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	Comentários sobre: Os BRICS e a esquerda da mais-valia relativa	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/07/97472/#comment-241840</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 19 Jul 2014 14:59:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A primeira teoria dos gestores — denominando eu com esta palavra aquilo a que na língua inglesa se chama &lt;em&gt;managers&lt;/em&gt; — foi elaborada e divulgada por Makhayski no exílio siberiano, nos anos de passagem do século XIX para o século XX. Os seus escritos foram muito lidos pelos condenados políticos na Sibéria e dali passaram ao interior do país e aos meios da emigração russa na Europa. Existe uma biografia de Makhayski (Marshall S. Shatz, &lt;em&gt;Jan Wacław Machajski. A Radical Critic of the Russian Intelligentsia and Socialism&lt;/em&gt;, Pittsburgh: University of Pittsburgh Press, 1989). As passagens principais da obra de Makhayski encontram-se reunidas numa antologia editada no Brasil (Maurício Tragtenberg (org.) &lt;em&gt;Marxismo Heterodoxo&lt;/em&gt;, São Paulo: Brasiliense, 1981).
A primeira guerra mundial, pela conjugação de esforços económicos que exigiu nos principais países beligerantes, gerando uma planificação central virada para a economia de guerra, desenvolveu muito a classe dos gestores e colocou-a pela primeira vez num lugar económico e político dominante. Inevitavelmente, esta transformação social suscitou a sua análise teórica, que ocorreu nos Estados Unidos na era pós-wilsoniana e também na Áustria e na Alemanha, salientando-se ali a figura de Rathenau. Ao mesmo tempo, a revolução russa pode — e, na minha opinião, deve — ser considerada como uma revolução proletária, isto é, camponesa e operária, que nos anos decisivos do chamado &lt;em&gt;comunismo de guerra&lt;/em&gt; se converteu numa revolução de gestores, consolidada depois pela NEP e pelos planos quinquenais.
Entretanto, na Alemanha da república de Weimar começaram também a proliferar teorias que não distinguiam claramente entre os gestores e os empregados de escritório, reunindo-os a todos no conceito ambíguo de &lt;em&gt;trabalhadores de colarinho branco&lt;/em&gt;. Este tipo de teorizações receberia mais tarde um novo alento nos Estados Unidos, sobretudo a partir da década de 1950. A realidade, porém, encarregou-se de distinguir muito claramente os gestores e os trabalhadores dos escritórios, aos quais se foram progressivamente aplicando as normas tayloristas, até que finalmente, na época actual, os microcomputadores ajudaram a converter os escritórios em fábricas de serviços.
Mas, regressando à época entre as duas guerras mundiais, as teorias sobre a classe dos gestores desenvolveram-se simultaneamente em cinco perspectivas políticas. 1) Entre os fascistas italianos, e em geral entre todos os fascistas mais ou menos influenciados pelas teorias corporativistas de Manoilescu, houve quem começasse a considerar a classe dos gestores como o meio social por excelência do regime. 2) O mesmo interesse pelos gestores começou a verificar-se nas democracias europeias. Na França e na Bélgica o tema da &lt;em&gt;economia organizada&lt;/em&gt; estava ligado à noção da existência de uma classe de gestores. Aliás, frequentemente estas concepções geradas na democracia se sobrepuseram às concepções caracterizadamente fascistas, uma convergência levada a cabo depois de 1940 na Europa ocupada pelo Terceiro Reich. 3) Nos Estados Unidos, sobretudo na era do &lt;em&gt;New Deal&lt;/em&gt;, as análises sobre a separação entre propriedade e controlo, entre accionistas e administradores, levou à formulação de teorias sobre a classe dos gestores. 4) Nos meios da social-democracia alemã e austríaca houve também quem analisasse esta nova classe dominante com acuidade e presciência. 5) Na União Soviética, nas prisões e nos campos de concentração a que os opositores de esquerda eram condenados, começou também — dolorosamente — a interpretar-se o novo poder bolchevista como um poder de classe dos gestores. O livro de Anton Ciliga (&lt;em&gt;Au Pays du Mensonge Déconcertant. Dix Ans Derrière le Rideau de Fer&lt;/em&gt;, Paris: Union Générale d’Éditions (10/18), 1977 [1ª ed. 1938]) e vários escritos de Victor Serge dão testemunho desta difícil gestação intelectual.
