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	<title>Racismo &#8211; Passa Palavra</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>Não seria divertido</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Feb 2026 11:40:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Flagrantes Delitos]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
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					<description><![CDATA[O reverendo Kenny Callaghan, de Minneapolis, disse ao ICE: “não tenho medo de vocês”. Então, depois de apontarem-lhe uma arma, o algemarem e o colocarem num SUV, perguntaram: — E agora, está com medo? — Não! — Bem, você é branco, não seria divertido mesmo. Passa Palavra]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O reverendo Kenny Callaghan, de Minneapolis, disse ao ICE: “não tenho medo de vocês”. Então, depois de apontarem-lhe uma arma, o algemarem e o colocarem num SUV, perguntaram:<br />
— E agora, está com medo?<br />
— Não!<br />
— Bem, você é branco, não seria divertido mesmo. <strong>Passa Palavra</strong></p>
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		<title>Comida Mexicana (2)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Jan 2026 12:36:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Flagrantes Delitos]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
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					<description><![CDATA[Uma patrulha do ICE almoçou num restaurante que serve comida mexicana em Minneapolis. Horas depois, foram atrás de funcionários do restaurante e os prenderam. Passa Palavra]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Uma patrulha do ICE almoçou num restaurante que serve comida mexicana em Minneapolis. <a class="urlextern" title="https://www.independent.co.uk/news/world/americas/us-politics/ice-arrest-minnesota-mexican-restaurant-b2902000.html" href="https://www.independent.co.uk/news/world/americas/us-politics/ice-arrest-minnesota-mexican-restaurant-b2902000.html" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">Horas depois</a>, foram atrás de funcionários do restaurante e os prenderam. <strong>Passa Palavra</strong></p>
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		<title>Nazismo no poder e antinazismo popular nos EUA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Jan 2026 12:51:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
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					<description><![CDATA[ Servirão esses processos de resistência para fortalecer laços, ampliar a força da população organizada contra o nazismo estatal e abrir um horizonte alternativo à tendência de ascensão e aprofundamento do neofascismo? Por Leo Vinicius ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Leo Vinicius</h3>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>Nazismo no poder nos EUA </strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Donald Trump possui um histórico de afirmações protorracistas quando não indubitavelmente racistas <strong>[1]</strong>. Seu imaginário eugênico racial não surgiu ontem <strong>[2]</strong>. Na última campanha presidencial, por exemplo, afirmou que “os imigrantes ilegais envenenam o sangue do nosso país”. <em>Envenenar o sangue</em>, expressão que Hitler usou, por exemplo, no seu livro <em>Mein Kampf</em> (<em>Minha Luta</em>). Pesquisa de opinião realizada em 2024 constatou que 34% dos estadunidenses concordavam com essa afirmação de Trump — 61% dos Republicanos concordavam, 30% dos independentes e 13% dos Democratas <strong>[3]</strong>. Quando Trump estava em seu primeiro mandato, pesquisas já apontavam a importância do ressentimento racial na sua base de apoio e eleitoral <strong>[4]</strong> — o que não significa, evidentemente, que os votos necessários para o eleger vieram somente através de um ressentimento racial.</p>
<p style="text-align: justify;">O oportunista JD Vance, atual vice-presidente dos EUA e mais provável sucessor de Trump, era antiTrump cerca de dez anos atrás. Chamou Trump de “Hitler da América” em 2016, e no mesmo ano disse que: “Não tenho estômago para Trump. Acho que ele é nocivo e está levando a classe trabalhadora branca para um lugar muito sombrio” <strong>[5]</strong>. Mas, desde que resolveu se juntar a Trump, sua retórica de supremacismo racial têm sido até mais aberta que a de Trump. Ele sabe que a onda que pegou para surfar precisa ser alimentada…</p>
<p style="text-align: justify;">O ICE (Serviço de Imigração e Controle Aduaneiro) foi criado no governo Bush filho, durante a “guerra ao terror”. No seu governo, Obama pegou aquilo que era um órgão que existia apenas em alguns estados, e o tornou em órgão de abrangência nacional, triplicando seu orçamento. Por sua vez, Trump triplicou também o orçamento do ICE, tornando seu orçamento maior do que o orçamento bélico de quase todos os países do mundo. Um orçamento maior que o do FBI e de outros órgãos federais juntos. Sem contar o orçamento para construção de prisões para confinar a população abduzida, que aumentou de três a quatro vezes.</p>
<p style="text-align: justify;">Claramente o governo Trump transformou o ICE na sua polícia de limpeza étnica/social/política <strong>[6]</strong>. As prisões majoritariamente de imigrantes sem antecedentes criminais no governo Trump, contrastam com os dados anteriores a 2025 <strong>[7]</strong>. É a face mais brutal e espetacular da sua política racial. Em 2025, 32 pessoas morreram nas prisões do ICE, o maior número nas suas duas décadas de existência <strong>[8]</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Indígenas, os mais nativos daquela terra, têm sido abduzidos pelo ICE também. Embora não sejam muitos casos reportados <strong>[9]</strong>, agentes do ICE falam abertamente para indígenas que eles serão os próximos <strong>[10]</strong>. A publicidade usada para recrutar agentes para o ICE também deixa pouca dúvida sobre a transformação do ICE na polícia de uma política de supremacismo racial <strong>[11]</strong>. Em suma, uma polícia política nazista.</p>
<p style="text-align: justify;">A política de conquista territorial de Trump — outro aspecto semelhante ao nazismo e com o fascismo histórico — também expõe a ideologia de supremacismo racial. No caso da vez, a Groenlândia, postagens da Casa Branca utilizam conceitos nazistas e se direcionam a subculturas racistas e neonazistas <strong>[12]</strong>. O interesse de Trump pela Groenlândia provavelmente foi despertado pelo seu amigo Ronald Lauder, um bilionário do setor de cosméticos, que teria sugerido a ele comprar a maior ilha do mundo no seu primeiro mandato. O próprio Lauder fez investimentos na Groenlândia e possui interesse financeiro nela. Os interesses dos donos da Big Techs estadunidenses também podem ter acrescentado, devido aos minerais e quem sabe também ao projeto de cidade utópica (ou distópica) a ser construída na Groenlândia, idealizada por Peter Thiel, bilionário dono da Palantir e principal guru da extrema direita high tech apocalíptica do Vale do Silício. Mas não se deve descartar o peso que pode ter esse tipo de expansão territorial espetacular como signo de uma América Grande Novamente, como compensação simbólica para uma base social e para um povo que não terá sua perspectiva de vida melhorada por nenhum gestor do capitalismo, nazista, liberal ou progressista.</p>
<p style="text-align: justify;">O nazismo está no poder nos EUA porque ele não está só no Estado. Ela está em grandes empresas. No primeiro semestre de 2025, os investimentos das Big Techs corresponderam a 92% do crescimento do PIB dos EUA. Não fossem elas, O PIB dos EUA teria crescido apenas 0.1% no período, embora as Big Techs representem apenas 4% do PIB do país. E as Big Techs, umas mais outras menos, estão surfando e alimentando a onda do fascismo. Uma conversão aparentemente por conveniência, como no caso da Meta, cuja atual presidente e vice-líder do conselho administrativo é ex-vice-assessora de Segurança Nacional de Trump. Ou como no caso de Larry Ellison, um dos dois homens mais ricos do mundo, supremacista judaico e dono da Oracle, que comprou a rede de TV CBS, a Paramount e a operação estadunidense do Tik Tok, tudo para difundir propaganda favorável a Israel e limitar informação de denúncia dos crimes israelenses. Pela permissão de agências governamentais a esses negócios, a CBS de Ellison tem feito uma cobertura favorável a Trump. Mas nenhuma é tão intrínseca e abertamente fascista quanto a Palantir de Peter Thiel. Seu cofundador, John Lonsdale, não esconde seu pensamento racial reacionário e supremacista. Também não esconde que uma missão da Palantir é acabar com “comunistas”, ou mesmo matá-los (lembrando que a Palantir realiza principalmente serviços envolvendo base de dados para governos e forças repressivas). Alex Karp, CEO da Palantir fala abertamente do orgulho da Palantir servir ao Ocidente e aos EUA, e a países que não pode falar, e em ocasiões, se necessário meter medo e até mesmo matar “nossos inimigos” <strong>[13]</strong>. Essa mesma empresa foi contratada pelo governo brasileiro em 2025 para análise de dados do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação.</p>
