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	Comentários sobre: Post-scriptum: contra a ecologia. 4) a agroecologia e a mais-valia absoluta	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/09/83203/#comment-850265</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Jul 2022 16:01:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[No seu primeiro comentário, Curioso levantou uma questão a que me esqueci de responder, a de que a ecologia não estaria presa a um destino inelutável.

Com efeito, existe uma ecologia &lt;em&gt;light&lt;/em&gt;, trilhos ecológicos para caminhadas de fim-de-semana, alimentos produzidos pela agricultura orgânica que, devido aos seus custos de produção mais elevados, requerem preços superiores e se destinam ao consumo das faixas de rendimentos médias e médias-superiores, coisas assim, que servem de adorno ao politicamente correcto. Tal como também existem no meio confinado das torcidas de futebol uns grupos de matulões que esticam o braço e gritam &lt;em&gt;Sieg Heil!&lt;/em&gt;, insultam os negros e, em geral, batem nas pessoas. Tanto uns como outros, cada um no seu género, são inócuos, porque não se repercutem sobre o resto da sociedade. Formam pequenos parques de diversões.

Mas a situação é muito diferente quando olhamos para o grande programa de remodelação económica e social proposto pelos movimentos ecológicos. Antes de mais, o decrescimento económico e a regressão tecnológica implicariam um tal grau de desemprego e um tal rebaixamento das remunerações que deixariam de ser compatíveis com o capitalismo. Só poderiam existir num quadro como aquele que, a propósito do Terceiro Reich e do sistema concentracionário staliniano, eu denominei metacapitalismo. Ora, uma mudança dessas significaria um enorme genocídio. A palavra &lt;em&gt;genocídio&lt;/em&gt; está hoje banalizada e é empregue a torto e a direito, geralmente a torto, mas tratar-se-ia aqui de um verdadeiro genocídio. Aliás, a agricultura orgânica, pela redução da produtividade que lhe é inerente, bastaria para fazer morrer de fome uma parte considerável da população mundial. O Passa Palavra publicou hoje &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2022/07/145130/&quot; rel=&quot;noopener&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;um artigo sobre o Sri Lanka&lt;/a&gt; que é muitíssimo elucidativo e, para já, me dispensa de me estender sobre o assunto. Como seria possível, então, aplicar um programa deste tipo, uma ecologia &lt;em&gt;hard&lt;/em&gt; e já não &lt;em&gt;soft&lt;/em&gt;, sem uma estrutura repressiva e de mobilização ideológica semelhante aos SS?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No seu primeiro comentário, Curioso levantou uma questão a que me esqueci de responder, a de que a ecologia não estaria presa a um destino inelutável.</p>
<p>Com efeito, existe uma ecologia <em>light</em>, trilhos ecológicos para caminhadas de fim-de-semana, alimentos produzidos pela agricultura orgânica que, devido aos seus custos de produção mais elevados, requerem preços superiores e se destinam ao consumo das faixas de rendimentos médias e médias-superiores, coisas assim, que servem de adorno ao politicamente correcto. Tal como também existem no meio confinado das torcidas de futebol uns grupos de matulões que esticam o braço e gritam <em>Sieg Heil!</em>, insultam os negros e, em geral, batem nas pessoas. Tanto uns como outros, cada um no seu género, são inócuos, porque não se repercutem sobre o resto da sociedade. Formam pequenos parques de diversões.</p>
<p>Mas a situação é muito diferente quando olhamos para o grande programa de remodelação económica e social proposto pelos movimentos ecológicos. Antes de mais, o decrescimento económico e a regressão tecnológica implicariam um tal grau de desemprego e um tal rebaixamento das remunerações que deixariam de ser compatíveis com o capitalismo. Só poderiam existir num quadro como aquele que, a propósito do Terceiro Reich e do sistema concentracionário staliniano, eu denominei metacapitalismo. Ora, uma mudança dessas significaria um enorme genocídio. A palavra <em>genocídio</em> está hoje banalizada e é empregue a torto e a direito, geralmente a torto, mas tratar-se-ia aqui de um verdadeiro genocídio. Aliás, a agricultura orgânica, pela redução da produtividade que lhe é inerente, bastaria para fazer morrer de fome uma parte considerável da população mundial. O Passa Palavra publicou hoje <a href="https://passapalavra.info/2022/07/145130/" rel="noopener" target="_blank">um artigo sobre o Sri Lanka</a> que é muitíssimo elucidativo e, para já, me dispensa de me estender sobre o assunto. Como seria possível, então, aplicar um programa deste tipo, uma ecologia <em>hard</em> e já não <em>soft</em>, sem uma estrutura repressiva e de mobilização ideológica semelhante aos SS?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Curioso		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/09/83203/#comment-850243</link>

