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	<title>Palestina &#8211; Passa Palavra</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>Operários da indústria de armas italiana dizem não à guerra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Mar 2026 14:16:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
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					<description><![CDATA[ Com base em um histórico de resistência à militarização, os trabalhadores da Leonardo estão se organizando contra a cumplicidade da empresa no genocídio em Gaza. Por Futura D’Aprile]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Futura D’Aprile</h3>
<p style="text-align: justify;">Quando Israel recomeçou os bombardeios a Gaza em outubro de 2023, ativistas da solidariedade à Palestina na Itália imediatamente fizeram a ligação com a empresa nacional de armamentos, a Leonardo, e lançaram uma campanha contra ela. A corporação é uma das maiores produtoras de armas do mundo e desempenha um papel importante na produção de componentes para os aviões F-35, usados ​​por Israel no genocídio em Gaza, além de trabalhar em conjunto com empresas israelenses de armamentos como a Elbit Systems.</p>
<p style="text-align: justify;">Instalações da Leonardo têm sido alvo de protestos, interrompendo a produção e aumentando a conscientização sobre o papel que a Itália e seu setor de defesa desempenham na destruição em curso. Crucialmente, a oposição também está crescendo dentro da empresa, com trabalhadores se manifestando contra a venda de armas para Israel e lutando para impedir que uma fábrica da Leonardo no sul do país seja convertida em produção militar.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>Trabalhadores se posicionam</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Em outubro, um grupo de trabalhadores de uma unidade de produção da Leonardo em Grottaglie, no sul da Itália, publicou uma petição exigindo que a empresa e suas subsidiárias suspendessem todo o fornecimento de material bélico a Israel. A petição pedia o fim de todos os acordos comerciais e relações de investimento com instituições, startups, universidades e organizações de pesquisa israelenses envolvidas em operações militares contra a população palestina.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais de 23.000 pessoas assinaram a petição, que dizia: “A Itália repudia a guerra como instrumento de agressão contra a liberdade de outros povos e como meio de resolver disputas internacionais”.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de Roberto Cingolan, presidente da Leonardo, ter declarado em setembro que a empresa não havia autorizado novas exportações para Israel “desde o início do conflito”, a declaração dos trabalhadores afirmava que a empresa mantinha uma sólida cooperação comercial e militar com Israel e que as licenças de exportação aprovadas antes de outubro de 2023 nunca foram canceladas.</p>
<p style="text-align: justify;">Um dos peticionários de Grottaglie, que pediu para permanecer anônimo, afirma que essa declaração pública ajudou a abrir um diálogo com trabalhadores de outras fábricas da Leonardo: “Mais do que um aumento imediato na oposição explícita, o resultado mais importante foi trazer o assunto para o centro das discussões, fomentando momentos de debate e análise aprofundada.”</p>
<p style="text-align: justify;">Alguns meses depois, um grupo de trabalhadores da Divisão de Helicópteros de Turim, no norte da Itália, redigiu um boletim sobre a cumplicidade da Leonardo no genocídio em Gaza, que foi distribuído entre seus colegas. A mobilização contra a empresa os inspirou a investigar as relações da Leonardo com seus parceiros estratégicos, particularmente com Israel. Eles estudaram as leis sobre exportações, importações e o trânsito de produtos de defesa na Itália.</p>
<p style="text-align: justify;">“Os relatos amenizados ou flagrantemente distorcidos oferecidos pela grande mídia sobre os eventos em Gaza estão se enraizando entre nossos colegas”, explica um dos trabalhadores de Turim. “Eles não compreendem a gravidade desses eventos, especialmente no que diz respeito aos usuários finais do produto de seu trabalho.”</p>
<p style="text-align: justify;">“Em relação a Israel, nunca tivemos conhecimento dos contratos assinados e das relações internacionais envolvidas.” Eles continuam explicando que, em parte devido a restrições de sigilo industrial, os trabalhadores não têm uma ideia clara de quem usará os equipamentos que produzem; a empresa usa nomes fictícios para os projetos e dá indicações vagas sobre para onde os equipamentos são enviados.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa falta de transparência deixou os trabalhadores profundamente despreparados diante da indignação pública contra a empresa para a qual trabalham.</p>
<p style="text-align: justify;">O que esses funcionários querem é reafirmar sua integridade, explica o trabalhador de Turim: “Fomos ensinados que é nosso dever denunciar irregularidades, desfalques e violações do código de ética em nosso local de trabalho. Existe algo mais repreensível do ponto de vista ético do que colaborar com um governo criminoso que viola abertamente o direito internacional e cujos crimes contra a humanidade são flagrantes e notórios?”</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158860" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/Leonardo_Students_SOCIAL.png" alt="" width="678" height="455" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/Leonardo_Students_SOCIAL.png 678w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/Leonardo_Students_SOCIAL-300x201.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/Leonardo_Students_SOCIAL-626x420.png 626w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/Leonardo_Students_SOCIAL-537x360.png 537w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/Leonardo_Students_SOCIAL-640x429.png 640w" sizes="(max-width: 678px) 100vw, 678px" />Não aos aviões de guerra</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Os trabalhadores de Grottaglie também enfrentam outra luta, enquanto fazem campanha para impedir que sua fábrica se torne uma engrenagem ativa na máquina de guerra. A fábrica faz parte da Divisão de Aeronáutica do Grupo Leonardo e produz as seções da fuselagem da aeronave Boeing 787, empregando aproximadamente 1.200 pessoas diretamente e 300 em indústrias relacionadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde 2020, quando a pandemia de Covid-19 atingiu duramente a indústria aeronáutica, a produção despencou e a unidade corre o risco de fechar. Em julho de 2024, os sindicatos conseguiram evitar uma paralisação temporária, mas a produção ainda diminuiu. Para evitar o fechamento, a Leonardo quer redirecionar a produção para o setor militar.</p>
<p style="text-align: justify;">Em um documento compartilhado “offline” entre os trabalhadores, juntamente com a petição sobre ligações com a violência de Israel, os trabalhadores denunciam essa mudança de prioridades. Para os trabalhadores que assinaram a petição, a Leonardo está fazendo uma escolha política.</p>
<p style="text-align: justify;">“O setor civil sempre foi mais estável e resiliente do que o militar, que tem encomendas mais limitadas e é muito mais influenciado por flutuações geopolíticas e decisões governamentais”, explica um dos peticionários, que pediu para permanecer anônimo. “A aviação civil, por outro lado, responde a uma demanda estrutural por mobilidade global, que estagnou durante a pandemia, mas agora retornou a níveis recordes, com previsão de crescimento ainda maior nas próximas décadas”.</p>
<p style="text-align: justify;">Para os trabalhadores de Turim e Grottaglie, o objetivo tem sido promover o diálogo e a conscientização sobre a cumplicidade das empresas com a violência israelense, visando construir uma massa crítica de trabalhadores motivados e bem informados, capazes de se engajar e se mobilizar para mudar a empresa. Eles também buscaram apoio dos principais sindicatos, mas receberam uma resposta morna.</p>
<p style="text-align: justify;">Em Turim, os sindicatos estão focados na renovação dos contratos metalúrgicos e não estão dando atenção à petição, enquanto em Grottaglie os sindicalistas criticaram abertamente a oposição dos trabalhadores à empresa, pois temem que isso coloque ainda mais em risco o futuro da unidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda assim, os trabalhadores se organizaram fora dessas estruturas tradicionais, compartilhando suas petições com outras unidades de produção da Leonardo na Itália. E estão recebendo uma resposta positiva. A campanha também encontrou eco nos movimentos mais amplos de solidariedade à Palestina e pela paz.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>Aprendendo com o passado</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Os trabalhadores da Leonardo estão construindo sobre um legado de oposição dentro da indústria de defesa italiana. Na década de 1980, Elio Pagani, um funcionário da Aermacchi (agora Leonardo), documentou como a empresa forneceu aeronaves à Força Aérea Sul-Africana em janeiro de 1980, durante o apartheid, em violação ao embargo da ONU ratificado pela Itália em 1977. A denúncia de Pagani desencadeou um movimento popular que, em 1990, levou à aprovação pelo parlamento da primeira legislação italiana sobre controle de exportação e importação de armas: a Lei 185/90.</p>
<p style="text-align: justify;">Na década de 1980, a Valsella Meccanotecnica &#8211; empresa conhecida por vender minas antitanque ao Iraque durante a guerra com o Irã &#8211; foi abalada por 18 meses de greves. As trabalhadoras, lideradas por Franca Faita, finalmente venceram: a empresa perdeu importantes parceiros de produção e foi forçada a se dedicar à fabricação para o setor civil devido a uma moratória governamental de 1994 sobre a produção de minas terrestres. A empresa foi liquidada e, em 2005, fundiu-se com uma fabricante de caminhões.</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, alguns fatores contextuais fizeram das décadas de 1980 e 1990 um contexto muito diferente para os trabalhadores rebeldes. O sentimento antiguerra na sociedade civil italiana era mais forte nas décadas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, e os sindicatos também eram mais independentes e mais antagônicos à política.</p>
<p style="text-align: justify;">“O que favoreceu essas iniciativas foi a presença de fortes movimentos de desarmamento e a existência de conselhos de fábrica abertos à discussão interna entre os trabalhadores e eleitos diretamente por eles”, explica Pagani.</p>
<p style="text-align: justify;">“Delegados, trabalhadores e conselhos de fábrica foram incentivados a questionar o verdadeiro significado do trabalho nas instalações militares e os efeitos das exportações de armamentos. Agora, estamos vivenciando mais de 30 anos de desertificação cultural que afetou tanto as pessoas &#8211; tornando-as mais individualistas &#8211; quanto os sindicatos, cuja atuação enfraqueceu o ímpeto dos trabalhadores.”</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda assim, as conquistas das décadas de 1980 e 1990 foram fruto de muitos anos de trabalho, afirma Pagani. “Os trabalhadores da Leonardo em Grottaglie e Turim devem persistir e buscar apoio em outras unidades de produção da empresa e em outras empresas de defesa. Sua iniciativa deve estar ligada à luta contra a logística bélica travada por estivadores, trabalhadores aeroportuários, ferroviários e de terminais intermodais na Itália.”</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto isso, à medida que os Estados continuam a aumentar os gastos militares em meio a novas e devastadoras guerras, os trabalhadores de fábricas de armamentos em todo o mundo fariam bem em seguir as táticas italianas para desmantelar a militarização a partir de dentro.</p>
