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	Comentários sobre: &#8220;Revolta popular: o limite da tática&#8221;, um documento pós-leninista?	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Aldo Cordeiro Sauda		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/06/104988/#comment-896932</link>

		<dc:creator><![CDATA[Aldo Cordeiro Sauda]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Jul 2023 15:28:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Concordo com a maioria dos comentários dos companheiros - menos Johannes.
É preciso diferenciar as coisas no mundo. Uma são os estados ex-soviéticos do leste europeu, caucasus e asia central. Outra coisa é um pais plenamente integrado ao mercado capitalista mundial a quase um seculo, como o Brasil. As classes sociais nos paises pos-soviéticos se organizam de forma distintas às da América do Sul. Os protestos de 2013 podem ser comparados aos argentinos, principalmente 2000, e aos chilenos mais rescentes. Elas possuem bases muito distintas das explosões sociais do Equador e Peru, por exemplo, pelo motivo obvio de que os regimes de acumulação funcionam de formas muito distintas. Com a asia central e caucaso qualquer comparação que não abstrações teoricas é forçar a barra. 
Mas para clarear o terreno, é preciso definir as tais &quot;revoluções coloridas&quot;. Primeiro em Tbilisi, em 2003, a revolução rosa cortou o cordão umbilical entre a Russia e Georgia, a segunda, a revolução laranja, em 2004, fez o mesmo em relação à Ucrania. Esse processo tinha enquanto recorte geopolitico uma nova guerra fria, estimulado pela industria militar norte-americana, principalmente a partir do bombardeio ilegal de Kosovo pela OTAN. Em 1999, na mesma época em que avançava na expansão da OTAN, também estimulando a destruição da economia russa via políticas neoliberais de choque, os EUA passaram a reestimular o militarismo em Tiwan. Ambos no governo Clinton. 
A verdade é que o apoio americano via organizações tipo National Endowment for Democracy as campanhas &quot;anticorrupção&quot; durante as revoluções coloridas ajudaram a levar Mikheil Saakashvili à presidencia da Georgia em janeiro de 2004, que logo guinou o país em direção à OTAN. Essa política estimulou o nacionalismo russo, eventualmente levando à invasão da Ucrania ano passado. Existe uma nova guerra fria, mas ela não é mais bi-polar (moscow X washington) como a antiga; ela é tri-polar (China-EUA-Russia). O sistema mundial, mesmo que em agudo processo de polarização e militarização, fruto da decadência capitalista, não ocorre no eixo da polarização entre EUA e Russia para explicar protestos de massa no Brasil em 2013.
Agora, deve se dizer que as revoluções coloridas foram apoiadas mais tambem combatidas pelos EUA - em particular a Revolução Verde, na Azerbaijão, em que uma dinastia reacionaria pro-americana governa um país rico em petroleo em gas. Lá, George W. Bush apoiou a repressão de Ilham Aliev em 2005, após eleições fraudadas pelo governo. A revolução laranja na Ucrânia foi rapidamente convertida em um conflito entre diferentes frações burguesas, em que os movimentos sociais ficaram fora do cenário político ucraniano. O mesmo pode ser dito da Georgia e do Quirgistão, que a partir de suas revoluções coloridas, se afastaram de moscou trocando a elite governante. As oposições burguesas que passaram a governar esses países se alinharam aos EUA e usaram os protestos de alavanca a seu favor.   
A questão dos estados pos-sovieticos é que a estrutura de classes que sobrou da tragedia stalinista não inclui entidades de classe com políticas independentes ou partidos operários bem estabelecidos e todo um campo político que impede com que voce tenha um sequestro absoluto da luta. 
Vale lembrar, a repressão lá, também, é muito pior do que aqui.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Concordo com a maioria dos comentários dos companheiros &#8211; menos Johannes.<br />
É preciso diferenciar as coisas no mundo. Uma são os estados ex-soviéticos do leste europeu, caucasus e asia central. Outra coisa é um pais plenamente integrado ao mercado capitalista mundial a quase um seculo, como o Brasil. As classes sociais nos paises pos-soviéticos se organizam de forma distintas às da América do Sul. Os protestos de 2013 podem ser comparados aos argentinos, principalmente 2000, e aos chilenos mais rescentes. Elas possuem bases muito distintas das explosões sociais do Equador e Peru, por exemplo, pelo motivo obvio de que os regimes de acumulação funcionam de formas muito distintas. Com a asia central e caucaso qualquer comparação que não abstrações teoricas é forçar a barra.<br />
Mas para clarear o terreno, é preciso definir as tais &#8220;revoluções coloridas&#8221;. Primeiro em Tbilisi, em 2003, a revolução rosa cortou o cordão umbilical entre a Russia e Georgia, a segunda, a revolução laranja, em 2004, fez o mesmo em relação à Ucrania. Esse processo tinha enquanto recorte geopolitico uma nova guerra fria, estimulado pela industria militar norte-americana, principalmente a partir do bombardeio ilegal de Kosovo pela OTAN. Em 1999, na mesma época em que avançava na expansão da OTAN, também estimulando a destruição da economia russa via políticas neoliberais de choque, os EUA passaram a reestimular o militarismo em Tiwan. Ambos no governo Clinton.<br />
A verdade é que o apoio americano via organizações tipo National Endowment for Democracy as campanhas &#8220;anticorrupção&#8221; durante as revoluções coloridas ajudaram a levar Mikheil Saakashvili à presidencia da Georgia em janeiro de 2004, que logo guinou o país em direção à OTAN. Essa política estimulou o nacionalismo russo, eventualmente levando à invasão da Ucrania ano passado. Existe uma nova guerra fria, mas ela não é mais bi-polar (moscow X washington) como a antiga; ela é tri-polar (China-EUA-Russia). O sistema mundial, mesmo que em agudo processo de polarização e militarização, fruto da decadência capitalista, não ocorre no eixo da polarização entre EUA e Russia para explicar protestos de massa no Brasil em 2013.<br />
Agora, deve se dizer que as revoluções coloridas foram apoiadas mais tambem combatidas pelos EUA &#8211; em particular a Revolução Verde, na Azerbaijão, em que uma dinastia reacionaria pro-americana governa um país rico em petroleo em gas. Lá, George W. Bush apoiou a repressão de Ilham Aliev em 2005, após eleições fraudadas pelo governo. A revolução laranja na Ucrânia foi rapidamente convertida em um conflito entre diferentes frações burguesas, em que os movimentos sociais ficaram fora do cenário político ucraniano. O mesmo pode ser dito da Georgia e do Quirgistão, que a partir de suas revoluções coloridas, se afastaram de moscou trocando a elite governante. As oposições burguesas que passaram a governar esses países se alinharam aos EUA e usaram os protestos de alavanca a seu favor.<br />
A questão dos estados pos-sovieticos é que a estrutura de classes que sobrou da tragedia stalinista não inclui entidades de classe com políticas independentes ou partidos operários bem estabelecidos e todo um campo político que impede com que voce tenha um sequestro absoluto da luta.<br />
Vale lembrar, a repressão lá, também, é muito pior do que aqui.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Johannes Silvae		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/06/104988/#comment-896892</link>

