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	<title>Líbia &#8211; Passa Palavra</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>50 tons de Melanina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Mar 2018 18:17:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Estética]]></category>
		<category><![CDATA[Líbia]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[Impotente frente aqueles camaradas que me impediam de erguer minha bandeira, singrei rumo ao bar, o que me importava a escravidão da Líbia se nem mais podia erguer minha bandeira. Por Douglas Rodrigues Barros Sentado de novo sobre os degraus do Velho Theatro municipal, não entendo muito bem a expressão nervosa do homem à minha frente. [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Impotente frente aqueles camaradas que me impediam de erguer minha bandeira, singrei rumo ao bar, o que me importava a escravidão da Líbia se nem mais podia erguer minha bandeira.</em> <strong>Por Douglas Rodrigues Barros</strong></p>
<p><span id="more-118510"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Sentado de novo sobre os degraus do Velho Theatro municipal, não entendo muito bem a expressão nervosa do homem à minha frente. Na escuridão de um meio dia de verão, no céu e toda sua batalha de nuvens cinzentas indiferentes, lá estava eu com as pernas recolhidas observando os faroletes do carro de polícia brilharem nas costas do homem que ainda gesticulava. Não sei quanto a você, mas eu não sou dado a retórica e argumentação, quando falam alto me recolho como aquele personagem de <em>Angústia </em>do velho Graça.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma cena sem dúvida pós-apocalíptica, uma cor cinza com odor, um mendigo com um saco de papai Noel nas costas e eu querendo erguer minha bandeira. Entre o trepidar dos carros sacolejantes, a rua entulhada de gente e lixo, uma moça que sendo muito bonita carregava, contudo, um olhar atarefado, um barulho silencioso de buzinas lá pelos lados da galeria do Rock e uma rouquidão no céu que dava seu alarme de chuva. Me perdia nos detalhes, enquanto eles cuspiam os fardos e depositavam em nossas caras descrentes os mil quilos de crença sobre o retorno às origens.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter wp-image-118511" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2018/03/tons.jpg" alt="" width="468" height="351" /></p>
<p style="text-align: justify;">Não poderíamos erguer nossas bandeiras, e pior, não eram policiais, nem sequer membros da extrema-direita que nos impediam. Diziam-se de esquerda. Monotonia na minha retina, segundo eles, era preciso construir um Estado para os povos originários de matriz africana, afinal eu nem era um negro “retinto”, pior, eu era muito aculturado e europeizado. “Sua organização é muito mista companheiro!”.</p>
<p style="text-align: justify;">Não queria brigar, não queria nem argumentar para que não se sentisse o hálito da fome em minha boca causado por 50 quilômetros de trem. Chorei por dentro, descrente e sem mais entusiasmo. Impotente frente àqueles camaradas que me impediam de erguer minha bandeira, singrei rumo ao bar, o que me importava a escravidão da Líbia se nem mais podia erguer minha bandeira.</p>
<p style="text-align: justify;">Com certeza as nobilitações do meu arrependimento se dariam pelo egoísmo. “Porra cruzei a cidade e não poderei erguer minha bandeira”, pensei. Minhas culpas no poço sem fundo das minhas ignorâncias, um fio de indignação sem nome. Entro no bar, sorri uma garota leve que ganha corpo de madona em seguida. “Uma cerveja amigo!”, peço. Homens passam encharcados, observo o reflexo deles no chão molhado, reflito na fala de meu amigo: “melhor não levar isso para a reunião para não dividir ainda mais o movimento!”, enquanto no alto-falante da televisão o Datena acompanhava a perseguição policial contra dois homens <em>pretos</em> numa CG 150.</p>
<p>Douglas Rodrigues Barros<br />
<em>08 de dezembro de 2017</em><br />
<em>“Crônica escrita na traseira de folheto socialista </em><br />
<em>entre cervejas e indagações”</em></p>
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		<title>A Líbia pode desintegrar-se como a Somália</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 18 Sep 2011 08:43:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Govs_nacionais_e_internacionais]]></category>
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					<description><![CDATA[A revolução da Líbia, conduzida por um aglomerado díspar de democratas e islamistas e seus aliados imperialistas, pode vir a cavar as profundas divisões existentes no país, escreve Samir Amin, advertindo para uma possível desintegração do país. Por Samir Amin A Líbia não é a Tunísia nem o Egipto. O grupo dominante (Khadafi) e as [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>A revolução da Líbia, conduzida por um aglomerado díspar de democratas e islamistas e seus aliados imperialistas, pode vir a cavar as profundas divisões existentes no país, escreve Samir Amin, advertindo para uma possível desintegração do país.</em> <strong>Por Samir Amin</strong></p>
<p><span id="more-46204"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/09/f_libiasamiramin3.jpg"><img decoding="async" class="alignright size-medium wp-image-46206" title="f_libiasamiramin3" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/09/f_libiasamiramin3-300x215.jpg" alt="f_libiasamiramin3" width="300" height="215" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/09/f_libiasamiramin3-300x215.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/09/f_libiasamiramin3.jpg 418w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a>A Líbia não é a Tunísia nem o Egipto. O grupo dominante (Khadafi) e as forças que o combatem são em tudo diferentes dos seus correspondentes tunisinos ou egípcios. Khadafi nunca passou de um palhaço, cujo vazio de pensamento está reflectido no seu conhecido “Livro Verde”. Agindo numa sociedade arcaica e parada, Khadafi bem podia comprazer-se em sucessivos discursos “nacionalistas” e “socialistas” desligados da realidade e, no dia seguinte, autoproclamar-se como um “liberal”.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele só o fez para “agradar ao Ocidente”, como se a opção pelo liberalismo pudesse deixar de ter efeitos na sociedade. Mas tinha e, como toda a gente sabe, ela piorou as condições de vida da maioria dos líbios. Os benefícios do petróleo, antes amplamente redistribuídos, tornaram-se o alvo de pequenos grupos de privilegiados, entre eles a família do líder. Essas condições deram origem à bem conhecida explosão [social], de que os regionalistas e os políticos islamistas do país logo tiraram proveito.</p>
<p style="text-align: justify;">Porque a Líbia nunca existiu realmente enquanto nação. É uma região geográfica que separa o mundo árabe ocidental do mundo árabe oriental (o Magrebe e o Mashreq). A fronteira de transição de um para o outro situa-se mesmo no meio da Líbia. A Cirenaica era historicamente grega e helenística antes de se tornar mashrequiana. A Tripolitânia, por seu lado, era romana e tornou-se magrebina. Por isso o regionalismo sempre foi muito forte no país.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/09/f_libiasamiramin1.jpg"><img decoding="async" class="alignleft size-medium wp-image-46205" title="f_libiasamiramin1" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/09/f_libiasamiramin1-300x201.jpg" alt="f_libiasamiramin1" width="300" height="201" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/09/f_libiasamiramin1-300x201.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/09/f_libiasamiramin1.jpg 482w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a>Ninguém sabe quem são realmente os membros do Conselho Nacional de Transição em Bengazi. Pode haver democratas entre eles, mas certamente há também islamistas, alguns deles da pior das estirpes, e ainda regionalistas. O presidente desse conselho é Mustafa Muhammad Abdeljelil, o juiz que condenou à morte as enfermeiras búlgaras <strong>[1]</strong> e foi premiado por Khadafi, que o nomeou ministro da Justiça entre 2007 e Fevereiro de 2011. Foi por esse motivo que o primeiro-ministro da Bulgária, Boikov, se recusou a reconhecer o conselho, mas as suas razões não foram levadas em conta pelos EUA nem pela Europa.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde o seu início, o “movimento” da Líbia tomou a forma de uma revolta armada em combate contra o exército, e não de uma vaga de manifestações civis. E logo de seguida essa revolta chamou a NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) em sua ajuda. Assim foi dada, às potências imperialistas, a oportunidade para uma intervenção militar.</p>
<p style="text-align: justify;">O seu objectivo seguramente não era “a protecção dos civis” nem a “democracia”, mas sim o controlo sobre os campos petrolíferos, os recursos aquíferos subterrâneos e a aquisição de uma importante base militar no país. É claro que, tão logo Khadafi optou pelo liberalismo, as companhias petrolíferas ocidentais tiveram o controlo sobre o petróleo libiano. Mas com Khadafi nunca se podia estar seguro de nada. E se, de repente, ele mudasse de orientação e começasse a jogar com a Índia e a China? Mais importantes são os recursos aquíferos subterrâneos que poderiam ser usados em benefício dos países africanos do Sahel <strong>[2]</strong>. Empresas francesas bem conhecidas estão interessadas nesses recursos (o que explica o imediato envolvimento da França). Vão usá-los de maneira mais “proveitosa” para produzir agrocombustíveis.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/09/f_libiasamiramin4.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright size-medium wp-image-46207" title="f_libiasamiramin4" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/09/f_libiasamiramin4-300x300.jpg" alt="f_libiasamiramin4" width="300" height="300" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/09/f_libiasamiramin4-300x300.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/09/f_libiasamiramin4-70x70.jpg 70w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/09/f_libiasamiramin4.jpg 500w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a>Em 1969 Khadafi exigiu que os britânicos e os estadunidenses retirassem as bases que mantinham no país desde a Segunda Guerra Mundial. Actualmente os EUA precisam de encontrar em África uma localização para o seu AFRICOM (o comando militar dos EUA para a África, parte importante da sua estratégia para o controlo militar do mundo mas que ainda continua baseado em Stuttgart! [Alemanha]). A União Africana rejeitou-o e, até agora, nenhum país africano o aceitou. Um lacaio instalado em Trípoli certamente aceitaria todas as exigências de Washington e dos seus lugar-tenentes da NATO. O que seria uma ameaça directa contra a Argélia e o Egipto.</p>
