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	<title>Resultados da pesquisa por &#8220;Israel&#8221; &#8211; Passa Palavra</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>Do interstício entre bolsonarismo, I.A e estética</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enzo Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Dec 2025 05:48:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Extrema_direita]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
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					<description><![CDATA[Walter Benjamin, no século passado, descrevera que tais processos levam a apenas um fim. Ao quê caminharemos hoje? Por Juliana Antunes]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Juliana Antunes</h3>
<blockquote><p>Nota da autora:<br />
O texto em questão se trata de uma versão sintética de uma comunicação, outrora apresentada na 10ª Reunião de Antropologia da Ciência e da Tecnologia (ReACT), realizada em Outubro de 2025 no Rio de Janeiro. Devo destacar, além disso, que os pensamentos aqui transcritos se tratam de uma investigação em curso e, justamente no interesse de prosseguir com essa – bem como ‘passar a palavra’ – lanço tais questões ao debate.</p></blockquote>
<p style="text-align: right;"><em>“[…] a técnica liberta o objeto do domínio da tradição. Na medida em que multiplica a reprodução, substitui a sua existência única pela sua existência em massa. E, na medida em que permite à reprodução vir em qualquer situação ao encontro do receptor, atualiza o objeto reproduzido. Esses dois processos vão abalar violentamente os conteúdos da tradição – e esse abalo da tradição é o reverso da atual crise e renovação da humanidade”</em> <strong>(Walter Benjamin, no ensaio “A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica”)</strong></p>
<p style="text-align: justify;">As linhas que se seguem correspondem a uma aposta de discussão, situada na recuperação do debate benjaminiano da estetização da política e da reprodutibilidade técnica. Ademais, são também a representação de inquietações pessoais em relação ao porvir; a inquietação tem sua gênese, por sua vez, a partir de alguns recortes imagéticos, dos quais destaco os dois seguintes:</p>
<figure style="width: 1024px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-158342 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/12/paraopp.jpg" alt="" width="1024" height="1024" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/12/paraopp.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/12/paraopp-300x300.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/12/paraopp-70x70.jpg 70w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/12/paraopp-768x768.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/12/paraopp-420x420.jpg 420w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/12/paraopp-640x640.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/12/paraopp-681x681.jpg 681w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-caption-text">Imagem 01: Imagem religiosa utilizada na convocatória dos protestos para libertação dos presos do 08 de Janeiro de 2023.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_158343" aria-describedby="caption-attachment-158343" style="width: 448px" class="wp-caption alignright"><img decoding="async" class="wp-image-158343 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/12/paraopptambem.png" alt="" width="448" height="450" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/12/paraopptambem.png 448w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/12/paraopptambem-300x300.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/12/paraopptambem-70x70.png 70w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/12/paraopptambem-418x420.png 418w" sizes="(max-width: 448px) 100vw, 448px" /><figcaption id="caption-attachment-158343" class="wp-caption-text">Imagem 02: Suposta convocatória para uma paralisação dos caminhoneiros em 2025.</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">A Imagem 01 se trata de uma arte veiculada em 2024 nas redes sociais para divulgação dos atos em prol da libertação dos presos pelo 08 de Janeiro. A Imagem 02, por sua vez, se trata do fotograma de uma série de vídeos curtos que expressava a convocatória de caminhoneiros, entregadores e profissionais do agronegócio em prol da defesa de Jair Bolsonaro, já em 2025.</p>
<p style="text-align: justify;">Existem alguns pontos que ligam as imagens em questão. O primeiro deles diz respeito a quem as gera. O outro, o que representam e, por fim, como foram geradas e circuladas.</p>
<p style="text-align: justify;">A resposta ao primeiro aspecto é quase subentendida. As imagens em questão, pequenas amostras dentro de um mar imagético e simbólico, foram geradas no bojo da extrema-direita brasileira, mais especificamente bolsonarista. Essas imagens – e aqui responde-se também ao segundo ponto, correspondente àquilo que representam – emergem no ínterim já descrito por Walter Benjamin em relação ao fim da estetização da política: <em>dar às massas maneiras de se representar, mas sem representar os seus ideais. </em></p>
<p style="text-align: justify;">Isto posto, as imagens detêm diversas camadas simbólicas. A Imagem 01 nos traz a narrativa religiosa, através da imagem dos anjos, a força nacionalista, por meio das bandeiras do Brasil e das camisetas da seleção brasileira de futebol, a construção de um Nós vs eles, pelo atrelamento dos bolsonaristas a uma posição de povo justo e perseguido. Há de se notar, ainda, a reconstituição do mito da nação proletária, situado aqui na construção de boas nações, correspondentes aos elementos que fazem referência ao Brasil e a Israel. A Imagem 02, por sua vez, traz também a evocação de elementos nacionalistas, presentes na escolha do figurino da personagem que protagoniza o vídeo, além da representação populista, ao trazer a criação de uma persona acessível, um trabalhador qualquer que está se mobilizando a favor de Bolsonaro. Por fim, deve-se destacar na imagem, também, a construção da imagem de Bolsonaro enquanto líder, seja no discurso ou na legenda do vídeo, a partir das hashtags escolhidas.</p>
<p style="text-align: justify;">A forma de geração dos materiais imagéticos aqui analisados – e talvez esse seja um dos pontos mais importantes da presente discussão – é o que inquieta.</p>
<p style="text-align: justify;">Se retornamos ao cerne da teoria sobre a <em>reprodutibilidade técnica</em> em Walter Benjamin, temos que, muito embora a possibilidade de reproduzir uma obra de arte sempre estivesse na seara, a mediação de tal processo a partir dos recursos técnicos representaria uma libertação do objeto da tradição, abrindo brechas à implementação múltipla de sentidos ao mesmo. Ademais, ocorre a substituição do valor de culto pelo valor de exposição.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse sentido, e levando em consideração a constatação também de Benjamin de que a reprodução técnica é catalizadora de mudanças na maneira como as massas recebem e consomem o produto a elas direcionado – “Quem se recolhe diante de uma obra de arte mergulha dentro dela e nela se dissolve, como ocorreu com um pintor chinês, segundo a lenda, ao terminar seu quadro. A massa distraída, pelo contrário, faz a obra de arte mergulhar em si, envolve-a com o ritmo de suas vagas, absolve-a em seu fluxo” <strong>[1]</strong> – temos em emergência um processo de identificação dessas com tal conteúdo. Aqui está a abertura à estetização da política: <em>dar às massas a possibilidade de se expressar, mas não de expressar os seus ideais.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Situemo-nos no presente. Ainda que o recurso explicativo aqui esteja atrelado sobretudo à teoria de Walter Benjamin, é vital refletir que o elemento máximo de representatividade da reprodutibilidade técnica, à sua época, correspondia ao cinema. Aposto aqui, em nossa contemporaneidade, que as plataformas digitais e os recursos nelas embutidos, como a própria <em>inteligência artificial</em>, correspondem a novos recursos de reprodutibilidade técnica.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas nos orientemos, apesar da necessidade de romper com a mística que ronda a inteligência artificial, colocando-a muitas vezes em um paralelo em relação ao próprio âmago tecnológico geral, como definir o que é a I.A.? Depreende-se por inteligência artificial o uso maquínico para a simulação de atividades humanas – como o ato de compreender, resolver problemas e criar coisas novas. A ação de maior destaque da inteligência artificial nos últimos dois anos corresponde à sua capacidade de gerar – textos, imagens, vídeos e áudios – em resposta aos <em>prompts</em> (os comandos lançados pelo usuário). Isso, por sua vez, se dá por meio do treinamento da máquina para identificar, processar e relacionar grandes volumes de dados.</p>
<p style="text-align: justify;">Além da capacidade da máquina em gerar conteúdo, há também a sua ação de circular esses conteúdos, pelo processo comumente nomeado algoritmização. Algoritmo se significa, preliminarmente, como o conjunto de instruções que guiam a tomada de decisões da máquina. Algoritmização, por sua vez, diz respeito à agência dominante dos algoritmos para processar dados vinculados ao nosso comportamento, às nossas preferências e às nossas informações; uma vez que esses dados são assimilados, a máquina tem o poder de agir na seleção, rankeamento e distribuição dos conteúdos a cada usuário.</p>
<p style="text-align: justify;">Não é tarde retornar aos apontamentos de Theodor Adorno e Max Horkheimer na <em>Dialética do Esclarecimento</em>. Os processos digitais aqui descritos são desnudados de neutralidade e, conforme descrito pelos autores referenciados na frase anterior, é inelutável a complementariedade entre “progresso” e barbárie. Mais ainda, como descrevera Herbert Marcuse, &#8220;Diante dos elementos totalitários dessa sociedade, a noção tradicional de &#8216;neutralidade&#8217; não pode mais ser mantida. Tecnologia como tal não pode ser isolada do uso ao qual é submetida; a sociedade tecnológica é um sistema de dominação que já opera no conceito e construção das técnicas.&#8221; <strong>[2]</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Uma das grandes problemáticas situadas nos recursos das plataformas digitais, doravante dos próprios recursos aqui descritos nos últimos parágrafos, corresponde à produção de representações simbólicas e fictícias da realidade, com a mínima intervenção humana. Walter Benjamin, no século passado, descrevera que tais processos levam a apenas um fim. Ao quê caminharemos hoje?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Notas:</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1]</strong> BENJAMIN, Walter. <strong>Magia e técnica, arte e política:</strong> ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 1994.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[2]</strong> MARCUSE, Herbert. <strong>O Homem Unidimensional:</strong> a ideologia da sociedade industrial. Rio de Janeiro: Zahar Edições, 1973.</p>
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		<title>A Épica das Pequenas Multidões</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Oct 2025 14:01:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ideias & Debates]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia/comunicação_social]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
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					<description><![CDATA[Qualquer pequena multidão é criação de conteúdo que parece propor aos seus espectadores a participação em algo maior.. Por Primo Jonas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Primo Jonas</h3>
<p style="text-align: justify;">O que a flotilha “Global Sumud”, que recentemente navegou em direção à Gaza bloqueada pelas forças israelenses, e a invasão dos prédios governamentais em Brasília e em Washington por manifestantes de extrema-direita têm em comum?</p>
<p style="text-align: justify;">Em tempos de internet, uma tal provocação tem grande potencial de gerar indignação de ambos os lados do espectro político e, assim, lucrar fortemente com os engajamentos com muito pouca profundidade. O que importa é o impacto da indignação, marcar posição ridicularizando os oponentes, dar uma sensação de última palavra e, depois, ignorar rotundamente qualquer desenvolvimento do tema. O golpe precisa ser rápido: como num esquema “rug pull” de criptoativos, é preciso gerar um interesse abrupto no tema e depois desaparecer com os louros colhidos. O debate sério e sustentado não gera engajamento e não mobiliza. Perda de tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">Façamos, então, como quem analisa as redes sociais, ignorando totalmente os conteúdos do que circula, e atentemos puramente às formas da circulação, para ver o que elas podem nos dizer.</p>
<p style="text-align: justify;">Voltemos então à comparação do inicio do texto. Podemos identificar grupos grandes de pessoas, em boa parte desconhecidas entre si mas unidas por um propósito, uma espécie de pequena multidão mobilizada por um objetivo político. Que similaridades podemos enxergar na estrutura desses propósitos políticos? São lutas que reproduzem a passagem bíblica de Davi versus Golias, em que a obstinação e a nobreza do ato inspiram a simpatia por aqueles que aparentam ter menos chances de ganhar. Atualizado aos dias de hoje, é um pequeno grupo humano lutando contra poderosas instituições do status quo.</p>
<p style="text-align: justify;">O mais importante, no entanto, costuma estar escondido atrás daquilo que é mais evidente. A força destes eventos está em sua transmissão. Afinal, o que teriam conseguido qualquer um destes eventos se eles fossem comunicados ao mundo somente algumas semanas depois de sua ocorrência? Podemos dizer que são atos performáticos de justiça, pois são atos justos, capazes de impor ao mundo concreto os preceitos éticos e morais aos olhos de quem os realiza e de quem os apoia de maneira remota. São excelentes exemplos daquilo que chamamos “ação direta”.</p>
<p style="text-align: justify;">Na tradição de luta política radical podemos resgatar, a modo de comparação, a proposta da “propaganda pela ação”. Ela buscava incitar ideais e práticas políticas por meio do exemplo de ações de indivíduos ou pequenos grupos, ações que encerram nelas mesmas uma radicalidade rupturista. Ações sem volta atrás, de compromisso e entrega plena dos indivíduos aos seus ideais. Mas algo separa os anarquistas do fim do século XIX, ou os islamistas de poucas décadas atrás e de hoje ainda, destas pequenas multidões que estamos tentando entender. O forte apelo ideológico que leva ao compromisso e entrega plena prescinde de espectadores; a justiça é para o indivíduo que a realiza aqui e agora. Já no caso de nossas pequenas multidões, as ações eram reproduzidas em tempo real para o mundo inteiro, e não apenas para que o mundo inteiro as testemunhasse, senão para transmitir ao mundo inteiro o significado, as intenções e os detalhes daquilo que estava sendo feito.</p>
<p style="text-align: justify;">Nostalgia de um tempo mais autêntico? De uma política sem espetáculo?</p>
<p style="text-align: justify;">Não, para isso não é necessário escrever textos. Este é o mundo que estamos habitando, nós que estamos vivos aqui e agora. A autogestão, que na história do século XX foi talvez o principal ato de justiça performática, ação direta transformadora e criadora de um novo mundo, foi circunscrita dentro dos limites humanos deste aqui e agora. Nos limites de uma pequena multidão qualquer, isolável do resto da humanidade. A assembleia de fábrica e os conselhos operários já não expressam a vanguarda da inteligência coletiva humana, o potencial criativo e transformador de uma nova sociedade. O aqui e o agora hoje são outros.</p>