		<dc:creator><![CDATA[Johannes Silvae]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Jul 2023 07:33:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Gente, vcs insistem nessa história? Ainda não caiu a ficha que isso tudo foi armado pela CIA, como foi no resto do mundo? Como explicariam as semelhanças imensas com outras &#039;revoluções coloridas&#039;? Acaso? Qualquer reflexão que não parta da desconfiança, de que houve algo errado nisso tudo, é simplesmente passa-pano. Autocrítica pelo jeito não vai rolar nunca, né? Sabem quais são os &#039;limites da organização popular&#039;? Eles se resumem ao fato de que, depois de as massas estarem mobilizadas, a inteligência dos EUA passa o controle do processo para a direita fascistas. Igual aconteceu na Ucrânia. Pq vcs acham que aquela alucinada da Sara Inverno falava tanto em &#039;ucranizar&#039; o Brasil?!? Da mesma forma que aqui, lá foram manifestantes &#039;contra a carestia e a corrupção&#039; que levaram ao golpe de estado (como aqui). Querem MESMO entender alguma coisa sobre as &#039;jornadas de julho de 2013&#039;? Começem pelo óbvio: investigando o PORQUÊ de o roteiro dela ser TÃO SIMILAR ao roteiro de TODAS as &#039;revoluções coloridas&#039; desde a Argélia. Sem isso vcs só estão criando historinha pra boi dormir. Promover o auto-engano pode ser legal pra apaziguar a consciência (e manter a auto-imagem &#039;combativa&#039;), mas ao fim e ao cabo serve mesmo é pra criar trouxas...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gente, vcs insistem nessa história? Ainda não caiu a ficha que isso tudo foi armado pela CIA, como foi no resto do mundo? Como explicariam as semelhanças imensas com outras &#8216;revoluções coloridas&#8217;? Acaso? Qualquer reflexão que não parta da desconfiança, de que houve algo errado nisso tudo, é simplesmente passa-pano. Autocrítica pelo jeito não vai rolar nunca, né? Sabem quais são os &#8216;limites da organização popular&#8217;? Eles se resumem ao fato de que, depois de as massas estarem mobilizadas, a inteligência dos EUA passa o controle do processo para a direita fascistas. Igual aconteceu na Ucrânia. Pq vcs acham que aquela alucinada da Sara Inverno falava tanto em &#8216;ucranizar&#8217; o Brasil?!? Da mesma forma que aqui, lá foram manifestantes &#8216;contra a carestia e a corrupção&#8217; que levaram ao golpe de estado (como aqui). Querem MESMO entender alguma coisa sobre as &#8216;jornadas de julho de 2013&#8217;? Começem pelo óbvio: investigando o PORQUÊ de o roteiro dela ser TÃO SIMILAR ao roteiro de TODAS as &#8216;revoluções coloridas&#8217; desde a Argélia. Sem isso vcs só estão criando historinha pra boi dormir. Promover o auto-engano pode ser legal pra apaziguar a consciência (e manter a auto-imagem &#8216;combativa&#8217;), mas ao fim e ao cabo serve mesmo é pra criar trouxas&#8230;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Edegar Carvalho EC		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/06/104988/#comment-292371</link>