<p style="text-align: justify;">Dito isto, continua a ser difícil prever qual será o comportamento do “novo regime”. Não é de excluir a possibilidade de uma desintegração do país como na Somália.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Notas</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1]</strong> Referência ao “caso das enfermeiras búlgaras”, ou “caso do HIV na Líbia”, em 1998, em que um médico interno palestiniano e cinco enfermeiras búlgaras do Hospital Infantil El-Fatih, em Bengazi, foram acusados de terem deliberadamente infectado cerca de 400 crianças com o vírus da sida [aids]. Foram condenados à morte, e por fim viram a sentença comutada em prisão perpétua por decisão de uma comissão de ministros. Em 2007, após complicadas negociações com a UE, foram extraditados para a Bulgária e acabaram por ser libertados depois de o presidente búlgaro lhes ter comutado as penas. [NDT]</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[2]</strong> Faixa subsaariana que atravessa a África desde o Atlântico ao Mar Vermelho, de transição entre o deserto e a savana subtropical. Inclui, no todo ou em parte, o Senegal, o Mali, o Burkina Faso, o sul da Argélia, o Níger, o norte da Nigéria, o Chade, o Sudão (incluindo o Darfur e o Sudão do Sul), o norte da Etiópia e a Eritreia. [NDT]</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Original (em inglês) deste artigo no <a title="http://www.pambazuka.org/en/category/features/76091" rel="nofollow" href="http://www.pambazuka.org/en/category/features/76091" target="_blank">Pambazuka News</a>. Tradução do Passa Palavra.</em></p>
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		<title>Estupro eficaz</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jun 2011 21:40:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Flagrantes Delitos]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
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					<description><![CDATA[O promotor-chefe da Corte Penal Internacional, Luis Moreno-Ocampo, afirmou ter provas de que Muamar Khadafi ordenou o estupro em massa de mulheres ligadas às forças rebeldes. Moreno-Ocampo disse ainda que sua equipe de investigação encontrou elementos que confirmam a compra de medicamentos do tipo Viagra pelo governo líbio. Ao que tudo indica, contêineres de medicamentos [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O promotor-chefe da Corte Penal Internacional, Luis Moreno-Ocampo,  afirmou ter provas de que Muamar Khadafi ordenou o estupro em massa de  mulheres ligadas às forças rebeldes. Moreno-Ocampo disse ainda que sua  equipe de investigação encontrou elementos que confirmam a compra de  medicamentos do tipo Viagra pelo governo líbio. Ao que tudo indica,  contêineres de medicamentos contra impotência sexual foram adquiridos  para ampliar a possibilidade e a eficácia dos estupros (fontes: Reuters e  BBC). <em><strong>Passa Palavra</strong></em></p>
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		<title>Como a Small World News treina jornalistas populares e regista reportagens da Líbia</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Mar 2011 12:18:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Líbia]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia/comunicação_social]]></category>
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					<description><![CDATA[Armada com algumas câmaras [câmeras] Kodak Zi8, seis telemóveis [celulares] Wildfire HTC, energia e competência em formação de jornalistas populares, a Small World News está a trabalhar para dar a conhecer ao mundo notícias sobre a Líbia. Por Melissa Ulbricht, MobileActive.org A Small World News [Notícias do Pequeno Mundo, ou Pequenas Notícias do Mundo] está [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Armada com algumas câmaras [câmeras] Kodak Zi8, seis telemóveis [celulares] Wildfire HTC, energia e competência em formação de jornalistas populares, a Small World News está a trabalhar para dar a conhecer ao mundo notícias sobre a Líbia.</em> <strong>Por Melissa Ulbricht, MobileActive.org</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-38151"></span>A <a href="http://smallworldnews.tv/" target="_blank"><span class="urlextern">Small World News</span></a> [Notícias do Pequeno Mundo, ou Pequenas Notícias do Mundo] está no terreno em Benghazi <a title="http://smallworldnews.tv/2011/03/16/bootstrapping-alive-in-libya/" rel="nofollow" href="http://smallworldnews.tv/2011/03/16/bootstrapping-alive-in-libya/" target="_blank">treinando líbios</a> na captação e montagem de reportagens em vídeo acerca do que acontece nessa conturbada região. Ao mesmo tempo, a equipa também faz reportagens que a mídia dominante do sistema não consegue fazer. O MobileActive.org conversou a noite passada, por <em>chat</em>, com Brian Conley, fundador da Small World News, para ele nos contar como estão a correr as coisas. Ficámos a saber que a captação e a partilha de matérias da Líbia tem tanto a ver com tecnologia como com o estabelecimento de relações de confiança e de contactos com os jornalistas que estão no terreno.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A Small World News e a Alive.in</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A Small World News é uma produtora de documentários e novos suportes de comunicação que fornece instrumentos aos jornalistas e aos cidadãos de todo o mundo para contarem histórias sobre as suas próprias vidas. Já havíamos falado da Small World News que, no passado, ajudou uma <a href="http://www.mobileactive.org/afghan-news-agency-retools-mobile-technology" target="_blank"><span class="urlextern">agência noticiosa independente do Afeganistão</span></a> a integrar os telemóveis [celulares] e as SMS nos seus serviços noticiosos.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_libiaswn04.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-38157" title="f_libiaswn04" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_libiaswn04.jpg" alt="f_libiaswn04" width="400" height="273" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_libiaswn04.jpg 400w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_libiaswn04-300x204.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a>No âmbito do seu trabalho na Líbia, a Small World News capta reportagens áudio de pessoas que estão no terreno, que depois são transmitidas para um amplo público internacional. Isso é feito através do <a href="http://twitter.com/speak2tweet" target="_blank"><span class="urlextern">Speak2Tweet</span></a>, um <a href="http://www.huffingtonpost.com/2011/01/31/google-speak-to-tweet_n_816657.html" target="_blank"><span class="urlextern">projecto conjunto</span></a> Google-Twitter e SayNow, que permite a uma pessoa enviar mensagens <em>tweet</em> ligando por telefone para um número e deixando mensagens faladas [“voice mail”].</p>
<p style="text-align: justify;">Conley e a sua equipa reconheceram a possibilidade que dá o Speak2Tweet de contornar os cortes da comunicação via internet, e sabiam que isso poderia ser potenciado com a tradução dos conteúdos para inglês, atingindo assim um público mais vasto. Neste preciso momento, na Líbia, qualquer pessoa pode enviar um <em>tweet</em> deixando uma mensagem de voz num número internacional (+16504194196, +390662207294, e +442033184514) e o serviço enviará automaticamente a mensagem para o Twitter usando o “hashtag” [referência] #libya e #feb17.</p>
<p style="text-align: justify;">Conley e a sua equipa estão, também, a treinar pessoas em Banghazi para publicarem esses conteúdos no [site] <a href="http://alive.in/libya/" target="_blank"><span class="urlextern">Alive.in/libya</span></a>. A empresa criou muitos outros <a href="http://smallworldnews.tv/2011/03/09/alive-in-small-world-newss-next-step/" target="_blank"><span class="urlextern">sites Alive.in</span></a>, como o <a href="http://egypt.alive.in/" target="_blank"><span class="urlextern">Alive.in/egypt</span></a>, o <a href="http://alive.in/bahrain" target="_blank"><span class="urlextern">Alive.in/bahrain</span></a> e o <a href="http://alive.in/iraq" target="_blank"><span class="urlextern">Alive.in/iraq</span></a>. Os <a href="http://smallworldnews.tv/2011/03/09/alive-in-small-world-newss-next-step/" target="_blank"><span class="urlextern">sites</span></a> são “orientados pela necessidade premente que têm os movimentos democráticos de comunicarem a realidade dos acontecimentos activamente escondidos pelos governos autoritários e pelos médias [mídia] estatais”, declara a Small World.</p>
<p style="text-align: justify; background-color: #e9e6e6; margin: 20px; width: 300px; font-family: Times; float: right; font-size: 10pt; border: 4px outset black; padding: 20px;"><strong>AUTONOMIZAR A INFORMAÇÃO POPULAR DIRECTA</strong><br />
Desde o dia 11 de Março, a Small World News [Notícias do Pequeno Mundo] tem estado em Benghazi, Líbia, com o generoso apoio da Access [accessnow.org] na divulgação do Alive.in/Libya a partir do terreno. Temos estado a trabalhar intensamente para treinar uma equipa de videojornalistas populares, recrutados entre a juventude local. No curto espaço de uma semana, demos aos participantes uma formação básica em produção [de] vídeo e conseguimos ultrapassar as limitações tecnológicas impostas pela actual crise na Líbia, abrindo um canal de comunicação popular com a comunidade internacional, que esperamos possa alargar-se nos próximos dias.<br />
Esta nossa iniciativa teve como motivação de base uma grande curiosidade acerca da natureza dessa juventude que está a redesenhar o rosto no Médio-Oriente sob a bandeira dos valores universais da liberdade, da dignidade e da autodeterminação. O que viemos encontrar parece bom demais para ser verdade. E, à luz da nossa experiência até aqui, nos parece ser bem real.<br />
Nas deslocações que fizemos a regiões assoladas por conflitos violentos, sempre conseguimos encontrar bons amigos que desafiam os nossos estranhos e nocivos preconceitos acerca das pessoas que vivem nas zonas “perigosas” do mundo. A Líbia não é excepção. Os nossos interlocutores são médicos, engenheiros, professores, trabalhadores do comércio e técnicos informáticos cujas vidas mudaram radicalmente em poucas semanas.<br />
O espírito cívico libertado pela revolução de 17 de Fevereiro é algo que testemunhamos com humildade. A espontaneidade da sublevação foi de par com os subsequentes esforços de auto-organização que devolveram a muita gente o sentimento de serem donos do seu país. Nos cidadãos normais, lançou um desejo, há muito tempo frustrado, de corrigirem a impressão geral que o mundo possa ter deles e que resulta de se verem associados, há muito tempo, ao regime de Muammar Khadafi. Muitos deles exprimem, agora, o desejo de mostrar ao mundo o que consideram ser o seu verdadeiro rosto.<br />
