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	Comentários sobre: MST e o teatro 1) potencialidades políticas	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: William Berger		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/10/66212/#comment-85391</link>

		<dc:creator><![CDATA[William Berger]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Nov 2012 13:12:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A Universidade  é tb um latifúndio de poder e temos que ocupá-la. Não foi à toa mesmo que Marx fez um doutorado apesar de nuca ter enciontrado lugar nela. Mas isso apenas não é suficiente. Só para esclarecer companheiros: não sou professor universitário, sou ator e multiplicador do Teatro do Oprimido formado pelo Augusto Boal e os curingas do CTO. Dou oficinas de Teatro do Oprimido, mas nem sempre ganho para isso. Militância a maior parte do tempo. Comecei em assentamentos e acampamentos, faevelas de Vitória-ES, depois em aldeias indígenas e agora em terreiros de Umbanda e na Zona Oeste do Rio de Janeiro (área de intenso tráfico e agravado pelas UPP com 4 facçoes, 3 vindas da Rocinha e Vidigal). Fico muito satisfeito de poder compartilhar contigo e  estou escrevendo um texto mais enxuto para o blog. Te envio a dissertação por email. Tb tenho um blog onde socializo reflexões sobre o trabalho do ator: www.williambergerator.blogspot.com
Mais uma vez parabéns pelo belissimo trabalho de sistematização. Tão importante e lembrado por Boal. O mestre era sempre muito sistemático, por isso o método alcançou estas proporções. Ação e reflexão. Dialética! Seguimos em diálogo.

Abraço Vermelho,

William Berger
Ator e multiplicador do Teatro do Oprimido]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A Universidade  é tb um latifúndio de poder e temos que ocupá-la. Não foi à toa mesmo que Marx fez um doutorado apesar de nuca ter enciontrado lugar nela. Mas isso apenas não é suficiente. Só para esclarecer companheiros: não sou professor universitário, sou ator e multiplicador do Teatro do Oprimido formado pelo Augusto Boal e os curingas do CTO. Dou oficinas de Teatro do Oprimido, mas nem sempre ganho para isso. Militância a maior parte do tempo. Comecei em assentamentos e acampamentos, faevelas de Vitória-ES, depois em aldeias indígenas e agora em terreiros de Umbanda e na Zona Oeste do Rio de Janeiro (área de intenso tráfico e agravado pelas UPP com 4 facçoes, 3 vindas da Rocinha e Vidigal). Fico muito satisfeito de poder compartilhar contigo e  estou escrevendo um texto mais enxuto para o blog. Te envio a dissertação por email. Tb tenho um blog onde socializo reflexões sobre o trabalho do ator: <a href="http://www.williambergerator.blogspot.com" rel="nofollow ugc">http://www.williambergerator.blogspot.com</a><br />
Mais uma vez parabéns pelo belissimo trabalho de sistematização. Tão importante e lembrado por Boal. O mestre era sempre muito sistemático, por isso o método alcançou estas proporções. Ação e reflexão. Dialética! Seguimos em diálogo.</p>
<p>Abraço Vermelho,</p>
<p>William Berger<br />
Ator e multiplicador do Teatro do Oprimido</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: alex		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/10/66212/#comment-85347</link>

		<dc:creator><![CDATA[alex]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Nov 2012 04:19:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[João,
O Marx ao menos tentou, mesmo que tenha falhado: &lt;a href=&quot;http://passapalavra.info/?p=54291&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://passapalavra.info/?p=54291&lt;/a&gt;

