode nem mesmo abrir uma conta bancária.</p>
<p style="text-align: justify;">De acordo com Kenneth Thomas da Equipe de Reconstrução da Província de Basra da Embaixada dos EUA, “a política do governo dos Estados Unidos neste momento é que o governo dos Estados Unidos no Iraque deve contribuir para facilitar a mobilização dessas empresas, sem olhar a nacionalidade delas.” Bremer não teria colocado mais abertamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Os sindicatos iraquianos, entretanto, não entraram na clandestinidade nem pararam seus esforços de organização. De fato, dias após Hashmeya Muhsin e seus companheiros terem sido expulsos de suas sedes, ela, os petroleiros e outros sindicatos de Basra realizaram uma reunião para deixar de lado suas diferenças organizativas e cooperar na resistência ao esforço do governo em extingui-los. Sindicatos na Europa e nos EUA enviaram mensagens de apoio e o presidente AFL-CIO, Richard Trumka, escreveu a Maliki protestando contra as ações sobre os eletricitários.</p>
<p style="text-align: justify;">Os sindicatos de Basra formaram um comitê para a defesa dos direitos sindicais no Iraque. “Vamos continuar nossa luta por todos os meios pacíficos, como protestos e greves”, prometeu Muhsin.</p>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align: justify;">
<dl id="attachment_29941" class="wp-caption aligncenter" style="width: 538px;">
<dt class="wp-caption-dt"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29941 " title="iraque-8" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque-8.jpg" alt="iraque-8" width="528" height="183" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque-8.jpg 528w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/10/iraque-8-300x103.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 528px) 100vw, 528px" /></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Em primeiro plano detalhe do prédio da embaixada dos Estados Unidos em Bagdá, a maior do mundo</dd>
</dl>
</div>
<p><em><strong></strong></em></p>
<p><strong>[*] David Bacon</strong> <em>é escritor e fotógrafo. Suas fotografias e artigos podem ser vistos em <a title="http://dbacon.igc.org" rel="nofollow" href="http://dbacon.igc.org" target="_blank">http://dbacon.igc.org</a>.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Artigo original (em inglês) </em><a title="http://www.truth-out.org/is-us-pulling-plug-iraqi-workers62632" rel="nofollow" href="http://www.truth-out.org/is-us-pulling-plug-iraqi-workers62632" target="_blank"><em>aqui</em></a><em>. Tradução </em>Passa Palavra<em>. Fotografias: </em>David Bacon<em> (exceto a última).</em></p>
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		<title>WikiLeaks sob ataque: suposto informante é preso</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jul 2010 03:48:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Por Passa Palavra Em 26 de maio de 2010, o Analista de Inteligência do Exército dos Estados Unidos, Bradley Manning, foi preso no Iraque e transferido sob custódia para o Kuwait. Detido sem julgamento ou acusação legal, o militar de 22 anos é suspeito de ser o informante do vídeo Assassinato Colateral, publicado e divulgado [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Passa Palavra</h3>
<div class="level3" style="text-align: justify;">
<p>Em 26 de maio de 2010, o Analista de Inteligência do Exército dos Estados Unidos, Bradley Manning, foi preso no Iraque e transferido sob custódia para o Kuwait. Detido sem julgamento ou acusação legal, o militar de 22 anos é suspeito de ser o informante do vídeo <em>Assassinato Colateral</em>, publicado e divulgado mundialmente pelo site <a href="http://wikileaks.org" target="_blank" rel="noopener noreferrer">WikiLeaks</a> [publicado no <em>Passa Palavra</em>, com legendas em português, <a class="urlextern" title="http://passapalavra.info/?p=22066" href="../?p=22066" rel="nofollow">aqui</a>]. Suspeita-se que Manning também enviou 150 mil documentos restritos ao site. Procurado por agentes da inteligência dos EUA, o fundador e porta voz do site, Julian Assange nega ter acesso a esses documentos. Numa trama de hackers e vazamentos de informação, o quebra-cabeça permanece incompleto.</p>
<p><strong>I. A justiça pela transparência</strong></p>
<p>O WikiLeaks é uma plataforma para colaboradores anônimos publicarem documentos de acesso classificado de governos, sistemas de governança de empresas e demais organizações. O material enviado pela Internet trafega, antes de chegar ao site, por países juridicamente favoráveis à proteção da fonte jornalística, como Suécia e Bélgica, e juntamente com um amontoado de dados sem qualquer valor, apenas lixo eletrônico. Tudo para proteger a origem do envio e dificultar a sua interceptação. Essa estrutura técnica, que também replica sistematicamente todo seu conteúdo em outros servidores, permite que a organização seja “multijurídica”, distribuída e anônima. Em termos técnicos, o site baseia-se numa versão própria do MediaWiki – software utilizado pela enciclopédia Wikipédia – com a utilização de ferramentas de criptografia (OpenSSL e GPG) e anonimato (<a href="http://tor.eff.org" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Tor</a>).</p>
<figure id="attachment_26985" aria-describedby="caption-attachment-26985" style="width: 168px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/julian_assange_copenhagen.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26985 " title="julian_assange_copenhagen" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/julian_assange_copenhagen.jpg" alt="Julian Assange durante apresentação em Copenhagen" width="168" height="167" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/julian_assange_copenhagen.jpg 390w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/julian_assange_copenhagen-70x70.jpg 70w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/julian_assange_copenhagen-300x296.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 168px) 100vw, 168px" /></a><figcaption id="caption-attachment-26985" class="wp-caption-text">Julian Assange durante apresentação em Copenhagen</figcaption></figure>
<p>Fundado pelo hacker australiano Julian Assange, o projeto baseia-se no princípio de que a transparência é condição elementar para a prática democrática e, como ele próprio costuma dizer, o objetivo é a justiça, o meio é a transparência. Ainda sobre o objetivo, seu fundador declara que o interesse principal é expor regimes repressores e também revelar práticas ilegais e abusivas de governos e corporações do mundo todo. A missão do projeto, de um modo geral, é “abrir governos” <strong>[1]</strong>.</p>