<p style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158024" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/ai-generated-9474585_1280-2354041559.png" alt="" width="1105" height="619" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/ai-generated-9474585_1280-2354041559.png 1105w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/ai-generated-9474585_1280-2354041559-300x168.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/ai-generated-9474585_1280-2354041559-1024x574.png 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/ai-generated-9474585_1280-2354041559-768x430.png 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/ai-generated-9474585_1280-2354041559-750x420.png 750w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/ai-generated-9474585_1280-2354041559-640x359.png 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/ai-generated-9474585_1280-2354041559-681x381.png 681w" sizes="(max-width: 1105px) 100vw, 1105px" />As redes sociais estão forjando uma lógica onde o sentido e a direção das ações políticas são disputadas incessantemente. Qualquer pequena multidão é criação de conteúdo, independentemente do que mais ela seja, uma criação de conteúdo que parece propor aos seus espectadores a participação em algo maior. O que elas propõem? Reproduzir de forma “molecular” as mesmas ações ali realizadas? Incentivar um engajamento individual em ações menores e adaptadas a cada realidade? Ambas as coisas podem ser certas, e também outras mais. Com tantas revoltas e insurreições pipocando pelo mundo, por onde percorrem os mesmos títulos (“Geração Z”), personagens (Guy Fawkes, Coringa) e bandeiras (a mais recente é a bandeira pirata do desenho animado “One Piece”), tem sido difícil apresentar um resultado claro das violências de massas nas ruas. Elas parecem ser agora uma parte comum da dinâmica do poder nos mais diferentes países, ao invés de presságio de profundas transformações sociais, como a esquerda costumava pensar no século XX.</p>
<p style="text-align: justify;">O convite à ação destas “pequenas multidões” é reprovável? Certamente não. Mas o que ressalta é como essa dinâmica das redes sociais substitui as instâncias de debate e deliberação coletivas, sobrepondo uma eterna urgência (catastrofista, humanitária, militante, moralista) da ação e, assim, arrastando outras pequenas multidões de um lado a outro.</p>
<p style="text-align: justify;">Para quê ser cabeça-dura e rejeitar inteiramente este estado de coisas? Sempre existiram e sempre existirão líderes, humanos cujas características individuais e cujas circunstâncias históricas terminam por forjá-los como catalisadores de processos coletivos. Mas de onde eles vêm? Por qual mecanismo são controlados pelos demais? Neste aspecto, as redes sociais são muito menos transparentes e muito mais manipuláveis que um sindicato, que uma liderança comunitária, figuras de ciclos de luta anteriores. Hoje vemos muitos setores da extrema-esquerda guinando para uma política de redes sociais, buscando criar seus próprios influencers. O processo é tão vertiginoso que há casos em que os influencers se revelam mais poderosos que o próprio partido do qual dizem participar, invertendo a equação.</p>
<p style="text-align: justify;">A disjuntiva que ainda está posta sobre a mesa para a extrema-esquerda é entre disputar as redes ou seguir habitando a irrelevância, como se as métricas das redes sociais expressassem o poder de uma pauta. O problema que subjaz é de ordem moral, pois habitar a irrelevância política é uma tarefa árdua e sem glória, com a qual é difícil entusiasmar-se e para a qual é difícil convocar novas pessoas. Isso também explica a sedução, em nosso meio, de discursos militaristas e, no extremo, nacionalistas, como grito de desespero contra a irrelevância no plano das ideias. A alternativa branda é consumir conteúdo de indivíduos heroicos que podem, eles sim, realizar atos épicos que redimam o resto de nós, em nossa impotência diária.</p>
<p style="text-align: justify;">Central na estratégia destas ações heroico-espetaculares é a resposta das poderosas instituições do status quo: um passo em falso, um erro de cálculo pode ter como resposta a entrada em jogo de novas pequenas multidões e a transformação destas em multidões incontroláveis. Lanço a hipótese de que estamos vendo apenas os primeiros ensaios deste tipo de estratégia, e seus efeitos, à esquerda e à direita, são difíceis de prever.</p>
<p style="text-align: center;"><em>As imagens que ilustram este artigo foram geradas por Inteligência Artificial</em></p>
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		<title>A Economia Política de Israel/Palestina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Oct 2025 21:06:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Govs_nacionais_e_internacionais]]></category>
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					<description><![CDATA[ O que a análise de Roemer sobre exploração e a análise de Kautsky sobre colonialismo podem nos dizer sobre o genocídio em Gaza. Por Ben Burgis e Michael Sechman]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Ben Burgis e Michael Sechman</h3>
<p style="text-align: justify;">A desigualdade econômica tem várias origens. Um empresário pode prosperar enquanto outro mal consegue sobreviver, porque tem melhores contatos, melhores ideias ou simplesmente se esforça mais. Um trabalhador pode ter um emprego sindicalizado estável e bem remunerado, enquanto outro consegue uma renda com empregos temporários de meio período. Algumas pessoas podem ser mais ricas do que outras porque esbarram em algo valioso enterrado em seus quintais.</p>
<p style="text-align: justify;">Contudo, uma afirmação fundamental que os socialistas sempre fizeram sobre as sociedades em que vivemos, é que a fonte mais importante da desigualdade capitalista realmente existente é a exploração. Intuitivamente, concebe-se que uma economia se baseia na exploração quando <em>uma classe tem que trabalhar em benefício de outra</em>. Há muito tempo socialistas fazem agitação comparando a exploração ao roubo, à escravidão ou à extorsão.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o que é exatamente exploração? É um conceito mais específico do que <em>opressão econômica</em>. A população desempregada e sem-teto das grandes cidades é economicamente oprimida pelos donos dos meios de produção (que os excluem completamente do sistema e, portanto, os empobrecem), mas não é <em>explorada</em>. Na verdade, esse é o problema. Como a economista de esquerda Joan Robinson memoravelmente apontou: “A miséria de ser explorado pelos capitalistas não é nada comparada à miséria de não ser explorado”. As relações de exploração envolvem um tipo muito específico de pareamento antagônico dos interesses do grupo explorador e do explorado, e nem todas as desigualdades (e nem mesmo todas as desigualdades escandalosamente injustas) se encaixam no perfil.</p>
<p style="text-align: justify;">Por outro lado, porém, “exploração” é um conceito mais amplo do que “exploração de trabalhadores por capitalistas por meio de relações de emprego”. Senhores feudais exploravam servos, por exemplo. Quando Marx argumenta que a classe trabalhadora é sistematicamente explorada em <em>O Capital</em>, ele se apoia fortemente nessa analogia.</p>
<p style="text-align: justify;">Relações de exploração, em particular, serão importantes para a teorização social, em parte porque podem ser importantes para a compreensão e previsão da dinâmica das sociedades de classes. Grupos explorados e exploradores estão presos em relações de conflito, definidas por dependência assimétrica (os exploradores precisam das pessoas que estão explorando, mas não <em>o contrário</em>). A expectativa, pelo menos, é que os teóricos aprendam algo importante sobre quais são os interesses de um grupo, e quais estratégias estarão disponíveis para ele na busca desses interesses, uma vez discernindo se eles são exploradores, explorados ou oprimidos em formas que não envolvam exploração.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: justify;">Então, quais mecanismos podem nos ajudar a diferenciar desigualdades decorrentes da exploração (ou de qualquer tipo) de outras fontes de desigualdade (ou mesmo de outros tipos de opressão econômica)? O economista e pensador marxista analítico John Roemer propõe um teste de três partes em seu livro de 1996, <em>“Egalitarian Perspectives”. </em>Segundo Roemer, o grupo A explora o grupo B se, e somente se:</p>
<p style="text-align: justify;">(i) se B se retirasse da sociedade, levando sua quota per capita de propriedade alienável da sociedade (isto é, bens produzidos e não produzidos), e com seu próprio trabalho e habilidades, então B estaria melhor (em termos de renda e lazer) do que está na situação atual;</p>
<p style="text-align: justify;">(ii) se A se retirasse nas mesmas condições, então A estaria pior (em termos de rendimento e lazer) do que está atualmente;</p>
<p style="text-align: justify;">(iii) se B se retirasse da sociedade com as suas próprias posses (não a sua quota per capita), então A estaria pior do que está atualmente.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais tarde, em resposta a uma objeção feita por Erik Olin Wright, Roemer reforçou a condição (iii). A versão revisada é que:</p>
<p style="text-align: justify;">(iii) [a vantagem comparativa de A revelada em (i) e (ii) advém] “em virtude do trabalho” [de B]</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo isso pode ser inicialmente confuso, especialmente para leitores não familiarizados com a maneira de Roemer se expressar (que frequentemente combina elementos de sua formação acadêmica como economista com o jargão da filosofia analítica).</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-157795" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/104864510-topshot-palestinians-survey-the-destruction-following-an-israeli-military-raid-on-th-286721064.jpg" alt="" width="888" height="592" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/104864510-topshot-palestinians-survey-the-destruction-following-an-israeli-military-raid-on-th-286721064.jpg 888w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/104864510-topshot-palestinians-survey-the-destruction-following-an-israeli-military-raid-on-th-286721064-300x200.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/104864510-topshot-palestinians-survey-the-destruction-following-an-israeli-military-raid-on-th-286721064-768x512.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/104864510-topshot-palestinians-survey-the-destruction-following-an-israeli-military-raid-on-th-286721064-630x420.jpg 630w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/104864510-topshot-palestinians-survey-the-destruction-following-an-israeli-military-raid-on-th-286721064-640x427.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/104864510-topshot-palestinians-survey-the-destruction-following-an-israeli-military-raid-on-th-286721064-681x454.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 888px) 100vw, 888px" />Em primeiro lugar, Roemer obviamente sabe que as classes exploradas normalmente <em>não conseguem </em>se retirar da sociedade. Elas não se submeteriam à exploração se pudessem!</p>
<p style="text-align: justify;">Em segundo lugar, observe atentamente a parte “levando sua quota per capita”. Se os servos constituíssem, digamos, 90% da sociedade feudal, então os imaginamos de alguma forma “retirando-se” juntamente com 90% das terras aráveis, 90% dos arados, 90% dos alimentos já cultivados para que pudessem continuar a se sustentar enquanto aguardavam a chegada das próximas colheitas, e assim por diante.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez uma maneira mais clara de transmitir seu ponto de vista seria reformulando suas condições assim:</p>
<p style="text-align: justify;">(i) Se A desaparecesse amanhã, juntamente com a sua quota per capita de propriedade alienável da sociedade (isto é, bens produzidos e não produzidos), e com seu próprio trabalho e habilidades, então B estaria melhor (em termos de renda e lazer) do que está na situação atual;</p>
<p style="text-align: justify;">(ii) se B desaparecesse amanhã nas mesmas condições, então A estaria pior (em termos de rendimento e lazer) do que está atualmente;</p>
<p style="text-align: justify;">(iii) A posição melhor de A é resultado do trabalho de B.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta é uma definição totalmente adequada de exploração? Não responderemos essa questão aqui. No mínimo, porém, (i)-(iii) são condições plausivelmente <em>necessárias </em>para a exploração. Certamente, é difícil imaginar um exemplo claro de exploração que <em>não </em>preencha esses requisitos. Acreditamos também que a análise de Roemer ajuda a revelar algo importante sobre a dinâmica da opressão econômica no mundo ao nosso redor.</p>
<p style="text-align: justify;">Por exemplo, se a classe capitalista desaparecesse amanhã (juntamente com uma parcela dos recursos da sociedade correspondente não às suas posses atuais, mas à sua parcela da população), permitindo assim uma transição indolor para a propriedade coletiva da grande maioria dos meios de produção, a classe trabalhadora estaria em melhor situação. Se a classe trabalhadora desaparecesse amanhã, juntamente com <em>sua </em>parcela per capita, isso seria um cataclismo para a classe capitalista. Entretando, o mesmo não se aplica a todas as populações economicamente oprimidas. Se aquela população urbana “desempregada e sem-teto”, que mencionamos antes, desaparecesse magicamente amanhã, mesmo juntamente com os 0,2% dos meios de produção correspondentes à sua parcela da população, a reação de nossos senhores capitalistas seria o alívio de que um problema social foi resolvido sem dor. Raciocínios semelhantes se aplicam a populações que podem não estar vivendo nas ruas, mas precisam de apoio estatal porque deficiências cognitivas ou físicas graves as impedem de serem empregadas de forma costumeira pelos capitalistas.</p>
<p style="text-align: justify;">E exemplos ainda mais sombrios surgem quando deixamos de lado a situação interna estadounidense e passamos a pensar nas economias políticas de outras nações.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: justify;">Neste ponto é útil complementar a argumentação de Roemer com uma distinção proposta por Karl Marx no final de <em>O Capital</em>, Vol. 1, e expandida por Karl Kautsky. Marx encerra o volume com um capítulo sobre colônias, onde especifica que está falando apenas de colônias “verdadeiras”. Ele não desenvolve a distinção, mas Karl Kautsy a aborda em vários lugares, inclusive em seu livro de 1907, <a class="urlextern" title="https://www.marxists.org/archive/kautsky/1907/colonial/4-work.htm" href="https://www.marxists.org/archive/kautsky/1907/colonial/4-work.htm" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">&#8220;Socialism and Colonial Policy&#8221;</a> . Lá, ele escreve:</p>
<p style="text-align: justify;">“Se quisermos investigar a importância da política colonial para o desenvolvimento das forças produtivas da humanidade, há uma distinção clara que devemos fazer. Existem dois tipos de colônias tão diferentes quanto o fogo e a água. Quem as confunde, em vez de distingui-las claramente, jamais alcançará uma compreensão clara da questão colonial”.</p>