<p style="text-align: justify;">Com a guerra sempre à espreita e os Estados aumentando os gastos militares, os trabalhadores do negócio de armas podem ter um papel fundamental a desempenhar, conforme o movimento global contra a militarização grita: Não em nosso nome.</p>
<p style="text-align: center;"><em>Traduzido do original que pode ser acessado aqui: <a class="urlextern" title="https://newint.org/arms/2026/italian-arms-factory-workers-say-no-war" href="https://newint.org/arms/2026/italian-arms-factory-workers-say-no-war" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://newint.org/arms/2026/italian-arms-factory-workers-say-no-war</a></em></p>
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		<title>A Economia Política de Israel/Palestina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Oct 2025 21:06:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[ O que a análise de Roemer sobre exploração e a análise de Kautsky sobre colonialismo podem nos dizer sobre o genocídio em Gaza. Por Ben Burgis e Michael Sechman]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Ben Burgis e Michael Sechman</h3>
<p style="text-align: justify;">A desigualdade econômica tem várias origens. Um empresário pode prosperar enquanto outro mal consegue sobreviver, porque tem melhores contatos, melhores ideias ou simplesmente se esforça mais. Um trabalhador pode ter um emprego sindicalizado estável e bem remunerado, enquanto outro consegue uma renda com empregos temporários de meio período. Algumas pessoas podem ser mais ricas do que outras porque esbarram em algo valioso enterrado em seus quintais.</p>
<p style="text-align: justify;">Contudo, uma afirmação fundamental que os socialistas sempre fizeram sobre as sociedades em que vivemos, é que a fonte mais importante da desigualdade capitalista realmente existente é a exploração. Intuitivamente, concebe-se que uma economia se baseia na exploração quando <em>uma classe tem que trabalhar em benefício de outra</em>. Há muito tempo socialistas fazem agitação comparando a exploração ao roubo, à escravidão ou à extorsão.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o que é exatamente exploração? É um conceito mais específico do que <em>opressão econômica</em>. A população desempregada e sem-teto das grandes cidades é economicamente oprimida pelos donos dos meios de produção (que os excluem completamente do sistema e, portanto, os empobrecem), mas não é <em>explorada</em>. Na verdade, esse é o problema. Como a economista de esquerda Joan Robinson memoravelmente apontou: “A miséria de ser explorado pelos capitalistas não é nada comparada à miséria de não ser explorado”. As relações de exploração envolvem um tipo muito específico de pareamento antagônico dos interesses do grupo explorador e do explorado, e nem todas as desigualdades (e nem mesmo todas as desigualdades escandalosamente injustas) se encaixam no perfil.</p>
<p style="text-align: justify;">Por outro lado, porém, “exploração” é um conceito mais amplo do que “exploração de trabalhadores por capitalistas por meio de relações de emprego”. Senhores feudais exploravam servos, por exemplo. Quando Marx argumenta que a classe trabalhadora é sistematicamente explorada em <em>O Capital</em>, ele se apoia fortemente nessa analogia.</p>
<p style="text-align: justify;">Relações de exploração, em particular, serão importantes para a teorização social, em parte porque podem ser importantes para a compreensão e previsão da dinâmica das sociedades de classes. Grupos explorados e exploradores estão presos em relações de conflito, definidas por dependência assimétrica (os exploradores precisam das pessoas que estão explorando, mas não <em>o contrário</em>). A expectativa, pelo menos, é que os teóricos aprendam algo importante sobre quais são os interesses de um grupo, e quais estratégias estarão disponíveis para ele na busca desses interesses, uma vez discernindo se eles são exploradores, explorados ou oprimidos em formas que não envolvam exploração.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: justify;">Então, quais mecanismos podem nos ajudar a diferenciar desigualdades decorrentes da exploração (ou de qualquer tipo) de outras fontes de desigualdade (ou mesmo de outros tipos de opressão econômica)? O economista e pensador marxista analítico John Roemer propõe um teste de três partes em seu livro de 1996, <em>“Egalitarian Perspectives”. </em>Segundo Roemer, o grupo A explora o grupo B se, e somente se:</p>
<p style="text-align: justify;">(i) se B se retirasse da sociedade, levando sua quota per capita de propriedade alienável da sociedade (isto é, bens produzidos e não produzidos), e com seu próprio trabalho e habilidades, então B estaria melhor (em termos de renda e lazer) do que está na situação atual;</p>
<p style="text-align: justify;">(ii) se A se retirasse nas mesmas condições, então A estaria pior (em termos de rendimento e lazer) do que está atualmente;</p>
<p style="text-align: justify;">(iii) se B se retirasse da sociedade com as suas próprias posses (não a sua quota per capita), então A estaria pior do que está atualmente.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais tarde, em resposta a uma objeção feita por Erik Olin Wright, Roemer reforçou a condição (iii). A versão revisada é que:</p>
<p style="text-align: justify;">(iii) [a vantagem comparativa de A revelada em (i) e (ii) advém] “em virtude do trabalho” [de B]</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo isso pode ser inicialmente confuso, especialmente para leitores não familiarizados com a maneira de Roemer se expressar (que frequentemente combina elementos de sua formação acadêmica como economista com o jargão da filosofia analítica).</p>
<p style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-157795" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/104864510-topshot-palestinians-survey-the-destruction-following-an-israeli-military-raid-on-th-286721064.jpg" alt="" width="888" height="592" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/104864510-topshot-palestinians-survey-the-destruction-following-an-israeli-military-raid-on-th-286721064.jpg 888w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/104864510-topshot-palestinians-survey-the-destruction-following-an-israeli-military-raid-on-th-286721064-300x200.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/104864510-topshot-palestinians-survey-the-destruction-following-an-israeli-military-raid-on-th-286721064-768x512.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/104864510-topshot-palestinians-survey-the-destruction-following-an-israeli-military-raid-on-th-286721064-630x420.jpg 630w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/104864510-topshot-palestinians-survey-the-destruction-following-an-israeli-military-raid-on-th-286721064-640x427.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/104864510-topshot-palestinians-survey-the-destruction-following-an-israeli-military-raid-on-th-286721064-681x454.jpg 681w" sizes="(max-width: 888px) 100vw, 888px" />Em primeiro lugar, Roemer obviamente sabe que as classes exploradas normalmente <em>não conseguem </em>se retirar da sociedade. Elas não se submeteriam à exploração se pudessem!</p>
<p style="text-align: justify;">Em segundo lugar, observe atentamente a parte “levando sua quota per capita”. Se os servos constituíssem, digamos, 90% da sociedade feudal, então os imaginamos de alguma forma “retirando-se” juntamente com 90% das terras aráveis, 90% dos arados, 90% dos alimentos já cultivados para que pudessem continuar a se sustentar enquanto aguardavam a chegada das próximas colheitas, e assim por diante.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez uma maneira mais clara de transmitir seu ponto de vista seria reformulando suas condições assim:</p>
<p style="text-align: justify;">(i) Se A desaparecesse amanhã, juntamente com a sua quota per capita de propriedade alienável da sociedade (isto é, bens produzidos e não produzidos), e com seu próprio trabalho e habilidades, então B estaria melhor (em termos de renda e lazer) do que está na situação atual;</p>
<p style="text-align: justify;">(ii) se B desaparecesse amanhã nas mesmas condições, então A estaria pior (em termos de rendimento e lazer) do que está atualmente;</p>
<p style="text-align: justify;">(iii) A posição melhor de A é resultado do trabalho de B.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta é uma definição totalmente adequada de exploração? Não responderemos essa questão aqui. No mínimo, porém, (i)-(iii) são condições plausivelmente <em>necessárias </em>para a exploração. Certamente, é difícil imaginar um exemplo claro de exploração que <em>não </em>preencha esses requisitos. Acreditamos também que a análise de Roemer ajuda a revelar algo importante sobre a dinâmica da opressão econômica no mundo ao nosso redor.</p>
<p style="text-align: justify;">Por exemplo, se a classe capitalista desaparecesse amanhã (juntamente com uma parcela dos recursos da sociedade correspondente não às suas posses atuais, mas à sua parcela da população), permitindo assim uma transição indolor para a propriedade coletiva da grande maioria dos meios de produção, a classe trabalhadora estaria em melhor situação. Se a classe trabalhadora desaparecesse amanhã, juntamente com <em>sua </em>parcela per capita, isso seria um cataclismo para a classe capitalista. Entretando, o mesmo não se aplica a todas as populações economicamente oprimidas. Se aquela população urbana “desempregada e sem-teto”, que mencionamos antes, desaparecesse magicamente amanhã, mesmo juntamente com os 0,2% dos meios de produção correspondentes à sua parcela da população, a reação de nossos senhores capitalistas seria o alívio de que um problema social foi resolvido sem dor. Raciocínios semelhantes se aplicam a populações que podem não estar vivendo nas ruas, mas precisam de apoio estatal porque deficiências cognitivas ou físicas graves as impedem de serem empregadas de forma costumeira pelos capitalistas.</p>
<p style="text-align: justify;">E exemplos ainda mais sombrios surgem quando deixamos de lado a situação interna estadounidense e passamos a pensar nas economias políticas de outras nações.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: justify;">Neste ponto é útil complementar a argumentação de Roemer com uma distinção proposta por Karl Marx no final de <em>O Capital</em>, Vol. 1, e expandida por Karl Kautsky. Marx encerra o volume com um capítulo sobre colônias, onde especifica que está falando apenas de colônias “verdadeiras”. Ele não desenvolve a distinção, mas Karl Kautsy a aborda em vários lugares, inclusive em seu livro de 1907, <a class="urlextern" title="https://www.marxists.org/archive/kautsky/1907/colonial/4-work.htm" href="https://www.marxists.org/archive/kautsky/1907/colonial/4-work.htm" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">&#8220;Socialism and Colonial Policy&#8221;</a> . Lá, ele escreve:</p>
<p style="text-align: justify;">“Se quisermos investigar a importância da política colonial para o desenvolvimento das forças produtivas da humanidade, há uma distinção clara que devemos fazer. Existem dois tipos de colônias tão diferentes quanto o fogo e a água. Quem as confunde, em vez de distingui-las claramente, jamais alcançará uma compreensão clara da questão colonial”.</p>
<p style="text-align: justify;">O primeiro tipo, que corresponde à fala de Marx sobre colônias “verdadeiras”, é a “colônia de trabalho”. A segunda é a “colônia de exploração”.</p>
<p style="text-align: justify;">“A colônia de trabalho é formada por membros das classes trabalhadoras da pátria mãe: artesãos, assalariados e, em particular, camponeses. Eles abandonam sua terra natal para escapar da pressão econômica ou política e fundar um novo lar, livre dessa pressão. Tal colônia se baseia em seu próprio trabalho, e não no trabalho de nativos subjugados.</p>