<p>Desde 2007 online, gerido por uma equipe de voluntários e mantido por doações, o site sofreu mais de 100 ataques jurídicos e, durante 2009, recebeu em média 30 documentos por dia. No entanto, a política editorial é de primeiro checar [verificar] sua autenticidade e limpar quaisquer traços, impedindo que sua origem seja rastreada. Atualmente, o seu mecanismo de publicação passou por melhorias técnicas e, durante junho, não foi possível submeter novos documentos.</p>
<p>Identificados apenas pela sigla inicial de seus nomes, a equipe de voluntários também é responsável pela análise e resumos dos materiais. Sem a realização dessa tarefa, o documento corre o risco de tornar-se inacessível. Documentos militares, que incorporam muitos códigos, sem um glossário contextualizado são de difícil compreensão. Além da análise, a fonte original também é disponibilizada online para ser analisada por qualquer um. Se no método científico é necessário mostrar as fontes dos dados para que se possa reproduzir o experimento, na idéia de “jornalismo científico” de Assange, as notícias também precisam ter suas fontes abertas para que outros possam extrair delas suas próprias interpretações. Uma lição extraída do movimento de código aberto/software livre, onde o código dos programas são disponibilizados para qualquer pessoa estudar e modificar.</p>
<p><strong>II. O “Projeto B” e o seu informante</strong></p>
<p>Entre fevereiro e abril de 2010, um grupo de voluntários trabalhou no chamado “Projeto B”. O projeto buscava analisar, legendar, contextualizar e preparar uma campanha de lançamento de um vídeo vazado do Exército dos Estados Unidos, de modo que fosse impossível retirá-lo da Internet. Na última semana de março, reunidos numa casa alugada na Islândia – apelidada de “Bunker” – e com apoio de um jornal, de uma jovem política do país, eles terminaram o trabalho. As operações do grupo foram financiadas por um ativista hacker holandês que cedeu 10 mil euros ao projeto.</p>
<figure id="attachment_26979" aria-describedby="caption-attachment-26979" style="width: 300px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/collateralmurder.jpg" rel="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/collateralmurder.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26979 " title="collateralmurder" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/collateralmurder-300x212.jpg" alt="Quadros do vídeo revelado" width="300" height="212" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/collateralmurder-300x212.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/collateralmurder.jpg 637w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-26979" class="wp-caption-text">Quadros do vídeo revelado</figcaption></figure>
<p>Entre os títulos <em>Assassinato Colateral</em> (<em>Collateral Murder</em>, em inglês) ou <em>Permissão para Atacar</em> (<em>Permission to Engage</em>, em inglês), escolheram o primeiro, um trocadilho com o termo militar “dano colateral”. O vídeo de trinta e oito minutos é uma gravação das câmeras internas de dois helicópteros Apache do Exército dos Estados Unidos, os quais disparam contra um grupo de civis iraquianos matando pelo menos oito, entre eles dois correspondentes da Reuters, em Nova Bagdad, em 2007. Para assistir ao vídeo, <a href="http://passapalavra.info/?p=22066" target="_blank" rel="noopener noreferrer">veja mais aqui</a>.</p>
<p>E, ainda durante a repercussão da campanha, o WikiLeaks anunciou que estava trabalhando num novo vídeo sobre o “Massacre de Garani” – nomeado como “Projeto K” –, ocorrido no Afeganistão, em 2009. Neste último, o vídeo revela um ataque aéreo norte-americano que matou 140 civis, sendo 92 crianças.</p>
<p>A identidade do suposto informante veio a público no início de junho, quando a revista <em>Wired</em> publicou em primeira mão uma matéria factual sobre o caso e, nos dias seguintes, trechos da conversa entre o soldado informante e o hacker Adrian Lamo. Durante cinco dias, o militar e o hacker trocaram mensagens e conversaram online sobre os dados revelados e os que ainda viriam a público. No sexto dia, Lamo já havia enviado todo o conteúdo da conversa ao FBI. Segundo o delator, o conteúdo dos documentos colocaria em risco a segurança nacional e, por isso, tratou o caso como de espionagem e traição.</p>
<figure id="attachment_26975" aria-describedby="caption-attachment-26975" style="width: 155px" class="wp-caption alignright"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/brad-manning-out-of-uniform.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26975" style="border: 1px solid black; margin: 5px;" title="brad-manning-out-of-uniform" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/brad-manning-out-of-uniform-194x300.jpg" alt="brad-manning-out-of-uniform" width="155" height="240" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/brad-manning-out-of-uniform-194x300.jpg 194w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/brad-manning-out-of-uniform.jpg 200w" sizes="auto, (max-width: 155px) 100vw, 155px" /></a><figcaption id="caption-attachment-26975" class="wp-caption-text">Bradley Manning</figcaption></figure>
<p>No momento de sua prisão pelas autoridades do Exército, o Soldado de Primeira Classe (SPC) e ex-analista de inteligência Bradley Manning, de 22 anos, exercia sua função na estação de Operações Avançadas da Base Hammer a 64 km de Bagdá, no Iraque. Em menos de duas semanas, o fundador do WikiLeaks foi convidado pelo FBI para “colaborar” com o caso. Nessa situação, três participações em eventos públicos nos Estados Unidos, em Nova York e Las Vegas, foram canceladas pelo boato e temor de detenção e até mesmo de assassinato <strong>[2]</strong>. Durante quase um mês, Julian permaneceu em localização desconhecida, até que no dia 21 de junho retornou publicamente ao conceder uma entrevista ao <em>The Guardian</em> <strong>[3]</strong>, em Bruxelas.</p>
<p>Após um mês detido na base Arifjan no Kuwait, no dia 5 de julho Manning foi legalmente acusado. Baseadas no código de conduta, as duas acusações possuem no total 12 especificações, como acesso não-autorizado na rede de computadores, cópia de mais de 150.000 documentos diplomáticos dos Estados Unidos, cópia de uma apresentação secreta de PowerPoint e cópia de vídeo classificado de uma operação militar em Bagdá (2007). Caso for considerado culpado em tribunal, poderá permanecer até 52 anos preso. Mas ainda o processo passará por mais etapas, como investigação, e, somente após isso, ele será levado à corte marcial.</p>
<p>Questionados sobre a relação com Adrian Lamo e a ética de revelar a identidade do militar, a revista <em>Wired</em> pouco esclareceu, limitando-se a dizer que Lamo era apenas uma fonte.</p>
<p><strong>III. Adrian Lamo e Kevin Poulsen, um caso à parte</strong></p>