<p style="text-align: justify;">O primeiro tipo, que corresponde à fala de Marx sobre colônias “verdadeiras”, é a “colônia de trabalho”. A segunda é a “colônia de exploração”.</p>
<p style="text-align: justify;">“A colônia de trabalho é formada por membros das classes trabalhadoras da pátria mãe: artesãos, assalariados e, em particular, camponeses. Eles abandonam sua terra natal para escapar da pressão econômica ou política e fundar um novo lar, livre dessa pressão. Tal colônia se baseia em seu próprio trabalho, e não no trabalho de nativos subjugados.</p>
<p style="text-align: justify;">“Por outro lado, uma colônia de exploração é estabelecida por membros das classes exploradoras da pátria mãe, onde o saque não lhes foi suficiente, e que, portanto, aspiram a ampliar o campo de sua exploração. Eles vão para as colônias não para encontrar um novo lar, mas para abandonar a colônia quando já tiverem se aproveitado o suficiente dela; não para escapar da pressão interna, mas para se tornarem capazes de exercer uma pressão ainda maior na pátria. A utilidade econômica de tal colônia não reside no trabalho dos colonos, mas na pilhagem ou no trabalho forçado dos nativos”.</p>
<p style="text-align: justify;">Aproximadamente, essa é a distinção apontada por acadêmicos de esquerda que falam sobre um subconjunto específico de colonialismos como “colonialismo de assentamento”. Ele corresponde ao subconjunto de “colônias de trabalho” de Kautsky. Embora essa forma de colonialismo seja uma parte importante da história de muitas sociedades no mundo hoje (como os Estados Unidos), o único projeto de colonialismo de assentamento <em>em andamento </em>no mundo contemporâneo é Israel.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: justify;">Não concordamos necessariamente com as conclusões normativas de Kautsky, quando afirma sobre colônias de trabalho que, embora “deva-se muitas vezes condenar a maneira como os nativos são tratados”, a construção inicial de tais colônias não precisa necessariamente ser condenada “por princípio”. Também não concordamos com as frações da esquerda ativista que se agarraram mais pesadamente ao discurso sobre “colonialismo de assentamento” (e muitas vezes parecem sugerir que cada judeu israelense é um “colono” com menos conexão inata com a terra do que os palestinos, e que até mesmo nos piores casos flertam retoricamente com a insinuação de que seria justo se a direção da limpeza étnica fosse de alguma forma revertida para que pudéssemos “transformar Israel novamente na Palestina”). Fincaríamos nossa bandeira em princípios democráticos-igualitários básicos. A razão pela qual o sionismo é grotesco é precisamente porque <a class="urlextern" title="https://jacobin.com/2024/03/rights-ancestors-land-israel-palestine" href="https://jacobin.com/2024/03/rights-ancestors-land-israel-palestine" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">os direitos de ninguém devem depender de onde seus ancestrais viveram </a>, e nós aplicaríamos esse princípio de <a class="urlextern" title="https://benburgis.substack.com/p/marx-and-rawls-vs-nozick-and-the" href="https://benburgis.substack.com/p/marx-and-rawls-vs-nozick-and-the" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">uma forma amplamente universalista </a>. Não pode existir pessoa sem o direito de viver no país em que nasceu, ponto final. E a solução mais justa para o conflito israelense-palestino seria um único Estado democrático laico com direito de retorno para refugiados palestinos e direitos completamente iguais para judeus, palestinos, trabalhadores migrantes tailandeses e todos os demais. Mas essas questões normativas não têm a ver com a questão descritiva sobre se a distinção de Kautsky pode iluminar algo importante sobre a economia política dessa situação, a montante da realidade horripilante do primeiro genocídio transmitido ao vivo do mundo.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-157793 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/000_NIC2004051487972-4047632938.jpg" alt="" width="980" height="552" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/000_NIC2004051487972-4047632938.jpg 980w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/000_NIC2004051487972-4047632938-300x169.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/000_NIC2004051487972-4047632938-768x433.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/000_NIC2004051487972-4047632938-746x420.jpg 746w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/000_NIC2004051487972-4047632938-640x360.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/000_NIC2004051487972-4047632938-681x384.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 980px) 100vw, 980px" /></p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: justify;">Israel é frequentemente comparado à África do Sul do apartheid por antissionistas de esquerda. Um de nós <a class="urlextern" title="https://jacobin.com/2021/05/israel-palestine-right-to-exist-gaza" href="https://jacobin.com/2021/05/israel-palestine-right-to-exist-gaza" rel="ugc nofollow">escreveu </a><a class="urlextern" title="https://jacobin.com/2023/06/israelism-documentary-pro-apartheid-indoctrination-israeli-occupation-palestine" href="https://jacobin.com/2023/06/israelism-documentary-pro-apartheid-indoctrination-israeli-occupation-palestine" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">muitos </a><a class="urlextern" title="https://jacobin.com/2023/11/from-the-river-to-the-sea-palestine-equality-one-state-rashida-tlaib-censure" href="https://jacobin.com/2023/11/from-the-river-to-the-sea-palestine-equality-one-state-rashida-tlaib-censure" rel="ugc nofollow">artigos </a>que empregaram exatamente essa analogia, e continuamos a pensar que, em muitos aspectos, ela é adequada. Mas há uma diferença crucial entre os dois casos.</p>
<p style="text-align: justify;">Nem a República da África do Sul do final do século XX nem o Estado de Israel do século XXI são colônias no sentido literal. Ambos haviam conquistado a independência da Grã-Bretanha em meados do século XX. Mas, em ambos os casos, a elite econômica dentro do grupo étnico dominante seguiu uma política de controle sobre uma etnia subjugada, correspondendo estreitamente a dos dois tipos de colônia de Kautsky. A África do Sul funcionou como uma colônia de exploração, com as elites brancas dependendo da mão de obra explorada da classe trabalhadora negra. Israel sempre funcionou como uma colônia de trabalho, expulsando a força de trabalho palestina e tentando depender o máximo possível da classe trabalhadora judaica israelense.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo em Israel/Palestina, onde há aproximadamente o mesmo número de judeus e de palestinos (sem falar na África do Sul do apartheid, onde a população negra constituía uma grande maioria), os dois primeiros critérios de Roemer são verificados quando consideramos a relação entre a classe dominante branca/judaica e a maior parte da população negra/palestina. Se o grupo subjugado desaparecesse amanhã, <em>juntamente com sua quota per capita dos recursos da sociedade</em>, seria um desastre para os governantes, enquanto, <em>vice-versa</em>, melhoraria muito as perspectivas dessa população. Tudo isso é apenas uma maneira de dizer que os meios de produção estão distribuídos de forma desigual entre essas duas populações, e o grupo excluído é grande. (Da mesma forma, em um cenário distópico em que a automação chegasse ao ponto em que, digamos, 50% da população estadounidense estivesse desempregada e vivendo nas ruas, (i) e (ii) se aplicariam à relação entre esses ex-trabalhadores excedentes e a classe capitalista). Mas a diferença crucial é que (iii) se aplica ao caso sul-africano, mas não se aplica a Israel/Palestina. A fonte da desigualdade <em>não é, em grande parte, </em>o enriquecimento de israelenses ricos com o trabalho de palestinos.</p>
<p style="text-align: justify;">É por isso que, apesar de todas as brutalidades do apartheid sul-africano, o Estado sul-africano nunca intensificou sua opressão contra a população negra ao nível de frenesi genocida que vemos todos os dias em relatos de Gaza. Nunca passaram pelos bantustões bombardeando todas as igrejas, todas as escolas, todos os prédios de apartamentos e todos os hospitais, de modo que as imagens aéreas da devastação “cada vez mais parecem a superfície da lua”, como um de nós <a class="urlextern" title="https://jacobin.com/2025/08/democrats-bernie-netanyahu-zionism-apartheid" href="https://jacobin.com/2025/08/democrats-bernie-netanyahu-zionism-apartheid" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">escreveu em outro lugar neste fim de semana </a>sobre Gaza. Nunca houve pesquisas em que a maioria dos sul-africanos brancos apoiasse a remoção forçada de todos os negros do país. O presidente sul-africano P. W. Botha nunca engendrou uma fome que produzisse imagens que lembrassem Auschwitz, numa tentativa de pressionar a população negra a simplesmente abandonar o país aos milhões e deixá-lo para os brancos.</p>
<p style="text-align: justify;">O colega de Roemer, Erik Olin Wright, expôs o ponto de forma contundente em seu livro <em>Class Counts</em>. “Não foi por acaso”, escreveu ele, que a cultura estadounidense historicamente incluiu “o ditado abominável: &#8216;O único índio bom é um índio morto&#8217;, mas não &#8216;o único trabalhador bom é um trabalhador morto&#8217; ou &#8216;o único escravo bom é um escravo morto&#8217;”.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse é um exemplo particularmente marcante da importância explicativa e preditiva de compreender quais relações sociais se baseiam (ou não) na exploração. E o resultado normativo é chocante.</p>
<p style="text-align: justify;">A exploração econômica é profundamente questionável em si mesma e, dependendo das particularidades locais, pode levar a resultados como fábricas clandestinas ou violentas repressões a greves; ou até mesmo horrores como o incêndio da Triangle Shirtwaist ou o desabamento do Rana Plaza em Bangladesh. Como socialistas, construir um mundo livre de exploração é o <em>telos definidor </em>de nossa política. Mas, enquanto vivermos em uma sociedade de classes, isso está longe de ser o pior destino que pode recair sobre populações economicamente oprimidas.</p>
<p style="text-align: justify;">Transformar Israel de um etnoestado excludente em uma democracia liberal normal (ou seja, implementar uma “solução de um Estado”) significaria, até que o próprio capitalismo seja superado, integrar os palestinos às estruturas normais de exploração capitalista. E por pior que isso possa ser, a ironia sombria da situação é que, neste caso, transformar sua forma de opressão em exploração não seria apenas uma melhoria, mas um imperativo moral urgente.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Traduzido por Leo Vinicius a partir do original: </em><a class="urlextern" title="https://benburgis.substack.com/p/john-roemer-karl-kautsy-and-the-political" href="https://benburgis.substack.com/p/john-roemer-karl-kautsy-and-the-political" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://benburgis.substack.com/p/john-roemer-karl-kautsy-and-the-political</a></p>
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		<title>A report of the pro-Palestinian demonstrations in Italy</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/10/157767/</link>
					<comments>https://passapalavra.info/2025/10/157767/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Oct 2025 16:00:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Traduções]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Greves]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
		<category><![CDATA[Itália]]></category>
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					<description><![CDATA[ Perhaps the Palestinian issue has become the unifying theme of a set of diffuse social dissatisfaction. By Pérez Gallo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;"><a href="https://passapalavra.info/2025/09/157669/" target="_blank" rel="noopener">By Pérez Gallo</a></h3>
<p style="text-align: justify;">I took part, somewhat by chance, in the demonstration in Milan on September 22, which had wide international repercussions due to the violent clashes with the police that took place at the entrance to the Central Railway Station. I was in Germany during the previous week, where I was attending an academic event and, being originally from Italy, I decided to extend my trip a few more days in Milan, to visit friends and family. I arrived on the evening of Friday, the 19th, and it soon seemed to me that the mood was different from the usual &#8211; more tense, in expectation. The Palestinian genocide, in fact, is a powerful theme in the Italian debate, either because of the presence of an important Arab and Palestinian community in the territory or because of the geographical and geopolitical proximity. But also &#8211; I believe &#8211; because hopes have converged in recent years on the Palestinian issue for the resumption of some movement after more than a decade of ebb and flow of struggles. The retreat that in Milan feels even stronger: a city completely dominated by <em>gentrification</em> and real estate speculation, by the great fashion events and gourmet food fairs, by the increase in urban transport and an economic rhythm (and exploitation) in full swing. And where, for a long time, social struggles have been something kind of absent from the horizon of urban life.</p>
<p style="text-align: justify;">On the 19th, just as I was returning from the airport, there was a small demonstration and work stoppage organized by the CGIL, the largest trade union confederation, in solidarity with Gaza. Contrary to what one might think, the CGIL decision was not the brave choice to organize a political strike, but the cowardly attempt to recover the struggle, advancing the strike that had already been scheduled for the 22nd by the grassroots unions USB, Cobas, ADL Cobas, CUB, SGB, under the impulse of the Genoa Port Workers collective. The idea would be to make a stoppage of only two hours, on a Friday afternoon, and not adhere to — and in this way weaken — the other strike scheduled for the whole Monday (a day in which a blockade would do much more damage). The maneuver, apparently, did not work out. Throughout the weekend, people around me — even many of my acquaintances who hadn&#8217;t participated in a demonstration in 15 years &#8211; kept talking about the upcoming event on the 22nd. Rain was forecast, and this raised some doubts about the success of the mobilization.</p>
