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	Comentários sobre: Desembaralhando as cartas à mesa	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/01/110394/#comment-313294</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Feb 2017 09:49:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Verifico agora que o link no meu comentário anterior conduz a uma nova versão da notícia que eu havia lido ontem, onde está mais resumida a parte referente ao protesto apresentado em tribunal, no domingo, por noventa e sete empresas de tecnologia de ponta contra a ordem executiva que suspendia a entrada nos Estados Unidos de pessoas originárias de sete países muçulmanos. Quem não saiba inglês pode ler aqui uma notícia sobre o mesmo assunto em língua portuguesa (http://observador.pt/2017/02/06/grandes-empresas-tecnologicas-unem-se-contra-decreto-anti-imigracao-de-trump/ ). 

Encontro hoje outra notícia (https://www.yahoo.com/news/why-some-big-tech-giants-didnt-join-a-brief-fighting-trumps-immigration-ban-224244071.html ) que revela as nuances da situação. A ausência da Amazon na lista não é significativa, já que não integrou aquele grupo de empresas só por estar já a participar noutro protesto em tribunal. Também a Hewlett-Packard reclamara publicamente e anunciou que não se juntara às noventa e sete empresas porque lhe fora dado um prazo demasiado curto para o fazer. Mais interessantes são os casos da Oracle e da IBM. Uma co-ceo da Oracle pertenceu à equipa de transição de Trump, o que levou a protestos por parte de outros dirigentes da empresa, um dos quais se demitiu em Dezembro do ano passado. Por seu lado, o ceo da IBM faz parte do grupo de conselheiros do presidente Trump em questões de negócios e um porta-voz da IBM afirmou que a companhia teria usado este canal para veicular a sua posição. Seria convidativo insistir aqui na diferença entre os tipos de tecnologia prosseguidos pela IBM e pelas empresas integrada no grupo das noventa e sete, mas prefiro não me satisfazer com explicações demasiado rápidas. O certo é que num ramo crucial das tecnologias de ponta temos noventa e nove empresas (97+2) de um lado, a IBM do outro, e a Oracle a meio. 

