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	<title>Zimbabué &#8211; Passa Palavra</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>Costa do Marfim: À beira da guerra civil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Mar 2011 14:14:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[A falta de cobertura noticiosa acerca da Costa do Marfim não significa que a situação tenha melhorado, escreve Sokari Ekine, nesta revista da semana sobre os protestos em todo o continente, que também aborda as situações no Egipto, na Líbia, na Mauritânia e no Zimbabué.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;"> <strong>Por Sokari Ekine</strong></h3>
<p><strong>Costa do Marfim</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dois países africanos estão presentemente à beira da guerra civil. Um deles é noticiado minuto a minuto pela mídia internacional, pelo twitter e pelos blogues. O outro mal começa a emergir nos confins da consciência internacional. Ao contrário da Líbia, a Costa do Marfim não tem importância estratégica e a possibilidade de se perder o seu recurso principal – o cacau – não induz o pânico no mundo dos mercados financeiros e dos governos.</p>
<figure id="attachment_37548" aria-describedby="caption-attachment-37548" style="width: 448px" class="wp-caption alignright"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim07.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-37548 " title="f_marfim07" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim07.jpg" alt="Manifestação de mulheres em Abidjan" width="448" height="299" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim07.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim07-300x200.jpg 300w" sizes="(max-width: 448px) 100vw, 448px" /></a><figcaption id="caption-attachment-37548" class="wp-caption-text">Manifestação de mulheres em Abidjan</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Mas para a subsistência dos recolectores, dos agricultores e da economia do país, o cacau é um salva-vidas e uma forte razão para se lutar. Alassane Ouattara tinha lançado o apelo à proibição temporária da venda do cacau, na esperança de que isso forçasse Gbagbo a abandonar o poder. Gbagbo reagiu agora ordenando ao governo que assuma o controlo de todas as encomendas e exportações de cacau. Os preços do cacau na Nigéria e em São Tomé subiram nos últimos meses e por certo estes países irão tirar benefícios das perdas da Costa do Marfim.</p>
<p style="text-align: justify;">Numa escalada de ataques contra Ouattara e os seus apoiantes, o britânico <em>Guardian</em> noticia que gangues de jovens “saquearam” as casas de ministros e outros aliados do presidente Alassane Ouattara, que se mantém sob a protecção das Nações Unidas enquanto Laurent Gbagbo parece decidido a arrastar o país para a guerra civil.</p>
<p style="text-align: justify;">Na sexta-feira 5 de Março, foram mortas seis mulheres, e muitas outras feridas, por tropas leais a Laurent Gbagbo. Não era a primeira vez que mulheres apoiantes de Alassane Ouattara se manifestavam pacificamente e não havia razão para pensar que seriam alvejadas. A <a href="http://www.ips.org/africa/2011/03/ivorian-women-fatally-shot-at-rally" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">IPS</span></a> conta:</p>
<p style="text-align: justify;">“Sirah Drane, de 41 anos, que ajudou a organizar o desfile, disse que estava a segurar no megafone, preparando-se para falar à multidão, quando viu chegar os blindados.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim06.jpg"><img decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-37554" title="f_marfim06" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim06.jpg" alt="f_marfim06" width="474" height="310" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim06.jpg 474w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim06-300x196.jpg 300w" sizes="(max-width: 474px) 100vw, 474px" /></a>‘Havia milhares de mulheres’, disse. ‘E nós dissémo-nos «Eles não vão atirar contra mulheres.» … Ouvi um estampido. Começaram a molhar-nos. … Tentei correr e caí ao chão. Fui pisada pelas outras. Abrir fogo contra mulheres desarmadas? É inconcebível.?”</p>
<p style="text-align: justify;">A <a href="http://allafrica.com/stories/201103050342.html" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">mídia local</span></a> tem maneiras diferentes de noticiar as mortes. O <em>Soir Info</em> relata que as mulhetes eram “militantes femininas” que enfrentaram as “forças de Defesa e de Segurança”. O <em>Notre Voie</em> [pró-Gbagbo] diz que “toda essa história não passa de um subterfúgio para desacreditar a administração de Gbagbo”.</p>
<p style="text-align: justify;">Os assassinatos provocaram – já não era sem tempo – uma reacção dos EUA via Twitter por parte do porta-voz do Departamento de Estado, P. J. Crowley. Quanto a mim, penso que um acontecimento tão horrível mereceria mais do que uma declaração do Departamento de Estado dos EUA no Twitter. Hillary Clinton veio depois com uma declaração a condenar as mortes, mas nada se ouviu ainda da boca do presidente Obama.</p>
<p style="text-align: justify;">A União Africana [UA] mostrou-se, também, totalmente inepta e irrelevante quanto à crise do continente – possivelmente porque muitos dos chefes de Estado estão, cada um pelo seu lado, a tremer de medo que as massas dos seus países venham para a rua. Os cinco mediadores – Abdel Aziz (Mauritânia), Jakaya Kikwete (Tanzânia), Jacob Zuma (África do Sul), Blaise Compaore (Burkina Faso) e Idriss Deby (Chade) – produziram um terceiro relatório, datado de 7 de Março. Falam de uma situação de choque e clamam por contenção entre todas as partes – os habituais eufemismos que não querem dizer nada.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://allafrica.com/comments/list/aans/post/post/id/201103070449.html" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Uma das reacções</span></a> a essa declaração [dos mediadores da UA] é demolidora e faz a comparação com o facto de os EUA se apresentarem coo mediadores no conflito israelo-palestiniano:</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim08.jpg"><img decoding="async" class="alignright size-full wp-image-37549" title="f_marfim08" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim08.jpg" alt="f_marfim08" width="455" height="256" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim08.jpg 650w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim08-300x168.jpg 300w" sizes="(max-width: 455px) 100vw, 455px" /></a>“Essa UA manifestou o seu inquebrantável apoio ao escaparate estrangeiro Ouattara e seu bando de rebeldes contra o presidente Gbagbo e os Marfinenses na infeliz sequência de acontecimentos que se vai espalhando pela Costa do Marfim.</p>