<p style="text-align: justify;">“Por outro lado, uma colônia de exploração é estabelecida por membros das classes exploradoras da pátria mãe, onde o saque não lhes foi suficiente, e que, portanto, aspiram a ampliar o campo de sua exploração. Eles vão para as colônias não para encontrar um novo lar, mas para abandonar a colônia quando já tiverem se aproveitado o suficiente dela; não para escapar da pressão interna, mas para se tornarem capazes de exercer uma pressão ainda maior na pátria. A utilidade econômica de tal colônia não reside no trabalho dos colonos, mas na pilhagem ou no trabalho forçado dos nativos”.</p>
<p style="text-align: justify;">Aproximadamente, essa é a distinção apontada por acadêmicos de esquerda que falam sobre um subconjunto específico de colonialismos como “colonialismo de assentamento”. Ele corresponde ao subconjunto de “colônias de trabalho” de Kautsky. Embora essa forma de colonialismo seja uma parte importante da história de muitas sociedades no mundo hoje (como os Estados Unidos), o único projeto de colonialismo de assentamento <em>em andamento </em>no mundo contemporâneo é Israel.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: justify;">Não concordamos necessariamente com as conclusões normativas de Kautsky, quando afirma sobre colônias de trabalho que, embora “deva-se muitas vezes condenar a maneira como os nativos são tratados”, a construção inicial de tais colônias não precisa necessariamente ser condenada “por princípio”. Também não concordamos com as frações da esquerda ativista que se agarraram mais pesadamente ao discurso sobre “colonialismo de assentamento” (e muitas vezes parecem sugerir que cada judeu israelense é um “colono” com menos conexão inata com a terra do que os palestinos, e que até mesmo nos piores casos flertam retoricamente com a insinuação de que seria justo se a direção da limpeza étnica fosse de alguma forma revertida para que pudéssemos “transformar Israel novamente na Palestina”). Fincaríamos nossa bandeira em princípios democráticos-igualitários básicos. A razão pela qual o sionismo é grotesco é precisamente porque <a class="urlextern" title="https://jacobin.com/2024/03/rights-ancestors-land-israel-palestine" href="https://jacobin.com/2024/03/rights-ancestors-land-israel-palestine" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">os direitos de ninguém devem depender de onde seus ancestrais viveram </a>, e nós aplicaríamos esse princípio de <a class="urlextern" title="https://benburgis.substack.com/p/marx-and-rawls-vs-nozick-and-the" href="https://benburgis.substack.com/p/marx-and-rawls-vs-nozick-and-the" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">uma forma amplamente universalista </a>. Não pode existir pessoa sem o direito de viver no país em que nasceu, ponto final. E a solução mais justa para o conflito israelense-palestino seria um único Estado democrático laico com direito de retorno para refugiados palestinos e direitos completamente iguais para judeus, palestinos, trabalhadores migrantes tailandeses e todos os demais. Mas essas questões normativas não têm a ver com a questão descritiva sobre se a distinção de Kautsky pode iluminar algo importante sobre a economia política dessa situação, a montante da realidade horripilante do primeiro genocídio transmitido ao vivo do mundo.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-157793 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/000_NIC2004051487972-4047632938.jpg" alt="" width="980" height="552" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/000_NIC2004051487972-4047632938.jpg 980w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/000_NIC2004051487972-4047632938-300x169.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/000_NIC2004051487972-4047632938-768x433.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/000_NIC2004051487972-4047632938-746x420.jpg 746w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/000_NIC2004051487972-4047632938-640x360.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/000_NIC2004051487972-4047632938-681x384.jpg 681w" sizes="(max-width: 980px) 100vw, 980px" /></p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: justify;">Israel é frequentemente comparado à África do Sul do apartheid por antissionistas de esquerda. Um de nós <a class="urlextern" title="https://jacobin.com/2021/05/israel-palestine-right-to-exist-gaza" href="https://jacobin.com/2021/05/israel-palestine-right-to-exist-gaza" rel="ugc nofollow">escreveu </a><a class="urlextern" title="https://jacobin.com/2023/06/israelism-documentary-pro-apartheid-indoctrination-israeli-occupation-palestine" href="https://jacobin.com/2023/06/israelism-documentary-pro-apartheid-indoctrination-israeli-occupation-palestine" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">muitos </a><a class="urlextern" title="https://jacobin.com/2023/11/from-the-river-to-the-sea-palestine-equality-one-state-rashida-tlaib-censure" href="https://jacobin.com/2023/11/from-the-river-to-the-sea-palestine-equality-one-state-rashida-tlaib-censure" rel="ugc nofollow">artigos </a>que empregaram exatamente essa analogia, e continuamos a pensar que, em muitos aspectos, ela é adequada. Mas há uma diferença crucial entre os dois casos.</p>
<p style="text-align: justify;">Nem a República da África do Sul do final do século XX nem o Estado de Israel do século XXI são colônias no sentido literal. Ambos haviam conquistado a independência da Grã-Bretanha em meados do século XX. Mas, em ambos os casos, a elite econômica dentro do grupo étnico dominante seguiu uma política de controle sobre uma etnia subjugada, correspondendo estreitamente a dos dois tipos de colônia de Kautsky. A África do Sul funcionou como uma colônia de exploração, com as elites brancas dependendo da mão de obra explorada da classe trabalhadora negra. Israel sempre funcionou como uma colônia de trabalho, expulsando a força de trabalho palestina e tentando depender o máximo possível da classe trabalhadora judaica israelense.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo em Israel/Palestina, onde há aproximadamente o mesmo número de judeus e de palestinos (sem falar na África do Sul do apartheid, onde a população negra constituía uma grande maioria), os dois primeiros critérios de Roemer são verificados quando consideramos a relação entre a classe dominante branca/judaica e a maior parte da população negra/palestina. Se o grupo subjugado desaparecesse amanhã, <em>juntamente com sua quota per capita dos recursos da sociedade</em>, seria um desastre para os governantes, enquanto, <em>vice-versa</em>, melhoraria muito as perspectivas dessa população. Tudo isso é apenas uma maneira de dizer que os meios de produção estão distribuídos de forma desigual entre essas duas populações, e o grupo excluído é grande. (Da mesma forma, em um cenário distópico em que a automação chegasse ao ponto em que, digamos, 50% da população estadounidense estivesse desempregada e vivendo nas ruas, (i) e (ii) se aplicariam à relação entre esses ex-trabalhadores excedentes e a classe capitalista). Mas a diferença crucial é que (iii) se aplica ao caso sul-africano, mas não se aplica a Israel/Palestina. A fonte da desigualdade <em>não é, em grande parte, </em>o enriquecimento de israelenses ricos com o trabalho de palestinos.</p>
<p style="text-align: justify;">É por isso que, apesar de todas as brutalidades do apartheid sul-africano, o Estado sul-africano nunca intensificou sua opressão contra a população negra ao nível de frenesi genocida que vemos todos os dias em relatos de Gaza. Nunca passaram pelos bantustões bombardeando todas as igrejas, todas as escolas, todos os prédios de apartamentos e todos os hospitais, de modo que as imagens aéreas da devastação “cada vez mais parecem a superfície da lua”, como um de nós <a class="urlextern" title="https://jacobin.com/2025/08/democrats-bernie-netanyahu-zionism-apartheid" href="https://jacobin.com/2025/08/democrats-bernie-netanyahu-zionism-apartheid" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">escreveu em outro lugar neste fim de semana </a>sobre Gaza. Nunca houve pesquisas em que a maioria dos sul-africanos brancos apoiasse a remoção forçada de todos os negros do país. O presidente sul-africano P. W. Botha nunca engendrou uma fome que produzisse imagens que lembrassem Auschwitz, numa tentativa de pressionar a população negra a simplesmente abandonar o país aos milhões e deixá-lo para os brancos.</p>
<p style="text-align: justify;">O colega de Roemer, Erik Olin Wright, expôs o ponto de forma contundente em seu livro <em>Class Counts</em>. “Não foi por acaso”, escreveu ele, que a cultura estadounidense historicamente incluiu “o ditado abominável: &#8216;O único índio bom é um índio morto&#8217;, mas não &#8216;o único trabalhador bom é um trabalhador morto&#8217; ou &#8216;o único escravo bom é um escravo morto&#8217;”.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse é um exemplo particularmente marcante da importância explicativa e preditiva de compreender quais relações sociais se baseiam (ou não) na exploração. E o resultado normativo é chocante.</p>
<p style="text-align: justify;">A exploração econômica é profundamente questionável em si mesma e, dependendo das particularidades locais, pode levar a resultados como fábricas clandestinas ou violentas repressões a greves; ou até mesmo horrores como o incêndio da Triangle Shirtwaist ou o desabamento do Rana Plaza em Bangladesh. Como socialistas, construir um mundo livre de exploração é o <em>telos definidor </em>de nossa política. Mas, enquanto vivermos em uma sociedade de classes, isso está longe de ser o pior destino que pode recair sobre populações economicamente oprimidas.</p>
<p style="text-align: justify;">Transformar Israel de um etnoestado excludente em uma democracia liberal normal (ou seja, implementar uma “solução de um Estado”) significaria, até que o próprio capitalismo seja superado, integrar os palestinos às estruturas normais de exploração capitalista. E por pior que isso possa ser, a ironia sombria da situação é que, neste caso, transformar sua forma de opressão em exploração não seria apenas uma melhoria, mas um imperativo moral urgente.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Traduzido por Leo Vinicius a partir do original: </em><a class="urlextern" title="https://benburgis.substack.com/p/john-roemer-karl-kautsy-and-the-political" href="https://benburgis.substack.com/p/john-roemer-karl-kautsy-and-the-political" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://benburgis.substack.com/p/john-roemer-karl-kautsy-and-the-political</a></p>
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		<title>A report of the pro-Palestinian demonstrations in Italy</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Oct 2025 16:00:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Traduções]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
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					<description><![CDATA[ Perhaps the Palestinian issue has become the unifying theme of a set of diffuse social dissatisfaction. By Pérez Gallo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;"><a href="https://passapalavra.info/2025/09/157669/" target="_blank" rel="noopener">By Pérez Gallo</a></h3>