Mas, como disse, convém não se deixar seduzir por soluções apressadas, porque o presidente e ceo da Starbucks, que não é propriamente uma empresa de tecnologia de ponta, publicou em 29 de Janeiro um verdadeiro manifesto ideológico, que importa ler na íntegra (https://news.starbucks.com/news/living-our-values-in-uncertain-times ).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Verifico agora que o link no meu comentário anterior conduz a uma nova versão da notícia que eu havia lido ontem, onde está mais resumida a parte referente ao protesto apresentado em tribunal, no domingo, por noventa e sete empresas de tecnologia de ponta contra a ordem executiva que suspendia a entrada nos Estados Unidos de pessoas originárias de sete países muçulmanos. Quem não saiba inglês pode ler aqui uma notícia sobre o mesmo assunto em língua portuguesa (<a href="http://observador.pt/2017/02/06/grandes-empresas-tecnologicas-unem-se-contra-decreto-anti-imigracao-de-trump/" rel="nofollow ugc">http://observador.pt/2017/02/06/grandes-empresas-tecnologicas-unem-se-contra-decreto-anti-imigracao-de-trump/</a> ). </p>
<p>Encontro hoje outra notícia (<a href="https://www.yahoo.com/news/why-some-big-tech-giants-didnt-join-a-brief-fighting-trumps-immigration-ban-224244071.html" rel="nofollow ugc">https://www.yahoo.com/news/why-some-big-tech-giants-didnt-join-a-brief-fighting-trumps-immigration-ban-224244071.html</a> ) que revela as nuances da situação. A ausência da Amazon na lista não é significativa, já que não integrou aquele grupo de empresas só por estar já a participar noutro protesto em tribunal. Também a Hewlett-Packard reclamara publicamente e anunciou que não se juntara às noventa e sete empresas porque lhe fora dado um prazo demasiado curto para o fazer. Mais interessantes são os casos da Oracle e da IBM. Uma co-ceo da Oracle pertenceu à equipa de transição de Trump, o que levou a protestos por parte de outros dirigentes da empresa, um dos quais se demitiu em Dezembro do ano passado. Por seu lado, o ceo da IBM faz parte do grupo de conselheiros do presidente Trump em questões de negócios e um porta-voz da IBM afirmou que a companhia teria usado este canal para veicular a sua posição. Seria convidativo insistir aqui na diferença entre os tipos de tecnologia prosseguidos pela IBM e pelas empresas integrada no grupo das noventa e sete, mas prefiro não me satisfazer com explicações demasiado rápidas. O certo é que num ramo crucial das tecnologias de ponta temos noventa e nove empresas (97+2) de um lado, a IBM do outro, e a Oracle a meio. </p>
<p>Mas, como disse, convém não se deixar seduzir por soluções apressadas, porque o presidente e ceo da Starbucks, que não é propriamente uma empresa de tecnologia de ponta, publicou em 29 de Janeiro um verdadeiro manifesto ideológico, que importa ler na íntegra (<a href="https://news.starbucks.com/news/living-our-values-in-uncertain-times" rel="nofollow ugc">https://news.starbucks.com/news/living-our-values-in-uncertain-times</a> ).</p>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/01/110394/#comment-313278</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Feb 2017 22:35:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Num comentário do dia 25 de Janeiro Breno perguntou: «Quais frações da burguesia estadunidense estão a lograr benefícios devido à política econômica de Trump? [...] quais os capitalistas que dão suporte ao novo presidente? Seriam aqueles menos competitivos e, portanto, retardatários no processo de integração das cadeias produtivas [...] ?». Uma notícia divulgada hoje (https://www.yahoo.com/news/top-tech-companies-argue-against-trump-travel-ban-112912514.html ) mostra qual é o sector do capitalismo norte-americano que está a ser mais imediatamente prejudicado pela política de Trump. E então fica a pergunta: como é possível que um presidente governe contra noventa e sete companhias de topo no ramo tecnológico mais importante da actualidade, incluindo a Intel, a Apple, a Microsoft, o Google, o Mozilla, o Facebook, o Twitter, a AirBnb, a eBay, o LinkedIn, a Netflix e a Uber? Nisto tudo encontro mais motivos para fazer perguntas do que elementos para dar respostas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Num comentário do dia 25 de Janeiro Breno perguntou: «Quais frações da burguesia estadunidense estão a lograr benefícios devido à política econômica de Trump? [&#8230;] quais os capitalistas que dão suporte ao novo presidente? Seriam aqueles menos competitivos e, portanto, retardatários no