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	Comentários sobre: Rackets! (gangues, bandos) – parte I	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Pé de Pano		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/11/109944/#comment-312127</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pé de Pano]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Nov 2016 08:20:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Tive incômodos semelhantes aos do Lucas quando li o texto pela primeira vez. Minha impressão (e é só uma impressão) é a de que a visão de Capital-Estado do autor é tributária ao Kurz, e talvez venha daí essa intuição/hipótese do Lucas de que ele critica, ou acaba criticando, toda e qualquer forma de organização - pois o Kurz é ótimo para mostrar o caráter [auto]destrutivo do capital e sua barbárie, mas é péssimo em termos de apontar qualquer saída frente às dinâmicas objetivas do capital e sua lei do valor, o que leva ao imobilismo prático. 

Parece que o Palinorc estende (não sem toda razão) a questão do Comunismo não poder ser gerido senão pela totalidade dos homens com a questão da forma organizativa (necessariamente uma não-totalidade dos homens, ao menos enquanto não &quot;triunfa&quot;) através da qual poderíamos superar o sistema, ou seja, uma parcela organizada dos trabalhadores em luta estaria sempre, por ser parcela, contaminada pelo &quot;clichê da onipotência&quot; das gangues enquanto vanguarda que expressa &quot;os pensamentos e necessidades da classe&quot;.Mas isso é necessariamente assim em toda e qualquer luta que se inicia, e segue sendo assim enquanto a classe autoorganizada não &quot;triunfa&quot;, daí o imbróglio entre a demolição da resposta bolchevique e o desejo de uma resposta não-leviatânica, que se ensaiou muitas vezes, mas que não está redonda e provavelmente só ficará pela prática inovadora de lutadores persistentes. Em todo caso, a crítica ao modelo bolchevique de aspiração ao poder é poderosa, daí o maior valor do texto, na minha opinião, e daí o valor das indagações do Lucas, independentemente de qual seja a visão do Palinorc ou do porquê de tal visão. 

