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	Comentários sobre: De volta à África (3): &#8220;Nós fomos os primeiros fascistas&#8221;	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		Por: Oito motivos para eu não ser um panafricanista garveista - Blog do Juarez		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/07/26128/#comment-1013315</link>

		<dc:creator><![CDATA[Oito motivos para eu não ser um panafricanista garveista - Blog do Juarez]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Apr 2025 00:17:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[[&#8230;] fomos os primeiros fascistas”. 2010. Site anticapitalista independente.Disponível em: &#060;https://passapalavra.info/2010/07/26128/ &#062;. Acesso em: 14 fev. [&#8230;]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>[&#8230;] fomos os primeiros fascistas”. 2010. Site anticapitalista independente.Disponível em: &lt;<a href="https://passapalavra.info/2010/07/26128/" rel="ugc">https://passapalavra.info/2010/07/26128/</a> &gt;. Acesso em: 14 fev. [&#8230;]</p>
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		<title>
		Por: Marcelo Mazzoni		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/07/26128/#comment-972741</link>

		<dc:creator><![CDATA[Marcelo Mazzoni]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 Sep 2024 23:21:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Esqueceu-se de acrescentar: A primeira como tragédia, a segunda como farsa.

&quot;Uma minuciosa investigação da CNN sobre hábitos na internet no passado do polêmico vice-governador da Carolina do Norte, Mark Robinson, um republicano conhecido por suas ferrenhas opiniões conservadoras, colocou em maus lençóis não só sua candidatura ao governo como as pretensões de Donald Trump num dos estados cruciais da disputa presidencial.

Entre diversas mensagens pornográficas trocadas com outros usuários, uma conta atribuída ao vice-governador continha afirmações como: “sou um nazista negro” e elogios à escravidão.&quot;
https://www.infomoney.com.br/mundo/sou-um-nazista-negro-polemico-governador-republicano-pode-atrapalhar-trump/?utm_source=whatsapp&#038;utm_medium=social]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esqueceu-se de acrescentar: A primeira como tragédia, a segunda como farsa.</p>
<p>&#8220;Uma minuciosa investigação da CNN sobre hábitos na internet no passado do polêmico vice-governador da Carolina do Norte, Mark Robinson, um republicano conhecido por suas ferrenhas opiniões conservadoras, colocou em maus lençóis não só sua candidatura ao governo como as pretensões de Donald Trump num dos estados cruciais da disputa presidencial.</p>
<p>Entre diversas mensagens pornográficas trocadas com outros usuários, uma conta atribuída ao vice-governador continha afirmações como: “sou um nazista negro” e elogios à escravidão.&#8221;<br />
<a href="https://www.infomoney.com.br/mundo/sou-um-nazista-negro-polemico-governador-republicano-pode-atrapalhar-trump/?utm_source=whatsapp&#038;utm_medium=social" rel="nofollow ugc">https://www.infomoney.com.br/mundo/sou-um-nazista-negro-polemico-governador-republicano-pode-atrapalhar-trump/?utm_source=whatsapp&#038;utm_medium=social</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/07/26128/#comment-835330</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Jan 2022 10:08:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Trechos assim deixam tudo mais claro:

&quot;Precisava este jornal botar negros em cargos de direção, gente que enxergue sem miopia nem proposital daltonismo o que é racismo contra negros (eu disse contra negros). Precisava tirar racistas e fascistas da pauta, do secretariado de Redação, alçar negros aos cargos de editores, dos postos mais altos da administração. Mudança profunda é isso, diversidade, pluralismo. O resto é cosmética, fachada.&quot;
(Felinto, Marilene. A Folha envelheceu mal: Jornal precisa de negros em cargos de direção para ser capaz de enxergar o racismo. Folha de S.Paulo, 22 jan. 2022. https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2022/01/a-folha-envelheceu-mal.shtml)

Em outras palavras, a solução para o &quot;racismo&quot; - publicar textos que criticam o identitarismo - é o... racismo. Para promover novos gestores.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Trechos assim deixam tudo mais claro:</p>
<p>&#8220;Precisava este jornal botar negros em cargos de direção, gente que enxergue sem miopia nem proposital daltonismo o que é racismo contra negros (eu disse contra negros). Precisava tirar racistas e fascistas da pauta, do secretariado de Redação, alçar negros aos cargos de editores, dos postos mais altos da administração. Mudança profunda é isso, diversidade, pluralismo. O resto é cosmética, fachada.&#8221;<br />
(Felinto, Marilene. A Folha envelheceu mal: Jornal precisa de negros em cargos de direção para ser capaz de enxergar o racismo. Folha de S.Paulo, 22 jan. 2022. <a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2022/01/a-folha-envelheceu-mal.shtml" rel="nofollow ugc">https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2022/01/a-folha-envelheceu-mal.shtml</a>)</p>
<p>Em outras palavras, a solução para o &#8220;racismo&#8221; &#8211; publicar textos que criticam o identitarismo &#8211; é o&#8230; racismo. Para promover novos gestores.</p>
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		<title>
		Por: Alan Fernandes		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/07/26128/#comment-835181</link>

		<dc:creator><![CDATA[Alan Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Jan 2022 18:09:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O artigo do Risério não é bom. Mas não é &quot;supremacista&quot;. De todo modo, achei que esse aqui é bem mais preciso. https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2022/01/automarketing-identitario-e-a-morte-da-critica.shtml]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O artigo do Risério não é bom. Mas não é &#8220;supremacista&#8221;. De todo modo, achei que esse aqui é bem mais preciso. <a href="https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2022/01/automarketing-identitario-e-a-morte-da-critica.shtml" rel="nofollow ugc">https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2022/01/automarketing-identitario-e-a-morte-da-critica.shtml</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Paulo Henrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/07/26128/#comment-834508</link>

		<dc:creator><![CDATA[Paulo Henrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Jan 2022 11:21:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O Risério fez alguns comentários sobre a repercussão do artigo.
https://www.poder360.com.br/midia/racismo-estrutural-e-uma-falacia-diz-antonio-riserio/]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Risério fez alguns comentários sobre a repercussão do artigo.<br />
<a href="https://www.poder360.com.br/midia/racismo-estrutural-e-uma-falacia-diz-antonio-riserio/" rel="nofollow ugc">https://www.poder360.com.br/midia/racismo-estrutural-e-uma-falacia-diz-antonio-riserio/</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/07/26128/#comment-834493</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Jan 2022 09:34:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A publicação do artigo de Risério na Folha de S.Paulo causou, como era de se esperar, um grande rebuliço.

