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	Comentários sobre: Quem puxa quem? O avanço dos nacionalismos e os riscos para a esquerda radical	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: João Medeiros		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/06/96041/#comment-236739</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Medeiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Jun 2014 12:57:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A ILUSÃO NACIONLISTA

As burguesias nacionais da Europa 
agregaram-se na União Europeia pela 
necessidade de reforçar o seu poder comum e 
fazer frente aos seus concorrentes em melhores 
condições. Trata-se de um processo histórico 
inerente ao próprio crescimento capitalista que 
alterou por completo as relações entre os 
grupos económicos e as burguesias de cada 
país membro. 
A agudeza da actual crise na Europa veio 
desmentir os cenários de “igualdade” e de 
“convergência” entre países e povos, ricos e 
pobres. Veri!ca-se na verdade, como é próprio 
do capitalismo, um aumento das desigualdades 
e não uma eliminação das diferenças entre os 
pólos capitalistas mais fortes e as regiões mais 
dependentes. Consequentemente, crescem os 
conflitos de interesses, aumenta o domínio 
económico e político dos estados mais 
poderosos sobre os mais fracos, emergem o 
chauvinismo, o racismo e mesmo as ameaças 
de ruptura da União. 

 A nossa luta contra a União Europeia tem 
por alvo o capitalismo globalizado e as 
consequências dessa situação nova no nosso 
país. Não tem como meta a restauração da 
independência nacional burguesa, etapa 
ultrapassada quando a classe dominante 
portuguesa se integrou no mercado europeu. 
Só a pequena burguesia alimenta a ilusão de 
fazer renascer o seu espaço nacional de ontem. 
Não tem por objectivo, tão-pouco, a 
ilusória reforma “democratizadora” das 
instituições europeias, moldadas à medida das 
ambições imperialistas do grande capital 
Europeu, e por isso mesmo estudadas para 
excluir a vontade dos povos. 

O proletariado tem que rejeitar tanto a 
miragem do regresso a um passado nacional 
morto, como as promessas chauvinistas de uma 
“Grande Europa”. 
A magnitude da ofensiva burguesa contra 
as classes trabalhadoras e o seu carácter global 
fomentam a ideia de que a resistência de 
massas seria mais fácil se fosse travada contra 
cada burguesia em cada país. Mas esse quadro 
nacional está de!nitivamente ultrapassado. 
Hoje, as forças que podem ajudar a luta de cada 
proletariado nacional são os proletários dos 
outros países da União Europeia. 

O internacionalismo, desde sempre 
inscrito no programa dos comunistas, tornouse 
assim uma necessidade prática e premente. 
O proletariado precisa de uni!car as lutas 
nacionais e internacionais contra a burguesia. 
Esse passo é indispensável para a voluntária 
associação de todas as nacionalidades numa 
Europa liberta das desigualdades do 
capitalismo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A ILUSÃO NACIONLISTA</p>
<p>As burguesias nacionais da Europa<br />
agregaram-se na União Europeia pela<br />
necessidade de reforçar o seu poder comum e<br />
fazer frente aos seus concorrentes em melhores<br />
condições. Trata-se de um processo histórico<br />
inerente ao próprio crescimento capitalista que<br />
alterou por completo as relações entre os<br />
grupos económicos e as burguesias de cada<br />
país membro.<br />
A agudeza da actual crise na Europa veio<br />
desmentir os cenários de “igualdade” e de<br />
“convergência” entre países e povos, ricos e<br />
pobres. Veri!ca-se na verdade, como é próprio<br />
do capitalismo, um aumento das desigualdades<br />
e não uma eliminação das diferenças entre os<br />
pólos capitalistas mais fortes e as regiões mais<br />
dependentes. Consequentemente, crescem os<br />
conflitos de interesses, aumenta o domínio<br />
económico e político dos estados mais<br />
poderosos sobre os mais fracos, emergem o<br />
chauvinismo, o racismo e mesmo as ameaças<br />
de ruptura da União. </p>
<p> A nossa luta contra a União Europeia tem<br />
por alvo o capitalismo globalizado e as<br />
consequências dessa situação nova no nosso<br />
país. Não tem como meta a restauração da<br />
independência nacional burguesa, etapa<br />
ultrapassada quando a classe dominante<br />
portuguesa se integrou no mercado europeu.<br />
Só a pequena burguesia alimenta a ilusão de<br />
fazer renascer o seu espaço nacional de ontem.<br />
Não tem por objectivo, tão-pouco, a<br />
ilusória reforma “democratizadora” das<br />
instituições europeias, moldadas à medida das<br />
ambições imperialistas do grande capital<br />
Europeu, e por isso mesmo estudadas para<br />
excluir a vontade dos povos. </p>
<p>O proletariado tem que rejeitar tanto a<br />
miragem do regresso a um passado nacional<br />
morto, como as promessas chauvinistas de uma<br />
“Grande Europa”.<br />
A magnitude da ofensiva burguesa contra<br />
as classes trabalhadoras e o seu carácter global<br />
fomentam a ideia de que a resistência de<br />
massas seria mais fácil se fosse travada contra<br />
cada burguesia em cada país. Mas esse quadro<br />
nacional está de!nitivamente ultrapassado.<br />
Hoje, as forças que podem ajudar a luta de cada<br />
proletariado nacional são os proletários dos<br />
outros países da União Europeia. </p>
<p>O internacionalismo, desde sempre<br />
inscrito no programa dos comunistas, tornouse<br />
assim uma necessidade prática e premente.<br />
O proletariado precisa de uni!car as lutas<br />
nacionais e internacionais contra a burguesia.<br />
Esse passo é indispensável para a voluntária<br />
associação de todas as nacionalidades numa<br />
Europa liberta das desigualdades do<br />
capitalismo.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Jose Ferreira		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/06/96041/#comment-236694</link>