Outra questão importante do texto é que ele mostra aspectos largamente ignorados (embora vividos na pele de quem milita) da luta pela conciliação (impossível?) entre individualidade e doação do sangue em projetos coletivos. Elucidar a formação das gangues no bojo dos trabalhadores organizados é um mérito muito grande deste texto, e aí a formulação ulícínicirúrgica de que &quot;onde falta luta e autoorganização sobra gangue&quot; é precisa, desde que entendamos que não é de fora e sim na luta e autoorganização que brotam as gangues políticas (&quot;de esquerda&quot;), sempre e quando se imponha a hetero-organização, ou seja, sempre que as novas relações sociais ensaiadas na luta autoorganizada não se estendem à totalidade do modo de produção e vence, então, a contrarrevolução, seja com armas, bombas, canetas e modalidades [tbm pós] modernas de pão salarial e circo midiático.  Fica então muito bem delineado: a resposta bolchevique é leviatânica e enquanto tal contrarrevolucionária. Mas as novas relações sociais comunais feitas pela totalidade dos indivíduos autoorganizados não será atingida sem organização e sem organismos de luta contra o capitalestado. Apelar para a ética de dirigentes dos organismos, por mais ponta-firme que sejam em seu caminho até a direção, é uma bobagem, é esperar que o Rambo volte do Vietnã e vá cuidar de orquídeas. Então, a crítica pode até ser apenas negativa e parar na destruição do bolche, já não seria pouco, mas convenhamos que a água batendo na bunda demanda mais, e aí, que munição temos à disposição nos anais das derrotas passadas? criação de organizações que contem com mecanismos de controle que garantam a decisão coletiva das questões centrais, formas organizativas com espaço para a oxigenação de ativismos e iniciativas espontâneas dos militantes, e o que mais? Um legado autonomista que não chegou a se consolidar nem na teoria e nem na prática e já está capengando no esquecimento do legado dos que tombaram, largamente corrompido, no que resta vivo, pelo câncer individualista, que no modelo bolchevique não faz tanto estrago porque lá há espaço para a convivência da disciplina revolucionária com o individualismo dos militantes aspirantes - mesmo que só o ID saiba - não só ao selo de humanistas-imprescindíveis-para-o-mundo-taqui-o-meu-facebook-me-liga-gatx, mas a gestores.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tive incômodos semelhantes aos do Lucas quando li o texto pela primeira vez. Minha impressão (e é só uma impressão) é a de que a visão de Capital-Estado do autor é tributária ao Kurz, e talvez venha daí essa intuição/hipótese do Lucas de que ele critica, ou acaba criticando, toda e qualquer forma de organização &#8211; pois o Kurz é ótimo para mostrar o caráter [auto]destrutivo do capital e sua barbárie, mas é péssimo em termos de apontar qualquer saída frente às dinâmicas objetivas do capital e sua lei do valor, o que leva ao imobilismo prático. </p>
<p>Parece que o Palinorc estende (não sem toda razão) a questão do Comunismo não poder ser gerido senão pela totalidade dos homens com a questão da forma organizativa (necessariamente uma não-totalidade dos homens, ao menos enquanto não &#8220;triunfa&#8221;) através da qual poderíamos superar o sistema, ou seja, uma parcela organizada dos trabalhadores em luta estaria sempre, por ser parcela, contaminada pelo &#8220;clichê da onipotência&#8221; das gangues enquanto vanguarda que expressa &#8220;os pensamentos e necessidades da classe&#8221;.Mas isso é necessariamente assim em toda e qualquer luta que se inicia, e segue sendo assim enquanto a classe autoorganizada não &#8220;triunfa&#8221;, daí o imbróglio entre a demolição da resposta bolchevique e o desejo de uma resposta não-leviatânica, que se ensaiou muitas vezes, mas que não está redonda e provavelmente só ficará pela prática inovadora de lutadores persistentes. Em todo caso, a crítica ao modelo bolchevique de aspiração ao poder é poderosa, daí o maior valor do texto, na minha opinião, e daí o valor das indagações do Lucas, independentemente de qual seja a visão do Palinorc ou do porquê de tal visão. </p>
<p>Outra questão importante do texto é que ele mostra aspectos largamente ignorados (embora vividos na pele de quem milita) da luta pela conciliação (impossível?) entre individualidade e doação do sangue em projetos coletivos. Elucidar a formação das gangues no bojo dos trabalhadores organizados é um mérito muito grande deste texto, e aí a formulação ulícínicirúrgica de que &#8220;onde falta luta e autoorganização sobra gangue&#8221; é precisa, desde que entendamos que não é de fora e sim na luta e autoorganização que brotam as gangues políticas (&#8220;de esquerda&#8221;), sempre e quando se imponha a hetero-organização, ou seja, sempre que as novas relações sociais ensaiadas na luta autoorganizada não se estendem à totalidade do modo de produção e vence, então, a contrarrevolução, seja com armas, bombas, canetas e modalidades [tbm pós] modernas de pão salarial e circo midiático.  Fica então muito bem delineado: a resposta bolchevique é leviatânica e enquanto tal contrarrevolucionária. Mas as novas relações sociais comunais feitas pela totalidade dos indivíduos autoorganizados não será atingida sem organização e sem organismos de luta contra o capitalestado. Apelar para a ética de dirigentes dos organismos, por mais ponta-firme que sejam em seu caminho até a direção, é uma bobagem, é esperar que o Rambo volte do Vietnã e vá cuidar de orquídeas. Então, a crítica pode até ser apenas negativa e parar na destruição do bolche, já não seria pouco, mas convenhamos que a água batendo na bunda demanda mais, e aí, que munição temos à disposição nos anais das derrotas passadas? criação de organizações que contem com mecanismos de controle que garantam a decisão coletiva das questões centrais, formas organizativas com espaço para a oxigenação de ativismos e iniciativas espontâneas dos militantes, e o que mais? Um legado autonomista que não chegou a se consolidar nem na teoria e nem na prática e já está capengando no esquecimento do legado dos que tombaram, largamente corrompido, no que resta vivo, pelo câncer individualista, que no modelo bolchevique não faz tanto estrago porque lá há espaço para a convivência da disciplina revolucionária com o individualismo dos militantes aspirantes &#8211; mesmo que só o ID saiba &#8211; não só ao selo de humanistas-imprescindíveis-para-o-mundo-taqui-o-meu-facebook-me-liga-gatx, mas a gestores.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/11/109944/#comment-312125</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Nov 2016 16:13:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ONDE FALTA LUTA &#038; AUTO-ORGANIZAÇÃO, SOBRA GANGUE…
Ala esquerda do capital (multiculturalistas &#038; genéricos cis/trans: fulan*s&#038;beltran*s heromartiridolatrad*s) a.k.a. aspirantes a gestores. Escoteiros sobrevivencomungantes modjus, freelancers &#038; funcionários de carreira da ideia absoluta empunham a chama votiva.
Seu óbolo: miríades (gotas de sangue) pela (contrar)revolução, pintada de vermelho &#038;/ preto? Agitprop racket service : around the world – bllsht!

