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	Comentários sobre: O futuro fugiu. 1	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/09/139804/#comment-858903</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Sep 2022 12:46:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Help needs somebody...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Help needs somebody&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/09/139804/#comment-858504</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 03 Sep 2022 05:39:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Help,

Talvez no artigo Em Busca do Não.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Help,</p>
<p>Talvez no artigo Em Busca do Não.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Help		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/09/139804/#comment-858472</link>

		<dc:creator><![CDATA[Help]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Sep 2022 23:29:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Estava procurando uma passagem do Joao Bernardo sobre o tempo. Sobre presente e a sintese entre passado e futuro.

Nao encontro em lugar algum]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estava procurando uma passagem do Joao Bernardo sobre o tempo. Sobre presente e a sintese entre passado e futuro.</p>
<p>Nao encontro em lugar algum</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/09/139804/#comment-786590</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Sep 2021 22:06:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Zen Budista,

Vou tentar responder rapidamente a cada uma das questões.

&lt;strong&gt;1)&lt;/strong&gt; A China é precisamente um excelente exemplo de aceleração da mais-valia relativa, na sequência das reformas iniciadas na terceira sessão plenária do 11º comité central do Partido Comunista, em Dezembro de 1978. Em poucas décadas a China passou do atraso económico para a vanguarda das novas tecnologias, a tal ponto que os Estados Unidos têm de recorrer agora a armas políticas para moderar o crescimento chinês, não conseguindo já fazê-lo com a simples concorrência económica. E os sectores de ponta da China, aqueles que atraem mais investimentos, e nomeadamente mais investimentos externos, são os que pagam salários mais elevados, em comparação com o resto do país. Aliás, é uma regra geral que os salários pagos pelas filiais das companhias transnacionais sejam superiores à remuneração média nos países onde essas filiais estão instaladas. Remeto para a &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2011/07/41823/&quot; rel=&quot;noopener&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;1ª Parte&lt;/a&gt; do meu ensaio &lt;em&gt;Os nacionalistas e as transnacionais&lt;/em&gt;. É claro que se em dois países, com tecnologias igualmente desenvolvidas e forças de trabalho igualmente qualificadas, houver uma diferença entre os salários, os investimentos externos procurarão aquele em que os salários forem inferiores. Mas este movimento contribui para pressionar à equiparação salarial.