<p style="text-align: justify;">“Do que se trata realmente? Temos um partido beligerante em conflito a dizer que o outro partido beligerante tem de negociar no terreno dele – ou seja, aceitando os seus termos. O que fazer com o tempo e os recursos perdidos? … Esta farsa lembra-nos o espectáculo dos EUA a audesignarem-se como mediadores no conflito entre os Palestinianos e Israel/EUA. Será de admirar que, nesse caso, a “paz” continue a ser um objectivo tão ilusório? De facto, o lado Israel/EUA, nessa disputa, não deseja realmente a “paz” nesse conflito. A beligerância e a guerra são desejadas pelos EUA e pela Europa (como forma de manter destabilizados os países arabo-palestinianos ricos em recursos que mandam petróleo e compram armas ao Ocidente) e são uma tábua de salvação para essa cunha lá espetada e pobre em recursos que é Israel…”</p>
<p style="text-align: justify;">Um amigo sugeriu-me que uma das razões para a falta de atenção da mídia à Costa do Marfim é o limitado número de utilizadores do Twitter e de outras redes virtuais nesse país. Isso pode influenciar o tipo e a quantidade de informações que chegam do país, mas não é certamente uma razão para a falta de cobertura noticiosa. Um Twitter activo é o de <a href="http://twitter.com/toussaintalain" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Toussaint Alain</span></a>, colaborador de Laurent Gbagbo, que, num <em>tweet</em> acusa Ouattara de estar metido em “rituais satânicos ao serviço da ambição política”:</p>
<p style="text-align: justify;">“Alassane Ouattara ou a política dos corpos queimados. Rituais satânicos ao serviço de uma ambição política.”</p>
<p style="text-align: justify;">Um outro, <a href="http://twitter.com/marticotivoir" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">@marticotivoir</span></a> escreve que espera que o país não se afunde num novo Ruanda:</p>
<p style="text-align: justify;">“Não deixemos que uma Costa do Marfim descontrolada se torne amanhã o Ruanda da África Ocidental. Desculpem, Lmpistas, reajam.”</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>África do Norte</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Está a tornar-se impossível manter-se a par dos <em>tweets</em> vindos da Líbia e do Egipto. A Al-Jazira criou uma página Twitter especial que ilustra os números. Na segunda-feira 7 de Março, houve 1.391 do Egipto e 2.933 da Líbia. Segue-se um breve apanhado dos blogues norte-africanos.</p>
<figure id="attachment_37555" aria-describedby="caption-attachment-37555" style="width: 428px" class="wp-caption alignright"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim11egipto.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37555 " title="f_marfim11egipto" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim11egipto.jpg" alt="Manifestantes invadem instalações da polícia política de Mubarak" width="428" height="283" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim11egipto.jpg 611w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim11egipto-300x198.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 428px) 100vw, 428px" /></a><figcaption id="caption-attachment-37555" class="wp-caption-text">Manifestantes invadem instalações da polícia política de Mubarak</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">O <a href="http://www.arabawy.org/" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Arabawy</span></a> relata de vários protestos em todo o Egipto, de trabalhadores que apelam à demissão de “ditadores” institucionais, incluindo os quadros da Segurança do Estado. Fala também de “bandidos” do exército a atacar manifestantes que tentavam invadir o Ministério do Interior – sede das forças de segurança do Estado. Os revolucionários encontraram milhares de dossiês sobre cidadãos nos Serviços de Segurança.</p>
<p style="text-align: justify;">O <a href="http://egyptianchronicles.blogspot.com/2011/03/night-capital-of-hell-fell-down.html" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Egyptian Chronicles</span></a> escreve acerca da “Noite em que a capital do inferno tombou”:</p>
<p style="text-align: justify;">“Como eu dava a entender nos dois <em>posts</em> anteriores sobre as sedes dos Serviços de Segurança em <a href="http://egyptianchronicles.blogspot.com/2011/03/fall-of-state-security-kingdom-in-egypt.html" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Alexandria</span></a> e em <a href="http://egyptianchronicles.blogspot.com/2011/03/fall-of-state-security-kingdom-in-egypt_05.html" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">6 de Outubro</span></a> <strong>[1]</strong>, os manifestantes decidiram protestar somente na sede de Nasr City às 16h, sobretudo depois de terem conhecimento de que, aqui, os funcionários tem estado a destruir sistematicamente a documentação que os pode incriminar. Algumas pessoas dizem que a laceração e a queima de documentos começou com a demissão de Shafik <strong>[2]</strong> e o colapso do seu ministério, enquanto outras dizem que este processo sistemático estava em curso desde a queda de Habib Al Adly <strong>[3]</strong> e dos seus homens”.</p>
<p style="text-align: justify;">O <a href="http://egypt.alive.in/2011/03/05/egyptian-against-burning-of-archives-and-records" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Alive in Egypt</span></a> [Vivo no Egipto] refere este caso com um apelo aos militares para que parem essa tentativa de queimar os arquivos do regime de Mubarak:</p>
<p style="text-align: justify;">“Apelo ao Alto-Conselho das Forças Militares para que se oponha firmemente aos elementos transgressores que tentam queimar os arquivos e registos do ex-governo corrupto. Seria bom que as forças militares tivessem uma atitude firme contra esses indivíduos, mesmo que se trate de oficiais de polícia ou outros que estão a tentar encobrir o que foi feito por suas mãos ou por mãos do anterior governo, mesmo que seja preciso activar uma parte do exército egípcio na reserva. O Egipto tem enormes forças armadas defensivas de reserva. Compete aos militares e ao Alto-Conselho activar metade dessas reservas para manter a segurança, para ajudar o exército a manter a segurança, e levar a julgamento todos quantos estejam a incorrer em actos ilegais, mesmo que se encontrem entre os oficiais de polícia corruptos renitentes à segurança e à ordem no Egipto.”</p>
