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	Comentários sobre: São Marx, rogai por nós. 1) Os apocalípticos	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/06/132147/#comment-664323</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Aug 2020 17:17:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Comuna cansado,

Talvez o esclareçam a quarta parte e a oitava parte da série &lt;em&gt;Post-scriptum: contra a ecologia&lt;/em&gt;, &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2013/09/83203/&quot; rel=&quot;noopener noreferrer&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt; e &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2013/10/85412/&quot; rel=&quot;noopener noreferrer&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Comuna cansado,</p>
<p>Talvez o esclareçam a quarta parte e a oitava parte da série <em>Post-scriptum: contra a ecologia</em>, <a href="https://passapalavra.info/2013/09/83203/" rel="noopener noreferrer" target="_blank">aqui</a> e <a href="https://passapalavra.info/2013/10/85412/" rel="noopener noreferrer" target="_blank">aqui</a>.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Comunacansado		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/06/132147/#comment-664305</link>

		<dc:creator><![CDATA[Comunacansado]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Aug 2020 15:59:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Livros Marxistas, pra quem se interessar: https://mega.nz/folder/vOpwmQiJ#nJFgpdsE-0mCF0yOOQYqCA/folder/7DpAkA7S

Realmente não entendi a conexão entre a &quot;diminuição no consumo/produção&quot; e o &quot;aumento da MV absoluta&quot; por conta da ecologia.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Livros Marxistas, pra quem se interessar: <a href="https://mega.nz/folder/vOpwmQiJ#nJFgpdsE-0mCF0yOOQYqCA/folder/7DpAkA7S" rel="nofollow ugc">https://mega.nz/folder/vOpwmQiJ#nJFgpdsE-0mCF0yOOQYqCA/folder/7DpAkA7S</a></p>
<p>Realmente não entendi a conexão entre a &#8220;diminuição no consumo/produção&#8221; e o &#8220;aumento da MV absoluta&#8221; por conta da ecologia.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/06/132147/#comment-628550</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jun 2020 10:53:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A notícia mencionada por Victor Marchesini refere-se a uma simples declaração de intenções. Também &lt;a href=&quot;https://contrafcut.com.br/noticias/bancarios-de-florianopolis-reforcam-solidariedade-durante-a-pandemia/&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;noopener noreferrer nofollow ugc&quot;&gt;o Sintrafi, de Florianópolis, anunciou em 14 de Maio o apoio a quatro projectos de solidariedade&lt;/a&gt;, mas, mais uma vez, no nível das intenções.

No Primeiro de Maio, na Paraíba, a CUT e outras centrais sindicais procederam a transmissões &lt;em&gt;on-line&lt;/em&gt; e ao que denominaram «actos virtuais». Ora, nesse dia as acções de solidariedade, não virtuais mas materiais, &lt;a href=&quot;https://www.brasildefatopb.com.br/2020/05/02/ato-online-e-campanhas-de-solidariedade-marcam-dia-da-classe-trabalhadora-na-pb&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;noopener noreferrer nofollow ugc&quot;&gt;deveram-se a vários movimentos sociais, entre eles o MST&lt;/a&gt;. A moda da solidariedade virtual pegou, e quando a CUT, nesse Primeiro de Maio, anunciou a campanha Vamos Precisar de Todo Mundo, tratou-se de &lt;a href=&quot;https://www.cut.org.br/noticias/campanha-vamos-precisar-de-todo-mundo-promove-solidariedade-contra-pandemia-740e&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;noopener noreferrer nofollow ugc&quot;&gt;um portal para acolher iniciativas devidas a movimentos sociais e a particulares&lt;/a&gt;. Ainda no começo de Maio, sindicatos da CUT de Goiás participaram em acções de solidariedade, mas &lt;a href=&quot;https://teiapopular.org/solidariedade-e-isolamento-social-cestas-basicas-distribuidas-no-1o-de-maio/&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;noopener noreferrer nofollow ugc&quot;&gt;essas acções foram organizadas por um entidade não sindical e beneficiaram de outras participações&lt;/a&gt;. Também o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, da CUT, procedeu em 23 de Maio a uma recolha de donativos que se deveram a particulares, nomeadamente operários metalúrgicos, e &lt;a href=&quot;http://www.cnmcut.org.br/conteudo/solidariedade-marca-o-dia-d-de-doacoes-para-o-abc-sem-fome&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;noopener noreferrer nofollow ugc&quot;&gt;o Sindicato anunciou que essa campanha iria continuar&lt;/a&gt;. Mas, note-se, os donativos foram feitos pelos trabalhadores e centralizados pelos sindicatos, que depois os distribuíram, sem que aparentemente o Sindicato tivesse participado nas doações. Depois destas menções, não encontrei mais nenhuma anterior à data em que escrevi este artigo.

