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	Comentários sobre: Ainda aquele junho	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Paulo Henrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/07/145040/#comment-850876</link>

		<dc:creator><![CDATA[Paulo Henrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Jul 2022 13:32:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[E o Leo V, mais uma vez, tenta difundir a ideia de que o campo da política se sobrepõe ao das relações de produção. Ele tem enxaqueca não porque houve uma intensificação da exploração do trabalho (que determinou a queda da Dilma), e sim porque a Dilma foi derrubada (o que segundo ele, determinou a intensificação da exploração).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E o Leo V, mais uma vez, tenta difundir a ideia de que o campo da política se sobrepõe ao das relações de produção. Ele tem enxaqueca não porque houve uma intensificação da exploração do trabalho (que determinou a queda da Dilma), e sim porque a Dilma foi derrubada (o que segundo ele, determinou a intensificação da exploração).</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo V		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/07/145040/#comment-850803</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo V]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Jul 2022 01:14:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[João Bernardo,

No caso, a hierarquia de preocupações faz muito sentido. As consequências dos eventos de 2016, e que se prolongaram até a eleição de Bolsonaro (porque o impedimento de Lula em 2018 foi uma continuidade) são sentidas no dia a dia, todo santo dia por aqui. E falo para além da perda de direitos e renda dos trabalhadores que não aconteceriam de outra forma. Falo, por exemplo, do meu local de trabalho. Eu vejo colegas adoecidos, eu mesmo ganhando ma enxaqueca que nunca tive na vida, sofrendo assédios por três ou quatro anos, mantidos por vezes na sujeira, entre outras coisas piores relacionadas ao cotidiano de trabalho que atingem a saúde e eu diria até o tempo de vida.
As consequências são muito reais e sentidas todo dia. Todo dia, literalmente. 
Então se parte da esquerda não foi capaz de enxergar o que viria, o que estava para acontecer com os trabalhadores (e consigo mesmo enquanto trabalhador), há uma questão política muito séria que não pode ser jogada para baixo do tapete.

A hierarquia de preocupações começa no próprio local de trabalho.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João Bernardo,</p>
<p>No caso, a hierarquia de preocupações faz muito sentido. As consequências dos eventos de 2016, e que se prolongaram até a eleição de Bolsonaro (porque o impedimento de Lula em 2018 foi uma continuidade) são sentidas no dia a dia, todo santo dia por aqui. E falo para além da perda de direitos e renda dos trabalhadores que não aconteceriam de outra forma. Falo, por exemplo, do meu local de trabalho. Eu vejo colegas adoecidos, eu mesmo ganhando ma enxaqueca que nunca tive na vida, sofrendo assédios por três ou quatro anos, mantidos por vezes na sujeira, entre outras coisas piores relacionadas ao cotidiano de trabalho que atingem a saúde e eu diria até o tempo de vida.<br />
As consequências são muito reais e sentidas todo dia. Todo dia, literalmente.<br />
Então se parte da esquerda não foi capaz de enxergar o que viria, o que estava para acontecer com os trabalhadores (e consigo mesmo enquanto trabalhador), há uma questão política muito séria que não pode ser jogada para baixo do tapete.</p>
<p>A hierarquia de preocupações começa no próprio local de trabalho.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/07/145040/#comment-850457</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 Jul 2022 21:00:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Tenho dito, escrito e repetido que o Brasil não está no Brasil, está no mundo. Mas sem qualquer resultado. Nenhum brasileiro acredita que o Brasil esteja no mundo. Desde há dois dias que o Passa Palavra tem como principal destaque &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2022/07/145130/&quot; rel=&quot;noopener&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;um artigo sobre os fundamentos da grande revolução popular no Sri Lanka&lt;/a&gt;, a maior que ocorre hoje em todo o mundo. Aliás, desde o início do processo revolucionário no Sudão, e que está ainda longe de ter terminado, não ocorria uma sublevação de massas tão significativa. Mas isso que importa! Aquele artigo continua sem comentários. Em contrapartida, os leitores do Passa Palavra abundam na discussão da extinção da presidência de Dilma Rousseff. Esta hierarquia de preocupações é um teste significativo. Pelo menos, devia ser.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tenho dito, escrito e repetido que o Brasil não está no Brasil, está no mundo. Mas sem qualquer resultado. Nenhum brasileiro acredita que o Brasil esteja no mundo. Desde há dois dias que o Passa Palavra tem como principal destaque <a href="https://passapalavra.info/2022/07/145130/" rel="noopener" target="_blank">um artigo sobre os fundamentos da grande revolução popular no Sri Lanka</a>, a maior que ocorre hoje em todo o mundo. Aliás, desde o início do processo revolucionário no Sudão, e que está ainda longe de ter terminado, não ocorria uma sublevação de massas tão significativa. Mas isso que importa! Aquele artigo continua sem comentários. Em contrapartida, os leitores do Passa Palavra abundam na discussão da extinção da presidência de Dilma Rousseff. Esta hierarquia de preocupações é um teste significativo. Pelo menos, devia ser.</p>
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		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/07/145040/#comment-850423</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 Jul 2022 16:38:17 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=145040#comment-850423</guid>

