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	<title>Revolução Russa &#8211; Passa Palavra</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>Aleksándr Bogdánov e os 100 anos de Proletkult</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 May 2023 11:20:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ideias & Debates]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Revolução Russa]]></category>
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					<description><![CDATA[ A velha toupeira deve entender-se como sujeito ativo de uma cultura nova. Por Alan Fernandes ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;"><strong>Por Alan Fernandes</strong></h3>
<p style="text-align: justify;">“Até o último instante, a coragem de experimentar, a coragem de compartilhar, o sonho da fraternidade”. Foi assim que Carlo Rovelli teria descrito o fim trágico do legado do revolucionário russo Aleksándr Bogdánov, morto em uma das muitas experiências de transfusão de sangue. O revolucionário via a atividade científica atrelada a seus instintos humanitários. Antes de morrer, foi o diretor do primeiro Instituto de Transfusão de Sangue na União Soviética. Acreditava que a partilha do próprio sangue abriria espaço para uma sociedade mais comunal, e que a partir disso enfermidades poderiam ser erradicadas.</p>
<p style="text-align: justify;"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-148547" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/05/suprematism-1915-4_painter-kazimir-malevich__54345__25711__50605-768x1024.jpg" alt="" width="640" height="853" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/05/suprematism-1915-4_painter-kazimir-malevich__54345__25711__50605-768x1024.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/05/suprematism-1915-4_painter-kazimir-malevich__54345__25711__50605-225x300.jpg 225w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/05/suprematism-1915-4_painter-kazimir-malevich__54345__25711__50605-1152x1536.jpg 1152w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/05/suprematism-1915-4_painter-kazimir-malevich__54345__25711__50605-315x420.jpg 315w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/05/suprematism-1915-4_painter-kazimir-malevich__54345__25711__50605-640x853.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/05/suprematism-1915-4_painter-kazimir-malevich__54345__25711__50605-681x908.jpg 681w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/05/suprematism-1915-4_painter-kazimir-malevich__54345__25711__50605.jpg 1536w" sizes="(max-width: 640px) 100vw, 640px" />Não se lembram deste indivíduo? Bogdánov está no centro das atenções do livro <em>Materialismo e empiriocriticismo</em>, publicado em duas edições, cuja autoria é de ninguém menos que V. I. Lênin. Acusado de fazer “filosofia reacionária”, Bogdánov defendia uma perspectiva filosófica que aproveitava entendimentos do empiriocriticismo de Richard Avenarius com os preceitos de Ernst Mach. Chamou de “Empiriomonismo” sua filosofia e defendeu que ela melhor orientava a humanidade no exercício de sua prática científica. E quem é Mach? Não seria exagero dizer que o livro de cabeceira de Albert Einstein e Heisenberg. Einstein fez menção honrosa aos trabalhos de Mach e sua contribuição para a ciência da época. Pai da teoria da relatividade e por muito tempo irredutível sobre a “confusão” que era a teoria dos <em>quanta</em>, via também em Heisenberg um grande gênio. Só foi possível que este desvendasse o salto quântico uma vez que orientou-se por uma premissa de Mach, que seria a de “ater-se ao observável”.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas para que o artigo não divague, basta aqui entender que Bogdánov via no materialismo dialético de Marx um passo radical e necessário para uma melhor elaboração acerca do mundo a partir de nossa práxis. Mas foi vitima da acusação de “liquidacionista”, por dizer que o conceito de matéria em Marx já não era compatível com o que se discutia àquela altura sobre as manifestações da natureza na ciência. Foi a maior blasfêmia que Bogdánov poderia ter feito: pôr em dúvida o marxismo científico. Poucos anos antes da revolução de outubro, o partido bolchevique estava dividido entre os partidários de Lênin e os de Bogdánov . É neste contexto que deve ser entendida a segunda edição de <em>Materialismo e empiriocriticismo</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Após a expulsão de Bogdánov do partido em 1909, o atrito entre os dois teóricos voltou a ganhar força durante a revolução de outubro. Bogdánov, Anatoli Lunatcharski e outros “bolcheviques de esquerda” fundam o grupo <em>Proletkult</em>, abreviação de <em>proletárskaia kultura</em> (cultura proletária). O grupo tinha como premissa que uma sociedade socialista só seria possível mediante uma cultura genuinamente proletária. Subentende-se que não é o partido que ensina os trabalhadores a serem revolucionários, mas a sua condição de libertos e sua autonomia enquanto classe. Tal palavra de ordem, é claro, ameaçava a hegemonia bolchevique. Anos antes, Lênin escrevera em sua obra <em>Que fazer?</em> que “os trabalhadores não desenvolvem sua consciência de classe espontaneamente”: munido com a ciência revolucionária do materialismo histórico-dialético, o partido deveria ser responsável por conduzir o proletariado à tomada do poder pela ditadura do proletariado. Volta a fazer sentido aquele debate do <em>Materialismo e empiriocriticismo</em>. Lênin não via na práxis proletária uma tomada de consciência, e por isso qualquer cultura estranha às diretrizes centralizadas do partido pareciam desafiar o sucesso da revolução.</p>
<p style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-148544" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/05/0ebed946-5c93-11e5-8dde-9dce4c705320-1093615178.jpg" alt="" width="492" height="700" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/05/0ebed946-5c93-11e5-8dde-9dce4c705320-1093615178.jpg 492w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/05/0ebed946-5c93-11e5-8dde-9dce4c705320-1093615178-211x300.jpg 211w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/05/0ebed946-5c93-11e5-8dde-9dce4c705320-1093615178-295x420.jpg 295w" sizes="(max-width: 492px) 100vw, 492px" />Entre os muitos fatos que tornam notável a influência da Cultura Proletária no imaginário socialista russo, destaca-se a participação de Anatoli Lunatcharski. Componente vital do grupo <em>Proletkult</em> e partidário de Bogdánov dentro da fração bolchevique, Lunatcharski teve sua reputação conservada pelo governo, tendo sido escolhido para atuar no <em>Narkompros</em>, divisão educacional do governo soviético. Não sabia que estaria na mesma fileira daqueles que queriam que ele, na condição de censor do órgão, pusesse fim à autonomia do grupo <em>Proletkult</em>. A organização lutava para conservar a sua independência, e quando, em 1920, foi integrado ao <em>Narkompros</em>, Lunatcharski teve um atrito direto com Lênin. Apesar disso, não deixou o cargo até 1929. Diante da revolução de outubro, recebeu carta branca para convocar uma reunião com artistas russos. Dentre os convidados, estavam Aleksándr Blok e Maiakovski. Durante o período de amistosidade entre o <em>Proletkult</em> e o governo soviético, o <em>Proletkult</em> compôs inúmeras células de discussão artística nos comitês operários e muita verba foi empregue à medida em que a Lunatcharski se colocava como solicitante.</p>
<p style="text-align: justify;">Lunatcharski é bem próximo de Nadejda Krupskaia, esposa de Lênin e igualmente uma liderança importante no <em>Narkompros</em>. Eles pedirão demissão do cargo em 1929 por não concordar com reformas educacionais impostas por Stálin. Diferente de Lunatcharski, Krupskaia discorda da condição autônoma do <em>Proletkult</em>. Acusa seus idealizadores de promoverem “cultura burguesa”.</p>
<p style="text-align: justify;">Em um artigo intitulado <em>A ideologia proletária e a Cultura Proletária</em>, Krupskaia faz duras críticas a Pletniov, um dos integrantes do grupo em 1922. Dois anos antes, Lênin tornou possível que um decreto que tornava o <em>Proletkult</em> um órgão vinculado ao <em>Narkompros</em> fosse aprovado. Bogdánov sairia do grupo no ano seguinte, mas, como se nota a partir da crítica de Krupskaia, a ideia de uma Cultura Proletária seguiu firme, ainda que o grupo tenha perdido sua razão de existir.</p>
<p style="text-align: justify;">Desprovido de autonomia, o <em>Proletkult</em> continua existindo como órgão vinculado ao Comissariado do Povo para Educação e deixa de existir em 1923 com a publicação do último número da revista <em>Gorn</em>. Acusados por Krupskaia de “sectários”, contaram desde 1917 com ampla estrutura oferecida pelo Estado e gozavam de amplo apoio popular, ao ponto que quase se confundia o que eram ações da divisão do Estado e o que eram iniciativas do <em>Proletkult</em>. Seções locais chegavam a somar milhares de adeptos, muitos exercendo influência direta em comitês de fábrica.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez tenha sido este o maior legado do <em>Proletkult</em>, na busca pela sua própria autonomia, reafirmar a autonomia dos trabalhadores perante os seus gestores, procurando desenvolver uma cultura proletária própria. Depois de sua saída do <em>Proletkult</em>, e durante seus anos de estudo sobre transfusão de sangue, rumores apontam a participação de Bogdánov no <em>Pravda</em>, jornal de extrema-esquerda que condenava a adoção da Nova Política Econômica (NEP) e da política de capitalismo de Estado exercida pelo Partido. Não há como comprovar sua adesão, mas sua influência é inquestionável, assim percebera Bukharin. Vale lembrar que Bukharin sofreu uma provação de Lênin. Suspeito de ter proximidade teórica com Bogdánov, é pedido que seja ele a apresentar a proposta que incorpora o <em>Proletkult</em> ao <em>Narkompros</em>. Ele se recusa.</p>
<p style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-148546" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/05/7e2ca022a0db320ce9c67b44b35328d8-1962484218.jpg" alt="" width="700" height="700" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/05/7e2ca022a0db320ce9c67b44b35328d8-1962484218.jpg 700w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/05/7e2ca022a0db320ce9c67b44b35328d8-1962484218-300x300.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/05/7e2ca022a0db320ce9c67b44b35328d8-1962484218-70x70.jpg 70w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/05/7e2ca022a0db320ce9c67b44b35328d8-1962484218-420x420.jpg 420w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/05/7e2ca022a0db320ce9c67b44b35328d8-1962484218-640x640.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/05/7e2ca022a0db320ce9c67b44b35328d8-1962484218-681x681.jpg 681w" sizes="(max-width: 700px) 100vw, 700px" />Bogdánov morreu duas vezes. Primeiro, contraiu malária em uma transfusão de sangue malsucedida. Da segunda vez, mataram-lhe a memória. Lênin, Krupskaia e Plekhanov foram os primeiros a chamarem de “liquidacionistas” e “sectárias” as intenções do núcleo artístico em torno do <em>Proletkult</em>. Em seguida, muitos de seus textos foram enterrados nos arquivos soviéticos por causa da censura estalinista. Com muito atraso tivemos acesso a artigos e livros de Bogdánov em inglês, e a primeira tradução para o português só foi publicada em 2019. A editora Brill está construindo um esforço de tradução das obras de Bogdánov para o inglês em sua categoria <em>Historical Materialism Book Series</em>. Em 1923, Bogdánov publicou um de seus últimos artigos em vida, <em>Poesia proletária</em> (cuja tradução para o português pode ser lida <a class="urlextern" title="https://passapalavra.info/2022/09/145706/" href="https://passapalavra.info/2022/09/145706/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">aqui</a>), em que clama que “floreça e amadureça” o ímpeto artístico do proletariado enquanto sujeito social. Deixados com esse legado, só podemos deduzir que a velha toupeira deve tomar para si a posição ativa no amadurecimento dessa cultura.</p>
<p><em>As obras que ilustram os artigo são de Kazimir Malevitch.</em></p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>Referências</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">BOGDANOV, Alexander Aleksandrovich. <strong>Empiriomonism:</strong> essays in philosophy. 3 vols. Leiden: Brill, 2020.<br />
BOGDANOV, Alexander Aleksandrovich. <strong>The philosophy of living experience:</strong> popular outlines. Leiden: Brill, 2015.<br />
KRUPSKAYA, Nadezhda Konstantinovna. A ideologia proletária e a Cultura Proletária. In: KRUPSKAYA, Nadezhda Konstantinovna. <strong>A construção da pedagogia socialista.</strong> São Paulo: Expressão Popular, 2017.<br />
LÉNINE, Vladimir Ilich. <strong>Materialismo e empiriocriticismo.</strong> Lisboa: Avante, 1982.<br />
PINTO, Tales dos Santos. Alexander Bogdanov e a organização política do Proletkult (1917-1923) In: PINTO, João Alberto da Costa (org.). <strong>Intelectuais dissidentes na Revolução Russa (1917-1938).</strong> Goiânia: Imprensa Universitária, 2018.<br />