Entretanto, após a expulsão de Trotsky da União Soviética, todas aquelas pessoas e correntes que, cindindo de Trotsky, se situavam à sua esquerda, opunham a noção da existência de uma classe de gestores à noção trotskista de burocracia. Ocorreu aqui, no entanto, uma divisão em dois grandes campos: uns consideravam os gestores como uma classe capitalista, agente de um capitalismo de Estado; outros, considerando-os também como uma classe dominante e exploradora, admitiam que os gestores abriam uma nova época histórica, pós-capitalista. A este propósito pode ler-se com muito proveito Henri E. Morel («As Discussões sobre a Natureza dos Países de Leste (até à II Guerra Mundial): Nota Bibliográfica», em Artur J. Castro Neves (org.) &lt;em&gt;A Natureza da URSS (Antologia)&lt;/em&gt;, Porto: Afrontamento, 1977). O grupo &lt;em&gt;Socialisme ou Barbarie&lt;/em&gt;,  de que Castoriadis é o nome mais conhecido, vem na cauda do cortejo, como uma das derradeiras manifestações destas cisões repetidas.
Um dos últimos a romper com Trotsky, pouco antes do seu assassinato, foi James Burnham, que depois evoluiu para a direita, e graças a ele a interpretação originariamente esquerdista da classe dos gestores passou para as universidades norte-americanas e daí para as francesas, onde se juntou a outras interpretações directamente provenientes do esquerdismo, gerando um caldo de cultura propenso a este tipo de análises e que floresceu por ocasião da greve geral de Maio-Junho de 1968.
Quando eu comecei a dar aulas no Brasil, em 1984, e precisamente a dar aulas sobre a teoria da classe dos gestores, já estas noções tinham curso graças a Bresser-Pereira e ao saudoso Fernando Prestes Motta, que aliás a denominavam &lt;em&gt;tecnoburocracia&lt;/em&gt; (por exemplo, Luiz Carlos Bresser Pereira, &lt;em&gt;A Sociedade Estatal e a Tecnoburocracia&lt;/em&gt;, São Paulo: Brasiliense, 1981). Maurício Tragtenberg encontrava-se em estreita afinidade com este tipo de teorização e deve recordar-se, na mesma perspectiva, um livro de Maria de Lourdes Manzini Covre (&lt;em&gt;A Fala dos Homens. Análise do Pensamento Tecnocrático, 1964-1981&lt;/em&gt;, São Paulo: Brasiliense, 1983). Outras pessoas estavam a produzir análises convergentes. Entretanto, um número crescente de alunos começou a trabalhar no tema e, como sucede inevitavelmente, alguns tornaram-se professores, fazendo a roda girar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A primeira teoria dos gestores — denominando eu com esta palavra aquilo a que na língua inglesa se chama <em>managers</em> — foi elaborada e divulgada por Makhayski no exílio siberiano, nos anos de passagem do século XIX para o século XX. Os seus escritos foram muito lidos pelos condenados políticos na Sibéria e dali passaram ao interior do país e aos meios da emigração russa na Europa. Existe uma biografia de Makhayski (Marshall S. Shatz, <em>Jan Wacław Machajski. A Radical Critic of the Russian Intelligentsia and Socialism</em>, Pittsburgh: University of Pittsburgh Press, 1989). As passagens principais da obra de Makhayski encontram-se reunidas numa antologia editada no Brasil (Maurício Tragtenberg (org.) <em>Marxismo Heterodoxo</em>, São Paulo: Brasiliense, 1981).<br />
A primeira guerra mundial, pela conjugação de esforços económicos que exigiu nos principais países beligerantes, gerando uma planificação central virada para a economia de guerra, desenvolveu muito a classe dos gestores e colocou-a pela primeira vez num lugar económico e político dominante. Inevitavelmente, esta transformação social suscitou a sua análise teórica, que ocorreu nos Estados Unidos na era pós-wilsoniana e também na Áustria e na Alemanha, salientando-se ali a figura de Rathenau. Ao mesmo tempo, a revolução russa pode — e, na minha opinião, deve — ser considerada como uma revolução proletária, isto é, camponesa e operária, que nos anos decisivos do chamado <em>comunismo de guerra</em> se converteu numa revolução de gestores, consolidada depois pela NEP e pelos planos quinquenais.<br />
Entretanto, na Alemanha da república de Weimar começaram também a proliferar teorias que não distinguiam claramente entre os gestores e os empregados de escritório, reunindo-os a todos no conceito ambíguo de <em>trabalhadores de colarinho branco</em>. Este tipo de teorizações receberia mais tarde um novo alento nos Estados Unidos, sobretudo a partir da década de 1950. A realidade, porém, encarregou-se de distinguir muito claramente os gestores e os trabalhadores dos escritórios, aos quais se foram progressivamente aplicando as normas tayloristas, até que finalmente, na época actual, os microcomputadores ajudaram a converter os escritórios em fábricas de serviços.<br />