<p style="text-align: justify;">Na Líbia, diz o UNHCR [Alto-Comissariado para os Refugiados da ONU] que se verificam contínuas agressões e ameaças contra trabalhadores migrantes do sul do Saara. O coronel Khadafi, tal como o rei Abdullah de Marrocos, tinham feito acordos com a Itália e a Espanha, respectivamente, para policiar os movimentos migratórios de trabalhadores africanos e asiáticos. No caso da Espanha, isso significou que os que tentassem chegar a Espanha teriam de seguir a rota, mais longa e perigosa, da Mauritânia para Espanha. Em 2005 deu-se o caso de cerca de 500 migrantes encurralados no Saara sem comida nem água pela polícia marroquina. Este caso foi falado, mas creio haver razões para pensar que não foi o primeiro. Na Líbia, os migrantes que foram detidos ficaram presos no sul do país em condições horrorosas. Assim sendo, há que considerar que <a href="http://www.guardian.co.uk/world/2010/sep/01/eu-muammar-gaddafi-immigration" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">a obsessão da Europa com a segurança das suas fronteiras</span></a> irá condicionar qualquer apoio aos revolucionários da Líbia.</p>
<p style="text-align: justify;">O <a href="http://panafricannews.blogspot.com/2011/03/libya-getting-it-right-revolutionary.html" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Pan African News</span></a> [Gerald Perreira] apresenta o único artigo, entre os que li, que é favorável à “revolta contra-revolucionária” de Muammar Khadafi. Critica o que chama “analistas ‘ocidentoxicados’ que só conseguem recorrer a uma perspectiva eurocentrista”. Algumas das questões que ele levanta são de considerar, mas penso que isso não equivale a apoiar um homem que está no poder há quarenta anos e que fez acordos com a Europa para oprimir e torturar outros africanos. Se bem entendo, “Jamahiriya” significaria democracia popular. Algures no caminho, isso desapareceu. Algumas das questões são: Se a Líbia tem uma taxa de desemprego de 30%, porque tem tantos trabalhadores estrangeiros? O nosso bloguista afirma que “há muita complexidade na actual situação”. Então porque adopta uma perspectiva tão simplista dos trabalhadores migrantes e dos níveis de desemprego?</p>
<p style="text-align: justify;">Ele questiona a opinião de que a “revolta” é devida a razões económicas porque:</p>
<p style="text-align: justify;">“… o país tem o mais elevado nível de vida da África”, “os jovens vestem-se bem, alimentam-se bem, e têm uma boa educação”… Todos os líbios têm acesso gratuito à educação e aos serviços médicos e de saúde, muitas vezes de excelente qualidade. Os novos centros escolares e hospitais estão ao nível dos mais altos parâmetros internacionais. Todos os líbios têm uma casa ou um andar, um carro, e a maior parte têm televisões, gravadores de vídeo e telefones. Comparados com a generalidade dos cidadãos de países do Terceiro Mundo, e mesmo com muitos do Primeiro Mundo, os líbios estão mesmo muito bem”.</p>
<p style="text-align: justify;">Isto pode muito bem ser verdade, mas só serve para mostrar que as pessoas querem e precisam de sentir que têm algum controlo sobre as suas vidas – que podem livremente podem exprimir as suas opiniões e participar no processo político. Que podem decidir como são governadas as suas comunidades.</p>
<p style="text-align: justify;">O que é realmente desconcertante é o facto de o autor considerar que alguns dos títulos encomiásticos dados a Khadafi por outros africanos – como “Rei dos Reis”, “Irmão Líder” e “Guia da Revolução” – são provas das suas credenciais “revolucionárias” e do seu papel como porta-voz de toda a África. Construir um movimento de base com ditadores e chefes no seu topo não é propriamente o meu conceito de uma democracia revolucionária popular e dificilmente poderá levar a mudanças radicais.</p>
<p style="text-align: justify;">Por fim, esse autor prossegue afirmando que os mercenários que combatem pelo coronel Khadafi são de facto “combatentes pela liberdade” – lutam para “defender Khadafi e a revolução líbia”. Isto é mesmo difícil de acreditar. Se Khadafi era assim tão altruista, porque é que se comportou como um polícia por conta da Europa? Porque aprisionou milhares de nigerianos e outros migrantes oeste-africanos no sul do Saara? Sendo o “Rei dos Reis da África”, porque não acolheu estes migrantes e os deixou usufruir das conquistas revolucionárias da Líbia?</p>
<figure id="attachment_37556" aria-describedby="caption-attachment-37556" style="width: 420px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim11libia.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37556 " title="f_marfim11libia" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim11libia.jpg" alt="Centenas de trabalhadores migrantes africanos, sobretudo do Gana e da Nigéria, vivem junto do aeroporto de Tripoli (Líbia), na esperança de apanharem um avião de volta a casa." width="420" height="245" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim11libia.jpg 600w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim11libia-300x175.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 420px) 100vw, 420px" /></a><figcaption id="caption-attachment-37556" class="wp-caption-text">Centenas de trabalhadores migrantes africanos, sobretudo do Gana e da Nigéria, vivem junto do aeroporto de Tripoli (Líbia), na esperança de apanharem um avião de volta a casa.</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">A explicação está porventura nesta citação do coronel revolucionário (no jornal britânico <a href="http://www.guardian.co.uk/world/2010/sep/01/eu-muammar-gaddafi-immigration" target="_blank" rel="noopener"><em><span class="urlextern">Guardian</span></em></a>):</p>
<p style="text-align: justify;">“Nós não sabemos qual será a reacção dos europeus branco e cristãos perante este influxo de africanos esfomeados e ignorantes”, disse o líder líbio numa reunião em Roma, em que participava o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi. “Não sabemos se a Europa continuará a ser um continente avançado e unido ou se será destruído, como aconteceu com as invasões bárbaras”.</p>
<p style="text-align: justify;">Claro que não é de excluir que ele não tenha dito exactamente isto. O autor do blogue tem o direito a desconfiar das análises eurocêntricas, mas é igualmente questionável apresentar o Khadafi de hoje como o Rei revolucionário da África. Ser crítico em relação ao regime de Khadafi não significa subscrever as políticas dos EUA e da Europa para a África, nomeadamente quando se trata da AFRICOM <strong>[4]</strong>, das “zonas de exclusão aérea” ou das políticas anti-imigração da Europa. Não é uma escolha de dois termos apenas. Essa retórica sobre a democratização é hipocrisia, pois a última coisa que os EUA e a Europa desejam é haver países que escapam aos ditames do ocidente.</p>
