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	Comentários sobre: Direito e transição socialista: (1) Determinações básicas para a análise do Jurídico	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/04/103934/#comment-289969</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2015 18:53:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Oi Pablo, tudo bem?

Agradeço as sugestões de leitura (já até li algumas delas, inclusive). Como ainda tenho muitos dos textos de vocês pra ler, não vou expor muitas opiniões sobre (pra não ficar questionando muitos pontos possivelmente já tratados nos textos ainda não lidos por mim), mas te pergunto se você discorda do seguinte, dito por mim mesmo no meu outro comentário: as &quot;circunstâncias com as quais lidamos hoje no Brasil&quot; (são) &quot;de uma esquerda pequena e relativamente mal organizada (acho eu), de um povo desinformado das causas dos problemas que enfrenta&quot;. Você acha que essa visão está distorcida, de alguma forma? Aproveito pra colocar mais um ponto: você acha que a situação vivida por nós (o mundo de agora) encontra algum paralelo histórico? E aqui toco especialmente na questão do &quot;tamanho&quot; que tudo tem tomado de sessenta, setenta ou oitenta anos pra cá. Pergunto isso pq tenho também a impressão de que a globalização fortalece e solidifica uma série de realidades imaginárias, o que faz, obviamente, que elas fiquem um tanto mais difíceis de se mudar (ou mesmo de se imaginar que elas possam ser mudadas, na cabeça de muita gnt). E ainda um outro fator, tb fortalecedor das nossas realidades imaginárias e ainda mais complicado pela perversidade dissimulada que pode assumir, é a força da &quot;informação&quot;, a força da grande mídia, que é inegável nas grandes massas aqui do Brasil (e, creio eu, de tantos outros países). Força essa que frequentemente engana sobre os motivos mesmos dos problemas, quando não através da relativização, através  de transferências de responsabilidade, de bombardeio de situações, escândalos, novidades e/ou entretenimento. 
Parecem ser muitas as cordas que seguram o capital, e mais espessas que nunca, vc não concorda? Sendo assim, esperar que a massa se enerve com as condições precárias (msm com tantos &quot;apaziguadores do sistema do capital&quot;), como parece ser o sugerido nos textos sobre autonomia como algo que, naturalmente, alguma hora acontece, não é esperar por condições de caos humano antes que apareça possibilidade de mudança? Não é aceitar que em sociedades onde a exploração é &quot;humana&quot; (em oposição a &quot;exploração selvagem&quot;) tal transição nunca se dará? Ou, caso exista a transição nesses casos de sociedades com &quot;menor grau de exploração&quot;, tal mudança não seria gradual, com um processo primário (já há muito em curso) de informação e educação da população (o que, naturalmente, motiva)?

Ah, uma última observação: eu não me referia a figuras &#039;detentoras da informação e da verdade&#039; liderando qualquer tipo de movimento, mas apenas à ideia de que pessoas que entendem a/acreditam na falta de liberdade em que vivemos, exploração rotineira, inconsistência e perversidade sistemáticas do capital, que essas pessoas precisam sempre levar isso adiante, por exemplo como vocês fazem com esse site. Esse é, entendo eu, um exemplo dos processos informativos, educativos e motivadores.

Mais uma vez agradeço.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Oi Pablo, tudo bem?</p>
<p>Agradeço as sugestões de leitura (já até li algumas delas, inclusive). Como ainda tenho muitos dos textos de vocês pra ler, não vou expor muitas opiniões sobre (pra não ficar questionando muitos pontos possivelmente já tratados nos textos ainda não lidos por mim), mas te pergunto se você discorda do seguinte, dito por mim mesmo no meu outro comentário: as &#8220;circunstâncias com as quais lidamos hoje no Brasil&#8221; (são) &#8220;de uma esquerda pequena e relativamente mal organizada (acho eu), de um povo desinformado das causas dos problemas que enfrenta&#8221;. Você acha que essa visão está distorcida, de alguma forma? Aproveito pra colocar mais um ponto: você acha que a situação vivida por nós (o mundo de agora) encontra algum paralelo histórico? E aqui toco especialmente na questão do &#8220;tamanho&#8221; que tudo tem tomado de sessenta, setenta ou oitenta anos pra cá. Pergunto isso pq tenho também a impressão de que a globalização fortalece e solidifica uma série de realidades imaginárias, o que faz, obviamente, que elas fiquem um tanto mais difíceis de se mudar (ou mesmo de se imaginar que elas possam ser mudadas, na cabeça de muita gnt). E ainda um outro fator, tb fortalecedor das nossas realidades imaginárias e ainda mais complicado pela perversidade dissimulada que pode assumir, é a força da &#8220;informação&#8221;, a força da grande mídia, que é inegável nas grandes massas aqui do Brasil (e, creio eu, de tantos outros países). Força essa que frequentemente engana sobre os motivos mesmos dos problemas, quando não através da relativização, através  de transferências de responsabilidade, de bombardeio de situações, escândalos, novidades e/ou entretenimento.<br />
Parecem ser muitas as cordas que seguram o capital, e mais espessas que nunca, vc não concorda? Sendo assim, esperar que a massa se enerve com as condições precárias (msm com tantos &#8220;apaziguadores do sistema do capital&#8221;), como parece ser o sugerido nos textos sobre autonomia como algo que, naturalmente, alguma hora acontece, não é esperar por condições de caos humano antes que apareça possibilidade de mudança? Não é aceitar que em sociedades onde a exploração é &#8220;humana&#8221; (em oposição a &#8220;exploração selvagem&#8221;) tal transição nunca se dará? Ou, caso exista a transição nesses casos de sociedades com &#8220;menor grau de exploração&#8221;, tal mudança não seria gradual, com um processo primário (já há muito em curso) de informação e educação da população (o que, naturalmente, motiva)?</p>
<p>Ah, uma última observação: eu não me referia a figuras &#8216;detentoras da informação e da verdade&#8217; liderando qualquer tipo de movimento, mas apenas à ideia de que pessoas que entendem a/acreditam na falta de liberdade em que vivemos, exploração rotineira, inconsistência e perversidade sistemáticas do capital, que essas pessoas precisam sempre levar isso adiante, por exemplo como vocês fazem com esse site. Esse é, entendo eu, um exemplo dos processos informativos, educativos e motivadores.</p>
<p>Mais uma vez agradeço.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/04/103934/#comment-289793</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Jun 2015 16:49:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Mário Pedrosa certa vez afirmou que:

&quot;Dentro da sociedade burguesa, outra sociedade se forma, nos subterrâneos das minas, nos cortiços e nas aglomerações suburbanas, sob os tetos das grandes usinas, nas cavernas das forjas e das caldeiras, no bojo das máquinas, ao contato dos motores. E ela tem a chave do mundo nas suas mãos grosseiras e escarvoadas. É este o único grupo social nascido com a máquina, despojado por ela, mas o único capaz de entender o seu segredo e que porá a sua grande mão violenta sobre o volante vertiginoso e selvagem do maquinismo [...]. Este mundo novo obriga todos os homens que ainda restam de fora a uma determinada posição social (Mário Pedrosa, &#039;As Tendências Sociais da Arte e Kaethe Kollwitz&#039;, O Homem Livre, 17 de Julho de 1933, Disponível em: http://bndigital.bn.br/hemeroteca-digital/)&quot;.

