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	<title>Ucrânia &#8211; Passa Palavra</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>Velha Toupeira (37)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Dec 2025 08:50:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cartoons]]></category>
		<category><![CDATA[Capitalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
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					<description><![CDATA[]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158419" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/12/VT037-GUERRA-OU-PAZ-NA-UCRANIA.jpg" alt="" width="2560" height="853" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/12/VT037-GUERRA-OU-PAZ-NA-UCRANIA.jpg 2560w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/12/VT037-GUERRA-OU-PAZ-NA-UCRANIA-300x100.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/12/VT037-GUERRA-OU-PAZ-NA-UCRANIA-1024x341.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/12/VT037-GUERRA-OU-PAZ-NA-UCRANIA-768x256.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/12/VT037-GUERRA-OU-PAZ-NA-UCRANIA-1536x512.jpg 1536w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/12/VT037-GUERRA-OU-PAZ-NA-UCRANIA-2048x682.jpg 2048w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/12/VT037-GUERRA-OU-PAZ-NA-UCRANIA-1260x420.jpg 1260w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/12/VT037-GUERRA-OU-PAZ-NA-UCRANIA-640x213.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/12/VT037-GUERRA-OU-PAZ-NA-UCRANIA-681x227.jpg 681w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /></p>
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		<title>Nem John le Carré imaginaria</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Edinilson]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Mar 2025 14:11:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
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					<description><![CDATA[A China prepara-se para ser a principal beneficiária da enorme convulsão provocada pelo agente americano de Putin. Por João Bernardo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por João Bernardo</h3>
<p style="text-align: justify;">Nem John le Carré alguma vez imaginaria um agente do Kremlin na presidência dos Estados Unidos. Mas a realidade permite-se audácias que a ficção não ousa, e temos agora um representante de Putin na Casa Branca.</p>
<p style="text-align: justify;">O que deveria ser a primeira fase das negociações de paz entre a Rússia e a Ucrânia, assumindo-se os Estados Unidos como o intermediário único, imediatamente se converteu num acordo antecipado entre o governo americano e o russo, em que Washington adoptou a versão de Moscovo. Desde os primeiros dias, quando Trump declarou que Putin «tem as cartas na mão» e que Zelensky «não tem nenhuma carta para jogar», o <em>pocker</em> ficou decidido, tanto mais que os ucranianos não foram convidados. Trump está do mesmo lado que Putin, contra alguém que é de antemão considerado vencido.</p>
<p style="text-align: justify;">Há três anos Putin pensou que iria ocupar rapidamente a Ucrânia, entre os aplausos da população. Em vez disso, o exército russo deparou com uma forte resistência e a tentativa de avanço até Kiev sofreu uma derrota espectacular, que o obrigou a recuar para o Leste do país. Desde então, apesar de todos os esforços, os russos não conseguiram avanços significativos e a linha de frente manteve-se praticamente estacionária. Mas o que Putin não alcançou no campo de batalha, obteve-o agora, oferecido por Trump.</p>
<p style="text-align: justify;">Antes de mais, obteve a absolvição, porque o governo dos Estados Unidos recusa-se a considerar a Rússia como o agressor. Trump acusou a Ucrânia de ter iniciado a guerra e os diplomatas americanos vetam qualquer resolução que reconheça a Ucrânia como vítima de um ataque, mesmo que para isso tenham de votar ao lado da Rússia e da Coreia do Norte. E mais do que tudo, Putin foi consagrado vitorioso, porque Trump não teve pejo de dizer que «os russos controlam o terreno» e que «Putin, se quisesse, podia ocupar todo o país». Aliás, Trump, que se recusa a considerar Putin como um «ditador», reserva esta palavra para classificar Zelensky. Seria difícil reescrever mais completamente a História.</p>
<p style="text-align: justify;">A impostura culminou no extraordinário espectáculo, ou humilhante armadilha, que Trump e o vice-presidente Vance organizaram em 28 de Fevereiro, por ocasião da ida de Zelensky à Casa Branca, perante jornalistas e câmaras de televisão, para todo o mundo assistir e a corte de Putin aplaudir. E passados três dias, ao mesmo tempo que se confirmava a interrupção das operações cibernéticas americanas contra a Rússia, Trump suspendeu a entrega de ajuda militar à Ucrânia, uma decisão saudada com alegria pelo Kremlin. O que não conseguira no campo de batalha, Putin consegue-o agora. É impossível prever o que sucederá proximamente de um lado e do outro, e não sabemos como os políticos ucranianos e acima de tudo a população do país irão reagir a esta série de desastres, mas não é difícil acreditar que se agrave a situação política e militar na Ucrânia ou mesmo se abeire do caos. A única verdadeira certeza é que surgiu um só beneficiário — Putin. Com a chantagem da interrupção da ajuda militar Trump espera obrigar os ucranianos a aceitarem um plano de paz que corresponda a uma rendição, e assim revela-se ainda mais claramente não como o intermediário nas negociações, mas como um agente do Kremlin.</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, o êxito de Putin não se restringe à Ucrânia e tem um alcance muitíssimo mais amplo, porque Trump, ao pôr em dúvida que as forças armadas dos Estados Unidos possam necessariamente intervir em defesa de um país da NATO (OTAN) vítima de uma agressão militar, fez com que o Artigo 5 deixasse na prática de funcionar, esvaziando assim a Aliança que servira de base à hegemonia americana no confronto com a União Soviética e, depois, com a Federação Russa. Dificilmente se acreditaria, mas é pura verdade, que o futuro chanceler alemão tivesse previsto, alto e em bom som, que dentro de poucos meses a NATO estará extinta. Aliás, as calorosas palavras de apoio a Zelensky emitidas pela União Europeia e pelos principais dirigentes europeus e do Reino Unido logo depois dos acontecimentos de 28 de Fevereiro na Casa Branca, reforçadas pelas iniciativas que tomaram posteriormente, em explícito contraste com a suspensão da ajuda militar decidida por Trump, mais ainda agravam a divergência entre a Europa e os Estados Unidos. Aquela que foi uma ambição de muitas décadas, Putin realizou-a agora, oferecida numa bandeja pelo seu agente americano.</p>
<p style="text-align: justify;">O sucesso foi ainda mais profundo, porque o apoio que Putin tem concedido dissimuladamente à extrema-direita europeia e aos fascistas europeus foi agora reproduzido e ampliado, em alta voz e com muito maior repercussão, pelo vice-presidente americano e pelo bilionário <em>alter ego</em> de Trump, quando intervieram a favor da AfD na campanha eleitoral alemã. Ora, junto com o esvaziamento militar da NATO, o outro grande objectivo estratégico de Putin é a dissolução política da União Europeia, precisamente o que promovem na Europa os fascistas e a extrema-direita, auxiliados pelo que resta de herdeiros do comunismo soviético. Se o fascismo é sempre gerado num cruzamento, ou numa convergência, entre correntes oriundas da extrema-direita e outras oriundas da extrema-esquerda, também aqui o serviço prestado por Trump a Putin se insere numa das vertentes do fascismo europeu. Nunca a diplomacia russa esteve numa situação tão vantajosa.</p>
<p style="text-align: justify;">E essa vantagem não se limita ao âmbito europeu, mas conseguiu ampliar-se mundialmente no minuto em que, com um simples gesto de mão, Trump desarticulou a USAID. Para quem tivesse dúvidas sobre o significado profundo desta decisão, o governo americano evidenciou publicamente o seu desprezo pelo G20, abrindo assim, ou mesmo escancarando as portas à diplomacia russa nos países em desenvolvimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Como se tudo isto não fosse suficientemente aparatoso, Trump justifica a sua orientação política invocando interesses económicos definidos mediante uma contabilização imediata de ganhos e perdas, e não, como deveria suceder num capitalismo desenvolvido, mediante projecções a longo prazo assentes no crescimento da produtividade. Decerto que se não necessitassem de recuperar as reivindicações laborais os capitalistas não aprofundariam o processo de exploração consoante a mais-valia relativa, que constitui o eixo do progresso económico. Mas o mecanismo da mais-valia relativa é a produtividade, e ela exige infra-estruturas, condições técnicas e sistemas de organização do trabalho impossíveis de alcançar em economias fechadas por barreiras tarifárias e outras medidas protecionistas.</p>
<p style="text-align: justify;">Paradoxalmente, os Estados Unidos, o país mais rico e aparentemente mais poderoso, regressou às noções do mercantilismo pré-capitalista. Em vez de uma prosperidade conjunta, em que o aumento da produtividade num dado sector, num dado país, pressiona os outros a competirem mais produtivamente, pretende-se que a produtividade num sector e num país seja garantida pelos travões colocados à produtividade nesses sectores dos outros países. Esta adopção de uma perspectiva em que os ganhos económicos de um país só podem ocorrer devido às perdas económicas dos outros países terá necessariamente como consequência a estagnação, mesmo no país que se pretendia beneficiado, porque ficaram cancelados os estímulos ao aumento da produtividade.</p>
<p style="text-align: justify;">Aliás, as consequências serão piores ainda do que a estagnação, porque neste neomercantilismo não se trata já de assegurar os ganhos de um país à custa dos prejuízos dos outros países, mas apenas de conseguir que os prejuízos sofridos por um país sejam menores do que os sofridos pelos restantes. Foi assim que, por exemplo, os Estados-Unidos abandonaram a Organização Mundial de Saúde, como se a proliferação de epidemias noutros lugares não tivesse consequências imediatamente negativas sobre a população americana.</p>
<p style="text-align: justify;">Este tipo de cálculo de ganhos e perdas está subjacente à guerra de tarifas aduaneiras, em que se concentrou agora a política externa norte-americana. Ora, como David Ricardo demonstrou há mais de dois séculos, o mercantilismo é inadequado para reger uma economia capitalista. O que está em causa no comércio entre países, argumentou ele, são as vantagens comparativas, cada um produzindo certos bens de forma mais eficiente do que os outros e, portanto, tendo interesse em se especializar nessa produção. Em vez de ser uma relação de soma zero, em que o ganho de um participante se faz obrigatoriamente à custa dos outros, um comércio externo assente no aproveitamento das vantagens comparativas beneficia todos os países intervenientes, porque cada um se especializa nos sectores em que for mais eficaz. É certo que a função económica dos bens não é equiparável, porque podem inserir-se em diferentes fases de cadeias de produção que, por sua vez, podem ocupar posições dominantes ou subordinadas num quadro global. Mas as vantagens comparativas definem que todos os países intervenientes beneficiam da relação comercial, embora eventualmente em graus diferentes, enquanto na perspectiva mercantilista um país tinha de obrigar os outros a perder para que ele pudesse ganhar. Ora, um país que consiga proteger-se com barreiras aduaneiras dificilmente superáveis ou um sector que consiga escudar-se no proteccionismo isolam-se da concorrência de países ou sectores mais produtivos, que os levaria por seu turno a aumentar a produtividade, e sem essa concorrência os preços sobem e a economia estagna. Por isso, ao longo do tempo, não foram as barreiras alfandegárias, mas a globalização e a deslocalização a converter-se no eixo do desenvolvimento capitalista.</p>