<p style="text-align: justify;">O blogue <a href="http://www.arabist.net/blog/2011/3/3/the-qadhafi-social-network.html" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">The Arabist</span></a> publica uma elucidativa representação gráfica das “redes sociais e de poder em torno de Muammar Khadafi. É um trabalho em curso e irá sento actualizado à medida que for havendo mais informação disponível. Também publica outro gráfico desse tipo para o Conselho Militar egípcio.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mauritânia</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O blogue <a href="http://themoornextdoor.wordpress.com/2011/03/04/mauritanian-youth-protesters-7-points" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Moor Next Door</span></a> [Os Vizinhos Mouros] dá informações sobre a Mauritânia, onde os organizadores dos recentes protestos publicaram no Facebook uma lista de sete reivindicações. (Ler o <em>post</em> no blogue para mais informação.)</p>
<p style="text-align: justify;">“A retirada dos militares do poder, de volta à sua nobre missão e o seu afastamento da política.<br />
A autêntica e completa separação de poderes: legislativo, judicial e executivo.<br />
O reforço da unidade nacional e a criação de um organismo nacional para combater a escravidão e as suas tradições.<br />
Mudanças constitucionais radicais, que deverão incluir a reforma do sistema eleitoral.<br />
A reforma e efectiva implementação da Lei da Transparência <strong>5</strong>. A abolição do posto de “Hakem” <strong>[6]</strong> e a entrega de poderes administrativos a representantes municipais eleitos.<br />
A eleição dos directores dos meios audiovisuais e das instituições mais importantes do Estado, e o fim da sua nomeação ou demissão por decisão unilateral do Presidente <strong>[7]</strong>.”</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Zimbabué</strong></p>
<p style="text-align: justify;">39 dos 45 activistas pela justiça social foram libertados da prisão de Mugabe e prossegue a campanha pela libertação dos restantes seis, que são acusados de traição. Os seis presos são: o activista de género Antonater Choto, os dirigentes da União Nacional de Estudantes do Zimbabué [ZINASU] Welcome Zimuto e Eddson Chakuma, o activista sindical Tatenda Mombeyarara, o coordenador da Organização Internacional Socialista e advogado do trabalho Munyaradzi Gwisai e o membro da Campanha Anti-Dívida Hopewell Gumbo.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim11zimbabue.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright size-full wp-image-37557" title="f_marfim11zimbabue" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim11zimbabue.jpg" alt="f_marfim11zimbabue" width="450" height="283" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim11zimbabue.jpg 500w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/f_marfim11zimbabue-300x188.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px" /></a>O [blogue] Anarkismo publicou uma actualização que diz: “… os direitos legais dos seis já estão a ser violados e, ainda antes de o tribunal decidir se são culpados ou inocentes, está já estão a ser severamente punidos. Os homens têm estado em isolamento 23 horas por dia e são autorizados a sair [das celas] por dois períodos diários de 30 minutos. As mulheres estão a ser submetidas a trabalhos pesados. Até o procurador do Estado admitiu que o isolamento e os trabalhos pesados são graves violações dos direitos dos activistas (embora negando que existam).</p>
<p style="text-align: justify;">“Mas o próprio Estado começa a mostrar sinais da pressão da campanha. Acerca dos seis presos, o magistrado afirmou que a conversa entre Gwisai, Choto, Gumbo, Zimuto, Mombeyarara e Chakuma, centrada na possibilidade de fazer no Zimbabué o mesmo que tinha sido feito no Egipto, não era simples “conversa de acaso” mas sim uma autêntica conspiração. Todavia o magistrado disse que o relatório da única testemunha do Estado (um agente da polícia que presenciou a reunião sob disfarce e que declarou ter observado todos os 45 suspeitos a cometer o crime) era fictício”.</p>
<p style="text-align: justify;">Nunca totalmente silenciado, o WOZA (Mulheres e Homens do Zimbabué, Ergamo-nos) ergueu-se na segunda-feira 7 de Março em <a href="http://www.sokwanele.com/thisiszimbabwe/archives/6432" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">cinco manifestações separadas contra as sistemáticas prisões e torturas</span></a> dos seus membros, assim como em antecipada celebração do Dia Internacional das Mulheres:</p>
<p style="text-align: justify;">“Um forte contingente de polícia de choque foi colocado no local anunciado para os protestos do WOZA”, escreve o <em>The Chronicle</em>. “No entanto, assim que ouviram as vozes que cantavam em coro, deslocaram-se apressadamente para vários quarteirões mais acima com a intenção de intervir. A canção transmitia uma mensagem forte: Kubi kubi siyaya – noma kunjani – besitshaya; besibopha; besidubula, siyaya. Em tradução apressada: “A situação é má mas havemos de conseguir chegar aonde queremos; mesmo que nos espanquem, que nos prendam, que nos atirem a matar, havemos de lá chegar”. Um oficial de polícia, que estava a mandar dispersar uma das manifestações, disse: “De que direitos estão vocês a falar? Vocês estão a mentir, o que vocês querem é uma revolução!”</p>
<p style="text-align: justify;">“Depois de terem dispersado as manifestações, cerca de 40 agentes em uniforme apreenderam todos os cartazes e panfletos onde eram mostrados dois dos seus colegas que tinham torturado membros [do WOZA]. Um agente veio ter com um homem que segurava um desses cartazes. Disse-lhe para lho mostrar e perguntou porque estava a escrever nele. O homem respondeu que precisava de papel de rascunho para escrever uma coisa. O agente tirou-lho e dobrou-o cuidadosamente até ficar o mais pequeno possível e meteu-o no bolso dizendo ao homem que é proibido empunhar uma coisa daquelas”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Notas</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1]</strong> Cidade de cerca de meio milhão de habitantes, 32km a sul do Cairo. [NDT]</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[2]</strong> Ahmed Mohamed Shafik, ex-ministro da Força Aérea que Mubaraz nomeaou primeiro-ministro em 29 de Janeiro último, e que se demitiu em 3 de Março. [NDT]</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[3]</strong> Antigo ministro do Interior de Mubarak que, juntamente com outros dois ex-ministros, foi recentemente preso e acusado de corrupção. Calcula-se que tenha acumulado uma fortuna de 1.200 milhões de dólares. [NDT]</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[4]</strong> Centro do Secretariado [Ministério] da Defesa dos EUA que controla as relações militares com 53 países africanos. [NDT]</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[5]</strong> Lei que obriga os titulares de cargos públicos a declarar os seus bens. Uma das queixas correntes é que os ministros e outros titulares de cargos declaram os seus bens ao governo, mas essas declarações não são tornadas públicas. [Nota do blogue Moor Next Door]</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[6]</strong> Cargo administrativo por nomeação do nível de prefeito de sub-região, abaixo do “Wali” e acima do prefeito municipal [presidente de câmara].<br />