Ora, a classe trabalhadora não é mais toda ela de mãos grosseiras e escarvoadas, nem trabalha toda ela nos subterrâneos das minas, sob os tetos das grandes usinas, nas cavernas das forjas e das caldeiras, ao contato com os motores; no entanto, continua ela a ter a chave do mundo em suas mãos, e deverá ainda pôr a sua grande mão violenta sobre o volante vertiginoso e selvagem do maquinismo. Mas como é que se pode fazê-lo num processo? Num processo lento, gradual? Ou nos deparamos com uma ruptura imediata ou a revolução fica em suspenso e o capitalismo triunfa. A questão é: penso que a classe trabalhadora, deparando-se com uma nova modalidade de capitalismo, ainda não desenvolveu por completo uma nova modalidade de luta. E há um descompasso entre a ideologia e a prática, justamente porque a nova prática tem se dado de modo pouco sistemático: a ideologia fica carecendo, portanto, de sistematicidade. Não creio que somos nós - uma vanguarda de esquerda - quem deve educar a classe trabalhadora: o que estamos precisando é que ela que nos eduque pelo exemplo. Por outro lado, talvez sejamos nós que não estejamos prestando atenção às lições do presente que ela nos dá. Avaliar como têm se dado as lutas nos locais de trabalho é realmente necessário. Só daí poderá nascer uma nova ideologia da autogestão social, capaz de expressar novas relações e propor saídas inovadoras para os dilemas das lutas sociais.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mário Pedrosa certa vez afirmou que:</p>
<p>&#8220;Dentro da sociedade burguesa, outra sociedade se forma, nos subterrâneos das minas, nos cortiços e nas aglomerações suburbanas, sob os tetos das grandes usinas, nas cavernas das forjas e das caldeiras, no bojo das máquinas, ao contato dos motores. E ela tem a chave do mundo nas suas mãos grosseiras e escarvoadas. É este o único grupo social nascido com a máquina, despojado por ela, mas o único capaz de entender o seu segredo e que porá a sua grande mão violenta sobre o volante vertiginoso e selvagem do maquinismo [&#8230;]. Este mundo novo obriga todos os homens que ainda restam de fora a uma determinada posição social (Mário Pedrosa, &#8216;As Tendências Sociais da Arte e Kaethe Kollwitz&#8217;, O Homem Livre, 17 de Julho de 1933, Disponível em: <a href="http://bndigital.bn.br/hemeroteca-digital/" rel="nofollow ugc">http://bndigital.bn.br/hemeroteca-digital/</a>)&#8221;.</p>
<p>Ora, a classe trabalhadora não é mais toda ela de mãos grosseiras e escarvoadas, nem trabalha toda ela nos subterrâneos das minas, sob os tetos das grandes usinas, nas cavernas das forjas e das caldeiras, ao contato com os motores; no entanto, continua ela a ter a chave do mundo em suas mãos, e deverá ainda pôr a sua grande mão violenta sobre o volante vertiginoso e selvagem do maquinismo. Mas como é que se pode fazê-lo num processo? Num processo lento, gradual? Ou nos deparamos com uma ruptura imediata ou a revolução fica em suspenso e o capitalismo triunfa. A questão é: penso que a classe trabalhadora, deparando-se com uma nova modalidade de capitalismo, ainda não desenvolveu por completo uma nova modalidade de luta. E há um descompasso entre a ideologia e a prática, justamente porque a nova prática tem se dado de modo pouco sistemático: a ideologia fica carecendo, portanto, de sistematicidade. Não creio que somos nós &#8211; uma vanguarda de esquerda &#8211; quem deve educar a classe trabalhadora: o que estamos precisando é que ela que nos eduque pelo exemplo. Por outro lado, talvez sejamos nós que não estejamos prestando atenção às lições do presente que ela nos dá. Avaliar como têm se dado as lutas nos locais de trabalho é realmente necessário. Só daí poderá nascer uma nova ideologia da autogestão social, capaz de expressar novas relações e propor saídas inovadoras para os dilemas das lutas sociais.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/04/103934/#comment-289777</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Jun 2015 12:29:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ÓBVIO[?]...