<p style="text-align: justify;">I took part, somewhat by chance, in the demonstration in Milan on September 22, which had wide international repercussions due to the violent clashes with the police that took place at the entrance to the Central Railway Station. I was in Germany during the previous week, where I was attending an academic event and, being originally from Italy, I decided to extend my trip a few more days in Milan, to visit friends and family. I arrived on the evening of Friday, the 19th, and it soon seemed to me that the mood was different from the usual &#8211; more tense, in expectation. The Palestinian genocide, in fact, is a powerful theme in the Italian debate, either because of the presence of an important Arab and Palestinian community in the territory or because of the geographical and geopolitical proximity. But also &#8211; I believe &#8211; because hopes have converged in recent years on the Palestinian issue for the resumption of some movement after more than a decade of ebb and flow of struggles. The retreat that in Milan feels even stronger: a city completely dominated by <em>gentrification</em> and real estate speculation, by the great fashion events and gourmet food fairs, by the increase in urban transport and an economic rhythm (and exploitation) in full swing. And where, for a long time, social struggles have been something kind of absent from the horizon of urban life.</p>
<p style="text-align: justify;">On the 19th, just as I was returning from the airport, there was a small demonstration and work stoppage organized by the CGIL, the largest trade union confederation, in solidarity with Gaza. Contrary to what one might think, the CGIL decision was not the brave choice to organize a political strike, but the cowardly attempt to recover the struggle, advancing the strike that had already been scheduled for the 22nd by the grassroots unions USB, Cobas, ADL Cobas, CUB, SGB, under the impulse of the Genoa Port Workers collective. The idea would be to make a stoppage of only two hours, on a Friday afternoon, and not adhere to — and in this way weaken — the other strike scheduled for the whole Monday (a day in which a blockade would do much more damage). The maneuver, apparently, did not work out. Throughout the weekend, people around me — even many of my acquaintances who hadn&#8217;t participated in a demonstration in 15 years &#8211; kept talking about the upcoming event on the 22nd. Rain was forecast, and this raised some doubts about the success of the mobilization.</p>
<p style="text-align: justify;">On Monday morning, in fact, the rain was intense and constant. Despite this, when I arrived in Piazza Cadorna a little before the scheduled time for the concentration, you could tell that the demonstration would be huge. Thousands of people were gathering there under umbrellas, to the point that when the front of the demonstration began to move, people were still arriving in the square. The demonstration, with more than 50,000 people, marched in a confused way for almost 5 kilometres to the Central Station, not before making a detour to pass in front of the United States Consulate, where the flags of the United States, Israel, the European Union and NATO were burned. What surprised me, perhaps because I had been away from Italian protests for many years, was its political composition, that is, not the division into blocks organized by the entities and the social centers, but rather a long heterogeneous and indefinite human serpent, all behind a single sound truck of the USB union, in which the social composition was mixed: students and retirees, Arab immigrants, young secondary school students from the periphery and families with children, workers and middle class, and here and there small groups that made some specific intervention, such as a group of fanfare or healthcare workers under the banner of “healthcare workers for Gaza”. In general, it also seemed to me a not-so-loud demonstration, almost silent at times, as if the lack of a sound speaker left more room for the atrocious emptiness of the moment we are living in.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DO6jl2KDJNA/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DO6jl2KDJNA/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by MIM (@milanoinmovimento)</a></p>
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</blockquote>
<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script><em><strong>Milan demonstration seen from above.</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">When we arrived, around 1 p.m., in the Central Station Square, the general feeling was one of strangeness: the demonstration seemed to be over, but we had not yet blocked anything, while news arrived of occupations of stations, highways, and ports in other cities. The police had a huge contingent lined up for the defence of the station, and it seemed crazy to try to challenge them, apart from the fact that no group seemed to be organised for such. Little by little, however, frustrations and expectations were leading a group of people down the stairs of the subway, from where they would have a passage to the station by underground. Just below, however, was another police contingent. The pressure was building until we managed to get to the bottom of the station thanks to a lot of shouting and some pushing. From there, however, to occupy the tracks, we had to go up to another floor by an escalator, above which the confrontation began, and continued through the glass doors of the station hall, defended by the police and destroyed by the protesters. Finally, the police began throwing tear gas canisters, many at face height. The battle lasted an hour and a half inside the station, plus a couple of hours in via Vittor Pisani, the large avenue outside the station, with the police advancing and the crowd resisting, without retreating, throwing stones and other objects. Although it did not reach the tracks, for a long time the station was closed, with the trains, already accumulating delays of more than two hours due to the strike, stopping for some time instead of passing through the station. From what I read afterwards, the participation in the most heated clashes was of a thousand people, with as many supporting from the outside. The toll was 60 police officers injured, with 24 hospitalised, 11 protesters detained (including two minors), and about ten taken away by ambulance. I was really surprised by the disposition of the crowd: I do not remember, since I was a teenager, a demonstration with such lengthy and at the same time unprepared confrontations. In the past, the most common were “performative” confrontations of the crowd from the ex <em>tute bianche</em>, with a little melee from the first lines with the police to have a photo in the media and then retreat, or moments of a more planned <em>riot</em>, with burning of cars during the demonstration by a smaller group but completely disconnected with the general feeling of the crowd, as occurred in the large “No Expo” demonstration of May 1, 2015. From there, the desert.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DO6hXCqAP2w/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DO6hXCqAP2w/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by Federação Árabe Palestina (@fepal_brasil)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script><em><strong>Videos of the confrontation</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">If Milan, due to its violent outcome, was the centre of the news and images that passed through the media and social networks — and obviously echoed by Prime Minister Giorgia Meloni, who at no time attacked the Israeli barbarism in Gaza with the same harshness that she dedicated to the “Milan vandals” —, in the rest of Italy the struggles were also giant. According to the union USB, more than 1 million people in 84 cities participated in the demonstrations.</p>
<p style="text-align: justify;">In Rome, 200 to 300 thousand people marched for 8 hours, for 10 kilometres, through the streets surrounding the Termini Station (the largest in the city), causing a momentary blockade of rail traffic, and occupying the university campus of La Sapienza and the Eastern Ring Road for hours in both directions. There, many drivers stopped in traffic didn&#8217;t react with anger but with applause, horns, and demonstrations of complicity.</p>
<p><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/NnNe1MzD2_4?si=8egqsDkgr8mFK5L3" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Drivers&#8217; support for the demonstration</strong></em></p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DO51pJfjNPJ/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p>&nbsp;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DO51pJfjNPJ/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by Welcome to Favelas (@welcometofavelas)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script><em><strong>Demonstration in Rome seen from above</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Another huge demonstration happened in Bologna, with 50,000 people filling the streets of the centre to later occupy the Ring Road, where there was a police crackdown with four people arrested.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/DO5i_llCCTG/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p>&nbsp;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/p/DO5i_llCCTG/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by HubAut Bologna (@hubautbologna)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script><em><strong>Demonstration in Bologna</strong></em></p>
<p><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/6dD2wHPrU-c?si=_4tH6CwGyNZZv0ZJ" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Clashes on the Ring Road in Bologna</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Demonstrations with 15 to 20 thousand people also took place in Naples and Turin (where the railway station was occupied); Genoa (with the occupation of the port); and in Venice, where the social centres of the Northeast blockaded Porto Marghera and had clashes with the police, who made use of water jets.</p>
<p><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/HhCYfSOTMdQ?si=wvIlGmwayluEcGh3" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Venice</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Other clashes and arrests took place in Brescia as 10,000 protesters attempted to occupy the railway station after blocking the city&#8217;s Metro, while a similar number of people paraded in Palermo, Florence, and Pisa. In the latter city, protesters managed to block the bus station, the train station and even the Firenze-Pisa-Livorno Highway. Five thousand people took to the streets in southern cities such as Cagliari, Catania, and Bari. There were also blockades and disruptions at other major port terminals such as those in Trieste, Ravenna, Ancona, Civitavecchia and Salerno. In Livorno, the blockade of the Valessini terminal turned into a permanent protest aimed at the next day, when the passage of a US cargo ship bound for Israel was expected.</p>