Willian Berger, se por um lado acho importante que o conhecimento e as experiências históricas sejam resgatadas, sistematizadas e refletidas criticamente (o que não significa, de maneira alguma, que isso só possa ser feito nas universidades, nem que ela seja o local privilegiado para tal), é nas universidades que a citação do Edward Said ganha força: &lt;a href=&quot;http://passapalavra.info/?cat=11&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://passapalavra.info/?cat=11&lt;/a&gt; 
E para tentar evitar o risco de que a crítica fique inócua nas estantes e lida (quando muito) por meia-dúzia de pares é que acho importante que ela esteja em espaços de esquerda e militância, como no caso do Passa Palavra.
Vi que no sumário do seu trabalho há partes que tratam da subalternidade e formas de resistências sociais a partir do teatro, acho que seria interessante que você compartilhasse aqui - para um público mais amplo que o propriamente acadêmico - alguns breves relatos políticos de como se deram essas formas de resistência desde baixo, seja nos assentamentos e acampamentos, seja com os indígenas no ES. Um pouco disso, a partir de algumas experiências concretas do MST, foi o que tentei demonstrar na segunda parte deste texto: &lt;a href=&quot;http://passapalavra.info/?p=66247&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://passapalavra.info/?p=66247&lt;/a&gt;

Abraços,
Alex]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João,<br />
O Marx ao menos tentou, mesmo que tenha falhado: <a href="http://passapalavra.info/?p=54291" target="_blank" rel="nofollow">http://passapalavra.info/?p=54291</a></p>
<p>Willian Berger, se por um lado acho importante que o conhecimento e as experiências históricas sejam resgatadas, sistematizadas e refletidas criticamente (o que não significa, de maneira alguma, que isso só possa ser feito nas universidades, nem que ela seja o local privilegiado para tal), é nas universidades que a citação do Edward Said ganha força: <a href="http://passapalavra.info/?cat=11" target="_blank" rel="nofollow">http://passapalavra.info/?cat=11</a><br />
E para tentar evitar o risco de que a crítica fique inócua nas estantes e lida (quando muito) por meia-dúzia de pares é que acho importante que ela esteja em espaços de esquerda e militância, como no caso do Passa Palavra.<br />
Vi que no sumário do seu trabalho há partes que tratam da subalternidade e formas de resistências sociais a partir do teatro, acho que seria interessante que você compartilhasse aqui &#8211; para um público mais amplo que o propriamente acadêmico &#8211; alguns breves relatos políticos de como se deram essas formas de resistência desde baixo, seja nos assentamentos e acampamentos, seja com os indígenas no ES. Um pouco disso, a partir de algumas experiências concretas do MST, foi o que tentei demonstrar na segunda parte deste texto: <a href="http://passapalavra.info/?p=66247" target="_blank" rel="nofollow">http://passapalavra.info/?p=66247</a></p>
<p>Abraços,<br />
Alex</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Willian		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/10/66212/#comment-85272</link>

		<dc:creator><![CDATA[Willian]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Nov 2012 17:05:04 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=66212#comment-85272</guid>

					<description><![CDATA[Acadêmicos só sabem pensar em termos de mercado universitário. Isso dá um doutorado, aquilo dá uma verba para pesquisa, aquilo mais um departamento inteiro. Negócios, a lojinha do saber.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acadêmicos só sabem pensar em termos de mercado universitário. Isso dá um doutorado, aquilo dá uma verba para pesquisa, aquilo mais um departamento inteiro. Negócios, a lojinha do saber.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/10/66212/#comment-85255</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Nov 2012 14:00:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Alex,
Pensar que se não tivessem sido estúpidos o Bakunin teria feito um doutorado em anarquismo e o Lenin outro em ditadura do proletariado!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Alex,<br />
Pensar que se não tivessem sido estúpidos o Bakunin teria feito um doutorado em anarquismo e o Lenin outro em ditadura do proletariado!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: William Berger		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/10/66212/#comment-85249</link>

		<dc:creator><![CDATA[William Berger]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Nov 2012 13:27:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Companheiro Alex,