Ver, por exemplo, para uma síntese do que se passou, esta notícia:

Folha é acusada de veicular textos racistas em busca de audiência
Crítica ao jornal por artigo de Antonio Risério inclui grupo da Redação; Direção defende liberdade de expressão ampla 
19.jan.2022 às 23h16 
Suzana Singer
São Paulo

A um mês de completar as comemorações pelo seu centenário, a Folha lida com a acusação de abrigar textos racistas com o objetivo de alavancar a audiência.

A crítica vem de fora e de dentro. O estopim foi o artigo &quot;Racismo de Negros contra Brancos Ganha Força com Identitarismo&quot;, do antropólogo baiano Antonio Risério, publicado no sábado (15) na Ilustríssima. Nele, o autor afirma que &quot;o racismo negro é um fato&quot; e discorda da definição de que só há racismo quando existe opressão.

Risério cita casos de ataques a brancos por parte de negros e afirma que &quot;militantes pretos, como pastores evangélicos, querem o poder&quot;.

A Folha já publicou desde então cerca de dez artigos que refutam a tese de Risério e que o acusam de tentar deslegitimar os avanços obtidos pelo movimento negro.

Vários leitores se manifestaram também. &quot;A Folha tem prazer em ficar do lado errado da história&quot;, escreveu Matheus Henrique, do Rio Grande do Norte.

Em apoio a Risério, foi divulgada uma carta de intelectuais e artistas, com 781 signatários, entre os quais aparecem os nomes dos antropólogos Luiz Mott e Roberto da Matta e da cineasta Ana Maria Magalhães. Em um dos trechos, afirmam que o autor &quot;é no momento uma das vozes mais importantes do país, sobretudo por fazer oposição a uma ideologia intolerante e autoritária. Manifestamo-nos com um apelo para que sua livre expressão seja respeitada&quot;.

Polêmica semelhante já havia acontecido em outubro passado, envolvendo o colunista Leandro Narloch, que citou um livro escrito por Risério. Agora, porém, um grupo de jornalistas da Folha encaminhou à Direção uma carta alertando para o risco de publicar de forma &quot;recorrente conteúdos racistas&quot;.

Como os próprios autores reconhecem na carta, é incomum que jornalistas se manifestem sobre decisões editoriais da chefia. Os 208 remetentes (192 identificados, 16 anônimos) afirmam que &quot;buscar audiência às expensas da população negra é incompatível com estar a serviço da democracia&quot;.

&quot;O racismo é um fato concreto da realidade brasileira, e a Folha contribui para a sua manutenção ao dar espaço e credibilidade a discursos que minimizam sua importância. Dessa forma, vai na contramão de esforços importantes para enfrentar o racismo institucional dentro do próprio jornal, como o programa de treinamento exclusivo para negros&quot;, afirma trecho da carta.

Além do treinamento exclusivo para negros, que está com inscrições abertas para a sua segunda edição, a Folha criou o cargo de editor de Diversidade, aumentou o número de colunistas negros e levou em conta a questão identitária na formação do novo Conselho Editorial.

O texto havia sido submetido para publicação em Tendências/Debates, mas, enquanto era avaliado pela Direção de Redação, foi vazado para a concorrência do jornal. A publicação foi então suspensa, uma vez que a seção só publica artigos inéditos.

Marcos Augusto Gonçalves, editor da Ilustríssima, não concorda com a avaliação feita por parte de seus colegas. &quot;O texto do Risério, por criticável que seja, se inscreve nos limites do debate público, algo que, infelizmente, vem se estreitando nos últimos tempos&quot;, diz.

Em sua coluna, Hélio Schwartsman afirma que não viu nada de &quot;escandaloso&quot; no artigo de Risério e comemora o fato de a Folha continuar promovendo o debate de assuntos que &quot;estão se tornando tabu&quot;.

Citado no abaixo-assinado, o colunista Leandro Narloch diz que &quot;uma concepção não racista do mundo pressupõe que a cor da pele não determina a moralidade de um indivíduo. Por isso é bastante questionável afirmar que &#039;obviamente não existe racismo reverso&#039;, como dizem os autores&quot;.

A Direção da Folha reconhece o abaixo-assinado como um instrumento legítimo de manifestação, mas afirma que o conteúdo vai contra a pluralidade e a defesa intransigente da liberdade de expressão, pilares do Projeto Folha.

&quot;O abaixo-assinado erra, é parcial e faz acusações sem fundamento, três características indesejáveis em se tratando de profissionais do jornalismo. Erra ao sugerir que a Folha publicou artigos que relativizam ou fazem apologia do racismo, o que não aconteceu, até porque racismo é crime. É parcial ao omitir iniciativas que têm sido a prioridade do jornal nos últimos três anos. Acusa sem fundamento ao creditar a publicação de opiniões divergentes, que são a base do jornalismo defendido pelo jornal, a uma pretensa busca por audiência –os textos mencionados tiveram cerca de 1% da audiência total dos dias em que foram publicados&quot;, afirma Sérgio Dávila, diretor de Redação.

Será organizado um seminário interno para discutir pluralismo e a questão racial. Antonio Risério não quis comentar a polêmica provocada por seu artigo, assim como Demétrio Magnoli, colunista da Folha também citado no abaixo-assinado. Os jornalistas que assinaram o texto também não quiseram acrescentar declarações.

Leia íntegra do manifesto a favor de Antonio Risério aqui.

Leia íntegra da carta aberta de parte dos jornalistas da Folha aqui.

Leia a íntegra da resposta do diretor de Redação, Sérgio Dávila, e do editor da Ilustríssima, Marcos Augusto Gonçalves, abaixo.

&quot;O abaixo-assinado é um instrumento legítimo de manifestação dos jornalistas sem cargo de confiança que ali colocaram seu nome. O recurso já foi usado em outros momentos da história da Folha. Também são saudáveis a crítica e a autocrítica, desde sempre estimuladas pelo jornal. O preocupante é o teor do texto, que vai contra um dos pontos basilares e inegociáveis do Projeto Folha: a pluralidade e a defesa intransigente da liberdade de expressão.

Além disso, o texto erra, é parcial e faz acusações sem fundamento, três características indesejáveis em se tratando de profissionais do jornalismo.

Erra ao sugerir que a Folha publicou artigos que relativizam ou fazem apologia do racismo, o que não aconteceu, até porque racismo é crime.

