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	<title>México &#8211; Passa Palavra</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>O México é um cemitério com hino nacional</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Mar 2025 11:20:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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		<category><![CDATA[Repressão_e_liberdades]]></category>
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					<description><![CDATA[O governo não parece ter nenhum papel protagonista no momento de garantir justiça. Por Victor Villarreal Cabello]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="level3">
<h3 style="text-align: justify;"><strong>Por Victor Villarreal Cabello</strong></h3>
<p style="text-align: justify;">No dia 5 de março de 2025, o Coletivo Guerreiros Buscadores de Jalisco encontrou um centro de <em>treinamento e extermínio</em> dentro do Rancho Izaguirre, em Teuchitlán, Jalisco, no México. Os membros do coletivo haviam recebido ligações e mensagens anônimas frequentes que diziam que havia algo perto de Teuchitlán. Cerca de 40 pessoas chegaram nesse dia ao Rancho Izaguirre, cientes de que seis meses antes a Guarda Nacional mexicana havia tido um confronto com criminosos e que a promotoria havia realizado algumas investigações (Brooks, 2025). Assumiram o risco de que, ao entrar no local, pudesse haver pessoas armadas. No local, foram encontrados 400 objetos pessoais, como sapatos, mochilas e roupas. Também foram encontrados restos ósseos (Sudouest.fr e AFP, 2025).</p>
<p style="text-align: justify;"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-156176" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/ecfadb5954c9821e8d39facf7bf8b244.jpeg" alt="" width="640" height="360" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/ecfadb5954c9821e8d39facf7bf8b244.jpeg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/ecfadb5954c9821e8d39facf7bf8b244-300x169.jpeg 300w" sizes="(max-width: 640px) 100vw, 640px" />O local foi cenário de uma operação realizada pela Guarda Nacional e pelo Exército Mexicano em setembro de 2024, que resultou em 10 pessoas presas e na libertação de 2 pessoas sequestradas (El Financiero, 2025). O caso é controverso porque, de acordo com a Guarda Nacional e a Promotoria de Jalisco, já haviam sido iniciadas buscas no local. No entanto, o Coletivo Guerreiros Buscadores encontrou centenas de restos sem muito esforço.</p>
<p style="text-align: justify;">Raúl Servín, um pai pertencente ao coletivo que entrou no rancho em 5 de março, declarou: “É o mais triste. Que a Promotoria tenha percorrido o terreno por dentro e não tenha percebido que havia restos queimados. Eles devem ter pisado neles. Para nós, só de caminhar ali já foi um indício” (Brooks, 2025).</p>
<p style="text-align: justify;">Ao investigar um pouco mais, a verdade se distorce. No dia 19 de março, diversos grupos: Guerreiros Buscadores de Jalisco, Famílias Unidas pelos Nossos Desaparecidos em Jalisco, Luz e Esperança, Mães Buscadoras de Jalisco e representantes de coletivos de Nayarit entraram novamente no Rancho Izaguirre e se queixaram de não encontrar indícios do que havia sido visto pela primeira vez. “Estão zombando da nossa dor”, exclama uma mulher dos coletivos que buscam seus familiares (Grupo Fórmula, 2025). Rosa Sandoval, integrante do coletivo Ágape de Nayarit, afirmou que um vídeo mostra que o solo tem depressões e que é provável que haja mais corpos sob aquela terra (Redação AN/KC, 2025).</p>
<p style="text-align: justify;">O coletivo afirmou ter encontrado valas comuns e crematórios, mas o procurador-geral da República, Alejandro Gertz Manero, declarou que é necessário verificar se o local realmente funcionou como crematório. O ponto em que tanto o coletivo quanto as autoridades concordam é que o local serviu como centro de treinamento para recrutar pessoas para as fileiras do narcotráfico (Martínez, 2025).</p>
<p style="text-align: justify;">Alguns falam de um “Auschwitz mexicano” (Pardo Vegalara, 2025). Há um livro de Agamben que trata do significado da palavra Auschwitz, que remete à ideia de sacrifício (Agamben, 2014). É um dos nomes mais dolorosos e lamentáveis para se referir a um ato de violência. No caso mexicano, assim como no caso judeu, trata-se de uma tragédia marcada pelo massacre sistemático de pessoas.</p>
<p style="text-align: justify;">A forma como esses grupos criminosos operam segue um modus operandi já conhecido. Por meio das redes sociais os cartéis oferecem empregos falsos e as pessoas movidas pela necessidade se aproximam, e esses campos, são treinadas sob ameaça de morte para integrar as fileiras dos cartéis (Turati, 2025).</p>
<p style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-156177" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/2b00e430-0014-11f0-a8b1-950887ddc6e5.jpg" alt="" width="640" height="360" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/2b00e430-0014-11f0-a8b1-950887ddc6e5.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/2b00e430-0014-11f0-a8b1-950887ddc6e5-300x169.jpg 300w" sizes="(max-width: 640px) 100vw, 640px" />Teuchitlán é um exemplo de que a Guerra contra o Narcotráfico foi uma estratégia com repercussões históricas (Herrera Camarillo, 2023). Nossa violência tem raízes profundas e esse fato é apenas uma amostra da violência que se vive no interior do país. Além disso, o governo mantém uma campanha de difamação contra os grupos organizados que apenas buscam seus familiares, algo que já foi denunciado pelo Exército Zapatista de Libertação Nacional, pelo Conselho Nacional Indígena e por outras 150 organizações de todo o mundo (Radio Zapatista, 2025). Argumentam em uma carta pública que o crematório clandestino de Teuchitlán-Jalisco: “é um centro de extermínio a serviço do capital, o mesmo que sustentam e protegem aqueles que dizem governar este país” (Radio Zapatista, 2025).</p>
<p style="text-align: justify;">A indignação é nacional e internacional e rende-se luto pelas vítimas (Xantomila e Laureles, 2025). O governo não parece ter nenhum papel protagonista no momento de garantir justiça. Pelo contrário, parece ocultar os fatos que já são de conhecimento popular. É perigoso falar em narco-governo, ainda mais quando os Estados Unidos declaram os cartéis como grupos terroristas (U.S. Department of State, 2025), mas o que importa, quando:</p>
<p style="text-align: justify;">“Primeiro vieram buscar os socialistas, e eu me calei porque não era socialista.<br />
Depois vieram buscar os sindicalistas, e eu não falei porque não era sindicalista.<br />
Depois vieram buscar os judeus, e eu não disse nada porque não era judeu.<br />
Por fim, vieram me buscar, e já não havia ninguém para falar por mim” diz Martin Niemöller.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>Referências:</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Aganben, G. (2014). <em>Lo que Queda de Auschwitz: El archivo y el testigo.</em> Homo sacer III. Pre-Textos.</p>
<p style="text-align: justify;">Brooks, D. (2025). Cómo los Guerreros Buscadores de Jalisco realizaron el terrible hallazgo de un centro de “adiestramiento y exterminio” en el Rancho Izaguirre, en el oeste de México. <em>BBC Mundo,</em> 14 de março. <a class="urlextern" title="https://www.bbc.com/mundo/articles/c4g972j2gn7o" href="https://www.bbc.com/mundo/articles/c4g972j2gn7o" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://www.bbc.com/mundo/articles/c4g972j2gn7o</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">El Financiero (2015). Caso Teuchitlán: ¿Hubo disparos de la Guardia Nacional en el operativo en el rancho Izaguirre?. <em>El Financiero,</em> 20 de março. <a class="urlextern" title="https://www.elfinanciero.com.mx/nacional/2025/03/20/caso-teuchitlan-hubo-disparos-de-la-guardia-nacional-en-el-operativo-en-el-rancho-izaguirre/" href="https://www.elfinanciero.com.mx/nacional/2025/03/20/caso-teuchitlan-hubo-disparos-de-la-guardia-nacional-en-el-operativo-en-el-rancho-izaguirre/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://www.elfinanciero.com.mx/nacional/2025/03/20/caso-teuchitlan-hubo-disparos-de-la-guardia-nacional-en-el-operativo-en-el-rancho-izaguirre/</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Grupo Formula (2025). Guerreros Buscadores denuncian maltrato en Rancho Izaguirre. <em>You Tube,</em> 20 de março. [Minuto 1:10]. <a class="urlextern" title="https://www.youtube.com/watch?v=4D4m-7MNbL8" href="https://www.youtube.com/watch?v=4D4m-7MNbL8" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://www.youtube.com/watch?v=4D4m-7MNbL8</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Herrera Camarillo, L. (2023). Violencia en México, historiador nos explica por qué aumentó en los últimos sexenios. <em>Ibero Ciudad de México</em>, 21 de fevereiro. <a class="urlextern" title="https://ibero.mx/prensa/violencia-en-mexico-historiador-nos-explica-por-que-aumento-en-los-ultimos-sexenios" href="https://ibero.mx/prensa/violencia-en-mexico-historiador-nos-explica-por-que-aumento-en-los-ultimos-sexenios" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://ibero.mx/prensa/violencia-en-mexico-historiador-nos-explica-por-que-aumento-en-los-ultimos-sexenios</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Martínez, R. (2025). Colectivo asegura a FGR existencia de crematorios en rancho de Teuchitlán: “No es un montaje, no es una invención”|Videos. <em>INFOBAE</em>, 20 de março. <a class="urlextern" title="https://www.infobae.com/mexico/2025/03/20/colectivo-asegura-a-fgr-existencia-de-crematorios-en-rancho-de-teuchitlan-no-es-un-montaje-no-es-una-invencion/" href="https://www.infobae.com/mexico/2025/03/20/colectivo-asegura-a-fgr-existencia-de-crematorios-en-rancho-de-teuchitlan-no-es-un-montaje-no-es-una-invencion/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://www.infobae.com/mexico/2025/03/20/colectivo-asegura-a-fgr-existencia-de-crematorios-en-rancho-de-teuchitlan-no-es-un-montaje-no-es-una-invencion/</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Pardo Vegalara, D. (2025). Rancho Izaguirre: “Dicen que somos el Auschwitz mexicano, pero Teuchitlán no es el culpable de ese horror”. <em>BBC</em>, 15 de março. <a class="urlextern" title="https://www.bbc.com/mundo/articles/cx2g4kpz3nvo" href="https://www.bbc.com/mundo/articles/cx2g4kpz3nvo" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://www.bbc.com/mundo/articles/cx2g4kpz3nvo</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Radio Zapatista (2025). Carta del Congreso Nacional Indígena, grupos, colectivos, organizaciones, movimientos y personas individuales de México y el Mundo, y el Ejército Zapatista de Liberación Nacional a las madres, padres y familias buscadoras de Jalisco y todo el país. <em>Radio Zapatista</em>, 23 de março. <a class="urlextern" title="https://radiozapatista.org/?p=50367" href="https://radiozapatista.org/?p=50367" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://radiozapatista.org/?p=50367</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Redacción AN/KC (2025). Teuchitlán | Buscadoras exigen inspección del suelo y paredes en el rancho Izaguirre. <em>Aritegui Noticias,</em> 21 de março. <a class="urlextern" title="https://aristeguinoticias.com/2103/mexico/teuchitlan-buscadoras-exigen-inspeccion-del-suelo-y-paredes-en-el-rancho-izaguirre/" href="https://aristeguinoticias.com/2103/mexico/teuchitlan-buscadoras-exigen-inspeccion-del-suelo-y-paredes-en-el-rancho-izaguirre/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://aristeguinoticias.com/2103/mexico/teuchitlan-buscadoras-exigen-inspeccion-del-suelo-y-paredes-en-el-rancho-izaguirre/</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Sudouest.fr e AFP. (2025). Narcotrafic au Mexique : des ossements humains retrouvés, ce que l&#8217;on sait de l&#8217;affaire de Teuchitlán. <em>Sudouest.fr,</em> 14 de março. <a class="urlextern" title="https://www.sudouest.fr/faits-divers/narcotrafic-au-mexique-des-ossements-humains-retrouves-ce-que-l-on-sait-de-l-affaire-de-teuchitlan-23634018.php" href="https://www.sudouest.fr/faits-divers/narcotrafic-au-mexique-des-ossements-humains-retrouves-ce-que-l-on-sait-de-l-affaire-de-teuchitlan-23634018.php" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://www.sudouest.fr/faits-divers/narcotrafic-au-mexique-des-ossements-humains-retrouves-ce-que-l-on-sait-de-l-affaire-de-teuchitlan-23634018.php</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Turati, M. (2025). “Teuchitlán forma parte de un circuito desaparecedor”. <em>Pie de Página,</em> 18 de março. <a class="urlextern" title="https://piedepagina.mx/teuchitlan-forma-parte-de-un-circuito-desaparecedor/" href="https://piedepagina.mx/teuchitlan-forma-parte-de-un-circuito-desaparecedor/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://piedepagina.mx/teuchitlan-forma-parte-de-un-circuito-desaparecedor/</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">U.S. Department of State (2025). Designation of International Cartels. U.S. <em>Department of State</em>, 20 de fevereiro. <a class="urlextern" title="https://www.state.gov/designation-of-international-cartels/" href="https://www.state.gov/designation-of-international-cartels/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://www.state.gov/designation-of-international-cartels/</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Xantomila, J. y Laureles, J. (2025). Rinden luto nacional por víctimas de Teuchitlán en el Zócalo de CDMX. <em>La Jornada,</em> 15 de março. <a class="urlextern" title="https://www.jornada.com.mx/noticia/2025/03/15/politica/recrean-centro-de-reclutamiento-de-teuchitlan-en-el-zocalo-de-cdmx" href="https://www.jornada.com.mx/noticia/2025/03/15/politica/recrean-centro-de-reclutamiento-de-teuchitlan-en-el-zocalo-de-cdmx" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://www.jornada.com.mx/noticia/2025/03/15/politica/recrean-centro-de-reclutamiento-de-teuchitlan-en-el-zocalo-de-cdmx</a>.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>Notas:</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Com profunda tristeza pelo ocorrido e com o estômago embrulhado, escrevo estas palavras com muito respeito às pessoas desaparecidas e às pessoas que têm um familiar desaparecido. Escrevo este texto com o intuito de comunicar o que acontece em nosso país, minha intenção não é ofender ninguém.</p>