<p style="text-align: justify;">On Monday morning, in fact, the rain was intense and constant. Despite this, when I arrived in Piazza Cadorna a little before the scheduled time for the concentration, you could tell that the demonstration would be huge. Thousands of people were gathering there under umbrellas, to the point that when the front of the demonstration began to move, people were still arriving in the square. The demonstration, with more than 50,000 people, marched in a confused way for almost 5 kilometres to the Central Station, not before making a detour to pass in front of the United States Consulate, where the flags of the United States, Israel, the European Union and NATO were burned. What surprised me, perhaps because I had been away from Italian protests for many years, was its political composition, that is, not the division into blocks organized by the entities and the social centers, but rather a long heterogeneous and indefinite human serpent, all behind a single sound truck of the USB union, in which the social composition was mixed: students and retirees, Arab immigrants, young secondary school students from the periphery and families with children, workers and middle class, and here and there small groups that made some specific intervention, such as a group of fanfare or healthcare workers under the banner of “healthcare workers for Gaza”. In general, it also seemed to me a not-so-loud demonstration, almost silent at times, as if the lack of a sound speaker left more room for the atrocious emptiness of the moment we are living in.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DO6jl2KDJNA/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p>&nbsp;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DO6jl2KDJNA/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by MIM (@milanoinmovimento)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script><em><strong>Milan demonstration seen from above.</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">When we arrived, around 1 p.m., in the Central Station Square, the general feeling was one of strangeness: the demonstration seemed to be over, but we had not yet blocked anything, while news arrived of occupations of stations, highways, and ports in other cities. The police had a huge contingent lined up for the defence of the station, and it seemed crazy to try to challenge them, apart from the fact that no group seemed to be organised for such. Little by little, however, frustrations and expectations were leading a group of people down the stairs of the subway, from where they would have a passage to the station by underground. Just below, however, was another police contingent. The pressure was building until we managed to get to the bottom of the station thanks to a lot of shouting and some pushing. From there, however, to occupy the tracks, we had to go up to another floor by an escalator, above which the confrontation began, and continued through the glass doors of the station hall, defended by the police and destroyed by the protesters. Finally, the police began throwing tear gas canisters, many at face height. The battle lasted an hour and a half inside the station, plus a couple of hours in via Vittor Pisani, the large avenue outside the station, with the police advancing and the crowd resisting, without retreating, throwing stones and other objects. Although it did not reach the tracks, for a long time the station was closed, with the trains, already accumulating delays of more than two hours due to the strike, stopping for some time instead of passing through the station. From what I read afterwards, the participation in the most heated clashes was of a thousand people, with as many supporting from the outside. The toll was 60 police officers injured, with 24 hospitalised, 11 protesters detained (including two minors), and about ten taken away by ambulance. I was really surprised by the disposition of the crowd: I do not remember, since I was a teenager, a demonstration with such lengthy and at the same time unprepared confrontations. In the past, the most common were “performative” confrontations of the crowd from the ex <em>tute bianche</em>, with a little melee from the first lines with the police to have a photo in the media and then retreat, or moments of a more planned <em>riot</em>, with burning of cars during the demonstration by a smaller group but completely disconnected with the general feeling of the crowd, as occurred in the large “No Expo” demonstration of May 1, 2015. From there, the desert.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DO6hXCqAP2w/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p>&nbsp;</p>
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<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DO6hXCqAP2w/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by Federação Árabe Palestina (@fepal_brasil)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script><em><strong>Videos of the confrontation</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">If Milan, due to its violent outcome, was the centre of the news and images that passed through the media and social networks — and obviously echoed by Prime Minister Giorgia Meloni, who at no time attacked the Israeli barbarism in Gaza with the same harshness that she dedicated to the “Milan vandals” —, in the rest of Italy the struggles were also giant. According to the union USB, more than 1 million people in 84 cities participated in the demonstrations.</p>
<p style="text-align: justify;">In Rome, 200 to 300 thousand people marched for 8 hours, for 10 kilometres, through the streets surrounding the Termini Station (the largest in the city), causing a momentary blockade of rail traffic, and occupying the university campus of La Sapienza and the Eastern Ring Road for hours in both directions. There, many drivers stopped in traffic didn&#8217;t react with anger but with applause, horns, and demonstrations of complicity.</p>
<p><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/NnNe1MzD2_4?si=8egqsDkgr8mFK5L3" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Drivers&#8217; support for the demonstration</strong></em></p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DO51pJfjNPJ/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p>&nbsp;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DO51pJfjNPJ/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by Welcome to Favelas (@welcometofavelas)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script><em><strong>Demonstration in Rome seen from above</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Another huge demonstration happened in Bologna, with 50,000 people filling the streets of the centre to later occupy the Ring Road, where there was a police crackdown with four people arrested.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/DO5i_llCCTG/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p>&nbsp;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/p/DO5i_llCCTG/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by HubAut Bologna (@hubautbologna)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script><em><strong>Demonstration in Bologna</strong></em></p>
<p><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/6dD2wHPrU-c?si=_4tH6CwGyNZZv0ZJ" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Clashes on the Ring Road in Bologna</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Demonstrations with 15 to 20 thousand people also took place in Naples and Turin (where the railway station was occupied); Genoa (with the occupation of the port); and in Venice, where the social centres of the Northeast blockaded Porto Marghera and had clashes with the police, who made use of water jets.</p>
<p><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/HhCYfSOTMdQ?si=wvIlGmwayluEcGh3" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Venice</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Other clashes and arrests took place in Brescia as 10,000 protesters attempted to occupy the railway station after blocking the city&#8217;s Metro, while a similar number of people paraded in Palermo, Florence, and Pisa. In the latter city, protesters managed to block the bus station, the train station and even the Firenze-Pisa-Livorno Highway. Five thousand people took to the streets in southern cities such as Cagliari, Catania, and Bari. There were also blockades and disruptions at other major port terminals such as those in Trieste, Ravenna, Ancona, Civitavecchia and Salerno. In Livorno, the blockade of the Valessini terminal turned into a permanent protest aimed at the next day, when the passage of a US cargo ship bound for Israel was expected.</p>
<p style="text-align: justify;">As a whole, the journey was undoubtedly successful and surprising. Surprisingly, in the first place, because Italy had stayed away from the last cycles of global upheavals. Social movements are totally fragmented, and what has prevailed among comrades in recent years is a constant sense of disillusionment and impotence, feelings heightened in recent times by the rise of a far-right government. Since the beginning of the genocide in Palestine, the occupations on university campuses have shown a certain reactivation of the youth composition, certainly dominant also in the demonstrations of Monday, but extremely reduced in demographic terms in what is the second-oldest country in the world. At the same time, under the impetus of the small Palestinian youth organisation, protests in solidarity with Gaza have acquired a certain frequency, becoming, in the case of Milan, even weekly, with some small demonstrations that take place every Saturday. Possibly, the departure of the global Sumud Flotilla must have given some inspiration, as well as the French “let&#8217;s block everything” movement that has emerged in recent weeks against Macron&#8217;s policies. Perhaps the outrage has crossed some threshold with the escalation of the “final solution” to the Palestinian Holocaust set in motion by Israel in recent months. Perhaps the Palestinian issue has become the unifying theme of a set of diffuse social dissatisfaction. Maybe it is, today, <a class="urlextern" title="https://ilmanifesto.it/palestina-e-il-nome-del-nostro-scontento" href="https://ilmanifesto.it/palestina-e-il-nome-del-nostro-scontento" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">“the name of our discontent”</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">The demonstrations were undoubtedly successful, but above all, the strategic choice to block the main communication routes. Very quickly, from the blockades of the docks of the ships loaded with weapons and ammunition to directly supply the Israeli army, the understanding came that all the logistics of war are inseparable from the logistics of global capitalism in this destructive stage. If the bottlenecks of transport and communications of goods and people make up the material skeleton of the global economy, the understanding arose that it is from there that it would perhaps be possible to exercise some kind of “counterpower” to fascist barbarism.</p>
<p style="text-align: justify;">Less successful, however, was the result of the stoppage in the strict sense. Faced with the convergence between the obvious difficulties of carrying out a “political” strike (in fact, this was the first experience since the genocide in Gaza began) and the cowardice of the CGIL and the other major trade union confederations, which has hegemony of affiliates in production and public employment, the participation rate seems to have been <a class="urlextern" title="https://www.tag24.it/1353021-dati-adesione-sciopero-generale-per-gaza-22-settembre-la-percentuale" href="https://ilmanifesto.it/palestina-e-il-nome-del-nostro-scontento" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">below 10%</a> in many sectors, with probable exceptions in the public education sector and in some sectors of the circulation, which in some cities joined en masse. This opens up many questions about whether it is possible to paralyse economic life without the mass participation of the organised working class, but manage to hit the main bottlenecks of the global economy. At a time when wage pressure, unemployment, blackmail in the workplace, job insecurity and coward union leaders make it more difficult to effectively exercise the instrument of the strike, to what extent can a very effective revolt itself become a form of general stoppage?</p>
<p style="text-align: justify;">But the main question, here and now, is whether this new movement will have the strength and the capacity to move forward, to grow, to put in crisis a Meloni government that so far still sails with some degree of consensus, and above all to spill over to other countries to make a real contribution to ending the ongoing genocide. As announced by the Genoa Port Workers collective, the current strike was launched as a rehearsal for the moment when there would be some kind of aggression against the Global Sumud Flotilla, which is approaching the Gaza Strip. If this happens, the dock workers have already threatened that they will not carry “not even a nail” and would stop “the whole of Europe”. Time will tell. For now, we are left with the feeling that, for once, we have raised our heads, we have overcome resignation. Maybe it&#8217;s just a flash, a feeling that, together in the streets, we can still feel alive. That we can still shout, even if it makes almost no sense given the level of the present tragedy, that “the peoples in revolt write their history, intifada until victory!”</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://passapalavra.info/2025/10/157767/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Israel está realizando um holocausto em Gaza. A desnazificação é o nosso único remédio</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/10/157759/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Aníbal]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 04 Oct 2025 11:06:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Palestina]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=157759</guid>

					<description><![CDATA[ A mortal etno-supremacia inerente à sociedade israelense é mais profunda do que Netanyahu, Ben Gvir e Smotrich. Ela deve ser enfrentada em sua raiz. Por Orly Noy ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Orly Noy</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">A cidade de Gaza está envolta em chamas, enquanto o exército israelense embarca em sua ofensiva terrestre há muito ameaçada, após semanas de bombardeios implacáveis. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, já enfrentando um mandado de prisão internacional por suspeita de crimes contra a humanidade, descreveu este último ataque como uma “operação intensificada”. Peço que assistam às imagens transmitidas de Gaza e entendam o que esse eufemismo realmente significa.</p>
<p style="text-align: justify;">Olhe nos olhos de pessoas tomadas por um terror incomparável, mesmo nos momentos mais sombrios deste genocídio de dois anos. Veja as fileiras de crianças cobertas de cinzas, deitadas no chão encharcado de sangue do que antes era um centro médico — algumas quase mortas, outras gemendo de dor e medo — enquanto mãos desesperadas tentam confortá-las ou tratá-las com os suprimentos médicos que restam. Ouça os gritos de famílias fugindo sem ter para onde correr. Testemunhe pais vasculhando o inferno em busca de seus filhos; membros projetando-se sob os escombros; um paramédico embalando uma menina imóvel, implorando para que ela abrisse os olhos, em vão.</p>
<p style="text-align: justify;">O que Israel está fazendo na cidade de Gaza não é o trágico subproduto de eventos caóticos no local, mas um ato bem calculado de aniquilação, executado a sangue frio pelo “exército do povo” — isto é, os pais, filhos, irmãos e vizinhos de nós, israelenses.</p>
<p style="text-align: justify;">Como é possível que, apesar dos crescentes testemunhos dos campos de concentração e extermínio de Gaza, nenhum movimento de recusa em massa tenha se enraizado em Israel? Que, após dois anos dessa carnificina, apenas um punhado de objetores de consciência esteja preso é de fato inconcebível. Mesmo os chamados “recusadores cinzas” — soldados da reserva que não se opõem à guerra por motivos ideológicos, mas estão simplesmente exaustos e questionando seu propósito — continuam sendo muito poucos para desacelerar a máquina de matar, quanto mais para detê-la.</p>
