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	<title>Repressão_e_liberdades &#8211; Passa Palavra</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>Carlos Liscano e a tortura</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Jul 2026 12:09:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ponto com nós]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão_e_liberdades]]></category>
		<category><![CDATA[Uruguai]]></category>
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					<description><![CDATA[O terror é “indizível”. Mas, de qualquer forma, é preciso dizer o que for possível. Por Jan Cenek]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Jan Cenek</h3>
<p style="text-align: justify;">Carlos Liscano (1949 – 2023) foi um escritor uruguaio que escreveu poemas, ensaios, contos, traduções, manuais de espanhol, matérias jornalísticas, peças de teatro e romances. Integrou o Movimento de Libertação Nacional &#8211; Tupamaros (MLN-T). Ficou encarcerado por treze anos (1972 &#8211; 1985). No cárcere da ditadura civil-militar uruguaia, se definiu como escritor e iniciou sua produção literária. Quando foi solto, para se sustentar como escritor, Liscano trabalhou como faxineiro e professor, entre outras ocupações. Mais que isso, aprofundou a separação entre o escritor (Carlos Liscano que escreve) e o outro (Carlos Liscano que sustenta o escritor). Daí o título de um dos seus livros: <em>El escritor y el otro </em><strong>[1]. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Foi publicada no Brasil uma coletânea <strong>[2]</strong> que reúne ensaios, em português e espanhol, sobre <em>El escritor y el otro</em>, mas o texto original não está disponível em português. Por considerar que pode interessar aos leitores do Passa Palavra devido à força e ao humanismo da reflexão, digitei trechos do texto em espanhol, traduzi o material utilizando o Google, revisei e ajustei a tradução cotejando-a com o original e com sentido do livro <em>El escritor y el otro</em>. No <a href="https://passapalavra.info/2026/06/159317/">mês passado</a>, publiquei trechos de Liscano relacionados à escrita.</p>
<p style="text-align: justify;">Para o próximo mês, preparei um ensaio que discute as ideias de Carlos Liscano (<em>Uno y el otro</em>) e Ernesto Sabato (<em>O escritor e seus fantasmas</em> <strong>[3]</strong>) sobre a escrita. Como registrei anteriormente, foi a semelhança entre os títulos que me chamou a atenção, inicialmente. Depois, fui percebendo diferenças entre ambos e resolvi escrever.</p>
<p style="text-align: justify;">Para este mês, compartilho trechos de Liscano sobre a tortura praticada pela ditadura civil-militar uruguaia. O próprio escritor registrou que uma parte da tortura é “indizível”, porque o terror é “indizível”. Mas, de qualquer forma, é preciso dizer o que for possível. Abaixo, em itálico, algumas palavras de Carlos Liscano sobre a tortura. A numeração é a mesma presente no livro <em>El escritor y el otro</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>18</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Vivi à margem da sociedade por muito tempo. Passei dois anos na Academia Militar e quatro anos na Força Aérea, o que é uma forma de viver à margem. Quando me deram baixa, após três meses na prisão, entrei para o ativismo clandestino por dois anos. Depois, treze anos na cadeia. Em seguida, dez anos e meio na Suécia. No total, vivi quase trinta anos à margem da sociedade uruguaia. Tenho amigos dentro e fora do Uruguai, mas não tenho nenhum amigo da adolescência, nenhum colega de classe. Por muitos anos, fui um viajante sedentário. Minha mente viajava, mas eu estava sempre preso ao mesmo lugar. Acho que isso me acostumou a viver mais no pensamento do que na realidade. Tenho uma grande capacidade de ficar sozinho. Não apenas sozinho: em solidão, sem ouvir música, sem atender o telefone, sem sequer existir. Não é o que busquei: é o que sou. Na solidão, no silêncio e na quietude: sou.</em><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>19 </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>A sensação de ser estrangeiro é sempre a mesma. Foi o que senti naquela noite de 14 de março de 1985, viajando por Montevidéu na van que levava homens para casa depois de saírem da prisão. Naquela época, eu não tinha casa, nem emprego, nem profissão, nem família.</em><em> </em><em>Eu ia escrever: “naquela época eu não tinha cara”, em vez de “não tinha casa”, minha mão me corrigiu a tempo. Mas seria uma boa definição daquele período. De tanto não ter nada, de tanto que me faltava: naquela noite eu não tinha nem cara.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>38</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Muito se escreveu sobre a repressão no Uruguai durante a última ditadura. Muito se escreveu e muito foi publicado. Parecia não haver nada “indizível” sobre o que ocorreu. Essa é a imagem que se tem. Eu também escrevi sobre o que passou. No entanto, o que se diz é o que está na superfície. Toda a violência, o medo, o terror, as humilhações, nunca serão ditos.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>É difícil falar da tortura porque ela é uma intimidade. É como a própria vida sexual, não há motivo para contá-la a não ser na intimidade ou na terapia. Fora desses momentos, é apenas obscenidade, exibicionismo, talvez doença. Na tortura há duas partes, dois corpos: o do torturado e o do carrasco. Esses corpos se enfrentam, se tocam, transmitem seus odores, as bocas gritam, há choro, gemido, insultos. O carrasco sente que o corpo do outro lhe pertence. E, porque lhe pertence, pode fazer o que quiser com ele. Nem sequer considera ruim que o corpo do outro lhe resista. É bom que o faça. Para isso ele está ali: para exigir a entrega. Se não há resistência, não há entrega.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>A mentira do torturado é, para o torturador, o falso orgasmo do sexo comprado. Quando o torturador descobre que o outro mentiu, se indigna. O torturado não se entregou, ou seja, não resistiu de verdade, em algum ponto cortou caminho, simulou a entrega. Então, tudo recomeça de onde havia parado, mas com mais rigor. Agora, a entrega deverá ser maior do que antes. Chega um momento em que é notório, mas intransmissível, que não é a entrega que o torturador busca – a declaração, a aceitação da culpa –, mas sim o jogo que conduz a ela, o confronto dos corpos. O torturador quer a resistência. Tanto é assim que despreza o prisioneiro que não resiste. Para o torturador, a boca fechada do prisioneiro é o símbolo do corpo que não pôde conseguir, apesar de seus esforços. Quando o tempo passa, o torturador não odeia quem não se entregou a ele. Não se entregou, mas lutou. Resta-lhe essa lembrança, e ele até o respeita. Talvez também o admire.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Tudo isso, claro, é uma reconstrução da minha cabeça trinta anos depois. Sei que “O furgão dos loucos” não disse tudo o que aconteceu. Pode ser por minha imperícia, mas há uma parte que é indizível. O terror é indizível: a perspectiva de que a tortura não tem tempo, que começa e não terminará nunca, que se pode ser torturado durante dias, semanas, meses&#8230; isso é indizível. A qualquer momento, cinco, seis, oito anos depois, podiam tirar um preso da cela para torturá-lo.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Uma noite me levaram à sala de tortura. Havia outro preso a quem eu não conhecia. Nem sequer pude vê-lo naquela noite. A diversão deles consistia em fazer com que um preso conseguisse quebrar o outro. Aquilo era a obscenidade maior. Era a violação do corpo outra vez, mas agora como espetáculo. À dor misturava-se o pudor, a vergonha, o estar obrigado a mostrar ao companheiro a própria debilidade e miséria. Não considerávamos que o desamparo fosse uma desculpa. Não sentíamos que estar encapuzado, algemado pelas costas, poderia mitigar a vergonha.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Passaram-se trinta anos daquela noite miserável. Há poucos dias estive na casa daquele companheiro, conheci sua mulher, seus netos. Compartilhou comigo sua mesa e em sua casa fiquei para dormir. Nestes anos, tínhamos falado duas vezes, rapidamente. Ninguém tocou no assunto, mas sei que aquela noite de 1972 esteve presente nas horas que passei na casa dele. Tivemos a sorte de transformar a antiga violação em irmandade. Porque aquela noite a tortura, pela primeira vez, não tinha sido solitária. Eu tinha sentido seu corpo arrebentado junto ao meu. Ele ouviu meus gritos. Não recordo detalhes, mas nós dois sabemos que não conseguiram nos fazer quebrar, não aconteceu o espetáculo que eles esperavam. Não sei como foi para ele, mas para mim foi a sua presença, a vergonha, o que me ajudou a não me entregar.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>Notas</strong></h4>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1]</strong> Carlos Liscano. <em>El escritor y el otro.</em> Montevideo: Editorial Planeta, 2016.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[2] </strong>Liliana Reales e Roberto Ferro (organizadores). <em>Carlos Liscano: ficções do eu e ficções do outro</em>. Florianópolis: Cultura e Barbárie, 2013.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[3]</strong> Ernesto Sabato. <em>O escritor e seus fantasmas.</em> Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1982.</p>
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		<title>A greve da USP e o anjo da história</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Jun 2026 13:39:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Ensino]]></category>
		<category><![CDATA[Greves]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão_e_liberdades]]></category>
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					<description><![CDATA[A greve deixou claro, para quem ainda tinha dúvidas, que o acesso ao mundo da elite não apenas não seria fácil, mas principalmente não seria possível nem politicamente desejável.  Por Isadora de Andrade Guerreiro ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Isadora de Andrade Guerreiro</h3>
<div class="preview" style="text-align: justify;">
<div class="pad">
<div class="level2">
<p>A USP passou neste primeiro semestre por uma de suas mais longas greves estudantis dos últimos anos, com 54 dias parados. Haveria muito o que dizer sobre ela, mas vou me deter apenas sobre um aspecto que creio relevante neste meu lugar de colunista de Cidades do Passa Palavra: a alteração na forma de uso das forças de repressão pelo Estado de São Paulo e suas consequências nas lutas, seja na organização popular, seja na estudantil. Tenho comentado sobre o assunto particularmente no que tange às favelas, mas veremos a seguir que os métodos de abordagem em territórios distintos parecem estar se aproximando.</p>
<p>Em especial, a forma de remoção da Favela do Moinho foi amplamente comentada por mim (<a class="urlextern" title="https://passapalavra.info/2025/04/156274/" href="https://passapalavra.info/2025/04/156274/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">aqui</a>, <a class="urlextern" title="https://passapalavra.info/2025/06/156760/" href="https://passapalavra.info/2025/06/156760/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">aqui</a>, <a class="urlextern" title="https://passapalavra.info/2025/09/157652/" href="https://passapalavra.info/2025/09/157652/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">aqui</a> e <a class="urlextern" title="https://passapalavra.info/2026/05/159159/" href="https://passapalavra.info/2026/05/159159/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">aqui</a>), mostrando ali uma articulação empresarial-militar específica, na qual a repressão é conformada em incursões armadas que espalham terror tanto indiscriminadamente, quanto de maneira direcionada quando se quer desbaratar núcleos dirigentes. O dispositivo é a criminalização generalizada, buscando relacionar narrativamente a organização popular ao tráfico de drogas, colocando o território, sua população e sua rede de apoio como parte do “ecossistema do crime”. O braço armado do Estado usado na forma de milícia aqui é relevante, bem como sua ampla aceitação pela sociedade, que dorme tranquila sabendo que a ordem do “cidadão de bem” está acima de qualquer direito humano.</p>