Cada uma das 13 províncias (ou regiões) da Mauritânia tem um Wali (governador) nomeado por Nouakchott (e directamente responsável perante o Ministro do Interior) que superintende a administração pública.<br />
O Hakem (prefeito) é outro funcionário nomeado que superintende a administração de uma prefeitura ou sub-região (muqata’a).<br />
Os prefeitos municipais [presidentes de câmara] são eleitos e responsáveis pela administração da cidade, e respondem perante o Hakem; muitas vezes as cidades têm vários vice-prefeitos assim como conselhos de notáveis.<br />
(…)<br />
Os acontecimentos de Fassala foram em parte originados por um insulto do Hakem às tribos que tinham vindo junto dele pedir a resolução de uma disputa em torno do uso de um poço. (…). [Nota do blogue Moor Next Door]</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[7]</strong> Sobretudo uma referência à liberalização dos meios de comunicação e à responsabilização dos titulares de cargos. [Nota do blogue Moor Next Door]</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Sokari Ekine</strong> é uma escritora e activista de origem nigeriana que, além de colaborar com o Pambazuka News, fundou e escreve regularmente no blogue <a href="http://www.blacklooks.org/" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Black Looks</span></a>.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Artigo original (em inglês) no <a href="http://www.pambazuka.org/en/category/features/71557" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Pambazuka News</span></a>. Tradução Passa Palavra.</em></p>
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		<title>Maus exemplos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Mar 2011 04:08:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Flagrantes Delitos]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão_e_liberdades]]></category>
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					<description><![CDATA[No Zimbabwe, seis militantes socialistas estão em risco de ser condenados à pena de morte por terem assistido a um vídeo acerca da revolta no Egipto. Munyaradzi Gwisai, Hopewell Gumbo, Antonater Choto, Welcome Zimuto, Eddson Chakuma e Tatenda Mombeyarara foram acusados de traição, um crime que acarreta a pena de morte (em Pambazuka News, nº [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">No Zimbabwe, seis militantes socialistas estão em risco de ser condenados à pena de morte por terem assistido a um vídeo acerca da revolta no Egipto. Munyaradzi Gwisai, Hopewell Gumbo, Antonater Choto, Welcome Zimuto, Eddson Chakuma e Tatenda Mombeyarara foram acusados de traição, um crime que acarreta a pena de morte (em <em>Pambazuka News</em>, nº 520). <em><strong>Passa Palavra</strong></em></p>
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		<title>Manifestações em África: fala-se mais de uns países do que de outros?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Mar 2011 23:04:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[África]]></category>
		<category><![CDATA[Costa_do_Marfim]]></category>
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		<category><![CDATA[Revoluções]]></category>
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					<description><![CDATA[Centrando-se na Líbia, na Costa do Marfim, nos Camarões, no Gabão e no Zimbabué, Sokari Ekine dá-nos uma panorâmica das diferenças de cobertura mediática internacional e social dos múltiplos sites sobre as contínuas manifestações em toda a África.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;"> <strong>Por Sokari Ekine</strong></h3>
<p><strong>Líbia</strong></p>
<figure id="attachment_37286" aria-describedby="caption-attachment-37286" style="width: 400px" class="wp-caption alignright"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/00_tobrouk-youth-of-libyac2a9azls.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37286" title="00_tobrouk-youth-of-libyac2a9azls" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/00_tobrouk-youth-of-libyac2a9azls.jpg" alt="Juventude líbia em Tobrouk" width="400" height="348" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/00_tobrouk-youth-of-libyac2a9azls.jpg 400w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/00_tobrouk-youth-of-libyac2a9azls-300x261.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a><figcaption id="caption-attachment-37286" class="wp-caption-text">Juventude líbia em Tobrouk</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Aquilo que na Líbia começou como um levantamento popular vem-se tornando uma guerra civil, com soldados do exército líbio a passar para o lado dos revoltosos e alguns destes a pegarem em armas contra as forças do coronel Khadafi, como se pode ver neste <a class="urlextern" title="http://www.youtube.com/watch?v=b1SBWRXIQl4" href="http://www.youtube.com/watch?v=b1SBWRXIQl4" rel="nofollow">vídeo algo chocante</a>, amplamente difundido na net, com efectivos do exército líbio a protegerem os manifestantes contra as forças pró-Khadafi. O @EnoughGaddafi diz no Twitter: “Foram feitas detenções em massa em Tripoli, uma testemunha presencial da prisão de Jdeida diz que ali se encontra grande quantidade de activistas e de feridos”. Uma mensagem tweeter lembra-nos o caos e o perigo para as vidas humanas que pode resultar das reportagens da mídia internacional:</p>
<p style="text-align: justify;">“@bintlibya: @AlJazeera p.f. pára de transmitir chamadas de pessoas que dão localizações e pormenores de coisas que estão para acontecer, [com isso] vocês estão provocando mais prejuízo do que ajuda #Líbia”</p>
<p style="text-align: justify;">Dezenas de milhares de pessoas, sobretudo estrangeiros residentes na Líbia, estão a fugir do país e já há uma crise humanitária na fronteira com a Tunísia. As mensagens do UNHCR (Alto-Comissariado da ONU para os Refugiados) sublinham o pânico que se está gerando:</p>
<p style="text-align: justify;">“@refugees: <a href="http://twitter.com/#%21/search?q=%23UNHCR" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">#UNHCR</span></a> &amp; <a href="http://twitter.com/#%21/search?q=%23IOM" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">#IOM</span></a> pedem aos governos que disponibilizem massivos recursos financeiros e logísticos, incluindo aviões + barcos: cresce a cada hora a multidão que aflui à fronteira entre a <a href="http://twitter.com/#%21/search?q=%23Libya" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Líbia</span></a> e a <a href="http://twitter.com/#%21/search?q=%23Tunisia" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Tunísia</span></a>”</p>