processo de integração das cadeias produtivas [&#8230;] ?». Uma notícia divulgada hoje (<a href="https://www.yahoo.com/news/top-tech-companies-argue-against-trump-travel-ban-112912514.html" rel="nofollow ugc">https://www.yahoo.com/news/top-tech-companies-argue-against-trump-travel-ban-112912514.html</a> ) mostra qual é o sector do capitalismo norte-americano que está a ser mais imediatamente prejudicado pela política de Trump. E então fica a pergunta: como é possível que um presidente governe contra noventa e sete companhias de topo no ramo tecnológico mais importante da actualidade, incluindo a Intel, a Apple, a Microsoft, o Google, o Mozilla, o Facebook, o Twitter, a AirBnb, a eBay, o LinkedIn, a Netflix e a Uber? Nisto tudo encontro mais motivos para fazer perguntas do que elementos para dar respostas.</p>
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		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/01/110394/#comment-313224</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Feb 2017 11:54:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[QUANDO A SUBSTÂNCIA (MASSA PROLETÁRIA REBELDE) DEVÉM SUJEITO (PROTAGONISTA COSMO-HISTÓRICO) 
scilicet, na fábrica planetária:
http://clb.org.hk/content/new-and-old-economy-divisions-deepen-q4-worker-actions]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>QUANDO A SUBSTÂNCIA (MASSA PROLETÁRIA REBELDE) DEVÉM SUJEITO (PROTAGONISTA COSMO-HISTÓRICO)<br />
scilicet, na fábrica planetária:<br />
<a href="http://clb.org.hk/content/new-and-old-economy-divisions-deepen-q4-worker-actions" rel="nofollow ugc">http://clb.org.hk/content/new-and-old-economy-divisions-deepen-q4-worker-actions</a></p>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/01/110394/#comment-313174</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Feb 2017 17:10:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Manolo,

Sem pretender desviar as atenções do assunto principal, comento apenas o seguinte. Neste momento 83% dos restaurantes da McDonald’s são franchisings, ou franquias, como se diz no Brasil, e o actual ceo pretende elevar este valor para 95%. Porém, a dependência das franchisings relativamente à matriz não consiste somente na obrigação de lhe pagarem uma determinada renda. A dependência vigora também no plano tecnológico, já que as franchisings têm de obedecer estritamente aos sistemas de produção, de trabalho e de controlo da qualidade definidos pela matriz. E a dependência vigora igualmente no plano das relações com os consumidores, pois a matriz procede a testes de opinião regulares. Na minha opinião, as cadeias de franchising correspondem a uma remodelação no quadro de propriedade, aparentando uma relativa autonomia jurídica, no interior de uma completa integração no quadro tecnológico. Procedendo a uma analogia –- com todos os limites das analogias –- muitas pessoas que no plano jurídico se definem como profissionais independentes são, no plano das relações de trabalho, verdadeiros assalariados, com a diferença somente de que a empresa para a qual laboram os responsabiliza por uma série de custos. A situação das franchisings parece-me ser comparável.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Manolo,</p>
<p>Sem pretender desviar as atenções do assunto principal, comento apenas o seguinte. Neste momento 83% dos restaurantes da McDonald’s são franchisings, ou franquias, como se diz no Brasil, e o actual ceo pretende elevar este valor para 95%. Porém, a dependência das franchisings relativamente à matriz não consiste somente na obrigação de lhe pagarem uma determinada renda. A dependência vigora também no plano tecnológico, já que as franchisings têm de obedecer estritamente aos sistemas de produção, de trabalho e de controlo da qualidade definidos pela matriz. E a dependência vigora igualmente no plano das relações com os consumidores, pois a matriz procede a testes de opinião regulares. Na minha opinião, as cadeias de franchising correspondem a uma remodelação no quadro de propriedade, aparentando uma relativa autonomia jurídica, no interior de uma completa integração no quadro tecnológico. Procedendo a uma analogia –- com todos os limites das analogias –- muitas pessoas que no plano jurídico se definem como profissionais independentes são, no plano das relações de trabalho, verdadeiros assalariados, com a diferença somente de que a empresa para a qual laboram os responsabiliza por uma série de custos. A situação das franchisings parece-me ser comparável.</p>
]]></content:encoded>
		