		<dc:creator><![CDATA[Curioso]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Jul 2022 13:00:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[se for realmente dessa forma e nos exatos termos colocados acima, é absolutamente chocante.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>se for realmente dessa forma e nos exatos termos colocados acima, é absolutamente chocante.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Gogol		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/09/83203/#comment-850235</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gogol]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Jul 2022 11:37:05 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=83203#comment-850235</guid>

					<description><![CDATA[&quot;Ao dizer que &#039;o nazismo foi a forma política de aplicação da ecologia&#039;, o &#039;ensaísta&#039;&quot; quer afirmar que a religião ecológica pariu a &quot;unidade estática originária&quot;, ou seja, o partido nazista, para reestabelecer o equilíbrio e a harmônia entre homem e natureza. A correia de transmissão entre a ideologia ecológica e a &quot;unidade estática originária&quot; foi a sociedade secreta ocultista Thule (Grupo de Estudo para a Antiguidade Alemã), que tinha como membros Enerst Haeckel, o pai da ecologia&#039;moderna, além de figurões que pertencerão ao alto escalão do partido nazista, como: Gottfried Feder, Rudolf Hess e Alfred Rosemberg. É importante lembrar que foi a Sociedade Thule que patrocinou e organizou o &quot;Deutsche Arbeiterpartei&quot;, o embrião do Partido Nacional-Socialista.

A ideocracia ecológica é o que particulariza a ideologia nazista perante aos outros fascismos. O entendimento de raça e sua relação com a natureza já tinha sido desenvolvida, nos termos adotados pelo partido, por Haeckel, antes dos nacionais-socialistas, e mais precisamente, na ala vitoriosa da organização, a hitlerista. As escalas entre as raças já tinham sido definidas por Haeckel. É por Haeckel que se compreenderá o porquê de não ser admissível a mistura das raças dentro da lógica naturalista. É por Haeckel que se compreende os fundamentos do mito da natureza, do Deus-natureza, dissolvido entre as moléculas, partículas e átomos. Haeckel dá alma aos átomos embebidos no éter divino ao mesmo tempo que compara determinadas camadas humanas a cachorros e macacos, os índios, por exemplo.

Seria totalmente inadequado dizer que o nazismo instrumentalizou a ecologia, como se a ecologia fosse algo exógeno a doutrina do partido. Longe de o ser, o nazismo é originário da ecologia, e tal desvinculação seria uma artimanha retórica.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Ao dizer que &#8216;o nazismo foi a forma política de aplicação da ecologia&#8217;, o &#8216;ensaísta'&#8221; quer afirmar que a religião ecológica pariu a &#8220;unidade estática originária&#8221;, ou seja, o partido nazista, para reestabelecer o equilíbrio e a harmônia entre homem e natureza. A correia de transmissão entre a ideologia ecológica e a &#8220;unidade estática originária&#8221; foi a sociedade secreta ocultista Thule (Grupo de Estudo para a Antiguidade Alemã), que tinha como membros Enerst Haeckel, o pai da ecologia&#8217;moderna, além de figurões que pertencerão ao alto escalão do partido nazista, como: Gottfried Feder, Rudolf Hess e Alfred Rosemberg. É importante lembrar que foi a Sociedade Thule que patrocinou e organizou o &#8220;Deutsche Arbeiterpartei&#8221;, o embrião do Partido Nacional-Socialista.</p>
<p>A ideocracia ecológica é o que particulariza a ideologia nazista perante aos outros fascismos. O entendimento de raça e sua relação com a natureza já tinha sido desenvolvida, nos termos adotados pelo partido, por Haeckel, antes dos nacionais-socialistas, e mais precisamente, na ala vitoriosa da organização, a hitlerista. As escalas entre as raças já tinham sido definidas por Haeckel. É por Haeckel que se compreenderá o porquê de não ser admissível a mistura das raças dentro da lógica naturalista. É por Haeckel que se compreende os fundamentos do mito da natureza, do Deus-natureza, dissolvido entre as moléculas, partículas e átomos. Haeckel dá alma aos átomos embebidos no éter divino ao mesmo tempo que compara determinadas camadas humanas a cachorros e macacos, os índios, por exemplo.</p>
<p>Seria totalmente inadequado dizer que o nazismo instrumentalizou a ecologia, como se a ecologia fosse algo exógeno a doutrina do partido. Longe de o ser, o nazismo é originário da ecologia, e tal desvinculação seria uma artimanha retórica.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/09/83203/#comment-850233</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Jul 2022 11:30:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Curioso,