É parcial ao omitir iniciativas que têm sido a prioridade do jornal nos últimos três anos, como a contratação de profissionais negros no elenco de colunistas, blogueiros e repórteres e a criação da editoria de Diversidade, a primeira do gênero na grande imprensa.

Acusa sem fundamento ao creditar a publicação de opiniões divergentes, que são a base do jornalismo defendido pelo jornal, a uma suposta busca por audiência –até porque os textos mencionados tiveram menos de 1% da audiência total dos dias em que foram publicados e em muitos casos levaram a cancelamentos de assinatura.

A Folha seguirá fazendo o jornalismo que a consagrou nos últimos 100 anos, com uma Redação que esteja disposta a implementar com profissionalismo os princípios defendidos por seu Projeto Editorial: um jornalismo crítico, apartidário, independente e pluralista.&quot;

Sérgio Dávila, diretor de Redação

&quot;Como editor da Ilustríssima, considerei que o texto submetido a mim por Antonio Risério, por criticável que pudesse ser, se inscrevia nos limites do debate público, algo que infelizmente vem se estreitando nos últimos tempos, e não só no Brasil. O autor fala por si, tem uma história intelectual, acadêmica e política. Foi preso pela ditadura militar, estudou e publicou livros sobre as manifestações da cultura negra na Bahia e trabalhou com Gilberto Gil no Ministério da Cultura no governo do PT –partido com o qual passou a divergir posteriormente. Suas posições muito críticas sobre a ideologia identitária e seus dogmas o levaram a protagonista de polarizações com representantes desses movimentos.

Obviamente eu presumia que o texto provocaria reações, mas imaginava que viriam argumentos –o que seria uma contribuição para o debate. Infelizmente, não houve debate algum, mas um tsunami nas redes sociais para tentar silenciar e punir, como de hábito, o divergente. No caso, prevaleceu a acusação tida como verdade absoluta de que se tratou de uma manifestação ‘racista da Folha’. Respeito a posição do grupo expressivo de jornalistas que assinou a carta aberta, embora eu tenha sérias divergências conceituais sobre como e o que foi colocado.&quot;