<p><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/adrianlamo_kevinmittnick_kpaulson.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-26971" style="border: 1px solid black; margin: 5px;" title="adrianlamo_kevinmittnick_kpaulson" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/adrianlamo_kevinmittnick_kpaulson.png" alt="adrianlamo_kevinmittnick_kpaulson" width="290" height="224" /></a>Conhecido na Internet como “Я. Adrian Lamo”, “Я. Adrian” ou apenas Adrian, durante um período de sua vida ele morou em <em>squats</em> [ocupações urbanas] e casas abandonadas, sendo apelidado de “hacker sem-teto”. Mesmo hostilizado após a delação, Adrian continuou a frequentar a organização hacker <a href="http://2600.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">“2600: The Hacker Quartely”</a>. Conhecida por sua tendência de esquerda e ativista, a “2600” é uma antiga revista que realiza diversas conferências conhecidas como HOPE (Hackers On Planet Earth – Hackers no Planeta Terra), a qual já contou com a presença de Jello Biafra, ativista e ex-vocalista da banda punk Dead Kennedys e, na edição deste ano, a “<a href="http://thenexthope.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">The Next HOPE</a>” teve como convidado o fundador do WikiLeaks, Julian Assange <strong>[4]</strong>, o qual foi substituído por Jacob Appelbaum, membro do projeto de anonimato na Internet, Tor, e colaborador do WikiLeaks.</p>
<p>Nascido em 1981 nos Estados Unidos e criado na Colômbia, Adrian Lamo foi responsável pela invasão de sites e redes de grandes empresas como Microsoft, New York Times e Yahoo!, mas no mundo hacker é conhecido “por ser de baixo nível [técnico], hacker inconsequente, com uma insaciável vontade de autopromoção e atenção da mídia […]”, relata o jornalista Gleen Greenwald <strong>[5]</strong>. Durante quase uma década, afirma o jornalista, Lamo realizou ataques a diversos sites enquanto um colega jornalista, em parceria, oferecia às empresas cooperação de Lamo. Confirmado o acordo, o jornalista publicava a falha em sites de segurança, promovendo assim a reputação de Lamo. Essa parceria continuou mesmo depois de sua condenação em 2004, quando Lamo foi julgado culpado pela invasão de sites e redes e selou um acordo com o FBI para transferir a pena para prisão domiciliar.</p>
<p>Curiosamente, em fevereiro de 2009, por erro de um voluntário, uma parte da lista de doadores do WikiLeaks tornou-se pública. O email de Lamo constava entre eles e destinava US$ 30 ao site. Numa entrevista <strong>[6]</strong>, Lamo disse que a doação havia sido feita em nome pessoal e não por parte de sua empresa de segurança, a Reality Planning LLC – aberta em 2007 –, e ironicamente “agradeceu” a falta de atenção da equipe, mas pontuou que isso não o impediria de continuar contribuindo. Ainda vale notar que a sua página pessoal está hospedada no servidor ativista <a href="http://users.resist.ca/~adrian/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Resist.ca</a> e, na entrevista com Greenwald, diz considerar-se de esquerda.</p>
<p>Kevin Poulsen, jornalista e parceiro em questão, foi condenado por fraude eletrônica e lavagem de dinheiro, em 1994, após ser delatado por outro hacker-informante ao FBI. Ainda na época do julgamento de Lamo, o <em>modus operandi</em> da dupla levou a <em>MSNBC</em> a ser intimada a entregar emails e demais dados que pudessem revelar a ligação entre os dois. Atualmente, Poulsen é editor sênior da revista <em>Wired</em> e autor das matérias sobre o caso de Bradley Manning.</p>
<p><strong>IV. As conversas entre Manning e Lamo</strong></p>
<p>As conversas online foram registradas pelo próprio Adrian Lamo e, além do FBI, também foram enviadas para o seu parceiro na revista <em>Wired</em>, o qual selecionou e publicou trechos – cerca de 25% da transcrição total. Quando questionado sobre o grande corte, Poulsen afirmou que dados sensíveis sobre a vida do soldado precisariam ser mantidos em privado e que, da mesma forma, havia informações que poderiam colocar a vida de inocentes em risco, isto é, de segurança nacional. Argumento duvidável, pois certamente a exposição do vídeo <em>Assassinato Colateral</em> não colocou em risco a vida de pessoas, pelo contrário.</p>
<p>O caráter confessional das conversas foi obtido através de um pressuposto falso, no qual Lamo deu a entender de que oferecia confidência pela lei de proteção da Califórnia <strong>[7]</strong> e também por ter sido uma autoridade religiosa – tática utilizada outrora para negar ceder seu DNA através de uma amostra de seu sangue ao banco de dados do governo dos Estados Unidos – e, por essa razão, obrigado a manter sigilo. Utilizou-se desses artifícios para que Manning pudesse acreditar que poderia confiar nele, pois estaria amparado juridicamente sob dois aspectos, como fonte jornalística e uma confissão religiosa. E, não com outras palavras, Manning disse-lhe: “eu não posso acreditar no que estou confessando para você :'( ”.</p>
<p>Durante dias consecutivos, Lamo e Manning conversaram sobre falhas de segurança, expectativas sobre a revelação das informações, o cotidiano do soldado, crise de identidade, dentre outros assuntos. Sobre o início do seu relacionamento com o WikiLeaks, o ex-analista da inteligência aproximou-se ao observar o vazamento das mensagens do 11 de setembro de 2001 <strong>[8]</strong>, as quais pertenceriam a um banco de dados da Agência de Segurança Nacional (National Security Agency &#8211; NSA) e, dessa forma, sentiu-se confortável em ser um colaborador.</p>
<p>Sem êxito de comunicar-se através de emails criptografados com Lamo, em 20 de maio de 2010 ocorre a primeira troca de mensagens pelo <acronym title="AOL (America Online) Instant Messenger">AIM</acronym> (mensageiro instantâneo da <acronym title="America Online">AOL</acronym>).</p>
<p><em>(1:58:31 PM) Manning: se você tivesse acesso sem precedente às redes restritas 14 horas por dia, 7 dias por semana por mais de 8 meses, o que você faria?</em></p>
<p>Ao longo das conversas, o soldado relatou o momento em que decidiu tornar-se um denunciante. Ele contou que certa vez recebeu a tarefa de investigar a origem de panfletos de insurgentes apreendidos com um grupo de 15 detidos pela polícia federal iraquiana. Ao traduzir e interpretar o conteúdo do panfleto, ele descobriu que nada mais eram que um manifesto contra a corrupção do governo local – uma “crítica política benigna” – e, ao levar a questão ao seu superior, foi dito para calar-se e que sua função era dar assistência à polícia federal na detenção de mais iraquianos.</p>
<p>Depois dessa ocorrência, Manning passou a ver a situação de forma diferente e começou a questionar como as coisas funcionavam e a investigar buscando a verdade, mas independente disso, no final das contas, era obrigado a acatar tais decisões superiores. “Eu era ativamente envolvido em alguma coisa em que eu era completamente contra…”, desabafa. Isso o motivou a coletar documentos classificados que revelassem os bastidores da guerra que, em suas próprias palavras, não se tratava de uma luta entre mocinho e bandido.</p>