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		<item>
		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/01/110394/#comment-313161</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Feb 2017 00:16:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em resposta a &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2017/01/110394/#comment-313022&quot;&gt;João Bernardo&lt;/a&gt;.

Como também li e me espantei com os artigos da &lt;em&gt;Economist&lt;/em&gt;, deixo também meus pitacos:

a) As cadeias de &lt;em&gt;fast food&lt;/em&gt; não são o melhor exemplo de multinacionais, pois operam por meio de franquias. Sequer o investimento direto nos moldes clássicos -- construir do zero filiais nos moldes da matriz ou comprar empresas pré-existentes -- sequer isto fazem. Isto quando não são alvo de contrafação: só a KFC hoje, no Brasil, concorre com o &lt;em&gt;Frango Americano no Balde&lt;/em&gt;, com o &lt;em&gt;Frango Frito Americano&lt;/em&gt; e similares. Para estes casos, o argumento da &lt;em&gt;Economist&lt;/em&gt; cai como uma luva. Já no caso do ramo da informática, eles erraram feio.

b) Num campo estritamente jurídico &lt;em&gt;The Economist&lt;/em&gt; tem razão ao dizer que &quot;não existem transnacionais&quot;, mas não é este campo que define as coisas no funcionamento da economia; pelo contrário, via de regra o jurídico está a reboque dos CEOs e das agitações operárias. Nos artigos de João Bernardo sobre a crise econômica de 2008-2010 está bem apontada a contradição: a produção e a logística se estendem unificadamente em escala global, mas a personalidade jurídica fragmenta-se por vários ordenamentos jurídicos nacionais, a depender de as legislações serem mais ou menos benéficas a tal ou qual ramo ou tipo de produção no âmbito da cadeia logística ou produtiva total. Esta contradição entre uma economia globalizada e um campo regulatório nacionalizado é um problema para as transnacionais, mas não é nada insuperável. Daí dizer que &lt;em&gt;The Economist&lt;/em&gt;, mais uma vez, erra ao confundir as multinacionais clássicas com as transnacionais modernas.

c) A &lt;em&gt;Economist&lt;/em&gt;, naquele último comentado por João Bernardo, parece apostar muitas fichas nas &lt;em&gt;startups&lt;/em&gt;. Ora, posso estar enganado, mas vejo nas &lt;em&gt;startups&lt;/em&gt; indícios do mesmo tipo de bolha que anos atrás resultou na crise das &lt;em&gt;.com&lt;/em&gt; . Com a diferença de que algumas &lt;em&gt;startups&lt;/em&gt; já são milionárias e fagocitam o que quer que lhes surja pela frente e possa agregar valor à sua produção. Pensem, por exemplo, na compra do WhatsApp pelo Facebook, ou na multiplicação de ramos vivida hoje pela Uber (táxi, motofrete, entrega de comida etc).