					<description><![CDATA[Caro Jan,

A meu ver, e sobretudo levando em consideração que Dilma e o PT passaram a enfrentar, desde 2013, uma muito abrangente oposição popular, permeando todas as classes sociais, não se pode chamar o impeachment de golpe, e também não faz sentido explicar a queda de Dilma a partir de uma manipulação arbitrária das regras formais dos ritos parlamentares. Não digo que é essa a visão de Marcos Nobre, não a conheço, não li suas obras, mas é assim que muita gente viu os acontecimentos. Não, para mim não houve nada de arbitrário, nenhuma manipulação da institucionalidade para derrubar Dilma. O impeachment durou mais de 6 meses! Houve observância dos ritos, dos prazos, das formas, com contraditório e ampla defesa, muito diferente do caso de Fernando Lugo, que nem teve tempo de elaborar uma defesa. Ocorre que os procedimentos parlamentares dependem, ao contrário de um caso apreciado pelo Judiciário, da formação de maiorias, e o PT não conseguiu, embora tenha se empenhado muito, obter maiorias. A remoção de Dilma já havia sido pactuada, como é comum em qualquer parlamento de qualquer país do mundo, e mesmo assim os parlamentares deram-se ao trabalho de observar as formalidades legais e constitucionais. Caso contrário, sempre que um parlamento resolve remover alguém do cargo, em situações onde o governante perde toda a sustentação política, inclusive de sua pretensa base social, é golpe. Além do mais, fora do parlamento não havia mais clima para um governo do PT: aquilo que o justificava, para o grande capital, era justamente a cooptação e controle dos movimentos sociais, e 2013 marca um ponto de inflexão nesse sentido. Além do mais, a classe trabalhadora que o PT cooptava foi mudando de forma, não é mais a mesma classe trabalhadora, é outra, existe já sob novas formas. Um livro que gosto, &quot;Precariado&quot;, de Guy Standing, ajuda a refletir um pouco sobre essa nova classe trabalhadora. É um livro que tem suas limitações, mas faz uma descrição precisa, a meu ver, dessa nova forma de ser do proletariado, ajuda a refletir. O PT conseguirá, se Lula for eleito, cooptar essa nova classe trabalhadora? A história dirá. Além do mais, a chamada &quot;classe média&quot; tinha por que se opor ao PT, uma vez que os governo petistas propiciaram uma altíssima concentração de riqueza no topo e uma maior distribuição de riqueza para a base, penalizando a camada de rendimentos intermediários. Laura Carvalho, no livro &quot;Valsa Brasileira&quot;, mostra que, entre 2001 e 2015, enquanto os 50% mais pobres aumentaram sua participação na renda nacional total de 11% para 12%, e os 10% mais ricos de 25% para 28%, os 40% intermediários reduziram-na de 34% para 32%. Isso explica muita coisa. De cima a baixo, aquele governo não atendia mais às expectativas. De cima a baixo, havia oposição àquele governo, marcando presença nas ruas, e se os manifestantes fossem de esquerda ou trabalhadores, sobretudo, sofriam ferimentos graves e eram mortos pela polícia. O impeachment foi a formalização da queda. E aí voltamos às questões que você coloca: &quot;Não conseguimos unificar, encorpar e potencializar a revolta? Por quê?&quot; Me parece que não conseguimos porque, de um lado, a extrema-esquerda que ascendeu ao primeiro plano em 2013 implodiu-se a si mesma. A velocidade com que o MPL se desagregou, devido a disputas internas motivadas pelo identitarismo, é impressionante. O que restou da extrema-esquerda, ou se dispersou, ou atrelou-se novamente ao PT. E então veio a extrema-direita bolsonarista, tirando do caminho ou atraindo o que restou da direita, implodida pela Lava Jato e disputas intestinas. Restou-nos o cenário atual. A extrema-esquerda poderia ter seguido outro rumo? Talvez. A nova forma de ser da classe trabalhadora tem algo a ver com o rumo que as coisas tomaram? Talvez. Mas havia, de todo modo, é preciso sublinhar, uns poucos que tentavam desenvolver uma luta anticapitalista, ao mesmo tempo contra o PT e as forças da direita. Fomos derrotados, evidentemente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Jan,</p>
