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	Comentários sobre: Ainda sobre as lutas na educação	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		Por: João Bernardo		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Jul 2021 14:40:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A situação dos estagiários descrita no texto (trabalhando e não recebendo salário, ou não recebendo salário equivalente, com o pretexto de que estão a aprender) reflecte uma situação generalizada nas formas mais antigas de capitalismo, em que o aprendiz, na construção, nas oficinas e no comércio, trabalhava sem receber remuneração, em troca da instrução prestada pelo mestre, que era o patrão. Em Portugal, na época da minha juventude, era assim que as mulheres proletárias aprendiam a ser costureiras. Trabalhavam o dia todo em oficinas sem qualquer remuneração, em troca de aprenderem, e a mestra comercializava o fruto desse trabalho, que constituía o seu lucro. Se se lembrarem do poema de António Gedeão, &lt;em&gt;Luísa sobe a calçada&lt;/em&gt;, que serviu de mote a &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2021/05/137886/&quot; rel=&quot;noopener&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;um artigo meu recente&lt;/a&gt;, a Luísa era operária numa fábrica de têxtil ou de confecções, mas estou certo de que ela aprendeu naquela forma que descrevi. Inclusivamente, havia uma expressão muito corrente nos meios populares, &lt;em&gt;olha que eu não andei contigo na costura&lt;/em&gt;, que significava: vê com quem falas, olha que eu não fui tua colega, não sou tua amiga, não andámos juntas na escola. Era engraçado ver um operário zangado dizer para outro: olha que eu não andei contigo na costura. Em suma, e como sempre sucede na universidade, esse Templo do Saber é o mais lento a evoluir, custa-lhe sair da Idade Média, e essa situação dos estagiários é um indício do carácter arcaico da instituição. Outro indício é a relutância dos professores em aceitarem o ensino remoto, tal como os artesãos ludditas do início do século XIX receavam o uso das máquinas. Coitados dos professores de mentalidade medieval sonhando com a universidade de elite! Coitados dos professores proletários que julgam que não o são! Pelo menos, os estagiários lutam por serem considerados proletários na condição moderna do proletariado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A situação dos estagiários descrita no texto (trabalhando e não recebendo salário, ou não recebendo salário equivalente, com o pretexto de que estão a aprender) reflecte uma situação generalizada nas formas mais antigas de capitalismo, em que o aprendiz, na construção, nas oficinas e no comércio, trabalhava sem receber remuneração, em troca da instrução prestada pelo mestre, que era o patrão. Em Portugal, na época da minha juventude, era assim que as mulheres proletárias aprendiam a ser costureiras. Trabalhavam o dia todo em oficinas sem qualquer remuneração, em troca de aprenderem, e a mestra comercializava o fruto desse trabalho, que constituía o seu lucro. Se se lembrarem do poema de António Gedeão, <em>Luísa sobe a calçada</em>, que serviu de mote a <a href="https://passapalavra.info/2021/05/137886/" rel="noopener" target="_blank">um artigo meu recente</a>, a Luísa era operária numa fábrica de têxtil ou de confecções, mas estou certo de que ela aprendeu naquela forma que descrevi. Inclusivamente, havia uma expressão muito corrente nos meios populares, <em>olha que eu não andei contigo na costura</em>, que significava: vê com quem falas, olha que eu não fui tua colega, não sou tua amiga, não andámos juntas na escola. Era engraçado ver um operário zangado dizer para outro: olha que eu não andei contigo na costura. Em suma, e como sempre sucede na universidade, esse Templo do Saber é o mais lento a evoluir, custa-lhe sair da Idade Média, e essa situação dos estagiários é um indício do carácter arcaico da instituição. Outro indício é a relutância dos professores em aceitarem o ensino remoto, tal como os artesãos ludditas do início do século XIX receavam o uso das máquinas. Coitados dos professores de mentalidade medieval sonhando com a universidade de elite! Coitados dos professores proletários que julgam que não o são! Pelo menos, os estagiários lutam por serem considerados proletários na condição moderna do proletariado.</p>
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