		<dc:creator><![CDATA[Jose Ferreira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Jun 2014 00:42:05 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=96041#comment-236694</guid>

					<description><![CDATA[Olá

Devo confessar que olho o marxismo autonomista do mesmo modo que olho o anarquismo: como a voz da consciência do marxismo. Radicalmente essencialista, está aí para lembrar-nos que o caminho é pela esquerda mesmo quando não há saída à esquerda a não ser despistando o carro. Por isso, nem sempre é para levar a sério.

Neste caso concreto, é um deles. Não é factível um movimento de esquerda internacionalizado; um projeto europeu hoje é e será sempre um projeto capitalista. Por isso, a defesa do nacionalismo é necessária nem que mais não seja para subtrair essa bandeira ao fascismo. Repare-se na incapacidade do Syriza desafiar as bases da construção do projeto europeu; repare-se como a Front National cresceu em França na ausência de um projeto anti-imperialista de esquerda.

Vale dizer que, para um leninista, o programa de autodeterminação nacional sempre foi instrumental em relação à luta de classes. Mesmo depois da Revolução de Outubro - e ao contrário do que aqui foi escrito pelo João Bernardo - a constituição da nação russa, independente do semi colonialismo da Alemanha, era condição - na cabeça de Lênin - para fazer eclodir a luta de classes na Alemanha, onde os operários eram pouco explorados em virtude da sobre-exploração na Rússia. A Revolução de 1917, e sobretudo o fracasso da Revolução de 1919, não altera o modelo na cabeça de Lênin; apenas dilata o tempo entre causa (a Revolução democrática nos países periféricos) e efeito (a eclosão da luta de classes nos países centrais).

Traduzir o modelo leninista para os dias de hoje, atualizar a análise das relações entre a diversidade de &quot;ideologias&quot; dentro da classe operária e a forma do capitalismo, em particular do &quot;oportunismo&quot;, é um trabalho que falta fazer. Mas a luta anti-euro e anti-UE parece-me essencial para dissociar os trabalhadores de um projeto intrinsecamente e inevitavelmente burguês na realidade dada - é claro que existem alternativas numa realidade imaginada.

Várias vezes vos li protestar contra a massificação em torno do argumento patriótico. Mas alerto para a possibilidade da vossa defesa do euro e da UE funcionar no mesmo modo.