<p style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-156032" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/le-Carre-1-300x200.jpg" alt="" width="580" height="387" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/le-Carre-1-300x200.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/le-Carre-1-1024x683.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/le-Carre-1-768x512.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/le-Carre-1-1536x1024.jpg 1536w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/le-Carre-1-630x420.jpg 630w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/le-Carre-1-640x427.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/le-Carre-1-681x454.jpg 681w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/le-Carre-1.jpg 1920w" sizes="(max-width: 580px) 100vw, 580px" />A tardia ressurreição do mercantilismo — despropositada se considerarmos que vivemos num contexto inteiramente distinto — é mais flagrante ainda quando a noção de conquista de territórios é incorporada aos presumidos ganhos económicos. Mas a conquista territorial, que caracterizou a formação dos antigos impérios, foi progressivamente substituída no capitalismo por um imperialismo económico, assente na desigual distribuição da mais-valia no âmbito mundial entre empresas e empresários, e não entre nações. Foi o desenvolvimento deste imperialismo estritamente empresarial que, ao longo do tempo, gerou a globalização e ultrapassou as entidades nacionais enquanto espaços económicos, deslocalizando as cadeias de produção e integrando-as por cima das fronteiras. Assim, se nestas circunstâncias já é absurda uma guerra de tarifas aduaneiras, mais absurdo ainda é o desejo, expresso por Trump, de anexação do Canadá pelos Estados Unidos, quando em muitos sectores industriais de grande importância as cadeias de produção, que estão estreitamente ligadas entre estes dois países, encontram-se igualmente ligadas a centros de fabrico estabelecidos noutros lugares. O paradoxo não é menor quando Trump ameaça repetidamente conquistar a Gronelândia.</p>
<p style="text-align: justify;">Do mesmo modo, Trump deixou claro que o seu plano de paz para a Ucrânia, ou seja, de rendição da Ucrânia à Rússia, suporia necessariamente o acesso à receita decorrente da extracção de minérios ucranianos e de outras riquezas como o gás natural e o petróleo e também de infra-estruturas, nomeadamente portuárias, sem que, por seu lado, os Estados Unidos concedessem à Ucrânia quaisquer garantias efectivas de segurança. Nem seriam necessárias, aliás, já que Trump não se cansa de repetir que acredita na palavra de Putin e que «Putin está a comportar-se muito bem». Assim, não só a iminente atenuação das sanções económicas impostas à Rússia é vista por Trump como uma oportunidade de negócio, mas também o dinheiro gasto pelos Estados Unidos no apoio à Ucrânia é contabilizado como justificativa para a apropriação de uma grande parte das riquezas desse país. Pressionado por esta chantagem, Zelensky mostrou-se relutante, mas quando finalmente se dispunha a aceitar a espoliação de 50% da receita daqueles recursos, a humilhante sessão pública de insultos a que Trump e Vance o submeteram em 28 de Fevereiro levou a suspender a assinatura do acordo. E como Zelensky insiste que continua disponível para assinar, é verosímil que Trump o imponha em breve, talvez ainda mais oneroso do que anteriormente. Não custa deduzir que Putin assegurara Trump de que o negócio seria retomado se — ou quando — a Rússia conquistar a Ucrânia. Em vez de uma globalização que distribui as funções económicas, haveria uma divisão do trabalho entre conquistadores. Zelensky não se iludiu com a situação quando observou que, enquanto Putin quer o solo da Ucrânia, Trump quer o subsolo, mas engana-se muito se pensar que os ucranianos ficarão com o solo depois de venderem o subsolo.</p>
<p style="text-align: justify;">Aparentemente, a expansão territorial tornou-se inseparável dos projectos estratégicos de Trump, interessado em colaborar com Putin no desenho de uma nova geopolítica. Este delírio assume na Palestina dimensões catastróficas, já que se — ou quando — Israel tiver ocupado inteiramente Gaza, completando o genocídio com a emigração forçada, Trump quer que esse território lhe seja entregue para erguer aí um resort de luxo. Como seria de esperar, ele adoptou o mercantilismo numa versão <em>kitsch</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Este neomercantilismo constitui uma verdadeira mudança de paradigma, e não poderia ter prevalecido tão abruptamente nos Estados Unidos se não assentasse numa profunda reorganização governamental, com um desequilíbrio de poderes em benefício do executivo e em detrimento do legislativo, e com um judiciário que só de maneira isolada e dispersa consegue no máximo atrasar algumas decisões presidenciais. No que diz respeito à política interna, parece que Trump não tem feito outra coisa senão testar os limites à sua autoridade, e em todas as provas saiu vitorioso. Aliás, como seria possível que o homem mais poderoso do governo de Trump não pertencesse oficialmente aos quadros governativos, se não bastasse o <em>diktat</em> do presidente para legitimar um cargo? E esta legitimação é tão absoluta que — algo sem precedentes! — no dia 26 de Fevereiro Elon Musk esteve presente no primeiro conselho de ministros convocado por Trump, apesar de não exercer funções oficiais, e teve direito à palavra durante mais tempo do que qualquer membro do governo excepto, claro, o presidente. Que um assessor extra-governamental supere os membros do governo mostra até que ponto Trump beneficia de uma autoridade discricionária. O novo paradigma político interno sustenta a mudança de paradigma no exterior. Mas tem uma certa lógica, aliás, que o agente de Putin comece a fundar um outro sistema de poder, porque só um autocrata representará bem outro autocrata.</p>
<p style="text-align: justify;">A Rússia, porém, não tem capacidade para se aproveitar plenamente da situação. Putin conseguiu ter um ascendente político sobre Trump, mas faltam à Rússia condições internas de desenvolvimento, económicas e sociais, que lhe permitam competir com os Estados Unidos. Aliás, também ali vigora um tipo arcaico de mercantilismo, porque em vez do imperialismo económico característico do capitalismo desenvolvido, o governo de Putin recorre à conquista territorial. Ora, a expansão pela mera força das armas revela uma economia estagnada.</p>
<p style="text-align: justify;">E assim, enquanto se desarticula aquela que até há pouco tempo foi a esfera de hegemonia dos Estados Unidos e enquanto a Rússia mostra os seus limites, a China observa pacientemente. Procurando manter o equilíbrio interno entre o capitalismo de Estado e o capitalismo de mercado e evitando que as posições políticas interfiram nas suas relações com o estrangeiro, a China continua a inserir-se nas redes da globalização económica e a esforçar-se por estimulá-las sempre que são ameaçadas. Afinal, a China prepara-se para ser ela a principal beneficiária da enorme convulsão provocada pelo agente americano de Putin, e é este o resultado mais avassalador daquilo que nem John le Carré teria sido capaz de conceber.</p>
<p style="text-align: justify;">Não será, por exemplo, evocando a Doutrina Monroe que Trump conseguirá opor-se ao avanço económico chinês na América Latina. As tarifas aduaneiras, que funcionaram no mercantilismo, são um instrumento não só débil, como prejudicial na concorrência capitalista, onde o que conta é a produtividade. Ora, desde o final da segunda guerra mundial até 1973 a produtividade nos Estados Unidos cresceu a uma taxa média anual de 2,8%, mas de então até 1995 essa taxa caiu para 1,4% e, depois de ter subido para 3,0% até 2005, manteve-se até agora ligeiramente acima de 1,5%. A estagnação parece duradoura, porque o Congressional Budget Office prevê que o crescimento médio anual da produtividade se mantenha em 1,4% até 2054. É sem dúvida exacto dizer que o neomercantilismo adoptado por Trump não conseguirá resolver esta situação, porque inclui medidas que só prejudicam a produtividade, mas podemos levar o raciocínio muito mais longe se invertermos os termos da relação e dissermos que é precisamente devido a esse longo declínio da produtividade na economia dos Estado Unidos que Trump se vê levado a adoptar aquele tipo de neomercantilismo. Para colocar a questão no âmbito mundial em que ela deve ser entendida, remeto para uma parte de um ensaio que escrevi há já quinze anos, <a href="https://passapalavra.info/2010/09/28241/" target="_blank" rel="noopener"><em>Ainda acerca da crise económica. 4) O problema da produtividade</em></a>, e verificamos então que o <em>decoupling</em> que pudéramos observar aquando da crise financeira de 2008 e 2009 confirmou definitivamente o declínio dos Estados Unidos e a nova hegemonia chinesa. Trump insere-se num longo caminho.</p>
<p style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-156046" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/le-Carre-21-300x225.jpg" alt="" width="580" height="435" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/le-Carre-21-300x225.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/le-Carre-21-1024x768.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/le-Carre-21-768x576.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/le-Carre-21-1536x1152.jpg 1536w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/le-Carre-21-2048x1536.jpg 2048w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/le-Carre-21-560x420.jpg 560w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/le-Carre-21-80x60.jpg 80w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/le-Carre-21-100x75.jpg 100w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/le-Carre-21-180x135.jpg 180w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/le-Carre-21-238x178.jpg 238w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/le-Carre-21-640x480.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/le-Carre-21-681x511.jpg 681w" sizes="(max-width: 580px) 100vw, 580px" />É assim que o capitalismo avança, destruindo para criar, tanto em pequena escala como no maior âmbito possível, e muito se ilude quem tome as crises sectoriais ou mesmo nacionais como expressão de qualquer crise geral e julgue que se avizinha o fim deste sistema económico. Em vez de estar em crise — terminal ou estrutural ou o que quer que se pretenda — o capitalismo está em desenvolvimento, numa expansão tal que gerou um espaço inteiramente novo, independente das geografias.</p>
<p style="text-align: justify;">Por que chamamos virtual a essa nova dimensão do capitalismo? A economia virtual tornou-se mais real do que a outra. É no seu âmbito e consoante as suas regras que se definirão as novas relações e, portanto, as novas lutas e com elas as novas ideias. Não se pode falar de lutas sociais sem reflectir sobre a recomposição sociológica das classes. E mesmo para quem não goste de reflectir, é flagrante que nos últimos anos a ascensão política da extrema-direita e do fascismo se deve em grande medida àquelas camadas de trabalhadores que a extrema-esquerda se habituara a considerar como a sua base inerente. Ora, esta complexa reorganização sociológica fundou também o novo alicerce dos poderes, porque a economia virtual permitiu à repressão uma expansão ilimitada. Estamos ainda no começo do processo, e já as redes sociais ditaram o fim da privacidade e os novos modos de pagamento impedem qualquer tentativa de iludir a identificação. Todos sabem tudo sobre toda a gente, e as autoridades estatais e empresariais sabem mais ainda. As formas de luta terão de ser outras, nascidas nestas novas relações, frustrando a nova fiscalização, visando esta nova realidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas aquela escassa extrema-esquerda que se pretende anticapitalista prefere agarrar-se ao que conhece e sonhar que o que já sucedeu acontecerá de novo. Todavia, a História nunca se repete. O que se repete não é História, é ainda o presente. A História que estamos a viver é para nós o desconhecido, e só os que vierem depois saberão traçar-lhe o caminho. Assim, muitas das palavras que usamos referem-se a uma realidade defunta — mas quais são elas? Quais são as palavras que ainda podemos usar? E de que novos sentidos devemos revestir as palavras antigas? O perigo é maior ainda, porque ao empregarmos as palavras como conceitos damos-lhes um valor genérico, supra-histórico, mas ao mesmo tempo perdemos o concreto. Ora, as lutas são feitas de concreto e exigem palavras novas, que possamos depois transformar em novos conceitos.</p>