<p style="text-align: justify;">As a whole, the journey was undoubtedly successful and surprising. Surprisingly, in the first place, because Italy had stayed away from the last cycles of global upheavals. Social movements are totally fragmented, and what has prevailed among comrades in recent years is a constant sense of disillusionment and impotence, feelings heightened in recent times by the rise of a far-right government. Since the beginning of the genocide in Palestine, the occupations on university campuses have shown a certain reactivation of the youth composition, certainly dominant also in the demonstrations of Monday, but extremely reduced in demographic terms in what is the second-oldest country in the world. At the same time, under the impetus of the small Palestinian youth organisation, protests in solidarity with Gaza have acquired a certain frequency, becoming, in the case of Milan, even weekly, with some small demonstrations that take place every Saturday. Possibly, the departure of the global Sumud Flotilla must have given some inspiration, as well as the French “let&#8217;s block everything” movement that has emerged in recent weeks against Macron&#8217;s policies. Perhaps the outrage has crossed some threshold with the escalation of the “final solution” to the Palestinian Holocaust set in motion by Israel in recent months. Perhaps the Palestinian issue has become the unifying theme of a set of diffuse social dissatisfaction. Maybe it is, today, <a class="urlextern" title="https://ilmanifesto.it/palestina-e-il-nome-del-nostro-scontento" href="https://ilmanifesto.it/palestina-e-il-nome-del-nostro-scontento" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">“the name of our discontent”</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">The demonstrations were undoubtedly successful, but above all, the strategic choice to block the main communication routes. Very quickly, from the blockades of the docks of the ships loaded with weapons and ammunition to directly supply the Israeli army, the understanding came that all the logistics of war are inseparable from the logistics of global capitalism in this destructive stage. If the bottlenecks of transport and communications of goods and people make up the material skeleton of the global economy, the understanding arose that it is from there that it would perhaps be possible to exercise some kind of “counterpower” to fascist barbarism.</p>
<p style="text-align: justify;">Less successful, however, was the result of the stoppage in the strict sense. Faced with the convergence between the obvious difficulties of carrying out a “political” strike (in fact, this was the first experience since the genocide in Gaza began) and the cowardice of the CGIL and the other major trade union confederations, which has hegemony of affiliates in production and public employment, the participation rate seems to have been <a class="urlextern" title="https://www.tag24.it/1353021-dati-adesione-sciopero-generale-per-gaza-22-settembre-la-percentuale" href="https://ilmanifesto.it/palestina-e-il-nome-del-nostro-scontento" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">below 10%</a> in many sectors, with probable exceptions in the public education sector and in some sectors of the circulation, which in some cities joined en masse. This opens up many questions about whether it is possible to paralyse economic life without the mass participation of the organised working class, but manage to hit the main bottlenecks of the global economy. At a time when wage pressure, unemployment, blackmail in the workplace, job insecurity and coward union leaders make it more difficult to effectively exercise the instrument of the strike, to what extent can a very effective revolt itself become a form of general stoppage?</p>
<p style="text-align: justify;">But the main question, here and now, is whether this new movement will have the strength and the capacity to move forward, to grow, to put in crisis a Meloni government that so far still sails with some degree of consensus, and above all to spill over to other countries to make a real contribution to ending the ongoing genocide. As announced by the Genoa Port Workers collective, the current strike was launched as a rehearsal for the moment when there would be some kind of aggression against the Global Sumud Flotilla, which is approaching the Gaza Strip. If this happens, the dock workers have already threatened that they will not carry “not even a nail” and would stop “the whole of Europe”. Time will tell. For now, we are left with the feeling that, for once, we have raised our heads, we have overcome resignation. Maybe it&#8217;s just a flash, a feeling that, together in the streets, we can still feel alive. That we can still shout, even if it makes almost no sense given the level of the present tragedy, that “the peoples in revolt write their history, intifada until victory!”</p>
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		<title>Velha Toupeira (35)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Oct 2025 12:43:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cartoons]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
		<category><![CDATA[Palestina]]></category>
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					<description><![CDATA[]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-157765" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/VT035-GENOCIDIO.jpg" alt="" width="2560" height="853" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/VT035-GENOCIDIO.jpg 2560w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/VT035-GENOCIDIO-300x100.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/VT035-GENOCIDIO-1024x341.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/VT035-GENOCIDIO-768x256.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/VT035-GENOCIDIO-1536x512.jpg 1536w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/VT035-GENOCIDIO-2048x682.jpg 2048w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/VT035-GENOCIDIO-1260x420.jpg 1260w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/VT035-GENOCIDIO-640x213.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/VT035-GENOCIDIO-681x227.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /></p>
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		<title>Israel está realizando um holocausto em Gaza. A desnazificação é o nosso único remédio</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/10/157759/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Aníbal]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 04 Oct 2025 11:06:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Palestina]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
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					<description><![CDATA[ A mortal etno-supremacia inerente à sociedade israelense é mais profunda do que Netanyahu, Ben Gvir e Smotrich. Ela deve ser enfrentada em sua raiz. Por Orly Noy ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Orly Noy</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">A cidade de Gaza está envolta em chamas, enquanto o exército israelense embarca em sua ofensiva terrestre há muito ameaçada, após semanas de bombardeios implacáveis. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, já enfrentando um mandado de prisão internacional por suspeita de crimes contra a humanidade, descreveu este último ataque como uma “operação intensificada”. Peço que assistam às imagens transmitidas de Gaza e entendam o que esse eufemismo realmente significa.</p>
<p style="text-align: justify;">Olhe nos olhos de pessoas tomadas por um terror incomparável, mesmo nos momentos mais sombrios deste genocídio de dois anos. Veja as fileiras de crianças cobertas de cinzas, deitadas no chão encharcado de sangue do que antes era um centro médico — algumas quase mortas, outras gemendo de dor e medo — enquanto mãos desesperadas tentam confortá-las ou tratá-las com os suprimentos médicos que restam. Ouça os gritos de famílias fugindo sem ter para onde correr. Testemunhe pais vasculhando o inferno em busca de seus filhos; membros projetando-se sob os escombros; um paramédico embalando uma menina imóvel, implorando para que ela abrisse os olhos, em vão.</p>
<p style="text-align: justify;">O que Israel está fazendo na cidade de Gaza não é o trágico subproduto de eventos caóticos no local, mas um ato bem calculado de aniquilação, executado a sangue frio pelo “exército do povo” — isto é, os pais, filhos, irmãos e vizinhos de nós, israelenses.</p>
<p style="text-align: justify;">Como é possível que, apesar dos crescentes testemunhos dos campos de concentração e extermínio de Gaza, nenhum movimento de recusa em massa tenha se enraizado em Israel? Que, após dois anos dessa carnificina, apenas um punhado de objetores de consciência esteja preso é de fato inconcebível. Mesmo os chamados “recusadores cinzas” — soldados da reserva que não se opõem à guerra por motivos ideológicos, mas estão simplesmente exaustos e questionando seu propósito — continuam sendo muito poucos para desacelerar a máquina de matar, quanto mais para detê-la.</p>
<p style="text-align: justify;">Quem são essas almas obedientes que mantêm esse sistema funcionando? Como pode uma sociedade tão profundamente fragmentada — entre religiosos e seculares, colonos e liberais, kibutzniks e urbanitas, imigrantes veteranos e recém-chegados — unir-se apenas em sua disposição de massacrar palestinos sem hesitação?</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-157760 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/Screenshot-2025-10-03-at-09-40-17-Tayseer-Barakat-Exile-No.-2-1988.png" alt="Israel está realizando um Holocausto em Gaza" width="493" height="643" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/Screenshot-2025-10-03-at-09-40-17-Tayseer-Barakat-Exile-No.-2-1988.png 493w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/Screenshot-2025-10-03-at-09-40-17-Tayseer-Barakat-Exile-No.-2-1988-230x300.png 230w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/Screenshot-2025-10-03-at-09-40-17-Tayseer-Barakat-Exile-No.-2-1988-322x420.png 322w" sizes="auto, (max-width: 493px) 100vw, 493px" /></p>
<p style="text-align: justify;">Nos últimos 23 meses, a sociedade israelense teceu uma teia interminável de mentiras para justificar e possibilitar a destruição de Gaza — não apenas para o mundo, mas, acima de tudo, para si mesma. A principal delas é a alegação de que reféns só podem ser libertados por meio de pressão militar. No entanto, aqueles que cumprem as ordens do exército, causando mortes em massa em Gaza, o fazem sabendo muito bem que podem estar matando os reféns nesse processo. O bombardeio indiscriminado de hospitais, escolas e bairros residenciais, somado a esse desrespeito pelas vidas dos israelenses mantidos em cativeiro, comprova o verdadeiro objetivo da guerra: a aniquilação total da população civil de Gaza.</p>
<p style="text-align: justify;">Israel está desencadeando um holocausto em Gaza, e isso não pode ser tratado como mera vontade dos atuais líderes fascistas do país. Esse horror vai além de Netanyahu, Ben Gvir e Smotrich. O que estamos testemunhando é o estágio final da nazificação da sociedade israelense.</p>
<p style="text-align: justify;">A tarefa urgente agora é pôr fim a este holocausto. Mas pará-lo é apenas o primeiro passo. Se a sociedade israelense quiser algum dia retornar ao seio da humanidade, ela precisa passar por um profundo processo de desnazificação.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim que a poeira da morte baixar, teremos que refazer nossos passos de volta à Nakba, às expulsões em massa, aos massacres, às apreensões de terras, às leis raciais e à ideologia de inerente supremacia que normalizou o desprezo pelos povos nativos desta terra e o roubo de suas vidas, propriedades, dignidade e do futuro de seus filhos. Somente confrontando esse mecanismo mortal inerente à nossa sociedade poderemos começar a erradicá-lo.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse processo de desnazificação deve começar agora, e começa com a recusa. Recusa não apenas de participar ativamente da destruição de Gaza, mas também de vestir o uniforme — independentemente da patente ou função. Recusa de permanecer ignorante. Recusa de ser cego. Recusa de ficar em silêncio. Para os pais, é um dever necessário proteger a próxima geração de se tornar perpetradora de crimes de guerra e crimes contra a humanidade.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-157761 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/Screenshot-2025-10-03-at-09-42-20-Tayseer-Barakat-Exile-No.-1-1988.png" alt="Israel está realizando um Holocausto em Gaza" width="444" height="643" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/Screenshot-2025-10-03-at-09-42-20-Tayseer-Barakat-Exile-No.-1-1988.png 444w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/Screenshot-2025-10-03-at-09-42-20-Tayseer-Barakat-Exile-No.-1-1988-207x300.png 207w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/Screenshot-2025-10-03-at-09-42-20-Tayseer-Barakat-Exile-No.-1-1988-290x420.png 290w" sizes="auto, (max-width: 444px) 100vw, 444px" /></p>