Não se trata de instrumentalização. O nexo é muito mais profundo, é mesmo o mais profundo possível. A ecologia, incluindo a agricultura orgânica, foi gerada e desenvolvida no mesmo meio que gerou e desenvolveu os fascismos e especialmente o nacional-socialismo, ao mesmo tempo e em íntima relação. Não posso alongar-me num comentário, forçosamente curto, mas no volume 6 do &lt;em&gt;Labirintos do Fascismo&lt;/em&gt;, págs. 191 e segs. e 207 e segs., essa indissolúvel relação está demonstrada com factos, assentes numa ampla bibliografia. A censura subsequente à segunda guerra mundial, ao proibir os textos do fascismo proibiu do mesmo modo a literatura ecologista. Quando o movimento ecológico ressurgiu na década de 1970 havia-se produzido um hiato na memória, e aqueles que conheciam a relação permaneceram prudentemente — ou oportunisticamente — silenciosos. Mas não devemos esquecer que esse reaparecimento da ecologia esteve intimamente ligado ao aparecimento da &lt;em&gt;New Age&lt;/em&gt; e, em conjunto, ambos os movimentos deram uma nova vida ao misticismo neopagão encarnado pelos SS. É que o nacional-socialismo não foi só a forma política de aplicação da ecologia. Foi também a forma mística dessa aplicação. E é isto que hoje nos rodeia.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Curioso,</p>
<p>Não se trata de instrumentalização. O nexo é muito mais profundo, é mesmo o mais profundo possível. A ecologia, incluindo a agricultura orgânica, foi gerada e desenvolvida no mesmo meio que gerou e desenvolveu os fascismos e especialmente o nacional-socialismo, ao mesmo tempo e em íntima relação. Não posso alongar-me num comentário, forçosamente curto, mas no volume 6 do <em>Labirintos do Fascismo</em>, págs. 191 e segs. e 207 e segs., essa indissolúvel relação está demonstrada com factos, assentes numa ampla bibliografia. A censura subsequente à segunda guerra mundial, ao proibir os textos do fascismo proibiu do mesmo modo a literatura ecologista. Quando o movimento ecológico ressurgiu na década de 1970 havia-se produzido um hiato na memória, e aqueles que conheciam a relação permaneceram prudentemente — ou oportunisticamente — silenciosos. Mas não devemos esquecer que esse reaparecimento da ecologia esteve intimamente ligado ao aparecimento da <em>New Age</em> e, em conjunto, ambos os movimentos deram uma nova vida ao misticismo neopagão encarnado pelos SS. É que o nacional-socialismo não foi só a forma política de aplicação da ecologia. Foi também a forma mística dessa aplicação. E é isto que hoje nos rodeia.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: curioso		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/09/83203/#comment-850153</link>

		<dc:creator><![CDATA[curioso]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Jul 2022 22:45:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ao dizer que &#039;o nazismo foi a forma política de aplicação da ecologia&#039;, o ensaísta põe a ecologia prévia e inelutavelmente articulada ao nazismo?
Não se Trata de algum tipo de exagero retórico essa afirmação? Não seria - talvez - mais adequado dizer que a Ecologia foi instrumentalizada pelo Nazismo?

