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	Comentários sobre: [Brasil] Coordenação Nacional da CPT demite trabalhadoras que denunciaram assédio	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Tem base?		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/06/156771/#comment-1031467</link>

		<dc:creator><![CDATA[Tem base?]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Jun 2025 00:20:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Relato da CPT - Para a Comissão Pastoral da Terra todos os pais são iguais... mas alguns são mais iguais que outros...

A solidariedade é um pilar da missão da CPT. Mas para a Coordenação Nacional talvez isso seja secundário. 

Quando um chefe, membro da Coordenação nacional da CPT, tornou-se pai, pôde tirar uma licença paternidade ampliada. Passado o período oficial de sua licença, de 5 dias, tirou férias e por mais um período sequer respondia nossas mensagens quando precisávamos dele para algo no trampo. Algo extremamente legítimo e necessário nos cuidados nesse momento da vida.

Mais ou menos na mesma época, um trabalhador da Secretaria Nacional soube que seria pai e perguntou se seria possível que a entidade concedesse a licença paternidade ampliada de 20 dias. Hoje a licença paternidade é de 5 dias. Para empresas adeptas do programa empresa cidadã, ela pode se estender em até 20 dias úteis. Na licença-maternidade, a adesão da empresa permite expandir de 4 para 6 meses. Uma medida simples de solidariedade com aquela pessoa de poucos dias de vida.

Quando o trabalhador soube, perguntou sobre essa possibilidade na reunião semanal da Secretaria. O que a coordenação responde? Que é até favorável (por que não pode dizer que é contra), mas que tem que avaliar por que todos os agentes da CPT poderiam querer solicitar. Ora, se a solidariedade é parte da missão da entidade, se todos solicitassem uma licença paternidade e maternidade ampliada, isso seria um problema? Por que para a chefia foi dada toda essa segurança nesse momento da vida e para os trabalhadores lhes é dada a insegurança e a dúvida justamente onde se preza pelo acolhimento? Por que colocar tanta dificuldade?

----

O relato também se encontra em formato de vídeo em: https://www.instagram.com/p/DLTD-fjx1WJ/]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Relato da CPT &#8211; Para a Comissão Pastoral da Terra todos os pais são iguais&#8230; mas alguns são mais iguais que outros&#8230;</p>
<p>A solidariedade é um pilar da missão da CPT. Mas para a Coordenação Nacional talvez isso seja secundário. </p>
<p>Quando um chefe, membro da Coordenação nacional da CPT, tornou-se pai, pôde tirar uma licença paternidade ampliada. Passado o período oficial de sua licença, de 5 dias, tirou férias e por mais um período sequer respondia nossas mensagens quando precisávamos dele para algo no trampo. Algo extremamente legítimo e necessário nos cuidados nesse momento da vida.</p>
<p>Mais ou menos na mesma época, um trabalhador da Secretaria Nacional soube que seria pai e perguntou se seria possível que a entidade concedesse a licença paternidade ampliada de 20 dias. Hoje a licença paternidade é de 5 dias. Para empresas adeptas do programa empresa cidadã, ela pode se estender em até 20 dias úteis. Na licença-maternidade, a adesão da empresa permite expandir de 4 para 6 meses. Uma medida simples de solidariedade com aquela pessoa de poucos dias de vida.</p>
<p>Quando o trabalhador soube, perguntou sobre essa possibilidade na reunião semanal da Secretaria. O que a coordenação responde? Que é até favorável (por que não pode dizer que é contra), mas que tem que avaliar por que todos os agentes da CPT poderiam querer solicitar. Ora, se a solidariedade é parte da missão da entidade, se todos solicitassem uma licença paternidade e maternidade ampliada, isso seria um problema? Por que para a chefia foi dada toda essa segurança nesse momento da vida e para os trabalhadores lhes é dada a insegurança e a dúvida justamente onde se preza pelo acolhimento? Por que colocar tanta dificuldade?</p>
<p>&#8212;-</p>
<p>O relato também se encontra em formato de vídeo em: <a href="https://www.instagram.com/p/DLTD-fjx1WJ/" rel="nofollow ugc">https://www.instagram.com/p/DLTD-fjx1WJ/</a></p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Tem Base?		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/06/156771/#comment-1031132</link>