<p style="text-align: justify;">A desnazificação também deve incluir o reconhecimento de que o que foi feito não pode permanecer. Não bastará simplesmente substituir o governo atual. Devemos abandonar o mito do caráter “judaico e democrático” de Israel — um paradoxo cujo punho de ferro ajudou a pavimentar o caminho para a catástrofe em que estamos agora imersos.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse engano deve terminar com o claro reconhecimento de que só restam dois caminhos: ou um Estado judeu, messiânico e genocida, ou um Estado verdadeiramente democrático para todos os seus cidadãos.</p>
<p style="text-align: justify;">O holocausto de Gaza foi possível graças à adoção da lógica etnosupremacista inerente ao sionismo. Portanto, é preciso dizer claramente: o sionismo, em todas as suas formas, não pode ser limpo da mancha deste crime. Isso tem que acabar.</p>
<p style="text-align: justify;">A desnazificação será longa e abrangente, afetando todos os aspectos da nossa vida coletiva. Provavelmente sacrificaremos mais gerações — tanto vítimas quanto perpetradores — antes que esse flagelo seja completamente erradicado. Mas o processo deve começar agora, com a recusa em cometer os horrores que ocorrem diariamente em Gaza e a recusa em deixá-los passar como normais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Orly Noy é editora da Local Call, ativista política e tradutora de poesia e prosa em farsi. Ela preside o conselho executivo do B&#8217;Tselem e é ativista do partido político Balad. Seus escritos abordam as linhas que se cruzam e definem sua identidade como Mizrahi, uma esquerdista, uma mulher, uma migrante temporária vivendo dentro de uma imigrante perpétua, e o diálogo constante entre elas.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Publicado originalmente em 18 de setembro de 2025 aqui: <a class="urlextern" title="https://www.972mag.com/israel-holocaust-gaza-denazification/" href="https://www.972mag.com/israel-holocaust-gaza-denazification/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://www.972mag.com/israel-holocaust-gaza-denazification/</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><em>As artes que ilustram o texto são da autoria de Tayseer Barakat (1959-).</em></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Um relato das manifestações pró-Palestina na Itália</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/09/157669/</link>
					<comments>https://passapalavra.info/2025/09/157669/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Sep 2025 09:59:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Greves]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
		<category><![CDATA[Itália]]></category>
		<category><![CDATA[Outras_lutas]]></category>
		<category><![CDATA[Palestina]]></category>
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					<description><![CDATA[Talvez a questão palestina tenha se tornado o tema aglutinador de um conjunto de insatisfações sociais difusas. Por Pérez Gallo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Pérez Gallo</h3>
<p style="text-align: justify;">Participei, meio por acaso, da manifestação em Milão do dia 22 de setembro, amplamente repercutida internacionalmente devido aos violentos confrontos com a polícia que ocorreram na entrada Estação Central ferroviária. Eu estava na Alemanha durante a semana anterior, onde participava de um evento acadêmico e, sendo eu originário da Itália, decidi estender minha viagem mais uns dias em Milão, para visitar amigos e familiares. Cheguei na noite da sexta-feira, dia 19, e logo me pareceu que o clima era diferente do habitual — mais tenso, em expectativa. O genocídio palestino, de fato, é um tema muito forte no debate italiano, seja pela presença de uma importante comunidade árabe e palestina no território, seja pela proximidade geográfica e geopolítica. Mas também — acredito eu — porque na questão palestina chegaram a convergir, nos últimos anos, esperanças de retomada de alguma movimentação depois de mais de uma década de refluxo das lutas. Refluxo que em Milão se sente mais forte ainda: uma cidade completamente dominada pela <em>gentrification</em> e a especulação imobiliária, pelos grandes eventos de moda e as feiras de comida gourmet, pelo encarecimento do transporte urbano e um ritmo econômico (e de exploração) a todo vapor. E onde, faz tempo, as lutas sociais são algo meio ausente do horizonte da vida urbana.</p>
<p style="text-align: justify;">No próprio dia 19, na hora em que eu voltava do aeroporto, estava em curso um pequeno ato e paralisação organizado pela CGIL, a maior confederação sindical, em solidariedade à Gaza. Ao contrário do que se poderia pensar, a decisão da CGIL não foi a corajosa escolha de organizar uma greve política, mas a tentativa covarde de recuperar a luta, adiantando a greve que já havia sido marcada para o dia 22 pelos sindicatos de base USB, Cobas, ADL Cobas, CUB, SGB, sob impulso do coletivo de trabalhadores portuários de Gênova. A ideia seria fazer uma paralisação de apenas duas horas, na parte da tarde de uma sexta feira, e não aderir — e desta forma enfraquecer — a outra marcada para o dia inteiro da segunda-feira (um dia no qual um bloqueio faz muito mais prejuízo). A manobra, aparentemente, não deu certo. Durante todo o fim de semana, pessoas no meu entorno — até mesmo muitos conhecidos meus que não participavam de uma manifestação há 15 anos — não paravam de falar do próximo ato do dia 22. Era prevista chuva, e isso gerava dúvidas sobre o êxito da mobilização.</p>
<p style="text-align: justify;">Na manhã da segunda-feira, de fato, a chuva caía intensa e constante. Apesar disso, já ao chegar em Piazza Cadorna um pouco antes do horário marcado para a concentração, dava para saber que o ato seria grande. Milhares de pessoas iam se acumulando sob os guarda-chuvas, ao ponto de quando a frente do ato começou a se mover, na praça ainda estava chegando gente. A manifestação, com mais de 50.000 pessoas, foi desfilando de maneira confusa por quase 5 quilômetros até a Estação Central, não sem antes realizar um desvio para passar na frente do consulado dos Estados Unidos, onde foram queimadas as bandeiras dos EUA, de Israel, da União Europeia e da OTAN. O que me surpreendeu, talvez por ter ficado muitos anos afastado das manifestações italianas, foi a composição política do ato, ou seja, a não divisão em blocos organizado pelas entidades e os centros sociais, mas sim uma longa serpente humana heterogênea e indefinida, todos atrás de um único carrinho de som do sindicato USB, na qual se misturava a composição social: de estudantes e aposentados, imigrantes árabes, jovens secundaristas de periferia e famílias com crianças, trabalhadores e classe média, com aqui e acolá grupinhos que faziam alguma intervenção específica, como um grupo de fanfarras e os trabalhadores da saúde sob a faixa de “sanitários por Gaza”. Em geral, me pareceu também um ato pouco barulhento, quase silencioso em momentos, como se a falta de caixa de som deixasse mais espaço para o vazio atroz do momento que estamos vivendo.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DO6jl2KDJNA/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DO6jl2KDJNA/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by MIM (@milanoinmovimento)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Ato de Milão visto de cima<br />
<script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script></em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ao chegar, por volta das 13 horas, na praça da Estação Central, a sensação geral foi de estranhamento: o ato parecia ter acabado, mas a gente ainda não tinha bloqueado nada, enquanto chegavam notícias de ocupações de estações, rodovias e portos em outras cidades. A polícia estava com um enorme contingente alinhado para a defesa da estação e parecia loucura tentar desafiá-los, além do fato de que nenhum grupo parecia ter se organizado para isso. Pouco a pouco, todavia, frustrações e expectativas foram levando um grupo de pessoas a descer as escadas do metrô, de onde teria uma passagem para a estação por via subterrânea. Logo abaixo, porém, estava outro contingente policial. A pressão foi se acumulando, até que com muita gritaria e alguns empurrões, conseguimos entrar na parte de baixo da estação. Dali, porém, para chegar a ocupar os trilhos, a gente precisava subir até o andar de cima por uma escada rolante, acima da qual começou o confronto, que continuou nas portas de vidro da hall da estação, defendida pelos policiais e completamente destruídas pelos manifestantes. Finalmente, a polícia começou lançar bombas de gas lacrimogêneo, muitos na altura do rosto. A batalha durou uma hora e meia dentro da estação mais umas duas horas na via Vittor Pisani, a grande avenida do lado de fora, com a polícia avançando e a galera resistindo, sem recuar, lançando pedras e outros objetos. Apesar de não ter chegado aos trilhos, por um bom tempo a estação ficou fechada, com os trens que, já acumulando atrasos de mais de duas horas devido à greve, por um tempo pararam de vez de passar pela estação. Pelo que li depois, a participação nos confrontos mais acesos foi de um milhar de pessoas, com outros tantos apoiando do lado de fora. O saldo foi de 60 policiais feridos, com 24 hospitalizados, 11 manifestantes detidos (entre eles dois menores de idade), e uns dez levados embora pela ambulância. Me surpreendeu realmente a disposição da galera: não lembro, desde que era adolescente, uma manifestação com esse tipo de confrontos tão demorados e ao mesmo tempo sem preparação prévia. No passado, o mais comum eram confrontos “performáticos” da galera das ex <em>tute bianche</em>, com um pouco de corpo a corpo das primeiras linhas com a polícia para ter foto na mídia e depois recuo, ou momentos de <em>riot</em> mais planejados, com queima de carros no meio do ato por parte de um grupo menor mas completamente desconectado com o sentimento geral da manifestação, como ocorreu na grande manifestação “No Expo” de 1º de maio de 2015. De lá para cá, o deserto.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DO6hXCqAP2w/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DO6hXCqAP2w/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by Federação Árabe Palestina (@fepal_brasil)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Vídeos do confronto</em><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Se Milão, pelo seu desfecho violento, foi o centro das notícias e das imagens que passaram na mídia e nas redes — e obviamente repercutida pela primeira ministra Giorgia Meloni, que em momento nenhum atacou a barbárie israelense em Gaza com a mesma dureza que dedicou aos “vândalos de Milão” —, no resto da Itália a jornada de luta também foi gigante. Segundo o sindicato USB, a participação nos atos foi de mais de 1 milhão de pessoas em 84 cidades.</p>
<p style="text-align: justify;">Em Roma, de 200 a 300 mil pessoas desfilaram durante 8 horas, por 10 quilômetros, pelas ruas da cidade, cercando a Estação de Termini (a maior da cidade), provocando o momentâneo bloqueio do trânsito ferroviário, e ocupando o campus universitário de La Sapienza e o anel rodoviário Leste durante horas em ambas direções. Lá, muitos dos motoristas parados no trânsito, reagiram não com raiva mas com aplausos, buzinas e manifestações de cumplicidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/NnNe1MzD2_4?si=l4MwbHI_3XiygMhn" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Apoio dos motoristas à manifestação</strong><br />