<p style="text-align: justify;">No regime nazista de Hitler, a ideologia racial chegou a sobredeterminar a racionalidade econômica capitalista. No caso de Trump e do movimento MAGA, há uma tendência de sobredeterminação também, que, no entanto, ainda não é forte o suficiente para superar certas barreiras impostas pela razão econômica de uma burguesia. Trump, por exemplo, teve que limitar as incursões do ICE em fazendas, restaurantes e hotéis por pressão dos empresários desses setores, uma vez que dependiam do trabalho de imigrantes indocumentados <strong>[14]</strong>. Trump gostaria, mas ainda não conseguiu alcançar Israel. Fundado e mantido como Estado étnico colonial, Israel está na vanguarda do neonazismo mundial, com seu <em>lebensraum</em> <strong>[15]</strong>, sua política supremacista, seu genocídio e sua ideologia étnica que é a razão de Estado.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158590" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/ice-out-thousands-rally-against-ice-in-minneapolis-despite-cold-and-business-shutdowns-1769225559094-16_9-1390796039.webp" alt="" width="1200" height="675" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/ice-out-thousands-rally-against-ice-in-minneapolis-despite-cold-and-business-shutdowns-1769225559094-16_9-1390796039.webp 1200w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/ice-out-thousands-rally-against-ice-in-minneapolis-despite-cold-and-business-shutdowns-1769225559094-16_9-1390796039-300x169.webp 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/ice-out-thousands-rally-against-ice-in-minneapolis-despite-cold-and-business-shutdowns-1769225559094-16_9-1390796039-1024x576.webp 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/ice-out-thousands-rally-against-ice-in-minneapolis-despite-cold-and-business-shutdowns-1769225559094-16_9-1390796039-768x432.webp 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/ice-out-thousands-rally-against-ice-in-minneapolis-despite-cold-and-business-shutdowns-1769225559094-16_9-1390796039-747x420.webp 747w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/ice-out-thousands-rally-against-ice-in-minneapolis-despite-cold-and-business-shutdowns-1769225559094-16_9-1390796039-640x360.webp 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/ice-out-thousands-rally-against-ice-in-minneapolis-despite-cold-and-business-shutdowns-1769225559094-16_9-1390796039-681x383.webp 681w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" />Antinazismo popular nos EUA</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Diante das incursões dos agentes mascarados do ICE em grandes e médias cidades dos EUA — levando terror a bairros, separando famílias, abduzindo crianças, deixando crianças sem pais —, uma reação de caráter comunitário e popular tem ocorrido, principalmente nas cidades com tradição mais progressista. Não se trata de protestos, que embora tenham também ocorrido, têm sido bastante limitados e pouco efetivos. Essa solidariedade ativa comunitária ganhou maior repercussão quando, em janeiro de 2026, o governo Trump enviou mais de 2 mil agentes do ICE a Mineápolis e um deles assassinou Renee Good, uma mulher branca de 37 anos que tentava dificultar a passagem de um carro do ICE.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa solidariedade ativa, é importante destacar, parte da comunidade independente de cor da pele e nacionalidade. Bastante expressivo o caso de dois irmãos brancos, ainda menores de idade, que passam as manhãs seguindo os carros do ICE nas ruas de Chicago, filmando as ações dos agentes, de modo a impedir violência e ilegalidades. Eles são apoiados pelos pais, que são cristãos praticantes <strong>[16]</strong>. Aliás, são os não-imigrantes e brancos, como Renee Good, que possuem melhores condições e têm geralmente realizado as formas de solidariedade ativa mais arriscadas, isto é, se colocando em situações próximas a agentes do ICE, com o risco de sofrer violência que isso comporta, por vezes consumada <strong>[17]</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Apitos foram distribuídos nos bairros para que sejam usados como alertas se alguém vir a presença do ICE. Escolas em Mineápolis passaram às aulas online para proteger os alunos. Pais e vizinhos organizam caronas e acompanham a pé crianças até na ida e volta da escola, além de ficarem de vigias em frente às escolas. Grupos de vizinhos vigiam a porta de comércios, que ficam de portas fechadas mesmo quando abertos ao público, para que os funcionários possam trabalhar com mais tranquilidade. Pais de crianças em creches com imersão em espanhol têm deixado seus filhos em casa para que os funcionários não precisem se arriscar indo ao trabalho. Igrejas e grupos comunitários levantam dinheiro para fazer compras e entregá-las a famílias que não se sentem seguras saindo de casa. Ajuda mútua e dinheiro têm sido direcionados a pessoas que não podem pagar o aluguel por não poderem trabalhar, ou porque quem era responsável pela renda na família foi abduzido ou para quem precisa de um lugar quente depois que as janelas da casa foram quebradas pelo ICE <strong>[18]</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Embora longo para ser inserido no meio de um texto, vale a pena ler o relato abaixo publicado por Margaret Killjoy, música e escritora anarquista, publicado por ela no Bluesky em 21 de janeiro:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Vim a Minneapolis para fazer uma reportagem sobre o que está acontecendo, e uma das principais perguntas que eu tinha em mente era: “Qual é a dimensão da resistência?” Afinal, estamos todos acostumados com as notícias chamando Portland de “zona de guerra” ou algo do tipo, quando há apenas alguns protestos em uma parte da cidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Cheguei tarde ontem à noite. Logo de manhã, vi carros seguindo um carro do ICE pela rua, buzinando para ele.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais tarde, não tínhamos percorrido nem três quarteirões quando encontramos pessoas defendendo uma creche. (A ideia de que as pessoas precisam defender uma creche… pense nisso.)</p>
<p style="text-align: justify;">Em metade das esquinas por aqui, há pessoas — de todas as classes sociais, incluindo Republicanos — de guarda, atentas a veículos suspeitos, que são reportados a uma rede robusta e totalmente descentralizada que rastreia veículos do ICE e mobiliza as equipes de resposta.</p>
<p style="text-align: justify;">Tenho participado ativamente de movimentos de protesto há 24 anos. Nunca vi nada que se aproximasse dessa escala. Minneapolis não está aceitando o que está acontecendo aqui. O ICE assassinou uma mulher por participar disso, e tudo o que isso fez foi atrair mais pessoas, de todas as classes sociais.</p>
<p style="text-align: justify;">É um movimento genuinamente sem líderes (ou lotado de líderes), descentralizado de uma forma que o Estado está absolutamente despreparado para lidar. Existem algumas práticas básicas envolvidas, e as pessoas ensinam umas às outras essas práticas, refinando-as coletivamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Antes de vir, perguntei a um amigo local se o frio (vai chegar a -20°C nos próximos dias) impediria as pessoas de saírem. “Não, nós vamos estar lá. É o ICE que não aguenta.”</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje conversei com uma senhora de 76 anos que estava há horas no frio, protegendo seus vizinhos. Eu também estava começando a sentir frio, mesmo com as roupas de inverno novas que comprei para esta viagem (e eu moro nas montanhas!).</p>
<p style="text-align: justify;">Ela nem sequer estava usando chapéu.</p>
<p style="text-align: justify;">Outra pessoa disse: “Somos de Minnesota. Estamos ansiosos para tirar nossas roupas de inverno do armário este ano.”</p>
<p style="text-align: justify;">Ele era um engenheiro de áudio cujo filho estudava na região. De jeito nenhum ele deixaria alguém mexer com as crianças enquanto estivesse por perto.</p>
<p style="text-align: justify;">Um outro amigo me disse o seguinte: “O ICE cometeu o erro clássico dos nazistas. Eles invadiram um povo de inverno no meio do inverno.”</p>
