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	<title>Israel &#8211; Passa Palavra</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>Irã e Gaza são apenas o começo</title>
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					<comments>https://passapalavra.info/2026/04/158960/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Apr 2026 17:23:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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					<description><![CDATA[ A identidade judaica e o nacionalismo judaico são as versões sionistas da ideologia nazista de “sangue e solo”. Por Chris Hedges]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Chris Hedges</h3>
<p style="text-align: justify;">O genocídio em Gaza é o começo. Bem-vindo à nova ordem mundial. A era da barbárie tecnologicamente avançada. Não existem regras para os fortes, apenas para os fracos. Oponha-se ao forte, recuse-se a curvar-se às suas exigências caprichosas e você receberá uma chuva de mísseis e bombas. Assistimos a essa loucura diariamente com a guerra contra o Irã, o bombardeio de saturação do sul do Líbano e o sofrimento em Gaza.</p>
<p style="text-align: justify;">Órgãos internacionais como as Nações Unidas foram castrados, transformados em apêndices inúteis de outra época. A santidade dos direitos individuais, as fronteiras abertas e o direito internacional desapareceram. Os governantes mais psicopatas da história humana, aqueles que reduziram cidades a cinzas, que levaram populações aprisionadas a locais de execução e a terras desvastadas que ocuparam com valas e cadáveres em massa, voltaram com uma vingança, abrindo um vasto abismo moral.</p>
<p style="text-align: justify;">A lei, apesar de alguns esforços valentes de um punhado de juízes &#8212; que em breve serão expurgados &#8212;, internamente e em organismos internacionais como o Tribunal Internacional de Justiça, é desprezada e violada. Selvageria no exterior. Selvagem em casa.</p>
<p style="text-align: justify;">Lucy Williamson, da BBC, relata que Israel está destruindo o sul do Líbano “usando Gaza como modelo &#8212; um plano para destruição usado novamente como um caminho para a paz”.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais de 1 milhão de pessoas já foram deslocadas no Líbano &#8212; um quinto de toda a população de um país que já abriga o maior número mundial de refugiados per capita &#8212; em apenas algumas semanas. Some-se a isso 2 milhões de deslocados em Gaza e 3 milhões de deslocados no Irã. 6 milhões de pessoas ficaram desabrigadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Por quatro décadas, o Primeiro-Ministro israelense, Benjamin Netanyahu, tem pressionado para que os EUA entrem em guerra com o Irã. As administrações anteriores, Republicanas e Democratas, recusaram, em grande parte por causa da oposição feroz dentro do Pentágono, que não via o Irã como uma ameaça existencial e não projetava um resultado positivo para os EUA ou seus aliados regionais.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas Donald Trump, encorajado por sua equipe de negociação inepta de seu genro Jared Kushner e seu colega empresário imobiliário e parceiro de golfe Steve Witkoff, ambos fervorosos sionistas, mordeu a isca de Israel. O conselheiro de segurança nacional da Grã-Bretanha, Jonathan Powell, que participou das negociações finais entre os EUA e o Irã, considerou Kushner e Witkoff como “ativos israelenses”.</p>
<p style="text-align: justify;">Joseph Kent, que renunciou ao cargo de diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo para protestar contra a guerra, escreveu em sua carta de renúncia que “o Irã não representava ameaça iminente para nossa nação, e é claro que começamos essa guerra devido à pressão de Israel e seu poderoso lobby americano”.</p>
<p style="text-align: justify;">A lógica pública para a guerra contra o Irã desde que começou em 28 de fevereiro tem sido proteana. É para encerrar o programa nuclear do Irã? É para frustrar o programa de mísseis balísticos do Irã? É porque os EUA realizaram ataques preventivos contra o Irã, como disse Marco Rubio, para garantir a segurança dos ativos dos EUA uma vez que Israel decidiu atacar? É porque o governo iraniano realizou uma repressão letal, matando centenas de manifestantes antigoverno durante protestos de rua massivos? É mudança de regime? É uma tentativa de encerrar o chamado terrorismo patrocinado pelo Estado do Irã? Ou esses subterfúgios servem a outro propósito?</p>
<p style="text-align: justify;">Certamente, Israel e os EUA buscam mudança de regime. Mas aqui parece que os EUA e Israel divergem. Israel também aparentemente procura, como no Iraque, Síria, Líbia e Líbano, a desintegração física do Irã, a quebra do país em enclaves étnicos e religiosos em guerra, a transformação do Irã em um Estado falido.</p>
<p style="text-align: justify;">Os persas no Irã constituem cerca de 61% da população com vários grupos minoritários, que muitas vezes sofrem repressão estatal, representando os 39% restantes. Esses grupos étnicos incluem azerbaijanos, curdos, amantes, balochs, árabes e turcomanos, juntamente com minorias religiosas como sunitas, cristãos, bahá&#8217;ís, zoroastristas e judeus. A quebra do Irã em enclaves étnicos e religiosos antagônicos deixaria Israel como a potência dominante na região, dando-lhe a capacidade de, se não ocupar seus vizinhos diretamente, controlá-los e subjugá-los através de proxies, parte de um desejo de longa data de uma Grande Israel. Também tornaria possível que os Estados estrangeiros controlassem as reservas de gás iranianas, a segunda maior do mundo, e suas reservas de petróleo, 12% do total global.</p>
<p style="text-align: justify;">A cruzada de Israel contra os palestinos, os libaneses e agora os iranianos é justificada pelo extermínio de 6 milhões de judeus durante o Holocausto. Mas não passa despercebido no Sul Global, especialmente entre palestinos, que quase todos os estudiosos do Holocausto se recusaram a condenar o genocídio em Gaza. Nenhuma das instituições dedicadas a pesquisar e rememorar o Holocausto traçou os óbvios paralelos históricos ou criticou o massacre em massa.</p>
<p style="text-align: justify;">Estudiosos do Holocausto, com um punhado de exceções, expuseram seu verdadeiro propósito, que não é examinar o lado sombrio da natureza humana e a propensão assustadora que todos nós temos a cometer o mal, mas santificar os judeus como vítimas eternas e absolver o estado etnonacionalista de Israel de seus crimes de colonialismo de assentamento, apartheid e genocídio.</p>
<p style="text-align: justify;">O sequestro do Holocausto, o fracasso em defender as vítimas palestinas porque elas são palestinas, implodiu a autoridade moral dos estudos do Holocausto e dos memoriais do Holocausto. Eles foram expostos como veículos não para evitar o genocídio, mas para perpetrá-lo, não para explorar o passado, mas para manipular o presente.</p>
<p style="text-align: justify;">Qualquer reconhecimento tépido de que o Holocausto pode não ser propriedade exclusiva de Israel e seus partidários sionistas é rapidamente encerrado. O Museu do Holocausto em Los Angeles excluiu, depois de uma reação, um post no Instagram que dizia: “NUNCA MAIS NÃO PODE APENAS SIGNIFICAR NUNCA MAIS PARA <abbr title="Operating System">OS</abbr> JUDEUS”. Nas mãos dos sionistas, “nunca mais” significa precisamente isso, nunca mais, <em>apenas</em> <em>para os judeus</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158963" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi.jpg" alt="" width="752" height="597" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi.jpg 752w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-300x238.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-529x420.jpg 529w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-640x508.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-681x541.jpg 681w" sizes="(max-width: 752px) 100vw, 752px" />Aimé Césaire, em <em>Discurso sobre o Colonialismo</em>, escreve que Hitler parecia excepcionalmente cruel apenas porque presidia “a humilhação do homem branco”, aplicando à Europa os “procedimentos colonialistas que até então haviam sido reservados exclusivamente para os árabes da Argélia, as &#8216;coolies&#8217; da Índia e os negros da África”.</p>
<p style="text-align: justify;">A quase aniquilação da população aborígene da Tasmânia, o massacre alemão do Herero e Namaqua, o genocídio armênio, a fome de Bengala de 1943 &#8212; então o Primeiro-Ministro britânico Winston Churchill se referiu aos hindus como “um povo animalesco com uma religião animalesca” &#8212; juntamente com o lançamento de bombas nucleares em alvos civis em Hiroshima e Nagasaki, ilustra algo fundamental sobre “a civilização ocidental”.</p>
<p style="text-align: justify;">O genocídio não é uma anomalia, é codificado no DNA da “civilização” ocidental.</p>
<p style="text-align: justify;">“Na América”, disse o poeta Langston Hughes, “não é preciso dizer aos negros o que é o fascismo em ação. Nós sabemos. Suas teorias da supremacia nórdica e da supressão econômica há muito tempo são realidades para nós”.</p>
<p style="text-align: justify;">Os nazistas, quando formularam as leis de Nuremberg, usaram como modelo as leis destinadas a oprimir os negros. A recusa dos Estados Unidos em conceder cidadania a nativos americanos e filipinos &#8212; embora vivessem nos EUA e nos territórios dos EUA &#8212; foi imitada pelos fascistas alemães que retiraram a cidadania dos judeus. As leis antimiscigenação americanas, que criminalizavam o casamento inter-racial, foram a influência para proibir casamentos entre judeus alemães e arianos. A jurisprudência americana classificou qualquer pessoa com um por cento da ascendência negra &#8212; a chamada “regra de uma gota” &#8212; como negra. Os nazistas, ironicamente mostrando mais flexibilidade, classificaram qualquer pessoa com três ou mais avós judeus como judeus.</p>
<p style="text-align: justify;">Os milhões de vítimas indígenas de projetos coloniais em países como México, China, Índia, Austrália, Congo e Vietnã, por essa razão, são surdas para as afirmações dos judeus de que sua vitimização é única. Eles também sofreram holocaustos, mas esses holocaustos permanecem minimizados ou não reconhecidos por seus perpetradores ocidentais.</p>
<p style="text-align: justify;">Israel encarna o Estado etnonacionalista que nossos fascistas cristãos e a extrema-direita sonham em criar para si mesmos, que rejeita o pluralismo político e cultural, bem como as normas legais, diplomáticas e éticas. Israel é admirado pela extrema-direita porque virou as costas para o direito humanitário e usa força letal indiscriminada para “limpar” sua sociedade daqueles condenados como contaminadores humanos.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi essa distorção do Holocausto como único que incomodou Primo Levi, preso em Auschwitz de 1944 a 1945 e que escreveu livros sobre a sobrevivência em Auschwitz. Levi foi um crítico feroz do Estado de apartheid de Israel e seu tratamento aos palestinos. Ele viu a Shoah [Holocausto] como “uma fonte inesgotável do mal” que “é perpetuada como ódio nos sobreviventes, e brota de mil maneiras, contra a própria vontade de todos, como uma sede de vingança, como colapso moral, como negação, como cansaço, como resignação”.</p>
<p style="text-align: justify;">Levi deplorou o maniqueísmo daqueles que “evitam nuances e complexidade”. Ele condenou aqueles que “reduzem o rio dos acontecimentos humanos a conflitos, e conflitos a duelos, nós e eles”. Ele alertou que a “rede de relações humanas dentro dos campos de concentração não era simples: não poderia ser reduzida a dois blocos, vítimas e perseguidores”. O inimigo, ele sabia, “estava do lado de fora, mas também dentro”.</p>
<p style="text-align: justify;">Mordechai Chaim Rumkowski, conhecido como “Rei Chaim”, governou o gueto de Łódź na Polônia em nome dos ocupantes nazistas. O gueto tornou-se um campo de trabalho escravo que enriqueceu Rumkowski e seus senhores nazistas. Rumkowski deportou opositores para campos de extermínio. Estuprou e molestou meninas e mulheres. Exigiu obediência inquestionável. Incorporou o mal de seus opressores. Para Levi, ele foi um exemplo do que muitos de nós, em circunstâncias semelhantes, somos capazes de se tornar.</p>
<p style="text-align: justify;">“Estamos todos refletidos em Rumkowski, sua ambiguidade é nossa, é a nossa segunda natureza, nós híbridos moldados a partir de argila e espírito”, escreveu Levi <em>em Os Afogados e os Sobreviventes.</em> “Sua febre é nossa, a febre de nossa civilização ocidental que &#8216;desce no inferno com trombetas e tambores&#8217;, e seus adornos miseráveis são a imagem distorcida de nossos símbolos de prestígio social”.</p>
<p style="text-align: justify;">“Como Rumkowski, nós também estamos tão deslumbrados com o poder e o prestígio a ponto de esquecer nossa fragilidade essencial”, continuou Levi. “De bom grado ou não chegamos a um acordo com o poder, esquecendo que estamos todos no gueto, que o gueto está murado, que fora do gueto reinam os senhores da morte, que espera próxima ao trem.”</p>
<p style="text-align: justify;">Levi entendeu que a linha entre a vítima e o vitimizador é fina. Todos nós podemos nos tornar carrascos dispostos. Não há nada intrinsecamente moral sobre ser judeu ou um sobrevivente do Holocausto. Levi, por essa razão, era <em>persona non grata</em> em Israel.</p>
<p style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158964" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina.jpg" alt="" width="1079" height="720" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina.jpg 1079w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-300x200.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-1024x683.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-768x512.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-629x420.jpg 629w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-640x427.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-681x454.jpg 681w" sizes="(max-width: 1079px) 100vw, 1079px" />Os sionistas encontram no Holocausto e no Estado judeu um senso de propósito e significado, bem como uma superioridade moral nauseante. Após a guerra de 1967, quando Israel tomou Gaza, a Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, as Colinas de Golã da Síria e a Península do Sinai do Egito, Israel, como observou o sociólogo americano Nathan Glazer de forma aprovadora, tornou-se “a religião dos judeus americanos”. O Holocausto tornou-se o seu “capital moral”.</p>
<p style="text-align: justify;">“O sofrimento judaico é retratado como inefável, incomunicável e, no entanto, algo sempre a ser proclamado”, escreve o historiador europeu Charles S. Maier, em <em>The Unmasterable Past: History, Holocaust, and German National Identity</em>:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">É intensamente privado, não para ser diluído, mas simultaneamente público para que a sociedade gentil confirme os crimes. Um sofrimento muito peculiar deve ser consagrado em locais públicos: museus do Holocausto, jardins de memória, locais de deportação, dedicados não como memoriais judeus, mas cívicos. Mas qual é o papel de um museu em um país, como os Estados Unidos, longe do local do Holocausto? É para reunir as pessoas que sofreram ou para instruir não-judeus? É suposto servir como um lembrete de que “pode acontecer aqui?” Ou é uma afirmação de que alguma consideração especial é merecida? Sob que circunstâncias uma tristeza privada pode servir simultaneamente como uma dor pública? E se o genocídio é certificado como uma tristeza pública, então não devemos aceitar as credenciais de outras tristezas particulares também? Um historiador americano de ascendência polonesa argumenta que, com a invasão alemã de 1939, os poloneses se tornaram os primeiros povos da Europa a experimentar o Holocausto e que os historiadores até agora “escolheram interpretar a tragédia em termos exclusivistas &#8212; ou seja, como o período mais trágico da história da Diáspora judaica”. Se os poloneses americanos reivindicam seu próprio “Holocausto esquecido”, que reconhecimento eles devem desfrutar? Os armênios e os cambojanos também têm o direito de financiar publicamente museus de holocausto? E precisamos de memoriais para adventistas do sétimo dia e homossexuais por sua perseguição nas mãos do Terceiro Reich?</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">O sofrimento único confere um direito único.</p>
<p style="text-align: justify;">Qualquer crime que Israel realize em nome de sua sobrevivência &#8212; seu “direito de existir” &#8212; é justificado em nome dessa singularidade. Não há limites. O mundo é preto e branco, uma batalha interminável contra o nazismo, que é proteano, dependendo de quem Israel visa. Desafiar essa sede de sangue é ser um antissemita, facilitando outro genocídio de judeus.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa fórmula simplista não serve apenas os interesses de Israel, mas também os interesses das potências coloniais que realizaram seus próprios genocídios, aqueles que eles também procuram obscurecer.</p>
<p style="text-align: justify;">A sacralização do Holocausto nazista oferece um <em>quid pro quo</em> bizarro. Armar e financiar o Estado de Israel, bloqueando resoluções e sanções da ONU que condenariam seus crimes e demonizar os palestinos e seus apoiadores se tornam prova de expiação e apoio aos judeus. Israel, em troca, absolve o Ocidente de sua indiferença à situação dos judeus durante o Holocausto, e a Alemanha por perpetrá-lo. A Alemanha usa essa aliança profana para separar o nazismo do resto da história alemã, incluindo o genocídio que os colonos alemães realizaram contra os Nama e Herero no sudoeste alemão da África, agora na Namíbia.</p>
<p style="text-align: justify;">“Tal magia”, escreve o israelense historiador e estudioso do genocídio, Raz Segal, “legitima o racismo contra os palestinos no exato momento em que Israel perpetra o genocídio contra eles. A ideia de singularidade do Holocausto reproduz-se assim em vez de desafiar o nacionalismo excludente e o colonialismo de assentamento que levaram ao Holocausto.</p>
<p style="text-align: justify;">O professor Segal, diretor do programa de Estudos do Holocausto e Genocídio da Universidade de Stockton, em Nova Jersey, escreveu um artigo sobre a guerra em Gaza em 13 de outubro de 2023, intitulado: “Um caso de genocídio”.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa denúncia de um estudioso israelense do Holocausto, cujos familiares morreram no Holocausto, foi uma postura muito solitária.</p>