		<dc:creator><![CDATA[Edegar Carvalho EC]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Jul 2015 23:20:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[É curioso que durante a leitura do artigo que se faz referência - um excelente texto diga-se de passagem - me veio
o velho Bakunin. Esse conceito de direção que fizeram os companheiros Caio e Leonardo tem uma aproximação não sei se consciente com aquelas ideias de um piloto sem título e sem direito oficial que atua na tempestade popular.
Como estrategista Bakunin estava interessado em formar uma ferramenta para não perder a carta de navegação em altas tormentas. Mas não fazia concepção do partido no poder,
do partido substituto ou intermediário burocrático
das massas. Procurava uma articulação em que a organização
política dava impulso, fazia-se ignição de uma
ativa mobilização de massas que produzisse ruptura.
O alicerce das associações e federações da classe 
trabalhadora faziam a vez das células de reconstrução social.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É curioso que durante a leitura do artigo que se faz referência &#8211; um excelente texto diga-se de passagem &#8211; me veio<br />
o velho Bakunin. Esse conceito de direção que fizeram os companheiros Caio e Leonardo tem uma aproximação não sei se consciente com aquelas ideias de um piloto sem título e sem direito oficial que atua na tempestade popular.<br />
Como estrategista Bakunin estava interessado em formar uma ferramenta para não perder a carta de navegação em altas tormentas. Mas não fazia concepção do partido no poder,<br />
do partido substituto ou intermediário burocrático<br />
das massas. Procurava uma articulação em que a organização<br />
política dava impulso, fazia-se ignição de uma<br />
ativa mobilização de massas que produzisse ruptura.<br />
O alicerce das associações e federações da classe<br />
trabalhadora faziam a vez das células de reconstrução social.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: precisa combinar com a história		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/06/104988/#comment-291694</link>

		<dc:creator><![CDATA[precisa combinar com a história]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Jun 2015 04:04:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[o leninismo até que é daora
exceto por lênin
e pelos leninistas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>o leninismo até que é daora<br />
exceto por lênin<br />
e pelos leninistas.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: precisa combinar com o adversário		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/06/104988/#comment-291693</link>

		<dc:creator><![CDATA[precisa combinar com o adversário]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Jun 2015 04:03:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[o problema de sempre existir tanta gente querendo dirigir 
é que ninguém quer ser dirigido
nem eles mesmo
claro.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>o problema de sempre existir tanta gente querendo dirigir<br />
é que ninguém quer ser dirigido<br />
nem eles mesmo<br />
claro.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Felipe		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/06/104988/#comment-291368</link>

		<dc:creator><![CDATA[Felipe]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jun 2015 20:26:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Pressupostos da critica 
      
       Aldo, a problematização permanente sobre as lutas é necessária, pena que a tradição leninista ache que isso, problematização permanente, seja “diletantismo”, “clube de discussão permanente”, etc...De qualquer forma  parabéns pela iniciativa e honestidade.

     Mas vamos aos comentários, queria entender alguns pressupostos da critica que não ficaram entendíveis (ao menos na pra min).

--------------------------------------------------------------

1-Base Social

“Em termos concretos, ela não se mede em milhões nem centenas de milhares. Dada a natureza sui generes da “Jornada Contra o Aumento da Tarifa” de 2013, um medidor muito mais fiel de seu tamanho foram as mobilizações de rua ocorridas no início de 2011 em São Paulo.”

      Ou seja, você defende que a base social do MPL NÃO pode ser medida tendo como parâmetro Junho de 2013, que foi uma situação “sui generes”,   tendo que ser “medida” pelas mobilizações de 2011.

     Baseando-se em 2011, você avança pra caracterização das mobilizações, que seriam compostos por dois segmentos distintos:

“. O primeiro, formado por integrantes das camadas médias, tinha em seu grosso estudantes universitários da USP, PUC e FESP, que representavam a ala mais dinâmica da intelectualidade de esquerda paulistana. Já o segundo vinha diretamente dos setores mais precarizados da classe trabalhadora, cuja expressão visual de destaque eram os ativistas “anarco-punks”.”