<p>A meu ver, e sobretudo levando em consideração que Dilma e o PT passaram a enfrentar, desde 2013, uma muito abrangente oposição popular, permeando todas as classes sociais, não se pode chamar o impeachment de golpe, e também não faz sentido explicar a queda de Dilma a partir de uma manipulação arbitrária das regras formais dos ritos parlamentares. Não digo que é essa a visão de Marcos Nobre, não a conheço, não li suas obras, mas é assim que muita gente viu os acontecimentos. Não, para mim não houve nada de arbitrário, nenhuma manipulação da institucionalidade para derrubar Dilma. O impeachment durou mais de 6 meses! Houve observância dos ritos, dos prazos, das formas, com contraditório e ampla defesa, muito diferente do caso de Fernando Lugo, que nem teve tempo de elaborar uma defesa. Ocorre que os procedimentos parlamentares dependem, ao contrário de um caso apreciado pelo Judiciário, da formação de maiorias, e o PT não conseguiu, embora tenha se empenhado muito, obter maiorias. A remoção de Dilma já havia sido pactuada, como é comum em qualquer parlamento de qualquer país do mundo, e mesmo assim os parlamentares deram-se ao trabalho de observar as formalidades legais e constitucionais. Caso contrário, sempre que um parlamento resolve remover alguém do cargo, em situações onde o governante perde toda a sustentação política, inclusive de sua pretensa base social, é golpe. Além do mais, fora do parlamento não havia mais clima para um governo do PT: aquilo que o justificava, para o grande capital, era justamente a cooptação e controle dos movimentos sociais, e 2013 marca um ponto de inflexão nesse sentido. Além do mais, a classe trabalhadora que o PT cooptava foi mudando de forma, não é mais a mesma classe trabalhadora, é outra, existe já sob novas formas. Um livro que gosto, &#8220;Precariado&#8221;, de Guy Standing, ajuda a refletir um pouco sobre essa nova classe trabalhadora. É um livro que tem suas limitações, mas faz uma descrição precisa, a meu ver, dessa nova forma de ser do proletariado, ajuda a refletir. O PT conseguirá, se Lula for eleito, cooptar essa nova classe trabalhadora? A história dirá. Além do mais, a chamada &#8220;classe média&#8221; tinha por que se opor ao PT, uma vez que os governo petistas propiciaram uma altíssima concentração de riqueza no topo e uma maior distribuição de riqueza para a base, penalizando a camada de rendimentos intermediários. Laura Carvalho, no livro &#8220;Valsa Brasileira&#8221;, mostra que, entre 2001 e 2015, enquanto os 50% mais pobres aumentaram sua participação na renda nacional total de 11% para 12%, e os 10% mais ricos de 25% para 28%, os 40% intermediários reduziram-na de 34% para 32%. Isso explica muita coisa. De cima a baixo, aquele governo não atendia mais às expectativas. De cima a baixo, havia oposição àquele governo, marcando presença nas ruas, e se os manifestantes fossem de esquerda ou trabalhadores, sobretudo, sofriam ferimentos graves e eram mortos pela polícia. O impeachment foi a formalização da queda. E aí voltamos às questões que você coloca: &#8220;Não conseguimos unificar, encorpar e potencializar a revolta? Por quê?&#8221; Me parece que não conseguimos porque, de um lado, a extrema-esquerda que ascendeu ao primeiro plano em 2013 implodiu-se a si mesma. A velocidade com que o MPL se desagregou, devido a disputas internas motivadas pelo identitarismo, é impressionante. O que restou da extrema-esquerda, ou se dispersou, ou atrelou-se novamente ao PT. E então veio a extrema-direita bolsonarista, tirando do caminho ou atraindo o que restou da direita, implodida pela Lava Jato e disputas intestinas. Restou-nos o cenário atual. A extrema-esquerda poderia ter seguido outro rumo? Talvez. A nova forma de ser da classe trabalhadora tem algo a ver com o rumo que as coisas tomaram? Talvez. Mas havia, de todo modo, é preciso sublinhar, uns poucos que tentavam desenvolver uma luta anticapitalista, ao mesmo tempo contra o PT e as forças da direita. Fomos derrotados, evidentemente.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo V		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/07/145040/#comment-850420</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo V]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 Jul 2022 16:31:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O Paulo Henrique tem um sério problema com a língua portuguesa.