		<dc:creator><![CDATA[Tem Base?]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 Jun 2025 15:53:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Relato de um trabalhador da CPT - É Tempo de Enfrentar a Burocratização e Reafirmar a Missão Popular da Entidade

Nos últimos dias, a demissão de duas funcionárias do Centro de Documentação Dom Tomás Balduíno (CEDOC), promovida pela Coordenação Nacional da CPT (CONAC), gerou um silêncio que incomoda. Um silêncio ensurdecedor vindo, inclusive, de parte da própria base da CPT. Não se trata de um episódio isolado, mas de um alerta grave sobre o rumo que a entidade tem tomado.
As demissões ocorreram após denúncias de assédio sistemático sofrido por essas trabalhadoras no interior da Secretaria Nacional da CPT. As denúncias foram ignoradas por quem deveria proteger, acolher e responsabilizar. Em vez disso, a resposta institucional foi a demissão. Um recado claro: quem denuncia, quem questiona, será calado. A quem serve esse silêncio?
É preciso nomear o que está em jogo uma estrutura burocratizada que vem se consolidando ao longo das últimas décadas dentro da CPT. A entidade, que já foi movida majoritariamente por militantes voluntários, hoje é composta, em sua maioria, por agentes contratados. Essa mudança não é neutra. Ela estabelece relações de poder de quem contrata e de quem pode demitir. Relações que se aproximam, perigosamente, da lógica empresarial que historicamente a CPT combateu.
A própria existência da CONAC como instância máxima de gestão que toma decisões sem ampla consulta ou debate com as bases, representa uma forma de centralização e controle incompatível com uma entidade que se pretende popular e democrática. A relação entre capital X trabalho, como já dizia Marx, é sempre marcada por conflito inclusive dentro das organizações que se dizem da luta.
E o que dizer da dependência estrutural de recursos vindos de organismos internacionais? Parte significativa do financiamento da CPT vem de entidades como a Misereor, que por sua vez também recebe verbas da iniciativa privada e do Estado alemão. Qual é o impacto disso sobre a autonomia da entidade? Por que o monitoramento dos conflitos no campo brasileiro interessa tanto aos financiadores internacionais? Quem define o que é missão institucional e o que é interesse externo?
Essas perguntas precisam ser feitas e respondidas pela base da CPT, neste V Congresso. 
A demissão das companheiras do CEDOC não é uma questão individual ou &quot;identitária&quot;, como alguns tentarão desqualificar. É uma questão estrutural de gênero, sim, mas acima de tudo de controle, de poder e de silenciamento. É também uma expressão de como o neoliberalismo infiltra-se nas entidades populares, transformando militantes em funcionários precarizados, substituindo o debate político por metas e produtividade, e convertendo a luta social em prestação de serviço.
É hora da base da CPT reagir. De debater abertamente o que está acontecendo. De romper com o silêncio. O V Congresso da CPT deve ser espaço para refletirmos: que entidade queremos para os próximos 50 anos? Uma CPT enraizada nas comunidades camponesas e nos territórios de resistência ou uma CPT refém de uma estrutura interna autoritária, burocrática e cada vez mais distante da juventude, das mulheres, dos povos indígenas, dos LGBTQIA+ e das bases que a construíram?
A CPT precisa voltar a ser chão de luta, escuta, partilha e cuidado. Precisa enfrentar com coragem suas contradições internas, reformular suas práticas de gestão e garantir que sua missão seja construída com e não contra suas trabalhadoras.
Aos militantes, agentes e coordenações regionais, deixo o convite e o chamado não deixemos essa demissão passar sem uma reflexão. Façamos o debate. Enfrentemos o conflito. Reivindiquemos uma CPT viva, coerente e popular.
Porque quem silencia diante da injustiça também a alimenta.