<p style="text-align: justify;">Quem são essas almas obedientes que mantêm esse sistema funcionando? Como pode uma sociedade tão profundamente fragmentada — entre religiosos e seculares, colonos e liberais, kibutzniks e urbanitas, imigrantes veteranos e recém-chegados — unir-se apenas em sua disposição de massacrar palestinos sem hesitação?</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-157760 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/Screenshot-2025-10-03-at-09-40-17-Tayseer-Barakat-Exile-No.-2-1988.png" alt="Israel está realizando um Holocausto em Gaza" width="493" height="643" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/Screenshot-2025-10-03-at-09-40-17-Tayseer-Barakat-Exile-No.-2-1988.png 493w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/Screenshot-2025-10-03-at-09-40-17-Tayseer-Barakat-Exile-No.-2-1988-230x300.png 230w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/Screenshot-2025-10-03-at-09-40-17-Tayseer-Barakat-Exile-No.-2-1988-322x420.png 322w" sizes="auto, (max-width: 493px) 100vw, 493px" /></p>
<p style="text-align: justify;">Nos últimos 23 meses, a sociedade israelense teceu uma teia interminável de mentiras para justificar e possibilitar a destruição de Gaza — não apenas para o mundo, mas, acima de tudo, para si mesma. A principal delas é a alegação de que reféns só podem ser libertados por meio de pressão militar. No entanto, aqueles que cumprem as ordens do exército, causando mortes em massa em Gaza, o fazem sabendo muito bem que podem estar matando os reféns nesse processo. O bombardeio indiscriminado de hospitais, escolas e bairros residenciais, somado a esse desrespeito pelas vidas dos israelenses mantidos em cativeiro, comprova o verdadeiro objetivo da guerra: a aniquilação total da população civil de Gaza.</p>
<p style="text-align: justify;">Israel está desencadeando um holocausto em Gaza, e isso não pode ser tratado como mera vontade dos atuais líderes fascistas do país. Esse horror vai além de Netanyahu, Ben Gvir e Smotrich. O que estamos testemunhando é o estágio final da nazificação da sociedade israelense.</p>
<p style="text-align: justify;">A tarefa urgente agora é pôr fim a este holocausto. Mas pará-lo é apenas o primeiro passo. Se a sociedade israelense quiser algum dia retornar ao seio da humanidade, ela precisa passar por um profundo processo de desnazificação.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim que a poeira da morte baixar, teremos que refazer nossos passos de volta à Nakba, às expulsões em massa, aos massacres, às apreensões de terras, às leis raciais e à ideologia de inerente supremacia que normalizou o desprezo pelos povos nativos desta terra e o roubo de suas vidas, propriedades, dignidade e do futuro de seus filhos. Somente confrontando esse mecanismo mortal inerente à nossa sociedade poderemos começar a erradicá-lo.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse processo de desnazificação deve começar agora, e começa com a recusa. Recusa não apenas de participar ativamente da destruição de Gaza, mas também de vestir o uniforme — independentemente da patente ou função. Recusa de permanecer ignorante. Recusa de ser cego. Recusa de ficar em silêncio. Para os pais, é um dever necessário proteger a próxima geração de se tornar perpetradora de crimes de guerra e crimes contra a humanidade.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-157761 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/Screenshot-2025-10-03-at-09-42-20-Tayseer-Barakat-Exile-No.-1-1988.png" alt="Israel está realizando um Holocausto em Gaza" width="444" height="643" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/Screenshot-2025-10-03-at-09-42-20-Tayseer-Barakat-Exile-No.-1-1988.png 444w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/Screenshot-2025-10-03-at-09-42-20-Tayseer-Barakat-Exile-No.-1-1988-207x300.png 207w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/10/Screenshot-2025-10-03-at-09-42-20-Tayseer-Barakat-Exile-No.-1-1988-290x420.png 290w" sizes="auto, (max-width: 444px) 100vw, 444px" /></p>
<p style="text-align: justify;">A desnazificação também deve incluir o reconhecimento de que o que foi feito não pode permanecer. Não bastará simplesmente substituir o governo atual. Devemos abandonar o mito do caráter “judaico e democrático” de Israel — um paradoxo cujo punho de ferro ajudou a pavimentar o caminho para a catástrofe em que estamos agora imersos.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse engano deve terminar com o claro reconhecimento de que só restam dois caminhos: ou um Estado judeu, messiânico e genocida, ou um Estado verdadeiramente democrático para todos os seus cidadãos.</p>
<p style="text-align: justify;">O holocausto de Gaza foi possível graças à adoção da lógica etnosupremacista inerente ao sionismo. Portanto, é preciso dizer claramente: o sionismo, em todas as suas formas, não pode ser limpo da mancha deste crime. Isso tem que acabar.</p>
<p style="text-align: justify;">A desnazificação será longa e abrangente, afetando todos os aspectos da nossa vida coletiva. Provavelmente sacrificaremos mais gerações — tanto vítimas quanto perpetradores — antes que esse flagelo seja completamente erradicado. Mas o processo deve começar agora, com a recusa em cometer os horrores que ocorrem diariamente em Gaza e a recusa em deixá-los passar como normais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Orly Noy é editora da Local Call, ativista política e tradutora de poesia e prosa em farsi. Ela preside o conselho executivo do B&#8217;Tselem e é ativista do partido político Balad. Seus escritos abordam as linhas que se cruzam e definem sua identidade como Mizrahi, uma esquerdista, uma mulher, uma migrante temporária vivendo dentro de uma imigrante perpétua, e o diálogo constante entre elas.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Publicado originalmente em 18 de setembro de 2025 aqui: <a class="urlextern" title="https://www.972mag.com/israel-holocaust-gaza-denazification/" href="https://www.972mag.com/israel-holocaust-gaza-denazification/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://www.972mag.com/israel-holocaust-gaza-denazification/</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><em>As artes que ilustram o texto são da autoria de Tayseer Barakat (1959-).</em></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Um manifesto incómodo. 6</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/09/157154/</link>
					<comments>https://passapalavra.info/2025/09/157154/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Edinilson]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Sep 2025 07:13:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ideias & Debates]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Extrema_esquerda]]></category>
		<category><![CDATA[Fascismo]]></category>
		<category><![CDATA[Identitarismo]]></category>
		<category><![CDATA[Marxismo]]></category>
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					<description><![CDATA[Cada identitarismo é um Israel em potência. Por João Bernardo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por João Bernardo</h3>
<p style="text-align: center;"><strong>6</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Para o marxismo, a função histórica atribuída à classe trabalhadora não seria apenas derrotar os capitalistas e acabar com o capitalismo, mas, nesse mesmo gesto, pôr termo à sua própria existência como classe trabalhadora e instaurar uma sociedade sem classes. O objectivo final da revolução seria a fundação de uma humanidade. Esta missão foi retomada, com nova força e mais lirismo, pelo movimento autonomista internacional desenvolvido ao longo da década de 1960 e na primeira metade da década seguinte. Ora, quando esse movimento revolucionário se desagregou, desapareceu com ele a noção de uma humanidade susceptível de obedecer a uma mesma História e regida pelos mesmos modelos gerais ou, pior ainda, extinguiu-se a aspiração a fundar uma humanidade. Ficou assim liquidada a possibilidade de desenvolver uma História comparada, mas isto, ou se é um historiador, ou seriam necessárias cem páginas para explicar.</p>
<p style="text-align: justify;">O fraccionamento tornou-se o único horizonte possível, e foi neste contexto que surgiram os identitarismos, porque numa economia e numa sociedade transnacionalizadas já não são suficientes as velhas divisões nacionais. Gosto de citar um texto de Paul Valéry. «A História é o produto mais perigoso que a química do cérebro elaborou. As suas propriedades são bem conhecidas. Faz sonhar, embriaga os povos, gera-lhes falsas memórias, exagera-lhes os reflexos, nutre-lhes as velhas mágoas, atormenta-os no repouso, condu-los ao delírio das grandezas ou ao da perseguição e torna as nações amargas, arrogantes, insuportáveis e vaidosas». Valéry afirmou isto em 1931, quando os nacionalismos chegavam ao auge e em poucos anos iriam precipitar uma guerra mundial. Mas as palavras que o escritor empregou para caracterizar os nacionalismos podem ser aplicadas, sem nenhuma mudança ou adaptação, aos identitarismos dos nossos dias, e isto confere-lhes uma dupla lucidez, porque servem também para mostrar que, apesar da transnacionalização, os novos identitarismos são tão perversos como os velhos nacionalismos.</p>
<p style="text-align: justify;">Já o disse a propósito do terceiro mundo e da ecologia e repito-o agora, os antifascistas lucrariam bastante se lessem os livros e artigos e discursos escritos por fascistas. Muitos desses antifascistas, se não a maior parte, poderiam descobrir que são fascistas, quando gostariam de não o ser. E todos nós beneficiaríamos, porque a situação ficava menos confusa.</p>
<p style="text-align: justify;">A característica mais flagrante dos identitarismos é o recurso a uma forma de racismo específica do nacional-socialismo germânico — a circulação entre biologia e ideologia e inversamente. Um dos sentidos do percurso é, sem dúvida, comum a todos os tipos de racismo. Admitir que a biologia, entendida como raças, gere padrões específicos de ideologia é uma crença corrente pelo menos desde Herder e o romantismo, com a noção de <em>Volksgeist</em>, o espírito de um povo, e com a persistente confusão entre comunidade linguística e comunidade racial. Numa forma banalizada inspira o racismo corrente, que classifica umas raças como estúpidas ou perversas e outras como inteligentes ou honestas. Assim, o que destacou o tipo de racismo assumido pelo nacional-socialismo germânico e lhe deu originalidade foi o sentido inverso do percurso, da ideologia para a biologia.</p>
<p style="text-align: justify;">É necessário introduzir aqui um personagem. Nascido na Inglaterra, Houston Stewart Chamberlain adoptara a cultura germânica, tornara-se um influente amigo do imperador e, casando-se com a filha de Wagner, neta de Liszt, passara a encabeçar a principal dinastia da cultura alemã. Durante a primeira guerra mundial Chamberlain renunciou à cidadania britânica e adoptou escandalosamente a nacionalidade alemã. Alfred Rosenberg, o mais importante ideólogo e místico do Terceiro Reich, incluiu Chamberlain entre os quatro únicos precursores intelectuais do nacional-socialismo e, com efeito, ele exerceu uma grande influência sobre Hitler, não só ideológica, mas pessoal.</p>
<p style="text-align: justify;">Ora, por um lado Chamberlain considerava que «a configuração da cabeça e a estrutura do cérebro exercem sobre a configuração e a estrutura dos pensamentos uma influência perfeitamente decisiva». Porém, depois de admitir que, «relativamente à raça», as ideias «são sem dúvida uma <em>consequência</em>», Chamberlain preveniu. «Mas tenhamos o cuidado de não subestimar o contributo desta anatomia interior e invisível — desta dolicocefalia ou desta braquicefalia puramente espirituais — que age como <em>causa</em> e tem um âmbito de acção muitíssimo vasto». Afinal, «aquilo que designamos pela palavra “raça” é, dentro de certos limites, um fenómeno plástico, e assim como o físico reage sobre o intelectual, o intelectual reage do mesmo modo sobre o físico». Portanto, concluiu Chamberlain, «nada nos impediria de afirmar algo aparentemente paradoxal, que os homens baixos deste grupo [os germanos] são grandes porque pertencem a uma raça de pessoas altas, e pelo mesmo motivo os seus braquicéfalos têm crânios alongados. Observando com mais atenção, depressa distinguireis, tanto no seu aspecto físico como no seu ser íntimo, os traços característicos do Germano».</p>
<p style="text-align: justify;">Na sequência destas lições, Rudolf Steiner — esse mesmo, o criador da antroposofia e inventor da agricultura biodinâmica, depois crismada de orgânica — afirmou que se uma mulher branca lesse durante a gravidez romances escritos por autores negros, a criança sairia mestiça. Compreende-se assim que ainda no primeiro ano da sua ditadura Hitler, a propósito dos nórdicos, tivesse podido evocar «aqueles que pertencem em espírito a uma certa raça» e muito mais tarde, nos derradeiros dias do seu Reich, Hitler ainda insistia. «Falamos de raça judaica por comodidade de linguagem, porque, para falar com exactidão e sob o ponto de vista genético, não existe uma raça judaica. […] A raça judaica é antes de mais uma raça mental. […] Uma raça mental é algo mais sólido e duradouro do que uma simples raça». Esta nunca deixou de ser a doutrina oficial, e já o geneticista Fritz Lenz, um dos mais influentes cientistas raciais do Terceiro Reich, considerara que «poderíamos, na verdade, classificar os judeus como uma raça espiritual». Em suma, a complementaridade entre a passagem do biológico ao ideológico e a construção, a partir da ideologia, de uma outra biologia espiritual caracterizaram o racismo nacional-socialista.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo isto pode parecer-nos delirante, e sem dúvida que o é, mas não é menor a alucinação daqueles identitários representados pela longa série ilimitada de letras, quando estabelecem uma clivagem entre o sexo, entendido como biológico, e o género, supostamente resultante de opções ideológicas. Existem decerto muitas pessoas cuja opção de género difere do sexo e que, no entanto, não pretendem por isso alterar mentalmente a sua biologia. São, porém, cada vez mais frequentes os identitários que admitindo, por um lado, a noção corrente de que um dado sexo defina uma dada orientação sexual, ao mesmo tempo, e em sentido inverso, sustentam que uma dada propensão sexual possa redefinir o sexo, ou seja, que uma opção no plano da ideologia altere a biologia. Esta noção, que se afigura tão extravagante quando a vemos defendida pelos nacionais-socialistas, tornou-se hoje comum e oficiosa, se não mesmo oficial, ao ser proclamada pelos identitários.</p>
