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	Comentários sobre: O mito da natureza: 2) a agricultura familiar no fascismo	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: irado		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[irado]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Aug 2023 17:27:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ora pois João, parece-me que a pequena propriedade é a base para uma possível sociedade do futuro. Mas, uma sociedade de um tipo bem específico, totalmente diferente daquela que podemos chamar de &quot;comunista&quot;...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ora pois João, parece-me que a pequena propriedade é a base para uma possível sociedade do futuro. Mas, uma sociedade de um tipo bem específico, totalmente diferente daquela que podemos chamar de &#8220;comunista&#8221;&#8230;</p>
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		Por: João Bernardo		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Aug 2023 16:20:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Irado,

Já que você abordou esse problema, talvez valha a pena prosseguir um pouco a argumentação. A Europa comunitária desde cedo instaurou mecanismos de preservação da pequena e média propriedade rural, que aliás são muitíssimo dispendiosos economicamente. O objectivo, porém, não é directamente económico, mas social, pois a repartição das circunscrições eleitorais, beneficiando as zonas rurais, confere o maior poder eleitoral às famílias camponesas, que são intrinsecamente conservadoras. O general de Gaulle teve um papel decisivo nesta construção europeia, e compreende-se, porque toda a sua formação política foi fascista, na área do fascismo conservador da Action Française. Tal como sucedeu com muitos outros, de Gaulle viu-se repartido entre o seu fascismo, que poderia tê-lo levado a apoiar o governo de Vichy, e o seu nacionalismo, que o levou a lutar contra um governo que colaborava com os invasores. Mas o seu quadro ideológico e a sua visão das forças sociais não se alteraram. Aliás, na Polónia e na Hungria, os dois países da União Europeia mais próximos do fascismo, ou de um cripto-fascismo, o pequeno e médio campesinato constitui um dos mais sólidos bastiões governamentais. O caso português oferece um excelente exemplo da acção conservadora das explorações agrícolas familiares. No período revolucionário que sucedeu ao golpe militar de 25 de Abril de 1974 o rio Tejo repartia o país em duas zonas. Nos campos a sul do Tejo predominavam as grandes colectividades agrícolas, resultantes da expropriação popular dos latifúndios, que não foram divididos em propriedades familiares. Pelo contrário, instaurou-se um colectivismo baseado no proletariado agrícola. Era nesta região que o comunismo imperava nos campos. A norte do Tejo predominavam as pequenas e médias explorações familiares. Era essa a população conservadora, que apoiava a extrema-direita e o que restava do fascismo. Se se tivesse desencadeado uma guerra civil, como durante alguns dias pareceu possível em Agosto de 1975, seria essa a linha de demarcação e seriam essas as grandes forças sociais em jogo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Irado,</p>
<p>Já que você abordou esse problema, talvez valha a pena prosseguir um pouco a argumentação. A Europa comunitária desde cedo instaurou mecanismos de preservação da pequena e média propriedade rural, que aliás são muitíssimo dispendiosos economicamente. O objectivo, porém, não é directamente económico, mas social, pois a repartição das circunscrições eleitorais, beneficiando as zonas rurais, confere o maior poder eleitoral às famílias camponesas, que são intrinsecamente conservadoras. O general de Gaulle teve um papel decisivo nesta construção europeia, e compreende-se, porque toda a sua formação política foi fascista, na área do fascismo conservador da Action Française. Tal como sucedeu com muitos outros, de Gaulle viu-se repartido entre o seu fascismo, que poderia tê-lo levado a apoiar o governo de Vichy, e o seu nacionalismo, que o levou a lutar contra um governo que colaborava com os invasores. Mas o seu quadro ideológico e a sua visão das forças sociais não se alteraram. Aliás, na Polónia e na Hungria, os dois países da União Europeia mais próximos do fascismo, ou de um cripto-fascismo, o pequeno e médio campesinato constitui um dos mais sólidos bastiões governamentais. O caso português oferece um excelente exemplo da acção conservadora das explorações agrícolas familiares. No período revolucionário que sucedeu ao golpe militar de 25 de Abril de 1974 o rio Tejo repartia o país em duas zonas. Nos campos a sul do Tejo predominavam as grandes colectividades agrícolas, resultantes da expropriação popular dos latifúndios, que não foram divididos em propriedades familiares. Pelo contrário, instaurou-se um colectivismo baseado no proletariado agrícola. Era nesta região que o comunismo imperava nos campos. A norte do Tejo predominavam as pequenas e médias explorações familiares. Era essa a população conservadora, que apoiava a extrema-direita e o que restava do fascismo. Se se tivesse desencadeado uma guerra civil, como durante alguns dias pareceu possível em Agosto de 1975, seria essa a linha de demarcação e seriam essas as grandes forças sociais em jogo.</p>
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		<title>
		Por: irado		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/12/48957/#comment-901616</link>