Seu texto é uma semente muito rica de possibilidades para pensarmos o teatro dialético, o teatro épico e o teatro do oprimido. Se já não estiver em curso insitucionalize a reflexão em uma dissertação de mestrado ou tese de doutorado. Isso contibuirá muito com o aprofundamento dos instrumentos de pesquisa. O texto é vigoroso em sua crítica à sociedade capitalista. Talvez alguns caminhos possam ser mais bem definidos com entrevistas aos praticantes, multiplicadores e curingas. A Brigada Patativa do Assaré é um capítulo muito importante da histórica luta de classes onde conseguimos conjugar esforços e parceiros. Digo no plural porque fui iniciado por uma curinga do ES nos assentamentos e acampamentos, em especial o Vale Esperança em Santa Teresa (ES) e depois rumei para trabalhar e militar com os indígenas Tupiniquim e Guarani (ES) com Teatro do Oprimido. Essa experiência levamos para o mestrado em Serviço Social da PUC-Rio do qual temos o fruto. Segue o resumo: http://www.maxwell.lambda.ele.puc-rio.br/20477/20477_1.PDF.
Gostaria de te parabenizar sobretudo e dizer que esta reflexão merece aprofundamento  e estamos juntos no que precisar.
Um abraço vermelho!

William Berger]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Companheiro Alex,</p>
<p>Seu texto é uma semente muito rica de possibilidades para pensarmos o teatro dialético, o teatro épico e o teatro do oprimido. Se já não estiver em curso insitucionalize a reflexão em uma dissertação de mestrado ou tese de doutorado. Isso contibuirá muito com o aprofundamento dos instrumentos de pesquisa. O texto é vigoroso em sua crítica à sociedade capitalista. Talvez alguns caminhos possam ser mais bem definidos com entrevistas aos praticantes, multiplicadores e curingas. A Brigada Patativa do Assaré é um capítulo muito importante da histórica luta de classes onde conseguimos conjugar esforços e parceiros. Digo no plural porque fui iniciado por uma curinga do ES nos assentamentos e acampamentos, em especial o Vale Esperança em Santa Teresa (ES) e depois rumei para trabalhar e militar com os indígenas Tupiniquim e Guarani (ES) com Teatro do Oprimido. Essa experiência levamos para o mestrado em Serviço Social da PUC-Rio do qual temos o fruto. Segue o resumo: <a href="http://www.maxwell.lambda.ele.puc-rio.br/20477/20477_1.PDF" rel="nofollow ugc">http://www.maxwell.lambda.ele.puc-rio.br/20477/20477_1.PDF</a>.<br />
Gostaria de te parabenizar sobretudo e dizer que esta reflexão merece aprofundamento  e estamos juntos no que precisar.<br />
Um abraço vermelho!</p>
<p>William Berger</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Alex		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/10/66212/#comment-84687</link>

		<dc:creator><![CDATA[Alex]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Nov 2012 18:05:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Oi Tessy,
Acho que tem dois aspectos distintos (na verdade devem ter muitos mais) sobre o que você pontua.
O financiamento dos grupos teatrais que não são efetivamente oriundos dos assentamentos e territorialidades de luta dos movimentos, e os que fazem parte da dinâmica interna e cotidiana, isto é, que são o próprio movimento, que são grupos de teatro do MST, por exemplo.

Quanto aos primeiros, estamos numa conjuntura político-econômica – Estado penal e perda de direitos – que vêm realizando a virada do “social” para o “cultural”, elevando este – já banalizado e estilizado – como o campo dileto do novo establhisment global e no momento em que a arte – devidamente assimilada e domesticada – é vendida e requentada como um velho baluarte contra a barbárie, boa parte das companhias teatrais encontra-se na tarefa de escrever projetos para vender seu produto cultural (para patrocinadores – sobretudo o Estado – por meio de leis de fomento, renúncia fiscal, incentivos culturais). O que não significa necessariamente que, por isso, estas companhias estejam cooptadas. Alguns grupos teatrais exatamente por contarem com projetos financiados podem aprofundar e dar continuidades a propostas militantes, políticas e estéticas, como ocorre, por exemplo, com certos grupos teatrais da periferia de São Paulo.
A Lei do Fomento, para citar um dos meios de financiamento, vem nesta perspectiva de luta de setores da cultura. Contudo, se ela permitiu um conjunto de ações importantes e inovadoras, garantindo uma mínima base de trabalho para diversos grupos, por outro lado, essas conquistas são frágeis e restritas, podendo, mesmo, transformar-se no seu oposto político se ela for entendida como fim e não como meio para outras ações. Sem uma autocrítica constante, mesmo que os grupos teatrais se coloquem na posição de recusa à mercantilização, podem favorecer esta própria mercantilização da arte, pois se colocam como uma mercadoria cultural alternativa ao sistema, mas integrada nele. Porém, este não é um dilema restrito ao mundo artístico. 