<p style="text-align: justify;">As culturas são feitas de estereótipos e os estilos também, pois onde estaríamos nós se a cada passo tivéssemos de inventar tudo de novo! Na circularidade suposta pelo racismo nacional-socialista e aceite pelos identitarismos de género, as deduções dos géneros a partir dos sexos são indispensáveis para escolher a máscara que se pretende usar no percurso inverso. Assim, os <em>clichés</em> masculinos ou femininos compõem o disfarce a que um género recorre se quiser adoptar o sexo oposto, e a farsa pode chegar mais longe e usar a cirurgia plástica para alterar a aparência exterior do próprio corpo. E como hoje nada resiste à indústria cultural, o botox é a banalização do trans. Mas tudo pára nesse plano das aparências, porque a biologia íntima permanece a mesma e só idealmente é assumida como outra. Deste modo as próstatas e os ovários espirituais emparceiram com os crânios braquicéfalos e dolicocéfalos espirituais num absurdo museu de anatomia ideológica.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa insensata circularidade não se circunscreve às acrobacias entre género e sexo, porque nos movimentos negros não faltam insultos para designar a pessoa negra que escolher a companhia sentimental de uma pessoa branca, considerando-a negra por fora mas branca por dentro. E assim uma preferência sexual assumida no plano da ideologia provocaria uma perda de melanina, com a consequente nova biologia espiritual. Sem esquecer que esta alquimia biológica tem consequências muito palpáveis, como demonstra o ostracismo de que essas pessoas são vítimas.</p>
<p style="text-align: justify;">Ora, tanto na versão nacional-socialista como na versão identitária, a circularidade entre a biologia e a ideologia e inversamente exige um padrão de comparação, que é sempre um objecto de repulsa. Se num sentido a ideologia é deduzida da biologia, no outro sentido supõe-se a intervenção de uma escolha ideológica para definir uma nova biologia espiritual, e esta escolha assume-se como recusa de um dado padrão. Mesmo as identidades que não resultem da pretensa clivagem entre sexo e género, como o feminismo ou as identidades étnicas, apresentadas como raciais, implicam a existência de um objecto de repulsa. Se adicionarmos os objectos de repulsa de todas as identidades, ou melhor, se os fundirmos, personificamos o resultado num só personagem — caracterizado pelo lugar de nascimento, pelo sexo e pelo tipo de propensão sexual, e pela cor da pele. Se para os nacionais-socialistas a aversão incidia nos judeus, classificados como anti-raça, por analogia posso designar como anti-identidade o objecto de repulsa dos identitários. Não é difícil adivinhar. A anti-identidade global, que funde todas as anti-identidades particulares, é hoje o homem branco, europeu e heterossexual.</p>
<p style="text-align: justify;">De imediato, a existência de uma anti-identidade serve de justificação para todas as identidades em conjunto. Perante a crítica de que a proliferação de identidades — tanto mais perturbante quanto a lista apresenta um sinal + no fim provisório — impede a aspiração a fundar uma humanidade, é imediata a resposta de que essa seria uma noção eurocêntrica, com as conotações negativas que lhe estão associadas. Se as lutas dos trabalhadores pela superação do capitalismo começaram na Europa, o único lugar onde o capitalismo então se desenvolvia, e se foi europeia a primeira grande revolução internacionalista, que tentou realizar na prática a ambição de construir uma humanidade efectiva, então os identitarismos legitimam-se ao se proclamarem inimigos do eurocentrismo. As conquistas dos trabalhadores e de todas as forças progressistas na Europa são agora repudiadas como eurocêntricas.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-157193 size-large" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/Stanczak-3x-1024x883.jpg" alt="" width="640" height="552" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/Stanczak-3x-1024x883.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/Stanczak-3x-300x259.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/Stanczak-3x-768x662.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/Stanczak-3x-487x420.jpg 487w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/Stanczak-3x-640x552.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/Stanczak-3x-681x587.jpg 681w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/Stanczak-3x.jpg 1043w" sizes="auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px" />Mas a relação dos identitarismos com a anti-identidade é mais perversa do que uma simples oposição. Com o objectivo de minar por dentro a anti-identidade e assim a paralisar, cada um dos identitarismos usa toda a panóplia da propaganda para lhe instilar um complexo de culpa. Não existe hoje praticamente nada, desde as redes sociais até aos programas escolares, desde a publicidade até ao cinema — se é que agora estas duas formas se podem distinguir — desde a literatura até ao que ainda se chama música, que não tenha como objectivo, exclusivo ou acessório, a infiltração do complexo de culpa na anti-identidade. E daí? As coisas medem-se pelos resultados, e o ascendente adquirido pelo Estado de Israel é a demonstração mais patente dos efeitos de uma manipulação persistente e hábil do complexo de culpa. Sem as perseguições aos judeus e, acima de tudo, sem o extermínio dos judeus planificado pelo Terceiro Reich, o Estado de Israel não teria conseguido incutir a todo o mundo um complexo de culpa que lhe permite hoje identificar anti-sionismo com anti-semitismo e não teria, assim, neutralizado os seus críticos e alcançado o estatuto de imunidade de que beneficia mesmo quando pratica um genocídio. É este o caminho que os identitarismos procuram seguir. Cada um deles é um Israel em potência.</p>
<p style="text-align: justify;">Com efeito, o elemento simétrico ao complexo de culpa infundido na anti-identidade é a vitimização assumida pelas identidades. Um não existe sem a outra, ou melhor, uma promove o outro. Onde antes se falava de <em>explorados</em>, fala-se agora de <em>vítimas</em>. Por isso a extrema-esquerda, ou aquilo a que ainda se chama assim, trocou a economia pela sociologia, e o pós-modernismo serviu de charneira nesta transição. Era-se explorado pelos mecanismos económicos e usava-se essa situação para tentar ir além do capitalismo, mas hoje é-se vítima e usa-se o ressentimento. Se alguém quiser ocupar a ribalta da História terá de se apresentar como vítima. Vítima de quê e de quem? Da anti-identidade, evidentemente. Como Valéry escreveu bem! A História «faz sonhar, embriaga os povos, gera-lhes falsas memórias, exagera-lhes os reflexos, nutre-lhes as velhas mágoas, atormenta-os no repouso, condu-los ao delírio das grandezas ou ao da perseguição e torna as nações amargas, arrogantes, insuportáveis e vaidosas». Torna os identitarismos amargos, arrogantes, insuportáveis e vaidosos. E quando não é a verdadeira História, inventa-se outra, uma que produza falsas memórias, porque não faltam aos identitarismos os instrumentos para disciplinar a sociedade, e também nisto não ficam aquém do fascismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Os identitarismos transpuseram para o plano virtual as milícias e as agressões a que noutra época os fascistas recorriam nas ruas, e como hoje a internet liga tudo e todos, as malhas são ainda mais apertadas do que aquelas de que o fascismo clássico dispunha. Em vez das pauladas e do óleo de rícino, usa-se agora o cancelamento de pessoas, a supressão de intervenções e o boicote erguido nos meios de expressão. O silenciamento é mais eficaz do que havia sido nas ditaduras do passado. E a substituição da presunção de inocência pela presunção de culpabilidade, que por si só representa uma colossal inversão do sistema jurídico, contribui para assegurar aos identitários uma completa hegemonia. Nem se deve dizer que esta é a imagem de uma sociedade que os identitários têm a intenção de construir, porque esta é já a sociedade que eles estão a construir.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de partilharem a aversão a uma mesma anti-identidade, os vários identitarismos não superam a sua hostilidade recíproca e o sucessivo aparecimento de novos identitarismos tende a agravar o ambiente de discórdia, sem que os conflitos sejam resolvidos pela interseccionalidade. Aliás, já nos fascismos clássicos sucedera o mesmo. Desde a Roménia, onde os fascistas seguidores do rei Carol II e do general, depois marechal, Ion Antonescu e os fascistas seguidores de Corneliu Zelea Codreanu e de Horia Sima se chacinavam reciprocamente numa fúria insaciável, passando pela liquidação da ala radical do Partido Nacional-Socialista Alemão na noite de Junho para Julho de 1934, sem esquecermos a quantidade de fascistas que Hitler mandava encerrar nos seus campos de concentração ou, no Japão, a tentativa de insurreição militar dos fascistas radicais da facção Via Imperial em Fevereiro de 1936, suprimida pelos fascistas conservadores da facção Controle, até ao assassinato do chanceler fascista austríaco Dollfuss pelos nacionais-socialistas do seu país e às fricções ocasionalmente violentas que agitaram internamente o fascismo espanhol mesmo durante a guerra civil, em todas essas e outras ditaduras da Ordem os confrontos internos foram muito mais a regra do que a excepção.</p>
<p style="text-align: justify;">A situação é hoje agravada pela desarmonia reinante entre os herdeiros do fascismo clássico e os identitários enquanto fascistas do pós-fascismo. Aliás, seria impossível outra alternativa, porque as geometrias dos dois <em>puzzles</em> não encaixam. O nacionalismo de uns e as identidades mundializadas dos outros são transversais e não obedecem aos mesmos desenhos, para mais numa época em que a geopolítica passou também a assentar na internet e a tornar-se virtual. Mas não será diferente o motivo? Escrevendo no início da década de 1960, o teórico fascista francês Maurice Bardèche profetizou que o fascismo haveria de renascer «com outro nome, com outro rosto, e decerto sem nada que seja a projecção do passado, imagem de um filho que não reconheceremos». Não serão os fascistas do pós-fascismo a imagem do filho que os fascistas clássicos não reconhecem?</p>
<p style="text-align: justify;">O certo é que, se já a gestação do fascismo como resultado de um processo permanente de cruzamento ou convergência entre alguma extrema-esquerda e certa extrema-direita põe em dúvida a redução do leque político a uma linearidade, mais complicada ainda fica a situação em virtude do choque entre os fascismos nacionais e os fascismos identitários e dos conflitos internos que os rasgam a todos. Assim, parece-me que se rompeu definitivamente a continuidade da linha que levava de um a outro extremo. A terminologia política tradicional perdeu o sentido e, se a velha esquerda se descaracterizou, sucedeu o mesmo à velha direita. Os nomes já não designam as coisas e há coisas ainda sem nome. A terminologia política que começou agora a ser usada é de criação identitária e reflecte uma nova geometria. Sobretudo, a antiga polarização entre a esquerda e a direita foi substituída pela oposição entre cada identidade e a anti-identidade.</p>
<p style="text-align: justify;">A noção de <em>populismo</em> surge nesta transformação. O populismo tanto se mostra afim a certas posições económicas da extrema-esquerda, nomeadamente ao subestimar os inconvenientes do déficit orçamental, como adopta posições políticas da extrema-direita, em especial no que diz respeito à criminalidade e à imigração. Neste sentido o populismo assemelha-se aos campos geradores de fascismo, mas não se confunde com eles nem tem directamente produzido fascismos. Talvez até os tenha evitado.</p>
<p style="text-align: justify;">Parece-me útil comparar a noção de <em>populismo</em> com as noções de <em>bonapartismo</em> defendidas por Trotsky e por August Thalheimer, porque em ambos os casos se trata de categorias políticas intermédias e provisórias, que talvez ajudem a reordenar as classificações. Segundo Trotsky, quando a acção das milícias fascistas punha em risco o funcionamento das instituições democráticas, o parlamento entregava os seus poderes a um chefe que, apoiado directamente pela burocracia, pelo exército e pela polícia, governava num equilíbrio precário entre a democracia e o fascismo. Era a um regime deste tipo que Trotsky chamava <em>bonapartismo</em>. August Thalheimer, porém, considerava que o bonapartismo era parente próximo do fascismo e surgia quando um movimento revolucionário tivesse sido derrotado, mas a burguesia saísse exausta do combate. Em suma, para Thalheimer o bonapartismo apareceria «quando todas as classes estão enfraquecidas e jazem prostradas». Assim, apesar do que diferenciava estas duas perpectivas, tanto para Trotsky como para Thalheimer o bonapartismo seria um regime episódico baseado num equilíbrio instável entre forças políticas opostas. E a complexidade das articulações entre o bonapartismo e o fascismo reflectia as múltiplas possibilidades de um processo histórico que estava então longe de se encerrar.</p>
<p style="text-align: justify;">Ora, o populismo actual tem em comum com aquelas caracterizações do bonapartismo a sua função de equilíbrio entre campos opostos, embora me pareça cedo para saber se terá um destino igualmente provisório e quais as outras semelhanças e diferenças que a comparação possa revelar. Por agora, devemos reconhecer que o populismo surge como um dos contributos principais para a ordenação de uma nova terminologia política. Mas ainda falta no tabuleiro um outro xadrez.</p>
<p style="text-align: justify;">Na <a href="https://passapalavra.info/2025/08/157133/" target="_blank" rel="noopener"><strong>primeira parte</strong></a> vimos a possível relação entre a «nação revolucionária» e a «nação proletária». Na <a href="https://passapalavra.info/2025/09/157142/" target="_blank" rel="noopener"><strong>segunda parte</strong></a> vimos como a luta internacional do proletariado desarticulou as nações e o que sucedeu depois. Na <a href="https://passapalavra.info/2025/09/157145/" target="_blank" rel="noopener"><strong>terceira parte</strong></a> vimos como a guerra mundial de 1939-1945 fundou a consolidação geopolítica das «nações proletárias». Na <a href="https://passapalavra.info/2025/09/157148/" target="_blank" rel="noopener"><strong>quarta parte</strong></a> vimos uma nova vaga de internacionalização das lutas e quais os seus resultados. Na <a href="https://passapalavra.info/2025/09/157151/" target="_blank" rel="noopener"><strong>quinta parte</strong></a> vimos como a ecologia dinamiza duplamente o processo gerador do fascismo. Em seguida, na <a href="https://passapalavra.info/2025/10/157157/" target="_blank" rel="noopener"><strong>sétima e última parte</strong></a> veremos as transformações internas sofridas pela classe trabalhadora e a crise terminal dos marxistas.</p>
<p><strong>Referências</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A passagem de Valéry escrita em 1931 encontra-se em Paul Valéry, <em>Regards sur le Monde Actuel et autres Essais</em>, Paris: Gallimard, 1945, pág. 27. As citações de Chamberlain provêm, respectivamente, de Houston Stewart Chamberlain, <em>La Genèse du XIXme Siècle</em>, 2 vols., Paris: Payot, 1913, págs. 296, 621 (subs. orig.), 1154 e 679. Quanto à afirmação de Steiner, ver Peter Staudenmaier, «Anthroposophy and Ecofascism», <em>New Compass</em>, 2011 <a href="http://new-compass.net/articles/anthroposophy-and-ecofascism" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>. As duas citações de Hitler estão, respectivamente, em Édouard Conte e Cornelia Essner, <em>La Quête de la Race. Une Anthropologie du Nazisme</em>, [Paris]: Hachette, 1995, pág. 106 e em Joseph Billig, <em>L’Hitlérisme et le Système Concentrationnaire</em>, Paris: Presses Universitaires de France, 2000, pág. 300. A citação de Fritz Lenz está em Anne Quinchon-Caudal, <em>Hitler et les Races. L’Anthropologie Nationale-Socialiste</em>, Paris: Berg International, 2013, pág. 157. A citação de Bardèche é extraída de Maurice Bardèche, <em>Qu’Est-ce que le Fascisme?</em>, Paris: Les Sept Couleurs, 1961, págs. 194-195. A passagem citada de Thalheimer encontra-se em August Thalheimer, «On Fascism», 1930 <a href="https://www.marxists.org/archive/thalheimer/works/fascism.htm" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>.</p>
