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	Comentários sobre: Sonhos da noite eleitoral	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Isadora Guerreiro		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/11/135156/#comment-690298</link>

		<dc:creator><![CDATA[Isadora Guerreiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Nov 2020 19:36:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Agradeço muito os comentários dos companheiros.

Espectro Goiano chama a atenção sobre a ascensão da liderança Boulos a partir daquela conjuntura como algo que não vê possível na geração seguinte e Daniel Caribé fala sobre a luta por &quot;direito à cidade&quot; em 2013. Gostaria de juntar estes dois comentários com o comentário do João Bernardo no Flagrante Delito cujo tema é semelhante (https://passapalavra.info/2020/11/135153/#comment-690071). Se ele está certo e Boulos é este burocrata - ou a burocracia nascida dos movimentos populares, que representei no texto como o homem na montaria - em ascensão, temos algo importante a analisar do ponto de vista da dinâmica histórica em andamento. Pois tivemos como candidatos no campo da &quot;esquerda&quot; nos últimos pleitos ou intelectuais ou sindicalistas representando a ascensão da burocracia destes grupos, que entraram em forte declínio político pós-2013. Os movimentos populares sempre tiveram representação legislativa (aqui em São Paulo), mas não uma expressividade na disputa do Executivo como esta de agora (a não ser a própria Erundina, de outra época, que reaparece como tragédia). A pergunta que fica para mim é: isso indicaria, ao invés da festa apologética que a &quot;esquerda&quot; tem feito, uma era de declínio dos movimentos populares tais quais os conhecemos? 

Chamou-me a atenção, revendo o artigo que João Bernardo se referiu (https://passapalavra.info/2010/08/27717/), os (muitos) comentários ali postados. Eles ainda trazem certo frescor da esperança de ações organizativas autônomas, ou a vontade de se falar sobre isso. Era 2010, e acredito que isso fazia parte daquilo que foi o estopim de 2013. Muito diferente do que se passou depois e molda de certa forma esta nossa falta de expectativas com o presente e menos ainda com o futuro. Nesse sentido, Espectro Goiano e Daniel, não vejo com bons olhos nem a ascensão de uma liderança dos movimentos populares na esfera eleitoral majoritária, nem a luta por &quot;direito à cidade&quot; da maneira como foi apropriada pelas burocracias e pelo próprio mercado. Mas acho que ainda há o que ser analisado na particularidade deste declínio. Acho que precisamos nos esforçar em fazer isso de maneira mais coletiva e, para tanto, os relatos das diversas experiências são sempre muito relevantes. Minha visão é muito específica, de um grupo social já bastante contraditório (os assessores técnicos), e com certeza não abarca nem de perto a complexidade do assunto. Minha expectativa aqui é levantar outras visões, dialogar sobre o assunto de maneira mais aberta. As eleições não ajudam, mas parece que o mundo continua depois delas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Agradeço muito os comentários dos companheiros.</p>
<p>Espectro Goiano chama a atenção sobre a ascensão da liderança Boulos a partir daquela conjuntura como algo que não vê possível na geração seguinte e Daniel Caribé fala sobre a luta por &#8220;direito à cidade&#8221; em 2013. Gostaria de juntar estes dois comentários com o comentário do João Bernardo no Flagrante Delito cujo tema é semelhante (<a href="https://passapalavra.info/2020/11/135153/#comment-690071" rel="ugc">https://passapalavra.info/2020/11/135153/#comment-690071</a>). Se ele está certo e Boulos é este burocrata &#8211; ou a burocracia nascida dos movimentos populares, que representei no texto como o homem na montaria &#8211; em ascensão, temos algo importante a analisar do ponto de vista da dinâmica histórica em andamento. Pois tivemos como candidatos no campo da &#8220;esquerda&#8221; nos últimos pleitos ou intelectuais ou sindicalistas representando a ascensão da burocracia destes grupos, que entraram em forte declínio político pós-2013. Os movimentos populares sempre tiveram representação legislativa (aqui em São Paulo), mas não uma expressividade na disputa do Executivo como esta de agora (a não ser a própria Erundina, de outra época, que reaparece como tragédia). A pergunta que fica para mim é: isso indicaria, ao invés da festa apologética que a &#8220;esquerda&#8221; tem feito, uma era de declínio dos movimentos populares tais quais os conhecemos? </p>
<p>Chamou-me a atenção, revendo o artigo que João Bernardo se referiu (<a href="https://passapalavra.info/2010/08/27717/" rel="ugc">https://passapalavra.info/2010/08/27717/</a>), os (muitos) comentários ali postados. Eles ainda trazem certo frescor da esperança de ações organizativas autônomas, ou a vontade de se falar sobre isso. Era 2010, e acredito que isso fazia parte daquilo que foi o estopim de 2013. Muito diferente do que se passou depois e molda de certa forma esta nossa falta de expectativas com o presente e menos ainda com o futuro. Nesse sentido, Espectro Goiano e Daniel, não vejo com bons olhos nem a ascensão de uma liderança dos movimentos populares na esfera eleitoral majoritária, nem a luta por &#8220;direito à cidade&#8221; da maneira como foi apropriada pelas burocracias e pelo próprio mercado. Mas acho que ainda há o que ser analisado na particularidade deste declínio. Acho que precisamos nos esforçar em fazer isso de maneira mais coletiva e, para tanto, os relatos das diversas experiências são sempre muito relevantes. Minha visão é muito específica, de um grupo social já bastante contraditório (os assessores técnicos), e com certeza não abarca nem de perto a complexidade do assunto. Minha expectativa aqui é levantar outras visões, dialogar sobre o assunto de maneira mais aberta. As eleições não ajudam, mas parece que o mundo continua depois delas.</p>
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		<title>
		Por: Leo V		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/11/135156/#comment-689989</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo V]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Nov 2020 04:40:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Espectro Goiano,