<p style="text-align: justify;">Que paradoxo! O capitalismo abriu uma nova dimensão e horizontes que nem sequer somos capazes de imaginar, mas esta extrema-esquerda entoa cada dia o seu <em>de profundis. </em>Afinal, é o <em>de profundis</em> de quem?</p>
<p style="text-align: center;"><strong>*</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Post Scriptum:</em> Mal este artigo acabara de ser publicado, a CIA anunciou que suspendera o fornecimento de informações militares à Ucrânia, o que põe em risco todo o esforço de guerra deste país.</p>
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		<title>O drama existencial da velha esquerda e o nosso</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Edinilson]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Mar 2025 09:31:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Extrema_esquerda]]></category>
		<category><![CDATA[Ucrânia]]></category>
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					<description><![CDATA[A esquerda Putinista, sem princípios, cínica, pragmática e maquiavélica, que agora tem Trump, Orbán e Weidel, por aliados, acelerou a sua corrida para o abismo. Por M. Ricardo de Sousa]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por M. Ricardo de Sousa</h3>
<p style="text-align: justify;">A invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, e a guerra que seguiu vai marcar decisivamente a nossa época. É certo que mesmo depois da II Guerra Mundial os conflitos bélicos, invasões e enfrentamentos armados não pararam no mundo, principalmente nas periferias. Em muitos deles tiveram papel de destaque as superpotências da Guerra Fria e em particular os EUA. Apesar disso a vitória coube na maioria dos casos aos povos que se queriam livrar dos poderes coloniais e imperiais, não conseguindo os EUA e os países coloniais europeus, ou a URSS, impor a sua supremacia militar pela força das armas. É verdade, que passados todos estes anos sabemos que a independência nacional era uma miragem, num sistema capitalista tentacular e global, e a libertação dos povos implodiu internamente com a recomposição de classes dirigentes e elites saídas das lutas pela independência e isso vale para a Argélia, as ex-colónias portuguesas ou para o Vietname.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de tudo isso poucos esperavam, no final do século XX, que a Rússia reconstruída sobre um modelo autoritário e oligarca capitalista, ideologicamente reaccionária e imperial, mas decadente do ponto de vista económico e tecnológico, pudesse vir a se constituir como nova ameaça para os estados resultantes da implosão da URSS. No entanto, algumas décadas após os anos 90, a Rússia, ou melhor sua elite oligárquica reaccionária comandada por Putin, o ex-funcionário comunista, tomou a iniciativa de ir intervindo e condicionando os novos países da sua região até à invasão maciça da Ucrânia em que procurou derrubar o governo e submeter de forma duradoura esse país à sua órbita geoestratégica. O resultado está à vista: centenas de milhares, talvez milhões, de mortos e estropiados, cidades e campos destruídas, milhões de deslocados, uma crise económica, crescimento do militarismo, expansão da NATO, corrida aos armamentos, o caos e imprevisibilidade nas relações internacionais.</p>
<p style="text-align: justify;">Face a tudo isto, a chamada esquerda de tradição anticapitalista dividiu-se e uma parte dela, a mais institucional e de referência leninista tomou o partido do invasor, da Rússia, aceitando os seus argumentos que justificavam o desencadear da guerra: a existência de comunidades russas na Ucrânia que se queriam ligar à Federação Russa, o nazismo dos governantes ucranianos, a expansão da NATO e, acima de tudo, o velho e agressivo imperialismo dos EUA. Bastava olhar para a NATO em coma, a falta de apoio ao militarismo na Europa, com as despesas militares em queda permanente, a decadência e desinteresse norte-americano no Velho Continente, a relevância da extrema direita na Rússia, para perceber que a realidade era então bem diferente daquela visão anti-imperialista de uma esquerda parada nos anos 60/70.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo assim o discurso dos rebuscados argumentos geoestratégicos e políticos putinistas afirmaram-se entre essa esquerda que justificava a rendição e submissão do povo ucraniano ao expansionismo russo, algumas vezes usando um pacifismo cínico na retórica.</p>
<p style="text-align: justify;">Passados estes três anos de guerra, recordemos que a Grande Guerra que começou o século XX durou quatro anos, uma nova realidade foi criada pela reeleição de um presidente populista e reaccionário nos EUA. A política externa norte-americana agora é de <em>paz imediata</em>. Os seus interesses económicos e de política externa não são compatíveis com a continuidade de conflitos destrutivos, perigosos e violentos como os que ocorrem na Europa e na Palestina, por isso há que impor o rápido cessar dessas guerras a todo o custo. Para isso usa-se a pressão, a ameaça e a chantagem. Mesmo que o negócio das armas seja bom para o complexo militar, a economia capitalista vive da produção muito diversificada de produtos e serviços, que só podem ser consumidos em sociedades pacificadas onde se possam transacionar continuamente as mercadorias. Os impérios podem conviver com a guerra nas suas fronteiras e na periferia, mas não no seu interior.</p>
<p style="text-align: justify;">Quanto à Ucrânia agora é Trump a evocar os argumentos de Putin numa curiosa coincidência mas a que não é estranha a vontade comum de submeter o povo ucraniano a um novo tratado geoestratégico onde só contam os interesses das duas potências: Rússia e EUA. Sob o olhar astuto e silencioso da ascendente potência distante, a China. As consequências deste processo, ainda em andamento, são imprevisíveis e como isso vai contribuir para reforçar o militarismo na Europa, o autoritarismo expansionista da Rússia, uma crise terminal da União Europeia, e um novo impulso ao poder da burocracia chinesa não se pode ainda adivinhar. Mas não há dúvida que vão sair reforçados desta invasão Russa da Ucrânia o militarismo, uma nova corrida aos armamentos, o expansionismo das superpotências, as correntes políticas autoritárias e reaccionárias, como ainda agora se confirma pelo crescimento da AfD na Alemanha (também eles defensores do Putinismo), e acima de tudo a afirmação dos poderes imperiais contra os interesses dos povos seja por via da intervenção militar, seja por via da intervenção económica.</p>
<p style="text-align: justify;">Não cabe aos libertários tomar o partido nas guerras entre Estados ou alinhar com as classes dominantes de um país, nem sequer formular a estratégia a usar pelos povos agredidos, mas cabe-lhes a solidariedade com os povos e classes dominadas vítimas das guerras e agressões, desenvolvendo uma reflexão e acção crítica autónoma e independente dos donos do Poder. Esta constatação óbvia não parece ser hoje unânime, nem sequer popular.</p>
<p style="text-align: justify;">Por tudo isto pode-se concluir que esta esquerda Putinista, sem princípios, cínica, pragmática e maquiavélica, que agora tem Trump, Orbán e Weidel, por aliados, acelerou a sua corrida para o abismo, tornando-se cada vez mais insignificante e incapaz de sustentar um projecto autónomo distinto do das elites e classes dominantes que gerem o capitalismo nas suas diversas formas. Esta velha esquerda, parlamentar e extra-parlamentar, está morta, só falta enterrá-la de vez para não termos de respirar o ar putrefacto que emana do seu cadáver.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-156018" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/Ucrania-3-300x225.webp" alt="" width="600" height="450" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/Ucrania-3-300x225.webp 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/Ucrania-3-1024x768.webp 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/Ucrania-3-768x576.webp 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/Ucrania-3-560x420.webp 560w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/Ucrania-3-80x60.webp 80w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/Ucrania-3-100x75.webp 100w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/Ucrania-3-180x135.webp 180w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/Ucrania-3-238x178.webp 238w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/Ucrania-3-640x480.webp 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/Ucrania-3-681x511.webp 681w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/03/Ucrania-3.webp 1280w" sizes="auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px" />Há um paradoxo curioso, e surpreendente, na nossa época, os conservadores, mesmo a sua extrema-direita, tem redefinido sistematicamente as suas ideias económicas, políticas e sociais. Muito pouco resta do seu liberalismo e pensamento político de há cem anos. Já os revolucionários anticapitalistas mantém-se agarrados aos seus dogmas, às mesmas teorias e práticas dos seus antepassados. Isto vale para marxistas, leninistas e anarquistas.</p>
<p style="text-align: justify;">Que fazer?, perguntava-se, em 1902, um dos responsáveis do desastre histórico que está na génese da Rússia actual. Precisámos urgentemente de uma alternativa ao existente. Mas qual, perguntámos nós sobreviventes do desastre em pleno século XXI. Talvez essas ideias, e práticas, de que necessitámos estejam ainda a germinar nesse velho caldo de cultura anticapitalista. Uma coisa é certa, as do longo século XIX, que se encerrou nos anos 90 do século passado, parecem já não nos servir.</p>
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		<title>Ucrânia — quase três anos depois</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Edinilson]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Oct 2024 07:53:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Extrema_esquerda]]></category>
		<category><![CDATA[Rússia]]></category>
		<category><![CDATA[Ucrânia]]></category>
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					<description><![CDATA[O facto de a guerra na Ucrânia permanecer sem resposta prática mostra até que ponto de irrelevância chegou a extrema-esquerda. Por João Bernardo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por João Bernardo</h3>
<p style="text-align: justify;"><strong>1.</strong> A invasão da Ucrânia ocorreu há mais de dois anos e meio e a guerra ameaça ultrapassar os três anos, embora Trump seja aqui a grande incógnita, bem como o é a ascensão da extrema-direita e dos fascistas na Alemanha. De qualquer modo, o que de início Putin apresentava como uma simples operação militar, que se destinaria a substituir um governo apelidado de «nazi» e contaria com o aplauso geral da população, deparou, em vez disso, com a resistência dos ucranianos e transformou-se numa guerra clássica de longa duração, transformada numa guerra de atrito. Esta foi a mais espectacular derrota política de Putin — mas será também uma derrota militar?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>2.</strong> No caso da invasão russa da Ucrânia, a célebre norma formulada por Clausewitz, de que o exército atacante está numa posição mais difícil do que o exército encarregado da defesa, porque as suas linhas logísticas são mais extensas e deparam com mais obstáculos, é minorada pelo facto de os atacantes serem fronteiriços dos territórios invadidos. E há ainda outros factores.</p>