		<dc:creator><![CDATA[irado]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Aug 2023 15:25:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Um trecho do comentário de Isabel foi abordado acima por JB, mas sob outros aspectos. De acordo com Isabel, «o fascismo não costuma negligenciar o interesse do capital, e falar em soberania alimentar sem falar em abolição da grande propriedade rural é um equívoco». Logo, cabe salientar ainda um outro problema, para além daqueles elencados por JB, a falsa afirmação de que o capital está associado apenas à grande propriedade. Consta &lt;a href=&quot;https://www.cairn.info/revue-pour-2013-4-page-77.htm&quot; rel=&quot;nofollow ugc&quot;&gt;neste relatório&lt;/a&gt; que a estrutura fundiária francesa, relativa às Superfícies Agrícolas Utilizadas (SAU - &lt;em&gt;Surface Agricole Utilisée&lt;/em&gt;) sofreu uma transformação nas últimas décadas, passando de 19 ha em 1970 para 55 ha em 2010. Atentando apenas para as dimensões dessas propriedades, independente do tipo de tecnologia e de organização de sua produção agrícola, estamos falando de pequenas propriedades rurais, ainda que esteja ocorrendo uma ampliação territorial na média destes empreendimentos. Concluindo, além de ser notório que reformas agrárias tenham sido medidas específicas de revoluções burguesas clássicas, quebrando as estruturas fundiárias feudais e aristocráticas, permitindo uma dinamização econômica necessária para um capitalismo ainda nascente, temos casos onde &quot;capitalismos nacionais&quot; convivem muito bem com uma estrutura fundiária de pequenas propriedades, diga-se, privadas. É o caso da França acima descrito, mas não o único. O capital só não se dá muito bem com a abolição da propriedade privada, toda ela (não em termos formais e jurídicos, com sua respectiva estatização, como ocorreu nos capitalismos de Estado soviético e chinês, por exemplo), e a respectiva socialização das terras produtivas, na forma de explorações coletivas sob novas relações sociais de produção horizontais e igualitárias, sem abrir mão de uma tecnologia altamente produtiva (pouco trabalho-intensiva), que venha a ser transformada por essas novas relações. Mas, não é isso que se vê sendo defendido geralmente. No suposto &quot;anticapitalismo agroecológico&quot; se mantém uma estrutura fundiária baseada na pequena e média propriedade privada, discute-se a &quot;função social da propriedade&quot; ao invés da sua supressão, assim como se ignora totalmente o proletariado rural altamente qualificado do agronegócio, entendendo como &quot;trabalhador&quot; apenas os pequenos produtores rurais e agricultores familiares, em condições de exploração de mais-valia absoluta. Somado aos elementos trazidos acima por JB, já sabemos onde isso termina...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um trecho do comentário de Isabel foi abordado acima por JB, mas sob outros aspectos. De acordo com Isabel, «o fascismo não costuma negligenciar o interesse do capital, e falar em soberania alimentar sem falar em abolição da grande propriedade rural é um equívoco». Logo, cabe salientar ainda um outro problema, para além daqueles elencados por JB, a falsa afirmação de que o capital está associado apenas à grande propriedade. Consta <a href="https://www.cairn.info/revue-pour-2013-4-page-77.htm" rel="nofollow ugc">neste relatório</a> que a estrutura fundiária francesa, relativa às Superfícies Agrícolas Utilizadas (SAU &#8211; <em>Surface Agricole Utilisée</em>) sofreu uma transformação nas últimas décadas, passando de 19 ha em 1970 para 55 ha em 2010. Atentando apenas para as dimensões dessas propriedades, independente do tipo de tecnologia e de organização de sua produção agrícola, estamos falando de pequenas propriedades rurais, ainda que esteja ocorrendo uma ampliação territorial na média destes empreendimentos. Concluindo, além de ser notório que reformas agrárias tenham sido medidas específicas de revoluções burguesas clássicas, quebrando as estruturas fundiárias feudais e aristocráticas, permitindo uma dinamização econômica necessária para um capitalismo ainda nascente, temos casos onde &#8220;capitalismos nacionais&#8221; convivem muito bem com uma estrutura fundiária de pequenas propriedades, diga-se, privadas. É o caso da França acima descrito, mas não o único. O capital só não se dá muito bem com a abolição da propriedade privada, toda ela (não em termos formais e jurídicos, com sua respectiva estatização, como ocorreu nos capitalismos de Estado soviético e chinês, por exemplo), e a respectiva socialização das terras produtivas, na forma de explorações coletivas sob novas relações sociais de produção horizontais e igualitárias, sem abrir mão de uma tecnologia altamente produtiva (pouco trabalho-intensiva), que venha a ser transformada por essas novas relações. Mas, não é isso que se vê sendo defendido geralmente. No suposto &#8220;anticapitalismo agroecológico&#8221; se mantém uma estrutura fundiária baseada na pequena e média propriedade privada, discute-se a &#8220;função social da propriedade&#8221; ao invés da sua supressão, assim como se ignora totalmente o proletariado rural altamente qualificado do agronegócio, entendendo como &#8220;trabalhador&#8221; apenas os pequenos produtores rurais e agricultores familiares, em condições de exploração de mais-valia absoluta. Somado aos elementos trazidos acima por JB, já sabemos onde isso termina&#8230;</p>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/12/48957/#comment-901565</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Aug 2023 11:39:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Cara Isabel,

Muito obrigado pelo seu comentário. Não posso agora senão esboçar uma breve resposta, seguindo a ordem em que as suas questões foram colocadas. Talvez não chegue a ser uma resposta, mas pistas para prosseguir o raciocínio.