<p style="text-align: justify;">O professor Segal viu na exigência imediata do governo israelense que os palestinos evacuassem o norte de Gaza e a demonização dos palestinos por autoridades israelenses &#8212; o Ministro da Defesa disse que Israel estava “combatendo animais humanos” &#8212; o cheiro de genocídio.</p>
<p style="text-align: justify;">“Toda a ideia sobre prevenção e &#8216;nunca mais&#8217; é que &#8212; como ensinamos nossos alunos &#8212; há alertas vermelhos, e que uma vez que os notamos, devemos trabalhar para interromper o processo que pode se transformar em genocídio”, disse-me o professor Segal, “mesmo que ainda não seja genocida”.</p>
<p style="text-align: justify;">O professor Segal pagou pela sua honestidade. O convite para liderar o Centro de Estudos do Holocausto e Genocídio da Universidade de Minnesota, que não emitiu nenhuma condenação do genocídio, foi revogado.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando o professor Segal e eu testemunhamos na capital do estado em Trenton, em oposição à adoção do projeto de lei da Aliança Internacional de Memória do Holocausto (IHRA), que equipara as críticas ao Estado de Israel a antissemitismo, fomos vaiados por sionistas e nossos microfones foram cortados pelo presidente da comissão. Lá estávamos nós, argumentando que esse projeto de lei iria reduzir a liberdade de expressão enquanto ao mesmo tempo nos negavam a liberdade de expressão.</p>
<p style="text-align: justify;">O genocídio é a próxima etapa no que o antropólogo, Arjun Appadurai, chama de “uma vasta correção malthusiana mundial” que é “voltada para preparar o mundo para os vencedores da globalização, sem o ruído inconveniente de seus perdedores”.</p>
<p style="text-align: justify;">O financiamento e o armamento de Israel pelos Estados Unidos e pelas nações europeias, enquanto realiza o genocídio, implodiu efetivamente a ordem jurídica internacional pós-Segunda Guerra Mundial. Ela não tem mais credibilidade. O Ocidente não pode mais ensinar ninguém sobre democracia, direitos humanos ou as supostas virtudes da civilização ocidental. O ardil, que de alguma forma nós, como nação, promovemos a democracia, a igualdade e os direitos humanos, está terminado.</p>
<p style="text-align: justify;">“Ao mesmo tempo em que Gaza induz vertigem, um sentimento de caos e vazio, torna-se para inúmeras pessoas impotentes a condição essencial da consciência política e ética no século XXI &#8211; assim como a Primeira Guerra Mundial foi por uma geração no Ocidente”, escreve Pankaj Mishra.</p>
<p style="text-align: justify;">Nenhum de nós que reportou de Israel e Palestina, onde trabalhei como repórter por sete anos, previu esse genocídio. E, no entanto, estávamos cientes do impulso genocida que estava no coração do projeto sionista &#8212; o desejo de grandes segmentos da sociedade israelense de erradicar e expulsar todos os palestinos. Esse impulso genocida estava lá desde o início do sionismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Victor Klemperer, professor de linguística e filho de um rabino de Berlim que viveu sob o domínio nazista, observou em seu diário: “Para mim, os sionistas, que querem voltar para o estado judeu de 70 d.C. (destruição de Jerusalém por Tito), são tão ofensivos quanto os nazistas. Com sua sede de sangue, suas antigas “raízes culturais”, sua visão de mundo ora hipócrita, ora obtusa, eles são páreo para os nacional-socialistas”.</p>
<p style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158964" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina.jpg" alt="" width="1079" height="720" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina.jpg 1079w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-300x200.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-1024x683.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-768x512.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-629x420.jpg 629w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-640x427.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-681x454.jpg 681w" sizes="(max-width: 1079px) 100vw, 1079px" />Cobri o rabino extremista Meir Kahane, que afirmava que a violência era uma virtude judaica, e a vingança, um mandamento divino. Quando eu estava baseado em Israel, ele foi impedido pelo governo israelense de se candidatar a cargos públicos.</p>
<p style="text-align: justify;">Kahane foi assassinado em 5 de novembro de 1990, na cidade de Nova York. Seu partido, o Kach, foi declarado ilegal em Israel quatro anos depois, após Baruch Goldstein, um médico nascido no Brooklyn e membro do Kach, entrar na Mesquita de Ibrahimi, em Hebron, e abrir fogo contra os fiéis, matando 29 palestinos. Goldstein, vestido com seu uniforme de capitão do exército, foi dominado pelos fiéis e espancado até a morte. Fui enviado pelos meus editores em Nova York para entrevistar os sobreviventes. Quando receberam o material, insistiram para que eu fizesse mais entrevistas com colonos judeus que justificassem as queixas de Goldstein contra os palestinos, parte do jogo de equilíbrio, mas na verdade parte do esforço para obscurecer a verdade.</p>
<p style="text-align: justify;">O Kach, após suas declarações de apoio ao massacre, foi declarado uma organização terrorista pelos Estados Unidos. Mas o kahanismo não morreu. Foi nutrido por extremistas judeus e colonizadores.</p>
<p style="text-align: justify;">A intolerância racial de Kahane e seus apelos à violência em massa contra os palestinos contaminaram segmentos cada vez maiores da sociedade israelense. Encontrou aceitação quase universal após os ataques de 7 de outubro.</p>
<p style="text-align: justify;">Testemunhei essa intolerância em comícios políticos realizados por Netanyahu, que recebeu financiamento generoso de americanos de direita associados ao AIPAC, quando concorreu contra Yitzhak Rabin, que negociava um acordo de paz com os palestinos. Os apoiadores de Netanyahu entoavam slogans inspirados por Kahane, como “Morte aos árabes” e “Morte a Rabin”. Queimaram uma efígie de Rabin vestida com um uniforme nazista. Netanyahu marchou em frente a um funeral simulado para Rabin.</p>
<p style="text-align: justify;">Rabin foi assassinado por um fanático judeu em 4 de novembro de 1995.</p>
<p style="text-align: justify;">Netanyahu, que se tornou Primeiro-Ministro pela primeira vez em 1996, passou sua carreira política cultivando esses extremistas judeus, incluindo Itamar Ben-Gvir, que tinha um retrato de Goldstein na parede de sua sala de estar, Bezalel Smotrich, Avigdor Lieberman, Gideon Sa&#8217;ar e Naftali Bennett.</p>
<p style="text-align: justify;">O pai de Netanyahu, Benzion, que trabalhou como assistente do fundador do sionismo revisionista, Vladimir Jabotinsky, e foi chamado por Benito Mussolini de “um bom fascista”, foi um líder do Partido Herut, que defendia que Israel se apropriasse de todas as terras da Palestina histórica. Muitos dos membros do Partido Herut realizaram ataques terroristas durante a guerra de 1948 que estabeleceu o Estado de Israel. Albert Einstein, Hannah Arendt, Sidney Hook e outros intelectuais judeus descreveram o Partido Herut, em uma declaração publicada no New York Times, como um partido “muito semelhante, em sua organização, métodos, filosofia política e apelo social, aos partidos nazistas e fascistas”.</p>
<p style="text-align: justify;">Sempre houve uma vertente virulenta de fascismo judaico dentro do projeto sionista, espelhando a vertente do fascismo na sociedade americana. Infelizmente, para nós e para os palestinos, essas vertentes fascistas estão em ascensão.</p>
<p style="text-align: justify;">A decisão de obliterar Gaza tem sido, há muito tempo, o sonho dos sionistas de extrema-direita, herdeiros do movimento de Kahane. A identidade judaica e o nacionalismo judaico são as versões sionistas da ideologia nazista de “sangue e solo”. A supremacia judaica é santificada por Deus, assim como o massacre dos palestinos, que Netanyahu comparou aos amalequitas bíblicos, massacrados pelos israelitas. Europeus e euro-americanos nas colônias americanas usaram a mesma passagem bíblica para justificar o genocídio contra os nativos americanos.</p>
<p style="text-align: justify;">Os inimigos — geralmente muçulmanos — destinados à extinção são subumanos que personificam o mal. A violência e a ameaça de violência são as únicas formas de comunicação compreendidas por aqueles que estão fora do círculo mágico do nacionalismo judaico.</p>
<p style="text-align: justify;">A redenção messiânica ocorrerá assim que os palestinos forem expulsos. Extremistas judeus exigem a demolição da Mesquita de Al-Aqsa, um dos três locais mais sagrados para os muçulmanos, supostamente construída sobre as ruínas do Segundo Templo Judaico, destruído em 70 d.C. pelo exército romano. Esses extremistas defendem sua substituição por um “Terceiro” Templo Judaico, uma medida que incendiaria o mundo muçulmano. A Cisjordânia, que os fanáticos chamam de “Judeia e Samaria”, está sendo anexada por Israel. Israel, governado por leis religiosas impostas pelos partidos ultraortodoxos Shas e Judaísmo Unido da Torá, em breve espelhará a teocracia despótica do Irã.</p>
<p style="text-align: justify;">James Baldwin previu, de forma profética, essa regressão à nossa barbárie inata. Ele alertou que havia uma “terrível probabilidade” de que “as populações ocidentais, lutando para manter o que roubaram de seus cativos e incapazes de se olhar no espelho, precipitarão um caos em todo o mundo que, se não acabar com a vida neste planeta, provocará uma guerra racial como o mundo jamais viu, e pela qual gerações ainda por nascer amaldiçoarão nossos nomes para sempre”.</p>
<p style="text-align: justify;">A selvageria no Irã, no Líbano e em Gaza é a mesma selvageria que enfrentamos em casa. Aqueles que perpetram o genocídio, o massacre e a guerra não provocada contra o Irã são as mesmas pessoas que desmantelam nossas instituições democráticas.</p>
<p style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158962" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/AbedAbdiSiegeofBeirut1982.jpg" alt="" width="793" height="1080" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/AbedAbdiSiegeofBeirut1982.jpg 793w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/AbedAbdiSiegeofBeirut1982-220x300.jpg 220w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/AbedAbdiSiegeofBeirut1982-752x1024.jpg 752w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/AbedAbdiSiegeofBeirut1982-768x1046.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/AbedAbdiSiegeofBeirut1982-308x420.jpg 308w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/AbedAbdiSiegeofBeirut1982-640x872.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/AbedAbdiSiegeofBeirut1982-681x927.jpg 681w" sizes="(max-width: 793px) 100vw, 793px" />Os iranianos, libaneses e palestinos sabem que não há como apaziguar esses monstros. As elites globais não acreditam em nada. Não <em>sentem</em> nada. Não se pode confiar nelas. Eles exibem as características essenciais de todos os psicopatas — charme superficial, grandiosidade e presunção, necessidade de estímulo constante, propensão à mentira, ao engano, à manipulação e incapacidade de sentir remorso ou culpa. Desprezam, considerando fraquezas, as virtudes da empatia, da honestidade, da compaixão e do altruísmo. Vivem segundo o lema “Eu. Eu. Eu.”</p>
<p style="text-align: justify;">“O fato de milhões de pessoas compartilharem os mesmos vícios não os torna virtudes, o fato de compartilharem tantos erros não os torna verdades, e o fato de milhões de pessoas compartilharem as mesmas formas de patologia mental não as torna sãs”, escreveu Erich Fromm em “The Sane Society”.</p>
<p style="text-align: justify;">Testemunhamos o mal por quase três anos em Gaza. Observamos agora no Irã. Observamos no Líbano. Vemos esse mal sendo justificado ou mascarado por líderes políticos e pela mídia.</p>
<p style="text-align: justify;">O The New York Times, num gesto digno de Orwell, enviou um memorando interno instruindo repórteres e editores a evitarem os termos “campos de refugiados”, “território ocupado”, “limpeza étnica” e, claro, “genocídio” ao escreverem sobre Gaza.</p>
<p style="text-align: justify;">Aqueles que nomeiam e denunciam esse mal, incluindo os estudantes heroicos que montaram acampamentos em campis universitários aqui e no exterior, são difamados, colocados em listas negras e expurgados. São presos e deportados. Um silêncio ensurdecedor se abate sobre nós, o silêncio de todos os Estados autoritários. Sabemos onde isso termina. Deixe de cumprir seu dever, deixe de apoiar a guerra contra o Irã, de se manifestar contra o crime de genocídio e veja sua licença de transmissão revogada, como propôs Brendan Carr, presidente da FCC (Comissão Federal de Comunicações) de Trump.</p>
<p style="text-align: justify;">Temos inimigos. Eles não estão na Palestina. Eles não estão no Líbano. Eles não estão no Irã. Eles estão aqui. Entre nós. Eles ditam nossas vidas. Eles são traidores dos nossos ideais. Eles são traidores do nosso país. Eles vislumbram um mundo de escravos e senhores. Gaza é apenas o começo. Não existem mecanismos internos para a reforma. Podemos obstruir ou nos render.</p>
<p style="text-align: justify;">Essas são as únicas opções que nos restam.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Chris Hedges é jornalista estadunidense, autor de vários livros, entre os quais, </em>American Fascists<em> e </em>Death of the Liberal Class<em>.</em></strong></p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">Traduzido do original em: <a class="urlextern" title="https://chrishedges.substack.com/p/iran-and-gaza-are-only-the-beginning" href="https://chrishedges.substack.com/p/iran-and-gaza-are-only-the-beginning" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://chrishedges.substack.com/p/iran-and-gaza-are-only-the-beginning</a></p>
</blockquote>
<p><em><img loading="lazy" decoding="async" class="size-thumbnail wp-image-158961 alignnone" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/abed_abdi_haifa-70x70.jpg" alt="" width="70" height="70" />As obras que ilustram o artigo são do artista palestino Abed Abdi (1942 &#8212;)</em></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O Domo de Ferro está interceptando nossas chances de um futuro normal</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/03/158930/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Enzo Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 Mar 2026 09:57:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
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					<description><![CDATA[Os sistemas de defesa antimíssil de Israel reduziram drasticamente o custo de entrar em guerra — e uma sociedade que não teme a guerra está condenada a conviver com ela para sempre. Por Guevara Bader]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Guevara Bader</h3>
<p style="text-align: justify;">Nas últimas décadas, a engenharia israelense produziu algo próximo da maravilha tecnológica definitiva: um sistema de defesa antimíssil multicamadas capaz de transformar projéteis em um espetáculo de fogos de artifício no céu noturno. Mas sob essa proteção, uma transformação discreta, porém consequente, se consolidou, sendo mais perigosa que os próprios mísseis: o Domo de Ferro eliminou o medo da guerra entre os israelenses.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma tecnologia projetada para preservar vidas fomentou uma sensação de imunidade quase total, transformando a catástrofe da guerra em uma perturbação tolerável, senão em um produto de consumo estéril — algo absorvido pela vida cotidiana com indiferença, em algum lugar entre o noticiário da noite e a entrega de comida.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando o medo da guerra diminui, também diminui a motivação pública para pôr fim a ela. Nesse contexto, a segurança tecnológica não encurta as guerras, mas contribui para sustentá-las como uma condição permanente. Israel, na era do Domo de Ferro, não se apresenta mais como uma sociedade civil vibrante que também mantém um exército; em vez disso, orgulha-se de ser essencialmente uma enorme base militar em torno da qual a vida civil se organiza.</p>
<p style="text-align: justify;">Um raro momento de franqueza do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu deu forma a essa transformação, quando ele alertou, em um discurso a autoridades financeiras em setembro passado, que Israel enfrentava um crescente isolamento internacional e precisaria se tornar uma “super-Esparta” economicamente autossuficiente. Mais tarde, ele minimizou a declaração, classificando-a como um “lapso de língua”, após as ações na bolsa de valores de Tel Aviv sofrerem uma queda. Mas, se de fato foi um lapso, foi revelador.</p>
<p style="text-align: justify;">O que Netanyahu delineou é o híbrido político e cultural em que os israelenses vivem: o dinamismo liberal e criativo de Atenas fundido com a disciplina rígida e o militarismo de Esparta. Na versão rudimentar de 2026, Atenas cria o algoritmo e Esparta aperta o gatilho.</p>
<p style="text-align: justify;">O resultado é uma sociedade que funciona como um complexo militar fortificado, governado por processos democráticos nominais, onde a fronteira entre as esferas civil e militar se tornou completamente indistinta. A indústria israelense transformou-se em uma máquina bem azeitada de inovação militar, convertendo a guerra, antes um fracasso diplomático, em uma característica definidora da existência do Estado. Essa perda interna de dissuasão é o nosso desastre nacional, pois uma sociedade que não teme a guerra é uma sociedade condenada a conviver com ela para sempre.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A guerra como uma assinatura mensal</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Para entender a profundidade dessa distorção, é útil recorrer à linguagem que os israelenses usam para se descrever. Em Israel, não existem “cidadãos”, certamente não no sentido tedioso de participação democrática. Existe, em vez disso, uma “frente interna” — um termo que concebe o público como a formação passiva de retaguarda da força militar em combate. Sua função é absorver o impacto da situação e manter a compostura enquanto, simultaneamente, torce pelo exército que realiza operações no céu.</p>