————

O relato também se encontra em formato de vídeo, dividido em duas partes:
Parte 1: https://www.instagram.com/p/DLBAq6YxN4b/
Parte 2: https://www.instagram.com/p/DLNRO70xU-4/]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Relato de um trabalhador da CPT &#8211; É Tempo de Enfrentar a Burocratização e Reafirmar a Missão Popular da Entidade</p>
<p>Nos últimos dias, a demissão de duas funcionárias do Centro de Documentação Dom Tomás Balduíno (CEDOC), promovida pela Coordenação Nacional da CPT (CONAC), gerou um silêncio que incomoda. Um silêncio ensurdecedor vindo, inclusive, de parte da própria base da CPT. Não se trata de um episódio isolado, mas de um alerta grave sobre o rumo que a entidade tem tomado.<br />
As demissões ocorreram após denúncias de assédio sistemático sofrido por essas trabalhadoras no interior da Secretaria Nacional da CPT. As denúncias foram ignoradas por quem deveria proteger, acolher e responsabilizar. Em vez disso, a resposta institucional foi a demissão. Um recado claro: quem denuncia, quem questiona, será calado. A quem serve esse silêncio?<br />
É preciso nomear o que está em jogo uma estrutura burocratizada que vem se consolidando ao longo das últimas décadas dentro da CPT. A entidade, que já foi movida majoritariamente por militantes voluntários, hoje é composta, em sua maioria, por agentes contratados. Essa mudança não é neutra. Ela estabelece relações de poder de quem contrata e de quem pode demitir. Relações que se aproximam, perigosamente, da lógica empresarial que historicamente a CPT combateu.<br />
A própria existência da CONAC como instância máxima de gestão que toma decisões sem ampla consulta ou debate com as bases, representa uma forma de centralização e controle incompatível com uma entidade que se pretende popular e democrática. A relação entre capital X trabalho, como já dizia Marx, é sempre marcada por conflito inclusive dentro das organizações que se dizem da luta.<br />
E o que dizer da dependência estrutural de recursos vindos de organismos internacionais? Parte significativa do financiamento da CPT vem de entidades como a Misereor, que por sua vez também recebe verbas da iniciativa privada e do Estado alemão. Qual é o impacto disso sobre a autonomia da entidade? Por que o monitoramento dos conflitos no campo brasileiro interessa tanto aos financiadores internacionais? Quem define o que é missão institucional e o que é interesse externo?<br />
Essas perguntas precisam ser feitas e respondidas pela base da CPT, neste V Congresso.<br />
A demissão das companheiras do CEDOC não é uma questão individual ou &#8220;identitária&#8221;, como alguns tentarão desqualificar. É uma questão estrutural de gênero, sim, mas acima de tudo de controle, de poder e de silenciamento. É também uma expressão de como o neoliberalismo infiltra-se nas entidades populares, transformando militantes em funcionários precarizados, substituindo o debate político por metas e produtividade, e convertendo a luta social em prestação de serviço.<br />
É hora da base da CPT reagir. De debater abertamente o que está acontecendo. De romper com o silêncio. O V Congresso da CPT deve ser espaço para refletirmos: que entidade queremos para os próximos 50 anos? Uma CPT enraizada nas comunidades camponesas e nos territórios de resistência ou uma CPT refém de uma estrutura interna autoritária, burocrática e cada vez mais distante da juventude, das mulheres, dos povos indígenas, dos LGBTQIA+ e das bases que a construíram?<br />
A CPT precisa voltar a ser chão de luta, escuta, partilha e cuidado. Precisa enfrentar com coragem suas contradições internas, reformular suas práticas de gestão e garantir que sua missão seja construída com e não contra suas trabalhadoras.<br />
Aos militantes, agentes e coordenações regionais, deixo o convite e o chamado não deixemos essa demissão passar sem uma reflexão. Façamos o debate. Enfrentemos o conflito. Reivindiquemos uma CPT viva, coerente e popular.<br />
Porque quem silencia diante da injustiça também a alimenta.</p>
<p>————</p>
<p>O relato também se encontra em formato de vídeo, dividido em duas partes:<br />
Parte 1: <a href="https://www.instagram.com/p/DLBAq6YxN4b/" rel="nofollow ugc">https://www.instagram.com/p/DLBAq6YxN4b/</a><br />
Parte 2: <a href="https://www.instagram.com/p/DLNRO70xU-4/" rel="nofollow ugc">https://www.instagram.com/p/DLNRO70xU-4/</a></p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Cordel do Fogo Encantado		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/06/156771/#comment-1029429</link>