<p style="text-align: justify;">“@refugees: Tendas! tendas! tendas! Dezenas de milhares [de refugiados] na fronteira com a Tunísia, sendo que a Tunísia franqueou as fronteiras a todos eles. <a href="http://twitter.com/#%21/search?q=%23Libya" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">#Líbia</span></a>”</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto Khadafi busca novas maneiras de atacar os líbios, estes descarregam a sua cólera contra os mercenários da África ocidental e oriental que ele pôs em acção pelo país, e os trabalhadores migrantes do sul do Saara são cada vez mais atacados e impedidos de sair do país. Com o racismo que há na Líbia e o baixo estatuto social dos trabalhadores negros estrangeiros, não tardou muito que começasse a haver ataques contra inocentes.</p>
<p style="text-align: justify;">@melissafleming repercute um email que recebeu: “email de um refugiado somali em Tripoli: estamos a ser atacados por gente daqui… a nossa casa foi incendiada, 7 somalis mortos…”</p>
<p style="text-align: justify;">A <a href="http://www.afrol.com/articles/37465" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Afrol News</span></a> informa:</p>
<p style="text-align: justify;">“Em Al-Bayda, prosseguem a caça e as prisões arbitrárias contra africanos subsaarianos. A Sra. Wold também falou com um grupo de jovens líbios, que patrulha as ruas de acordo com as autoridades provisórias da cidade, composto por civis e oficiais do exército revoltosos. Esses jovens disseram-lhe abertamente que estavam nas ruas “para tentar apanhar mercenários e entregá-los às autoridades”.</p>
<p style="text-align: justify;">“As notícias vindas de outras cidades líbias ‘libertadas’ são semelhantes. Em Benghazi, na semana passada, civis atacaram e destruíram um edifício onde moravam 36 cidadãos do Chade, do Niger e do Sudão. Os africanos eram acusados de serem ‘mercenários’ e depois foram presos – disseram habitantes locais aos jornalistas ocidentais.”</p>
<p style="text-align: justify;">@elicopter_mid: “um número massivo de trabalhadores africanos acumula-se nas zonas costeiras da Líbia. Talvez erradamente alvejados, acusados de ajudar o Khadafi. Ameaçador…”</p>
<p style="text-align: justify;">@northafrica: “diz-se que tropas tuaregues do Mali, do Niger e de outros países do Sahel [sub-Saara] estão a ajudar Khadafi a troco de apoio financeiro que ele…”</p>
<p style="text-align: justify;">@shababLibya: “Última hora: parece que 70 carros chegaram perto da cidade de Ras Lanuf para dar apoio a um batalhão no ataque para retomar a cidade de Brega e o seu aeroporto… Diz-se que os carros estão cheios de mercenários que pretendem juntar-se a um batalhão nas imediações de Ras Lanuf para se dirigirem para Brega para recuperar a Líbia”</p>
<p style="text-align: justify;">O blogue <a href="http://bikyamasr.com/wordpress/?p=29164" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Bikyamasr</span></a> noticia que milhares de trabalhadores africanos negros (que continuam a ser chamados ‘africanos’ por não acharem que os líbios são africanos) tentam fugir da Líbia sendo-lhes recusada a entrada em navios de evacuação no porto de Benghazi. O que é confirmado por @refugees:</p>
<p style="text-align: justify;">Preocupados com o grande número de subsaarianos a quem é recusada a entrada na Tunísia a partir da Líbia. O UNHCR em conversações com os voluntários auto-organizados que guardam a fronteira.</p>
<figure id="attachment_37287" aria-describedby="caption-attachment-37287" style="width: 400px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/01_fleeing-tunisia.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37287" title="01_fleeing-tunisia" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/01_fleeing-tunisia.jpg" alt="Em fuga para a Tunísia" width="400" height="220" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/01_fleeing-tunisia.jpg 400w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/01_fleeing-tunisia-300x165.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a><figcaption id="caption-attachment-37287" class="wp-caption-text">Em fuga para a Tunísia</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">A linguagem e o subtexto usados em algumas notícias são preocupantes. Num vídeo da Al-Jazira, “Trabalhadores imigrantes sob suspeita”, o grupo <a href="http://revolutionaryfrontlines.wordpress.com/2011/03/02/many-african-migrants-in-libya-mistakenly-targeted-by-mass-uprising/" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Frontlines of Revolution</span></a> com base nos EUA usa o título “Supremacia árabe branca: revolução ou opressão dos negros pelos mouros?” Não há dúvida de que existe muito racismo na Líbia e de que os trabalhadores negros estão a ser alvo de ataques, mas este tipo de linguagem e a falta de enquadramento histórico e político só serve para acirrar o problema. O blogue <a href="http://www.jadaliyya.com/pages/index/767/the-arabs-in-africa" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Jadaliyya</span></a> faculta uma análise mais razoável do que o professor Mahmud Mamdani designa como “a dicotomia constatada entre africanos árabes e negros” que é “falsa e assenta nos tropos da era colonial de colonos e nativos”, e pede que “se considerem os riscos dessa conceptualização baseada num antagonismo árabe-africano ou árabe-negro, conceptualização essa que não só os formula como categorias mutuamente excludentes mas também as situa no terreno uma contra a outra no contexto da revolução líbia”.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de tudo, os ataques contra africanos negros são perturbantes, quanto mais não seja porque as sublevações foram enquadradas num contexto arabo-médio-oriental, não apenas pela mídia ocidental mas mais ainda pela Al-Jazira, que se tornou, ela própria, parte da história revolucionária. Isto torna ainda mais antagónicas as tensões árabe-africano/árabe-negro e levanta também a enorme questão de saber o que é, ou não é, africano e o que é para nós a África. O editor da Pambazuka News Firoze Manji refere-se a isto em <a href="http://english.aljazeera.net/indepth/features/2011/02/201122164254698620.html" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">recente entrevista à Al-Jazira</span></a> – poderia estar aqui uma resposta às crescentes críticas que lhes fazem por enquadrarem as sublevações do norte de África num contexto unicamente árabe?</p>
<p style="text-align: justify;">“O Egipto é África. Não nos podemos deixar enganar pelas tentativas do Norte para segregar os países do norte de África do resto do continente… As suas histórias estão entrelaçadas há milénios. Alguns egípcios podem não se sentir africanos, mas isso não quer dizer nada. Eles fazem parte do património do continente.”</p>