Você deveria escrever algo mais longo sobre essas lutas em torno do transporte coletivo em Goiânia. Muito interessante e importante. Escreva um pequeno livro contando.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Espectro Goiano,</p>
<p>Você deveria escrever algo mais longo sobre essas lutas em torno do transporte coletivo em Goiânia. Muito interessante e importante. Escreva um pequeno livro contando.</p>
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			</item>
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		<title>
		Por: Daniel Caribé		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/11/135156/#comment-689957</link>

		<dc:creator><![CDATA[Daniel Caribé]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Nov 2020 19:47:43 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=135156#comment-689957</guid>

					<description><![CDATA[Texto muito bom de Isadora Guerreiro. Boulos tem a minha idade e a trajetória dele é parecida com a de muitos outros que se enfiaram em ocupações de sem terra ou de sem teto, que militaram junto aos movimentos de catadores ou de cooperativas populares no início dos anos 2000.

Uma geração do limbo. Que viveu experiências intensas e viu movimentos sociais gigantescos definharem. De tentar &quot;errar de forma diferente&quot; pois não sabia o que era o certo. Boulos, entretanto, fez algo que recusávamos por princípio: se tornou liderança desses movimentos.

Não faço nenhum julgamento moral da opção de Boulos. Vi alguns companheiros tentarem fazer o mesmo e saírem completamente destruídos (psico e financeiramente). Eu, por exemplo, tive de escolher entre pagar as contas ou continuar enfiado em ocupações e cooperativas.

Mas o desejo de muitos era o de construir algo de que pudéssemos ser protagonistas, que a pauta nos colocasse no centro da luta e não apenas no apoio técnico (as tais assessorias) ou na eterna busca por legitimidade para se tornar uma referência/liderança.

Concordo com Isadora, 2013 foi quando esse giro ficou mais claro, pois nos colocou para construir movimentos nos quais as nossas necessidades (direito à cidade?) era a pauta. Mas foi também quando essas duas concepções se chocaram, fisicamente no caso de SP.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Texto muito bom de Isadora Guerreiro. Boulos tem a minha idade e a trajetória dele é parecida com a de muitos outros que se enfiaram em ocupações de sem terra ou de sem teto, que militaram junto aos movimentos de catadores ou de cooperativas populares no início dos anos 2000.</p>
<p>Uma geração do limbo. Que viveu experiências intensas e viu movimentos sociais gigantescos definharem. De tentar &#8220;errar de forma diferente&#8221; pois não sabia o que era o certo. Boulos, entretanto, fez algo que recusávamos por princípio: se tornou liderança desses movimentos.</p>
<p>Não faço nenhum julgamento moral da opção de Boulos. Vi alguns companheiros tentarem fazer o mesmo e saírem completamente destruídos (psico e financeiramente). Eu, por exemplo, tive de escolher entre pagar as contas ou continuar enfiado em ocupações e cooperativas.</p>
<p>Mas o desejo de muitos era o de construir algo de que pudéssemos ser protagonistas, que a pauta nos colocasse no centro da luta e não apenas no apoio técnico (as tais assessorias) ou na eterna busca por legitimidade para se tornar uma referência/liderança.</p>
<p>Concordo com Isadora, 2013 foi quando esse giro ficou mais claro, pois nos colocou para construir movimentos nos quais as nossas necessidades (direito à cidade?) era a pauta. Mas foi também quando essas duas concepções se chocaram, fisicamente no caso de SP.</p>
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		<item>
		<title>
		Por: leitor		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/11/135156/#comment-689955</link>