<p>Bem, eu já dizia ali que o sono não deveria ser tão tranquilo, já que o dispositivo de generalização indiscriminada do terror estava apenas em fase laboratorial, claro, no seu território preferencial, as favelas que atrapalham os circuitos de valorização. Como dispositivo político, no entanto, o pesadelo não tarda a chegar em territórios menos evidentes, como a Universidade de São Paulo. Na noite de 10 de maio, a mesma <a class="urlextern" title="https://www.andes.org.br/conteudos/noticia/em-acao-violenta-pM-invade-campus-da-uSP-para-acabar-com-ocupacao-da-reitoria1" href="https://www.andes.org.br/conteudos/noticia/em-acao-violenta-pM-invade-campus-da-uSP-para-acabar-com-ocupacao-da-reitoria1" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">polícia militar paulista invadiu violentamente o prédio da Reitoria</a> ocupado por estudantes em greve, que reivindicavam melhorias de <em>permanência</em>. As cenas de terror são estarrecedoras. Qualquer semelhança com a Favela do Moinho &#8211; cujos moradores reivindicavam melhorias urbanas e habitacionais para morar e trabalhar, ou seja, <em>permanecer</em> numa área privilegiada de São Paulo &#8211; não é mera coincidência.</p>
<p>Foi invasão pois, agindo como milícia, a polícia não realizou uma ação de reintegração de posse, autorizada por um juiz a partir de um mandado judicial requerido pela proprietária do prédio, como pede o rito democrático. Sem mandado algum, nem extrajudicial, a ação policial não tinha nenhuma relação administrativa com a USP, que pode inclusive inicialmente dizer oficialmente que “sem comunicação prévia à Reitoria, houve a desocupação do espaço público pela Polícia Militar”. No entanto, no mesmo comunicado, a Reitoria dizia que “informou sobre a ocupação à Secretaria de Segurança Pública (SSP), no mesmo dia do ocorrido (7/5), com vistas à adoção dos protocolos de proteção e de preservação da ordem de competência das autoridades policiais” &#8211; ou seja, lavando ao mãos quanto ao que poderia ser feito, se retirando de qualquer responsabilidade causada por uma ação certamente violenta.</p>
<p>O que é isso senão a contratação de um serviço miliciano oficial por uma elite universitária que não quer sujar as mãos? Por que a USP não se utilizou do amparo legal para realizar essa desocupação, pedindo a reintegração de posse? Estaria com medo de ser questionada na justiça sobre os motivos da ocupação estudantil? Por que uma ação política dos estudantes é respondida com violência estatal ilegal, sem nenhuma comissão de negociação, como sempre ocorreu em outras situações como esta e que certamente seriam requeridas pela justiça em situações de mediação? São perguntas que ficaram sem resposta.</p>
<p>A USP não queria mediação, não queria colocar em questão o fato de que não sabia mais o que fazer com estudantes aos quais não concederia mais nada. Aos quais queria impor uma derrota que os colocasse “no seu lugar”, aquele de receber passivamente as benesses desenhadas para transforma-los em… cidadãos de bem.</p>
<p>A culpa passou a dominar o debate político diante do silêncio atordoante dos gestores acadêmicos, que se colocam acima de qualquer necessidade de dar resposta à comunidade ou à sociedade. Com força crescente pelo apoio de setores docentes, os estudantes passaram a ser criminalizados pela gestão universitária por suas atitudes consideradas violentas. Quem diria. O trauma está instalado e, com ele, o ódio, sentimento novo entre docentes e estudantes e que se renova cotidianamente no retorno às aulas em pequenas ou grandes retaliações mais ou menos administrativas (notas, faltas…), mais ou menos explícitas ou violentas, mas nem um pouco racionais.</p>
<p>A semelhança com a remoção da Favela do Moinho não é mera coincidência também na medida em que se tratam de situações nas quais há uma população pobre e racializada, que carrega seus modos, experiências e necessidades de vida, instalada no seio do território das elites, resultado de lutas por acesso e <em>permanência</em>. Sim, pois essa greve &#8211; nas suas pautas e estratégias de luta &#8211; é um marco da transformação do corpo discente após a política de cotas. Texto muito revelador desta questão, escrito por estudantes da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design (FAU-USP), foi publicado <a class="urlextern" title="https://passapalavra.info/2026/05/159199/" href="https://passapalavra.info/2026/05/159199/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">aqui no Passa Palavra</a>.</p>
<p>Foi uma greve de enorme choque de diversas culturas políticas, para a qual a gestão universitária literalmente não estava preparada, não entende e, claro, não parava de julgar como “erradas” dentro de seus próprios parâmetros &#8211; e limites &#8211; históricos. Ora, não existe “errado” na política. Existem experiências, necessidades de vida e interesses divergentes em jogo, que entram em conflito. Se tais elementos não entram em jogo com o mesmo formato ou linguagem esperados pelas elites, como foram até então, entra-se em território desconhecido onde a barbárie parece estar autorizada, já que os velhos instrumentos não comportam uma reivindicação que, no limite, coloca em jogo a própria existência da Universidade como é conhecida.</p>
<p>Do lado do corpo estudantil, tais contradições vieram também à tona, pois a greve deixou claro, para quem ainda tinha dúvidas, que o acesso ao mundo da elite não apenas não seria fácil, mas principalmente não seria possível nem politicamente desejável: ao entrar no seu território, este corpo discente transforma-o. Por isso, percebeu que precisa assumir a tarefa política histórica de construir a nova forma universitária, que ainda não existe. Uma forma universitária que carregue uma verdade difícil para aqueles que achavam que tinham sido aceitos no paraíso: a de que este corpo estudantil faz parte da sociedade como sem-teto, como população em insegurança alimentar, no limite da saúde mental, tal qual aqueles fora dos muros. Estudante: lute como um sem-teto! É necessário articular lutas. É tarefa muito mais árdua, mas muito mais promissora, do que a reivindicação de acesso a uma forma que não comporta a sua existência. Isso ficou explícito na derrota que foi imposta violentamente ao corpo estudantil.</p>
<p>Derrota sim, é necessário assumir isso, assim como no caso da Favela do Moinho é necessário reiterar que as soluções habitacionais conquistadas não podem jamais ser consideradas uma vitória &#8211; o que seria assumir o discurso do seu algoz. No caso do movimento estudantil da USP, assumir a derrota, negando qualquer tipo de meia-vitória propagandeada pelos gestores docentes ou discentes, é ganhar a possibilidade de construir sua própria história, carregando consigo para o futuro a história dos vencidos, como diz Walter Benjamin (Teses sobre o conceito de história), e não aquela dos vencedores. Estes últimos são a classe dominante que, imbuída da noção de progresso, marcham adiante violentamente sem olhar para trás. Os vencidos devem olhar para trás e encarar seu próprio terror, pois apenas ele construirá a sua história. Segundo Benjamin, na Tese 9:</p>
<blockquote><p>Há um quadro de Klee que se chama Angelus Novus. Representa um anjo que parece querer afastar-se de algo que ele encara fixamente. Seus olhos estão escancarados, sua boca dilatada, suas asas abertas. O anjo da história deve ter esse aspecto. Seu rosto está dirigido para o passado. Onde nós vemos uma cadeia de acontecimentos, ele vê uma catástrofe única, que acumula incansavelmente ruína sobre ruína e as dispersa a nossos pés. Ele gostaria de deter-se para acordar os mortos e juntar os fragmentos. Mas uma tempestade sopra do paraíso e prende-se em suas asas com tanta força que ele não pode mais fechá-las. Essa tempestade o impele irresistivelmente para o futuro, ao qual ele vira as costas, enquanto o amontoado de ruínas cresce até o céu. Essa tempestade é o que chamamos progresso.</p></blockquote>
<p>Para criar uma nova Universidade, não guiada pela noção de progresso, será preciso não se identificar com o mundo dos vencedores, mas construir seus próprios caminhos entre as ruínas. Neste sentido, é necessário que mostrem o cinismo da célebre frase inscrita na Praça do Relógio do Campus da Capital da USP “No universo da cultura, o centro está em toda parte”. Que todas as partes são essas, constantemente tendo negadas as suas existências? Benjamin lembra, na Tese 7, para que nunca nos esqueçamos:</p>
<blockquote><p>(…) Todos os que até hoje venceram participam do cortejo triunfal, em que os dominadores de hoje espezinham os corpos dos que estão prostrados no chão. Os despojos são carregados no cortejo, como de praxe. Esses despojos são o que chamamos bens culturais. O materialista histórico os contempla com distanciamento. Pois todos os bens culturais que ele vê têm uma origem sobre a qual ele não pode refletir sem horror. Devem sua existência não somente ao esforço dos grandes génios que os criaram, como à corveia anônima dos seus contemporâneos. Nunca houve um monumento da cultura que não fosse também um monumento da barbárie. E, assim como a cultura não é isenta de barbárie, não o é, tampouco, o processo de transmissão da cultura. Por isso, na medida do possível, o materialista histórico se desvia dela. Considera sua tarefa escovar a história a contrapelo.</p></blockquote>
</div>
<div class="clearer"></div>
</div>
</div>
<div class="clearer" style="text-align: justify;"></div>
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		<title>Nota ao Comitê Nacional da LSR</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enzo Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jun 2026 11:55:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Movimentos em Luta]]></category>
		<category><![CDATA[Identitarismo]]></category>
		<category><![CDATA[Outras_lutas]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão_e_liberdades]]></category>
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					<description><![CDATA[O enfrentamento das opressões exige métodos coletivos, transparentes e emancipatórios, capazes de proteger as pessoas envolvidas sem reproduzir lógicas punitivistas, arbitrariedades ou mecanismos de destruição política de indivíduos. Por Militantes da Célula do Rio Grande do Sul (LSR)]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por Militantes da Célula do Rio Grande do Sul (LSR)</h3>
<p style="text-align: justify;">Nós, militantes da célula do Rio Grande do Sul, dirigimo-nos ao Comitê Nacional para manifestar nossa discordância em relação ao processo conduzido pela Comissão de Conduta responsável por apurar o caso envolvendo os camaradas FL e GA.</p>
<p style="text-align: justify;">Nossa divergência não se limita ao mérito da decisão tomada, mas diz respeito principalmente aos métodos políticos e organizativos empregados durante todo o processo. Entendemos que a forma como a questão foi conduzida revela problemas que extrapolam um caso específico e apontam para fragilidades democráticas que precisam ser debatidas por toda a organização.</p>
<p style="text-align: justify;">Em primeiro lugar, cabe recordar que o Congresso deliberou a construção de uma <em>Comissão de Conduta </em>justamente em razão de experiências anteriores vividas pela organização. Tratava-se de uma tarefa estratégica, destinada a estabelecer critérios claros, transparentes e coletivamente construídos para a mediação de conflitos, apuração de denúncias e proteção dos direitos políticos e individuais dos militantes.</p>