Abraço
Zé]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá</p>
<p>Devo confessar que olho o marxismo autonomista do mesmo modo que olho o anarquismo: como a voz da consciência do marxismo. Radicalmente essencialista, está aí para lembrar-nos que o caminho é pela esquerda mesmo quando não há saída à esquerda a não ser despistando o carro. Por isso, nem sempre é para levar a sério.</p>
<p>Neste caso concreto, é um deles. Não é factível um movimento de esquerda internacionalizado; um projeto europeu hoje é e será sempre um projeto capitalista. Por isso, a defesa do nacionalismo é necessária nem que mais não seja para subtrair essa bandeira ao fascismo. Repare-se na incapacidade do Syriza desafiar as bases da construção do projeto europeu; repare-se como a Front National cresceu em França na ausência de um projeto anti-imperialista de esquerda.</p>
<p>Vale dizer que, para um leninista, o programa de autodeterminação nacional sempre foi instrumental em relação à luta de classes. Mesmo depois da Revolução de Outubro &#8211; e ao contrário do que aqui foi escrito pelo João Bernardo &#8211; a constituição da nação russa, independente do semi colonialismo da Alemanha, era condição &#8211; na cabeça de Lênin &#8211; para fazer eclodir a luta de classes na Alemanha, onde os operários eram pouco explorados em virtude da sobre-exploração na Rússia. A Revolução de 1917, e sobretudo o fracasso da Revolução de 1919, não altera o modelo na cabeça de Lênin; apenas dilata o tempo entre causa (a Revolução democrática nos países periféricos) e efeito (a eclosão da luta de classes nos países centrais).</p>
<p>Traduzir o modelo leninista para os dias de hoje, atualizar a análise das relações entre a diversidade de &#8220;ideologias&#8221; dentro da classe operária e a forma do capitalismo, em particular do &#8220;oportunismo&#8221;, é um trabalho que falta fazer. Mas a luta anti-euro e anti-UE parece-me essencial para dissociar os trabalhadores de um projeto intrinsecamente e inevitavelmente burguês na realidade dada &#8211; é claro que existem alternativas numa realidade imaginada.</p>
<p>Várias vezes vos li protestar contra a massificação em torno do argumento patriótico. Mas alerto para a possibilidade da vossa defesa do euro e da UE funcionar no mesmo modo.</p>
<p>Abraço<br />
Zé</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/06/96041/#comment-235156</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Jun 2014 17:21:24 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=96041#comment-235156</guid>