O nosso objectivo é facilitar a concretização deste desejo de auto-expressão através da organização de uma equipa de produção; facultar-lhes o uso de instrumentos de comunicação baratos, leves e versáteis; desenvolver um método eficaz de enviar conteúdos para a internet, com os condicionalismos locais; e criar uma plataforma na internet, com as suas armas de comunicação comunitária, para os dar a conhecer em todo o mundo.<br />
<em><strong>Louis Abelman</strong>, da SmallWorldNews.tv, original <a href="http://smallworldnews.tv/2011/03/16/bootstrapping-alive-in-libya/" target="_blank">aqui</a>. Tradução do Passa Palavra.</em></p>
<p style="text-align: justify;">O conteúdo dos sites é uma escolha dos materiais disponíveis a partir da internet e também da construção de uma rede de pessoas “com banda estreita [de internet] e fortes barreiras a uma informação de confiança.” A Small World News está agora em Benghazi para fazer isso mesmo: “organizar e treinar uma equipa de jovens líbios locais que querem produzir vídeos sobre o que está a acontecer, e informar o mundo”, diz Conley.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que a Small World News está a fazer em Benghazi</strong></p>
<p style="text-align: justify;">No começo, Conley e a sua equipa estavam apenas a traduzir as mensagens à medida que iam chegando via Speak2Tweet, e a tentar puxar vídeos interessantes da internet, traduzindo-os e legendando-os quando necessário. Mas a organização conseguiu financiamento seguro para uma viagem à Líbia e agora está em Benghazi a treinar jornalistas populares individuais autóctones. “Fomos convidados por líbios a treinar pessoas locais na captação de vídeos e na produção dos seus próprios conteúdos”, disse Conley.</p>
<p style="text-align: justify;">A Small World News chegou na sexta-feira [11 de Março] com várias câmaras [câmeras] Kodak Zi8 e seis telemóveis Wildfire HTC. Encontrou líbios que queriam aprender como produzir e partilhar conteúdos com facilidade. “Fizemos contactos pessoais e tudo foi construído a partir daí”, disse Conley.</p>
<p style="text-align: justify;">De facto acabaram por se haver com demasiada gente interessada. “Começámos a apalpar o terreno, tentando perceber a quem é que poderíamos dar formação, até que ficámos com demasiada gente para formar,” disse Conley. “Não temos equipamento suficiente para tanta gente.”</p>
<p style="text-align: justify;">Aconteceu um grupo de formandos ter-se constituído praticamente por acaso. Conley estava a trabalhar num centro de jornalismo onde a sua equipa começara por se basear e, quando surgiu um problema logístico, telefonou a um contacto pessoal. Mas deu-se o caso de se tratar de outra pessoa com o mesmo nome. Conley apresentou-se e explicou o propósito da sua estadia em Benghazi. “Ficámos a conversar, e essa pessoa acabou por dizer que ele e os seus amigos gostariam de realizar alguma documentação em vídeo acerca do que estava a acontecer na Líbia”, disse Conley. “Veio mesmo a calhar, porque se tratava de um grupo de pessoas que já se conheciam, que queriam fazer esse tipo de trabalho, e que estavam à procura de quem os orientasse. Foi mágico.”</p>
<p style="text-align: justify;">A Small World News tem agora uma equipa de uma dúzia de homens e mulheres, entre os 16 e os 30 anos de idade, que estão a aprender como produzir conteúdos em vídeo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Objectivo: construir um canal eficaz para os conteúdos</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O objectivo, disse Conley, é construir um canal eficaz e sustentável para os conteúdos produzidos por cidadãos acerca da vida quotidiana na Líbia, capaz de atingir um público mais amplo. A Small World News espera que se chegue à criação de um site local, mas por agora o conteúdo do site Alive.in/libya “visa atingir directamente a comunidade internacional e, em geral, o público de todo o mundo.”</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_libiaswn02.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-38156" title="f_libiaswn02" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_libiaswn02.jpg" alt="f_libiaswn02" width="400" height="268" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_libiaswn02.jpg 400w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_libiaswn02-300x201.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a>“Basicamente,” disse Conley, “é um lugar para dar aos líbios um meio de falarem directamente para o mundo.”</p>
<p style="text-align: justify;">A Small World News também está a usar o Alive.in/libya para puxar conteúdos das redes sociais e partilhar conteúdos locais. No futuro, vai considerar a possibilidade de os indivíduos, por si mesmos, poderem dar a conhecer as suas próprias reportagens, seja por meio de uma “hashtag” específica, ou subindo-as para uma “dropbox” [caixa de depósito] pública. “Quando voltar a haver internet, acho que muito mais gente poderá publicar os seus conteúdos,” disse Conley.</p>
<p style="text-align: justify;">Então como é que a Small World News consegue captar conteúdos com uma internet e umas comunicações móveis tão pouco fiáveis na região? Conley responde: “Basta sabermos com quem falar.” Meio a brincar, disse que “estamos em condições de conseguir essa conexão falando com alguém que conheça o primo de alguém.” A Small World News também dispõe da opção de cópia de segurança via satélite, à qual ainda não teve de recorrer.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Possibilidade única de reportagem a partir das linhas da frente</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Além de treinar líbios na produção de reportagens em vídeo, a Small World News teve a oportunidade de captar reportagens extraordinárias a partir da porta oriental da cidade de Ajdabiyah. “Neste preciso momento estamos a transmitir para as redes mediáticas porque estamos, agora, a recolher uma reportagem que, temos a certeza, mais ninguém está a fazer,” disse Conley. Podem ver-se vários <a href="http://alive.in/libya/" target="_blank"><span class="urlextern">vídeos</span></a> acabados de publicar no site Alive.in/libya.</p>
<p style="text-align: justify;">Porquê? Porque muitos jornalistas profissionais estão a ser impedidos de se dirigirem às linhas da frente, disse Conley. Os locais têm muitas vezes a possibilidade de chegar mais perto e de captar material bruto de reportagem. “Uma série de meios de comunicação foram-se embora, e muitos mais estão agora em vias de ir,” disse Conley. “Diz-se que as pessoas vão embora sobretudo porque não conseguem ter acesso, e estão a gastar imenso dinheiro para se manterem aqui.”</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_libiaswn05.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright size-full wp-image-38158" title="f_libiaswn05" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_libiaswn05.jpg" alt="f_libiaswn05" width="400" height="293" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_libiaswn05.jpg 400w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_libiaswn05-300x219.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a>O que, naturalmente, levanta a questão da segurança. Sobre as suas deslocações em Benghazi na sexta-feira, Conley disse que “era perfeitamente seguro”. Não teve problemas nenhuns e estava tudo calmo o tempo todo.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas “o problema mais importante é que há muita confusão sobre quem é jornalista credenciado. As pessoas têm medo quando veem líbios a filmar vídeos porque há muita paranóia com a possibilidade de haver elementos leais a Khadafi e infiltrados,” disse Conley. “Há que ter muitas cautelas, sobretudo depois do assassinato recente de um jornalista da Al-Jazira.”</p>
<p style="text-align: justify;">É óbvio que existe um problema de confiança e de estresse. “Assegurar que toda a gente se sinta segura e determinar como levar a oposição a perceber que nós estamos aqui para ajudar e, também, que estamos aqui convidados,” disse Conley. “É uma situação muito fluida. Sendo mais ou menos segura fisicamente, há muita tensão no ar, muito estresse”, referiu.</p>
<p style="text-align: justify;">Também tivemos desafios técnicos. Primeiro, a conta do equipamento de satélite da nossa equipa não tinha sido activada, e Conley descobriu que esse pagamento nunca havia sido feito. Demorou alguns dias a conseguir pô-la a funcionar, mas quando falámos com ele a situação já tinha sido testada e estava tudo a funcionar.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar dos desafios inerentes ao trabalho a partir da Líbia, a Small World News tem tido êxitos consideráveis. À cabeça, o ter conseguido publicar muitos vídeos no site Alive.in/libya – quase 500 Mb. “Conseguimos subir 20 ou 30 clips,” disse Conley, e ainda estamos a traduzir alguns conteúdos. A equipa tem a colaboração dos mesmos tradutores que a ajudaram no Egipto. (Ver <a href="http://smallworldnews.tv/2011/02/17/how-we-did-it-alive-in-egypt/" target="_blank"><span class="urlextern">aqui</span></a> mais informação sobre o que fizeram no Egipto). Na legendagem está de momento a ser usado o <a href="http://www.universalsubtitles.org/en/" target="_blank"><span class="urlextern">Universal Subtitles</span></a>, sobretudo porque a internet continua muito lenta.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Tecnologia dos telemóveis [celulares]</strong></p>
<p style="text-align: justify;">“Para as comunicações, os telemóveis [celulares] não se revelaram assim tão úteis,” disse Conley. Ele e o seu colega começaram por trazer seis telefones Wildfire HTC, mas não conseguiram ligar três deles. As mensagens de texto estão “totalmente desactivadas” na região, as redes “vão e vêm” e não há serviço GPRS [transmissão de dados mais rápida, por pacotes]. Mas as pessoas, especialmente os jornalistas, têm usado o Nokia E72, ou equivalente, para captar as reportagens.</p>
<p style="text-align: justify;">Actualização: Na terça-feira [15 de Março] Conley contou que todas as redes móveis tinham ido abaixo. Antes tinham sinal, mas as chamadas não passavam. Agora não há sinal nenhum.</p>