		<dc:creator><![CDATA[Cordel do Fogo Encantado]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Jun 2025 15:46:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O Cordel da Contradição na Terra Pastoral

Na tribuna sobe o chefe
De semblante iluminado,
Vai falar das injustiças
Do sertão abandonado,
Vai louvar o lavrador,
Mas com o povo... afastado.

Diz que luta pela terra,
Pelo justo e pela paz,
Mas quem fala do assédio
Já não volta nunca mais.
Foi demitida calada
Pra não manchar o cartaz.

Não se ouve a trabalhadora,
Nem se apura a agressão,
Só se prega o Evangelho
Com bonita entoação,
Enquanto o medo corrói
Quem escreve a documentação.

O discurso é libertário,
Mas o gesto é de patrão,
Quem denuncia o assédio
Vira alvo e punição.
Na mística, tudo é belo —
Mas sobra contradição.

&quot;É pela classe oprimida!&quot;,
Grita forte a direção.
Mas se a opressa trabalha ali,
Não tem voz, nem proteção.
É silenciada em nome
Da sagrada instituição.

Quem assina a denúncia
É jogada no sertão,
Dizem: “foi por rebeldia”,
Mas é pura repressão.
A verdade é inconveniente
Pra quem vive de oração.

Na CPT das promessas,
Quem ergue a voz é traidor.
Quem cala ganha prestígio,
Quem obedece é o servidor.
Mas justiça sem coragem
É só mística sem valor.

E assim vão lavando as mãos
No altar da conveniência,
Exaltando o povo do campo
Com bem pouca coerência.
Enquanto queimam no fogo
As mulheres da consciência.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Cordel da Contradição na Terra Pastoral</p>
<p>Na tribuna sobe o chefe<br />
De semblante iluminado,<br />
Vai falar das injustiças<br />
Do sertão abandonado,<br />
Vai louvar o lavrador,<br />
Mas com o povo&#8230; afastado.</p>
<p>Diz que luta pela terra,<br />
Pelo justo e pela paz,<br />
Mas quem fala do assédio<br />
Já não volta nunca mais.<br />
Foi demitida calada<br />
Pra não manchar o cartaz.</p>
<p>Não se ouve a trabalhadora,<br />
Nem se apura a agressão,<br />
Só se prega o Evangelho<br />
Com bonita entoação,<br />
Enquanto o medo corrói<br />
Quem escreve a documentação.</p>
<p>O discurso é libertário,<br />
Mas o gesto é de patrão,<br />
Quem denuncia o assédio<br />
Vira alvo e punição.<br />
Na mística, tudo é belo —<br />
Mas sobra contradição.</p>
<p>&#8220;É pela classe oprimida!&#8221;,<br />
Grita forte a direção.<br />
Mas se a opressa trabalha ali,<br />
Não tem voz, nem proteção.<br />
É silenciada em nome<br />
Da sagrada instituição.</p>
<p>Quem assina a denúncia<br />
É jogada no sertão,<br />
Dizem: “foi por rebeldia”,<br />
Mas é pura repressão.<br />
A verdade é inconveniente<br />
Pra quem vive de oração.</p>
<p>Na CPT das promessas,<br />
Quem ergue a voz é traidor.<br />
Quem cala ganha prestígio,<br />
Quem obedece é o servidor.<br />
Mas justiça sem coragem<br />
É só mística sem valor.</p>
<p>E assim vão lavando as mãos<br />
No altar da conveniência,<br />
Exaltando o povo do campo<br />
Com bem pouca coerência.<br />
Enquanto queimam no fogo<br />
As mulheres da consciência.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Basta de Assédios		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/06/156771/#comment-1029214</link>