A tradução lusobrasuca de Rackets será o golpe de misericórdia na despótica arrogância das vanguardas autoproclamadas. Partidistas ou não.
De novo, o sempre novelhOVO: substituísmo vanguardista, messiânico &#038; rempli de soi-même.
Lucas &#038; Humanaesfera, apesar (ou por causa?) de suas divergências, olhos fixos na meta, avançam.
Amigos da Revolução Social, cada um a sua maneira, situam concretamente a denúncia do fenômeno RACKETS – incluída sua cotidiana banalização – no bojo da crítica teórica&#038;prática da economia política.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>ONDE FALTA LUTA &amp; AUTO-ORGANIZAÇÃO, SOBRA GANGUE…<br />
Ala esquerda do capital (multiculturalistas &amp; genéricos cis/trans: fulan*s&amp;beltran*s heromartiridolatrad*s) a.k.a. aspirantes a gestores. Escoteiros sobrevivencomungantes modjus, freelancers &amp; funcionários de carreira da ideia absoluta empunham a chama votiva.<br />
Seu óbolo: miríades (gotas de sangue) pela (contrar)revolução, pintada de vermelho &amp;/ preto? Agitprop racket service : around the world – bllsht!</p>
<p>A tradução lusobrasuca de Rackets será o golpe de misericórdia na despótica arrogância das vanguardas autoproclamadas. Partidistas ou não.<br />
De novo, o sempre novelhOVO: substituísmo vanguardista, messiânico &amp; rempli de soi-même.<br />
Lucas &amp; Humanaesfera, apesar (ou por causa?) de suas divergências, olhos fixos na meta, avançam.<br />
Amigos da Revolução Social, cada um a sua maneira, situam concretamente a denúncia do fenômeno RACKETS – incluída sua cotidiana banalização – no bojo da crítica teórica&amp;prática da economia política.</p>
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		<title>
		Por: humanaesfera		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/11/109944/#comment-312121</link>

		<dc:creator><![CDATA[humanaesfera]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Nov 2016 12:48:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Críticas muito interessantes as do Lucas. Em particular as críticas aos aspectos muitas vezes subjetivos do texto. 

Quanto à ideia de vanguarda, que o texto critica, e a questão de se &quot;os marinheiros e operários de Kronstadt, os operários que militaram ativamente os conselhos de fábricas e que primeiro organizaram as guardas vermelhas nas indústrias, para ficar apenas no episódio russo, não seriam eles a vanguarda da revolução russa?&quot; Podem até ser chamados com esse nome (&quot;vanguarda&quot;), mas essa identificação só se mantém se a luta desses proletários fracassa, ou seja, se não se difunde além dessas identidades, no sentido de uma associação prática universal que suprime as compartimentações da sociedade capitalista (empresas, empregos, quarteis, nações, escolas, famílias etc), supressão pela qual o proletariado se constitui em classe autônoma contra a classe dominante por toda parte. Se não alcança isso, se não difunde a luta autônoma se dissolvendo, essa &quot;vanguarda&quot;, quanto mais se torna permanente, mais ganguista é condenada a ser: quanto mais &quot;ativista&quot; e &quot;militante&quot;, mais recuperada será, já que, quanto mais se perpetua, mais &quot;em simbiose&quot; estará com a sociedade capitalista, até ser um elemento plenamente funcional dela, inclusive encarregada de suprimir sistematicamente a luta do proletariado. A história tem exemplos sem fim dessa dinâmica, que é a dinâmica de todas as contra-revoluções, ou seja, de todas as derrotas do proletariado enquanto classe autônoma. 