    A partir dessa visão você afirma que a base social de 2013 foi uma ampliação do segundo segmento, setores mais precarizados da classe trabalhadora, cuja expressão visual eram os ativistas anarco-punks, que deixaram o primeiro segmento, estudantes universitários da USP,PUC e FESP, numa posição não hegemônica.
Então entre uma parte dos primeiros, universitários,  não foi aceita a perda da hegemonia estética.

     “A construção identitária, em Junho, da figura do “coxinha” na avenida Paulista, em muito nos ajuda a compreender a dinâmica da luta de classes dentro do próprio movimento. Quando a base universitária de 2011 deixou de dar o tom nos atos de 2013, parte dela não aceitou perder sua hegemonia estética sobre o processo. O atraso cultural da classe trabalhadora, e não sua entrada em cena, tornou-se para muitos o tema central. Motivados por interesses escusos, alguns setores pró-governistas, baseando-se em um suposto espírito “anticoxinha”, chegaram a condenar Junho com um levante “de direita”.
	
   Aqui entra minha primeira duvida. 

     1-Quais seriam esses setores do primeiro segmento, estudantes universitários da USP,PUC e FESP, que representavam a ala mais dinâmica da intelectualidade de esquerda paulistana, que não aceitaram perder a “hegemonia estética”?
 	
    2-Esses são os mesmos que focaram a atenção nas explicações do atraso cultural da classe trabalhadora? 

    3-Os setores pró-governistas  que passaram a condenar um suposto espirito coxinha, são parte do primeiro segmento?
    
    4-Concretamente, os estudantes universitários da USP, PUC e FESP que seriam a ala mais dinâmica da intelectualidade paulistana são poucos e estão organizados em correntes. Você, Aldo, diz que esse setor se dividiu e entre as correntes que organizam esse setor, qual foi pra qual lado?
------------------------------------------------------------------



        
     Essas são minhas primeiras dúvidas, agora vão alguns questionamentos. Você diz que quem construiu a identidade “Coxinha” foram os setores pró-governistas, que interpreto, espero o seu esclarecimento, que são parte do primeiro segmento. E que os alvos do termo “coxinha” foram o segundo segmento da base das mobilizações de 2011,

“setores mais precarizados da classe trabalhadora, cuja expressão visual de destaque eram os ativistas “anarco-punks”.   
 
                  agora , 2013, massificados.
 
“Contraditoriamente, quando os punks se massificaram, viraram coxinhas.”      


     Vejo que não foi somente o segundo segmento que massificou, o primeiro também. Pegando 2011 como comparação, os Universitários da USP, PUC e FESP foram massificados para além da tradicional “ala mais dinâmica da esquerda paulistana”   


    É possível que o conflito tenha se dado entre a ala mais dinâmica da esquerda paulistana da USP, PUC e FESP e os setores das mesmas USP,PUC e FESP que nunca tinham participado de nenhum movimento e que, inclusive, pertencem aos setores mais reacionários das próprias Universidades Citadas? 

    Não seriam esses segundos, universitários reacionários, que se massificaram a tal ponto de ameaçar o protagonismo dos sempre “mesmos”, universitários, pertencente a ala esquerda mais dinâmica?