<p style="text-align: justify;">Entretanto, o trabalho deliberado pelo Congresso não foi concluído nos termos aprovados. A direção assumiu a condução do processo e indicou novos responsáveis para a tarefa, alterando, na prática, uma deliberação congressual sem amplo debate com a militância. Ainda que se considerasse necessária a constituição de uma nova comissão, entendemos que sua escolha deveria ter ocorrido pelos mesmos mecanismos democráticos utilizados anteriormente, com participação ampliada da militância, e não apenas por indicação do Comitê Nacional. Tal procedimento enfraquece o princípio da soberania das instâncias coletivas e cria precedentes preocupantes para a vida interna da organização.</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, observamos que o processo foi marcado por forte peso de percepções subjetivas, avaliações morais e pressões externas. <strong>Em vez de privilegiar critérios políticos claros, evidências verificáveis e garantias de contraditório</strong>, a condução da apuração parece ter sido influenciada por narrativas e interpretações que não puderam ser devidamente debatidas pelo conjunto da militância, tampouco contou com a escuta de testemunhas indicadas por ambos os lados.</p>
<p style="text-align: justify;">A crítica que apresentamos não significa minimizar denúncias ou desconsiderar a importância de combater qualquer forma de violência, abuso ou opressão. Pelo contrário. <strong>A tradição do feminismo marxista</strong><strong> </strong><strong>nos</strong><strong> </strong><strong>ensina</strong><strong> </strong><strong>que</strong><strong> </strong><strong>o</strong><strong> </strong><strong>enfrentamento</strong><strong> </strong><strong>das</strong><strong> </strong><strong>opressões</strong><strong> </strong><strong>exige métodos coletivos, transparentes e emancipatórios, capazes de proteger as pessoas envolvidas sem reproduzir lógicas punitivistas, arbitrariedades ou mecanismos de destruição política de indivíduos.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Uma organização revolucionária não pode substituir a investigação séria pelo julgamento moral, nem transformar conflitos complexos em processos simplistas. O combate às opressões e às violências deve caminhar junto à defesa da democracia operária, do direito de defesa, da presunção política de boa-fé e da construção coletiva da verdade.</p>
<p style="text-align: justify;">Também consideramos grave que o processo tenha desconsiderado elementos relacionados às condições emocionais e à saúde mental dos envolvidos. Uma organização que se reivindica socialista deve ser capaz de combinar firmeza política com solidariedade humana, especialmente diante de situações de sofrimento psíquico e vulnerabilidade. A responsabilização política não pode significar abandono, isolamento ou negação do dever coletivo de cuidado.</p>
<p style="text-align: justify;">Da mesma forma, preocupa-nos a ausência de uma reflexão crítica por parte da direção acerca de suas próprias responsabilidades na condução do caso. <strong>Ao</strong><strong> </strong><strong>concentrar</strong><strong> </strong><strong>a</strong><strong> </strong><strong>análise exclusivamente sobre indivíduos, corre-se o risco de obscurecer problemas estruturais, falhas de acompanhamento político e limitações dos mecanismos internos de mediação de conflitos.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Também nos parece insuficiente a reflexão realizada pela direção sobre as consequências políticas e organizativas do processo para a célula de Goiás. Durante um período prolongado, a célula viu-se submetida a forte pressão externa, ao mesmo tempo em que ficou privada da atuação de um de seus principais dirigentes e referências políticas. Diante dessa situação excepcional, consideramos legítimo questionar quais foram os encaminhamentos concretos adotados pelo Comitê Nacional para garantir acompanhamento político, sustentação organizativa e apoio aos militantes diretamente impactados pelos acontecimentos.</p>
<p style="text-align: justify;">Se o próprio CN reconhecia estar sobrecarregado pela complexidade da situação, cabe perguntar quais mecanismos foram acionados para suprir essa limitação. Houve solicitação formal de apoio à Internacional? A Internacional foi informada das dificuldades enfrentadas pelo Conselho Nacional para responder adequadamente às demandas políticas, organizativas e humanas decorrentes do caso? Caso tenha sido informada, quais medidas de apoio foram oferecidas? Caso não tenha sido, por que tal necessidade não foi apresentada?</p>
<p style="text-align: justify;">Essas questões não têm caráter secundário. Para uma organização marxista, a responsabilidade coletiva sobre seus quadros e organismos não pode ser substituída pela simples gestão administrativa de crises. Quando uma célula enfrenta pressões extraordinárias, cabe ao conjunto da organização mobilizar recursos políticos para sustentá-la, garantindo que seus militantes não sejam deixados isolados diante de conflitos que ultrapassam sua capacidade local de enfrentamento.</p>
<p style="text-align: justify;">Também entendemos que uma organização socialista não pode adotar uma postura abstrata de neutralidade diante de situações concretas. <strong>O método marxista exige uma análise materialista da realidade, capaz de compreender não apenas os fatos em si, mas também as relações de força, os interesses em disputa e as consequências objetivas produzidas por cada decisão política.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nesse sentido, consideramos insuficiente a reflexão apresentada pela direção acerca dos efeitos concretos que suas deliberações e comunicações públicas produzem na vida dos militantes envolvidos. Os camaradas atingidos pelo processo não eram figuras isoladas, mas quadros que, durante anos, assumiram tarefas de direção, exposição pública e defesa das posições da organização em diferentes espaços políticos e institucionais.</p>
<p style="text-align: justify;">Por essa razão, uma avaliação materialista da situação deveria considerar que acusações, sanções organizativas e notas públicas não produzem efeitos apenas no interior da organização, mas também repercutem em um contexto político mais amplo. Ignorar essa dimensão significa tratar como abstrata uma realidade profundamente concreta. Uma organização revolucionária deve ser capaz de avaliar como suas decisões podem ser apropriadas, amplificadas ou instrumentalizadas por forças externas, bem como os impactos que isso produz sobre seus militantes e sobre sua própria intervenção política.</p>
<p style="text-align: justify;">Consideramos igualmente problemática a forma como a organização apresentou à militância a saída da camarada BF. Em sua comunicação oficial, a direção afirmou que não teria havido debate suficiente sobre suas posições. Entretanto, ocorreram diversas instâncias de discussão, incluindo reuniões nacionais e internacionais, além da apresentação de um documento escrito no qual a camarada expôs de forma detalhada suas divergências políticas.</p>
<p style="text-align: justify;">Contudo, os motivos que fundamentaram sua decisão foram reduzidos ou apresentados de forma parcial, sendo resumidos a desacordos relacionados à questão da saúde mental, quando suas críticas abrangiam aspectos muito mais amplos da condução do processo, da ausência de respaldo aos próprios militantes da organização e da priorização de pressões externas em detrimento do debate interno, da responsabilidade coletiva e do cuidado político com seus quadros.</p>
<p style="text-align: justify;">A camarada BF relatou ter se sentido violentada politicamente e descredibilizada ao longo de todo o processo. Entendemos que apresentar publicamente os argumentos que contestam sua posição sem expor de maneira clara, completa e honesta as razões políticas por ela defendidas não constitui um tratamento respeitoso de sua trajetória militante.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O método marxista de construção política exige que as divergências sejam apresentadas em sua totalidade, permitindo que o conjunto da militância tenha acesso aos diferentes argumentos em disputa. Uma organização</strong><strong> </strong><strong>revolucionária</strong><strong> </strong><strong>deve confiar na capacidade política de sua base para analisar criticamente os debates, formular suas próprias conclusões e participar conscientemente da elaboração coletiva de sua linha política.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Também cabe ressaltar que o debate sobre feminismo marxista e seus desdobramentos organizativos não é um tema novo em nossa organização. Trata-se de uma discussão presente há pelo menos dois congressos e que envolve divergências políticas legítimas acerca da construção de uma perspectiva feminista de classe, dos métodos de combate às opressões e da forma como esses</strong><strong> </strong><strong>princípios devem orientar a vida interna da organização.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Em um desses congressos, justamente os militantes</strong><strong> </strong><strong>e</strong><strong> </strong><strong>dirigentes</strong><strong> </strong><strong>que</strong><strong> </strong><strong>posteriormente seriam os mais atingidos pelos acontecimentos recentes apresentaram</strong><strong> </strong><strong>propostas</strong><strong> </strong><strong>de acréscimo ao documento que orientava o debate sobre feminismo marxista. Na ocasião, fomos orientados pela direção nacional a retirar essas contribuições, sob a avaliação de que não seria o momento adequado para incorporá-las ao texto.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>No congresso seguinte, emergiu uma discussão acerca das contradições presentes em qualquer processo político que envolva conflitos, denúncias e disputas de interpretação</strong><strong> </strong><strong>da</strong><strong> </strong><strong>realidade.</strong><strong> </strong><strong>Entre</strong><strong> </strong><strong>os</strong><strong> </strong><strong>temas</strong><strong> </strong><strong>levantados</strong><strong> </strong><strong>estava</strong><strong> </strong><strong>a</strong><strong> </strong><strong>necessidade</strong><strong> </strong><strong>de</strong><strong> </strong><strong>refletir sobre a possibilidade de instrumentalização de pautas legítimas em conflitos</strong><strong> </strong><strong>políticos concretos. Embora reconheçamos que o debate ocorreu já ao final dos trabalhos congressuais, a orientação da direção foi no sentido de não aprofundar aquela discussão naquele momento.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Retomamos esse episódio não para questionar as circunstâncias em que tal</strong><strong> </strong><strong>decisão foi tomada, mas porque a experiência acumulada posteriormente demonstra que se tratava de um debate necessário. Os acontecimentos recentes evidenciam que a organização carece de uma elaboração mais aprofundada sobre a relação entre combate às opressões, democracia interna, garantias políticas e métodos de apuração de conflitos.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Do ponto de vista do feminismo marxista, essa reflexão é indispensável. A tradição marxista sempre rejeitou qualquer concepção idealizada dos sujeitos sociais. O materialismo histórico parte do entendimento de que todas</strong><strong> </strong><strong>as</strong><strong> </strong><strong>relações</strong><strong> </strong><strong>humanas</strong><strong> </strong><strong>são atravessadas por contradições, interesses, pressões sociais e determinações históricas concretas. A luta contra a opressão das mulheres não exige a suspensão da análise crítica da realidade, mas justamente o seu aprofundamento.