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	Comentários sobre: Mundos paralelos? Fascismo ou pacto conservador?	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Liv		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/11/146621/#comment-870835</link>

		<dc:creator><![CDATA[Liv]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Nov 2022 01:40:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Tanto este quanto o outro texto são de pouca serventia. Enumeram e tangenciam. Por falta de criatividade, escapam do abismo permanecendo covardemente na rasa superficialidade. 

&quot;Outra maneira de paralisar a capacidade de pensar criticamente é a destruição de qualquer imagem estruturada no mundo. Os fatos perdem a qualidade específica que só podem ter como partes de um todo estruturado e conservam apenas um significado abstrato e quantitativo; cada fato é somente outro fato e tudo o que interessa é se sabemos mais ou menos.&quot;
&quot;A superstição patética que predomina é de que conhecendo um número cada vez maior de fatos chega-se a um conhecimento da realidade. [...] Sem dúvida, raciocinar sem conhecimento dos fatos seria fútil e ilusório; somente as &quot;informações&quot;, porém, podem ser um obstáculo tão grande ao raciocínio quanto a sua ausência.&quot;
FROMM. O Medo à Liberdade. Cap. sobre  Liberdade e Democracia.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tanto este quanto o outro texto são de pouca serventia. Enumeram e tangenciam. Por falta de criatividade, escapam do abismo permanecendo covardemente na rasa superficialidade. </p>
<p>&#8220;Outra maneira de paralisar a capacidade de pensar criticamente é a destruição de qualquer imagem estruturada no mundo. Os fatos perdem a qualidade específica que só podem ter como partes de um todo estruturado e conservam apenas um significado abstrato e quantitativo; cada fato é somente outro fato e tudo o que interessa é se sabemos mais ou menos.&#8221;<br />
&#8220;A superstição patética que predomina é de que conhecendo um número cada vez maior de fatos chega-se a um conhecimento da realidade. [&#8230;] Sem dúvida, raciocinar sem conhecimento dos fatos seria fútil e ilusório; somente as &#8220;informações&#8221;, porém, podem ser um obstáculo tão grande ao raciocínio quanto a sua ausência.&#8221;<br />
FROMM. O Medo à Liberdade. Cap. sobre  Liberdade e Democracia.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Céline Edi Ondo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/11/146621/#comment-870690</link>

		<dc:creator><![CDATA[Céline Edi Ondo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Nov 2022 14:56:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[No comentário de João Bernardo, , me faz pensar o seguinte... De fato, hoje em dia, a grande massa do proletariado não deixa de ser &quot;um burguês que não foi bem sucedido&quot;. Não apenas por não aceitar o &quot;socialismo da miséria&quot;, mas, também, por não aceitar o (vir a ser)  &quot;socialismo da abundância&quot;... Mas, o pior, é que parcela deste proletariado, dito de esquerda, já não nutre hostilidade aos ricos (vejam seus ídolos... Elon Musk, Bill Gates, Edir Macedo,  Papa Francisco, Cristiano Ronaldo, Neymar Jr., Lula, Bolsonaro, etc) e nem sentimento de classe (a classe é A, B, C, D ou E, inclusive para parte dos escritores e comentadores aqui do Passa Palavra...). A hostilidade desta esquerda se direciona à gêneros, raças, credos, ideologias... e os sentimentos, nomeados de &quot;empoderamento&quot;, são de ascensão à riqueza, independentemente da abundância para todos... 

PS: Sim, Lula, Bolsonaro, etc, como gestores do capital, fazem, também, parte da classe capitalista... É, ou não é, João Bernardo?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No comentário de João Bernardo, , me faz pensar o seguinte&#8230; De fato, hoje em dia, a grande massa do proletariado não deixa de ser &#8220;um burguês que não foi bem sucedido&#8221;. Não apenas por não aceitar o &#8220;socialismo da miséria&#8221;, mas, também, por não aceitar o (vir a ser)  &#8220;socialismo da abundância&#8221;&#8230; Mas, o pior, é que parcela deste proletariado, dito de esquerda, já não nutre hostilidade aos ricos (vejam seus ídolos&#8230; Elon Musk, Bill Gates, Edir Macedo,  Papa Francisco, Cristiano Ronaldo, Neymar Jr., Lula, Bolsonaro, etc) e nem sentimento de classe (a classe é A, B, C, D ou E, inclusive para parte dos escritores e comentadores aqui do Passa Palavra&#8230;). A hostilidade desta esquerda se direciona à gêneros, raças, credos, ideologias&#8230; e os sentimentos, nomeados de &#8220;empoderamento&#8221;, são de ascensão à riqueza, independentemente da abundância para todos&#8230; </p>
<p>PS: Sim, Lula, Bolsonaro, etc, como gestores do capital, fazem, também, parte da classe capitalista&#8230; É, ou não é, João Bernardo?</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Alan Fernandes		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/11/146621/#comment-870684</link>