<p style="text-align: justify;">Relacionadas com isto, há questões levantadas na mídia dominante, nos blogues e no tweeter sobre se outras regiões do continente – o termo usado é “África subsaariana” que, em si mesmo, é uma designação carregada de sentidos – se irão erguer contra os regimes opressores. Países como o Gabão, os Camarões e o Zimbabué foram mencionados nesse contexto.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Costa do Marfim</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Outra questão é verificar quais os conflitos, revoluções e sublevações que têm sido noticiados e como são apresentados. Na semana passado, a bloguista queniana <a href="http://twitter.com/kenyanpundit" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Ory Okolloh</span></a> começou uma campanha com o seu <em>tweet</em> “Sobre a mídia global e as manifestações em África, ‘Porque é que Anderson Cooper e Nick Kristoff não estão na Costa do Marfim?’” Outros repercutiram o apelo e começaram a enviar mensagens pedindo cobertura noticiosa fora do norte de África.</p>
<p style="text-align: justify;">A Costa do Marfim continua a ser uma dos casos africanos de que quase ninguém fala, a começar pelo Anderson Cooper que declarou que iria reagir em 28 de Fevereiro:</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://twitter.com/andersoncooper" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">@andersoncooper</span></a>: “Tenho seguido de perto a <a href="http://twitter.com/#%21/search?q=%23ivorycoast" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Costa do Marfim</span></a> e merece muito mais cobertura noticiosa. Segunda-feira tentarei fazer algo.”</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, uma semana depois do apelo do kenyanpundit [Ory Okolloh], a Costa do Marfim continua a ser <span class="urlextern">“<a href="http://su.pr/2vJpb2" target="_blank" rel="noopener">a história de que ninguém fala</a>”</span>, como diz @philinthe em mensagem enviada a @cnn, @andersoncooper, @nickkristof, @nbcnightlynews e @ariannahuff.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais uma vez, a African Newsbot lembra-nos a “outra” crise africana:</p>
<p style="text-align: justify;">@africanNewsBot: “Não esqueçam a outra crise africana de populações deslocadas, diz a IOM <a href="http://bit.ly/fZ10Cd" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">aqui</span></a>.”</p>
<p style="text-align: justify;">As informações disponíveis calculam que há cerca de 70.000 marfinenses em fuga para a vizinha Libéria. @scarlettlion, baseado em Monróvia [capital da Libéria], publicou <a class="urlextern" title="http://www.flickr.com/photos/unhcr/5467371717/sizes/s/in/photostream/" href="http://www.flickr.com/photos/unhcr/5467371717/sizes/s/in/photostream/" rel="nofollow">fotografias de refugiados</a> chegando ao país [o UNHCR protege as suas fotos, tanto melhor para os “creative commons”].</p>
<figure id="attachment_37288" aria-describedby="caption-attachment-37288" style="width: 400px" class="wp-caption alignright"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/02_ivorian-refugees.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37288" title="02_ivorian-refugees" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/02_ivorian-refugees.jpg" alt="Refugiados marfinenses" width="400" height="266" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/02_ivorian-refugees.jpg 400w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/02_ivorian-refugees-300x199.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a><figcaption id="caption-attachment-37288" class="wp-caption-text">Refugiados marfinenses</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">@connectionivoir informa que há combates e explosões na capital entre forças de segurança e apoiantes de Alassane Ouattara e do presidente Laurent Gbagbo. No norte do país há milhões de pessoas sem água nem electricidade. Apontam <a href="http://www.connectionivoirienne.net/on-dit-quoi-au-pays-actualites/gbagbo-et-kadhafi-ou-le-cercle-sanglant-de-l%E2%80%99ethnicite-politique-2/" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">semelhanças entre Khadafi e Gbagbo</span></a>. Ambos se vêem como líderes panafricanistas socialistas, mas ao mesmo tempo defendem o capitalismo e o investimento das transnacionais ocidentais, roubando enormes quantidades de dólares ao seu povo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Camarões</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Na passada semana, os <a href="http://www.cameroonechoes.org/police-easily-halt-protest-in-cameroon-video-of-police-brutality/" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">camaroneses</span></a> trouxeram para as ruas o que, até aí, fora uma pequena manifestação imediatamente abafada pelas forças armadas do presidente Paul Biya. Kah Walla, fundadora do Cameroun O’Bosso [Vamos, Camarões], encontrava-se entre os 300 manifestantes da semana passada, muitos dos quais foram espancados, como se pode ver neste <a href="http://www.youtube.com/watch?v=ZIo8SQbn8YA" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">vídeo do YouTube</span></a>. Ela escreveu sobre a sua experiência <a href="http://pambazuka.org/en/category/features/71188" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">aqui no Pambazuka News</span></a>. O seu diário dos acontecimentos é importante porque mostra a coragem e a determinação de um pequeno grupo de pessoas, tudo o que é preciso para dar início a uma revolução. Escreve:</p>
<figure id="attachment_37289" aria-describedby="caption-attachment-37289" style="width: 400px" class="wp-caption alignright"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/03_gaddafi_gbagbo.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37289 " title="03_gaddafi_gbagbo" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/03_gaddafi_gbagbo.jpg" alt="Khadafi com Gbagbo, ditador dos Camarões" width="400" height="308" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/03_gaddafi_gbagbo.jpg 400w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/03_gaddafi_gbagbo-300x231.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a><figcaption id="caption-attachment-37289" class="wp-caption-text">Khadafi com Laurent Gbagbo, presidente da Costa do Marfim</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">“Eles queriam parar os nossos protestos, e nós protestámos. Temos uma filosofia não-violenta, que mantivemos mesmo frente a uma extrema violência. Uma força incrível de jovens camaroneses. Quando começámos éramos quase 300 e no fim menos de 50, mas essa pepita de ouro venceu o medo, o nosso e o de muitos outros camaroneses. Nenhuma multidão se juntou a nós, mas nem uma pessoa protestou por estarmos a bloquear a rua. Se alguma dúvida houvesse, temos agora a certeza de que precisamos absolutamente de uma mudança e precisamos absolutamente da determinação inabalável de a fazer no nosso país. Seis membros do Cameroun O’Bosso foram detidos, e continuam presos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Gabão</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em 29 de Janeiro, milhares de pessoas começaram protestos contra a liderança do presidente Ali Bongo Ondimba, filho do antigo presidente Omar Bongo. Apesar de terem deparado com as forças brutais do regime, os protestos espalharam-se por todo o Gabão. Também desta vez, os protestos gaboneses ficaram fora do radar, como atestam os seguintes <em>tweets</em>:</p>