<p style="text-align: justify;">Não quero pintar um quadro cor-de-rosa, porque é uma cidade sitiada. Pessoas estão sendo sequestradas o tempo todo. Uma pessoa me contou que presenciava de um a dois sequestros por dia, só no trabalho que fazia acompanhando o ICE.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas quando perguntei a um dos organizadores o que eles queriam ver na cobertura da imprensa, eles me disseram que queriam que as pessoas vissem as coisas lindas que estão construindo aqui, e não apenas as piores histórias dos piores crimes do ICE.</p>
<p style="text-align: justify;">O que as pessoas estão fazendo aqui é lindo. É uma beleza trágica, mas real.</p>
<p style="text-align: justify;">Estou aqui há 24 horas, mas pelo que já vi, acredito sinceramente que vamos vencer. As pessoas aqui sabem muito bem que o que acontece aqui impacta o país inteiro, que isso define o tom da resistência. O ICE está furioso, o ICE está apavorado com a sua profunda impopularidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Nunca vi uma população tão unida. Se as pessoas conseguirem manter essa união, se conseguirem aceitar que pessoas diferentes terão maneiras diferentes de combater o fascismo, se conseguirmos lembrar às ONGs e organizações que elas podem se juntar à resistência, mas não controlá-la, então, bem, as pessoas daqui farão história.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Um caso em que a dona da casa gravou a situação em que se encontrava diante do ICE do início ao fim é bastante expressiva da diferença que a ação coletiva, o apoio ativo da comunidade, realiza concretamente. Mãe de uma criança pequena, ela estava em casa em Mineápolis e pediu comida por aplicativo. Quando abriu a porta para receber o pedido, a entregadora da empresa DoorDash entrou na casa apavorada, falando coisas em espanhol. O ICE estava atrás dela, e já estava do lado de fora da casa querendo entrar. A dona da casa falava aos agentes do ICE que ela era mãe de uma criança que estava na casa, tendo em mente o recente assassinato de Renne Good. Nervosa e sem saber o que fazer diante da situação, na qual era pressionada pelos agentes do ICE a fazendo temer pela sua segurança e de sua filha, mas não queria entregar aquela trabalhadora nas mãos de uma Gestapo. Ela ligou para a polícia para ao menos saber o que fazer. A resposta da polícia a induziu a entregar a trabalhadora (embora a polícia não tenha dito que legalmente, naquela situação, ela não precisava fazê-lo). Ela pediu para trabalhadora sair, mesmo com muito pesar e desespero. Nesse meio tempo vizinhos começaram a aparecer envolta do terreno da casa com apitos e antagonizando os agentes do ICE. O número de vizinhos foi aumentando com seus apitos. Nessa nova situação, de apoio e ação coletiva, o comportamento da dona da casa muda totalmente. Ela já não fala mais para a entregadora sair, e antagoniza também o ICE, de forma destemida. Eles começam a se retirar e ela continua os antagonizando, de forma ainda mais forte, numa espécie de descarga final de adrenalina. A entregadora foi salva <strong>[19]</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158591" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/ICE-Out-of-Minnesota-protest-on-Jan-23-in-Minneapolis_1_1-3303397714.jpg" alt="" width="700" height="468" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/ICE-Out-of-Minnesota-protest-on-Jan-23-in-Minneapolis_1_1-3303397714.jpg 700w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/ICE-Out-of-Minnesota-protest-on-Jan-23-in-Minneapolis_1_1-3303397714-300x201.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/ICE-Out-of-Minnesota-protest-on-Jan-23-in-Minneapolis_1_1-3303397714-628x420.jpg 628w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/ICE-Out-of-Minnesota-protest-on-Jan-23-in-Minneapolis_1_1-3303397714-537x360.jpg 537w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/ICE-Out-of-Minnesota-protest-on-Jan-23-in-Minneapolis_1_1-3303397714-640x428.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/01/ICE-Out-of-Minnesota-protest-on-Jan-23-in-Minneapolis_1_1-3303397714-681x455.jpg 681w" sizes="(max-width: 700px) 100vw, 700px" />Após o assassinato de Renee Good, pesquisa de opinião apontou que quase metade dos estadunidenses apoiam a abolição do ICE, 42%, contra 48% que são contra a abolição, sendo que 52% veem o ICE de forma bastante negativa <strong>[20]</strong>. Mas se o antinazismo tem base popular ativa, o nazismo no poder se ergue a partir de uma base popular também. As opiniões sobre o ICE, por exemplo, são bastante polarizadas entre eleitores Democratas e Republicanos. No entanto, esperar que a tendência de ascensão do neofascismo seja modificada por via eleitoral, evidentemente é uma ilusão que até mesmo muitos liberais já não possuem. Certamente o ICE não será abolido pelos Democratas caso voltem ao governo. O histórico dos governos Democratas é de ampliação do ICE e de seu financiamento. Mas o mais importante é o fato de que são os partidos de (extrema) direita que possuem o ímpeto e um projeto de transformação. O centro e a esquerda institucionais seguem a reboque da onda, sem interromper a tendência, embora possam em certas situações significar um alívio momentâneo para grupos sociais quando estão no governo. Terrivelmente simbólico de como seguem ao reboque da onda neofascista foi o apoio incondicional que o governo Joe Biden deu para que Israel cometesse genocídio.</p>
<p style="text-align: justify;">Se existe algo ainda no que se apoiar, nos EUA, é nesse antinazismo popular, ativo e prático existente em muitas cidades. O nível de violência empregado pelo ICE e pelas foças do Estado ainda não conseguiu deixar as pessoas aterrorizadas, de modo a romper essa solidariedade ativa. Conseguirão escalar a violência a ponto de colocar as pessoas em isolamento e em silêncio diante da limpeza étnica nas suas cidades e bairros? Servirão esses processos de resistência para fortalecer laços, ampliar a força da população organizada contra o nazismo estatal e abrir um horizonte alternativo à tendência de ascensão e aprofundamento do neofascismo?</p>
<p style="text-align: justify;">Dia 23 de janeiro aconteceu em Minnesota algo que não ocorria há oitenta anos nos Estado Unidos: uma greve geral. A paralisação com slogan “ICE fora de Minnesota: Dia da Verdade e da Liberdade”, foi convocada por sindicatos e endossada por diversas organizações. Legalmente os sindicatos dos EUA não podem convocar greve geral, então a convocação não foi feita de forma explícita como greve. As grandes federações sindicais, geralmente coveiras de ações significativas, endossaram o chamado. Algo que mostra o impulso popular que a causa está tendo naquele estado. O fato é que foi uma paralisação comunitária, envolvendo toda a sociedade civil.</p>
<p style="text-align: justify;">Pequenos comerciantes fecharam seus estabelecimentos. algumas grandes empresas também, já prevendo o alto absenteísmo e talvez também para preservar suas imagens. Cerca de 700 empresas fecharam em Minnesota e cerca de 300 ações de solidariedade ocorreram por todo o país no dia 23 de janeiro. Uma multidão ocupou o aeroporto de Mineápolis e 100 clérigos foram presos na ação &#8211; muitos imigrantes trabalham no aeroporto e a incrível rede informal de inteligência formada pela classe trabalhadora apontou planos do ICE para abduzir motoristas de aplicativo no embarque e desembarque, além de informar que o ICE possui reservas em hotel da cidade até junho. Apesar do frio glacial, dezenas de milhares de pessoas se encontraram nas ruas de Mineápolis para dizer em alto e em bom som que querem o ICE fora do estado.</p>
<p style="text-align: justify;">A ausência de plano e programa do governo do estado e da prefeitura para defender a população do terror do ICE, apesar da retórica anti-ICE do governador e do prefeito, acabou também abrindo espaço para a população tomar a iniciativa. Mas a solidariedade popular ativa e a mobilização em Mineápolis, em um nível sem precedentes em muitos anos nos EUA, evidentemente não vem do nada. A cidade tem um histórico progressista, e esse atual levante de resistência foi constituído a partir de experiências de luta anteriores e de redes e organizações existentes. A experiência de luta e formação de redes decorrentes das ações em resposta ao assassinato de George Floyd pela polícia em 2020, que ocorreu em Mineápolis e gerou uma revolta que se espalhou pelo país, foram uma importante base para a mobilização atual, segundo ativistas locais.</p>