Mas o principal não é isto. Eu sei que os brasileiros têm dificuldade em situar-se no mundo, e sei-o porque eu próprio sou brasileiro por adopção, ou melhor, por opção. Ora, o Brasil não está no Brasil, está no mundo, e nas três partes deste artigo eu apresento uma perspectiva global. Eu não escrevi que nenhum sindicato fez qualquer acção de solidariedade. Escrevi, e sublinhei, «&lt;em&gt;a escassez&lt;/em&gt;» «de movimentos de solidariedade iniciados por sindicatos ou partidos políticos de esquerda», e isto, tal como especifiquei, nas regiões de onde tenho informações directas ou indirectas, na Europa e no Brasil. Ora, como Luciano Pereira e eu tivemos oportunidade de analisar num livro que escrevemos em conjunto, &lt;a href=&quot;https://www.facebook.com/livrosmarxistas/posts/2009507045967463/&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;noopener noreferrer nofollow ugc&quot;&gt;Capitalismo Sindical&lt;/a&gt; (São Paulo: Xamã, 2008), os sindicatos dispõem hoje de uma colossal força económica, com importantes investimentos e uma participação de grande relevo nos fundos de pensão. Os paupérrimos sindicatos do século dezanove e do começo do século vinte gastavam o que tinham em acções de solidariedade. Enquanto que agora, estes...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A notícia mencionada por Victor Marchesini refere-se a uma simples declaração de intenções. Também <a href="https://contrafcut.com.br/noticias/bancarios-de-florianopolis-reforcam-solidariedade-durante-a-pandemia/" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc">o Sintrafi, de Florianópolis, anunciou em 14 de Maio o apoio a quatro projectos de solidariedade</a>, mas, mais uma vez, no nível das intenções.</p>
<p>No Primeiro de Maio, na Paraíba, a CUT e outras centrais sindicais procederam a transmissões <em>on-line</em> e ao que denominaram «actos virtuais». Ora, nesse dia as acções de solidariedade, não virtuais mas materiais, <a href="https://www.brasildefatopb.com.br/2020/05/02/ato-online-e-campanhas-de-solidariedade-marcam-dia-da-classe-trabalhadora-na-pb" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc">deveram-se a vários movimentos sociais, entre eles o MST</a>. A moda da solidariedade virtual pegou, e quando a CUT, nesse Primeiro de Maio, anunciou a campanha Vamos Precisar de Todo Mundo, tratou-se de <a href="https://www.cut.org.br/noticias/campanha-vamos-precisar-de-todo-mundo-promove-solidariedade-contra-pandemia-740e" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc">um portal para acolher iniciativas devidas a movimentos sociais e a particulares</a>. Ainda no começo de Maio, sindicatos da CUT de Goiás participaram em acções de solidariedade, mas <a href="https://teiapopular.org/solidariedade-e-isolamento-social-cestas-basicas-distribuidas-no-1o-de-maio/" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc">essas acções foram organizadas por um entidade não sindical e beneficiaram de outras participações</a>. Também o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, da CUT, procedeu em 23 de Maio a uma recolha de donativos que se deveram a particulares, nomeadamente operários metalúrgicos, e <a href="http://www.cnmcut.org.br/conteudo/solidariedade-marca-o-dia-d-de-doacoes-para-o-abc-sem-fome" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc">o Sindicato anunciou que essa campanha iria continuar</a>. Mas, note-se, os donativos foram feitos pelos trabalhadores e centralizados pelos sindicatos, que depois os distribuíram, sem que aparentemente o Sindicato tivesse participado nas doações. Depois destas menções, não encontrei mais nenhuma anterior à data em que escrevi este artigo.</p>
<p>Mas o principal não é isto. Eu sei que os brasileiros têm dificuldade em situar-se no mundo, e sei-o porque eu próprio sou brasileiro por adopção, ou melhor, por opção. Ora, o Brasil não está no Brasil, está no mundo, e nas três partes deste artigo eu apresento uma perspectiva global. Eu não escrevi que nenhum sindicato fez qualquer acção de solidariedade. Escrevi, e sublinhei, «<em>a escassez</em>» «de movimentos de solidariedade iniciados por sindicatos ou partidos políticos de esquerda», e isto, tal como especifiquei, nas regiões de onde tenho informações directas ou indirectas, na Europa e no Brasil. Ora, como Luciano Pereira e eu tivemos oportunidade de analisar num livro que escrevemos em conjunto, <a href="https://www.facebook.com/livrosmarxistas/posts/2009507045967463/" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc">Capitalismo Sindical</a> (São Paulo: Xamã, 2008), os sindicatos dispõem hoje de uma colossal força económica, com importantes investimentos e uma participação de grande relevo nos fundos de pensão. Os paupérrimos sindicatos do século dezanove e do começo do século vinte gastavam o que tinham em acções de solidariedade. Enquanto que agora, estes&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Victor Marchesini		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/06/132147/#comment-628310</link>

