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	Comentários sobre: As democracias e o genocídio dos judeus durante a segunda guerra mundial. 2ª parte	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/10/46898/#comment-45463</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Oct 2011 12:18:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Renata,
Já num comentário à primeira parte do artigo, e em resposta a uma Renata, que talvez seja outra, eu toquei muito de leve no facto de o sionismo — que se distinguia do judaísmo, quando não lhe era mesmo francamente oposto — ter usado o genocídio como legitimação do Estado de Israel. Como enunciei com minúcia o que penso acerca do assunto, em outro artigo deste site: http://passapalavra.info/?p=24723 , posso agora passar adiante. Assim, o facto de se pretender atribuir ao genocídio dos judeus uma singularidade histórica corresponde às conveniências políticas do sionismo, e explica uma boa parte do ocultamento que você observou. Mas esta resposta não explica tudo. Vejamos.
É inteiramente certo que o genocídio dos judeus se distingue de outras formas de morticínio ou mesmo de outros genocídios. Quando a oferta de mão-de-obra escrava era abundante os escravos podiam ser maltratados e morriam cedo, o que se devia a razões exclusivamente económicas. Do mesmo modo, o extermínio de um povo por outro que lhe queria ocupar o território devia-se a razões também económicas, e um exemplo é o sucedido com os Herero, na Namíbia, tratando-se, tanto quanto sei, do genocídio que atingiu maiores proporções. Estes e muitos outros horrores de que é tecida a história da humanidade, nos cinco continentes e não apenas em alguns, têm explicações estritamente económicas. Contemporâneo do genocídio dos judeus ocorreu a escravização dos eslavos nos territórios de Leste ocupados pelos nazis, que comportou a deliberada morte pela fome e pela doença de milhões de pessoas, e que foi convenientemente esquecida nos países ocidentais durante a guerra fria. Mas essa escravização deveu-se a motivos igualmente económicos.
Ora, o confinamento dos judeus no Terceiro Reich e depois o seu genocídio não se deveu a razões económicas. Os judeus salientavam-se apenas em algumas profissões liberais e não detinham na Alemanha posições significativas na indústria e na banca. O genocídio dos judeus pelos chefes nacional-socialistas deveu-se a razões estritamente ideológicas. O assunto é muito extenso e tratei-o com detalhe noutro lado, limito-me aqui a indicar sumariamente alguns traços principais. Considerava-se que os judeus eram unicamente capazes de ideias e de práticas destruidoras e desagregadoras. Por isso os judeus eram ao mesmo tempo assimilados à finança internacional (que se considerava desagregadora dos capitais nacionais) e ao movimento operário (que se considerava desagregador das solidariedades nacionais). Aliás, para os nazis o conceito não era &lt;em&gt;judeu&lt;/em&gt; mas &lt;em&gt;bolchevismo judaico&lt;/em&gt;, e o grande perigo, sob o ponto de vista das autoridades do Terceiro Reich, era que os judeus se colocassem à frente dos escravos eslavos. Foi exactamente isto que precipitou o genocídio. Os judeus foram mortos por terem sido considerados símbolos, num plano estritamente ideológico.