Marcos Augusto Gonçalves, editor da Ilustríssima

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2022/01/folha-e-acusada-de-veicular-textos-racistas-em-busca-de-audiencia.shtml]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A publicação do artigo de Risério na Folha de S.Paulo causou, como era de se esperar, um grande rebuliço.</p>
<p>Ver, por exemplo, para uma síntese do que se passou, esta notícia:</p>
<p>Folha é acusada de veicular textos racistas em busca de audiência<br />
Crítica ao jornal por artigo de Antonio Risério inclui grupo da Redação; Direção defende liberdade de expressão ampla<br />
19.jan.2022 às 23h16<br />
Suzana Singer<br />
São Paulo</p>
<p>A um mês de completar as comemorações pelo seu centenário, a Folha lida com a acusação de abrigar textos racistas com o objetivo de alavancar a audiência.</p>
<p>A crítica vem de fora e de dentro. O estopim foi o artigo &#8220;Racismo de Negros contra Brancos Ganha Força com Identitarismo&#8221;, do antropólogo baiano Antonio Risério, publicado no sábado (15) na Ilustríssima. Nele, o autor afirma que &#8220;o racismo negro é um fato&#8221; e discorda da definição de que só há racismo quando existe opressão.</p>
<p>Risério cita casos de ataques a brancos por parte de negros e afirma que &#8220;militantes pretos, como pastores evangélicos, querem o poder&#8221;.</p>
<p>A Folha já publicou desde então cerca de dez artigos que refutam a tese de Risério e que o acusam de tentar deslegitimar os avanços obtidos pelo movimento negro.</p>
<p>Vários leitores se manifestaram também. &#8220;A Folha tem prazer em ficar do lado errado da história&#8221;, escreveu Matheus Henrique, do Rio Grande do Norte.</p>
<p>Em apoio a Risério, foi divulgada uma carta de intelectuais e artistas, com 781 signatários, entre os quais aparecem os nomes dos antropólogos Luiz Mott e Roberto da Matta e da cineasta Ana Maria Magalhães. Em um dos trechos, afirmam que o autor &#8220;é no momento uma das vozes mais importantes do país, sobretudo por fazer oposição a uma ideologia intolerante e autoritária. Manifestamo-nos com um apelo para que sua livre expressão seja respeitada&#8221;.</p>
<p>Polêmica semelhante já havia acontecido em outubro passado, envolvendo o colunista Leandro Narloch, que citou um livro escrito por Risério. Agora, porém, um grupo de jornalistas da Folha encaminhou à Direção uma carta alertando para o risco de publicar de forma &#8220;recorrente conteúdos racistas&#8221;.</p>
<p>Como os próprios autores reconhecem na carta, é incomum que jornalistas se manifestem sobre decisões editoriais da chefia. Os 208 remetentes (192 identificados, 16 anônimos) afirmam que &#8220;buscar audiência às expensas da população negra é incompatível com estar a serviço da democracia&#8221;.</p>
<p>&#8220;O racismo é um fato concreto da realidade brasileira, e a Folha contribui para a sua manutenção ao dar espaço e credibilidade a discursos que minimizam sua importância. Dessa forma, vai na contramão de esforços importantes para enfrentar o racismo institucional dentro do próprio jornal, como o programa de treinamento exclusivo para negros&#8221;, afirma trecho da carta.</p>
<p>Além do treinamento exclusivo para negros, que está com inscrições abertas para a sua segunda edição, a Folha criou o cargo de editor de Diversidade, aumentou o número de colunistas negros e levou em conta a questão identitária na formação do novo Conselho Editorial.</p>
<p>O texto havia sido submetido para publicação em Tendências/Debates, mas, enquanto era avaliado pela Direção de Redação, foi vazado para a concorrência do jornal. A publicação foi então suspensa, uma vez que a seção só publica artigos inéditos.</p>
<p>Marcos Augusto Gonçalves, editor da Ilustríssima, não concorda com a avaliação feita por parte de seus colegas. &#8220;O texto do Risério, por criticável que seja, se inscreve nos limites do debate público, algo que, infelizmente, vem se estreitando nos últimos tempos&#8221;, diz.</p>
<p>Em sua coluna, Hélio Schwartsman afirma que não viu nada de &#8220;escandaloso&#8221; no artigo de Risério e comemora o fato de a Folha continuar promovendo o debate de assuntos que &#8220;estão se tornando tabu&#8221;.</p>
<p>Citado no abaixo-assinado, o colunista Leandro Narloch diz que &#8220;uma concepção não racista do mundo pressupõe que a cor da pele não determina a moralidade de um indivíduo. Por isso é bastante questionável afirmar que &#8216;obviamente não existe racismo reverso&#8217;, como dizem os autores&#8221;.</p>
<p>A Direção da Folha reconhece o abaixo-assinado como um instrumento legítimo de manifestação, mas afirma que o conteúdo vai contra a pluralidade e a defesa intransigente da liberdade de expressão, pilares do Projeto Folha.</p>
<p>&#8220;O abaixo-assinado erra, é parcial e faz acusações sem fundamento, três características indesejáveis em se tratando de profissionais do jornalismo. Erra ao sugerir que a Folha publicou artigos que relativizam ou fazem apologia do racismo, o que não aconteceu, até porque racismo é crime. É parcial ao omitir iniciativas que têm sido a prioridade do jornal nos últimos três anos. Acusa sem fundamento ao creditar a publicação de opiniões divergentes, que são a base do jornalismo defendido pelo jornal, a uma pretensa busca por audiência –os textos mencionados tiveram cerca de 1% da audiência total dos dias em que foram publicados&#8221;, afirma Sérgio Dávila, diretor de Redação.</p>
<p>Será organizado um seminário interno para discutir pluralismo e a questão racial. Antonio Risério não quis comentar a polêmica provocada por seu artigo, assim como Demétrio Magnoli, colunista da Folha também citado no abaixo-assinado. Os jornalistas que assinaram o texto também não quiseram acrescentar declarações.</p>
<p>Leia íntegra do manifesto a favor de Antonio Risério aqui.</p>
<p>Leia íntegra da carta aberta de parte dos jornalistas da Folha aqui.</p>
<p>Leia a íntegra da resposta do diretor de Redação, Sérgio Dávila, e do editor da Ilustríssima, Marcos Augusto Gonçalves, abaixo.</p>
<p>&#8220;O abaixo-assinado é um instrumento legítimo de manifestação dos jornalistas sem cargo de confiança que ali colocaram seu nome. O recurso já foi usado em outros momentos da história da Folha. Também são saudáveis a crítica e a autocrítica, desde sempre estimuladas pelo jornal. O preocupante é o teor do texto, que vai contra um dos pontos basilares e inegociáveis do Projeto Folha: a pluralidade e a defesa intransigente da liberdade de expressão.</p>
<p>Além disso, o texto erra, é parcial e faz acusações sem fundamento, três características indesejáveis em se tratando de profissionais do jornalismo.</p>
<p>Erra ao sugerir que a Folha publicou artigos que relativizam ou fazem apologia do racismo, o que não aconteceu, até porque racismo é crime.</p>
<p>É parcial ao omitir iniciativas que têm sido a prioridade do jornal nos últimos três anos, como a contratação de profissionais negros no elenco de colunistas, blogueiros e repórteres e a criação da editoria de Diversidade, a primeira do gênero na grande imprensa.</p>
<p>Acusa sem fundamento ao creditar a publicação de opiniões divergentes, que são a base do jornalismo defendido pelo jornal, a uma suposta busca por audiência –até porque os textos mencionados tiveram menos de 1% da audiência total dos dias em que foram publicados e em muitos casos levaram a cancelamentos de assinatura.</p>
<p>A Folha seguirá fazendo o jornalismo que a consagrou nos últimos 100 anos, com uma Redação que esteja disposta a implementar com profissionalismo os princípios defendidos por seu Projeto Editorial: um jornalismo crítico, apartidário, independente e pluralista.&#8221;</p>
<p>Sérgio Dávila, diretor de Redação</p>
<p>&#8220;Como editor da Ilustríssima, considerei que o texto submetido a mim por Antonio Risério, por criticável que pudesse ser, se inscrevia nos limites do debate público, algo que infelizmente vem se estreitando nos últimos tempos, e não só no Brasil. O autor fala por si, tem uma história intelectual, acadêmica e política. Foi preso pela ditadura militar, estudou e publicou livros sobre as manifestações da cultura negra na Bahia e trabalhou com Gilberto Gil no Ministério da Cultura no governo do PT –partido com o qual passou a divergir posteriormente. Suas posições muito críticas sobre a ideologia identitária e seus dogmas o levaram a protagonista de polarizações com representantes desses movimentos.</p>
<p>Obviamente eu presumia que o texto provocaria reações, mas imaginava que viriam argumentos –o que seria uma contribuição para o debate. Infelizmente, não houve debate algum, mas um tsunami nas redes sociais para tentar silenciar e punir, como de hábito, o divergente. No caso, prevaleceu a acusação tida como verdade absoluta de que se tratou de uma manifestação ‘racista da Folha’. Respeito a posição do grupo expressivo de jornalistas que assinou a carta aberta, embora eu tenha sérias divergências conceituais sobre como e o que foi colocado.&#8221;</p>
<p>Marcos Augusto Gonçalves, editor da Ilustríssima</p>
<p>Fonte: <a href="https://www1.folha.uol.com.br/poder/2022/01/folha-e-acusada-de-veicular-textos-racistas-em-busca-de-audiencia.shtml" rel="nofollow ugc">https://www1.folha.uol.com.br/poder/2022/01/folha-e-acusada-de-veicular-textos-racistas-em-busca-de-audiencia.shtml</a></p>
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		<title>
		Por: Paulo Henrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/07/26128/#comment-834123</link>

		<dc:creator><![CDATA[Paulo Henrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Jan 2022 16:58:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Obrigado João Bernardo, pelas indicações. Achei estranho o estardalhaço que a esquerda está fazendo com relação à publicação desse artigo do Risério. Ele tem problemas, é claro, mas parece completamente desproporcional com a reação. E são reações morais, pois de tudo o que eu vi até agora, nenhuma tenta sequer demonstrar os pontos onde supostamente o autor estaria sendo desonesto ou racista. Apenas o qualifica de racista e pede sua cabeça.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Obrigado João Bernardo, pelas indicações. Achei estranho o estardalhaço que a esquerda está fazendo com relação à publicação desse artigo do Risério. Ele tem problemas, é claro, mas parece completamente desproporcional com a reação. E são reações morais, pois de tudo o que eu vi até agora, nenhuma tenta sequer demonstrar os pontos onde supostamente o autor estaria sendo desonesto ou racista. Apenas o qualifica de racista e pede sua cabeça.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/07/26128/#comment-834044</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Jan 2022 08:33:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A esta longa lista que o Paulo Henrique referiu e o Antonio de Odilon Brito aqui transcreveu falta algo, que teve apenas uma breve menção: o racismo de negros contra negros. Abordei esse tema na &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2020/09/133661/&quot; rel=&quot;noopener&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;quinta parte&lt;/a&gt; do meu ensaio &lt;em&gt;Outra face do racismo&lt;/em&gt; e o Passa Palavra analisou a questão no artigo &lt;em&gt;&lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2019/09/128220/&quot; rel=&quot;noopener&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Racismo negro antinegro na África&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;.