		<dc:creator><![CDATA[Victor Marchesini]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jun 2020 00:02:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[https://www.cut.org.br/noticias/sindicatos-da-cut-criam-rede-de-solidariedade-para-ajudar-no-combate-ao-coronavi-f7e2

Pronto, essa é de 30 de março...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://www.cut.org.br/noticias/sindicatos-da-cut-criam-rede-de-solidariedade-para-ajudar-no-combate-ao-coronavi-f7e2" rel="nofollow ugc">https://www.cut.org.br/noticias/sindicatos-da-cut-criam-rede-de-solidariedade-para-ajudar-no-combate-ao-coronavi-f7e2</a></p>
<p>Pronto, essa é de 30 de março&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/06/132147/#comment-627268</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jun 2020 03:24:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O texto foi publicado no dia 4 de junho e o comentador acima vem com uma notícia de 14 de junho, tentando provar alguma coisa.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O texto foi publicado no dia 4 de junho e o comentador acima vem com uma notícia de 14 de junho, tentando provar alguma coisa.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Victor Marchesini Ferreira		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/06/132147/#comment-627208</link>

		<dc:creator><![CDATA[Victor Marchesini Ferreira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jun 2020 00:43:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[https://www.brasildefato.com.br/2020/06/14/petroleiros-e-mst-doam-520-botijoes-de-gas-e-15-toneladas-de-alimentos-em-curitiba

Já tiveram várias doações e ações de solidariedade de sindicatos, podia ter buscado mais informações. Será que faltou um pouco de boa vontade, pra provar um argumento pré-concebido?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://www.brasildefato.com.br/2020/06/14/petroleiros-e-mst-doam-520-botijoes-de-gas-e-15-toneladas-de-alimentos-em-curitiba" rel="nofollow ugc">https://www.brasildefato.com.br/2020/06/14/petroleiros-e-mst-doam-520-botijoes-de-gas-e-15-toneladas-de-alimentos-em-curitiba</a></p>
<p>Já tiveram várias doações e ações de solidariedade de sindicatos, podia ter buscado mais informações. Será que faltou um pouco de boa vontade, pra provar um argumento pré-concebido?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: dinho		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/06/132147/#comment-622375</link>

		<dc:creator><![CDATA[dinho]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 06 Jun 2020 14:56:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ficar em casa?