Secta Nihilista ‏@SectaNihilista 25 de mai [DIXIT:]
Cuando cambias tus ideas y tu discurso para intentar conquistar algo de poder, es el Poder el que te ha conquistado a ti.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>ÓBVIO[?]&#8230;<br />
Secta Nihilista ‏@SectaNihilista 25 de mai [DIXIT:]<br />
Cuando cambias tus ideas y tu discurso para intentar conquistar algo de poder, es el Poder el que te ha conquistado a ti.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/04/103934/#comment-289766</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Jun 2015 08:39:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Lucas, 
para a tristeza (ou felicidade) dos professores bem intencionados, as revoluções, as lutas e as mudanças &quot;radicais&quot; não exigem um esclarecimento prévio. Aliás, o esclarecimento se dá conjuntamente à luta em marcha, e inclusive de modo retroativo: o amanhã permitindo entender o que houve ontem. Claro, todo mundo chega no momento da luta já tendo um cérebro com ideias dentro, mas nenhuma luta se coloca como radical graças à clareza de princípios e à vontade e determinação prévia dos revolucionários. A luta não depende prioritariamente de uma vontade política inabalável e bem-resolvida de um indivíduo ou de uma classe para se radicalizar. A vontade política descolada das condições objetivas está condenada a virar puro oportunismo impraticável, fraseologias. A luta não costuma surgir radical, ela é empurrada à radicalidade pelas próprias condições em que se dá, o contexto, o caráter integrável ou não da demanda imediata, a correlação de forças nos conflitos sociais, a forma organizativa posta em prática com vistas a conquistar o objetivo imediato etc. Por tudo isso, o papel do esclarecimento prévio costuma ser bem pequeno ou nenhum. Em geral os revolucionários profissionais, em especial (mas não só) militantes partidários, recusam essa verdade histórica, porque é justamente da suposta necessidade de dirigentes esclarecidos que transmitirão a consciência de classe para a massa trabalhadora que eles tiram sua razão de existir. Não se contentam em ser apenas um a mais a contribuir com o processo coletivo. Arrogam para si o direito de dirigir, por ter &quot;visão mais ampla&quot;, &quot;maior clareza estratégica&quot; etc.

Lhe peço que não leia minha série de artigos. Concordo com o que escrevi, mas a problemática é posta num nível muito abstrato, que tenho a impressão de que não lhe convém ler no momento. Se aceita a sugestão, leia os textos do site que partem de questões concretas e a partir daí tecem apontamentos teóricos mais abrangentes. Vasculhando o site você encontrará material em abundância. Esse site é campeão em abordar os temas assim, e hoje em dia considero essa a melhor forma. Apenas a título ilustrativo, indico os textos assinados Passa Palavra (em especial lhe interessará uma série recente, dedicada à &quot;autonomia&quot;), os textos de Leo Vinicius, Dokonal, Grouxo Marxista, Ex-bancário, Manolo, Caio Martins e Leonardo Cordeiro, João Bernardo. Deste último indico um de fora do site, mas que se encontra facilmente na internet: &quot;A autogestão da sociedade se prepara na autogestão das lutas&quot;. 
Abraços e não hesite em comentar os textos para dialogar, tirar dúvidas etc. Esse espaço rende bons debates e sempre se aprende muito passeando por aqui.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Lucas,<br />
para a tristeza (ou felicidade) dos professores bem intencionados, as revoluções, as lutas e as mudanças &#8220;radicais&#8221; não exigem um esclarecimento prévio. Aliás, o esclarecimento se dá conjuntamente à luta em marcha, e inclusive de modo retroativo: o amanhã permitindo entender o que houve ontem. Claro, todo mundo chega no momento da luta já tendo um cérebro com ideias dentro, mas nenhuma luta se coloca como radical graças à clareza de princípios e à vontade e determinação prévia dos revolucionários. A luta não depende prioritariamente de uma vontade política inabalável e bem-resolvida de um indivíduo ou de uma classe para se radicalizar. A vontade política descolada das condições objetivas está condenada a virar puro oportunismo impraticável, fraseologias. A luta não costuma surgir radical, ela é empurrada à radicalidade pelas próprias condições em que se dá, o contexto, o caráter integrável ou não da demanda imediata, a correlação de forças nos conflitos sociais, a forma organizativa posta em prática com vistas a conquistar o objetivo imediato etc. Por tudo isso, o papel do esclarecimento prévio costuma ser bem pequeno ou nenhum. Em geral os revolucionários profissionais, em especial (mas não só) militantes partidários, recusam essa verdade histórica, porque é justamente da suposta necessidade de dirigentes esclarecidos que transmitirão a consciência de classe para a massa trabalhadora que eles tiram sua razão de existir. Não se contentam em ser apenas um a mais a contribuir com o processo coletivo. Arrogam para si o direito de dirigir, por ter &#8220;visão mais ampla&#8221;, &#8220;maior clareza estratégica&#8221; etc.</p>
<p>Lhe peço que não leia minha série de artigos. Concordo com o que escrevi, mas a problemática é posta num nível muito abstrato, que tenho a impressão de que não lhe convém ler no momento. Se aceita a sugestão, leia os textos do site que partem de questões concretas e a partir daí tecem apontamentos teóricos mais abrangentes. Vasculhando o site você encontrará material em abundância. Esse site é campeão em abordar os temas assim, e hoje em dia considero essa a melhor forma. Apenas a título ilustrativo, indico os textos assinados Passa Palavra (em especial lhe interessará uma série recente, dedicada à &#8220;autonomia&#8221;), os textos de Leo Vinicius, Dokonal, Grouxo Marxista, Ex-bancário, Manolo, Caio Martins e Leonardo Cordeiro, João Bernardo. Deste último indico um de fora do site, mas que se encontra facilmente na internet: &#8220;A autogestão da sociedade se prepara na autogestão das lutas&#8221;.<br />