		<dc:creator><![CDATA[Basta de Assédios]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Jun 2025 21:46:24 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=156771#comment-1029214</guid>

					<description><![CDATA[NOTA DE REPÚDIO CONTRA A DEMISSÃO DE FUNCIONÁRIAS DA SECRETARIA NACIONAL DA COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

Vimos repudiar a demissão de duas trabalhadoras, documentalistas, da Secretaria Nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), realizadas na manhã do dia 28 de maio de 2025. As demissões ocorrem em um contexto em que doze mulheres que trabalharam ou trabalham na Secretaria denunciaram o então coordenador do Centro de Documentação por assédio moral e machismo, em novembro de 2024.

É necessário defender sempre o direito e a segurança das vítimas desse tipo de violência em denunciar as agressões que estão sofrendo. O acolhimento, a escuta e a investigação devem ser as respostas para as denúncias, e não a perseguição e as represálias. A Comissão Pastoral da Terra (CPT), instituição com quase 50 anos de trajetória, que é reconhecida internacionalmente por denunciar casos de violências contra povos e comunidades do campo, deveria ser a primeira a incentivar que casos de assédio moral e misoginia em suas equipes fossem expostos e radicalmente combatidos.

A CPT, pelo compromisso que se presta e se dedica há cinco décadas com os direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras, contra todos os tipos de opressão, não pode compactuar com decisões que reforçam a estrutura machista e misógina que garante que violências como o assédio moral e a discriminação de gênero continuem vigorando frente ao silenciamento de suas vítimas. Pelo contrário, precisa honrar sua trajetória como incentivadora das resistências contra as violências, de todos os tipos.

No entanto, não é essa a realidade que percebemos. Demitir mulheres que denunciam opressões e lutam pelo direito de serem respeitadas em seus ambientes de trabalho não é a solução em nenhum espaço, tampouco daqueles onde há militância na defesa dos direitos humanos. Muitas vezes, o medo de perseguições, intensificação da violência e não garantia do emprego silencia vítimas de assédio moral e misoginia no ambiente de trabalho. Entendemos, em casos como esse, que tais medos não podem ser subestimados, mas enfrentados, em rede, em defesa de um mundo livre de violências – o qual a CPT se compromete, em sua origem e trajetória, a co-construir.

A voz das mulheres não pode ser calada, a coragem em reagir contra as violências não pode ser perdida e os gritos de denúncia não podem ser enfraquecidos. Não serão.

Assinam:
Coletiva Pretas de Angola
Bloco Não É Não
Associação Mulheres da Comunicação
Instituto Casa Valenta]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>NOTA DE REPÚDIO CONTRA A DEMISSÃO DE FUNCIONÁRIAS DA SECRETARIA NACIONAL DA COMISSÃO PASTORAL DA TERRA</p>
<p>Vimos repudiar a demissão de duas trabalhadoras, documentalistas, da Secretaria Nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), realizadas na manhã do dia 28 de maio de 2025. As demissões ocorrem em um contexto em que doze mulheres que trabalharam ou trabalham na Secretaria denunciaram o então coordenador do Centro de Documentação por assédio moral e machismo, em novembro de 2024.</p>
<p>É necessário defender sempre o direito e a segurança das vítimas desse tipo de violência em denunciar as agressões que estão sofrendo. O acolhimento, a escuta e a investigação devem ser as respostas para as denúncias, e não a perseguição e as represálias. A Comissão Pastoral da Terra (CPT), instituição com quase 50 anos de trajetória, que é reconhecida internacionalmente por denunciar casos de violências contra povos e comunidades do campo, deveria ser a primeira a incentivar que casos de assédio moral e misoginia em suas equipes fossem expostos e radicalmente combatidos.</p>
<p>A CPT, pelo compromisso que se presta e se dedica há cinco décadas com os direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras, contra todos os tipos de opressão, não pode compactuar com decisões que reforçam a estrutura machista e misógina que garante que violências como o assédio moral e a discriminação de gênero continuem vigorando frente ao silenciamento de suas vítimas. Pelo contrário, precisa honrar sua trajetória como incentivadora das resistências contra as violências, de todos os tipos.</p>
<p>No entanto, não é essa a realidade que percebemos. Demitir mulheres que denunciam opressões e lutam pelo direito de serem respeitadas em seus ambientes de trabalho não é a solução em nenhum espaço, tampouco daqueles onde há militância na defesa dos direitos humanos. Muitas vezes, o medo de perseguições, intensificação da violência e não garantia do emprego silencia vítimas de assédio moral e misoginia no ambiente de trabalho. Entendemos, em casos como esse, que tais medos não podem ser subestimados, mas enfrentados, em rede, em defesa de um mundo livre de violências – o qual a CPT se compromete, em sua origem e trajetória, a co-construir.</p>
<p>A voz das mulheres não pode ser calada, a coragem em reagir contra as violências não pode ser perdida e os gritos de denúncia não podem ser enfraquecidos. Não serão.</p>
<p>Assinam:<br />
Coletiva Pretas de Angola<br />
Bloco Não É Não<br />
Associação Mulheres da Comunicação<br />
Instituto Casa Valenta</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Tem Base?		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/06/156771/#comment-1028417</link>