<p style="text-align: justify;">A Federação Russa dispõe de muito maior profundidade territorial, tem mais do quádruplo da população da Ucrânia e a sua economia é mais volumosa. É certo que a Ucrânia recebe armas dos seus aliados, mas a Rússia recebe-as também dos aliados dela, nomeadamente do Irão e da Coreia do Norte, além de as produzir em muito maior quantidade. A superioridade de fogo da artilharia russa relativamente à ucraniana varia, consoante as zonas da frente de combate, entre 3:1 e 10:1. Ora, saberá alguém em que proporções exactas uma guerra depende dos factores materiais ou dos factores humanos e em que medida eles estão interligados? Em 16 de Setembro de 2024, Putin decretou um recrutamento suplementar de 180.000 soldados, elevando o total das forças armadas russas a um milhão e meio de pessoas, o que as converte no segundo maior contingente mundial de forças de combate, logo depois da China e à frente da Índia e dos Estados Unidos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>3.</strong> Além disso, o desequilíbrio militar entre a Rússia invasora e a Ucrânia invadida não foi invertido pelas sanções económicas ocidentais, que tiveram um resultado contrário ao pretendido.</p>
<p style="text-align: justify;">O governo russo adoptou uma política de expansão do crédito e de investimentos nas infra-estruturas, o Produto Interno Bruto continua a crescer rapidamente em termos reais, ou até acelerou nos últimos meses, e a taxa de desemprego aproxima-se do seu nível mais baixo. E como, para combater a inflação, o banco central tem aumentado bastante as taxas de juro, o rublo reforçou-se mediante a atracção do investimento estrangeiro, nomeadamente oriundo da China e da Índia, o que mais ainda contribui para acelerar a economia. «Numa economia normal, taxas de juro mais elevadas prejudicariam as famílias e empresas endividadas, devido ao aumento do custo de reembolso da dívida», observou <em>The Economist</em> num artigo de 11 de Agosto de 2024. «O governo, porém, protegeu quase completamente a economia real dos efeitos de uma política monetária mais restritiva». Aliás, os indicadores relativos ao consumo e às empresas revelam a confiança da população russa na situação económica.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, não só as sanções ocidentais não prejudicaram substancialmente o funcionamento da economia da Federação Russa como beneficiaram países não alinhados, ou não inteiramente alinhados, com os Estados Unidos e que servem de intermediários para o comércio externo russo. Com efeito, desde início as sanções não foram aplicadas por um conjunto de países representando mais de 80% da população mundial e 40% do Produto Interno Bruto mundial, o que dá à Federação Russa amplas possibilidades de as contornar. Neste contexto, consolidou-se a hegemonia económica e política da China sobre a Rússia e reforçou-se a posição mundial da China, exactamente o contrário do que pretende a estratégia dos Estados Unidos.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao mesmo tempo, propiciou-se o desenvolvimento de toda uma rede dissimulada de países ou agentes privados que lucram ajudando a Rússia a obviar às sanções, fornecendo chorudas oportunidades às várias formas de economia paralela.</p>
<p style="text-align: justify;">E do outro lado? A transformação da invasão russa numa guerra de longa duração tem efeitos económicos muito negativos para a Ucrânia, que podem ser ilustrados por uma única série de dados. Antes da invasão, a produção de aço assegurava um terço das exportações ucranianas. Para avaliarmos o que isso significava no âmbito mundial, basta recordar que em 2021 a Ucrânia produziu 21,4 milhões de toneladas de aço bruto, situando-se em 14º lugar entre os maiores produtores mundiais de aço, uma posição que caiu para 24º lugar em 2023, quando a produção se limitou a 6,2 milhões de toneladas. E agora prevê-se que em 2024 os resultados sejam ainda inferiores, entre 2 e 3 milhões de toneladas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>4.</strong> A situação económica é inseparável da situação política. Durante estes quase três anos de guerra a democraticidade na Ucrânia tem-se reduzido e a centralização tem aumentado, assim como se agravou o controle exercido sobre a população e sobre os canais de informação. É a própria guerra que pressiona a esta evolução. E como todos os conflitos militares são não só um grande negócio, mas ainda uma oportunidade de outros negócios, a corrupção herdada da época soviética encontrou novas ocasiões para prosperar.</p>
<p style="text-align: justify;">As vítimas da guerra não são só os mortos e feridos e as ruínas das cidades e instalações arrasadas, porque entre as destruições conta-se a deterioração da vida social e política. Quanto mais a guerra durar, tanto mais a vida cívica da Ucrânia tenderá a decair.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-155018" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/10/Ucrania-John-Moore-2-300x200.jpg" alt="" width="600" height="400" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/10/Ucrania-John-Moore-2-300x200.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/10/Ucrania-John-Moore-2-1024x683.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/10/Ucrania-John-Moore-2-768x512.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/10/Ucrania-John-Moore-2-630x420.jpg 630w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/10/Ucrania-John-Moore-2-640x427.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/10/Ucrania-John-Moore-2-681x454.jpg 681w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/10/Ucrania-John-Moore-2.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px" />5.</strong> Perante a situação complexa desencadeada pela invasão da Ucrânia, uma parte considerável da extrema-esquerda defende Putin e aceita sem hesitar o seu argumento de que ele se teria limitado a responder a uma agressão iniciada pela Nato (Otan).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>a)</strong> Ora, se este argumento já nasceu frágil, porque desde o início da invasão russa tanto os Estados Unidos como os outros países da esfera norte-americana têm imposto sucessivas restrições à capacidade defensiva da Ucrânia, mais frágil é agora, depois da visita de Zelensky aos Estados Unidos em Setembro de 2024, que deixou visíveis os limites do apoio ocidental. Conviria que a extrema-esquerda não confundisse proclamações com factos, mas seria pedir-lhe demais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>b)</strong> Mais paradoxalmente ainda, se Putin desencadeou a invasão para evitar que a Nato incorporasse a Ucrânia e chegasse assim às fronteiras da Federação Russa, só conseguiu, de imediato, reforçar a coesão interna da Nato, que estava em risco de decomposição na sequência da presidência de Trump. Pior ainda para os planos de Putin, alguns países que tradicionalmente tinham respeitado uma certa neutralidade integraram-se na Nato, ampliando-se a presença da aliança ocidental às portas da Federação Russa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>c)</strong> Por outro lado, ao aceitar a tese de que historicamente a Ucrânia faria parte da Rússia, essa extrema-esquerda mostra desconhecer a História, em especial a acção dos cossacos na vasta e vaga zona de fronteira que separava a Polónia da Rússia e, no sul, do Império Otomano. Só em 1764, com o afastamento do hetman Razumovski e o estabelecimento de uma administração centralizadora, é que Catarina II deu início à russificação sistemática da Ucrânia. Nos seus planos geopolíticos Putin apresenta-se como herdeiro de Catarina a Grande e de Stalin, e é precisamente nestes planos que a parte mais vociferante da extrema-esquerda o apoia.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>d)</strong> Em conclusão, essa extrema-esquerda, que abandonou o tema da exploração do trabalho, do mesmo modo trocou a noção económica de imperialismo por uma noção geopolítica. O imperialismo passou simplesmente a designar um dos lados do tabuleiro, enquanto o outro lado seria, por definição, anti-imperialista, embora inclua o mais dinâmico imperialismo económico da actualidade — a China. Aliás, já nem se trata só de esquecer a questão da exploração, porque são mesmo esquecidas as liberdades individuais que estamos habituados a considerar indispensáveis, e essa extrema-esquerda apoia ditaduras abjectas desde que se classifiquem como anti-americanas. O eixo que lhe merece o aplauso passa por Moscovo, Pyongyang e Teherão. É o stalinismo reduzido à sua caricatura.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>6.</strong> Outra parte da extrema-esquerda defende o fim da guerra na Ucrânia através da deserção maciça. Recorda assim o que se passou há mais de um século, na primeira guerra mundial, quando em França os sindicatos organizavam à luz do dia o movimento de deserção e, segundo um relatório do serviço de informações do exército, só na região de Paris havia dez mil desertores; quando entre as tropas portuguesas as fugas e as deserções eram muito frequentes; quando na Rússia a frente de combate se desagregou em 1917; quando no Canadá, no final de 1917 e início de 1918, pediram dispensa mais de 90% dos convocados para irem combater na frente francesa; quando as insubordinações se converteram em deserções nos impérios alemão e austro-húngaro, atingindo o número de desertores mais de setecentos e cinquenta mil na Alemanha e calculando-se em quatrocentos mil o número de desertores do exército austro-húngaro em Setembro de 1918, na mesma ocasião em que na Bulgária a linha da frente se desintegrava completamente; quando, no final da guerra, a quinta parte dos soldados italianos havia desertado.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas esta extrema-esquerda que apela agora à deserção está congelada no tempo, e já na segunda guerra mundial esses apelos haviam sido inúteis, porque só um lado os fizera.</p>
<p style="text-align: justify;">Em França, num artigo célebre de Maio de 1939 Marcel Déat, que em breve haveria de chefiar um dos principais partidos fascistas do seu país, perguntava retoricamente se valeria a pena «morrer por Danzig», do mesmo modo que oito meses antes o semanário fascizante <em>Gringoire</em> proclamara a sua falta de vontade de «morrer pelos Sudetas», enquanto do outro lado do leque político o Partido Socialista Operário e Camponês, mobilizando a extrema-esquerda socialista, afirmara em Setembro de 1938 que «julgamos morrer pela pátria e em vez disso morremos pela Skoda». O terreno estava assim preparado para que nos primeiros dias da guerra o anarquista Louis Lecoin redigisse um abaixo-assinado intitulado <em>Paz Imediata</em>, apelando à deposição das armas pelos exércitos beligerantes, e subscrito também por outros anarquistas, como Henry Poulaille, por catorze sindicalistas, por Marceau Pivert, que era a personalidade mais destacada da extrema-esquerda socialista e mentor do Partido Socialista Operário e Camponês, e pela mesma grande figura do fascismo que há pouco mencionei, Marcel Déat, além de alguns personagens próximos de Gaston Bergery, promotor da constituição de um fascismo francês. Ao mesmo tempo, também o Partido Comunista Francês se opunha à guerra, devido ao pacto germano-soviético. O grande problema é que do lado do Terceiro Reich não havia uma posição similar e ninguém apelava para o pacifismo e a deserção.</p>