<p style="text-align: justify;">Restrita ao estado de Minnesota, uma paralisação geral acaba tendo um efeito mais simbólico e de demonstração de potência, pois não pressionará economicamente o governo federal. A expectativa de Kieran Knutson, dirigente da seção local de Mineápolis do sindicato de trabalhadores da comunicação, CWA, era de que a paralisação de 23 de janeiro “não será apenas um evento isolado. Deve ser algo impactante, que mostre que estamos falando sério e que nos ensine lições valiosas para a construção do movimento, além de nos dar ideias sobre como dar o próximo passo” <strong>[21]</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Trump abertamente deixou de enviar suas milícias do ICE para San Franscisco a pedido de dois bilionários de Big Techs, os donos da Nvidia e da Salesforce <strong>[22]</strong>. Nvidia que é uma das três empresas estadunidenses com maior valor de mercado, e agente fundamental do crescimento do PIB dos EUA. Podemos supor que, ainda não comprometidos com uma ideologia supremacista, perceberam que a presença do ICE na região seria ruim para a gestão de RH. Pelo menos uma parte significativa do movimento que se forma contra a política nazista do governo Trump possui clareza de que a pressão econômica é fundamental. Na mesma semana da greve geral em Minnesota, trabalhadores de tecnologia do Vale do Silício criaram um abaixo-assinado clamando para que seus patrões liguem para Trump pedindo que ele retire o ICE das cidades, para que cancelem contratos com o ICE e falem publicamente contra o ICE <strong>[23]</strong>. Em Mineápolis e em outras cidades, a rede de varejo Target, que tem sede em Mineápolis, tem sido alvo de protestos e boicote por deixar que o ICE entre nas suas lojas. Para 1º de maio já está sendo chamada mobilização e paralisação nacional contra o ICE e a política de Trump.</p>
<p style="text-align: justify;">Quem sabe a greve de 23 de janeiro em Mineápolis posso ter servido de exemplo inicial. Um ensaio inicial de mobilização da classe trabalhadora intervindo diretamente no processo de acumulação de capital e poder. Passo esse necessário para mudar o rumo da história e realmente derrotar o fascismo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Notas</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1]</strong> ver <a class="urlextern" title="https://en.wikipedia.org/wiki/Racial_views_of_Donald_Trump" href="https://en.wikipedia.org/wiki/Racial_views_of_Donald_Trump" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">aqui</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[2]</strong> ver <a class="urlextern" title="https://www.nytimes.com/2023/12/22/us/politics/trump-blood-comments.html" href="https://www.nytimes.com/2023/12/22/us/politics/trump-blood-comments.html" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">aqui</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[3]</strong> ver <a class="urlextern" title="https://www.theguardian.com/us-news/2024/oct/18/election-trump-immigration-poll" href="https://www.theguardian.com/us-news/2024/oct/18/election-trump-immigration-poll" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">aqui</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[4]</strong> ver <a class="urlextern" title="https://www.vox.com/identities/2017/12/15/16781222/trump-racism-economic-anxiety-study" href="https://www.vox.com/identities/2017/12/15/16781222/trump-racism-economic-anxiety-study" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">aqui</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[5]</strong> ver <a class="urlextern" title="https://www.poder360.com.br/internacional/trump-jamais-e-hitler-leia-o-que-j-d-vance-ja-disse-do-republicano/" href="https://www.poder360.com.br/internacional/trump-jamais-e-hitler-leia-o-que-j-d-vance-ja-disse-do-republicano/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">aqui</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[6]</strong> ver <a class="urlextern" title="https://www.kenklippenstein.com/p/21-secret-ice-programs-revealed" href="https://www.kenklippenstein.com/p/21-secret-ice-programs-revealed" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">aqui</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[7]</strong> ver <a class="urlextern" title="https://www.theguardian.com/us-news/2025/dec/22/ice-detentions-record-immigration" href="https://www.theguardian.com/us-news/2025/dec/22/ice-detentions-record-immigration" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">aqui</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[8]</strong> ver <a class="urlextern" title="https://www.theguardian.com/us-news/ng-interactive/2026/jan/04/ice-2025-deaths-timeline" href="https://www.theguardian.com/us-news/ng-interactive/2026/jan/04/ice-2025-deaths-timeline" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">aqui</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[9]</strong> ver <a class="urlextern" title="https://www.sdnewswatch.org/fact-brief-ice-native-americans-detained-minneapolis/" href="https://www.sdnewswatch.org/fact-brief-ice-native-americans-detained-minneapolis/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">aqui</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[10]</strong> ver <a class="urlextern" title="https://www.youtube.com/watch?v=CYesjIgCDys" href="https://www.youtube.com/watch?v=CYesjIgCDys" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">aqui</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[11]</strong> ver <a class="urlextern" title="https://www.kpbs.org/news/border-immigration/2025/09/22/experts-concerned-about-white-nationalist-imagery-in-ice-recruitment-materials" href="https://www.kpbs.org/news/border-immigration/2025/09/22/experts-concerned-about-white-nationalist-imagery-in-ice-recruitment-materials" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">aqui</a>; e <a class="urlextern" title="https://www.throughline.news/p/the-white-supremacist-regime?utm_source=post-email-title&amp;publication_id=9349&amp;post_id=184637464&amp;utm_campaign=email-post-title&amp;isFreemail=false&amp;r=8aroa&amp;triedRedirect=true&amp;utm_medium=email" href="https://www.throughline.news/p/the-white-supremacist-regime?utm_source=post-email-title&amp;publication_id=9349&amp;post_id=184637464&amp;utm_campaign=email-post-title&amp;isFreemail=false&amp;r=8aroa&amp;triedRedirect=true&amp;utm_medium=email" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">aqui</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[12]</strong> ver <a class="urlextern" title="https://www.theguardian.com/us-news/2026/jan/14/trump-administration-white-supremacist-language" href="https://www.theguardian.com/us-news/2026/jan/14/trump-administration-white-supremacist-language" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">aqui</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[13]</strong> ver <a class="urlextern" title="https://www.youtube.com/watch?v=sl7vb1-gw5U&amp;pp=ygUVc2VjdWxhciB0YWxrIHBhbGFudGly" href="https://www.youtube.com/watch?v=sl7vb1-gw5U&amp;pp=ygUVc2VjdWxhciB0YWxrIHBhbGFudGly" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">aqui</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[14]</strong> ver <a class="urlextern" title="https://www.braziliantimes.com/destaque-1/trump-suspende-batidas-do-ice-em-restaurantes-hoteis-e-fazendas/" href="https://www.braziliantimes.com/destaque-1/trump-suspende-batidas-do-ice-em-restaurantes-hoteis-e-fazendas/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">aqui</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[15]</strong> ver <a class="urlextern" title="https://www.haaretz.com/2011-08-26/ty-article/lebensraum-as-a-justification-for-israeli-settlements/0000017f-e6ef-dea7-adff-f7ffc0bd0000" href="https://www.haaretz.com/2011-08-26/ty-article/lebensraum-as-a-justification-for-israeli-settlements/0000017f-e6ef-dea7-adff-f7ffc0bd0000" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">aqui</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[16]</strong> ver <a class="urlextern" title="https://www.youtube.com/watch?v=-yKSgM0G1xQ" href="https://www.youtube.com/watch?v=-yKSgM0G1xQ" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">aqui</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[17]</strong> ver <a class="urlextern" title="https://www.youtube.com/watch?v=8g1tu-XgdhE" href="https://www.youtube.com/watch?v=8g1tu-XgdhE" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">aqui</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[18]</strong> ver <a class="urlextern" title="https://www.facebook.com/grant.boulanger/posts/pfbid09Upd66NjhnVC5FndY9KmxnWvoge3QSD8wqgJNPqVa54Q2zdVGx31HhpDyTeuaF1Fl?__cft__%5b0%5d=AZabVXiAUGYYAmXl0fKb9wzVa_jOAF-Kpd0OBHFOaO596lknHOAxzB2CCaPbLmrLZLLDqBlSkEGDAFrffpyJ3OTFcUutDmvxJfv5BW1TK3iUH7QFzJ4W7cN-V1Mf3HIlQ2w&amp;__tn__=%2CO%2CP-R" href="https://www.facebook.com/grant.boulanger/posts/pfbid09Upd66NjhnVC5FndY9KmxnWvoge3QSD8wqgJNPqVa54Q2zdVGx31HhpDyTeuaF1Fl?