ROVELLI, Carlo. <strong>O abismo vertiginoso:</strong> um mergulho nas ideias e nos efeitos da Física Quântica. Rio de Janeiro: Objetiva, 2021.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Sur la signification politique du traité de Rapallo entre la Russie soviétique et l&#8217;Allemagne en 1922</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enzo Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Jan 2023 14:28:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Traduções]]></category>
		<category><![CDATA[Fascismo]]></category>
		<category><![CDATA[Govs_nacionais_e_internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Revolução Russa]]></category>
		<category><![CDATA[Rússia]]></category>
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					<description><![CDATA[ À l'occasion du 100e anniversaire de la signature d'un traité de commerce et de coexistence entre la Russie soviétique et l'Allemagne de Weimar, rappelons-nous le rôle de cet accord dans le réarmement qui allait grandement favoriser la montée du nazisme. Par João Aguiar]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Par João Aguiar</h3>
<p style="text-align: justify;"><strong>1. De Gênes à Rapallo</strong></p>
<p style="text-align: justify;">À l&#8217;occasion du centième anniversaire de la signature d&#8217;un traité de commerce et de coexistence entre la Russie soviétique et l&#8217;Allemagne de Weimar, il est utile de se rappeler le rôle de cet accord dans le réarmement allemand qui allait grandement favoriser la montée du nazisme.</p>
<p style="text-align: justify;">Lorsque la gauche actuelle, nostalgique du monde soviétique, est confrontée à l&#8217;ignominie du pacte germano-soviétique (ou pacte Molotov-Ribbentrop) du 23 août 1939, elle répond toujours par l&#8217;excuse selon laquelle la signature d&#8217;un tel pacte aurait été une manœuvre tactique provoquée par la trahison (par les démocraties libérales) des accords de Munich du 30 septembre 1938. Or, n&#8217;en déplaise aux ignorants ou à ceux qui ont «oublié» les faits, le rôle du communisme soviétique dans la montée du nazisme avait déjà pris forme plus d&#8217;une décennie auparavant.</p>
<p style="text-align: justify;">En effet, la signature d&#8217;un accord diplomatique entre le gouvernement social-démocrate allemand et le gouvernement soviétique était fondée sur des échanges commerciaux et la reconnaissance officielle du régime soviétique.</p>
<p style="text-align: justify;">Signé en avril 1922, le traité de Rapallo fut le résultat d&#8217;une négociation distincte et dissimulée, en marge de la conférence de Gênes. A Gênes on discuta non seulement de l&#8217;étalon-or, mais aussi de la possibilité de lever certaines des mesures de réparation exigées du gouvernement allemand au moment du traité de Versailles de 1919. Contrairement au gouvernement français, le Premier ministre Lloyd George proposait de desserrer l&#8217;étau créé par les énormes restrictions du programme de réparations découlant de la défaite militaire allemande lors de la Première Guerre mondiale. En même temps, la conférence de Gênes représentait une tentative des classes dirigeantes occidentales de créer progressivement des plates-formes d&#8217;entente entre les États qui s&#8217;étaient affrontés sur les champs de bataille quelques années auparavant. Au moins dans certains secteurs, l&#8217;objectif de Gênes était d&#8217;ouvrir la scène internationale à une Allemagne qui aurait été soulagée du paiement de certaines réparations et à l&#8217;URSS, en tenant compte de l&#8217;ouverture commerciale soviétique créée par la NEP depuis 1921.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais si la conférence de Gênes reflétait, dans une large mesure, un modèle apprécié par la classe des gestionnaires <strong>[1]</strong> en matière d&#8217;adaptation et de coexistence entre États rivaux, Rapallo allait être la victoire de deux États alors parias (l&#8217;Allemagne d&#8217;après 1914 et la Russie soviétique) sur une plate-forme de relations qui leur était propre. Le rôle clé des Soviétiques dans l&#8217;échec de la conférence de Gênes allait finir par renforcer le poids ignominieux des réparations de guerre sur l&#8217;économie allemande (déjà engagée dans un processus accéléré d&#8217;hyperinflation), avec toutes les conséquences que l&#8217;on connaît dans la propagande politique et la croissance politique de toute l&#8217;extrême droite allemande (y compris le courant national-socialiste) pendant les dix années suivantes.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>2. L&#8217;armée allemande et les Sections d&#8217;assaut (SA)</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Si, avant la prise du pouvoir par les bolcheviks, le rejet de la diplomatie secrète était l&#8217;une de leurs principales critiques contre le tsarisme et les gouvernements provisoires de Kérensky, il est pour le moins surprenant que le contenu principal de Rapallo ait précisément été un accord militaire secret avec l&#8217;État allemand.</p>
<p style="text-align: justify;">En fait, Rapallo ne marque pas le point de départ de la collaboration entre l&#8217;Armée rouge et la Reichswehr (nom de l&#8217;armée allemande entre 1919 et 1935). Les hauts gradés soviétiques entretenaient des contacts fréquents avec les officiers supérieurs allemands et les responsables de l&#8217;industrie militaire allemande depuis 1920 <strong>[2]</strong> ou 1921, en vue d&#8217;établir des installations, des usines et des académies militaires sur le sol soviétique. En fait, dès 1919, Radek entra en contact avec les autorités militaires allemandes.</p>
<p style="text-align: justify;">Rappelons aux plus distraits que, pendant la première moitié des années 1920, la Reichswehr n&#8217;existait pratiquement pas sans les corps francs <strong>[3]</strong>. Un journaliste important rappela, à l&#8217;époque, que « <em>La Reichswehr et la police constituaient, jusqu&#8217;en 1923, l&#8217;épine dorsale du mouvement national-socialiste</em><strong>» </strong><strong>[4]</strong>. Ce même journaliste rappelait également que les Sections d&#8217;assaut n&#8217;étaient que les successeurs de la brigade Ehrhardt <strong>[5]</strong>, ce qui permet de comprendre le rôle de l&#8217;institution militaire dans la formation des milices fascistes. Par conséquent, un renforcement de l&#8217;appareil militaire impliquait un soutien renforcé à l&#8217;expansion des Sections d&#8217;assaut.</p>
<p style="text-align: justify;">Les premiers contacts entre la Reichswehr et le commandement militaire soviétique eurent lieu dans le dos du gouvernement social-démocrate allemand. Ce fait souligne à la fois l&#8217;autonomie d&#8217;action de l&#8217;état-major allemand et les intérêts communs entre l&#8217;Armée rouge et la Reichswehr. En d&#8217;autres termes, il met en évidence les connexions entre les gestionnaires bolcheviques et cette partie de la bureaucratie militaire allemande qui permettait aux institutions du pouvoir de rester en place lorsque tout autour semblait s&#8217;effondrer. Au-delà des différences politiques programmatiques évidentes et même des aspirations territoriales, on avait affaire à une plate-forme d&#8217;action commune entre les gestionnaires d&#8217;État soviétiques et la Reichswehr. À la tête de l&#8217;armée allemande se trouvaient des éléments de la bureaucratie militaire qui firent le pont entre la chute de l&#8217;empire prussien de Guillaume II et les premiers pas dans la constitution de deux des axes fondamentaux du nazisme : la redéfinition de l&#8217;armée allemande fondée sur une politique de réarmement secret en l&#8217;absence de tout contrôle démocratique ; et, à partir de là, la naissance des milices fascistes des Sections d&#8217;assaut, sans lesquelles Hitler n&#8217;aurait jamais pu s&#8217;assurer un capital politique suffisant pour se hisser plus tard sur la scène politique de l&#8217;extrême droite allemande. Rappelons, que sans le désordre créé par les milices des Sections d&#8217;assaut, le Parti national-socialiste n&#8217;aurait jamais ou apparaître comme le revers de la médaille : le garant d&#8217;une nouvelle ère fondée sur l&#8217;ordre.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>3. La collaboration entre la Reichswehr et les Soviétiques</strong></p>
<p style="text-align: justify;">En bref, la Reichswehr allait construire un arsenal guerrier à l&#8217;abri des regards occidentaux, et sur un territoire où elle pourrait former du personnel et tester des armes. En retour, l&#8217;État soviétique allait avoir accès à de nouveaux développements techniques et à un apprentissage militaire stratégique.</p>
<p style="text-align: justify;">Apparemment, les premiers officiers de l&#8217;armée allemande arrivèrent sur le territoire soviétique en mars 1922, avec pour mission de commencer à former des Soviétiques. En avril de cette même année, le conglomérat germanique Junkers commença à construire des avions dans la banlieue de Moscou. Pendant ce temps, à Rostov, Krupp lança la fabrication de pièces d&#8217;artillerie. En 1925, une école d&#8217;aviation fut créée à Lipetsk (où se trouve aujourd&#8217;hui une base militaire russe) et elle servit à former plus d&#8217;une centaine de pilotes allemands, futurs membres de la Luftwaffe. Une école de chars était basée près de Kazan. Outre la formation de spécialistes, cette école contribua également à la conception des chars Panzer I et II, utilisés ensuite lors de la guerre civile espagnole ; pendant la Seconde Guerre mondiale, ils furent déployés lors d&#8217;interventions militaires en Afrique du Nord, en France, en Pologne et, comme un bon fils qui revient à la maison, en Union soviétique. Enfin, une usine d&#8217;armes chimiques fonctionna à Tomska entre 1926 et 1933. Après 1933, cette usine deviendra la principale installation industrielle militaire soviétique pour les armes chimiques.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>4. Le rôle du réarmement</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Si l&#8217;arrivée au pouvoir d&#8217;Hitler devait mettre fin à la coopération militaire germano-soviétique, la vérité est que, en 1933, le processus de réarmement allemand avait atteint un stade si avancé qu&#8217;il n&#8217;avait plus besoin de se cacher sur d&#8217;autres territoires, y compris sur le territoire soviétique.</p>
<p style="text-align: justify;">La contribution du socialisme soviétique fut donc décisive, tant d&#8217;un point de vue opérationnel que politique.</p>
<p style="text-align: justify;">D&#8217;un point de vue opérationnel, qui se refléta surtout durant la seconde guerre mondiale, le réarmement ne consolida pas seulement l&#8217;armée allemande &#8211; principal bélier pour l&#8217;expansion du projet politique et raciste nazi. Sans les victoires de la Wehrmacht (le nom de l&#8217;armée allemande après 1935) entre 1939 et 1942, jamais les <em>Einsatzkommandos </em><strong>[6] </strong>n&#8217;auraient pu parcourir librement les territoires polonais, lituaniens, ukrainiens, etc., en commettant d&#8217;innombrables massacres ; et jamais les camps d&#8217;extermination de Chelmno, Belzec et Treblinka n&#8217;auraient pu être construits. Le réarmement allemand &#8211; qui bénéficia de l&#8217;apport soviétique &#8211; était la première étape qui allait permettre de mettre en place, plus tard, toute une politique de terreur derrière les lignes offensives de la Wehrmacht.</p>
<p style="text-align: justify;">D&#8217;un point de vue politique, le réarmement avait auparavant, dans les années 1920 et 1930, renforcé deux des pôles de la montée du fascisme allemand : l&#8217;armée elle-même et, par ce biais, dans la première moitié des années 1920, l&#8217;expansion des Sections d&#8217;assaut.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>5. La signification de Rapallo</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Si le traité de Brest-Litovsk de 1918 fut le symptôme d&#8217;un projet politique bolchevique qui donna la primauté structurelle à l&#8217;État national russe par rapport au processus révolutionnaire international, Rapallo représenta le triomphe définitif des gestionnaires soviétiques, à cette époque déjà complètement déconnectés des processus d&#8217;auto-organisation des comités d&#8217;usine qui avaient fleuri en 1917-1918. Rapallo illustre en outre la confiance de l&#8217;État national soviétique et de ses gestionnaires dans leur capacité à entrer en contact avec les fractions de la classe internationale des gestionnaires les plus susceptibles de faciliter l&#8217;établissement de régimes fondés sur ce qu&#8217;un auteur a appelé l&#8217;économie dirigée <strong>[7]</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Si, entre 1941 et 1945, l&#8217;Union soviétique combattit aux côtés des Alliés contre le régime national-socialiste et joua un rôle fondamental dans son renversement, nous ne devons pas oublier que l&#8217;Union soviétique n&#8217;aurait très probablement pas pu vaincre l&#8217;Allemagne hitlérienne sans la contribution militaire et les énormes fournitures de matériel militaire, de nourriture et de carburant des États-Unis (dans le cadre du programme Lend-Lease <strong>[8]</strong>). Deuxièmement, et de manière encore plus pertinente, entre le début des années 1920 et la réalisation de la monomanie anti-slave d&#8217;Hitler lors de l&#8217;invasion de l&#8217;Union soviétique en juin 1941, le régime bolchevique renforça objectivement les régimes fascistes sur le plan économique et militaire. Ce renforcement militaire et économique de régimes qui, en théorie, représentaient les plus grands ennemis des travailleurs, renforça politiquement les fascismes de l&#8217;entre-deux-guerres. Le national-bolchevisme <strong>[9] </strong>appliqué à la politique internationale, dont les accords secrets de Rapallo furent un exemple significatif, favorisa la croissance des fascismes, dont le fascisme allemand en particulier. Plus précisément, Rapallo fournit les conditions pour la résurgence militaire et pour le renforcement de l&#8217;institution qui était à la base de l&#8217;émergence des premières milices nationales-socialistes.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>*</strong></p>