O Sérgio de Carvalho, da Companhia do Latão, traz a seguinte reflexão sobre a Lei do Fomento e a relação de acesso à política pública individualizada, comparando-a com o que ocorre com o MST: “Existe um momento da luta pela terra que é muito coletivo, o momento do acampamento. Quanto o latifúndio improdutivo é desapropriado pelo governo, o que acontece? A terra vai ser dividia em pequenos lotes e o governo dá apoio ao produtor individual. É preciso uma força muito grande dos assentados para que eles não passem a se relacionar com o sistema como o pequeno produtor individual. Será preciso muita disposição para criar uma agrovila, para que ele trabalhe em cooperativa, porque tudo conspira para que ele atue como pequeno produtor individual [...] A verdade é que a maioria acredita no mito do pequeno produtor, e a Cooperativa de Teatro não é uma instância politizada, mas de organização mercantil alternativa. Existem, entretanto, algumas exceções, alguns grupos mais novos já perceberam a armadilha e estão tentando repolitizar o seu aprendizado e lutar contra a cooptação...”.

Agora, quanto aos grupos que fazem parte do movimento, aí – além das questões já levantadas acima - há outro elemento problematizador, que é saber qual o espaço que possuem na política hegemônica dentro do movimento. São entendidos como uma forma de politização e criação de novas relações? Ou apenas como formas de “diversão”, e, portanto, secundarizados? Ou ainda, há o interesse nestas formas de politização e sociabilidades, que muitas vezes escapam ao controle mais efetivo das cartilhas políticas?
Beijos, alex]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Oi Tessy,<br />
Acho que tem dois aspectos distintos (na verdade devem ter muitos mais) sobre o que você pontua.<br />
O financiamento dos grupos teatrais que não são efetivamente oriundos dos assentamentos e territorialidades de luta dos movimentos, e os que fazem parte da dinâmica interna e cotidiana, isto é, que são o próprio movimento, que são grupos de teatro do MST, por exemplo.</p>
<p>Quanto aos primeiros, estamos numa conjuntura político-econômica – Estado penal e perda de direitos – que vêm realizando a virada do “social” para o “cultural”, elevando este – já banalizado e estilizado – como o campo dileto do novo establhisment global e no momento em que a arte – devidamente assimilada e domesticada – é vendida e requentada como um velho baluarte contra a barbárie, boa parte das companhias teatrais encontra-se na tarefa de escrever projetos para vender seu produto cultural (para patrocinadores – sobretudo o Estado – por meio de leis de fomento, renúncia fiscal, incentivos culturais). O que não significa necessariamente que, por isso, estas companhias estejam cooptadas. Alguns grupos teatrais exatamente por contarem com projetos financiados podem aprofundar e dar continuidades a propostas militantes, políticas e estéticas, como ocorre, por exemplo, com certos grupos teatrais da periferia de São Paulo.<br />
A Lei do Fomento, para citar um dos meios de financiamento, vem nesta perspectiva de luta de setores da cultura. Contudo, se ela permitiu um conjunto de ações importantes e inovadoras, garantindo uma mínima base de trabalho para diversos grupos, por outro lado, essas conquistas são frágeis e restritas, podendo, mesmo, transformar-se no seu oposto político se ela for entendida como fim e não como meio para outras ações. Sem uma autocrítica constante, mesmo que os grupos teatrais se coloquem na posição de recusa à mercantilização, podem favorecer esta própria mercantilização da arte, pois se colocam como uma mercadoria cultural alternativa ao sistema, mas integrada nele. Porém, este não é um dilema restrito ao mundo artístico. </p>
<p>O Sérgio de Carvalho, da Companhia do Latão, traz a seguinte reflexão sobre a Lei do Fomento e a relação de acesso à política pública individualizada, comparando-a com o que ocorre com o MST: “Existe um momento da luta pela terra que é muito coletivo, o momento do acampamento. Quanto o latifúndio improdutivo é desapropriado pelo governo, o que acontece? A terra vai ser dividia em pequenos lotes e o governo dá apoio ao produtor individual. É preciso uma força muito grande dos assentados para que eles não passem a se relacionar com o sistema como o pequeno produtor individual. Será preciso muita disposição para criar uma agrovila, para que ele trabalhe em cooperativa, porque tudo conspira para que ele atue como pequeno produtor individual [&#8230;] A verdade é que a maioria acredita no mito do pequeno produtor, e a Cooperativa de Teatro não é uma instância politizada, mas de organização mercantil alternativa. Existem, entretanto, algumas exceções, alguns grupos mais novos já perceberam a armadilha e estão tentando repolitizar o seu aprendizado e lutar contra a cooptação&#8230;”.</p>
<p>Agora, quanto aos grupos que fazem parte do movimento, aí – além das questões já levantadas acima &#8211; há outro elemento problematizador, que é saber qual o espaço que possuem na política hegemônica dentro do movimento. São entendidos como uma forma de politização e criação de novas relações? Ou apenas como formas de “diversão”, e, portanto, secundarizados? Ou ainda, há o interesse nestas formas de politização e sociabilidades, que muitas vezes escapam ao controle mais efetivo das cartilhas políticas?<br />
Beijos, alex</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: alex		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/10/66212/#comment-84652</link>