Os negros só se distinguem dos brancos numa coisa, precisamente aquela que distingue os brancos dos negros. É só isso, e mais nada.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A esta longa lista que o Paulo Henrique referiu e o Antonio de Odilon Brito aqui transcreveu falta algo, que teve apenas uma breve menção: o racismo de negros contra negros. Abordei esse tema na <a href="https://passapalavra.info/2020/09/133661/" rel="noopener" target="_blank">quinta parte</a> do meu ensaio <em>Outra face do racismo</em> e o Passa Palavra analisou a questão no artigo <em><a href="https://passapalavra.info/2019/09/128220/" rel="noopener" target="_blank">Racismo negro antinegro na África</a></em>.</p>
<p>Os negros só se distinguem dos brancos numa coisa, precisamente aquela que distingue os brancos dos negros. É só isso, e mais nada.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Antonio de Odilon Brito		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/07/26128/#comment-833991</link>

		<dc:creator><![CDATA[Antonio de Odilon Brito]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Jan 2022 23:01:29 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=26128#comment-833991</guid>

					<description><![CDATA[Caríssimos,

Já que o Paulo Henrique colocou o link para esse texto do Antonio Risério, resolvi copiá-lo e colá-lo aqui, já que o acesso a ele está restrito a assinantes da Folha.

Um abraço a todos do,
Antonio

&quot;Racismo de negros contra brancos ganha força com identitarismo
Sob discurso antirracista, o racismo negro se manifesta por organizações supremacistas

Antonio Risério
Poeta, romancista e antropólogo, autor de &quot;A Utopia Brasileira e os Movimentos Negros&quot;, &quot;Sobre o Relativismo Pós-Moderno e a Fantasia Fascista da Esquerda Identitária&quot; e &quot;As Sinhás Pretas da Bahia&quot;

[RESUMO] Ataques de negros contra asiáticos, brancos e judeus invalidam a tese de que não existe racismo negro em razão da opressão a que estão submetidos. Sob a capa do discurso antirracista, esquerda e movimento negro reproduzem projeto supremacista, tornando o neorracismo identitário mais norma que exceção.


Todo o mundo sabe que existe racismo branco antipreto. Quanto ao racismo preto antibranco, quase ninguém quer saber. Porém, quem quer que observe a cena racial do mundo vê que o racismo negro é um fato.

A universidade e a mídia norte-americanas insistem no discurso da inexistência de qualquer tipo de &quot;black racism&quot;. Casos desse racismo se sucedem, mas a ordem-unida ideológica manda fingir que nada aconteceu.

Ilustração de rosto masculino dividido no meio, costurado, com a boca aberta, como se gritasse. De um lado ele é negro, de cabelos pretos e olhos castanhos e do outro, loiro de olhos azuis.

O dogma reza que, como pretos são oprimidos, não dispõem de poder econômico ou político para institucionalizar sua hostilidade antibranca. É uma tolice. Ninguém precisa ter poder para ser racista, e pretos já contam, sim, com instrumentos de poder para institucionalizar o seu racismo.

A história ensina: quem hoje figura na posição de oprimido pode ter sido opressor no passado e voltar a ser no futuro. Muçulmanos escravizaram e mataram multidões de pretos durante séculos de tráfico negreiro na África.

No entanto, a visão atualmente dominante, marcada por ignorância e fraudes históricas, quando não pode negar o racismo negro, argumenta que o racismo branco do passado desculpa o racismo preto do presente. Mas o racismo é inaceitável em qualquer circunstância. A universidade e a elite midiática, porém, negaceiam.

Em &quot;Coloring the News&quot;, William McGowan lembra uma série de ataques racistas de pretos contra brancos no metrô de Washington. Em um deles, um grupo de adolescentes negros gritava: &quot;Vamos matar todos os brancos!&quot;. O Washington Post, contudo, não tratou o conflito como conduta racial criminosa e sim como &quot;confronto de duas culturas&quot;.

McGowan sublinha que a recusa em reconhecer a realidade do racismo antibranco é particularmente evidente na cobertura midiática de crimes de pretos contra brancos.

De nada adianta a motivação racial ser ostensiva, como no caso de ataques a idosos brancos no Brooklyn, quando um membro da gangue preta declarou: &quot;Fizemos um acordo entre nós de não roubar mulheres pretas. Só pegaríamos mulheres brancas. Foi um pacto que todos fizemos. Só gente branca&quot;.

O &quot;detalhe&quot; não foi mencionado nas reportagens do jornal The New York Times, e a postura foi a mesma quando três adolescentes brancos foram atacados por uma gangue de jovens pretos no Michigan. Os rapazes pretos curraram a moça branca e fuzilaram um jovem branco.

O New York Times não indigitou o caráter racial do crime e o relegou a uma materiazinha de um só dia. Se os papéis fossem invertidos, uma gangue de jovens brancos currando uma mocinha preta e assassinando um jovem negro, o assunto seria explorando amplamente —e em mais de uma reportagem. Lá, como aqui, o &quot;double standard&quot; midiático é um fato.

Merece destaque o racismo preto antijudaico, que não é de hoje. Em Crown Heights, no verão de 1991, os pretos promoveram um formidável quebra-quebra que se estendeu por quatro dias, durante o qual gritavam &quot;Heil Hitler&quot; em frente a casas de judeus.

Mas a elite midiática, do New York Times à ABC, contornou sistematicamente o racismo, destacando que séculos de opressão explicavam tudo.

Vemos o racismo negro também contra asiáticos. Na história racial de Nova York, negros aparecem tanto como vítimas quanto como agressores criminosos. Judeus e asiáticos, ao contrário, quase que só se dão mal.

Em um boicote preto a um armazém do Brooklyn, cujos proprietários eram coreanos, os pretos foram inquestionavelmente racistas. Diziam aos moradores do bairro que não comprassem coisas de &quot;pessoas que não se parecem com nós&quot; e chamavam os coreanos de &quot;macacos amarelos&quot;.