Acordei hoje cedo, fui a padaria e na volta me deparei com mensagens do Emicida pedindo a todo mundo para não ir às ruas domingo. Aí já viu né? Num país em o Rap faz a política da Contenção,o que pode sobrar dessa bagaceira?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ficar em casa?</p>
<p>Acordei hoje cedo, fui a padaria e na volta me deparei com mensagens do Emicida pedindo a todo mundo para não ir às ruas domingo. Aí já viu né? Num país em o Rap faz a política da Contenção,o que pode sobrar dessa bagaceira?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Caio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/06/132147/#comment-621844</link>

		<dc:creator><![CDATA[Caio]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2020 18:31:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Num momento em que há quem na esquerda enxergue na pandemia «um golpe letal contra o capitalismo», o texto traz uma importante lembrança: não há superação do capitalismo sem luta dos trabalhadores. (Talvez seja mais preciso dizer «não há comunismo sem luta dos trabalhadores», pois o próprio autor já levantou a possibilidade do capitalismo se desdobrar em um modo de produção ainda mais bárbaro quando analisou o regime de escravidão imposto pelos nazistas nos territórios ocupados ao leste.) Em todo caso, não é um vírus que vai destruir o capitalismo, como também não foram as quedas nas bolsas de valores capazes de destruí-lo em outros anos.

«Não será a pandemia a encarregar-se da revolução», no entanto a pandemia coloca um problema aos capitalistas e aos trabalhadores em todo mundo de forma mais ou menos simultânea. «O capitalismo vive de aproveitar as oportunidades e, quando não existem, de criá-las»: se o novo coronavírus prejudicou negócios de boa parte dos capitalistas a princípio, ele também abriu oportunidades de reestruturação e modernização. Mas os trabalhadores em suas lutas também não devem saber aproveitar as oportunidades e, quando não existem, criá-las? É verdade que a pandemia instaura um cenário favorável à xenofobia, além de criar novas divisões (quem trabalha em casa x quem trabalha na rua; jovens x grupos de risco; etc). Por outro lado, tratando-se de um problema comum ao mundo todo, não haveria aí uma oportunidade incomum para um internacionalismo? Ou ainda, à medida em que ir trabalhar se torna explicitamente um risco de vida, uma oportunidade para greves e lutas coletivas nas empresas? A onda de greves selvagens em vários países do mundo nos últimos dois meses e, mais recentemente, de protestos de rua após o assassinato de George Floyd pela polícia americana. É curioso que não apareçam na análise de João Bernardo — como o autor certamente não ignora tais acontecimentos, talvez a ausência signifique uma avaliação.

Falando em São Marx e no apocalipse, lembro de umas tartarugas ninjas (que, apesar de não serem devotas, admitem que &quot;Karl Marx teve algumas ideias interessantes&quot;) observando a nuvem cinza que tampou o sol em São Paulo durante as queimadas na Amazônia de 2020:

&quot;Eram duas da tarde da segunda-feira, 19 de agosto, quando o dia escureceu. O céu se fechou em cinza, ganhando ares macabros. Vai chover! Não choveu. O clima tenebroso que cobriu a cidade fez aflorar o espírito apocalíptico que ronda a imaginação social em tempos de crise econômica. Um conhecido que trabalha com comércio ambulante contou que ele e os colegas empacotaram as mercadorias e voltaram para casa à tarde mesmo, otimistas com a chegada do fim dos tempos.
Rapidamente a esquerda já divulgava a explicação nas redes sociais: são as queimadas na Amazônia! A devastação da floresta cresceu como nunca antes com o governo Bolsonaro. Estão destruindo a natureza, o mundo vai acabar, a humanidade vai toda morrer! Talvez o apocalipse soe reconfortante também a uma esquerda sistematicamente derrotada. Não foi difícil para a direita zombar de todo aquele alarde: como uma fumaça pode voar 2 mil quilômetros e tampar o céu em São Paulo? Agora Bolsonaro tem culpa até do inverno? Isso é fake news criada pelas ONGs que estão contra o governo.
Terça, quarta, quinta-feira, a vida continua. Você ainda tem de ir trabalhar. É mais difícil acordar às cinco da manhã no frio, o trabalho é uma merda e o céu cinza deixa os ânimos ainda mais para baixo. Era esse mundo que precisava acabar, mas parece impossível. Há uma íntima conexão entre a impotência do proletariado e a força cínica do bolsonarismo. Apertado no ônibus num dia sem sol, a denúncia das queimas da Amazônia podem soar como mimimi e fake news — mas, se for verdade, a perspectiva de que o fogo queime tudo de uma vez passa a ser até uma esperança.&quot; (https://passapalavra.info/2019/08/127990/)

Mas talvez tenham sido os trabalhadores da Livraria Cultura, que um mês antes da chegada do coronavírus já lançavam seu &quot;último grito de socorro&quot;, quem melhor traduziu a percepção proletária do apocalipse:  &quot;o grande problema do fim do mundo é que alguém vai ter que ficar depois pra varrer.&quot; (https://passapalavra.info/2020/02/129948/)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Num momento em que há quem na esquerda enxergue na pandemia «um golpe letal contra o capitalismo», o texto traz uma importante lembrança: não há superação do capitalismo sem luta dos trabalhadores. (Talvez seja mais preciso dizer «não há comunismo sem luta dos trabalhadores», pois o próprio autor já levantou a possibilidade do capitalismo se desdobrar em um modo de produção ainda mais bárbaro quando analisou o regime de escravidão imposto pelos nazistas nos territórios ocupados ao leste.) Em todo caso, não é um vírus que vai destruir o capitalismo, como também não foram as quedas nas bolsas de valores capazes de destruí-lo em outros anos.</p>
<p>«Não será a pandemia a encarregar-se da revolução», no entanto a pandemia coloca um problema aos capitalistas e aos trabalhadores em todo mundo de forma mais ou menos simultânea. «O capitalismo vive de aproveitar as oportunidades e, quando não existem, de criá-las»: se o novo coronavírus prejudicou negócios de boa parte dos capitalistas a princípio, ele também abriu oportunidades de reestruturação e modernização. Mas os trabalhadores em suas lutas também não devem saber aproveitar as oportunidades e, quando não existem, criá-las? É verdade que a pandemia instaura um cenário favorável à xenofobia, além de criar novas divisões (quem trabalha em casa x quem trabalha na rua; jovens x grupos de risco; etc). Por outro lado, tratando-se de um problema comum ao mundo todo, não haveria aí uma oportunidade incomum para um internacionalismo? Ou ainda, à medida em que ir trabalhar se torna explicitamente um risco de vida, uma oportunidade para greves e lutas coletivas nas empresas? A onda de greves selvagens em vários países do mundo nos últimos dois meses e, mais recentemente, de protestos de rua após o assassinato de George Floyd pela polícia americana. É curioso que não apareçam na análise de João Bernardo — como o autor certamente não ignora tais acontecimentos, talvez a ausência signifique uma avaliação.</p>
<p>Falando em São Marx e no apocalipse, lembro de umas tartarugas ninjas (que, apesar de não serem devotas, admitem que &#8220;Karl Marx teve algumas ideias interessantes&#8221;) observando a nuvem cinza que tampou o sol em São Paulo durante as queimadas na Amazônia de 2020:</p>
<p>&#8220;Eram duas da tarde da segunda-feira, 19 de agosto, quando o dia escureceu. O céu se fechou em cinza, ganhando ares macabros. Vai chover! Não choveu. O clima tenebroso que cobriu a cidade fez aflorar o espírito apocalíptico que ronda a imaginação social em tempos de crise econômica. Um conhecido que trabalha com comércio ambulante contou que ele e os colegas empacotaram as mercadorias e voltaram para casa à tarde mesmo, otimistas com a chegada do fim dos tempos.<br />
Rapidamente a esquerda já divulgava a explicação nas redes sociais: são as queimadas na Amazônia! A devastação da floresta cresceu como nunca antes com o governo Bolsonaro. Estão destruindo a natureza, o mundo vai acabar, a humanidade vai toda morrer! Talvez o apocalipse soe reconfortante também a uma esquerda sistematicamente derrotada. Não foi difícil para a direita zombar de todo aquele alarde: como uma fumaça pode voar 2 mil quilômetros e tampar o céu em São Paulo? Agora Bolsonaro tem culpa até do inverno? Isso é fake news criada pelas ONGs que estão contra o governo.<br />
Terça, quarta, quinta-feira, a vida continua. Você ainda tem de ir trabalhar. É mais difícil acordar às cinco da manhã no frio, o trabalho é uma merda e o céu cinza deixa os ânimos ainda mais para baixo. Era esse mundo que precisava acabar, mas parece impossível. Há uma íntima conexão entre a impotência do proletariado e a força cínica do bolsonarismo. Apertado no ônibus num dia sem sol, a denúncia das queimas da Amazônia podem soar como mimimi e fake news — mas, se for verdade, a perspectiva de que o fogo queime tudo de uma vez passa a ser até uma esperança.&#8221; (<a href="https://passapalavra.info/2019/08/127990/" rel="ugc">https://passapalavra.info/2019/08/127990/</a>)</p>
<p>Mas talvez tenham sido os trabalhadores da Livraria Cultura, que um mês antes da chegada do coronavírus já lançavam seu &#8220;último grito de socorro&#8221;, quem melhor traduziu a percepção proletária do apocalipse:  &#8220;o grande problema do fim do mundo é que alguém vai ter que ficar depois pra varrer.&#8221; (<a href="https://passapalavra.info/2020/02/129948/" rel="ugc">https://passapalavra.info/2020/02/129948/</a>)</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: minoritário de casa		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/06/132147/#comment-621816</link>