Antes de mais, eu não duvido do êxito económico do MST. Aliás, o Passa Palavra deixou-o bem documentado no artigo &lt;em&gt;&lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2013/04/97506/&quot; rel=&quot;ugc&quot;&gt;MST S.A.&lt;/a&gt;&lt;/em&gt; O MST seguiu o mesmo caminho que os sindicatos percorreram em todo o mundo, tornando-se empresas capitalistas.

Espero ter mostrado no meu ensaio &lt;em&gt;&lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2012/03/97517/&quot; rel=&quot;ugc&quot;&gt;MST e agroecologia: uma mutação decisiva&lt;/a&gt;&lt;/em&gt; como o MST, que inicialmente procurara transformar os assentamentos em cooperativas de produção que aplicassem a agro-indústria, foi levado pela modificação dos sistemas de crédito decidida pelo governo de Fernando Henrique Cardoso a definir uma nova política, promovendo a agricultura familiar e adoptando a agro-ecologia. Foi essa a mutação decisiva.

Quanto ao mito dos famigerados 70%, remeto para o meu longo ensaio &lt;em&gt;&lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2013/08/98771/&quot; rel=&quot;ugc&quot;&gt;Contra a ecologia&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;, onde, na quarta parte, &lt;em&gt;&lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2013/09/83203/&quot; rel=&quot;ugc&quot;&gt;A agroecologia e a mais-valia absoluta&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;, escrevi o seguinte:
«[...] um dos argumentos invocados pelos defensores brasileiros da agroecologia é o de que as explorações familiares, ocupando apenas 24,3% da área dedicada à agricultura e à pecuária, produziam a maior parte dos alimentos consumidos no país. É comum a afirmação de que a agricultura familiar é responsável pela produção de 70% dos alimentos consumidos, e o secretário de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário tomou-a como sua em Julho de 2011. No entanto, o que Caio Galvão de França &lt;em&gt;et al&lt;/em&gt;. escreveram numa obra editada por aquele Ministério [Caio Galvão de França, Mauro Eduardo Del Grossi e Vicente P. M. de Azevedo Marques, &lt;em&gt;O Censo Agropecuário 2006 e a Agricultura Familiar no Brasil&lt;/em&gt;, Brasília: Ministério do Desenvolvimento Agrário, Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural, 2009] é que “cerca de 70% a 75% da produção agropecuária do país destinou-se ao mercado doméstico”, o que é muito diferente, e estes autores acrescentam, sem especificar a percentagem, que “a agricultura familiar é responsável por garantir boa parte da segurança alimentar do país, como importante fornecedora de alimentos para o mercado interno”».

Naquele mesmo texto forneço dados abundantes que mostram, por um lado, a escassa produtividade da agro-ecologia e, por outro lado, as condições de mais-valia absoluta que sempre acompanham as explorações de carácter familiar.

A certo passo do seu comentário você escreveu que «o fascismo não costuma negligenciar o interesse do capital, e falar em soberania alimentar sem falar em abolição da grande propriedade rural é um equívoco». É-me impossível agora, e num comentário que não pode ser demasiado longo, discorrer acerca da importância que os fascismos atribuíram às explorações agrícolas familiares. A situação variou consoante os diferentes regimes, mas verificou-se em todos eles. Basta-me aqui recordar o caso do Terceiro Reich, o único regime fascista que erigiu a agro-ecologia em doutrina oficial e ao mesmo tempo instituiu um sistema de morgadios destinado a preservar e reforçar as pequenas famílias camponesas. Tratei essa questão no &lt;em&gt;Labirintos do Fascismo&lt;/em&gt; (São Paulo: Hedra, 2022) vol. II, págs. 158, 190-192 e vol. VI, pág. 222-225.

A chamada soberania alimentar leva obrigatoriamente a um aumento do preço dos bens agro-pecuários. Em regra, quaisquer restrições no mercado provocam uma subida dos preços. Se se exportar aquilo que um país produz em condições de maior rentabilidade e se com os lucros obtidos se importarem alimentos produzidos mais eficazmente do que no país importador, estes alimentos conseguem-se a mais baixo preço. Aliás, deparamos aqui novamente com o carácter mítico atribuído à natureza, porque não há motivos económicos para lançar um tabu específico sobre as exportações de alimentos, que em tudo obedecem aos mesmos mecanismos do restante comércio externo.