Mas, regressando à época entre as duas guerras mundiais, as teorias sobre a classe dos gestores desenvolveram-se simultaneamente em cinco perspectivas políticas. 1) Entre os fascistas italianos, e em geral entre todos os fascistas mais ou menos influenciados pelas teorias corporativistas de Manoilescu, houve quem começasse a considerar a classe dos gestores como o meio social por excelência do regime. 2) O mesmo interesse pelos gestores começou a verificar-se nas democracias europeias. Na França e na Bélgica o tema da <em>economia organizada</em> estava ligado à noção da existência de uma classe de gestores. Aliás, frequentemente estas concepções geradas na democracia se sobrepuseram às concepções caracterizadamente fascistas, uma convergência levada a cabo depois de 1940 na Europa ocupada pelo Terceiro Reich. 3) Nos Estados Unidos, sobretudo na era do <em>New Deal</em>, as análises sobre a separação entre propriedade e controlo, entre accionistas e administradores, levou à formulação de teorias sobre a classe dos gestores. 4) Nos meios da social-democracia alemã e austríaca houve também quem analisasse esta nova classe dominante com acuidade e presciência. 5) Na União Soviética, nas prisões e nos campos de concentração a que os opositores de esquerda eram condenados, começou também — dolorosamente — a interpretar-se o novo poder bolchevista como um poder de classe dos gestores. O livro de Anton Ciliga (<em>Au Pays du Mensonge Déconcertant. Dix Ans Derrière le Rideau de Fer</em>, Paris: Union Générale d’Éditions (10/18), 1977 [1ª ed. 1938]) e vários escritos de Victor Serge dão testemunho desta difícil gestação intelectual.<br />
Entretanto, após a expulsão de Trotsky da União Soviética, todas aquelas pessoas e correntes que, cindindo de Trotsky, se situavam à sua esquerda, opunham a noção da existência de uma classe de gestores à noção trotskista de burocracia. Ocorreu aqui, no entanto, uma divisão em dois grandes campos: uns consideravam os gestores como uma classe capitalista, agente de um capitalismo de Estado; outros, considerando-os também como uma classe dominante e exploradora, admitiam que os gestores abriam uma nova época histórica, pós-capitalista. A este propósito pode ler-se com muito proveito Henri E. Morel («As Discussões sobre a Natureza dos Países de Leste (até à II Guerra Mundial): Nota Bibliográfica», em Artur J. Castro Neves (org.) <em>A Natureza da URSS (Antologia)</em>, Porto: Afrontamento, 1977). O grupo <em>Socialisme ou Barbarie</em>,  de que Castoriadis é o nome mais conhecido, vem na cauda do cortejo, como uma das derradeiras manifestações destas cisões repetidas.<br />
Um dos últimos a romper com Trotsky, pouco antes do seu assassinato, foi James Burnham, que depois evoluiu para a direita, e graças a ele a interpretação originariamente esquerdista da classe dos gestores passou para as universidades norte-americanas e daí para as francesas, onde se juntou a outras interpretações directamente provenientes do esquerdismo, gerando um caldo de cultura propenso a este tipo de análises e que floresceu por ocasião da greve geral de Maio-Junho de 1968.<br />
Quando eu comecei a dar aulas no Brasil, em 1984, e precisamente a dar aulas sobre a teoria da classe dos gestores, já estas noções tinham curso graças a Bresser-Pereira e ao saudoso Fernando Prestes Motta, que aliás a denominavam <em>tecnoburocracia</em> (por exemplo, Luiz Carlos Bresser Pereira, <em>A Sociedade Estatal e a Tecnoburocracia</em>, São Paulo: Brasiliense, 1981). Maurício Tragtenberg encontrava-se em estreita afinidade com este tipo de teorização e deve recordar-se, na mesma perspectiva, um livro de Maria de Lourdes Manzini Covre (<em>A Fala dos Homens. Análise do Pensamento Tecnocrático, 1964-1981</em>, São Paulo: Brasiliense, 1983). Outras pessoas estavam a produzir análises convergentes. Entretanto, um número crescente de alunos começou a trabalhar no tema e, como sucede inevitavelmente, alguns tornaram-se professores, fazendo a roda girar.</p>
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		<title>
		Por: João Valente Aguiar		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/07/97472/#comment-241821</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Valente Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 19 Jul 2014 10:35:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Tonho,