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por essa</strong><strong> </strong><strong>razão,</strong><strong> </strong><strong>o</strong><strong> </strong><strong>feminismo</strong><strong> </strong><strong>marxista</strong><strong> </strong><strong>busca</strong><strong> </strong><strong>combater</strong><strong> </strong><strong>simultaneamente</strong><strong> </strong><strong>dois</strong><strong> </strong><strong>desvios: de um lado, a minimização ou negação das opressões efetivamente existentes; de outro, a substituição da análise concreta dos fatos por pressupostos abstratos</strong><strong> </strong><strong>acerca dos sujeitos envolvidos. A defesa intransigente das mulheres e das pessoas oprimidas não pode significar a renúncia aos métodos de investigação, ao contraditório, à avaliação das evidências e à compreensão das múltiplas determinações presentes em cada situação concreta.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Em nossa avaliação, a experiência recente</strong><strong> </strong><strong>demonstra</strong><strong> </strong><strong>a</strong><strong> </strong><strong>necessidade</strong><strong> </strong><strong>de</strong><strong> </strong><strong>retomar</strong><strong> </strong><strong>esse debate de forma mais</strong><strong> </strong><strong>profunda</strong><strong> </strong><strong>e</strong><strong> </strong><strong>sistemática.</strong><strong> </strong><strong>Não</strong><strong> </strong><strong>porque</strong><strong> </strong><strong>as</strong><strong> </strong><strong>opressões</strong><strong> </strong><strong>sejam</strong><strong> </strong><strong>menos reais ou menos importantes, mas justamente porque o enfrentamento consequente das opressões exige métodos políticos sólidos, democráticos e compatíveis com a tradição marxista de análise concreta da realidade concreta.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Por fim, consideramos importante registrar que o debate realizado em nossa célula ocorreu por iniciativa e insistência dos próprios militantes que a compõem, e não como resultado de uma orientação política da organização voltada a promover um amplo processo de discussão e elaboração coletiva sobre os acontecimentos. Entendemos que tal fato reforça nossa preocupação com os limites democráticos observados ao longo de todo o processo.</p>
<p style="text-align: justify;">Diante do conjunto desses acontecimentos, chegamos à conclusão de que a confiança política necessária para a continuidade de nossa construção militante encontra-se profundamente abalada. Uma organização revolucionária sustenta-se não apenas pela concordância programática, mas também pela confiança em seus métodos, em sua capacidade de ouvir posições divergentes e em sua disposição para realizar avaliações críticas de seus próprios erros.</p>
<p style="text-align: justify;">Em não encontrando ressonância junto a essa Direção Nacional, estamos nos afastando do quadro militante da LSR.</p>
<p style="text-align: justify;">Não descartamos a possibilidade de, no futuro, voltarmos a construir conjuntamente este projeto político. Contudo, entendemos que isso dependeria de uma reflexão crítica séria por parte da organização acerca dos problemas aqui apontados. No momento presente, não enxergamos condições concretas para a disputa de nosso posicionamento político no interior da organização. A experiência recente demonstra que, mesmo tendo ocupado responsabilidades nacionais e apresentado suas críticas em diversas instâncias formais de debate, a camarada BF não encontrou espaço efetivo para que suas posições fossem consideradas e respondidas politicamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Diante disso, reafirmamos nossa solidariedade aos camaradas atingidos pelo processo e nosso compromisso com a construção de uma organização socialista fundada na democracia interna, na transparência, na responsabilidade coletiva e na confiança política entre seus militantes.</p>
<p style="text-align: justify;">Atenciosamente CD, JB e MB.</p>
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		<title>Entretanto, em África&#8230;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Aníbal]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Jun 2026 12:59:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Flagrantes Delitos]]></category>
		<category><![CDATA[Govs_nacionais_e_internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Identitarismo]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão_e_liberdades]]></category>
		<category><![CDATA[Sexualidade]]></category>
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					<description><![CDATA[ «O parlamento do Gana aprovou um projeto de lei que torna ilegal declarar-se LGBT+ ou ter relações homossexuais. Também criminaliza ser “aliado” e torna obrigatória a denúncia de violações da lei. Um projeto de lei semelhante fora já aprovado em 2024, mas o então presidente, Nana Akufo-Addo, não o promulgou. O atual presidente, John Mahama, anunciara previamente que poderia decretar essa lei». (The Economist, The World in Brief, 30 de Maio de 2026) Passa Palavra]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">«O parlamento do Gana aprovou um projeto de lei que torna ilegal declarar-se LGBT+ ou ter relações homossexuais. Também criminaliza ser “aliado” e torna obrigatória a denúncia de violações da lei. Um projeto de lei semelhante fora já aprovado em 2024, mas o então presidente, Nana Akufo-Addo, não o promulgou. O atual presidente, John Mahama, anunciara previamente que poderia decretar essa lei». (<em>The Economist</em>, The World in Brief, 30 de Maio de 2026) <strong>Passa Palavra</strong></p>
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		<title>Ferramentas de controle parental (2)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enzo Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 May 2026 16:30:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cuidados digitais]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão_e_liberdades]]></category>
		<category><![CDATA[Vigilância]]></category>
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					<description><![CDATA[Por Marcelo Tavares de Santana Continuando nosso desafio de controle parental em dispositivos digitais, neste artigo trataremos desse tipo de recurso em ambientes Linux, portanto, um sistema operacional para computadores de mesa, portáteis e afins. O ecossistema Linux é muito diverso em distribuições, como Ubuntu e Fedora, e também em ambientes gráficos de trabalho, como [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por Marcelo Tavares de Santana</h3>
<p style="text-align: justify;">Continuando nosso desafio de controle parental em dispositivos digitais, neste artigo trataremos desse tipo de recurso em ambientes Linux, portanto, um sistema operacional para computadores de mesa, portáteis e afins. O ecossistema Linux é muito diverso em distribuições, como Ubuntu e Fedora, e também em ambientes gráficos de trabalho, como GNOME, KDE, XFCE, etc. Apesar da grande diversidade, há esforços em padronizar funcionalidades desses ambientes para facilitar, inclusive, compatibilidade entre eles e a usabilidade pelo usuário. No entanto, não foi encontrado um padrão comum de controle parental no universo Linux que funcionasse em qualquer ambiente e distribuição, mas há uma solução simples para isso que é instalar o ambiente gráfico com o controle parental que mais gostar. Na prática, significa que nossos filhos podem usar um ambiente gráfico diferente do nosso, por exemplo, podemos usar o ambiente KDE e para eles usamos o GNOME, pois a grande maioria das distribuições Linux permitem a instalação de mais de um ambiente gráfico. Portanto, se você uma Linux Mint com o ambiente Cinnamon, pode instalar outro ambiente para seu filho para o usuário dele.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse primeiro momento de controle parental no Linux, usaremos o ambiente GNOME e suas ferramentas como proposta, pois, apesar de ter não recursos comparáveis ao de soluções mais maduras (que recebem mais investimentos), é de simples instalação e utilização. Dessa forma, o uso de computador com Linux precisará também de diálogo e acordos de uso entre crianças e tutores, da mesma forma que precisa ser com qualquer dispositivo. Alguns podem pensar que seria melhor manter as crianças só usando<em> tablet</em> ou<em> smartphone</em>, mas conheço um caso de criança que foi alfabetizada com o Linux, usando jogos específicos para isso, e também há programas educacionais nas áreas de matemática, geografia, química e outros, que podem ser mais interessantes que os encontrados nesses equipamentos.</p>
<p style="text-align: justify;">Antes de tudo, seja qual for a distribuição Linux que alguém usa, será preciso estar numa versão atualizada e deverá procurar como instalar o ambiente GNOME Shell com o Controle Parental no teu computador. Em seguida, deverá criar um usuário padrão para a criança, portanto sem permissões de administração. Por exemplo, se for no Debian, via terminal como usuário <em>root</em>, o comando abaixo instala os aplicativos necessários:</p>
<p style="text-align: justify;"># apt install gnome-session gnome-software malcontent-gui</p>
<p style="text-align: justify;">O &#8216;gnome-session&#8217; é para instalar o ambiente gráfico de trabalho, o &#8216;gnome-software&#8217; é um instalador de aplicativos para o GNOME, e o &#8216;malcontent-gui&#8217; é a ferramenta de controle parental. O instalador também é chamado de “Programas”: nele pesquisamos por aplicativos instalados, novos aplicativos e também encontramos classificação indicativa de idade em vários programas; nem todo instalador de aplicativos possui essa classificação. Uma vez com tudo instalado, deve-se procurar a configuração chamada “Controle parental” no GNOME e selecionar as opções desejadas. Note que será necessário colocar a senha de um usuário administrador para desbloquear as configurações para o controle. A figura a seguir mostra, à esquerda, a tela de “Controle parental” para um usuário chamado &#8216;Criança&#8217;; se houver mais usuários não-administradores, esses também aparecerão nessa tela. Para criar usuários no GNOME, poderá ir na aplicativo “Configurações”, escolha “Sistema” e depois “Usuários”. À direita na figura é mostrada a tela de restrição de aplicativos, que é trabalhosa, pois é preciso escolher todos que deseja bloquear, normalmente a maioria, e deixar desabilitado somente os que forem permitidos; no exemplo, somente o jogo 2048 está permitido e, assim, no menu de aplicativos do ambiente da criança, só vai existir essa opção. Um jeito rápido de habilitar tudo é usar as teclas &#8216;Tab&#8217; e barra de espaço alternadamente para restringir tudo e depois tirar a restrição somente dos aplicativos permitidos.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-159251" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/1.png" alt="" width="724" height="555" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/1.png 724w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/1-300x230.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/1-548x420.png 548w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/1-80x60.png 80w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/1-640x491.png 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/1-681x522.png 681w" sizes="(max-width: 724px) 100vw, 724px" /></p>