		<dc:creator><![CDATA[Tem Base?]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Jun 2025 11:35:53 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=156771#comment-1028417</guid>

					<description><![CDATA[Relato de um ex-trabalhador - Cartinha debaixo da porta: combater assédio moral com assédio?

Sou um ex-funcionário da Secretaria Nacional da CPT, homem. Por que isso é importante? Por que sabemos que nos bastidores muita gente descredibiliza a denúncia de assédio das colegas mulheres que foram demitidas, falam que são ressentidas, identitárias ou que são vendidas. Na verdade, falam isso pra esconder que a Coordenação Nacional já sabia que existia assédio no local de trabalho e fez pouco caso desde antes.

Em 2022, a Coordenação fez uma dinâmica em grupo para fazer a avaliação do trabalho, mas não era só uma avaliação do que conseguimos fazer, era também do ambiente do trampo. A situação já começava estranha por que tínhamos que avaliar isso na presença dos nossos chefes e da própria coordenação, embora eles não escrevessem. Íamos circulando de grupo em grupo, escrevendo em tarjetas o que achavam, como se sentiam. O cenário foi desolador, tinha tarjeta falando de exaustão, adoecimento, sobrecarga de trabalho. Uma em específico estava escrita &quot;assédio moral&quot;. Na apresentação das tarjetas, praticamente só tinham palavras desanimadoras. O cenário era horrível, todo mundo com cara de choro, só querendo sair logo e ir pra casa. 

E o climão da Coordenação Nacional quando leu a tarjeta que tava escrita &quot;assédio moral&quot;. A solução apresentada?? Sugeriram que colocássemos uma cartinha com nossos incômodos embaixo da porta da própria Coordenação. Aí eu pergunto, qual imparcialidade que eles teriam e qual garantia de que a denúncia seria devidamente apurada? Como teríamos a devolutiva de que nossa denúncia teria sido apurada? E se alguém tivesse uma denúncia de assédio moral contra a coordenação? Pareciam estar mais preocupados que os (as) trabalhadores (as) tinham dado um nome pro problema.

Defendo e luto pela causa dos povos do campo e da classe trabalhadora. Sem titubear, sem vacilar. Mas quero compartilhar esse relato por que é inaceitável que as trabalhadoras que conseguiram denunciar tenham sido demitidas e me pergunto se outras trabalhadoras não estão também na mira na Secretaria Nacional e nos regionais.