Além disto, adiciono que o &quot;deslize&quot; metodológico da &lt;em&gt;Economist&lt;/em&gt; não me parece ser compartilhado por outras publicações especializadas como &lt;em&gt;Foreign Affairs&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Financial Times&lt;/em&gt;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta a <a href="https://passapalavra.info/2017/01/110394/#comment-313022">João Bernardo</a>.</p>
<p>Como também li e me espantei com os artigos da <em>Economist</em>, deixo também meus pitacos:</p>
<p>a) As cadeias de <em>fast food</em> não são o melhor exemplo de multinacionais, pois operam por meio de franquias. Sequer o investimento direto nos moldes clássicos &#8212; construir do zero filiais nos moldes da matriz ou comprar empresas pré-existentes &#8212; sequer isto fazem. Isto quando não são alvo de contrafação: só a KFC hoje, no Brasil, concorre com o <em>Frango Americano no Balde</em>, com o <em>Frango Frito Americano</em> e similares. Para estes casos, o argumento da <em>Economist</em> cai como uma luva. Já no caso do ramo da informática, eles erraram feio.</p>
<p>b) Num campo estritamente jurídico <em>The Economist</em> tem razão ao dizer que &#8220;não existem transnacionais&#8221;, mas não é este campo que define as coisas no funcionamento da economia; pelo contrário, via de regra o jurídico está a reboque dos CEOs e das agitações operárias. Nos artigos de João Bernardo sobre a crise econômica de 2008-2010 está bem apontada a contradição: a produção e a logística se estendem unificadamente em escala global, mas a personalidade jurídica fragmenta-se por vários ordenamentos jurídicos nacionais, a depender de as legislações serem mais ou menos benéficas a tal ou qual ramo ou tipo de produção no âmbito da cadeia logística ou produtiva total. Esta contradição entre uma economia globalizada e um campo regulatório nacionalizado é um problema para as transnacionais, mas não é nada insuperável. Daí dizer que <em>The Economist</em>, mais uma vez, erra ao confundir as multinacionais clássicas com as transnacionais modernas.</p>
<p>c) A <em>Economist</em>, naquele último comentado por João Bernardo, parece apostar muitas fichas nas <em>startups</em>. Ora, posso estar enganado, mas vejo nas <em>startups</em> indícios do mesmo tipo de bolha que anos atrás resultou na crise das <em>.com</em> . Com a diferença de que algumas <em>startups</em> já são milionárias e fagocitam o que quer que lhes surja pela frente e possa agregar valor à sua produção. Pensem, por exemplo, na compra do WhatsApp pelo Facebook, ou na multiplicação de ramos vivida hoje pela Uber (táxi, motofrete, entrega de comida etc).</p>
<p>Além disto, adiciono que o &#8220;deslize&#8221; metodológico da <em>Economist</em> não me parece ser compartilhado por outras publicações especializadas como <em>Foreign Affairs</em> e <em>Financial Times</em>.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/01/110394/#comment-313022</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Jan 2017 18:58:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Lucas a duras penas,

Os artigos «The Multinational Company Is in Trouble» e «The Retreat of the Global Company» deixaram-me igualmente perplexo. Eu interpreto-os como mais uma peça na campanha do Economist contra a administração Trump, sugerindo um novo argumento, o de que não vale a pena ela perder tempo a atacar uma instituição que se encontra já em declínio.

De qualquer modo, a argumentação do Economist parece-me frágil, sobretudo pelos motivos seguintes:
1) Afirmar que «as multinacionais são responsáveis por apenas 2% do trabalho mundial» (no segundo dos artigos citados, o mesmo valor no primeiro artigo) enquanto ao mesmo tempo «elas são proprietárias ou organizam as cadeias de oferta responsáveis por mais de 50% do comércio mundial, atingem 40% do valor do mercado de acções ocidental e detêm a maior parte da propriedade intelectual mundial» (no segundo artigo e parcialmente no primeiro) corresponde a reconhecer a altíssima produtividade da força de trabalho daquele tipo de empresas. Ora, no capitalismo é este o critério básico para avaliar o dinamismo de uma instituição. E esta produtividade tem vindo a aumentar, se dividirmos o valor das exportações pelo número de trabalhadores. «Em 2000, cada milhar de milhão de dólares do stock de investimento externo mundial representava 7000 postos de trabalho e 600 milhões de dólares de exportações anuais», lemos em «The Retreat...». «Hoje, um milhar de milhão de dólares é responsável por 3000 postos de trabalho e 300 milhões de dólares de exportações».
2) Os dois artigos não distinguem claramente entre as velhas multinacionais e as novas transnacionais, e «The Retreat...» define-as apenas pelo facto de «procederem a mais de 30% das vendas fora da sua região de origem». Por isso este artigo pode começar por evocar o McDonald&#039;s e a Kentucky Fried Chicken, que são típicas multinacionais, obedecendo ao velho formato, e cuja situação não deve confundir-se com a das modernas companhias transnacionais. Ora, devo aqui recordar que durante muito tempo The Economist recusou-se a admitir a existência de multinacionais, argumentando que se tratava apenas de empresas locais ligadas num mesmo quadro internacional de propriedade jurídica. Depois, a transnacionalização, com a deslocalização das várias fases das cadeias de produção, levou The Economist a mudar de posição, mas ainda hoje, excepto quando isso é indispensável nos artigos especializados, a  revista não distingue claramente entre multinacionais e transnacionais, denominando-as colectivamente «multinacionais». É o que sucede nesses dois artigos. Há lugar para admitir, portanto, que aqueles números agregados reflictam, na realidade, um declínio das multinacionais e uma ascensão das transnacionais.
3) Nas cifras globais os dois artigos não distinguem entre os ramos de produção arcaicos, ligados sobretudo à velha indústria, e os novos ramos de produção desenvolvidos com a electrónica e a internet. Em «The Retreat...», porém, lemos que «as firmas americanas sofreram menos, com uma queda de 12% [nos lucros das filiais estrangeiras nos últimos cinco anos, relativamente a uma queda de 20% nas companhias não americanas], em parte devido à sua propensão pelo sector tecnológico de crescimento mais rápido». E este artigo afirma que «o único aspecto positivo são os gigantes tecnológicos», esclarecendo que «os seus lucros no estrangeiro correspondem a 46% dos lucros estrangeiros totais das 50 maiores multinacionais americanas, quando eram só 17% há uma década atrás». Pode admitir-se, portanto, que se trata de uma ascensão dos novos ramos tecnológicos e de um declínio dos ramos arcaicos. Aliás, parece-me ser esta a lição do quarto gráfico de «The Retreat...».
4) Numa parte considerável, as pequenas e médias empresas locais que têm florescido ultimamente estão em situação de subcontratantes relativamente às filiais locais das multinacionais e das transnacionais. Ora, as redes de subcontratantes nas são referidas em nenhum dos dois artigos.
5) A propósito da última secção do artigo «The Retreat...», pergunto quantas das empresas que surgem neste momento em âmbitos nacionais se tornarão em breve empresas transnacionais? Lembro-me de que há trinta anos era corrente o argumento de que a electrónica havia alterado os mecanismos que levavam à concentração do capital e que em qualquer fundo de garagem era possível fundar micro-empresas tão dinâmicas e concorrenciais que o processo de concentração ficaria travado. E realmente a observação empírica imediata parecia apoiar essa nova visão. Porém, a realidade evoluiu em sentido contrário e a Microsoft, a Apple, o Google, o Facebook mostraram que a electrónica acelera a concentração do capital em vez de a travar ou de a retardar. Agora, «The Retreat…» pretende que «os fluxos de informação livres implicam que os concorrentes conseguem recuperar o atraso na tecnologia e no know-how [conhecimentos práticos] mais facilmente do que antes». Mas não será esta uma repetição da situação anterior?