Então, parece válida a ideia de &quot;vanguarda&quot; enquanto irrupção que se difunde rapidamente para se dissolver. Enquanto isso não ocorre, a tendência comunista (no sentido de busca prática da autonomia da classe nas relações sociais de produção contra o capital) do proletariado existe simultânea com sua tendência sustentadora do status quo, a de ser capital variável, submerso no fetichismo da mercadoria, na sociedade do espetáculo, como cidadãos vendedores/compradores de mercadorias livres e iguais sob o policiamento &quot;protetor&quot; do Estado, ainda que, ao contrário da classe proprietária, a única mercadoria que tenham a vender seja a si próprios. Evidentemente, a sociedade capitalista só se perpetua se a tendência comunista, que o próprio capital não pode deixar de estimular (já que o capital não pode existir sem incessantemente privar os proletários de suas próprias condições de existência, a acumulação do capital), for constantemente controlada e subssumida na outra tendência, a tendência espetacular (a de ser capital variável), em que a competição dos proletários pela obediência à classe dominante para sobreviver faz da gangue (oficial ou não oficial) a forma predominante de relação entre pessoas. 

Quando um grupo aparece dizendo representar essa tendência comunista, se acreditando uma &quot;vanguarda&quot; que vai guiar com suas ideias o proletariado, ele sem perceber está acolhendo e afirmando a tendência espetacular, afirmando o idealismo, voluntarismo, platonismo etc (o exemplo clássico disso é o leninismo, mas é idêntico ao o que ocorreu historicamente no anarquismo, pois não importa a ideologia, nem o objetivo declarado) pelos quais constituem gangues, e, muitas vezes, suas consolidações como organizações, federações, partidos, sindicatos etc. Caso tenham curiosidade, em contraposição a essa perspectiva espetacular, desenvolvemos algumas posições, que já expomos em alguns textos, entre os quais:

- Contra a estratégia 
http://humanaesfera.blogspot.com.br/2016/07/contra-estrategia_13.html

- Ação direta VERSUS trabalho de base
http://humanaesfera.blogspot.com.br/2015/05/acao-direta-contra-trabalho-de-base.html

- Autonomia, &quot;classe média&quot; e auto-abolição do proletariado
http://humanaesfera.blogspot.com.br/2015/09/autonomia-proletaria-e-auto-abolicao-do.html


Também vale muito a pena ler a carta de Camatte citada no texto:

- Sobre Organização: As Gangues (dentro e fora do Estado) e o Estado como Gangue, Jacques Camatte &#038; Gianni Collu.
https://libcom.org/library/sobre-organiza%C3%A7%C3%A3o-gangues-dentro-e-fora-do-estado-e-o-estado-como-gangue-jacques-camatte]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Críticas muito interessantes as do Lucas. Em particular as críticas aos aspectos muitas vezes subjetivos do texto. </p>
<p>Quanto à ideia de vanguarda, que o texto critica, e a questão de se &#8220;os marinheiros e operários de Kronstadt, os operários que militaram ativamente os conselhos de fábricas e que primeiro organizaram as guardas vermelhas nas indústrias, para ficar apenas no episódio russo, não seriam eles a vanguarda da revolução russa?&#8221; Podem até ser chamados com esse nome (&#8220;vanguarda&#8221;), mas essa identificação só se mantém se a luta desses proletários fracassa, ou seja, se não se difunde além dessas identidades, no sentido de uma associação prática universal que suprime as compartimentações da sociedade capitalista (empresas, empregos, quarteis, nações, escolas, famílias etc), supressão pela qual o proletariado se constitui em classe autônoma contra a classe dominante por toda parte. Se não alcança isso, se não difunde a luta autônoma se dissolvendo, essa &#8220;vanguarda&#8221;, quanto mais se torna permanente, mais ganguista é condenada a ser: quanto mais &#8220;ativista&#8221; e &#8220;militante&#8221;, mais recuperada será, já que, quanto mais se perpetua, mais &#8220;em simbiose&#8221; estará com a sociedade capitalista, até ser um elemento plenamente funcional dela, inclusive encarregada de suprimir sistematicamente a luta do proletariado. A história tem exemplos sem fim dessa dinâmica, que é a dinâmica de todas as contra-revoluções, ou seja, de todas as derrotas do proletariado enquanto classe autônoma. </p>
<p>Então, parece válida a ideia de &#8220;vanguarda&#8221; enquanto irrupção que se difunde rapidamente para se dissolver. Enquanto isso não ocorre, a tendência comunista (no sentido de busca prática da autonomia da classe nas relações sociais de produção contra o capital) do proletariado existe simultânea com sua tendência sustentadora do status quo, a de ser capital variável, submerso no fetichismo da mercadoria, na sociedade do espetáculo, como cidadãos vendedores/compradores de mercadorias livres e iguais sob o policiamento &#8220;protetor&#8221; do Estado, ainda que, ao contrário da classe proprietária, a única mercadoria que tenham a vender seja a si próprios. Evidentemente, a sociedade capitalista só se perpetua se a tendência comunista, que o próprio capital não pode deixar de estimular (já que o capital não pode existir sem incessantemente privar os proletários de suas próprias condições de existência, a acumulação do capital), for constantemente controlada e subssumida na outra tendência, a tendência espetacular (a de ser capital variável), em que a competição dos proletários pela obediência à classe dominante para sobreviver faz da gangue (oficial ou não oficial) a forma predominante de relação entre pessoas. </p>
<p>Quando um grupo aparece dizendo representar essa tendência comunista, se acreditando uma &#8220;vanguarda&#8221; que vai guiar com suas ideias o proletariado, ele sem perceber está acolhendo e afirmando a tendência espetacular, afirmando o idealismo, voluntarismo, platonismo etc (o exemplo clássico disso é o leninismo, mas é idêntico ao o que ocorreu historicamente no anarquismo, pois não importa a ideologia, nem o objetivo declarado) pelos quais constituem gangues, e, muitas vezes, suas consolidações como organizações, federações, partidos, sindicatos etc. Caso tenham curiosidade, em contraposição a essa perspectiva espetacular, desenvolvemos algumas posições, que já expomos em alguns textos, entre os quais:</p>
<p>&#8211; Contra a estratégia<br />
<a href="http://humanaesfera.blogspot.com.br/2016/07/contra-estrategia_13.html" rel="nofollow ugc">http://humanaesfera.blogspot.com.br/2016/07/contra-estrategia_13.html</a></p>
<p>&#8211; Ação direta VERSUS trabalho de base<br />
<a href="http://humanaesfera.blogspot.com.br/2015/05/acao-direta-contra-trabalho-de-base.html" rel="nofollow ugc">http://humanaesfera.blogspot.com.br/2015/05/acao-direta-contra-trabalho-de-base.html</a></p>
<p>&#8211; Autonomia, &#8220;classe média&#8221; e auto-abolição do proletariado<br />
<a href="http://humanaesfera.blogspot.com.br/2015/09/autonomia-proletaria-e-auto-abolicao-do.html" rel="nofollow ugc">http://humanaesfera.blogspot.com.br/2015/09/autonomia-proletaria-e-auto-abolicao-do.html</a></p>
<p>Também vale muito a pena ler a carta de Camatte citada no texto:</p>
<p>&#8211; Sobre Organização: As Gangues (dentro e fora do Estado) e o Estado como Gangue, Jacques Camatte &amp; Gianni Collu.<br />
<a href="https://libcom.org/library/sobre-organiza%C3%A7%C3%A3o-gangues-dentro-e-fora-do-estado-e-o-estado-como-gangue-jacques-camatte" rel="nofollow ugc">https://libcom.org/library/sobre-organiza%C3%A7%C3%A3o-gangues-dentro-e-fora-do-estado-e-o-estado-como-gangue-jacques-camatte</a></p>
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		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/11/109944/#comment-312120</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Nov 2016 20:14:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Antes de tecer alguns comentários, aviso que já li o texto integral em ingles, o que pode influenciar um pouco os comentários específicos que farei sobre este trecho do texto. Primeiramente, o  texto é uma dessas agulhadas boas no pensamento fácil e confortável. Seu autor claramente é alguém que conhece bastante a história e os ambientes da extrema-esquerda, algo que pode ser visto também no único outro texto que encontrei dele na internet, onde ele elogia, com muitas críticas, o livro de Holloway &quot;Mudar o mundo sem tomar o poder&quot; (https://thediscourseunit.files.wordpress.com/2016/05/arcp3-complete-issue.doc)