<p>Desde então, Lamo passa acusar Manning de espionagem. Para o soldado, a possibilidade de ser um espião era incompatível com suas atitudes, mas sim de ser um Whistleblower <strong>[9]</strong>:</p>
<p><em>Manning: Quero dizer, se eu fosse alguém mais malicioso, eu poderia ter vendido para a Rússia ou a China, e fazer dinheiro?<br />
Lamo: Por que não?<br />
Manning: porque é dado público, isso pertence ao domínio público. A informação deve ser livre porque outro Estado apenas tiraria proveito da informação… e tentaria obter alguma vantagem. […] Deveria ser um bem público.</em></p>
<p>Ainda sobre isso, em outro momento, Lamo continua a duvidar das suas reais intenções:</p>
<p><em>Manning: eu não estou certo se eu seria considerado um tipo de “hacker”, “cracker”, “hacktivista”, “vazador” ou o que… eu sou apenas eu… de verdade […]<br />
Lamo: ou um espião :)<br />
Manning: eu não poderia ser um espião… Espiões não postariam coisas para o mundo ver<br />
Lamo: Por que? Wikileaks seria o disfarce perfeito. Eles postam o que não é útil e guardam o resto.</em></p>
<p>Em outro momento da conversa, Lamo questiona-o sobre seu plano:</p>
<p><em>Manning: bem, foi tudo encaminhado para o WL </em>[WikiLeaks]<em> e Deus sabe o que acontece agora. Espero discussão em todo o mundo, debates e reformas. Senão… assim nós estamos condenados enquanto espécie. Eu irei oficialmente desistir da sociedade que temos se nada acontecer. A reação ao vídeo </em>[Assassinato Colateral]<em> me deu uma imensa esperança… o iReport da CNN foi esmagado… o Twitter explodiu… as pessoas que viram, sabiam que alguma coisa estava errada.</em></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify">Diferente da perspectiva de Manning, para o hacker e outros críticos, o WikiLeaks passou a ser instrumentalizado por Julian Assange, com o objetivo de autopromoção e de ter uma vida luxuosa através dos fundos da organização. E, também, acusam-no de privar o público de informações de maior relevância para comercializá-las com serviços de inteligência estrangeiros. Em sua apresentação no The Next Hope, Jacob Appelbaum argumentou que os editores do site não recebem salários e pelo fato do financiamento de suas atividades dependerem em grande medida de terceiros, como a Fundação Wau Holland, eles prestam conta da utilização do dinheiro. E há uma grande lista de espera para a publicação das informações, pois precisam passar pelo processo de análise e remoção de rastros digitais.</p>
<p>Além dos questionamentos sobre suas intenções, Lamo também perguntou se haveria outros soldados envolvidos, pois estaria pensando em organizar uma “grande reunião” de pelo menos 3000 hackers do mundo e, em tom de gracejo, perguntou-lhe se não haveria um coletivo local da organização hacker 2600, em Bagdá. Apesar de conhecer  outro soldado com conhecimento em segurança de computador, Manning disse que ninguém “brincava” com as redes restritas.</p>
<figure id="attachment_26973" aria-describedby="caption-attachment-26973" style="width: 300px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/armygaga.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26973 " style="border: 1px solid black; margin: 5px;" title="armygaga" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/armygaga-300x172.png" alt="armygaga" width="300" height="172" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/armygaga-300x172.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/armygaga.png 549w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-26973" class="wp-caption-text">Soldados dançam Lady Gaga</figcaption></figure>
<p>Os trechos das conversas renderam atenção nacional e internacional. Aclamado por uns como denunciante-herói e, por outros, como espião-traidor, a coleta de dados recebeu destaque na matéria “Wiki Gaga” <strong>[10]</strong>, de <em>The Economist</em>. Carregando um CD-RW (regravável) escrito “Lady Gaga” – cantora pop de grande sucesso internacional –, o soldado ingressava ao posto de trabalho e, ao passar do dia, substituía os hits pelos bits, das canções pops aos documentos classificados. Sem nem mesmo esconder o CD, ninguém suspeitava da atividade, uma vez que se tratava de uma prática comum entre os soldados. Nada glamouroso [cheio de prestígio], porém simples e eficaz.</p>
<p>Quando perguntou ao “cara da NSA” se a rede local era monitorada para encontrar atividade suspeita, o mesmo deu de ombros e disse que essa não era a prioridade. “Então… foi uma pilhagem massiva de dados… facilitada por inúmeros fatores… tanto fisicamente, tecnicamente e culturalmente. O perfeito exemplo de como não fazer INFOSEC (Segurança da Informação)”, analisou Manning sobre o próprio ato.</p>
<p>No entanto, a matéria ainda argumenta que toda a estrutura de segurança e anonimato oferecida pela organização não foi capaz de contornar o ponto crucial: a falha do próprio indivíduo, no caso, sua confiança em alguém desconhecido. Assim, para <em>The Economist</em>, o site é tão robusto quanto os seres humanos que o utilizam.</p>
<p><strong>V. O plano de ataque e a sua execução</strong></p>
<p>Em março desse ano, o WikiLeaks revelou um documento do Centro de Contrainteligência do Exército, do Departamento de Defesa: “Wikileaks.org &#8211; Uma referência online para os Serviços Estrangeiros de Inteligência, Insurgentes ou Grupos Terroristas?” <strong>[11]</strong>. Classificado como secreto e datado de março de 2008, ele foi elaborado pelo analista sênior de Cyber Contrainteligência, Michael D. Horvath, onde o site é analisado como potencial ameaça à segurança dos Estados Unidos.</p>
<p>Para Horvath, o WikiLeaks representa uma ameaça potencial de força de proteção, contra-inteligência e segurança operacional (OPSEC, do inglês) e de segurança da informação (INFOSEC, do inglês) para o Exército dos Estados Unidos. A publicação de conteúdos sensíveis e classificados poderia expor a segurança nacional para serviços estrangeiros de segurança e inteligência, forças militares estrangeiras, insurgentes e grupos terroristas. E ainda que os documentos revelados sejam utilizados para propaganda, desinformação e fabricação de informação contra os Estados Unidos.</p>
<p>Como exemplo, o autor discute e julga alguns vazamentos veiculados pelo WikiLeaks. Um deles é sobre a tabela de equipamentos dos Estados Unidos e das forças de Coalização no Iraque e no Afeganistão, disponível a partir do vazamento de 2.000 páginas de documentos do Exército dos EUA datados de abril de 2007. A partir desses dados, os membros da equipe do site desenvolveram um banco de dados incorporando outras informações públicas de forma que qualquer um que observasse os dados poderia saber quantos itens, quais unidades possuem, o que eles fazem, o preço estimado e assim formular suas próprias conclusões sobre as estratégias militares e políticas e as suas implicações no que se refere aos direitos humanos. Em sua avaliação, um serviço de inteligência estrangeiro poderia fazer uso militar dessas informações e desenvolver uma estratégia de ataque.</p>