Mas nem aqui se tratou de uma singularidade, porque exactamente o mesmo, e pelas mesmas razões ideológicas, sucedeu aos ciganos. Tal como os judeus, os ciganos foram vítimas do conjunto de legislação racial conhecido como Leis de Nuremberga e foram perseguidos e liquidados tanto pelos Einsatzgruppen como em campos de concentração, calculando-se que cerca de meio milhão tivesse sido exterminado. Mas o tribunal militar internacional de Nuremberga não mencionou sequer o genocídio dos ciganos e em 1950 o psiquiatra que exercera as funções de responsável científico pelo recenseamento deste povo, organizado com vista ao seu extermínio, foi absolvido pelos juízes alemães. Aliás, o governo alemão recusou-se a admitir que os ciganos recebessem as compensações pecuniárias concedidas às vítimas do nazismo. O ministro do Interior do estado de Württemberg chegou a declarar, em Maio de 1950, que «os ciganos foram perseguidos sob o nazismo não por quaisquer motivos raciais mas devido a um comportamento anti-social e criminoso» (citado em Martin Gilbert, &lt;em&gt;The Second World War&lt;/em&gt;, vol. II: &lt;em&gt;From Casablanca to Post-War Repercussions, 1943-1945&lt;/em&gt;, Londres: The Folio Society, 2011, pág. 849). Mais grave ainda é o facto de a deliberada indiferença ao destino dos ciganos ter sido partilhada por destacados representantes do sionismo. O procurador-geral israelita, encarregado da acusação no julgamento de Adolf Eichmann, admitiu, numa conversa privada, que o genocídio dos judeus pelos nazis teria constituído um acto mais criminoso do que a chacina dos ciganos, um povo alegadamente desprovido de cultura própria (citado em Hannah Arendt, &lt;em&gt;Eichmann in Jerusalem. A Report on the Banality of Evil&lt;/em&gt;, Harmondsworth: Penguin, 1994, págs. 96-97). Opiniões deste género permitem compreender que, apesar de Eichmann ter reconhecido no interrogatório a que foi sujeito pela polícia israelita que o seu departamento organizara a liquidação de dezenas de milhares de ciganos, o tribunal considerasse o facto como não provado. O mesmo argumento de que os ciganos não se destacavam na vida cultural e económica da Europa, enquanto os judeus constituíam «uma elite universalizadora no domínio científico, na teoria política, nas comunicações, na literatura, no teatro, na filosofia e no comércio, que estava a dar novos moldes à vida europeia e a orientá-la para além dos limites do estado-nação», serviu a um académico judeu norte-americano, Henry L. Feingold, para atribuir ao genocídio dos judeus um carácter historicamente único (em &lt;em&gt;Bearing Witness. How America and Its Jews Responded to the Holocaust&lt;/em&gt;, Syracuse: Syracuse University Press,1995, págs. 4, 25-40). Note-se que nas págs. 4, 19-20 e 37 o autor incluiu os arménios, junto com os ciganos, entre as vítimas que não têm direito à singularidade histórica. Foi com este tipo de raciocínios, ou de pretextos, que Elie Wiesel, eminente personalidade judaica norte-americana, que durante vários anos presidiu ao US Holocaust Memorial Council, se recusou repetidamente a incluir nesta instituição delegados dos ciganos ao lado das representações dos judeus, dos polacos, dos ucranianos e dos russos, o que não o impediu de ser homenageado com o Prémio Nobel da Paz em 1986. Aliás, no ano anterior, quando o Conselho Central dos Judeus na Alemanha decidira comemorar os quarenta anos da libertação do campo de concentração de Bergen-Belsen, fora em vão que o Conselho Central cigano pedira para participar nas cerimónias, embora muitos ciganos tivessem perecido naquele campo.
Para terminar com uma interrogação, tal como terminei este artigo, por que motivo a mesma história que regista o destino fatal de uns esquece o de outros?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Renata,<br />
Já num comentário à primeira parte do artigo, e em resposta a uma Renata, que talvez seja outra, eu toquei muito de leve no facto de o sionismo — que se distinguia do judaísmo, quando não lhe era mesmo francamente oposto — ter usado o genocídio como legitimação do Estado de Israel. Como enunciei com minúcia o que penso acerca do assunto, em outro artigo deste site: <a href="http://passapalavra.info/?p=24723" rel="ugc">http://passapalavra.info/?p=24723</a> , posso agora passar adiante. Assim, o facto de se pretender atribuir ao genocídio dos judeus uma singularidade histórica corresponde às conveniências políticas do sionismo, e explica uma boa parte do ocultamento que você observou. Mas esta resposta não explica tudo. Vejamos.<br />
É inteiramente certo que o genocídio dos judeus se distingue de outras formas de morticínio ou mesmo de outros genocídios. Quando a oferta de mão-de-obra escrava era abundante os escravos podiam ser maltratados e morriam cedo, o que se devia a razões exclusivamente económicas. Do mesmo modo, o extermínio de um povo por outro que lhe queria ocupar o território devia-se a razões também económicas, e um exemplo é o sucedido com os Herero, na Namíbia, tratando-se, tanto quanto sei, do genocídio que atingiu maiores proporções. Estes e muitos outros horrores de que é tecida a história da humanidade, nos cinco continentes e não apenas em alguns, têm explicações estritamente económicas. Contemporâneo do genocídio dos judeus ocorreu a escravização dos eslavos nos territórios de Leste ocupados pelos nazis, que comportou a deliberada morte pela fome e pela doença de milhões de pessoas, e que foi convenientemente esquecida nos países ocidentais durante a guerra fria. Mas essa escravização deveu-se a motivos igualmente económicos.<br />