__cft__%5b0%5d=AZabVXiAUGYYAmXl0fKb9wzVa_jOAF-Kpd0OBHFOaO596lknHOAxzB2CCaPbLmrLZLLDqBlSkEGDAFrffpyJ3OTFcUutDmvxJfv5BW1TK3iUH7QFzJ4W7cN-V1Mf3HIlQ2w&amp;__tn__=%2CO%2CP-R" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">aqui</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[19]</strong> ver <a class="urlextern" title="https://www.youtube.com/watch?v=_5afBDwASyE" href="https://www.youtube.com/watch?v=_5afBDwASyE" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">aqui</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[20]</strong> ver <a class="urlextern" title="https://today.yougov.com/politics/articles/53892-after-the-shooting-in-minneapolis-majorities-of-americans-view-ice-unfavorably-and-support-major-changes-to-the-agency" href="https://today.yougov.com/politics/articles/53892-after-the-shooting-in-minneapolis-majorities-of-americans-view-ice-unfavorably-and-support-major-changes-to-the-agency" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">aqui</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[21]</strong> ver <a class="urlextern" title="https://paydayreport.com/over-700-minnesota-businesses-closed-300-solidarity-actions-nationwide/" href="https://paydayreport.com/over-700-minnesota-businesses-closed-300-solidarity-actions-nationwide/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">aqui</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[22]</strong> ver <a class="urlextern" title="https://calmatters.org/justice/2025/10/trump-cancels-san-francisco-immigration-surge/" href="https://calmatters.org/justice/2025/10/trump-cancels-san-francisco-immigration-surge/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">aqui</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[23]</strong> ver <a class="urlextern" title="https://www.kron4.com/news/technology-ai/silicon-valley-tech-workers-call-on-their-ceos-to-pressure-trump-over-ice/" href="https://www.kron4.com/news/technology-ai/silicon-valley-tech-workers-call-on-their-ceos-to-pressure-trump-over-ice/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">aqui</a></p>
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		<title>Mamãe gênio da raça</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 Aug 2025 08:18:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Flagrantes Delitos]]></category>
		<category><![CDATA[Ensino]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo]]></category>
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					<description><![CDATA[Roda de conversa no curso de Ciências Sociais. A ideia era que cada aluno dissesse seu nome e um autor que lhes fosse caro. Nisso surgiram Michel Foucault, Karl Marx, Walter Benjamin e outros mais. Chega então a vez da aluna militante do movimento negro: “Não leio nenhum desses autores europeus, a única autora que [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Roda de conversa no curso de Ciências Sociais. A ideia era que cada aluno dissesse seu nome e um autor que lhes fosse caro. Nisso surgiram Michel Foucault, Karl Marx, Walter Benjamin e outros mais. Chega então a vez da aluna militante do movimento negro: “Não leio nenhum desses autores europeus, a única autora que escuto é minha mãe.” Meses depois a aluna compartilhava sua aprovação para um curso em Harvard. <strong>Passa Palavra</strong></p>
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		<title>Velha Toupeira (21)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Sep 2024 08:51:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cartoons]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo]]></category>
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					<description><![CDATA[]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-154379" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/08/VT021-RACISMO-E-XENOFOBIA.jpg" alt="" width="2362" height="787" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/08/VT021-RACISMO-E-XENOFOBIA.jpg 2362w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/08/VT021-RACISMO-E-XENOFOBIA-300x100.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/08/VT021-RACISMO-E-XENOFOBIA-1024x341.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/08/VT021-RACISMO-E-XENOFOBIA-768x256.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/08/VT021-RACISMO-E-XENOFOBIA-1536x512.jpg 1536w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/08/VT021-RACISMO-E-XENOFOBIA-2048x682.jpg 2048w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/08/VT021-RACISMO-E-XENOFOBIA-1261x420.jpg 1261w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/08/VT021-RACISMO-E-XENOFOBIA-640x213.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/08/VT021-RACISMO-E-XENOFOBIA-681x227.jpg 681w" sizes="(max-width: 2362px) 100vw, 2362px" /></p>
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		<title>Lance normal (2)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 Jul 2024 05:07:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Flagrantes Delitos]]></category>
		<category><![CDATA[Desporto/esporte]]></category>
		<category><![CDATA[Govs_nacionais_e_internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Nacionalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo]]></category>
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					<description><![CDATA[O presidente da Argentina, Javier Milei, demitiu o subsecretário de Esportes do país, Julio Garro, após este haver cobrado um pedido de desculpas da seleção pelos cânticos racistas entoados pelos jogadores após a vitória da Copa América. “Nenhum governo pode dizer o que comentar, o que pensar ou o que fazer à Seleção Argentina, Campeã [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O presidente da Argentina, Javier Milei, demitiu o subsecretário de Esportes do país, Julio Garro, após este haver cobrado um pedido de desculpas da seleção pelos cânticos racistas entoados pelos jogadores após a vitória da Copa América. “Nenhum governo pode dizer o que comentar, o que pensar ou o que fazer à Seleção Argentina, Campeã Mundial e Bicampeã da América”, diz a nota do governo argentino. <strong>Passa Palavra</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Lance normal (1)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Jul 2024 05:00:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Flagrantes Delitos]]></category>
		<category><![CDATA[Desporto/esporte]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo]]></category>
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					<description><![CDATA[Diante da repercussão do vídeo da seleção argentina entoando cânticos racistas contra a seleção francesa, após a vitória na Copa América, a vice-presidente do país, Victoria Villarruel, defendeu os jogadores: “nenhum país colonialista vai nos intimidar por um cântico de torcida ou por dizermos verdades que não querem admitir. Parem de fingir indignação, hipócritas”. Passa [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Diante da repercussão do vídeo da seleção argentina entoando cânticos racistas contra a seleção francesa, após a vitória na Copa América, a vice-presidente do país, Victoria Villarruel, defendeu os jogadores: “nenhum país colonialista vai nos intimidar por um cântico de torcida ou por dizermos verdades que não querem admitir. Parem de fingir indignação, hipócritas”. <strong>Passa Palavra</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Carta Aberta da Companhia Antropofágica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enzo Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 06 Jul 2024 16:08:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Achados & Perdidos]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo]]></category>
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					<description><![CDATA[Houve, sim, um mal-entendido. Sempre há… Mas ele, ao contrário do que se poderia pensar, não desmente supostas atitudes racistas; ao contrário, as revela. Por Companhia Antropofágica]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Companhia Antropofágica</h3>
<div class="level3">
<p style="text-align: justify;"><strong>Notas e ruídos da sinfonia racista: cenas inverossímeis do real</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quem tomasse contato com um relato fidedigno acerca do ocorrido no palco do Teatro Sérgio Cardoso, na cerimônia de entrega dos troféus aos melhores da APCA (Associação Paulista de Críticos Teatrais) de 2023, na última terça-feira, 02 de julho, poderia facilmente dizer: isso não pode ter sido assim, é muito caricato… a realidade, contudo, já há algum tempo, tem desbancado a ficção, por seu caráter absurdamente explícito e explicitamente absurdo. Por isso, e infelizmente, proliferam narrativas as mais estapafúrdias, mas tendem a emplacar somente aquelas que corroboram com o <em>status</em> <em>quo</em>, veiculadas pela grande mídia, e que confirmam o senso comum (hegemônico), independentemente da sua veracidade. Neste caso, a narrativa ideológica de que estamos diante de um grande “mal-entendido”, de “uma coisa tão boba”, já que “não haveria motivo para (…) constranger ninguém”, para citar as palavras de um dos envolvidos. Em suma, a de que a “acusação de racismo” seria “inaceitável”, uma vez que não haveria espaço para racistas em um evento que “defende direitos iguais para todos”, como consta em um “comunicado” feito pelos organizadores da premiação.</p>