					<description><![CDATA[Nantess0r,
O capital está transnacionalizado e as grandes companhias transnacionais assumiram não só tarefas que antes cabiam aos governos como também algumas que cabiam a instituições internacionais decorrentes da ONU ou do Banco Mundial. Veja-se como mero exemplo a actuação da Petrobras ou da Odebrecht ou ainda da Vale, nomeadamente em vários países africanos, não só nos de língua portuguesa. Neste contexto, evocar o reforço das soberanias parece-me uma demagogia vocacionada para os pequenos patrões e para os sectores da classe trabalhadora que deles dependem. Trata-se de uma &lt;em&gt;falsa consciência&lt;/em&gt;, que serve para manipular politicamente e para obscurecer a percepção da realidade.
No fundamental, e cingindo-me à Europa, eu vejo, por um lado, um projecto supranacional assente numa moeda comum, numa crescente união bancária e numa federalização que poderá prosseguir de maneira explícita ou apenas paulatinamente. Este projecto tem sido apoiado fundamentalmente pela tecnocracia de centro-direita e de centro-esquerda. Por outro lado, vejo um projecto de supranacionalização centrado na Rússia, exportadora de uma matéria-prima energética fundamental, e prometendo respeitar soberanias que na prática o capital transnacional já deixou muito limitadas. Este segundo projecto está a receber o apoio da extrema-direita fascista ou conservadora e do que resta do antigo comunismo pró-soviético. O &lt;em&gt;Passa Palavra&lt;/em&gt; tem procurado mostrar, ao longo de muitos artigos, que o abandono do euro e a desagregação da União Europeia teriam para a classe trabalhadora consequências económicas ainda mais gravosas do que as resultantes hoje das medidas de austeridade. Para usar a terminologia marxista, enquanto no primeiro projecto predomina a mais-valia relativa, no segundo predominaria a mais-valia absoluta, com os governos ditatoriais que sempre acompanham esta forma de exploração. Por isso temos considerado que este segundo projecto é o mais funesto para a classe trabalhadora, comprometendo-lhe as possibilidades de uma luta autónoma e dificultando-lhe a reorganização política.
Mas o mais grave de tudo está condensado no final deste seu segundo comentário, quando escreve: «Não vejo concretamente projetos supra-nacionais da parte da esquerda anticapitalista/radical.» Não os vê porque não existem. O que significa que a classe trabalhadora não tem actualmente um projecto político próprio. Pior ainda. Em Portugal, como em vários outros países, a grande maioria da esquerda procura agir num campo nacionalista secundarizado pela evolução do capital, enquanto os capitalistas agem no plano transnacional, que é o único com dinamismo. Gostaria de saber como se pode falar em crise do capitalismo quando neste momento o que assistimos é a uma profunda crise política da classe trabalhadora.
E a esquerda nacionalista, quando enaltece o projecto político antifederalista e anti-euro da extrema-direita europeia, prefere deixar no silêncio um componente essencial desse projecto — a hostilidade aos imigrantes. Agora e aqui, como sempre e em todos os lugares, o nacionalismo implica a clivagem entre os trabalhadores de cada país, o que, se é sempre funesto, é trágico quando ocorrem grandes movimentos migratórios. Peço-lhe, bem como aos restantes leitores, que leia &lt;a href=&quot;http://www.novaordemsocial.pt/2014/05/trabalho-e-emprego.html&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;&lt;em&gt;isto&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;. Trata-se do programa de uma nova tendência fascista radical portuguesa, que alinha sete reivindicações que, à primeira vista, deixam ultrapassado tudo o que a extrema-esquerda portuguesa ousa propor. Mas a oitava reivindicação é: «Preferência ao trabalhador nacional no acesso ao posto de trabalho». O nacionalismo é isto, tanto neste manifesto de uma força periférica como nos manifestos das forças de extrema-direita mais importantes; e são estas as implicações reais do programa do Front National francês, que o Partido Comunista considera «progressista» e a cujo apoio concita o Bloco de Esquerda. Se mesmo os imigrantes oriundos da União Europeia deparam com dificuldades crescentes, para não falar dos que vêm de fora da União, imagine-se o que significaria o encerramento do projecto federalista e o estabelecimento de uma «Europa das nações».]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nantess0r,<br />
O capital está transnacionalizado e as grandes companhias transnacionais assumiram não só tarefas que antes cabiam aos governos como também algumas que cabiam a instituições internacionais decorrentes da ONU ou do Banco Mundial. Veja-se como mero exemplo a actuação da Petrobras ou da Odebrecht ou ainda da Vale, nomeadamente em vários países africanos, não só nos de língua portuguesa. Neste contexto, evocar o reforço das soberanias parece-me uma demagogia vocacionada para os pequenos patrões e para os sectores da classe trabalhadora que deles dependem. Trata-se de uma <em>falsa consciência</em>, que serve para manipular politicamente e para obscurecer a percepção da realidade.<br />
No fundamental, e cingindo-me à Europa, eu vejo, por um lado, um projecto supranacional assente numa moeda comum, numa crescente união bancária e numa federalização que poderá prosseguir de maneira explícita ou apenas paulatinamente. Este projecto tem sido apoiado fundamentalmente pela tecnocracia de centro-direita e de centro-esquerda. Por outro lado, vejo um projecto de supranacionalização centrado na Rússia, exportadora de uma matéria-prima energética fundamental, e prometendo respeitar soberanias que na prática o capital transnacional já deixou muito limitadas. Este segundo projecto está a receber o apoio da extrema-direita fascista ou conservadora e do que resta do antigo comunismo pró-soviético. O <em>Passa Palavra</em> tem procurado mostrar, ao longo de muitos artigos, que o abandono do euro e a desagregação da União Europeia teriam para a classe trabalhadora consequências económicas ainda mais gravosas do que as resultantes hoje das medidas de austeridade. Para usar a terminologia marxista, enquanto no primeiro projecto predomina a mais-valia relativa, no segundo predominaria a mais-valia absoluta, com os governos ditatoriais que sempre acompanham esta forma de exploração. Por isso temos considerado que este segundo projecto é o mais funesto para a classe trabalhadora, comprometendo-lhe as possibilidades de uma luta autónoma e dificultando-lhe a reorganização política.<br />
Mas o mais grave de tudo está condensado no final deste seu segundo comentário, quando escreve: «Não vejo concretamente projetos supra-nacionais da parte da esquerda anticapitalista/radical.» Não os vê porque não existem. O que significa que a classe trabalhadora não tem actualmente um projecto político próprio. Pior ainda. Em Portugal, como em vários outros países, a grande maioria da esquerda procura agir num campo nacionalista secundarizado pela evolução do capital, enquanto os capitalistas agem no plano transnacional, que é o único com dinamismo. Gostaria de saber como se pode falar em crise do capitalismo quando neste momento o que assistimos é a uma profunda crise política da classe trabalhadora.<br />
E a esquerda nacionalista, quando enaltece o projecto político antifederalista e anti-euro da extrema-direita europeia, prefere deixar no silêncio um componente essencial desse projecto — a hostilidade aos imigrantes. Agora e aqui, como sempre e em todos os lugares, o nacionalismo implica a clivagem entre os trabalhadores de cada país, o que, se é sempre funesto, é trágico quando ocorrem grandes movimentos migratórios. Peço-lhe, bem como aos restantes leitores, que leia <a href="http://www.novaordemsocial.pt/2014/05/trabalho-e-emprego.html" rel="nofollow"><em>isto</em></a>. Trata-se do programa de uma nova tendência fascista radical portuguesa, que alinha sete reivindicações que, à primeira vista, deixam ultrapassado tudo o que a extrema-esquerda portuguesa ousa propor. Mas a oitava reivindicação é: «Preferência ao trabalhador nacional no acesso ao posto de trabalho». O nacionalismo é isto, tanto neste manifesto de uma força periférica como nos manifestos das forças de extrema-direita mais importantes; e são estas as implicações reais do programa do Front National francês, que o Partido Comunista considera «progressista» e a cujo apoio concita o Bloco de Esquerda. Se mesmo os imigrantes oriundos da União Europeia deparam com dificuldades crescentes, para não falar dos que vêm de fora da União, imagine-se o que significaria o encerramento do projecto federalista e o estabelecimento de uma «Europa das nações».</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Nantess0r		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/06/96041/#comment-235132</link>