<p style="text-align: justify;">Nesse momento, o melhor é restringir o uso de navegadores, pois permiti-los dá acesso a todos os conteúdos imagináveis na Web; assunto cujo controle parental será tratado num próximo artigo. Mais abaixo há as opções de restrição de instalação de programas, onde parece ser mais interessante deixar sempre restrito, pois assim qualquer programa novo a ser instalado precisará que um adulto participe dessa instalação. É importante sempre lembrar que, a cada novo aplicativo instalado, será necessário voltar nessa configuração e selecionar se ele será restrito ou não. Na primeira vez que a criança for usar seu usuário no computador, provavelmente um adulto deverá escolher para ela usar o ambiente GNOME, para que as restrições funcionem; o &#8216;malcontent&#8217; funciona parcialmente em outros ambientes gráficos, mas o melhor é usar o GNOME.</p>
<p style="text-align: justify;">No momento, o que dispomos nessa solução é só o controle de aplicativos, portanto, será necessário acordos de horários e limites de tempo para completar o controle. Existem soluções para Linux que permitem controle de tempo e de sites, mas são soluções separadas que exigem mais configurações e mais trabalho para manter; provavelmente uma boa conversa e acordos bem definidos supram a necessidade desses controles para um ambiente Linux. Com o tempo, novos recursos de controle parental devem aparecer, independente de existirem ou não investimentos no universo do Software Livre. De qualquer forma, as conversas entre crianças e adultos sempre deverão existir.</p>
<p style="text-align: justify;">Bom diálogo a todos!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Nota</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1]</strong> Professor de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico do Instituto Federal de São Paulo.</p>
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		<title>A última declaração de Zoe Rogers do Palestine Action perante o júri</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/05/159214/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 May 2026 10:58:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Palestina]]></category>
		<category><![CDATA[Reino Unido]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão_e_liberdades]]></category>
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					<description><![CDATA[Vocês podem achar estranho que o que está acontecendo na Palestina tenha passado completamente despercebido, podem ter notado certas palavras que foram censuradas, e que, até nossas declarações finais, a palavra genocídio não foi dita uma única vez. Por Leo Vinicius]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;"><strong>Por Leo Vinicius</strong></h3>
<p style="text-align: justify;">Em 6 de agosto de 2024, ativistas do <a class="urlextern" title="https://passapalavra.info/2025/07/156892/" href="https://passapalavra.info/2025/07/156892/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">Palestine Action</a> entraram na fábrica da Elbit em Filton, na Inglaterra, e destruíram equipamentos da concreta máquina de genocídio, como um carregamento de quadricópteros usados para matar a população em Gaza. A Elbit Systems é a maior empresa bélica israelense, e possui uma subsidiária no Brasil, <a class="urlextern" title="https://www.ael.com.br/" href="https://www.ael.com.br/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">chamada AEL</a>, com sede em Porto Alegre.</p>
<p style="text-align: justify;">Seis ativistas foram presos no local. Outros ligados a essa ação foram presos em novembro de 2024 e junho de 2025, totalizando 24, que ficaram conhecidos como os Filton24. É o primeiro caso na história da Grã Bretanha em que o Estado tenta considera a destruição de propriedade como terrorismo. Alguns ficaram presos 18 meses antes do julgamento, em condições e violações de direitos que fizeram muitos deles entrarem em greve de fome.</p>
<p style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-159216" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/palestine-action-uk.jpg" alt="" width="1536" height="1024" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/palestine-action-uk.jpg 1536w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/palestine-action-uk-300x200.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/palestine-action-uk-1024x683.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/palestine-action-uk-768x512.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/palestine-action-uk-630x420.jpg 630w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/palestine-action-uk-640x427.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/palestine-action-uk-681x454.jpg 681w" sizes="(max-width: 1536px) 100vw, 1536px" />Em fevereiro de 2026 os seis primeiros ativistas foram julgados, e não foram condenados pelos jurados em nenhuma das acusações, sendo libertados. Dos 24, apenas um não foi solto. Porém, não satisfeito com o resultado, o Estado obrigou que eles fossem novamente julgados. Um novo julgamento com uma série de <a class="urlextern" title="https://thegrayzone.com/2026/04/12/uk-jail-palestine-action-terrorism-uk/" href="https://thegrayzone.com/2026/04/12/uk-jail-palestine-action-terrorism-uk/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">violações de direitos que a imprensa britânica foi proibida de divulgar</a>, como, por exemplo, os jurados não serem informados de que os réus estão sendo acusados de terrorismo e a imprensa britânica proibida de noticiar isso por ordem judicial.</p>
<p style="text-align: justify;">Trata-se de uma de uma série de ações estatais para criminalizar e impedir ações e movimentos contra o genocídio e o apartheid na Palestina. A proscrição do Palestine Action como grupo terrorista, que levou milhares de britânicos a serem presos por terrorismo por se manifestarem contra essa proscrição expressando apoio verbal ao Palestine Action, foi uma dessas ações estatais. A tentativa atual pelo Estado e por grande parte da imprensa burguesa de proibir passeatas contra o genocídio cometido por Israel é outra. Acabar com julgamentos de júri para a maioria dos processos penais também está em pauta. Ora, as pessoas comuns que formam os júris normalmente compreendem as motivações dos ativistas e empatizam com seus objetivos. Por isso também no novo julgamento dos 6 de Filton foi proibido que os acusados se defendessem propriamente, explicando aos jurados suas motivações por trás da ação.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 5 de maio de 2026, saiu o resultado do novo julgamento. Charlotte Head, Samuel Corner, Leona Kamio e Fatema Rajwani foram considerados culpados por destruição de propriedade. Zoe Rogers e Jordan Devlin foram inocentados. Samuel Corner também foi condenado por lesão corporal grave contra um policial. No momento em que escrevo as penas ainda não foram proferidas.</p>
<p style="text-align: justify;">Até mesmo nos seus discursos finais aos jurados, os ativistas foram <a class="urlextern" title="https://thegrayzone.com/2026/04/29/uk-palestine-action-defendants-terror/" href="https://thegrayzone.com/2026/04/29/uk-palestine-action-defendants-terror/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">proibidos pelo juiz de falar aos jurados sobre o princípio da equidade do júri</a>, isto é, o princípio de que os jurados podem absolver um réu a partir de suas consciências, mesmo que seja provado que ele fez algo ilegal.<img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-159217" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/5b88e320-5760-11f0-9ba9-9f966e2be36f-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1440" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/5b88e320-5760-11f0-9ba9-9f966e2be36f-scaled.jpg 2560w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/5b88e320-5760-11f0-9ba9-9f966e2be36f-300x169.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/5b88e320-5760-11f0-9ba9-9f966e2be36f-1024x576.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/5b88e320-5760-11f0-9ba9-9f966e2be36f-768x432.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/5b88e320-5760-11f0-9ba9-9f966e2be36f-1536x864.jpg 1536w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/5b88e320-5760-11f0-9ba9-9f966e2be36f-2048x1152.jpg 2048w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/5b88e320-5760-11f0-9ba9-9f966e2be36f-747x420.jpg 747w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/5b88e320-5760-11f0-9ba9-9f966e2be36f-640x360.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/5b88e320-5760-11f0-9ba9-9f966e2be36f-681x383.jpg 681w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /></p>
<p style="text-align: justify;">Abaixo, segue a <a class="urlextern" title="https://filtonactionists.com/zoes-closing-speech/" href="https://filtonactionists.com/zoes-closing-speech/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">última declaração de Zoe Rogers diante do júri</a> em 29 de abril de 2026:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">“Como vocês provavelmente já perceberam, decidi me representar neste julgamento. Não porque minha advogada estivesse fazendo um trabalho ruim ou algo do tipo &#8211; na verdade, nos tornamos amigas próximas &#8211; e estou sempre dizendo aos outros que tenho a melhor advogada. Sou muito grata por tudo o que ela fez por mim, neste julgamento e no anterior. Mas desta vez eu queria poder falar com vocês pessoalmente.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante este julgamento, vocês ouviram algumas evidências muito importantes. Ouviram que existem fábricas em solo britânico produzindo armas para enviar a Israel. Ouviram que os drones que eles fabricam incluem quadricópteros Thor VTOL usados ​​para lançar granadas, drones que são anunciados como “testados em combate” contra palestinos. Ouviram que drones usam inteligência artificial para alvejar crianças, que drones de vigilância Magni X funcionam em conjunto com “drones assassinos” e que a Pesquisa &amp; Desenvolvimento realizada no Reino Unido é vital para as forças armadas israelenses. Vocês também já devem ter ouvido falar que a unidade de Filton foi inaugurada pelo embaixador israelense, que possui licenças de exportação para Israel e que a própria Elbit é a “espinha dorsal” das forças armadas israelenses.</p>
<p style="text-align: justify;">Vocês ouviram como tentamos todos os meios democráticos disponíveis, incluindo manifestações, arrecadação de fundos, acampamentos, petições, cartas para parlamentares, adesivos com informações da Anistia Internacional sobre o apartheid, vigílias, piquetes em fábricas de armas, e a lista continua. E como nada disso funcionou. Vocês ouviram como a ação direta é eficaz, como ela pôs fim ao apartheid durante o movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos, como ela está sendo usada hoje no Reino Unido para fechar fábricas de armas, quatro das quais foram fechadas permanentemente.</p>
<p style="text-align: justify;">Vocês ouviram que, depois de destruirmos esses drones, fomos presos por terrorismo &#8211; mantidos incomunicáveis ​​- e passamos 18 meses na prisão sem julgamento. Vocês ouviram que este é um novo julgamento.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois de ouvir o depoimento de nós seis, vocês podem achar estranho que o que está acontecendo na Palestina tenha passado completamente despercebido, podem ter notado certas palavras que foram censuradas, e que, até nossas declarações finais, a palavra genocídio não foi dita uma única vez. Houve interrupções por parte da acusação, mudanças repentinas de assunto por parte dos nossos advogados &#8211; é quase como se tópicos inteiros de conversa tivessem sido proibidos. A acusação sabe muito bem que estamos certos ao afirmar que essa fábrica está fornecendo armas a Israel para serem usadas em Gaza. É por isso que eles estão optando por suprimir essa informação em vez de contestá-la. A acusação decidiu que a legalidade das ações de Israel é irrelevante neste julgamento. Porque eles sabem que vocês não poderiam, em sã consciência, nos considerar culpados de nada se tivessem a oportunidade de ouvir toda a verdade.</p>