Abraços e não hesite em comentar os textos para dialogar, tirar dúvidas etc. Esse espaço rende bons debates e sempre se aprende muito passeando por aqui.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/04/103934/#comment-289760</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Jun 2015 06:07:00 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=103934#comment-289760</guid>

					<description><![CDATA[Pablo, Fagner e Diego,
muito obrigado pelas respostas. Foram muito esclarecedores e me deram muito o que ler e pensar. Eu não tenho muitas bases pra discutir o assunto em questão, mas me parece justo o diagnóstico de que o Estado, em qualquer circunstância, mantém a estrutura exploratória, se não com a &quot;permissão&quot; da exploração absolutamente selvagem, com o abrandamento das lutas de classes e do repúdio enérgico ao sistema do capital (uma certa domesticação popular). Digo também, Diego, que vc está certo ao observar que eu pensei a transição como um processo gradual que leve a transformações estruturais, e não como ruptura. Não sei se é necessário dizer, e tenham em mente que eu ainda não li nem msm os textos aqui do site (os do Pablo), mas acho que não existe outra forma (de transição), ou pelo menos não nas circunstâncias com as quais lidamos hoje no Brasil, de uma esquerda pequena e relativamente mal organizada (acho eu), de um povo desinformado das causas dos problemas que enfrenta e, por consequência, desprovido de vontade (e creio eu, secundariamente, também de energia e coragem) de mudança &quot;radical&quot;. O processo teria que ser, assim, primeiro um de educação, informação, e mesmo de motivação, pra que cheguemos num estágio como o da revolução de 1917, por exemplo, no qual existiu vontade massiva de informação (o que parece ter possibilitado a vontade de rompimento). Processo esse que sugere a impossibilidade de um &quot;modus operandi&quot; de fato revolucionário, de ruptura, pelo menos num futuro próximo, certo?
Mais uma vez os agradeço pela atenção.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pablo, Fagner e Diego,<br />
muito obrigado pelas respostas. Foram muito esclarecedores e me deram muito o que ler e pensar. Eu não tenho muitas bases pra discutir o assunto em questão, mas me parece justo o diagnóstico de que o Estado, em qualquer circunstância, mantém a estrutura exploratória, se não com a &#8220;permissão&#8221; da exploração absolutamente selvagem, com o abrandamento das lutas de classes e do repúdio enérgico ao sistema do capital (uma certa domesticação popular). Digo também, Diego, que vc está certo ao observar que eu pensei a transição como um processo gradual que leve a transformações estruturais, e não como ruptura. Não sei se é necessário dizer, e tenham em mente que eu ainda não li nem msm os textos aqui do site (os do Pablo), mas acho que não existe outra forma (de transição), ou pelo menos não nas circunstâncias com as quais lidamos hoje no Brasil, de uma esquerda pequena e relativamente mal organizada (acho eu), de um povo desinformado das causas dos problemas que enfrenta e, por consequência, desprovido de vontade (e creio eu, secundariamente, também de energia e coragem) de mudança &#8220;radical&#8221;. O processo teria que ser, assim, primeiro um de educação, informação, e mesmo de motivação, pra que cheguemos num estágio como o da revolução de 1917, por exemplo, no qual existiu vontade massiva de informação (o que parece ter possibilitado a vontade de rompimento). Processo esse que sugere a impossibilidade de um &#8220;modus operandi&#8221; de fato revolucionário, de ruptura, pelo menos num futuro próximo, certo?<br />
Mais uma vez os agradeço pela atenção.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Diego Polese		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/04/103934/#comment-288664</link>

		<dc:creator><![CDATA[Diego Polese]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 May 2015 21:26:48 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.passapalavra.info/?p=103934#comment-288664</guid>

					<description><![CDATA[Olá Lucas, desculpe pela demora a responder seu comentário. Mas vejo que não fez falta, já que o Pablo e o Fagner o responderam rápida e devidamente. Haha. 
Todas as suas indagações são bastante pertinentes para o tema em questão, no sentido de que o pensamento dominante na esquerda é que o Estado seria o aparelho transicional indiscutível (e único) para ‘construir’, ‘conduzir-nos’ a uma sociedade assentada em bases substancialmente igualitárias, mesmo diante das evidências históricas de sua inerente inadequação (vide as experiências da socialdemocracia na Europa e a URSS). 
Primeiramente, acho que você está pensando a transição como um progresso gradual – respeitando a ordem estabelecida - em direção a transformações estruturais (pensando que as reformas se cumulariam e se constituiriam em etapas) e não como ruptura radical dos fundamentos da ordem vigente. Manter a estrutura estatal (adjetivando-a de proletária) como forma de organização da Classe Trabalhadora para ir além do capital é como almejar eliminar os males sociais, mantendo simultaneamente um dos seus maiores fundamentos. É óbvio que em qualquer revolução social teremos que lidar com as coisas como estão e remediar as mazelas mais gritantes com os recursos disponíveis. Mas isso não quer dizer que o faremos por meio das formas sociais alienadas e alienantes cunhadas para assegurar a reprodução de desigualdades e das relações sociais correspondentes.
Quanto à pergunta sobre como seria possível o fortalecimento do Estado com intenções transicionais, complementando o que já foi dito, remeto-o à coletânea de 08 textos escritos pelo Pablo (http://passapalavra.info/2014/01/88965) e ao livro ‘Para Além do Capital’ de Mészáros, especialmente o capítulo 23 e 24 (https://nupese.fe.ufg.br/up/208/o/para-alem-do-capital.pdf?1350933922), os quais explicitam sua impossibilidade.