<p style="text-align: justify;">L&#8217;époque du traité de Rapallo fut aussi celle de la reconnaissance officielle du régime soviétique par Mussolini, qui se traduisit par l&#8217;établissement de relations diplomatiques officielles le 7 février 1924 et par le traité d&#8217;amitié, de non-agression et de neutralité, signé le 2 septembre 1933. Il convient de souligner que l&#8217;accord de 1924 signifiait que le premier pays occidental à reconnaître l&#8217;État soviétique fut l&#8217;Italie de Mussolini. Indépendamment de la répression des communistes italiens par le régime fasciste et de la participation de l&#8217;Italie fasciste et de la Russie soviétique à des camps distincts durant la guerre civile espagnole de 1936-1939, il est important de se demander pourquoi les accords commerciaux et les collaborations militaires entre des régimes apparemment si opposés ont toujours été insignifiants aux yeux de ceux qui cherchent à justifier le rôle de la gauche soviétique dans la montée des fascismes.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>*</strong></p>
<p style="text-align: justify;">En bref, le triomphe de Rapallo représente un ensemble d&#8217;axes qui allaient marquer profondément le reste de l&#8217;histoire du XXe siècle :</p>
<ol>
<li style="text-align: justify;">il empêcha une renégociation, dès 1922, du coûteux processus de réparations de guerre imposé à l&#8217;Allemagne, fournissant ainsi à l&#8217;extrême droite l&#8217;un de ses drapeaux pour combattre le régime de Weimar ;</li>
<li style="text-align: justify;">il permit et facilita le réarmement militaire allemand, favorisant l&#8217;institution qui allait soutenir le plus le développement initial des milices nationales-socialistes et de l&#8217;extrême droite allemande en général ;</li>
<li style="text-align: justify;">il établit des ponts institutionnels entre les couches de gestionnaires situés dans l&#8217;appareil d&#8217;État, notamment dans ses organes répressifs, en démontrant que le partage des connaissances et des infrastructures militaires, à la base du pouvoir de ce type de gestionnaires, était plus important que les considérations de nature politico-programmatique ;</li>
<li style="text-align: justify;">ce qu&#8217;on appelait la gauche en Russie soviétique n&#8217;était plus un courant politique mais simplement la manifestation extérieure et cosmétique du pouvoir d&#8217;une nouvelle classe dirigeante qui ne se rattachait plus à aucun projet émancipateur. Bien au contraire.</li>
</ol>
<p style="text-align: justify;">Le culte de la force militaire allait désormais rapprocher désormais la gauche de projets politiques à la fois antilibéraux et opposés à toute initiative autonome de la part des travailleurs.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>João Aguiar</strong>, <em>Passa Palavra</em>, 27/09/2022</p>
<blockquote class="td_quote_box td_box_center">
<p style="text-align: justify;">Traduit en français par Yves Coleman et publié ici : <a class="urlextern" title="https://npnf.eu/spip.php?article977" href="https://npnf.eu/spip.php?article977" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://npnf.eu/spip.php?article977</a>, d&#8217;après l&#8217;original en portugais publié ici : <a class="urlextern" title="https://passapalavra.info/2022/09/145809/" href="https://passapalavra.info/2022/09/145809/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://passapalavra.info/2022/09/145809/</a>.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong>Notes</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1]</strong> Dans sa préface au livre de João Bernardo <em>Economia dos conflitos sociais</em> (Économie des conflits sociaux, 1991, 2<sup>e</sup> édition 2009) Maurício Tragtenberg définit les <em>gestores</em> (gestionnaires) en ces termes : «<em>L &#8216;un des points les plus importants</em> [de ce livre] <em>traite de la structure des classes dirigeantes et souligne une bifurcation, au sein de la classe capitaliste, entre ce que João Bernardo appelle la classe bourgeoise et celle des gestionnaires. La classe bourgeoise est définie à partir d&#8217;une perspective décentralisée, c &#8216;est-à-dire, en fonction de chaque unité économique dans son microcosme. La classe des gestionnaires, en revanche, a une portée plus universalisatrice et est définie en fonction des unités économiques reliées à l&#8217;ensemble du processus. Toutes deux s &#8216;approprient la plus- value : toutes deux contrôlent et organisent les processus de travail : toutes deux garantissent le système d&#8217;exploitation et occupent une position antagoniste face à la classe ouvrière. Mais la classe bourgeoise et celle des gestionnaires diffèrent de plusieurs façons: 1) par les rôles qu&#8217;elles jouent dans le mode de production: 2) par les superstructures juridiques et idéologiques qui leur correspondent : 3) par leurs origines historiques différentes : 4) par leurs évolutions historiques différentes. Alors que la classe bourgeoise organise des processus particularisés visant à sa reproduction à un niveau microcosmique, la classe des gestionnaires organise ces processus particularisés en les reliant à un fonctionnement économique mondial et transnational. Il convient également d&#8217;ajouter que, pour l&#8217;auteur, la classe des gestionnaires tente parfois de se faire passer pour une classe non capitaliste, mais il ne s&#8217;agit que d&#8217;une apparence.» (NdT).</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[2]</strong> Selon un texte de Trotsky paru en 1938 dans le <em>New York Times</em>, intitulé «Vyshinsky&#8217;s Tactics Forecast», les contacts entre la Russie soviétique et les hauts gradés de la Reichswehr auraient eu lieu pendant la guerre civile elle-même.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[3] </strong>Corps francs ou <em>Freikorps</em> : après 1918, groupes paramilitaires, composés de civils et de soldats, encadrés par d&#8217;anciens officiers et sous-officiers, qui s&#8217;engagèrent dans différentes causes politiques : lutte contre l&#8217;Armée rouge après 1917, contre la révolution allemande de 1918, contre la République des conseils de Bavière en 1919, conquête partielle et temporaire de la Lituanie et de la Lettonie en 1920, putsch de Kapp en 1920, avant d&#8217;être dissous la même année sous la pression des Alliés (<em>NdT</em>).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[4] </strong>Karl Heiden cité dans João Bernardo (2018), <em>Labirintos do fascismo, </em>3<sup>e</sup> édition, p. 115. [Une quatrième édition, revue et augmentée, est parue en 2022, en 6 volumes aux éditions Hedra, <em>NdT</em>.]</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[5] </strong>Brigade Erhardt : issue des corps francs, cette brigade d&#8217;environ 1400 hommes combattit des insurrections communistes locales à Wilhelmshaven et en Bavière en 1919 puis tenta, lors du putsch de Kapp en mars 1920, de renverser la république de Weimar (<em>NdT</em>).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[6] </strong><em>Einsatzkommandos</em> (commandos d&#8217;intervention): sous-groupes des <strong>Einsatzgruppen</strong>, unités de police politique militarisées composées chacune de 3000 hommes dont 500 à 1000 membres de la SS. Créés en 1938, ils furent d&#8217;abord déployés lors de l&#8217;invasion de la Pologne en 1939. Leur tâche était d&#8217;éliminer physiquement, dans les territoires envahis par l&#8217;Allemagne, les opposants politiques, les intellectuels, les Roms, les homosexuels, les communistes et les Juifs (plus d&#8217;un million de Juifs furent victimes de la « Shoah par balles », première vague d&#8217;extermination qui débuta en 1941 avant la création des camps d&#8217;extermination), <em>NdT</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[7] </strong>João Bernardo (2018), <em>Labirintos do fascismo</em>, 3<sup>e</sup> édition, pp. 759- 764. [Une quatrième édition, revue et augmentée, est parue en 2022, en 6 volumes aux éditions Hedra, <em>NdT</em>.]</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[8] </strong>En trois ans et demi, les États-Unis fournirent près de 95 % des 17,5 millions de tonnes d&#8217;équipement militaire, de fournitures industrielles et de carburant que les Soviétiques reçurent à partir de la fin de 1941. Cela comprenait plus de 420 000 camions, plus de 13 000 véhicules de combat et 2,6 millions de tonnes de carburant (soit près de 60 % du carburant utilisé par l&#8217;aviation soviétique pendant la Seconde Guerre mondiale). Il y avait également près de 4,5 millions de tonnes de denrées alimentaires (viande en conserve, farine, sucre, etc.) ; près de 2 000 locomotives, des munitions, des explosifs, etc. Une usine de pneus Ford fut même transférée en territoire soviétique.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[9] </strong>Sur le national-bolchevisme on pourra lire, entre autres, l&#8217;article de Mouvement communiste (<a class="urlextern" title="http://mondialisme.org/spip.php?article2004" href="http://mondialisme.org/spip.php?article2004" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">http://mondialisme.org/spip.php?article2004</a>, paru dans la revue <em>Ni patrie ni frontières</em>) et celui de João Bernardo : « Marxisme et nationalisme (3). Le KPD et l&#8217;extrême droite nationaliste », <a class="urlextern" title="https://npnf.eu/spip.php?article920" href="https://npnf.eu/spip.php?article920" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://npnf.eu/spip.php?article920</a> (<em>NdT)</em>.</p>
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		<title>[Livro] Poesia Proletária</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Dec 2022 10:30:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Edições]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Revolução Russa]]></category>
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					<description><![CDATA[Esperamos, como é de praxe, passar a palavra. Por Passa Palavra]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por Passa Palavra</h3>
<p style="text-align: justify;">Ano que vem faz 100 anos da dissolução do coletivo artístico-cultural Proletkult e da publicação do artigo <em>Proletarian Poetry</em> (1923) por Alexander Bogdanov. A arte, que resultaria da consciência dos trabalhadores em luta, teve importância colossal para o ex-bolchevique e deixou lastro nas vanguardas artísticas até os dias atuais. Publicamos a primeira tradução do artigo para o português, em formato de livreto, para que, na medida do possível, essa discussão possa se alastrar pelo público lusófono. Esperamos, como é de praxe, passar a palavra.</p>
<p style="text-align: justify;">Ver <a class="urlextern" title="https://archive.org/details/poesia-proletaria" href="https://archive.org/details/poesia-proletaria" rel="ugc nofollow">aqui</a>.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://archive.org/embed/poesia-proletaria" width="560" height="384" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Nos 100 anos de Rapallo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Aníbal]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Sep 2022 03:05:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ideias & Debates]]></category>
		<category><![CDATA[Fascismo]]></category>
		<category><![CDATA[Govs_nacionais_e_internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Revolução Russa]]></category>
		<category><![CDATA[Rússia]]></category>
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					<description><![CDATA[ Nos 100 anos da assinatura de um tratado comercial e de coexistência entre a Rússia soviética e a Alemanha de Weimar, relembre-se o papel deste acordo no rearmamento que muito auxiliaria na ascensão do nazismo.  Por João Aguiar]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por João Aguiar</h3>
<blockquote><p>
Traduzido para o<a href="https://passapalavra.info/2022/09/145809/" target="_blank" rel="noopener"> francês</a>.