<p style="text-align: justify;">Para nos considerar culpados de dano criminal, é preciso ter certeza. Vocês talvez reconheçam a expressão “além de qualquer dúvida razoável”, é a mesma coisa. E vou usar uma analogia para explicar isso, porque, ao contrário deste grupo, eu não tenho formação em Direito.</p>
<p style="text-align: justify;">Vamos imaginar que você e alguém que você ama foram passar férias juntos. E um dia vocês decidem saltar de paraquedas. Agora, você quer ter certeza de que esse paraquedas vai te segurar. Você não compraria um barato na Amazon, nem pegaria emprestado um de um amigo que estivesse mofando no galpão há tempos. Porque você quer saber tudo sobre esse paraquedas! Sua história, quem o fabricou, como foi usado, talvez até mesmo suas motivações? Porque você quer ter certeza de que, enquanto estiver caindo em direção ao chão, quando acionar o mecanismo, o paraquedas vai te segurar, porque se você não tiver certeza, bem, isso é um erro irreparável. E essa decisão não é diferente. É algo permanente, com consequências que mudam a vida, e o mais importante, não há como voltar atrás.</p>
<p style="text-align: justify;">A acusação precisa te convencer para que você possa condenar. Mas como ter certeza se você sabe que não ouviu toda a verdade?</p>
<p style="text-align: justify;">Sou uma pessoa comum, com amigos, família, uma vaga na universidade, um gato que amo, basicamente muita coisa a perder indo para a prisão. Mas vocês sabem que todos nós tínhamos a intenção de ser presos no dia 6 de agosto. Tínhamos a intenção de ir a julgamento. E não vou falar pelos outros aqui, mas a razão pela qual eu estava disposta e confiante o suficiente para permitir isso foi porque eu sabia que agora, 20 meses depois, eu estaria diante de 12 pessoas comuns como vocês. Não políticos, não especialistas em Direito, não advogados e juízes com crinas de cavalo de 400 anos na cabeça, mas um painel de iguais a mim. Vocês são o melhor contrapeso ao poder e à tirania dentro do sistema jurídico como ele existe hoje. É um privilégio ser julgado por vocês. E não digo isso para bajulá-los, mas porque, como você já deve ter ouvido, o direito ao julgamento por júri está ameaçado, com um projeto de lei tramitando na Câmara dos Comuns neste exato momento. Os júris como os conhecemos hoje podem não existir por muito mais tempo, justamente porque seus bolsos não podem ser subornados por pessoas ricas e poderosas. (E também porque os júris frequentemente se recusam a condenar nesses tipos de casos). E essa é uma posição de grande poder para vocês.</p>
<p style="text-align: justify;">Ninguém pode obrigá-los a condenar neste caso, nem mesmo o juiz. Aliás, o juiz está expressamente proibido de lhes dizer para condenar! Vocês, e somente vocês, podem decidir sobre seus veredictos. Mas não só podem nos absolver, como têm o DIREITO de nos absolver. Ninguém pode puni-los por sua decisão. Ninguém pode sequer lhes perguntar porquê.</p>
<p style="text-align: justify;">Quero que saibam, porém, que, seja qual for a sua decisão, não os culparei. Como poderia, se foram mantidos tão no escuro? Mas podem ter certeza de uma coisa. Estou orgulhosa, muito orgulhosa de ter participado disso. Estou orgulhosa de ter superado o meu medo e de ter agido, porque é claro que estava com medo, ninguém invade uma fábrica de armas israelense por diversão! E posso afirmar com absoluta certeza que essa foi a melhor coisa que já fiz, porque há uma grande probabilidade de que, graças às nossas ações naquela noite, vidas inocentes tenham sido salvas.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, jamais terei vergonha de ter sido julgada, de ter passado 18 meses na prisão e de poder enfrentar muitos mais.</p>
<p style="text-align: justify;">Vocês sabem que fomos tratados como terroristas durante todo esse processo. Uma assistente social que trabalha com vítimas de violência doméstica, duas professoras de jardim de infância, uma graduada de Oxford, uma artista e eu. Parece distópico, mas é verdade, assim como a proscrição do Palestine Action.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas desta vez, vocês são os que decidem. Ao contrário do que a promotoria e o governo querem que vocês sejam, vocês não são meros instrumentos de aprovação. Não caiam na armadilha deles.”</p>
<p style="text-align: justify;">
</blockquote>
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		<title>Ferramentas de Controle Parental (1)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enzo Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Apr 2026 14:39:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cuidados digitais]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão_e_liberdades]]></category>
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					<description><![CDATA[O controle parental deve ser entendido como um mecanismo de orientação e cuidado, não como uma ferramenta de vigilância e desrespeito à privacidade. Por Marcelo Tavares de Santana]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Marcelo Tavares de Santana [1]</h3>
<p style="text-align: justify;">Nos últimos meses vimos alguns países tomarem medidas fortes em relação ao uso de redes sociais por menores de idade, como Austrália e Dinamarca proibindo o uso, devido a diversos riscos que surgiram ao longo do tempo. No Brasil, além dos problemas das redes sociais, também temos as apostas digitais que estão inclusive viciando crianças e adolescentes que estão cada vez mais conectados, utilizando <em>smartphones</em>, <em>tablets</em> e computadores como ferramentas de aprendizado, entretenimento e socialização. Conteúdos inadequados, exposição excessiva às telas, contato com desconhecidos, <em>cyberbullying</em> e coleta indevida de dados são apenas alguns dos desafios que pais e responsáveis enfrentam dia a dia. Nesse contexto, o controle parental surge como uma estratégia essencial para equilibrar liberdade e segurança, permitindo que os jovens explorem o ambiente digital de forma saudável e protegida.</p>
<p style="text-align: justify;">O controle parental deve ser entendido como um mecanismo de orientação e cuidado, não como uma ferramenta de vigilância e desrespeito à privacidade. Assim como no mundo físico, onde limites são estabelecidos para garantir o bem-estar das crianças, no ambiente digital também é necessário criar regras e acompanhar o uso da tecnologia. Isso inclui definir horários, restringir conteúdos impróprios e monitorar interações. No entanto, tão importante quanto as ferramentas técnicas é o diálogo constante entre pais e filhos, construindo consciência sobre o uso responsável da Internet.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse cenário, ferramentas digitais específicas foram desenvolvidas para auxiliar os responsáveis nessa tarefa. Uma das mais conhecidas e amplamente utilizadas é o Family Link, uma solução gratuita que permite gerenciar o uso de dispositivos por crianças e adolescentes no sistema Android e, em menor escala, também no iOS. Apesar da crítica que se possa ter em relação a ferramentas de <em>big techs</em>, entende-se que esse é um momento em que a segurança e o desenvolvimento saudável dos menores de idade devem ser priorizados sobre outros aspectos das relações sociais com essas empresas.</p>
<p style="text-align: justify;">O Family Link foi projetado para oferecer aos pais um conjunto robusto de recursos que possibilitam acompanhar, orientar e limitar o uso da tecnologia de forma prática e acessível e funciona a partir da criação de uma conta Google para a criança, vinculada à conta do responsável (sim, é preciso entregar um pouco de dados da criança para fazer o controle de dispositivos). Esse vínculo permite que o adulto tenha acesso a informações e controles sobre o dispositivo da criança. O processo de configuração é relativamente simples: o responsável instala o aplicativo em seu próprio celular e também no dispositivo da criança, seguindo as instruções para vincular as contas. A partir daí, diversas funcionalidades ficam disponíveis para gerenciamento.</p>
<p style="text-align: justify;">Um dos principais recursos do Family Link é o controle de tempo de uso. Com ele, os pais podem definir limites diários para o uso dos dispositivos, por exemplo, determinando que a criança pode utilizar telas por duas horas por dia entre todos os dispositivos com a conta dela; se usar uma hora de <em>smartphone</em>, só poderá usar uma hora de <em>tablet</em>. Quando esse limite é atingido, os dispositivos são bloqueados automaticamente, impedindo o uso até o dia seguinte. Além disso, é possível definir um horário de dormir, durante o qual os aparelhos ficarão indisponíveis. Essa funcionalidade é especialmente útil para evitar o uso excessivo de telas à noite, contribuindo para a qualidade do sono e para a manutenção de uma rotina saudável.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro recurso importante é o monitoramento de atividades. O Family Link fornece relatórios detalhados sobre o uso de aplicativos, mostrando quanto tempo a criança passa em cada aplicativo ao longo do dia, da semana ou do mês. Essas informações permitem que os responsáveis compreendam melhor os hábitos digitais dos filhos e identifiquem possíveis excessos ou comportamentos preocupantes. Com base nesses dados, é possível tomar decisões mais informadas sobre restrições ou ajustes nas regras de uso.</p>
<p style="text-align: justify;">O controle de aplicativos também é uma funcionalidade central da ferramenta. Os pais podem aprovar ou bloquear a instalação de aplicativos diretamente da loja, impedindo que a criança baixe conteúdos inadequados. Sempre que a criança tenta instalar um novo aplicativo, uma solicitação é enviada ao responsável, que pode aprovar ou recusar. Além disso, aplicativos já instalados podem ser bloqueados individualmente, caso sejam considerados impróprios ou estejam sendo usados de forma excessiva.</p>
<p style="text-align: justify;">No que diz respeito à navegação na Internet, o Family Link oferece integração com o Chrome e com o mecanismo de busca do Google, permitindo a ativação de filtros de conteúdo. Esses filtros ajudam a bloquear sites impróprios ou inadequados para a faixa etária da criança, embora não sejam infalíveis. É possível também criar listas de sites permitidos ou bloqueados manualmente, oferecendo um controle mais personalizado. Ou seja, nesse momento da evolução tecnológica, ter um controle parental robusto pode significar usar ferramentas de uma única empresa.</p>
<p style="text-align: justify;">O Family Link também permite que os pais visualizem a localização do dispositivo da criança em tempo real, desde que o aparelho esteja ligado e conectado à Internet. O bloqueio remoto do dispositivo está disponível, assim como o desbloqueio. O aplicativo também permite gerenciar configurações da conta da criança, como permissões de aplicativos, configurações de privacidade e acesso a determinados serviços do Google. Isso inclui, por exemplo, a possibilidade de desativar a personalização de anúncios ou restringir o uso de determinados recursos, contribuindo para uma experiência mais segura e adequada à idade.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro ponto a ser considerado no controle parental é a adaptação das regras conforme a idade e maturidade da criança. O nível de controle necessário para uma criança de oito anos é diferente daquele adequado para um adolescente de quinze. O Family Link permite ajustar gradualmente as permissões, oferecendo mais autonomia à medida que o jovem demonstra responsabilidade. Esse processo é essencial para preparar os filhos para o uso independente da tecnologia no futuro.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de todas essas funcionalidades, é importante reconhecer que nenhuma ferramenta de controle parental é completamente eficaz por si só. Crianças mais velhas e adolescentes podem encontrar maneiras de contornar restrições, especialmente se tiverem conhecimentos técnicos mais avançados. Por isso, o controle parental deve ser complementado com educação digital e diálogo aberto. Explicar os motivos das regras, ouvir as opiniões dos filhos e negociar limites são práticas fundamentais para o desenvolvimento de uma relação saudável com a tecnologia.</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, o controle parental deve ser visto como parte de uma abordagem mais ampla de educação digital. Isso inclui ensinar sobre segurança <em>online</em>, privacidade, respeito nas interações virtuais e pensamento crítico em relação às informações encontradas na Internet. O objetivo final não é apenas restringir, mas capacitar as crianças para que se tornem usuários conscientes e responsáveis.</p>