a burguesia era a classe capitalista fundamentalmente proprietária jurídica dos meios de produção. No fundo, se há classe social próxima daquele ideal que a esquerda propaga de um indivíduo rico com cartola e a fumar um charuto é a burguesia.

Mas a complexificação dos processos de produção e o desenvolvimento das lutas sociais permitiram que surgisse uma outra classe capitalista que tem como principal função a direcção do processo de produção, tanto a nível global e macro como ao nível de cada empresa. Naturalmente a direcção e administração do processo de produção têm como objectivo duplo manter a integração de todo o sistema e expandir as oportunidades de acumulação de capital.

Sobre as lutas sociais, os gestores e a comichão que o conceito provoca. Os gestores representam uma classe heterogénea e que não apenas controlam as empresas, os organismos internacionais e o Estado num nível superior, como vai buscar dirigentes de organizações políticas burocratizadas. Esta fracção dos gestores permite controlar as lutas sociais e conduzi-las para ampliar os mecanismos da mais-valia relativa (ver meu comentário de dia 16).

Para terminar. Um indivíduo como George Soros é fundamentalmente um gestor e não um burguês, na medida em que não apenas visa o lucro mas porque o fornecimento de crédito para investimentos colossais é um dos instrumentos fundamentais de integração e regulação sistémica. Não é menos capitalista por isso. Bem pelo contrário.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tonho,</p>
<p>a burguesia era a classe capitalista fundamentalmente proprietária jurídica dos meios de produção. No fundo, se há classe social próxima daquele ideal que a esquerda propaga de um indivíduo rico com cartola e a fumar um charuto é a burguesia.</p>
<p>Mas a complexificação dos processos de produção e o desenvolvimento das lutas sociais permitiram que surgisse uma outra classe capitalista que tem como principal função a direcção do processo de produção, tanto a nível global e macro como ao nível de cada empresa. Naturalmente a direcção e administração do processo de produção têm como objectivo duplo manter a integração de todo o sistema e expandir as oportunidades de acumulação de capital.</p>
<p>Sobre as lutas sociais, os gestores e a comichão que o conceito provoca. Os gestores representam uma classe heterogénea e que não apenas controlam as empresas, os organismos internacionais e o Estado num nível superior, como vai buscar dirigentes de organizações políticas burocratizadas. Esta fracção dos gestores permite controlar as lutas sociais e conduzi-las para ampliar os mecanismos da mais-valia relativa (ver meu comentário de dia 16).</p>
<p>Para terminar. Um indivíduo como George Soros é fundamentalmente um gestor e não um burguês, na medida em que não apenas visa o lucro mas porque o fornecimento de crédito para investimentos colossais é um dos instrumentos fundamentais de integração e regulação sistémica. Não é menos capitalista por isso. Bem pelo contrário.</p>
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		<title>
		Por: Passa Palavra		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/07/97472/#comment-241813</link>