&lt;strong&gt;2)&lt;/strong&gt; Com efeito, no &lt;em&gt;Marx Crítico de Marx&lt;/em&gt; eu proponho o gangsterismo como modelo da distribuição da mais-valia entre os capitalistas. Recordo o contexto: eu considero que a mais-valia é produzida pela globalidade dos trabalhadores e apropriada pela globalidade dos capitalistas, os quais só posteriormente a repartem entre eles. Ora, para efectuar essa repartição intercapitalista não são usados apenas os mecanismos do mercado, mas outras formas de pressão. Foi neste contexto que eu propus o gangsterismo como modelo. Considero que o mecanismo básico da desigualdade da distribuição da mais-valia entre os capitalistas resulta da forma como cada Unidade de Produção Particularizada consegue, ou não, relacionar-se com as Condições Gerais de Produção, e para isso são muito importantes as pressões extra-económicas. Foi esta uma das perspectivas que me levou a considerar as empresas como entidades verdadeiramente capazes de exercer uma soberania, o que denomino Estado Amplo. Aliás, recordo que escrevi neste &lt;em&gt;site&lt;/em&gt; um artigo intitulado «&lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2011/12/50056/&quot; rel=&quot;noopener&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Abaixo a educação e 10% para a corrupção&lt;/a&gt;». Mas 10% é uma coisa e 90% é outra e 100% é outra ainda. A partir de certo ponto a corrupção deixa de ser o lubrificante necessário para o funcionamento da economia e passa a destruir as relações de mercado, impedindo, portanto, a vida económica. Para me exprimir em termos muito sintéticos, uma economia em que as elites continuem adeptas do clientelismo e do potlatch não pode funcionar em termos capitalistas. Penso que é este o problema em grande parte da África, e não só.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Zen Budista,</p>
<p>Vou tentar responder rapidamente a cada uma das questões.</p>
<p><strong>1)</strong> A China é precisamente um excelente exemplo de aceleração da mais-valia relativa, na sequência das reformas iniciadas na terceira sessão plenária do 11º comité central do Partido Comunista, em Dezembro de 1978. Em poucas décadas a China passou do atraso económico para a vanguarda das novas tecnologias, a tal ponto que os Estados Unidos têm de recorrer agora a armas políticas para moderar o crescimento chinês, não conseguindo já fazê-lo com a simples concorrência económica. E os sectores de ponta da China, aqueles que atraem mais investimentos, e nomeadamente mais investimentos externos, são os que pagam salários mais elevados, em comparação com o resto do país. Aliás, é uma regra geral que os salários pagos pelas filiais das companhias transnacionais sejam superiores à remuneração média nos países onde essas filiais estão instaladas. Remeto para a <a href="https://passapalavra.info/2011/07/41823/" rel="noopener" target="_blank">1ª Parte</a> do meu ensaio <em>Os nacionalistas e as transnacionais</em>. É claro que se em dois países, com tecnologias igualmente desenvolvidas e forças de trabalho igualmente qualificadas, houver uma diferença entre os salários, os investimentos externos procurarão aquele em que os salários forem inferiores. Mas este movimento contribui para pressionar à equiparação salarial.</p>
<p><strong>2)</strong> Com efeito, no <em>Marx Crítico de Marx</em> eu proponho o gangsterismo como modelo da distribuição da mais-valia entre os capitalistas. Recordo o contexto: eu considero que a mais-valia é produzida pela globalidade dos trabalhadores e apropriada pela globalidade dos capitalistas, os quais só posteriormente a repartem entre eles. Ora, para efectuar essa repartição intercapitalista não são usados apenas os mecanismos do mercado, mas outras formas de pressão. Foi neste contexto que eu propus o gangsterismo como modelo. Considero que o mecanismo básico da desigualdade da distribuição da mais-valia entre os capitalistas resulta da forma como cada Unidade de Produção Particularizada consegue, ou não, relacionar-se com as Condições Gerais de Produção, e para isso são muito importantes as pressões extra-económicas. Foi esta uma das perspectivas que me levou a considerar as empresas como entidades verdadeiramente capazes de exercer uma soberania, o que denomino Estado Amplo. Aliás, recordo que escrevi neste <em>site</em> um artigo intitulado «<a href="https://passapalavra.info/2011/12/50056/" rel="noopener" target="_blank">Abaixo a educação e 10% para a corrupção</a>». Mas 10% é uma coisa e 90% é outra e 100% é outra ainda. A partir de certo ponto a corrupção deixa de ser o lubrificante necessário para o funcionamento da economia e passa a destruir as relações de mercado, impedindo, portanto, a vida económica. Para me exprimir em termos muito sintéticos, uma economia em que as elites continuem adeptas do clientelismo e do potlatch não pode funcionar em termos capitalistas. Penso que é este o problema em grande parte da África, e não só.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Zen Budista		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/09/139804/#comment-786589</link>

		<dc:creator><![CDATA[Zen Budista]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Sep 2021 21:15:10 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=139804#comment-786589</guid>

					<description><![CDATA[João Bernardo, 

Estou de acordo com muitas de suas análises. Mas alguns pontos que me parecem contraditórios ou insuficientes. Por isso peço alguns esclarecimentos.

No  seu modelo, se &quot;Isto significa simplesmente que é muitíssimo mais rentável para os capitalistas explorarem os trabalhadores suecos, apesar dos seus salários elevados, do que os haitianos pagos miseravelmente&quot;, como ficaria o caso da China, um dos países em que os capitalistas mais investem, com alta exploração da mais valia relativa e com baixíssimos salários?