Ora, o confinamento dos judeus no Terceiro Reich e depois o seu genocídio não se deveu a razões económicas. Os judeus salientavam-se apenas em algumas profissões liberais e não detinham na Alemanha posições significativas na indústria e na banca. O genocídio dos judeus pelos chefes nacional-socialistas deveu-se a razões estritamente ideológicas. O assunto é muito extenso e tratei-o com detalhe noutro lado, limito-me aqui a indicar sumariamente alguns traços principais. Considerava-se que os judeus eram unicamente capazes de ideias e de práticas destruidoras e desagregadoras. Por isso os judeus eram ao mesmo tempo assimilados à finança internacional (que se considerava desagregadora dos capitais nacionais) e ao movimento operário (que se considerava desagregador das solidariedades nacionais). Aliás, para os nazis o conceito não era <em>judeu</em> mas <em>bolchevismo judaico</em>, e o grande perigo, sob o ponto de vista das autoridades do Terceiro Reich, era que os judeus se colocassem à frente dos escravos eslavos. Foi exactamente isto que precipitou o genocídio. Os judeus foram mortos por terem sido considerados símbolos, num plano estritamente ideológico.<br />
Mas nem aqui se tratou de uma singularidade, porque exactamente o mesmo, e pelas mesmas razões ideológicas, sucedeu aos ciganos. Tal como os judeus, os ciganos foram vítimas do conjunto de legislação racial conhecido como Leis de Nuremberga e foram perseguidos e liquidados tanto pelos Einsatzgruppen como em campos de concentração, calculando-se que cerca de meio milhão tivesse sido exterminado. Mas o tribunal militar internacional de Nuremberga não mencionou sequer o genocídio dos ciganos e em 1950 o psiquiatra que exercera as funções de responsável científico pelo recenseamento deste povo, organizado com vista ao seu extermínio, foi absolvido pelos juízes alemães. Aliás, o governo alemão recusou-se a admitir que os ciganos recebessem as compensações pecuniárias concedidas às vítimas do nazismo. O ministro do Interior do estado de Württemberg chegou a declarar, em Maio de 1950, que «os ciganos foram perseguidos sob o nazismo não por quaisquer motivos raciais mas devido a um comportamento anti-social e criminoso» (citado em Martin Gilbert, <em>The Second World War</em>, vol. II: <em>From Casablanca to Post-War Repercussions, 1943-1945</em>, Londres: The Folio Society, 2011, pág. 849). Mais grave ainda é o facto de a deliberada indiferença ao destino dos ciganos ter sido partilhada por destacados representantes do sionismo. O procurador-geral israelita, encarregado da acusação no julgamento de Adolf Eichmann, admitiu, numa conversa privada, que o genocídio dos judeus pelos nazis teria constituído um acto mais criminoso do que a chacina dos ciganos, um povo alegadamente desprovido de cultura própria (citado em Hannah Arendt, <em>Eichmann in Jerusalem. A Report on the Banality of Evil</em>, Harmondsworth: Penguin, 1994, págs. 96-97). Opiniões deste género permitem compreender que, apesar de Eichmann ter reconhecido no interrogatório a que foi sujeito pela polícia israelita que o seu departamento organizara a liquidação de dezenas de milhares de ciganos, o tribunal considerasse o facto como não provado. O mesmo argumento de que os ciganos não se destacavam na vida cultural e económica da Europa, enquanto os judeus constituíam «uma elite universalizadora no domínio científico, na teoria política, nas comunicações, na literatura, no teatro, na filosofia e no comércio, que estava a dar novos moldes à vida europeia e a orientá-la para além dos limites do estado-nação», serviu a um académico judeu norte-americano, Henry L. Feingold, para atribuir ao genocídio dos judeus um carácter historicamente único (em <em>Bearing Witness. How America and Its Jews Responded to the Holocaust</em>, Syracuse: Syracuse University Press,1995, págs. 4, 25-40). Note-se que nas págs. 4, 19-20 e 37 o autor incluiu os arménios, junto com os ciganos, entre as vítimas que não têm direito à singularidade histórica. Foi com este tipo de raciocínios, ou de pretextos, que Elie Wiesel, eminente personalidade judaica norte-americana, que durante vários anos presidiu ao US Holocaust Memorial Council, se recusou repetidamente a incluir nesta instituição delegados dos ciganos ao lado das representações dos judeus, dos polacos, dos ucranianos e dos russos, o que não o impediu de ser homenageado com o Prémio Nobel da Paz em 1986. Aliás, no ano anterior, quando o Conselho Central dos Judeus na Alemanha decidira comemorar os quarenta anos da libertação do campo de concentração de Bergen-Belsen, fora em vão que o Conselho Central cigano pedira para participar nas cerimónias, embora muitos ciganos tivessem perecido naquele campo.<br />