		<dc:creator><![CDATA[Nantess0r]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Jun 2014 15:23:04 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=96041#comment-235132</guid>

					<description><![CDATA[João Bernardo,

Já li o seu artigo sobre Dugin, de fato muito interessante. Me referia à conjuntura atual, na verdade. Concordo com suas observações sobre a intercambialidade entre direita e esquerda através da questão nacional - apenas acho que ela também pode existir através de saídas &quot;europeístas&quot;. 

Quanto aos tipos de supra-nacionalização a que se refere, gostaria de saber quais são. Na minha opinião, só existem dois projetos atuando nesse sentido - o da direita (mais ou menos) radical via, principalmente, Rússia ou o da tecnocracia da UE. Não vejo concretamente projetos supra-nacionais da parte da esquerda anticapitalista/radical. Que acha?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João Bernardo,</p>
<p>Já li o seu artigo sobre Dugin, de fato muito interessante. Me referia à conjuntura atual, na verdade. Concordo com suas observações sobre a intercambialidade entre direita e esquerda através da questão nacional &#8211; apenas acho que ela também pode existir através de saídas &#8220;europeístas&#8221;. </p>
<p>Quanto aos tipos de supra-nacionalização a que se refere, gostaria de saber quais são. Na minha opinião, só existem dois projetos atuando nesse sentido &#8211; o da direita (mais ou menos) radical via, principalmente, Rússia ou o da tecnocracia da UE. Não vejo concretamente projetos supra-nacionais da parte da esquerda anticapitalista/radical. Que acha?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/06/96041/#comment-235065</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Jun 2014 09:23:47 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=96041#comment-235065</guid>