Mas a questão fundamental consiste em reconhecer que a agricultura orgânica foi uma invenção surgida nos meios fascizantes da antroposofia e adoptada como doutrina oficial pelo Ministério dos Abastecimentos e da Agricultura do Terceiro Reich. Ora, este fio da história foi cortado e continua a ser sistematicamente escondido pelos ecologistas das últimas décadas. Não é sintomática essa deliberada ocultação da história?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cara Isabel,</p>
<p>Muito obrigado pelo seu comentário. Não posso agora senão esboçar uma breve resposta, seguindo a ordem em que as suas questões foram colocadas. Talvez não chegue a ser uma resposta, mas pistas para prosseguir o raciocínio.</p>
<p>Antes de mais, eu não duvido do êxito económico do MST. Aliás, o Passa Palavra deixou-o bem documentado no artigo <em><a href="https://passapalavra.info/2013/04/97506/" rel="ugc">MST S.A.</a></em> O MST seguiu o mesmo caminho que os sindicatos percorreram em todo o mundo, tornando-se empresas capitalistas.</p>
<p>Espero ter mostrado no meu ensaio <em><a href="https://passapalavra.info/2012/03/97517/" rel="ugc">MST e agroecologia: uma mutação decisiva</a></em> como o MST, que inicialmente procurara transformar os assentamentos em cooperativas de produção que aplicassem a agro-indústria, foi levado pela modificação dos sistemas de crédito decidida pelo governo de Fernando Henrique Cardoso a definir uma nova política, promovendo a agricultura familiar e adoptando a agro-ecologia. Foi essa a mutação decisiva.</p>
<p>Quanto ao mito dos famigerados 70%, remeto para o meu longo ensaio <em><a href="https://passapalavra.info/2013/08/98771/" rel="ugc">Contra a ecologia</a></em>, onde, na quarta parte, <em><a href="https://passapalavra.info/2013/09/83203/" rel="ugc">A agroecologia e a mais-valia absoluta</a></em>, escrevi o seguinte:<br />
«[&#8230;] um dos argumentos invocados pelos defensores brasileiros da agroecologia é o de que as explorações familiares, ocupando apenas 24,3% da área dedicada à agricultura e à pecuária, produziam a maior parte dos alimentos consumidos no país. É comum a afirmação de que a agricultura familiar é responsável pela produção de 70% dos alimentos consumidos, e o secretário de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário tomou-a como sua em Julho de 2011. No entanto, o que Caio Galvão de França <em>et al</em>. escreveram numa obra editada por aquele Ministério [Caio Galvão de França, Mauro Eduardo Del Grossi e Vicente P. M. de Azevedo Marques, <em>O Censo Agropecuário 2006 e a Agricultura Familiar no Brasil</em>, Brasília: Ministério do Desenvolvimento Agrário, Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural, 2009] é que “cerca de 70% a 75% da produção agropecuária do país destinou-se ao mercado doméstico”, o que é muito diferente, e estes autores acrescentam, sem especificar a percentagem, que “a agricultura familiar é responsável por garantir boa parte da segurança alimentar do país, como importante fornecedora de alimentos para o mercado interno”».</p>
<p>Naquele mesmo texto forneço dados abundantes que mostram, por um lado, a escassa produtividade da agro-ecologia e, por outro lado, as condições de mais-valia absoluta que sempre acompanham as explorações de carácter familiar.</p>
<p>A certo passo do seu comentário você escreveu que «o fascismo não costuma negligenciar o interesse do capital, e falar em soberania alimentar sem falar em abolição da grande propriedade rural é um equívoco». É-me impossível agora, e num comentário que não pode ser demasiado longo, discorrer acerca da importância que os fascismos atribuíram às explorações agrícolas familiares. A situação variou consoante os diferentes regimes, mas verificou-se em todos eles. Basta-me aqui recordar o caso do Terceiro Reich, o único regime fascista que erigiu a agro-ecologia em doutrina oficial e ao mesmo tempo instituiu um sistema de morgadios destinado a preservar e reforçar as pequenas famílias camponesas. Tratei essa questão no <em>Labirintos do Fascismo</em> (São Paulo: Hedra, 2022) vol. II, págs. 158, 190-192 e vol. VI, pág. 222-225.</p>
<p>A chamada soberania alimentar leva obrigatoriamente a um aumento do preço dos bens agro-pecuários. Em regra, quaisquer restrições no mercado provocam uma subida dos preços. Se se exportar aquilo que um país produz em condições de maior rentabilidade e se com os lucros obtidos se importarem alimentos produzidos mais eficazmente do que no país importador, estes alimentos conseguem-se a mais baixo preço. Aliás, deparamos aqui novamente com o carácter mítico atribuído à natureza, porque não há motivos económicos para lançar um tabu específico sobre as exportações de alimentos, que em tudo obedecem aos mesmos mecanismos do restante comércio externo.</p>
<p>Mas a questão fundamental consiste em reconhecer que a agricultura orgânica foi uma invenção surgida nos meios fascizantes da antroposofia e adoptada como doutrina oficial pelo Ministério dos Abastecimentos e da Agricultura do Terceiro Reich. Ora, este fio da história foi cortado e continua a ser sistematicamente escondido pelos ecologistas das últimas décadas. Não é sintomática essa deliberada ocultação da história?</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/12/48957/#comment-901476</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Aug 2023 20:59:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Essa afirmação de que a agricultura familiar produz 70% dos alimentos foi amplamente divulgada e é falsa, foi feita distorcendo dados e forçando interpretações do Canso Agropecuário de 2006. Mesmo antes do Censo Agropecuário posterior, de 2017 (disponível aqui: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/3096/agro_2017_resultados_definitivos.pdf), houve um importante artigo explicando a questão: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/san/article/view/1386/1376. 

Um dado interessante do último senso, mas que os defensores da agroecologia ignoram, diz respeito ao uso dos endemoniados agrotóxicos: o percentual de uso é muito maior nas pequenas propriedades e a consultoria técnica é muito menor. 

