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	Comentários sobre: A centralidade do território	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Leo V		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/12/158381/#comment-1085581</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo V]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Feb 2026 19:16:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em Minneapolis, a importância do território se mostra fundamental resistência ao nazismo no poder. A construção de laços fortes comunitários tem feito a diferença (além de toda organização anterior e atual propriamente ditas). Nesta matéria do The Guardian podemos pescar um pouquinho da origem de parte desses laços fortes comunitários. Até mesmo ter que lidar com nevasca no bairro (não que isso explique em si, pois não faltam cidades com nevasca sem esse nível de engajamento comunitário): https://www.theguardian.com/us-news/2026/feb/01/minnesota-twin-cities-ice-protests

Porém, no final das contas, o que pressiona mais para uma mudança política é a pressão econômica, que as pessoas enquanto trabalhadores podem exercer. E são os trabalhadores localizados em pontos de chave e de maior impacto econômico que possuem mais poder. Sobre isso, a pressão de alguns bilionários do Vale do Silício sobre Trump, fazendo Trump recuar de sua política com o ICE principalmente em San Francisco, demonstra uma preocupação com a gestão da força de trabalho. Isso ficou ainda mais claro semana passada com a carta interna do CEO da Apple a seus funcionários, dizendo que já havia falado com Trump sobre o ICE.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em Minneapolis, a importância do território se mostra fundamental resistência ao nazismo no poder. A construção de laços fortes comunitários tem feito a diferença (além de toda organização anterior e atual propriamente ditas). Nesta matéria do The Guardian podemos pescar um pouquinho da origem de parte desses laços fortes comunitários. Até mesmo ter que lidar com nevasca no bairro (não que isso explique em si, pois não faltam cidades com nevasca sem esse nível de engajamento comunitário): <a href="https://www.theguardian.com/us-news/2026/feb/01/minnesota-twin-cities-ice-protests" rel="nofollow ugc">https://www.theguardian.com/us-news/2026/feb/01/minnesota-twin-cities-ice-protests</a></p>
<p>Porém, no final das contas, o que pressiona mais para uma mudança política é a pressão econômica, que as pessoas enquanto trabalhadores podem exercer. E são os trabalhadores localizados em pontos de chave e de maior impacto econômico que possuem mais poder. Sobre isso, a pressão de alguns bilionários do Vale do Silício sobre Trump, fazendo Trump recuar de sua política com o ICE principalmente em San Francisco, demonstra uma preocupação com a gestão da força de trabalho. Isso ficou ainda mais claro semana passada com a carta interna do CEO da Apple a seus funcionários, dizendo que já havia falado com Trump sobre o ICE.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Thiago Canettieri		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/12/158381/#comment-1084071</link>

		<dc:creator><![CDATA[Thiago Canettieri]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Jan 2026 22:39:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Jovemmm1 e Véio de Guerra - de fato, não foi objetivo do texto construir essa genealogia das lutas, mas estabelecer um diálogo com os textos publicados neste site que partiram dessas experiências.

Territorialista, tentei formular no texto a centralidade do território enquanto algo produzido coletivamente por estruturas coletivas e que dependem de organização, evitando qualquer tipo de essencialismo (que acredito ser o alvo da crítica do Douglas neste texto).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Jovemmm1 e Véio de Guerra &#8211; de fato, não foi objetivo do texto construir essa genealogia das lutas, mas estabelecer um diálogo com os textos publicados neste site que partiram dessas experiências.</p>
<p>Territorialista, tentei formular no texto a centralidade do território enquanto algo produzido coletivamente por estruturas coletivas e que dependem de organização, evitando qualquer tipo de essencialismo (que acredito ser o alvo da crítica do Douglas neste texto).</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Territorialista		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/12/158381/#comment-1083917</link>

		<dc:creator><![CDATA[Territorialista]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Jan 2026 20:36:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Eis aqui uma crítica à defesa da centralidade do território: https://blogdaboitempo.com.br/2026/01/21/contra-nego-bispo/.

Será que as propostas presentes neste texto publicado no passa palavra se distancia da cosmovisão de Nego Bispo?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eis aqui uma crítica à defesa da centralidade do território: <a href="https://blogdaboitempo.com.br/2026/01/21/contra-nego-bispo/" rel="nofollow ugc">https://blogdaboitempo.com.br/2026/01/21/contra-nego-bispo/</a>.</p>
<p>Será que as propostas presentes neste texto publicado no passa palavra se distancia da cosmovisão de Nego Bispo?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Zé Catraca Véio de Guerra		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/12/158381/#comment-1083677</link>