<p style="text-align: justify;">Atenção! Alguns aplicativos, como jogos, têm suas próprias redes sociais através dos <em>chats </em>entre os usuários, quem podem ser usados para estabelecer diálogo com os menores de idade. Esse tipo de recurso interno aos aplicativos não será descoberto pelo Family Link, um vez que o tempo de uso é liberado pode ser possível até receber <em>links </em>de outros locais maliciosos na Internet, talvez até para transferências financeiras. Portanto, é recomendável que cada aplicativo autorizado seja um pouco usado pelo responsável, para conhecimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, o controle parental é uma necessidade na era digital, e o Family Link é uma ferramenta prática para auxiliar os responsáveis nessa tarefa. No entanto, seu uso deve ser sempre acompanhado de diálogo, educação e adaptação às necessidades individuais de cada família, para que a tecnologia seja uma aliada no desenvolvimento das crianças, não uma fonte de riscos ou conflitos. No próximo artigo trataremos de controle parental no Linux.</p>
<p style="text-align: justify;">Bom diálogo a todos!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Nota</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1]</strong> Professor de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico do Instituto Federal de São Paulo.</p>
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		<title>Gente rica sendo presa (9)</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/04/158981/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[FP]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Apr 2026 21:12:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Flagrantes Delitos]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão_e_liberdades]]></category>
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					<description><![CDATA[A advogada comenta: &#8220;é por isso que eu não faço nada de errado. Imagina não poder tomar banho de água quente!&#8221;. Passa Palavra]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A advogada comenta: &#8220;é por isso que eu não faço nada de errado. Imagina não poder tomar banho de água quente!&#8221;. <strong>Passa Palavra</strong></p>
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		<title>ECA Digital e o desafio do controle parental</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Mar 2026 16:50:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cuidados digitais]]></category>
		<category><![CDATA[Juventude]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão_e_liberdades]]></category>
		<category><![CDATA[Vigilância]]></category>
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					<description><![CDATA[O ECA Digital aumenta a responsabilidade das empresas na identificação de quem usa suas plataformas, mas é importante que os responsáveis acompanhem tudo que as crianças e os adolescentes usam nesses equipamentos. Por Marcelo Tavares de Santana]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="level1">
<h3 style="text-align: justify;">Por Marcelo Tavares de Santana</h3>
<p style="text-align: justify;">Há poucas semanas foi aprovada a Lei 15.211/2025, conhecida como ECA Digital, que torna a legislação de proteção de crianças e adolescentes mais rígida em relação às plataformas digitais, redes sociais e jogos <em>online</em>, ou seja, qualquer ambiente em que um adulto possa entrar em contato com uma criança ou adolescente. Coincidentemente, estive em uma discussão escolar sobre o uso de aplicativos de mensagens por pré-adolescentes que criaram um grupo de discussão para trabalhos escolares mas ocorreu também a prática de <em>bullying</em>; na prática os aplicativos de mensagens funcionam como redes sociais pois permitem que sejam formados grupos e o encaminhamento de conteúdos multimídia, que equivalem a você fazer uma postagem ou enviar um <em>link</em> de conteúdo entre os membros, assim cada contato fica equivalente a uma página em rede social.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante a discussão alguns pais tinham a expectativa de que a escola faria o acompanhamento dos pré-adolescentes no uso do aplicativo de mensagens, mas depois de mais de uma hora de discussão alguns pontos legais foram colocados em relação a essa questão. O uso de celular na escola é proibido por lei federal, exceto para questões pedagógicas, além disso a Lei de Diretrizes e Bases da Educação protege a decisão sobre métodos e ferramentas de ensino como sendo dos professores, e assim foi dito de forma bem objetiva que a escola não estaria acompanhando os pré-adolescentes nesses grupos de mensagem, inclusive nem teria recursos humanos para entrar nesses grupos e acompanhar tudo estaria sendo escrito; tudo isso sem falar na questão da privacidade. De certa forma é preciso que todos entendam que a responsabilidade e o cuidado quanto ao uso de equipamentos digitais e Internet é de quem entrega esses dispositivos, logo se um responsável dá um <em>smartphone</em> para uma criança a responsabilidade no uso desse equipamento é de que o entregou nas mãos dela.</p>
<p style="text-align: justify;">O ECA Digital aumenta a responsabilidade das empresas na identificação de quem usa suas plataformas, mas é importante que os responsáveis acompanhem tudo que as crianças e os adolescentes usam nesses equipamentos. As empresas terão responsabilidade de garantir com maior eficácia na identificação da idade de quem se cadastrar, no entanto, tudo converge para um assunto já abordado nesta coluna que é o controle parental dos sistemas. Vale lembrar pelo menos um exemplo dos riscos que as crianças correm nesses ambientes, que é quando um adulto mal intencionado finge ser uma criança por, ganhando a confiança de quem conversa com ele para que, após todo esse tempo, comece a dizer o quê a criança deve fazer e até mesmo ameaçar para que ela não conte a ninguém o quê eles estão conversando, a partir daí os mais inimagináveis abusos podem acontecer e por isso é tão importante que os responsáveis pelas crianças estejam envolvidos nisso tudo pois o ECA Digital por mais rígido que pareça, não vai ser o suficiente.</p>
<p style="text-align: justify;">As ferramentas de controle parental podem ser tanto oferecidas com sistemas ou equipamentos, como pelas plataformas que estão implicadas na atualização do ECA, e talvez devido ao movimento internacional na gestão de riscos dos mais jovens essas ferramentas comecem a ter uma evolução mais acelerada. Nelas podemos encontrar recursos de controles do que pode ser instalado, quanto tempo os aplicativos podem ser usados de modo individualizado e até de modo geral. Durante a conversa na escola também houve o debate sobre quais aplicativos, sobre questões de privacidade neles, de serem ou não controlados por grandes empresas, etc. Infelizmente, por ser uma área em evolução não há um ecossistema de aplicativos de controle parental que nos permitam ampla liberdade de escolha, nem tenho uma boa revisão desses aplicativos para recomendar, ainda é um assunto em estudo. Mas é urgente que o controle é parental aconteça e abordaremos somente dois exemplos dessas aplicações. No entanto, o site <a href="https://alternativeto.net/browse/all/?tag=parental-control" target="_blank" rel="noopener">Alternativeto.net</a>, tem uma lista de programas de controle parental e uma classificação por curtidas, além da possibilidade de classificar entre tipos de licenças e plataformas.</p>
<p style="text-align: justify;">O Google Family Link é uma ferramenta de controle parental desenvolvida pela Google para dispositivos Android que permite aos responsáveis acompanhar e gerenciar o uso digital de crianças e adolescentes. Entre suas principais características está a possibilidade de criar e supervisionar contas Google para menores, garantindo que o acesso a conteúdos e serviços seja mais seguro e adequado à idade. Na matéria <a href="https://passapalavra.info/2025/02/155827/" target="_blank" rel="noopener">“Tutorando crianças no uso de smartphones”</a> é apresentada uma sugestão de como usar esse recurso. Outro recurso importante é o rastreamento de localização, que permite verificar onde o dispositivo da criança está em tempo real, desde que ele esteja conectado à Internet; normalmente é necessário uma conta de celular com dados móveis.</p>
<p style="text-align: justify;">No Linux, para o ambiente GNOME, pode-se usar o programa &#8216;malcontent-gui&#8217;, que é a interface gráfica do sistema de controle parental dele, projetado para permitir que administradores e responsáveis gerenciem o acesso de usuários — especialmente crianças — a aplicativos e conteúdos no sistema. Ele funciona como uma camada amigável sobre o serviço de controle parental do sistema, oferecendo uma forma simples e visual de configurar restrições sem a necessidade de comandos avançados no terminal. De forma similar o Windows também possuí controle parental junto às configurações de contas de usuário. Recentemente o serviço de mensagens WhatsApp também lançou mecanismos de controle parental que pode restringir que crianças e adolescentes estabeleçam contatos com pessoas, ou entre em grupos sem autorização dos responsáveis; apesar das <a href="https://passapalavra.info/2025/05/156722/" target="_blank" rel="noopener">discussões sobre privacidade nesse aplicativo</a>, proteger nossas crianças parece uma prioridade e outros aplicativos de mensagens instantâneas podem não ter esse recurso.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de o ECA Digital aumentar as responsabilidades das empresas na proteção de crianças e adolescentes, sempre vai ter alguém tentando burlar a legislação, e uma camada de proteção gerenciada pelos responsáveis deles será também necessária. Como diz Mario Sérgio Cortella “a tarefa de educação dos filhos é da família em primeiro lugar, e do poder público de forma secundária. A escola faz escolarização. Por isso, se a família não cumpre aquilo que precisa cumprir, a escola não dará conta”. Parece ser imprescindível o uso de programas de controle parental, assim como a responsabilização das empresas em suas plataformas, a melhoria dessas ferramentas, assim como seu aprendizado. Vai ser um caminho árduo para todos, mas temos um caminho (o qual me incluo). Conforme aprender melhor sobre elas, teremos matérias sobre como as usar e configurar.</p>
<p style="text-align: justify;">Boa luta para nós!</p>
</div>
<div class="footnotes">
<div class="fn">
<div class="content" style="text-align: justify;"><strong><em>Professor de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico do Instituto Federal de São Paulo</em></strong></div>
</div>
</div>
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		<title>Eduardo Marinho e a moral dos inocentes</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/03/158842/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Aníbal]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Mar 2026 19:56:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Estética]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia/comunicação_social]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão_e_liberdades]]></category>