Em 2017, do total de estabelecimentos que declaram utilizar agrotóxicos, 80% tinham menos de 5 hectares de lavouras. 

Do total de estabelecimentos com menos de 1 hectare e que usam agrotóxicos, apenas 12% receberam orientação técnica.
Do total de estabelecimentos com menos de 2 hectares e que usam agrotóxicos, apenas 18% receberam orientação técnica.
Do total de estabelecimentos com mais de 50 hectares e que usam agrotóxicos, apenas 80% receberam orientação técnica.
Do total de estabelecimentos com mais de 100 hectares e que usam agrotóxicos, apenas 83% receberam orientação técnica.
Do total de estabelecimentos com mais de 200 hectares e que usam agrotóxicos, apenas 85% receberam orientação técnica.
Do total de estabelecimentos com mais de 500 hectares e que usam agrotóxicos, apenas 91% receberam orientação técnica.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Essa afirmação de que a agricultura familiar produz 70% dos alimentos foi amplamente divulgada e é falsa, foi feita distorcendo dados e forçando interpretações do Canso Agropecuário de 2006. Mesmo antes do Censo Agropecuário posterior, de 2017 (disponível aqui: <a href="https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/3096/agro_2017_resultados_definitivos.pdf" rel="nofollow ugc">https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/3096/agro_2017_resultados_definitivos.pdf</a>), houve um importante artigo explicando a questão: <a href="https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/san/article/view/1386/1376" rel="nofollow ugc">https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/san/article/view/1386/1376</a>. </p>
<p>Um dado interessante do último senso, mas que os defensores da agroecologia ignoram, diz respeito ao uso dos endemoniados agrotóxicos: o percentual de uso é muito maior nas pequenas propriedades e a consultoria técnica é muito menor. </p>
<p>Em 2017, do total de estabelecimentos que declaram utilizar agrotóxicos, 80% tinham menos de 5 hectares de lavouras. </p>
<p>Do total de estabelecimentos com menos de 1 hectare e que usam agrotóxicos, apenas 12% receberam orientação técnica.<br />
Do total de estabelecimentos com menos de 2 hectares e que usam agrotóxicos, apenas 18% receberam orientação técnica.<br />
Do total de estabelecimentos com mais de 50 hectares e que usam agrotóxicos, apenas 80% receberam orientação técnica.<br />
Do total de estabelecimentos com mais de 100 hectares e que usam agrotóxicos, apenas 83% receberam orientação técnica.<br />
Do total de estabelecimentos com mais de 200 hectares e que usam agrotóxicos, apenas 85% receberam orientação técnica.<br />
Do total de estabelecimentos com mais de 500 hectares e que usam agrotóxicos, apenas 91% receberam orientação técnica.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Isabel		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/12/48957/#comment-901463</link>

		<dc:creator><![CDATA[Isabel]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Aug 2023 19:42:28 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=48957#comment-901463</guid>

					<description><![CDATA[Caro João Bernardo,

Para mim, é um deleite ler seus textos (ainda que sejam mais antigos e que eu tenha minhas discordâncias). Alguns pontos me trouxeram o desejo de agregar novos pontos de vista, provavelmente porque lhe escrevo em 2023 e a partir de um território tropical, onde estão pipocando estudos a respeito das produções agroecológicas e da questão agrária como um todo, a despeito dos desejos dos grandes proprietários. Comentários feitos antes do meu já trouxeram alguns desses pontos.

Um dos que gostaria de trazer é que sinto uma fragilidade na noção de agroecologia exposta, como necessariamente avessa à modernização tecnológica, e como algo que caminhe sempre junto à agricultura familiar, mas, para além disso, me incomoda a noção da soberania alimentar como excludente de importações e exportações.

Na questão da agroecologia, arrisco dizer que o MST é o único produtor agroecológico do Brasil (há outros, muito pequenos e pulverizados, e apenas as cooperativas do MST têm representação no mercado que mereça a menção). Entretanto, 70% da dieta do brasileiro consiste em produtos da agricultura familiar (que não é agroecológica) (dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Essa agricultura familiar, que supre 70% da demanda, ocupa somente 18% da terra agricultável. Não seria absurdo crer que uma reforma agrária bastante modesta já poderia garantir o sustento da população brasileira como um todo, usando apenas 25 ou 30% da terra agricultável - restando, ainda, todo o restante do país voltado para a exportação. Assumir, porém, que essa exportação precisa ser no formato latifúndio + monocultura de cereais, o plano imperialista desenhado para esta terra, é colocar a terra agricultável brasileira a serviço da alimentação de porcos chineses e europeus, pois o latifúndio ocupa as posições de poder na política brasileira desde o Império, e cria incentivos para políticas de exportação baseadas em exportações de baixa complexidade que lhes rendam mais lucros, enquanto corta incentivos para outros tipos de produção. É isso que a falta de soberania tem nos oferecido, uma vez que uma produção voltada à dieta humana custa mais caro e torna a vida do produtor uma triste caminhada pela miséria. Achei peculiar ver como os governos fascistas defendiam a soberania alimentar, mas o meu sentimento é de que esse incentivo vem de noções e interesses diferentes, até porque o fascismo não costuma negligenciar o interesse do capital, e falar em soberania alimentar sem falar em abolição da grande propriedade rural é um equívoco, pelos pontos já explicados.
Uma profunda reforma agrária, que exportasse excedentes, mas pudesse realmente garantir a prioridade dos interesses da população na produção, é uma proposta muito mais interessante, mas demanda o fim do domínio do latifúndio na política. Mas, não falei ainda da agroecologia.