Esses dois artigos do Economist parecem-me reflectir demasiado o curto prazo e perderem a acuidade numa perspectiva a longo prazo, como se pode observar no primeiro gráfico de «The Retreat...». Mas como a história é feita de acontecimentos que não se prevêem, vejamos o que os próximos anos nos trazem e mantenhamos num canto da cabeça estas análises de The Economist. As ideias feitas são a pior das armadilhas que criamos para nós mesmos. A eleição de Trump marcou uma ruptura tão colossal nas tradições políticas norte-americanas que neste ano e nos próximos é possível admitir uma influência directa da política sobre a economia. Com que efeitos?

Para já, «The Retreat…» insiste numa lição que me parece fundamental no contexto presente e que a esquerda propensa ao nacionalismo nunca devia esquecer, a de que «tentar favorecer as companhias nacionais mediante a promulgação de tarifas aduaneiras já não tem o mesmo efeito que teve noutros tempos. Mais de metade das exportações totais, em termos de valor, atravessa uma fronteira pelo menos duas vezes antes de chegar ao consumidor final, por isso tais tarifas prejudicam todos igualmente». Chamei a atenção para este fenómeno no meu comentário de 26 de Janeiro, quando mencionei o § 4 do meu artigo «A Geopolítica das Companhias Transnacionais» (http://passapalavra.info/2011/05/39343 ).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lucas a duras penas,</p>
<p>Os artigos «The Multinational Company Is in Trouble» e «The Retreat of the Global Company» deixaram-me igualmente perplexo. Eu interpreto-os como mais uma peça na campanha do Economist contra a administração Trump, sugerindo um novo argumento, o de que não vale a pena ela perder tempo a atacar uma instituição que se encontra já em declínio.</p>
<p>De qualquer modo, a argumentação do Economist parece-me frágil, sobretudo pelos motivos seguintes:<br />
1) Afirmar que «as multinacionais são responsáveis por apenas 2% do trabalho mundial» (no segundo dos artigos citados, o mesmo valor no primeiro artigo) enquanto ao mesmo tempo «elas são proprietárias ou organizam as cadeias de oferta responsáveis por mais de 50% do comércio mundial, atingem 40% do valor do mercado de acções ocidental e detêm a maior parte da propriedade intelectual mundial» (no segundo artigo e parcialmente no primeiro) corresponde a reconhecer a altíssima produtividade da força de trabalho daquele tipo de empresas. Ora, no capitalismo é este o critério básico para avaliar o dinamismo de uma instituição. E esta produtividade tem vindo a aumentar, se dividirmos o valor das exportações pelo número de trabalhadores. «Em 2000, cada milhar de milhão de dólares do stock de investimento externo mundial representava 7000 postos de trabalho e 600 milhões de dólares de exportações anuais», lemos em «The Retreat&#8230;». «Hoje, um milhar de milhão de dólares é responsável por 3000 postos de trabalho e 300 milhões de dólares de exportações».<br />
2) Os dois artigos não distinguem claramente entre as velhas multinacionais e as novas transnacionais, e «The Retreat&#8230;» define-as apenas pelo facto de «procederem a mais de 30% das vendas fora da sua região de origem». Por isso este artigo pode começar por evocar o McDonald&#8217;s e a Kentucky Fried Chicken, que são típicas multinacionais, obedecendo ao velho formato, e cuja situação não deve confundir-se com a das modernas companhias transnacionais. Ora, devo aqui recordar que durante muito tempo The Economist recusou-se a admitir a existência de multinacionais, argumentando que se tratava apenas de empresas locais ligadas num mesmo quadro internacional de propriedade jurídica. Depois, a transnacionalização, com a deslocalização das várias fases das cadeias de produção, levou The Economist a mudar de posição, mas ainda hoje, excepto quando isso é indispensável nos artigos especializados, a  revista não distingue claramente entre multinacionais e transnacionais, denominando-as colectivamente «multinacionais». É o que sucede nesses dois artigos. Há lugar para admitir, portanto, que aqueles números agregados reflictam, na realidade, um declínio das multinacionais e uma ascensão das transnacionais.<br />
3) Nas cifras globais os dois artigos não distinguem entre os ramos de produção arcaicos, ligados sobretudo à velha indústria, e os novos ramos de produção desenvolvidos com a electrónica e a internet. Em «The Retreat&#8230;», porém, lemos que «as firmas americanas sofreram menos, com uma queda de 12% [nos lucros das filiais estrangeiras nos últimos cinco anos, relativamente a uma queda de 20% nas companhias não americanas], em parte devido à sua propensão pelo sector tecnológico de crescimento mais rápido». E este artigo afirma que «o único aspecto positivo são os gigantes tecnológicos», esclarecendo que «os seus lucros no estrangeiro correspondem a 46% dos lucros estrangeiros totais das 50 maiores multinacionais americanas, quando eram só 17% há uma década atrás». Pode admitir-se, portanto, que se trata de uma ascensão dos novos ramos tecnológicos e de um declínio dos ramos arcaicos. Aliás, parece-me ser esta a lição do quarto gráfico de «The Retreat&#8230;».<br />
4) Numa parte considerável, as pequenas e médias empresas locais que têm florescido ultimamente estão em situação de subcontratantes relativamente às filiais locais das multinacionais e das transnacionais. Ora, as redes de subcontratantes nas são referidas em nenhum dos dois artigos.<br />
5) A propósito da última secção do artigo «The Retreat&#8230;», pergunto quantas das empresas que surgem neste momento em âmbitos nacionais se tornarão em breve empresas transnacionais? Lembro-me de que há trinta anos era corrente o argumento de que a electrónica havia alterado os mecanismos que levavam à concentração do capital e que em qualquer fundo de garagem era possível fundar micro-empresas tão dinâmicas e concorrenciais que o processo de concentração ficaria travado. E realmente a observação empírica imediata parecia apoiar essa nova visão. Porém, a realidade evoluiu em sentido contrário e a Microsoft, a Apple, o Google, o Facebook mostraram que a electrónica acelera a concentração do capital em vez de a travar ou de a retardar. Agora, «The Retreat…» pretende que «os fluxos de informação livres implicam que os concorrentes conseguem recuperar o atraso na tecnologia e no know-how [conhecimentos práticos] mais facilmente do que antes». Mas não será esta uma repetição da situação anterior?</p>
<p>Esses dois artigos do Economist parecem-me reflectir demasiado o curto prazo e perderem a acuidade numa perspectiva a longo prazo, como se pode observar no primeiro gráfico de «The Retreat&#8230;». Mas como a história é feita de acontecimentos que não se prevêem, vejamos o que os próximos anos nos trazem e mantenhamos num canto da cabeça estas análises de The Economist. As ideias feitas são a pior das armadilhas que criamos para nós mesmos. A eleição de Trump marcou uma ruptura tão colossal nas tradições políticas norte-americanas que neste ano e nos próximos é possível admitir uma influência directa da política sobre a economia. Com que efeitos?</p>
<p>Para já, «The Retreat…» insiste numa lição que me parece fundamental no contexto presente e que a esquerda propensa ao nacionalismo nunca devia esquecer, a de que «tentar favorecer as companhias nacionais mediante a promulgação de tarifas aduaneiras já não tem o mesmo efeito que teve noutros tempos. Mais de metade das exportações totais, em termos de valor, atravessa uma fronteira pelo menos duas vezes antes de chegar ao consumidor final, por isso tais tarifas prejudicam todos igualmente». Chamei a atenção para este fenómeno no meu comentário de 26 de Janeiro, quando mencionei o § 4 do meu artigo «A Geopolítica das Companhias Transnacionais» (<a href="http://passapalavra.info/2011/05/39343" rel="ugc">http://passapalavra.info/2011/05/39343</a> ).</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas apenas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/01/110394/#comment-312980</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas apenas]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Jan 2017 19:05:22 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=110394#comment-312980</guid>