<p>Além deste, outros documentos citados foram as prováveis violações do tratado de utilização de armas químicas no Iraque, a batalha de Fajullah e as violações dos direitos humanos na base de Guantânamo.</p>
<p>O autor afirma que em alguns casos a análise forense poderia identificar a origem dos documentos vazados. Além dos rastros digitais, seria possível investir na busca de padrões dos tipos de informações reveladas, níveis de classificação da informação, perfis psicológicos e, no caso de haver uma suposta fonte, a forma primitiva de omissão de identidade poderia indicar o verdadeiro autor. No entanto, referente às habilidades técnicas, o autor reconhece que a composição do banco de dados, as ferramentas de construção do site e a transmissão segura de informação são frutos da alta capacidade técnica e que a expansão e desenvolvimento do site depende de recursos financeiros.</p>
<p>Como uma das conclusões, é assinalado que sites como o WikiLeaks têm a confiança como o seu “centro de gravidade” e através do anonimato protegem a identidade dos seus informantes. Dessa forma, a identificação, acusação, condenação e exposição de pessoas que vazam informação para o site poderiam minar e potencialmente destruir a sua confiança e impedir que novos colaboradores se aproximem.</p>
<figure id="attachment_26981" aria-describedby="caption-attachment-26981" style="width: 570px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/wikileaks2.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26981 " title="wikileaks2" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/wikileaks2.png" alt="Plano para destruir WikiLeaks" width="570" height="109" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/wikileaks2.png 1018w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/wikileaks2-300x57.png 300w" sizes="auto, (max-width: 570px) 100vw, 570px" /></a><figcaption id="caption-attachment-26981" class="wp-caption-text">Documento classificado de plano para destruir WikiLeaks vazado pelo próprio site</figcaption></figure>
<p>No momento do vazamento desse documento, a análise primária do WikiLeaks era de que esse plano de minar e destruir a sua confiança seria ou foi ineficiente, pois, até então, não havia ocorrido nenhuma exposição. Até que dois meses mais tarde Bradley Manning foi delatado e preso. Desse momento em diante, deu-se início a uma ampla campanha de desinformação e ataques contra WikiLeaks e Julian Assange.</p>
<p>Talvez um dos exemplos mais caricatos e evidentes dessa campanha foi o surgimento do “Wikileaks Insider” <strong>[12]</strong>. Um suposto membro da organização que revelaria os bastidores do projeto através do quadro de mensagens do Cryptome – um site mantido desde 1996 por John Young, que rivaliza e compete pela audiência da revelação de informações. Entre as muitas acusações está a de que Julian Assange deixaria Manning à sua própria sorte, “jogado aos leões”, e de que teria gasto uma parte expressiva do dinheiro em passagens, hotéis e viagens. Enquanto isso, a revista <em>Wired</em> anunciava que WikiLeaks estava abandonado, inativo <strong>[13]</strong>, mas por outro lado, discordava que a organização estaria gastando além da conta, mas, muito pelo contrário, teria gasto pouco (US$ 38.000 de US$ 500.000). O valor foi obtido oficialmente através da Fundação Wau Holland. Em resposta, o “WikiLeaks Insider” exigiu uma auditoria pela fundação e repetiu as velhas acusações.</p>
<p>Além da difamação, a inteligência dos Estados Unidos procurou Julian Assange para colaborar com o caso. No <em>The Next Hope</em>, no dia anterior à apresentação do WikiLeaks, foi relatado que agentes perguntaram sobre a sua presença e participação. Longe dali, na Europa, Assange comentava o projeto com Chris Anderson, editor-chefe da <em>Wired</em>, no evento TEDGlobal, em Oxford, na Inglaterra. Quando questionado sobre a recepção dos milhares de documentos classificados, o australiano respondeu que teriam publicado se tivessem recebido – sem dúvida –, pois “a informação, que as organizações gastam dinheiro para esconder, é geralmente importante para revelar” <strong>[14]</strong>.</p>
<p>Ainda nesse evento, Julian afirmou que não há acusações válidas para prender Bradley Manning, pois se ele for o autor do vazamento do vídeo <em>Assassinato Colateral</em>, trata-se então de uma denúncia de um massacre de civis. Por essa razão, diz o australiano, sua prisão no Kuwait, longe da mídia e de representação legal, é política.</p>
<p>Já nos Estados Unidos, em resposta ao delator, foram feitas camisetas com o slogan: ”<em>Stop Snitching</em>” (Pare de dedurar [denunciar]) <strong>[15]</strong> e recomendado o uso durante dois grandes eventos de segurança hacker nos Estados Unidos: Defcon e BlackHat. Os eventos contam com a possível presença de Adrian Lamo e, se depender da mesma receptividade da comunidade hacker da <strong>HOPE</strong>, não será bem vindo.</p>
<p>Desde junho, há um coletivo de apoio a <a href="http://www.bradleymanning.org/ " target="_blank" rel="noopener noreferrer">Bradley Manning</a>. Para sua defesa, o WikiLeaks pretende recolher em doações um fundo de US$ 50.000.</p>
<p><strong>VI. As perspectivas de uma história ainda sem desfecho</strong></p>
<p>Ainda é desconhecida exatamente como e a razão do início do contato entre Manning e Lamo, pois a única versão disponível é a que o próprio delator fabricou. Mas, em três anos de atividade, esta foi a primeira vez que uma fonte do WikiLeaks foi exposta. E, para inverter o resultado do plano, é preciso assegurar que a estrutura técnica não foi comprometida, isto é, que a identidade da fonte não foi revelada por uma falha técnica, mas sim exclusivamente por erro humano, pela confiança num desconhecido, de um, e a delação, de outro.</p>
<p>Longe dos boatos de abandono serem verdadeiros, de volta online, WikiLeaks publicou nesse domingo, 25, o <a href="http://wardiary.wikileaks.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Diário de Guerra do Afeganistão</a> (Afghan War Diary, em inglês), um documento que compila 91.000 relatórios de cobertura desta guerra (2004-20010). Segundo o sumário elaborado pela organização, “os relatórios, embora escritos por soldados e oficiais da inteligência, principalmente descrevendo as ações militares letais envolvendo militarmente os Estados Unidos, também incluem informações de inteligência, relatórios de encontros com personalidades políticas e os detalhes relacionados” e, como precaução requerida pela fonte, 15.000 relatórios (do total) tiveram a publicação adiada. Em resposta <strong>[16]</strong>, a Casa Branca condenou o vazamento e disse que ele pode colocar em risco a segurança nacional. Nos próximos dias, os registros da Guerra devem pautar a mídia internacional.</p>