Na obra política de Marx e Engels é evidente a contradição destes autores no que tange ao &quot;confronto da civilização germânica com o pan-eslavismo&quot;. Mas afirmação de que &quot;A corrupção e o esbanjamento praticados pelas classes dominantes do Terceiro Mundo contrastam com a capacidade de concorrência dos capitalistas sediados nos países mais desenvolvidos&quot;, não seria também contraditória posto que, mesmo nas &quot;Metrópolis&quot; a corrupção (e mesmo o esbanjamento) são inerentes ao capitalismo? Em sua obra há diversos exemplos, como a importância da máfia americana na normalização das relações sociais de produção do capital ou dos resquícios das relações senhoriais nas relações capitalistas?

Obrigado pela atenção!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João Bernardo, </p>
<p>Estou de acordo com muitas de suas análises. Mas alguns pontos que me parecem contraditórios ou insuficientes. Por isso peço alguns esclarecimentos.</p>
<p>No  seu modelo, se &#8220;Isto significa simplesmente que é muitíssimo mais rentável para os capitalistas explorarem os trabalhadores suecos, apesar dos seus salários elevados, do que os haitianos pagos miseravelmente&#8221;, como ficaria o caso da China, um dos países em que os capitalistas mais investem, com alta exploração da mais valia relativa e com baixíssimos salários?</p>
<p>Na obra política de Marx e Engels é evidente a contradição destes autores no que tange ao &#8220;confronto da civilização germânica com o pan-eslavismo&#8221;. Mas afirmação de que &#8220;A corrupção e o esbanjamento praticados pelas classes dominantes do Terceiro Mundo contrastam com a capacidade de concorrência dos capitalistas sediados nos países mais desenvolvidos&#8221;, não seria também contraditória posto que, mesmo nas &#8220;Metrópolis&#8221; a corrupção (e mesmo o esbanjamento) são inerentes ao capitalismo? Em sua obra há diversos exemplos, como a importância da máfia americana na normalização das relações sociais de produção do capital ou dos resquícios das relações senhoriais nas relações capitalistas?</p>
<p>Obrigado pela atenção!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: arkx Brasil		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/09/139804/#comment-786581</link>

		<dc:creator><![CDATA[arkx Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Sep 2021 18:48:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[JB critica JB: o futuro já não é como costumava ser

《Desvendar a exploração deve ser o objetivo último da atividade crítica, assim como lutar contra a exploração deve ser o objetivo principal da ação prática. 》 

《Longe de serem independentes das determinações do capitalismo, as forças produtivas constituem, ao contrário, uma expressão material e direta das relações sociais do capital. 》

 《As técnicas de gestão, os tipos de disciplina no trabalho, a maquinaria, nas suas sucessivas remodelações, têm como objetivo aumentar o tempo de sobretrabalho e reduzir o do trabalho necessário. Estas forças produtivas não são neutras, porque constituem a própria forma material e social como o processo de produção ocorre enquanto produção de mais-valia e como dessa mais-valia os trabalhadores são despossuídos. 》

《Cada modo de produção produz uma tecnologia específica, expressão e realização das suas contradições próprias.》

《Por isso a expansão de dadas forças produtivas  facilita e apressa o desenvolvimento das relações sociais que as condicionam, e não de quaisquer outras. O desenvolvimento, das relações sociais de tipo novo, antagônicas das hoje prevalecentes, vai por seu turno constituir a condição prévia ao aparecimento de uma nova tecnologia. 》

《A repetida suspensão dos processos revolucionários não tem resultado da sua derrota perante a repressão. É aqui decisiva uma análise atenta da cronologia, e os casos conhecidos mostram que, antes de os capitalistas contra-atacarem, já tinham entrado em desorganização as formas coletivistas e igualitárias surgidas na luta autônoma. É sempre essa desorganização prévia que suscita a investida capitalista. A derrota perante a repressão caracteriza apenas a fase do declínio final, quando o destino dos acontecimentos já está decidido.》