</div>
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		<title>Os 10 anos de Ayotzinapa: a herança esquecida pela tartaruga trêmula</title>
		<link>https://passapalavra.info/2024/10/155119/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 31 Oct 2024 05:17:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[México]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão_e_liberdades]]></category>
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					<description><![CDATA[A tartaruga trêmula chegará, lenta, dura e mais implacável. Por Victor Villarreal Cabello]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;"><strong>Por Victor Villarreal Cabello</strong></h3>
<p style="text-align: justify;">O significado de Ayotzinapa na língua nahuatl é “lugar de tartarugas”. Hoje os coletivos mexicanos de protesto utilizam uma tartaruga como símbolo para exigir justiça. “Como a tartaruga, a justiça é lenta, mas dura e implacável. E chegará a Ayotzinapa”, diz o advogado dos pais e mães dos 43 estudantes desaparecidos da Escola Normal de Ayotzinapa em Guerrero, México.</p>
<p style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-155121" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/10/ayotzinapa.jpg" alt="" width="800" height="1250" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/10/ayotzinapa.jpg 800w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/10/ayotzinapa-192x300.jpg 192w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/10/ayotzinapa-655x1024.jpg 655w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/10/ayotzinapa-768x1200.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/10/ayotzinapa-269x420.jpg 269w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/10/ayotzinapa-640x1000.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/10/ayotzinapa-681x1064.jpg 681w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /></p>
<p style="text-align: justify;">10 anos atrás em 26 de setembro de 2014, o Estado mexicano sequestrou e mudou a vida de 43 estudantes universitários, de suas famílias, do país e as formas de luta. As investigações não conseguiram estabelecer a verdade e os familiares não param de procurá-los. Este é provavelmente um dos casos mais importantes de desaparecimento forçado e violação dos direitos humanos no século XXI para o México. O caso sensibilizou grande parte da sociedade nacional e internacional, mas a verdade e a justiça não chegam.</p>
<p style="text-align: justify;">Naquela “noite de Iguala”, alguns alunos da Escola Normal Rural Raúl Isidro Burgos, em Ayotzinapa, pretendiam embarcar em ônibus para participar do ato em memória do massacre de 2 de outubro na <em>Plaza de Tlatelolco</em> em 1968. A Polícia Municipal de Iguala abriu fogo contra os estudantes para impedi-los de sair da cidade com os ônibus. A operação foi apoiada por outras corporações.</p>
<p style="text-align: justify;">“O intelectual gordo e grisalho, aquele dos gatos” <strong>[1]</strong> (Carlos Monsiváis) dizia que México tem uma herança esquecida. Com isto, ele fazia referência a uma herança de luta revolucionária que vem do movimento de 1968. Não foi por ocaso que os 43 estudantes tiveram a intenção de participar dos protestos. Com isto os estudantes estavam demonstrando que não foi uma “herança esquecida” foi um legado tirado pelo governo e suas autoridades.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-155120" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/10/ayotzinapa_2_.jpg" alt="" width="800" height="1067" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/10/ayotzinapa_2_.jpg 800w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/10/ayotzinapa_2_-225x300.jpg 225w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/10/ayotzinapa_2_-768x1024.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/10/ayotzinapa_2_-315x420.jpg 315w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/10/ayotzinapa_2_-640x854.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/10/ayotzinapa_2_-681x908.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /></p>
<p style="text-align: justify;">O dia da manifestação pelos 10 anos, 26 de setembro de 2024, a terra tremeu literalmente, 4,6 graus em Huixtla/Chiapas. Naquele dia a tartaruga tremeu <strong>[2]</strong>. No entanto, a tartaruga é trêmula do poder e peso, não por medo ou indecisão. É preciso também conhecer a realidade estrutural daquelas gerações que não “aceitaram” a responsabilidade da herança. Gerações inexistentes. Meus pais se tornaram uns. Minha geração tentou. A tartaruga trêmula chegará, lenta, dura e mais implacável.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Fotos do </em><em class="u"><em>arquivo</em></em><em> pessoal. Um pôster na faculdade de filosofia e uma tartaruga na Avenida Revolución na Cidade do México como expressão das marchas dos 10 anos respectivamente.</em></p>
<h3 style="text-align: justify;"><strong>Notas</strong></h3>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1]</strong> Assim face a descrição: Alfonso Ruíz palácios. <em>Museo.</em> [Filme]. Min. 118.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[2]</strong> Jimena Campuzano. <em>Sismo hoy 24 de septiembre de 2024: Temblor preliminar 4.6 &#8216;sacude&#8217; Huixtla, Chiapas</em>. Excelsior. <a class="urlextern" title="https://www.excelsior.com.mx/nacional/sismo-hoy-24-septiembre-2024-mexico-ultimas-noticias-temblores-microsismos/1675469" href="https://www.excelsior.com.mx/nacional/sismo-hoy-24-septiembre-2024-mexico-ultimas-noticias-temblores-microsismos/1675469" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://www.excelsior.com.mx/nacional/sismo-hoy-24-septiembre-2024-mexico-ultimas-noticias-temblores-microsismos/1675469</a>.</p>
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		<title>Mexicanização</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Nov 2023 10:57:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Flagrantes Delitos]]></category>
		<category><![CDATA[Capitalismo]]></category>
		<category><![CDATA[México]]></category>
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					<description><![CDATA[Entrou cedo para o crime. Poucos anos de frequência escolar. Cruzou o Brasil inteiro para salvar a própria pele. Na fuga, gastou o que tinha. Morou na rua. Começou do zero novamente. Longos anos no sistema prisional. Ergueu-se para valer no comércio de produtos ilegais. Gosta de ler jornais e assistir a séries e reportagens. [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Entrou cedo para o crime. Poucos anos de frequência escolar. Cruzou o Brasil inteiro para salvar a própria pele. Na fuga, gastou o que tinha. Morou na rua. Começou do zero novamente. Longos anos no sistema prisional. Ergueu-se para valer no comércio de produtos ilegais. Gosta de ler jornais e assistir a séries e reportagens. Disse uma vez, no final de 2021, numa conversa sobre violência e crime organizado: “Eu acho que o Brasil vai virar o México.” <strong>Passa Palavra</strong></p>
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		<title>[México/ Ucrânia] DOMINGO 13 &#8211; No a las Guerras</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 12 Mar 2022 17:19:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Movimentos em Luta]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[México]]></category>
		<category><![CDATA[Rússia]]></category>
		<category><![CDATA[Ucrânia]]></category>
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					<description><![CDATA[Planteamos entonces el arranque de una campaña mundial en contra de las guerras del capital, cualquiera que sea su geografía. Por COMISIÓN SEXTA ZAPATISTA]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;"><strong>Por <a href="https://enlacezapatista.ezln.org.mx/2022/03/09/domingo-13/" target="_blank" rel="noopener">COMISIÓN SEXTA ZAPATISTA</a><br />
</strong></h3>
<p style="text-align: justify;">A la Sexta Nacional e Internacional:<br />
A quienes firmaron la Declaración por la Vida:<br />
A las personas honestas de todo el mundo:</p>
<p style="text-align: justify;">En acuerdo con algunas individualidades, grupos, colectivos, organizaciones y movimientos de <em><strong>SLUMIL K´AJXEMK´OP</strong></em>, las comunidades zapatistas han acordado convocar a movilizaciones y manifestaciones contra TODAS LAS GUERRAS capitalistas, actualmente en curso en varios rincones del planeta.  No es sólo en Ucrania.  También en Palestina, el Kurdistán, Siria, el pueblo Mapuche, los pueblos originarios en todo el planeta, y tantos y tantos procesos libertarios que son agredidos, perseguidos, asesinados, silenciados, distorsionados.</p>
<p style="text-align: justify;">Respondiendo a ese llamado, hemos acordado participar en las movilizaciones del día domingo 13 de marzo del 2022, y así seguir con las acciones en contra de las guerras que el sistema perpetra en todo el mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">Planteamos entonces el arranque de una campaña mundial en contra de las guerras del capital, cualquiera que sea su geografía.  Organizar conciertos, encuentros, festivales, reuniones, etc.  En fin, las artes contra las guerras.</p>
<p style="text-align: justify;">Llamamos a todas las personas honestas, grupos, colectivos, organizaciones y movimientos en México y en el mundo a que, de acuerdo a sus tiempos y modos –y conservando su independencia y autonomía-, se sumen a las actividades para exigir alto a las guerras, iniciando el domingo 13.</p>
<p style="text-align: justify;">Por su parte, las comunidades zapatistas se manifestarán, el día domingo 13 de marzo del 2022, en sus caracoles, en las cabeceras municipales de San Cristóbal de las Casas, Yajalón, Palenque, Ocosingo, Las Margaritas, Altamirano y en las comunidades a pie de carretera, con algunos miles de zapatistas.</p>
<p style="text-align: justify;">¡Contra todas las guerras: todas las artes, todas las resistencias, todas las rebeldías!</p>
<p style="text-align: justify;">Desde las montañas del Sureste mexicano.<br />
Comisión Sexta Zapatista.<br />
México, marzo del 2022.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>[México/Ucrânia] Não haverá cenário após a batalha</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Mar 2022 00:53:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Movimentos em Luta]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[México]]></category>
		<category><![CDATA[Rússia]]></category>
		<category><![CDATA[Ucrânia]]></category>
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					<description><![CDATA[Sem curvas, gritamos e convocamos a gritar e exigir: Fora Exército Russo da Ucrânia. Por Sexta Comissão Zapatista]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por <a href="https://enlacezapatista.ezln.org.mx/2022/03/04/nao-havera-cenario-apos-a-batalha-sobre-a-invasao-da-ucrania-pelo-exercito-russo/" target="_blank" rel="noopener">Sexta Comissão Zapatista</a></h3>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">(Sobre a invasão da Ucrânia pelo exército russo).</p>
<p style="text-align: justify;">2 de março de 2022.<br />
Àqueles que assinaram a Declaração pela Vida:<br />
À Sexta nacional e internacional:<br />
Companheir@s, irmãs e irmãos:</p>
<p style="text-align: justify;">Lhes dizemos as nossas palavras e pensamentos sobre o que ocorre atualmente na geografia que chamam de Europa:</p>
<p style="text-align: justify;">PRIMEIRO: Há uma força agressora, o exército russo. Há interesses do grande capital em jogo, de ambos os lados. Aqueles que sofrem agora pelos delírios de uns e dos cálculos econômicos astutos de outros são os povos da Rússia e da Ucrânia (e, talvez em breve, os de outras geografias próximas ou distantes). Como zapatistas que somos não apoiamos um Estado ou outro, mas aqueles que lutam pela vida contra o sistema.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando a invasão multinacional do Iraque (quase 19 anos atrás), com o exército americano à frente, houve mobilizações em todo o mundo contra essa guerra. Ninguém em seu perfeito juízo pensava que se opor à invasão era estar ao lado de Saddam Hussein. Agora é uma situação semelhante, embora não igual. Nem Zelenski nem Putin. Pare a guerra.</p>