<p style="text-align: justify;">Nós, da Companhia Antropofágica, nos sentimos na obrigação de vir a público opor a essa versão dos fatos — oficial e falsa — uma outra, nossa. Não se trata de uma narrativa alternativa, mas antes de uma crítica sobre nossa condição cotidiana, enquanto país, no que diz respeito à maneira como pessoas racializadas são tratadas. Ela se fará em dois momentos distintos, complementares e necessários, em cuja dialética apostamos. Primeiro, um relato reflexivo ao qual se segue um ensaio.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Parte</strong> <strong>1</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>“Ao chegar ao Teatro, nos reunimos para ver o texto de agradecimento que leríamos</em> <em>juntos ao receber o prêmio. Um dos integrantes nos explicou o protocolo do evento que</em> <em>havia</em> <em>sido</em> <em>enviado</em> <em>pela</em> <em>produção</em> <em>do</em> <em>prêmio</em> <em>por</em> <em>e-mail:</em> <em>“vamos</em> <em>receber</em> <em>a</em> <em>estatueta</em> <em>no</em> <em>palco</em> <em>e</em> <em>devolver</em> <em>na</em> <em>coxia”.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>O teatro foi a última categoria a receber a premiação, e nós fomos o último grupo a</em> <em>fazer os agradecimentos. Subimos todos, no espírito de coletividade, 32 pessoas no palco,</em> <em>só</em> <em>da</em> <em>Antropofágica.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Eu estava atrás, ao lado direito, perto da coxia. Um integrante da Antropofágica</em> <em>estava ao meu lado com uma das duas ou três estatuetas que estavam passando de mão</em> <em>em mão. Pedi a estatueta para tirar uma foto. Tirei três fotos, e a bateria do meu celular</em> <em>acabou. Eu tinha um carregador na minha bolsa. Devolvi a estatueta, tirei a bolsa do ombro,</em> <em>abri-a, pluguei o carregador no celular, coloquei o celular na bolsa, fechei e devolvi a bolsa</em> <em>ao</em> <em>ombro.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Um momento depois, alguém me chamou do lado do palco — não reconheci quem</em> <em>era. Ele me explicou que era preciso devolver a estatueta, que era cênica. Respondi a ele</em> <em>que eu já sabia disso, e que ele deveria ver com quem estava a estatueta, pois não estava</em> <em>comigo. Imediatamente ele apontou para alguém que estava atrás dele e disse: “ele me</em> <em>disse</em> <em>que</em> <em>você</em> <em>colocou</em> <em>o</em> <em>prêmio</em> <em>na</em> <em>bolsa”.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>O que eu poderia responder? Isso já havia sido dito… Se ele duvidava, só havia uma</em> <em>resposta</em> <em>possível,</em> <em>abrir</em> <em>minha</em> <em>bolsa</em> <em>e</em> <em>mostrar</em> <em>a</em> <em>ele</em> <em>que</em> <em>meu</em> <em>gesto</em> <em>foi</em> <em>de</em> <em>guardar</em> <em>o</em> <em>celular</em> <em>e</em> <em>não</em> <em>a</em> <em>estatueta.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Ele empalideceu e me pediu mil desculpas. Eu fiquei constrangido por ter sido</em> <em>interpelado no palco, durante a entrega da premiação, e de estar me movimentando num</em> <em>momento</em> <em>em</em> <em>que deveria estar em silêncio respeitoso à fala dos outros colegas que</em> <em>agradeciam pelo prêmio, disse apenas a ele que não, eu não desculpava. Não tenho</em> <em>obrigação. Me recolhi e fiquei quieto, de costas para o sujeito, me controlando para não ficar</em> <em>triste</em> <em>ou</em> <em>com</em> <em>raiva,</em> <em>para</em> <em>não</em> <em>estragar</em> <em>a</em> <em>alegria</em> <em>dos</em> <em>meus</em> <em>amigos.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Um integrante da Antropofágica que viu tudo falou ali na hora com outros integrantes</em> <em>sobre o que acontecera, e o grupo decidiu se pronunciar ali mesmo. Lemos o texto que</em> <em>estava preparado, de nosso agradecimento. Devolvemos o prêmio, conforme o protocolo.</em> <em>Procurei o homem que me havia interpelado e não o encontrei em lugar nenhum. Ele</em> <em>sumira.”</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Parte</strong> <strong>2</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não faz muito tempo uma furadeira foi <em>confundida </em>com uma arma; pouco tempo depois foi a vez de um guarda-chuva <em>ser tomado </em>por fuzil; recentemente, um pedaço de madeira e até mesmo um saco de pipoca <em>ludibriaram </em>as forças policiais — todos esses <em>equívocos</em> culminaram na morte de pessoas negras; naqueles já julgados pelo poder público, os assassinos foram inocentados. A lista dos ditos “ruídos” é tão extensa que seria o caso de se perguntar se tais erros de interpretação não são a regra, mais do que a exceção.</p>
<p style="text-align: justify;">Cumpre, nesse sentido, explicitar o óbvio: houve, sim, um mal-entendido. Sempre há… Mas ele, ao contrário do que se poderia pensar, não desmente supostas atitudes racistas; ao contrário, as revela. Em um país em que o mito da miscigenação foi durante tanto tempo a forma pela qual as relações raciais foram entendidas, é somente naquilo que escapa à razão, naquilo que dribla as boas intenções, que podemos encontrar a realidade que tanto se tenta esconder. Para sondar o insondável, para chegar ao recalcado, precisamos de um olhar mais sensível, atento aos detalhes e disposto a fazer perguntas, mais do que a dar respostas. Mas precisamos também de fatos, não de suas versões distorcidas e interessadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Por que a abordagem se deu <em>durante</em> a entrega do prêmio, e não <em>depois</em> dela?</p>
<p style="text-align: justify;">Não passou pela cabeça dos bem-informados que privar um ator de ouvir os agradecimentos de seus colegas, em nome de um suposto mal-entendido, seria, por si só, já um constrangimento?</p>
<p style="text-align: justify;">Qual era o objetivo dos bem-intencionados ao não se satisfazerem com a resposta, dada pelo ator e omitida até agora, de que o prêmio não estaria com ele, se não forçá-lo a uma revista disfarçada e aparentemente voluntária?</p>
<p style="text-align: justify;">Qual o sentido de compartilhar a informação de que alguém teria visto o troféu sendo colocado dentro da bolsa, se não forçá-lo a uma revista disfarçada e aparentemente voluntária?</p>
<p style="text-align: justify;">Por que um homem negro, no momento em que recebe um prêmio, abriria sua bolsa <em>voluntariamente</em>?</p>
<p style="text-align: justify;">Se tantas pessoas estavam mal-informadas em relação à natureza dos troféus, por que não informar a todos os presentes?</p>
<p style="text-align: justify;">Por que o homem que interpelou o ator e disse querer se desculpar não ficou para elucidar, ali na hora, o suposto “mal-entendido”?</p>
<p style="text-align: justify;">Não nos interessa, neste caso, cancelar ou linchar ninguém, nem pessoalizar os acontecimentos. Mas precisamos encarar a realidade: há várias recorrências em todos esses mal-entendidos, a primeira delas é certamente a imagem do negro como <em>suspeito</em> <em>padrão</em>, como aquele ser perigoso, sempre propenso a toda sorte de contravenção, aquele, ao fim e ao cabo, que precisa ser vigiado e cuja palavra não é confiável. Essa é uma imagem preconceituosa e racista, impregnada no inconsciente deste país e responsável pelas inúmeras violências a que estão sujeitos os mais vulneráveis no Brasil. Do enquadro em um espaço “sem seguranças” até o genocídio policial, a gramática é semelhante; diante da incerteza em relação a pessoas negras, não se deve hesitar: atira primeiro, pergunta quem é depois. Primeiro revista, depois se desculpa pela desconfiança. Os ditos mal-entendidos tendem, desse modo, a se resolver sempre em prejuízo das vítimas, e não de seus algozes.</p>
<p style="text-align: justify;">O fato de esse episódio ter se dado justamente em um espaço plural, cuja defesa aberta e necessária da diversidade se faz não só com palavras politicamente corretas, mas também com o reconhecimento genuíno daqueles que merecem estar representados nesse espaço, só prova o quanto estamos diante de uma questão estrutural.</p>