		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 19 Jul 2014 07:53:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Por qualquer razão que não entendemos, o comentário assinado Tonho tinha sido automaticamente classificado como spam. Está agora publicado.

O coletivo Passa Palavra]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por qualquer razão que não entendemos, o comentário assinado Tonho tinha sido automaticamente classificado como spam. Está agora publicado.</p>
<p>O coletivo Passa Palavra</p>
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		<title>
		Por: Tonho		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/07/97472/#comment-241700</link>

		<dc:creator><![CDATA[Tonho]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 19 Jul 2014 07:51:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O problema do texto é essa categoria esquisita dos &quot;gestores&quot;, como se fossem algo separado da burguesia.
Marx já distinguia capital-propriedade do capital-função. Os tais &quot;gestores&quot;, apesar de formalmente serem assalariados, são parte integrante das classes dominantes capitalistas. Os salários altíssimos permitem-nos acumular patrimônio financeiro e imobiliário. Na verdade, o &quot;salário&quot; dos gestores capitalistas não é &quot;salário&quot; no mesmo sentido que do operário. Eles não estão &quot;vendendo&quot; a sua força de trabalho. É uma forma dissimulada de usufruir do valor extraído da mais-valia, participando na acumulação de capital. Trata-se, na verdade, de uma espécie de &quot;burguesia assalariada&quot;. É bizarro sim, mas não se deve confundir a forma jurídica com as relações de produção.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O problema do texto é essa categoria esquisita dos &#8220;gestores&#8221;, como se fossem algo separado da burguesia.<br />
Marx já distinguia capital-propriedade do capital-função. Os tais &#8220;gestores&#8221;, apesar de formalmente serem assalariados, são parte integrante das classes dominantes capitalistas. Os salários altíssimos permitem-nos acumular patrimônio financeiro e imobiliário. Na verdade, o &#8220;salário&#8221; dos gestores capitalistas não é &#8220;salário&#8221; no mesmo sentido que do operário. Eles não estão &#8220;vendendo&#8221; a sua força de trabalho. É uma forma dissimulada de usufruir do valor extraído da mais-valia, participando na acumulação de capital. Trata-se, na verdade, de uma espécie de &#8220;burguesia assalariada&#8221;. É bizarro sim, mas não se deve confundir a forma jurídica com as relações de produção.</p>
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		<title>
		Por: Passa Palavra		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/07/97472/#comment-241779</link>

		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Jul 2014 20:53:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Tonho,

Não houve nenhum comentário com a sua assinatura e sobre esse assunto que tivesse sido excluído.
O &lt;em&gt;Passa Palavra&lt;/em&gt; só exclui comentários insultuosos, de extrema-direita, fascistas ou irrelevantes para a discussão, conforme está anunciado &lt;a href=&quot;http://passapalavra.info/2009/02/200&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;na nossa política editorial&lt;/a&gt;.