</p></blockquote>
<h3>1. De Génova a Rapallo</h3>
<p style="text-align: justify;">Nos 100 anos da assinatura de um tratado comercial e de coexistência entre a Rússia soviética e a Alemanha de Weimar, relembre-se o papel deste acordo no rearmamento que muito auxiliaria na ascensão do nazismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando a atual esquerda saudosista do mundo soviético é confrontada com a ignomínia do Pacto Germano-Soviético (Pacto Molotov-Ribbentrop) de 23 de agosto de 1939, responde sempre com a desculpa de que tal Pacto seria uma manobra tática adveniente da traição das democracias liberais aquando do Acordo de Munique de 30 de setembro do ano anterior. Ora, por ignorância ou por “esquecimento”, o facto é que o papel do comunismo soviético na ascensão do nazismo já tinha ganho forma muitos anos antes.</p>
<p style="text-align: justify;">Efetivamente, Rapallo representou uma assinatura diplomática entre o governo social-democrata alemão e o governo soviético, assente em trocas comerciais e no reconhecimento externo do regime soviético.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse acordo assinado em abril de 1922 representou uma negociação à parte e às escondidas da Conferência de Génova. Nesta Conferência estava-se a discutir não apenas o padrão-ouro, mas também a possibilidade de levantamento de algumas das medidas de reparação exigidas ao governo alemão, aquando do Tratado de Versalhes de 1919. Ao contrário do governo francês, o primeiro-ministro Lloyd George tinha a proposta de aliviar o garrote ao pacote de enormes restrições do programa de reparações decorrentes da derrota militar alemã na Primeira Guerra Mundial. Ao mesmo tempo, Génova representava uma tentativa de progressivamente criar plataformas de entendimento entre os Estados beligerantes de poucos anos antes, por parte das classes dominantes ocidentais de então. Pelo menos dentro de alguns setores, o objetivo seria o de adequar uma Alemanha aliviada de algumas reparações e a própria Rússia soviética na cena internacional, tendo em conta a abertura comercial soviética com a NEP, desde 1921.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas se a Conferência de Génova representava, em boa medida, um modelo típico dos gestores capitalistas da época em adequar e fazer coexistir Estados rivais, Rapallo seria a vitória dos Estados párias de então (a Alemanha do pós-guerra e a Rússia soviética) numa plataforma própria de relações. O papel fundamental dos soviéticos no falhanço da Conferência de Génova acabaria por dar corpo a que o peso ignominioso das reparações de guerra sobre a economia alemã (já num processo acelerado de hiperinflação) prosseguisse, com todas as consequências conhecidas na propaganda política e no crescimento político de toda a extrema-direita alemã (incluindo a nacional-socialista) nos 10 anos seguintes.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-145810 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/09/pp1-1.jpg" alt="Nos 100 anos de Rapallo" width="537" height="600" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/09/pp1-1.jpg 537w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/09/pp1-1-269x300.jpg 269w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/09/pp1-1-376x420.jpg 376w" sizes="auto, (max-width: 537px) 100vw, 537px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3 style="text-align: justify;">2. O exército alemão e as SA</h3>
<p style="text-align: justify;">Se antes da tomada do poder os bolcheviques tiveram na rejeição da diplomacia secreta uma das suas principais bandeiras contra o czarismo e os governos provisórios de Kerensky, não deixa de espantar que o principal conteúdo de Rapallo seria precisamente o acordo secreto de recorte militar com o Estado alemão.</p>
<p style="text-align: justify;">De facto, Rapallo não representou um ponto de partida para subsequentes colaborações entre o Exército Vermelho e a Reichswehr (nome do exército alemão entre 1919 e 1935). Inversamente, já desde 1920 <strong>[1]</strong> ou 1921 existiriam contactos frequentes entre altas patentes soviéticas e os militares e a indústria militar alemã para sediar instalações, fábricas e academias militares em solo soviético. Aliás, terá sido Radek quem, a partir de 1919, terá estado em contacto com as autoridades militares alemãs.</p>
<p style="text-align: justify;">Seria bom relembrar os mais distraídos que na primeira metade dos anos 20 a Reichswehr praticamente não existia desligada dos corpos francos, tendo um importante jornalista da altura lembrado que «A Reichswehr e a polícia constituíram, até 1923, a espinha dorsal do movimento nacional-socialista» <strong>[2]</strong>. Este mesmo jornalista lembraria também que as SA mais não eram do que sucessoras da brigada Ehrhardt, o que ajuda a perceber o papel da instituição militar na formação das milícias fascistas. Por conseguinte, um reforço do aparelho militar implicaria um apoio reforçado à expansão das SA.</p>
<p style="text-align: justify;">Ora, os primeiros contactos entre a Reichswehr e o comando militar soviético terão ocorrido nas costas do próprio governo social-democrata, sintoma de autonomia de ação do Estado-Maior germânico. E sintoma de partilha de interesses entre o Exército Vermelho e a Reichswehr. Ou se se preferir, sintoma de conexões entre os gestores bolcheviques e aquela parte da burocracia militar germânica que permite a permanência das instituições de poder, quando tudo em volta parece desabar. Para lá de óbvias diferenças políticas programáticas e até de aspirações territoriais, o conteúdo era o de uma plataforma comum de ação entre os gestores estatais soviéticos e a Reichswehr. No comando desta estavam elementos da burocracia militar alemã que fizeram a ponte entre a queda do império prussiano de Guilherme II e os primeiros passos da constituição de dois dos eixos fundamentais do fascismo alemão: a reformulação do exército alemão assente numa política de rearmamento secreto à revelia de qualquer controlo democrático; e, a partir deste, o nascimento das milícias fascistas das SA, sem as quais Hitler nunca poderia ter assegurado capital político suficiente para, mais tarde, ascender na cena política da extrema-direita alemã. Relembre-se que sem a desordem criada pelas milícias SA, nunca o partido nacional-socialista poderia aparecer como o reverso da medalha: o garante de uma nova era de ordem.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3 style="text-align: justify;">3. A colaboração entre a Reichswehr e os soviéticos</h3>
<p style="text-align: justify;">Em jeito de resumo, a Reichswehr construiria um arsenal bélico longe dos olhares ocidentais, e onde poderia treinar pessoal e testar armamento. Por seu turno, o Estado soviético também receberia acesso a desenvolvimentos técnicos e aprendizagem estratégico-militar.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-145811 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/09/pp2-1.jpg" alt="Nos 100 anos de Rapallo" width="540" height="600" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/09/pp2-1.jpg 540w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/09/pp2-1-270x300.jpg 270w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/09/pp2-1-378x420.jpg 378w" sizes="auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px" /></p>
<p style="text-align: justify;">Aparentemente, os primeiros oficiais do exército alemão terão chegado a território soviético em março de 1922, com a missão de começar a treinar pessoal soviético. Em abril desse mesmo ano, o conglomerado germânico Junkers terá iniciado a construção de aviões nos arredores de Moscovo. Entretanto, em Rostov, a Krupp começaria a fabricar peças de artilharia. Em 1925, uma escola de aviação foi estabelecida em Lipetsk (onde hoje se situa uma base militar russa), tendo sido utilizada para formar mais de uma centena de pilotos alemães, futuros membros da Luftwaffe. Uma escola de tanques foi sediada perto de Kazan. Para além de se formarem especialistas, também se terá contribuído para o design dos tanques Panzer I e II, utilizados mais tarde na Guerra Civil de Espanha e, durante a Segunda Guerra Mundial, intervenções militares no Norte de África, em França, na Polónia e, como bom filho que a casa retorna, na União Soviética. Por fim, ainda existiu entre 1926 e 1933 uma fábrica de armas químicas em Tomska. Depois de 1933, esta fábrica seria a principal instalação industrial militar de armas químicas soviéticas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3 style="text-align: justify;">4. O papel do rearmamento</h3>
<p style="text-align: justify;">Se a ascensão de Hitler ao poder iria levar ao encerramento da cooperação militar, a verdade é que, em 1933, o processo de rearmamento germânico estava num estádio avançado, já não necessitando mais de se esconder noutros territórios, incluindo o soviético.</p>
<p style="text-align: justify;">O contributo do socialismo soviético foi, assim, decisivo tanto do ponto de vista operacional, como do ponto de vista político.</p>
<p style="text-align: justify;">Do ponto de vista operacional, especialmente refletido na guerra, o rearmamento não só consolidou o exército alemão &#8211; principal aríete para a expansão do projeto político e rácico nazi. Sem as vitórias da Wehrmacht (o nome do exército alemão após 35) entre 1939 e 42, nunca os <em>Einsatzkommandos </em>poderiam percorrer livremente os territórios polaco, lituano, ucraniano, etc. a cometer inúmeros massacres e nunca os campos de extermínio de Chelmno, Belzec e Treblinka poderiam ter sido construídos. O rearmamento &#8211; que contou com o contributo soviético &#8211; foi a primeira parte que permitiria toda uma política de terror pudesse posteriormente acontecer na retaguarda das linhas ofensivas da Wehrmacht.</p>
<p style="text-align: justify;">Do ponto de vista político, o rearmamento permitiu previamente, nos anos 20 e 30, fortalecer dois dos pólos da ascensão do fascismo alemão: o próprio exército e, por essa via, na primeira metade dos anos 20, a expansão das SA.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-145812 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/09/pp3-1.jpg" alt="Nos 100 anos de Rapallo" width="417" height="600" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/09/pp3-1.jpg 417w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/09/pp3-1-209x300.jpg 209w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/09/pp3-1-292x420.jpg 292w" sizes="auto, (max-width: 417px) 100vw, 417px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3 style="text-align: justify;">5. Significado de Rapallo</h3>
<p style="text-align: justify;">Se o Tratado de Brest-Litovsk de 1918 era o sintoma de um projeto político bolchevista que daria primazia estrutural ao Estado nacional russo sobre o processo revolucionário internacional, Rapallo representa o triunfo definitivo da classe dos gestores soviética, nesta altura já completamente desligada dos processos de auto-organização dos comités de fábrica que tinham florescido em 1917-18. Rapallo representa adicionalmente a confiança do Estado nacional soviético, dos seus gestores em conectar-se com os segmentos de gestores internacionais mais propensos em facilitar o estabelecimento de regimes assentes no que um autor chamou de Economia Dirigida <strong>[3]</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Se entre 1941 e 1945 a União Soviética combateria ao lado dos Aliados contra o regime nacional-socialista, onde desempenharia um papel fundamental para o seu derrube, importa, em primeiro lugar, não esquecer que a União Soviética muito provavelmente não conseguiria derrotar a Alemanha hitleriana sem o contributo militar e os enormes fornecimentos de material bélico, comida e de combustíveis dos EUA (ao abrigo do programa Lend-Lease <strong>[4]</strong>). E, em segundo lugar, ainda mais relevante, entre o início dos anos 20 e a concretização da monomania anti-eslava de Hitler na invasão da União Soviética, em junho de 1941, o regime bolchevique objetivamente fortaleceu económica e militarmente regimes fascistas. Desse reforço militar e económico de regimes que, em teoria, representariam o maior inimigo dos trabalhadores, sucedeu o reforço político dos fascismos do entreguerras. O nacional-bolchevismo aplicado na política internacional, do qual os acordos secretos de Rapallo são um exemplo significativo, favoreceu o crescimento dos fascismos, do alemão em particular. Mais especificamente, Rapallo forneceu condições para o ressurgimento militar e para o reforço da instituição que esteve na base para o surgimento das primeiras milícias nacionais-socialistas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>*</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">É também desta altura o reconhecimento oficial do regime soviético por Mussolini, expresso no estabelecimento de relações diplomáticas oficiais a 7 de fevereiro de 1924 e do Tratado de Amizade, Não-Agressão e Neutralidade, assinado a 2 de setembro de 1933. Realce-se que o acordo de 1924 significou que o primeiro país ocidental a reconhecer o Estado soviético seria a Itália de Mussolini. Independentemente da repressão do regime fascista aos comunistas italianos e independentemente da participação da Itália fascista e da Rússia soviética em campos distintos na Guerra Civil espanhola de 1936-39, importa refletir como acordos de trocas comerciais e de colaborações militares entre regimes aparentemente tão opostos, só são insignificantes aos olhos de quem procura justificar o papel da esquerda soviética na ascensão dos fascismos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>*</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Em suma, o triunfo de Rapallo representou um conjunto de eixos que iriam marcar de forma profunda a restante história do século XX:</p>
<p style="text-align: justify;">1) impediu uma renegociação, logo em 1922, do processo oneroso de reparações de guerra imposto à Alemanha, fornecendo uma das bandeiras de luta da extrema-direita durante o regime de Weimar;</p>
<p style="text-align: justify;">2) permitiu e facilitou o rearmamento militar germânico, favorecendo a instituição que mais estaria na base do desenvolvimento inicial das milícias nacional-socialistas e da extrema-direita alemã em geral;</p>
<p style="text-align: justify;">3) estabeleceu pontes institucionais entre camadas de gestores situadas no aparelho de Estado, nomeadamente nas suas instâncias repressivas, demonstrando como a partilha de conhecimentos e de infraestruturas militares, que estavam na base do poder daquele tipo de gestores, era mais importante do que considerações de caráter político-programático;</p>
<p style="text-align: justify;">4) o que se chamava de esquerda na Rússia soviética já não era mais uma corrente política mas tão-somente a manifestação exterior e cosmética do poder de uma nova classe dominante que não mais se ligava a qualquer projeto emancipatório. Bem pelo contrário.</p>