<p style="text-align: justify;">Na prática, a “frente interna” transforma os cidadãos em unidades de apoio logístico, que devem “demonstrar resiliência”, um eufemismo para suportar o sofrimento sem reclamar, para não desviar o olhar fixo do atirador enquanto este realiza o próximo assassinato bem-sucedido.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse princípio organizador veio à tona com uma clareza incomum em junho passado. Após a primeira rodada de combates com o Irã, o analista militar do Haaretz, Amos Harel, apresentou ao público dados que comparavam as mortes israelenses com o número de mísseis que penetraram as defesas aéreas do país. A conclusão — uma morte para cada três mísseis que atingiram áreas povoadas — foi apresentada como prova de que “as baixas na população civil não foram tão catastróficas quanto se temia anteriormente”.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse cálculo, a morte é apenas um registro em um balancete. Um funeral não é visto como uma catástrofe, mas como um custo operacional aceitável, uma estatística fria que permite que o sistema continue funcionando. O preço é baixo o suficiente para que os tomadores de decisão simplesmente peguem uma caneta e perguntem, sem qualquer ironia: “Onde assinamos?”.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando as estatísticas permitem que as pessoas voltem a tomar seu café em Tel Aviv entre as idas a abrigos, a urgência de pôr fim ao ciclo começa a desaparecer. A guerra torna-se uma mensalidade, em vez de um risco existencial, sustentado enquanto o custo puder ser absorvido. Esse custo, é claro, é suportado de forma desproporcional pelos cidadãos palestinos de Israel, que, em comparação com os israelenses judeus, têm muito menos acesso a abrigos adequados e podem viver em áreas classificadas como “áreas abertas”, onde o Domo de Ferro está programado para permitir que mísseis caiam ou detonem interceptores acima deles.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa normalização se traduziu em um modelo econômico sem precedentes, no qual Israel passou de uma autopercepção de fortaleza sitiada para a de uma linha de produção de tecnologias de defesa, com cada conflito funcionando como uma forma de campo de testes contínuo. Cada interceptação gera dados; cada escalada aprimora o sistema.</p>
<p style="text-align: justify;">A “frente interna”, nesse sentido, funciona também como um vasto grupo de testadores beta, cujas interrupções são absorvidas pelos ciclos de pesquisa e desenvolvimento. O sucesso não se mede apenas em vidas poupadas, mas também em métricas de desempenho que impulsionam o valor das ações da indústria de defesa em exposições em Paris e Singapura.</p>
<p style="text-align: justify;">O mundo não está apenas observando com preocupação. Como clientes fiéis da Apple aguardando o próximo iPhone, é um consumidor observando quais tecnologias têm o melhor desempenho em “condições reais”. A própria guerra é a melhor campanha de marketing e, quando a economia nacional depende da superioridade militar global, a aspiração pela tranquilidade é percebida como sabotagem deliberada da linha de produção nacional.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Um estado permanente de adiamento</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-158932" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/3338-1-300x300.jpg" alt="" width="400" height="400" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/3338-1-300x300.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/3338-1-1024x1024.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/3338-1-70x70.jpg 70w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/3338-1-768x768.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/3338-1-420x420.jpg 420w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/3338-1-640x640.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/3338-1-681x681.jpg 681w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/3338-1.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" />Esse desenvolvimento se consolidou gradualmente. Do sistema de defesa antimíssil Arrow, que entrou em operação em 2000, ao Domo de Ferro em 2011 e, posteriormente, ao Estilingue de David em 2017, cada inovação ampliou a sensação de proteção dos israelenses e, com ela, diminuiu a percepção da vulnerabilidade. Porque, quando o teto está hermeticamente fechado, não há necessidade de buscar um caminho político a seguir ou vislumbrar um futuro além do conflito.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje, estamos entrando na era dos sistemas a laser. O sistema Iron Beam, recentemente integrado à Força Aérea Israelense, pode interceptar mísseis com precisão, rapidez e “a um custo marginal insignificante”, vangloriou-se o Ministério da Defesa no final do ano passado.</p>
<p style="text-align: justify;">A fronteira entre realidade e representação se desfez ao longo do caminho. Em uma transmissão amplamente assistida, um comentarista militar sênior do Canal 12 analisou imagens de videogame como se fossem a documentação de um ataque americano ao Irã, acreditando ser a prova de um bombardeio contínuo.</p>
<p style="text-align: justify;">“Estas são imagens americanas, estamos apenas nos divertindo com elas”, disse ele, enquanto pixels digitais piscavam na tela. “O B-2 está atacando há dias… O que estamos vendo é toda a força do poder americano.” Mais perturbador do que sua identificação errônea das imagens foi a forma como isso ilustrou a transformação da guerra em uma forma de entretenimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre tudo isso, preside uma liderança política que enfrenta pressões legais e diplomáticas. Netanyahu permanece em sua residência em Cesareia com uma intimação pendente para comparecer a Haia. O ex-ministro da Defesa, Yoav Gallant, também é procurado por crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos em Gaza, enquanto o presidente Isaac Herzog aparece em depoimentos apresentados à Corte Internacional de Justiça por sugerir que toda a população de Gaza é responsável pelos ataques de 7 de outubro.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse contexto, quando a liderança de Israel é perseguida pelos agentes do direito internacional, a guerra perpétua acarreta implicações que vão além da estratégia. Ela influencia os incentivos, vinculando a sobrevivência política ainda mais à continuidade da crise.</p>
<p style="text-align: justify;">O resultado final é um ciclo conceitual fechado. Tecnologias defensivas, como interceptores, protegem a população; a estabilidade da população sustenta a ordem política; e, juntas, reduzem a pressão para a resolução do próprio conflito.</p>
<p style="text-align: justify;">A visão da “super-Esparta” condensa essa condição de ansiedade existencial em uma única solução de engenharia estéril, na qual garantir o presente com precisão crescente permite um adiamento indefinido da resolução no futuro. Com uma taxa de sucesso de 97%, o Domo de Ferro está interceptando qualquer chance que possamos ter de um futuro normal.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Guevara Bader é um cidadão palestino de Israel e atualmente cursa mestrado na Universidade Ben-Gurion.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Traduzido de: <a class="urlextern" title="https://www.972mag.com/iron-dome-intercepting-normal-future/" href="https://www.972mag.com/iron-dome-intercepting-normal-future/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://www.972mag.com/iron-dome-intercepting-normal-future/</a></p>
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		<title>Operários da indústria de armas italiana dizem não à guerra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Mar 2026 14:16:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
		<category><![CDATA[Itália]]></category>
		<category><![CDATA[Palestina]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho_e_sindicatos]]></category>
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					<description><![CDATA[ Com base em um histórico de resistência à militarização, os trabalhadores da Leonardo estão se organizando contra a cumplicidade da empresa no genocídio em Gaza. Por Futura D’Aprile]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Futura D’Aprile</h3>
<p style="text-align: justify;">Quando Israel recomeçou os bombardeios a Gaza em outubro de 2023, ativistas da solidariedade à Palestina na Itália imediatamente fizeram a ligação com a empresa nacional de armamentos, a Leonardo, e lançaram uma campanha contra ela. A corporação é uma das maiores produtoras de armas do mundo e desempenha um papel importante na produção de componentes para os aviões F-35, usados ​​por Israel no genocídio em Gaza, além de trabalhar em conjunto com empresas israelenses de armamentos como a Elbit Systems.</p>
<p style="text-align: justify;">Instalações da Leonardo têm sido alvo de protestos, interrompendo a produção e aumentando a conscientização sobre o papel que a Itália e seu setor de defesa desempenham na destruição em curso. Crucialmente, a oposição também está crescendo dentro da empresa, com trabalhadores se manifestando contra a venda de armas para Israel e lutando para impedir que uma fábrica da Leonardo no sul do país seja convertida em produção militar.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>Trabalhadores se posicionam</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Em outubro, um grupo de trabalhadores de uma unidade de produção da Leonardo em Grottaglie, no sul da Itália, publicou uma petição exigindo que a empresa e suas subsidiárias suspendessem todo o fornecimento de material bélico a Israel. A petição pedia o fim de todos os acordos comerciais e relações de investimento com instituições, startups, universidades e organizações de pesquisa israelenses envolvidas em operações militares contra a população palestina.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais de 23.000 pessoas assinaram a petição, que dizia: “A Itália repudia a guerra como instrumento de agressão contra a liberdade de outros povos e como meio de resolver disputas internacionais”.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de Roberto Cingolan, presidente da Leonardo, ter declarado em setembro que a empresa não havia autorizado novas exportações para Israel “desde o início do conflito”, a declaração dos trabalhadores afirmava que a empresa mantinha uma sólida cooperação comercial e militar com Israel e que as licenças de exportação aprovadas antes de outubro de 2023 nunca foram canceladas.</p>
<p style="text-align: justify;">Um dos peticionários de Grottaglie, que pediu para permanecer anônimo, afirma que essa declaração pública ajudou a abrir um diálogo com trabalhadores de outras fábricas da Leonardo: “Mais do que um aumento imediato na oposição explícita, o resultado mais importante foi trazer o assunto para o centro das discussões, fomentando momentos de debate e análise aprofundada.”</p>
<p style="text-align: justify;">Alguns meses depois, um grupo de trabalhadores da Divisão de Helicópteros de Turim, no norte da Itália, redigiu um boletim sobre a cumplicidade da Leonardo no genocídio em Gaza, que foi distribuído entre seus colegas. A mobilização contra a empresa os inspirou a investigar as relações da Leonardo com seus parceiros estratégicos, particularmente com Israel. Eles estudaram as leis sobre exportações, importações e o trânsito de produtos de defesa na Itália.</p>
<p style="text-align: justify;">“Os relatos amenizados ou flagrantemente distorcidos oferecidos pela grande mídia sobre os eventos em Gaza estão se enraizando entre nossos colegas”, explica um dos trabalhadores de Turim. “Eles não compreendem a gravidade desses eventos, especialmente no que diz respeito aos usuários finais do produto de seu trabalho.”</p>
<p style="text-align: justify;">“Em relação a Israel, nunca tivemos conhecimento dos contratos assinados e das relações internacionais envolvidas.” Eles continuam explicando que, em parte devido a restrições de sigilo industrial, os trabalhadores não têm uma ideia clara de quem usará os equipamentos que produzem; a empresa usa nomes fictícios para os projetos e dá indicações vagas sobre para onde os equipamentos são enviados.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa falta de transparência deixou os trabalhadores profundamente despreparados diante da indignação pública contra a empresa para a qual trabalham.</p>
<p style="text-align: justify;">O que esses funcionários querem é reafirmar sua integridade, explica o trabalhador de Turim: “Fomos ensinados que é nosso dever denunciar irregularidades, desfalques e violações do código de ética em nosso local de trabalho. Existe algo mais repreensível do ponto de vista ético do que colaborar com um governo criminoso que viola abertamente o direito internacional e cujos crimes contra a humanidade são flagrantes e notórios?”</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158860" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/Leonardo_Students_SOCIAL.png" alt="" width="678" height="455" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/Leonardo_Students_SOCIAL.png 678w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/Leonardo_Students_SOCIAL-300x201.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/Leonardo_Students_SOCIAL-626x420.png 626w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/Leonardo_Students_SOCIAL-537x360.png 537w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/Leonardo_Students_SOCIAL-640x429.png 640w" sizes="auto, (max-width: 678px) 100vw, 678px" />Não aos aviões de guerra</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Os trabalhadores de Grottaglie também enfrentam outra luta, enquanto fazem campanha para impedir que sua fábrica se torne uma engrenagem ativa na máquina de guerra. A fábrica faz parte da Divisão de Aeronáutica do Grupo Leonardo e produz as seções da fuselagem da aeronave Boeing 787, empregando aproximadamente 1.200 pessoas diretamente e 300 em indústrias relacionadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde 2020, quando a pandemia de Covid-19 atingiu duramente a indústria aeronáutica, a produção despencou e a unidade corre o risco de fechar. Em julho de 2024, os sindicatos conseguiram evitar uma paralisação temporária, mas a produção ainda diminuiu. Para evitar o fechamento, a Leonardo quer redirecionar a produção para o setor militar.</p>
<p style="text-align: justify;">Em um documento compartilhado “offline” entre os trabalhadores, juntamente com a petição sobre ligações com a violência de Israel, os trabalhadores denunciam essa mudança de prioridades. Para os trabalhadores que assinaram a petição, a Leonardo está fazendo uma escolha política.</p>
<p style="text-align: justify;">“O setor civil sempre foi mais estável e resiliente do que o militar, que tem encomendas mais limitadas e é muito mais influenciado por flutuações geopolíticas e decisões governamentais”, explica um dos peticionários, que pediu para permanecer anônimo. “A aviação civil, por outro lado, responde a uma demanda estrutural por mobilidade global, que estagnou durante a pandemia, mas agora retornou a níveis recordes, com previsão de crescimento ainda maior nas próximas décadas”.</p>
<p style="text-align: justify;">Para os trabalhadores de Turim e Grottaglie, o objetivo tem sido promover o diálogo e a conscientização sobre a cumplicidade das empresas com a violência israelense, visando construir uma massa crítica de trabalhadores motivados e bem informados, capazes de se engajar e se mobilizar para mudar a empresa. Eles também buscaram apoio dos principais sindicatos, mas receberam uma resposta morna.</p>
<p style="text-align: justify;">Em Turim, os sindicatos estão focados na renovação dos contratos metalúrgicos e não estão dando atenção à petição, enquanto em Grottaglie os sindicalistas criticaram abertamente a oposição dos trabalhadores à empresa, pois temem que isso coloque ainda mais em risco o futuro da unidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda assim, os trabalhadores se organizaram fora dessas estruturas tradicionais, compartilhando suas petições com outras unidades de produção da Leonardo na Itália. E estão recebendo uma resposta positiva. A campanha também encontrou eco nos movimentos mais amplos de solidariedade à Palestina e pela paz.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>Aprendendo com o passado</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Os trabalhadores da Leonardo estão construindo sobre um legado de oposição dentro da indústria de defesa italiana. Na década de 1980, Elio Pagani, um funcionário da Aermacchi (agora Leonardo), documentou como a empresa forneceu aeronaves à Força Aérea Sul-Africana em janeiro de 1980, durante o apartheid, em violação ao embargo da ONU ratificado pela Itália em 1977. A denúncia de Pagani desencadeou um movimento popular que, em 1990, levou à aprovação pelo parlamento da primeira legislação italiana sobre controle de exportação e importação de armas: a Lei 185/90.</p>
<p style="text-align: justify;">Na década de 1980, a Valsella Meccanotecnica &#8211; empresa conhecida por vender minas antitanque ao Iraque durante a guerra com o Irã &#8211; foi abalada por 18 meses de greves. As trabalhadoras, lideradas por Franca Faita, finalmente venceram: a empresa perdeu importantes parceiros de produção e foi forçada a se dedicar à fabricação para o setor civil devido a uma moratória governamental de 1994 sobre a produção de minas terrestres. A empresa foi liquidada e, em 2005, fundiu-se com uma fabricante de caminhões.</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, alguns fatores contextuais fizeram das décadas de 1980 e 1990 um contexto muito diferente para os trabalhadores rebeldes. O sentimento antiguerra na sociedade civil italiana era mais forte nas décadas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, e os sindicatos também eram mais independentes e mais antagônicos à política.</p>
<p style="text-align: justify;">“O que favoreceu essas iniciativas foi a presença de fortes movimentos de desarmamento e a existência de conselhos de fábrica abertos à discussão interna entre os trabalhadores e eleitos diretamente por eles”, explica Pagani.</p>