《Para espanto de todos aqueles que, como o autor deste livro, foram educados no marxismo ortodoxo, é nas empresas produtoras de bens de consumo corrente, por vezes pequenos estabelecimentos com escassas dezenas de trabalhadores, se tanto, que mais longe têm sido levadas, na atual fase, as novas relações sociais.》

《De certo modo, todas as lutas dos trabalhadores estão condenadas à derrota, exceto a última, o que deixa sem razão de ser a problemática, tantas vezes invocada, dos sucessos e fracassos. 》

《Os processos revolucionários podem considerar-se vitoriosos na medida apenas em que demonstram praticamente a possibilidade de um novo modo de produção, coletivista e igualitário. São eles que mantêm o comunismo como algo do presente, e não como um vago projeto futuro. 》]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>JB critica JB: o futuro já não é como costumava ser</p>
<p>《Desvendar a exploração deve ser o objetivo último da atividade crítica, assim como lutar contra a exploração deve ser o objetivo principal da ação prática. 》 </p>
<p>《Longe de serem independentes das determinações do capitalismo, as forças produtivas constituem, ao contrário, uma expressão material e direta das relações sociais do capital. 》</p>
<p> 《As técnicas de gestão, os tipos de disciplina no trabalho, a maquinaria, nas suas sucessivas remodelações, têm como objetivo aumentar o tempo de sobretrabalho e reduzir o do trabalho necessário. Estas forças produtivas não são neutras, porque constituem a própria forma material e social como o processo de produção ocorre enquanto produção de mais-valia e como dessa mais-valia os trabalhadores são despossuídos. 》</p>
<p>《Cada modo de produção produz uma tecnologia específica, expressão e realização das suas contradições próprias.》</p>
<p>《Por isso a expansão de dadas forças produtivas  facilita e apressa o desenvolvimento das relações sociais que as condicionam, e não de quaisquer outras. O desenvolvimento, das relações sociais de tipo novo, antagônicas das hoje prevalecentes, vai por seu turno constituir a condição prévia ao aparecimento de uma nova tecnologia. 》</p>
<p>《A repetida suspensão dos processos revolucionários não tem resultado da sua derrota perante a repressão. É aqui decisiva uma análise atenta da cronologia, e os casos conhecidos mostram que, antes de os capitalistas contra-atacarem, já tinham entrado em desorganização as formas coletivistas e igualitárias surgidas na luta autônoma. É sempre essa desorganização prévia que suscita a investida capitalista. A derrota perante a repressão caracteriza apenas a fase do declínio final, quando o destino dos acontecimentos já está decidido.》</p>
<p>《Para espanto de todos aqueles que, como o autor deste livro, foram educados no marxismo ortodoxo, é nas empresas produtoras de bens de consumo corrente, por vezes pequenos estabelecimentos com escassas dezenas de trabalhadores, se tanto, que mais longe têm sido levadas, na atual fase, as novas relações sociais.》</p>
<p>《De certo modo, todas as lutas dos trabalhadores estão condenadas à derrota, exceto a última, o que deixa sem razão de ser a problemática, tantas vezes invocada, dos sucessos e fracassos. 》</p>
<p>《Os processos revolucionários podem considerar-se vitoriosos na medida apenas em que demonstram praticamente a possibilidade de um novo modo de produção, coletivista e igualitário. São eles que mantêm o comunismo como algo do presente, e não como um vago projeto futuro. 》</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/09/139804/#comment-786562</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Sep 2021 14:08:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Bisneto do Tarzan,