<p style="text-align: justify;">O culto da força militar aproximaria doravante a esquerda de projetos políticos simultaneamente antiliberais e contrários a qualquer iniciativa autónoma dos trabalhadores.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-145813 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/09/pp4-1.jpg" alt="Nos 100 anos de Rapallo" width="475" height="600" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/09/pp4-1.jpg 475w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/09/pp4-1-238x300.jpg 238w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/09/pp4-1-333x420.jpg 333w" sizes="auto, (max-width: 475px) 100vw, 475px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Notas</strong>:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1] </strong>De acordo com um texto de Trotsky de 1938 no New York Times «Vyshinsky&#8217;s Tactics Forecast», os contactos entre a Rússia soviética e as altas patentes da Reichswehr teriam ocorrido durante a própria guerra civil.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[2] </strong>Karl Heiden citado em BERNARDO, João (2018) &#8211; <em>Labirintos do fascismo. </em>3ª ed. p. 115.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[3] </strong>BERNARDO, João (2018) &#8211; <em>Labirintos do fascismo</em>. 3ª ed. p. 759 a 764.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[4] </strong>Em três anos e meio os EUA terão fornecido quase 95% das 17,5 milhões de toneladas de equipamento militar, mantimentos industriais e de combustível que os soviéticos receberam, a partir de finais de 1941. Neste conjunto contam-se mais de 420 mil camiões, mais de 13 mil veículos de combate e 2,6 milhões de toneladas de combustível (equivalente a quase 60% do combustível de aviação utilizado pelos soviéticos durante a Segunda Guerra Mundial). Contam-se ainda quase 4,5 milhões de toneladas de alimentos (carne enlatada, farinha, açúcar, etc), quase 2 mil locomotivas, munições, explosivos, etc. Chegou mesmo a ocorrer a transferência de uma fábrica de pneus da Ford para território soviético.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><em>As artes que ilustram o texto são da autoria de </em><em>Albrecht Dürer (1471- 1528).<br />
</em></p>
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		<title>15% off</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Roberto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Dec 2020 08:00:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Flagrantes Delitos]]></category>
		<category><![CDATA[Revolução Russa]]></category>
		<category><![CDATA[Socialismo]]></category>
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					<description><![CDATA[Em comemoração aos 80 anos do assassinato de Leon Trotsky, há toda uma linha de produtos em 15% off na loja do Partido da Causa Operária. Tem máscara contra a covid, copinho de dose e inclusive roupinha de bebê. Pobre Trotsky, como se não bastasse ter sido assassinado daquela maneira, ainda lançam o ridículo sobre [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em comemoração aos 80 anos do assassinato de Leon Trotsky, há toda uma linha de produtos em 15% off na loja do Partido da Causa Operária. Tem máscara contra a covid, copinho de dose e inclusive roupinha de bebê. Pobre Trotsky, como se não bastasse ter sido assassinado daquela maneira, ainda lançam o ridículo sobre a sua memória convertendo-o em griffe! <strong>Passa Palavra</strong></p>
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		<title>Aos trabalhadores da Rússia: o que fazer? (Programa menchevique de 1919)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Sep 2018 19:00:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Revolução Russa]]></category>
		<category><![CDATA[Socialismo]]></category>
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					<description><![CDATA[Eis por que devemos não somente lutar energeticamente e promover reformas econômicas radicais, mas mudar com igual radicalismo o sistema político. Por Mencheviques]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por Mencheviques</h3>
<p><span id="more-120113"></span></p>
<blockquote>
<h2>Apresentação do documento</h2>
<p style="text-align: justify;"><em>É bem conhecido o fato de os mencheviques terem sido opositores do comunismo de guerra durante a Revolução Russa. Menos conhecido é o fato de que esta oposição não era puramente verbal; ela foi consolidada num programa escrito em 1919, de autoria incerta (mas frequentemente atribuída a Julius Mártov), que serviu de base à participação dos mencheviques no Sétimo Congresso Pan-Russo dos Sovietes (dez. 1919). O documento encontra-se hoje disponível na íntegra na coletânea organizada por Abraham Ascher, <strong>The Mensheviks in the Russian Revolution </strong>(Londres: Thames &amp; Hudson, 1976, pp. 111–117).</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>É um documento surpreendente, que deve comparado com as medidas implementadas pela Nova Política Econômica (NEP) em 1921. É flagrante, ainda que partam de pontos de vista radicalmente distintos, a semelhança de algumas das propostas econômicas do programa menchevique de 1919 com aquelas <a href="https://www.marxists.org/portugues/lenin/1921/04/21.htm#tr1">defendidas por Lênin em 1921</a>, que <a href="https://www.marxists.org/archive/lenin/works/1919/dec/05.htm">o mesmo Lênin combatera em 1919</a> (documento em inglês) no Sétimo Congresso Pan-Russo dos Sovietes.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>A comparação não nos interessa por si só. O que está feito está feito, não adianta nada fazer exercícios especulativos como &#8220;o que aconteceria se o programa menchevique houvesse sido adotado?&#8221;, ou &#8220;o que aconteceria se as medidas da NEP houvessem sido implementadas durante a guerra civil?&#8221;. </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>O programa menchevique interessa por evidenciar uma lacuna historiográfica, ao menos no mundo lusófono. O que levou os mencheviques a propor tais medidas? Teria algo a ver com sua experiência à frente do governo da Geórgia entre 1918 e 1921? Que relação guarda o programa com outras posturas e ações mencheviques durante a guerra civil?</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>A não ser que tomemos os impropérios dos polêmicos discursos de Lênin como verdade histórica inquestionável &#8212; o que não são &#8212; trata-se de questões importantes para entender o panorama de alternativas históricas postas durante a Revolução Russa, e por que a História foi o que foi.</em></p>
<h3>Passa Palavra</h3>
</blockquote>
<h2>Aos trabalhadores da Rússia: o que fazer?</h2>
<p style="text-align: justify;">A Revolução Russa encontra-se cercada por perigos internos, catástrofes e inimigos externos – Kolchak, Denikin, Yudenich e os aliados imperialistas – bem como pela falta de comida e combustíveis, pela escassez de bens, pelo aumento avassalador de todos os preços, pelo desespero e indiferença das massas trabalhadoras, pelo ódio dos camponeses e desespero dos citadinos. O que fazer se queremos salvar a revolução? É este o problema que perturba todos os trabalhadores politicamente conscientes que veem suas energias e forças exauridas a cada dia, e também a insatisfação das massas desesperadas, as greves e levantes que pioram ainda mais a situação.</p>
<figure id="attachment_122985" aria-describedby="caption-attachment-122985" style="width: 1650px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-122985" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2018/10/06813400015200064596913.jpg" alt="" width="1650" height="1039" /><figcaption id="caption-attachment-122985" class="wp-caption-text">Cartaz atribuído aos bolcheviques. Os três cães controlados pelos EUA, França e Reino Unido representam Kolchak, Denikin, Yudenich</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">O Comitê Central do POSDR chama a atenção ao programa que provê a única saída (do ponto de vista do Comitê Central) aos trabalhadores organizados em várias tendências – os social-democratas, os comunistas, os socialistas-revolucionários de esquerda e de direita, os militantes partidários.</p>
<p style="text-align: justify;">Todos os trabalhadores conscientes devem objetivar a defesa da Revolução e garantir seu desenvolvimento normal e sadio, de modo a poderem unir-se ao proletariado revolucionário do Ocidente numa forte onda, e levar os princípios do socialismo a cada nível da vida política. Para este fim, devemos construir, fortalecer e proteger o poder político de nossa classe trabalhadora sobre alicerces sólidos como pedras; devemos trabalhar pela revitalização de nossa economia, ferida pelos quatro anos de guerra no estrangeiro e dois anos de guerra civil.</p>
<p style="text-align: justify;">Como chegaremos a tal objetivo?</p>
<p style="text-align: justify;">A primeira e mais fundamental tarefa é, evidentemente, ganhar a guerra, defender os ganhos do poder operário e da revolução contra seus inimigos, e prover alimento e matérias-primas ao país. Devemos fazer todos os esforços possíveis para derrotar os capangas contrarrevolucionários que atacam a Rússia soviética e mostrar aos governos europeus e a seus povos que nossa revolução não poderá ser derrotada no campo de batalha – o que levará os Aliados a parar a sangrenta carnificina.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas a guerra liga-se estreitamente aos problemas econômicos e políticos. Não basta derrotar um Armstrong ou um Denikin e afastar suas forças de Moscou. Devemos nos assegurar de que não possam contra-atacar em menos de três meses. Os camponeses, trabalhadores e todo o povo explorado, prontos a lutar com suas pequenas tropas e grupamentos sob a bandeira da contrarrevolução porque, como resultado da indiferença, ódio, exaustão ou devastação dos camponeses e trabalhadores, o poder revolucionário não consegue mobilizar força suficiente para obter uma vitória rápida e decisiva; eles não podem se agrupar. Em poucas palavras, devemos por um fim à situação na Ucrânia e na Bielorrússia, nas bacias do Don e do Volga, nos Urais e na Sibéria, onde eles recepcionam calorosamente o poder revolucionário, o primeiro a salvá-los dos terratenentes e guardas-brancos; mas que dois meses depois sentiram falta da velha ordem e puseram-se a salvar-se a si próprios das dificuldades da administração revolucionária, dos atos de violência ofensivos à nossa causa e das atividades ilegais.</p>
<p style="text-align: justify;">Se tivermos sucesso no combate aos contrarrevolucionários, devemos por fim às turbulências econômicas e ao crescente pauperismo em meio aos trabalhadores, que torna impossível equipar e transferir trabalho ou mesmo receber apoio pronto e apto dos trabalhadores e camponeses. Devemos melhorar os meios de produção e de troca implementados na Rússia soviética até o momento, e empregar melhor as forças sociais capazes de estimular a economia, melhor do que fizemos até agora. Em poucas palavras, devemos mudar drasticamente nossa política econômica e parar de adotar medidas parciais ou casuísticas, e devemos fazê-lo para por fim às mais recentes reclamações em nosso campo; devemos trabalhar de acordo com algum tipo de plano, e com um só propósito; deve-se permitir às organizações fazer tudo aquilo que o Estado pode fazer com seus recursos, e também permitir a indivíduos, organizações e grupos privados desempenhar tarefas que executem de modo mais conveniente e rápido que o Estado.</p>
<figure id="attachment_122983" aria-describedby="caption-attachment-122983" style="width: 554px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-122983" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2018/10/2458342_orig.jpg" alt="" width="554" height="372" /><figcaption id="caption-attachment-122983" class="wp-caption-text">Propaganda difamatória comparando os bolcheviques aos mencheviques</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Ao mesmo tempo, se queremos resolver a questão militar e lidar com nossas urgentes necessidades econômicas, devemos também avaliar corretamente e resolver o problema político. No atual sistema, o poder está nas mãos de um só partido representativo de um pequeno segmento da população, e sem qualquer controle pelas massas, privadas de seus direitos, recorrem livremente ao terrorismo. Neste sistema, é óbvio que a defesa militar não resolverá as questões, nem pode suportar o caos econômico. Ele deveria ser empregue para melhorar a situação dos trabalhadores; mas levanta fundos públicos não-contabilizados, e nas províncias confere autoridade e privilégios a burocratas e a um pequeno número de trabalhadores e camponeses que desprezam seus concidadãos ao agir como burocratas; por toda parte o governo preenche seus escritórios e instituições com burocratas incompetentes que valorizam o ser humano de acordo com sua obediência à autoridade, não de acordo com suas habilidades.</p>
<p style="text-align: justify;">Este sistema permite aos burocratas e às células comunistas privilegiadas bloquear, prevenir e distorcer o que não desejam, seja o beneficial, seja o necessário. A polícia e a Cheka têm papel decisivo nos destinos de cada trabalhador e de cada vila, assim como dos intelectuais e da burguesia… Os camponeses e as massas trabalhadoras perdem completamente o interesse pelos assuntos tratados em longas e impenetráveis reuniões políticas. A revolução somente poderá ser salva de imediato deste perigo implacável pela ação entusiástica, independente e criativa das massas; não obstante, os trabalhadores comuns e os aldeões, e também os membros responsáveis do proletariado, entram em letargia, e frente aos enormes esforços de combate à contrarrevolução, de melhoras na produção e na disciplina do trabalho, veem horrorizados murmúrios de indiferença. Os trabalhadores e camponeses agem como se dissuadidos de um papel livre e independente na vida política. Não se sentem mais senhores do Estado, nem que o governo e os funcionários públicos estejam a seu serviço; pelo contrário, aprenderam que o poder deles é, de fato, independente da vasta maioria do povo.</p>
<p style="text-align: justify;">Eis por que devemos não somente lutar energeticamente e promover reformas econômicas radicais, mas mudar com igual radicalismo o sistema político.</p>
<p style="text-align: justify;">Por esta razão, o Comitê Central do POSDR apela a todos os trabalhadores politicamente conscientes; o colapso econômico e as más condições da classe trabalhadora podem ser prevenidos, os trabalhadores e as massas democráticas poderão renovar sua fé na Revolução, a Rússia revolucionária será capaz de organizar-se de modo expedito e aumentar sua capacidade bélica, de acordo com as seguintes medidas.</p>
<h3 style="text-align: justify;">Medidas econômicas</h3>
<p style="text-align: justify;"><strong>1.</strong> Os camponeses poderão reter, em bases individuais ou coletivas, tal como for de sua livre decisão, as terras públicas e privadas que tomaram e parcelaram durante a revolução. Outras terras, ainda não distribuídas, devem ser emprestadas em longo prazo para os camponeses necessitados e para as associações de camponeses, exceção feita às terras onde a atividade agrícola de larga escala estiver sendo desenvolvida e puder continuar a sê-lo, seja pelo Estado, seja por arrendatários. Os decretos abolidores dos Comitês dos Pobres devem ser postos em prática sem exceção.</p>