<p style="text-align: justify;">SEGUNDO: Diferentes governos se alinharam com um ou outro lado, fazendo-o a partir de cálculos econômicos. Não há uma avaliação humanista neles. Para esses governos e seus “ideólogos” há boas e más intervenções-invasões-destruições. As boas são aquelas realizadas por seus apoiadores, e as más são aquelas perpetrados por seus opositores. O aplauso ao argumento criminoso de Putin para justificar a invasão militar da Ucrânia se transformarão em lamento quando, com as mesmas palavras, ele justificar a invasão de outros povos cujos processos não são do agrado do grande capital.</p>
<p style="text-align: justify;">Invadirão outras geografias para salvá-los da “tirania neonazista” ou para pôr um fim aos “narcoestados” vizinhos. Repetirão então as mesmas palavras de Putin: “<em>desnazificaremos</em>” (ou seu equivalente) e abundarão em “fundamentações” de “perigo para seus povos”. E então, como nos dizem nossos camaradas na Rússia: “<em>bombas russas, foguetes, balas voam em direção aos ucranianos e não lhes perguntam sobre suas opiniões políticas e o idioma que falam</em>”, mas a “nacionalidade” de ambos mudará.</p>
<p style="text-align: justify;">TERCEIRO: Os grandes capitais e seus governos do “ocidente” se sentaram e observaram – e até encorajaram – à medida que a situação se deteriorava. Então, uma vez que a invasão estava em andamento, esperaram para ver se a Ucrânia iria resistir, e calcularam o que poderia ser ganho com um ou outro resultado. Como a Ucrânia resiste, começam a ampliar as contas de “ajuda” que serão cobradas mais tarde. Putin não é o único surpreendido com a resistência da Ucrânia.</p>
<p style="text-align: justify;">Os vencedores nesta guerra são os grandes consórcios armamentistas e os grandes capitalistas que veem a oportunidade de conquistar, destruir/reconstruir territórios, ou seja, criar novos mercados para bens e consumidores, para as pessoas.</p>
<p style="text-align: justify;">QUARTA: Em vez de nos voltarmos para o que a mídia e as redes sociais dos respectivos lados disseminam – e que ambos apresentam como “notícias” – ou para as “análises” na súbita proliferação de especialistas geopolíticos e aspirantes ao Pacto de Varsóvia e à OTAN, decidimos procurar e perguntar àqueles que, como nós, estão engajados na luta pela vida na Ucrânia e na Rússia.</p>
<p style="text-align: justify;">Após várias tentativas, a Sexta Comissão Zapatista conseguiu fazer contato com nossos familiares em resistência e rebeldia nas geografias que eles chamam de Rússia e Ucrânia.</p>
<p style="text-align: justify;">QUINTO: Em resumo, estes nossos familiares, que também levantam a bandeira da <strong>@</strong> libertária, permanecem firmes: na resistência aqueles que estão em Donbass, na Ucrânia; e na rebeldia aqueles que caminham e trabalham nas ruas e campos da Rússia. Há pessoas presas e espancadas na Rússia por protestar contra a guerra. Há aqueles que foram mortos na Ucrânia pelo exército russo.</p>
<p style="text-align: justify;">Estão unidos uns com os outros, e conosco, não só em dizer NÃO à guerra, mas também em se recusar a “alinhar” com os governos que oprimem seu povo.</p>
<p style="text-align: justify;">Em meio à confusão e ao caos de ambos os lados, eles se mantêm firmes em suas convicções: sua luta pela liberdade, seu repúdio às fronteiras e a seus Estados Nacionais, e as respectivas opressões que só mudam a bandeira.</p>
<p style="text-align: justify;">Nosso dever é apoiá-los na medida das nossas possibilidades. Uma palavra, uma imagem, uma melodia, uma dança, um punho levantado, um abraço – mesmo de geografias distantes – são também um apoio que encorajará seus corações.</p>
<p style="text-align: justify;">Resistir é persistir e prevalecer. Apoiemos estes familiares em sua resistência, isto é, em sua luta pela vida. Devemos isso a eles e devemos isso a nós mesmos.</p>
<p style="text-align: justify;">SEXTA: Portanto, convocamos a Sexta nacional e internacional que ainda não o fizeram, de acordo com seus calendários, geografias e formas, a se manifestarem contra a guerra e em apoio às e aos ucranian@s e russ@s que lutam em suas geografias por um mundo com liberdade.</p>
<p style="text-align: justify;">Também convocamos a apoiar financeiramente a resistência na Ucrânia nas contas que nos serão indicadas no devido tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">Por sua vez, a Sexta Comissão da EZLN está fazendo o mesmo, enviando uma pequena ajuda para aquel@s que na Rússia e na Ucrânia estão lutando contra a guerra. Também foram iniciados contatos com nossos familiares em <strong><em>SLUMIL K’AJXEMK’OP</em></strong> para criar um fundo econômico comum de apoio para @s que resistem na Ucrânia.</p>
<p style="text-align: justify;">Sem curvas, gritamos e convocamos a gritar e exigir: Fora Exército Russo da Ucrânia.</p>
<p style="text-align: justify;">-*-</p>
<p style="text-align: justify;">A guerra deve parar agora. Se isto continuar e, como é de se esperar, se ampliar, talvez não haja ninguém para prestar contas do cenário após a batalha.</p>
<p style="text-align: justify;">Das montanhas do sudeste mexicano.</p>
<p style="text-align: justify;">Subcomandante Insurgente Moisés. SupGaleano.<br />
Sexta Comissão do EZLN.<br />
Março de 2022.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>[México] CHIAPAS À BEIRA DA GUERRA CIVIL</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Sep 2021 19:04:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Movimentos em Luta]]></category>
		<category><![CDATA[México]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão_e_liberdades]]></category>
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					<description><![CDATA[Diante da ação e da omissão das autoridades estaduais e federais tomaremos as medidas para que a justiça seja aplicada.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por EZLN</h3>
<p style="text-align: justify;">COMUNICADO DO COMITÊ CLANDESTINO REVOLUCIONÁRIO INDÍGENA- COMANDO GERAL DO EXÉRCITO ZAPATISTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL.</p>
<p style="text-align: justify;">MÉXICO.</p>
<p style="text-align: justify;">19 DE SETEMBRO DE 2021.</p>
<p style="text-align: justify;">AO POVO DO MÉXICO:</p>
<p style="text-align: justify;">AOS POVOS DO MUNDO:</p>
<p style="text-align: justify;">À SEXTA NACIONAL E INTERNACIONAL:</p>
<p style="text-align: justify;">À EUROPA DE ABAIXO E À ESQUERDA:</p>
<p style="text-align: justify;">PRIMEIRO. – EM 11 DE SETEMBRO DE 2021, NAS HORAS DA MANHÃ E ENQUANTO A DELEGAÇÃO AÉREA ZAPATISTA ESTAVA NA CIDADE DO MÉXICO, MEMBROS DA ORCAO, UMA ORGANIZAÇÃO PARAMILITAR A SERVIÇO DO GOVERNO DO ESTADO DE CHIAPAS, SEQUESTRARAM OS CAMARADAS SEBASTÍAN NUÑEZ PEREZ E JOSE ANTONIO SANCHEZ JUAREZ, AUTORIDADES AUTÔNOMAS DA JUNTA DE BOM GOVERNO DE PATRIA NUEVA, CHIAPAS.</p>
<p style="text-align: justify;">A ORCAO É UMA ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-MILITAR DE NATUREZA PARAMILITAR, POSSUI UNIFORMES, EQUIPAMENTOS, ARMAS E UM PARQUE OBTIDO COM O DINHEIRO QUE RECEBEM DE PROGRAMAS SOCIAIS. GUARDAM PARTE DO DINHEIRO E DÃO O RESTO AOS FUNCIONÁRIOS PARA QUE ELES POSSAM DIVULGAR O FATO DE QUE ESTÃO CUMPRINDO O ASSISTENCIALISMO. COM ESTAS ARMAS ELES ATIRAM TODAS AS NOITES CONTRA A COMUNIDADE ZAPATISTA DE MOISES E GANDHI.</p>
<p style="text-align: justify;">O EZLN ESPEROU PACIENTEMENTE ATÉ QUE TODOS OS CANAIS POSSÍVEIS PARA UMA SOLUÇÃO ESTIVESSEM ESGOTADOS. ENQUANTO O GOVERNO DO ESTADO DE CHIAPAS SABOTOU E IMPEDIU A LIBERTAÇÃO, FORAM AS ORGANIZAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS E A IGREJA CATÓLICA PROGRESSISTA QUE AVALIARAM CORRETAMENTE O QUE PODERIA ACONTECER.</p>
<p style="text-align: justify;">SEGUNDO. – OS COMPANHEIROS FORAM PRIVADOS DE SUA LIBERDADE POR 8 DIAS E FORAM LIBERTADOS HOJE, 19 DE SETEMBRO DE 2021, GRAÇAS À INTERVENÇÃO DOS PÁROCOS DE SAN CRISTÓBAL DE LAS CASAS E OXCHUC, QUE PERTENCEM À DIOCESE DE SAN CRISTÓBAL. DOS COMPANHEIROS FORAM ROUBADOS UM RÁDIO DE COMUNICAÇÃO E SEIS MIL PESOS EM DINHEIRO PERTENCENTES À JUNTA DO BOM GOVERNO.</p>
<p style="text-align: justify;">TERCEIRO.- O CRIME DE SEQUESTRO É PUNIDO PELAS LEIS DO MAU GOVERNO E PELAS LEIS ZAPATISTAS. ENQUANTO O GOVERNO DO ESTADO DE CHIAPAS ESTÁ ENCOBRINDO E ENCORAJANDO ESSES CRIMES, E NÃO ESTÁ FAZENDO NADA, O EXÉRCITO ZAPATISTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL PROCEDEU PARA TOMAR AS MEDIDAS NECESSÁRIAS PARA LIBERTAR OS SEQUESTRADOS E PRENDER E PUNIR OS RESPONSÁVEIS PELO CRIME.</p>
<p style="text-align: justify;">QUARTO. – SE O CONFLITO NÃO SE TRANSFORMOU EM TRAGÉDIA, FOI DEVIDO À INTERVENÇÃO DOS CITADOS PÁROCOS, DAS ORGANIZAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS E DAS MOBILIZAÇÕES E DENÚNCIAS QUE ACONTECERAM NO MÉXICO E, SOBRETUDO, NA EUROPA.</p>
<p style="text-align: justify;">QUINTO. – O DESGOVERNO DE RUTILIO ESCANDÓN ESTÁ FAZENDO TODO O POSSÍVEL PARA DESESTABILIZAR O ESTADO DE CHIAPAS DO SUDESTE MEXICANO:</p>
<p style="text-align: justify;">REPRIME COM VIOLÊNCIA @S NORMALISTAS RURAIS.</p>
<p style="text-align: justify;">SABOTA OS ACORDOS FEITOS ENTRE O MAGISTÉRIO DEMOCRÁTICO E O GOVERNO FEDERAL, OBRIGANDO OS PROFESSORES A SE MOBILIZAREM RADICALMENTE PARA QUE SE CUMPRAM ESSES ACORDOS.</p>
<p style="text-align: justify;">SUAS ALIANÇAS COM O NARCOTRÁFICO ESTÃO FORÇANDO AS COMUNIDADES ORIGINÁRIAS A FORMAR GRUPOS DE AUTODEFESA, PORQUE O GOVERNO NÃO FAZ NADA PARA PRESERVAR A VIDA, A LIBERDADE E OS BENS DOS HABITANTES. O GOVERNO DE CHIAPAS NÃO SÓ PROTEGE AS QUADRILHAS NARCOTRAFICANTES, MAS TAMBÉM INCENTIVA, PROMOVE E FINANCIA GRUPOS PARAMILITARES COMO OS QUE ATACAM CONTINUAMENTE AS COMUNIDADES EM ALDAMA E SANTA MARTHA.</p>
<p style="text-align: justify;">ESTÁ SEGUINDO UMA POLÍTICA DE VACINAÇÃO PROPOSITALMENTE LENTA E ALEATÓRIA QUE ESTÁ PROVOCANDO DESCONTENTAMENTO ENTRE A POPULAÇÃO RURAL E QUE LOGO EXPLODIRÁ. ENQUANTO ISSO, O NÚMERO DE MORTES POR COVID NAS COMUNIDADES ESTÁ AUMENTANDO SEM SER LEVADO EM CONTA.</p>
<p style="text-align: justify;">SEUS FUNCIONÁRIOS ESTÃO ROUBANDO O MÁXIMO QUE PODEM DO ORÇAMENTO ESTATAL. TALVEZ SE PREPARANDO PARA UM COLAPSO DO GOVERNO FEDERAL OU APOSTANDO EM UMA MUDANÇA DO PARTIDO NO PODER.</p>
<p style="text-align: justify;">AGORA TENTOU SABOTAR A PARTIDA DA DELEGAÇÃO ZAPATISTA QUE PARTICIPA DA JORNADA PELA VIDA, CAPÍTULO EUROPA, ORDENANDO A SEUS PARAMILITARES DE ORCAO QUE RAPTASSEM NOSSOS CAMARADAS, DEIXANDO O CRIME IMPUNE, E TENTANDO PROVOCAR UMA REAÇÃO DA EZLN A FIM DE DESESTABILIZAR UM ESTADO CUJA GOVERNABILIDADE PENDE EM UMA BALANÇA.</p>
<p style="text-align: justify;">SEXTO. – SE O OBJETIVO DO PARTIDO VERDE ECOLOGISTA DO MÉXICO (PVEM) É PROVOCAR UM PROBLEMA QUE TERÁ REPERCUSSÕES INTERNACIONAIS, ASSIM COMO DESESTABILIZAR O REGIME NO PODER, É MELHOR QUE RECORRA À CONSULTA DE REVOGAÇÃO DE MANDATO.</p>
<p style="text-align: justify;">O PVEM É UM DOS NOMES QUE O VELHO PRIÍSMO USA NESTAS TERRAS. ÀS VEZES É PAN, ÀS VEZES É PRD, AGORA É PVEM MAL DISFARÇADO COMO O PARTIDO DO MOVIMENTO DE REGENERAÇÃO NACIONAL. ELES SÃO OS MESMOS DELINQUENTES DE ANTES E AGORA FAZEM PARTE DO MOVIMENTO ERRONEAMENTE CHAMADO DE “OPOSIÇÃO”, COMO UMA “QUINTA COLUNA” NA QUARTA GUERRA MUNDIAL.</p>
<p style="text-align: justify;">OS RESPONSÁVEIS SÃO: Rutilio Escandón e Victoria Cecilia Flores Pérez.</p>
<p style="text-align: justify;">SE O QUE QUEREM É REMOVER O ATUAL GOVERNO FEDERAL, OU PROVOCAR DIFICULDADES NA RETALIAÇÃO PELAS INVESTIGAÇÕES PENAIS QUE ELES TÊM CONTRA ELES, OU SE ESTÃO JOGANDO EM UMA DAS FACÇÕES QUE DISPUTAM A SUCESSÃO EM 2024, USEM OS CANAIS LEGAIS DISPONÍVEIS E DEIXEM DE JOGAR COM A VIDA, LIBERDADE E BENS DOS POVOS CHIAPANECOS. VOTEM E CHAMEM O VOTO PARA A REVOGAÇÃO DO MANDATO E PAREM DE BRINCAR COM O FOGO PORQUE SE QUEIMARÃO.</p>
<p style="text-align: justify;">SÉTIMO. – CHAMAMOS A EUROPA DE BAIXO E À ESQUERDA E A SEXTA NACIONAL E INTERNACIONAL A SE MANIFESTAR DIANTE DAS EMBAIXADAS E CONSULADOS DO MÉXICO, E NAS CASAS DO GOVERNO DO ESTADO DE CHIAPAS, PARA EXIGIR QUE ACABEM COM AS PROVOCAÇÕES E ABANDONEM O CULTO DA MORTE QUE PROFESSAM. A DATA É SEXTA-FEIRA, 24 DE SETEMBRO DE 2021.</p>
<p style="text-align: justify;">DIANTE DA AÇÃO E OMISSÃO DAS AUTORIDADES ESTADUAIS E FEDERAIS DIANTE DOS CRIMES ATUAIS E ANTERIORES, TOMAREMOS AS MEDIDAS PERTINENTES PARA QUE A JUSTIÇA SEJA APLICADA AOS CRIMINOSOS DA ORCAO E AOS FUNCIONÁRIOS QUE OS APADRINHAM.</p>
<p style="text-align: justify;">É TUDO. PARA OUTRA OCASIÃO, NÃO HAVERÁ COMUNICADO. OU SEJA, NÃO HAVERÁ PALAVRAS, MAS ATOS.</p>
<p style="text-align: justify;">Das montanhas do sudeste mexicano.</p>
<p style="text-align: justify;">Em nome do CCRI-CG do EZLN.</p>
<p style="text-align: justify;">Subcomandante Insurgente Galeano.</p>
<p class="has-text-align-justify" style="text-align: justify;">México, 19 de setembro de 2021.</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Acerca da eleição de Lopez Obrador</title>
		<link>https://passapalavra.info/2018/07/121840/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Jul 2018 23:05:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições]]></category>