<p style="text-align: justify;">“Delegados, trabalhadores e conselhos de fábrica foram incentivados a questionar o verdadeiro significado do trabalho nas instalações militares e os efeitos das exportações de armamentos. Agora, estamos vivenciando mais de 30 anos de desertificação cultural que afetou tanto as pessoas &#8211; tornando-as mais individualistas &#8211; quanto os sindicatos, cuja atuação enfraqueceu o ímpeto dos trabalhadores.”</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda assim, as conquistas das décadas de 1980 e 1990 foram fruto de muitos anos de trabalho, afirma Pagani. “Os trabalhadores da Leonardo em Grottaglie e Turim devem persistir e buscar apoio em outras unidades de produção da empresa e em outras empresas de defesa. Sua iniciativa deve estar ligada à luta contra a logística bélica travada por estivadores, trabalhadores aeroportuários, ferroviários e de terminais intermodais na Itália.”</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto isso, à medida que os Estados continuam a aumentar os gastos militares em meio a novas e devastadoras guerras, os trabalhadores de fábricas de armamentos em todo o mundo fariam bem em seguir as táticas italianas para desmantelar a militarização a partir de dentro.</p>
<p style="text-align: justify;">Com a guerra sempre à espreita e os Estados aumentando os gastos militares, os trabalhadores do negócio de armas podem ter um papel fundamental a desempenhar, conforme o movimento global contra a militarização grita: Não em nosso nome.</p>
<p style="text-align: center;"><em>Traduzido do original que pode ser acessado aqui: <a class="urlextern" title="https://newint.org/arms/2026/italian-arms-factory-workers-say-no-war" href="https://newint.org/arms/2026/italian-arms-factory-workers-say-no-war" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://newint.org/arms/2026/italian-arms-factory-workers-say-no-war</a></em></p>
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		<title>A Economia Política de Israel/Palestina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Oct 2025 21:06:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Govs_nacionais_e_internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
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					<description><![CDATA[ O que a análise de Roemer sobre exploração e a análise de Kautsky sobre colonialismo podem nos dizer sobre o genocídio em Gaza. Por Ben Burgis e Michael Sechman]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Ben Burgis e Michael Sechman</h3>
<p style="text-align: justify;">A desigualdade econômica tem várias origens. Um empresário pode prosperar enquanto outro mal consegue sobreviver, porque tem melhores contatos, melhores ideias ou simplesmente se esforça mais. Um trabalhador pode ter um emprego sindicalizado estável e bem remunerado, enquanto outro consegue uma renda com empregos temporários de meio período. Algumas pessoas podem ser mais ricas do que outras porque esbarram em algo valioso enterrado em seus quintais.</p>
<p style="text-align: justify;">Contudo, uma afirmação fundamental que os socialistas sempre fizeram sobre as sociedades em que vivemos, é que a fonte mais importante da desigualdade capitalista realmente existente é a exploração. Intuitivamente, concebe-se que uma economia se baseia na exploração quando <em>uma classe tem que trabalhar em benefício de outra</em>. Há muito tempo socialistas fazem agitação comparando a exploração ao roubo, à escravidão ou à extorsão.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o que é exatamente exploração? É um conceito mais específico do que <em>opressão econômica</em>. A população desempregada e sem-teto das grandes cidades é economicamente oprimida pelos donos dos meios de produção (que os excluem completamente do sistema e, portanto, os empobrecem), mas não é <em>explorada</em>. Na verdade, esse é o problema. Como a economista de esquerda Joan Robinson memoravelmente apontou: “A miséria de ser explorado pelos capitalistas não é nada comparada à miséria de não ser explorado”. As relações de exploração envolvem um tipo muito específico de pareamento antagônico dos interesses do grupo explorador e do explorado, e nem todas as desigualdades (e nem mesmo todas as desigualdades escandalosamente injustas) se encaixam no perfil.</p>
<p style="text-align: justify;">Por outro lado, porém, “exploração” é um conceito mais amplo do que “exploração de trabalhadores por capitalistas por meio de relações de emprego”. Senhores feudais exploravam servos, por exemplo. Quando Marx argumenta que a classe trabalhadora é sistematicamente explorada em <em>O Capital</em>, ele se apoia fortemente nessa analogia.</p>
<p style="text-align: justify;">Relações de exploração, em particular, serão importantes para a teorização social, em parte porque podem ser importantes para a compreensão e previsão da dinâmica das sociedades de classes. Grupos explorados e exploradores estão presos em relações de conflito, definidas por dependência assimétrica (os exploradores precisam das pessoas que estão explorando, mas não <em>o contrário</em>). A expectativa, pelo menos, é que os teóricos aprendam algo importante sobre quais são os interesses de um grupo, e quais estratégias estarão disponíveis para ele na busca desses interesses, uma vez discernindo se eles são exploradores, explorados ou oprimidos em formas que não envolvam exploração.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: justify;">Então, quais mecanismos podem nos ajudar a diferenciar desigualdades decorrentes da exploração (ou de qualquer tipo) de outras fontes de desigualdade (ou mesmo de outros tipos de opressão econômica)? O economista e pensador marxista analítico John Roemer propõe um teste de três partes em seu livro de 1996, <em>“Egalitarian Perspectives”. </em>Segundo Roemer, o grupo A explora o grupo B se, e somente se:</p>
<p style="text-align: justify;">(i) se B se retirasse da sociedade, levando sua quota per capita de propriedade alienável da sociedade (isto é, bens produzidos e não produzidos), e com seu próprio trabalho e habilidades, então B estaria melhor (em termos de renda e lazer) do que está na situação atual;</p>
<p style="text-align: justify;">(ii) se A se retirasse nas mesmas condições, então A estaria pior (em termos de rendimento e lazer) do que está atualmente;</p>
<p style="text-align: justify;">(iii) se B se retirasse da sociedade com as suas próprias posses (não a sua quota per capita), então A estaria pior do que está atualmente.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais tarde, em resposta a uma objeção feita por Erik Olin Wright, Roemer reforçou a condição (iii). A versão revisada é que:</p>
<p style="text-align: justify;">(iii) [a vantagem comparativa de A revelada em (i) e (ii) advém] “em virtude do trabalho” [de B]</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo isso pode ser inicialmente confuso, especialmente para leitores não familiarizados com a maneira de Roemer se expressar (que frequentemente combina elementos de sua formação acadêmica como economista com o jargão da filosofia analítica).</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-157795" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/104864510-topshot-palestinians-survey-the-destruction-following-an-israeli-military-raid-on-th-286721064.jpg" alt="" width="888" height="592" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/104864510-topshot-palestinians-survey-the-destruction-following-an-israeli-military-raid-on-th-286721064.jpg 888w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/104864510-topshot-palestinians-survey-the-destruction-following-an-israeli-military-raid-on-th-286721064-300x200.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/104864510-topshot-palestinians-survey-the-destruction-following-an-israeli-military-raid-on-th-286721064-768x512.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/104864510-topshot-palestinians-survey-the-destruction-following-an-israeli-military-raid-on-th-286721064-630x420.jpg 630w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/104864510-topshot-palestinians-survey-the-destruction-following-an-israeli-military-raid-on-th-286721064-640x427.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/104864510-topshot-palestinians-survey-the-destruction-following-an-israeli-military-raid-on-th-286721064-681x454.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 888px) 100vw, 888px" />Em primeiro lugar, Roemer obviamente sabe que as classes exploradas normalmente <em>não conseguem </em>se retirar da sociedade. Elas não se submeteriam à exploração se pudessem!</p>
<p style="text-align: justify;">Em segundo lugar, observe atentamente a parte “levando sua quota per capita”. Se os servos constituíssem, digamos, 90% da sociedade feudal, então os imaginamos de alguma forma “retirando-se” juntamente com 90% das terras aráveis, 90% dos arados, 90% dos alimentos já cultivados para que pudessem continuar a se sustentar enquanto aguardavam a chegada das próximas colheitas, e assim por diante.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez uma maneira mais clara de transmitir seu ponto de vista seria reformulando suas condições assim:</p>
<p style="text-align: justify;">(i) Se A desaparecesse amanhã, juntamente com a sua quota per capita de propriedade alienável da sociedade (isto é, bens produzidos e não produzidos), e com seu próprio trabalho e habilidades, então B estaria melhor (em termos de renda e lazer) do que está na situação atual;</p>
<p style="text-align: justify;">(ii) se B desaparecesse amanhã nas mesmas condições, então A estaria pior (em termos de rendimento e lazer) do que está atualmente;</p>
<p style="text-align: justify;">(iii) A posição melhor de A é resultado do trabalho de B.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta é uma definição totalmente adequada de exploração? Não responderemos essa questão aqui. No mínimo, porém, (i)-(iii) são condições plausivelmente <em>necessárias </em>para a exploração. Certamente, é difícil imaginar um exemplo claro de exploração que <em>não </em>preencha esses requisitos. Acreditamos também que a análise de Roemer ajuda a revelar algo importante sobre a dinâmica da opressão econômica no mundo ao nosso redor.</p>
<p style="text-align: justify;">Por exemplo, se a classe capitalista desaparecesse amanhã (juntamente com uma parcela dos recursos da sociedade correspondente não às suas posses atuais, mas à sua parcela da população), permitindo assim uma transição indolor para a propriedade coletiva da grande maioria dos meios de produção, a classe trabalhadora estaria em melhor situação. Se a classe trabalhadora desaparecesse amanhã, juntamente com <em>sua </em>parcela per capita, isso seria um cataclismo para a classe capitalista. Entretando, o mesmo não se aplica a todas as populações economicamente oprimidas. Se aquela população urbana “desempregada e sem-teto”, que mencionamos antes, desaparecesse magicamente amanhã, mesmo juntamente com os 0,2% dos meios de produção correspondentes à sua parcela da população, a reação de nossos senhores capitalistas seria o alívio de que um problema social foi resolvido sem dor. Raciocínios semelhantes se aplicam a populações que podem não estar vivendo nas ruas, mas precisam de apoio estatal porque deficiências cognitivas ou físicas graves as impedem de serem empregadas de forma costumeira pelos capitalistas.</p>
<p style="text-align: justify;">E exemplos ainda mais sombrios surgem quando deixamos de lado a situação interna estadounidense e passamos a pensar nas economias políticas de outras nações.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: justify;">Neste ponto é útil complementar a argumentação de Roemer com uma distinção proposta por Karl Marx no final de <em>O Capital</em>, Vol. 1, e expandida por Karl Kautsky. Marx encerra o volume com um capítulo sobre colônias, onde especifica que está falando apenas de colônias “verdadeiras”. Ele não desenvolve a distinção, mas Karl Kautsy a aborda em vários lugares, inclusive em seu livro de 1907, <a class="urlextern" title="https://www.marxists.org/archive/kautsky/1907/colonial/4-work.htm" href="https://www.marxists.org/archive/kautsky/1907/colonial/4-work.htm" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">&#8220;Socialism and Colonial Policy&#8221;</a> . Lá, ele escreve:</p>
<p style="text-align: justify;">“Se quisermos investigar a importância da política colonial para o desenvolvimento das forças produtivas da humanidade, há uma distinção clara que devemos fazer. Existem dois tipos de colônias tão diferentes quanto o fogo e a água. Quem as confunde, em vez de distingui-las claramente, jamais alcançará uma compreensão clara da questão colonial”.</p>
<p style="text-align: justify;">O primeiro tipo, que corresponde à fala de Marx sobre colônias “verdadeiras”, é a “colônia de trabalho”. A segunda é a “colônia de exploração”.</p>
<p style="text-align: justify;">“A colônia de trabalho é formada por membros das classes trabalhadoras da pátria mãe: artesãos, assalariados e, em particular, camponeses. Eles abandonam sua terra natal para escapar da pressão econômica ou política e fundar um novo lar, livre dessa pressão. Tal colônia se baseia em seu próprio trabalho, e não no trabalho de nativos subjugados.</p>
<p style="text-align: justify;">“Por outro lado, uma colônia de exploração é estabelecida por membros das classes exploradoras da pátria mãe, onde o saque não lhes foi suficiente, e que, portanto, aspiram a ampliar o campo de sua exploração. Eles vão para as colônias não para encontrar um novo lar, mas para abandonar a colônia quando já tiverem se aproveitado o suficiente dela; não para escapar da pressão interna, mas para se tornarem capazes de exercer uma pressão ainda maior na pátria. A utilidade econômica de tal colônia não reside no trabalho dos colonos, mas na pilhagem ou no trabalho forçado dos nativos”.</p>
<p style="text-align: justify;">Aproximadamente, essa é a distinção apontada por acadêmicos de esquerda que falam sobre um subconjunto específico de colonialismos como “colonialismo de assentamento”. Ele corresponde ao subconjunto de “colônias de trabalho” de Kautsky. Embora essa forma de colonialismo seja uma parte importante da história de muitas sociedades no mundo hoje (como os Estados Unidos), o único projeto de colonialismo de assentamento <em>em andamento </em>no mundo contemporâneo é Israel.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: justify;">Não concordamos necessariamente com as conclusões normativas de Kautsky, quando afirma sobre colônias de trabalho que, embora “deva-se muitas vezes condenar a maneira como os nativos são tratados”, a construção inicial de tais colônias não precisa necessariamente ser condenada “por princípio”. Também não concordamos com as frações da esquerda ativista que se agarraram mais pesadamente ao discurso sobre “colonialismo de assentamento” (e muitas vezes parecem sugerir que cada judeu israelense é um “colono” com menos conexão inata com a terra do que os palestinos, e que até mesmo nos piores casos flertam retoricamente com a insinuação de que seria justo se a direção da limpeza étnica fosse de alguma forma revertida para que pudéssemos “transformar Israel novamente na Palestina”). Fincaríamos nossa bandeira em princípios democráticos-igualitários básicos. A razão pela qual o sionismo é grotesco é precisamente porque <a class="urlextern" title="https://jacobin.com/2024/03/rights-ancestors-land-israel-palestine" href="https://jacobin.com/2024/03/rights-ancestors-land-israel-palestine" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">os direitos de ninguém devem depender de onde seus ancestrais viveram </a>, e nós aplicaríamos esse princípio de <a class="urlextern" title="https://benburgis.substack.com/p/marx-and-rawls-vs-nozick-and-the" href="https://benburgis.substack.com/p/marx-and-rawls-vs-nozick-and-the" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">uma forma amplamente universalista </a>. Não pode existir pessoa sem o direito de viver no país em que nasceu, ponto final. E a solução mais justa para o conflito israelense-palestino seria um único Estado democrático laico com direito de retorno para refugiados palestinos e direitos completamente iguais para judeus, palestinos, trabalhadores migrantes tailandeses e todos os demais. Mas essas questões normativas não têm a ver com a questão descritiva sobre se a distinção de Kautsky pode iluminar algo importante sobre a economia política dessa situação, a montante da realidade horripilante do primeiro genocídio transmitido ao vivo do mundo.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-157793 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/000_NIC2004051487972-4047632938.jpg" alt="" width="980" height="552" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/000_NIC2004051487972-4047632938.jpg 980w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/000_NIC2004051487972-4047632938-300x169.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/000_NIC2004051487972-4047632938-768x433.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/000_NIC2004051487972-4047632938-746x420.jpg 746w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/000_NIC2004051487972-4047632938-640x360.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/000_NIC2004051487972-4047632938-681x384.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 980px) 100vw, 980px" /></p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: justify;">Israel é frequentemente comparado à África do Sul do apartheid por antissionistas de esquerda. Um de nós <a class="urlextern" title="https://jacobin.com/2021/05/israel-palestine-right-to-exist-gaza" href="https://jacobin.com/2021/05/israel-palestine-right-to-exist-gaza" rel="ugc nofollow">escreveu </a><a class="urlextern" title="https://jacobin.com/2023/06/israelism-documentary-pro-apartheid-indoctrination-israeli-occupation-palestine" href="https://jacobin.com/2023/06/israelism-documentary-pro-apartheid-indoctrination-israeli-occupation-palestine" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">muitos </a><a class="urlextern" title="https://jacobin.com/2023/11/from-the-river-to-the-sea-palestine-equality-one-state-rashida-tlaib-censure" href="https://jacobin.com/2023/11/from-the-river-to-the-sea-palestine-equality-one-state-rashida-tlaib-censure" rel="ugc nofollow">artigos </a>que empregaram exatamente essa analogia, e continuamos a pensar que, em muitos aspectos, ela é adequada. Mas há uma diferença crucial entre os dois casos.</p>