		<dc:creator><![CDATA[minoritário de casa]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2020 17:44:54 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=132147#comment-621816</guid>

					<description><![CDATA[Hoje tentei discutir esse texto com minha irmã anarco-primitivista,tendendo a aceleracionista. Não só recebi todos os palavrões como ela me obrigou a devolver um livro emprestado dela.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje tentei discutir esse texto com minha irmã anarco-primitivista,tendendo a aceleracionista. Não só recebi todos os palavrões como ela me obrigou a devolver um livro emprestado dela.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: anarquistadeaplicativos		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/06/132147/#comment-621782</link>

		<dc:creator><![CDATA[anarquistadeaplicativos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2020 16:04:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Num certo canal do telegram, o dono de uma certa editora anarquista informa que por não estudarmos suficiente Marx e Proudhon,e de não atacar com pedras o Poder, é que estamos na presente situação. Disse a ele que sou trabalhadora de Uber,ele disse que isso não era um problema de interesse da Editora. Fiquei me perguntando quanto dinheiro preciso guardar para comprar as obras indicadas nos Kits da editora, mas antes preciso mesmo é trocar a caixa de marchas do carro financiado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Num certo canal do telegram, o dono de uma certa editora anarquista informa que por não estudarmos suficiente Marx e Proudhon,e de não atacar com pedras o Poder, é que estamos na presente situação. Disse a ele que sou trabalhadora de Uber,ele disse que isso não era um problema de interesse da Editora. Fiquei me perguntando quanto dinheiro preciso guardar para comprar as obras indicadas nos Kits da editora, mas antes preciso mesmo é trocar a caixa de marchas do carro financiado.</p>
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