Esta primeira parte do texto apresenta alguns argumentos e aspectos que o colocam entre uma antropologia e uma tipologia sociológica dos grupos e especialmente dos grupúsculos políticos.  Mas algo no meio disso fica confuso e misturado. Ele diz que as gangues reproduzem o Estado, comparando os membros braçais como o proletariado e os líderes com os gestores, mas essa comparação me parece forçada, pois o Estado é um aparelho que media entre classes sociais, e o próprio texto mostra que os membros das gangues vêm quase sempre da mesma classe social de &quot;trabalhadores intelectuais&quot; frustrados -- gestores em potencia ou em ato. Creio que a verdade do argumento vai no sentido da estrutura militarizada de mando, que é a interpretação institucionalista do Estado. Nesta tipologia um pouco escorregadia, no decorrer do texto parece que podemos incluir nas gangues todo tipo de organização, como sindicatos, partidos, células clandestinas, exércitos populares, agrupamentos estudantis. Mas quando chegamos a outro momento do texto, vemos que alguns traços são os essenciais, embora com critérios dificilmente compartilhados por um grande número de pessoas: &quot;Nenhuma gangue é regida por consenso ou por métodos participativos transparentes&quot;, &quot;Para eles, influenciar outros significa recrutar, e não contribuir para uma clarificação em andamento da consciência;&quot;, &quot;O primeiro, pela negação do que acontece na gangue, e o segundo, pela suspensão do pensamento crítico;&quot;. São boas
descrições do que encontramos com frequência nas organizações de extrema-esquerda, mas são critérios muitas vezes subjetivos: a suspensão do pensamento crítico é facilmente igualado à um coletivo de pessoas que pensam diferente do que o crítico espera delas, a &quot;clarificação em andamento&quot; não é necessariamente idêntico a não unir-se a um grupo, a transparência tem limites complexos quando a auto-defesa se faz necessária -- são critérios maleáveis e sempre sujeitos à diferentes contextos.

Depois há uma boa referência à classe dos gestores e seu modo de funcionamento, sua busca política-econômica para encaixar-se nos circuitos econômicos por meio do poder. Mas em seguida o autor passa a falar da forma partido como se gangue e partido fossem idênticos, negando a diversidade de formas que estava  indefinida no começo. Por fim fala da vanguarda, e de forma surpreendente diz que toda vanguarda &quot;são gangues por causa de sua estrutura militarizada, práticas de culto, fragmentação e isolamento frente ao proletariado como um todo.&quot; Parece estar fazendo uma referência às vanguardas auto-intituladas, típicas dos partidos de tradição leninista para quem a vanguarda é o partido, como se essa fosse a única forma de haver uma vanguarda. Mas não fica claro se o autor pensa ser possível existir qualquer outro tipo de vanguarda ou se para ele a vanguarda não existe senão no discurso partidário. Parece fazer parte dos ataques do autor à ideia de heterogeneidade da classe trabalhadora, ainda que o maior ataque seja direcionado à particulares conclusões lógicas desta heterogeneidade e não a existência ou não desta.
Me faz pensar: para o autor, por exemplo, os marinheiros e operários de Kronstadt, os operários que militaram ativamente os conselhos de fábricas e que primeiro organizaram as guardas vermelhas nas indústrias, para ficar apenas no episódio russo, não seriam eles a vanguarda da revolução russa? Estariam eles no mesmo nível de consciência política que os sindicalistas mencheviques, que os serviçais fieis ao parlamento, seria tudo uma grande massa impossível de ser analisada de forma dinâmica?