O colectivo do Passa Palavra]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tonho,</p>
<p>Não houve nenhum comentário com a sua assinatura e sobre esse assunto que tivesse sido excluído.<br />
O <em>Passa Palavra</em> só exclui comentários insultuosos, de extrema-direita, fascistas ou irrelevantes para a discussão, conforme está anunciado <a href="http://passapalavra.info/2009/02/200" rel="nofollow">na nossa política editorial</a>.</p>
<p>O colectivo do Passa Palavra</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Tonho		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/07/97472/#comment-241774</link>

		<dc:creator><![CDATA[Tonho]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Jul 2014 20:18:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Gostei da postura democrática com o meu comentário sobre a categoria de &quot;gestores&quot;, que simplesmente SUMIU. Acho que é porque o texto inteiro se baseava nesta mistificação e numa outra: a ideia de um &quot;modelo BRICS&quot;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gostei da postura democrática com o meu comentário sobre a categoria de &#8220;gestores&#8221;, que simplesmente SUMIU. Acho que é porque o texto inteiro se baseava nesta mistificação e numa outra: a ideia de um &#8220;modelo BRICS&#8221;.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Valente Aguiar		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/07/97472/#comment-241472</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Valente Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Jul 2014 21:00:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Exílio Mondrian,

«podemos chegar a conclusão de que a ausência de lutas autônomas (ou seja, lutas que ultrapassam os conflitos e negociações meramente burocráticas) enfraquece o desenvolvimento da produtividade no capitalismo?»

Sim. Por exemplo o caso europeu e norte-americano mostra isso mesmo: zonas com menos lutas autónomas, mesmo que embrionárias, retiram pressão aos capitalistas para se renovarem. Mas esta questão deve ser vista num âmbito mais alargado. Por exemplo, os efeitos das lutas autónomas na China, na Itália, na França, nos EUA, na Polónia, na Alemanha, no Brasil, em Portugal, etc. ainda hoje estão presentes em vários dos principais mecanismos do toyotismo: dar controlo ao trabalhador na cadeia de produção (controlo para tomar decisões sobre aspectos muito específicos e técnicos do processo de produção, não sobre a produção em geral); círculos de controlo de qualidade; criatividade; utilização do trabalho intelectual; rede internacional de organização, etc. Nesse sentido, o toyotismo e os seus princípios continuam a expandir-se para os BRICS e vários outros países emergentes, o que demonstra o quanto o potencial e o impacto daquelas lutas continuam incorporados (e modificados) 40 ou 50 anos depois.

«Se pensarmos em uma sociedade como foi a União Soviética, podemos colocar o desenvolvimento burocrática da vida social – com as lutas autônomas que poderiam estimular a ampliação da produtividade sendo represadas e reprimidas – como um dos motivos centrais para a sua derrocada?»