<p>Quanto a prisão de Bradley Manning, ainda é necessário contextualizar que esse é mais um processo contra um informante nos Estados Unidos. Pois, desde um discurso em novembro de 2009 em que o advogado geral das agências de inteligência, Robert S. Litt prometeu ações contra o vazamento de informações nos próximos meses, a administração Obama passou a processar supostos informantes com respaldo jurídico no Ato de Espionagem – lei de 1917 para perseguir espiões –, numa política sistemática contra a “cultura do vazamento”.</p>
<p>“Obama mudou algumas políticas em torno da transparência para melhor, mas os órgãos governamentais responsáveis parecem ser resistentes à mudança. Obama está mandando mensagens contraditórias, empurrando para mais transparência enquanto é a administração mais agressiva em 20 anos na repressão e perseguição dos denunciantes. Ele tem feito em 18 meses o que Bush fez em 8 anos” <strong>[17]</strong>, afirmou Julian Assange durante debate em Oxford, Inglaterra.</p>
<p>Segundo uma matéria para o jornal New York Times <strong>[18]</strong>, a administração Obama segue uma linha dura contra os vazamentos para a imprensa. Nesta matéria, o conservador Gabriel Schoenfeld, membro sênior do Instituto Hudson e autor do livro “Segredos necessários: segurança nacional, a mídia, e a regra da lei”, comenta que o “sistema é infestado de vazamentos” e sugere que “quando você pegar alguém, você deve fazer dele um exemplo”.</p>
<p>Diante do processo por má conduta, o acusado de vazar <em>“Assassinato Colateral”</em> pode pegar até 52 anos. Por outro lado, os militares responsáveis pelo massacre de civis observados no citado vídeo prosseguem sem acusações.</p>
<p>Ainda segundo WikiLeaks, na Guerra do Iraque, entre 2003-2009, 139 jornalistas foram mortos durante o trabalho. Pelo menos dois deles com a conivência dos Estados Unidos. Um assassinato colateral.</p>
<p><strong>Notas</strong></p>
<p><strong>[1]</strong> <em>Open Government</em> é um conceito derivado de <em>open source</em> (código aberto), isto é, do público ter acesso público e irrestrito às informações do governo. Podemos citar como referência de organizações o Open Society Institute, de George Soros, e a Transparency International.</p>
<p><strong>[2]</strong> A hipótese de assassinato foi mencionada por Daniel Allensberg, responsável pelo vazamento de documentos secretos do Pentágono sobre a Guerra do Vietnã, em 1971.</p>
<p><strong>[3]</strong> “<em>WikiLeaks founder Julian Assange breaks cover but will avoid America</em>” &#8211; <a class="urlextern" title="http://www.guardian.co.uk/media/2010/jun/21/wikileaks-founder-julian-assange-breaks-cover" href="http://www.guardian.co.uk/media/2010/jun/21/wikileaks-founder-julian-assange-breaks-cover" rel="nofollow">http://www.guardian.co.uk/media/2010/jun/21/wikileaks-founder-julian-assange-breaks-cover</a></p>
<p><strong>[4]</strong> <a class="urlextern" title="http://thenexthope.org/2010/04/julian-assange-to-give-keynote-address-at-the-next-hope/" href="http://thenexthope.org/2010/04/julian-assange-to-give-keynote-address-at-the-next-hope/" rel="nofollow">http://thenexthope.org/2010/04/julian-assange-to-give-keynote-address-at-the-next-hope/</a></p>
<p><strong>[5]</strong> “<em>The strange and consequential case of Bradley Manning, Adrian Lamo and WikiLeaks</em>” <a class="urlextern" title="http://www.salon.com/news/opinion/glenn_greenwald/2010/06/18/wikileaks/index.html" href="http://www.salon.com/news/opinion/glenn_greenwald/2010/06/18/wikileaks/index.html" rel="nofollow">http://www.salon.com/news/opinion/glenn_greenwald/2010/06/18/wikileaks/index.html</a></p>
<p><strong>[6]</strong> Sobre o vazamento da lista de doadores do WikiLeaks: <a class="urlextern" title="http://www.securitysoftwarezone.com/wikileaks-security-gaffe-commented-by-adrian-lamo-review2046-1.html" href="http://www.securitysoftwarezone.com/wikileaks-security-gaffe-commented-by-adrian-lamo-review2046-1.html" rel="nofollow">http://www.securitysoftwarezone.com/wikileaks-security-gaffe-commented-by-adrian-lamo-review2046-1.html</a></p>
<p><strong>[7]</strong> Trata-se de uma <em>Shield Law</em> [lei escudo], a qual protege as fontes dos jornalistas de serem reveladas.</p>
<p><strong>[8]</strong> O WikiLeaks tornou público meio milhão de mensagens de texto (SMS) interceptadas durante os ataques de 11 de setembro em 2001, em Nova Iorque e Washington. É possível acessá-las no site: <a class="urlextern" title="http://911.wikileaks.org/" href="http://911.wikileaks.org/" rel="nofollow">http://911.wikileaks.org/</a></p>
<p><strong>[9]</strong> <em>Whistle-blowers</em>: <em>whistle</em> (apito) <em>blowers</em> (assopradores); assopradores de apito, o termo deriva da prática da polícia inglesa, de quando um oficial avista um crime, ele apita para alertar outros policiais e cidadãos sobre o perigo.</p>
<p><strong>[10]</strong> Wiki Gaga, <em>The Economist</em>, 10 de junho de 2010 &#8211; <a class="urlextern" title="http://www.economist.com/node/16335810?story_id=16335810" href="http://www.economist.com/node/16335810?story_id=16335810" rel="nofollow">http://www.economist.com/node/16335810?story_id=16335810</a></p>
<p><strong>[11]</strong> “Wikileaks.org &#8211; An Online Reference to Foreign Intelligence Services, Insurgents, or Terrorist Groups?” <a class="urlextern" title="http://wikileaks.org/wiki/U.S._Intelligence_planned_to_destroy_WikiLeaks,_18_Mar_2008" href="http://wikileaks.org/wiki/U.S._Intelligence_planned_to_destroy_WikiLeaks,_18_Mar_2008" rel="nofollow">http://wikileaks.org/wiki/U.S._Intelligence_planned_to_destroy_WikiLeaks,_18_Mar_2008</a></p>
<p><strong>[12]</strong> Todas as mensagens de “WikiLeaks insider” &#8211; <a class="urlextern" title="http://cryptome.org/0001/wikileaks-mess.htm" href="http://cryptome.org/0001/wikileaks-mess.htm" rel="nofollow">http://cryptome.org/0001/wikileaks-mess.htm</a></p>
<p><strong>[13]</strong> Kim Zetter, 13/07/2010, “Wikileaks Cash Flows In, Drips Out” <a class="urlextern" title="http://www.wired.com/threatlevel/2010/07/wikileaks-funding/" href="http://www.wired.com/threatlevel/2010/07/wikileaks-funding/" rel="nofollow">http://www.wired.com/threatlevel/2010/07/wikileaks-funding/</a></p>
<p><strong>[14]</strong> “<em>Surprise speaker at TEDGlobal: Julian Assange in Session 12</em>”, 16/07/2010, <a class="urlextern" title="http://blog.ted.com/2010/07/surprise_speake.php" href="http://blog.ted.com/2010/07/surprise_speake.php" rel="nofollow">http://blog.ted.com/2010/07/surprise_speake.php</a></p>