		<dc:creator><![CDATA[alex]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Nov 2012 12:57:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Jonney, 

Quanto à música e política, o pouco que posso comentar é sobre um processo com o próprio MST. 
Como disse em dado momento no texto, para mim (e para o Benjamin), forma e conteúdo devem estar relacionadas à função. As experiências culturais dos movimentos políticos, como o MST, me parece que devam ser colocadas em destaque, pois é um marco do qual necessitamos retirar as lições, do bom e do ruim. Mas há ainda tão pouco conhecimento sistematizado sobre o que é feito. E por que será? 

Provavelmente você deve conhecer o cd “Arte em Movimento” (com músicas que retratam a luta da classe trabalhadora no campo e contém interpretações de grandes nomes da música nacional, como Beth Carvalho, Leci Brandão, Chico César etc.). Esta foi uma experiência musical significativa do MST, mas do ponto de vista estético-político talvez pobre, pois hierárquica, em que se recolheram os melhores músicos de cada região dos assentamentos e fez-se uma produção profissional, externa. Não se criou formas culturais autônomas próprias que tenham permanecido como parte de um processo de novas sociabilidades e subjetividades nos territórios. Ainda assim, tem-se que reconhecer, as músicas contidas no cd podem ser ouvidas em qualquer assentamento, acampamento e ocupação, de sul ao norte do país, cantadas por pessoas das mais distintas idades. 

O MST sempre teve uma aproximação com artistas como Chico Buarque, Sebastião Salgado e, agora mais recentemente, pode-se ver estilos musicais diferentes como do Emicida, Rage Against the Machine, Nação Zumbi entre outras, o que pode gerar um processo interessante não apenas de imagem e visibilidade externa, mas de perspectivas internas de sociabilidades e militâncias. Por exemplo, já existe um grupo de rap composto por assentados do MST,o “Veneno H2”, e o movimento tem promovido sistematicamente encontro de violeiros. Como a música pode impactar nas formas de luta dos próprios assentados? Como é produzida? Qual a relação com os demais assentados e com as cidades próximas? De que forma se dá um diálogo?

Um contraponto de movimento político que se utiliza muito – e muito bem - da arte, em suas diferentes expressões estéticas é o zapatismo, mesclando formas das mais variadas, valendo-se desde as construções de um realismo fantástico, da cosmogonia indígena maia, da estética do grafite e dos muralistas, misturando canções e contos etc. Enfim, creio que mereceria uma absorção melhor da esquerda para estas formas de experiência entre política e arte.