<p style="text-align: justify;">Comunas agrícolas não deverão ser estabelecidas pela força, seja direta, seja indiretamente. Suprimentos, implementos agrícolas e sementes em posse do governo deverão ser equitativamente distribuídos não apenas entre as comunas, mas também a todos os camponeses que deles precisem nas comunas e terras de sovietes.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>2.</strong> O atual sistema de abastecimento alimentar deve ser substituído por outro, nas seguintes bases:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>a.</strong> O Estado deverá comprar grãos a preços acordados, envolvendo larga aplicação do princípio do escambo; eles devem, então, ser vendidos a preços módicos aos moradores mais pobres da cidade e do campo, com o Estado cobrindo a diferença. O Estado deve fazer compras por meio de seus agentes, de cooperativas ou de negociantes privados, estes últimos à base de comissões.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>b.</strong> O Estado deverá comprar, a um preço igual ao custo de produção, certa proporção de excedentes granários em posse dos camponeses mais bem colocados nas províncias mais férteis, em proporção a ser decidida com o aconselhamento de representantes livremente eleitos do campesinato local.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>c. </strong>Cereais devem ser adquiridos por cooperativas e organizações de trabalhadores, que devem ao mesmo tempo repassar os estoques assim granjeados aos órgãos governamentais encarregados do abastecimento alimentar. O Estado mantém o direito de requisitar suprimentos de grandes terratenentes que deliberadamente os açambarcarem para fins especulativos. As providências para o transporte ficam sob o controle primário do Estado, das cooperativas e das organizações de trabalhadores. Todos os destacamentos anti-especuladores devem ser debandados. A transferência de gêneros alimentícios de uma localidade a outra não deve ser proibida, salvo em circunstâncias excepcionais e por deliberação da legislatura central.</p>
<p style="text-align: justify;">O Estado deve dar assistência, materialmente e por medidas administrativas, à transferência de trabalhadores e de suas famílias das localidades onde a comida é mais escassa, e à sua relocação em áreas férteis.</p>
<figure id="attachment_122986" aria-describedby="caption-attachment-122986" style="width: 592px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-122986" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2018/10/menshevik.jpg" alt="" width="592" height="382" /><figcaption id="caption-attachment-122986" class="wp-caption-text">Pavel Axelrod, Julius Martov e Alexander Martinov, lideranças mencheviques</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;"><strong>3. </strong>O Estado deve manter o controle das maiores empresas industriais, fundamentais para a vida econômica, tal como minas, metalúrgicas, os ramos centrais da indústria metalúrgica etc. Todavia, em todos os lugares onde tal medida possibilite melhorar ou animar a produção ou estender seu alcance, o Estado poderá recorrer à organização de tais empresas por meio de uma combinação entre capital privado e estatal, pela formação compulsória de trustes sob controle estatal ou, em casos excepcionais, por meio de concessões.</p>
<p style="text-align: justify;">Todas as demais empresas industriais de grande porte, exceto onde o controle estatal seja desejável por razões fiscais ou outras e não seja deletério à produção, devem ser, via de regra, gradualmente transferida para mãos privadas, por meio de arrendamento a cooperativas, novos empresários ou aos antigos donos, sob a condição de aceitarem a obrigação de restaurar e organizar a produção. O Estado deve regular a distribuição de combustível e matérias-primas a diferentes ramos da produção, empresas e áreas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>4. </strong>Indústrias de pequena escala não deverão ser nacionalizadas em nenhum caso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>5. </strong>O Estado deve regular a distribuição a diferentes áreas, de acordo com um plano previamente estabelecido, dos principais artigos de consumo de massa como têxteis, implementos agrícolas, sal, material elétrico etc., com o apoio de cooperativas e comerciantes privados.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>6. </strong>No que diz respeito ao comércio de outros artigos de primeira necessidade e também de bens suntuários, o Estado deve evitar impor restrições, e deve permitir a cooperativas e empresas privadas funcionar livremente, exceto em casos onde a regulação ou mesmo o monopólio sejam desejados por força da extrema escassez do produto, p. ex., suprimentos médicos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>7.</strong> O sistema de crédito deve ser reorganizado para facilitar de todas as maneiras o uso, no comércio e na indústria, dos fundos disponíveis acumulados pelos produtores na cidade e no campo, e para dar espaço à iniciativa privada no comércio, indústria e agricultura.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>8. </strong>A repressão à especulação e aos abusos comerciais deve ser deixada às cortes e governada por provisões legais específicas. Todos os atos arbitrários de requisição, confisco e retenção de bens deve ser punida. A lei deve proteger os direitos de propriedade no caso de todos os negócios industriais e comerciais livres da nacionalização. No futuro, quando a expropriação for requerida pelo interesse público, ela deverá ter lugar com base na decisão dos corpos legislativos supremos, e sob condições por eles determinadas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>9. </strong>Os sindicatos de trabalhadores, além de tomar parte direta no trabalho dos corpos regulatórios, são também, e primariamente, representantes dos interesses do proletariado <em>vis-à-vis</em> o Estado e os empresários privados. Nesta última atribuição, devem ser totalmente independentes de quaisquer corpos estatais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>10.</strong> As médias salariais nas empresas estatais devem ser aumentadas, e médias salariais mínimas devem ser fixadas para as empresas privadas, de acordo com o nível comercial dos preços dos bens de primeira necessidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>11.</strong> O decreto sobre as comunas de consumidores deve ser revogado. As cooperativas de trabalhadores, e as cooperativas em geral, devem ser preservadas como organizações autônomas, sem a imposição de funcionários públicos em cargos de supervisão ou de qualquer outra interferência em seus assuntos internos. Elas devem também ter o direito de desenvolver atividades não-comerciais, tais como publicações, educação etc.</p>
<h3 style="text-align: justify;">Medidas políticas</h3>
<p style="text-align: justify;"><strong>1. </strong>O direito a ser eleito como membro dos sovietes deve ser estendido a todos os trabalhadores, de ambos os sexos. Sovietes da cidade e do campo devem ser eleitos por todos os trabalhadores, com votação secreta e liberdade de realização de campanhas eleitorais por meio oral ou pela imprensa. Os sovietes e comitês executivos devem ser sujeitos à reeleição em intervalos fixos. Os sovietes não deverão ter o direito de excluir membros individuais ou grupos de seu seio por razões políticas. Todos os funcionários e órgãos públicos deverão ser subordinados aos sovietes locais e aos comitês executivos centrais.</p>
<figure id="attachment_122987" aria-describedby="caption-attachment-122987" style="width: 380px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-122987" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2018/10/K7RepPcOCAkY5e01qDN5lZ1NWpBIiZPE6rBDbXRSFe8.jpg" alt="" width="380" height="546" /><figcaption id="caption-attachment-122987" class="wp-caption-text">Cartaz bolchevique: &#8220;cuidado com os mencheviques e os socialistas-revolucionários: eles são seguidos pelos generais, sacerdotes e proprietários de terras czaristas&#8221;.<br />Escrito na bandeira: &#8220;terra e liberdade para o povo&#8221;, &#8220;viva a assembleia constituinte&#8221;</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;"><strong>2. </strong>O Comitê Executivo Central dos Sovietes deve mais uma vez funcionar como corpo administrativo e legislativo supremo, e suas sessões devem ser abertas ao escrutínio público. Nenhuma lei deve ser promulgada sem antes ser discutida e aprovada pelo CEC.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>3. </strong>As liberdades de imprensa, reunião e associação devem ser restauradas, e qualquer partido representativo dos trabalhadores deve ter o direito e a possibilidade de usar qualquer recinto para reuniões, estoques de papel para imprensa, gráficas etc. Qualquer restrição a este direito que venha a se tornar necessária por força da guerra contra a contrarrevolução deve ser estabelecida e claramente definida pela legislatura, não deve infringir a liberdade básica e deve ser aplicada apenas pelas cortes e instituições sob seu controle direto.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>4. </strong>Os Tribunais Revolucionários devem ser reorganizados de modo a que os juízes sejam eleitos por todos os trabalhadores. Juntamente com as comissões de investigação que lhes são subordinadas, eles devem ter a única responsabilidade de combater a contrarrevolução. Todos os funcionários devem ser diretamente sujeitos à investigação perante tais tribunais por atos ilegais cometidos no exercício de seus deveres, por iniciativa da parte lesada no caso concreto. O terror como instrumento de governo deve ser eliminado; a pena de morte deve ser abolida, e de igual modo todos os órgãos investigativos e punitivos independentes das cortes, tal como a Comissão Extraordinária (Cheka).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>5.</strong> As instituições e células partidárias devem ser privadas de autoridade estatal, e os membros do partido devem perder todos os privilégios materiais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>6. </strong>O aparato burocrático deve ser simplificado pela ampliação do autogoverno local.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>7. </strong>Uma política de entendimento deve ser buscada vis-à-vis as nacionalidades que por quaisquer razões tenham rompido com a Rússia, para por rapidamente um fim à Guerra Civil e restaurar a unidade do Estado com base na autodeterminação nacional. Aos distritos cossacos &#8212; Don, Kuban, Tersa, os Urais, Astracã, Oremburgo etc. &#8212; deve ser garantida a mais ampla autonomia possível, e não deve haver interferência alguma em seus assuntos internos ou em seus sistemas de apossamento da terra. A Sibéria deve ter um autogoverno regional, e as independências da Polônia e da Finlândia devem ser reconhecida.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Comitê Central do Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR), 12 de julho de 1919.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sotsial-demokratiia i revolutionsiaa. Sbornik dokumentov</strong> (Odessa, 1920), pp 9-15.</p>
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		<title>Os bolcheviques e o controle operário (índice)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Sep 2018 20:00:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Extrema_esquerda]]></category>
		<category><![CDATA[Marxismo]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Revolução Russa]]></category>
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					<description><![CDATA[Transcrição integral do livro Os bolcheviques e o controle operário, de Maurice Brinton, traduzido do inglês por Carlos Miranda e publicado em 1975 pela editora Afrontamento.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A transcrição desta tradução do livro de Maurice Brinton, <strong>The bolsheviks and workers&#8217; control: the State and counter-revolution</strong>, feita por Carlos Miranda, conta com autorização da <a href="http://www.edicoesafrontamento.pt/">Editora Afrontamento</a>, que a publicou originalmente em 1975.</p>
<p style="text-align: justify;">A obra original está dividida em um capítulo por ano, mais a introdução e as conclusões; por razões editoriais e a bem da adaptação ao formato do site, alguns capítulos mais extensos foram subdivididos. O texto da obra, todavia, não foi alterado, exceto pela correção, sempre em comparação com o original inglês, de alguns erros tipográficos. Além disto, sempre que possível, localizamos versões digitais de documentos, livros e artigos indicados na bibliografia e ligamo-los onde necessário.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta republicação faz parte do esforço coletivo de traduções do centenário da Revolução Russa mobilizado pelo Passa Palavra. Veja <a class="urlextern" title="http://passapalavra.info/2017/03/110877" href="http://passapalavra.info/2017/03/110877" rel="nofollow">aqui</a> a lista de textos e o chamado para participação.</p>
<h3 style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/2018/03/118448">Os bolcheviques e o controle operário: introdução</a></h3>
<p style="text-align: justify;">O problema da autogestão não é um problema esotérico. A autogestão é muito simplesmente o conteúdo da revolução da nossa época.</p>
<h3 style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/2018/03/118479">Os bolcheviques e o controle operário: de fevereiro a outubro de 1917</a></h3>
<p style="text-align: justify;">Nitidamente, Lênin entendia por “controle operário” uma “administração” por outras pessoas que não os trabalhadores.</p>
<h3 style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/2018/07/120660">Os bolcheviques e o controle operário: de outubro a dezembro de 1917</a></h3>
<p style="text-align: justify;">O Decreto sobre o Controle Operário (1917) provou rapidamente que, na prática, não valia sequer o papel em que estava escrito.</p>
<h3 style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/2018/07/120769">Os bolcheviques e o controle operário: de janeiro a maio de 1918</a></h3>
<p style="text-align: justify;">A política bolchevique em relação aos Comités e em relação aos sindicatos foi posta em acção antes da irrevogável queda da revolução alemã, acontecimento que frequentemente se refere para &#8220;justificar” muitas das medidas tomadas pelos governantes russos.</p>
<h3 style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/2018/08/120846">Os bolcheviques e o controle operário: de maio a dezembro de 1918</a></h3>
<p style="text-align: justify;">Começo da Guerra Civil em larga escala e começo da intervenção Aliada. [Os que pretendem responsabilizar a Guerra Civil pela prática bolchevique anti-proletária podem fazê-lo a partir de agora.]</p>
<h3 style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/2018/08/120849">Os bolcheviques e o controle operário: 1919</a></h3>