Se for como colocado por JB, a ecologia estaria presa um destino inelutável.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ao dizer que &#8216;o nazismo foi a forma política de aplicação da ecologia&#8217;, o ensaísta põe a ecologia prévia e inelutavelmente articulada ao nazismo?<br />
Não se Trata de algum tipo de exagero retórico essa afirmação? Não seria &#8211; talvez &#8211; mais adequado dizer que a Ecologia foi instrumentalizada pelo Nazismo?</p>
<p>Se for como colocado por JB, a ecologia estaria presa um destino inelutável.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/09/83203/#comment-850108</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Jul 2022 16:41:24 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=83203#comment-850108</guid>

					<description><![CDATA[Gogol,

A resposta à sua pergunta requer algumas &lt;em&gt;nuances&lt;/em&gt;.

Eu tratei desse assunto num ensaio publicado no Passa Palavra e intitulado &lt;em&gt;O Mito da Natureza&lt;/em&gt;, especialmente na 2ª parte, &lt;em&gt;&lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2011/12/48957/&quot; rel=&quot;noopener&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;A Agricultura Familiar no Fascismo&lt;/a&gt;&lt;/em&gt; e na 3ª parte, &lt;em&gt;&lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2011/12/49001/&quot; rel=&quot;noopener&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;A Agricultura Familiar no Nazismo&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;.

Mas, antes de mais, é necessário salientar que nenhum dos fascismos seguiu, tanto em cada momento como ao longo do tempo, uma única política económica. Analisei mais extensamente este aspecto na minha obra &lt;em&gt;Labirintos do Fascismo&lt;/em&gt;, e remeto aqui para a versão definitiva, remodelada e ampliada, publicada recentemente pela editora Hedra. Veja, no 2º volume, o capítulo 4, págs. 111-138.

No entanto, você refere o caso específico do nacional-socialismo. Ora, foi precisamente aí que os mitos arcaicos da ecologia foram levados mais longe, podendo integrar-se num quadro muito vasto, que eu considerei como um meta-capitalismo e analisei no referido 2º volume, págs. 139 e segs.

No 6º volume, págs. 191 e segs., procurei seguir os elos que ligam as formas clássicas de fascismo às suas modalidades actuais, considerando-as como um fascismo pós-fascista. Foi aí que analisei mais detalhadamente a componente ecológica do nacional-socialismo, e não se me oferece a mínima dúvida de que em termos gerais, e para empregar as suas palavras, «o nazismo foi a forma política de aplicação da ecologia». Foi-o na tradição ideológica em que se enraizou e que lhe serviu de inspiração. E foi-o na política prática. Sob a égide de Walther Darré, ministro dos Abastecimentos e da Agricultura desde Junho de 1933 até 1942, Führer dos Camponeses do Reich e encarregado do Departamento Central de Raça e Colonização dos SS desde o final de 1931 até 1938, com a patente de Obergruppenführer, o segundo mais alto escalão dos SS, a agricultura orgânica tornou-se a doutrina oficial do Terceiro Reich. E o facto de Darré ter abandonado o Ministério em 1942 não interrompeu essa orientação, que passou a ser encabeçada pelo próprio Himmler. Os SS integraram os campos de concentração, com a sua numerosa força de trabalho escrava, nas experiências de agricultura orgânica, a tal ponto que eram proprietários do empreendimento de agricultura orgânica mais vasto e com maior êxito comercial, anexo a um dos mais notórios campos de concentração.