</em></p>
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<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DO51pJfjNPJ/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by Welcome to Favelas (@welcometofavelas)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Manifestação em Roma vista de cima<script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script></em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Outra manifestação enorme foi em Bolonha, com 50.000 pessoas enchendo as ruas do centro para depois ocupar o anel rodoviário, onde houve repressão policial com quatro pessoas detidas.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-captioned="" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/DO5i_llCCTG/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p>&nbsp;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/p/DO5i_llCCTG/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by HubAut Bologna (@hubautbologna)</a></p>
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</blockquote>
<p><strong><em><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script>Ato em Bolonha</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/6dD2wHPrU-c?si=imycw_5Ag6L3Dwtl" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe>Confrontos no anel rodoviário em Bolonha</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Atos de 15 a 20 mil pessoas ocorreram também em Nápoles e Turim (onde foi ocupada a estação ferroviária); Gênova (com a ocupação do porto); e em Veneza, onde os centros sociais do Nordeste foram bloquear Porto Marghera e tiveram confrontos com a polícia que fez uso de jatos de água.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/HhCYfSOTMdQ?si=lEA5lhXiMEkB7Hpr" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></strong></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Veneza</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Outros confrontos e detenções ocorreram em Brescia, na tentativa dos 10.000 manifestantes de ocupar a estação ferroviária depois de bloquear o metrô da cidade, enquanto um número similar de pessoas desfilou em Palermo, Florença e Pisa. Nesta última cidade, os manifestantes conseguiram bloquear a rodoviária, a estação de trens e até mesmo a rodovia Firenze-Pisa-Livorno. Cinco mil pessoas tomaram as ruas em cidades do sul como Cagliari, Catania e Bari. Houve também bloqueios e interrupções em outras importantes terminais portuárias como as de Trieste, Ravenna, Ancora, Civitavecchia e Salerno. Em Livorno o bloqueio da terminal Valessini se transformou em um protesto permanente visando o dia seguinte, quando era esperada a passagem de um navio cargueiro norte-americano dirigido a Israel.</p>
<p style="text-align: justify;">Em seu conjunto, a jornada foi sem dúvida exitosa e surpreendente. Surpreendente em primeiro lugar porque a Itália tinha ficado afastada dos últimos ciclos de revoltas globais. Os movimentos sociais estão totalmente fragmentados, e o que tem imperado entre os camaradas nos últimos anos é uma sensação constante de desilusão e impotência, sentimentos acrescidos, nos últimos tempo, pela ascensão de um governo de extrema-direita. Sim, desde o começo do genocídio na Palestina, as ocupações nos campi universitários tinham mostrado certa reativação da composição juvenil, certamente dominante também nas manifestações da segunda-feira mas extremamente reduzida em termos demográficos naquilo que é o segundo país mais idoso do mundo. Ao mesmo tempo, sob impulso da pequena organização dos Jovens Palestinos, os protestos em solidariedade com Gaza tem adquirido certa frequência, chegando a ser, no caso de Milão, até mesmo semanais, com alguns pequenos atos que acontecem todos os sábados. Possivelmente, a saída da Global Sumud Flotilla deve ter dado alguma inspiração, assim como o movimento francês “bloqueemos tudo”, surgido nas últimas semanas contra as políticas de Macron. Quiçá a indignação tenha ultrapassado algum limiar com a escalada da “solução final” do holocausto palestino posta em marcha por Israel nos últimos meses. E quiçá a questão palestina tenha se tornado, hoje em dia, o principal tema aglutinador de um conjunto de insatisfações sociais difusas. Talvez ela seja, hoje, <a class="urlextern" title="https://ilmanifesto.it/palestina-e-il-nome-del-nostro-scontento" href="https://ilmanifesto.it/palestina-e-il-nome-del-nostro-scontento" rel="ugc nofollow">“o nome do nosso descontentamento”</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Exitosas foram sem dúvidas as manifestações, mas sobretudo a escolha estratégica dos bloqueios das principais vias de comunicações. Muito rapidamente, a partir dos bloqueios dos portuários dos navios carregados de armas e munições para abastecer diretamente o exército israelense, chegou-se a entendimento que toda a logística da guerra é inseparável da logística do capitalismo global nessa sua etapa destrutiva. Se os gargalos dos transportes e das comunicações de mercadorias e pessoas configuram o esqueleto material da economia global, surgiu o entendimento que é a partir dali que seria quiçá possível exercer algum tipo de “contrapoder” à barbárie fascista.</p>
<p style="text-align: justify;">Menos exitoso, todavia, foi o resultado da paralisação em sentido estrito. Diante da convergência entre as dificuldades evidentes de realizar uma greve “política” (de fato, essa foi a primeira experiência desde que começou o genocídio em Gaza) e a covardia da CGIL e das outras grandes confederações sindicais, que tem hegemonia de filiados na produção e no público emprego, a taxa de adesão parece ter sido <a class="urlextern" title="https://www.tag24.it/1353021-dati-adesione-sciopero-generale-per-gaza-22-settembre-la-percentuale" href="https://www.tag24.it/1353021-dati-adesione-sciopero-generale-per-gaza-22-settembre-la-percentuale" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">abaixo de 10%</a> em muitos setores, com prováveis exceções no setor da educação pública e em alguns setores da circulação, que em algumas cidades aderiram em peso. Isso abre muitas perguntas sobre se é possível paralisar a vida econômica sem a adesão em massa da classe trabalhadora organizada, mas conseguindo atingir os principais gargalos da economia global. Em tempos em que arrocho salarial, desemprego, chantagem nos locais de trabalho, precarização do emprego, direções sindicais pelegas, tornam mais difícil o efetivo exercício do instrumento da greve, até que ponto uma revolta bem efetiva pode se tornar ela mesma uma forma de paralisação geral?</p>
<p style="text-align: justify;">Mas a principal pergunta, aqui e agora, é saber se esse novo movimento terá a força e a capacidade de seguir em frente, de crescer, de colocar em crise um governo Meloni que até agora ainda navega com algum grau de consenso, e sobretudo de transboradar para outros países para dar um aporte real ao fim do genocídio em curso. Conforme anunciado pelo coletivo de portuários de Gênova, a atual greve foi lançada como ensaio geral para o momento em que houvesse algum tipo de agressão à Global Sumud Flotilla, que nesses mesmos dias está se aproximando da Faixa de Gaza. Caso isso venha a ocorrer, os portuários já ameaçaram que não irão carregar “nem sequer um prego” e parariam “a Europa inteira”. O tempo nos dirá. Por agora, ficamos com a sensação que por uma vez, levantamos a cabeça, vencemos a resignação. Quiças seja apenas por um lampejo, uma sensação de que, juntos nas ruas, podemos ainda nos sentir vivos. Que ainda podemos gritar, mesmo que quase não faça sentido dado o nível da tragédia presente, que “os povos em revolta escrevem sua história, intifada até a vitória!”.</p>
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		<title>Velha Toupeira (34)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Sep 2025 12:46:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cartoons]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Palestina]]></category>
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					<description><![CDATA[]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-157411" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/VT034-SOLUCAO-PARA-GAZA.jpg" alt="" width="2362" height="787" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/VT034-SOLUCAO-PARA-GAZA.jpg 2362w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/VT034-SOLUCAO-PARA-GAZA-300x100.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/VT034-SOLUCAO-PARA-GAZA-1024x341.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/VT034-SOLUCAO-PARA-GAZA-768x256.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/VT034-SOLUCAO-PARA-GAZA-1536x512.jpg 1536w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/VT034-SOLUCAO-PARA-GAZA-2048x682.jpg 2048w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/VT034-SOLUCAO-PARA-GAZA-1261x420.jpg 1261w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/VT034-SOLUCAO-PARA-GAZA-640x213.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/VT034-SOLUCAO-PARA-GAZA-681x227.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 2362px) 100vw, 2362px" /></p>
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		<title>Exclusivo: Brasil se nega a assinar Declaração de Bogotá para frear genocídio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Sep 2025 22:12:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Govs_nacionais_e_internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Palestina]]></category>
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					<description><![CDATA[Em resposta a pedido de informação, governo brasileiro deixa claro que não assinará Declaração Conjunta de medidas jurídicas e de embargo diante do genocídio praticado por Israel contra os palestinos. Por Leo Vinicius Liberato]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;"><strong>Por Leo Vinicius Liberato</strong></h3>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Em janeiro de 2025, Colômbia, África do Sul, Senegal, Cuba, Bolívia, Honduras, Malásia e Namíbia formaram uma aliança chamada Grupo de Haia, com o objetivo de tomar medidas coordenadas em defesa do direito internacional e de solidariedade ao povo palestino. O Grupo de Haia convocou um Encontro em Bogotá, realizado nos dias 15 e 16 de julho de 2025. O Brasil participou do Encontro, assim como outros 31 países, entre os quais Portugal.</p>
<p style="text-align: justify;">Como resultado do Encontro, foi lançada uma Declaração Conjunta contendo seis medidas a serem tomadas <strong>[1]</strong>. Treze países assinaram a Declaração, cujo prazo para assinatura foi estipulado em 20 de setembro de 2025. As seis medidas estão muito longe de um embargo econômico a Israel, necessário diante do genocídio e das obrigações de Estados terceiros frente a Convenção para Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio. Elas apenas comprometem os assinantes a não exportar e permitir transporte de armas, equipamentos militares e combustíveis militares a Israel, e a rever contratos públicos de modo que instituições e fundos públicos não colaborem com a ocupação ilegal de territórios palestinos por Israel.</p>
<p style="text-align: justify;">Passados vinte dias da publicação da Declaração, no dia 5 de agosto enviei um Pedido de Acesso a Informação ao Ministério das Relações Exteriores com as seguintes perguntas:</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 40px;">1) O governo brasileiro pretende assinar a Declaração e implementar as seis medidas que nela constam?</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 40px;">2) Qual tem sido e/ou qual será o trâmite político e burocrático para a assinatura da Declaração, caso o governo brasileiro tenha intenção de assinar a Declaração e implementar as seis medidas que constam nela?</p>