		<category><![CDATA[Govs_nacionais_e_internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[México]]></category>
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					<description><![CDATA[Sem dúvida, a ascensão de Lopez Obrador é parte da tendência mundial que começa com o Brexit, Trump, Putin, Erdogan e outros nacionalismos. Por Um militante anônimo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;"><em><strong>Por Um militante anônimo</strong></em></h3>
<p style="text-align: justify;">(<em><strong>Nota prévia do Passa Palavra:</strong> embora não concordemos com a posição do autor, entendemos que ele traz reflexões pertinentes acerca do contexto internacional que precisam ser debatidas também no meio lusófono. Daí havermos traduzido o artigo, esperando que seu apelo final surta algum efeito.</em>)</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje, estou escrevendo para confessar meus pecados. Eu agi como um democrata vil, participando de eleições e pedindo votos para AMLO<strong>[1]</strong> e para o MORENA<strong>[2]</strong>… eu nunca havia votado até agora; esta é a segunda vez na minha vida que eu votei (a primeira vez foi há três anos, também para o MORENA). Eu joguei todo o meu marxismo ao mar. Com efeito, o AMLO-MORENA é um movimento de frente, social-democrata, nacionalista, keynesiano… e tudo isso misturado com uma dose sólida de neoliberalismo!</p>
<p style="text-align: justify;">Não pode haver dúvidas sobre o assunto, e AMLO tem sido, ao menos, completamente coerente. Ele nunca pediu nada que pudesse parecer socialista ou de esquerda; ele era um militante do PRI, e sua visão sempre foi clara: o nacionalismo, e suas referências teóricas foram Lázaro Cardenas<strong>[3]</strong>, Benito Juárez<strong>[4]</strong> e Madero. Nunca em sua vida ele mencionou Marx, Lenin, Trotsky ou Luxemburgo. Eles nunca o interessaram. AMLO não era nem um típico militante de esquerda que “amadureceu” com a idade.</p>
<p style="text-align: justify;">O resto todo mundo sabe: no México, como um país subordinado, expressar o nacionalismo reformista é um risco revolucionário inaceitável para as elites, que são mais intimamente identificadas com seus mestres estrangeiros do que com qualquer papel da burguesia “nacional”. Assim, desde 1988, testemunhamos fraude, manipulação e intimidação para impedir que a “esquerda” chegue ao poder por meio de eleições. Em 1988, [e] pelos [anos] de 1994, 2006 e 2012, assistimos aos casos mais escandalosos nas mega-fraudes eleitorais de 1988 (contra Cuauhtémoc Cardenas<strong>[5]</strong> e o PRD<strong>[6]</strong>) e depois em 2006 (contra Lopez Obrador e o PRD). Na ocasião atual, AMLO, à frente do MORENA (o partido que ele criou há apenas quatro anos como um rompimento com o corrupto e neoliberal PRD), tomou o poder de uma maneira irrefreável. Foi um voto maciço de rejeição contra o chamado PRIAN (os governos alternados cozinhados pelo PRI<strong>[7]</strong> e pelo PAN<strong>[8]</strong>, juntamente com o seu lacaio o PRD). Refiro-me a décadas de privatizações e abertura comercial do país, apresentadas como remédio necessário, e ao seu outro lado: desemprego, empobrecimento, migração de milhões de pessoas para os Estados Unidos, desastre ecológico, novas doenças decorrentes de novos tipos de consumo e, em sua fase mais aguda, a “guerra ao tráfico de drogas”, que já matou mais de 200 mil pessoas em 12 anos, com sepulturas clandestinas em todo o país, milhares de “desaparecidos” e famílias destruídas pelo sequestro em todos os níveis sociais. Tudo isso chegou ao ponto de ruptura em 2018 (claro, no ano do 50º aniversário do massacre de estudantes universitários pelas tropas do exército na Plaza de Tlatelolco<strong>[9]</strong>, em outubro de 1968).</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-121841" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2018/07/8a58bd5586650125abaed6dbcd9a2.2e16d0ba.fill-800x400-c100.jpg" alt="Acerca da eleição de Lopez Obrador" width="750" height="375" /></p>
<p style="text-align: justify;">No que diz respeito a este desastre de longo prazo, parece que a conta chegou. A história colocou nas mãos dos pobres um país cheio de desespero, frustração e muita raiva. De sua parte, a tenacidade, o caudilhismo<strong>[10]</strong> e, mais recentemente, o misticismo de AMLO fizeram dele o repositório da esperança de dezenas de milhões de pessoas de todas as classes sociais, desde os mais pobres, passando pelas classes médias, até alguns setores em meio aos pequenos negociantes. Foi um <em>tsunami</em> eleitoral. AMLO conseguiu mais de 50% dos votos e ganhou as duas casas do Congresso para seu novo partido. De sua parte, o PRI incrementou sua máquina de fraude (compra de votos, manipulação da mídia, intimidação, assassinatos de líderes políticos, controle dos comitês centrais de votação e muitas outras armadilhas). O PAN fez a sua parte, sendo o partido com maior legitimidade e credibilidade ideológica, representando a direita histórica neste país, com sua bagagem religiosa, tradicionalista, classista e racista. Juntos, o PRI e o PAN alardearam sua propaganda, espalhando o medo sobre o crescimento do chavismo<strong>[11]</strong> e a perda da liberdade.</p>
<p style="text-align: justify;">Contra isso, AMLO hábil e taticamente se colocou à frente de um programa “centrista” e um discurso calculado para evitar o nacionalismo, em aliança com um pequeno e ultraconservador partido evangélico, e com novos partidários vindos do PRI e do PAN, e também com empresários que faziam parte da chamada “máfia do poder”.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse choque de forças pareceu pressagiar o desastre. Muitos de nós pensaram que o governo recorreria novamente à fraude eleitoral, que teria que ser de proporções monumentais. O resultado foi sem precedentes. AMLO venceu com uma maioria sólida, muito além das expectativas de seus apoiadores e seus inimigos. O mais surpreendente de tudo foi que Peña Nieto, o presidente, José Antonio Meade, o candidato do PRI, e Ricardo Anaya, o candidato do PAN, todos reconheceram a vitória da AMLO no mesmo dia da eleição. Horas depois, o grande chefe, o presidente dos Estados Unidos, fez o mesmo. O momento foi, e é, histórico.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto explicações completas ainda não estão à disposição, uma razão para tudo isso é clara: o desastre neoliberal. Mas não está claro por que o PRI e o PAN não uniram forças e apresentam uma frente comum simulada, como fizeram em ocasiões anteriores – por exemplo para que o candidato mais à frente nas pesquisas se afastasse, de modo que o candidato mais favorecido poderia garantir uma vitória contra a esquerda – e também usar seus métodos fraudulentos em maior ou menor medida, dependendo das necessidades em jogo. Desta vez foi diferente. A frente “neoliberal” pura foi dividida.</p>
<p style="text-align: justify;">Conflitos partidários e pessoais, dentro das partes e entre eles, são uma primeira explicação. Mas eu acho que o motivo mais importante é Trump. O provável rompimento do NAFTA<strong>[12]</strong> representa o fim da principal aposta da elite mexicana. Trump tornou órfãos seus empregados mais servis. O golpe foi devastador. Outros analistas argumentam que a divisão entre o PRI e o PAN é uma extensão do confronto entre Trump e Soros.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-121842" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2018/07/Mexico-Elecciones-America_300982463_74485356_1024x576.jpg" alt="Acerca da eleição de Lopez Obrador" width="750" height="422" /></p>
<p style="text-align: justify;">Sem dúvida, a ascensão de AMLO é parte da tendência mundial que começa com o <em>Brexit</em>, Trump, Putin, Erdogan e outros nacionalismos: isto é, o protecionismo e o nacionalismo se encaixam em um período de recessão e ameaças de guerra. No nível da luta de classes, a situação é ainda mais grave. A vitória de AMLO sela a ausência e a inibição de qualquer luta independente do proletariado. Por enquanto, este último não existe e não tem expressão. Os movimentos da classe desapareceram há algum tempo e permanecem limitados a confusas agitações locais; o movimento de classe mais importante dos últimos anos, o dos professores, vê sua perspectiva realizada no triunfo eleitoral do AMLO. No entanto, nada mais poderia ser esperado após anos de assassinatos, justificados como uma guerra contra a “delinquência organizada”, e em um país que se afundou em terror, ansiedade e desespero.</p>
<p style="text-align: justify;">Tais foram os motivos que me levaram a desistir da minha rejeição a toda atividade eleitoral e a qualquer apoio aos partidos burgueses, a calar minha boca e refazer meus passos, unindo-me àqueles que critiquei tanto por suas ilusões reformistas e seu nacionalismo burguês. Esta foi uma lição de vida que me fez valorizar ainda mais aqueles militantes e revolucionários que viveram ao longo do fascismo e da guerra nos anos 20, 30 e 40, enquanto mantinham suas convicções. Este não foi o meu caso e, ainda mais importante e seriamente, não acho “viável” que uma organização comunista mantenha uma postura anti-eleitoral rígida em uma situação como a atual. Seja qual for o caso, o que aconteceu aconteceu, e agora surgem desafios tremendos.</p>
<p style="text-align: justify;">Certamente, a única voz crítica ouvida desde o triunfo de AMLO foi a dos Zapatistas (EZLN, Exército Zapatista de Libertação Nacional) de sua base secreta no estado sulista de Chiapas; sua intervenção é cheia de ressonâncias históricas, já que AMLO também disse que foi inspirado por Francisco Madero, o político liberal que lançou a luta contra a ditadura de Porfirio Diaz em 1910. Emiliano Zapata foi o líder guerrilheiro que, junto com Pancho Villa, pôs as demandas do campesinato na agenda, convertendo assim a suposta mudança de regime em uma revolução social. No entanto, o neo-zapatismo está mais isolado do que nunca, e a sua intervenção política nas eleições foi muito lamentável. O experimento com as comunidades agrárias indígenas não parece inspirar as massas urbanas proletarizadas, para não mencionar o lumpemproletariado; por outro lado, a suposta esquerda radical representada pelo zapatismo sofre da confusão decorrente do colapso do “socialismo realmente existente”. Além disso, nunca esclareceu sua política, entre seu maoísmo original, sua atual ideologia “anarco-alternativa” e suas referências a Cuba e Venezuela.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-121843" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2018/07/red_politica_ezln_800.jpg" alt="Acerca da eleição de Lopez Obrador" width="750" height="502" /></p>
<p style="text-align: justify;">Felizmente não pertenço a nenhuma organização comunista, pois certamente seria chamado a prestar contas e expulso hoje. Dito isso, agradeço seus comentários críticos. Pelo menos me ajudem a entender o que está acontecendo; eu realmente penso que muitas das chaves para entender a situação estão fora do México e nos Estados Unidos!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Notas</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1]</strong> A tag universal para Andres Manuel Lopez Obrador.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[2]</strong> MORENA, contração do Movimento pela Regeneração Nacional, partido construído nos últimos anos pela AMLO.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[3]</strong> Lazaro Cardenas foi presidente do México de 1934 a 1940, lembrado pela nacionalização de investimentos estrangeiros em petróleo em 1938 e seu programa de reforma geral naqueles anos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[4]</strong> Benito Juárez era um líder liberal burguês no México no século XIX.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[5]</strong> Cuahtémoc Cardenas, filho de Lázaro Cárdenas, candidatou-se à presidência do México em 1988 com um bilhete reformista de esquerda e foi derrotado em uma eleição amplamente considerada roubada.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[6]</strong> Partido Revolucionário Democrático, partido reformista de esquerda.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[7]</strong> Partido Revolucionario Institucional, que governou o México de 1930 a 2000, e depois voltou ao poder nos anos 2000.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[8]</strong> Partido de Ação Nacional, partido tradicional de direita.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[9]</strong> O local de um massacre de centenas de manifestantes militantes estudantis na Cidade do México pouco antes das Olimpíadas de 1968, realizada nesta cidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[10]</strong> De “caudillo”, aproximadamente “homem forte”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[11]</strong> De Chávez, líder da “Revolução Bolivariana”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[12]</strong> <em>North American Free Trade Agreement</em> [<em>Acordo Norte-Americano de Livre Comércio</em>] de 1993, que liberalizou o comércio entre os Estados Unidos, Canadá e México.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Traduzido e revisado pelo Passa Palavra a partir do original publicado em <a class="urlextern" title="http://insurgentnotes.com/2018/07/on-the-election-of-lopez-obrador/" href="http://insurgentnotes.com/2018/07/on-the-election-of-lopez-obrador/" rel="nofollow">Insurgent Notes</a>.</em></p>