		<dc:creator><![CDATA[Alan Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Nov 2022 13:10:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Dúvida, 
Essa questão já foi trabalhada muito bem neste outro artigo https://passapalavra.info/2019/03/125676/. No meu entender, reduzir a posição de classe à sua definição formal conduz ao determinismo das forças produtivas denunciado largamente nos círculos marxistas heterodoxos, autonomistas, etc. Os trabalhadores obedecem à disciplina capitalista sempre apresentando entraves à sua plena realização, isso ocorre porque o direito do trabalhador como vendedor de sua mercadoria força de trabalho se defronta com o direito do comprador da força de trabalho em extrair o máximo possível capital variável do exercício da força de trabalho (e &quot;entre direitos iguais, quem decide é a força&quot; [MARX, O Capital. 2013. p.309]). Assim sendo, os trabalhadores caracterizam-se pela sua relação econômica, suscetível à disciplina do trabalho, e só desafiam abertamente a lógica econômica quando, junto de outros trabalhadores, tornam-se conscientes de sua posição de explorados, e conscientes de seu potencial disruptivo. Em suma, um trabalhador não se reconhece sociologicamente simplesmente porque reconhece que não é empresário, mas trabalhador, mas sim quando a sua posição ativa não difere da de tantos outros trabalhadores, e as diferenças promovidas pela dispersão da força de trabalho não conseguem anestesiar esses trabalhadores em luta. O que o Leo V quis dizer é que a a definição formal de classe trabalhadora é útil no campo conceitual, mas paralisa politicamente. A luta de classes não parou, é óbvio, mas nossa ampla capacidade enquanto atores políticos nesse momento está morna. Leo V me corrija se eu estiver errado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dúvida,<br />
Essa questão já foi trabalhada muito bem neste outro artigo <a href="https://passapalavra.info/2019/03/125676/" rel="ugc">https://passapalavra.info/2019/03/125676/</a>. No meu entender, reduzir a posição de classe à sua definição formal conduz ao determinismo das forças produtivas denunciado largamente nos círculos marxistas heterodoxos, autonomistas, etc. Os trabalhadores obedecem à disciplina capitalista sempre apresentando entraves à sua plena realização, isso ocorre porque o direito do trabalhador como vendedor de sua mercadoria força de trabalho se defronta com o direito do comprador da força de trabalho em extrair o máximo possível capital variável do exercício da força de trabalho (e &#8220;entre direitos iguais, quem decide é a força&#8221; [MARX, O Capital. 2013. p.309]). Assim sendo, os trabalhadores caracterizam-se pela sua relação econômica, suscetível à disciplina do trabalho, e só desafiam abertamente a lógica econômica quando, junto de outros trabalhadores, tornam-se conscientes de sua posição de explorados, e conscientes de seu potencial disruptivo. Em suma, um trabalhador não se reconhece sociologicamente simplesmente porque reconhece que não é empresário, mas trabalhador, mas sim quando a sua posição ativa não difere da de tantos outros trabalhadores, e as diferenças promovidas pela dispersão da força de trabalho não conseguem anestesiar esses trabalhadores em luta. O que o Leo V quis dizer é que a a definição formal de classe trabalhadora é útil no campo conceitual, mas paralisa politicamente. A luta de classes não parou, é óbvio, mas nossa ampla capacidade enquanto atores políticos nesse momento está morna. Leo V me corrija se eu estiver errado.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Dúvida		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/11/146621/#comment-870612</link>

		<dc:creator><![CDATA[Dúvida]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Nov 2022 18:00:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Queria entender por que &quot;não existe classe trabalhadora atualmente no Brasil em sentido sociológico&quot;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Queria entender por que &#8220;não existe classe trabalhadora atualmente no Brasil em sentido sociológico&#8221;.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Grifo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/11/146621/#comment-870599</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Grifo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Nov 2022 14:00:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A menção ao Céline me lembrou do Jack London, outro autor que tratou do mesmo tema em várias de suas obras, mas principalmente em Martin Eden. O americano entretanto é reputado como socialista. E vejam que não faltam eugenia, ódio aos ricos, vontade de potência, individualidade e ausência de solidariedade em seus escritos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A menção ao Céline me lembrou do Jack London, outro autor que tratou do mesmo tema em várias de suas obras, mas principalmente em Martin Eden. O americano entretanto é reputado como socialista. E vejam que não faltam eugenia, ódio aos ricos, vontade de potência, individualidade e ausência de solidariedade em seus escritos.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Anônimo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/11/146621/#comment-870597</link>