Curiosamente, por mais de três meses, a grande mídia não deu a menor atenção ao boicote. Um jornalista do New York Post denunciou: &quot;Se fosse boicote da Ku Klux Klan a um armazém de um negro, logo se tornaria assunto nacional. Por que as regras são outras quando as vítimas são coreanas?&quot;.

Não são poucos, de resto, os comerciantes coreanos que perderam a vida em enfrentamentos com &quot;consumidores&quot; negros. Há casos de militantes pretos extorquindo amarelos. Extorsão e violência racistas, é claro.

Sob a capa do discurso antirracista, o racismo negro se manifesta por meio de organizações poderosas como a Nação do Islã, supremacista negra, antissemita e homofóbica.

Discípula, de resto, de Marcus Garvey —admirador de Hitler (seu antissemitismo chegou a levá-lo a procurar uma parceria desconcertante com a Ku Klux Klan) e de Mussolini—, que virou guru de Bob Marley e do reggae jamaicano, fiéis do culto ao ditador Hailé Selassié, o Rás Tafari, suposto herdeiro do Rei Salomão e da Rainha de Sabá.

A propósito, a Frente Negra Brasileira, na década de 1930, não só fez o elogio aberto de Hitler, inclusive tratando Zumbi como um &quot;Führer de ébano&quot;, como apoiou o Estado Novo de Getúlio Vargas, versão tristetropical do fascismo italiano —e o próprio Abdias do Nascimento, guru de nossos atuais movimentos negros, foi militante integralista.

O líder da Nação do Islã, Louis Farrakhan, sempre exibiu também um franco e ostensivo racismo antijudaico. Hoje, o Black Lives Matter pede a morte dos judeus em manifestações públicas.

Em um artigo recente no jornal Le Monde (&quot;Biden, au coeur du combat identitaire&quot;), Michel Guerrin sublinhou que o &quot;antissemitismo está bem presente no poderoso movimento Black Lives Matter&quot;.

A turma discursa contra o &quot;genocídio&quot; palestino, &quot;organiza manifestações onde podemos ouvir ‘matem os judeus’, é próxima do líder da Nação do Islã, Louis Farrakhan, que fez o elogio de Hitler, e tem como cofundadora da sua seção em Toronto, Canadá, Yusra Khogali, que praticamente chegou a pedir o assassinato de brancos&quot;.

O racismo antijudaico de pretos pobres dos guetos pode contar com alguma pequena motivação cotidiana, mas o que pesa mesmo é o antissemitismo generalizado nas lideranças da esquerda multicultural-identitária.

Tudo bem criticar o governo de Israel. Os próprios israelenses costumam fazê-lo, vivendo em um regime democrático, ave raríssima no Oriente Médio. Outra coisa é pregar o desaparecimento de Israel, como querem o Irã e alguns movimentos de esquerda. Aqui, o antissemitismo. O ódio multicultural-identitário a Israel parece não ter limites.

Tomo Yusra Khogali —jovem mulata sudanesa que não diz uma palavra sobre as atrocidades de negros contra negros em seu país natal, vivendo antes no Canadá, onde se compraz em xingar a opressão branca— como um caso exacerbado disso tudo.

Ela não só confessou que tem ímpetos de assassinar todos os brancos. Expôs também uma fantasia &quot;acadêmica&quot; que bem pode ser classificada como a primeira imbecilidade produzida por um &quot;neorracismo científico&quot;.

Protestos contra morte de Daunte Wright, homem negro baleado em abordagem policial nos arredores de Minneapolis

Vejam a preciosidade pseudobiológica de madame Khogali: os brancos não passam de um defeito genético dos pretos. &quot;A branquitude não é humana. De fato, a pele branca é sub-humana&quot;. Porque a brancura é um defeito genético recessivo. &quot;Isto é fato&quot;, afirma solenemente.

Diz que as pessoas brancas possuem uma &quot;alta concentração de inibidores de enzima que suprimem a produção de melanina&quot; e que a melanina é indispensável a uma estrutura óssea sólida, à inteligência, à visão etc.

Enfim, apareceu a mulata racista para inverter o &quot;racismo científico&quot; branco do século 19 —e dizer que os brancos, sim, é que são uma raça inferior. Mas Yusra é apenas um exemplo, entre muitos, e ela teve a quem puxar.

O fato é que não dá para sustentar o clichê de que não existe racismo negro porque a &quot;comunidade negra&quot; não tem poder para exercê-lo institucionalmente. Mesmo que a tese fosse correta, o que está longe de ser o caso, existem já meios para o exercício do racismo negro.

Engana-se, mesmo com relação ao Brasil, quem não quer ver racismo, separatismo e mesmo projeto supremacista em movimentos negros. O retorno à loucura supremacista aparece, agora, como discurso de esquerda.

Se quiserem manter a complacência, podem falar disso como de realidades apenas embrionárias, mas a verdade é bem outra. Militantes pretos, como pastores evangélicos, querem o poder.

Não devemos fazer vistas grossas ao racismo negro, ao mesmo tempo que esquadrinhamos o racismo branco com microscópios implacáveis. O mesmo microscópio deve enquadrar todo e qualquer racismo, venha de onde vier.

Como em um texto do escritor negro LeRoi Jones: &quot;Nossos irmãos estão se movimentando por toda parte, esmagando as frágeis faces brancas. Nós temos que fazer o nosso próprio mundo, cara, e não podemos fazê-lo a menos que o homem branco esteja morto&quot;.

Resta, então, a pergunta fundamental. O neorracismo identitário é exceção ou norma? Infelizmente, penso que é norma. Decorre de premissas fundamentais da própria perspectiva identitária, quando passamos da política da busca da igualdade para a política da afirmação da diferença.

Ao afirmar uma identidade, não podemos deixar de distinguir, dividir, separar. Não existe identitarismo que não traga em si algum grau e alguma espécie de fundamentalismo.