		<dc:creator><![CDATA[Zé Catraca Véio de Guerra]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Jan 2026 12:15:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Jovemmmm1 – não sei o quão jovem, isto é, se estava naquela época...
Mas se for para dizer &quot;onde começou&quot;, por que esquecer de Goiânia, onde a luta que derrubou a tarifa começou em maio? Na bem da verdade, a primeira cidade onde protestos derrubaram a tarifa em 2013 foi Taboão da Serra, na região metropolitana de São Paulo, em janeiro. A virada do ano foi marcada por muitos atos na Grande SP. Mas claro, até aí seria uma reconstituição também parcial, afinal em Natal a &quot;Revolta do Busão&quot; tinha derrubado a tarifa em setembro de 2012. Se estamos falando de Natal, por que não falar do Movimento Não Pago em Aracaju logo antes? Ou da revolta que derrubou a tarifa em Teresina em agosto de 2011? Porto Velho no início de 2011? E assim vamos voltando até Florianópolis em 2004 e Salvador em 2003.
No fim, talvez seja seu recorte que confesse uma tentativa de superestimar o &quot;papel do anarquismo organizado da CAB em tudo aquilo&quot;. Mas por que reduzir o papel do MES-PSOL no movimento, especialmente em Porto Alegre, onde foi a ação de um mandato que deu os meios institucionais para a suspensão do aumento? A tentativa de polêmica é inclusive despropositada já que alguém da CAB da época provavelmente argumentaria que eles tinham militantes em coletivos do MPL, enquanto o MPL discutia internamente a possibilidade da Frente Autônoma entrar na federação nacional como o coletivo local de Porto Alegre.
Ao invés de disputar louros das velhas batalhas, valeria mais a pena refletir sobre o derretimento político desses vários espaços, e os novos problemas de hoje.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Jovemmmm1 – não sei o quão jovem, isto é, se estava naquela época&#8230;<br />
Mas se for para dizer &#8220;onde começou&#8221;, por que esquecer de Goiânia, onde a luta que derrubou a tarifa começou em maio? Na bem da verdade, a primeira cidade onde protestos derrubaram a tarifa em 2013 foi Taboão da Serra, na região metropolitana de São Paulo, em janeiro. A virada do ano foi marcada por muitos atos na Grande SP. Mas claro, até aí seria uma reconstituição também parcial, afinal em Natal a &#8220;Revolta do Busão&#8221; tinha derrubado a tarifa em setembro de 2012. Se estamos falando de Natal, por que não falar do Movimento Não Pago em Aracaju logo antes? Ou da revolta que derrubou a tarifa em Teresina em agosto de 2011? Porto Velho no início de 2011? E assim vamos voltando até Florianópolis em 2004 e Salvador em 2003.<br />
No fim, talvez seja seu recorte que confesse uma tentativa de superestimar o &#8220;papel do anarquismo organizado da CAB em tudo aquilo&#8221;. Mas por que reduzir o papel do MES-PSOL no movimento, especialmente em Porto Alegre, onde foi a ação de um mandato que deu os meios institucionais para a suspensão do aumento? A tentativa de polêmica é inclusive despropositada já que alguém da CAB da época provavelmente argumentaria que eles tinham militantes em coletivos do MPL, enquanto o MPL discutia internamente a possibilidade da Frente Autônoma entrar na federação nacional como o coletivo local de Porto Alegre.<br />
Ao invés de disputar louros das velhas batalhas, valeria mais a pena refletir sobre o derretimento político desses vários espaços, e os novos problemas de hoje.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Jovemmmm1		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/12/158381/#comment-1083557</link>

		<dc:creator><![CDATA[Jovemmmm1]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Jan 2026 20:34:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Engraçado sobre as narrativas de 2013 é que o mpl-sp vinha pautando isso sozinho... pq na verdade a irrupção veio de Porto Alegre que em Abril o Bloco de Lutas pelo Transporte Público sobre forte influência da Frente Autonoma e essa por sua vez pela Federação Anarquista Gaúcha venceu a luta e revogou o  aumento naquele momento e dando o impulso que os outros locais precisavam... Tirar porto alegre da cena e focar só em SP é não compreender de fato junho de 2013 e esconder o papel do anarquismo organizado da Coordenação Anarquista Brasileira em tudo aquilo. Sobre a linha geral do texto... sem tirar nem por, é por aí.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Engraçado sobre as narrativas de 2013 é que o mpl-sp vinha pautando isso sozinho&#8230; pq na verdade a irrupção veio de Porto Alegre que em Abril o Bloco de Lutas pelo Transporte Público sobre forte influência da Frente Autonoma e essa por sua vez pela Federação Anarquista Gaúcha venceu a luta e revogou o  aumento naquele momento e dando o impulso que os outros locais precisavam&#8230; Tirar porto alegre da cena e focar só em SP é não compreender de fato junho de 2013 e esconder o papel do anarquismo organizado da Coordenação Anarquista Brasileira em tudo aquilo. Sobre a linha geral do texto&#8230; sem tirar nem por, é por aí.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Thiago Canettieri		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/12/158381/#comment-1083518</link>

		<dc:creator><![CDATA[Thiago Canettieri]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Jan 2026 16:35:44 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=158381#comment-1083518</guid>

					<description><![CDATA[Ei Caio, valeu pelo comentário.

Primeiro, não queria estabelecer uma continuidade direta entre os textos RP, CC e MFM. Sei que há momentos históricos e grupos diferentes. DE toda forma, acho que vale a nota histórica! Me explica melhor por que você acha que também no território, quando experimentadas mais de perto, estão &quot;evaporando&quot;. Eu acho que essa condição gasosa é inerente à posição não hegemônica. Não queria dar a entender que há algo inato a todo e qualquer território que possibilita a sua centralidade nas lutas. Isso depende de contexto, organização, etc. Mas acho que, na crise do trabalho, há mais possibilidades na esfera reprodutiva do que na produtiva. Aqui, outra polêmica (ou falsa polêmica?): produtivo x reprodutivo. O que a gente entende por cada uma delas? De toda forma, parece-nos que encontramos um ponto: a centralidade dos vínculos fortes, relações sociais de outro tipo, comunistas talvez. Ponto fundamental que politicamente se sobrepõe à (falsa) polêmica do produtivo x reprodutivo.