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		<title>Os zapatistas e as eleições</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Nov 2016 01:36:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Govs_nacionais_e_internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[México]]></category>
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					<description><![CDATA[O anúncio de uma candidatura zapatista em 2018 parece apontar para um processo de mobilização e organização. Por Alex Hilsenbeck “O problema com a realidade é que ela não entende nada de teoria” (Dom Durito de Lacandona) Os zapatistas, uma vez mais, convertem-se no epicentro das discussões políticas no México (com importantes ressonâncias em outras [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>O anúncio de uma candidatura zapatista em 2018 parece apontar para um processo de mobilização e organização.</em> <strong>Por Alex Hilsenbeck</strong></p>
<p style="text-align: right;"><span id="more-109808"></span><br />
<em>“O problema com a realidade é que ela não entende nada de teoria”</em> (Dom Durito de Lacandona)</p>
<p style="text-align: justify;">Os zapatistas, uma vez mais, convertem-se no epicentro das discussões políticas no México (com importantes ressonâncias em outras partes do mundo, sobretudo nos setores mais à esquerda). Desta vez, ao anunciarem em conjunto com o Congresso Nacional Indígena (CNI) a consulta às comunidades indígenas para a possibilidade de lançarem uma candidatura independente (isto é, sem partido) à presidência mexicana em 2018. Uma candidata indígena. Que seria a voz coletiva de um conselho indígena de governo, formado por um coletivo de representantes com paridade de gênero de cada representação no CNI. <strong>[1]</strong></p>
<p style="text-align: justify;">As interpretações e vozes não tardaram nada a se polarizarem, num esquema binário e empobrecedor de pensamento.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-109811" src="/wp-content/uploads/2016/11/Camacho_Solis-Marcos-20_anos_EZLN-EZLN-subcomandante_Mracos-Salinas_y_Camacho_MILIMA20131227_0132_8.jpg" alt="camacho_solis-marcos-20_anos_ezln-ezln-subcomandante_mracos-salinas_y_camacho_milima20131227_0132_8" width="400" height="271" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2016/11/Camacho_Solis-Marcos-20_anos_EZLN-EZLN-subcomandante_Mracos-Salinas_y_Camacho_MILIMA20131227_0132_8.jpg 400w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2016/11/Camacho_Solis-Marcos-20_anos_EZLN-EZLN-subcomandante_Mracos-Salinas_y_Camacho_MILIMA20131227_0132_8-300x203.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2016/11/Camacho_Solis-Marcos-20_anos_EZLN-EZLN-subcomandante_Mracos-Salinas_y_Camacho_MILIMA20131227_0132_8-173x117.jpg 173w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2016/11/Camacho_Solis-Marcos-20_anos_EZLN-EZLN-subcomandante_Mracos-Salinas_y_Camacho_MILIMA20131227_0132_8-40x27.jpg 40w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2016/11/Camacho_Solis-Marcos-20_anos_EZLN-EZLN-subcomandante_Mracos-Salinas_y_Camacho_MILIMA20131227_0132_8-155x105.jpg 155w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" />Os zapatistas “pelegaram” e se renderam à forma política do capitalismo democrático? Ingressarão os rebeldes indígenas na política institucional mexicana via eleições democráticas? Reconheceram que além de marchas, tomada dos meios de produção, ações performáticas, também devem disputar o jogo eleitoral e, dessa forma, disputar o poder do Estado? O zapatismo, outra vez, está fazendo o “jogo da direita” e compondo uma coalizão anti-Andrés Manuel López Obradór (AMLO) do Partido da Revolução Democrática (PRD) e sua candidatura do Movimento de Refundação Nacional (MORENA)? <strong>[2]</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não nos parece que os insurgentes chiapanecos deram um giro de 180º (ou de 360º) graus em suas linhas de ação. Para tentar compreender essa ação política zapatista é preciso não abandonar a perspectiva da história e da conjuntura mexicana e mundial (a tal da análise concreta da realidade concreta), tampouco recair em enquadramentos dos movimentos sociais como expressões puras e tipos ideais de formulações de teoria política (ou de anseios &#8211; pessoais e políticos – militantes).</p>
<p style="text-align: justify;">Desde o seu levante armado, o zapatismo percorreu diversas táticas para levar adiante sua estratégia de autonomia e autogestão em seus territórios.</p>
<p style="text-align: justify;">Muitos procuraram interpretar o zapatismo a partir de suas preferências políticas e ideológicas, ressaltando aquilo que acreditavam ser o elemento mais “correto”, por vezes como um movimento de fluxos comunicacionais, de guerra de palavras; de negação total do Estado e desta forma de política democrática ocidental (ou de capitalismo democrático); dando ênfase às características indígenas do movimento; a presença marxista em sua formação e o fato de terem tomado os meios de produção para levar adiante sua luta; a leitura anarquista e libertária de negação da tomada do poder do Estado e a prática de ação direta no seu processo de autogestão. Normalmente uma forma de leitura que considera irrelevantes – ou secundários – os elementos destacados pela outro modo de ler ou enxergar os zapatistas.</p>
<p style="text-align: justify;">Estas leituras não estão de todo erradas, o que significa, também, que não estão de todo certas. O fato é que o movimento zapatista não pode ser lido exclusivamente em nenhuma dessas matrizes interpretativas, sob o risco de perdermos a complexa totalidade que o compõe. Mas bem, ele comunga diversos elementos delas, constituindo-se, não por um acaso, num tipo de antípoda das clássicas experiências guerrilheiras de décadas passadas.</p>
<p style="text-align: center;"><iframe loading="lazy" src="https://player.vimeo.com/video/187902918" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Vº Congresso Nacional Indígena, em San Cristóbal de Las Casas, Chiapas (vídeo em espanhol)</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Participação e eleições, novamente?!</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Já no ano do levante armado, em 15 de maio de 1994, as bases zapatistas e seu porta-voz e chefe militar Subcomandante Marcos receberam o candidato do PRD Cuauhtémoc Cárdenas &#8211; filho do ex-presidente (1934-1940) e militar Lázaro Cárdenas, um dos presidentes mais populares do país. Dois meses após a visita, os insurgentes zapatistas lançam a II Declaração da Selva Lacandona e promovem o chamado (inclusive aos partidos políticos independentes) à Convenção Nacional Democrática, que teria por objetivo uma transição pacífica do país, no qual haveria de “emanar um governo provisório ou de transição, seja através da renúncia do Executivo Federal ou através da via eleitoral”, que levaria a uma nova Constituição “como expressão civil e a defesa da vontade popular”, tendo à frente Cuauhtémoc Cárdenas. E em 21 de agosto desse mesmo 1994, nos marcos dos comícios eleitorais para a presidência do país, os zapatistas chamam a votar contra o Partido da Revolução Institucional (PRI), uma amálgama de Partido-Estado que governou o México por mais de 70 anos por meio de “eleições” diretas e livres, fazendo com o que o país fosse dos únicos no “semicontinente” latino a não ter uma ditadura militar como governo, mas uma “ditadura perfeita”, uma máquina de repressão seletiva aos oposicionistas, cooptação e assimilação de personalidades, grupos e organizações, e acúmulo de longas controvérsias sobre fraudes eleitorais. A vitória de Ernesto Zedillo, do PRI (após o assassinato do candidato oficial Colosio), fez minguar a iniciativa da CND.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas eleições locais de Chiapas em 1994, os zapatistas apoiaram a candidatura do advogado e jornalista Amado Avendaño Figueroa para o governo (sob a sigla do PRD). Ele perdeu as eleições, sob fortes suspeitas de fraude, além de pouco antes do pleito ter ocorrido uma tentativa de assassinato contra o candidato (que acabou com três de seus correligionários mortos). Neste caso, interessante notar qual havia sido o “acordo” de Amado com o EZLN na época:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Os zapatistas não querem que eu seja] um governador comum, mas sim um governador-em-transição, apenas até fazer a transição… O que significa: você vai participar nas eleições, vencerá, vai chamar uma assembleia constituinte, apresentar um projeto constitucional que será modificado, aprovado, ou qualquer outra coisa que seja, e quando isso acabar, convocará novas eleições. Para o vencedor, você vai passar o bastão e voltar para sua casa. Perfeito [eu disse], dessa forma, sim, eu <a class="urlextern" title="http://democratizemidia.com.br/zapatistas-indicam-mulher-indigena-para-a-presidencia-do-mexico/" href="http://democratizemidia.com.br/zapatistas-indicam-mulher-indigena-para-a-presidencia-do-mexico/" rel="nofollow">participo</a>.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">O EZLN ainda compôs, em outros momentos, a tentativa de construção de frentes amplas de esquerda, envolvendo partidos independentes e organizações políticas das mais distintas correntes no campo progressista e da esquerda.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, reparem bem que não se tratou até o presente de uma espécie de reedição do Projeto Democrático (Nacional) Popular brasileiro, em que as lutas por reformas democráticas na sociedade gerariam um acúmulo de forças para o projeto socialista &#8211; a partir da tática de “pinça” que, em linhas gerais, pode ser definida como a combinação da luta institucional com a auto-organização dos trabalhadores, isto é, por um lado a pressão de organizações populares (CUT e MST) e a ação institucional (PT), formando uma aliança histórica entre estas três organizações, tendo por polo aglutinador o Partido dos Trabalhadores.</p>
<p style="text-align: justify;">Atentemos, sobretudo, para a própria experiência prática das comunidades autônomas indígenas zapatistas de uma democracia substantiva e participativa, em que existem instrumentos de revogação de mandatos como mecanismo popular, rotação dos cargos que, aliás, não possuem remuneração (considerados mais como um dever para com a comunidade). E, não menos importante, a partir do início dos anos 2000 a passagem do poder militar para o civil nas comunidades.</p>
<p style="text-align: center;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-109812 size-full" src="/wp-content/uploads/2016/11/aniversario_ezln_chiapas-0212.jpg" alt="aniversario_ezln_chiapas-0212" width="650" height="450" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2016/11/aniversario_ezln_chiapas-0212.jpg 650w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2016/11/aniversario_ezln_chiapas-0212-300x208.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2016/11/aniversario_ezln_chiapas-0212-173x120.jpg 173w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2016/11/aniversario_ezln_chiapas-0212-500x346.jpg 500w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2016/11/aniversario_ezln_chiapas-0212-40x28.jpg 40w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2016/11/aniversario_ezln_chiapas-0212-155x107.jpg 155w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2016/11/aniversario_ezln_chiapas-0212-600x415.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 650px) 100vw, 650px" /></p>
<p style="text-align: justify;">No que a negativa zapatista a “tomar o poder” não significa uma negação ao exercício autônomo do poder popular em suas comunidades (poder popular tão declamado em atos e ritos América afora). Assim, não é um descalabro sem sentido buscar inverter a lógica do exercício do poder, questionando a conquista do poder a partir da indagação histórica do que foram as experiências nas quais a esquerda obteve esse exercício do poder (com todas as mediações necessárias), mas tão pouco parece que esta questão era um <strong>Oxímoron</strong> zapatista, tal como a leitura de títulos de livros nos pode fazer pressupor.</p>
<p style="text-align: justify;">Cabe ainda lembrar as mesas de diálogo com o governo referente aos Acordos de San Andrés/Sakamch&#8217;en de los Pobres sobre direitos e culturas indígenas, que culminou na proposta &#8211; inicialmente aceita pelo governo &#8211; da Lei COCOPA, bem como a tentativa zapatista e popular de pressionar os três poderes mexicanos a aprovarem em forma de lei nacional os acordos estabelecidos nestas mesas de diálogo. Foi assim que na <em>Marcha da Cor da Terra</em>, em 2001, em que os zapatistas saem de Chiapas até a capital do país, tendo recebido em todo o seu percurso o respaldo popular mais massivo que nenhum candidato político conseguiu alcançar, os insurgentes encontram um <em>Zócalo</em> (a praça principal da Cidade do México) lotado de apoiadores, contrapondo-se ao vazio do Congresso da União e dos três poderes (com todos os representantes dos partidos, inclusive do PRD) que se negaram a aprovar as Leis Indígenas da COCOPA tal qual acordado nos Acordos de San Andrés/Sakamch&#8217;en de los Pobres, das quais os zapatistas, demais organizações da CNI e setores progressistas da sociedade participaram ativamente, e, pelo contrário, os políticos aprovaram uma contrarreforma que deturpava os acordos estabelecidos.</p>