Estes e outros argumentos me dão a impressão de que o objetivo do autor é fazer uma crítica de toda organização política, proletária ou não, mas ele não consegue se desfazer da crítica ao modelo da tradição leninista e recorre à categorias antropológicas e sociológicas para tentar ver em qualquer agrupamento parcial que não seja a totalidade da classe uma reprodução dos traços leninistas clássicos, por isso não pode deixar de fazer referência à tomada do Estado como aspecto essencial, como se fosse a maçã inconsciente de qualquer grupúsculo, anarquista, marxista, qualquercoisaista.
Vejamos nas partes seguintes se me equivoco com os argumentos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Antes de tecer alguns comentários, aviso que já li o texto integral em ingles, o que pode influenciar um pouco os comentários específicos que farei sobre este trecho do texto. Primeiramente, o  texto é uma dessas agulhadas boas no pensamento fácil e confortável. Seu autor claramente é alguém que conhece bastante a história e os ambientes da extrema-esquerda, algo que pode ser visto também no único outro texto que encontrei dele na internet, onde ele elogia, com muitas críticas, o livro de Holloway &#8220;Mudar o mundo sem tomar o poder&#8221; (<a href="https://thediscourseunit.files.wordpress.com/2016/05/arcp3-complete-issue.doc" rel="nofollow ugc">https://thediscourseunit.files.wordpress.com/2016/05/arcp3-complete-issue.doc</a>)</p>
<p>Esta primeira parte do texto apresenta alguns argumentos e aspectos que o colocam entre uma antropologia e uma tipologia sociológica dos grupos e especialmente dos grupúsculos políticos.  Mas algo no meio disso fica confuso e misturado. Ele diz que as gangues reproduzem o Estado, comparando os membros braçais como o proletariado e os líderes com os gestores, mas essa comparação me parece forçada, pois o Estado é um aparelho que media entre classes sociais, e o próprio texto mostra que os membros das gangues vêm quase sempre da mesma classe social de &#8220;trabalhadores intelectuais&#8221; frustrados &#8212; gestores em potencia ou em ato. Creio que a verdade do argumento vai no sentido da estrutura militarizada de mando, que é a interpretação institucionalista do Estado. Nesta tipologia um pouco escorregadia, no decorrer do texto parece que podemos incluir nas gangues todo tipo de organização, como sindicatos, partidos, células clandestinas, exércitos populares, agrupamentos estudantis. Mas quando chegamos a outro momento do texto, vemos que alguns traços são os essenciais, embora com critérios dificilmente compartilhados por um grande número de pessoas: &#8220;Nenhuma gangue é regida por consenso ou por métodos participativos transparentes&#8221;, &#8220;Para eles, influenciar outros significa recrutar, e não contribuir para uma clarificação em andamento da consciência;&#8221;, &#8220;O primeiro, pela negação do que acontece na gangue, e o segundo, pela suspensão do pensamento crítico;&#8221;. São boas<br />
descrições do que encontramos com frequência nas organizações de extrema-esquerda, mas são critérios muitas vezes subjetivos: a suspensão do pensamento crítico é facilmente igualado à um coletivo de pessoas que pensam diferente do que o crítico espera delas, a &#8220;clarificação em andamento&#8221; não é necessariamente idêntico a não unir-se a um grupo, a transparência tem limites complexos quando a auto-defesa se faz necessária &#8212; são critérios maleáveis e sempre sujeitos à diferentes contextos.</p>
<p>Depois há uma boa referência à classe dos gestores e seu modo de funcionamento, sua busca política-econômica para encaixar-se nos circuitos econômicos por meio do poder. Mas em seguida o autor passa a falar da forma partido como se gangue e partido fossem idênticos, negando a diversidade de formas que estava  indefinida no começo. Por fim fala da vanguarda, e de forma surpreendente diz que toda vanguarda &#8220;são gangues por causa de sua estrutura militarizada, práticas de culto, fragmentação e isolamento frente ao proletariado como um todo.&#8221; Parece estar fazendo uma referência às vanguardas auto-intituladas, típicas dos partidos de tradição leninista para quem a vanguarda é o partido, como se essa fosse a única forma de haver uma vanguarda. Mas não fica claro se o autor pensa ser possível existir qualquer outro tipo de vanguarda ou se para ele a vanguarda não existe senão no discurso partidário. Parece fazer parte dos ataques do autor à ideia de heterogeneidade da classe trabalhadora, ainda que o maior ataque seja direcionado à particulares conclusões lógicas desta heterogeneidade e não a existência ou não desta.<br />
Me faz pensar: para o autor, por exemplo, os marinheiros e operários de Kronstadt, os operários que militaram ativamente os conselhos de fábricas e que primeiro organizaram as guardas vermelhas nas indústrias, para ficar apenas no episódio russo, não seriam eles a vanguarda da revolução russa? Estariam eles no mesmo nível de consciência política que os sindicalistas mencheviques, que os serviçais fieis ao parlamento, seria tudo uma grande massa impossível de ser analisada de forma dinâmica?</p>
<p>Estes e outros argumentos me dão a impressão de que o objetivo do autor é fazer uma crítica de toda organização política, proletária ou não, mas ele não consegue se desfazer da crítica ao modelo da tradição leninista e recorre à categorias antropológicas e sociológicas para tentar ver em qualquer agrupamento parcial que não seja a totalidade da classe uma reprodução dos traços leninistas clássicos, por isso não pode deixar de fazer referência à tomada do Estado como aspecto essencial, como se fosse a maçã inconsciente de qualquer grupúsculo, anarquista, marxista, qualquercoisaista.<br />
Vejamos nas partes seguintes se me equivoco com os argumentos.</p>
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		Por: G.P.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2016/11/109944/#comment-312119</link>