Mas, imagino que tenham pessoas com formulações mais profundas em ambos os casos, da música e das artes plástica, que poderiam dar seus pitacos por aqui. 
Só como exemplo, indico a leitura dessa série sobre A Oficina da Canção, do músico português José Mário Branco: http://passapalavra.info/?p=10420; http://passapalavra.info/?p=10781; http://passapalavra.info/?p=11470; http://passapalavra.info/?p=29443

Abraços, alex]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Jonney, </p>
<p>Quanto à música e política, o pouco que posso comentar é sobre um processo com o próprio MST.<br />
Como disse em dado momento no texto, para mim (e para o Benjamin), forma e conteúdo devem estar relacionadas à função. As experiências culturais dos movimentos políticos, como o MST, me parece que devam ser colocadas em destaque, pois é um marco do qual necessitamos retirar as lições, do bom e do ruim. Mas há ainda tão pouco conhecimento sistematizado sobre o que é feito. E por que será? </p>
<p>Provavelmente você deve conhecer o cd “Arte em Movimento” (com músicas que retratam a luta da classe trabalhadora no campo e contém interpretações de grandes nomes da música nacional, como Beth Carvalho, Leci Brandão, Chico César etc.). Esta foi uma experiência musical significativa do MST, mas do ponto de vista estético-político talvez pobre, pois hierárquica, em que se recolheram os melhores músicos de cada região dos assentamentos e fez-se uma produção profissional, externa. Não se criou formas culturais autônomas próprias que tenham permanecido como parte de um processo de novas sociabilidades e subjetividades nos territórios. Ainda assim, tem-se que reconhecer, as músicas contidas no cd podem ser ouvidas em qualquer assentamento, acampamento e ocupação, de sul ao norte do país, cantadas por pessoas das mais distintas idades. </p>
<p>O MST sempre teve uma aproximação com artistas como Chico Buarque, Sebastião Salgado e, agora mais recentemente, pode-se ver estilos musicais diferentes como do Emicida, Rage Against the Machine, Nação Zumbi entre outras, o que pode gerar um processo interessante não apenas de imagem e visibilidade externa, mas de perspectivas internas de sociabilidades e militâncias. Por exemplo, já existe um grupo de rap composto por assentados do MST,o “Veneno H2”, e o movimento tem promovido sistematicamente encontro de violeiros. Como a música pode impactar nas formas de luta dos próprios assentados? Como é produzida? Qual a relação com os demais assentados e com as cidades próximas? De que forma se dá um diálogo?</p>
<p>Um contraponto de movimento político que se utiliza muito – e muito bem &#8211; da arte, em suas diferentes expressões estéticas é o zapatismo, mesclando formas das mais variadas, valendo-se desde as construções de um realismo fantástico, da cosmogonia indígena maia, da estética do grafite e dos muralistas, misturando canções e contos etc. Enfim, creio que mereceria uma absorção melhor da esquerda para estas formas de experiência entre política e arte.</p>
<p>Mas, imagino que tenham pessoas com formulações mais profundas em ambos os casos, da música e das artes plástica, que poderiam dar seus pitacos por aqui.<br />
Só como exemplo, indico a leitura dessa série sobre A Oficina da Canção, do músico português José Mário Branco: <a href="http://passapalavra.info/?p=10420" rel="ugc">http://passapalavra.info/?p=10420</a>; <a href="http://passapalavra.info/?p=10781" rel="ugc">http://passapalavra.info/?p=10781</a>; <a href="http://passapalavra.info/?p=11470" rel="ugc">http://passapalavra.info/?p=11470</a>; <a href="http://passapalavra.info/?p=29443" rel="ugc">http://passapalavra.info/?p=29443</a></p>
<p>Abraços, alex</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Alex		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/10/66212/#comment-84647</link>

		<dc:creator><![CDATA[Alex]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Nov 2012 12:08:59 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=66212#comment-84647</guid>

					<description><![CDATA[Oi Henrique,

Não tenho uma formulação definida para a sua pergunta, mas trago mais algumas questões para compartilharmos.