Eu percebo que a agroecologia é, de fato, muito permeada pelo mito do bom-selvagem no Brasil, muito porque os estudos etnográficos atribuem à ação milenar de diversos povos indígenas a resiliência da floresta amazônica (isso são estudos publicados muito após a publicação do seu texto, é bom pontuar). Entretanto, nas necessidades materiais atuais, os habitantes do sul global são expostos a muito maior quantidade de componentes tóxicos, e uma enorme perda de biodiversidade valiosa que vem culminando em uma perda de uma floresta que garante as temperaturas e precipitações necessárias para a sobrevida humana em todo o continente americano, além das sementes patenteadas representarem uma rebuscada forma de aquisição de terras pelo capital agroindustrial e a agricultura patronal. Acredito ser o momento de buscarmos solucionar esse novo problema: a solução não sendo uma &quot;volta às origens&quot; arcaica e idealizada, mas maior profundidade nas investigações científicas sobre formas de produzir sem a dependência dessas específicas tecnologias danosas à saúde do trabalhador e que abrem portas para maior acumulação (ressalto que a agroecologia não se opõe ao uso de maquinário e, inclusive, esse é um crescente ramo de desenvolvimento no Brasil para sistemas agroflorestais). 
Outro ponto é que a relação entre desenvolvimento tecnológico e menor destruição ecológica não é sempre verdadeira e, na verdade, é bastante questionável. É algo que varia entre indústrias, atividades, demandas, e territórios. Quando analisamos certas indústrias utilizando a metodologia MusiaSEM, vemos, na verdade, o contrário em muitas situações, como a pesca, ou técnicas agrícolas aplicadas em diferentes biomas. Alerto apenas para que tenhamos cuidado ao partir dessa premissa.

Deixo algumas indicações de livros interessantes: -A dialética da Agroecologia, de Luiz Carlos Pinheiro Machado (ex-diretor da Embrapa, propõe um modelo agroecológico de produção em larga escala que inclui uma eficiente pecuária)
-Agrofloresta, ecologia e sociedade (gratuito para download)

Agradeço pelos textos. É difícil encontrar bons materiais sobre ecofascismo na nossa língua. Um abraço!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernardo,</p>
<p>Para mim, é um deleite ler seus textos (ainda que sejam mais antigos e que eu tenha minhas discordâncias). Alguns pontos me trouxeram o desejo de agregar novos pontos de vista, provavelmente porque lhe escrevo em 2023 e a partir de um território tropical, onde estão pipocando estudos a respeito das produções agroecológicas e da questão agrária como um todo, a despeito dos desejos dos grandes proprietários. Comentários feitos antes do meu já trouxeram alguns desses pontos.</p>
<p>Um dos que gostaria de trazer é que sinto uma fragilidade na noção de agroecologia exposta, como necessariamente avessa à modernização tecnológica, e como algo que caminhe sempre junto à agricultura familiar, mas, para além disso, me incomoda a noção da soberania alimentar como excludente de importações e exportações.</p>
<p>Na questão da agroecologia, arrisco dizer que o MST é o único produtor agroecológico do Brasil (há outros, muito pequenos e pulverizados, e apenas as cooperativas do MST têm representação no mercado que mereça a menção). Entretanto, 70% da dieta do brasileiro consiste em produtos da agricultura familiar (que não é agroecológica) (dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Essa agricultura familiar, que supre 70% da demanda, ocupa somente 18% da terra agricultável. Não seria absurdo crer que uma reforma agrária bastante modesta já poderia garantir o sustento da população brasileira como um todo, usando apenas 25 ou 30% da terra agricultável &#8211; restando, ainda, todo o restante do país voltado para a exportação. Assumir, porém, que essa exportação precisa ser no formato latifúndio + monocultura de cereais, o plano imperialista desenhado para esta terra, é colocar a terra agricultável brasileira a serviço da alimentação de porcos chineses e europeus, pois o latifúndio ocupa as posições de poder na política brasileira desde o Império, e cria incentivos para políticas de exportação baseadas em exportações de baixa complexidade que lhes rendam mais lucros, enquanto corta incentivos para outros tipos de produção. É isso que a falta de soberania tem nos oferecido, uma vez que uma produção voltada à dieta humana custa mais caro e torna a vida do produtor uma triste caminhada pela miséria. Achei peculiar ver como os governos fascistas defendiam a soberania alimentar, mas o meu sentimento é de que esse incentivo vem de noções e interesses diferentes, até porque o fascismo não costuma negligenciar o interesse do capital, e falar em soberania alimentar sem falar em abolição da grande propriedade rural é um equívoco, pelos pontos já explicados.<br />
Uma profunda reforma agrária, que exportasse excedentes, mas pudesse realmente garantir a prioridade dos interesses da população na produção, é uma proposta muito mais interessante, mas demanda o fim do domínio do latifúndio na política. Mas, não falei ainda da agroecologia.</p>
<p>Eu percebo que a agroecologia é, de fato, muito permeada pelo mito do bom-selvagem no Brasil, muito porque os estudos etnográficos atribuem à ação milenar de diversos povos indígenas a resiliência da floresta amazônica (isso são estudos publicados muito após a publicação do seu texto, é bom pontuar). Entretanto, nas necessidades materiais atuais, os habitantes do sul global são expostos a muito maior quantidade de componentes tóxicos, e uma enorme perda de biodiversidade valiosa que vem culminando em uma perda de uma floresta que garante as temperaturas e precipitações necessárias para a sobrevida humana em todo o continente americano, além das sementes patenteadas representarem uma rebuscada forma de aquisição de terras pelo capital agroindustrial e a agricultura patronal. Acredito ser o momento de buscarmos solucionar esse novo problema: a solução não sendo uma &#8220;volta às origens&#8221; arcaica e idealizada, mas maior profundidade nas investigações científicas sobre formas de produzir sem a dependência dessas específicas tecnologias danosas à saúde do trabalhador e que abrem portas para maior acumulação (ressalto que a agroecologia não se opõe ao uso de maquinário e, inclusive, esse é um crescente ramo de desenvolvimento no Brasil para sistemas agroflorestais).<br />
Outro ponto é que a relação entre desenvolvimento tecnológico e menor destruição ecológica não é sempre verdadeira e, na verdade, é bastante questionável. É algo que varia entre indústrias, atividades, demandas, e territórios. Quando analisamos certas indústrias utilizando a metodologia MusiaSEM, vemos, na verdade, o contrário em muitas situações, como a pesca, ou técnicas agrícolas aplicadas em diferentes biomas. Alerto apenas para que tenhamos cuidado ao partir dessa premissa.</p>
<p>Deixo algumas indicações de livros interessantes: -A dialética da Agroecologia, de Luiz Carlos Pinheiro Machado (ex-diretor da Embrapa, propõe um modelo agroecológico de produção em larga escala que inclui uma eficiente pecuária)<br />
-Agrofloresta, ecologia e sociedade (gratuito para download)</p>
<p>Agradeço pelos textos. É difícil encontrar bons materiais sobre ecofascismo na nossa língua. Um abraço!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Giù Visconti		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/12/48957/#comment-866719</link>