<p style="text-align: justify;">A mesma assimetria repete-se hoje na Ucrânia. Pelo menos 80.000 soldados abandonaram as unidades em que combatiam, mais de metade deles nos primeiros oito meses de 2024. Acresce que apesar das leis e das fiscalizações, além dos perigos do percurso, desde o começo da invasão russa mais de 44.000 ucranianos atravessaram ilegalmente a fronteira para fugir antecipadamente ao recrutamento militar. A estes números somam-se os 6,7 milhões de ucranianos refugiados no estrangeiro, entre os quais 1,5 milhões de homens em idade de servir no exército, uma situação que tende a ampliar-se porque, se nos primeiros oito meses de 2023 haviam emigrado do país 231.000 pessoas, emigraram 400.000 em igual período de 2024. Chegou-se a tal ponto que em Outubro de 2024 Zelensky decidiu criar um Ministério da Unidade, destinado a contrapor-se à propaganda russa e manter os emigrantes na esfera cultural e política do país, com o objectivo de que, terminada a guerra, vários milhões de emigrados regressem à Ucrânia. Talvez mais importante ainda seja o facto de as deserções beneficiarem de um respaldo popular porque, segundo uma sondagem de opinião recente, só menos de 30% dos ucranianos consideram a deserção como um acto vergonhoso. Mas o mesmo não se passa do lado russo, onde o aparelho repressivo é muitíssimo mais forte, a ponto de recorrer ao fuzilamento de desertores, e as fugas e deserções são pouco frequentes, contando-se pelas dezenas ou centenas.</p>
<p style="text-align: justify;">Ora, não é com palavras de ordem bem-intencionadas, mas fora do contexto, que se resolve a situação. Elas servem apenas para tranquilizar a consciência de quem as profere.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>7.</strong> Uns abdicaram de tudo o que deveria caracterizar os anti-capitalistas, os outros abdicaram da realidade e vivem na nostalgia. Que caminho se abre então à extrema-esquerda, para além de repetir aquilo que deveria ser uma verdade óbvia — que qualquer país tem o direito de não ser invadido? O facto de esta questão permanecer sem resposta prática mostra, uma vez mais, até que ponto de irrelevância nós chegámos.</p>
<p><strong>Algumas referências</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Para a questão da superioridade da artilharia russa relativamente à ucraniana, ver <a href="https://www.economist.com/europe/2024/09/08/danger-in-donbas-as-ukraines-front-line-falters" target="_blank" rel="noopener">aqui</a> e <a href="https://www.economist.com/briefing/2024/09/26/ukraine-is-on-the-defensive-militarily-economically-and-diplomatically" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Para a questão da dimensão humana das forças militares russas, ver <a href="https://elpais.com/internacional/2024-09-16/putin-ordena-aumentar-el-ejercito-de-rusia-hasta-los-15-millones-de-militares.html" target="_blank" rel="noopener">aqui</a> e <a href="https://www.economist.com/the-world-this-week/2024/09/19/politics" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Para a questão da ineficácia das sanções ocidentais e a situação económica da Federação Russa, ver <a href="https://www.economist.com/finance-and-economics/2024/03/10/russias-economy-once-again-defies-the-doomsayers" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>, <a href="https://www.economist.com/leaders/2024/03/14/rogue-russia-threatens-the-world-not-just-ukraine" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>, <a href="https://www.economist.com/asia/2024/04/11/how-indias-imports-of-russian-oil-have-lubricated-global-markets" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>, <a href="https://www.economist.com/finance-and-economics/2024/08/11/vladimir-putin-spends-big-and-sends-russias-economy-soaring" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>, <a href="https://www.economist.com/europe/2024/08/19/the-mysterious-middlemen-helping-russias-war-machine" target="_blank" rel="noopener">aqui</a> e <a href="https://www.economist.com/finance-and-economics/2024/08/28/how-vladimir-putin-hopes-to-transform-russian-trade" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Para a questão da produção ucraniana de aço, ver <a href="https://www.economist.com/europe/2024/10/13/why-russia-is-trying-to-seize-a-vital-ukrainian-coal-mine" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Para a questão das deserções e da emigração na Ucrânia e da escassez de deserções na Rússia, ver <a href="https://libcom.org/article/long-hot-summer-ukrainian-and-russian-soldiers-broke-records-growth-desertions" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>,  <a href="https://elpais.com/internacional/2024-09-09/robustos-controles-fronterizos-y-montanas-pedregosas-el-viaje-de-miles-de-jovenes-ucranios-que-desertan.html" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>, <a href="https://www.economist.com/briefing/2024/09/26/ukraine-is-on-the-defensive-militarily-economically-and-diplomatically" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>, <a href="https://elpais.com/internacional/2024-10-10/zelenski-ultima-la-creacion-de-un-ministerio-de-la-unidad-para-salvar-a-ucrania-del-desastre-demografico.html" target="_blank" rel="noopener">aqui</a> e <a href="https://elpais.com/internacional/2024-10-14/alarma-en-ucrania-por-el-aumento-de-las-deserciones-en-el-ejercito.html" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>.</p>
<p style="text-align: center;"><em>A fotografia de destaque é de Libkos e a inserida no texto é de John Moore</em>.</p>
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		<title>Humanismo sob medida (1)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 May 2024 05:00:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Flagrantes Delitos]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Govs_nacionais_e_internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Palestina]]></category>
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					<description><![CDATA[O assessor especial do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva para assuntos internacionais, Celso Amorim, criticou o uso de Inteligência Artificial na ofensiva de Israel contra os palestinos em Gaza, e defendeu a aplicação do direito internacional ao ciberespaço. “Isso é especialmente verdadeiro no que diz respeito às questões humanitárias e aos direitos humanos”, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O assessor especial do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva para assuntos internacionais, Celso Amorim, criticou o uso de Inteligência Artificial na ofensiva de Israel contra os palestinos em Gaza, e defendeu a aplicação do direito internacional ao ciberespaço. “Isso é especialmente verdadeiro no que diz respeito às questões humanitárias e aos direitos humanos”, disse Amorim durante uma conferência internacional sobre segurança promovida pelo Kremlin, em São Petersburgo. <strong>Passa Palavra</strong></p>
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		<title>Velha Toupeira (8)</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Sep 2023 07:46:58 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-149949 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/09/Screenshot-2023-09-11-at-04-44-01-VT008-Prigozhin.pdf.png" alt="Velha Toupeira (8)" width="1133" height="310" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/09/Screenshot-2023-09-11-at-04-44-01-VT008-Prigozhin.pdf.png 1133w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/09/Screenshot-2023-09-11-at-04-44-01-VT008-Prigozhin.pdf-300x82.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/09/Screenshot-2023-09-11-at-04-44-01-VT008-Prigozhin.pdf-1024x280.png 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/09/Screenshot-2023-09-11-at-04-44-01-VT008-Prigozhin.pdf-768x210.png 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/09/Screenshot-2023-09-11-at-04-44-01-VT008-Prigozhin.pdf-640x175.png 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/09/Screenshot-2023-09-11-at-04-44-01-VT008-Prigozhin.pdf-681x186.png 681w" sizes="auto, (max-width: 1133px) 100vw, 1133px" /></p>
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		<title>Velha Toupeira (5)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Jun 2023 09:31:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cartoons]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-148995 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/06/velhatoupeira5-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="853" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/06/velhatoupeira5-scaled.jpg 2560w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/06/velhatoupeira5-300x100.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/06/velhatoupeira5-1024x341.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/06/velhatoupeira5-768x256.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/06/velhatoupeira5-1536x512.jpg 1536w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/06/velhatoupeira5-2048x683.jpg 2048w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/06/velhatoupeira5-1260x420.jpg 1260w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/06/velhatoupeira5-640x213.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/06/velhatoupeira5-681x227.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /></p>
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		<title>Um ano de invasão em grande escala, de resistência vinda de baixo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Aníbal]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Mar 2023 10:48:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
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					<description><![CDATA[Desde os primeiros dias esse massacre provoca uma ação direta furiosa fora do quadro das estruturas estatais ucranianas. Por Assembly]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por <a href="https://libcom.org/article/year-full-scale-invasion-year-resistance-it-below-part-19" target="_blank" rel="noopener">Assembly</a></h3>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Faltam apenas dois dias para completar um ano do início da guerra aberta da Rússia contra a Ucrânia [24 de fevereiro de 2023]. Desde os primeiros dias esse massacre provoca uma ação direta furiosa fora do quadro das estruturas estatais ucranianas, e a nossa revista feita pela base na linha de frente da Ucrânia Oriental já dedicou quase duas dúzias de sínteses gerais a estas pessoas corajosas! Quanto mais fortes forem as repressões do regime do Kremlin, mais feroz será a ação direta popular. A foto-título chegou em janeiro de Krasnoiarsk, na Sibéria.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Embora o frio do inverno na Ucrânia já esteja chegando ao fim e os piores apagões tenham ficado para trás, a nossa equipe ainda precisa de recursos para trabalhar nesta coluna internacional e em atividades voluntárias offline. Você é convidado a juntar-se à angariação de fundos, se ainda não o fez, <a class="urlextern" title="https://www.globalgiving.org/projects/mutual-aid-alert-for-east-ukraine/" href="https://www.globalgiving.org/projects/mutual-aid-alert-for-east-ukraine/" rel="ugc nofollow">neste link</a>. Muito obrigado a todos antecipadamente!</em></p>