<p style="text-align: justify;">@cletusrayray: “Alguém está a ouvir? Pambazuka: Gabão: <span class="urlextern">‘<a href="http://pambazuka.org/en/category/features/70961" target="_blank" rel="noopener">Os protestos esquecidos, a mídia tacanha</a>’</span>”</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://twitter.com/eDipAtState" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">@eDipAtState</span></a> dá uma possível razão para isso: “A mídia não irá falar muito dos Camarões e do Gabão. Os manifestantes terão de usar o Twitter e o Facebook, e mandar relatos para a AJE.”</p>
<p style="text-align: justify;">Tenho a certeza de que a mídia dominante tem informações do que está a acontecer e é claro que são feitas escolhas sobre quais os conflitos e as revoluções a noticiar. Essas escolhas têm de ser contrariadas da mesma forma que outros silêncios, como as vozes das mulheres, das minorias sexuais, dos refugiados, dos sem-terra e dos migrantes por todo o continente. Ethan Zuckerman aponta, no <a href="http://www.pambazuka.org/en/category/features/70961" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Pambazuka News</span></a>, o perigo dos noticiários selectivos:</p>
<p style="text-align: justify;">“O perigo de ignorar a revolução do Gabão não é apenas o de as forças da oposição serem presas, ou pior. É o de nós não conseguirmos compreender as mudanças profundas que estão em curso em todo o mundo e mudam a natureza das revoluções populares. A onda de protestos que abalou a Tunísia pode ter-se repercutido bem para além do mundo árabe numa extensão bem maior do planeta… E com os telespectadores de todo o mundo a verem maravilhados como manifestantes cristãos e muçulmanos rezam juntos na Praça Tahrir, eles irão perguntar-se porque é que as lutas no Gabão não podem merecer pelo menos uma parte dessa atenção.”</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Zimbabué</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em 23 de Fevereiro, <a href="http://www.kubatanablogs.net/kubatana/?p=4937http://www.kubatanablogs.net/kubatana/?p=4937" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">45 activistas pela justiça social</span></a> foram presos e acusados de traição no Zimbabué. Os 45, incluindo o coordenador da Organização Internacional Socialista Munyaradzi Gwisai, foram acusados de assistir e conversar sobre reportagens vídeo dos protestos tunisinos e egípcios. Alguns deles foram “brutalizados e torturados” na prisão. Em 27 de Fevereiro foram também presos 7 membros do WOZA (Women of Zimbabwe Arise) e do MOZA (Men of Zimbabwe Arise).</p>
<figure id="attachment_37290" aria-describedby="caption-attachment-37290" style="width: 275px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/04_woza_march.gif"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-37290 size-full" title="04_woza_march" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2011/03/04_woza_march.gif" alt="Desfile do WOZA" width="275" height="201" /></a><figcaption id="caption-attachment-37290" class="wp-caption-text"> Desfile do WOZA</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Referi acima que há quem se pergunte se as sublevações acontecidas no norte de África irão espalhar-se para as regiões do sul do continente. No caso do Gabão, não há indícios de que os protestos tenham sido influenciados pelos da Tunísia ou do Egipto. E, mesmo que os 45 activistas estivessem reunidos a falar sobre esses acontecimentos, os zimbabueanos têm andado em revoltas contra o regime de Mugabe desde antes das eleições de 2008 – ver <span class="urlextern">“<a href="http://www.sokwanele.com/map/electionviolence" target="_blank" rel="noopener">Mapping Terror</a>”</span> no blogue Sokwanele. As integrantes do WOZA têm vindo a manifestar-se inúmeras vezes; têm sido espancadas, presas, e torturadas e, mesmo assim, continuam a ir para as ruas. Em 2010, <a href="http://www.sokwanele.com/thisiszimbabwe/archives/6326" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">83 das suas activistas</span></a> foram presas por festejarem o Dia Internacional da Paz.</p>
<p style="text-align: justify;">O erro da mídia e dos activistas do Ocidente é julgarem que a voz da revolução tem de soar muito forte e tornar-se visível no seu mundo. Pelo contrário, há milhares de activistas e de movimentos pela justiça social por toda a África, e na sua diáspora, que estão totalmente empenhados em conseguir uma mudança política e social nos seus respectivos países. Não é preciso assim tanto esforço ou tempo para saber o que está a acontecer.</p>
<p style="text-align: justify;">As revoluções são processos complexos de interesses rivais e de múltiplas tensões. O período que se segue às expulsões de Ben Ali e de Mubarak mostra-o bem. Os protestos de rua e as expulsões não foram o começo. Os activistas dos dois países andaram muito tempo a trabalhar para se chegar a este momento. O processo revolucionário irá continuar e poderá muito bem seguir caminhos contraditórios. A informação mediática sobre as revoluções – que decide quais as que merecem mais atenção e como devem ser noticiadas – aumenta ainda a complexidade. O que eu tentei com este artigo foi dar uma outra perspectiva das forças revolucionárias em África. Para sermos cidadãos informados, e se nos consideramos parte de um processo revolucionário, então precisamos de tentar compreender os diferentes níveis da narrativa e das acções que estão a acontecer, não só em África mas por toda a parte.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Sokari Ekine</strong> é uma escritora e activista de origem nigeriana que, além de colaborar com o Pambazuka News, fundou e escreve regularmente no blogue <a href="http://www.blacklooks.org/" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Black Looks</span></a>.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Artigo original (em inglês) no <a href="http://pambazuka.org/en/category/features/71379" target="_blank" rel="noopener"><span class="urlextern">Pambazuka News</span></a>. Tradução Passa Palavra.</em></p>
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