É este o &lt;em&gt;pedrigree&lt;/em&gt; da agricultura orgânica. O Cambodja de Pol Pot e o Sri Lanka de Gotabaya Rajapaksa não são experiência isoladas ou desastradas, mas inserem-se numa linhagem claramente definida, na própria matriz dos horrores.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gogol,</p>
<p>A resposta à sua pergunta requer algumas <em>nuances</em>.</p>
<p>Eu tratei desse assunto num ensaio publicado no Passa Palavra e intitulado <em>O Mito da Natureza</em>, especialmente na 2ª parte, <em><a href="https://passapalavra.info/2011/12/48957/" rel="noopener" target="_blank">A Agricultura Familiar no Fascismo</a></em> e na 3ª parte, <em><a href="https://passapalavra.info/2011/12/49001/" rel="noopener" target="_blank">A Agricultura Familiar no Nazismo</a></em>.</p>
<p>Mas, antes de mais, é necessário salientar que nenhum dos fascismos seguiu, tanto em cada momento como ao longo do tempo, uma única política económica. Analisei mais extensamente este aspecto na minha obra <em>Labirintos do Fascismo</em>, e remeto aqui para a versão definitiva, remodelada e ampliada, publicada recentemente pela editora Hedra. Veja, no 2º volume, o capítulo 4, págs. 111-138.</p>
<p>No entanto, você refere o caso específico do nacional-socialismo. Ora, foi precisamente aí que os mitos arcaicos da ecologia foram levados mais longe, podendo integrar-se num quadro muito vasto, que eu considerei como um meta-capitalismo e analisei no referido 2º volume, págs. 139 e segs.</p>
<p>No 6º volume, págs. 191 e segs., procurei seguir os elos que ligam as formas clássicas de fascismo às suas modalidades actuais, considerando-as como um fascismo pós-fascista. Foi aí que analisei mais detalhadamente a componente ecológica do nacional-socialismo, e não se me oferece a mínima dúvida de que em termos gerais, e para empregar as suas palavras, «o nazismo foi a forma política de aplicação da ecologia». Foi-o na tradição ideológica em que se enraizou e que lhe serviu de inspiração. E foi-o na política prática. Sob a égide de Walther Darré, ministro dos Abastecimentos e da Agricultura desde Junho de 1933 até 1942, Führer dos Camponeses do Reich e encarregado do Departamento Central de Raça e Colonização dos SS desde o final de 1931 até 1938, com a patente de Obergruppenführer, o segundo mais alto escalão dos SS, a agricultura orgânica tornou-se a doutrina oficial do Terceiro Reich. E o facto de Darré ter abandonado o Ministério em 1942 não interrompeu essa orientação, que passou a ser encabeçada pelo próprio Himmler. Os SS integraram os campos de concentração, com a sua numerosa força de trabalho escrava, nas experiências de agricultura orgânica, a tal ponto que eram proprietários do empreendimento de agricultura orgânica mais vasto e com maior êxito comercial, anexo a um dos mais notórios campos de concentração.</p>
<p>É este o <em>pedrigree</em> da agricultura orgânica. O Cambodja de Pol Pot e o Sri Lanka de Gotabaya Rajapaksa não são experiência isoladas ou desastradas, mas inserem-se numa linhagem claramente definida, na própria matriz dos horrores.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Gogol		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/09/83203/#comment-850088</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gogol]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Jul 2022 14:32:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[João,

A a doutrina da agricultura orgânica, como forma alternativa de se relacionar com a natureza, é a volta da agricultura de subsistência, a nostalgia das formas antigas de se plantar.  A respeito desse retorno, o misticismo religioso da ecologia gira em torno da volta ao panteísmo como paradigma a combater o entendimento judaico-cristão da natureza. No artigo que compartilhei os autores lembram que  700 milhões de camponeses, hoje, ainda estão submetidos a essas condições de subsistência, não porque querem, mas por não terem acesso as formas modernas de plantio. Obviamente, que esses agricultores vivem próximos da extrema pobreza. O que os ecológicos querem é justamente esse retorno das condições precárias da vida material, mergulhando a humanidade no éter espiritual provocado pela miséria. 

A obsessão dos nazistas pelas condições climáticas e pela raça produziram estudos, por parte dos nazistas, sobre a vida dos alemães nos trópicos. Queriam identificar traços degenerativos da raça nas condições climáticas dos trópicos, e a comunidade alemã do Espírito Santo foi escolhida, nos anos 30, a essa importante questão &quot;científica&quot;. Obviamente, se tratando da raça superior, que se encontrava no topo do escalão racial, nem os trópicos conseguiram degenerar a raça ariana, que se mantinha pura e não se misturava com o restante da raça de &quot;macacos&quot; que compunha a população mestiça brasileira. ( ver em: O nazismo tropical? História do partido nazista no Brasil - Ana Maria Dietrich).