------------

O relato também está disponível em formato de vídeo em https://www.instagram.com/p/DKt6RMmx1Ls/]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Relato de um ex-trabalhador &#8211; Cartinha debaixo da porta: combater assédio moral com assédio?</p>
<p>Sou um ex-funcionário da Secretaria Nacional da CPT, homem. Por que isso é importante? Por que sabemos que nos bastidores muita gente descredibiliza a denúncia de assédio das colegas mulheres que foram demitidas, falam que são ressentidas, identitárias ou que são vendidas. Na verdade, falam isso pra esconder que a Coordenação Nacional já sabia que existia assédio no local de trabalho e fez pouco caso desde antes.</p>
<p>Em 2022, a Coordenação fez uma dinâmica em grupo para fazer a avaliação do trabalho, mas não era só uma avaliação do que conseguimos fazer, era também do ambiente do trampo. A situação já começava estranha por que tínhamos que avaliar isso na presença dos nossos chefes e da própria coordenação, embora eles não escrevessem. Íamos circulando de grupo em grupo, escrevendo em tarjetas o que achavam, como se sentiam. O cenário foi desolador, tinha tarjeta falando de exaustão, adoecimento, sobrecarga de trabalho. Uma em específico estava escrita &#8220;assédio moral&#8221;. Na apresentação das tarjetas, praticamente só tinham palavras desanimadoras. O cenário era horrível, todo mundo com cara de choro, só querendo sair logo e ir pra casa. </p>
<p>E o climão da Coordenação Nacional quando leu a tarjeta que tava escrita &#8220;assédio moral&#8221;. A solução apresentada?? Sugeriram que colocássemos uma cartinha com nossos incômodos embaixo da porta da própria Coordenação. Aí eu pergunto, qual imparcialidade que eles teriam e qual garantia de que a denúncia seria devidamente apurada? Como teríamos a devolutiva de que nossa denúncia teria sido apurada? E se alguém tivesse uma denúncia de assédio moral contra a coordenação? Pareciam estar mais preocupados que os (as) trabalhadores (as) tinham dado um nome pro problema.</p>
<p>Defendo e luto pela causa dos povos do campo e da classe trabalhadora. Sem titubear, sem vacilar. Mas quero compartilhar esse relato por que é inaceitável que as trabalhadoras que conseguiram denunciar tenham sido demitidas e me pergunto se outras trabalhadoras não estão também na mira na Secretaria Nacional e nos regionais.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p>O relato também está disponível em formato de vídeo em <a href="https://www.instagram.com/p/DKt6RMmx1Ls/" rel="nofollow ugc">https://www.instagram.com/p/DKt6RMmx1Ls/</a></p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/06/156771/#comment-1028377</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Jun 2025 08:45:04 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=156771#comment-1028377</guid>

					<description><![CDATA[Entre a servidão voluntária e a resistência temerária, um cripto-epígono de Sun-Tzu enuncia a ginga resiliente…]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Entre a servidão voluntária e a resistência temerária, um cripto-epígono de Sun-Tzu enuncia a ginga resiliente…</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Você prefere ser torturado?		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/06/156771/#comment-1028299</link>

		<dc:creator><![CDATA[Você prefere ser torturado?]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Jun 2025 20:05:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[&quot;Com frequência, no Brasil, quando eu ministrava cursos sobre a economia dos conflitos sociais, os alunos perguntavam-me como era possível que os trabalhadores preferissem trabalhar em sistema de mais-valia relativa, se eram mais explorados do que no sistema de mais-valia absoluta. Pior. Como era possível que os trabalhadores lutassem por condições que, afinal, correspondiam ao desenvolvimento da mais-valia relativa. E eu respondia-lhes com outra pergunta: Vocês preferem ser torturados ou não ser? Nunca encontrei ninguém que me dissesse que preferia ser torturado.&quot;