<p style="text-align: left;"><em><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-157195" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/Stanczak-a-300x229.jpg" alt="" width="100" height="76" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/Stanczak-a-300x229.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/Stanczak-a-550x420.jpg 550w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/Stanczak-a-80x60.jpg 80w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/Stanczak-a-100x75.jpg 100w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/Stanczak-a-180x135.jpg 180w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/Stanczak-a-238x178.jpg 238w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/Stanczak-a-640x489.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/Stanczak-a-681x521.jpg 681w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/Stanczak-a.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 100px) 100vw, 100px" />As ilustrações reproduzem obras de Julian Stanczak (1928-2017)</em>.</p>
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		<title>Um relato das manifestações pró-Palestina na Itália</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/09/157669/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Sep 2025 09:59:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Greves]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
		<category><![CDATA[Itália]]></category>
		<category><![CDATA[Outras_lutas]]></category>
		<category><![CDATA[Palestina]]></category>
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					<description><![CDATA[Talvez a questão palestina tenha se tornado o tema aglutinador de um conjunto de insatisfações sociais difusas. Por Pérez Gallo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Pérez Gallo</h3>
<p style="text-align: justify;">Participei, meio por acaso, da manifestação em Milão do dia 22 de setembro, amplamente repercutida internacionalmente devido aos violentos confrontos com a polícia que ocorreram na entrada Estação Central ferroviária. Eu estava na Alemanha durante a semana anterior, onde participava de um evento acadêmico e, sendo eu originário da Itália, decidi estender minha viagem mais uns dias em Milão, para visitar amigos e familiares. Cheguei na noite da sexta-feira, dia 19, e logo me pareceu que o clima era diferente do habitual — mais tenso, em expectativa. O genocídio palestino, de fato, é um tema muito forte no debate italiano, seja pela presença de uma importante comunidade árabe e palestina no território, seja pela proximidade geográfica e geopolítica. Mas também — acredito eu — porque na questão palestina chegaram a convergir, nos últimos anos, esperanças de retomada de alguma movimentação depois de mais de uma década de refluxo das lutas. Refluxo que em Milão se sente mais forte ainda: uma cidade completamente dominada pela <em>gentrification</em> e a especulação imobiliária, pelos grandes eventos de moda e as feiras de comida gourmet, pelo encarecimento do transporte urbano e um ritmo econômico (e de exploração) a todo vapor. E onde, faz tempo, as lutas sociais são algo meio ausente do horizonte da vida urbana.</p>
<p style="text-align: justify;">No próprio dia 19, na hora em que eu voltava do aeroporto, estava em curso um pequeno ato e paralisação organizado pela CGIL, a maior confederação sindical, em solidariedade à Gaza. Ao contrário do que se poderia pensar, a decisão da CGIL não foi a corajosa escolha de organizar uma greve política, mas a tentativa covarde de recuperar a luta, adiantando a greve que já havia sido marcada para o dia 22 pelos sindicatos de base USB, Cobas, ADL Cobas, CUB, SGB, sob impulso do coletivo de trabalhadores portuários de Gênova. A ideia seria fazer uma paralisação de apenas duas horas, na parte da tarde de uma sexta feira, e não aderir — e desta forma enfraquecer — a outra marcada para o dia inteiro da segunda-feira (um dia no qual um bloqueio faz muito mais prejuízo). A manobra, aparentemente, não deu certo. Durante todo o fim de semana, pessoas no meu entorno — até mesmo muitos conhecidos meus que não participavam de uma manifestação há 15 anos — não paravam de falar do próximo ato do dia 22. Era prevista chuva, e isso gerava dúvidas sobre o êxito da mobilização.</p>
<p style="text-align: justify;">Na manhã da segunda-feira, de fato, a chuva caía intensa e constante. Apesar disso, já ao chegar em Piazza Cadorna um pouco antes do horário marcado para a concentração, dava para saber que o ato seria grande. Milhares de pessoas iam se acumulando sob os guarda-chuvas, ao ponto de quando a frente do ato começou a se mover, na praça ainda estava chegando gente. A manifestação, com mais de 50.000 pessoas, foi desfilando de maneira confusa por quase 5 quilômetros até a Estação Central, não sem antes realizar um desvio para passar na frente do consulado dos Estados Unidos, onde foram queimadas as bandeiras dos EUA, de Israel, da União Europeia e da OTAN. O que me surpreendeu, talvez por ter ficado muitos anos afastado das manifestações italianas, foi a composição política do ato, ou seja, a não divisão em blocos organizado pelas entidades e os centros sociais, mas sim uma longa serpente humana heterogênea e indefinida, todos atrás de um único carrinho de som do sindicato USB, na qual se misturava a composição social: de estudantes e aposentados, imigrantes árabes, jovens secundaristas de periferia e famílias com crianças, trabalhadores e classe média, com aqui e acolá grupinhos que faziam alguma intervenção específica, como um grupo de fanfarras e os trabalhadores da saúde sob a faixa de “sanitários por Gaza”. Em geral, me pareceu também um ato pouco barulhento, quase silencioso em momentos, como se a falta de caixa de som deixasse mais espaço para o vazio atroz do momento que estamos vivendo.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DO6jl2KDJNA/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DO6jl2KDJNA/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by MIM (@milanoinmovimento)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Ato de Milão visto de cima<br />
<script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script></em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ao chegar, por volta das 13 horas, na praça da Estação Central, a sensação geral foi de estranhamento: o ato parecia ter acabado, mas a gente ainda não tinha bloqueado nada, enquanto chegavam notícias de ocupações de estações, rodovias e portos em outras cidades. A polícia estava com um enorme contingente alinhado para a defesa da estação e parecia loucura tentar desafiá-los, além do fato de que nenhum grupo parecia ter se organizado para isso. Pouco a pouco, todavia, frustrações e expectativas foram levando um grupo de pessoas a descer as escadas do metrô, de onde teria uma passagem para a estação por via subterrânea. Logo abaixo, porém, estava outro contingente policial. A pressão foi se acumulando, até que com muita gritaria e alguns empurrões, conseguimos entrar na parte de baixo da estação. Dali, porém, para chegar a ocupar os trilhos, a gente precisava subir até o andar de cima por uma escada rolante, acima da qual começou o confronto, que continuou nas portas de vidro da hall da estação, defendida pelos policiais e completamente destruídas pelos manifestantes. Finalmente, a polícia começou lançar bombas de gas lacrimogêneo, muitos na altura do rosto. A batalha durou uma hora e meia dentro da estação mais umas duas horas na via Vittor Pisani, a grande avenida do lado de fora, com a polícia avançando e a galera resistindo, sem recuar, lançando pedras e outros objetos. Apesar de não ter chegado aos trilhos, por um bom tempo a estação ficou fechada, com os trens que, já acumulando atrasos de mais de duas horas devido à greve, por um tempo pararam de vez de passar pela estação. Pelo que li depois, a participação nos confrontos mais acesos foi de um milhar de pessoas, com outros tantos apoiando do lado de fora. O saldo foi de 60 policiais feridos, com 24 hospitalizados, 11 manifestantes detidos (entre eles dois menores de idade), e uns dez levados embora pela ambulância. Me surpreendeu realmente a disposição da galera: não lembro, desde que era adolescente, uma manifestação com esse tipo de confrontos tão demorados e ao mesmo tempo sem preparação prévia. No passado, o mais comum eram confrontos “performáticos” da galera das ex <em>tute bianche</em>, com um pouco de corpo a corpo das primeiras linhas com a polícia para ter foto na mídia e depois recuo, ou momentos de <em>riot</em> mais planejados, com queima de carros no meio do ato por parte de um grupo menor mas completamente desconectado com o sentimento geral da manifestação, como ocorreu na grande manifestação “No Expo” de 1º de maio de 2015. De lá para cá, o deserto.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DO6hXCqAP2w/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DO6hXCqAP2w/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by Federação Árabe Palestina (@fepal_brasil)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Vídeos do confronto</em><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Se Milão, pelo seu desfecho violento, foi o centro das notícias e das imagens que passaram na mídia e nas redes — e obviamente repercutida pela primeira ministra Giorgia Meloni, que em momento nenhum atacou a barbárie israelense em Gaza com a mesma dureza que dedicou aos “vândalos de Milão” —, no resto da Itália a jornada de luta também foi gigante. Segundo o sindicato USB, a participação nos atos foi de mais de 1 milhão de pessoas em 84 cidades.</p>
<p style="text-align: justify;">Em Roma, de 200 a 300 mil pessoas desfilaram durante 8 horas, por 10 quilômetros, pelas ruas da cidade, cercando a Estação de Termini (a maior da cidade), provocando o momentâneo bloqueio do trânsito ferroviário, e ocupando o campus universitário de La Sapienza e o anel rodoviário Leste durante horas em ambas direções. Lá, muitos dos motoristas parados no trânsito, reagiram não com raiva mas com aplausos, buzinas e manifestações de cumplicidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/NnNe1MzD2_4?si=l4MwbHI_3XiygMhn" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Apoio dos motoristas à manifestação</strong><br />
</em></p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DO51pJfjNPJ/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p>&nbsp;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DO51pJfjNPJ/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by Welcome to Favelas (@welcometofavelas)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Manifestação em Roma vista de cima<script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script></em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Outra manifestação enorme foi em Bolonha, com 50.000 pessoas enchendo as ruas do centro para depois ocupar o anel rodoviário, onde houve repressão policial com quatro pessoas detidas.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-captioned="" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/DO5i_llCCTG/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p>&nbsp;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/p/DO5i_llCCTG/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by HubAut Bologna (@hubautbologna)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p><strong><em><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script>Ato em Bolonha</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/6dD2wHPrU-c?si=imycw_5Ag6L3Dwtl" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe>Confrontos no anel rodoviário em Bolonha</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Atos de 15 a 20 mil pessoas ocorreram também em Nápoles e Turim (onde foi ocupada a estação ferroviária); Gênova (com a ocupação do porto); e em Veneza, onde os centros sociais do Nordeste foram bloquear Porto Marghera e tiveram confrontos com a polícia que fez uso de jatos de água.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/HhCYfSOTMdQ?si=lEA5lhXiMEkB7Hpr" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></strong></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Veneza</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Outros confrontos e detenções ocorreram em Brescia, na tentativa dos 10.000 manifestantes de ocupar a estação ferroviária depois de bloquear o metrô da cidade, enquanto um número similar de pessoas desfilou em Palermo, Florença e Pisa. Nesta última cidade, os manifestantes conseguiram bloquear a rodoviária, a estação de trens e até mesmo a rodovia Firenze-Pisa-Livorno. Cinco mil pessoas tomaram as ruas em cidades do sul como Cagliari, Catania e Bari. Houve também bloqueios e interrupções em outras importantes terminais portuárias como as de Trieste, Ravenna, Ancora, Civitavecchia e Salerno. Em Livorno o bloqueio da terminal Valessini se transformou em um protesto permanente visando o dia seguinte, quando era esperada a passagem de um navio cargueiro norte-americano dirigido a Israel.</p>
<p style="text-align: justify;">Em seu conjunto, a jornada foi sem dúvida exitosa e surpreendente. Surpreendente em primeiro lugar porque a Itália tinha ficado afastada dos últimos ciclos de revoltas globais. Os movimentos sociais estão totalmente fragmentados, e o que tem imperado entre os camaradas nos últimos anos é uma sensação constante de desilusão e impotência, sentimentos acrescidos, nos últimos tempo, pela ascensão de um governo de extrema-direita. Sim, desde o começo do genocídio na Palestina, as ocupações nos campi universitários tinham mostrado certa reativação da composição juvenil, certamente dominante também nas manifestações da segunda-feira mas extremamente reduzida em termos demográficos naquilo que é o segundo país mais idoso do mundo. Ao mesmo tempo, sob impulso da pequena organização dos Jovens Palestinos, os protestos em solidariedade com Gaza tem adquirido certa frequência, chegando a ser, no caso de Milão, até mesmo semanais, com alguns pequenos atos que acontecem todos os sábados. Possivelmente, a saída da Global Sumud Flotilla deve ter dado alguma inspiração, assim como o movimento francês “bloqueemos tudo”, surgido nas últimas semanas contra as políticas de Macron. Quiçá a indignação tenha ultrapassado algum limiar com a escalada da “solução final” do holocausto palestino posta em marcha por Israel nos últimos meses. E quiçá a questão palestina tenha se tornado, hoje em dia, o principal tema aglutinador de um conjunto de insatisfações sociais difusas. Talvez ela seja, hoje, <a class="urlextern" title="https://ilmanifesto.it/palestina-e-il-nome-del-nostro-scontento" href="https://ilmanifesto.it/palestina-e-il-nome-del-nostro-scontento" rel="ugc nofollow">“o nome do nosso descontentamento”</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Exitosas foram sem dúvidas as manifestações, mas sobretudo a escolha estratégica dos bloqueios das principais vias de comunicações. Muito rapidamente, a partir dos bloqueios dos portuários dos navios carregados de armas e munições para abastecer diretamente o exército israelense, chegou-se a entendimento que toda a logística da guerra é inseparável da logística do capitalismo global nessa sua etapa destrutiva. Se os gargalos dos transportes e das comunicações de mercadorias e pessoas configuram o esqueleto material da economia global, surgiu o entendimento que é a partir dali que seria quiçá possível exercer algum tipo de “contrapoder” à barbárie fascista.</p>