João Bernardo, seria um exagero afirma que o nazismo foi a forma política de aplicação da ecologia?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João,</p>
<p>A a doutrina da agricultura orgânica, como forma alternativa de se relacionar com a natureza, é a volta da agricultura de subsistência, a nostalgia das formas antigas de se plantar.  A respeito desse retorno, o misticismo religioso da ecologia gira em torno da volta ao panteísmo como paradigma a combater o entendimento judaico-cristão da natureza. No artigo que compartilhei os autores lembram que  700 milhões de camponeses, hoje, ainda estão submetidos a essas condições de subsistência, não porque querem, mas por não terem acesso as formas modernas de plantio. Obviamente, que esses agricultores vivem próximos da extrema pobreza. O que os ecológicos querem é justamente esse retorno das condições precárias da vida material, mergulhando a humanidade no éter espiritual provocado pela miséria. </p>
<p>A obsessão dos nazistas pelas condições climáticas e pela raça produziram estudos, por parte dos nazistas, sobre a vida dos alemães nos trópicos. Queriam identificar traços degenerativos da raça nas condições climáticas dos trópicos, e a comunidade alemã do Espírito Santo foi escolhida, nos anos 30, a essa importante questão &#8220;científica&#8221;. Obviamente, se tratando da raça superior, que se encontrava no topo do escalão racial, nem os trópicos conseguiram degenerar a raça ariana, que se mantinha pura e não se misturava com o restante da raça de &#8220;macacos&#8221; que compunha a população mestiça brasileira. ( ver em: O nazismo tropical? História do partido nazista no Brasil &#8211; Ana Maria Dietrich).</p>
<p>João Bernardo, seria um exagero afirma que o nazismo foi a forma política de aplicação da ecologia?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/09/83203/#comment-850081</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Jul 2022 13:20:22 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=83203#comment-850081</guid>

					<description><![CDATA[No começo de 2021 o presidente Gotabaya Rajapaksa decidiu que o Sri Lanka adoptaria a agricultura orgânica e proibiu a importação de produtos agro-químicos. A repercussão desta decisão foi massiva, porque mais de 90% dos agricultores do país usavam fertilizantes químicos. A Associação dos Agricultores previu então que nos seis meses seguintes ocorreria uma queda de cerca de 25% na produção de chá e nas receitas das exportações, e que a partir de então a queda seria de cerca de 50%. Note-se que o Sri Lanka é o quarto maior produtor mundial de chá, equivalendo as suas exportações deste produto a 1,5% do PIB.

As consequências fizeram-se sentir a muito curto prazo, porque o declínio abrupto da produção de bens alimentares levou a um grande aumento dos seus preços, arrastando o aumento geral da inflação. O governo decidiu então aumentar a importação de produtos agrícolas, precisamente quando diminuíam as exportações, o que teve como efeito o agravamento do défice do comércio externo, que chegou a 42% do PIB, e, portanto, o aumento da dívida externa e a queda das reservas estrangeiras à disposição do banco central. Nestas circunstâncias, o valor da rupia caiu drasticamente e o crédito externo retraiu-se.

Perante uma crise económica destas dimensões, o turismo, muito importante para a economia da ilha, praticamente desapareceu. Entretanto, a invasão da Ucrânia pelas tropas russas teve o duplo efeito de comprometer o comércio mundial de cereais e de petróleo, aumentando muito o peço de ambos os produtos, o que agravou suplementarmente a situação do Sri Lanka, a tal ponto que se viu incapaz de pagar os juros da dívida externa, entrando o país em falência.