O antipetismo emburrece.
Vou repetir pra ele o que escrevi:

&quot;Em 2016 a luta de classes era escancarada. Qualquer um que não sofresse de ressentimento crônico enxergava o que iria vir…

Taxa de lucro vs. vida dos trabalhadores&quot;

Mas Paulo Henrique desconhece tempos verbais e lê que antes de 2016 não havia luta de classes e portanto disputa entre lucro e vida dos trabalhadores.
Ele faz de conta que não sabe que estou escrevendo para rebater aqueles que diziam que o golpe de 2016 se tratava meramente de troca de gestores.

Como ele não está no modo racional, pouco importa o que se escreve.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Paulo Henrique tem um sério problema com a língua portuguesa.</p>
<p>O antipetismo emburrece.<br />
Vou repetir pra ele o que escrevi:</p>
<p>&#8220;Em 2016 a luta de classes era escancarada. Qualquer um que não sofresse de ressentimento crônico enxergava o que iria vir…</p>
<p>Taxa de lucro vs. vida dos trabalhadores&#8221;</p>
<p>Mas Paulo Henrique desconhece tempos verbais e lê que antes de 2016 não havia luta de classes e portanto disputa entre lucro e vida dos trabalhadores.<br />
Ele faz de conta que não sabe que estou escrevendo para rebater aqueles que diziam que o golpe de 2016 se tratava meramente de troca de gestores.</p>
<p>Como ele não está no modo racional, pouco importa o que se escreve.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: RICARDO RONALDO PINTO		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/07/145040/#comment-850417</link>

		<dc:creator><![CDATA[RICARDO RONALDO PINTO]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 Jul 2022 16:12:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Quanta preocupação com os destinos do PT por parte de quem diz se propor a fazer uma crítica radical! Chega a ser ridícula tida esta preocupação em definir de houve ou não &quot;golpe&quot;. Pior ainda é este apego à crítica da corrupção, como se ele não fizesse parte obrigatória em todas as negociações capitalistas. O PT faz o melhor que pode dentro daquilo que ele é, nunca fará mais que isto. As críticas neste caso revela mais a respeito daqueles que as fazem do que do objeto da crítica. As esperanças e expectativas em relação à um partido político que ao fim se propõe apenas a gerir o capitalismo de um Estado Nacional como se fora um movimento revolucionário é mais que desproporcional é despropositada. 
Gostaria que alguém voltasse ao assunto sobre onde foi que nós que nos propusemos a mobilizar em 2013 erramos. Principalmente à afirmação feita por mim em comentário acima de que a partir da palavra de ordem &quot;não vai ter copa&quot; já estávamos desviados do caminho inicial.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quanta preocupação com os destinos do PT por parte de quem diz se propor a fazer uma crítica radical! Chega a ser ridícula tida esta preocupação em definir de houve ou não &#8220;golpe&#8221;. Pior ainda é este apego à crítica da corrupção, como se ele não fizesse parte obrigatória em todas as negociações capitalistas. O PT faz o melhor que pode dentro daquilo que ele é, nunca fará mais que isto. As críticas neste caso revela mais a respeito daqueles que as fazem do que do objeto da crítica. As esperanças e expectativas em relação à um partido político que ao fim se propõe apenas a gerir o capitalismo de um Estado Nacional como se fora um movimento revolucionário é mais que desproporcional é despropositada.<br />
Gostaria que alguém voltasse ao assunto sobre onde foi que nós que nos propusemos a mobilizar em 2013 erramos. Principalmente à afirmação feita por mim em comentário acima de que a partir da palavra de ordem &#8220;não vai ter copa&#8221; já estávamos desviados do caminho inicial.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Jan Cenek		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/07/145040/#comment-850398</link>

		<dc:creator><![CDATA[Jan Cenek]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 Jul 2022 13:25:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Não gosto da palavra golpe para definir o impedimento ocorrido em 2016. Isso porque ao dizer golpe meio que se absolve o petismo, como se não tivessem promovido um estelionato eleitoral em 2015, como se não tivessem realizado alianças espúrias e, sobretudo, como se não atuassem desmobilizando e freando as lutas dos trabalhadores. A narrativa sobre o golpe serve, fundamentalmente, para colocar a esquerda no colo do PT. Basta ver o que aconteceu com o PSOL. Por tudo isso, prefiro a definição do professor Marcos Nobre. O que ocorreu em 2016 foi muito mais uma parlamentada do que um golpe.

Mas dizer que foi uma parlamentada não significa ignorar que, a partir de 2016, foram intensificados os ataques contra a classe trabalhadora: teto de gastos, terceirizações, reformas trabalhista e previdenciária... Como já foi dito, a retirada de direitos e os ataques aos trabalhadores ganharam força no governo Dilma. Tivesse continuado no poder, ela teria aumentado a carga contra a classe trabalhadora. No nível do que efetivamente ocorreu? Difícil de saber. Assim como é difícil de saber se os ataques passariam se o petismo tivesse efetivamente mobilizado seus aparatos para resistir, ao invés de se limitar a repetir que teria ocorrido um golpe. Enfim. O fato é que a partir de 2016, com a parlamentada, foram promovidos diversos ataques contra os trabalhadores.