Quanto à indagação de como amplas políticas de bem-estar social torna-se a fortalecer o capital, acho que fala por si só a prática histórica da socialdemocracia, a qual buscou o avanço do socialismo no interior das instituições existentes na sociedade capitalistas, utilizando-se exatamente da forma política ‘democrática’ como estratégia e programa com caráter instrumental e prefigurativo, aplicando – por meio do Estado - medidas pautadas pela teoria do bem-estar, as quais serviram para atenuar os efeitos distributivos do funcionamento do mercado, sem contestar as formas sociais fundamentais do capital.
O Capitulo 5 (interesses materiais, compromisso de classe e Estado) do livro Capitalismo e Social-Democracia, de Adam Przeworski, demonstra que um compromisso que implique a perpetuação de formas capitalistas de propriedade é, em algumas circunstâncias, preferível para os trabalhadores que procuram maximizar seu bem-estar material. Isso porque, segundo o Autor, mesmo que o socialismo fosse superior em termos de satisfação das necessidades materiais, a ameaça do desinvestimento poderia impedir que os trabalhadores apoiassem uma estratégia de transição. Acontece que tais ações foram (e são) assimiladas e recuperadas pelo capitalismo em seu favor para a constituição de um novo ciclo de reprodução ampliada do capital, ao mesmo tempo em que mantém as lutas contestatórias dos trabalhadores em condições aceitáveis.
O dossiê sobre o bolsa-família (http://www.passapalavra.info/2010/04/21593), em especial esse artigo: http://passapalavra.info/2010/04/21281, explicita melhor ainda como uma política de bem-estar social fortalece o capitalismo assentando sua reprodução em novas bases, mantendo as condições exploratórias incólumes.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá Lucas, desculpe pela demora a responder seu comentário. Mas vejo que não fez falta, já que o Pablo e o Fagner o responderam rápida e devidamente. Haha.<br />
Todas as suas indagações são bastante pertinentes para o tema em questão, no sentido de que o pensamento dominante na esquerda é que o Estado seria o aparelho transicional indiscutível (e único) para ‘construir’, ‘conduzir-nos’ a uma sociedade assentada em bases substancialmente igualitárias, mesmo diante das evidências históricas de sua inerente inadequação (vide as experiências da socialdemocracia na Europa e a URSS).<br />
Primeiramente, acho que você está pensando a transição como um progresso gradual – respeitando a ordem estabelecida &#8211; em direção a transformações estruturais (pensando que as reformas se cumulariam e se constituiriam em etapas) e não como ruptura radical dos fundamentos da ordem vigente. Manter a estrutura estatal (adjetivando-a de proletária) como forma de organização da Classe Trabalhadora para ir além do capital é como almejar eliminar os males sociais, mantendo simultaneamente um dos seus maiores fundamentos. É óbvio que em qualquer revolução social teremos que lidar com as coisas como estão e remediar as mazelas mais gritantes com os recursos disponíveis. Mas isso não quer dizer que o faremos por meio das formas sociais alienadas e alienantes cunhadas para assegurar a reprodução de desigualdades e das relações sociais correspondentes.<br />
Quanto à pergunta sobre como seria possível o fortalecimento do Estado com intenções transicionais, complementando o que já foi dito, remeto-o à coletânea de 08 textos escritos pelo Pablo (<a href="http://passapalavra.info/2014/01/88965" rel="ugc">http://passapalavra.info/2014/01/88965</a>) e ao livro ‘Para Além do Capital’ de Mészáros, especialmente o capítulo 23 e 24 (<a href="https://nupese.fe.ufg.br/up/208/o/para-alem-do-capital.pdf?1350933922" rel="nofollow ugc">https://nupese.fe.ufg.br/up/208/o/para-alem-do-capital.pdf?1350933922</a>), os quais explicitam sua impossibilidade.<br />
Quanto à indagação de como amplas políticas de bem-estar social torna-se a fortalecer o capital, acho que fala por si só a prática histórica da socialdemocracia, a qual buscou o avanço do socialismo no interior das instituições existentes na sociedade capitalistas, utilizando-se exatamente da forma política ‘democrática’ como estratégia e programa com caráter instrumental e prefigurativo, aplicando – por meio do Estado &#8211; medidas pautadas pela teoria do bem-estar, as quais serviram para atenuar os efeitos distributivos do funcionamento do mercado, sem contestar as formas sociais fundamentais do capital.<br />
O Capitulo 5 (interesses materiais, compromisso de classe e Estado) do livro Capitalismo e Social-Democracia, de Adam Przeworski, demonstra que um compromisso que implique a perpetuação de formas capitalistas de propriedade é, em algumas circunstâncias, preferível para os trabalhadores que procuram maximizar seu bem-estar material. Isso porque, segundo o Autor, mesmo que o socialismo fosse superior em termos de satisfação das necessidades materiais, a ameaça do desinvestimento poderia impedir que os trabalhadores apoiassem uma estratégia de transição. Acontece que tais ações foram (e são) assimiladas e recuperadas pelo capitalismo em seu favor para a constituição de um novo ciclo de reprodução ampliada do capital, ao mesmo tempo em que mantém as lutas contestatórias dos trabalhadores em condições aceitáveis.<br />
O dossiê sobre o bolsa-família (<a href="http://www.passapalavra.info/2010/04/21593" rel="nofollow ugc">http://www.passapalavra.info/2010/04/21593</a>), em especial esse artigo: <a href="http://passapalavra.info/2010/04/21281" rel="ugc">http://passapalavra.info/2010/04/21281</a>, explicita melhor ainda como uma política de bem-estar social fortalece o capitalismo assentando sua reprodução em novas bases, mantendo as condições exploratórias incólumes.</p>