https://passapalavra.info/2020/09/134342/

Me espanta ver &quot;militantes&quot; questionando a tentativa de trabalhadores de melhorem sua condição no trabalho, ou de preferirem chefes menos carrascos. É melhor trabalhar com assédio moral o tempo todo ou não passar por isso? Não há nada de revolucionário aqui, é apenas a luta cotidiana e sem grandes espetáculos. É a sobrevivência. Mas é também a construção de laços de solidariedade que persistem pra além dessa dinâmica, entre os explorados que se põe a lutar contra esses abusos, e que é condição para qualquer perspectiva de superação do atual estado das coisas. E digo mais: se de fato as trabalhadoras que aqui denunciam os assédios fossem organizadas por chefes, como alguns pareceram sugerir, não teriam sido demitidas. Foram demitidas justamente porque os confrontaram e por não estarem no controle deles.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Com frequência, no Brasil, quando eu ministrava cursos sobre a economia dos conflitos sociais, os alunos perguntavam-me como era possível que os trabalhadores preferissem trabalhar em sistema de mais-valia relativa, se eram mais explorados do que no sistema de mais-valia absoluta. Pior. Como era possível que os trabalhadores lutassem por condições que, afinal, correspondiam ao desenvolvimento da mais-valia relativa. E eu respondia-lhes com outra pergunta: Vocês preferem ser torturados ou não ser? Nunca encontrei ninguém que me dissesse que preferia ser torturado.&#8221;</p>
<p><a href="https://passapalavra.info/2020/09/134342/" rel="ugc">https://passapalavra.info/2020/09/134342/</a></p>
<p>Me espanta ver &#8220;militantes&#8221; questionando a tentativa de trabalhadores de melhorem sua condição no trabalho, ou de preferirem chefes menos carrascos. É melhor trabalhar com assédio moral o tempo todo ou não passar por isso? Não há nada de revolucionário aqui, é apenas a luta cotidiana e sem grandes espetáculos. É a sobrevivência. Mas é também a construção de laços de solidariedade que persistem pra além dessa dinâmica, entre os explorados que se põe a lutar contra esses abusos, e que é condição para qualquer perspectiva de superação do atual estado das coisas. E digo mais: se de fato as trabalhadoras que aqui denunciam os assédios fossem organizadas por chefes, como alguns pareceram sugerir, não teriam sido demitidas. Foram demitidas justamente porque os confrontaram e por não estarem no controle deles.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: No flagra		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/06/156771/#comment-1027931</link>

		<dc:creator><![CDATA[No flagra]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Jun 2025 03:15:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Matuto da hetero-organização está agora preocupado com a formação da auto-organização dos trabalhadores! Que bonito! Isso dá um belo flagrante delito!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Matuto da hetero-organização está agora preocupado com a formação da auto-organização dos trabalhadores! Que bonito! Isso dá um belo flagrante delito!</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Agente X		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/06/156771/#comment-1027907</link>

		<dc:creator><![CDATA[Agente X]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Jun 2025 00:44:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Parece que existe um medo de que o assunto das relações de trabalho, assédio e outros tantos problemas, surjam no congresso da CPT. Não seria esse o espaço de se discutir pensar e superar o problema? Ou a ideia é continuar varrendo tudo isso para debaixo do tapete? Não sei se é uma pena ou uma maravilha que a cpt não seja uma coisa só mas pelo menos a profecia e a missão resiste em meio a lutas nas comunidades. 

Agora, o bom é que aqui ao menos as questões estão podendo ser faladas e não precisamos agir como se estivesse num conclave.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Parece que existe um medo de que o assunto das relações de trabalho, assédio e outros tantos problemas, surjam no congresso da CPT. Não seria esse o espaço de se discutir pensar e superar o problema? Ou a ideia é continuar varrendo tudo isso para debaixo do tapete? Não sei se é uma pena ou uma maravilha que a cpt não seja uma coisa só mas pelo menos a profecia e a missão resiste em meio a lutas nas comunidades. </p>
<p>Agora, o bom é que aqui ao menos as questões estão podendo ser faladas e não precisamos agir como se estivesse num conclave.</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/06/156771/#comment-1027610</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 07 Jun 2025 03:15:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Gritos e berros no ambiente de trabalho não são tão distantes dos gritos e berros no ambiente doméstico, onde um parceiro dá ordens e controla os tempos do outro.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gritos e berros no ambiente de trabalho não são tão distantes dos gritos e berros no ambiente doméstico, onde um parceiro dá ordens e controla os tempos do outro.</p>
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