Para piorar, o petismo se recolocou como alternativa (que não é alternativa) e é isso que devemos discutir. Que Lula é um conciliador interessado exclusivamente em manter e ampliar seus aparatos, freando a luta de classes, acredito que é consenso por aqui. A questão é por que não conseguimos criar alternativas por baixo e pela esquerda, ainda mais tendo um levante como Junho de 2013 ainda visível no horizonte. Em textos e documentários sobre aquele junho uma frase costuma aparecer: “outros junhos virão”. A frase está registrada, por exemplo, no final de um artigo publicado no Passa Palavra neste mês (https://passapalavra.info/2022/07/144931/). Eu mesmo fiquei tentado a registrar a tal frase nas duas colunas que escrevi. Se é verdade que outros junhos virão, é prudente discutir os limites e as possibilidades do processo: para que avance por baixo e pela esquerda. Daí as questões que coloquei no comentário anterior. As cartas continuam sendo jogadas? Não conseguimos unificar, encorpar e potencializar a revolta? Por quê?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não gosto da palavra golpe para definir o impedimento ocorrido em 2016. Isso porque ao dizer golpe meio que se absolve o petismo, como se não tivessem promovido um estelionato eleitoral em 2015, como se não tivessem realizado alianças espúrias e, sobretudo, como se não atuassem desmobilizando e freando as lutas dos trabalhadores. A narrativa sobre o golpe serve, fundamentalmente, para colocar a esquerda no colo do PT. Basta ver o que aconteceu com o PSOL. Por tudo isso, prefiro a definição do professor Marcos Nobre. O que ocorreu em 2016 foi muito mais uma parlamentada do que um golpe.</p>
<p>Mas dizer que foi uma parlamentada não significa ignorar que, a partir de 2016, foram intensificados os ataques contra a classe trabalhadora: teto de gastos, terceirizações, reformas trabalhista e previdenciária&#8230; Como já foi dito, a retirada de direitos e os ataques aos trabalhadores ganharam força no governo Dilma. Tivesse continuado no poder, ela teria aumentado a carga contra a classe trabalhadora. No nível do que efetivamente ocorreu? Difícil de saber. Assim como é difícil de saber se os ataques passariam se o petismo tivesse efetivamente mobilizado seus aparatos para resistir, ao invés de se limitar a repetir que teria ocorrido um golpe. Enfim. O fato é que a partir de 2016, com a parlamentada, foram promovidos diversos ataques contra os trabalhadores.</p>
<p>Para piorar, o petismo se recolocou como alternativa (que não é alternativa) e é isso que devemos discutir. Que Lula é um conciliador interessado exclusivamente em manter e ampliar seus aparatos, freando a luta de classes, acredito que é consenso por aqui. A questão é por que não conseguimos criar alternativas por baixo e pela esquerda, ainda mais tendo um levante como Junho de 2013 ainda visível no horizonte. Em textos e documentários sobre aquele junho uma frase costuma aparecer: “outros junhos virão”. A frase está registrada, por exemplo, no final de um artigo publicado no Passa Palavra neste mês (<a href="https://passapalavra.info/2022/07/144931/" rel="ugc">https://passapalavra.info/2022/07/144931/</a>). Eu mesmo fiquei tentado a registrar a tal frase nas duas colunas que escrevi. Se é verdade que outros junhos virão, é prudente discutir os limites e as possibilidades do processo: para que avance por baixo e pela esquerda. Daí as questões que coloquei no comentário anterior. As cartas continuam sendo jogadas? Não conseguimos unificar, encorpar e potencializar a revolta? Por quê?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/07/145040/#comment-850384</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 Jul 2022 11:33:18 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=145040#comment-850384</guid>

					<description><![CDATA[Em 23 de agosto de 2018, João Almeida Moura escreveu no Diário de Notícias (aqui: https://www.dn.pt/edicao-do-dia/23-ago-2018/o-pt-golpeia-se-9749317.html) que &quot;Lula é como o Fausto, de Goethe, que fez um pacto com o Diabo, na forma de Mefistóteles. Graças a esse pacto chegou ao auge do poder, da popularidade, do prestígio; hoje, sofre as consequências da imprudente amizade. No passado, os &#039;golpistas&#039;, como ele lhes chama hoje, foram parceiros de governo e de distribuição de dinheiros públicos no mensalão e no petrolão para ir facilitando a aprovação de projetos, oleando as campanhas de todos e garantindo a preservação dos mesmos no poder. De terríveis e infames corruptos, quando o PT ainda era oposição, Michel Temer, Renan Calheiros, Romero Jucá ou Eunício de Oliveira, alguns caciques do MDB, ainda a mais fiel representação do Mefistóteles do Fausto na política brasileira, passaram a ser destinatários de palmadinhas nas costas, abraços e afagos de Lula e companhia. Até Paulo Maluf, veterano vigarista procurado pela Interpol, mereceu visita do chefe do PT aos jardins da sua mansão para selar acordo com vista à eleição para a prefeitura de São Paulo de Fernando Haddad, em 2012. Argumenta o PT que sem esses acordos não teriam existido Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, Prouni e tantos outros programas que, pela primeira vez na história, visaram diminuir a desigualdade do terceiro país mais desigual do mundo. &#039;É a realpolitik, estúpido&#039;, dizem os militantes do partido. &#039;No Brasil, Jesus se coligaria até com Judas&#039;, resumiu um dia o próprio Lula. No dia em que o dinheiro se retraiu como nunca, já sob Dilma Rousseff, uma presidente medíocre na economia, por um lado, e que nunca teve estômago para palmadinhas nas costas, abraços e afagos a quem desprezava, por outro, o preço a pagar pela aliança diabólica chegou em forma de impeachment. O resto já se sabe. Mas será que o PT, com resultados catastróficos nas últimas eleições municipais, e Lula, entretanto preso em Curitiba, aprenderam a lição? Não: enquanto os seus militantes, no Brasil e além-mar, perdem os amigos e a saúde a chamar &#039;golpistas&#039; aos que derrubaram Dilma, o partido já se coligou com os partidos do &#039;golpe&#039; em 15 das 27 unidades federativas do país. A tal realpolitik&quot;.