Ei, Leo, obrigado também pelo comentário. Concordo contigo — e ainda tenderia a reforçar: não há nada imanente do território (ou da comunidade) que garanta que a luta seja anticapitalista. A Verónica Gago faz um comentário interessante em Economias Barrocas, embora não leve até as últimas consequências, como é o vínculo comunitário de imigrantes que exatamente legitima e possibilita a hiperexploração daquele trabalho. Aqui, eu tenderia a pensar contigo (não tenho muitas certezas): não é a mesma coisa &quot;paralisar&quot; ou &quot;controlar&quot; os meios de produção… Qual pode oferecer mais possibilidades para uma luta comunista?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ei Caio, valeu pelo comentário.</p>
<p>Primeiro, não queria estabelecer uma continuidade direta entre os textos RP, CC e MFM. Sei que há momentos históricos e grupos diferentes. DE toda forma, acho que vale a nota histórica! Me explica melhor por que você acha que também no território, quando experimentadas mais de perto, estão &#8220;evaporando&#8221;. Eu acho que essa condição gasosa é inerente à posição não hegemônica. Não queria dar a entender que há algo inato a todo e qualquer território que possibilita a sua centralidade nas lutas. Isso depende de contexto, organização, etc. Mas acho que, na crise do trabalho, há mais possibilidades na esfera reprodutiva do que na produtiva. Aqui, outra polêmica (ou falsa polêmica?): produtivo x reprodutivo. O que a gente entende por cada uma delas? De toda forma, parece-nos que encontramos um ponto: a centralidade dos vínculos fortes, relações sociais de outro tipo, comunistas talvez. Ponto fundamental que politicamente se sobrepõe à (falsa) polêmica do produtivo x reprodutivo.</p>
<p>Ei, Leo, obrigado também pelo comentário. Concordo contigo — e ainda tenderia a reforçar: não há nada imanente do território (ou da comunidade) que garanta que a luta seja anticapitalista. A Verónica Gago faz um comentário interessante em Economias Barrocas, embora não leve até as últimas consequências, como é o vínculo comunitário de imigrantes que exatamente legitima e possibilita a hiperexploração daquele trabalho. Aqui, eu tenderia a pensar contigo (não tenho muitas certezas): não é a mesma coisa &#8220;paralisar&#8221; ou &#8220;controlar&#8221; os meios de produção… Qual pode oferecer mais possibilidades para uma luta comunista?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo V		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/12/158381/#comment-1082077</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo V]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jan 2026 15:39:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A questão de constituição de laços fortes: eles tendencialmente se constituem quando há uma experiência compartilhada, pessoalmente, criando relações de confiança e empatia, criando uma comunidade. As comunidades de imigrantes tem sido importantes nas lutas trabalhistas de trabalhadores precarizados pelo mundo. As relações no bairro, na Igreja, também em diferentes casos constituiu apoio importante nas lutas trabalhistas. Não só apoio, mas muitas vezes o foco de campanhas trabalhistas de trabalhadores do setor de serviços foi mobilizar a comunidade (ver o livro Forças do Trabalho, de Beverly Silver)

Se hoje esses espaços de sociabilidade fora do espaço-tempo do trabalho parecem ter maior importância para constituição desses laços fortes, é, em parte considerável, devido ao refluxo de lutas significativas a partir dos locais de trabalho, no que podemos chamar de pós-fordismo.

Mas sem atingir os meios de produção, sem paralisá-los, sem controlá-los, tomá-los, me parece que qualquer luta anticapitalista nunca atingirá o objetivo de esvaziar ou acabar com o poder capitalista. Nesse sentido o local de trabalho é ainda central.

Se pegarmos a experiência zapatista, que é bastante territorizalizada, a tomada da terra foi também a expropriação e tomada dos meios de produção. Em 2007 o finado Subcomandante Marcos fez questão de frisar que a base de todos os avanços zapatistas foi a tomada dos meios de produção. E enquanto houver trabalho humano explorado por capitalistas, o local de trabalho será fundamental pra ação humana num horizonte anticapitalista.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A questão de constituição de laços fortes: eles tendencialmente se constituem quando há uma experiência compartilhada, pessoalmente, criando relações de confiança e empatia, criando uma comunidade. As comunidades de imigrantes tem sido importantes nas lutas trabalhistas de trabalhadores precarizados pelo mundo. As relações no bairro, na Igreja, também em diferentes casos constituiu apoio importante nas lutas trabalhistas. Não só apoio, mas muitas vezes o foco de campanhas trabalhistas de trabalhadores do setor de serviços foi mobilizar a comunidade (ver o livro Forças do Trabalho, de Beverly Silver)</p>
<p>Se hoje esses espaços de sociabilidade fora do espaço-tempo do trabalho parecem ter maior importância para constituição desses laços fortes, é, em parte considerável, devido ao refluxo de lutas significativas a partir dos locais de trabalho, no que podemos chamar de pós-fordismo.</p>
<p>Mas sem atingir os meios de produção, sem paralisá-los, sem controlá-los, tomá-los, me parece que qualquer luta anticapitalista nunca atingirá o objetivo de esvaziar ou acabar com o poder capitalista. Nesse sentido o local de trabalho é ainda central.</p>
<p>Se pegarmos a experiência zapatista, que é bastante territorizalizada, a tomada da terra foi também a expropriação e tomada dos meios de produção. Em 2007 o finado Subcomandante Marcos fez questão de frisar que a base de todos os avanços zapatistas foi a tomada dos meios de produção. E enquanto houver trabalho humano explorado por capitalistas, o local de trabalho será fundamental pra ação humana num horizonte anticapitalista.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Caio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/12/158381/#comment-1081904</link>

		<dc:creator><![CDATA[Caio]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Jan 2026 17:12:09 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=158381#comment-1081904</guid>

					<description><![CDATA[Oi Thiago, tudo bem?