Nesse fundamentalismo, se o que conta é a afirmação de um essencialismo racial, reagindo ressentido a estigmatizações passadas, dificilmente os sinais supremacistas não serão invertidos. As implicações disso me parecem óbvias.&quot;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caríssimos,</p>
<p>Já que o Paulo Henrique colocou o link para esse texto do Antonio Risério, resolvi copiá-lo e colá-lo aqui, já que o acesso a ele está restrito a assinantes da Folha.</p>
<p>Um abraço a todos do,<br />
Antonio</p>
<p>&#8220;Racismo de negros contra brancos ganha força com identitarismo<br />
Sob discurso antirracista, o racismo negro se manifesta por organizações supremacistas</p>
<p>Antonio Risério<br />
Poeta, romancista e antropólogo, autor de &#8220;A Utopia Brasileira e os Movimentos Negros&#8221;, &#8220;Sobre o Relativismo Pós-Moderno e a Fantasia Fascista da Esquerda Identitária&#8221; e &#8220;As Sinhás Pretas da Bahia&#8221;</p>
<p>[RESUMO] Ataques de negros contra asiáticos, brancos e judeus invalidam a tese de que não existe racismo negro em razão da opressão a que estão submetidos. Sob a capa do discurso antirracista, esquerda e movimento negro reproduzem projeto supremacista, tornando o neorracismo identitário mais norma que exceção.</p>
<p>Todo o mundo sabe que existe racismo branco antipreto. Quanto ao racismo preto antibranco, quase ninguém quer saber. Porém, quem quer que observe a cena racial do mundo vê que o racismo negro é um fato.</p>
<p>A universidade e a mídia norte-americanas insistem no discurso da inexistência de qualquer tipo de &#8220;black racism&#8221;. Casos desse racismo se sucedem, mas a ordem-unida ideológica manda fingir que nada aconteceu.</p>
<p>Ilustração de rosto masculino dividido no meio, costurado, com a boca aberta, como se gritasse. De um lado ele é negro, de cabelos pretos e olhos castanhos e do outro, loiro de olhos azuis.</p>
<p>O dogma reza que, como pretos são oprimidos, não dispõem de poder econômico ou político para institucionalizar sua hostilidade antibranca. É uma tolice. Ninguém precisa ter poder para ser racista, e pretos já contam, sim, com instrumentos de poder para institucionalizar o seu racismo.</p>
<p>A história ensina: quem hoje figura na posição de oprimido pode ter sido opressor no passado e voltar a ser no futuro. Muçulmanos escravizaram e mataram multidões de pretos durante séculos de tráfico negreiro na África.</p>
<p>No entanto, a visão atualmente dominante, marcada por ignorância e fraudes históricas, quando não pode negar o racismo negro, argumenta que o racismo branco do passado desculpa o racismo preto do presente. Mas o racismo é inaceitável em qualquer circunstância. A universidade e a elite midiática, porém, negaceiam.</p>
<p>Em &#8220;Coloring the News&#8221;, William McGowan lembra uma série de ataques racistas de pretos contra brancos no metrô de Washington. Em um deles, um grupo de adolescentes negros gritava: &#8220;Vamos matar todos os brancos!&#8221;. O Washington Post, contudo, não tratou o conflito como conduta racial criminosa e sim como &#8220;confronto de duas culturas&#8221;.</p>
<p>McGowan sublinha que a recusa em reconhecer a realidade do racismo antibranco é particularmente evidente na cobertura midiática de crimes de pretos contra brancos.</p>
<p>De nada adianta a motivação racial ser ostensiva, como no caso de ataques a idosos brancos no Brooklyn, quando um membro da gangue preta declarou: &#8220;Fizemos um acordo entre nós de não roubar mulheres pretas. Só pegaríamos mulheres brancas. Foi um pacto que todos fizemos. Só gente branca&#8221;.</p>
<p>O &#8220;detalhe&#8221; não foi mencionado nas reportagens do jornal The New York Times, e a postura foi a mesma quando três adolescentes brancos foram atacados por uma gangue de jovens pretos no Michigan. Os rapazes pretos curraram a moça branca e fuzilaram um jovem branco.</p>
<p>O New York Times não indigitou o caráter racial do crime e o relegou a uma materiazinha de um só dia. Se os papéis fossem invertidos, uma gangue de jovens brancos currando uma mocinha preta e assassinando um jovem negro, o assunto seria explorando amplamente —e em mais de uma reportagem. Lá, como aqui, o &#8220;double standard&#8221; midiático é um fato.</p>
<p>Merece destaque o racismo preto antijudaico, que não é de hoje. Em Crown Heights, no verão de 1991, os pretos promoveram um formidável quebra-quebra que se estendeu por quatro dias, durante o qual gritavam &#8220;Heil Hitler&#8221; em frente a casas de judeus.</p>
<p>Mas a elite midiática, do New York Times à ABC, contornou sistematicamente o racismo, destacando que séculos de opressão explicavam tudo.</p>
<p>Vemos o racismo negro também contra asiáticos. Na história racial de Nova York, negros aparecem tanto como vítimas quanto como agressores criminosos. Judeus e asiáticos, ao contrário, quase que só se dão mal.</p>
<p>Em um boicote preto a um armazém do Brooklyn, cujos proprietários eram coreanos, os pretos foram inquestionavelmente racistas. Diziam aos moradores do bairro que não comprassem coisas de &#8220;pessoas que não se parecem com nós&#8221; e chamavam os coreanos de &#8220;macacos amarelos&#8221;.</p>
<p>Curiosamente, por mais de três meses, a grande mídia não deu a menor atenção ao boicote. Um jornalista do New York Post denunciou: &#8220;Se fosse boicote da Ku Klux Klan a um armazém de um negro, logo se tornaria assunto nacional. Por que as regras são outras quando as vítimas são coreanas?&#8221;.</p>
<p>Não são poucos, de resto, os comerciantes coreanos que perderam a vida em enfrentamentos com &#8220;consumidores&#8221; negros. Há casos de militantes pretos extorquindo amarelos. Extorsão e violência racistas, é claro.</p>
<p>Sob a capa do discurso antirracista, o racismo negro se manifesta por meio de organizações poderosas como a Nação do Islã, supremacista negra, antissemita e homofóbica.</p>
<p>Discípula, de resto, de Marcus Garvey —admirador de Hitler (seu antissemitismo chegou a levá-lo a procurar uma parceria desconcertante com a Ku Klux Klan) e de Mussolini—, que virou guru de Bob Marley e do reggae jamaicano, fiéis do culto ao ditador Hailé Selassié, o Rás Tafari, suposto herdeiro do Rei Salomão e da Rainha de Sabá.</p>
<p>A propósito, a Frente Negra Brasileira, na década de 1930, não só fez o elogio aberto de Hitler, inclusive tratando Zumbi como um &#8220;Führer de ébano&#8221;, como apoiou o Estado Novo de Getúlio Vargas, versão tristetropical do fascismo italiano —e o próprio Abdias do Nascimento, guru de nossos atuais movimentos negros, foi militante integralista.</p>
<p>O líder da Nação do Islã, Louis Farrakhan, sempre exibiu também um franco e ostensivo racismo antijudaico. Hoje, o Black Lives Matter pede a morte dos judeus em manifestações públicas.</p>
<p>Em um artigo recente no jornal Le Monde (&#8220;Biden, au coeur du combat identitaire&#8221;), Michel Guerrin sublinhou que o &#8220;antissemitismo está bem presente no poderoso movimento Black Lives Matter&#8221;.</p>
<p>A turma discursa contra o &#8220;genocídio&#8221; palestino, &#8220;organiza manifestações onde podemos ouvir ‘matem os judeus’, é próxima do líder da Nação do Islã, Louis Farrakhan, que fez o elogio de Hitler, e tem como cofundadora da sua seção em Toronto, Canadá, Yusra Khogali, que praticamente chegou a pedir o assassinato de brancos&#8221;.</p>
<p>O racismo antijudaico de pretos pobres dos guetos pode contar com alguma pequena motivação cotidiana, mas o que pesa mesmo é o antissemitismo generalizado nas lideranças da esquerda multicultural-identitária.</p>
<p>Tudo bem criticar o governo de Israel. Os próprios israelenses costumam fazê-lo, vivendo em um regime democrático, ave raríssima no Oriente Médio. Outra coisa é pregar o desaparecimento de Israel, como querem o Irã e alguns movimentos de esquerda. Aqui, o antissemitismo. O ódio multicultural-identitário a Israel parece não ter limites.</p>
<p>Tomo Yusra Khogali —jovem mulata sudanesa que não diz uma palavra sobre as atrocidades de negros contra negros em seu país natal, vivendo antes no Canadá, onde se compraz em xingar a opressão branca— como um caso exacerbado disso tudo.</p>
<p>Ela não só confessou que tem ímpetos de assassinar todos os brancos. Expôs também uma fantasia &#8220;acadêmica&#8221; que bem pode ser classificada como a primeira imbecilidade produzida por um &#8220;neorracismo científico&#8221;.</p>
<p>Protestos contra morte de Daunte Wright, homem negro baleado em abordagem policial nos arredores de Minneapolis</p>
<p>Vejam a preciosidade pseudobiológica de madame Khogali: os brancos não passam de um defeito genético dos pretos. &#8220;A branquitude não é humana. De fato, a pele branca é sub-humana&#8221;. Porque a brancura é um defeito genético recessivo. &#8220;Isto é fato&#8221;, afirma solenemente.</p>
<p>Diz que as pessoas brancas possuem uma &#8220;alta concentração de inibidores de enzima que suprimem a produção de melanina&#8221; e que a melanina é indispensável a uma estrutura óssea sólida, à inteligência, à visão etc.</p>
<p>Enfim, apareceu a mulata racista para inverter o &#8220;racismo científico&#8221; branco do século 19 —e dizer que os brancos, sim, é que são uma raça inferior. Mas Yusra é apenas um exemplo, entre muitos, e ela teve a quem puxar.</p>
<p>O fato é que não dá para sustentar o clichê de que não existe racismo negro porque a &#8220;comunidade negra&#8221; não tem poder para exercê-lo institucionalmente. Mesmo que a tese fosse correta, o que está longe de ser o caso, existem já meios para o exercício do racismo negro.</p>
<p>Engana-se, mesmo com relação ao Brasil, quem não quer ver racismo, separatismo e mesmo projeto supremacista em movimentos negros. O retorno à loucura supremacista aparece, agora, como discurso de esquerda.</p>
<p>Se quiserem manter a complacência, podem falar disso como de realidades apenas embrionárias, mas a verdade é bem outra. Militantes pretos, como pastores evangélicos, querem o poder.</p>
<p>Não devemos fazer vistas grossas ao racismo negro, ao mesmo tempo que esquadrinhamos o racismo branco com microscópios implacáveis. O mesmo microscópio deve enquadrar todo e qualquer racismo, venha de onde vier.</p>
<p>Como em um texto do escritor negro LeRoi Jones: &#8220;Nossos irmãos estão se movimentando por toda parte, esmagando as frágeis faces brancas. Nós temos que fazer o nosso próprio mundo, cara, e não podemos fazê-lo a menos que o homem branco esteja morto&#8221;.</p>
<p>Resta, então, a pergunta fundamental. O neorracismo identitário é exceção ou norma? Infelizmente, penso que é norma. Decorre de premissas fundamentais da própria perspectiva identitária, quando passamos da política da busca da igualdade para a política da afirmação da diferença.</p>
<p>Ao afirmar uma identidade, não podemos deixar de distinguir, dividir, separar. Não existe identitarismo que não traga em si algum grau e alguma espécie de fundamentalismo.</p>
<p>Nesse fundamentalismo, se o que conta é a afirmação de um essencialismo racial, reagindo ressentido a estigmatizações passadas, dificilmente os sinais supremacistas não serão invertidos. As implicações disso me parecem óbvias.&#8221;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/07/26128/#comment-833893</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Jan 2022 19:23:28 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=26128#comment-833893</guid>