<p style="text-align: justify;">Conley sublinha o papel importante dos telemóveis [celulares] na recolha e na partilha de vídeos, sobretudo por meio do bluetooth. “É o modo que mais temos usado para visionar os vídeos feitos por locais,” disse. “Os telemóveis [celulares] têm, neste momento, um papel muito importante na produção e na distribuição de materiais, e não apenas em termos de comunicação.” De momento, a comunicação no terreno parece ser mais conseguida pessoa-a-pessoa e através do treino individual.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Artigo original (em inglês) <a title="http://www.mobileactive.org/case-studies/reports-libya-how-small-world-news-trains-citizen-journalists-and-captures-footage-fron" rel="nofollow" href="http://www.mobileactive.org/case-studies/reports-libya-how-small-world-news-trains-citizen-journalists-and-captures-footage-fron" target="_blank">aqui</a>. Tradução do Passa Palavra.</em></p>
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		<title>Costa do Marfim: À beira da guerra civil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Mar 2011 14:14:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[A falta de cobertura noticiosa acerca da Costa do Marfim não significa que a situação tenha melhorado, escreve Sokari Ekine, nesta revista da semana sobre os protestos em todo o continente, que também aborda as situações no Egipto, na Líbia, na Mauritânia e no Zimbabué.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;"> <strong>Por Sokari Ekine</strong></h3>
<p><strong>Costa do Marfim</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dois países africanos estão presentemente à beira da guerra civil. Um deles é noticiado minuto a minuto pela mídia internacional, pelo twitter e pelos blogues. O outro mal começa a emergir nos confins da consciência internacional. Ao contrário da Líbia, a Costa do Marfim não tem importância estratégica e a possibilidade de se perder o seu recurso principal – o cacau – não induz o pânico no mundo dos mercados financeiros e dos governos.</p>
<figure id="attachment_37548" aria-describedby="caption-attachment-37548" style="width: 448px" class="wp-caption alignright"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim07.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37548 " title="f_marfim07" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim07.jpg" alt="Manifestação de mulheres em Abidjan" width="448" height="299" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim07.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim07-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 448px) 100vw, 448px" /></a><figcaption id="caption-attachment-37548" class="wp-caption-text">Manifestação de mulheres em Abidjan</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Mas para a subsistência dos recolectores, dos agricultores e da economia do país, o cacau é um salva-vidas e uma forte razão para se lutar. Alassane Ouattara tinha lançado o apelo à proibição temporária da venda do cacau, na esperança de que isso forçasse Gbagbo a abandonar o poder. Gbagbo reagiu agora ordenando ao governo que assuma o controlo de todas as encomendas e exportações de cacau. Os preços do cacau na Nigéria e em São Tomé subiram nos últimos meses e por certo estes países irão tirar benefícios das perdas da Costa do Marfim.</p>
<p style="text-align: justify;">Numa escalada de ataques contra Ouattara e os seus apoiantes, o britânico <em>Guardian</em> noticia que gangues de jovens “saquearam” as casas de ministros e outros aliados do presidente Alassane Ouattara, que se mantém sob a protecção das Nações Unidas enquanto Laurent Gbagbo parece decidido a arrastar o país para a guerra civil.</p>
<p style="text-align: justify;">Na sexta-feira 5 de Março, foram mortas seis mulheres, e muitas outras feridas, por tropas leais a Laurent Gbagbo. Não era a primeira vez que mulheres apoiantes de Alassane Ouattara se manifestavam pacificamente e não havia razão para pensar que seriam alvejadas. A <a href="http://www.ips.org/africa/2011/03/ivorian-women-fatally-shot-at-rally" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">IPS</span></a> conta:</p>
<p style="text-align: justify;">“Sirah Drane, de 41 anos, que ajudou a organizar o desfile, disse que estava a segurar no megafone, preparando-se para falar à multidão, quando viu chegar os blindados.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim06.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-37554" title="f_marfim06" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim06.jpg" alt="f_marfim06" width="474" height="310" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim06.jpg 474w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim06-300x196.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 474px) 100vw, 474px" /></a>‘Havia milhares de mulheres’, disse. ‘E nós dissémo-nos «Eles não vão atirar contra mulheres.» … Ouvi um estampido. Começaram a molhar-nos. … Tentei correr e caí ao chão. Fui pisada pelas outras. Abrir fogo contra mulheres desarmadas? É inconcebível.?”</p>
<p style="text-align: justify;">A <a href="http://allafrica.com/stories/201103050342.html" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">mídia local</span></a> tem maneiras diferentes de noticiar as mortes. O <em>Soir Info</em> relata que as mulhetes eram “militantes femininas” que enfrentaram as “forças de Defesa e de Segurança”. O <em>Notre Voie</em> [pró-Gbagbo] diz que “toda essa história não passa de um subterfúgio para desacreditar a administração de Gbagbo”.</p>
<p style="text-align: justify;">Os assassinatos provocaram – já não era sem tempo – uma reacção dos EUA via Twitter por parte do porta-voz do Departamento de Estado, P. J. Crowley. Quanto a mim, penso que um acontecimento tão horrível mereceria mais do que uma declaração do Departamento de Estado dos EUA no Twitter. Hillary Clinton veio depois com uma declaração a condenar as mortes, mas nada se ouviu ainda da boca do presidente Obama.</p>
<p style="text-align: justify;">A União Africana [UA] mostrou-se, também, totalmente inepta e irrelevante quanto à crise do continente – possivelmente porque muitos dos chefes de Estado estão, cada um pelo seu lado, a tremer de medo que as massas dos seus países venham para a rua. Os cinco mediadores – Abdel Aziz (Mauritânia), Jakaya Kikwete (Tanzânia), Jacob Zuma (África do Sul), Blaise Compaore (Burkina Faso) e Idriss Deby (Chade) – produziram um terceiro relatório, datado de 7 de Março. Falam de uma situação de choque e clamam por contenção entre todas as partes – os habituais eufemismos que não querem dizer nada.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://allafrica.com/comments/list/aans/post/post/id/201103070449.html" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Uma das reacções</span></a> a essa declaração [dos mediadores da UA] é demolidora e faz a comparação com o facto de os EUA se apresentarem coo mediadores no conflito israelo-palestiniano:</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim08.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright size-full wp-image-37549" title="f_marfim08" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim08.jpg" alt="f_marfim08" width="455" height="256" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim08.jpg 650w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim08-300x168.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 455px) 100vw, 455px" /></a>“Essa UA manifestou o seu inquebrantável apoio ao escaparate estrangeiro Ouattara e seu bando de rebeldes contra o presidente Gbagbo e os Marfinenses na infeliz sequência de acontecimentos que se vai espalhando pela Costa do Marfim.</p>
<p style="text-align: justify;">“Do que se trata realmente? Temos um partido beligerante em conflito a dizer que o outro partido beligerante tem de negociar no terreno dele – ou seja, aceitando os seus termos. O que fazer com o tempo e os recursos perdidos? … Esta farsa lembra-nos o espectáculo dos EUA a audesignarem-se como mediadores no conflito entre os Palestinianos e Israel/EUA. Será de admirar que, nesse caso, a “paz” continue a ser um objectivo tão ilusório? De facto, o lado Israel/EUA, nessa disputa, não deseja realmente a “paz” nesse conflito. A beligerância e a guerra são desejadas pelos EUA e pela Europa (como forma de manter destabilizados os países arabo-palestinianos ricos em recursos que mandam petróleo e compram armas ao Ocidente) e são uma tábua de salvação para essa cunha lá espetada e pobre em recursos que é Israel…”</p>
<p style="text-align: justify;">Um amigo sugeriu-me que uma das razões para a falta de atenção da mídia à Costa do Marfim é o limitado número de utilizadores do Twitter e de outras redes virtuais nesse país. Isso pode influenciar o tipo e a quantidade de informações que chegam do país, mas não é certamente uma razão para a falta de cobertura noticiosa. Um Twitter activo é o de <a href="http://twitter.com/toussaintalain" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Toussaint Alain</span></a>, colaborador de Laurent Gbagbo, que, num <em>tweet</em> acusa Ouattara de estar metido em “rituais satânicos ao serviço da ambição política”:</p>
<p style="text-align: justify;">“Alassane Ouattara ou a política dos corpos queimados. Rituais satânicos ao serviço de uma ambição política.”</p>
<p style="text-align: justify;">Um outro, <a href="http://twitter.com/marticotivoir" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">@marticotivoir</span></a> escreve que espera que o país não se afunde num novo Ruanda:</p>
<p style="text-align: justify;">“Não deixemos que uma Costa do Marfim descontrolada se torne amanhã o Ruanda da África Ocidental. Desculpem, Lmpistas, reajam.”</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>África do Norte</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Está a tornar-se impossível manter-se a par dos <em>tweets</em> vindos da Líbia e do Egipto. A Al-Jazira criou uma página Twitter especial que ilustra os números. Na segunda-feira 7 de Março, houve 1.391 do Egipto e 2.933 da Líbia. Segue-se um breve apanhado dos blogues norte-africanos.</p>
<figure id="attachment_37555" aria-describedby="caption-attachment-37555" style="width: 428px" class="wp-caption alignright"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim11egipto.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37555 " title="f_marfim11egipto" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim11egipto.jpg" alt="Manifestantes invadem instalações da polícia política de Mubarak" width="428" height="283" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim11egipto.jpg 611w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim11egipto-300x198.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 428px) 100vw, 428px" /></a><figcaption id="caption-attachment-37555" class="wp-caption-text">Manifestantes invadem instalações da polícia política de Mubarak</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">O <a href="http://www.arabawy.org/" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Arabawy</span></a> relata de vários protestos em todo o Egipto, de trabalhadores que apelam à demissão de “ditadores” institucionais, incluindo os quadros da Segurança do Estado. Fala também de “bandidos” do exército a atacar manifestantes que tentavam invadir o Ministério do Interior – sede das forças de segurança do Estado. Os revolucionários encontraram milhares de dossiês sobre cidadãos nos Serviços de Segurança.</p>