Chegando com atraso aqui, mas não queria deixar de comentar. É curioso que você comece retomando o &quot;Revolta popular: o limite da tática&quot; para construir um contraponto entre a fugacidade da revolta e a perenidade do território. À medida em que os textos você cita em seguida (&quot;Centralidade do conflito&quot; e &quot;Masterclass&quot;) parecem continuar a linha de raciocínio iniciada no primeiro, o argumento ganha ares de polêmica. Mas esses dois últimos foram escritos por outras pessoas ou pelo menos por composições políticas diferença, e têm quase uma década de distância em relação ao primeiro, com Bolsonaro e pandemia no meio. Curiosamente, acho que tua tese aqui é bem próxima do que eu e o Leonardo estávamos pensando em 2014, quando escrevemos o &quot;Revolta popular&quot;.

Em 2014, estávamos no MPL, intuíamos que o movimento (tanto o coletivo quanto a mobilização do período) tinha batido num limite, e tentamos formular isso num texto. A &quot;tática da revolta popular&quot; (o roteiro do MPL para as lutas contra o aumento) bateu no teto, é preciso &quot;formular uma perspectiva estratégica mais ampla, a perspectiva de uma recusa mais potente, enraizada no cotidiano. É preciso construir o que se tornou imaginável&quot;. Apesar de meio vaga, essa conclusão tinha um sentido bem prático no interior do MPL: significava uma defesa das &quot;comissões regionais&quot; criadas pelo coletivo de São Paulo no pós-junho. Eram coletivos de &quot;luta do transporte&quot; com base territorial nas periferias da cidade, que em 2014 já estavam se desdobrando em algumas experiências de luta interessantes, mas que corriam o risco de serem atropeladas pela agenda de grandes atos (Não vai ter Copa e afins...).

Mas um texto não é só o que está escrito nele, menos ainda a intenção inicial dos autores, às vezes o debate que continuou a partir dele se sobrepõe. Todo esse debate sobre a &quot;centralidade&quot; disso ou daquilo não tava no nosso texto inicial: talvez remonte mais a uma polêmica de 2016, que rendeu várias réplicas e tréplicas aqui no PP, iniciada por um texto de dois militantes de uma organização leninista (ASS/Intersindical) criticando a &quot;centralidade da tática&quot; para os autonomistas (https://passapalavra.info/2016/01/107317/). Enfim, achei que valia a deixa para fazer essa nota &quot;histórica&quot; sobre o debate ao redor desse texto, que vira e mexe reaparece.