Para terminar com uma interrogação, tal como terminei este artigo, por que motivo a mesma história que regista o destino fatal de uns esquece o de outros?</p>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/10/46898/#comment-45462</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Oct 2011 12:17:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Afonso Manuel Gonçalves, 
Tem toda a razão. Desde 1941 que os aliados ocidentais tentaram ganhar a guerra à custa das baixas no exército soviético, enquanto eles procediam sobretudo a bombardeamentos aéreos relativamente seguros e abriam frentes secundárias. Mas era necessário que esta táctica não fosse demasiado longe, a ponto de suscitar uma ruptura pelo &lt;em&gt;bureau&lt;/em&gt; político soviético. O jogo era triplo. De um lado, os governos norte-americano e britânico não esqueciam que desde Agosto de 1939 até Junho de 1941 havia vigorado o pacto germano-soviético e que a inversão das alianças era ainda uma possibilidade. Por seu lado, o &lt;em&gt;bureau&lt;/em&gt; político soviético nunca deixou de temer que os aliados ocidentais regressassem à postura que haviam adoptado antes de 1939 e voltassem a considerar que, apesar das ambições imperialistas, lhes era benéfico contarem com um Terceiro Reich destruidor do movimento operário e anticomunista. E, por outro lado, Hitler esperava que as contradições entre os seus inimigos os levassem a um ponto de ruptura, o que deixaria ao Reich um espaço de manobra. Ao longo de 1944 Himmler, por sua iniciativa e independentemente de Hitler, tentou criar condições para chegar a uma paz a Ocidente e orientar a guerra somente contra os soviéticos. Com este fim acabou por ordenar a suspensão do extermínio dos judeus e a destruição das instalações de genocídio. Foi neste contexto que surgiu a ideia da troca de judeus por camiões. Se o negócio fosse aceite, isso agravaria as discordâncias entre os ocidentais e os soviéticos e tornaria mais plausível uma ruptura. Mas naquela fase da guerra e com o Terceiro Reich praticamente derrotado, não interessava aos governos de Londres e de Washington criar novos motivos de atrito com o &lt;em&gt;bureau&lt;/em&gt; político soviético, como Afonso Manuel Gonçalves destaca. Mas é interessante considerar que, se o negócio não foi aceite, os governantes ocidentais também não propuseram outras alternativas. E aqui a questão liga-se ao assunto do artigo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Afonso Manuel Gonçalves,<br />
Tem toda a razão. Desde 1941 que os aliados ocidentais tentaram ganhar a guerra à custa das baixas no exército soviético, enquanto eles procediam sobretudo a bombardeamentos aéreos relativamente seguros e abriam frentes secundárias. Mas era necessário que esta táctica não fosse demasiado longe, a ponto de suscitar uma ruptura pelo <em>bureau</em> político soviético. O jogo era triplo. De um lado, os governos norte-americano e britânico não esqueciam que desde Agosto de 1939 até Junho de 1941 havia vigorado o pacto germano-soviético e que a inversão das alianças era ainda uma possibilidade. Por seu lado, o <em>bureau</em> político soviético nunca deixou de temer que os aliados ocidentais regressassem à postura que haviam adoptado antes de 1939 e voltassem a considerar que, apesar das ambições imperialistas, lhes era benéfico contarem com um Terceiro Reich destruidor do movimento operário e anticomunista. E, por outro lado, Hitler esperava que as contradições entre os seus inimigos os levassem a um ponto de ruptura, o que deixaria ao Reich um espaço de manobra. Ao longo de 1944 Himmler, por sua iniciativa e independentemente de Hitler, tentou criar condições para chegar a uma paz a Ocidente e orientar a guerra somente contra os soviéticos. Com este fim acabou por ordenar a suspensão do extermínio dos judeus e a destruição das instalações de genocídio. Foi neste contexto que surgiu a ideia da troca de judeus por camiões. Se o negócio fosse aceite, isso agravaria as discordâncias entre os ocidentais e os soviéticos e tornaria mais plausível uma ruptura. Mas naquela fase da guerra e com o Terceiro Reich praticamente derrotado, não interessava aos governos de Londres e de Washington criar novos motivos de atrito com o <em>bureau</em> político soviético, como Afonso Manuel Gonçalves destaca. Mas é interessante considerar que, se o negócio não foi aceite, os governantes ocidentais também não propuseram outras alternativas. E aqui a questão liga-se ao assunto do artigo.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Renata		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/10/46898/#comment-45457</link>

		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Oct 2011 10:40:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Num mundo que acumulou inúmeros massacres, tão cruéis e tão grandes em número de vítimas, qual a razão de os judeus terem sido postos em primeiro plano?