<p style="text-align: justify;">O <a href="http://egyptianchronicles.blogspot.com/2011/03/night-capital-of-hell-fell-down.html" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Egyptian Chronicles</span></a> escreve acerca da “Noite em que a capital do inferno tombou”:</p>
<p style="text-align: justify;">“Como eu dava a entender nos dois <em>posts</em> anteriores sobre as sedes dos Serviços de Segurança em <a href="http://egyptianchronicles.blogspot.com/2011/03/fall-of-state-security-kingdom-in-egypt.html" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Alexandria</span></a> e em <a href="http://egyptianchronicles.blogspot.com/2011/03/fall-of-state-security-kingdom-in-egypt_05.html" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">6 de Outubro</span></a> <strong>[1]</strong>, os manifestantes decidiram protestar somente na sede de Nasr City às 16h, sobretudo depois de terem conhecimento de que, aqui, os funcionários tem estado a destruir sistematicamente a documentação que os pode incriminar. Algumas pessoas dizem que a laceração e a queima de documentos começou com a demissão de Shafik <strong>[2]</strong> e o colapso do seu ministério, enquanto outras dizem que este processo sistemático estava em curso desde a queda de Habib Al Adly <strong>[3]</strong> e dos seus homens”.</p>
<p style="text-align: justify;">O <a href="http://egypt.alive.in/2011/03/05/egyptian-against-burning-of-archives-and-records" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Alive in Egypt</span></a> [Vivo no Egipto] refere este caso com um apelo aos militares para que parem essa tentativa de queimar os arquivos do regime de Mubarak:</p>
<p style="text-align: justify;">“Apelo ao Alto-Conselho das Forças Militares para que se oponha firmemente aos elementos transgressores que tentam queimar os arquivos e registos do ex-governo corrupto. Seria bom que as forças militares tivessem uma atitude firme contra esses indivíduos, mesmo que se trate de oficiais de polícia ou outros que estão a tentar encobrir o que foi feito por suas mãos ou por mãos do anterior governo, mesmo que seja preciso activar uma parte do exército egípcio na reserva. O Egipto tem enormes forças armadas defensivas de reserva. Compete aos militares e ao Alto-Conselho activar metade dessas reservas para manter a segurança, para ajudar o exército a manter a segurança, e levar a julgamento todos quantos estejam a incorrer em actos ilegais, mesmo que se encontrem entre os oficiais de polícia corruptos renitentes à segurança e à ordem no Egipto.”</p>
<p style="text-align: justify;">Na Líbia, diz o UNHCR [Alto-Comissariado para os Refugiados da ONU] que se verificam contínuas agressões e ameaças contra trabalhadores migrantes do sul do Saara. O coronel Khadafi, tal como o rei Abdullah de Marrocos, tinham feito acordos com a Itália e a Espanha, respectivamente, para policiar os movimentos migratórios de trabalhadores africanos e asiáticos. No caso da Espanha, isso significou que os que tentassem chegar a Espanha teriam de seguir a rota, mais longa e perigosa, da Mauritânia para Espanha. Em 2005 deu-se o caso de cerca de 500 migrantes encurralados no Saara sem comida nem água pela polícia marroquina. Este caso foi falado, mas creio haver razões para pensar que não foi o primeiro. Na Líbia, os migrantes que foram detidos ficaram presos no sul do país em condições horrorosas. Assim sendo, há que considerar que <a href="http://www.guardian.co.uk/world/2010/sep/01/eu-muammar-gaddafi-immigration" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">a obsessão da Europa com a segurança das suas fronteiras</span></a> irá condicionar qualquer apoio aos revolucionários da Líbia.</p>
<p style="text-align: justify;">O <a href="http://panafricannews.blogspot.com/2011/03/libya-getting-it-right-revolutionary.html" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Pan African News</span></a> [Gerald Perreira] apresenta o único artigo, entre os que li, que é favorável à “revolta contra-revolucionária” de Muammar Khadafi. Critica o que chama “analistas ‘ocidentoxicados’ que só conseguem recorrer a uma perspectiva eurocentrista”. Algumas das questões que ele levanta são de considerar, mas penso que isso não equivale a apoiar um homem que está no poder há quarenta anos e que fez acordos com a Europa para oprimir e torturar outros africanos. Se bem entendo, “Jamahiriya” significaria democracia popular. Algures no caminho, isso desapareceu. Algumas das questões são: Se a Líbia tem uma taxa de desemprego de 30%, porque tem tantos trabalhadores estrangeiros? O nosso bloguista afirma que “há muita complexidade na actual situação”. Então porque adopta uma perspectiva tão simplista dos trabalhadores migrantes e dos níveis de desemprego?</p>
<p style="text-align: justify;">Ele questiona a opinião de que a “revolta” é devida a razões económicas porque:</p>
<p style="text-align: justify;">“… o país tem o mais elevado nível de vida da África”, “os jovens vestem-se bem, alimentam-se bem, e têm uma boa educação”… Todos os líbios têm acesso gratuito à educação e aos serviços médicos e de saúde, muitas vezes de excelente qualidade. Os novos centros escolares e hospitais estão ao nível dos mais altos parâmetros internacionais. Todos os líbios têm uma casa ou um andar, um carro, e a maior parte têm televisões, gravadores de vídeo e telefones. Comparados com a generalidade dos cidadãos de países do Terceiro Mundo, e mesmo com muitos do Primeiro Mundo, os líbios estão mesmo muito bem”.</p>
<p style="text-align: justify;">Isto pode muito bem ser verdade, mas só serve para mostrar que as pessoas querem e precisam de sentir que têm algum controlo sobre as suas vidas – que podem livremente podem exprimir as suas opiniões e participar no processo político. Que podem decidir como são governadas as suas comunidades.</p>
<p style="text-align: justify;">O que é realmente desconcertante é o facto de o autor considerar que alguns dos títulos encomiásticos dados a Khadafi por outros africanos – como “Rei dos Reis”, “Irmão Líder” e “Guia da Revolução” – são provas das suas credenciais “revolucionárias” e do seu papel como porta-voz de toda a África. Construir um movimento de base com ditadores e chefes no seu topo não é propriamente o meu conceito de uma democracia revolucionária popular e dificilmente poderá levar a mudanças radicais.</p>
<p style="text-align: justify;">Por fim, esse autor prossegue afirmando que os mercenários que combatem pelo coronel Khadafi são de facto “combatentes pela liberdade” – lutam para “defender Khadafi e a revolução líbia”. Isto é mesmo difícil de acreditar. Se Khadafi era assim tão altruista, porque é que se comportou como um polícia por conta da Europa? Porque aprisionou milhares de nigerianos e outros migrantes oeste-africanos no sul do Saara? Sendo o “Rei dos Reis da África”, porque não acolheu estes migrantes e os deixou usufruir das conquistas revolucionárias da Líbia?</p>
<figure id="attachment_37556" aria-describedby="caption-attachment-37556" style="width: 420px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim11libia.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37556 " title="f_marfim11libia" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim11libia.jpg" alt="Centenas de trabalhadores migrantes africanos, sobretudo do Gana e da Nigéria, vivem junto do aeroporto de Tripoli (Líbia), na esperança de apanharem um avião de volta a casa." width="420" height="245" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim11libia.jpg 600w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim11libia-300x175.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 420px) 100vw, 420px" /></a><figcaption id="caption-attachment-37556" class="wp-caption-text">Centenas de trabalhadores migrantes africanos, sobretudo do Gana e da Nigéria, vivem junto do aeroporto de Tripoli (Líbia), na esperança de apanharem um avião de volta a casa.</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">A explicação está porventura nesta citação do coronel revolucionário (no jornal britânico <a href="http://www.guardian.co.uk/world/2010/sep/01/eu-muammar-gaddafi-immigration" target="_blank" rel="noopener"><em><span class="urlextern">Guardian</span></em></a>):</p>
<p style="text-align: justify;">“Nós não sabemos qual será a reacção dos europeus branco e cristãos perante este influxo de africanos esfomeados e ignorantes”, disse o líder líbio numa reunião em Roma, em que participava o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi. “Não sabemos se a Europa continuará a ser um continente avançado e unido ou se será destruído, como aconteceu com as invasões bárbaras”.</p>
<p style="text-align: justify;">Claro que não é de excluir que ele não tenha dito exactamente isto. O autor do blogue tem o direito a desconfiar das análises eurocêntricas, mas é igualmente questionável apresentar o Khadafi de hoje como o Rei revolucionário da África. Ser crítico em relação ao regime de Khadafi não significa subscrever as políticas dos EUA e da Europa para a África, nomeadamente quando se trata da AFRICOM <strong>[4]</strong>, das “zonas de exclusão aérea” ou das políticas anti-imigração da Europa. Não é uma escolha de dois termos apenas. Essa retórica sobre a democratização é hipocrisia, pois a última coisa que os EUA e a Europa desejam é haver países que escapam aos ditames do ocidente.</p>
<p style="text-align: justify;">O blogue <a href="http://www.arabist.net/blog/2011/3/3/the-qadhafi-social-network.html" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">The Arabist</span></a> publica uma elucidativa representação gráfica das “redes sociais e de poder em torno de Muammar Khadafi. É um trabalho em curso e irá sento actualizado à medida que for havendo mais informação disponível. Também publica outro gráfico desse tipo para o Conselho Militar egípcio.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mauritânia</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O blogue <a href="http://themoornextdoor.wordpress.com/2011/03/04/mauritanian-youth-protesters-7-points" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Moor Next Door</span></a> [Os Vizinhos Mouros] dá informações sobre a Mauritânia, onde os organizadores dos recentes protestos publicaram no Facebook uma lista de sete reivindicações. (Ler o <em>post</em> no blogue para mais informação.)</p>