<p style="text-align: justify;">Exatamente um mês depois, no último dia de prazo para resposta, o Ministério das Relações Exteriores respondeu que: “o País não é membro do Grupo da Haia e sua participação em encontros do referido agrupamento se deu na condição de observador. Nesse sentido, o Brasil não subscreveu eventuais documentos adotados pelo Grupo” <strong>[2]</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">A resposta do governo brasileiro faz parecer que há alguma relação entre não ser membro do Grupo de Haia e a não assinatura da Declaração. Ora, países que não são membros do Grupo de Haia, como a Turquia, subscreveram a Declaração. O motivo da não assinatura é evidentemente outro, não revelado. A propósito, a não adesão do Brasil ao Grupo de Haia é em si eloquente quanto às inações do governo brasileiro frente ao genocídio e aos crimes cometidos por Israel contra os palestinos. Francesca Albanese, Relatora da ONU de Direitos Humanos nos Territórios Palestinos Ocupados, afirmou que a formação do Grupo de Haia foi “o desenvolvimento político mais significativo dos últimos 20 meses” diante do genocídio <strong>[3]</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-157407" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/lula_em_israel_reuters-1.0.56732470-gpLarge.jpg" alt="" width="960" height="702" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/lula_em_israel_reuters-1.0.56732470-gpLarge.jpg 960w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/lula_em_israel_reuters-1.0.56732470-gpLarge-300x219.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/lula_em_israel_reuters-1.0.56732470-gpLarge-768x562.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/lula_em_israel_reuters-1.0.56732470-gpLarge-574x420.jpg 574w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/lula_em_israel_reuters-1.0.56732470-gpLarge-80x60.jpg 80w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/lula_em_israel_reuters-1.0.56732470-gpLarge-640x468.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/lula_em_israel_reuters-1.0.56732470-gpLarge-681x498.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px" />Embora escrito no pretérito (“não subscreveu”), a resposta do governo brasileiro deixa claro que ele decidiu não assinar a Declaração, e, portanto, não a subscreverá e não se comprometerá em adotar as suas seis medidas. Lembrando que são medidas ainda bastante tímidas diante do horror do genocídio e das obrigações dos Estados frente à legislação e jurisprudência internacional.</p>
<p style="text-align: justify;">O Brasil mantém sua cumplicidade no genocídio, sem qualquer medida do governo buscando cessar sequer a exportação de petróleo para Israel e de aço da empresa Villares para a indústria bélica israelense. Como os membros da Flotilha da Liberdade que neste momento rumam para Gaza costumam dizer, seria tarefa dos governos agir para impedir o genocídio e abrir um corredor humanitário. Resta aos povos do mundo, aos trabalhadores do mundo, tomar para si a tarefa de defender a humanidade contra a barbárie dos Estados e da economia política.</p>
<p style="text-align: justify;">
<h4 style="text-align: justify;"><strong>Notas</strong></h4>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1]</strong> A Declaração pode ser acessada <a href="https://cloud.progressive.international/s/4gmJte3PKTKb8 ed/download" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[2]</strong> O inteiro teor do Pedido de Informação e da resposta podem ser vistos <a href="https://drive.google.com/file/d/1WlvKTPf4tWQ0voMMxbfq3GSixb9Fk0U5/view?usp=sharing" target="_blank" rel="noopener">aqui.</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[3]</strong> <a href="https://progressive.international/wire/2025-07-12-pi-briefing-no-25-nos-vemos-en-bogot/pt-br" target="_blank" rel="noopener">https://progressive.international/wire/2025-07-12-pi-briefing-no-25-nos-vemos-en-bogot/pt-br</a></p>
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		<title>Sabedoria paterna (1)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 Aug 2025 19:03:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Flagrantes Delitos]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Palestina]]></category>
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					<description><![CDATA[Durante o café da manhã, entre uma mordida e outra no pão com manteiga, o pai lançava as mais inovadoras análises políticas. Chega ao tópico da guerra Israel x Palestina, ao qual ele tem a solução: “Eu jogaria um míssil para o alto, para estourar os satélites espaciais e impedir o funcionamento da internet. Se [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Durante o café da manhã, entre uma mordida e outra no pão com manteiga, o pai lançava as mais inovadoras análises políticas. Chega ao tópico da guerra Israel x Palestina, ao qual ele tem a solução: “Eu jogaria um míssil para o alto, para estourar os satélites espaciais e impedir o funcionamento da internet. Se não houver informação, não há guerra, melhor foder todos do que um só!”. <strong>Filha do pai</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>A morte da ajuda humanitária</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Aug 2025 10:10:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Govs_nacionais_e_internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Inglaterra]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
		<category><![CDATA[Palestina]]></category>
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					<description><![CDATA[ Peter Kyle, após se formar em Geografia, trabalhou com ajuda humanitária por quase uma década. Por Leo Vinicius]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Leo Vinicius</h3>
<p style="text-align: justify;">Dos 168 funcionários da ONU mortos em 2024, 126 foram mortos por Israel em Gaza. Ano passado foi o ano em que mais trabalhadores de ajuda humanitária foram mortos no mundo: 281. Efeito do genocídio perpetrado por Israel e apoiado ativamente pelos Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido…</p>
<p style="text-align: justify;">De 8 de outubro de 2023 a maio de 2025, mais de 400 trabalhadores de ajuda humanitária e mais de 1500 trabalhadores de saúde foram assassinados por Israel em Gaza. Quase duzentos foram sequestrados por Israel, sendo torturados na prisão. Cabe mencionar também que, até o momento, Israel matou cerca de 270 jornalistas em Gaza desde 8 de outubro de 2023, a maior taxa de assassinato de jornalistas na história. Restam menos jornalistas vivos em Gaza do que o número dos que foram mortos.</p>
<p style="text-align: justify;">Como não é segredo, para além do assassinato de trabalhadores de ajuda humanitária, Israel bloqueou o sistema da ONU de ajuda humanitária para utilizar a fome como arma direta e logística de genocídio. Isso tudo, diante dos olhos do mundo como nenhum genocídio antes e com apoio ou cumplicidade dos Estados dito liberais, talvez seja indicativo de que o próprio sistema de ajuda humanitária, como tem existido, está com os dias contados.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: justify;">Kerry, uma moradora de 54 anos de Hove, cidade da costa sul da Inglaterra, é uma entre milhões de britânicos incomodados, revoltados ou indignados com o genocídio em Gaza. Dia 17 de junho de 2025 era para ser mais um dia como outros para ela. Mas às 4 horas da manhã seus dois cachorros começaram a latir em seu apartamento. Quatro policiais estavam do lado de fora. Levaram a moradora presa, e apreenderam seu computador e telefone celular.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: justify;">O inglês Peter Kyle, de 54 anos, entrou como estudante na Universidade de Sussex aos 25 anos. Após se formar em Geografia, trabalhou com ajuda humanitária por quase uma década. Foi diretor de projetos da ONG Children on the Edge, que tinha como objetivo ajudar crianças e jovens que sofreram as consequências do conflito e genocídio nos Balcãs. De 2007 a 2013 foi vice-presidente executivo da Associação de Presidentes Executivos de Organizações Voluntárias. Em 2006, Peter se tornou consultor especial de combate à exclusão social do Gabinete de Governo britânico.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 2015 ele foi eleito deputado pelo distrito de Hove, tendo sido reeleito três vezes, todas como candidato do Partido Trabalhista. Em 2024, Peter Kyle foi nomeado Secretário [Ministro] da Ciência, Inovação e Tecnologia no governo de Keir Starmer (mais conhecido como Kid Starver).</p>
<p style="text-align: justify;">No dia 8 de junho de 2025 o gabinete de Peter Kyle recebeu um email de Kerry endereçado também a Keir Starmer e outras pessoas ou departamentos do governo. O título do assunto era “Proteja a Flotilha da Liberdade”. Kerry colocou Kyle também como destinatário por ele ser o representante eleito de Hove no parlamento britânico. A ação de Kerry se enquadrava na forma de “controle social” e pressão mais banal na democracia representativa: envio de email a representantes eleitos. A essa mensagem se seguiram nos dias seguintes várias outras de Kerry, todas tratando do genocídio em Gaza, a maioria com cerca de um parágrafo, em linguagem bem escrita, educada e engajada. Também sem papas na língua, como no trecho: “Vocês já têm muito sangue nas mãos e estão do lado errado da história e um dia (inshallah) todos vocês serão julgados em Haia por suas ações”. Em nenhuma das mensagens havia ameaças ou algo ilegal.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-157242 aligncenter" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/gettyimages-2167956445-3115533585.jpg" alt="" width="1480" height="833" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/gettyimages-2167956445-3115533585.jpg 1480w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/gettyimages-2167956445-3115533585-300x169.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/gettyimages-2167956445-3115533585-1024x576.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/gettyimages-2167956445-3115533585-768x432.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/gettyimages-2167956445-3115533585-746x420.jpg 746w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/gettyimages-2167956445-3115533585-640x360.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/gettyimages-2167956445-3115533585-681x383.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 1480px) 100vw, 1480px" />Chris Henry, assessor de Peter Kyle, acionou a polícia contra Kerry no dia 16 de junho.</p>
<p style="text-align: justify;">Peter Kyle era vice-presidente do Labour Friends of Israel até assumir a pasta de Ciência, Inovação e tecnologia. O Labour Friends of Israel é uma bancada de defesa de Israel no Partido Trabalhista britânico.</p>
<p style="text-align: justify;">A morte da ajuda humanitária não pode parar. Ai de quem…</p>
<p style="text-align: justify;">Os pequenos operadores desse assassinato possuem nome e endereço, de email.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>O caso da prisão de Kerry (nome fictício), que aguarda em liberdade se será indiciada, foi exposto pelo escritor Greg Hadfield. Aqui o leitor encontrará mais detalhes sobre o caso: </em><a class="urlextern" title="https://greghadfield.medium.com/exclusive-how-labour-mp-peter-kyle-triggered-a-4am-police-raid-on-a-constituent-for-writing-to-dd012f23122e" href="https://greghadfield.medium.com/exclusive-how-labour-mp-peter-kyle-triggered-a-4am-police-raid-on-a-constituent-for-writing-to-dd012f23122e" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://greghadfield.medium.com/exclusive-how-labour-mp-peter-kyle-triggered-a-4am-police-raid-on-a-constituent-for-writing-to-dd012f23122e</a></p>
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