O Brasil é um país que foi fundado sobre a morte de 6 milhões de indígenas, em algumas estimativas, e outros 4 milhões de negros, mas poderíamos lembrar ainda dos eslavos, dos armênios, dos ciganos, do conflito entre Tutsi e Hutús, lembrar dos aborígenes australianos e outras mortandades mais. Nenhuma operação matou mais gente no mundo que o longo processo de colonização da América, África e Ásia e no entanto não é para estas populações que a palavra holocausta é empregue. Qual a razão de o extermínio de judeus receber tanta atenção ao ponto de outras crueldades similares ou maiores caírem no esquecimento?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Num mundo que acumulou inúmeros massacres, tão cruéis e tão grandes em número de vítimas, qual a razão de os judeus terem sido postos em primeiro plano?</p>
<p>O Brasil é um país que foi fundado sobre a morte de 6 milhões de indígenas, em algumas estimativas, e outros 4 milhões de negros, mas poderíamos lembrar ainda dos eslavos, dos armênios, dos ciganos, do conflito entre Tutsi e Hutús, lembrar dos aborígenes australianos e outras mortandades mais. Nenhuma operação matou mais gente no mundo que o longo processo de colonização da América, África e Ásia e no entanto não é para estas populações que a palavra holocausta é empregue. Qual a razão de o extermínio de judeus receber tanta atenção ao ponto de outras crueldades similares ou maiores caírem no esquecimento?</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: afonsomanuelgonçalves		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/10/46898/#comment-45454</link>

		<dc:creator><![CDATA[afonsomanuelgonçalves]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Oct 2011 08:35:55 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=46898#comment-45454</guid>

					<description><![CDATA[Este trabalho de investigação revela com clareza o espírito de cumplicidade dos aliados com  o nazismo anti-semita que coexistiu sempre  antes, durante e depois da 2ª Guerra e também a franca disposição de lançar a ofensiva do exército alemão contra a União Soviética. O Tratado de Munique é, claramente, um bom exemplo dessas intenções.
No entanto o artigo, após muitas denuncias sobre essa cumplicidade num determinado momento observa que os aliados se recusaram a trocar dez mil camiões destinados a serem utilizados na frente Leste. Independentemente de estar em causa a vida de um milhão de judeus neste negócio, coloca-se uma pergunta: neste caso concreto seria esta proposta aceitável pelos países aliados do Ocidente?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este trabalho de investigação revela com clareza o espírito de cumplicidade dos aliados com  o nazismo anti-semita que coexistiu sempre  antes, durante e depois da 2ª Guerra e também a franca disposição de lançar a ofensiva do exército alemão contra a União Soviética. O Tratado de Munique é, claramente, um bom exemplo dessas intenções.<br />
No entanto o artigo, após muitas denuncias sobre essa cumplicidade num determinado momento observa que os aliados se recusaram a trocar dez mil camiões destinados a serem utilizados na frente Leste. Independentemente de estar em causa a vida de um milhão de judeus neste negócio, coloca-se uma pergunta: neste caso concreto seria esta proposta aceitável pelos países aliados do Ocidente?</p>
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