<p style="text-align: justify;">Diante disso, escrevemos esta carta como um ato antirracista; mais um entre tantos outros que vimos e recebemos de maneira solidária nos últimos três dias — e os quais gostaríamos de publicamente agradecer. Que não se restrinja à condenação de um ou outro indivíduo, mas que seja condenação inexorável do racismo estrutural. Que possamos propor, junto a outras coletividades, a outros movimentos sociais, a outros grupos de teatro, ações em que o racismo possa ser banido, junto com suas outras expressões congêneres. Convidamos, por fim, a todos aqueles que queiram se juntar a nós a fazer esta carta circular.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Saudações</strong> <strong>Antropofágicas</strong></p>
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		<title>A questão parda: uma resposta *</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Mar 2024 14:09:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ideias & Debates]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo]]></category>
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					<description><![CDATA[Tornar a mestiçagem uma “não-questão”, que ela seja apenas um fenômeno aberto da liberdade individual, nos faria enorme bem.  Por Wanderson Chaves]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;"><strong>Por Wanderson Chaves [1]</strong></h3>
<blockquote><p>Uma versão ligeiramente diferente deste artigo foi publicada no &#8220;<a href="https://aterraeredonda.com.br/a-questao-parda-uma-resposta/" target="_blank" rel="noopener">A TERRA É REDONDA</a>&#8220;</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Eberval Gadelha Figueiredo Jr., em seu “A questão parda”<strong>[2]</strong>, defende — a exemplo do que vem fazendo também a ativista e pesquisadora Beatriz Bueno, ambos, integrantes de uma tendência emergente — alguns temas do movimento da “parditude”. Há o levantamento de pautas relevantes e pendentes: poder e direitos aos não-brancos sub-representados, em particular, os descendentes de indígenas não “indianizados”; e as condições de realização — em mérito e critérios de julgamento — das comissões de heteroidentificação das bancas julgadoras de cotas raciais. A fundamentação dos argumentos, interessantes à primeira vista, porém, são problemáticos — e, é o que tento sugerir — para o desenvolvimento da própria luta antirracista.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-152121" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/03/dalton5.jpg" alt="" width="1906" height="2560" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/03/dalton5.jpg 1906w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/03/dalton5-223x300.jpg 223w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/03/dalton5-762x1024.jpg 762w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/03/dalton5-768x1032.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/03/dalton5-1144x1536.jpg 1144w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/03/dalton5-1525x2048.jpg 1525w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/03/dalton5-313x420.jpg 313w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/03/dalton5-640x860.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/03/dalton5-681x915.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 1906px) 100vw, 1906px" />Trata-se de um programa político. A opus <em>O povo brasileiro</em>, de Darcy Ribeiro, em suas belas formulações utópicas sobre uma civilização mestiça brasileira farol do mundo, é uma fonte de inspiração explícita. Dessa obra, também provém — na parte que interessa a este argumento — uma fragilidade argumentativa: as premissas analíticas são a de uma célebre visão de história comparada, na qual o Brasil se sobressai sempre como o antagonista (negativo ou positivo) da América. Um recuado e sugestivo antecedente dessa tendência remonta à escravidão nos dois países (e à disputa sobre seus legados). O debate bilateral neste tema geralmente atualiza uma conhecida tradição: Brasil e EUA se constroem como opostos, para, nessa operação, estabelecer — ou, principalmente propor e naturalizar — os princípios de sua própria identidade, e da formação da cidadania em seus países <strong>[3]</strong>. O argumento em jogo é o da superioridade moral, mas, Brasil e EUA nem sempre (infelizmente) são tão diferentes em matéria racial como se pressupõe ou desejaria. A declaração de Florestan Fernandes, em 1969, de que o Brasil logo estaria em plena posição de vantagem em relação aos EUA em termos de realização democrática; bastava, para isso, haver uma elevação na conscientização e politização racial dos brancos brasileiros, parece ser mais esperança que uma previsão material<strong>[4]</strong>: há indícios mais de diferenças de grau que de padrão separando os dois países<strong>[5]</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Quanto à Beatriz Bueno, no artigo “Impedidos de entrar em Wakanda” <strong>[6]</strong>, parece, à primeira observação, propor-se uma altercação, em que se questiona a hegemonia norte-americana no campo das ideias; porém, a sua argumentação contra a subsunção e apagamento do “pardo” é uma aplicação do “colorismo”, justamente, uma tendência estadunidense das últimas décadas. O que é chamado de “colorismo”, é bem verdade, é um tema antigo no Brasil, consagrado na nossa secular noção classificatória de “gradiente de cores”, na qual se catalogava e, por suposto, se hierarquizava uma infinidade de termos de raça, cor e origem. Esse gradiente, até muito recentemente, continha todo o repertório brasileiro de termos raciais, rico em formas que sublinhavam a nossa variedade de “mestiços” brancos, que, nessa grade de estratificação humana, formavam um afastamento do polo em que estavam os “mestiços” mais escuros. De fato, o movimento negro contemporâneo logrou uma transformação: em face a esse gradiente, subsumiu os “pardos” e aproximou-os do polo político negro <strong>[7]</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-152123" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/03/dalton2.jpeg" alt="" width="751" height="1024" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/03/dalton2.jpeg 751w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/03/dalton2-220x300.jpeg 220w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/03/dalton2-308x420.jpeg 308w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/03/dalton2-640x873.jpeg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/03/dalton2-681x929.jpeg 681w" sizes="auto, (max-width: 751px) 100vw, 751px" />Assim, parece haver pouca inovação na aplicação da perspectiva colorista ao Brasil. Em razão de um fato básico: ela chega direto ao coração de nossas profundas tradições. O colorismo recoloca a mestiçagem no centro ético-moral das nossas noções de vida comum e ambições culturais, transportando para a cena da vida privada, para a sexualidade e para a formação da família, o terreno de discussão de problemas de natureza pública, pendentes de solução. A promessa da mestiçagem seria harmonizar, na vida privada, o que na vida pública e social seria caos e conflito. Aliás, não há nada que a mestiçagem possa fazer contra o conflito constituinte da esfera pública que não seja lhe pacificar; postulação que sequer é uma proposta original brasileira, mas, entre tantos exemplos, a aposta do nacionalismo latino-americano em geral, cuja palavra de ordem (inclusive do seu racismo miscigenacionista), desde o século XIX, sempre foi pacificação <strong>[8]</strong>. Portanto, que conflitos se pretende pacificar?</p>
<p style="text-align: justify;">Minha impressão (quem sabe, de centavos) é de que se fala, nessa tradução do debate colorista, de ressentimento e rivalidade. Fala-se da indisponibilidade em disputar os sentidos da negritude, em compor-se na aliança a esse bloco político. E a razão mais forte — a partir do artigo de Beatriz Bueno, ao menos — é salvaguardar o conteúdo das alianças familiares dos lares “mestiços”; que essa vida da intimidade não seja destruída pelas contradições e imposições externas a ela, e, vislumbra-se, que os fundamentos ético-morais dessa ordem familiar “mestiça” e a ordem pública possam se harmonizar e se espelhar. Outra razão é a expectativa de que a superioridade demográfica “parda” sobre a dos “pretos” corresponda a possibilidades proporcionais de poder, liderança e direitos. Implicitamente, responde-se a um sentimento de humilhação, de se verem os “pardos” excluídos de algo que a eles também caberia, inclusive em termos de liderança e legitimidade, humilhação, aliás, que — para alguns — pareceria piorada porque não são excluídos por brancos, mas por negros.</p>