		<dc:creator><![CDATA[leitor]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Nov 2020 16:13:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[um relato muito bom e muito importante!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>um relato muito bom e muito importante!</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Espectro Goiano		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/11/135156/#comment-689954</link>

		<dc:creator><![CDATA[Espectro Goiano]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Nov 2020 13:42:24 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=135156#comment-689954</guid>

					<description><![CDATA[Interessante essa perspectiva da trajetória do Boulos e dos movimentos de moradia alternativos nos anos 2000. É uma narrativa para nós que vivemos a &quot;situação&quot; petista difícil de termos acesso, o que gera em alguns a sensação de estar criando movimentos e tradições sempre do zero. Mas acho interessante como tem uma diferença um tanto fundamental entre as tentativas de movimento que deram oportunidade pro Boulos hoje ser quem é e as tentativas de movimento social dos anos 10 desse século. Não surgiram e acho muito difícil que surjam outras figuras parecidas ligadas ao movimento social do transporte coletivo, as ocupações de escola, as lutas sociais enormes contra a austeridade em 2016 e por aí vai.

Veja aqui em Goiânia depois de 2013 pra 2014, por exemplo. Surgiu um movimento &quot;de base&quot; popular de questionamento aberto da dominação das empresas de transporte coletivo na cidade. Dia sim, dia não tinha protesto no bairro e nos terminais de ônibus. Chamamos isso de Verão Quente na época (https://passapalavra.info/2014/05/95134/). Um ensaio de aproximação entre greve de motoristas e movimento ativo de usuários do transporte coletivo provocou um dia de insurgência que causou a quebra de mais de 150 ônibus (https://passapalavra.info/2014/05/95344/). Mas o que chamo de &quot;movimento ativo de usuários de transporte&quot; não era propriamente um movimento como esse do Boulos, com uma base assegurada, um centro. Era algo como um espectro que percorria o tecido urbano e fazia o conflito de classe aparecer na hora do pau. A situação ficou tão difícil pras empresas que elas tiveram que fazer um jogo duplo: cederam para as pessoas um monte de coisas (https://www.jornalopcao.com.br/ultimas-noticias/forum-de-mobilidade-urbanada-regiao-metropolitana-apresentou-balanco-de-acoes-para-transporte-coletivo-8841/) e decretaram um estado de exceção perpétuo contra manifestações no transporte coletivo. Como não existia centro para reprimir, inventaram uma organização criminosa que tal como espectro seria responsável por toda a quebradeira e todo manifestante em qualquer protesto em qualquer lugar que tivesse empresa de ônibus passou a ser indiciado junto com os demais manifestantes de outros tempos e lugares por formação de quadrilha e associação para o crime. Durou uns anos esse estado de exceção.

Até tentamos fazer uma &quot;base&quot;. Eu participei da criação de um pequeno coletivo de estudantes e trabalhadores próximo a um terminal de ônibus chamado &quot;revolta popular do bandeiras&quot;. Um dia, uma jovem estudante bem ativa me mandou mensagem avisando que não ia mais poder participar. Um policial chegou nela com uma fotografia dela em protesto e falou que se a visse novamente em coisa do tipo, ia quebrar as pernas delas. Uma reunião que chamamos pra discutir sobre aumento teve mobilização até de helicópteros, cavalaria, tropa de choque (https://www.facebook.com/900286073337421/photos/a.908867152479313/923094047723290). O recado foi dado para todos. O presidente da associação de moradores, petista, não nos aceitou mais por lá porque não quisemos fazer campanha pro candidato dele (o coletivo existia a um mês). O pastor da igreja, pai de um dos militantes, tinha medo de ser delatado caso a gente fizesse reuniões lá dentro e a coisa pegar com ele pra polícia. Optamos por dissolver o coletivo no final das contas e manter apenas contato pessoal. Fomos, de certa forma, pragmáticos também.