Podemos prosseguir a mesma reflexão hoje. Ora, além de termos visto Lula e Alckmin finalmente juntos (ver: https://passapalavra.info/2022/04/143283/) e um Alckmin desconcertado durante a execução do hino da Internacional (aqui: https://passapalavra.info/2022/05/143649/), li há poucos dias na Folha de S.Paulo que num almoço com parlamentares na residência oficial do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), Lula pediu seu apoio para fazer desistirem de concorrer à presidência os pré-candidatos Gilberto Kassab (PSD), Simone Tebet (MDB) e Luciano Bivar (União Brasil), para que o apoiem já no primeiro turno. Outro pedido de Lula é que, caso seja eleito, Pacheco resista às pressões dos bolsonaristas contra a realização da cerimônia de posse. E agora passo a citar a reportagem de Ranier Bragon, Danielle Brant, João Gabriel, Thaísa Oliveira e Julia Chaib (aqui: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2022/07/lula-diz-a-senadores-que-vitoria-em-1o-turno-e-essencial-contra-golpismo-e-busca-atrair-3a-via.shtml): &quot;o ex-presidente afirmou ter certeza de que obterá o apoio de MDB - sob o argumento de que o PT cedeu ao partido em dez arranjos políticos estaduais sem pedir nada em troca - e que tem mantido pontes com Bivar, que, segundo ele, &#039;odeia&#039; Bolsonaro [...] Lula teria sublinhado aos participantes da conversa que, no sentido de evitar arestas com os adversários históricos, não falou uma palavra crítica em relação a ACM Neto, ex-DEM e secretário-geral da União, na visita recente que fez à Bahia. O MDB tenta emplacar a candidatura de Tebet, mas está rachado internamente e é alvo de ofensiva do PT. O PT também pressiona, por meio das bancadas na Câmara e no Senado, uma adesão de Ciro Gomes (PDT), mas o candidato e a cúpula do partido descartam desistência&quot;.