Quem olhe apenas para a conjuntura económica do Sri Lanka neste momento vê um entrelaçar de factores, mas na origem está uma causa única, a passagem à agricultura orgânica.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No começo de 2021 o presidente Gotabaya Rajapaksa decidiu que o Sri Lanka adoptaria a agricultura orgânica e proibiu a importação de produtos agro-químicos. A repercussão desta decisão foi massiva, porque mais de 90% dos agricultores do país usavam fertilizantes químicos. A Associação dos Agricultores previu então que nos seis meses seguintes ocorreria uma queda de cerca de 25% na produção de chá e nas receitas das exportações, e que a partir de então a queda seria de cerca de 50%. Note-se que o Sri Lanka é o quarto maior produtor mundial de chá, equivalendo as suas exportações deste produto a 1,5% do PIB.</p>
<p>As consequências fizeram-se sentir a muito curto prazo, porque o declínio abrupto da produção de bens alimentares levou a um grande aumento dos seus preços, arrastando o aumento geral da inflação. O governo decidiu então aumentar a importação de produtos agrícolas, precisamente quando diminuíam as exportações, o que teve como efeito o agravamento do défice do comércio externo, que chegou a 42% do PIB, e, portanto, o aumento da dívida externa e a queda das reservas estrangeiras à disposição do banco central. Nestas circunstâncias, o valor da rupia caiu drasticamente e o crédito externo retraiu-se.</p>
<p>Perante uma crise económica destas dimensões, o turismo, muito importante para a economia da ilha, praticamente desapareceu. Entretanto, a invasão da Ucrânia pelas tropas russas teve o duplo efeito de comprometer o comércio mundial de cereais e de petróleo, aumentando muito o peço de ambos os produtos, o que agravou suplementarmente a situação do Sri Lanka, a tal ponto que se viu incapaz de pagar os juros da dívida externa, entrando o país em falência.</p>
<p>Quem olhe apenas para a conjuntura económica do Sri Lanka neste momento vê um entrelaçar de factores, mas na origem está uma causa única, a passagem à agricultura orgânica.</p>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/09/83203/#comment-850017</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Jul 2022 23:19:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Gogol,

Há poucos dias, numa entrevista gravada em vídeo, a propósito da forma como a censura posterior à segunda guerra mundial eliminou a memória do fascismo, e como os fascistas lucraram com isso, eu mencionei o caso da ecologia e da agricultura orgânica enquanto doutrina oficial do Terceiro Reich. A srª Primavesi é um exemplo dessa obnubilação da memória. Mas atenção. Há aqueles que sabem, e que activamente contribuem para esconder. E há aqueles que se deixam ludibriar. Embora, quanto a estes, também se possa dizer que só se deixa enganar quem quer. Não há os que recusam a experiência do regime de Pol Pot dizendo que a agricultura orgânica é outra coisa e digam o mesmo agora a respeito do Sri Lanka? Então, quem quer enfiar a cabeça na areia tem sempre muita areia para o fazer.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gogol,</p>
<p>Há poucos dias, numa entrevista gravada em vídeo, a propósito da forma como a censura posterior à segunda guerra mundial eliminou a memória do fascismo, e como os fascistas lucraram com isso, eu mencionei o caso da ecologia e da agricultura orgânica enquanto doutrina oficial do Terceiro Reich. A srª Primavesi é um exemplo dessa obnubilação da memória. Mas atenção. Há aqueles que sabem, e que activamente contribuem para esconder. E há aqueles que se deixam ludibriar. Embora, quanto a estes, também se possa dizer que só se deixa enganar quem quer. Não há os que recusam a experiência do regime de Pol Pot dizendo que a agricultura orgânica é outra coisa e digam o mesmo agora a respeito do Sri Lanka? Então, quem quer enfiar a cabeça na areia tem sempre muita areia para o fazer.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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		<title>
		Por: Gogol		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2013/09/83203/#comment-849997</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gogol]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Jul 2022 20:41:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[&quot;Os defensores da agricultura orgânica, por outro lado, comprometido com falácias naturalistas e desconfiado da ciência agrícola moderna, não pode oferecer soluções plausíveis. O que eles oferecem, como o desastre do Sri Lanka expôs para todos verem, é miséria.&quot;
https://foreignpolicy.com/2022/03/05/sri-lanka-organic-farming-crisis/

Enquanto isso, na terra do nazismo tropical, Ana Maria Primavesi, vira rainha e inspiração para coletivo de mulheres no MSST.
https://mst.org.br/2021/06/29/coletivo-de-mulheres-ana-maria-primavesi-a-forca-da-uniao/]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Os defensores da agricultura orgânica, por outro lado, comprometido com falácias naturalistas e desconfiado da ciência agrícola moderna, não pode oferecer soluções plausíveis. O que eles oferecem, como o desastre do Sri Lanka expôs para todos verem, é miséria.&#8221;<br />
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<p>Enquanto isso, na terra do nazismo tropical, Ana Maria Primavesi, vira rainha e inspiração para coletivo de mulheres no MSST.<br />
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