<p><strong>[15]</strong> “<em>Stop Snitching nerds</em>” <a class="urlextern" title="http://www.stopsnitchingnerds.blogspot.com/" href="http://www.stopsnitchingnerds.blogspot.com/" rel="nofollow">http://www.stopsnitchingnerds.blogspot.com/</a></p>
<p><strong>[16]</strong> “<em>Julian Assange of Wikileaks Surfaces in Oxford</em>”, 16/07/2010 <a class="urlextern" title="http://blogs.forbes.com/firewall/2010/07/16/julien-assange-of-wikileaks-surfaces-in-oxford/" href="http://blogs.forbes.com/firewall/2010/07/16/julien-assange-of-wikileaks-surfaces-in-oxford/" rel="nofollow">http://blogs.forbes.com/firewall/2010/07/16/julien-assange-of-wikileaks-surfaces-in-oxford/</a></p>
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		<title>Assassinato Colateral</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Apr 2010 13:40:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[PassaPalavraTV]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Iraque]]></category>
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					<description><![CDATA[Por Passa Palavra No início de abril desse ano foi divulgado pela internet um impactante vídeo sobre a Guerra do Iraque. Em 2007, durante uma ação em Nova Bagdad, Iraque, dois helicópteros Apache do exército dos EUA confundiram jornalistas da Reuters e seus respectivos equipamentos (câmeras fotográficas) com “insurgentes” portando AK-47 e RPG (lança granadas). [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Passa Palavra</h3>
<p style="text-align: justify;">No início de abril desse ano foi divulgado pela internet um impactante vídeo sobre a Guerra do Iraque. Em 2007, durante uma ação em Nova Bagdad, Iraque, dois helicópteros Apache do exército dos EUA confundiram jornalistas da Reuters e seus respectivos equipamentos (câmeras fotográficas) com “insurgentes” portando AK-47 e RPG (lança granadas). Em poucos minutos o agrupamento de pessoas foi brutalmente assassinado pelo ataque dos helicópteros. Uma dezena de pessoas foi assassinada sem mostrar qualquer tipo de ameaça. Duas crianças foram gravemente feridas no ataque. O caso ganhou grande repercussão e sua autenticidade foi confirmada por um militar norte-americano anônimo.</p>
<p style="text-align: justify;">O responsável pelo vazamento [revelação] do vídeo foi o site Wikileaks. A proposta do site é tornar os governos transparentes através do vazamento público de arquivos sigilosos e confidenciais. O nome é uma composição de Wiki &#8211; uma referência à enciclopédia aberta Wikipédia &#8211; e <em>leaks</em>, do inglês, <em>vazar</em> [revelar]. Qualquer pessoa pode enviar um arquivo para o Wikileaks. Através de um forte sistema de anonimato e criptografia, a fonte é preservada. Entre os vazamentos notáveis podem-se citar os documentos referentes a base de Guantânamo, dados sobre a guerra do Iraque e do Afeganistão, a lista de filiados do partido nacionalista britânico e até mesmo um documento de 2008, do Pentágono, descrevendo métodos e estratégias para marginalizar o site e perseguir juridicamente todas as possíveis fontes dos vazamentos, pois, na época, o Wikileaks estava tornando públicas as violações de direitos humanos durante a invasão de Faluja, Iraque.</p>
<p style="text-align: justify;">O nome do vídeo <em><strong>Collateral Murder</strong></em> (em português, “Assassinato Colateral”) é uma derivação do termo militar <em>Collateral Damage</em> (“Dano Colateral”) que é empregado quando há danos não intencionais ou acidentais. Segundo uma revisão interna do exército, o ataque dos helicópteros combateu insurgentes e como <em>dano colateral</em> dois jornalistas da Reuters foram mortos. Abaixo é possível assistir ao vídeo. Traduzido por um colaborador na internet, a revisão e sincronização foi feita por nós.</p>
<p align="center"><iframe loading="lazy" src="https://player.vimeo.com/video/10997041" width="640" height="512" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>16 ABRIL 2010 (PT) Declaração unitária &#8220;Sete anos sobre a invasão e a ocupação do Iraque&#8221;</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Apr 2010 12:17:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Movimentos em Luta]]></category>
		<category><![CDATA[Govs_nacionais_e_internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Iraque]]></category>
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					<description><![CDATA[DECLARAÇÃO quando se completam sete anos sobre a invasão e a ocupação do Iraque Passaram em 20 de Março sete anos sobre o início da invasão e da ocupação do Iraque por parte dos EUA, da Grã-Bretanha e de um grupo reduzido de aliados. Não será demais repetir que se tratou de um acto ilegal, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span id="more-22011"></span></p>
<p style="text-align: center;">
<h4 style="text-align: center;">DECLARAÇÃO<br />
quando se completam sete anos sobre a invasão e a ocupação do Iraque</h4>
<p style="text-align: justify;"><strong>Passaram em 20 de Março sete anos sobre o início da invasão e da ocupação do Iraque</strong> por parte dos EUA, da Grã-Bretanha e de um grupo reduzido de aliados.</p>
<p style="text-align: justify;">Não será demais repetir que se tratou de um acto ilegal, não autorizado pela ONU, e que eram falsas todas as motivações enunciadas para o justificar.</p>
<p style="text-align: justify;">Tratou-se de uma agressão pura e simples contra um estado soberano, cujas instituições eram reconhecidas internacionalmente, com assento na ONU.</p>
<p style="text-align: justify;">A invasão e a ocupação subsequente provocaram um número enorme de mortos (militares e civis), não inferior a 1 milhão e 200 mil, e um número indeterminável de estropiados, de torturados, de violentados por todas as formas; provocaram a destruição quase total das infraestruturas económicas e materiais, das escolas, das universidades, do riquíssimo património cultural da terra onde a civilização humana deu os primeiros passos; provocaram ainda uma enorme convulsão social, familiar, arruinando as estruturas de convivência e relacionamento entre as diversas componentes étnicas, culturais, religiosas da multicultural sociedade iraquiana.</p>
<p style="text-align: justify;">O país constitui hoje um protectorado dos EUA, que já anunciaram a sua retirada, mas condicionada à sobrevivência de um regime “amigo” e à permanência de bases militares estrangeiras.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Esta guerra inseriu-se numa série ininterrupta de guerras</strong> que, desde o fim da Guerra Fria, os EUA vêm promovendo, assumindo-se desde então como garantes da “segurança global”, ou seja, garantes do seu projecto imperial, convertendo a NATO, de aliança alegadamente defensiva, em braço armado desse projecto, à escala planetária.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Portugal não participou militarmente na invasão do Iraque, mas apoiou-a</strong> política e diplomaticamente, pela mão do governo Barroso, que depois enviou uma força da GNR e um representante junto da administração provisória da ocupação.</p>