------------------------------------------------------

      tenho críticas aos pressupostos de outras partes do Texto, mas na perspectiva de dialogo, esperarei vc,caso interesse, responder a esses questionamentos iniciais meus e dos outros que postaram suas críticas aqui.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pressupostos da critica </p>
<p>       Aldo, a problematização permanente sobre as lutas é necessária, pena que a tradição leninista ache que isso, problematização permanente, seja “diletantismo”, “clube de discussão permanente”, etc&#8230;De qualquer forma  parabéns pela iniciativa e honestidade.</p>
<p>     Mas vamos aos comentários, queria entender alguns pressupostos da critica que não ficaram entendíveis (ao menos na pra min).</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</p>
<p>1-Base Social</p>
<p>“Em termos concretos, ela não se mede em milhões nem centenas de milhares. Dada a natureza sui generes da “Jornada Contra o Aumento da Tarifa” de 2013, um medidor muito mais fiel de seu tamanho foram as mobilizações de rua ocorridas no início de 2011 em São Paulo.”</p>
<p>      Ou seja, você defende que a base social do MPL NÃO pode ser medida tendo como parâmetro Junho de 2013, que foi uma situação “sui generes”,   tendo que ser “medida” pelas mobilizações de 2011.</p>
<p>     Baseando-se em 2011, você avança pra caracterização das mobilizações, que seriam compostos por dois segmentos distintos:</p>
<p>“. O primeiro, formado por integrantes das camadas médias, tinha em seu grosso estudantes universitários da USP, PUC e FESP, que representavam a ala mais dinâmica da intelectualidade de esquerda paulistana. Já o segundo vinha diretamente dos setores mais precarizados da classe trabalhadora, cuja expressão visual de destaque eram os ativistas “anarco-punks”.”</p>
<p>    A partir dessa visão você afirma que a base social de 2013 foi uma ampliação do segundo segmento, setores mais precarizados da classe trabalhadora, cuja expressão visual eram os ativistas anarco-punks, que deixaram o primeiro segmento, estudantes universitários da USP,PUC e FESP, numa posição não hegemônica.<br />
Então entre uma parte dos primeiros, universitários,  não foi aceita a perda da hegemonia estética.</p>
<p>     “A construção identitária, em Junho, da figura do “coxinha” na avenida Paulista, em muito nos ajuda a compreender a dinâmica da luta de classes dentro do próprio movimento. Quando a base universitária de 2011 deixou de dar o tom nos atos de 2013, parte dela não aceitou perder sua hegemonia estética sobre o processo. O atraso cultural da classe trabalhadora, e não sua entrada em cena, tornou-se para muitos o tema central. Motivados por interesses escusos, alguns setores pró-governistas, baseando-se em um suposto espírito “anticoxinha”, chegaram a condenar Junho com um levante “de direita”.</p>
<p>   Aqui entra minha primeira duvida. </p>
<p>     1-Quais seriam esses setores do primeiro segmento, estudantes universitários da USP,PUC e FESP, que representavam a ala mais dinâmica da intelectualidade de esquerda paulistana, que não aceitaram perder a “hegemonia estética”?</p>
<p>    2-Esses são os mesmos que focaram a atenção nas explicações do atraso cultural da classe trabalhadora? </p>
<p>    3-Os setores pró-governistas  que passaram a condenar um suposto espirito coxinha, são parte do primeiro segmento?</p>
<p>    4-Concretamente, os estudantes universitários da USP, PUC e FESP que seriam a ala mais dinâmica da intelectualidade paulistana são poucos e estão organizados em correntes. Você, Aldo, diz que esse setor se dividiu e entre as correntes que organizam esse setor, qual foi pra qual lado?<br />
&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p>     Essas são minhas primeiras dúvidas, agora vão alguns questionamentos. Você diz que quem construiu a identidade “Coxinha” foram os setores pró-governistas, que interpreto, espero o seu esclarecimento, que são parte do primeiro segmento. E que os alvos do termo “coxinha” foram o segundo segmento da base das mobilizações de 2011,</p>
<p>“setores mais precarizados da classe trabalhadora, cuja expressão visual de destaque eram os ativistas “anarco-punks”.   </p>
<p>                  agora , 2013, massificados.</p>
<p>“Contraditoriamente, quando os punks se massificaram, viraram coxinhas.”      </p>
<p>     Vejo que não foi somente o segundo segmento que massificou, o primeiro também. Pegando 2011 como comparação, os Universitários da USP, PUC e FESP foram massificados para além da tradicional “ala mais dinâmica da esquerda paulistana”   </p>
<p>    É possível que o conflito tenha se dado entre a ala mais dinâmica da esquerda paulistana da USP, PUC e FESP e os setores das mesmas USP,PUC e FESP que nunca tinham participado de nenhum movimento e que, inclusive, pertencem aos setores mais reacionários das próprias Universidades Citadas? </p>
<p>    Não seriam esses segundos, universitários reacionários, que se massificaram a tal ponto de ameaçar o protagonismo dos sempre “mesmos”, universitários, pertencente a ala esquerda mais dinâmica?</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p>      tenho críticas aos pressupostos de outras partes do Texto, mas na perspectiva de dialogo, esperarei vc,caso interesse, responder a esses questionamentos iniciais meus e dos outros que postaram suas críticas aqui.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/06/104988/#comment-290975</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Jun 2015 15:03:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[acompanhei 2013 de fora do país.
Mas 2015 estive em São Paulo e pude ver de perto algumas fortes contradições da organização da luta contra o aumento. 
Simbólica para mim foram as reuniões convocadas na Zona Oeste, creio que inclusive foi inspiração para o texto do Hugo e da Amanda, que o Eugênio cita acima no seu comentário.
Por um lado, o MPL tomava decisões de cúpula com respeito às manifestações centrais de rua. Por outro, partidos leninistas tentando à toda força ganhar espaço na direção do movimento. Especialmente com a fórmula de &quot;delegados de base&quot;, que faz todo o sentido num contexto sindical, mas que estava para lá de deslocada no contexto da luta contra o aumento.