		<dc:creator><![CDATA[Giù Visconti]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Oct 2022 17:41:06 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=48957#comment-866719</guid>

					<description><![CDATA[No novo governo neofascista italiano, o ministério da agricultura foi renomeado para ministério da soberania alimentar]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No novo governo neofascista italiano, o ministério da agricultura foi renomeado para ministério da soberania alimentar</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/12/48957/#comment-377640</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Jan 2019 10:31:54 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=48957#comment-377640</guid>

					<description><![CDATA[Caro Gabriel,
Não sei responder à sua pergunta, porque estudei somente os identitarismos já constituídos e só nesta fase os comparei com a tradição ideológica da extrema-direita e com o fascismo, especialmente na área germânica. Quanto ao movimento negro, num comentário ao artigo Cortem as Cabeças!, há pouco publicado no Passa Palavra, creio que Letícia Leal acertou no alvo ao escrever: «parece que todas as linhas que caminham para uma definição pura e exata do que é negro possuem uma linha similar ao eugenismo» ( http://passapalavra.info/2018/12/124143/ ). Quanto ao feminismo moderno, abordei muito resumidamente a questão no último capítulo do meu livro Labirintos do Fascismo ( https://archive.org/stream/jb-ldf-nedoedr/BERNARDO%2C%20Jo%C3%A3o.%20Labirintos%20do%20fascismo.%203%C2%AA%20edi%C3%A7%C3%A3o#page/n1361/mode/2up ), mas fi-lo mais extensamente no artigo Considerações Inoportunas e Politicamente Incorretas Acerca de uma Questão dos Nossos Dias, publicado na revista Novos Rumos, vol. 21, nº 45, 2006 ( http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/novosrumos/article/view/2122/1750 ). Como hipótese de trabalho, talvez se possa começar por constatar que o novo tipo de feminismo, hierarquizador e excludente, surgiu depois de estar já muito avançado o processo de promoção das mulheres, desencadeado pelo tipo anterior de feminismo, igualitário e incluente. Estas que se autopromovem agora como corajosas guerreiras coroam-se em grande medida com os louros de um combate que foi conduzido por outras, com outros princípios e outros objectivos.