		<dc:creator><![CDATA[Anônimo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Nov 2022 13:45:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Gente, falando em fascismo, será que as novas edições do Labirintos do Fascismo já estão disponíveis em pdf em algum site? Só encontro a 3ª edição para baixar. Os preços tão pesados.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gente, falando em fascismo, será que as novas edições do Labirintos do Fascismo já estão disponíveis em pdf em algum site? Só encontro a 3ª edição para baixar. Os preços tão pesados.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: delíto		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/11/146621/#comment-870592</link>

		<dc:creator><![CDATA[delíto]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Nov 2022 11:48:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[CANÇÃO DAQUELES A QUEM TUDO SE APLICA E JÁ SABEM TUDO

Que alguma coisa tem de ser feita e já
isso já sabemos
que porém ainda é cedo para fazer alguma coisa
que porém é tarde demais para ainda fazer alguma coisa
isso já sabemos

e que passamos bem
e que assim vai continuar a ser
e que não vale a pena
isso já sabemos

e que a culpa é nossa
e que não podemos fazer nada por se nossa a  culpa
e que é nossa culpa de não podermos fazer nada
e que já nos basta
isso já sabemos

e que talvez fosse melhor calar o bico
e que não vamos calar o bico
isso já sabemos
isso já sabemos

e que não podemos ajudar ninguém
e que ninguém nos pode ajudar a nós
isso já sabemos

e que somos vocacionados
e que temos a escolha entre nada e mais nada
e que temos de analisar este problema profundamente
e que pomos duas colheres de açúcar no chá
isso já sabemos

e que somos contra a repressão
e que os cigarros vão encarecer
isso já sabemos

e que pressentimos sempre o que aí vem
e que de cada vez teremos razão
e que daí não se segue nada
isso já sabemos

e que isto tudo é verdade
isso já sabemos

e que tudo isto é mentira
isso já sabemos

e que isto é tudo
isso já sabemos

e que aguentar não é tudo pelo contrário é nada
isso já sabemos

e que tudo isto não é novo
e que a vida é bela
isso já sabemos
isso já sabemos
isso já sabemos

e que já sabemos isso
isso já sabemos

Hans Magnus Enzensberger. 66 poemas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>CANÇÃO DAQUELES A QUEM TUDO SE APLICA E JÁ SABEM TUDO</p>
<p>Que alguma coisa tem de ser feita e já<br />
isso já sabemos<br />
que porém ainda é cedo para fazer alguma coisa<br />
que porém é tarde demais para ainda fazer alguma coisa<br />
isso já sabemos</p>
<p>e que passamos bem<br />
e que assim vai continuar a ser<br />
e que não vale a pena<br />
isso já sabemos</p>
<p>e que a culpa é nossa<br />
e que não podemos fazer nada por se nossa a  culpa<br />
e que é nossa culpa de não podermos fazer nada<br />
e que já nos basta<br />
isso já sabemos</p>
<p>e que talvez fosse melhor calar o bico<br />
e que não vamos calar o bico<br />
isso já sabemos<br />
isso já sabemos</p>
<p>e que não podemos ajudar ninguém<br />
e que ninguém nos pode ajudar a nós<br />
isso já sabemos</p>
<p>e que somos vocacionados<br />
e que temos a escolha entre nada e mais nada<br />
e que temos de analisar este problema profundamente<br />
e que pomos duas colheres de açúcar no chá<br />
isso já sabemos</p>
<p>e que somos contra a repressão<br />
e que os cigarros vão encarecer<br />
isso já sabemos</p>
<p>e que pressentimos sempre o que aí vem<br />
e que de cada vez teremos razão<br />
e que daí não se segue nada<br />
isso já sabemos</p>
<p>e que isto tudo é verdade<br />
isso já sabemos</p>
<p>e que tudo isto é mentira<br />
isso já sabemos</p>
<p>e que isto é tudo<br />
isso já sabemos</p>
<p>e que aguentar não é tudo pelo contrário é nada<br />
isso já sabemos</p>
<p>e que tudo isto não é novo<br />
e que a vida é bela<br />
isso já sabemos<br />
isso já sabemos<br />
isso já sabemos</p>
<p>e que já sabemos isso<br />
isso já sabemos</p>
<p>Hans Magnus Enzensberger. 66 poemas.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/11/146621/#comment-870584</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Nov 2022 09:38:18 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=146621#comment-870584</guid>

					<description><![CDATA[Já que fui citado por dois leitores, talvez tenha chegado o momento de me citar a mim mesmo.