		<dc:creator><![CDATA[G.P.]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Nov 2016 18:49:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Às vezes os partidos, e não somente as gangues, funcionam como &quot;câmaras de torturas para seus membros&quot;: http://passapalavra.info/2013/06/78276 (Emancipação ao contrário: relatos de dois ex-trotskistas (1) e (2) - publicados neste site). Creio que esses espaços, corriqueiramente, são mais cheios de gente debaixo do que de cima. No entanto como são raras as chegadas ao topo sem que o sujeito tenha passado certo tempo sendo temperado no andar de baixo, as câmara de torturas invariavelmente estão abertas a todos, são frequentadas por ambas as ordens, mudando apenas a escala de representação, pois sabe-se que o andar de cima apresenta regalias (dinheiro, status, poder...) que podem funcionar muito bem como antídotos ao sofrimento imposto pelas câmaras de tortura ou até mesmo ser o espaço que desenha a câmara e o perfil das vagas, determinando, assim, quem irá ocupá-la; por mais que o andar de cima negue todas essas vantagens e realizações. Interessante, ainda, é notar a componente servidão voluntária, não tão voluntária assim, é verdade - consideradas as pressões do próprio grupo, dos dirigentes, da ideologia, das punições internas, pretensões de cargos de poder...  -, na trajetória de quem passa temporadas nessas câmaras e não chegam a virar as costas ao partido e seguir a vida.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Às vezes os partidos, e não somente as gangues, funcionam como &#8220;câmaras de torturas para seus membros&#8221;: <a href="http://passapalavra.info/2013/06/78276" rel="ugc">http://passapalavra.info/2013/06/78276</a> (Emancipação ao contrário: relatos de dois ex-trotskistas (1) e (2) &#8211; publicados neste site). Creio que esses espaços, corriqueiramente, são mais cheios de gente debaixo do que de cima. No entanto como são raras as chegadas ao topo sem que o sujeito tenha passado certo tempo sendo temperado no andar de baixo, as câmara de torturas invariavelmente estão abertas a todos, são frequentadas por ambas as ordens, mudando apenas a escala de representação, pois sabe-se que o andar de cima apresenta regalias (dinheiro, status, poder&#8230;) que podem funcionar muito bem como antídotos ao sofrimento imposto pelas câmaras de tortura ou até mesmo ser o espaço que desenha a câmara e o perfil das vagas, determinando, assim, quem irá ocupá-la; por mais que o andar de cima negue todas essas vantagens e realizações. Interessante, ainda, é notar a componente servidão voluntária, não tão voluntária assim, é verdade &#8211; consideradas as pressões do próprio grupo, dos dirigentes, da ideologia, das punições internas, pretensões de cargos de poder&#8230;  -, na trajetória de quem passa temporadas nessas câmaras e não chegam a virar as costas ao partido e seguir a vida.</p>
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