Pois bem, vejamos: o União Brasil, legenda pertencente a Luciano Bivar, é fruto de uma fusão entre o DEM e o PSL, partido de Bolsonaro nas eleições de 2018. No dia da votação da abertura do processo de impeachment contra Dilma (ver: https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2016-04/impeachment-de-dilma-saiba-como-votou-cada-um-dos-partidos-na-camara), todos os deputados do DEM e todos do PSL votaram a favor. Segundo Leo V, votaram a favor do “golpe” e do avanço dos capitalistas sobre os trabalhadores segundo o binômio taxa de lucro vs. vida dos trabalhadores. O PSD, por sua vez, teve uma maioria de 29 votos pró-impeachment, contra 8 votos desfavoráveis. O criador do partido, ex-Ministro das Cidades nos governos Dilma e Temer, disse que não tomaria partido mas respeitaria a “decisão da maioria” dos parlamentares da sigla, comunicando pessoalmente a presidente (aqui: https://exame.com/brasil/kassab-informa-dilma-sobre-decisao-do-psd-pelo-impeachment/). Kassab manteve o mesmo cargo no governo Temer, o governo do “golpe”. O MDB, grande “aliado” do PT e que tinha um de seus parlamentares, Michel Temer, na vice-presidência, lançou 59 votos a favor do impeachment e 7 contra. Dos partidos mencionados na reportagem da Folha de S.Paulo, o único que sustenta hoje uma pré-candidatura à presidência da república e votou majoritariamente contra o impeachment foi o PDT de Ciro Gomes, e sabemos que Lula se esforça muito, e há muito tempo, para sabotar as pretensões presidenciais de seu ex-Ministro da Integração Nacional (escrevi algo a respeito aqui: https://passapalavra.info/2018/10/123251/). Ficamos, portanto, diante de uma realidade muito curiosa: o partido apeado do poder por um “golpe” busca o apoio daqueles que votaram a favor do “golpe” e faz de tudo para impedir uma renovação da centro-esquerda que lhe possa fazer concorrência, minando o projeto presidencial de um dos poucos partidos que votaram contra o “golpe”. Ou então aquilo não foi golpe, mas uma perda momentânea de apoio, entretanto já superada para permitir a reedição de um projeto de conciliação de classes e subordinação e cooptação dos movimentos dos trabalhadores, nos marcos de uma política econômica que oscilou entre o moderadamente neoliberal e o fortemente neoliberal (esta última versão do projeto entretanto frustrada, pois logo veio o impeachment, que livrou o PT de meter-se de maneira duradoura em mais uma contradição).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em 23 de agosto de 2018, João Almeida Moura escreveu no Diário de Notícias (aqui: <a href="https://www.dn.pt/edicao-do-dia/23-ago-2018/o-pt-golpeia-se-9749317.html" rel="nofollow ugc">https://www.dn.pt/edicao-do-dia/23-ago-2018/o-pt-golpeia-se-9749317.html</a>) que &#8220;Lula é como o Fausto, de Goethe, que fez um pacto com o Diabo, na forma de Mefistóteles. Graças a esse pacto chegou ao auge do poder, da popularidade, do prestígio; hoje, sofre as consequências da imprudente amizade. No passado, os &#8216;golpistas&#8217;, como ele lhes chama hoje, foram parceiros de governo e de distribuição de dinheiros públicos no mensalão e no petrolão para ir facilitando a aprovação de projetos, oleando as campanhas de todos e garantindo a preservação dos mesmos no poder. De terríveis e infames corruptos, quando o PT ainda era oposição, Michel Temer, Renan Calheiros, Romero Jucá ou Eunício de Oliveira, alguns caciques do MDB, ainda a mais fiel representação do Mefistóteles do Fausto na política brasileira, passaram a ser destinatários de palmadinhas nas costas, abraços e afagos de Lula e companhia. Até Paulo Maluf, veterano vigarista procurado pela Interpol, mereceu visita do chefe do PT aos jardins da sua mansão para selar acordo com vista à eleição para a prefeitura de São Paulo de Fernando Haddad, em 2012. Argumenta o PT que sem esses acordos não teriam existido Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, Prouni e tantos outros programas que, pela primeira vez na história, visaram diminuir a desigualdade do terceiro país mais desigual do mundo. &#8216;É a realpolitik, estúpido&#8217;, dizem os militantes do partido. &#8216;No Brasil, Jesus se coligaria até com Judas&#8217;, resumiu um dia o próprio Lula. No dia em que o dinheiro se retraiu como nunca, já sob Dilma Rousseff, uma presidente medíocre na economia, por um lado, e que nunca teve estômago para palmadinhas nas costas, abraços e afagos a quem desprezava, por outro, o preço a pagar pela aliança diabólica chegou em forma de impeachment. O resto já se sabe. Mas será que o PT, com resultados catastróficos nas últimas eleições municipais, e Lula, entretanto preso em Curitiba, aprenderam a lição? Não: enquanto os seus militantes, no Brasil e além-mar, perdem os amigos e a saúde a chamar &#8216;golpistas&#8217; aos que derrubaram Dilma, o partido já se coligou com os partidos do &#8216;golpe&#8217; em 15 das 27 unidades federativas do país. A tal realpolitik&#8221;.</p>
<p>Podemos prosseguir a mesma reflexão hoje. Ora, além de termos visto Lula e Alckmin finalmente juntos (ver: <a href="https://passapalavra.info/2022/04/143283/" rel="ugc">https://passapalavra.info/2022/04/143283/</a>) e um Alckmin desconcertado durante a execução do hino da Internacional (aqui: <a href="https://passapalavra.info/2022/05/143649/" rel="ugc">https://passapalavra.info/2022/05/143649/</a>), li há poucos dias na Folha de S.Paulo que num almoço com parlamentares na residência oficial do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), Lula pediu seu apoio para fazer desistirem de concorrer à presidência os pré-candidatos Gilberto Kassab (PSD), Simone Tebet (MDB) e Luciano Bivar (União Brasil), para que o apoiem já no primeiro turno. Outro pedido de Lula é que, caso seja eleito, Pacheco resista às pressões dos bolsonaristas contra a realização da cerimônia de posse. E agora passo a citar a reportagem de Ranier Bragon, Danielle