Sim. Até porque à internacionalização das lutas sociais os capitalistas têm respondido com a crescente internacionalização dos negócios. Essa tendência não é directa, mas à onda internacional de 1916-21 verificou-se que  a resposta nacionalista dos fascismos não foi capaz de desbloquear o desenvolvimento da mais-valia relativa. Mas o contexto 1945-75 é um avanço na internacionalização relativamente ao período 1929-45. Relativamente à onda internacional de lutas dos anos 60 e 70 os capitalistas responderam com uma internacionalização que ainda hoje continua (vd. Banco de Desenvolvimento para os BRICS ou o TTIP entre os EUA e a UE). Nesse sentido, o chamado bloco socialista era muito menos internacionalizado nas suas relações internas do que o capitalismo ocidental. Nesse sentido, esse é também um aspecto que demonstra o quanto o menor efeito das lutas sociais nos países capitalistas de Estado bloquearam o desenvolvimento da mais-valia relativa. De referir que quando falo em menor efeito nestes países estou a falar unicamente do que o sistema incorporava não propriamente a maior ou menor intensidade das lutas, que as houve e foram massivas. A questão é que os mecanismos da mais-valia absoluta reprimem, prendem, perseguem e chacinam. Na mais-valia relativa o Estado reprime e as empresas incorporam aspectos que lhes interessam.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Exílio Mondrian,</p>
<p>«podemos chegar a conclusão de que a ausência de lutas autônomas (ou seja, lutas que ultrapassam os conflitos e negociações meramente burocráticas) enfraquece o desenvolvimento da produtividade no capitalismo?»</p>
<p>Sim. Por exemplo o caso europeu e norte-americano mostra isso mesmo: zonas com menos lutas autónomas, mesmo que embrionárias, retiram pressão aos capitalistas para se renovarem. Mas esta questão deve ser vista num âmbito mais alargado. Por exemplo, os efeitos das lutas autónomas na China, na Itália, na França, nos EUA, na Polónia, na Alemanha, no Brasil, em Portugal, etc. ainda hoje estão presentes em vários dos principais mecanismos do toyotismo: dar controlo ao trabalhador na cadeia de produção (controlo para tomar decisões sobre aspectos muito específicos e técnicos do processo de produção, não sobre a produção em geral); círculos de controlo de qualidade; criatividade; utilização do trabalho intelectual; rede internacional de organização, etc. Nesse sentido, o toyotismo e os seus princípios continuam a expandir-se para os BRICS e vários outros países emergentes, o que demonstra o quanto o potencial e o impacto daquelas lutas continuam incorporados (e modificados) 40 ou 50 anos depois.</p>
<p>«Se pensarmos em uma sociedade como foi a União Soviética, podemos colocar o desenvolvimento burocrática da vida social – com as lutas autônomas que poderiam estimular a ampliação da produtividade sendo represadas e reprimidas – como um dos motivos centrais para a sua derrocada?»</p>
<p>Sim. Até porque à internacionalização das lutas sociais os capitalistas têm respondido com a crescente internacionalização dos negócios. Essa tendência não é directa, mas à onda internacional de 1916-21 verificou-se que  a resposta nacionalista dos fascismos não foi capaz de desbloquear o desenvolvimento da mais-valia relativa. Mas o contexto 1945-75 é um avanço na internacionalização relativamente ao período 1929-45. Relativamente à onda internacional de lutas dos anos 60 e 70 os capitalistas responderam com uma internacionalização que ainda hoje continua (vd. Banco de Desenvolvimento para os BRICS ou o TTIP entre os EUA e a UE). Nesse sentido, o chamado bloco socialista era muito menos internacionalizado nas suas relações internas do que o capitalismo ocidental. Nesse sentido, esse é também um aspecto que demonstra o quanto o menor efeito das lutas sociais nos países capitalistas de Estado bloquearam o desenvolvimento da mais-valia relativa. De referir que quando falo em menor efeito nestes países estou a falar unicamente do que o sistema incorporava não propriamente a maior ou menor intensidade das lutas, que as houve e foram massivas. A questão é que os mecanismos da mais-valia absoluta reprimem, prendem, perseguem e chacinam. Na mais-valia relativa o Estado reprime e as empresas incorporam aspectos que lhes interessam.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Exílio Mondrian		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/07/97472/#comment-241436</link>

		<dc:creator><![CDATA[Exílio Mondrian]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Jul 2014 16:51:31 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=97472#comment-241436</guid>

					<description><![CDATA[Gostaria de fazer uma pergunta:

A partir da seguinte afirmação (permitam-me citar textualmente) - &quot;Por isso é que as lutas sociais autónomas são sempre positivas. Na melhor das hipóteses podem desaguar numa nova sociedade. Na pior das hipóteses, obrigam os gestores a reformular os mecanismos de extracção do excedente económico&quot; -, podemos chegar a conclusão de que a ausência de lutas autônomas (ou seja, lutas que ultrapassam os conflitos e negociações meramente burocráticas) enfraquece o desenvolvimento da produtividade no capitalismo? 

Se pensarmos em uma sociedade como foi a União Soviética, podemos colocar o desenvolvimento burocrática da vida social - com as lutas autônomas que poderiam estimular a ampliação da produtividade sendo represadas e reprimidas - como um dos motivos centrais para a sua derrocada?