<p style="text-align: justify;">O antirracismo sofre dificuldades para tornar-se uma verdadeira filosofia de libertação. Fundamentalmente, não conseguiria sair do registro da resistência e vitimização e ingressar no da insurgência e da recriação do mundo. Até o momento, não fui convencido de que reintroduzir a miscigenação como tópico de luta antirracista nos enderece para esse novo caminho <strong>[9]</strong>. Aliás, tornar a mestiçagem uma “não-questão”, que ela seja apenas um fenômeno aberto da liberdade individual (o que não tem sido muito o caso na história da modernidade) e não uma espécie de graça redentora ou opróbio moral, nos faria enorme bem.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-152125" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/03/Alufa-Rufino-scaled-1.jpg" alt="" width="1848" height="2560" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/03/Alufa-Rufino-scaled-1.jpg 1848w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/03/Alufa-Rufino-scaled-1-217x300.jpg 217w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/03/Alufa-Rufino-scaled-1-739x1024.jpg 739w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/03/Alufa-Rufino-scaled-1-768x1064.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/03/Alufa-Rufino-scaled-1-1109x1536.jpg 1109w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/03/Alufa-Rufino-scaled-1-1478x2048.jpg 1478w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/03/Alufa-Rufino-scaled-1-303x420.jpg 303w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/03/Alufa-Rufino-scaled-1-640x887.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/03/Alufa-Rufino-scaled-1-681x943.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 1848px) 100vw, 1848px" /></strong></h4>
<p><em>As obras reporduzidas no artigo são da série Retratos Brasileiros, do artista Dalton Paula.</em></p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>Notas</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">* Este texto surgiu de uma sugestão de Nelson Job. Obviamente, as opiniões aqui expostas são exclusivamente minhas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1]</strong> Historiador, é autor de <em>A Questão Negra: a Fundação Ford e a Guerra Fria</em> (1950-1970), da editora Appris. Contato: wanderson_schaves@yahoo.com.br</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[2]</strong> In: <a class="urlextern" title="https://aterraeredonda.com.br/a-questao-parda/" href="https://aterraeredonda.com.br/a-questao-parda/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://aterraeredonda.com.br/a-questao-parda/</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[3]</strong> Ao longo dos últimos séculos, Brasil e EUA têm oscilado entre os polos do inferno e do paraíso racial, intercambiando-se. Para uma história das primeiras elaborações do Brasil como paraíso racial, no interior do abolicionismo internacional no século XIX, ver: AZEVEDO, Célia Maria Marinho de. <em>Abolicionismo – Estados Unidos e Brasil, uma história comparada</em>. São Paulo: Annablume, 2003. Nesse jogo de oposições, visões como a de Darcy Ribeiro encontram seu polo opositor na visão norte-americana de que o “norte” encarna as virtudes da civilização, do trabalho e da riqueza enquanto o sul do continente é o cemitério das democracias, esposada por Alexis de Tocqueville no clássico A Democracia na América, de 1835. Vide: CANCELLI, Elizabeth. O Brasil e os outros: o poder das ideias. Porto Alegre: ediPUCRS, 2012, p. 141.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[4]</strong> O sociólogo falava ao público anglófono: FERNANDES, Florestan. The Negro in Brazilian Society. New York: Columbia University Press, 1969, p. xvii-xviii.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[5]</strong> O antropólogo Peter Fry, um conhecido freyriano, faz uma avaliação contrária à clássica atribuição de Oracy Nogueira de um “racismo de marca” ao Brasil e um “racismo de origem” aos Estados Unidos — e, neste sentido, contra a opinião do próprio Gilberto Freyre sobre as diferenças entre os países. Para Fry, as relações sociais no Brasil seriam estruturadas mais na tensão entre duas taxonomias — a primeira sendo a do gradiente de cores e a segunda a da diferença binária entre brancos e negros, que na oposição entre elas. Para ele, algo semelhante poderia ser dito dos EUA, mas, com o privilégio da taxonomia binária. Vide: FRY, Peter. <em>A persistência da raça: ensaios antropológicos sobre o Brasil e a África Austral.</em> Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005, especialmente cap. 7. Certa historiografia estadunidense vai no sentido dessa observação, demonstrando ser pertinente a tensão (e volatilidade) entre estas taxonomias nos EUA desde o século XIX, ainda vigentes no século XXI. Vide: HODES, Martha. The Mercurial Nature and Abiding Power of Race: A Transnational Family Story. In: The American Historical Review, v. 108, nº. 1, 2003.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[6]</strong> BUENO, Beatriz e SAINT CLAIR, Ericson. <em>Impedidos de entrar em Wakanda – Reflexões sobre parditude, manifestações midiáticas e desafios de pertencimento.</em> Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, 44º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – VIRTUAL – 4 a 9/10/2021.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[7]</strong> Detalho essa transformação temática em: CHAVES, Wanderson. <em>Entre Mendel e Lamarck: o discurso acadêmico sobre raça e a polemica em torno do gradiente de cor.</em> Brasil (1990-2005). Dissertação de Mestrado. Brasília: UnB / CEPPAC, 2007.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[8]</strong> Sobre a nossa tradição de pensamento político, cheia de fortes paralelos com uma literatura novelesca e folhetinesca marcada pelo esforço de tradução de alianças sexuais e matrimoniais em expectativas de alianças sociais e de conciliação política, ver: SOMMER, Doris. <em>Ficções de fundação: os romances nacionais da América Latina.</em> Belo Horizonte: Editora UFMG, 2004. Muito próxima deste argumento está Mary-Louise Pratt, que demonstrou como na linguagem do romance literário se desenvolveu uma perspectiva sobre a mestiçagem dirigida especialmente aos “inassimilados”. Casamentos e uniões afetivas serviam à construção ficcional de um regime de reciprocidade social entre grupos antagônicos e desiguais. Vide: Os olhos do império: relatos de viagem e transculturação. Bauru: EDUSC, 1999, especialmente “Eros e Abolição”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[9]</strong> É conhecida a opinião freyriana de que a “mestiçagem” é um motor “desracializante” da sociedade. Peter Fry, por exemplo, levará essa ideia adiante e dirá que a mestiçagem, por essa razão, criaria o ambiente mais adequado à promoção das liberdades e direitos do liberalismo porque suscita o surgimento de indivíduos plenos (vide nota 5). Neste particular, sigo, na ausência de argumento mais convincente, a posição do historiador e filósofo Pierre-André Taguieff, para quem a miscigenação, alçada à condição de ideologia e filosofia política (e não apenas como uma qualidade descritiva da demografia humana) é uma potente força de racialização das sociedades. Vide: <em>The Force of Prejudice: On Racism and Its Doubles</em>. Minneapolis and London: University of Minnesota Press, 2001.</p>
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		<title>Mercado Iaô/Fábrica Cultural: empreendedorismo negro e economia criativa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Feb 2024 05:53:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artes]]></category>
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					<description><![CDATA[Por André Vargas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por André Vargas</h3>
<figure id="attachment_151775" aria-describedby="caption-attachment-151775" style="width: 1299px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-151775 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/02/Empreendedorismo-negro-1.jpg" alt="" width="1299" height="866" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/02/Empreendedorismo-negro-1.jpg 1299w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/02/Empreendedorismo-negro-1-300x200.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/02/Empreendedorismo-negro-1-1024x683.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/02/Empreendedorismo-negro-1-768x512.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/02/Empreendedorismo-negro-1-630x420.jpg 630w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/02/Empreendedorismo-negro-1-640x427.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/02/Empreendedorismo-negro-1-681x454.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 1299px) 100vw, 1299px" /><figcaption id="caption-attachment-151775" class="wp-caption-text">Ribeira, Salvador-BA</figcaption></figure>
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