<p style="text-align: justify;">“A retirada dos militares do poder, de volta à sua nobre missão e o seu afastamento da política.<br />
A autêntica e completa separação de poderes: legislativo, judicial e executivo.<br />
O reforço da unidade nacional e a criação de um organismo nacional para combater a escravidão e as suas tradições.<br />
Mudanças constitucionais radicais, que deverão incluir a reforma do sistema eleitoral.<br />
A reforma e efectiva implementação da Lei da Transparência <strong>5</strong>. A abolição do posto de “Hakem” <strong>[6]</strong> e a entrega de poderes administrativos a representantes municipais eleitos.<br />
A eleição dos directores dos meios audiovisuais e das instituições mais importantes do Estado, e o fim da sua nomeação ou demissão por decisão unilateral do Presidente <strong>[7]</strong>.”</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Zimbabué</strong></p>
<p style="text-align: justify;">39 dos 45 activistas pela justiça social foram libertados da prisão de Mugabe e prossegue a campanha pela libertação dos restantes seis, que são acusados de traição. Os seis presos são: o activista de género Antonater Choto, os dirigentes da União Nacional de Estudantes do Zimbabué [ZINASU] Welcome Zimuto e Eddson Chakuma, o activista sindical Tatenda Mombeyarara, o coordenador da Organização Internacional Socialista e advogado do trabalho Munyaradzi Gwisai e o membro da Campanha Anti-Dívida Hopewell Gumbo.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim11zimbabue.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright size-full wp-image-37557" title="f_marfim11zimbabue" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim11zimbabue.jpg" alt="f_marfim11zimbabue" width="450" height="283" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim11zimbabue.jpg 500w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim11zimbabue-300x188.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px" /></a>O [blogue] Anarkismo publicou uma actualização que diz: “… os direitos legais dos seis já estão a ser violados e, ainda antes de o tribunal decidir se são culpados ou inocentes, está já estão a ser severamente punidos. Os homens têm estado em isolamento 23 horas por dia e são autorizados a sair [das celas] por dois períodos diários de 30 minutos. As mulheres estão a ser submetidas a trabalhos pesados. Até o procurador do Estado admitiu que o isolamento e os trabalhos pesados são graves violações dos direitos dos activistas (embora negando que existam).</p>
<p style="text-align: justify;">“Mas o próprio Estado começa a mostrar sinais da pressão da campanha. Acerca dos seis presos, o magistrado afirmou que a conversa entre Gwisai, Choto, Gumbo, Zimuto, Mombeyarara e Chakuma, centrada na possibilidade de fazer no Zimbabué o mesmo que tinha sido feito no Egipto, não era simples “conversa de acaso” mas sim uma autêntica conspiração. Todavia o magistrado disse que o relatório da única testemunha do Estado (um agente da polícia que presenciou a reunião sob disfarce e que declarou ter observado todos os 45 suspeitos a cometer o crime) era fictício”.</p>
<p style="text-align: justify;">Nunca totalmente silenciado, o WOZA (Mulheres e Homens do Zimbabué, Ergamo-nos) ergueu-se na segunda-feira 7 de Março em <a href="http://www.sokwanele.com/thisiszimbabwe/archives/6432" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">cinco manifestações separadas contra as sistemáticas prisões e torturas</span></a> dos seus membros, assim como em antecipada celebração do Dia Internacional das Mulheres:</p>
<p style="text-align: justify;">“Um forte contingente de polícia de choque foi colocado no local anunciado para os protestos do WOZA”, escreve o <em>The Chronicle</em>. “No entanto, assim que ouviram as vozes que cantavam em coro, deslocaram-se apressadamente para vários quarteirões mais acima com a intenção de intervir. A canção transmitia uma mensagem forte: Kubi kubi siyaya – noma kunjani – besitshaya; besibopha; besidubula, siyaya. Em tradução apressada: “A situação é má mas havemos de conseguir chegar aonde queremos; mesmo que nos espanquem, que nos prendam, que nos atirem a matar, havemos de lá chegar”. Um oficial de polícia, que estava a mandar dispersar uma das manifestações, disse: “De que direitos estão vocês a falar? Vocês estão a mentir, o que vocês querem é uma revolução!”</p>
<p style="text-align: justify;">“Depois de terem dispersado as manifestações, cerca de 40 agentes em uniforme apreenderam todos os cartazes e panfletos onde eram mostrados dois dos seus colegas que tinham torturado membros [do WOZA]. Um agente veio ter com um homem que segurava um desses cartazes. Disse-lhe para lho mostrar e perguntou porque estava a escrever nele. O homem respondeu que precisava de papel de rascunho para escrever uma coisa. O agente tirou-lho e dobrou-o cuidadosamente até ficar o mais pequeno possível e meteu-o no bolso dizendo ao homem que é proibido empunhar uma coisa daquelas”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Notas</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1]</strong> Cidade de cerca de meio milhão de habitantes, 32km a sul do Cairo. [NDT]</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[2]</strong> Ahmed Mohamed Shafik, ex-ministro da Força Aérea que Mubaraz nomeaou primeiro-ministro em 29 de Janeiro último, e que se demitiu em 3 de Março. [NDT]</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[3]</strong> Antigo ministro do Interior de Mubarak que, juntamente com outros dois ex-ministros, foi recentemente preso e acusado de corrupção. Calcula-se que tenha acumulado uma fortuna de 1.200 milhões de dólares. [NDT]</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[4]</strong> Centro do Secretariado [Ministério] da Defesa dos EUA que controla as relações militares com 53 países africanos. [NDT]</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[5]</strong> Lei que obriga os titulares de cargos públicos a declarar os seus bens. Uma das queixas correntes é que os ministros e outros titulares de cargos declaram os seus bens ao governo, mas essas declarações não são tornadas públicas. [Nota do blogue Moor Next Door]</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[6]</strong> Cargo administrativo por nomeação do nível de prefeito de sub-região, abaixo do “Wali” e acima do prefeito municipal [presidente de câmara].<br />
Cada uma das 13 províncias (ou regiões) da Mauritânia tem um Wali (governador) nomeado por Nouakchott (e directamente responsável perante o Ministro do Interior) que superintende a administração pública.<br />
O Hakem (prefeito) é outro funcionário nomeado que superintende a administração de uma prefeitura ou sub-região (muqata’a).<br />
Os prefeitos municipais [presidentes de câmara] são eleitos e responsáveis pela administração da cidade, e respondem perante o Hakem; muitas vezes as cidades têm vários vice-prefeitos assim como conselhos de notáveis.<br />
(…)<br />
Os acontecimentos de Fassala foram em parte originados por um insulto do Hakem às tribos que tinham vindo junto dele pedir a resolução de uma disputa em torno do uso de um poço. (…). [Nota do blogue Moor Next Door]</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[7]</strong> Sobretudo uma referência à liberalização dos meios de comunicação e à responsabilização dos titulares de cargos. [Nota do blogue Moor Next Door]</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Sokari Ekine</strong> é uma escritora e activista de origem nigeriana que, além de colaborar com o Pambazuka News, fundou e escreve regularmente no blogue <a href="http://www.blacklooks.org/" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Black Looks</span></a>.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Artigo original (em inglês) no <a href="http://www.pambazuka.org/en/category/features/71557" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Pambazuka News</span></a>. Tradução Passa Palavra.</em></p>
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		<title>Manifestações em África: fala-se mais de uns países do que de outros?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Mar 2011 23:04:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[África]]></category>
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					<description><![CDATA[Centrando-se na Líbia, na Costa do Marfim, nos Camarões, no Gabão e no Zimbabué, Sokari Ekine dá-nos uma panorâmica das diferenças de cobertura mediática internacional e social dos múltiplos sites sobre as contínuas manifestações em toda a África.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;"> <strong>Por Sokari Ekine</strong></h3>
<p><strong>Líbia</strong></p>
<figure id="attachment_37286" aria-describedby="caption-attachment-37286" style="width: 400px" class="wp-caption alignright"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/00_tobrouk-youth-of-libyac2a9azls.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37286" title="00_tobrouk-youth-of-libyac2a9azls" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/00_tobrouk-youth-of-libyac2a9azls.jpg" alt="Juventude líbia em Tobrouk" width="400" height="348" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/00_tobrouk-youth-of-libyac2a9azls.jpg 400w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/00_tobrouk-youth-of-libyac2a9azls-300x261.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a><figcaption id="caption-attachment-37286" class="wp-caption-text">Juventude líbia em Tobrouk</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Aquilo que na Líbia começou como um levantamento popular vem-se tornando uma guerra civil, com soldados do exército líbio a passar para o lado dos revoltosos e alguns destes a pegarem em armas contra as forças do coronel Khadafi, como se pode ver neste <a class="urlextern" title="http://www.youtube.com/watch?v=b1SBWRXIQl4" href="http://www.youtube.com/watch?v=b1SBWRXIQl4" rel="nofollow">vídeo algo chocante</a>, amplamente difundido na net, com efectivos do exército líbio a protegerem os manifestantes contra as forças pró-Khadafi. O @EnoughGaddafi diz no Twitter: “Foram feitas detenções em massa em Tripoli, uma testemunha presencial da prisão de Jdeida diz que ali se encontra grande quantidade de activistas e de feridos”. Uma mensagem tweeter lembra-nos o caos e o perigo para as vidas humanas que pode resultar das reportagens da mídia internacional:</p>
<p style="text-align: justify;">“@bintlibya: @AlJazeera p.f. pára de transmitir chamadas de pessoas que dão localizações e pormenores de coisas que estão para acontecer, [com isso] vocês estão provocando mais prejuízo do que ajuda #Líbia”</p>