<p style="text-align: justify;">Com a aproximação do primeiro aniversário da eclosão da maior guerra na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, todos os políticos, analistas e observadores estão competindo uns com os outros para tirar conclusões dos acontecimentos passados e construir previsões para o futuro. Nesse caso, vamos apenas lembrar como terminamos a 17ª edição dessa síntese &#8211; a última no ano passado. Além disso, a previsão sobre o início de 2023 com uma nova <a class="urlextern" title="https://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_Verdun" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_Verdun" rel="ugc nofollow">batalha de Verdun</a>, que é a ofensiva russa na região de Donetsk, já foi confirmada. Em seguida, respectivamente, há um análogo à <a class="urlextern" title="https://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_do_Somme" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_do_Somme" rel="ugc nofollow">Batalha do Somme</a> &#8211; a contra-ofensiva ucraniana:</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">“O regime do Kremlin está em apuros e já está ciente disso. Mas não pode quebrar o impasse &#8211; a classe dominante russa está muito enredada nessa teia sangrenta. Forçar Kiev a concordar com uma paz honrosa para o Kremlin através da destruição da infraestrutura energética não funcionou. Resta repetir a experiência de Verdun, na esperança de que não seja como em 1916. Historicamente, a Rússia encerrou guerras malsucedidas devido a derrotas não no front, mas na retaguarda. Durante a Guerra da Crimeia, os aliados capturaram Sebastopol a um alto custo, mas não conseguiram destruir o exército russo. A principal ameaça ao tzarismo não eram as forças expedicionárias anglo-francesas, mas o número exponencialmente crescente de revoltas camponesas e o caixa vazio. O mesmo aconteceu durante a Guerra Russo-Japonesa. Tsushima, Port Arthur e Mukden foram uma humilhação para o Império, mas o seu potencial militar e econômico ainda era muito superior ao do Japão. Foi a revolução em São Petersburgo e Moscou que obrigaram Nicolau II a assinar a difícil paz de Portsmouth, e não o poder do <a class="urlextern" title="https://pt.wikipedia.org/wiki/Imperador_do_Jap%C3%A3o" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Imperador_do_Jap%C3%A3o" rel="ugc nofollow">Mikado</a>. Na Primeira Guerra Mundial, o fim da guerra veio também graças à retaguarda, não ao front. As revoluções na Rússia, na Alemanha, na Hungria, a situação revolucionária na França, na Itália e até na Grã-Bretanha revelaram-se mais importantes do que armas e lança-chamas.</p>
<p style="text-align: justify;">Agora, o papel da retaguarda para o fim da guerra é discutido muito menos do que os combates. E isso é um grande erro. O protesto dos conscritos ou dos seus familiares, o declínio constante do apoio à guerra e o descrédito do regime aos olhos dos russos comuns são mais importantes para a causa da paz do que os tanques, a aviação e os famosos <a class="urlextern" title="https://pt.wikipedia.org/wiki/HIMARS" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/HIMARS" rel="ugc nofollow">HIMARS</a> [High Mobility Artillery Rocket System].”</p>
<p style="text-align: justify;">Vladimir Romanenko, jornalista do KP.ru, cometeu sabotagem de informação contra um dos maiores veículos de comunicação russos ao publicar notícias honestas sobre a guerra em seu site: “Ativistas russos continuam a resistir ao regime de Putin apesar das repressões”, “A paz não vem por causa de Putin”, “Putin ordenou o bombardeio de cidades pacíficas na Ucrânia.” O jornalista deixou a Rússia após o início da mobilização. Apesar da reserva típica da mídia, ele trabalhou na redação apenas por uma questão de dinheiro e não concordava com a censura e as políticas. Mas, em algum momento, as crenças tornaram-se mais valiosas do que o pagamento.</p>
</blockquote>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-147979 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp1.png" alt="Um ano de invasão em grande escala" width="1280" height="897" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp1.png 1280w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp1-300x210.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp1-1024x718.png 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp1-768x538.png 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp1-599x420.png 599w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp1-640x449.png 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp1-681x477.png 681w" sizes="auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Vladimir Romanenko, jornalista do KP.ru, cometeu sabotagem de informação contra um dos maiores veículos de comunicação russo ao publicar notícias honestas sobre a guerra em seu site: “Ativistas russos continuam a resistir ao regime de Putin apesar das repressões”, “A paz não vem por causa de Putin”, “Putin ordenou o bombardeio de cidades pacíficas na Ucrânia.” O jornalista deixou a Rússia após o início da mobilização. Apesar da reserva típica da mídia, ele trabalhou na redação apenas por uma questão de dinheiro e não concordava com a censura e as políticas. Mas, em algum momento, as crenças tornaram-se mais valiosas do que o pagamento.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Entre os atos radicais, a guerrilha ferroviária foi a que mais ganhou força desde o início do ano. As autoridades russas afirmam rotineiramente que isso está sendo feito devido ao dinheiro oferecido em aplicativos de mensagem por serviços especiais ucranianos e neonazistas, mas nenhuma prova foi mostrada. No entanto, mesmo que isso seja verdade, os montantes alegadamente oferecidos pelas ações são realmente simbólicos em comparação com o dinheiro para o serviço nas tropas invasoras…</p>
<p style="text-align: justify;">Na noite de 16 de janeiro foram queimadas as quatro cabines de relé na Ferrovia da Sibéria Oriental perto de Ulan-Ude (um ataque semelhante ocorreu perto da capital da Buriácia em 13 de janeiro). O incêndio foi apagado pelos bombeiros. Foi descoberto que inicialmente as cabines foram abertas e só então incendiadas. Os incendiários também tentaram abrir as cabines principais, mas as suas trancas eram mais resistentes. O incêndio não afetou o movimento dos trens &#8211; nenhum atraso foi registrado. A quantidade total de danos é superior a 350 mil rublos &#8211; essas ações causaram um atraso de trens de carga por 40 minutos. Após o segundo incêndio, os suspeitos foram capturados e sua identidade foi revelada em 18 de janeiro. Eles são adolescentes de Ulan-Ude: Daniil S., de 17 anos; Konstantin K., de 18 anos; e Evgeniy G., de 19 anos. Segundo os investigadores, os suspeitos entraram em uma conversa no aplicativo Telegram em que dinheiro fora oferecido pelas ações. Eles supostamente receberam 30 mil rublos para iniciar o incêndio. Agora, os adolescentes são acusados nos termos do Art. 281 do Código Penal &#8211; “sabotagem”.</p>
<p style="text-align: justify;">Na noite de 18 de janeiro, foram incendiadas cabines de relé perto de Vladivostoque (o lado esquerdo da foto abaixo). A circulação de mercadorias e trens militares no território de Primorsky foi suspensa. Na noite seguinte, alguém queimou os blocos na Ferrovia Transiberiana perto de Krasnoiarsk (lado direito). Ambos os casos foram reivindicados pelo Movimento Popular da Legião “Liberdade da Rússia”. (Por precaução, recordamos que cobrir as atividades desta associação centrista de várias oposições pró-ucranianas não significa que compartilhamos de suas opiniões em tudo).</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-147980 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp2.png" alt="Um ano de invasão em grande escala" width="930" height="848" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp2.png 930w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp2-300x274.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp2-768x700.png 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp2-461x420.png 461w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp2-640x584.png 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp2-681x621.png 681w" sizes="auto, (max-width: 930px) 100vw, 930px" /></p>
<p style="text-align: justify;">Na noite de 23 de janeiro, um desconhecido ateou fogo a uma caixa de sinalização na estação de Surazh, na região de Briansk. Aparentemente o equipamento danificado pelo fogo no cruzamento não pode ser consertado. Assim, o tráfego ferroviário na zona fronteiriça foi interrompido. Em 24 de dezembro, a mídia pró-Kremlin de Ivanovo escreveu sobre a detenção de vários adolescentes por incendiarem o painel de relés nessa cidade:<em> “A proposta de ‘atear fogo na cabine’ da ferrovia foi encontrada no grupo de uma rede social; um cliente desconhecido prometeu pagar mais de 10 mil rublos, se uma foto e um vídeo do incêndio criminoso fossem apresentados. Estudantes do ensino médio encharcaram a cabine com gasolina, atearam fogo, fotografaram e enviaram para o cliente. O dinheiro pelos incêndios caiu na conta dos incendiários no mesmo dia. Além de ‘incendiar a cabine’, no grupo da rede social também havia propostas para atear fogo a um trem ou mesmo organizar uma explosão que atingisse seres vivos por uma “taxa” maior, mas os alunos não concordaram com isso”</em>. Foi aberto um processo criminal por destruição intencional de propriedade por incêndio criminoso, com punição de até 5 anos de prisão. Na noite de 25 de janeiro, uma locomotiva a diesel, que estava parada na estação de Ivanovo, ainda queimava. Neste <a class="urlextern" title="https://t.me/VDlegionoffreedom/3342" href="https://t.me/VDlegionoffreedom/3342" rel="ugc nofollow">vídeo</a>, “Liberdade da Rússia” afirma que a cabine do condutor foi incendiada.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-147981 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp3.jpg" alt="Um ano de invasão em grande escala" width="789" height="443" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp3.jpg 789w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp3-300x168.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp3-768x431.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp3-748x420.jpg 748w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp3-640x359.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp3-681x382.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 789px) 100vw, 789px" /></p>
<p style="text-align: justify;">Em 30 de janeiro, apareceram informações de que foram detidos três alunos da oitava série que danificaram a via-férrea na região de Moscou na parte em direção à Kursk. Segundo o FSB [Serviço Federal de Segurança da Rússia], pessoas desconhecidas no aplicativo de mensagens prometeram dinheiro aos adolescentes para isso. Talvez esses sejam os partidários mais jovens entre todos os relatados anteriormente.</p>
<p style="text-align: justify;">Na noite de 1o de fevereiro, as cabines de relé foram atacadas no trecho Ivanovo-Kostroma. Também um dia antes, apoiadores do “Liberdade da Rússia” destruíram uma subestação de tração perto da estação de Matveev Kurgan. O próximo ataque, que ocorreu em 4 de fevereiro na República da Carélia, foi cometido pelo grupo da Gendarmaria Verde e também publicado pelos legionários:</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-147982 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp3.png" alt="Um ano de invasão em grande escala" width="1280" height="720" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp3.png 1280w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp3-300x169.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp3-1024x576.png 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp3-768x432.png 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp3-747x420.png 747w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp3-640x360.png 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp3-681x383.png 681w" sizes="auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /></p>