<p style="text-align: justify;">Nem a República da África do Sul do final do século XX nem o Estado de Israel do século XXI são colônias no sentido literal. Ambos haviam conquistado a independência da Grã-Bretanha em meados do século XX. Mas, em ambos os casos, a elite econômica dentro do grupo étnico dominante seguiu uma política de controle sobre uma etnia subjugada, correspondendo estreitamente a dos dois tipos de colônia de Kautsky. A África do Sul funcionou como uma colônia de exploração, com as elites brancas dependendo da mão de obra explorada da classe trabalhadora negra. Israel sempre funcionou como uma colônia de trabalho, expulsando a força de trabalho palestina e tentando depender o máximo possível da classe trabalhadora judaica israelense.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo em Israel/Palestina, onde há aproximadamente o mesmo número de judeus e de palestinos (sem falar na África do Sul do apartheid, onde a população negra constituía uma grande maioria), os dois primeiros critérios de Roemer são verificados quando consideramos a relação entre a classe dominante branca/judaica e a maior parte da população negra/palestina. Se o grupo subjugado desaparecesse amanhã, <em>juntamente com sua quota per capita dos recursos da sociedade</em>, seria um desastre para os governantes, enquanto, <em>vice-versa</em>, melhoraria muito as perspectivas dessa população. Tudo isso é apenas uma maneira de dizer que os meios de produção estão distribuídos de forma desigual entre essas duas populações, e o grupo excluído é grande. (Da mesma forma, em um cenário distópico em que a automação chegasse ao ponto em que, digamos, 50% da população estadounidense estivesse desempregada e vivendo nas ruas, (i) e (ii) se aplicariam à relação entre esses ex-trabalhadores excedentes e a classe capitalista). Mas a diferença crucial é que (iii) se aplica ao caso sul-africano, mas não se aplica a Israel/Palestina. A fonte da desigualdade <em>não é, em grande parte, </em>o enriquecimento de israelenses ricos com o trabalho de palestinos.</p>
<p style="text-align: justify;">É por isso que, apesar de todas as brutalidades do apartheid sul-africano, o Estado sul-africano nunca intensificou sua opressão contra a população negra ao nível de frenesi genocida que vemos todos os dias em relatos de Gaza. Nunca passaram pelos bantustões bombardeando todas as igrejas, todas as escolas, todos os prédios de apartamentos e todos os hospitais, de modo que as imagens aéreas da devastação “cada vez mais parecem a superfície da lua”, como um de nós <a class="urlextern" title="https://jacobin.com/2025/08/democrats-bernie-netanyahu-zionism-apartheid" href="https://jacobin.com/2025/08/democrats-bernie-netanyahu-zionism-apartheid" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">escreveu em outro lugar neste fim de semana </a>sobre Gaza. Nunca houve pesquisas em que a maioria dos sul-africanos brancos apoiasse a remoção forçada de todos os negros do país. O presidente sul-africano P. W. Botha nunca engendrou uma fome que produzisse imagens que lembrassem Auschwitz, numa tentativa de pressionar a população negra a simplesmente abandonar o país aos milhões e deixá-lo para os brancos.</p>
<p style="text-align: justify;">O colega de Roemer, Erik Olin Wright, expôs o ponto de forma contundente em seu livro <em>Class Counts</em>. “Não foi por acaso”, escreveu ele, que a cultura estadounidense historicamente incluiu “o ditado abominável: &#8216;O único índio bom é um índio morto&#8217;, mas não &#8216;o único trabalhador bom é um trabalhador morto&#8217; ou &#8216;o único escravo bom é um escravo morto&#8217;”.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse é um exemplo particularmente marcante da importância explicativa e preditiva de compreender quais relações sociais se baseiam (ou não) na exploração. E o resultado normativo é chocante.</p>
<p style="text-align: justify;">A exploração econômica é profundamente questionável em si mesma e, dependendo das particularidades locais, pode levar a resultados como fábricas clandestinas ou violentas repressões a greves; ou até mesmo horrores como o incêndio da Triangle Shirtwaist ou o desabamento do Rana Plaza em Bangladesh. Como socialistas, construir um mundo livre de exploração é o <em>telos definidor </em>de nossa política. Mas, enquanto vivermos em uma sociedade de classes, isso está longe de ser o pior destino que pode recair sobre populações economicamente oprimidas.</p>
<p style="text-align: justify;">Transformar Israel de um etnoestado excludente em uma democracia liberal normal (ou seja, implementar uma “solução de um Estado”) significaria, até que o próprio capitalismo seja superado, integrar os palestinos às estruturas normais de exploração capitalista. E por pior que isso possa ser, a ironia sombria da situação é que, neste caso, transformar sua forma de opressão em exploração não seria apenas uma melhoria, mas um imperativo moral urgente.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Traduzido por Leo Vinicius a partir do original: </em><a class="urlextern" title="https://benburgis.substack.com/p/john-roemer-karl-kautsy-and-the-political" href="https://benburgis.substack.com/p/john-roemer-karl-kautsy-and-the-political" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://benburgis.substack.com/p/john-roemer-karl-kautsy-and-the-political</a></p>
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		<title>A report of the pro-Palestinian demonstrations in Italy</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Oct 2025 16:00:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Traduções]]></category>
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					<description><![CDATA[ Perhaps the Palestinian issue has become the unifying theme of a set of diffuse social dissatisfaction. By Pérez Gallo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;"><a href="https://passapalavra.info/2025/09/157669/" target="_blank" rel="noopener">By Pérez Gallo</a></h3>
<p style="text-align: justify;">I took part, somewhat by chance, in the demonstration in Milan on September 22, which had wide international repercussions due to the violent clashes with the police that took place at the entrance to the Central Railway Station. I was in Germany during the previous week, where I was attending an academic event and, being originally from Italy, I decided to extend my trip a few more days in Milan, to visit friends and family. I arrived on the evening of Friday, the 19th, and it soon seemed to me that the mood was different from the usual &#8211; more tense, in expectation. The Palestinian genocide, in fact, is a powerful theme in the Italian debate, either because of the presence of an important Arab and Palestinian community in the territory or because of the geographical and geopolitical proximity. But also &#8211; I believe &#8211; because hopes have converged in recent years on the Palestinian issue for the resumption of some movement after more than a decade of ebb and flow of struggles. The retreat that in Milan feels even stronger: a city completely dominated by <em>gentrification</em> and real estate speculation, by the great fashion events and gourmet food fairs, by the increase in urban transport and an economic rhythm (and exploitation) in full swing. And where, for a long time, social struggles have been something kind of absent from the horizon of urban life.</p>
<p style="text-align: justify;">On the 19th, just as I was returning from the airport, there was a small demonstration and work stoppage organized by the CGIL, the largest trade union confederation, in solidarity with Gaza. Contrary to what one might think, the CGIL decision was not the brave choice to organize a political strike, but the cowardly attempt to recover the struggle, advancing the strike that had already been scheduled for the 22nd by the grassroots unions USB, Cobas, ADL Cobas, CUB, SGB, under the impulse of the Genoa Port Workers collective. The idea would be to make a stoppage of only two hours, on a Friday afternoon, and not adhere to — and in this way weaken — the other strike scheduled for the whole Monday (a day in which a blockade would do much more damage). The maneuver, apparently, did not work out. Throughout the weekend, people around me — even many of my acquaintances who hadn&#8217;t participated in a demonstration in 15 years &#8211; kept talking about the upcoming event on the 22nd. Rain was forecast, and this raised some doubts about the success of the mobilization.</p>
<p style="text-align: justify;">On Monday morning, in fact, the rain was intense and constant. Despite this, when I arrived in Piazza Cadorna a little before the scheduled time for the concentration, you could tell that the demonstration would be huge. Thousands of people were gathering there under umbrellas, to the point that when the front of the demonstration began to move, people were still arriving in the square. The demonstration, with more than 50,000 people, marched in a confused way for almost 5 kilometres to the Central Station, not before making a detour to pass in front of the United States Consulate, where the flags of the United States, Israel, the European Union and NATO were burned. What surprised me, perhaps because I had been away from Italian protests for many years, was its political composition, that is, not the division into blocks organized by the entities and the social centers, but rather a long heterogeneous and indefinite human serpent, all behind a single sound truck of the USB union, in which the social composition was mixed: students and retirees, Arab immigrants, young secondary school students from the periphery and families with children, workers and middle class, and here and there small groups that made some specific intervention, such as a group of fanfare or healthcare workers under the banner of “healthcare workers for Gaza”. In general, it also seemed to me a not-so-loud demonstration, almost silent at times, as if the lack of a sound speaker left more room for the atrocious emptiness of the moment we are living in.</p>
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<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DO6jl2KDJNA/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by MIM (@milanoinmovimento)</a></p>
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</blockquote>
<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script><em><strong>Milan demonstration seen from above.</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">When we arrived, around 1 p.m., in the Central Station Square, the general feeling was one of strangeness: the demonstration seemed to be over, but we had not yet blocked anything, while news arrived of occupations of stations, highways, and ports in other cities. The police had a huge contingent lined up for the defence of the station, and it seemed crazy to try to challenge them, apart from the fact that no group seemed to be organised for such. Little by little, however, frustrations and expectations were leading a group of people down the stairs of the subway, from where they would have a passage to the station by underground. Just below, however, was another police contingent. The pressure was building until we managed to get to the bottom of the station thanks to a lot of shouting and some pushing. From there, however, to occupy the tracks, we had to go up to another floor by an escalator, above which the confrontation began, and continued through the glass doors of the station hall, defended by the police and destroyed by the protesters. Finally, the police began throwing tear gas canisters, many at face height. The battle lasted an hour and a half inside the station, plus a couple of hours in via Vittor Pisani, the large avenue outside the station, with the police advancing and the crowd resisting, without retreating, throwing stones and other objects. Although it did not reach the tracks, for a long time the station was closed, with the trains, already accumulating delays of more than two hours due to the strike, stopping for some time instead of passing through the station. From what I read afterwards, the participation in the most heated clashes was of a thousand people, with as many supporting from the outside. The toll was 60 police officers injured, with 24 hospitalised, 11 protesters detained (including two minors), and about ten taken away by ambulance. I was really surprised by the disposition of the crowd: I do not remember, since I was a teenager, a demonstration with such lengthy and at the same time unprepared confrontations. In the past, the most common were “performative” confrontations of the crowd from the ex <em>tute bianche</em>, with a little melee from the first lines with the police to have a photo in the media and then retreat, or moments of a more planned <em>riot</em>, with burning of cars during the demonstration by a smaller group but completely disconnected with the general feeling of the crowd, as occurred in the large “No Expo” demonstration of May 1, 2015. From there, the desert.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DO6hXCqAP2w/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DO6hXCqAP2w/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by Federação Árabe Palestina (@fepal_brasil)</a></p>
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<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script><em><strong>Videos of the confrontation</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">If Milan, due to its violent outcome, was the centre of the news and images that passed through the media and social networks — and obviously echoed by Prime Minister Giorgia Meloni, who at no time attacked the Israeli barbarism in Gaza with the same harshness that she dedicated to the “Milan vandals” —, in the rest of Italy the struggles were also giant. According to the union USB, more than 1 million people in 84 cities participated in the demonstrations.</p>
<p style="text-align: justify;">In Rome, 200 to 300 thousand people marched for 8 hours, for 10 kilometres, through the streets surrounding the Termini Station (the largest in the city), causing a momentary blockade of rail traffic, and occupying the university campus of La Sapienza and the Eastern Ring Road for hours in both directions. There, many drivers stopped in traffic didn&#8217;t react with anger but with applause, horns, and demonstrations of complicity.</p>
<p><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/NnNe1MzD2_4?si=8egqsDkgr8mFK5L3" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Drivers&#8217; support for the demonstration</strong></em></p>
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</blockquote>
<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script><em><strong>Demonstration in Rome seen from above</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Another huge demonstration happened in Bologna, with 50,000 people filling the streets of the centre to later occupy the Ring Road, where there was a police crackdown with four people arrested.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/DO5i_llCCTG/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/p/DO5i_llCCTG/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by HubAut Bologna (@hubautbologna)</a></p>
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</blockquote>
<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script><em><strong>Demonstration in Bologna</strong></em></p>
<p><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/6dD2wHPrU-c?si=_4tH6CwGyNZZv0ZJ" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Clashes on the Ring Road in Bologna</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Demonstrations with 15 to 20 thousand people also took place in Naples and Turin (where the railway station was occupied); Genoa (with the occupation of the port); and in Venice, where the social centres of the Northeast blockaded Porto Marghera and had clashes with the police, who made use of water jets.</p>
<p><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/HhCYfSOTMdQ?si=wvIlGmwayluEcGh3" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Venice</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Other clashes and arrests took place in Brescia as 10,000 protesters attempted to occupy the railway station after blocking the city&#8217;s Metro, while a similar number of people paraded in Palermo, Florence, and Pisa. In the latter city, protesters managed to block the bus station, the train station and even the Firenze-Pisa-Livorno Highway. Five thousand people took to the streets in southern cities such as Cagliari, Catania, and Bari. There were also blockades and disruptions at other major port terminals such as those in Trieste, Ravenna, Ancona, Civitavecchia and Salerno. In Livorno, the blockade of the Valessini terminal turned into a permanent protest aimed at the next day, when the passage of a US cargo ship bound for Israel was expected.</p>
<p style="text-align: justify;">As a whole, the journey was undoubtedly successful and surprising. Surprisingly, in the first place, because Italy had stayed away from the last cycles of global upheavals. Social movements are totally fragmented, and what has prevailed among comrades in recent years is a constant sense of disillusionment and impotence, feelings heightened in recent times by the rise of a far-right government. Since the beginning of the genocide in Palestine, the occupations on university campuses have shown a certain reactivation of the youth composition, certainly dominant also in the demonstrations of Monday, but extremely reduced in demographic terms in what is the second-oldest country in the world. At the same time, under the impetus of the small Palestinian youth organisation, protests in solidarity with Gaza have acquired a certain frequency, becoming, in the case of Milan, even weekly, with some small demonstrations that take place every Saturday. Possibly, the departure of the global Sumud Flotilla must have given some inspiration, as well as the French “let&#8217;s block everything” movement that has emerged in recent weeks against Macron&#8217;s policies. Perhaps the outrage has crossed some threshold with the escalation of the “final solution” to the Palestinian Holocaust set in motion by Israel in recent months. Perhaps the Palestinian issue has become the unifying theme of a set of diffuse social dissatisfaction. Maybe it is, today, <a class="urlextern" title="https://ilmanifesto.it/palestina-e-il-nome-del-nostro-scontento" href="https://ilmanifesto.it/palestina-e-il-nome-del-nostro-scontento" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">“the name of our discontent”</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">The demonstrations were undoubtedly successful, but above all, the strategic choice to block the main communication routes. Very quickly, from the blockades of the docks of the ships loaded with weapons and ammunition to directly supply the Israeli army, the understanding came that all the logistics of war are inseparable from the logistics of global capitalism in this destructive stage. If the bottlenecks of transport and communications of goods and people make up the material skeleton of the global economy, the understanding arose that it is from there that it would perhaps be possible to exercise some kind of “counterpower” to fascist barbarism.</p>