Logo nas primeiras páginas do &lt;em&gt;Labirintos do Fascismo&lt;/em&gt; (São Paulo: Hedra, 2022, vol. I, págs. 22-24), depois de observar que «os trabalhadores não levam uma vida única, mas duas vidas» e que «ao mesmo tempo que se inserem no capital e o fazem funcionar, os trabalhadores entram em choque com ele», eu escrevi:

«E quando numerosos trabalhadores se deixam mover e conduzir, tantas vezes em episódios de incrível violência, para restabelecer o capitalismo numa nova modalidade, e neste processo se confrontam com outros trabalhadores, desejosos de se oporem a todas as formas do capital, e contribuem para os dispersar e liquidar?
«Foi isso o fascismo, sustentado por uma convulsão da classe trabalhadora, que jogou uma das suas vidas contra a outra, e neste exacerbamento da sua contradição interna os trabalhadores agravaram a hetero-organização que os vitimava. O trabalhador fascista caracterizou-se por possuir um profundo ódio aos ricos, aliado a uma estreiteza de horizontes que o impedia de se inserir nas redes de solidariedade da sua classe e ascender a uma compreensão do processo histórico. Céline, um anarquista que foi um dos melhores prosadores do fascismo, se não o melhor, pretendeu que “a consciência de classe é uma balela, uma demagógica convenção. O que cada operário quer é sair da sua classe operária, tornar-se burguês, o mais individualmente possível, burguês com todos os privilégios”. Por isso ele afirmou em 1935 que “o proletário é um burguês que não foi bem-sucedido”. Sempre que a hostilidade aos ricos não é acompanhada por nenhum sentimento de classe, o fascismo não anda longe.»]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Já que fui citado por dois leitores, talvez tenha chegado o momento de me citar a mim mesmo.</p>
<p>Logo nas primeiras páginas do <em>Labirintos do Fascismo</em> (São Paulo: Hedra, 2022, vol. I, págs. 22-24), depois de observar que «os trabalhadores não levam uma vida única, mas duas vidas» e que «ao mesmo tempo que se inserem no capital e o fazem funcionar, os trabalhadores entram em choque com ele», eu escrevi:</p>
<p>«E quando numerosos trabalhadores se deixam mover e conduzir, tantas vezes em episódios de incrível violência, para restabelecer o capitalismo numa nova modalidade, e neste processo se confrontam com outros trabalhadores, desejosos de se oporem a todas as formas do capital, e contribuem para os dispersar e liquidar?<br />
«Foi isso o fascismo, sustentado por uma convulsão da classe trabalhadora, que jogou uma das suas vidas contra a outra, e neste exacerbamento da sua contradição interna os trabalhadores agravaram a hetero-organização que os vitimava. O trabalhador fascista caracterizou-se por possuir um profundo ódio aos ricos, aliado a uma estreiteza de horizontes que o impedia de se inserir nas redes de solidariedade da sua classe e ascender a uma compreensão do processo histórico. Céline, um anarquista que foi um dos melhores prosadores do fascismo, se não o melhor, pretendeu que “a consciência de classe é uma balela, uma demagógica convenção. O que cada operário quer é sair da sua classe operária, tornar-se burguês, o mais individualmente possível, burguês com todos os privilégios”. Por isso ele afirmou em 1935 que “o proletário é um burguês que não foi bem-sucedido”. Sempre que a hostilidade aos ricos não é acompanhada por nenhum sentimento de classe, o fascismo não anda longe.»</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo V		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/11/146621/#comment-870563</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo V]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Nov 2022 00:05:37 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=146621#comment-870563</guid>

					<description><![CDATA[Jair Luiz Messias da Silva, 

Você considera eleitores como sendo o proletariado agindo para si. Só assim para você considerar que o proletariado está atuando. Uma massa de explorados que votam em Lula ou Bolsonaro não é proletariado com capacidade de atuação.   
Não existe uma classe trabalhadora em ação. Índice de ação política &#039;ir votar&#039; é realmente o que eu não esperaria de quem lê este site.