Dito isso, hoje acho que os tais limites da revolta (falando amplamente, não no sentido estrito de uma tática das lutas contra o aumento como pensava o texto de 2014) não são só delas. Elas seriam antes paradigmáticas de um problema geral das lutas no nosso tempo, inclusive no território. Nesse sentido, concordo com o Galo, brincando com os estados da matéria: o território pode parecer como uma solidez em meio ao trabalho gasoso, mas talvez &quot;o conjunto de relações de reprodução social que ocorrem em um determinado espaço&quot;, quando experimentadas mais de perto, talvez também andem evaporando. Isso não é uma sentença de morte das lutas, pelo contrário, faz parte de entender o ambiente onde travamos as batalhas contemporâneas. Nesse sentido, vejo tão apressada e ilusória a solução da &quot;centralidade do território&quot; quanto o decreto de que a obsolescência do trabalho &quot;definitivamente aconteceu&quot; (neste texto apresentada como ponto passivo). Na verdade, o que me parece é que as duas esferas (trabalho e território, produção e reprodução) estão mais misturadas do que nunca (e aí a metáfora do gás combina outra vez), o significaria uma multiplicação das possibilidades do conflito de classe. E é a partir deles que podem se forjar &quot;vínculos fortes&quot;, relações sociais de outro tipo, quem sabe, comunistas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Oi Thiago, tudo bem?</p>
<p>Chegando com atraso aqui, mas não queria deixar de comentar. É curioso que você comece retomando o &#8220;Revolta popular: o limite da tática&#8221; para construir um contraponto entre a fugacidade da revolta e a perenidade do território. À medida em que os textos você cita em seguida (&#8220;Centralidade do conflito&#8221; e &#8220;Masterclass&#8221;) parecem continuar a linha de raciocínio iniciada no primeiro, o argumento ganha ares de polêmica. Mas esses dois últimos foram escritos por outras pessoas ou pelo menos por composições políticas diferença, e têm quase uma década de distância em relação ao primeiro, com Bolsonaro e pandemia no meio. Curiosamente, acho que tua tese aqui é bem próxima do que eu e o Leonardo estávamos pensando em 2014, quando escrevemos o &#8220;Revolta popular&#8221;.</p>
<p>Em 2014, estávamos no MPL, intuíamos que o movimento (tanto o coletivo quanto a mobilização do período) tinha batido num limite, e tentamos formular isso num texto. A &#8220;tática da revolta popular&#8221; (o roteiro do MPL para as lutas contra o aumento) bateu no teto, é preciso &#8220;formular uma perspectiva estratégica mais ampla, a perspectiva de uma recusa mais potente, enraizada no cotidiano. É preciso construir o que se tornou imaginável&#8221;. Apesar de meio vaga, essa conclusão tinha um sentido bem prático no interior do MPL: significava uma defesa das &#8220;comissões regionais&#8221; criadas pelo coletivo de São Paulo no pós-junho. Eram coletivos de &#8220;luta do transporte&#8221; com base territorial nas periferias da cidade, que em 2014 já estavam se desdobrando em algumas experiências de luta interessantes, mas que corriam o risco de serem atropeladas pela agenda de grandes atos (Não vai ter Copa e afins&#8230;).</p>
<p>Mas um texto não é só o que está escrito nele, menos ainda a intenção inicial dos autores, às vezes o debate que continuou a partir dele se sobrepõe. Todo esse debate sobre a &#8220;centralidade&#8221; disso ou daquilo não tava no nosso texto inicial: talvez remonte mais a uma polêmica de 2016, que rendeu várias réplicas e tréplicas aqui no PP, iniciada por um texto de dois militantes de uma organização leninista (ASS/Intersindical) criticando a &#8220;centralidade da tática&#8221; para os autonomistas (<a href="https://passapalavra.info/2016/01/107317/" rel="ugc">https://passapalavra.info/2016/01/107317/</a>). Enfim, achei que valia a deixa para fazer essa nota &#8220;histórica&#8221; sobre o debate ao redor desse texto, que vira e mexe reaparece.</p>
<p>Dito isso, hoje acho que os tais limites da revolta (falando amplamente, não no sentido estrito de uma tática das lutas contra o aumento como pensava o texto de 2014) não são só delas. Elas seriam antes paradigmáticas de um problema geral das lutas no nosso tempo, inclusive no território. Nesse sentido, concordo com o Galo, brincando com os estados da matéria: o território pode parecer como uma solidez em meio ao trabalho gasoso, mas talvez &#8220;o conjunto de relações de reprodução social que ocorrem em um determinado espaço&#8221;, quando experimentadas mais de perto, talvez também andem evaporando. Isso não é uma sentença de morte das lutas, pelo contrário, faz parte de entender o ambiente onde travamos as batalhas contemporâneas. Nesse sentido, vejo tão apressada e ilusória a solução da &#8220;centralidade do território&#8221; quanto o decreto de que a obsolescência do trabalho &#8220;definitivamente aconteceu&#8221; (neste texto apresentada como ponto passivo). Na verdade, o que me parece é que as duas esferas (trabalho e território, produção e reprodução) estão mais misturadas do que nunca (e aí a metáfora do gás combina outra vez), o significaria uma multiplicação das possibilidades do conflito de classe. E é a partir deles que podem se forjar &#8220;vínculos fortes&#8221;, relações sociais de outro tipo, quem sabe, comunistas.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Thiago Canettieri		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/12/158381/#comment-1076497</link>

		<dc:creator><![CDATA[Thiago Canettieri]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Dec 2025 09:49:17 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=158381#comment-1076497</guid>

					<description><![CDATA[Caro, obrigado pelo comentário e pelas questões. 

Eu concordo com você - nem toda luta territorial produz necessariamente formas mais radicais. Minha militância vem do movimento de moradia em Belo Horizonte e acho que mais serve como um contra-exemplo do que um exemplo do que descrevi aqui, pois o que produziu foi candidatos à política institucional, mercantilização (informal) da propriedade, e, no máximo, &quot;mais um bairro&quot; na cidade (tentei contar essa história numa série de textos publicados aqui no PP ano passado). Claro, para a urgência que vive a população sem-teto, isso já é muita coisa que possibilita &quot;mudar de vida&quot; sem, no entanto, transformá-la radicalmente. 

Certamente o território também vive os efeitos da decomposição do nosso tempo de crises. O que penso (talvez ainda faltem elementos para uma demonstração empírica) é que os territórios parecem oferecer um elemento que falta às revoltas (e não necessariamente oferece mais), isto é, a perenidade: a possibilidade da reprodução cotidiana continuada. Agora, fica a questão de como fazer isso para que não se torne mais um bairro, um colateral para a emissão de papéis financeiros ou uma plataforma eleitoral, por exemplo. Experiências de formas territoriais radicais são raras - talvez mais exceção do que regra, como você aponta. Eu acho que, mesmo sendo raras, é possível aprender muito com essas experiências, de modo que as revoltas não caiam nos problemas elencados nos textos que resenhei aqui.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro, obrigado pelo comentário e pelas questões. </p>
<p>Eu concordo com você &#8211; nem toda luta territorial produz necessariamente formas mais radicais. Minha militância vem do movimento de moradia em Belo Horizonte e acho que mais serve como um contra-exemplo do que um exemplo do que descrevi aqui, pois o que produziu foi candidatos à política institucional, mercantilização (informal) da propriedade, e, no máximo, &#8220;mais um bairro&#8221; na cidade (tentei contar essa história numa série de textos publicados aqui no PP ano passado). Claro, para a urgência que vive a população sem-teto, isso já é muita coisa que possibilita &#8220;mudar de vida&#8221; sem, no entanto, transformá-la radicalmente. </p>
<p>Certamente o território também vive os efeitos da decomposição do nosso tempo de crises. O que penso (talvez ainda faltem elementos para uma demonstração empírica) é que os territórios parecem oferecer um elemento que falta às revoltas (e não necessariamente oferece mais), isto é, a perenidade: a possibilidade da reprodução cotidiana continuada. Agora, fica a questão de como fazer isso para que não se torne mais um bairro, um colateral para a emissão de papéis financeiros ou uma plataforma eleitoral, por exemplo. Experiências de formas territoriais radicais são raras &#8211; talvez mais exceção do que regra, como você aponta. Eu acho que, mesmo sendo raras, é possível aprender muito com essas experiências, de modo que as revoltas não caiam nos problemas elencados nos textos que resenhei aqui.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Grevo de Vergere		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/12/158381/#comment-1076154</link>