Acredito que existe certa autonomia da arte que não dá para ignorar, mas também não ocorre algo parecido com o universo dos escritores? Por exemplo, quando se escreve um livro, uma tese? Por certo, ambos – escritores e pintores – valem-se do acúmulo de trabalhos e pesquisas de outros para construírem suas obras (e não estou dizendo que as condições de todos sejam as mesmas).

Reconheço que há bem pouco estou buscando educar os sentidos para perceber certas coisas (o que significa que fui educado – ou mal-educado – para perceber outras coisas, como as produções da indústria de massas, alienando minhas percepções para outras sensações). É claro que nossa educação sensitiva é limitada por razões um tanto óbvias, o que não significa que não seja difícil treinar o olhar, abrir os ouvidos e movimentar o corpo em outras direções.

Mas, se pensamos numa ruptura significativa de sociedade, me parece que também nossas sensações devam ser vivenciadas de modo não (ou menos) alienadas. Entretanto, por que nos é tão fácil pensar arte e política como dois processos separados? Como se não fossem duas dimensões simultâneas do que somos, e que se influenciam mutuamente? 

Conto-lhe um caso que ocorreu recentemente num festival político (do qual você conhece bem o processo), e em que – entre outras atividades – houve apresentações teatrais. Num dado momento do debate um militante político exemplificou de forma cristalina esta perspectiva de oposição, disse ele: o teatro é algo legal, serve para divertir a classe, mas a política é feita noutros espaços, nos partidos, sindicatos, nas lutas econômicas e políticas. 

Mas veja que nos maiores processos de formação das vanguardas artísticas (que me parece não devam ser confundidas com as vanguardas políticas), travam-se lutas para mudar, abrir, ampliar visões novas, não apenas das coisas, mas das relações sociais, novas formas de ver e entender o mundo. No caso da arte, tal qual com os escritores, o produto final (livro, quadro, escultura etc.), não está contido apenas em quem os cria, mas também em quem os vê, ouve, lê. Isto é, em quem os interpreta (muitas vezes de modo distinto do pretendido pelo autor).

A vanguarda artística de uma época cria rupturas, e as do início do século passado aconteceram num contexto digno das vanguardas, de revoluções nos mais distintos níveis (e por isso o termo revoluções). Sendo fruto e parte de um processo histórico, poderia ser considerada, neste sentido, uma produção coletiva?
No início da revolução Russa buscou-se a fusão política e estética no projeto de transformação social, e Lênin, ao contrário de nosso amigo militante citado, não subestimou esse processo, tanto não subestimou que acabou com estas experiências mais ousadas (ainda que seus traços tenham permanecido no regime stalinista e mesmo se concretizado nos países do capitalismo ocidental, estando presente em nossa realidade cotidiana). 

Para acabar este comentário, fico pensando nas experiências políticas de construção, como as impulsionadas pelas propostas arquitetônicas inovadoras da USINA junto aos movimentos sociais, em boa parte das vezes baseadas na autogestão e no diálogo horizontal com os moradores. Ainda que exista um saber especializado de arquitetos, engenheiros etc., não se produz uma forma de produção coletiva e nova quando mescladas com os saberes acumulados dos moradores, modificando as percepções e formas de vivenciar o próprio espaço?