<p style="text-align: justify;">Dezenas de milhares de pessoas, sobretudo estrangeiros residentes na Líbia, estão a fugir do país e já há uma crise humanitária na fronteira com a Tunísia. As mensagens do UNHCR (Alto-Comissariado da ONU para os Refugiados) sublinham o pânico que se está gerando:</p>
<p style="text-align: justify;">“@refugees: <a href="http://twitter.com/#%21/search?q=%23UNHCR" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">#UNHCR</span></a> &amp; <a href="http://twitter.com/#%21/search?q=%23IOM" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">#IOM</span></a> pedem aos governos que disponibilizem massivos recursos financeiros e logísticos, incluindo aviões + barcos: cresce a cada hora a multidão que aflui à fronteira entre a <a href="http://twitter.com/#%21/search?q=%23Libya" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Líbia</span></a> e a <a href="http://twitter.com/#%21/search?q=%23Tunisia" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Tunísia</span></a>”</p>
<p style="text-align: justify;">“@refugees: Tendas! tendas! tendas! Dezenas de milhares [de refugiados] na fronteira com a Tunísia, sendo que a Tunísia franqueou as fronteiras a todos eles. <a href="http://twitter.com/#%21/search?q=%23Libya" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">#Líbia</span></a>”</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto Khadafi busca novas maneiras de atacar os líbios, estes descarregam a sua cólera contra os mercenários da África ocidental e oriental que ele pôs em acção pelo país, e os trabalhadores migrantes do sul do Saara são cada vez mais atacados e impedidos de sair do país. Com o racismo que há na Líbia e o baixo estatuto social dos trabalhadores negros estrangeiros, não tardou muito que começasse a haver ataques contra inocentes.</p>
<p style="text-align: justify;">@melissafleming repercute um email que recebeu: “email de um refugiado somali em Tripoli: estamos a ser atacados por gente daqui… a nossa casa foi incendiada, 7 somalis mortos…”</p>
<p style="text-align: justify;">A <a href="http://www.afrol.com/articles/37465" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Afrol News</span></a> informa:</p>
<p style="text-align: justify;">“Em Al-Bayda, prosseguem a caça e as prisões arbitrárias contra africanos subsaarianos. A Sra. Wold também falou com um grupo de jovens líbios, que patrulha as ruas de acordo com as autoridades provisórias da cidade, composto por civis e oficiais do exército revoltosos. Esses jovens disseram-lhe abertamente que estavam nas ruas “para tentar apanhar mercenários e entregá-los às autoridades”.</p>
<p style="text-align: justify;">“As notícias vindas de outras cidades líbias ‘libertadas’ são semelhantes. Em Benghazi, na semana passada, civis atacaram e destruíram um edifício onde moravam 36 cidadãos do Chade, do Niger e do Sudão. Os africanos eram acusados de serem ‘mercenários’ e depois foram presos – disseram habitantes locais aos jornalistas ocidentais.”</p>
<p style="text-align: justify;">@elicopter_mid: “um número massivo de trabalhadores africanos acumula-se nas zonas costeiras da Líbia. Talvez erradamente alvejados, acusados de ajudar o Khadafi. Ameaçador…”</p>
<p style="text-align: justify;">@northafrica: “diz-se que tropas tuaregues do Mali, do Niger e de outros países do Sahel [sub-Saara] estão a ajudar Khadafi a troco de apoio financeiro que ele…”</p>
<p style="text-align: justify;">@shababLibya: “Última hora: parece que 70 carros chegaram perto da cidade de Ras Lanuf para dar apoio a um batalhão no ataque para retomar a cidade de Brega e o seu aeroporto… Diz-se que os carros estão cheios de mercenários que pretendem juntar-se a um batalhão nas imediações de Ras Lanuf para se dirigirem para Brega para recuperar a Líbia”</p>
<p style="text-align: justify;">O blogue <a href="http://bikyamasr.com/wordpress/?p=29164" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Bikyamasr</span></a> noticia que milhares de trabalhadores africanos negros (que continuam a ser chamados ‘africanos’ por não acharem que os líbios são africanos) tentam fugir da Líbia sendo-lhes recusada a entrada em navios de evacuação no porto de Benghazi. O que é confirmado por @refugees:</p>
<p style="text-align: justify;">Preocupados com o grande número de subsaarianos a quem é recusada a entrada na Tunísia a partir da Líbia. O UNHCR em conversações com os voluntários auto-organizados que guardam a fronteira.</p>
<figure id="attachment_37287" aria-describedby="caption-attachment-37287" style="width: 400px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/01_fleeing-tunisia.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37287" title="01_fleeing-tunisia" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/01_fleeing-tunisia.jpg" alt="Em fuga para a Tunísia" width="400" height="220" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/01_fleeing-tunisia.jpg 400w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/01_fleeing-tunisia-300x165.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a><figcaption id="caption-attachment-37287" class="wp-caption-text">Em fuga para a Tunísia</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">A linguagem e o subtexto usados em algumas notícias são preocupantes. Num vídeo da Al-Jazira, “Trabalhadores imigrantes sob suspeita”, o grupo <a href="http://revolutionaryfrontlines.wordpress.com/2011/03/02/many-african-migrants-in-libya-mistakenly-targeted-by-mass-uprising/" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Frontlines of Revolution</span></a> com base nos EUA usa o título “Supremacia árabe branca: revolução ou opressão dos negros pelos mouros?” Não há dúvida de que existe muito racismo na Líbia e de que os trabalhadores negros estão a ser alvo de ataques, mas este tipo de linguagem e a falta de enquadramento histórico e político só serve para acirrar o problema. O blogue <a href="http://www.jadaliyya.com/pages/index/767/the-arabs-in-africa" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Jadaliyya</span></a> faculta uma análise mais razoável do que o professor Mahmud Mamdani designa como “a dicotomia constatada entre africanos árabes e negros” que é “falsa e assenta nos tropos da era colonial de colonos e nativos”, e pede que “se considerem os riscos dessa conceptualização baseada num antagonismo árabe-africano ou árabe-negro, conceptualização essa que não só os formula como categorias mutuamente excludentes mas também as situa no terreno uma contra a outra no contexto da revolução líbia”.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de tudo, os ataques contra africanos negros são perturbantes, quanto mais não seja porque as sublevações foram enquadradas num contexto arabo-médio-oriental, não apenas pela mídia ocidental mas mais ainda pela Al-Jazira, que se tornou, ela própria, parte da história revolucionária. Isto torna ainda mais antagónicas as tensões árabe-africano/árabe-negro e levanta também a enorme questão de saber o que é, ou não é, africano e o que é para nós a África. O editor da Pambazuka News Firoze Manji refere-se a isto em <a href="http://english.aljazeera.net/indepth/features/2011/02/201122164254698620.html" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">recente entrevista à Al-Jazira</span></a> – poderia estar aqui uma resposta às crescentes críticas que lhes fazem por enquadrarem as sublevações do norte de África num contexto unicamente árabe?</p>
<p style="text-align: justify;">“O Egipto é África. Não nos podemos deixar enganar pelas tentativas do Norte para segregar os países do norte de África do resto do continente… As suas histórias estão entrelaçadas há milénios. Alguns egípcios podem não se sentir africanos, mas isso não quer dizer nada. Eles fazem parte do património do continente.”</p>
<p style="text-align: justify;">Relacionadas com isto, há questões levantadas na mídia dominante, nos blogues e no tweeter sobre se outras regiões do continente – o termo usado é “África subsaariana” que, em si mesmo, é uma designação carregada de sentidos – se irão erguer contra os regimes opressores. Países como o Gabão, os Camarões e o Zimbabué foram mencionados nesse contexto.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Costa do Marfim</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Outra questão é verificar quais os conflitos, revoluções e sublevações que têm sido noticiados e como são apresentados. Na semana passado, a bloguista queniana <a href="http://twitter.com/kenyanpundit" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Ory Okolloh</span></a> começou uma campanha com o seu <em>tweet</em> “Sobre a mídia global e as manifestações em África, ‘Porque é que Anderson Cooper e Nick Kristoff não estão na Costa do Marfim?’” Outros repercutiram o apelo e começaram a enviar mensagens pedindo cobertura noticiosa fora do norte de África.</p>
<p style="text-align: justify;">A Costa do Marfim continua a ser uma dos casos africanos de que quase ninguém fala, a começar pelo Anderson Cooper que declarou que iria reagir em 28 de Fevereiro:</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://twitter.com/andersoncooper" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">@andersoncooper</span></a>: “Tenho seguido de perto a <a href="http://twitter.com/#%21/search?q=%23ivorycoast" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Costa do Marfim</span></a> e merece muito mais cobertura noticiosa. Segunda-feira tentarei fazer algo.”</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, uma semana depois do apelo do kenyanpundit [Ory Okolloh], a Costa do Marfim continua a ser <span class="urlextern">“<a href="http://su.pr/2vJpb2" target="_blank" rel="noopener">a história de que ninguém fala</a>”</span>, como diz @philinthe em mensagem enviada a @cnn, @andersoncooper, @nickkristof, @nbcnightlynews e @ariannahuff.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais uma vez, a African Newsbot lembra-nos a “outra” crise africana:</p>
<p style="text-align: justify;">@africanNewsBot: “Não esqueçam a outra crise africana de populações deslocadas, diz a IOM <a href="http://bit.ly/fZ10Cd" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">aqui</span></a>.”</p>
<p style="text-align: justify;">As informações disponíveis calculam que há cerca de 70.000 marfinenses em fuga para a vizinha Libéria. @scarlettlion, baseado em Monróvia [capital da Libéria], publicou <a class="urlextern" title="http://www.flickr.com/photos/unhcr/5467371717/sizes/s/in/photostream/" href="http://www.flickr.com/photos/unhcr/5467371717/sizes/s/in/photostream/" rel="nofollow">fotografias de refugiados</a> chegando ao país [o UNHCR protege as suas fotos, tanto melhor para os “creative commons”].</p>