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		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/04/103934/#comment-288337</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 May 2015 19:59:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Me parece que é a própria noção de transição socialista que deve ser alvo de questionamentos. Num livro muito interessante - que tenho me empenhado em estudar a fundo e refletir sobre - é possível ler o seguinte: &quot;[...] ambas as totalidades, a do sistema de exploração e a da ruptura da sociedade e reorganização da esfera das instituições, se conjugam desde já na existência contraditória da classe explorada. Resulta daí que a reorganização completa da esfera das instituições não é mediada por qualquer fase de transição e define um tempo histórico mínimo. A revolução global só pode ocorrer num tempo-zero (João Bernardo, &#039;Dialéctica da Prática e da Ideologia&#039;, Porto, Afrontamento, 1991, p. 32)&quot;. Propor o &quot;fortalecimento do Estado com intenções transicionais&quot; me parece ingenuidade ou mesmo um contra-senso, pois não é de boas intenções que se faz a história. Ou negamos o Estado e generalizamos globalmente um novo modo de produção ou deixamos que o Estado cumpra o seu papel e negue - a começar pela esfera da produção, visto que o Estado não deve ser pensado como elemento superestrutural separado da infraestrutura (cf. João Bernardo, &#039;Estado: a silenciosa multiplicação do poder&#039;, São Paulo, Escrituras, 1998, p. 29) - a nova modalidade de relações sociais gerada nas lutas; isto é, deixamos que as instituições capitalistas neutralizem o elemento &quot;ruptura da sociedade e reorganização da esfera das instituições&quot;, afirmando o elemento &quot;sistema de exploração&quot;, ambos contidos desde já na existência contraditória da classe trabalhadora. A questão central parece localizar-se na necessidade de substituir um modelo de produtividade por outro (cf. id., ibid., pp. 17-25), mas para isso é preciso substituir uma modalidade de mercado por outra (cf. João Bernardo, &#039;Economia dos conflitos sociais&#039;, 2. ed., São Paulo: Expressão Popular, pp. 356-357; aqui: http://www.afoiceeomartelo.com.br/posfsa/Autores/Bernardo,%20Jo%C3%A3o/Economia%20dos%20Conflitos%20Sociais.pdf), desenvolvendo-a em escala global; e mais: sem que isto se dê ao longo de uma dinâmica temporal que possa ser percebida enquanto processo. Atribuir ao Estado uma tarefa &quot;transicional&quot; me parece ser admitir que o Estado não participa ativamente da produção, como se sua existência fosse exterior à esfera da produção e como se ele, enquanto entidade superestrutural, pudesse remodelar a produção &quot;de fora&quot; num sentido anticapitalista.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Me parece que é a própria noção de transição socialista que deve ser alvo de questionamentos. Num livro muito interessante &#8211; que tenho me empenhado em estudar a fundo e refletir sobre &#8211; é possível ler o seguinte: &#8220;[&#8230;] ambas as totalidades, a do sistema de exploração e a da ruptura da sociedade e reorganização da esfera das instituições, se conjugam desde já na existência contraditória da classe explorada. Resulta daí que a reorganização completa da esfera das instituições não é mediada por qualquer fase de transição e define um tempo histórico mínimo. A revolução global só pode ocorrer num tempo-zero (João Bernardo, &#8216;Dialéctica da Prática e da Ideologia&#8217;, Porto, Afrontamento, 1991, p. 32)&#8221;. Propor o &#8220;fortalecimento do Estado com intenções transicionais&#8221; me parece ingenuidade ou mesmo um contra-senso, pois não é de boas intenções que se faz a história. Ou negamos o Estado e generalizamos globalmente um novo modo de produção ou deixamos que o Estado cumpra o seu papel e negue &#8211; a começar pela esfera da produção, visto que o Estado não deve ser pensado como elemento superestrutural separado da infraestrutura (cf. João Bernardo, &#8216;Estado: a silenciosa multiplicação do poder&#8217;, São Paulo, Escrituras, 1998, p. 29) &#8211; a nova modalidade de relações sociais gerada nas lutas; isto é, deixamos que as instituições capitalistas neutralizem o elemento &#8220;ruptura da sociedade e reorganização da esfera das instituições&#8221;, afirmando o elemento &#8220;sistema de exploração&#8221;, ambos contidos desde já na existência contraditória da classe trabalhadora. A questão central parece localizar-se na necessidade de substituir um modelo de produtividade por outro (cf. id., ibid., pp. 17-25), mas para isso é preciso substituir uma modalidade de mercado por outra (cf. João Bernardo, &#8216;Economia dos conflitos sociais&#8217;, 2. ed., São Paulo: Expressão Popular, pp. 356-357; aqui: <a href="http://www.afoiceeomartelo.com.br/posfsa/Autores/Bernardo,%20Jo%C3%A3o/Economia%20dos%20Conflitos%20Sociais.pdf" rel="nofollow ugc">http://www.afoiceeomartelo.com.br/posfsa/Autores/Bernardo,%20Jo%C3%A3o/Economia%20dos%20Conflitos%20Sociais.pdf</a>), desenvolvendo-a em escala global; e mais: sem que isto se dê ao longo de uma dinâmica temporal que possa ser percebida enquanto processo. Atribuir ao Estado uma tarefa &#8220;transicional&#8221; me parece ser admitir que o Estado não participa ativamente da produção, como se sua existência fosse exterior à esfera da produção e como se ele, enquanto entidade superestrutural, pudesse remodelar a produção &#8220;de fora&#8221; num sentido anticapitalista.</p>
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		<title>