Forte abraço,
Alex]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Oi Henrique,</p>
<p>Não tenho uma formulação definida para a sua pergunta, mas trago mais algumas questões para compartilharmos.</p>
<p>Acredito que existe certa autonomia da arte que não dá para ignorar, mas também não ocorre algo parecido com o universo dos escritores? Por exemplo, quando se escreve um livro, uma tese? Por certo, ambos – escritores e pintores – valem-se do acúmulo de trabalhos e pesquisas de outros para construírem suas obras (e não estou dizendo que as condições de todos sejam as mesmas).</p>
<p>Reconheço que há bem pouco estou buscando educar os sentidos para perceber certas coisas (o que significa que fui educado – ou mal-educado – para perceber outras coisas, como as produções da indústria de massas, alienando minhas percepções para outras sensações). É claro que nossa educação sensitiva é limitada por razões um tanto óbvias, o que não significa que não seja difícil treinar o olhar, abrir os ouvidos e movimentar o corpo em outras direções.</p>
<p>Mas, se pensamos numa ruptura significativa de sociedade, me parece que também nossas sensações devam ser vivenciadas de modo não (ou menos) alienadas. Entretanto, por que nos é tão fácil pensar arte e política como dois processos separados? Como se não fossem duas dimensões simultâneas do que somos, e que se influenciam mutuamente? </p>
<p>Conto-lhe um caso que ocorreu recentemente num festival político (do qual você conhece bem o processo), e em que – entre outras atividades – houve apresentações teatrais. Num dado momento do debate um militante político exemplificou de forma cristalina esta perspectiva de oposição, disse ele: o teatro é algo legal, serve para divertir a classe, mas a política é feita noutros espaços, nos partidos, sindicatos, nas lutas econômicas e políticas. </p>
<p>Mas veja que nos maiores processos de formação das vanguardas artísticas (que me parece não devam ser confundidas com as vanguardas políticas), travam-se lutas para mudar, abrir, ampliar visões novas, não apenas das coisas, mas das relações sociais, novas formas de ver e entender o mundo. No caso da arte, tal qual com os escritores, o produto final (livro, quadro, escultura etc.), não está contido apenas em quem os cria, mas também em quem os vê, ouve, lê. Isto é, em quem os interpreta (muitas vezes de modo distinto do pretendido pelo autor).</p>
<p>A vanguarda artística de uma época cria rupturas, e as do início do século passado aconteceram num contexto digno das vanguardas, de revoluções nos mais distintos níveis (e por isso o termo revoluções). Sendo fruto e parte de um processo histórico, poderia ser considerada, neste sentido, uma produção coletiva?<br />
No início da revolução Russa buscou-se a fusão política e estética no projeto de transformação social, e Lênin, ao contrário de nosso amigo militante citado, não subestimou esse processo, tanto não subestimou que acabou com estas experiências mais ousadas (ainda que seus traços tenham permanecido no regime stalinista e mesmo se concretizado nos países do capitalismo ocidental, estando presente em nossa realidade cotidiana). </p>
<p>Para acabar este comentário, fico pensando nas experiências políticas de construção, como as impulsionadas pelas propostas arquitetônicas inovadoras da USINA junto aos movimentos sociais, em boa parte das vezes baseadas na autogestão e no diálogo horizontal com os moradores. Ainda que exista um saber especializado de arquitetos, engenheiros etc., não se produz uma forma de produção coletiva e nova quando mescladas com os saberes acumulados dos moradores, modificando as percepções e formas de vivenciar o próprio espaço?</p>
<p>Forte abraço,<br />
Alex</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Tessy Priscila Pavan		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/10/66212/#comment-84539</link>

		<dc:creator><![CDATA[Tessy Priscila Pavan]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Oct 2012 15:18:04 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=66212#comment-84539</guid>

					<description><![CDATA[Alex, interessante a reflexão...
tem um ponto que acho importante para pensarmos sobre o que você propôs que é em relação ao financiamento dessas atividades (de todo o processo, desde sua concepção) e o quanto isso influencia as possibilidades e os lampejos que você comentou.
inté...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Alex, interessante a reflexão&#8230;<br />
tem um ponto que acho importante para pensarmos sobre o que você propôs que é em relação ao financiamento dessas atividades (de todo o processo, desde sua concepção) e o quanto isso influencia as possibilidades e os lampejos que você comentou.<br />
inté&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Jonney Souza		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/10/66212/#comment-84373</link>

		<dc:creator><![CDATA[Jonney Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Oct 2012 21:53:48 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=66212#comment-84373</guid>

					<description><![CDATA[Muito bom, o artigo. A minha dúvida, é a do companheiro Henrique Tahan, mas levando para o lado da música. 
Boa!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muito bom, o artigo. A minha dúvida, é a do companheiro Henrique Tahan, mas levando para o lado da música.<br />
Boa!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
	</channel>
</rss>