<p style="text-align: justify;">Lenine apoiou entusiasticamente as propostas de Trotski sobre militarização do trabalho; é mentira que Lenine teria se oposto a tais propostas, pois isto só se deu doze meses mais tarde, no fim de 1920.</p>
<h3 style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/2018/08/120890">Os bolcheviques e o controle operário: 1920</a></h3>
<p style="text-align: justify;">Em pouco mais de 2 anos o aparelho do Partido tinha adquirido a competência e experiência necessárias para se tornar numa categoria social com uma função especifica: a de gerir a Rússia. A sua fusão era inevitável.</p>
<h3 style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/2018/08/120913">Os bolcheviques e o controle operário: 1921</a></h3>
<p style="text-align: justify;">Tinha-se proclamado em 1917 que &#8220;todos os cozinheiros deviam aprender a governar o Estado&#8221;. Em 1921 o Estado era suficientemente poderoso para mandar em todos os cozinheiros!</p>
<h3 style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/2018/08/120670">Os bolcheviques e o controle operário: conclusão e bibliografia complementar</a></h3>
<p style="text-align: justify;">A futura revolução extrairá a sua força e inspiração da experiência real de milhões de pessoas, do Leste e do Oeste.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-122916" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2018/09/capa.jpg" alt="" width="882" height="915" /></p>
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		<title>Os bolcheviques e o controle operário: conclusão e bibliografia complementar</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Sep 2018 03:00:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Revolução Russa]]></category>
		<category><![CDATA[Socialismo]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho_e_sindicatos]]></category>
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					<description><![CDATA[A futura revolução extrairá a sua força e inspiração da experiência real de milhões de pessoas, do Leste e do Oeste. Por Maurice Brinton]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por Maurice Brinton</h3>
<p style="text-align: justify;"><strong>CONCLUSÃO</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Os acontecimentos descritos neste livro mostram que, no campo da &#8220;política do trabalho&#8221;, há uma relação clara e incontroversa entre o que sucedeu sob Lenine e Trotski e a prática posterior de Staline. Sabemos que muitos elementos da esquerda revolucionária dificilmente engolirão esta afirmação. Estamos convencidos, no entanto, que qualquer leitura honesta dos factos conduzirá necessariamente a essa conclusão. Quanto mais pesquisamos este período, mais difícil se torna definir, ou sequer ver, o &#8220;abismo&#8221; que se diz separar o que sucedeu no tempo de Lenine do que sucedeu mais tarde. O conhecimento real dos factos também torna impossível aceitar, como o fez Deutscher, o curso dos acontecimentos como &#8220;historicamente inevitável&#8221; e &#8220;objectivamente determinado&#8221;. A ideologia e prática bolcheviques foram <strong>elas mesmas</strong> factores importantes, e algumas vezes decisivos, em todos os estágios críticos deste período crítico. Agora que se conhece maior número de factos deveria ser impossível continuar alguém a automistificar-se. Quem, tendo lido estas páginas, tiver ficado &#8220;confuso&#8221;, é porque o quer ficar, ou porque (como futuro beneficiário duma sociedade semelhante à sociedade russa) é do seu interesse ficá-lo. O facto de tanta gente, que passou toda a sua vida no movimento socialista, saber tão pouco sobre este período não tem nada de surpreendente. Na torrente do entusiasmo inicial pela &#8220;vitoriosa revolução socialista&#8221; de 1917 era quase inevitável que só o ponto de vista dos vencedores encontrasse audiência. Durante muitos anos, a única alternativa que se apresentava eram os lamentos hipócritas da social-democracia ou o rosnar da contra-revolução declarada. A voz da oposição revolucionária libertária ao bolchevismo foi eficazmente sufocada.</p>
<figure id="attachment_122775" aria-describedby="caption-attachment-122775" style="width: 214px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-122775" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2018/09/brinton.png" alt="" width="214" height="299" /><figcaption id="caption-attachment-122775" class="wp-caption-text">Maurice Brinton</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Vae victis&#8221; disse Irennus, o Gaulês, em 309 AC, quando atirou a sua pesada espada para a balança que pesava o resgate necessário para levantar o cerco de Roma. &#8220;Morte aos vencidos&#8221; tem sido de facto o veredicto imediato da história através dos tempos. Eis por que se sabe tão pouco acerca dos revolucionários que não esperaram por 1923 para proclamar a sua oposição, mas que viram logo em 1918 em que direcção a sociedade russa caminhava, muitas vezes à custa da própria vida. Eles, e a sua memória, viriam a ser apagados na grande onda burocrática da década seguinte, eufemisticamente descrita como &#8220;construção do socialismo&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Só recentemente, quando os frutos da revolução &#8220;vitoriosa&#8221; começaram a ser colhidos (na Hungria, Checoslováquia, etc.) é que surgiram as dúvidas e se fizeram, finalmente, perguntas objectivas. Só agora é que se começou a trabalhar a sério na verdadeira natureza da decomposição (a atitude bolchevique para com as relações de produção) e a prestar de novo atenção aos avisos proféticos dos &#8220;vencidos&#8221;. Falta ainda restituir ao movimento revolucionário, a quem pertence de direito, uma quantidade enorme de material extremamente valioso sobre esses anos de formação.</p>
<p style="text-align: justify;">Cinquenta anos depois da Revolução russa, percebemos melhor alguns dos problemas tão violentamente discutidos entre 1917 e 1921. Os revolucionários libertários de 1917 foram tão longe quanto podiam. Mas hoje em dia dispomos de experiências muito mais ricas. Os acontecimentos da Hungria em 1956 e da França em 1968 (e, podemos acrescentar, da Polónia em 1970 — NdT) lançaram luz sobre os problemas das modernas sociedades burocráticas capitalistas e mostraram a natureza da oposição revolucionária a que dão origem, quer no contexto ocidental quer no contexto oriental. O que era irrelevante e contingente foi varrido. Cada vez mais se considera o domínio do homem sobre o que o rodeia e das instituições que cria para resolver as tarefas com que se defronta como as questões chave da nossa época. Manterá o homem o controle das suas criações ou será dominado por elas? Nestas questões estão incluídas questões ainda mais fundamentais: a da própria &#8220;falsa consciência&#8221; do homem, a sua desmistificação em relação à &#8220;complexidade&#8221; da gestão, o restabelecimento da sua auto-confiança, a da sua capacidade de assegurar o controle sobre uma autoridade delegada, da sua reapropriação de <strong>tudo</strong> o que o capitalismo lhe tirou. Está também implícita nestas questões a de como libertar a imensa capacidade criativa que todos nós temos e de como usá-la para fins por nós escolhidos.</p>
<p style="text-align: justify;">Na luta por estes objectivos o bolchevismo será eventualmente encarado como uma aberração monstruosa, a última roupagem envergada pela ideologia burguesa que começava a ser atacada nas suas próprias raízes. A ênfase dada pelos bolcheviques à incapacidade das massas para atingirem a consciência socialista através da sua própria experiência da vida sob o capitalismo, a sua preocupação com um &#8220;partido de vanguarda&#8221; hierarquicamente estruturado e com a &#8220;centralização para lutar contra o poder estatal centralizado da burguesia&#8221;, a sua proclamação dos &#8220;direitos históricos&#8221; dos que aceitaram uma determinada visão da sociedade (e do seu futuro) e portanto o direito de impor essa visão aos outros, apontando-lhes uma arma se necessário, tudo isto será reconhecido pelo que de facto é: a última tentativa da sociedade burguesa para restabelecer a sua divisão estrita entre dirigentes e dirigidos, e para manter relações sociais autoritárias em todos os aspectos da vida humana.</p>
<p style="text-align: justify;">Para que a revolução do futuro seja significativa terá de ser profundamente libertária. Terá que basear-se numa assimilação real da experiência russa. Recusará a substituição de um tipo de dirigentes por outro, de uma camada de exploradores por outra, de uns padres por outros, de um autoritarismo por outro, ou de uma ortodoxia asfixiante por outra. Deverá eliminar radicalmente todas as falsas soluções que não passam de novas manifestações da alienação contínua do homem. Uma autêntica compreensão do bolchevismo será um ingrediente necessário em qualquer revolução que pretenda transcender <strong>todas</strong> as formas de alienação e auto-mistificação. A medida que a sociedade antiga se desmorona, quer a burguesia quer a burocracia terão que ser enterradas sob as suas ruínas. Haverá que compreender quais as suas verdadeiras raízes. Nessa tarefa gigantesca, a futura revolução extrairá a sua força e inspiração da experiência real de milhões de pessoas, do Leste e do Oeste. Este pequeno livro pretende contribuir, ainda que minimamente, para essa tarefa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-122772 alignright" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2018/09/arton9046.jpg" alt="" width="400" height="352" /></strong>Além da documentação abundante citada no estudo do grupo <em>Solidarity</em>, mencionam-se a seguir alguns textos publicados ou reeditados após 1970, data da edição inglesa de<em> The Bolcheviks and Workers&#8217; Control</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">ANWEILER (Oskar), <em>Les Soviets en Russie, 1905-1921 (Die Rätebewegung in Russland 1905-1921)</em>. Tradução francesa de Serge Bricianer, prefácio de Pierre Broué, Paris, Gallimard, 1972, 355 p. (Edição original 1958).</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">Na sua introdução, Anweiler define com muita precisão o que pretendeu fazer, com estas palavras: &#8220;A constituição da Rússia actual, a União das Repúblicas socialistas soviéticas, tem por base formal o sistema dos conselhos (ou sovietes), é por isso que se liga vulgarmente a noção de &#8220;soviete&#8221; à de bolchevismo; seja ou não exacta do ponto de vista político, essa assimilação é, seja como for, indefensável do ponto de vista histórico. Basta com efeito estudar o período de formação do Estado bolchevique para perceber que os conselhos tiveram uma origem autónoma, e que só em determinada etapa do seu desenvolvimento se fundiram num sistema novo, o sistema bolchevique dos conselhos, ligado à teoria leninista do Estado e da Revolução, tanto como à prática do Estado e do Partido Bolcheviques. A presente obra tem por objecto reconstituir a história dos conselhos russos, desde o seu nascimento à sua incorporação ao Estado bolchevique&#8230;&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">Ora, na perspectiva marxista da auto-emancipação do proletariado, quem não vê a importância decisiva desse facto histórico: a independência original dos conselhos em relação ao partido de Lenine?</p>
<p style="text-align: justify;"><em>SOCIALISME OU BARBARIE</em> (reedições de artigos):</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">Reconhece-se hoje de comum acordo a importância da função subterrânea desempenhada pelo grupo <em>Socialisme ou Barbarie</em> durante 17 anos, de 1949 a 1965. Ora, os 40 números dessa revista são hoje impossíveis de encontrar e as colecções das raras bibliotecas públicas que os conservaram são muitas vezes incompletas. Devemos portanto aplaudir as recentes reedições dos artigos de Lefort e de Castoriadis:</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">LEFORT (Claude), <em>Élements d&#8217;une critique de la bureaucratie</em>, Paris, Genève, 1971, 369 p. Merecem reler-se, particularmente, os textos da primeira parte, intitulada: &#8220;O partido revolucionário como órgão burocrático&#8221; e o Posfácio. A revista <em>Autogestion</em> (12, av. du Maine, Paris 15ème) publicou sobre o livro de Lefort uma análise de Lourau (n.º 16-17, pp. 217-219).</p>
<p><span style="text-align: justify;">CASTORIADIS (Comelius), </span><em style="text-align: justify;">La société bureaucratique I, Les rapports de production en Russie, II, La révolution contre la bureaucratie</em><span style="text-align: justify;">, Paris, 10/18, 2 vol., 1973.</span></p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">Trata-se dos dois primeiros tomos de uma série<strong>[*]</strong> (foram anunciados doze volumes) que reunirá os artigos publicados na revista <em>Socialisme ou Barbarie</em> sob os pseudónimos de Pierre Chaulieu e de Paul Cardan. Esta reimpressão é acompanhada de inéditos e de textos complementares (advertências, posfácios, rectificações diversas) dos dois primeiros tomos. O primeiro volume distingue-se particularmente por uma longa introdução na qual Castoriadis descreve o seu itinerário intelectual em ligação com a evolução política deste último quarto de século. Entre os textos reeditados, o mais célebre tem por título: &#8220;As relações de produção na Rússia&#8221;, que desenvolve uma critica radical de esquerda do regime soviético, estabelecida de um ponto de vista marxista.</p>
<p style="text-align: justify;">ROCKER (Rudolf), <em>Les soviets trahis par les bolchéviks (La faillité du communisme d’État)</em>, Paris, Spartacus, 1973, 108 p., 12 F. [Tradução de <em>Die Bankrotte des russischen Staatskommunismus</em> (Berlim, 1921), do anarco-sindicalista alemão R. Rocker. Lembremos que os <em>Cahiers Spartacus</em> tinham já publicado um texto de Arthur Lehring (do qual se conhece em França o contributo para a publicação dos <em>Archives Bakounine</em>) escrito em 1929 e publicado em 1929-31 em <em>Ière Internationale: Anarchisme et marxisme dans la révolution russe</em>. Paris, 1971, 112 p., 7 F].</p>