<p style="text-align: justify;">Posteriormente, no âmbito da NATO, Portugal tem vindo a envolver-se progressivamente em teatros de guerra alheios aos interesses portugueses, especialmente no Afeganistão, colaborando e participando em estratégias que contrariam os princípios constitucionais em que assentam (em que devem assentar!) as relações internacionais do Estado Português: procura de solução pacífica para os conflitos, não ingerência nos assuntos internos de outros Estados, abolição do imperialismo e do colonialismo, dissolução dos blocos político-militares, reconhecimento do direito dos povos à autodeterminação e à independência, direito à insurreição contra todas as formas de opressão (art. 7.º da Constituição Portuguesa).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>É no quadro destes princípios, que são imperativos, e não meras declarações retóricas, que as organizações signatárias, no espírito que tem presidido à actuação do Tribunal- -Iraque português, entendem exigir ao Governo português:</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>1.</strong> A desvinculação frontal e expressa da política de colaboração com os ocupantes seguida quanto ao Iraque, e o seu empenhamento na promoção de uma política que devolva ao povo iraquiano a sua integral soberania;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>2.</strong> A desvinculação da política de participação na ocupação do Afeganistão, com a retirada imediata de todas as forças militares para aí deslocadas;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>3.</strong><strong> </strong>A defesa empenhada, no âmbito de todos os fóruns internacionais, de políticas de apaziguamento dos conflitos, e de condenação do uso da força militar, nomeadamente no caso do Irão;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><strong>4.</strong> </strong>A condenação clara e firme da ocupação por Israel dos territórios “conquistados” em 1967, e do “sequestro” desumano e ilegal a que vem submetendo a população da Faixa de Gaza;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><strong>5.</strong></strong> O reconhecimento do direito do povo palestiniano à insurreição contra a ocupação israelita, e a contribuição para a prestação de auxílio às populações palestinianas indefesas;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>6.</strong><strong> </strong>O reconhecimento de igual direito aos povos iraquiano e afegão contra a ocupação dos seus países conduzida pelos EUA;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><strong>7.</strong> </strong>O termo da utilização da base das Lajes para trânsito de pessoal e equipamento militar destinados aos teatros de guerra abertos pelos EUA no Próximo e Médio Oriente. A recusa de autorizar o alargamento do âmbito territorial e os fins de utilização da base, como pretendem as autoridades norte-americanas;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><strong>8.</strong> </strong>A colaboração plena na investigação dos chamados “voos da CIA” que cruzaram o espaço aéreo português ou que fizeram escala em Portugal, com vista à responsabilização, inclusivamente a nível criminal, de todos os que colaboraram ou participaram nessa prática ilegal;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><strong>9.</strong> </strong>A recusa de um conceito estratégico da NATO que de qualquer forma legitime esta organização a intervir militarmente contra as determinações estabelecidas pela Carta das Nações Unidas;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><strong>10.</strong></strong> O cumprimento do preceito constitucional que preconiza a abolição dos blocos político-militares.</p>
<p>Março de 2010</p>
<p>Tribunal-Iraque (Audiência Portuguesa do Tribunal Mundial sobre o Iraque)<br />
Associação Abril<br />
CGTP (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses)<br />
Comité de Solidariedade com a Palestina<br />
Comité de Solidariedade Mumia Abu-Jamal<br />
CPPC (Conselho Português para a Paz e a Cooperação)<br />
Fórum Pela Paz e Pelos Direitos Humanos<br />
MDM (Movimento Democrático de Mulheres)<br />
Mudar de Vida<br />
Política Operária<br />
Solidariedade Imigrante</p>
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		<title>O anzol (19)</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Feb 2010 08:44:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cartoons]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Haiti]]></category>
		<category><![CDATA[Iraque]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
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					<description><![CDATA[]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-114068" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/02/o_anzol-0191.jpg" alt="" width="1206" height="974" /></p>
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		<title>Convencido</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Feb 2010 15:16:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Flagrantes Delitos]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Iraque]]></category>
		<category><![CDATA[Reino Unido]]></category>
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					<description><![CDATA[O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair sempre se opôs à realização de um rigoroso inquérito sobre as circunstâncias em que foi desencadeada a guerra contra o Iraque, em 2003. Finalmente o seu sucessor, Gordon Brown, aceitou nomear uma “comissão independente”. Tony Blair foi chamado a depôr perante essa comissão na sexta-feira 29 de Janeiro. Nesse dia, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair sempre se opôs à realização  de um rigoroso inquérito sobre as circunstâncias em que foi desencadeada  a guerra contra o Iraque, em 2003. Finalmente o seu sucessor, Gordon  Brown, aceitou nomear uma “comissão independente”. Tony Blair foi  chamado a depôr perante essa comissão na sexta-feira 29 de Janeiro.  Nesse dia, mais uma manifestação de protesto à porta do edifício e  vários protestos na própria sala de audiência. Um dos manifestantes  disse à tv: «É extraordinário! Apesar de, no dia em que tomou a decisão,  ter tido à porta de casa um milhão e meio de cidadãos a dizerem não à  guerra, ele argumenta agora que estava plenamente convencido da justeza  da sua decisão. Pois é: todos os grandes criminosos históricos disseram o  mesmo.» <strong><em>Passa Palavra</em></strong></p>
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