Caro Ulisses,
Muito obrigado pela Longa Vida, mas em vez de «rides again» talvez seja mais exacto dizer «is travelling by coach», porque se trata de uma antologia de velhos textos meus, originariamente publicados entre 1975 e 1986.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Gabriel,<br />
Não sei responder à sua pergunta, porque estudei somente os identitarismos já constituídos e só nesta fase os comparei com a tradição ideológica da extrema-direita e com o fascismo, especialmente na área germânica. Quanto ao movimento negro, num comentário ao artigo Cortem as Cabeças!, há pouco publicado no Passa Palavra, creio que Letícia Leal acertou no alvo ao escrever: «parece que todas as linhas que caminham para uma definição pura e exata do que é negro possuem uma linha similar ao eugenismo» ( <a href="http://passapalavra.info/2018/12/124143/" rel="ugc">http://passapalavra.info/2018/12/124143/</a> ). Quanto ao feminismo moderno, abordei muito resumidamente a questão no último capítulo do meu livro Labirintos do Fascismo ( <a href="https://archive.org/stream/jb-ldf-nedoedr/BERNARDO%2C%20Jo%C3%A3o.%20Labirintos%20do%20fascismo.%203%C2%AA%20edi%C3%A7%C3%A3o#page/n1361/mode/2up" rel="nofollow ugc">https://archive.org/stream/jb-ldf-nedoedr/BERNARDO%2C%20Jo%C3%A3o.%20Labirintos%20do%20fascismo.%203%C2%AA%20edi%C3%A7%C3%A3o#page/n1361/mode/2up</a> ), mas fi-lo mais extensamente no artigo Considerações Inoportunas e Politicamente Incorretas Acerca de uma Questão dos Nossos Dias, publicado na revista Novos Rumos, vol. 21, nº 45, 2006 ( <a href="http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/novosrumos/article/view/2122/1750" rel="nofollow ugc">http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/novosrumos/article/view/2122/1750</a> ). Como hipótese de trabalho, talvez se possa começar por constatar que o novo tipo de feminismo, hierarquizador e excludente, surgiu depois de estar já muito avançado o processo de promoção das mulheres, desencadeado pelo tipo anterior de feminismo, igualitário e incluente. Estas que se autopromovem agora como corajosas guerreiras coroam-se em grande medida com os louros de um combate que foi conduzido por outras, com outros princípios e outros objectivos.</p>
<p>Caro Ulisses,<br />
Muito obrigado pela Longa Vida, mas em vez de «rides again» talvez seja mais exacto dizer «is travelling by coach», porque se trata de uma antologia de velhos textos meus, originariamente publicados entre 1975 e 1986.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/12/48957/#comment-371195</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Dec 2018 17:13:22 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=48957#comment-371195</guid>

					<description><![CDATA[JB RIDES AGAIN?
LONGA VIDA A JOÃO BERNARDO! 

Era um mundo / João Bernardo [A Paraitre en portugais Vosstanie Éditions 2019 ] 
https://vosstanie.blogspot.com/2018/12/era-um-mundo-joao-bernardo-paraitre-en.html]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>JB RIDES AGAIN?<br />
LONGA VIDA A JOÃO BERNARDO! </p>
<p>Era um mundo / João Bernardo [A Paraitre en portugais Vosstanie Éditions 2019 ]<br />
<a href="https://vosstanie.blogspot.com/2018/12/era-um-mundo-joao-bernardo-paraitre-en.html" rel="nofollow ugc">https://vosstanie.blogspot.com/2018/12/era-um-mundo-joao-bernardo-paraitre-en.html</a></p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Gabriel Silva		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2011/12/48957/#comment-370921</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gabriel Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Dec 2018 17:02:18 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=48957#comment-370921</guid>

					<description><![CDATA[João

Os pontos que você sintetizou aqui me parecem fornecerem combustível às distorções que aponta e mesmo reafirmação das diferenças. Entendo que não podemos negar as opressões sofridas, mas a superação disso, se tratada dessa forma, fica realmente complicado criar um senso de coletivo. Penso que lutar por &#039;&#039;igualdade&#039;&#039; talvez seja considerado vago ou amplo demais para aplicação de políticas que afetem a vida prática, e por isso, também, os movimentos acabam se convertendo em lutas por espaços exclusivos.. 
A coisa toda da ecologia, que ressurge em muito assumindo o espaço vago do &#039;&#039;socialismo&#039;&#039;, se articula com os movimentos identitários, distantes dos movimentos antigos (como você citou no caso do feminismo), para ocultar as questões próprias de classe, mas no caso da ecologia, você traça sua linha desde a origem nos teóricos fascistas de forma bastante clara; e quanto a esses identitarismos? Se não na exata origem, há pontos de inflexão que levaram ao fim de qualquer proposta próxima dos primeiros movimentos feministas e negros?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João</p>
<p>Os pontos que você sintetizou aqui me parecem fornecerem combustível às distorções que aponta e mesmo reafirmação das diferenças. Entendo que não podemos negar as opressões sofridas, mas a superação disso, se tratada dessa forma, fica realmente complicado criar um senso de coletivo. Penso que lutar por &#8221;igualdade&#8221; talvez seja considerado vago ou amplo demais para aplicação de políticas que afetem a vida prática, e por isso, também, os movimentos acabam se convertendo em lutas por espaços exclusivos..<br />
A coisa toda da ecologia, que ressurge em muito assumindo o espaço vago do &#8221;socialismo&#8221;, se articula com os movimentos identitários, distantes dos movimentos antigos (como você citou no caso do feminismo), para ocultar as questões próprias de classe, mas no caso da ecologia, você traça sua linha desde a origem nos teóricos fascistas de forma bastante clara; e quanto a esses identitarismos? Se não na exata origem, há pontos de inflexão que levaram ao fim de qualquer proposta próxima dos primeiros movimentos feministas e negros?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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