					<description><![CDATA[João Bernardo, o link do The Economist me levou a outro artigo da mesma revista, em realidade dois (http://www.economist.com/news/leaders/21715660-global-firms-are-surprisingly-vulnerable-attack-multinational-company-trouble e http://www.economist.com/news/briefing/21715653-biggest-business-idea-past-three-decades-deep-trouble-retreat-global), onde fala-se de uma recente queda, nos últimos 5 anos, do desemprenho das empresas transnacionais, especialmente no rendimento (return on equity) destas a níveis abaixo do considerados mínimos para os bons negócios. 
Não ficou para mim de todo claro o motivo, mas creio haver entendido que entre eles seriam a queda na taxa de lucros, na relação investimento/lucro, além de um desempenho cada vez mais forte de empresas com raízes locais/nacionais em ramos importantes -- o artigo dá o exemplo do e-comércio chinês e indiano, dos bancos brasileiros, entre outros. Outro argumento seria que as pequenas e médias empresas com foco nacional/regional estariam se tornando cada vez mais capazes de absorver a inovação criada nos grandes polos de P&#038;D, enquanto que as transnacionais estariam perdendo as vantagens da economia de escala. (A única exceção, importante, seriam das gigantes da tecnologia -- Google e afins).
Fiquei com a impressão de que é uma leitura do curto prazo recente que tenta explicar os fenômenos políticos presentes. Já que está rolando esse pingue-pong com você e os demais comentadores, fiquei interessado em saber se você acha possível que as pequenas e médias empresas possam passar a ter uma maior produtividade que as transnacionais, ou mesmo que a tendência seja uma maior fragmentação destas, no sentido de realizar um aumento de produtividade por outros métodos que os que estiveram determinando a integração global nos últimos 30 anos, de aquisições e fusões.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João Bernardo, o link do The Economist me levou a outro artigo da mesma revista, em realidade dois (<a href="http://www.economist.com/news/leaders/21715660-global-firms-are-surprisingly-vulnerable-attack-multinational-company-trouble" rel="nofollow ugc">http://www.economist.com/news/leaders/21715660-global-firms-are-surprisingly-vulnerable-attack-multinational-company-trouble</a> e <a href="http://www.economist.com/news/briefing/21715653-biggest-business-idea-past-three-decades-deep-trouble-retreat-global" rel="nofollow ugc">http://www.economist.com/news/briefing/21715653-biggest-business-idea-past-three-decades-deep-trouble-retreat-global</a>), onde fala-se de uma recente queda, nos últimos 5 anos, do desemprenho das empresas transnacionais, especialmente no rendimento (return on equity) destas a níveis abaixo do considerados mínimos para os bons negócios.<br />
Não ficou para mim de todo claro o motivo, mas creio haver entendido que entre eles seriam a queda na taxa de lucros, na relação investimento/lucro, além de um desempenho cada vez mais forte de empresas com raízes locais/nacionais em ramos importantes &#8212; o artigo dá o exemplo do e-comércio chinês e indiano, dos bancos brasileiros, entre outros. Outro argumento seria que as pequenas e médias empresas com foco nacional/regional estariam se tornando cada vez mais capazes de absorver a inovação criada nos grandes polos de P&amp;D, enquanto que as transnacionais estariam perdendo as vantagens da economia de escala. (A única exceção, importante, seriam das gigantes da tecnologia &#8212; Google e afins).<br />
Fiquei com a impressão de que é uma leitura do curto prazo recente que tenta explicar os fenômenos políticos presentes. Já que está rolando esse pingue-pong com você e os demais comentadores, fiquei interessado em saber se você acha possível que as pequenas e médias empresas possam passar a ter uma maior produtividade que as transnacionais, ou mesmo que a tendência seja uma maior fragmentação destas, no sentido de realizar um aumento de produtividade por outros métodos que os que estiveram determinando a integração global nos últimos 30 anos, de aquisições e fusões.</p>
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		<title>
		Por: Legume Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/01/110394/#comment-312959</link>

		<dc:creator><![CDATA[Legume Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Jan 2017 13:47:12 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=110394#comment-312959</guid>

					<description><![CDATA[João,
Concordo com você. Acho que as organizações autônomas deixaram bem claro seus limites e não vejo grandes movimentações unificando a classe globalmente. 
A minha hipótese, a partir de momentos de unificação que existiram limitadamente por aqui, é que essas lutas se deram a partir das CGP e não dos locais de trabalho especificamente.  Entretanto, organizativamente o que se chama de autonomismo apresentou de maneira clara seus limites e de fato não me parece que seja dali que sairá uma forma organizacional proprícia para ação anticapitalista que se necessita.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João,<br />
Concordo com você. Acho que as organizações autônomas deixaram bem claro seus limites e não vejo grandes movimentações unificando a classe globalmente.<br />
A minha hipótese, a partir de momentos de unificação que existiram limitadamente por aqui, é que essas lutas se deram a partir das CGP e não dos locais de trabalho especificamente.  Entretanto, organizativamente o que se chama de autonomismo apresentou de maneira clara seus limites e de fato não me parece que seja dali que sairá uma forma organizacional proprícia para ação anticapitalista que se necessita.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/01/110394/#comment-312956</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Jan 2017 12:46:41 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=110394#comment-312956</guid>

					<description><![CDATA[Lucas,
Além do Brasil existe o resto do mundo. E se o capitalismo é hoje não só uma realidade global mas, na sua vertente mais dinâmica, uma realidade transnacional, temos de olhar para as lutas sociais nesse vasto quadro. Ora, não vejo sinais claros que indiquem quais as áreas do sistema económico mais propícias à unificação das lutas, por isso não vejo sinais claros que indiquem os caminhos que poderão levar todos os tipos de trabalhadores a terem consciência de que pertencem à mesma classe. Actualmente, para os capitalistas, os aspectos estratégicos da gestão processam-se mediante os computadores e a internet, mas os trabalhadores terão ainda de aprender a usar eficazmente a internet e os computadores na sua estratégia de luta.