Brant, João Gabriel, Thaísa Oliveira e Julia Chaib (aqui: <a href="https://www1.folha.uol.com.br/poder/2022/07/lula-diz-a-senadores-que-vitoria-em-1o-turno-e-essencial-contra-golpismo-e-busca-atrair-3a-via.shtml" rel="nofollow ugc">https://www1.folha.uol.com.br/poder/2022/07/lula-diz-a-senadores-que-vitoria-em-1o-turno-e-essencial-contra-golpismo-e-busca-atrair-3a-via.shtml</a>): &#8220;o ex-presidente afirmou ter certeza de que obterá o apoio de MDB &#8211; sob o argumento de que o PT cedeu ao partido em dez arranjos políticos estaduais sem pedir nada em troca &#8211; e que tem mantido pontes com Bivar, que, segundo ele, &#8216;odeia&#8217; Bolsonaro [&#8230;] Lula teria sublinhado aos participantes da conversa que, no sentido de evitar arestas com os adversários históricos, não falou uma palavra crítica em relação a ACM Neto, ex-DEM e secretário-geral da União, na visita recente que fez à Bahia. O MDB tenta emplacar a candidatura de Tebet, mas está rachado internamente e é alvo de ofensiva do PT. O PT também pressiona, por meio das bancadas na Câmara e no Senado, uma adesão de Ciro Gomes (PDT), mas o candidato e a cúpula do partido descartam desistência&#8221;.</p>
<p>Pois bem, vejamos: o União Brasil, legenda pertencente a Luciano Bivar, é fruto de uma fusão entre o DEM e o PSL, partido de Bolsonaro nas eleições de 2018. No dia da votação da abertura do processo de impeachment contra Dilma (ver: <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2016-04/impeachment-de-dilma-saiba-como-votou-cada-um-dos-partidos-na-camara" rel="nofollow ugc">https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2016-04/impeachment-de-dilma-saiba-como-votou-cada-um-dos-partidos-na-camara</a>), todos os deputados do DEM e todos do PSL votaram a favor. Segundo Leo V, votaram a favor do “golpe” e do avanço dos capitalistas sobre os trabalhadores segundo o binômio taxa de lucro vs. vida dos trabalhadores. O PSD, por sua vez, teve uma maioria de 29 votos pró-impeachment, contra 8 votos desfavoráveis. O criador do partido, ex-Ministro das Cidades nos governos Dilma e Temer, disse que não tomaria partido mas respeitaria a “decisão da maioria” dos parlamentares da sigla, comunicando pessoalmente a presidente (aqui: <a href="https://exame.com/brasil/kassab-informa-dilma-sobre-decisao-do-psd-pelo-impeachment/" rel="nofollow ugc">https://exame.com/brasil/kassab-informa-dilma-sobre-decisao-do-psd-pelo-impeachment/</a>). Kassab manteve o mesmo cargo no governo Temer, o governo do “golpe”. O MDB, grande “aliado” do PT e que tinha um de seus parlamentares, Michel Temer, na vice-presidência, lançou 59 votos a favor do impeachment e 7 contra. Dos partidos mencionados na reportagem da Folha de S.Paulo, o único que sustenta hoje uma pré-candidatura à presidência da república e votou majoritariamente contra o impeachment foi o PDT de Ciro Gomes, e sabemos que Lula se esforça muito, e há muito tempo, para sabotar as pretensões presidenciais de seu ex-Ministro da Integração Nacional (escrevi algo a respeito aqui: <a href="https://passapalavra.info/2018/10/123251/" rel="ugc">https://passapalavra.info/2018/10/123251/</a>). Ficamos, portanto, diante de uma realidade muito curiosa: o partido apeado do poder por um “golpe” busca o apoio daqueles que votaram a favor do “golpe” e faz de tudo para impedir uma renovação da centro-esquerda que lhe possa fazer concorrência, minando o projeto presidencial de um dos poucos partidos que votaram contra o “golpe”. Ou então aquilo não foi golpe, mas uma perda momentânea de apoio, entretanto já superada para permitir a reedição de um projeto de conciliação de classes e subordinação e cooptação dos movimentos dos trabalhadores, nos marcos de uma política econômica que oscilou entre o moderadamente neoliberal e o fortemente neoliberal (esta última versão do projeto entretanto frustrada, pois logo veio o impeachment, que livrou o PT de meter-se de maneira duradoura em mais uma contradição).</p>
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		<title>
		Por: Lucas		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 Jul 2022 03:18:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Alguns poucos grupos e eleitores não enxergavam que a própria dirigência política havia preferido não realizar um enfrentamento. Alguns poucos anos depois essa dirigência já estava fazendo alianças com aqueles que estes grupos e eleitores chamavam &quot;golpistas&quot;. E a maioria dos e das trabalhadoras nunca se surpreendeu com isso. Esse foi o drama de quem quis ser mais petista do que a dirigência do PT, de quem identificava o governo com a classe.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Alguns poucos grupos e eleitores não enxergavam que a própria dirigência política havia preferido não realizar um enfrentamento. Alguns poucos anos depois essa dirigência já estava fazendo alianças com aqueles que estes grupos e eleitores chamavam &#8220;golpistas&#8221;. E a maioria dos e das trabalhadoras nunca se surpreendeu com isso. Esse foi o drama de quem quis ser mais petista do que a dirigência do PT, de quem identificava o governo com a classe.</p>
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		<title>
		Por: Paulo Henrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/07/145040/#comment-850250</link>

		<dc:creator><![CDATA[Paulo Henrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Jul 2022 13:34:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Segundo Leo V, a luta de classes no Brasil começou em 2016 com a derrubada da Dilma. Antes dessa data não havia a dicotomia taxa de lucro vs. vida dos trabalhadores.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Segundo Leo V, a luta de classes no Brasil começou em 2016 com a derrubada da Dilma. Antes dessa data não havia a dicotomia taxa de lucro vs. vida dos trabalhadores.</p>
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