Agradeço o seu comentário esclarecedor. Mas o que eu pretendi dizer, em linhas demasiado breves, é que inicialmente as companhias privadas assumiram na Índia e depois em África funções verdadeiramente estatais, soberanas, tanto na esfera política como na esfera financeira e na militar. Mas a exploração estritamente colonial não era então suficientemente rentável para que as companhias prosseguissem nesta via, e os Estados metropolitanos viram-se na necessidade de assumir as funções políticas e militares, embora sem se encarregarem da actividade propriamente económica, que continuou nas mãos dos empresários privados. O que se passou em Moçambique com as companhias majestáticas foi uma excepção, dada a fraqueza do Estado português até que começassem a sentir-se os efeitos da restruturação salazarista. Ora, foi graças a essa acção político-militar das sucursais coloniais dos Estados metropolitanos que a plebe africana foi progressivamente convertida num proletariado vendendo a sua força de trabalho. Gerou-se assim — tardiamente — a base social que rentabilizou o colonialismo capitalista enquanto empreendimento privado. É esta a linha da minha argumentação.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bisneto do Tarzan,</p>
<p>Agradeço o seu comentário esclarecedor. Mas o que eu pretendi dizer, em linhas demasiado breves, é que inicialmente as companhias privadas assumiram na Índia e depois em África funções verdadeiramente estatais, soberanas, tanto na esfera política como na esfera financeira e na militar. Mas a exploração estritamente colonial não era então suficientemente rentável para que as companhias prosseguissem nesta via, e os Estados metropolitanos viram-se na necessidade de assumir as funções políticas e militares, embora sem se encarregarem da actividade propriamente económica, que continuou nas mãos dos empresários privados. O que se passou em Moçambique com as companhias majestáticas foi uma excepção, dada a fraqueza do Estado português até que começassem a sentir-se os efeitos da restruturação salazarista. Ora, foi graças a essa acção político-militar das sucursais coloniais dos Estados metropolitanos que a plebe africana foi progressivamente convertida num proletariado vendendo a sua força de trabalho. Gerou-se assim — tardiamente — a base social que rentabilizou o colonialismo capitalista enquanto empreendimento privado. É esta a linha da minha argumentação.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Bisneto do Tarzan		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/09/139804/#comment-786558</link>

		<dc:creator><![CDATA[Bisneto do Tarzan]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Sep 2021 12:54:11 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=139804#comment-786558</guid>