<p style="text-align: justify;">Daí principia a perspectiva exposta por Marcos de que com essa classe política mexicana não há mais nada a se fazer, nem mesmo rir. E que caberia aos zapatistas e suas bases de apoio levarem adiante unilateralmente os Acordos, a partir do fortalecimento de suas autonomias em seus territórios.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao lançar a <em>Outra Campanha</em> em 2005, nos marcos da publicação da <em>VI Declaração da Selva Lacandona</em>, o zapatismo colocou o objetivo de uma democracia mais direta, a partir de suas próprias experiências, questionando o simulacro democrático de participação e representatividade que imperaria nos sistemas democráticos modernos. E, mais que isso, propôs outra agenda, para conhecer as distintas e fragmentadas formas de resistências, desde abaixo e à esquerda, anticapitalistas, e as enlaçar para elaborar um plano nacional de lutas, a partir de uma rede de redes de rebeldias micros e cotidianas, para buscar outros modos de organização.</p>
<p style="text-align: center;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-109813" src="/wp-content/uploads/2016/11/B56ib56ab56.jpg" alt="b56ib56ab56" width="650" height="435" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2016/11/B56ib56ab56.jpg 650w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2016/11/B56ib56ab56-300x201.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2016/11/B56ib56ab56-173x116.jpg 173w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2016/11/B56ib56ab56-500x335.jpg 500w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2016/11/B56ib56ab56-40x27.jpg 40w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2016/11/B56ib56ab56-155x104.jpg 155w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2016/11/B56ib56ab56-600x402.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 650px) 100vw, 650px" /></p>
<p style="text-align: justify;">É nesse contexto que se dá o percorrido do então “Delegado Zero” por todo o país, e que foi abortada em grande medida pela brutal repressão as resistências populares em Atenco e Oaxaca.</p>
<p style="text-align: justify;">Também é certo que a <em>Outra Campanha</em> “coincidiu” com as datas das campanhas oficiais à presidência (que tinha AMLO com alguma chance real de sair vitorioso). Mas há diversos fatos concretos, expostos em comunicados e declarações, que levaram os zapatistas a não apoiar essa candidatura do PRD e do AMLO, tais como assassinatos, prisões e repressões cometidas por (ou a mando de) membros do partido e ligados à candidatura de Obrador. Não se trata tão somente de uma questão principista de não participação nas eleições, ou de não convocar votos num determinado partido e candidato, mas de fatos concretos e que levaram o movimento a acreditar que, inclusive, com a provável vitória de Obrador (como tudo indicava), no decorrer do que seriam seus cinco anos de governo, as pessoas perceberiam que não havia diferença substancial entre as políticas capitalistas e neoliberais desenvolvidas por um ou outro partido, fosse do PRI, PAN ou PRD.</p>
<p style="text-align: justify;">A perspectiva zapatista propunha algo para além, levando adiante ações diretas para a construção de um mundo onde caibam muitos mundos (não todos os mundos), a partir da pertinência de construir um polo de resistência social autônoma dos partidos e do jogo eleitoral. Exemplificado na postura antissistêmica zapatista de não receber nenhum tipo de apoio de programas governamentais e construir autonomamente as novas relações políticas e sociais que apregoam. Contudo, também demonstram que suas comunidades não são “uma ilha de utopia para uma esquerda órfã”, e que se faz necessária a ampliação das lutas pelo país, e pelo mundo, sob o risco de regredirem os avanços que eles próprios conquistaram e mantêm nas mais difíceis situações. Uma ampliação que significa, também, a união na diversidade das distintas lutas fragmentadas da classe trabalhadora.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">“Assim, o EZLN tem resistido há 12 anos de guerra, de ataques militares, políticos, ideológicos e econômicos, de cerco, de perseguição, de hostilidade, e não nos venceram, não nos vendemos, nem nos rendemos, e temos avançado. Mais companheiros de muitos lugares têm entrado na luta, de tal forma que, no lugar de tornarmo-nos mais fracos depois de tantos anos, nos fazemos mais fortes. Claro que há problemas que podem ser resolvidos separando mais o político-militar do civil-democrático. Mas há coisas, as mais importantes, como são nossas demandas pelas quais lutamos, que não foram completamente atingidas.<br />
Conforme nosso pensamento e o que vemos em nosso coração, chegamos a um ponto em que não podemos ir além e, além disso, é possível que percamos tudo o que temos se ficamos como estamos e não fazemos nada para avançar. Ou seja, chegou a hora de arriscar outra vez e dar um passo perigoso, mas que vale a pena. Porque, talvez, unidos com outros setores sociais que têm nossas mesmas carências, será possível conseguir o que precisamos e merecemos. Um novo passo adiante na luta indígena só é possível se o indígena se une aos operários, camponeses, estudantes, professores, empregados… ou seja, aos trabalhadores da cidade e do campo (<strong><a class="urlextern" title="http://enlacezapatista.ezln.org.mx/sdsl-pt/" href="http://enlacezapatista.ezln.org.mx/sdsl-pt/" rel="nofollow">VI Declaração da Selva Lacandona</a></strong>).</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Os zapatistas afirmavam sobre as eleições:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">“Se preferem crer, não vamos discutir, cada um tem a maturidade e a capacidade para decidir. O que nós dizemos é que não cremos, porque já vimos passar todos, e não há solução, a outra coisa que podemos fazer é organizar nossas lutas, que agora estão isoladas”<em>. E, em 2015, o Comandante Moisés reafirmou essa posição zapatista, “Nestes dias, como cada vez que há essa coisa que chamam &#8216;processo eleitoral&#8217;, escutamos e vemos que dizem que o EZLN chama à abstenção, ou seja, que o EZLN diz que não tem que votar. Dizem isso e outras besteiras (…) Como zapatistas que somos, não chamamos a não votar nem tampouco a votar. Como zapatistas que somos, o que fazemos, cada qual que possa, é dizer para as pessoas que se organizem para resistir, para lutar, para ter o que necessita”. (<strong><a class="urlextern" title="http://enlacezapatista.ezln.org.mx/2015/05/27/sobre-as-eleicoes-organizar-se-subcomandante-insurgente-moises/" href="http://enlacezapatista.ezln.org.mx/2015/05/27/sobre-as-eleicoes-organizar-se-subcomandante-insurgente-moises/" rel="nofollow">Sobre as eleições: organizar-se</a></strong>).<br />
</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong>Eleições presidenciais de 2018</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Obviamente que essa perspectiva – não necessariamente abstencionista, mas com vistas a promover a organização e a luta por fora do sistema institucionalizado &#8211; gerou diversas críticas à atuação política zapatista, inclusive certo isolamento no cenário político nacional, perdendo muitos “aliados” no campo progressista e da esquerda institucional. Nestes últimos dez anos muito se colocou na conta dos zapatistas a derrota do AMLO à presidência (independente das acusações de fraude eleitoral). Não por acaso, os eventos e encontros zapatistas tornaram-se mais endógenos, com um público mais cativo, mas também menor, voltados à discussão do processo de consolidação de suas autonomias. Durante essa última década os zapatistas não tiveram muita presença no cenário nacional, pouco influindo nos debates do país, o que coincide com a pouca presença das questões indígenas em âmbito nacional, apesar de não cessarem as repressões, bem como as formas de resistência por todo o México.</p>
<p style="text-align: justify;">E foi exatamente nesse contexto de crescente repressão em âmbito nacional às comunidades indígenas, bem como de avanço da perda de direitos conquistados pela classe trabalhadora em âmbito internacional (e no declínio da década de experiências latino-americanas de eleições presidenciais de partidos identificados ao campo progressista, com a exceção do México), que os zapatistas lançam o comunicado em conjunto com o CNI sobre a consulta de uma possível candidata independente indígena que representaria a voz do conselho de governo das comunidades. Sublinhemos novamente o que disseram 11 anos atrás no lançamento da Outra Campanha:, “Ou seja, chegou a hora de arriscar outra vez e dar um passo perigoso”<em>.</em></p>
<p style="text-align: justify;">No novo comunicado de 2016 continuam afirmando, “É hora de passar para a ofensiva, quando terminarmos esse processo, vocês verão que talvez não precisemos de uma candidatura, pois já teremos força para &#8216;derrubar&#8217; esse e todos os outros governos, construindo nossa autonomia”<em>.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Não se trata de buscar ocupações nos distintos níveis de governo, tampouco de concorrer a cargos eletivos no Estado, como de parlamento ou executivos menores, nem mesmo de passar a aceitar (ou disputar) recursos de programas governamentais. Antes, parece ser um processo de mobilização e organização, uma forma de se colocarem (a partir da conjuntura eleitoral) e pautarem as temáticas indígenas (e que se relacionam com questões mais amplas dos setores oprimidos e explorados da sociedade) novamente a nível nacional, no centro da agenda política do país, que não é trabalhada pelos candidatos de nenhum dos partidos.</p>
<p style="text-align: center;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-109814" src="/wp-content/uploads/2016/11/ezln-stick-weapons-2.jpg" alt="ezln-stick-weapons-2" width="650" height="415" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2016/11/ezln-stick-weapons-2.jpg 650w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2016/11/ezln-stick-weapons-2-300x192.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2016/11/ezln-stick-weapons-2-173x110.jpg 173w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2016/11/ezln-stick-weapons-2-500x319.jpg 500w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2016/11/ezln-stick-weapons-2-40x26.jpg 40w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2016/11/ezln-stick-weapons-2-155x99.jpg 155w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2016/11/ezln-stick-weapons-2-600x383.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 650px) 100vw, 650px" /></p>
<p style="text-align: justify;">Esta é uma proposta arriscada? Sem dúvida, tanto na perspectiva de legitimidade (caso não consigam muita aderência às suas pautas), como nos riscos de burocratização que envolvem esse tipo de jogo. Mas para um movimento que há mais de vinte anos mantém em armas os territórios e meios de produção conquistados, e desenvolve pela ação direta formas variadas de autonomia e relações sociais antissistêmicas, desenvolvendo outras formas de política e democracia cotidiana e que busca, desde seu surgimento, a articulação de suas lutas com outras lutas, de outros setores sociais no México e no mundo, numa perspectiva de transformação social radical, o que significaria exatamente mais esse “risco”? Seria um “risco” maior do que novamente o “esquecimento” histórico das demandas nunca atendidas e das agressões sofridas pelas populações indígenas? Ou o risco de retrocesso de suas conquistas? Ou ainda, o risco do abandono da possibilidade de construção de um mundo mais justo e digno, limitado à pragmática política do real institucionalizado no Estado? Qual risco (não) correr? Impossível, neste contexto, reduzir a ação política e de autogoverno zapatista (e mais amplamente de alguns povos indígenas no México, como em Cherán) ao jogo eleitoral. Pelo contrário, em seus 22 e 32 anos, os zapatistas combinaram em suas formas de ação política a construção local autônoma com intervenções que pretendiam abrir horizontes políticos práticos e de pensamentos.</p>
<p style="text-align: justify;">Encurralar as forças sociais, suas táticas e estratégias, a este binarismo de pensamento e ação é que parece guardar em si grandes riscos. Não devemos subestimar as várias contradições que enfraquecem a luta zapatista, conhecê-las é importante até para evitar que acumulemos parte das derrotas que nos conformam (não apenas no EZLN, como em outros movimentos e lutas sociais ao redor do mundo). Enquadrar as virtudes e deficiências das opções táticas e estratégicas a partir de uma teoria preconcebida é muito distinto de refletir sobre uma perspectiva concreta de ação política, sobretudo num momento de refluxo das lutas dos trabalhadores. As questões e respostas colocadas aos movimentos sociais devem ser de ordem prática e dependem dos contextos e processos históricos em que se apresentam, o que, como nos mostra de modo fértil a história do EZLN, varia a cada vez. Do contrário corremos um sério risco de enxergar por lentes distorcidas de nossa própria convicção tanto os movimentos como a própria realidade, procurando encaixá-los na teoria e não o inverso. Deste modo, não se trata de um “purismo de tipo ideal” sobre participar ou não das eleições, de negociar ou não com o Estado, mas de analisar as trajetórias processuais em cada contexto específico, considerando as táticas e estratégias de cada movimento e as consequências e respostas que obtiveram na inter-relação com outros atores e conjunturas específicas. As determinações estruturais, de ordem política, social e econômica, moldam também as opções e capacidade de escolhas de cada movimento.</p>