					<description><![CDATA[Nantess0r,
Penso que as suas observações deveriam na verdade ter sido dirigidas ao texto do &lt;em&gt;resistir.info&lt;/em&gt; que eu cito. Nem neste meu comentário nem em qualquer outro lugar eu escrevi que a extrema-direita radical é alheia aos projectos supranacionais. Pelo contrário. Tanto no livro que dediquei ao fascismo como em artigos publicados aqui no &lt;em&gt;Passa Palavra&lt;/em&gt; abordei esse processo de supranacionalidade, sobretudo a propósito do Terceiro Reich. Quanto a Dugin, remeto-o para o meu artigo &lt;a href=&quot;http://passapalavra.info/2012/09/63916&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;«Alexander Dugin: o artigo que não escrevi»&lt;/a&gt;. Aproveito para indicar que no número de 19 de Abril deste ano, na pág. 24, &lt;em&gt;The Economist&lt;/em&gt; publicou um artigo muito interessante acerca das relações de Putin com a extrema-direita europeia, tanto fascista como conservadora. O que está em jogo é uma disputa entre dois tipos de supranacionalização, como não pode deixar de ser numa época de transnacionalização do capital. De qualquer modo, o objectivo do meu comentário foi o de chamar a atenção para o facto de um site da área do Partido Comunista considerar «progressista» o programa proposto pelos fascistas e criticar a esquerda francesa por não ter apoiado esse programa. Quando alertamos para os riscos da fusão do &lt;em&gt;social&lt;/em&gt; no &lt;em&gt;nacional&lt;/em&gt; e para o perigo da convergência de uma certa esquerda com a extrema-direita, aquele texto do &lt;em&gt;resistir.info&lt;/em&gt; mostra que temos razão.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nantess0r,<br />
Penso que as suas observações deveriam na verdade ter sido dirigidas ao texto do <em>resistir.info</em> que eu cito. Nem neste meu comentário nem em qualquer outro lugar eu escrevi que a extrema-direita radical é alheia aos projectos supranacionais. Pelo contrário. Tanto no livro que dediquei ao fascismo como em artigos publicados aqui no <em>Passa Palavra</em> abordei esse processo de supranacionalidade, sobretudo a propósito do Terceiro Reich. Quanto a Dugin, remeto-o para o meu artigo <a href="http://passapalavra.info/2012/09/63916" rel="nofollow">«Alexander Dugin: o artigo que não escrevi»</a>. Aproveito para indicar que no número de 19 de Abril deste ano, na pág. 24, <em>The Economist</em> publicou um artigo muito interessante acerca das relações de Putin com a extrema-direita europeia, tanto fascista como conservadora. O que está em jogo é uma disputa entre dois tipos de supranacionalização, como não pode deixar de ser numa época de transnacionalização do capital. De qualquer modo, o objectivo do meu comentário foi o de chamar a atenção para o facto de um site da área do Partido Comunista considerar «progressista» o programa proposto pelos fascistas e criticar a esquerda francesa por não ter apoiado esse programa. Quando alertamos para os riscos da fusão do <em>social</em> no <em>nacional</em> e para o perigo da convergência de uma certa esquerda com a extrema-direita, aquele texto do <em>resistir.info</em> mostra que temos razão.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Nantess0r		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/06/96041/#comment-234957</link>

		<dc:creator><![CDATA[Nantess0r]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Jun 2014 02:59:08 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=96041#comment-234957</guid>

					<description><![CDATA[João Bernardo, você dá a entender que projetos supra-nacionais &quot;escapam&quot; do campo da direita radical. Ora, a própria Le Pen, que lembraram aqui aponta nesse sentido de projeto supra-nacional: é contra a UE, mas não contra a Europa. Cabe lembrar que Le Pen já disse ser simpática a Putin, que está tentando rearticular projetos supra-nacionais e que possui como ideólogo para-oficial Alekansdr Dugin - que, para além de propôr um projeto geopolítico supra-nacional, a Eurásia (inspirado em larga medida em Jean Thiriart e Carl Schmitt, outros dois propositores de algo bem diverso do nacionalismo), possui conexões com defensores da superação do nacionalismo, como Alain de Benoist.