<p style="text-align: justify;">Less successful, however, was the result of the stoppage in the strict sense. Faced with the convergence between the obvious difficulties of carrying out a “political” strike (in fact, this was the first experience since the genocide in Gaza began) and the cowardice of the CGIL and the other major trade union confederations, which has hegemony of affiliates in production and public employment, the participation rate seems to have been <a class="urlextern" title="https://www.tag24.it/1353021-dati-adesione-sciopero-generale-per-gaza-22-settembre-la-percentuale" href="https://ilmanifesto.it/palestina-e-il-nome-del-nostro-scontento" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">below 10%</a> in many sectors, with probable exceptions in the public education sector and in some sectors of the circulation, which in some cities joined en masse. This opens up many questions about whether it is possible to paralyse economic life without the mass participation of the organised working class, but manage to hit the main bottlenecks of the global economy. At a time when wage pressure, unemployment, blackmail in the workplace, job insecurity and coward union leaders make it more difficult to effectively exercise the instrument of the strike, to what extent can a very effective revolt itself become a form of general stoppage?</p>
<p style="text-align: justify;">But the main question, here and now, is whether this new movement will have the strength and the capacity to move forward, to grow, to put in crisis a Meloni government that so far still sails with some degree of consensus, and above all to spill over to other countries to make a real contribution to ending the ongoing genocide. As announced by the Genoa Port Workers collective, the current strike was launched as a rehearsal for the moment when there would be some kind of aggression against the Global Sumud Flotilla, which is approaching the Gaza Strip. If this happens, the dock workers have already threatened that they will not carry “not even a nail” and would stop “the whole of Europe”. Time will tell. For now, we are left with the feeling that, for once, we have raised our heads, we have overcome resignation. Maybe it&#8217;s just a flash, a feeling that, together in the streets, we can still feel alive. That we can still shout, even if it makes almost no sense given the level of the present tragedy, that “the peoples in revolt write their history, intifada until victory!”</p>
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		<title>Velha Toupeira (35)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Oct 2025 12:43:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cartoons]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
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					<description><![CDATA[]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-157765" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/VT035-GENOCIDIO.jpg" alt="" width="2560" height="853" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/VT035-GENOCIDIO.jpg 2560w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/VT035-GENOCIDIO-300x100.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/VT035-GENOCIDIO-1024x341.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/VT035-GENOCIDIO-768x256.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/VT035-GENOCIDIO-1536x512.jpg 1536w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/VT035-GENOCIDIO-2048x682.jpg 2048w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/VT035-GENOCIDIO-1260x420.jpg 1260w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/VT035-GENOCIDIO-640x213.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/VT035-GENOCIDIO-681x227.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /></p>
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		<title>Um relato das manifestações pró-Palestina na Itália</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Sep 2025 09:59:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Greves]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
		<category><![CDATA[Itália]]></category>
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					<description><![CDATA[Talvez a questão palestina tenha se tornado o tema aglutinador de um conjunto de insatisfações sociais difusas. Por Pérez Gallo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Pérez Gallo</h3>
<p style="text-align: justify;">Participei, meio por acaso, da manifestação em Milão do dia 22 de setembro, amplamente repercutida internacionalmente devido aos violentos confrontos com a polícia que ocorreram na entrada Estação Central ferroviária. Eu estava na Alemanha durante a semana anterior, onde participava de um evento acadêmico e, sendo eu originário da Itália, decidi estender minha viagem mais uns dias em Milão, para visitar amigos e familiares. Cheguei na noite da sexta-feira, dia 19, e logo me pareceu que o clima era diferente do habitual — mais tenso, em expectativa. O genocídio palestino, de fato, é um tema muito forte no debate italiano, seja pela presença de uma importante comunidade árabe e palestina no território, seja pela proximidade geográfica e geopolítica. Mas também — acredito eu — porque na questão palestina chegaram a convergir, nos últimos anos, esperanças de retomada de alguma movimentação depois de mais de uma década de refluxo das lutas. Refluxo que em Milão se sente mais forte ainda: uma cidade completamente dominada pela <em>gentrification</em> e a especulação imobiliária, pelos grandes eventos de moda e as feiras de comida gourmet, pelo encarecimento do transporte urbano e um ritmo econômico (e de exploração) a todo vapor. E onde, faz tempo, as lutas sociais são algo meio ausente do horizonte da vida urbana.</p>
<p style="text-align: justify;">No próprio dia 19, na hora em que eu voltava do aeroporto, estava em curso um pequeno ato e paralisação organizado pela CGIL, a maior confederação sindical, em solidariedade à Gaza. Ao contrário do que se poderia pensar, a decisão da CGIL não foi a corajosa escolha de organizar uma greve política, mas a tentativa covarde de recuperar a luta, adiantando a greve que já havia sido marcada para o dia 22 pelos sindicatos de base USB, Cobas, ADL Cobas, CUB, SGB, sob impulso do coletivo de trabalhadores portuários de Gênova. A ideia seria fazer uma paralisação de apenas duas horas, na parte da tarde de uma sexta feira, e não aderir — e desta forma enfraquecer — a outra marcada para o dia inteiro da segunda-feira (um dia no qual um bloqueio faz muito mais prejuízo). A manobra, aparentemente, não deu certo. Durante todo o fim de semana, pessoas no meu entorno — até mesmo muitos conhecidos meus que não participavam de uma manifestação há 15 anos — não paravam de falar do próximo ato do dia 22. Era prevista chuva, e isso gerava dúvidas sobre o êxito da mobilização.</p>
<p style="text-align: justify;">Na manhã da segunda-feira, de fato, a chuva caía intensa e constante. Apesar disso, já ao chegar em Piazza Cadorna um pouco antes do horário marcado para a concentração, dava para saber que o ato seria grande. Milhares de pessoas iam se acumulando sob os guarda-chuvas, ao ponto de quando a frente do ato começou a se mover, na praça ainda estava chegando gente. A manifestação, com mais de 50.000 pessoas, foi desfilando de maneira confusa por quase 5 quilômetros até a Estação Central, não sem antes realizar um desvio para passar na frente do consulado dos Estados Unidos, onde foram queimadas as bandeiras dos EUA, de Israel, da União Europeia e da OTAN. O que me surpreendeu, talvez por ter ficado muitos anos afastado das manifestações italianas, foi a composição política do ato, ou seja, a não divisão em blocos organizado pelas entidades e os centros sociais, mas sim uma longa serpente humana heterogênea e indefinida, todos atrás de um único carrinho de som do sindicato USB, na qual se misturava a composição social: de estudantes e aposentados, imigrantes árabes, jovens secundaristas de periferia e famílias com crianças, trabalhadores e classe média, com aqui e acolá grupinhos que faziam alguma intervenção específica, como um grupo de fanfarras e os trabalhadores da saúde sob a faixa de “sanitários por Gaza”. Em geral, me pareceu também um ato pouco barulhento, quase silencioso em momentos, como se a falta de caixa de som deixasse mais espaço para o vazio atroz do momento que estamos vivendo.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DO6jl2KDJNA/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DO6jl2KDJNA/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by MIM (@milanoinmovimento)</a></p>
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</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Ato de Milão visto de cima<br />
<script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script></em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ao chegar, por volta das 13 horas, na praça da Estação Central, a sensação geral foi de estranhamento: o ato parecia ter acabado, mas a gente ainda não tinha bloqueado nada, enquanto chegavam notícias de ocupações de estações, rodovias e portos em outras cidades. A polícia estava com um enorme contingente alinhado para a defesa da estação e parecia loucura tentar desafiá-los, além do fato de que nenhum grupo parecia ter se organizado para isso. Pouco a pouco, todavia, frustrações e expectativas foram levando um grupo de pessoas a descer as escadas do metrô, de onde teria uma passagem para a estação por via subterrânea. Logo abaixo, porém, estava outro contingente policial. A pressão foi se acumulando, até que com muita gritaria e alguns empurrões, conseguimos entrar na parte de baixo da estação. Dali, porém, para chegar a ocupar os trilhos, a gente precisava subir até o andar de cima por uma escada rolante, acima da qual começou o confronto, que continuou nas portas de vidro da hall da estação, defendida pelos policiais e completamente destruídas pelos manifestantes. Finalmente, a polícia começou lançar bombas de gas lacrimogêneo, muitos na altura do rosto. A batalha durou uma hora e meia dentro da estação mais umas duas horas na via Vittor Pisani, a grande avenida do lado de fora, com a polícia avançando e a galera resistindo, sem recuar, lançando pedras e outros objetos. Apesar de não ter chegado aos trilhos, por um bom tempo a estação ficou fechada, com os trens que, já acumulando atrasos de mais de duas horas devido à greve, por um tempo pararam de vez de passar pela estação. Pelo que li depois, a participação nos confrontos mais acesos foi de um milhar de pessoas, com outros tantos apoiando do lado de fora. O saldo foi de 60 policiais feridos, com 24 hospitalizados, 11 manifestantes detidos (entre eles dois menores de idade), e uns dez levados embora pela ambulância. Me surpreendeu realmente a disposição da galera: não lembro, desde que era adolescente, uma manifestação com esse tipo de confrontos tão demorados e ao mesmo tempo sem preparação prévia. No passado, o mais comum eram confrontos “performáticos” da galera das ex <em>tute bianche</em>, com um pouco de corpo a corpo das primeiras linhas com a polícia para ter foto na mídia e depois recuo, ou momentos de <em>riot</em> mais planejados, com queima de carros no meio do ato por parte de um grupo menor mas completamente desconectado com o sentimento geral da manifestação, como ocorreu na grande manifestação “No Expo” de 1º de maio de 2015. De lá para cá, o deserto.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DO6hXCqAP2w/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DO6hXCqAP2w/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by Federação Árabe Palestina (@fepal_brasil)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Vídeos do confronto</em><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Se Milão, pelo seu desfecho violento, foi o centro das notícias e das imagens que passaram na mídia e nas redes — e obviamente repercutida pela primeira ministra Giorgia Meloni, que em momento nenhum atacou a barbárie israelense em Gaza com a mesma dureza que dedicou aos “vândalos de Milão” —, no resto da Itália a jornada de luta também foi gigante. Segundo o sindicato USB, a participação nos atos foi de mais de 1 milhão de pessoas em 84 cidades.</p>
<p style="text-align: justify;">Em Roma, de 200 a 300 mil pessoas desfilaram durante 8 horas, por 10 quilômetros, pelas ruas da cidade, cercando a Estação de Termini (a maior da cidade), provocando o momentâneo bloqueio do trânsito ferroviário, e ocupando o campus universitário de La Sapienza e o anel rodoviário Leste durante horas em ambas direções. Lá, muitos dos motoristas parados no trânsito, reagiram não com raiva mas com aplausos, buzinas e manifestações de cumplicidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/NnNe1MzD2_4?si=l4MwbHI_3XiygMhn" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Apoio dos motoristas à manifestação</strong><br />
</em></p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DO51pJfjNPJ/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p>&nbsp;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DO51pJfjNPJ/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by Welcome to Favelas (@welcometofavelas)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Manifestação em Roma vista de cima<script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script></em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Outra manifestação enorme foi em Bolonha, com 50.000 pessoas enchendo as ruas do centro para depois ocupar o anel rodoviário, onde houve repressão policial com quatro pessoas detidas.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-captioned="" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/DO5i_llCCTG/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p>&nbsp;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/p/DO5i_llCCTG/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by HubAut Bologna (@hubautbologna)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p><strong><em><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script>Ato em Bolonha</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/6dD2wHPrU-c?si=imycw_5Ag6L3Dwtl" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe>Confrontos no anel rodoviário em Bolonha</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Atos de 15 a 20 mil pessoas ocorreram também em Nápoles e Turim (onde foi ocupada a estação ferroviária); Gênova (com a ocupação do porto); e em Veneza, onde os centros sociais do Nordeste foram bloquear Porto Marghera e tiveram confrontos com a polícia que fez uso de jatos de água.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/HhCYfSOTMdQ?si=lEA5lhXiMEkB7Hpr" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></strong></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Veneza</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Outros confrontos e detenções ocorreram em Brescia, na tentativa dos 10.000 manifestantes de ocupar a estação ferroviária depois de bloquear o metrô da cidade, enquanto um número similar de pessoas desfilou em Palermo, Florença e Pisa. Nesta última cidade, os manifestantes conseguiram bloquear a rodoviária, a estação de trens e até mesmo a rodovia Firenze-Pisa-Livorno. Cinco mil pessoas tomaram as ruas em cidades do sul como Cagliari, Catania e Bari. Houve também bloqueios e interrupções em outras importantes terminais portuárias como as de Trieste, Ravenna, Ancora, Civitavecchia e Salerno. Em Livorno o bloqueio da terminal Valessini se transformou em um protesto permanente visando o dia seguinte, quando era esperada a passagem de um navio cargueiro norte-americano dirigido a Israel.</p>
<p style="text-align: justify;">Em seu conjunto, a jornada foi sem dúvida exitosa e surpreendente. Surpreendente em primeiro lugar porque a Itália tinha ficado afastada dos últimos ciclos de revoltas globais. Os movimentos sociais estão totalmente fragmentados, e o que tem imperado entre os camaradas nos últimos anos é uma sensação constante de desilusão e impotência, sentimentos acrescidos, nos últimos tempo, pela ascensão de um governo de extrema-direita. Sim, desde o começo do genocídio na Palestina, as ocupações nos campi universitários tinham mostrado certa reativação da composição juvenil, certamente dominante também nas manifestações da segunda-feira mas extremamente reduzida em termos demográficos naquilo que é o segundo país mais idoso do mundo. Ao mesmo tempo, sob impulso da pequena organização dos Jovens Palestinos, os protestos em solidariedade com Gaza tem adquirido certa frequência, chegando a ser, no caso de Milão, até mesmo semanais, com alguns pequenos atos que acontecem todos os sábados. Possivelmente, a saída da Global Sumud Flotilla deve ter dado alguma inspiração, assim como o movimento francês “bloqueemos tudo”, surgido nas últimas semanas contra as políticas de Macron. Quiçá a indignação tenha ultrapassado algum limiar com a escalada da “solução final” do holocausto palestino posta em marcha por Israel nos últimos meses. E quiçá a questão palestina tenha se tornado, hoje em dia, o principal tema aglutinador de um conjunto de insatisfações sociais difusas. Talvez ela seja, hoje, <a class="urlextern" title="https://ilmanifesto.it/palestina-e-il-nome-del-nostro-scontento" href="https://ilmanifesto.it/palestina-e-il-nome-del-nostro-scontento" rel="ugc nofollow">“o nome do nosso descontentamento”</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Exitosas foram sem dúvidas as manifestações, mas sobretudo a escolha estratégica dos bloqueios das principais vias de comunicações. Muito rapidamente, a partir dos bloqueios dos portuários dos navios carregados de armas e munições para abastecer diretamente o exército israelense, chegou-se a entendimento que toda a logística da guerra é inseparável da logística do capitalismo global nessa sua etapa destrutiva. Se os gargalos dos transportes e das comunicações de mercadorias e pessoas configuram o esqueleto material da economia global, surgiu o entendimento que é a partir dali que seria quiçá possível exercer algum tipo de “contrapoder” à barbárie fascista.</p>