					<description><![CDATA[Permitam-me esta pequena nota a uma passagem do texto acima. Inúmeras companhias privadas em África com capital acionário gerido na Bolsa de Valores de Londres foram à falência, mas isso não significou que o Estado metropolitano tenha assumido automaticamente tal massa falida. Leopoldo II como dono privado do Estado Livre do Congo arrendava o território a investidores privados e administrava seus dividendos observando os investimentos e lucros dos arrendatários na Bolsa de Valores. Esses arrendamentos continuaram depois de 1909 (quando morreu esse abominável personagem). A UNILEVER nasceu de um arrendamento em 1920 no Congo belga para explorar óleo de palma, um investimento privado de colossais proporções sem nenhuma participação do governo belga. As Companhias privadas (majestáticas) em África eram &quot;países-empresas independentes&quot;. A África meridional inteira (incluído o Congo) estava na Bolsa de Valores de Londres. Capitalistas privados, investidores-acionistas, definiam os investimentos e se observarmos as trajetórias de alguns desses acionistas verifica-se facilmente que seus investimentos não se resumiam a bandeiras nacionais (nessa ficção de burguesias imperialistas). Por exemplo, o administrador-controlador da Companhia Caminhos de Ferro do Congo (Matadi-Kinshasa), o senhor Albert Thys, um belga de nascimento, também era investidor majoritário na Companhia de Moçambique (Manica-Sofala) sendo esta companhia (fundada em 1892) controlada por Edmond Bartissol (capitalista francês e grande investidor privado em caminhos de Ferro em Portugal) e Albert Ochs (capitalista britânico) entre outros; Albert Ochs (um dos grandes concorrentes de Cecil Rhodes na África) era um dos controladores da Oceana Company, com investimentos predominantes na África do Sul e extração de diamantes, e que no final dos anos 1890 passou a controlar a Companhia de Moçambique. Uma rede de investimentos de companhias de capital aberto organizou desde sempre o capitalismo em África. Os administradores coloniais que dirigiam esses empreendimentos em terras africanas poderiam até falar o português em Moçambique (João Azevedo Coutinho, na Beira dirigindo a Companhia de Moçambique, por exemplo) ou falar o francês no Congo (o próprio Thys no Congo), mas sempre sob ordens de investidores capitalistas que controlavam, falando inglês, tais empreendimentos na Bolsa de Valores de Londres. Um detalhe: nas algibeiras das calças de muitos trabalhadores europeus era comum encontrarem-se papéis, ações, dessas Companhias em África. O imperialismo era um fato, mas não sob controle do Estado metropolitano. As bandeirolas poderiam até ser as da Bélgica, de França, Inglaterra, Portugal, mas os negócios resolviam-se na banca londrina.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Permitam-me esta pequena nota a uma passagem do texto acima. Inúmeras companhias privadas em África com capital acionário gerido na Bolsa de Valores de Londres foram à falência, mas isso não significou que o Estado metropolitano tenha assumido automaticamente tal massa falida. Leopoldo II como dono privado do Estado Livre do Congo arrendava o território a investidores privados e administrava seus dividendos observando os investimentos e lucros dos arrendatários na Bolsa de Valores. Esses arrendamentos continuaram depois de 1909 (quando morreu esse abominável personagem). A UNILEVER nasceu de um arrendamento em 1920 no Congo belga para explorar óleo de palma, um investimento privado de colossais proporções sem nenhuma participação do governo belga. As Companhias privadas (majestáticas) em África eram &#8220;países-empresas independentes&#8221;. A África meridional inteira (incluído o Congo) estava na Bolsa de Valores de Londres. Capitalistas privados, investidores-acionistas, definiam os investimentos e se observarmos as trajetórias de alguns desses acionistas verifica-se facilmente que seus investimentos não se resumiam a bandeiras nacionais (nessa ficção de burguesias imperialistas). Por exemplo, o administrador-controlador da Companhia Caminhos de Ferro do Congo (Matadi-Kinshasa), o senhor Albert Thys, um belga de nascimento, também era investidor majoritário na Companhia de Moçambique (Manica-Sofala) sendo esta companhia (fundada em 1892) controlada por Edmond Bartissol (capitalista francês e grande investidor privado em caminhos de Ferro em Portugal) e Albert Ochs (capitalista britânico) entre outros; Albert Ochs (um dos grandes concorrentes de Cecil Rhodes na África) era um dos controladores da Oceana Company, com investimentos predominantes na África do Sul e extração de diamantes, e que no final dos anos 1890 passou a controlar a Companhia de Moçambique. Uma rede de investimentos de companhias de capital aberto organizou desde sempre o capitalismo em África. Os administradores coloniais que dirigiam esses empreendimentos em terras africanas poderiam até falar o português em Moçambique (João Azevedo Coutinho, na Beira dirigindo a Companhia de Moçambique, por exemplo) ou falar o francês no Congo (o próprio Thys no Congo), mas sempre sob ordens de investidores capitalistas que controlavam, falando inglês, tais empreendimentos na Bolsa de Valores de Londres. Um detalhe: nas algibeiras das calças de muitos trabalhadores europeus era comum encontrarem-se papéis, ações, dessas Companhias em África. O imperialismo era um fato, mas não sob controle do Estado metropolitano. As bandeirolas poderiam até ser as da Bélgica, de França, Inglaterra, Portugal, mas os negócios resolviam-se na banca londrina.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/09/139804/#comment-786557</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Sep 2021 12:15:59 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=139804#comment-786557</guid>

					<description><![CDATA[Leitura indispensável e inadiável. 
Resta permanecer - firme e sem ansiedade, posto que o futuro acabou -  aguardando as prometidas segunda e terceira partes.
Valeu, JB!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Leitura indispensável e inadiável.<br />
Resta permanecer &#8211; firme e sem ansiedade, posto que o futuro acabou &#8211;  aguardando as prometidas segunda e terceira partes.<br />
Valeu, JB!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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