Talvez a saída &quot;europeísta&quot; não seja tão imune à direita radical quanto você acha.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João Bernardo, você dá a entender que projetos supra-nacionais &#8220;escapam&#8221; do campo da direita radical. Ora, a própria Le Pen, que lembraram aqui aponta nesse sentido de projeto supra-nacional: é contra a UE, mas não contra a Europa. Cabe lembrar que Le Pen já disse ser simpática a Putin, que está tentando rearticular projetos supra-nacionais e que possui como ideólogo para-oficial Alekansdr Dugin &#8211; que, para além de propôr um projeto geopolítico supra-nacional, a Eurásia (inspirado em larga medida em Jean Thiriart e Carl Schmitt, outros dois propositores de algo bem diverso do nacionalismo), possui conexões com defensores da superação do nacionalismo, como Alain de Benoist.</p>
<p>Talvez a saída &#8220;europeísta&#8221; não seja tão imune à direita radical quanto você acha.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Valente Aguiar		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/06/96041/#comment-234755</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Valente Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Jun 2014 10:29:36 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=96041#comment-234755</guid>

					<description><![CDATA[Num texto recente (http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2014/06/as-raizes-do-eurocepticismo.html) Alexandre Abreu considera que para contrapor ao avanço da extrema-direita é... responder com as mesmas teses da extrema-direita: «Infelizmente, como estamos agora a assistir pela Europa fora, os partidos anti-democráticos e xenófobos são quem está a ocupar mais rapidamente este espaço político [da nação], subvertendo estas legítimas aspirações. Se o campo democrático não assumir rapidamente que esta União Europeia, e sobretudo este Euro, têm mesmo de ser desmantelados para que uma Europa solidária e de progresso possa ser reconstruída, são sombrias as nuvens que se erguem no horizonte».
Portanto, quando a Marine Le Pen (http://www.jn.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=3947392) diz que «quer destruir a União Europeia, mas não a Europa», em que é que o eurocepticismo da líder da extrema-direita se distingue do eurocepticismo de determinada esquerda? Dito de outra maneira, Alexandre Abreu consegue dizer que para combater o avanço da extrema-direita nada melhor do que a esquerda pegar nas bandeiras da nação e do desmantelamento da UE. As bandeiras que a extrema-direita tem utilizado...