		Por: Pablo Polese		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/04/103934/#comment-288271</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo Polese]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 May 2015 05:52:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Fiz uma pergunta muito semelhante à de Lucas à historiadora Wendy Goldman. No belo livro &quot;Mulher, Estado e Capital&quot; ela aponta a necessidade de superação do Estado, em termos semelhantes aos que o Diego coloca (e que são, afinal de contas, os termos do &quot;marxismo&quot; e mesmo do &quot;anarquismo&quot;, girando a polêmica mais no que diz respeito à mediação e à temporalidade de tal fim do Estado), mas ao mesmo tempo Wendy defende a ampliação de instituições públicas estatais voltadas para a transição socialista no longo prazo: refeitórios e creches públicas que liberem o trabalho doméstico (em geral feminino) voltado à alimentação e ao cuidado das crianças, ampliação da legislação (e portanto de órgãos jurídicos estatais voltados para a elaboração e aplicação das leis) regulando direitos das mulheres, etc. Ela me respondeu que a questão era &quot;dialética&quot;, com a mesma autoridade (e superficialidade) que um lukacsiano responderia que é &quot;ontológica&quot;. Ainda assim, no caso de Wendy há uma adoção parcialmente crítica do legado bolchevique, o que dá alguma coerência à sua defesa simultanea do fim do Estado e do aumento de funções em um &quot;Estado transitório&quot;. Eu sinceramente não compro essa ideia, por mais bem construída que ela seja em Lenin. A prática dos bolcheviques mostrou que a teoria não resulta. Uma boa leitura, aliás, é o livro de Maurice Brinton &quot;Os bolcheviques e o controle operário&quot;, o que me leva a finalizar esse comentário dizendo que na minha opinião a resposta é não, não é possível o fortalecimento do Estado com intenções transicionais. Aliás, com intenções é possível, mas ficarão sendo intenções para sempre irrealizadas. E sim para a outra pergunta de Lucas: o fortalecimento do Estado é fortalecimento do capital, não importa se o nome do Estado é &quot;Ditadura do Proletariado&quot; e sua direção está a cargo do Partido bolchevique. Isso posto, vem a pergunta não feita pelo Lucas, mas que sei que ele tem na cabeça: então fazer a transição por qual meio? Para mim a resposta já foi dada nos &quot;ensaios&quot; das tentativas de transição via conselhos (sovietes) e demais órgãos de luta autogestionários, não-estatais. Claro que dizer isso não resolve nada, até porque essas tentativas não conseguiram se generalizar e ir além do capital, mas enquanto essas formas políticas de luta revolucionária apresentaram limites que podemos conceber não se repetirem num futuro, a &quot;outra via&quot; bolchevique mostrou que traz em sua essência um defeito estrutural, que é justamente estar ancorada na forma-partido e no Estado enquanto veículo da transição. Tanto a forma Partido quanto a forma Estado transitório necessariamente negam (vide todas as experiências de tentativa de transição nesse modelo) a autonomia da classe trabalhadora, e por isso não são adequadas para ir além do capital e sim para reconfigurar a exploração e dominação de classe, substituindo a disciplina capitalista pela disciplina também hierárquica imposta pelos gestores estatais bolcheviques. A forma autogestionária de tentativa de transição pode errar tanto quanto aquelas formas bolcheviques, a diferença é que num caso o erro parte dos próprios trabalhadores autonomamente organizados, e portanto traz potencial de autocrítica e de aprendizagem com os erros, enquanto na forma bolchevique os erros partem de uma direção, muitas vezes descolada da &quot;base&quot;, e que por ser direção buscará se manter como direção, o que limita a capacidade de autocrítica do movimento revolucionário, e pior, a restringe a uma autocrítica &quot;da direção&quot;, como se a questão fosse uma &quot;boa&quot; ou uma &quot;má&quot; direção, uma direção &quot;conforme&quot; ou &quot;descolada&quot; dos interesses da massa. Nesse modelo a direção se julga &quot;encarregada&quot; de uma tarefa que só pode se realizar pela ação direta da classe, na retomada do controle da produção e na reconstituição das relações sociais em moldes alternativos ao modelo capitalista. Com exceção dos momentos iniciais da revolução, quando ela tem que se haver com as ofensivas militares contra-revolucionárias, uma direção partidária e um Estado sob seu poder só atrapalham, até porque chamam pra si algumas tarefas que tem que ser feitas de modo autônomo pela classe. Ainda assim, experiências de comitês de defesa (militar) (penso especialmente na Espanha) mostram que mesmo nessa luta mais encarniçada é possível pensar alternativas ao modelo estatal, no caso, especificamente quanto à forma exército, que implica estruturas de comando hierárquico etc.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fiz uma pergunta muito semelhante à de Lucas à historiadora Wendy Goldman. No belo livro &#8220;Mulher, Estado e Capital&#8221; ela aponta a necessidade de superação do Estado, em termos semelhantes aos que o Diego coloca (e que são, afinal de contas, os termos do &#8220;marxismo&#8221; e mesmo do &#8220;anarquismo&#8221;, girando a polêmica mais no que diz respeito à mediação e à temporalidade de tal fim do Estado), mas ao mesmo tempo Wendy defende a ampliação de instituições públicas estatais voltadas para a transição socialista no longo prazo: refeitórios e creches públicas que liberem o trabalho doméstico (em geral feminino) voltado à alimentação e ao cuidado das crianças, ampliação da legislação (e portanto de órgãos jurídicos estatais voltados para a elaboração e aplicação das leis) regulando direitos das mulheres, etc. Ela me respondeu que a questão era &#8220;dialética&#8221;, com a mesma autoridade (e superficialidade) que um lukacsiano responderia que é &#8220;ontológica&#8221;. Ainda assim, no caso de Wendy há uma adoção parcialmente crítica do legado bolchevique, o que dá alguma coerência à sua defesa simultanea do fim do Estado e do aumento de funções em um &#8220;Estado transitório&#8221;. Eu sinceramente não compro essa ideia, por mais bem construída que ela