<p style="text-align: justify;">A aposta do CNI e do EZLN pode, por outro lado, auxiliar no processo de tecimento de redes de organizações sociais, desde baixo e antissistêmicas, que sejam capazes de criar novas formas de resistência e de organização social e política. Esta não é a primeira tentativa e, com uma capacidade extraordinária de questionar o ordinário, parece ser a esperança tanto do EZLN quanto do CNI no tocante à polêmica colocada pela sua proposta conjunta:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">“E se se negam a aceitar que é um problema que se resolve atacando a corrupção? E se se atrevem a dizer que a origem desse ódio assassino está no sistema? E se decidem tomar seu destino em suas mãos? Algo disso, ou tudo isso, seria uma manobra governamental para evitar que étcétera?” (…) Devem resignar-se a ser assassinados até chegar ao número que mereça atenção? E se se organizam, e se demandam respeito, e se decidem que já basta que o desprezo que recebem se converta em morte? Dirá-lhes que sua problemática não é prioritária, que não é politicamente correta em geral, e contraproducente no particular de uma concorrência eleitoral, que devem somar e não retirar com suas reivindicações? (…) E se essa visão, construída não apenas frente as ameaças de todo tipo, também arriscando a vida terrena, vê que não bastam as soluções que se oferecem no horizonte e o expressa livre e razoavelmente, se opõem assim, sendo o que são e trabalhando em consequência, a uma mudança real? (…) Se tão somente a possibilidade de existência cidadã (com todos seus direitos e obrigações), de uma mulher indígena, faz que “trema em seus centros a terra”, o que aconteceria se seu ouvido e sua palavra recorram o México de baixo?” (…) “Quão sólido estará o sistema político mexicano, e que tão fundamentadas e consistentes são as táticas e estratégias dos partidos políticos, que basta que alguém diga publicamente que está pensando algo, e que vai perguntar a seus iguais o que pensam do que está acontecendo, para que se ponham histéricos?” (…) “Em que medida a proposta de que um conselho indígena de governo, isto é, um coletivo e não um indivíduo, seja o responsável do executivo federal, apunhá-la-o-presidencialismo-se-faz-cúmplice-da-farsa-eleitoral-contribui-a-reforçar-a-democracia-burguesa-faz-o-jogo-da-oligarquia-e-ao-imperialismo-yanqui-chino-russo-judeuislâmico-milenarista-além-de-trair-os-altos-princípios-da-revolução-proletária-mundial?” (<strong><a class="urlextern" title="http://enlacezapatista.ezln.org.mx/2016/10/21/preguntas-sin-respuestas-respuestas-sin-preguntas-concejos-y-consejos-notas-tomadas-del-cuaderno-de-apuntes-del-gato-perro/" href="http://enlacezapatista.ezln.org.mx/2016/10/21/preguntas-sin-respuestas-respuestas-sin-preguntas-concejos-y-consejos-notas-tomadas-del-cuaderno-de-apuntes-del-gato-perro/" rel="nofollow">Perguntas sem respostas, respostas sem perguntas, conselhos e conselhos</a></strong>)</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong>Notas</strong><br />
<strong>[1]</strong> Leia a <a class="urlextern" title="http://enlacezapatista.ezln.org.mx/2016/10/14/que-retiemble-en-sus-centros-la-tierra/?utm_source=feedburner&amp;utm_medium=email&amp;utm_campaign=Feed%3A+EnlaceZapatista+%28Enlace+Zapatista%29" href="http://enlacezapatista.ezln.org.mx/2016/10/14/que-retiemble-en-sus-centros-la-tierra/?utm_source=feedburner&amp;utm_medium=email&amp;utm_campaign=Feed%3A+EnlaceZapatista+%28Enlace+Zapatista%29" rel="nofollow">declaração final do V Congresso Nacional Indígena</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[2]</strong> O (re)candidato do PRD, Andrés Manuel López Obrador, pouco após o comunicado do CNI e do EZLN do lançamento de uma possível candidata independente mulher indígena à presidência, declarou que se trata de uma manobra para fazer o jogo do governo com a finalidade de que não haja transformação e mudança de regime. Ainda acrescentou, fazendo referência ao filme de Bergman sobre o processo que conduziu o regime democrático alemão ao nazismo, que desde 2006 viu no EZLN o “ovo da serpente”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Referências</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Luis Hernández Navarro. <a class="urlextern" title="http://www.jornada.unam.mx/2016/10/18/opinion/017a2pol" href="http://www.jornada.unam.mx/2016/10/18/opinion/017a2pol" rel="nofollow">El EZLN, el CNI y las elecciones</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">José Blanco. <a class="urlextern" title="http://www.jornada.unam.mx/2016/10/18/opinion/017a1pol" href="http://www.jornada.unam.mx/2016/10/18/opinion/017a1pol" rel="nofollow">El batiburrillo de AMLO</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">John M. Ackerman. <a class="urlextern" title="https://actualidad.rt.com/opinion/john-ackerman/221473-ezln-zapatistas-candidatura-presidencial-mexico" href="https://actualidad.rt.com/opinion/john-ackerman/221473-ezln-zapatistas-candidatura-presidencial-mexico" rel="nofollow">¿Cuáles son las intenciones reales de los zapatistas?</a></p>
<p style="text-align: justify;">Jorge Castañeda. <a class="urlextern" title="http://www.milenio.com/firmas/jorge_castaneda/Candidatura-independiente-EZLN_18_831096913.html" href="http://www.milenio.com/firmas/jorge_castaneda/Candidatura-independiente-EZLN_18_831096913.html" rel="nofollow">Candidatura independiente del EZLN</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><a class="urlextern" title="https://desinformemonos.org/video-si-hacemos-sensatas-nuestras-propuestas-podremos-cambiar-el-mundo-cni/" href="https://desinformemonos.org/video-si-hacemos-sensatas-nuestras-propuestas-podremos-cambiar-el-mundo-cni/" rel="nofollow">Vídeo do Congresso Nacional Indígena</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-109815" src="/wp-content/uploads/2016/11/guerrilla-ezln.jpg" alt="guerrilla-ezln" width="650" height="428" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2016/11/guerrilla-ezln.jpg 650w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2016/11/guerrilla-ezln-300x198.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2016/11/guerrilla-ezln-173x114.jpg 173w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2016/11/guerrilla-ezln-500x329.jpg 500w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2016/11/guerrilla-ezln-40x26.jpg 40w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2016/11/guerrilla-ezln-155x102.jpg 155w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2016/11/guerrilla-ezln-600x395.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 650px) 100vw, 650px" /></p>
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		<title>Entrevista com familiares dos desaparecidos de Ayotzinapa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jun 2015 23:50:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[México]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão_e_liberdades]]></category>
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					<description><![CDATA[Caravana Sudámerica 43 entrevistada por Passa Palavra Em 26 de setembro de 2014, em Iguala, povoado de Ayotzinapa, estado de Guerrero, México, 43 estudantes secundaristas, que iriam protestar por mais recursos para sua escola, num evento da mulher do Prefeito, foram interceptados em seu ônibus e permanecem até hoje na condição de desaparecidos. Seus pais, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Caravana Sudámerica 43 entrevistada por Passa Palavra</h3>
<p style="text-align: justify;">Em 26 de setembro de 2014, em Iguala, povoado de Ayotzinapa, estado de Guerrero, México, 43 estudantes secundaristas, que iriam protestar por mais recursos para sua escola, num evento da mulher do Prefeito, foram interceptados em seu ônibus e permanecem até hoje na condição de desaparecidos. Seus pais, familiares e diversas organizações sociais, no México e no mundo, exigem a apresentação dos 43 meninos com vida. A Caravana com os familiares chegou ao Brasil nesta segunda-feira, 1º de junho, para realizar a série de atividades após já ter percorrido outros países da América Latina, como Argentina e Uruguai.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-104637 alignright" src="/wp-content/uploads/2018/12/caravana.png" alt="caravana" width="291" height="216" /></p>
<p style="text-align: justify;">Na manhã desta terça-feira (2), o Passa Palavra entrevistou<strong>[*]</strong> a <a href="http://caravana43sudamerica.org/" target="_blank" rel="noopener">Caravana Sudámerica 43,</a> que ficará em São Paulo até o dia 4 de junho, seguindo depois para o Rio de Janeiro e Porto Alegre, onde realizará trocas com outros movimentos sociais.</p>
<p style="text-align: justify;">Abaixo destacamos alguns trechos desta conversa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por que estamos aqui?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em 26 de setembro comunicaram-nos do problema. Não foi possível contactar os meninos. A polícia os havia detido. Esperamos até o domingo para ir à polícia e soltar-los, e ali falaram que nunca haviam tomado conhecimento de nossos filhos. Buscamos em hospitais e até no exército, e ninguém sabia. <em>Aí começou o nosso calvário.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Já se vão oito meses, e os nossos filhos sempre foram buscados como mortos, nunca como vivos. Mas sabemos que estão vivos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Repressões e intimidações pelo Estado</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sofremos repressões, temos sido perseguidos e reprimidos em nossos atos, e os estudantes também foram agredidos.</p>
<p style="text-align: justify;">O governo dificulta o caminho para que não façamos nossas mobilizações. Intimidam-nos para que nada façamos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Indígenas</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O governo sempre pisoteia a dignidade dos povos indígenas, retira suas terras e água, expulsa-os. Além do governo, encontra-se a delinquência organizada, que em Guerrero se vinculam; e o governo se converte em delinquência organizada.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Escolas Rurais Normalistas[1]</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="/wp-content/uploads/2015/06/IMG-20150602-WA0006.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-104642" src="/wp-content/uploads/2018/12/IMG-20150602-WA0006.jpg" alt="IMG-20150602-WA0006" width="373" height="210" /></a>Como normalistas sempre fomos atacados pelo Estado, há anos  está nos  reprimindo, isso não é algo novo. O delito que cometemos é que levantamos a voz por nossos direitos, o direito à educação gratuita, e o governo tem alterado essas regras, inclusive matando companheiros, e até hoje não houve justiça. Somos gente humilde, camponeses, que trabalham no campo. Não temos recursos suficientes para pagar os estudos e a Normal – um internato de homens, que oferece dormitórios e comida – é uma possibilidade de estudarmos, termos uma profissão.</p>
<p style="text-align: justify;">As escolas normais rurais do país sempre foram reprimidas. Há anos reprimem a de Ayotzinapa. E talvez nosso delito maior seja protestar por nosso direito a uma educação gratuita. Em 12 de dezembro de 2011, o Estado tentou reduzir as matrículas de 140 para 100 vagas. Durante os protestos mataram dois companheiros. Depois, em 7 de janeiro de 2014, morreram atropelados dois companheiros, e apesar de reconhecer que o motorista estava bêbado, a justiça nada fez.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Protestos</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nossos protestos são para pedir justiça. Nos últimos tempos protestamos pelas matrículas, pois o governo cortou as vagas, então lutamos pela quantidade de recursos para a alimentação; falta de material didático etc. Eram problemas internos. Antes do dia 26, jamais pensamos que iríamos lutar para exigir que entregassem nossos colegas vivos, jamais imaginamos isso.</p>
<p style="text-align: justify;">(…) Depois do dia 27 achávamos que a repressão diminuiria em Guerrero, mas não. Seguem reprimindo cada manifestação, sempre. Após as mortes dos companheiros, ao contrário do que se esperava, o policiamento aumentou no estado. <em>Se antes tínhamos 1.000 militares, agora são 10 mil.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Solidariedades e encontros internacionais</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quem nos apoia são as organizações sociais, é o povo. Não queremos nenhum partido político, quem levou nossos companheiros eram do PRI [Partido Revolucionário Institucional]. Por que devemos nos relacionar com pessoas mafiosas e assassinas? Não queremos nos relacionar com nenhum político, nenhum governo. É o povo e as organizações sociais que nos apoiam.</p>