		<dc:creator><![CDATA[Grevo de Vergere]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Dec 2025 00:58:02 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=158381#comment-1076154</guid>

					<description><![CDATA[Texto interessante pra iniciar um debate sério sobre estratégia nesses tempos desfavoráveis. Interessante também a liga que o texto dá para outros já escritos por camaradas. Gostaria de colocar alguns pontos pro debate.

1) O que está sendo apresentado aqui pode ser inscrito dentro da &quot;estratégia da composição&quot;, apresentada por Hugh Farrell no artigo de mesmo nome publicado no portal Ill Will ( https://illwill.com/composition ). O artigo se baseia nas lutas territoriais, usando como exemplo o ZAD (abordado aqui), Standing Rock, a Rebelião de George Floyd, e outros. A estratégia da composição é apresentada no artigo em oposição a &quot;diversidade de táticas&quot;, uma perspectiva difusa adotada pelos ativistas do movimento anti-globalização cujo problema seria &quot;o abandono da possibilidade de uma estratégia coletiva ou modo de organização&quot;. É colocada também em oposição ao &quot;programatismo&quot; da fase anterior das lutas operárias (cuja crítica pode ser encontrada em teóricos da comunização como o TC). A estratégia da composição deve ser permeável, deve possibilitar que o movimento se mantenha múltiplo e ao mesmo tempo que garanta a unidade através de alianças práticas. Composição enquanto estratégia seria, então, a criação de um &quot;framework&quot; que possibilitaria a articulação de multiplicidade de identidades e necessidades para um objetivo comum (e que o autor reforça, nesse processo as multiplas identidades devem estar abertas o suficiente para se negarem). Tudo isso, o autor afirma, já se apresenta, de uma forma ou outra, com mais ou menos intensidade, nas lutas que se desenvolvem nesse período (em especial as que ele cita).

2) Os autores de &quot;The Fate of Composition &quot; que assinam como &quot;Decompositions&quot; ( https://theanarchistlibrary.org/library/decompositions-the-fate-of-composition ) entram no debate mapeando o conceito de &quot;composição&quot; tanto como descritivo como prescritivo, retomando a perspectiva da composição de classe definida pelo operaísmo e apresentando o ressurgimento do termo em duas vertentes: de um lado uma retomada de uma perspectiva operaísta por um neo-operaísmo (citando como exemplos o Angry Workers e o Notes From Below) e, de outro, numa retomada da &quot;esquerda ativista&quot; (palavras do autor) que situa a conceito de forma diferente (e que se apresentam nas lutas citadas também por Hugh Farrell) que os autores descrevem como &quot;[...] “composição” passou a se referir a uma estratégia específica de organização que refletia problemas de defesa territorial, incluindo reivindicações concorrentes de interesse e posições de classe de diversos atores envolvidos.&quot;. Os autores identificam o quanto a estratégia da composição, ao invés de apontar para um avanço das lutas, favoreceu uma posição de se fechar nelas. A centralidade do território que guiava essas lutas e possibilitava a &quot;estratégia da composição&quot; levou no final a própria conformação dos limites dessas lutas que reforçam o caráter de decomposição do momento histórico atual que a perspectiva mais aberta e abstrata da estratégia não consegue lidar, e no final sucumbe a ela - a estratégia da composição coloca o problema para em seguida se ver preso a ela. Por outro lado, os autores também fazem crítica da perspectiva fechada dos neo-operaístas que também não oferecem perspectivas estratégicas dignas do período histórico limitando suas atuações na logística e setores de serviço. Prescrição e descrição, então, se encontram divididas nas duas tendências mapeadas pelos autores. E qual seria a alternativa? &quot;Compreender o problema da composição como decomposição é talvez muito mais sombrio, mas também muito mais tangível e, portanto, uma base para uma estratégia política real quando as contradições se generalizam, a possibilidade de insurreição dá lugar a medidas comunistas e, por fim, à reparação do tecido metabólico — no qual a defesa territorial assumirá um significado inteiramente transformado na reprodução das relações comunistas.&quot;. No final, uma aposta que se assemelha em muito à dos teóricos da comunização - o que também não explica muito, mas joga pela necessidade de condições de novo tipo para que uma possibilidade estratégica digna de nome se torne possível, afinal, não há estratégia revolucionária em períodos não(ou contra)-revolucionários... ou há?