A sensação que ficou para mim é que o MPL estava mais preocupado em formar uma nova fileira de militantes do que em vencer a luta contra o aumento (não entro no mérito da questão), e parte desse esforço era impedir que alguns setores aparelhassem a influência que o MPL conquistou junto a outros setores da base. Se por um lado chamar &quot;votação de percurso&quot; de &quot;assembleia&quot; é no mínimo questionável, eu acho que poucos dos que conhecemos o movimento universitário paulistano acreditam que uma assembleia antes das manifestações seria uma boa ideia. Basta ver no que deu as reuniões da Zona Oeste. O que funciona no universo sindical não pode ser aplicado assim tão formalmente em outros contextos de luta. O MPL parecia ter muito mais clareza disso, com todas as suas contradições, do que algumas agrupações leninistas.

Outra sensação que tive foi que a pauta do transporte ficou pequena. Sinto que o país avançou 12 anos em debates nos últimos meses e isso tem muito a ver com a fragmentação da &quot;grande esquerda&quot; petista e o que vai aparecer no horizonte da esquerda brasileira. Acredito que se o MPL não tomar sua experiência para levar o nível organizativo a outro patamar, ele se tornará obsoleto ou perderá o potencial crítico e contestatário que teve no seu desenvolvimento. O risco é que a inventividade organizativa e política fique restrita ao tema do transporte. 
Acho que debater essa organização com uma linguagem leninista poder ajudar e muito na criação de um pós-leninismo, que só leva esse nome porque ainda não existe conceitualmente. Digo isso porque as perguntas de Lenin me parecem muito boas e geralmente chamam a atenção de quem leva as coisas a sério. A questão é dar novas respostas a essas perguntas, fazendo a crítica às respostas originais e aos grupos que insistem nelas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>acompanhei 2013 de fora do país.<br />
Mas 2015 estive em São Paulo e pude ver de perto algumas fortes contradições da organização da luta contra o aumento.<br />
Simbólica para mim foram as reuniões convocadas na Zona Oeste, creio que inclusive foi inspiração para o texto do Hugo e da Amanda, que o Eugênio cita acima no seu comentário.<br />
Por um lado, o MPL tomava decisões de cúpula com respeito às manifestações centrais de rua. Por outro, partidos leninistas tentando à toda força ganhar espaço na direção do movimento. Especialmente com a fórmula de &#8220;delegados de base&#8221;, que faz todo o sentido num contexto sindical, mas que estava para lá de deslocada no contexto da luta contra o aumento.</p>
<p>A sensação que ficou para mim é que o MPL estava mais preocupado em formar uma nova fileira de militantes do que em vencer a luta contra o aumento (não entro no mérito da questão), e parte desse esforço era impedir que alguns setores aparelhassem a influência que o MPL conquistou junto a outros setores da base. Se por um lado chamar &#8220;votação de percurso&#8221; de &#8220;assembleia&#8221; é no mínimo questionável, eu acho que poucos dos que conhecemos o movimento universitário paulistano acreditam que uma assembleia antes das manifestações seria uma boa ideia. Basta ver no que deu as reuniões da Zona Oeste. O que funciona no universo sindical não pode ser aplicado assim tão formalmente em outros contextos de luta. O MPL parecia ter muito mais clareza disso, com todas as suas contradições, do que algumas agrupações leninistas.</p>
<p>Outra sensação que tive foi que a pauta do transporte ficou pequena. Sinto que o país avançou 12 anos em debates nos últimos meses e isso tem muito a ver com a fragmentação da &#8220;grande esquerda&#8221; petista e o que vai aparecer no horizonte da esquerda brasileira. Acredito que se o MPL não tomar sua experiência para levar o nível organizativo a outro patamar, ele se tornará obsoleto ou perderá o potencial crítico e contestatário que teve no seu desenvolvimento. O risco é que a inventividade organizativa e política fique restrita ao tema do transporte.<br />
Acho que debater essa organização com uma linguagem leninista poder ajudar e muito na criação de um pós-leninismo, que só leva esse nome porque ainda não existe conceitualmente. Digo isso porque as perguntas de Lenin me parecem muito boas e geralmente chamam a atenção de quem leva as coisas a sério. A questão é dar novas respostas a essas perguntas, fazendo a crítica às respostas originais e aos grupos que insistem nelas.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Eugênio Varlino		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2015/06/104988/#comment-290798</link>

		<dc:creator><![CDATA[Eugênio Varlino]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Jun 2015 22:35:26 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://jrz524vll72f4ljr.onion/?p=104988#comment-290798</guid>