No § 15 do meu manifesto «Sobre a Esquerda e as Esquerdas» (http://passapalavra.info/2014/05/93837 ) escrevi: «Existem formas de organização que são, sempre e em todas as circunstâncias, nocivas para a acção anticapitalista. Mas não existem formas de organização que sejam, sempre e em todas as circunstâncias, benéficas. A este respeito, a garantia funciona só no sentido negativo». Isto aplica-se igualmente às lutas ditas autónomas. É por este motivo que a autocrítica da esquerda é tão indispensável como a crítica do capitalismo. Quando houver uma forma organizacional que seja sempre favorável à acção anticapitalista, o capitalismo será destruído num ápice. Mas até lá...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lucas,<br />
Além do Brasil existe o resto do mundo. E se o capitalismo é hoje não só uma realidade global mas, na sua vertente mais dinâmica, uma realidade transnacional, temos de olhar para as lutas sociais nesse vasto quadro. Ora, não vejo sinais claros que indiquem quais as áreas do sistema económico mais propícias à unificação das lutas, por isso não vejo sinais claros que indiquem os caminhos que poderão levar todos os tipos de trabalhadores a terem consciência de que pertencem à mesma classe. Actualmente, para os capitalistas, os aspectos estratégicos da gestão processam-se mediante os computadores e a internet, mas os trabalhadores terão ainda de aprender a usar eficazmente a internet e os computadores na sua estratégia de luta.</p>
<p>No § 15 do meu manifesto «Sobre a Esquerda e as Esquerdas» (<a href="http://passapalavra.info/2014/05/93837" rel="ugc">http://passapalavra.info/2014/05/93837</a> ) escrevi: «Existem formas de organização que são, sempre e em todas as circunstâncias, nocivas para a acção anticapitalista. Mas não existem formas de organização que sejam, sempre e em todas as circunstâncias, benéficas. A este respeito, a garantia funciona só no sentido negativo». Isto aplica-se igualmente às lutas ditas autónomas. É por este motivo que a autocrítica da esquerda é tão indispensável como a crítica do capitalismo. Quando houver uma forma organizacional que seja sempre favorável à acção anticapitalista, o capitalismo será destruído num ápice. Mas até lá&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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		<title>
		Por: Legume Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/01/110394/#comment-312942</link>

		<dc:creator><![CDATA[Legume Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Jan 2017 00:11:36 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=110394#comment-312942</guid>

					<description><![CDATA[João, 
Queria retomar seu comentário feito dia 23/01. Quanto a dispersão dos trabalhadores em unidades variadas e trabalhos variados, o que implicou em dificuldades colossais para atuação em locais de trabalho e na falência das estruturas sindicais como força mobilizadora. Acho que ocorreu um deslocamento  para lutas que incidem nas Condições Gerais de Produção, essas lutas tenderiam a ter menos tendências corporativas, pois suas demandas práticas incidiriam sobre a classe trabalhadora e não em uma categoria específica. Ao olhar para São Paulo me parece claro que começaram aqui e se espalharam pelo Brasil lutas nesse sentido em 2013 a por transporte e em 2015/16 a luta dos secundaristas. A segunda está sendo discutida em outro artigo aqui no Passa Palavra, mas a primeira me parece que a derrota se deu não na pauta, mas pela autodestruição da organização que pretendeu organizar ela, ao mesmo tempo, quando essa mobilização estourou a demanda que as pessoas faziam em relação ao MPL era que se comportasse como um partido e indicasse o verdadeiro caminho, a resposta a isso foi se voltar para dentro. Me parece ali que é uma forma diferente de burocratização da clássica, mas tem em comum que começa pela base.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João,<br />
Queria retomar seu comentário feito dia 23/01. Quanto a dispersão dos trabalhadores em unidades variadas e trabalhos variados, o que implicou em dificuldades colossais para atuação em locais de trabalho e na falência das estruturas sindicais como força mobilizadora. Acho que ocorreu um deslocamento  para lutas que incidem nas Condições Gerais de Produção, essas lutas tenderiam a ter menos tendências corporativas, pois suas demandas práticas incidiriam sobre a classe trabalhadora e não em uma categoria específica. Ao olhar para São Paulo me parece claro que começaram aqui e se espalharam pelo Brasil lutas nesse sentido em 2013 a por transporte e em 2015/16 a luta dos secundaristas. A segunda está sendo discutida em outro artigo aqui no Passa Palavra, mas a primeira me parece que a derrota se deu não na pauta, mas pela autodestruição da organização que pretendeu organizar ela, ao mesmo tempo, quando essa mobilização estourou a demanda que as pessoas faziam em relação ao MPL era que se comportasse como um partido e indicasse o verdadeiro caminho, a resposta a isso foi se voltar para dentro. Me parece ali que é uma forma diferente de burocratização da clássica, mas tem em comum que começa pela base.</p>
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