3) Se a decomposição é a condição em que nos situamos, qualquer perspectiva composicionista parece determinada ao fracasso, e daí talvez a aposta na própria decomposição dos autores de &quot;The Fate of Composition&quot; como condição para o desenvolvimento de novas formas. É no conflito que as perspectivas podem apontar pra uma superação da condição, e não numa tentativa de forçar esquemas em condições adversas. Nesse sentido, quando você aponta &quot;As ZADs, as ocupações, os territórios liberados. Baruq, da ocupação em BH, Kasa Invisível&quot; como exemplos do que aqui chama da centralidade do território, a pergunta que fica é se essas experiências tem mais a nos oferecer do que as formas de luta e organização desenvolvidas pelos trabalhadores de aplicativo ( https://passapalavra.info/2024/04/152631/ ), ou as revoltas populares que eclodiram (e continuam a eclodir) nos últimos anos, como o exemplo no Sudão, no Sri Lanka, ou na luta dos trabalhadores de gás e petroquímica do Irã na Campanha 1400 que desenvolveu em uma estutura de coordenação e articulação da luta pelo país chamado de &quot;Conselho para a Organização de Protestos dos Trabalhadores Contratados do Setor de Petróleo&quot; e que envolveu mais de 100 mil trabalhadores ( https://libcom.org/article/iranian-oil-and-petrochemical-workers-strikes-go )? Aliás, é um caso a se pensar o quanto a necessidade de se ultrapassar os locais de trabalho para uma radicalização da luta social já não traz em si a necessidade desse desenvolvimento territorial desde sempre, e se as coisas não estão muito mais ligadas do que se pensa. Você trouxe o exemplo da Comuna, mas o próprio desenvolvimento dos conselhos operários não se encontra apartado da questão territorial também, muito pelo contrário. O mesmo podemos dizer dos cordones industriales no chile em 73. Mas se formas organizativas surgidas das lutas historicamente, como os conselhos, são raros hoje em dia, e se apresentam mais como exceção do que como regra, não podemos dizer o mesmo das &quot;formas territoriais radicais&quot;? O texto dá a impressão de que a superação do impasse dos &quot;riots&quot; sem acúmulo organizativo se dá pela criação de territórios rebeldes, mas estamos mesmo vivendo uma situação em que essas formas se mostram com mais potência do que a décadas atrás? Vivemos formas mais interessantes e combativas do que aquelas experimentadas pelos camaradas do MST no passado, por exemplo? Fico com uma impressão que o texto mapeia a incapacidade do desenvolvimento de novas formas radicais e generalizantes à partir das lutas nos locais de trabalho, descolando para o território (e daí a opção pelos exemplos que você apresentou), sem a análise de que essas formas também estão enfrentando a &quot;decomposição&quot; do tempo histórico atual. De forma alguma dizer isso é desvalorizar os exemplos que você trouxe, mas é entender que até esses exemplos que encontram continuidade após as lutas explosivas encontrarão sua verdadeira potência em processos posteriores de novas explosão e novas experiências.