					<description><![CDATA[O texto coloca boas questões quanto à tensão que existe na análise da extrema esquerda acerca das Jornadas de Junho, com respeito à espontaneidade, organização e a direção do processo pelo MPL. Esse é um debate que faz mais sentido para a experiência de SP, onde de fato houve uma direção do MPL, mas não faz tanto sentido em outras estados, por exemplo o RJ, onde Junho não foi dirigido por nenhuma organização e era muito mais organizado espontaneamente nas ruas (embora existissem tentativas de &quot;direção&quot;, por exemplo no Forum de Lutas, que chegou a ter uma Assembleia com mais de 3 mil pessoas). Vale lembrar que o fato de não ser dirigido não resultou em menos radicalidade e sim, muitas vezes, em mais radicalidade, tal como ocorreu também em SP quando o MPL perdeu a direção, propositalmente ou não. A meu ver o texto acerta em cheio quando diz que os &quot;erros&quot; do MPL são expressões das próprias dificuldades da classe em se auto-organizar. Mas ainda assim a meu ver o texto tem os vícios de toda análise trotskista (para nao dizer de todo membro de Partido), mas é um texto sincero e que não finge ser o que não é, além disso chama um debate muito importante. De modo sintomático, Aldo foca na questão da necessidade da direção e coloca como se Caio e Leo a defendessem unilateralmente, e como se a defesa do “perder o controle” fosse uma contradição que se mostrou uma trapalhada que abriu a brecha para a direita, quando a meu ver os autores defendem que foi esse perder o controle que potencializou a força do movimento e a vitória dos 20 centavos. A massa sem direção é retratada como “marinheiros de primeira viagem” que fazem “confusão”, o que é bastante problemático. Restaria perguntar se Aldo vê a revolta social como em fila indiana e um quadro partidário à frente apontando os caminhos. No mais, o texto tem um problema de tempo: muitas das questões que Aldo coloca, relativas à democratização e ao enraizamento do movimento na base social, foram tratadas nos debates das jornadas do início desse ano, que Aldo aparenta desconhecer por completo. O texto por isso seria muito mais interessante se o autor dialogasse, por exemplo, com o debate que aqui no Passa Palavra apareceu em um texto do mesmo Caio e de Simone, em diálogo de três partes com o Hugo e Amanda (ver http://passapalavra.info/2015/02/102335). Além disso durante as jornadas de janeiro desse ano tentei dar minha contribuição ao debate posto por Caio e Leo aqui: http://passapalavra.info/2015/01/102196. A participação da direita e de uma massa sem organização e apartidária nos atos de 2013, a diluição da pauta, enfim, a Revolta dos Coxinhas (http://passapalavra.info/2013/06/79726) e todos os desafios que foram postos à extrema esquerda foram problematizados pelo MPL e em várias análises do Passa Palavra (ver o dossiê: http://passapalavra.info/2014/06/95887) em uma chave analítica que vai além da questão da perda da direção do processo. Aliás, os ensaios de ir &quot;além do limite da tática&quot;, em 2015, já mostram que o MPL tentou resolver algumas dessas contradições e limites que foram postos em 2013 e que o MPL e a extrema esquerda em geral ainda não soube resolver. E a resposta de Aldo, a de que é preciso direção partidária do processo, não me parece satisfatória. A velha geração viu seus órgãos se atrelando ao governo e ao poder, viu o Partido chegando ao poder e os Sindicatos se tornando gestores de fundos de pensão. A nova geração de esquerda que veio à cena em 2013 vê, além disso, propostas organizacionais anacrônicas, e não cogita se enquadrar nesses moldes organizacionais clássicos, de Partido e Sindicato, pelo simples motivo de que essas formas organizacionais estão atreladas ao poder (ou à busca do poder) e a uma lógica hierárquica que não satisfaz as necessidades da luta de hoje, em lugar nenhum. A forma organizativa alternativa, horizontal, ainda vem sendo ensaiada e reensaiada, gestada aos trancos e barrancos nas lutas e práticas sociais. Talvez a forma velha tenha algo a oferecer nessa nova receita sendo testada no mundo todo, mas reafirmá-la pura e simplesmente, como se a esquerda anticapitalista já tivesse a teoria e os órgãos de luta feitos e à sua disposição, bastando usá-los e fazer a revolução, isso não dá. Em todo caso parabéns ao autor pela abertura ao diálogo e à tentativa de pensar possíveis contribuições aos limites desse &quot;novo&quot; que, gestado em bases organizativas distintas, se deparou algumas vezes com as mesmas dificuldades que outrora os Partidos e Sindicatos se depararam, e viu diante de si uma dificuldade original: os adversários cerrando fileiras conjuntamente, buscando diluir a pauta e canalizar a luta para outros fins. A esquerda anticapitalista precisa desse diálogo; em geral fica cada um no seu quadrado, a esquerda sem memória, e o capital agradece. Vamos ver pra que lado o debate caminha.