Quando uns à esquerda acham que as bandeiras da extrema-direita são de esquerda e progressistas (vd. comentário anterior), e outros, também à esquerda, acham que a esquerda deve retirar à extrema-direita as bandeiras do desmantelamento da UE (e já não apenas do euro), a fluidez semântica e discursiva fica de tal forma que torna porosas as fronteiras entre a chamada esquerda e a direita mais extrema.  Nunca a esquerda venceu a extrema-direita no campo da nação e, mesmo assim, alguns acham que vai ser desta... Como alguém terá dito há uns anos atrás, de derrota em derrota, rumo à vitória.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Num texto recente (<a href="http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2014/06/as-raizes-do-eurocepticismo.html" rel="nofollow ugc">http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2014/06/as-raizes-do-eurocepticismo.html</a>) Alexandre Abreu considera que para contrapor ao avanço da extrema-direita é&#8230; responder com as mesmas teses da extrema-direita: «Infelizmente, como estamos agora a assistir pela Europa fora, os partidos anti-democráticos e xenófobos são quem está a ocupar mais rapidamente este espaço político [da nação], subvertendo estas legítimas aspirações. Se o campo democrático não assumir rapidamente que esta União Europeia, e sobretudo este Euro, têm mesmo de ser desmantelados para que uma Europa solidária e de progresso possa ser reconstruída, são sombrias as nuvens que se erguem no horizonte».<br />
Portanto, quando a Marine Le Pen (<a href="http://www.jn.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=3947392" rel="nofollow ugc">http://www.jn.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=3947392</a>) diz que «quer destruir a União Europeia, mas não a Europa», em que é que o eurocepticismo da líder da extrema-direita se distingue do eurocepticismo de determinada esquerda? Dito de outra maneira, Alexandre Abreu consegue dizer que para combater o avanço da extrema-direita nada melhor do que a esquerda pegar nas bandeiras da nação e do desmantelamento da UE. As bandeiras que a extrema-direita tem utilizado&#8230;</p>
<p>Quando uns à esquerda acham que as bandeiras da extrema-direita são de esquerda e progressistas (vd. comentário anterior), e outros, também à esquerda, acham que a esquerda deve retirar à extrema-direita as bandeiras do desmantelamento da UE (e já não apenas do euro), a fluidez semântica e discursiva fica de tal forma que torna porosas as fronteiras entre a chamada esquerda e a direita mais extrema.  Nunca a esquerda venceu a extrema-direita no campo da nação e, mesmo assim, alguns acham que vai ser desta&#8230; Como alguém terá dito há uns anos atrás, de derrota em derrota, rumo à vitória.</p>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/06/96041/#comment-234744</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Jun 2014 09:38:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Vários artigos, tanto assinados pelo colectivo do &lt;em&gt;Passa Palavra&lt;/em&gt; como pelo João Valente Aguiar ou por mim próprio, têm alertado para a convergência entre a extrema-direita europeia e uma certa esquerda. Em Portugal essa convergência tem tido no Partido Comunista o principal motor, arrastando consigo algumas áreas do Bloco de Esquerda. Na sequência das eleições de 25 de Maio para o Parlamento Europeu a influência exercida pelo nacionalismo do Partido Comunista sobre o Bloco de Esquerda agravou-se. Neste contexto, é importante conhecer o que o site &lt;em&gt;resistir.info&lt;/em&gt;, da área do Partido Comunista, pensa sobre o programa da extrema-direita francesa: «Ainda que a referida senhora [Marine Le Pen] (ou o pai dela) sejam de extrema-direita, o programa que a Frente Nacional apresentou ao povo francês não era de extrema-direita. Muitas das suas propostas eram perfeitamente razoáveis, corajosas e até meritórias, como a saída do euro e da UE, a defesa de indústria nacional, a ruptura com a globalização, a independência frente aos ditames estado-unidenses. Teses como essas não são de extrema-direita. São, sim, progressistas. O fracasso de forças de esquerda francesas em assumirem a sua defesa é uma mancha que ficará na sua história.» Pode ler-se na íntegra &lt;a href=&quot;http://resistir.info/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;&lt;em&gt;aqui&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;. Ou seja, para o Partido Comunista, com a área do Bloco de Esquerda por ele influenciada, os fascistas franceses defendem um programa «progressista» e a esquerda francesa é criticada por não ter defendido um programa igual ao proposto pelos fascistas.
Se as lições da história nas décadas de 1920 e 1930 não são bastantes para esclarecer essa gente, bem pode o &lt;em&gt;Passa Palavra&lt;/em&gt; continuar a pregar no deserto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vários artigos, tanto assinados pelo colectivo do <em>Passa Palavra</em> como pelo João Valente Aguiar ou por mim próprio, têm alertado para a convergência entre a extrema-direita europeia e uma certa esquerda. Em Portugal essa convergência tem tido no Partido Comunista o principal motor, arrastando consigo algumas áreas do Bloco de Esquerda. Na sequência das eleições de 25 de Maio para o Parlamento Europeu a influência exercida pelo nacionalismo do Partido Comunista sobre o Bloco de Esquerda agravou-se. Neste contexto, é importante conhecer o que o site <em>resistir.info</em>, da área do Partido Comunista, pensa sobre o programa da extrema-direita francesa: «Ainda que a referida senhora [Marine Le Pen] (ou o pai dela) sejam de extrema-direita, o programa que a Frente Nacional apresentou ao povo francês não era de extrema-direita. Muitas das suas propostas eram perfeitamente razoáveis, corajosas e até meritórias, como a saída do euro e da UE, a defesa de indústria nacional, a ruptura com a globalização, a independência frente aos ditames estado-unidenses. Teses como essas não são de extrema-direita. São, sim, progressistas. O fracasso de forças de esquerda francesas em assumirem a sua defesa é uma mancha que ficará na sua história.» Pode ler-se na íntegra <a href="http://resistir.info/" rel="nofollow"><em>aqui</em></a>. Ou seja, para o Partido Comunista, com a área do Bloco de Esquerda por ele influenciada, os fascistas franceses defendem um programa «progressista» e a esquerda francesa é criticada por não ter defendido um programa igual ao proposto pelos fascistas.<br />
Se as lições da história nas décadas de 1920 e 1930 não são bastantes para esclarecer essa gente, bem pode o <em>Passa Palavra</em> continuar a pregar no deserto.</p>
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