<p style="text-align: justify;">Na noite de 7 de fevereiro, no distrito de Bessonovsky, na região de Penza, um painel elétrico foi incendiado no trecho Grabovo-Bessonovka. A polícia descobriu uma cabine de relés queimada que alimentava a ferrovia depois que defeitos foram relatados. Apenas partes da proteção à prova de fogo e pegadas foram encontradas no local. Os trens ficaram suspensos até de manhã. Foi aberto um processo por danos intencionais à propriedade de outra pessoa (Art. 167 do Código Penal). Em seguida, quatro suspeitos foram detidos na mesma região. Claro, os investigadores dizem que o incêndio criminoso foi cometido por uma recompensa. Três deles são garotos, entre eles um estudante da Universidade Estadual de Arquitetura e Construção de Penza, bem como um adolescente de 16 anos. O adolescente foi “colocado sob observação” e os outros três foram presos.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 10 de fevereiro, um tribunal bielorrusso condenou as guerrilhas ferroviárias. Em 30 de março de 2022, três moradores de Bobruisk foram detidos após um tiroteio. Eles tentavam impedir o fornecimento de suprimentos ao exército agressor. Um dos detidos ficou gravemente ferido. Os inimigos também publicaram um vídeo do interrogatório dos prisioneiros feridos e amarrados em um porão. Os detidos foram acusados de atear fogo a duas cabines de relé entre as plataformas Sovetsky e Vereytsy no distrito de Osipovichi. Dmitry Klimov e Vladimir Avramtsev foram condenados a 22 anos de prisão, Yevgeny Minkevich foi condenado a um ano e meio de prisão e libertado (com o tempo detido sob custódia, a pena é considerada cumprida). Aqui está o que parece ter acontecido:</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-147983 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp4.png" alt="Um ano de invasão em grande escala" width="740" height="419" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp4.png 740w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp4-300x170.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp4-640x362.png 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp4-681x386.png 681w" sizes="auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px" /></p>
<p style="text-align: justify;">Na noite de 12 de fevereiro, alguém bloqueou o aparelho de mudança de via na linha ferroviária entre as estações Molodi e Stolbovaya, na região de Moscou. Para fazer isso, o visitante usou um marcador resistente e amarrou a composição com um fio grosso. O maquinista de um trem que passava notou o ato de resistência. O sabotador estava vestido roupas camufladas e não tinha colete de sinalização. Alguns dias depois, o FSB anunciou a captura de um certo cidadão ucraniano envolvido na sabotagem da Ferrovia de Moscou. O homem, nascido em 1977, é supostamente um agente do serviço de segurança da Ucrânia, foi recrutado na Polônia e chegou à Rússia através da Letônia sob o disfarce de refugiado no outono de 2022. O detido incendiou as infraestruturas de transporte.</p>
<p style="text-align: justify;">Se um relatório de 18 de fevereiro for verdadeiro, oito incendiários menores de idade foram capturados de uma vez na região de Kaliningrado. Naquela data, as buscas já estavam sendo efetuadas nas casas de quatro rapazes de 14 anos, três deles estudantes de uma escola e o outro de um estabelecimento restrito. Um processo criminal foi iniciado nos termos do artigo “danos deliberados à propriedade.” O prejuízo é estimado em 480 mil rublos.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-147984 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp5.png" alt="Um ano de invasão em larga escala " width="480" height="480" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp5.png 480w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp5-300x300.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp5-70x70.png 70w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp5-420x420.png 420w" sizes="auto, (max-width: 480px) 100vw, 480px" /></p>
<p style="text-align: justify;">A destruição de carros de luxo com o símbolo Z, associada precisamente à semi-suástica neles, ocorreu em diferentes cidades. Este foi na noite de 26 de janeiro em Tver:</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-147985 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/Screenshot-2023-03-21-at-10-04-31-A-year-of-the-full-scale-invasion-a-year-of-resistance-to-it-from-below.-Part-19.png" alt="Um ano de invasão em grande escala" width="754" height="483" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/Screenshot-2023-03-21-at-10-04-31-A-year-of-the-full-scale-invasion-a-year-of-resistance-to-it-from-below.-Part-19.png 754w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/Screenshot-2023-03-21-at-10-04-31-A-year-of-the-full-scale-invasion-a-year-of-resistance-to-it-from-below.-Part-19-300x192.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/Screenshot-2023-03-21-at-10-04-31-A-year-of-the-full-scale-invasion-a-year-of-resistance-to-it-from-below.-Part-19-656x420.png 656w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/Screenshot-2023-03-21-at-10-04-31-A-year-of-the-full-scale-invasion-a-year-of-resistance-to-it-from-below.-Part-19-640x410.png 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/Screenshot-2023-03-21-at-10-04-31-A-year-of-the-full-scale-invasion-a-year-of-resistance-to-it-from-below.-Part-19-681x436.png 681w" sizes="auto, (max-width: 754px) 100vw, 754px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Também no final de janeiro, um Toyota Land Cruiser foi alvo na estrada Altufevskoe, em Moscou. Infelizmente, o suspeito logo foi preso. <em>“A polícia trabalhou rapidamente. Às duas horas da tarde, o carro foi incendiado, na noite do mesmo dia eles levaram um amigo. Ele tem 18 anos e possui uma condenação anterior. A letra Z o impedia de viver. Trata-se de um prejuízo moral e financeiro. Acho improvável que ele tenha saúde e dinheiro suficientes para consertar o veículo.”</em> disse o proprietário.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-147986 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp7.png" alt="Um ano de invasão em larga escala" width="1280" height="700" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp7.png 1280w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp7-300x164.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp7-1024x560.png 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp7-768x420.png 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp7-640x350.png 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp7-681x372.png 681w" sizes="auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /></p>
<p style="text-align: justify;">Outro carro-Z foi queimado na noite de 2 de fevereiro na cidade militar de Shchelkovo, perto de Moscou. Além disso, alguém quebrou o pára-brisa:</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-147987 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/Screenshot-2023-03-21-at-10-07-01-A-year-of-the-full-scale-invasion-a-year-of-resistance-to-it-from-below.-Part-19.png" alt="Um ano de invasão em larga escala" width="708" height="445" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/Screenshot-2023-03-21-at-10-07-01-A-year-of-the-full-scale-invasion-a-year-of-resistance-to-it-from-below.-Part-19.png 708w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/Screenshot-2023-03-21-at-10-07-01-A-year-of-the-full-scale-invasion-a-year-of-resistance-to-it-from-below.-Part-19-300x189.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/Screenshot-2023-03-21-at-10-07-01-A-year-of-the-full-scale-invasion-a-year-of-resistance-to-it-from-below.-Part-19-668x420.png 668w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/Screenshot-2023-03-21-at-10-07-01-A-year-of-the-full-scale-invasion-a-year-of-resistance-to-it-from-below.-Part-19-640x402.png 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/Screenshot-2023-03-21-at-10-07-01-A-year-of-the-full-scale-invasion-a-year-of-resistance-to-it-from-below.-Part-19-681x428.png 681w" sizes="auto, (max-width: 708px) 100vw, 708px" /></p>
<p style="text-align: justify;">Na noite de 16 de fevereiro, um SUV estacionado em Chertanovo (Moscou) foi danificado. Alguém quebrou as janelas do Mercedes com um machado, acertou as portas e encheu o interior com tinta azul:</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-147988 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/Screenshot-2023-03-21-at-10-08-27-A-year-of-the-full-scale-invasion-a-year-of-resistance-to-it-from-below.-Part-19.png" alt="Um ano de invasão em larga escala" width="813" height="560" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/Screenshot-2023-03-21-at-10-08-27-A-year-of-the-full-scale-invasion-a-year-of-resistance-to-it-from-below.-Part-19.png 813w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/Screenshot-2023-03-21-at-10-08-27-A-year-of-the-full-scale-invasion-a-year-of-resistance-to-it-from-below.-Part-19-300x207.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/Screenshot-2023-03-21-at-10-08-27-A-year-of-the-full-scale-invasion-a-year-of-resistance-to-it-from-below.-Part-19-768x529.png 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/Screenshot-2023-03-21-at-10-08-27-A-year-of-the-full-scale-invasion-a-year-of-resistance-to-it-from-below.-Part-19-610x420.png 610w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/Screenshot-2023-03-21-at-10-08-27-A-year-of-the-full-scale-invasion-a-year-of-resistance-to-it-from-below.-Part-19-640x441.png 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/Screenshot-2023-03-21-at-10-08-27-A-year-of-the-full-scale-invasion-a-year-of-resistance-to-it-from-below.-Part-19-681x469.png 681w" sizes="auto, (max-width: 813px) 100vw, 813px" /></p>
<p style="text-align: justify;">Os edifícios administrativos também são incendiados. Em 6 de fevereiro, um ataque incendiário foi relatado no Departamento Interdistrital do Comitê de Investigação Russo na Buriátia. O edifício de madeira pegou fogo como um fósforo, mas os bombeiros rapidamente conseguiram apagar o incêndio. Oleg Alexandrov, 56, da aldeia de Kyren, armou-se com um recipiente e ateou fogo na parte de trás do edifício de madeira de um andar, mas o fogo foi apagado em apenas 10 minutos e ninguém ficou ferido. Um processo criminal foi iniciado nos termos do artigo “destruição deliberada ou dano à propriedade.” Os motivos do suspeito ainda estão sendo investigados. Sabe-se que Aleksandrov foi anteriormente condenado por roubo, violência contra um funcionário do governo, posse ilegal de armas e ameaça de morte:</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-147989 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/Screenshot-2023-03-21-at-10-09-46-A-year-of-the-full-scale-invasion-a-year-of-resistance-to-it-from-below.-Part-19.png" alt="Um ano de invasão em larga escala" width="814" height="584" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/Screenshot-2023-03-21-at-10-09-46-A-year-of-the-full-scale-invasion-a-year-of-resistance-to-it-from-below.-Part-19.png 814w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/Screenshot-2023-03-21-at-10-09-46-A-year-of-the-full-scale-invasion-a-year-of-resistance-to-it-from-below.-Part-19-300x215.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/Screenshot-2023-03-21-at-10-09-46-A-year-of-the-full-scale-invasion-a-year-of-resistance-to-it-from-below.-Part-19-768x551.png 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/Screenshot-2023-03-21-at-10-09-46-A-year-of-the-full-scale-invasion-a-year-of-resistance-to-it-from-below.-Part-19-585x420.png 585w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/Screenshot-2023-03-21-at-10-09-46-A-year-of-the-full-scale-invasion-a-year-of-resistance-to-it-from-below.-Part-19-640x459.png 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/Screenshot-2023-03-21-at-10-09-46-A-year-of-the-full-scale-invasion-a-year-of-resistance-to-it-from-below.-Part-19-681x489.png 681w" sizes="auto, (max-width: 814px) 100vw, 814px" /></p>