					<description><![CDATA[Paulo Henrique,

Enquanto um dos autores dessa série de artigos, e nomeadamente deste artigo sobre Marcus Garvey, a minha resposta à sua questão consta no ensaio &lt;em&gt;Outra face do racismo&lt;/em&gt;, publicado em 2020, e cuja primeira parte pode ler &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2020/08/133549/&quot; rel=&quot;noopener&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;. Para as partes seguintes pode ver os links.

Já agora, no caso de ser útil, informo que esse ensaio foi há pouco publicado em França, em língua francesa, como pode ver &lt;a href=&quot;http://npnf.eu/spip.php?article881&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;noopener nofollow ugc&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Paulo Henrique,</p>
<p>Enquanto um dos autores dessa série de artigos, e nomeadamente deste artigo sobre Marcus Garvey, a minha resposta à sua questão consta no ensaio <em>Outra face do racismo</em>, publicado em 2020, e cuja primeira parte pode ler <a href="https://passapalavra.info/2020/08/133549/" rel="noopener" target="_blank">aqui</a>. Para as partes seguintes pode ver os links.</p>
<p>Já agora, no caso de ser útil, informo que esse ensaio foi há pouco publicado em França, em língua francesa, como pode ver <a href="http://npnf.eu/spip.php?article881" target="_blank" rel="noopener nofollow ugc">aqui</a>.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
	</channel>
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