seja em Lenin. A prática dos bolcheviques mostrou que a teoria não resulta. Uma boa leitura, aliás, é o livro de Maurice Brinton &#8220;Os bolcheviques e o controle operário&#8221;, o que me leva a finalizar esse comentário dizendo que na minha opinião a resposta é não, não é possível o fortalecimento do Estado com intenções transicionais. Aliás, com intenções é possível, mas ficarão sendo intenções para sempre irrealizadas. E sim para a outra pergunta de Lucas: o fortalecimento do Estado é fortalecimento do capital, não importa se o nome do Estado é &#8220;Ditadura do Proletariado&#8221; e sua direção está a cargo do Partido bolchevique. Isso posto, vem a pergunta não feita pelo Lucas, mas que sei que ele tem na cabeça: então fazer a transição por qual meio? Para mim a resposta já foi dada nos &#8220;ensaios&#8221; das tentativas de transição via conselhos (sovietes) e demais órgãos de luta autogestionários, não-estatais. Claro que dizer isso não resolve nada, até porque essas tentativas não conseguiram se generalizar e ir além do capital, mas enquanto essas formas políticas de luta revolucionária apresentaram limites que podemos conceber não se repetirem num futuro, a &#8220;outra via&#8221; bolchevique mostrou que traz em sua essência um defeito estrutural, que é justamente estar ancorada na forma-partido e no Estado enquanto veículo da transição. Tanto a forma Partido quanto a forma Estado transitório necessariamente negam (vide todas as experiências de tentativa de transição nesse modelo) a autonomia da classe trabalhadora, e por isso não são adequadas para ir além do capital e sim para reconfigurar a exploração e dominação de classe, substituindo a disciplina capitalista pela disciplina também hierárquica imposta pelos gestores estatais bolcheviques. A forma autogestionária de tentativa de transição pode errar tanto quanto aquelas formas bolcheviques, a diferença é que num caso o erro parte dos próprios trabalhadores autonomamente organizados, e portanto traz potencial de autocrítica e de aprendizagem com os erros, enquanto na forma bolchevique os erros partem de uma direção, muitas vezes descolada da &#8220;base&#8221;, e que por ser direção buscará se manter como direção, o que limita a capacidade de autocrítica do movimento revolucionário, e pior, a restringe a uma autocrítica &#8220;da direção&#8221;, como se a questão fosse uma &#8220;boa&#8221; ou uma &#8220;má&#8221; direção, uma direção &#8220;conforme&#8221; ou &#8220;descolada&#8221; dos interesses da massa. Nesse modelo a direção se julga &#8220;encarregada&#8221; de uma tarefa que só pode se realizar pela ação direta da classe, na retomada do controle da produção e na reconstituição das relações sociais em moldes alternativos ao modelo capitalista. Com exceção dos momentos iniciais da revolução, quando ela tem que se haver com as ofensivas militares contra-revolucionárias, uma direção partidária e um Estado sob seu poder só atrapalham, até porque chamam pra si algumas tarefas que tem que ser feitas de modo autônomo pela classe. Ainda assim, experiências de comitês de defesa (militar) (penso especialmente na Espanha) mostram que mesmo nessa luta mais encarniçada é possível pensar alternativas ao modelo estatal, no caso, especificamente quanto à forma exército, que implica estruturas de comando hierárquico etc.</p>
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		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/04/103934/#comment-288206</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 May 2015 05:27:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Oi Diego, tudo bem? Gostei muito do texto. Tenho uma dúvida, e peço desculpas caso ela não tenha pertinência ou deixe muito exposto um pobre entendimento do texto ou de sua proposta:
É natural pensar que uma transição socialista aconteceria através de pequenas mudanças, principalmente políticas (advindas, em especial, de partidos políticos de esquerda), certo? É também natural imaginar que tal transição só seria possível se tais medidas enfraquecessem todo o sistema do capital (trouxessem algo como uma social-democracia), sistema esse pautado em (ou, pelo menos, um tanto fortalecido com) liberalismo nas relações econômicas e enfraquecimento (ou diminuição da participação) do Estado, certo? Mas vc afirma que o Estado é o aparelho político maior do capital. Sendo assim (e aqui está a minha dúvida), como, ao mesmo tempo, seria possível o fortalecimento do Estado com intenções transicionais? O próprio fortalecimento do Estado, ainda que com amplas políticas de bem-estar social é o fortalecimento do capital? Se sim, como (ou por quê)?
Desde já, agradeço!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Oi Diego, tudo bem? Gostei muito do texto. Tenho uma dúvida, e peço desculpas caso ela não tenha pertinência ou deixe muito exposto um pobre entendimento do texto ou de sua proposta:<br />
É natural pensar que uma transição socialista aconteceria através de pequenas mudanças, principalmente políticas (advindas, em especial, de partidos políticos de esquerda), certo? É também natural imaginar que tal transição só seria possível se tais medidas enfraquecessem todo o sistema do capital (trouxessem algo como uma social-democracia), sistema esse pautado em (ou, pelo menos, um tanto fortalecido com) liberalismo nas relações econômicas e enfraquecimento (ou diminuição da participação) do Estado, certo? Mas vc afirma que o Estado é o aparelho político maior do capital. Sendo assim (e aqui está a minha dúvida), como, ao mesmo tempo, seria possível o fortalecimento do Estado com intenções transicionais? O próprio fortalecimento do Estado, ainda que com amplas políticas de bem-estar social é o fortalecimento do capital? Se sim, como (ou por quê)?<br />
Desde já, agradeço!</p>
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