<p style="text-align: justify;">Menos exitoso, todavia, foi o resultado da paralisação em sentido estrito. Diante da convergência entre as dificuldades evidentes de realizar uma greve “política” (de fato, essa foi a primeira experiência desde que começou o genocídio em Gaza) e a covardia da CGIL e das outras grandes confederações sindicais, que tem hegemonia de filiados na produção e no público emprego, a taxa de adesão parece ter sido <a class="urlextern" title="https://www.tag24.it/1353021-dati-adesione-sciopero-generale-per-gaza-22-settembre-la-percentuale" href="https://www.tag24.it/1353021-dati-adesione-sciopero-generale-per-gaza-22-settembre-la-percentuale" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">abaixo de 10%</a> em muitos setores, com prováveis exceções no setor da educação pública e em alguns setores da circulação, que em algumas cidades aderiram em peso. Isso abre muitas perguntas sobre se é possível paralisar a vida econômica sem a adesão em massa da classe trabalhadora organizada, mas conseguindo atingir os principais gargalos da economia global. Em tempos em que arrocho salarial, desemprego, chantagem nos locais de trabalho, precarização do emprego, direções sindicais pelegas, tornam mais difícil o efetivo exercício do instrumento da greve, até que ponto uma revolta bem efetiva pode se tornar ela mesma uma forma de paralisação geral?</p>
<p style="text-align: justify;">Mas a principal pergunta, aqui e agora, é saber se esse novo movimento terá a força e a capacidade de seguir em frente, de crescer, de colocar em crise um governo Meloni que até agora ainda navega com algum grau de consenso, e sobretudo de transboradar para outros países para dar um aporte real ao fim do genocídio em curso. Conforme anunciado pelo coletivo de portuários de Gênova, a atual greve foi lançada como ensaio geral para o momento em que houvesse algum tipo de agressão à Global Sumud Flotilla, que nesses mesmos dias está se aproximando da Faixa de Gaza. Caso isso venha a ocorrer, os portuários já ameaçaram que não irão carregar “nem sequer um prego” e parariam “a Europa inteira”. O tempo nos dirá. Por agora, ficamos com a sensação que por uma vez, levantamos a cabeça, vencemos a resignação. Quiças seja apenas por um lampejo, uma sensação de que, juntos nas ruas, podemos ainda nos sentir vivos. Que ainda podemos gritar, mesmo que quase não faça sentido dado o nível da tragédia presente, que “os povos em revolta escrevem sua história, intifada até a vitória!”.</p>
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		<item>
		<title>A morte da ajuda humanitária</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/08/157240/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Aug 2025 10:10:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Govs_nacionais_e_internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Inglaterra]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
		<category><![CDATA[Palestina]]></category>
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					<description><![CDATA[ Peter Kyle, após se formar em Geografia, trabalhou com ajuda humanitária por quase uma década. Por Leo Vinicius]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Leo Vinicius</h3>
<p style="text-align: justify;">Dos 168 funcionários da ONU mortos em 2024, 126 foram mortos por Israel em Gaza. Ano passado foi o ano em que mais trabalhadores de ajuda humanitária foram mortos no mundo: 281. Efeito do genocídio perpetrado por Israel e apoiado ativamente pelos Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido…</p>
<p style="text-align: justify;">De 8 de outubro de 2023 a maio de 2025, mais de 400 trabalhadores de ajuda humanitária e mais de 1500 trabalhadores de saúde foram assassinados por Israel em Gaza. Quase duzentos foram sequestrados por Israel, sendo torturados na prisão. Cabe mencionar também que, até o momento, Israel matou cerca de 270 jornalistas em Gaza desde 8 de outubro de 2023, a maior taxa de assassinato de jornalistas na história. Restam menos jornalistas vivos em Gaza do que o número dos que foram mortos.</p>
<p style="text-align: justify;">Como não é segredo, para além do assassinato de trabalhadores de ajuda humanitária, Israel bloqueou o sistema da ONU de ajuda humanitária para utilizar a fome como arma direta e logística de genocídio. Isso tudo, diante dos olhos do mundo como nenhum genocídio antes e com apoio ou cumplicidade dos Estados dito liberais, talvez seja indicativo de que o próprio sistema de ajuda humanitária, como tem existido, está com os dias contados.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: justify;">Kerry, uma moradora de 54 anos de Hove, cidade da costa sul da Inglaterra, é uma entre milhões de britânicos incomodados, revoltados ou indignados com o genocídio em Gaza. Dia 17 de junho de 2025 era para ser mais um dia como outros para ela. Mas às 4 horas da manhã seus dois cachorros começaram a latir em seu apartamento. Quatro policiais estavam do lado de fora. Levaram a moradora presa, e apreenderam seu computador e telefone celular.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: justify;">O inglês Peter Kyle, de 54 anos, entrou como estudante na Universidade de Sussex aos 25 anos. Após se formar em Geografia, trabalhou com ajuda humanitária por quase uma década. Foi diretor de projetos da ONG Children on the Edge, que tinha como objetivo ajudar crianças e jovens que sofreram as consequências do conflito e genocídio nos Balcãs. De 2007 a 2013 foi vice-presidente executivo da Associação de Presidentes Executivos de Organizações Voluntárias. Em 2006, Peter se tornou consultor especial de combate à exclusão social do Gabinete de Governo britânico.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 2015 ele foi eleito deputado pelo distrito de Hove, tendo sido reeleito três vezes, todas como candidato do Partido Trabalhista. Em 2024, Peter Kyle foi nomeado Secretário [Ministro] da Ciência, Inovação e Tecnologia no governo de Keir Starmer (mais conhecido como Kid Starver).</p>
<p style="text-align: justify;">No dia 8 de junho de 2025 o gabinete de Peter Kyle recebeu um email de Kerry endereçado também a Keir Starmer e outras pessoas ou departamentos do governo. O título do assunto era “Proteja a Flotilha da Liberdade”. Kerry colocou Kyle também como destinatário por ele ser o representante eleito de Hove no parlamento britânico. A ação de Kerry se enquadrava na forma de “controle social” e pressão mais banal na democracia representativa: envio de email a representantes eleitos. A essa mensagem se seguiram nos dias seguintes várias outras de Kerry, todas tratando do genocídio em Gaza, a maioria com cerca de um parágrafo, em linguagem bem escrita, educada e engajada. Também sem papas na língua, como no trecho: “Vocês já têm muito sangue nas mãos e estão do lado errado da história e um dia (inshallah) todos vocês serão julgados em Haia por suas ações”. Em nenhuma das mensagens havia ameaças ou algo ilegal.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-157242 aligncenter" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/gettyimages-2167956445-3115533585.jpg" alt="" width="1480" height="833" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/gettyimages-2167956445-3115533585.jpg 1480w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/gettyimages-2167956445-3115533585-300x169.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/gettyimages-2167956445-3115533585-1024x576.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/gettyimages-2167956445-3115533585-768x432.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/gettyimages-2167956445-3115533585-746x420.jpg 746w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/gettyimages-2167956445-3115533585-640x360.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/gettyimages-2167956445-3115533585-681x383.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 1480px) 100vw, 1480px" />Chris Henry, assessor de Peter Kyle, acionou a polícia contra Kerry no dia 16 de junho.</p>
<p style="text-align: justify;">Peter Kyle era vice-presidente do Labour Friends of Israel até assumir a pasta de Ciência, Inovação e tecnologia. O Labour Friends of Israel é uma bancada de defesa de Israel no Partido Trabalhista britânico.</p>
<p style="text-align: justify;">A morte da ajuda humanitária não pode parar. Ai de quem…</p>
<p style="text-align: justify;">Os pequenos operadores desse assassinato possuem nome e endereço, de email.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>O caso da prisão de Kerry (nome fictício), que aguarda em liberdade se será indiciada, foi exposto pelo escritor Greg Hadfield. Aqui o leitor encontrará mais detalhes sobre o caso: </em><a class="urlextern" title="https://greghadfield.medium.com/exclusive-how-labour-mp-peter-kyle-triggered-a-4am-police-raid-on-a-constituent-for-writing-to-dd012f23122e" href="https://greghadfield.medium.com/exclusive-how-labour-mp-peter-kyle-triggered-a-4am-police-raid-on-a-constituent-for-writing-to-dd012f23122e" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://greghadfield.medium.com/exclusive-how-labour-mp-peter-kyle-triggered-a-4am-police-raid-on-a-constituent-for-writing-to-dd012f23122e</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>[Grécia] Estivadores bloqueiam o Porto de Pireu em ação contra o genocídio palestino em Gaza</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/07/156960/</link>
					<comments>https://passapalavra.info/2025/07/156960/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Jul 2025 22:54:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Movimentos em Luta]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
		<category><![CDATA[Palestina]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho_e_sindicatos]]></category>
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					<description><![CDATA[Centenas de pessoas, juntamente com o sindicato dos estivadores, se reuniram no Porto de Pireu para bloquear o embarque de carregamentos militares para Israel. Por um camarada grego]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por um camarada grego</h3>
<p style="text-align: justify;">Camaradas brasileiros, no último dia 16 ocorreu uma importante ação antiguerra. Centenas de pessoas, juntamente com o sindicato dos estivadores, se reuniram no Porto de Pireu para bloquear o embarque de carregamentos militares para Israel.</p>
<p style="text-align: justify;">A ação teve como alvo cinco contêineres a bordo do navio Pisces, da COSCO, com destino ao porto israelense de Haifa. Organizado pelo sindicato ENEDEP, o bloqueio visava impedir a Grécia de auxiliar o genocídio israelense em Gaza. Enquanto guindastes movimentavam a carga, manifestantes acendiam sinalizadores e içavam faixas com os dizeres &#8220;Não à cooperação militar com o Estado assassino de Israel&#8221;. O embarque foi interrompido, com os contêineres retidos até 20 de julho. Os organizadores alertam que a situação poderá se agravar caso o bloqueio continue.</p>
<p style="text-align: justify;">O sindicato ENEDEP, filiado ao Partido Comunista da Grécia, é um dos sindicatos mais poderosos do país. Há quatro anos, durante o lockdown da COVID-19, organizou uma greve de sete dias que obrigou todos os navios comerciais a fazerem fila em frente ao porto de Pireu. Como resultado dessa mobilização, conseguiram forçar a empresa chinesa COSCO, que controla parte do porto, a recuar. O sindicato conquistou um acordo coletivo de trabalho e garantiu melhores condições de trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre a composição da mobilização: A maioria dos participantes da manifestação era de organizações de esquerda extraparlamentares, bem como do Partido Comunista da Grécia. Houve uma forte presença de estudantes universitários, enquanto o número de sindicalistas foi menor. Como resultado, o encontro teve mais o caráter de uma mobilização política de organizações do que de uma manifestação estritamente sindical.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-156961" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-17-at-22.34.00.jpeg" alt="" width="1280" height="853" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-17-at-22.34.00.jpeg 1280w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-17-at-22.34.00-300x200.jpeg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-17-at-22.34.00-1024x682.jpeg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-17-at-22.34.00-768x512.jpeg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-17-at-22.34.00-630x420.jpeg 630w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-17-at-22.34.00-640x427.jpeg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-17-at-22.34.00-681x454.jpeg 681w" sizes="auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /> <img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-156962" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-17-at-22.34.01.jpeg" alt="" width="1280" height="853" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-17-at-22.34.01.jpeg 1280w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-17-at-22.34.01-300x200.jpeg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-17-at-22.34.01-1024x682.jpeg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-17-at-22.34.01-768x512.jpeg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-17-at-22.34.01-630x420.jpeg 630w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-17-at-22.34.01-640x427.jpeg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-17-at-22.34.01-681x454.jpeg 681w" sizes="auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /> <img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-156963" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-17-at-22.34.jpeg" alt="" width="1280" height="853" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-17-at-22.34.jpeg 1280w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-17-at-22.34-300x200.jpeg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-17-at-22.34-1024x682.jpeg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-17-at-22.34-768x512.jpeg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-17-at-22.34-630x420.jpeg 630w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-17-at-22.34-640x427.jpeg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-17-at-22.34-681x454.jpeg 681w" sizes="auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /></p>
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		<title>A cumplicidade do Brasil no genocídio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Jul 2025 11:32:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Capitalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
		<category><![CDATA[Palestina]]></category>
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					<description><![CDATA[Sob seu governo o Brasil exporta combustível a um país que, segundo o próprio Lula afirma, comete um genocídio e, se não possui um regime fascista, no mínimo estaria nas mãos de fascistas. Por Leo Vinicius Liberato]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 class="level3" style="text-align: justify;">Por Leo Vinicius Liberato</h3>
<blockquote>
<p class="level3" style="text-align: justify;"><em>Não se trata de um conflito regional, mas de uma visão do amanhã. O monstro de Gaza ameaça o mundo de uma forma muito simples e imediata.</em></p>
<p class="level3" style="text-align: justify;">Jean-Pierre Filiu <strong>[1]</strong></p>
</blockquote>
<p class="level3" style="text-align: justify;">Lula não será lembrado na história como um chefe de Estado que chamou o genocídio de genocídio, mas sim como cúmplice no genocídio. Vinte e um meses se passaram desde o início do genocídio e limpeza étnica em Gaza, e o governo brasileiro não tomou nenhuma ação. Lembremos que em apenas dois meses de genocídio a situação era tão clara que a África do Sul entrou com processo contra Israel no Tribunal Internacional de Justiça (ligado à ONU) por crime de genocídio.</p>
<p class="level3" style="text-align: justify;">Ainda há tempo de frear essa barbárie.</p>
<p class="level3" style="text-align: center;">***</p>
<p class="level3" style="text-align: justify;">De fato, é falso dizer que o governo não tomou nenhuma ação. A ação do governo brasileiro tem sido descumprir recomendação do Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) <strong>[2]</strong>, a legislação e a jurisprudência internacional em relação a crimes como genocídio. O artigo I da Convenção para Prevenção e Repressão ao Crime de Genocídio obriga os Estados terceiros a prevenirem e punirem o crime de genocídio. Ora, para tanto, é obrigação dos Estados usarem os meios que possuem, como embargo de armas, sanções comerciais e econômicas, além de procedimentos judiciais <strong>[3]</strong>. A Colômbia, por exemplo, baniu a exportação de carvão para Israel. O carvão colombiano era responsável por 60% do carvão utilizado por Israel na geração de energia.</p>
<p class="level3" style="text-align: justify;">O valor das exportações brasileiras para Israel foi de 662 milhões de dólares em 2023, saltou para 725 milhões em 2024 e até esse momento em 2025 está contabilizada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) em 219 milhões de dólares. Já as importações do Brasil de produtos israelenses foram no valor de 1,35 bilhão em 2023; 1,15 bilhão em 2024 e 528 milhões de dólares em 2025 até o momento. Cerca de metade do valor das importações são de produtos químicos agrícolas, enquanto o produto mais exportado, em valor, do Brasil para Israel em 2023 e 2024 foi o petróleo bruto.</p>
<p class="level3" style="text-align: justify;">No relatório do Conselho de Direitos Humanos da ONU, <em>From economy of occupation to economy of genocide</em>, publicado em 30 de junho de 2025, a Petrobrás é mencionada como provável fornecedora de energia para o genocídio perpetrado por Israel, uma vez que ela tem maior participação na extração de petróleo de poços brasileiros e não tem sido possível determinar a fonte do petróleo brasileiro exportado a Israel <strong>[4]</strong>. As empresas e seus executivos também podem e devem responder legalmente por cumplicidade no genocídio, como deixa claro o relatório e outros pareceres e documentos de especialistas em Direito Internacional. A Petrobrás, além de tudo, é controlada pelo Estado, diferentemente das empresas que exportavam carvão colombiano para Israel.</p>
<div class="level3">
<p style="text-align: justify;">Segundo dados do MDIC os valores das exportações de petróleo bruto e combustíveis derivados de petróleo para Israel foram, respectivamente:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, crus:</strong></p>