<figure id="attachment_37288" aria-describedby="caption-attachment-37288" style="width: 400px" class="wp-caption alignright"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/02_ivorian-refugees.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37288" title="02_ivorian-refugees" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/02_ivorian-refugees.jpg" alt="Refugiados marfinenses" width="400" height="266" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/02_ivorian-refugees.jpg 400w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/02_ivorian-refugees-300x199.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a><figcaption id="caption-attachment-37288" class="wp-caption-text">Refugiados marfinenses</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">@connectionivoir informa que há combates e explosões na capital entre forças de segurança e apoiantes de Alassane Ouattara e do presidente Laurent Gbagbo. No norte do país há milhões de pessoas sem água nem electricidade. Apontam <a href="http://www.connectionivoirienne.net/on-dit-quoi-au-pays-actualites/gbagbo-et-kadhafi-ou-le-cercle-sanglant-de-l%E2%80%99ethnicite-politique-2/" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">semelhanças entre Khadafi e Gbagbo</span></a>. Ambos se vêem como líderes panafricanistas socialistas, mas ao mesmo tempo defendem o capitalismo e o investimento das transnacionais ocidentais, roubando enormes quantidades de dólares ao seu povo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Camarões</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Na passada semana, os <a href="http://www.cameroonechoes.org/police-easily-halt-protest-in-cameroon-video-of-police-brutality/" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">camaroneses</span></a> trouxeram para as ruas o que, até aí, fora uma pequena manifestação imediatamente abafada pelas forças armadas do presidente Paul Biya. Kah Walla, fundadora do Cameroun O’Bosso [Vamos, Camarões], encontrava-se entre os 300 manifestantes da semana passada, muitos dos quais foram espancados, como se pode ver neste <a href="http://www.youtube.com/watch?v=ZIo8SQbn8YA" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">vídeo do YouTube</span></a>. Ela escreveu sobre a sua experiência <a href="http://pambazuka.org/en/category/features/71188" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">aqui no Pambazuka News</span></a>. O seu diário dos acontecimentos é importante porque mostra a coragem e a determinação de um pequeno grupo de pessoas, tudo o que é preciso para dar início a uma revolução. Escreve:</p>
<figure id="attachment_37289" aria-describedby="caption-attachment-37289" style="width: 400px" class="wp-caption alignright"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/03_gaddafi_gbagbo.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37289 " title="03_gaddafi_gbagbo" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/03_gaddafi_gbagbo.jpg" alt="Khadafi com Gbagbo, ditador dos Camarões" width="400" height="308" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/03_gaddafi_gbagbo.jpg 400w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/03_gaddafi_gbagbo-300x231.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a><figcaption id="caption-attachment-37289" class="wp-caption-text">Khadafi com Laurent Gbagbo, presidente da Costa do Marfim</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">“Eles queriam parar os nossos protestos, e nós protestámos. Temos uma filosofia não-violenta, que mantivemos mesmo frente a uma extrema violência. Uma força incrível de jovens camaroneses. Quando começámos éramos quase 300 e no fim menos de 50, mas essa pepita de ouro venceu o medo, o nosso e o de muitos outros camaroneses. Nenhuma multidão se juntou a nós, mas nem uma pessoa protestou por estarmos a bloquear a rua. Se alguma dúvida houvesse, temos agora a certeza de que precisamos absolutamente de uma mudança e precisamos absolutamente da determinação inabalável de a fazer no nosso país. Seis membros do Cameroun O’Bosso foram detidos, e continuam presos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Gabão</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em 29 de Janeiro, milhares de pessoas começaram protestos contra a liderança do presidente Ali Bongo Ondimba, filho do antigo presidente Omar Bongo. Apesar de terem deparado com as forças brutais do regime, os protestos espalharam-se por todo o Gabão. Também desta vez, os protestos gaboneses ficaram fora do radar, como atestam os seguintes <em>tweets</em>:</p>
<p style="text-align: justify;">@cletusrayray: “Alguém está a ouvir? Pambazuka: Gabão: <span class="urlextern">‘<a href="http://pambazuka.org/en/category/features/70961" target="_blank" rel="noopener">Os protestos esquecidos, a mídia tacanha</a>’</span>”</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://twitter.com/eDipAtState" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">@eDipAtState</span></a> dá uma possível razão para isso: “A mídia não irá falar muito dos Camarões e do Gabão. Os manifestantes terão de usar o Twitter e o Facebook, e mandar relatos para a AJE.”</p>
<p style="text-align: justify;">Tenho a certeza de que a mídia dominante tem informações do que está a acontecer e é claro que são feitas escolhas sobre quais os conflitos e as revoluções a noticiar. Essas escolhas têm de ser contrariadas da mesma forma que outros silêncios, como as vozes das mulheres, das minorias sexuais, dos refugiados, dos sem-terra e dos migrantes por todo o continente. Ethan Zuckerman aponta, no <a href="http://www.pambazuka.org/en/category/features/70961" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Pambazuka News</span></a>, o perigo dos noticiários selectivos:</p>
<p style="text-align: justify;">“O perigo de ignorar a revolução do Gabão não é apenas o de as forças da oposição serem presas, ou pior. É o de nós não conseguirmos compreender as mudanças profundas que estão em curso em todo o mundo e mudam a natureza das revoluções populares. A onda de protestos que abalou a Tunísia pode ter-se repercutido bem para além do mundo árabe numa extensão bem maior do planeta… E com os telespectadores de todo o mundo a verem maravilhados como manifestantes cristãos e muçulmanos rezam juntos na Praça Tahrir, eles irão perguntar-se porque é que as lutas no Gabão não podem merecer pelo menos uma parte dessa atenção.”</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Zimbabué</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em 23 de Fevereiro, <a href="http://www.kubatanablogs.net/kubatana/?p=4937http://www.kubatanablogs.net/kubatana/?p=4937" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">45 activistas pela justiça social</span></a> foram presos e acusados de traição no Zimbabué. Os 45, incluindo o coordenador da Organização Internacional Socialista Munyaradzi Gwisai, foram acusados de assistir e conversar sobre reportagens vídeo dos protestos tunisinos e egípcios. Alguns deles foram “brutalizados e torturados” na prisão. Em 27 de Fevereiro foram também presos 7 membros do WOZA (Women of Zimbabwe Arise) e do MOZA (Men of Zimbabwe Arise).</p>
<figure id="attachment_37290" aria-describedby="caption-attachment-37290" style="width: 275px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/04_woza_march.gif"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-37290 size-full" title="04_woza_march" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/04_woza_march.gif" alt="Desfile do WOZA" width="275" height="201" /></a><figcaption id="caption-attachment-37290" class="wp-caption-text"> Desfile do WOZA</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Referi acima que há quem se pergunte se as sublevações acontecidas no norte de África irão espalhar-se para as regiões do sul do continente. No caso do Gabão, não há indícios de que os protestos tenham sido influenciados pelos da Tunísia ou do Egipto. E, mesmo que os 45 activistas estivessem reunidos a falar sobre esses acontecimentos, os zimbabueanos têm andado em revoltas contra o regime de Mugabe desde antes das eleições de 2008 – ver <span class="urlextern">“<a href="http://www.sokwanele.com/map/electionviolence" target="_blank" rel="noopener">Mapping Terror</a>”</span> no blogue Sokwanele. As integrantes do WOZA têm vindo a manifestar-se inúmeras vezes; têm sido espancadas, presas, e torturadas e, mesmo assim, continuam a ir para as ruas. Em 2010, <a href="http://www.sokwanele.com/thisiszimbabwe/archives/6326" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">83 das suas activistas</span></a> foram presas por festejarem o Dia Internacional da Paz.</p>
<p style="text-align: justify;">O erro da mídia e dos activistas do Ocidente é julgarem que a voz da revolução tem de soar muito forte e tornar-se visível no seu mundo. Pelo contrário, há milhares de activistas e de movimentos pela justiça social por toda a África, e na sua diáspora, que estão totalmente empenhados em conseguir uma mudança política e social nos seus respectivos países. Não é preciso assim tanto esforço ou tempo para saber o que está a acontecer.</p>
<p style="text-align: justify;">As revoluções são processos complexos de interesses rivais e de múltiplas tensões. O período que se segue às expulsões de Ben Ali e de Mubarak mostra-o bem. Os protestos de rua e as expulsões não foram o começo. Os activistas dos dois países andaram muito tempo a trabalhar para se chegar a este momento. O processo revolucionário irá continuar e poderá muito bem seguir caminhos contraditórios. A informação mediática sobre as revoluções – que decide quais as que merecem mais atenção e como devem ser noticiadas – aumenta ainda a complexidade. O que eu tentei com este artigo foi dar uma outra perspectiva das forças revolucionárias em África. Para sermos cidadãos informados, e se nos consideramos parte de um processo revolucionário, então precisamos de tentar compreender os diferentes níveis da narrativa e das acções que estão a acontecer, não só em África mas por toda a parte.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Sokari Ekine</strong> é uma escritora e activista de origem nigeriana que, além de colaborar com o Pambazuka News, fundou e escreve regularmente no blogue <a href="http://www.blacklooks.org/" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Black Looks</span></a>.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Artigo original (em inglês) no <a href="http://pambazuka.org/en/category/features/71379" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Pambazuka News</span></a>. Tradução Passa Palavra.</em></p>
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