A classe trabalhadora será um ator com alguma influência nos rumos da sociedade quando ela for capaz novamente de colocar demandas que não possam ser ignoradas sob risco de rompimento da disciplina que a reprodução do capitalismo exige. Quando ela conseguir novamente tornar possível que um deputado federal vá num programa de entrevistas de rede nacional e não titubeie em defender a socialização dos meios de produção. Aliás, de todos os meios de produção. O deputado federal podia fazer isso nos anos 1980 porque havia uma base social, operária, uma classe trabalhadora que lhe dava lastro, uma classe trabalhadora para a qual a socialização dos meios de produção era algo compreensível e desejável. Hoje isso só é compreensível e desejável apenas para militantes universitários.

Evidentemente quando digo que a classe trabalhadora não é um ator no jogo, é porque não existe classe trabalhadora atualmente no Brasil em sentido sociológico. É exatamente essa atuação para si que traz sua existência sociológica. Evidentemente a classe trabalhadora no sentido econômico está sempre em existência. Com a citação do João Bernardo você diz apenas uma obviedade: que existem explorados sempre no capitalismo, e uma classe trabalhadora que pode ser definida como o conjunto dos indivíduos explorados.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Jair Luiz Messias da Silva, </p>
<p>Você considera eleitores como sendo o proletariado agindo para si. Só assim para você considerar que o proletariado está atuando. Uma massa de explorados que votam em Lula ou Bolsonaro não é proletariado com capacidade de atuação.<br />
Não existe uma classe trabalhadora em ação. Índice de ação política &#8216;ir votar&#8217; é realmente o que eu não esperaria de quem lê este site.</p>
<p>A classe trabalhadora será um ator com alguma influência nos rumos da sociedade quando ela for capaz novamente de colocar demandas que não possam ser ignoradas sob risco de rompimento da disciplina que a reprodução do capitalismo exige. Quando ela conseguir novamente tornar possível que um deputado federal vá num programa de entrevistas de rede nacional e não titubeie em defender a socialização dos meios de produção. Aliás, de todos os meios de produção. O deputado federal podia fazer isso nos anos 1980 porque havia uma base social, operária, uma classe trabalhadora que lhe dava lastro, uma classe trabalhadora para a qual a socialização dos meios de produção era algo compreensível e desejável. Hoje isso só é compreensível e desejável apenas para militantes universitários.</p>
<p>Evidentemente quando digo que a classe trabalhadora não é um ator no jogo, é porque não existe classe trabalhadora atualmente no Brasil em sentido sociológico. É exatamente essa atuação para si que traz sua existência sociológica. Evidentemente a classe trabalhadora no sentido econômico está sempre em existência. Com a citação do João Bernardo você diz apenas uma obviedade: que existem explorados sempre no capitalismo, e uma classe trabalhadora que pode ser definida como o conjunto dos indivíduos explorados.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Jair Luiz Messias da Silva		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/11/146621/#comment-870480</link>

		<dc:creator><![CDATA[Jair Luiz Messias da Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Nov 2022 03:09:56 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=146621#comment-870480</guid>

					<description><![CDATA[O grande engano, ou o grande engodo, é dizer que o proletariado está fora de campo... Ou seria a metade do eleitores que votaram em Bolsonaro apenas burgueses? Não é classe A, B, C, D ou E que define a condição de proletariado...  &quot;Muito mais fundamentalmente do que uma apropriação de bens, a exploração capitalista é um controlo exercido sobre o tempo . No capitalismo o explorador controla o seu próprio tempo e o tempo alheio, enquanto o explorado não controla o seu tempo nem o dos outros (João Bernardo - O Tempo, substância do capitalismo).  Esta massa de explorados (seja ela C, D ou E...), do &quot;lado direito&quot;, é que está em campo em favor de Bolsonaro...enquanto do &quot;lado esquerdo&quot;, há uma massa de explorados em favor, além de Lula, de identitarismos e multiculturalismos mil...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O grande engano, ou o grande engodo, é dizer que o proletariado está fora de campo&#8230; Ou seria a metade do eleitores que votaram em Bolsonaro apenas burgueses? Não é classe A, B, C, D ou E que define a condição de proletariado&#8230;  &#8220;Muito mais fundamentalmente do que uma apropriação de bens, a exploração capitalista é um controlo exercido sobre o tempo . No capitalismo o explorador controla o seu próprio tempo e o tempo alheio, enquanto o explorado não controla o seu tempo nem o dos outros (João Bernardo &#8211; O Tempo, substância do capitalismo).  Esta massa de explorados (seja ela C, D ou E&#8230;), do &#8220;lado direito&#8221;, é que está em campo em favor de Bolsonaro&#8230;enquanto do &#8220;lado esquerdo&#8221;, há uma massa de explorados em favor, além de Lula, de identitarismos e multiculturalismos mil&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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