<hr />
<p style="text-align: justify;"><strong>Em 2023: US$ 138.824.062</strong></p>
<hr />
<p style="text-align: justify;"><strong>Em 2024: US$ 215.890.164</strong></p>
<hr />
<p style="text-align: justify;"><strong>Em 2025: 0</strong></p>
<hr />
<hr />
<p style="text-align: justify;"><strong>Óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos):</strong></p>
<hr />
<p style="text-align: justify;"><strong>Em 2023: US$ 347</strong></p>
<hr />
<p style="text-align: justify;"><strong>Em 2024: US$ 43.299</strong></p>
<hr />
<p style="text-align: justify;"><strong>Em 2025: US$ 154.069</strong></p>
<hr />
<p style="text-align: justify;">Vemos que em 2025, segundo o MDIC, não teria sido exportado petróleo bruto para Israel até agora. No entanto, e embora os valores de exportação de combustível sejam mil vezes menores que o de petróleo bruto, a exportação de combustível para Israel aumentou mais de 3 vezes em relação a 2024 e mais de 443 vezes em relação a 2023. Além disso, um item de exportação para Israel é “armas e munições”. Embora os dados do MDIC não especifiquem se são produtos bélicos, o Brasil ter exportado 1,35 milhão de dólares em armas e munições em 2024 para um país cometendo genocídio, é revelador. Em 2023 foram 3,6 milhões de dólares exportados em armas e munições e em 2025 até agora os dados divulgados pelo MDIC não contabilizam nenhuma exportação.</p>
<p style="text-align: justify;">É importante acrescentar que, de acordo com o levantamento recentemente publicado pelo diretor do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro, Leandro Lanfredi, <a class="urlextern" title="https://www.esquerdadiario.com.br/O-caminho-do-petroleo-brasileiro-que-move-os-jatos-de-Israel-com-a-cumplicidade-do-Governo-Lula" href="https://www.esquerdadiario.com.br/O-caminho-do-petroleo-brasileiro-que-move-os-jatos-de-Israel-com-a-cumplicidade-do-Governo-Lula" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">Do Pré-Sal a Gaza: O caminho do petróleo brasileiro que move os jatos de Israel com a cumplicidade do Governo Lula</a>, a queda ou fim das exportações de petróleo para Israel nos dados oficiais significou apenas sua ocultação. Petróleo brasileiro tem chegado a Israel através da triangulação com outros países.</p>
<p style="text-align: justify;">Façamos uma comparação do peso econômico das exportações para Israel de carvão da Colômbia e de petróleo do Brasil, tomando como base 2023 (o ano anterior ao banimento da exportação pela Colômbia).</p>
<p style="text-align: justify;">Partindo de dados publicados pelo MDCI no Brasil e de dados que podem ser encontrados na imprensa sobre a Colômbia, o valor das exportações de carvão colombiano para Israel em 2023 era 0,86% do total de exportações da Colômbia e 4,2% do total das suas exportações de carvão. Para ter uma ideia de grandeza em relação à economia da Colômbia, o valor das exportações de carvão para Israel correspondia a 0,12% do valor do seu PIB. Já o valor das exportações de petróleo e combustíveis do Brasil para Israel em 2023 foi 0,041% do valor total das exportações do Brasil e 0,31% do total das exportações de petróleo e combustíveis do Brasil. O valor das exportações de petróleo e combustíveis para Israel correspondia a 0,006% do valor do PIB brasileiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando o governo brasileiro é pressionado internamente para romper relações com Israel, seguindo o exemplo de países como Colômbia e Bolívia, ouve-se a desculpa de que o Brasil não pode ser comparado com esses países, que pelo seu peso econômico e geopolítico suas ações possuem consequências e reações incomparáveis. Esse argumento carrega uma contradição evidente em si mesmo. Se sua importância e peso são maiores, por que então sua responsabilidade em prevenir e punir o genocídio seria menor? Por que seu dever e responsabilidade em agir seria menor e não maior? De toda forma, olhando os números do parágrafo anterior, vemos que o peso econômico das exportações de petróleo e combustíveis do Brasil para Israel é muitas vezes menor para o Brasil do que é para a Colômbia o de suas exportações de carvão para Israel. Além disso, a balança comercial com Israel é altamente negativa para o Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, trata-se de falta de vontade política do governo brasileiro romper relações comerciais com Israel. Falta de vontade política de sequer parar de exportar petróleo e combustível para alimentar o genocídio. As falas de Lula se transformam em performance para um público, contrastando com a indiferença prática em relação ao genocídio que os palestinos estão submetidos e às obrigações legais dele como chefe de Estado à luz do Direito Internacional.</p>
<p style="text-align: justify;">Em tréplica indireta à Confederação Israelita do Brasil (Conib), Lula chamou esse grupo de lobby israelense de “fascista”, embora não tenha mencionado o nome da Conib <strong>[5]</strong>. Sob seu governo o Brasil exporta combustível a um país que, segundo ele próprio afirma, comete um genocídio e, se não possui um regime fascista, no mínimo estaria nas mãos de fascistas. Nessa mesma fala, ainda discursando sobre o genocídio, Lula diz que “a única coisa que eu quero é o seguinte, que a ONU possa tomar uma decisão” [<strong>6]</strong>. Ora, Lula dá uma de “joão-sem-braço”. A ONU já tomou uma decisão, através da recomendação do seu Tribunal (o TIJ), a qual seu governo não cumpre.</p>
<p style="text-align: justify;">No dia 4 de julho último, na abertura do encontro anual do banco dos Brics, Lula afirmou que: “Há muito tempo eu não via a nossa ONU tão insignificante. (…) Não é capaz de fazer um acordo de paz para que o genocídio…” <strong>[7]</strong>. Para em seguida participar de evento da Petrobrás na refinaria de Duque de Caxias. Francesca Albanese, relatora especial da ONU sobre Direitos Humanos nos territórios palestinos ocupados e advogada especialista em Direitos Humanos, respondeu em recente entrevista à objeção ou lamentação bastante frequente de que a ONU não teria meios de forçar o cumprimento de suas resoluções <strong>[8]</strong>. Ela deixou claro que a ONU possui sim poder coercitivo, através dos Estados membros. É obrigação dos Estados membros aplicar com os meios que possuem as resoluções e recomendações da ONU. Com base nisso Albanese afirma que os Estados deveriam, por obrigação, além dos embargos e sanções, enviar navios para romper o cerco a Gaza.</p>
<p style="text-align: justify;">Pode-se afirmar, com bastante razão, que se o Brasil enviasse um navio com esse fim, o resultado seria ter seu navio bombardeado por Israel e, potencialmente, desencadear um conflito militar com Israel e Estados Unidos. O que se faz quando não se tem força para agir sozinho? Busca-se uma ação coletiva, como o Lula ex-sindicalista bem sabe. Por isso Colômbia, Bolívia, África do Sul, Cuba, Belize, Honduras, Malásia, Namíbia e Senegal tomaram iniciativa de formar o Grupo de Haia, de forma a encontrarem meios para combater os crimes cometidos por Israel na Palestina. Não apenas o Brasil não tomou nenhuma iniciativa de ação coletiva, diferentemente desses países, como até hoje não se juntou ao Grupo de Haia.</p>
<p style="text-align: justify;">Como se explica tamanha discrepância entre discurso e prática do governo brasileiro? Cinismo? hipocrisia?</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: justify;">Nos EUA, o Partido Democrata escolheu manter seu apoio, irrestrito, ao genocídio em Gaza a ganhar as últimas eleições presidenciais <strong>[9]</strong>. O Partido Trabalhista no Reino Unido está fazendo a mesma escolha de servir como preposto de Israel no Reino Unido mesmo que isso lhe custe o governo nas próximas eleições. Aqui, com votações tão apertadas, apesar da causa palestina não ter a mesma repercussão do que no eleitorado dos EUA e do Reino Unido, poderá retirar votos importantes do atual governo, uma vez que sua cumplicidade com o genocídio não pode ser escondida pela retórica.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-156953 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/petroleo-israel-429048460.jpg" alt="" width="1280" height="680" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/petroleo-israel-429048460.jpg 1280w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/petroleo-israel-429048460-300x160.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/petroleo-israel-429048460-1024x544.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/petroleo-israel-429048460-768x408.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/petroleo-israel-429048460-791x420.jpg 791w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/petroleo-israel-429048460-640x340.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/07/petroleo-israel-429048460-681x362.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /></p>
<p style="text-align: justify;">Talvez, jamais antes tenha ficado tão evidente que as democracias liberais não são por princípio um oposto ou uma barreira contra o fascismo. Através delas o supremacismo etnonacionalista e o genocídio, que é seu último termo, pode ser não apenas apoiado por governos com se tornar política pública. E se for necessário, apoiados até mesmo com a restrição da liberdade e direitos civis dos seus cidadãos e habitantes, como ocorre nos EUA, Reino Unido e Alemanha <strong>[10]</strong>. Mais uma vez o slogan <em>socialismo ou barbárie</em>, popularizado por Rosa Luxemburgo, ganha ares de axioma sociológico. Talvez nada mais contundente como empiria desse axioma do que o relatório do Conselho de DH da ONU já mencionado, <em>From economy of occupation to </em><em>economy of genocide</em>. Ele mostra uma teia de empresas do capitalismo global que lucram com a ocupação e o genocídio &#8211; o que inclui, como exemplo citado no relatório, uma empresa chinesa que lucra com a ocupação e colonização ilegais de territórios palestinos.</p>
<p style="text-align: justify;">Se capitalismo e barbárie se retroalimentam, onde estará esse socialismo que antagoniza e é uma barreira contra o fascismo, o supremacismo étnico e o genocídio?</p>
<p style="text-align: justify;">A força que antagoniza o supremacismo e o genocídio vemos nas ações internacionalistas de trabalhadores portuários, de trabalhadores organizados em redes de ação direta, de trabalhadores em formação nas universidades (estudantes)… Para além de etnias e nacionalidades, para além de identidades impostas, emerge esse sujeito coletivo cuja pátria é a humanidade, formado por trabalhadores que muitas vezes colocam em risco seu emprego, sua liberdade e por vezes sua vida para obrigar Estados, governantes e empresas a deixarem de ser perpetradores e cúmplices de genocídio e crimes contra a humanidade. Essa luta, de forma imanente, é uma luta para estabelecer um novo mundo sob os valores da solidariedade, da justiça, da igualdade e da liberdade. Um mundo antagônico ao do lucro capitalista. Quando esses valores se tornarem hegemônicos, instituindo novas relações sociais, inclusive novas relações de produção, esse novo mundo será estabelecido. O socialismo não está em ideologias, em discursos ou em símbolos de partidos e Estados. Está potencialmente nessa luta ampla e internacionalista de trabalhadores que se reconhecem em solidariedade numa humanidade comum.</p>
<p style="text-align: justify;">Com contradições e dificuldades inerentes ao contexto e às práticas sociais, uma lição preciosa os curdos socialistas aprenderam com a história e mostram ao mundo (para os que querem ver). Apesar do histórico como identidade oprimida e perseguida, não buscam construir em Rojava, norte da Síria, um Estado, e muito menos um Estado curdo, mas sim uma organização política em que todos tenham direitos iguais independente de gênero, etnia ou religião. Chamam essa organização de Confederalismo Democrático. Uma resposta diametralmente oposta àquela explorada pelo sionismo, com seu Estado &#8211; mais um para dividir e negar a humanidade &#8211; e seu supremacismo étnico-religioso.</p>
<p style="text-align: justify;">O que cabe ao governo brasileiro não é nenhuma obra de transformação ou construção de uma nova sociedade. Até porque isso não é obra de governos, mas das pessoas, dos trabalhadores organizados. Sua obrigação moral é bem mais simples: a de cortar laços econômicos e comerciais com Israel, implementar sanções e embargos de acordo com a legislação internacional e as recomendações e resoluções da ONU. Deixar de ser cúmplice do apartheid e genocídio palestino. É tornar sua prática minimamente coerente com seu discurso <strong>[11]</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Leo Vinicius Liberato é doutor em Sociologia Política pela Universidade Federal de Santa Catarina.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Notas</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1]</strong> O historiador francês Jean-Pierre Filiu visita Gaza, como parte de seu trabalho como historiador, desde 1980. Sua última estadia em Gaza foi entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025. A partir do que viu, afirma categoricamente que “não se trata de um conflito regional, mas de uma visão do amanhã”. Gaza se tornou um lugar onde “a lei internacional, diretos humanos básicos, a Convenção de Genebra, a atitude em relação aos direitos humanos &#8211; tudo isso foi jogado de lado sem hesitação, sendo suplantado pela força extremamente violenta, bruta e aleatória”. O “monstro de Gaza” se espalhará pelo globo, “ele ameaça o mundo de uma forma muito simples e imediata”. Ler: “&#8217;Now I Understand Why Israel Is Denying Journalists Access to the Appalling Scene in Gaza&#8217;” <a class="urlextern" title="https://www.haaretz.com/israel-news/2025-07-05/ty-article-magazine/.highlight/now-i-understand-why-israel-is-denying-journalists-access-to-the-appalling-scene-in-gaza/00000197-d952-da1d-a5ff-f95612dd0000" href="https://www.haaretz.com/israel-news/2025-07-05/ty-article-magazine/.highlight/now-i-understand-why-israel-is-denying-journalists-access-to-the-appalling-scene-in-gaza/00000197-d952-da1d-a5ff-f95612dd0000" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://www.haaretz.com/israel-news/2025-07-05/ty-article-magazine/.highlight/now-i-understand-why-israel-is-denying-journalists-access-to-the-appalling-scene-in-gaza/00000197-d952-da1d-a5ff-f95612dd0000</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[2]</strong> Ver: <a class="urlextern" title="https://www.un.org/unispal/document/position-paper-commissionof-inquiry-18oct24/" href="https://www.un.org/unispal/document/position-paper-commissionof-inquiry-18oct24/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://www.un.org/unispal/document/position-paper-commissionof-inquiry-18oct24/</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[3]</strong> Ver, por exemplo: <a class="urlextern" title="https://www.somo.nl/wp-content/uploads/2024/06/Obligations-of-Third-States-and-Corporations-to-Prevent-and-Punish-Genocide-in-Gaza-3.pdf" href="https://www.somo.nl/wp-content/uploads/2024/06/Obligations-of-Third-States-and-Corporations-to-Prevent-and-Punish-Genocide-in-Gaza-3.pdf" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://www.somo.nl/wp-content/uploads/2024/06/Obligations-of-Third-States-and-Corporations-to-Prevent-and-Punish-Genocide-in-Gaza-3.pdf</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[4]</strong> O relatório está disponível aqui: <a class="urlextern" title="https://www.ohchr.org/sites/default/files/documents/hrbodies/hrcouncil/sessions-regular/session59/advance-version/a-hrc-59-23-aev.pdf" href="https://www.ohchr.org/sites/default/files/documents/hrbodies/hrcouncil/sessions-regular/session59/advance-version/a-hrc-59-23-aev.pdf" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://www.ohchr.org/sites/default/files/documents/hrbodies/hrcouncil/sessions-regular/session59/advance-version/a-hrc-59-23-aev.pdf</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[5]</strong> Assistir: <a class="urlextern" title="https://www.facebook.com/reel/1031194831874934" href="https://www.facebook.com/reel/1031194831874934" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://www.facebook.com/reel/1031194831874934</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[6]</strong> idem</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[7]</strong> Assistir: <a class="urlextern" title="https://www.youtube.com/watch?v=FAuHNuo_RLk" href="https://www.youtube.com/watch?v=FAuHNuo_RLk" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://www.youtube.com/watch?v=FAuHNuo_RLk</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[8]</strong> “Starvation and Profiteering in Gaza (w/ Francesca Albanese) | The Chris Hedges Report” <a class="urlextern" title="https://www.youtube.com/watch?v=wbakVaOGgOk" href="https://www.youtube.com/watch?v=wbakVaOGgOk" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://www.youtube.com/watch?v=wbakVaOGgOk</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[9]</strong> “Biden voters passed on Kamala Harris because of Gaza, new poll shows”</p>
<p style="text-align: justify;"><a class="urlextern" title="https://www.middleeasteye.net/news/biden-voters-passed-kamala-harris-because-gaza-new-poll-shows" href="https://www.middleeasteye.net/news/biden-voters-passed-kamala-harris-because-gaza-new-poll-shows" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://www.middleeasteye.net/news/biden-voters-passed-kamala-harris-because-gaza-new-poll-shows</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[10]</strong> Para o caso mais recente no Reino Unido, a inedita proscrição como grupo terrorista de uma rede de ação direta não-violenta: <a class="urlextern" title="https://passapalavra.info/2025/07/156892/" href="https://passapalavra.info/2025/07/156892/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://passapalavra.info/2025/07/156892/</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[11]</strong> Para quem acha que exigir esse mínimo, básico, de um governo, possui algo de radical, recomendo a leitura do artigo do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, cobrando ação de outros governos: <a class="urlextern" title="https://www.theguardian.com/commentisfree/2025/jul/08/governments-stand-up-to-israel-colombia" href="https://www.theguardian.com/commentisfree/2025/jul/08/governments-stand-up-to-israel-colombia" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://www.theguardian.com/commentisfree/2025/jul/08/governments-stand-up-to-israel-colombia</a></p>
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