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O texto coloca boas questões quanto à tensão que existe na análise da extrema esquerda acerca das Jornadas de Junho, com respeito à espontaneidade, organização e a direção do processo pelo MPL. Esse é um debate que faz mais sentido para a experiência de SP, onde de fato houve uma direção do MPL, mas não faz tanto sentido em outras estados, por exemplo o RJ, onde Junho não foi dirigido por nenhuma organização e era muito mais organizado espontaneamente nas ruas (embora existissem tentativas de &#8220;direção&#8221;, por exemplo no Forum de Lutas, que chegou a ter uma Assembleia com mais de 3 mil pessoas). Vale lembrar que o fato de não ser dirigido não resultou em menos radicalidade e sim, muitas vezes, em mais radicalidade, tal como ocorreu também em SP quando o MPL perdeu a direção, propositalmente ou não. A meu ver o texto acerta em cheio quando diz que os &#8220;erros&#8221; do MPL são expressões das próprias dificuldades da classe em se auto-organizar. Mas ainda assim a meu ver o texto tem os vícios de toda análise trotskista (para nao dizer de todo membro de Partido), mas é um texto sincero e que não finge ser o que não é, além disso chama um debate muito importante. De modo sintomático, Aldo foca na questão da necessidade da direção e coloca como se Caio e Leo a defendessem unilateralmente, e como se a defesa do “perder o controle” fosse uma contradição que se mostrou uma trapalhada que abriu a brecha para a direita, quando a meu ver os autores defendem que foi esse perder o controle que potencializou a força do movimento e a vitória dos 20 centavos. A massa sem direção é retratada como “marinheiros de primeira viagem” que fazem “confusão”, o que é bastante problemático. Restaria perguntar se Aldo vê a revolta social como em fila indiana e um quadro partidário à frente apontando os caminhos. No mais, o texto tem um problema de tempo: muitas das questões que Aldo coloca, relativas à democratização e ao enraizamento do movimento na base social, foram tratadas nos debates das jornadas do início desse ano, que Aldo aparenta desconhecer por completo. O texto por isso seria muito mais interessante se o autor dialogasse, por exemplo, com o debate que aqui no Passa Palavra apareceu em um texto do mesmo Caio e de Simone, em diálogo de três partes com o Hugo e Amanda (ver <a href="http://passapalavra.info/2015/02/102335" rel="ugc">http://passapalavra.info/2015/02/102335</a>). Além disso durante as jornadas de janeiro desse ano tentei dar minha contribuição ao debate posto por Caio e Leo aqui: <a href="http://passapalavra.info/2015/01/102196" rel="ugc">http://passapalavra.info/2015/01/102196</a>. A participação da direita e de uma massa sem organização e apartidária nos atos de 2013, a diluição da pauta, enfim, a Revolta dos Coxinhas (<a href="http://passapalavra.info/2013/06/79726" rel="ugc">http://passapalavra.info/2013/06/79726</a>) e todos os desafios que foram postos à extrema esquerda foram problematizados pelo MPL e em várias análises do Passa Palavra (ver o dossiê: <a href="http://passapalavra.info/2014/06/95887" rel="ugc">http://passapalavra.info/2014/06/95887</a>) em uma chave analítica que vai além da questão da perda da direção do processo. Aliás, os ensaios de ir &#8220;além do limite da tática&#8221;, em 2015, já mostram que o MPL tentou resolver algumas dessas contradições e limites que foram postos em 2013 e que o MPL e a extrema esquerda em geral ainda não soube resolver. E a resposta de Aldo, a de que é preciso direção partidária do processo, não me parece satisfatória. A velha geração viu seus órgãos se atrelando ao governo e ao poder, viu o Partido chegando ao poder e os Sindicatos se tornando gestores de fundos de pensão. A nova geração de esquerda que veio à cena em 2013 vê, além disso, propostas organizacionais anacrônicas, e não cogita se enquadrar nesses moldes organizacionais clássicos, de Partido e Sindicato, pelo simples motivo de que essas formas organizacionais estão atreladas ao poder (ou à busca do poder) e a uma lógica hierárquica que não satisfaz as necessidades da luta de hoje, em lugar nenhum. A forma organizativa alternativa, horizontal, ainda vem sendo ensaiada e reensaiada, gestada aos trancos e barrancos nas lutas e práticas sociais. Talvez a forma velha tenha algo a oferecer nessa nova receita sendo testada no mundo todo, mas reafirmá-la pura e simplesmente, como se a esquerda anticapitalista já tivesse a teoria e os órgãos de luta feitos e à sua disposição, bastando usá-los e fazer a revolução, isso não dá. Em todo caso parabéns ao autor pela abertura ao diálogo e à tentativa de pensar possíveis contribuições aos limites desse &#8220;novo&#8221; que, gestado em bases organizativas distintas, se deparou algumas vezes com as mesmas dificuldades que outrora os Partidos e Sindicatos se depararam, e viu diante de si uma dificuldade original: os adversários cerrando fileiras conjuntamente, buscando diluir a pauta e canalizar a luta para outros fins. A esquerda anticapitalista precisa desse diálogo; em geral fica cada um no seu quadrado, a esquerda sem memória, e o capital agradece. Vamos ver pra que lado o debate caminha.</p>
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