<p style="text-align: justify;">Menos exitoso, todavia, foi o resultado da paralisação em sentido estrito. Diante da convergência entre as dificuldades evidentes de realizar uma greve “política” (de fato, essa foi a primeira experiência desde que começou o genocídio em Gaza) e a covardia da CGIL e das outras grandes confederações sindicais, que tem hegemonia de filiados na produção e no público emprego, a taxa de adesão parece ter sido <a class="urlextern" title="https://www.tag24.it/1353021-dati-adesione-sciopero-generale-per-gaza-22-settembre-la-percentuale" href="https://www.tag24.it/1353021-dati-adesione-sciopero-generale-per-gaza-22-settembre-la-percentuale" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">abaixo de 10%</a> em muitos setores, com prováveis exceções no setor da educação pública e em alguns setores da circulação, que em algumas cidades aderiram em peso. Isso abre muitas perguntas sobre se é possível paralisar a vida econômica sem a adesão em massa da classe trabalhadora organizada, mas conseguindo atingir os principais gargalos da economia global. Em tempos em que arrocho salarial, desemprego, chantagem nos locais de trabalho, precarização do emprego, direções sindicais pelegas, tornam mais difícil o efetivo exercício do instrumento da greve, até que ponto uma revolta bem efetiva pode se tornar ela mesma uma forma de paralisação geral?</p>
<p style="text-align: justify;">Mas a principal pergunta, aqui e agora, é saber se esse novo movimento terá a força e a capacidade de seguir em frente, de crescer, de colocar em crise um governo Meloni que até agora ainda navega com algum grau de consenso, e sobretudo de transboradar para outros países para dar um aporte real ao fim do genocídio em curso. Conforme anunciado pelo coletivo de portuários de Gênova, a atual greve foi lançada como ensaio geral para o momento em que houvesse algum tipo de agressão à Global Sumud Flotilla, que nesses mesmos dias está se aproximando da Faixa de Gaza. Caso isso venha a ocorrer, os portuários já ameaçaram que não irão carregar “nem sequer um prego” e parariam “a Europa inteira”. O tempo nos dirá. Por agora, ficamos com a sensação que por uma vez, levantamos a cabeça, vencemos a resignação. Quiças seja apenas por um lampejo, uma sensação de que, juntos nas ruas, podemos ainda nos sentir vivos. Que ainda podemos gritar, mesmo que quase não faça sentido dado o nível da tragédia presente, que “os povos em revolta escrevem sua história, intifada até a vitória!”.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>A doença infantil do jornalismo brasileiro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[FP]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Sep 2025 20:32:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
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					<description><![CDATA[Sem uma investigação mais apurada e a contextualização dos fatos, pode-se divulgar facilmente duas mentiras – ou uma mentira e uma verdade, como se ambas fossem verdadeiras. Por Celso Vicenzi]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por Celso Vicenzi</h3>
<p style="text-align: justify;">O jornalismo brasileiro tem sofrido de uma doença infantil, mas que também atinge veículos de idade avançada, que é, como alguém já definiu, o &#8220;doisladismo&#8221;. Apresentadores de telejornais, de programas de entrevistas, analistas políticos e até mesmo repórteres, têm dedicado boa parte de suas reportagens e análises a ouvir &#8220;os dois lados&#8221;. Como se apenas isto bastasse.</p>
<p style="text-align: justify;">Ora, jornalistas devem ser mais do que &#8220;gravadores de luxo&#8221;, que reproduzem o que quer que seja sem contextualizar, minimamente, a informação. Sem uma investigação mais apurada e a contextualização dos fatos, pode-se divulgar facilmente duas mentiras – ou uma mentira e uma verdade, como se ambas fossem verdadeiras. Cabe justamente ao jornalismo desnudar quem é quem no cipoal do &#8220;opinionismo&#8221; que trafega por todas as plataformas. E impedir que ideias abjetas circulem travestidas de liberdade de expressão. Há muitos riscos quando se empodera o fascismo, o nazismo e todos os &#8220;ismos&#8221; que podem comprometer a dignidade humana.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-157639" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/2.jpg" alt="" width="426" height="486" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/2.jpg 526w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/2-263x300.jpg 263w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/2-368x420.jpg 368w" sizes="auto, (max-width: 426px) 100vw, 426px" /></p>
<p style="text-align: justify;">É a síndrome do &#8220;jornalismo declaratório&#8221; que tomou conta dos espaços midiáticos e que diariamente junta, em várias plataformas, com o mesmo espaço ou tempo, democratas e defensores de regimes ditatoriais; milicianos com pacifistas; pastores estelionatários e religiosos abnegados às causas sociais; propagadores de fake news com pessoas éticas e responsáveis no trato da informação. E assim, ao fim e ao cabo, esse jornalismo que se nega a pensar e assumir responsabilidades civilizatórias, empodera as milícias e gangues políticas que tomaram de assalto a democracia brasileira e a ameaçam, interna e externamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesta balança do &#8220;doisladismo&#8221; cabe tudo, sempre com aquele tom comportado de quem parece defender a ética, quando no fundo e no raso, propaga tão somente a tese capenga de que todos merecem o mesmo espaço midiático para debate. O jornalismo brasileiro teria colocado frente a frente, para debater o nazismo, Hitler e Churchill, por exemplo. Para debater direitos humanos, o torturador e o torturado; para debater ciência, o negacionista e o cientista; quem é contra ou a favor da ideia de que a Terra é plana&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">É por isso que, até hoje, a mídia tem dificuldade de chamar de genocídio o que ocorre em Gaza, onde os ataques que matam mais de 80% de civis palestinos – principalmente mulheres e crianças – são ações de &#8220;defesa&#8221; de Israel.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-157640" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/untitled-brown-and-gray.jpgPinterestSmall.jpg" alt="" width="390" height="550" /></p>
<p style="text-align: justify;">E é assim que se propagam pautas na imprensa como: quem é a favor ou contra arrochar ainda mais a população mais pobre (travestidas de eufemismos para que o público não a perceba claramente); quem é a favor ou contra taxar os super ricos; quem é a favor ou contra a liberdade de cátedra; quem é a favor ou contra a liberdade de expressão sem limites e que, portanto, permite a pedofilia, a exploração sexual, as fake news etc.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse emaranhado que embaralha milênios de construção da razão, da paz, da solidariedade e dos direitos humanos, o jornalismo torna-se refém do banditismo ideológico, que só porque usa terno e gravata e, às vezes, enganosamente tem bons modos, não deixa de ser o perigo que de fato é, e que, por ingenuidade ou má-fé, jornalistas e brasileiros de todas as profissões, alimentam o monstro disposto a destruir o que de melhor a civilização construiu para a convivência livre, justa e pacífica entre os seres humanos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-157642 size-thumbnail" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/9ffd4a12-fb03-49a5-9e10-e66fe9b11792.jpgPortrait-70x70.jpg" alt="" width="70" height="70" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/9ffd4a12-fb03-49a5-9e10-e66fe9b11792.jpgPortrait-70x70.jpg 70w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/9ffd4a12-fb03-49a5-9e10-e66fe9b11792.jpgPortrait-350x350.jpg 350w" sizes="auto, (max-width: 70px) 100vw, 70px" /> As ilustrações reproduzem obras de Mark Rothko (1903-1970).</em></p>
<h3></h3>
<h3></h3>
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
					
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		<title>Exclusivo: Brasil se nega a assinar Declaração de Bogotá para frear genocídio</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/09/157406/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Sep 2025 22:12:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Govs_nacionais_e_internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Palestina]]></category>
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					<description><![CDATA[Em resposta a pedido de informação, governo brasileiro deixa claro que não assinará Declaração Conjunta de medidas jurídicas e de embargo diante do genocídio praticado por Israel contra os palestinos. Por Leo Vinicius Liberato]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;"><strong>Por Leo Vinicius Liberato</strong></h3>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Em janeiro de 2025, Colômbia, África do Sul, Senegal, Cuba, Bolívia, Honduras, Malásia e Namíbia formaram uma aliança chamada Grupo de Haia, com o objetivo de tomar medidas coordenadas em defesa do direito internacional e de solidariedade ao povo palestino. O Grupo de Haia convocou um Encontro em Bogotá, realizado nos dias 15 e 16 de julho de 2025. O Brasil participou do Encontro, assim como outros 31 países, entre os quais Portugal.</p>
<p style="text-align: justify;">Como resultado do Encontro, foi lançada uma Declaração Conjunta contendo seis medidas a serem tomadas <strong>[1]</strong>. Treze países assinaram a Declaração, cujo prazo para assinatura foi estipulado em 20 de setembro de 2025. As seis medidas estão muito longe de um embargo econômico a Israel, necessário diante do genocídio e das obrigações de Estados terceiros frente a Convenção para Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio. Elas apenas comprometem os assinantes a não exportar e permitir transporte de armas, equipamentos militares e combustíveis militares a Israel, e a rever contratos públicos de modo que instituições e fundos públicos não colaborem com a ocupação ilegal de territórios palestinos por Israel.</p>
<p style="text-align: justify;">Passados vinte dias da publicação da Declaração, no dia 5 de agosto enviei um Pedido de Acesso a Informação ao Ministério das Relações Exteriores com as seguintes perguntas:</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 40px;">1) O governo brasileiro pretende assinar a Declaração e implementar as seis medidas que nela constam?</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 40px;">2) Qual tem sido e/ou qual será o trâmite político e burocrático para a assinatura da Declaração, caso o governo brasileiro tenha intenção de assinar a Declaração e implementar as seis medidas que constam nela?</p>
<p style="text-align: justify;">Exatamente um mês depois, no último dia de prazo para resposta, o Ministério das Relações Exteriores respondeu que: “o País não é membro do Grupo da Haia e sua participação em encontros do referido agrupamento se deu na condição de observador. Nesse sentido, o Brasil não subscreveu eventuais documentos adotados pelo Grupo” <strong>[2]</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">A resposta do governo brasileiro faz parecer que há alguma relação entre não ser membro do Grupo de Haia e a não assinatura da Declaração. Ora, países que não são membros do Grupo de Haia, como a Turquia, subscreveram a Declaração. O motivo da não assinatura é evidentemente outro, não revelado. A propósito, a não adesão do Brasil ao Grupo de Haia é em si eloquente quanto às inações do governo brasileiro frente ao genocídio e aos crimes cometidos por Israel contra os palestinos. Francesca Albanese, Relatora da ONU de Direitos Humanos nos Territórios Palestinos Ocupados, afirmou que a formação do Grupo de Haia foi “o desenvolvimento político mais significativo dos últimos 20 meses” diante do genocídio <strong>[3]</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-157407" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/lula_em_israel_reuters-1.0.56732470-gpLarge.jpg" alt="" width="960" height="702" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/lula_em_israel_reuters-1.0.56732470-gpLarge.jpg 960w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/lula_em_israel_reuters-1.0.56732470-gpLarge-300x219.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/lula_em_israel_reuters-1.0.56732470-gpLarge-768x562.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/lula_em_israel_reuters-1.0.56732470-gpLarge-574x420.jpg 574w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/lula_em_israel_reuters-1.0.56732470-gpLarge-80x60.jpg 80w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/lula_em_israel_reuters-1.0.56732470-gpLarge-640x468.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/09/lula_em_israel_reuters-1.0.56732470-gpLarge-681x498.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px" />Embora escrito no pretérito (“não subscreveu”), a resposta do governo brasileiro deixa claro que ele decidiu não assinar a Declaração, e, portanto, não a subscreverá e não se comprometerá em adotar as suas seis medidas. Lembrando que são medidas ainda bastante tímidas diante do horror do genocídio e das obrigações dos Estados frente à legislação e jurisprudência internacional.</p>
<p style="text-align: justify;">O Brasil mantém sua cumplicidade no genocídio, sem qualquer medida do governo buscando cessar sequer a exportação de petróleo para Israel e de aço da empresa Villares para a indústria bélica israelense. Como os membros da Flotilha da Liberdade que neste momento rumam para Gaza costumam dizer, seria tarefa dos governos agir para impedir o genocídio e abrir um corredor humanitário. Resta aos povos do mundo, aos trabalhadores do mundo, tomar para si a tarefa de defender a humanidade contra a barbárie dos Estados e da economia política.</p>
<p style="text-align: justify;">
<h4 style="text-align: justify;"><strong>Notas</strong></h4>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1]</strong> A Declaração pode ser acessada <a href="https://cloud.progressive.international/s/4gmJte3PKTKb8 ed/download" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[2]</strong> O inteiro teor do Pedido de Informação e da resposta podem ser vistos <a href="https://drive.google.com/file/d/1WlvKTPf4tWQ0voMMxbfq3GSixb9Fk0U5/view?usp=sharing" target="_blank" rel="noopener">aqui.</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[3]</strong> <a href="https://progressive.international/wire/2025-07-12-pi-briefing-no-25-nos-vemos-en-bogot/pt-br" target="_blank" rel="noopener">https://progressive.international/wire/2025-07-12-pi-briefing-no-25-nos-vemos-en-bogot/pt-br</a></p>
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		<title>Sabedoria paterna (1)</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Aug 2025 19:03:26 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Durante o café da manhã, entre uma mordida e outra no pão com manteiga, o pai lançava as mais inovadoras análises políticas. Chega ao tópico da guerra Israel x Palestina, ao qual ele tem a solução: “Eu jogaria um míssil para o alto, para estourar os satélites espaciais e impedir o funcionamento da internet. Se não houver informação, não há guerra, melhor foder todos do que um só!”. <strong>Filha do pai</strong></p>
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