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					<description><![CDATA[A fala de Eduardo Marinho nos serve não como exemplo a seguir, mas como alerta. Ela mostra o que acontece quando a crítica social é destituída de teoria, e quando a indignação substitui a análise. Por Arthur Moura]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Arthur Moura</h3>
<p style="text-align: justify;">A fala de Eduardo Marinho publicada no dia 29 de outubro de 2025, em resposta ao massacre cometido pela polícia nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, no dia 28 do mesmo mês, é um documento importante da consciência política difusa que atravessa o campo popular contemporâneo. Seu enunciado mistura experiência concreta, indignação moral e lampejos de lucidez estrutural, compondo um discurso que seduz pela sinceridade e pela energia ética, mas que revela, sob exame mais rigoroso, as contradições e insuficiências de uma visão política fundada mais na catarse do que na análise. A tarefa aqui não é desqualificar um indivíduo, mas compreender a natureza do pensamento que sua fala representa — um pensamento incapaz de apreender o Estado como forma social e, portanto, condenado a oscilar entre denúncia e apelo moral, entre intuição crítica e impotência teórica.</p>
<p style="text-align: justify;">O ponto de partida de sua fala — “o Estado não pode ser bandido” — já contém a contradição que percorre todo o discurso. Há, nessa frase, uma expectativa de moralidade estatal, como se o Estado fosse uma instituição originalmente justa, corrompida por maus agentes ou por uma elite degenerada. Mas o Estado moderno, como Marx demonstrou, não é o árbitro neutro da sociedade civil, e sim a forma política da dominação de classe. O “banditismo” estatal não é acidente nem desvio, mas essência: a violência que ele exerce é a tradução institucional da violência originária do capital. O Estado é o monopólio legítimo da força que garante o monopólio ilegítimo da propriedade. Quando Marinho denuncia que o Estado “está lotado de gente doente e sádica”, acerta empiricamente, mas explica o fenômeno por uma causalidade moral — a falta de formação cívica, de ética, de “humanidade” — e não por uma causalidade estrutural. A brutalidade não deriva de um erro na formação dos agentes, mas da própria função que esses agentes cumprem. O treinamento é brutal porque o papel que a polícia desempenha na sociedade é o de conter, disciplinar e eliminar parcelas excedentes da população trabalhadora.</p>
<p style="text-align: justify;">O raciocínio de Marinho desloca constantemente as causas para o terreno da consciência e da vontade. Quando pergunta “por que não cercam os morros?” ou “por que não abafam as chegadas das drogas?”, pressupõe que o Estado <em>poderia</em> interromper o circuito do tráfico se quisesse, como se a conivência fosse uma questão de escolha moral. Essa formulação ignora que o tráfico, as milícias e o aparato repressivo são parte de uma mesma engrenagem de acumulação e controle social. O Estado não “tolera” o crime: ele o administra, regula e, muitas vezes, o produz, porque precisa dele como instrumento de governo. A “guerra às drogas” é o nome ideológico de uma política de contenção territorial e de gestão da superpopulação relativa — aquela massa de trabalhadores precarizados e racializados que excede as necessidades de valorização do capital, mas cuja disciplina é vital à estabilidade da ordem. “Abafar as chegadas” seria sabotagem ao próprio sistema, que depende dessas rotas ilícitas, integradas às redes de financiamento, armas e lavagem de dinheiro que atravessam a economia formal.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao afirmar que “é preciso fazer espetáculo matando pobre, preto, periférico”, Marinho toca o centro do problema. A violência policial é, de fato, uma forma de espetáculo, um ritual de reafirmação da soberania e de pacificação simbólica da classe média. A morte é encenada, filmada, justificada, e reapresentada como triunfo da lei. Nisso ele revela uma compreensão intuitiva da sociedade do espetáculo descrita por Guy Debord: a dominação se torna imagem, e a imagem reforça a dominação. O massacre opera como pedagogia do medo, ajustando as sensibilidades e redefinindo o inimigo. Mas, ao reduzir o espetáculo a uma vontade sádica, Marinho perde a dimensão de que essa encenação responde a uma necessidade material. O espetáculo do extermínio legitima o reordenamento urbano, a valorização fundiária, a militarização de territórios e a reprodução do capital no espaço metropolitano. A barbárie tem método: ela é o modo contemporâneo de administração das cidades. Quando Marinho lamenta a ausência de formação moral e cívica dos policiais, confunde consequência com causa. A ausência de reflexão crítica não é um defeito acidental do aparato policial; é sua condição de funcionamento. O que o discurso de Marinho chama de “doença” é a forma psicológica adequada à função repressiva. O sadismo individual existe, mas é instrumentalizado pela estrutura. A formação humanista seria incompatível com a tarefa histórica da polícia: garantir a ordem social de uma sociedade fundada na desigualdade. A demanda por uma “nova mentalidade de segurança pública” equivale, na prática, à tentativa de humanizar o inumano, de pedir à força que sustenta a propriedade que se volte contra seu próprio fundamento. É o apelo ético no lugar da revolução material.</p>
<p style="text-align: justify;">Em um momento, porém, Marinho enuncia uma frase que rompe a superfície: “a cabeça do crime está dentro do próprio Estado.” Aqui a intuição toca o ponto mais elevado de verdade. A economia política da criminalidade — as milícias, o desvio de armas, a corrupção policial, a simbiose entre mercado imobiliário e poder armado — são manifestações de uma criminalidade estruturada na legalidade. O Estado e o crime não se opõem; se interpenetram. Essa constatação, entretanto, não se converte em teoria: ela se dissolve logo depois, quando o discurso retorna ao imperativo moral (“o Estado não pode ter bandido”). O lampejo estrutural se converte em lamento. A denúncia que poderia abrir caminho para uma análise da forma política do capital é capturada pelo sentimentalismo ético. O apelo final — “é preciso criar cidadania dentro das favelas” — fecha o círculo. Depois de denunciar o caráter criminoso do Estado, a solução proposta é a realização do ideal que o próprio Estado promete e nega: a cidadania. Mas a cidadania é a forma jurídica da dominação moderna, o modo pelo qual a desigualdade real se reveste de igualdade formal. A cidadania reconhece todos como sujeitos de direito, desde que aceitem as condições materiais que os fazem desiguais. Invocar a cidadania é, portanto, pedir inclusão numa ordem cujo princípio é a exclusão. O que falta nas favelas não é cidadania, mas emancipação — a abolição da forma social que produz a favela como espaço de contenção e o morador como corpo descartável. A cidadania é o horizonte político do humanismo burguês; o que se exige é outro horizonte, o da libertação humana, no sentido de Marx e Pannekoek: o poder dos produtores sobre suas próprias condições de vida.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-158843 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/houses-district-six-19451.jpg" alt="Eduardo Marinho e a moral dos inocentes" width="600" height="522" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/houses-district-six-19451.jpg 600w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/houses-district-six-19451-300x261.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/houses-district-six-19451-483x420.jpg 483w" sizes="auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px" /></p>
<p style="text-align: justify;">A fala de Marinho expressa, assim, uma forma peculiar de consciência política: empiricamente sensível, moralmente indignada, mas teoricamente cega. É um discurso que percebe os efeitos, mas não as causas; que enuncia a contradição, mas não a articula; que sente a opressão, mas não compreende a totalidade que a produz. Sua força reside na sinceridade e na experiência — a vivência de um homem que passou pela rua e viu a máquina por dentro —, mas sua fraqueza está em confundir o drama com o sistema. Há uma dimensão terapêutica na fala, uma catarse que tenta exorcizar a impotência coletiva através da indignação individual. O que se oferece ao público não é uma estratégia de transformação, mas uma descarga moral que confirma a sensação de que “algo está errado” sem indicar como o errado se produz. Essa forma de discurso cumpre uma função ideológica precisa no presente: serve de válvula de escape à consciência popular, permitindo-lhe reconhecer o horror sem ultrapassar o horizonte burguês. É o mesmo mecanismo que Marx identificava nas “revoltas morais” do pequeno-burguês: ele percebe a injustiça, mas teme a revolução. No contexto brasileiro, essa sensibilidade se traduz em figuras como Marinho, que fazem da crítica uma confissão pública, um ato de pureza ética diante do impuro. A política desaparece como prática coletiva e reaparece como gesto de consciência individual. É a crítica sem partido, a rebeldia sem organização, a lucidez sem teoria.</p>
<p style="text-align: justify;">Por isso o pensamento de Marinho é, no fundo, reacionário em sua impotência. Ele denuncia a barbárie, mas reforça o mito de que ela é acidente, e não forma. Deseja um Estado moral, não o fim do Estado. Quer uma polícia humana, não o desmonte do aparato repressivo. Clama por cidadania, não por autogoverno. É a voz da revolta sem direção, a dor social traduzida em moralismo. Seu discurso conforta o espectador progressista, que pode indignar-se sem arriscar-se, pode sentir-se justo sem comprometer-se com a luta. É a ideologia da pureza num tempo de decomposição. Entretanto, é preciso reconhecer que essa consciência “capenga”, como a chamaste, é sintoma de um período histórico em que a esquerda perdeu seu horizonte revolucionário e o campo popular foi reduzido à esfera da opinião. Marinho é produto dessa desertificação política: fala o que resta da crítica quando a crítica perdeu a organização. Sua limitação é a limitação do tempo. O erro é real, mas revelador. Ele é o espelho deformado de uma sociedade em que o pensamento se fragmentou em emoções, e a razão política se converteu em retórica terapêutica.</p>
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<p style="text-align: justify;">Em última instância, a fala de Eduardo Marinho nos serve não como exemplo a seguir, mas como alerta. Ela mostra o que acontece quando a crítica social é destituída de teoria, e quando a indignação substitui a análise. É um testemunho honesto de uma consciência que sente o golpe, mas não encontra o inimigo. A tarefa, para quem busca reconstruir um pensamento radical, é superar essa consciência: sair do lamento ético e retornar à totalidade material, recolocar a questão do Estado, da violência e da emancipação em seus fundamentos históricos. Só assim o escândalo pode transformar-se em ação e a catarse em política.</p>
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<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-158844 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/boy-and-the-candle-1943.jpg" alt="Eduardo Marinho e a moral dos inocentes" width="382" height="500" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/boy-and-the-candle-1943.jpg 382w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/boy-and-the-candle-1943-229x300.jpg 229w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/boy-and-the-candle-1943-321x420.jpg 321w" sizes="auto, (max-width: 382px) 100vw, 382px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><em>As artes que ilustram o texto são da autoria de Gerard Sekoto (1913-1993).</em></p>
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