Tudo isso posto, o capitalismo &quot;prefere&quot; as lutas autônomas - desde, é claro, que o próprio sistema consiga posteriormente se readaptar seu funcionamento e enquadrar esses conflitos em estruturas institucionais burocráticas. É isso mesmo? O capitalismo sempre se expande e se renova com a participação de algumas pessoas que participaram dessas lutas autônomas - e não com pessoas que meramente tentam reprimir esse anseio de mudança. Podemos afirmar isso?

Sei que foram perguntas e afirmações numerosas. Com efeito, gostaria de ouvir o João Valente Aguiar, o João Bernardo e, claro, todos que se interessarem sobre esse tema - que considero fundamental.

Só para constar (apesar de julgar desnecessário - mas, nos dias de hoje, a interpretação de um texto está sendo uma das tarefas mais difíceis para alguns setores da esquerda): não estou a defender que a burocratização das lutas seja a melhor saída, já que o desenvolvimento ficaria emperrado. Miséria só gera miséria - e vice-versa, teórica e praticamente. João Valente já  foi claro nesse ponto, ao falar da melhor e pior hipótese das positivas lutas autônomas.

Desde já muito obrigado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gostaria de fazer uma pergunta:</p>
<p>A partir da seguinte afirmação (permitam-me citar textualmente) &#8211; &#8220;Por isso é que as lutas sociais autónomas são sempre positivas. Na melhor das hipóteses podem desaguar numa nova sociedade. Na pior das hipóteses, obrigam os gestores a reformular os mecanismos de extracção do excedente económico&#8221; -, podemos chegar a conclusão de que a ausência de lutas autônomas (ou seja, lutas que ultrapassam os conflitos e negociações meramente burocráticas) enfraquece o desenvolvimento da produtividade no capitalismo? </p>
<p>Se pensarmos em uma sociedade como foi a União Soviética, podemos colocar o desenvolvimento burocrática da vida social &#8211; com as lutas autônomas que poderiam estimular a ampliação da produtividade sendo represadas e reprimidas &#8211; como um dos motivos centrais para a sua derrocada?</p>
<p>Tudo isso posto, o capitalismo &#8220;prefere&#8221; as lutas autônomas &#8211; desde, é claro, que o próprio sistema consiga posteriormente se readaptar seu funcionamento e enquadrar esses conflitos em estruturas institucionais burocráticas. É isso mesmo? O capitalismo sempre se expande e se renova com a participação de algumas pessoas que participaram dessas lutas autônomas &#8211; e não com pessoas que meramente tentam reprimir esse anseio de mudança. Podemos afirmar isso?</p>
<p>Sei que foram perguntas e afirmações numerosas. Com efeito, gostaria de ouvir o João Valente Aguiar, o João Bernardo e, claro, todos que se interessarem sobre esse tema &#8211; que considero fundamental.</p>
<p>Só para constar (apesar de julgar desnecessário &#8211; mas, nos dias de hoje, a interpretação de um texto está sendo uma das tarefas mais difíceis para alguns setores da esquerda): não estou a defender que a burocratização das lutas seja a melhor saída, já que o desenvolvimento ficaria emperrado. Miséria só gera miséria &#8211; e vice-versa, teórica e praticamente. João Valente já  foi claro nesse ponto, ao falar da melhor e pior hipótese das positivas lutas autônomas.</p>
<p>Desde já muito obrigado.</p>
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		<title>
		Por: Caio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2014/07/97472/#comment-241428</link>

		<dc:creator><![CDATA[Caio]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Jul 2014 15:52:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Centrais e confederações sindicais dos cinco países se reúnem com Dilma Rousseff para pedir participação no banco dos BRICS
http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,sindicatos-vao-pedir-a-dilma-participacao-no-banco-do-brics,1529125]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Centrais e confederações sindicais dos cinco países se reúnem com Dilma Rousseff para pedir participação no banco dos BRICS<br />
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