<p style="text-align: justify;">Na madrugada de 9 de fevereiro, uma pessoa desconhecida tentou incendiar um escritório de alistamento em Omsk. Foram utilizadas cinco garrafas de suco de romã com querosene e gasolina. Três delas arrebentaram uma janela do segundo andar, mas o pavio de todas caiu ou se apagou. Também não está claro se uma garrafa aberta de vodka, que foi posteriormente encontrada no escritório, fazia parte do ataque, ou se o comissário militar simplesmente gosta de beber depois do trabalho. Os funcionários de plantão vieram correndo ao ouvirem o barulho de uma janela quebrada, de modo que a ação não pôde ser concluída.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao mesmo tempo, cerca de duas condenações ficaram conhecidas em meados de fevereiro, na região de Rostov. Em Rostov-sobre-o-Don, foram condenados Oleg Denisov, de 24 anos; e Irina Kuznetsova, de 22 anos; por terem supostamente incendiado um carro-Z em julho do ano passado. O carro foi completamente destruído e o dano total foi de mais de 700 mil rublos. Denisov foi condenado a 2 anos e 8 meses; e Kuznetsova a 2 anos e 7 meses a serem cumpridos em uma Colônia Penal. Além disso, um residente de 19 anos da região de Rostov foi condenado a quatro anos de prisão. Ele supostamente <em>“combinou através da Internet com um ‘curador’ não identificado para participar do incêndio do escritório de alistamento por uma recompensa de 3.000 rublos.”</em> Ele foi considerado culpado de vandalismo e tentativa de destruição deliberada da propriedade de outra pessoa.</p>
<p style="text-align: justify;">O torneiro Roman P., de 29 anos, da aldeia de Magdagachi, foi detido na região de Amur. O jovem queria incendiar o escritório de arquivo no comissariado militar deste distrito, onde uma listagem com os dados dos recrutas é armazenada, mas apenas a janela da unidade e o equipamento técnico próximo foram danificados, onde a garrafa caiu. O jovem se declarou culpado, mas não revelou os motivos do ato. Um coquetel molotov foi jogado no prédio na noite de 11 de fevereiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Em Kazan, capital do Tartaristão, uma pessoa não identificada tentou incendiar a 7a delegacia judicial. Foi notado em 13 de fevereiro &#8211; vestígios de incêndio foram encontrados na janela do edifício na rua Gabisheva. O fogo quase imediatamente se apagou, atingindo apenas o canto do batente da janela. A propriedade não foi danificada. O incendiário em roupas pretas apareceu nas câmeras de vigilância quando corria perto do prédio:</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-147990 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/Screenshot-2023-03-21-at-10-11-55-A-year-of-the-full-scale-invasion-a-year-of-resistance-to-it-from-below.-Part-19.png" alt="Um ano de invasão em larga escala" width="811" height="589" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/Screenshot-2023-03-21-at-10-11-55-A-year-of-the-full-scale-invasion-a-year-of-resistance-to-it-from-below.-Part-19.png 811w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/Screenshot-2023-03-21-at-10-11-55-A-year-of-the-full-scale-invasion-a-year-of-resistance-to-it-from-below.-Part-19-300x218.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/Screenshot-2023-03-21-at-10-11-55-A-year-of-the-full-scale-invasion-a-year-of-resistance-to-it-from-below.-Part-19-768x558.png 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/Screenshot-2023-03-21-at-10-11-55-A-year-of-the-full-scale-invasion-a-year-of-resistance-to-it-from-below.-Part-19-578x420.png 578w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/Screenshot-2023-03-21-at-10-11-55-A-year-of-the-full-scale-invasion-a-year-of-resistance-to-it-from-below.-Part-19-640x465.png 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/Screenshot-2023-03-21-at-10-11-55-A-year-of-the-full-scale-invasion-a-year-of-resistance-to-it-from-below.-Part-19-681x495.png 681w" sizes="auto, (max-width: 811px) 100vw, 811px" /></p>
<p style="text-align: justify;">Um professor de 35 anos de Kansk, na região de Krasnoyarsk <a class="urlextern" title="https://t.me/astrapress/21228" href="https://t.me/astrapress/21228" rel="ugc nofollow">contou</a>, na semana passada, sobre a tortura. Ele teve um colapso nervoso após a notícia da mobilização, atirou em um cartaz anunciando um serviço de contratação militar e também ameaçou um passante. Após sua prisão, ele não negou sua culpa. No entanto, durante a prisão, os justiceiros forçaram-no a confessar o incêndio criminoso do comissariado militar, cometido em Kansk na noite de 23 para 24 de setembro. Pelas palavras do detido, ele foi espancado na cabeça, torturado com corrente elétrica, colocaram um saco plástico sobre sua cabeça e prenderam com fita adesiva. Sua mãe disse que o homem estava muito preocupado com a guerra e não queria que os soldados morressem.</p>
<p style="text-align: justify;">Os casos de deserção com e sem armas são muito numerosos, por isso nos limitaremos a apenas algumas histórias. Em 17 de janeiro, a polícia da região de Lipetsk, na Rússia, enviou buscas atrás do soldado Dmitry Perov, de 31 anos, que fugiu de seu regimento na Ucrânia e foi para a casa de sua mãe em Voronezh. O soldado foi <a class="urlextern" title="https://t.me/astrapress/19471" href="https://t.me/astrapress/19471" rel="ugc nofollow">morto</a> supostamente por resistir à prisão. Ele saiu de casa com uma espingarda de assalto, granadas e explosivos:</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-147991 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp9.jpg" alt="Um ano de invasão em larga escala" width="1170" height="785" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp9.jpg 1170w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp9-300x201.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp9-1024x687.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp9-768x515.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp9-626x420.jpg 626w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp9-537x360.jpg 537w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp9-640x429.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/pp9-681x457.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 1170px) 100vw, 1170px" /></p>
<p style="text-align: justify;">Outro incidente notável supostamente ocorreu na região de Lugansk: segundo a interceptação de conversas publicadas em meados de fevereiro pela inteligência ucraniana, 44 russos mobilizados tentaram escapar perto de Svatovo, mas foram capturados por mercenários do PMC Wagner [Private Military Company, ou Companhia Militar Privada, conhecida como <a class="urlextern" title="https://pt.wikipedia.org/wiki/Grupo_Wagner" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Grupo_Wagner" rel="ugc nofollow">Grupo Wagner]</a>. Não há mais detalhes. Junto disso, um dos principais especialistas militares russos, o líder monarquista Igor Strelkov-Girkin, observou em 10 de fevereiro em seu Canal no Telegram que <em>“um batalhão de nômades Tuvanos recusou-se a entrar em posição”</em> em algum lugar no front de Donetsk. Dois dias depois, ele publicou que <em>“depois do batalhão Tuvano e após reclamações a Kazan, o Batalhão de voluntários do Tartaristão foi retirado do front e enviado para casa. Nem um único batalhão de voluntários das regiões ‘russas’ da Federação Russa foi removido do front, apesar dos mesmos problemas e dos apelos aos ‘seus’ governadores”</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">E apenas uma história surpreendente sobre a solidariedade para além das fronteiras nacionais, que até a The Economist <a class="urlextern" title="https://t.me/astrapress/1995" href="https://t.me/astrapress/1995" rel="ugc nofollow">não pode</a> deixar passar batido. Dois moradores de Chukotka fugiram da mobilização em um barco através do Estreito de Bering, chegando aos EUA. Sergei e Maxim inicialmente quase morreram em uma tempestade e depois foram enviados para um centro de detenção e passaram mais de três meses em uma cela para 70 pessoas. Eles saíram de lá graças a um pastor local de origem ucraniana: ele é respeitado na comunidade pela sua bondade e honestidade, por isso a sua palavra foi decisiva para a libertação dos refugiados. Os homens foram acomodados em sua casa, e autorizados a permanecer nos Estados Unidos, sendo que em poucos meses receberão uma autorização de trabalho. Eles fugiram da Sibéria após tentativas de lhes entregar intimações. Ao mesmo tempo, Sergei já teve problemas com o FSB, por ser suspeito de extremismo político e assumiu um compromisso por escrito de não sair da Rússia.</p>
<p style="text-align: justify;">Os preparativos para a onda de mobilização de outono na Rússia começaram no verão e duraram até o último minuto, foi preciso lançar os recém-chegados na batalha para que o front não desmoronasse em todos os lugares. Se a Rússia não está planejando a sua própria grande ofensiva, ela atrasará o maior tempo possível a mobilização; se o fizer, vai anunciá-la na primavera, possivelmente ao mesmo tempo que o início da contra-ofensiva ucraniana. Veremos o que o tempo dirá…</p>
<p style="text-align: justify;">Por outro lado, escrevemos muito neste inverno sobre como os comissários militares ucranianos <a class="urlextern" title="https://assembly.org.ua/harkovskie-voenkomy-usilivayut-mobilizacziyu-s-predpriyatij-pomimo-razdachi-povestok-na-uliczah/" href="https://assembly.org.ua/harkovskie-voenkomy-usilivayut-mobilizacziyu-s-predpriyatij-pomimo-razdachi-povestok-na-uliczah/" rel="ugc nofollow">organizam safáris para recrutar nos locais de trabalho e a caminho das empresas</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, você pode ler nossa pequena análise da <a class="urlextern" title="https://assembly.org.ua/uklonenie-ot-mobilizaczii-i-smezhnye-veshhi-5-zimnih-prigovorov/" href="https://assembly.org.ua/uklonenie-ot-mobilizaczii-i-smezhnye-veshhi-5-zimnih-prigovorov/" rel="ugc nofollow">prática judicial local sobre condenações por evasão militar</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>Velha Toupeira (1)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Aníbal]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Feb 2023 08:24:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cartoons]]></category>
		<category><![CDATA[Govs_nacionais_e_internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Rússia]]></category>
		<category><![CDATA[Ucrânia]]></category>
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					<description><![CDATA[Por Toupeira &#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por Toupeira</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-148055" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/02/unnamed-1024x341.jpg" alt="" width="640" height="213" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/02/unnamed-1024x341.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/02/unnamed-300x100.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/02/unnamed-768x256.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/02/unnamed-1536x512.jpg 1536w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/02/unnamed-2048x683.jpg 2048w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/02/unnamed-1260x420.jpg 1260w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/02/unnamed-640x213.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/02/unnamed-681x227.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px" /></p>
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		<title>Reparação histórica (2)</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Jan 2023 06:29:24 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Barbados]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Um dos entusiastas, em Barbados, da cobrança de indenizações aos descendentes de proprietários de escravos é David Denny, Secretário-Geral do Movimento Caribenho pela Paz e Integração. Em março do ano passado, Denny, alegando que a Rússia sempre apoiou os movimentos de libertação e “nunca fez nada de mal para os negros”, somou-se aos entusiastas da invasão da Ucrânia, contra os “atos de desestabilização” praticados pelos Estados Unidos e a OTAN. <strong>Passa Palavra</strong></p>
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