Existe um profundo pragmatismo, no sentido mais banal de um senso prático mesmo, na ausência de referências e organizações de esquerda nos meios proletários hoje. Simplesmente não foi possível que existisse, quando existiu raramente pôde continuar. Dessa enorme movimentação que chacoalhou toda a cidade, não surgiu nenhuma proposta legislativa. Nenhuma liderança. Surgiu (eu diria insurgiu) pela última vez em 2015 botando fogo em 15 ônibus e a cidade em cheque (https://passapalavra.info/2015/09/106201/). A última notícia que tive foi que nos bairros das associações de moradores desses bairros onde houve esse verdadeiro canto de cisne de luta do transporte coletivo na cidade estão tendo que lidar com uma crescente influência do crime organizado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Interessante essa perspectiva da trajetória do Boulos e dos movimentos de moradia alternativos nos anos 2000. É uma narrativa para nós que vivemos a &#8220;situação&#8221; petista difícil de termos acesso, o que gera em alguns a sensação de estar criando movimentos e tradições sempre do zero. Mas acho interessante como tem uma diferença um tanto fundamental entre as tentativas de movimento que deram oportunidade pro Boulos hoje ser quem é e as tentativas de movimento social dos anos 10 desse século. Não surgiram e acho muito difícil que surjam outras figuras parecidas ligadas ao movimento social do transporte coletivo, as ocupações de escola, as lutas sociais enormes contra a austeridade em 2016 e por aí vai.</p>
<p>Veja aqui em Goiânia depois de 2013 pra 2014, por exemplo. Surgiu um movimento &#8220;de base&#8221; popular de questionamento aberto da dominação das empresas de transporte coletivo na cidade. Dia sim, dia não tinha protesto no bairro e nos terminais de ônibus. Chamamos isso de Verão Quente na época (<a href="https://passapalavra.info/2014/05/95134/" rel="ugc">https://passapalavra.info/2014/05/95134/</a>). Um ensaio de aproximação entre greve de motoristas e movimento ativo de usuários do transporte coletivo provocou um dia de insurgência que causou a quebra de mais de 150 ônibus (<a href="https://passapalavra.info/2014/05/95344/" rel="ugc">https://passapalavra.info/2014/05/95344/</a>). Mas o que chamo de &#8220;movimento ativo de usuários de transporte&#8221; não era propriamente um movimento como esse do Boulos, com uma base assegurada, um centro. Era algo como um espectro que percorria o tecido urbano e fazia o conflito de classe aparecer na hora do pau. A situação ficou tão difícil pras empresas que elas tiveram que fazer um jogo duplo: cederam para as pessoas um monte de coisas (<a href="https://www.jornalopcao.com.br/ultimas-noticias/forum-de-mobilidade-urbanada-regiao-metropolitana-apresentou-balanco-de-acoes-para-transporte-coletivo-8841/" rel="nofollow ugc">https://www.jornalopcao.com.br/ultimas-noticias/forum-de-mobilidade-urbanada-regiao-metropolitana-apresentou-balanco-de-acoes-para-transporte-coletivo-8841/</a>) e decretaram um estado de exceção perpétuo contra manifestações no transporte coletivo. Como não existia centro para reprimir, inventaram uma organização criminosa que tal como espectro seria responsável por toda a quebradeira e todo manifestante em qualquer protesto em qualquer lugar que tivesse empresa de ônibus passou a ser indiciado junto com os demais manifestantes de outros tempos e lugares por formação de quadrilha e associação para o crime. Durou uns anos esse estado de exceção.</p>
<p>Até tentamos fazer uma &#8220;base&#8221;. Eu participei da criação de um pequeno coletivo de estudantes e trabalhadores próximo a um terminal de ônibus chamado &#8220;revolta popular do bandeiras&#8221;. Um dia, uma jovem estudante bem ativa me mandou mensagem avisando que não ia mais poder participar. Um policial chegou nela com uma fotografia dela em protesto e falou que se a visse novamente em coisa do tipo, ia quebrar as pernas delas. Uma reunião que chamamos pra discutir sobre aumento teve mobilização até de helicópteros, cavalaria, tropa de choque (<a href="https://www.facebook.com/900286073337421/photos/a.908867152479313/923094047723290" rel="nofollow ugc">https://www.facebook.com/900286073337421/photos/a.908867152479313/923094047723290</a>). O recado foi dado para todos. O presidente da associação de moradores, petista, não nos aceitou mais por lá porque não quisemos fazer campanha pro candidato dele (o coletivo existia a um mês). O pastor da igreja, pai de um dos militantes, tinha medo de ser delatado caso a gente fizesse reuniões lá dentro e a coisa pegar com ele pra polícia. Optamos por dissolver o coletivo no final das contas e manter apenas contato pessoal. Fomos, de certa forma, pragmáticos também.</p>
<p>Existe um profundo pragmatismo, no sentido mais banal de um senso prático mesmo, na ausência de referências e organizações de esquerda nos meios proletários hoje. Simplesmente não foi possível que existisse, quando existiu raramente pôde continuar. Dessa enorme movimentação que chacoalhou toda a cidade, não surgiu nenhuma proposta legislativa. Nenhuma liderança. Surgiu (eu diria insurgiu) pela última vez em 2015 botando fogo em 15 ônibus e a cidade em cheque (<a href="https://passapalavra.info/2015/09/106201/" rel="ugc">https://passapalavra.info/2015/09/106201/</a>). A última notícia que tive foi que nos bairros das associações de moradores desses bairros onde houve esse verdadeiro canto de cisne de luta do transporte coletivo na cidade estão tendo que lidar com uma crescente influência do crime organizado.</p>
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