<p style="text-align: justify;">Em alguns municípios também se desenvolveram formas de solidariedade ocupando prédios do governo, permanecendo em vigília, exigindo o aparecimento dos 43 estudantes secundaristas, bem como suas próprias exigências.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="/wp-content/uploads/2015/06/IMG-20150602-WA0005.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-104643" src="/wp-content/uploads/2018/12/IMG-20150602-WA0005.jpg" alt="IMG-20150602-WA0005" width="326" height="183" /></a>Começaram a surgir convites para fazer visitas em outros países. Encontramos muita gente linda, foi impressionante o apoio que recebemos.</p>
<p style="text-align: justify;">A Caravana já passou pela Argentina e Uruguai, mas também nos EUA, Canadá, países da Europa.</p>
<p style="text-align: justify;">Pensávamos que os problemas estavam mais no México, mas não, estão em todos os países. Vimos conflitos de terras indígenas, os mesmos graves problemas de pobreza e exclusão: situação de despejados na Argentina, no Uruguai, no Brasil. Creio que isso nos une como irmãos.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Sempre sentimos a dor, no passado e no presente.</em> Somos latinos e por isso não somos indiferentes à dor.</p>
<p style="text-align: justify;">Necessitamos da ajuda de vocês, que levantem suas vozes pelos 43 desaparecidos, e faremos o mesmo no México por vocês. Não é possível que continuemos fornecendo os mortos, e o governo, as balas. <em>Temos que globalizar a vida e não a morte.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como apoiar</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Um cartaz na rua, um grito, qualquer ato, uma marcha, a voz do povo é o que nos ajuda; denunciar nas mídias sociais, alternativas, são formas de pressionar os governos pelos 43. São os povos e suas organizações que podem nos ajudar. E que também estejam atentos para quando exista repressão em Ayotzinapa e Guerrero.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Respostas do governo mexicano</strong></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-104650" src="/wp-content/uploads/2018/12/CFDy-R7UIAEfTdZ.jpg" alt="" width="262" height="358" /></p>
<p style="text-align: justify;">O governo apenas tem jogado com o sentimento dos pais, dos familiares. Aposta no desgaste do tempo, talvez. Mas temos mostrado que, após 8 meses, não nos desgastamos, seguiremos lutando pelos nossos filhos.</p>
<p style="text-align: justify;">O governo, no início, tentou declarar nossos filhos como mortos. O governo tem nos enganado, por isso já não confiamos neles. Não acreditamos em nenhuma versão que o governo tem dado (…). O mais impressionante é que o governo – que é um <em>narcogoverno</em> – promove tudo isso. Tem nos matado psicologicamente quando tentam entregar nossos filhos dessa maneira, que ficamos sabendo pela televisão aberta.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Peritos argentinos</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Os peritos argentinos fizeram exames de DNA e nenhum deles comprovou que os corpos nas valas eram de nossos filhos. Depois o governo disse que nossos filhos foram queimados, e os peritos contestaram, e provaram que os ossos eram de galinhas.</p>
<p style="text-align: justify;">Não temos nenhum indício de que estão mortos, por isso seguimos procurando-os vivos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Eleições e Autogoverno</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Teremos eleições neste domingo agora, dia 7 de junho, e o governo já indica que haverá repressão. Uma das estratégias de luta adotada é a paralisação das eleições. Declaramos o boicote! Fomos às cidades do estado de Guerrero, promovendo o debate sobre autonomia. As pessoas estão dispostas a não votarem e, de maneira autônoma, estão dispostas a tocar conselhos municipais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Polícia Comunitária</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Com a Polícia Comunitária as coisas mudam um pouco, pois a Polícia que vem com a linha do governo é a que pratica caça humana, nunca nos protegeu, ao contrário. E o papel do exército é o de reprimir. Nunca vai haver proteção por essa linha de governo, são uns corruptos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Outras mensagens</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Agradecemos aos coletivos que fizeram o possível para que estejamos aqui. Apesar de não conhecerem os meninos pessoalmente, mas só por cartazes, se solidarizaram. Já estão fazendo muito por eles, obrigado a todos.</p>
<p style="text-align: justify;">Pedimos que continuem difundindo tudo o que se passa em Ayotzinapa, que façam marchas nos dias 26. Vocês sabem o que podem fazer dentro de seus países.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[*]</strong> <em>Entrevista realizada pelo Passa Palavra, pela qual agradecemos ao apoio dos coletivos <a href="http://desinformemonos.org/" target="_blank" rel="noopener">Desinformémonos</a>, <a href="http://coletivodar.org/" target="_blank" rel="noopener">Desentorpecendo A Razão (DAR)</a> e <a href="http://colectivocimarron.blogspot.com.br/" target="_blank" rel="noopener">Cimarrón</a> (Venezuela).</em></p>
<p><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2015/06/ayotzinapa-protestas.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-104676" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2018/12/ayotzinapa-protestas.jpg" alt="" width="498" height="281" /></a></p>
<h3><strong>Nota</strong></h3>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1] </strong>A Escola Normal Rural Raúl Isidro Burgos, mais conhecida como Escola Normal Rural de Ayotzinapa, é uma instituição educacional de nível superior para homens, localizada no povoado de Ayotzinapa, no município de Tixtla (Guerrero, México). Faz parte do sistema de escolas normais rurais concebidas como parte de um ambicioso plano de massificação educacional implementado pelo Estado mexicano a partir da década de 1920, quando Moisés Saenz era secretário de Educação Pública. O projeto das escolas rurais normais teve um forte componente de transformação social, que têm sido sementeiras de movimentos sociais. Nesse sentido, a Escola Normal de Ayotzinapa tem importância por ser o local onde se formaram personagens como Lucio Cabañas Barrientos e Genaro Vásquez Rojas, que encabeçaram dois importantes movimentos guerrilheiros no México durante o século XX.</p>
<p style="text-align: justify;">A Escola Normal Rural Isidro Burgos oferece formação para professores de educação primária, de acordo com as normas educacionais vigentes no estado de Guerrero e no México. Segundo o diagnóstico realizado pela Secretaria de Educação do estado de Guerrero, em Ayotzinapa havia 532 estudantes, todos do gênero masculino, atendidos por 39 professores e 6 trabalhadores de apoio técnico. Os estudantes são principalmente filhos de famílias pobres de <em>La Montaña</em>, de <em>Costa Chica</em> e do centro do estado de Guerrero, zonas onde se encontram algumas das localidades com os mais baixos índices de desenvolvimento humano no México, e com uma elevada taxa de analfabetismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Fonte: Wikipédia. Traduzido por <strong>Passa Palavra</strong>.</p>
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		<title>Agir É Preciso! Apoio à viagem de familiares dos 43 de Ayotzinapa (México) ao Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Apr 2015 22:13:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agir é preciso]]></category>
		<category><![CDATA[México]]></category>
		<category><![CDATA[Solidariedade]]></category>
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					<description><![CDATA[&#160; Aderindo ao chamado lançado pelo Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), uma rede de coletivos está organizando uma viagem ao Brasil de um grupo de familiares e colegas dos 43 estudantes da Escola Normal Rural de Ayotzinapa desaparecidos pelo Estado mexicano em setembro de 2014. Trata-se de uma iniciativa independente e militante, que depende [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span id="more-103888"></span></p>
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<p style="text-align: justify;">Aderindo ao chamado lançado pelo Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), uma rede de coletivos está organizando uma viagem ao Brasil de um grupo de familiares e colegas dos 43 estudantes da Escola Normal Rural de Ayotzinapa desaparecidos pelo Estado mexicano em setembro de 2014. Trata-se de uma iniciativa independente e militante, que depende de contribuições para se realizar.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>CONTRIBUA PARA A VISITA DE FAMILIARES DOS 43 ESTUDANTES DESAPARECIDOS NO MÉXICO AO BRASIL</strong></p>
<figure id="attachment_103891" aria-describedby="caption-attachment-103891" style="width: 322px" class="wp-caption alignright"><a href="/wp-content/uploads/2015/04/Ayotzinapa_2015.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-103891" src="/wp-content/uploads/2018/12/Ayotzinapa_2015.jpg" alt="Ayotzinapa_2015" width="322" height="214" /></a><figcaption id="caption-attachment-103891" class="wp-caption-text">Escola Normal Rural de Ayotzinapa após o desaparecimento dos estudantes. É possível ler mais sobre o ocorrido <a href="http://passapalavra.info/2014/10/100163">aqui</a>. Já a tradução dos comunicados zapatistas lançado à época pode ser lida <a href="http://passapalavra.info/2014/10/100132">aqui</a> e <a href="http://passapalavra.info/2014/10/100454">aqui</a>).</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Na noite do dia 26 de setembro de 2014 o Estado Mexicano assassinou 6 pessoas e sequestrou 43 estudantes de uma tradicional escola de resistência camponesa em Ayotzinapa, no estado de Guerrero. Eles estavam reunidos ali a fim de arrecadar fundos para financiar a ida aos protestos do dia 2 de Outubro – data que marca, além das atrocidades no Carandiru, o aniversário do massacre de Tlatelolco, quando mais de 300 estudantes mexicanos foram também massacrados pela tirania do Estado em 1968.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde então, o movimento zapatista, junto com outras organizações, fez eco, em diversas ocasiões, à dor e às exigências das famílias dos estudantes desaparecidos. O Exército Zapatista de Libertação Nacional convocou pessoas e organizações de todo o mundo a se mobilizarem em apoio à comunidade da Escola de Ayotzinapa.</p>
<p style="text-align: justify;">Recentemente, diversos coletivos autônomos aderentes ou simpatizantes à Sexta Declaração Zapatista da Argentina, do Uruguai e do Brasil estão se organizando para trazer familiares e colegas dos estudantes desaparecidos à América do Sul. Entendemos que o Estado que sequestra os estudantes mexicanos é o mesmo que mata e encarcera todos os dias nas periferias das cidades brasileiras. E se a violência de Estado ultrapassa fronteiras, nossa luta também o fará.</p>
<p style="text-align: justify;">Para que isso possa acontecer, precisamos de contribuições para cobrir os custos de viagem, hospedagem e alimentação; receberemos aqui cinco pessoas (4 familiares dos desaparecidos e um estudante) que farão o trajeto México-Argentina-Uruguai-Brasil, sendo que aqui passarão por São Paulo e Rio de Janeiro, entre o final de maio e começo de junho. Precisamos arrecadar 14 mil reais para conseguir trazer essas pessoas. Para isso, pedimos a colaboração de todo mundo que puder ajudar. Qualquer contribuição é bem vinda!</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Toda força para quem luta!</em></p>
<p style="text-align: center;"><em><strong>PARA CONTRIBUIR, POR FAVOR ESCREVA PARA: </strong></em><span style="color: #ff0000;"><strong>ayotzinapasomostodosbrasil@riseup.net</strong></span><br />
<em><strong> (responderemos assim que possível com os dados bancários para transferência)</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Assinam:</strong><br />
Mães de Maio<br />
Movimento Passe Livre &#8211; São Paulo (MPL-SP)<br />
Casa Mafalda Espaço Autônomo<br />
Coletivo Autônomo dos Trabalhadores Sociais (CATSO)<br />
Rede 2 de Outubro<br />
Espacio de Lucha Contra el Olvido y la Represión (ELCOR) &#8211; Red Contra la Repression (México)<br />
Margens Clínicas<br />
Comboio Moinho Vivo<br />
Rizoma Tendência Estudantil Libertária<br />
Coletivo Desentorpecendo A Razão (DAR)</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="/wp-content/uploads/2015/04/Ayotzinapa_Agir_Gd.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-103914" src="/wp-content/uploads/2018/12/Ayotzinapa_Agir_Gd.jpg" alt="Ayotzinapa_Agir_Gd" width="561" height="374" /></a></p>
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