Em resumo, não acho que há uma estratégia geral para o tempo, embora possa haver várias estratégias distintas para o período, e essas serão levadas à partir de onde se situam os atores envolvidos nesses processos. Já a estratégia revolucionária (ou estratégias) possível, só o tempo e o desenvolvimento das lutas (em toda sua multiplicidade) apontarão qual será.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Texto interessante pra iniciar um debate sério sobre estratégia nesses tempos desfavoráveis. Interessante também a liga que o texto dá para outros já escritos por camaradas. Gostaria de colocar alguns pontos pro debate.</p>
<p>1) O que está sendo apresentado aqui pode ser inscrito dentro da &#8220;estratégia da composição&#8221;, apresentada por Hugh Farrell no artigo de mesmo nome publicado no portal Ill Will ( <a href="https://illwill.com/composition" rel="nofollow ugc">https://illwill.com/composition</a> ). O artigo se baseia nas lutas territoriais, usando como exemplo o ZAD (abordado aqui), Standing Rock, a Rebelião de George Floyd, e outros. A estratégia da composição é apresentada no artigo em oposição a &#8220;diversidade de táticas&#8221;, uma perspectiva difusa adotada pelos ativistas do movimento anti-globalização cujo problema seria &#8220;o abandono da possibilidade de uma estratégia coletiva ou modo de organização&#8221;. É colocada também em oposição ao &#8220;programatismo&#8221; da fase anterior das lutas operárias (cuja crítica pode ser encontrada em teóricos da comunização como o TC). A estratégia da composição deve ser permeável, deve possibilitar que o movimento se mantenha múltiplo e ao mesmo tempo que garanta a unidade através de alianças práticas. Composição enquanto estratégia seria, então, a criação de um &#8220;framework&#8221; que possibilitaria a articulação de multiplicidade de identidades e necessidades para um objetivo comum (e que o autor reforça, nesse processo as multiplas identidades devem estar abertas o suficiente para se negarem). Tudo isso, o autor afirma, já se apresenta, de uma forma ou outra, com mais ou menos intensidade, nas lutas que se desenvolvem nesse período (em especial as que ele cita).</p>
<p>2) Os autores de &#8220;The Fate of Composition &#8221; que assinam como &#8220;Decompositions&#8221; ( <a href="https://theanarchistlibrary.org/library/decompositions-the-fate-of-composition" rel="nofollow ugc">https://theanarchistlibrary.org/library/decompositions-the-fate-of-composition</a> ) entram no debate mapeando o conceito de &#8220;composição&#8221; tanto como descritivo como prescritivo, retomando a perspectiva da composição de classe definida pelo operaísmo e apresentando o ressurgimento do termo em duas vertentes: de um lado uma retomada de uma perspectiva operaísta por um neo-operaísmo (citando como exemplos o Angry Workers e o Notes From Below) e, de outro, numa retomada da &#8220;esquerda ativista&#8221; (palavras do autor) que situa a conceito de forma diferente (e que se apresentam nas lutas citadas também por Hugh Farrell) que os autores descrevem como &#8220;[&#8230;] “composição” passou a se referir a uma estratégia específica de organização que refletia problemas de defesa territorial, incluindo reivindicações concorrentes de interesse e posições de classe de diversos atores envolvidos.&#8221;. Os autores identificam o quanto a estratégia da composição, ao invés de apontar para um avanço das lutas, favoreceu uma posição de se fechar nelas. A centralidade do território que guiava essas lutas e possibilitava a &#8220;estratégia da composição&#8221; levou no final a própria conformação dos limites dessas lutas que reforçam o caráter de decomposição do momento histórico atual que a perspectiva mais aberta e abstrata da estratégia não consegue lidar, e no final sucumbe a ela &#8211; a estratégia da composição coloca o problema para em seguida se ver preso a ela. Por outro lado, os autores também fazem crítica da perspectiva fechada dos neo-operaístas que também não oferecem perspectivas estratégicas dignas do período histórico limitando suas atuações na logística e setores de serviço. Prescrição e descrição, então, se encontram divididas nas duas tendências mapeadas pelos autores. E qual seria a alternativa? &#8220;Compreender o problema da composição como decomposição é talvez muito mais sombrio, mas também muito mais tangível e, portanto, uma base para uma estratégia política real quando as contradições se generalizam, a possibilidade de insurreição dá lugar a medidas comunistas e, por fim, à reparação do tecido metabólico — no qual a defesa territorial assumirá um significado inteiramente transformado na reprodução das relações comunistas.&#8221;. No final, uma aposta que se assemelha em muito à dos teóricos da comunização &#8211; o que também não explica muito, mas joga pela necessidade de condições de novo tipo para que uma possibilidade estratégica digna de nome se torne possível, afinal, não há estratégia revolucionária em períodos não(ou contra)-revolucionários&#8230; ou há?</p>
<p>3) Se a decomposição é a condição em que nos situamos, qualquer perspectiva composicionista parece determinada ao fracasso, e daí talvez a aposta na própria decomposição dos autores de &#8220;The Fate of Composition&#8221; como condição para o desenvolvimento de novas formas. É no conflito que as perspectivas podem apontar pra uma superação da condição, e não numa tentativa de forçar esquemas em condições adversas. Nesse sentido, quando você aponta &#8220;As ZADs, as ocupações, os territórios liberados. Baruq, da ocupação em BH, Kasa Invisível&#8221; como exemplos do que aqui chama da centralidade do território, a pergunta que fica é se essas experiências tem mais a nos oferecer do que as formas de luta e organização desenvolvidas pelos trabalhadores de aplicativo ( <a href="https://passapalavra.info/2024/04/152631/" rel="ugc">https://passapalavra.info/2024/04/152631/</a> ), ou as revoltas populares que eclodiram (e continuam a eclodir) nos últimos anos, como o exemplo no Sudão, no Sri Lanka, ou na luta dos trabalhadores de gás e petroquímica do Irã na Campanha 1400 que desenvolveu em uma estutura de coordenação e articulação da luta pelo país chamado de &#8220;Conselho para a Organização de Protestos dos Trabalhadores Contratados do Setor de Petróleo&#8221; e que envolveu mais de 100 mil trabalhadores ( <a href="https://libcom.org/article/iranian-oil-and-petrochemical-workers-strikes-go" rel="nofollow ugc">https://libcom.org/article/iranian-oil-and-petrochemical-workers-strikes-go</a> )? Aliás, é um caso a se pensar o quanto a necessidade de se ultrapassar os locais de trabalho para uma radicalização da luta social já não traz em si a necessidade desse desenvolvimento territorial desde sempre, e se as coisas não estão muito mais ligadas do que se pensa. Você trouxe o exemplo da Comuna, mas o próprio desenvolvimento dos conselhos operários não se encontra apartado da questão territorial também, muito pelo contrário. O mesmo podemos dizer dos cordones industriales no chile em 73. Mas se formas organizativas surgidas das lutas historicamente, como os conselhos, são raros hoje em dia, e se apresentam mais como exceção do que como regra, não podemos dizer o mesmo das &#8220;formas territoriais radicais&#8221;? O texto dá a impressão de que a superação do impasse dos &#8220;riots&#8221; sem acúmulo organizativo se dá pela criação de territórios rebeldes, mas estamos mesmo vivendo uma situação em que essas formas se mostram com mais potência do que a décadas atrás? Vivemos formas mais interessantes e combativas do que aquelas experimentadas pelos camaradas do MST no passado, por exemplo? Fico com uma impressão que o texto mapeia a incapacidade do desenvolvimento de novas formas radicais e generalizantes à partir das lutas nos locais de trabalho, descolando para o território (e daí a opção pelos exemplos que você apresentou), sem a análise de que essas formas também estão enfrentando a &#8220;decomposição&#8221; do tempo histórico atual. De forma alguma dizer isso é desvalorizar os exemplos que você trouxe, mas é entender que até esses exemplos que encontram continuidade após as lutas explosivas encontrarão sua verdadeira potência em processos posteriores de novas explosão e novas experiências.</p>
<p>Em resumo, não acho que há uma estratégia geral para o tempo, embora possa haver várias estratégias distintas para o período, e essas serão levadas à partir de onde se situam os atores envolvidos nesses processos. Já a estratégia revolucionária (ou estratégias) possível, só o tempo e o desenvolvimento das lutas (em toda sua multiplicidade) apontarão qual será.</p>
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