<p style="text-align: justify;">SCHWARZ (Salomon), <em>Lénine et le mouvement syndical</em>, Paris, Spartecus, 1972, 85 p., 6 F. [Pelo autor de <em>Les Ouvriers en Union-Soviátique</em> (Paris, Rivière, 11956). Este estudo do dirigente menchevique foi publicado pela primeira vez em França em 1935. &#8220;No decorrer da presente obra, o autor esforçou-se por mostrar,<em> segundo as fontes</em>, a evolução da doutrina sindical de Lénine e as modificações que teve que sofrer sob influência das experiências feitas. O <em>exame</em> critico desta evolução só em segundo plano podia contar, e apenas lhe concedemos um lugar restrito. Importava-nos sobretudo dar ao leitor uma documentação autêntica tão completa quanto possível para facilitar o seu próprio exame da doutrina sindical de Lénine&#8221; (p. 10)].</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;"><em>Die Russische Arbeitopposition. Die Gewerkschaften in der Revolution.</em> Herausgegeben und eigeleitet von G. Mergner, Hambourg, Rowohlt, 1972. [Conjunto de documentos sobre a &#8220;questão sindical&#8221; na Rússia. Encontramos aí um texto de Varga de 1921, &#8220;Socialismo e capitalismo na Rússia soviética&#8221;; o estudo de G. Maximoff sobre &#8220;o movimento sindicalista revolucionário na Rússia&#8221; (1926); um artigo do socialista-revolucionário de esquerda Kamkov (B.) sobre as relações entre a cidade e o campo publicado em 1920 na revista <em>Die Aktion</em> de Pfemfert; outro de Lozovski sobre &#8220;o desenvolvimento dos Comités de fábrica na Rússia&#8221; (1929); o discurso de Trotsqui no IX Congresso do P.C.R. (1920) sobre a &#8220;militarização do trabalho&#8221;, e três textos da &#8220;discussão sindical&#8221; do X Congresso de 1921: &#8220;As tarefas dos sindicatos (Teses da Oposição Operária), &#8220;A Oposição Operária&#8221; de Koüontai, e a resolução &#8220;leninista&#8221; sobre &#8220;A função e as tarefas dos sindicatos&#8221;. Como em todas as outras antologias desta colecção, os textos são abundantemente anotados. Lembremos que, na mesma colecção., G. Hillman tinha já pubücado uma antologia em 2 volumes sobre o movimento dos Conselhos: <em>Die Rätebewegung, vol. I</em> (1971), <em>vol. 2</em> (1972). Se o primeiro era exclusivamente consagrado aos conselhos da revolução alemã, o segundo continha vários textos sobre a revolução russa: alguns bem conhecidos, como os de A. Berkman (sobre Kronstadt), de P. Archinoff (sobre Makhno) e de I. Steinberg (sobre o terror), mas outro igualmente de A. Souchy. sobre &#8220;o movimento socialista na Ucrânia&#8221; (1920), que o é muito menos].</p>
<p style="text-align: justify;">AVRICH (Paul), ed., <em>The Anarchists in the Russian Revolution</em>, London, Thames and Hudson, 1973, 179 p. L 1.35 [54 documentos traduzidos do russo, agrupados em 9 capítulos, com uma introdução geral e uma curta apresentação para cada capítulo: 1) a revolução de Fevereiro (em particular um texto de Voline in Goloss Trouda (New York) de 23 de Março de 1917; 2) aspectos do anarquismo (praticamente todas as correntes estão representadas. incluindo as correntes &#8220;individualistas&#8221;); 3) o controle operário (v. concretamente a &#8220;Declaração da Associação de propaganda anarquista de Petrograd&#8221; de Junho de 1917 publicada em Goloss Trouda de 11 de Agosto de 1917, e &#8220;Acerca dos sindicatos e dos Comités de fábrica de G. P. Maximoff em Goloss Trouda); 4) a revolução social; 5) a insurreição de Outubro; 6) a guerra civil (v. em particular um texto de 1920 no qual os &#8220;anarquistas-soviéticos&#8221; Chatov e Roshchin defendem a sue posição); 7) Makhno; 8) os anarquistas presos (Maximoff, Kropotkine — a &#8220;mensagem aos trabalhadores de Ocidente&#8221; e cartas a Lenine — etc.); 9) Kronstadt (Berkman, Goldman, panfletos anarquistas). Excelente complcmento aos últimos capítulos de The Russian Anarchists. do mesmo autor].</p>
<p style="text-align: justify;">SKIRDA (Alexandre). <em>Kronstadt, 1921. Prolétariat contra bolchévisme.</em> Paris, Éditions de la Tête de Feuilles, 1972, 271 p., 32 F. [Um ponto de vista libertário, apresentado por A. Skirda. Tradução de &#8220;Kronstadt dans la révolution russe&#8221; de Efim Yartchouk (1921) e &#8220;Les causes de l’insurrection de Kronstadt&#8221; (1926) do presidente do Comité Revolucionário Provisório de Kronstadt durante a insurreição, Stéphan Pétritchenko. Excelente bibliografia. Devia-se já a A. Skirda outro conjunto de documentos, <em>L’insurrection de Kronstadt la Rouge</em> (brochura editada pelo Mouvement Communiste Libertaire— M.C.L., B.P. 20-37 — Tours Rives-du-Cher), que reproduz concretamente artigos de Anton Ciliga e de Victor Serge sobre Kronstadt publicados em 1938 em <em>La Révolution prolátarienne</em>, bem como textos publicados na revista anarco-comunista <em>Diélo Trouda</em> (1925-31). Acrescentemos que os textos do n.° 18-19 de <em>Autogestion</em> sobre os anarquistas russos acabam de ser reeditados numa brochura dos <em>Cahiers Spartacus</em> (<em>Les Anarchistes russes et les Soviets</em>. 1973, 7.50 F).</p>
<p style="text-align: justify;">SKIRDA (Alexandre). <em>Les anarchistes dans la révolution russe.</em> Paris, 1973, 186 p„ [Textos de A. Skirda (“L&#8217;octobre libertaire&#8221;). de Anatole Gorélik (&#8220;Les anarchistes dans la révolution russe&#8221;, 1922); várias &#8220;Resoluções&#8221; anarco-sindicalistas (no primeiro congresso pan-russo dos sindicatos, na primeira e na segunda conferência anarco-sindicalistas de 1918, no segundo congresso pan-russo dos trabalhadores da alimentação cm Março de 1920); um artigo de A. Berkman, outro de Emma Goldman, e um longo texto de Victor Serge (1920), em que ele explica as razões da sua evolução do anarquismo para o bolchevismo].</p>
<p style="text-align: justify;">KORSCH (Karl); MATTICK (Paul); PANNEKOEK (Anton); RUHLE (Otto); WAGNER (Helmut),<em> La contre-révolution bureaucratique</em>, Paris, U.G.E., col. 10/18, 1973, 307 p. 9F. [Textos extraídos das revistas <em>International Council</em> Correspondence e <em>Living Marxism</em> publicados de 1934 a 1941 por &#8220;Comunistas de conselhos&#8221; europeus emigrados nos Estados Unidos. Indispensável para compreender as posições de uma corrente que é ainda muito mal conhecida em França, apesar de algumas traduções recentes. Noticias bio-bibliográficas].</p>
<p style="text-align: center;"><strong>EM PORTUGUÊS</strong></p>
<p>KOLLONTAI, Alexandra. <em>A Oposição Operária</em>. Colecção <em>O Saco de Lacraus, </em>AFRONTAMENTO, Porto.</p>
<p>METT, Ida. <em>Cronstadt, último soviet livre. Colecção O Saco de Lacraus, AFRONTAMENTO, Porto. </em></p>
<p>BARROT, Jean. <em>Notas para uma análise da Revolução Russa. </em>Lisboa.</p>
<h3 style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-122774" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2018/09/October_Revolution_Second_Anniversary-.jpg" alt="" width="600" height="400" />Notas</h3>
<p style="text-align: justify;"><strong>[*]</strong> Posteriormente à organização desta bibliografia vieram já a público outros volumes da série.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">A transcrição desta tradução do livro de Maurice Brinton, <strong>The bolsheviks and workers&#8217; control: the State and counter-revolution</strong>, feita por Carlos Miranda, conta com autorização da Editora Afrontamento, que a publicou originalmente em 1975. Este artigo faz parte do esforço coletivo de traduções do centenário da Revolução Russa mobilizado pelo Passa Palavra. Veja <a class="urlextern" title="http://passapalavra.info/2017/03/110877" href="http://passapalavra.info/2017/03/110877" rel="nofollow">aqui</a> a lista de textos e o chamado para participação.</p>
</blockquote>
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		<title>Os bolcheviques e o controle operário: 1920</title>
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		<pubDate>Sat, 08 Sep 2018 11:00:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Revolução Russa]]></category>
		<category><![CDATA[Socialismo]]></category>
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					<description><![CDATA[Em pouco mais de 2 anos o aparelho do Partido tinha adquirido a competência e experiência necessárias para se tornar numa categoria social com uma função especifica: a de gerir a Rússia. A sua fusão era inevitável.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 lang="pt-PT" style="text-align: justify;">por Maurice Brinton</h3>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>1920 </b></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>JANEIRO </b></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Colapso dos Brancos na Sibéria. Bloqueio levantado pela Grã-Bretanha, França e Itália.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">É publicado um decreto pelo Sovnarkom estabelecendo os regulamentos gerais da prestação universal de trabalho &#8220;para abastecer a indústria, a agricultura, os transportes e outros ramos da economia nacional com a força de trabalho na base de um plano económico geral&#8221;. Qualquer pessoa podia ser recrutada para uma única tarefa ou periodicamente para várias formas de trabalho (agricultura, construção, abertura de estradas, alimentação, abastecimento petrolífero, limpeza de neve nas estradas e &#8220;medidas de reparação dos estragos aquando de calamidades públicas&#8221;).</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Num espantoso à parte o documento afirmava que havia mesmo motivos para lamentar &#8220;a destruição do velho aparelho policial que tinha sabido registar os cidadãos não somente nas cidades mas também no campo&#8221;<b>[1]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>12 DE JANEIRO </b></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>Reunião do Conselho Central Pan-Russo dos Sindicatos. </b></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Nas reuniões da fracção bolchevique, Lenine, e Trotsky pediram <b>ambos</b> com insistência a aceitação da militarização do trabalho. Somente 2 dos 60 ou mais dirigentes sindicais bolcheviques os apoiaram. &#8220;Até então, nunca Trotsky ou Lenine tinham defrontado tão forte oposição&#8221;<b>[2]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>10 A 21 DE JANEIRO </b></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>Terceiro Congresso dos Conselhos Económicos. </b></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Num discurso ao Congresso, Lenine declara: &#8220;O princípio colegial (gestão colectiva)&#8230; representa algo de rudimentar, válido num primeiro estágio quando é necessário construir desde o princípio&#8230; A transição para o trabalho prático está ligada à autoridade individual. Este é o sistema que melhor do que qualquer outro assegura a utilização óptima dos recursos humanos&#8221;<b>[3]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">A despeito desta exortação, a oposição aos pontos de vista de Lenine e Trotsky foi ganhando gradualmente terreno. O Congresso adoptou uma resolução a favor da gestão colectiva da produção.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-122581 aligncenter" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2018/09/image-3.jpg" alt="" width="620" height="413" />FEVEREIRO </b></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Conferências regionais do Partido em Moscovo e Kharkov pronunciaram-se contra a &#8220;gestão de um só indivíduo&#8221;. O mesmo fez a facção bolchevique do Conselho Central Pan-Russo dos Sindicatos nas suas reuniões de Janeiro e Março<b>[4]</b>. Tomsky, dirigente sindicalista muito conhecido e membro do CCPRS, apresentou as suas &#8220;Teses&#8221; (&#8220;Sobre as Tarefas dos Sindicatos&#8221;) que foram aceites apesar da sua crítica implícita aos pontos de vista de Lenine e Trotsky. As teses de Tomsky anunciavam que &#8220;o princípio fundamental que rege o trabalho dos vários corpos executivos e administrativos deve continuar a ser a gestão colectiva. Tal princípio deve ser aplicado desde o Presidium do Vesenka até à gerência das fábricas. Só a gestão colectiva pode garantir por intermédio dos sindicatos a participação da imensa massa trabalhadora dos que não são membros do Partido&#8221;. Contudo, a gestão colectiva ainda era vista como um expediente e não um princípio básico. “Os sindicatos&#8221;, dizia Tomsky, &#8220;são as organizações mais competentes e interessadas na restauração da produção nacional e no seu correcto funcionamento&#8221;<b>[5]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">A aprovação das teses de Tomsky por uma substancial maioria marca o cume da oposição, dentro do Partido, aos pontos de vista de Lenine. No entanto, era pouco provável que as resoluções solucionassem as divergências. Ambos os lados perceberam isso. Uma ameaça mais séria à liderança do Partido proveio dos esforços de alguns dissidentes do Partido na indústria para estabelecerem um centro independente do controle das organizações do Partido nos sindicatos. Criaram-se atritos entre o Partido e as autoridades sindicais a propósito da designação de membros do Partido para trabalho sindical. A fracção do Partido no Conselho Central Pan-Russo dos Sindicatos, dominada por &#8220;esquerdistas&#8221;, reivindicou a autoridade directa sobre os membros do Partido nos vários sindicatos industriais. Pouco antes do Novo Congresso a fracção do Partido no CCPR aprovou uma resolução que confirmaria esta reivindicação, fazendo com que todas as fracções do Partido nos sindicatos ficassem directamente subordinadas à fracção do Partido no CCPRS em vez de o estarem às organizações geográficas do Partido. Isto criaria literalmente um Partido dentro do Partido, um corpo semi-autónomo englobando uma porção substancial dos membros do Partido&#8230; A simples existência de tal sub-partido interior seria contrária aos princípios centralistas, para não falar da possibilidade do seu domínio pelos adversários esquerdistas da liderança de Lenine&#8230; Era inevitável que a reivindicação sindical de autonomia dentro do Partido fosse rejeitada e quando tal resolução foi apresentada ao Orgburo foi precisamente isso que sucedeu&#8221;<b>[6]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Todo o episódio teve repercussões interessantes. Confrontados com o conflito entre democracia e centralismo, os &#8220;centralistas democráticos&#8221; provaram que neste campo, como em tantos outros, as considerações centralistas eram dominantes. Propuseram uma resolução aprovada pela organização moscovita do Partido, com vista a que &#8220;a obediência ao Partido tivesse em todos os casos precedência sobre a obediência ao sindicato&#8221;<b>[7]</b>. Por outro lado, a Repartição do Sul do CCPR aprovou uma resolução sobre a autonomia dos sindicalistas do Partido semelhante à proposta pelo CCPR, e fê-la aprovar na Quarta Conferência Ucraniana do Partido.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>MARÇO </b></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">O <b>Segundo Congresso Pan-Russo dos Trabalhadores da Indústria Alimentar </b>(sob a influência sindicalista) reuniu-se em Moscovo.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Censura o regime bolchevique por ter instaurado um &#8220;domínio ilimitado e incontrolável sobre o proletariado e o campesinato, um medonho centralismo levado ao absurdo&#8230; destruindo no país tudo o que é vivo, espontâneo e livre&#8221;. &#8220;A chamada ditadura do proletariado é na verdade uma ditadura sobre o proletariado exercida pelo Partido e até mesmo por alguns indivíduos&#8221;<b>[8]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>29 DE MARÇO A 4 DE ABRIL </b></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>Nono Congresso do Partido.</b></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">A Guerra Civil está quase ganha. O povo anseia por saborear, enfim, os frutos da sua revolução. Mas o Congresso decretou a continuação e extensão de alguns métodos do comunismo de guerra ao período de paz (recrutamento da força de trabalho, prestação obrigatória de trabalho, racionamento severo dos bens de consumo, pagamento dos salários em espécie, requisição da produção agrícola dos camponeses, em vez dos impostos). Os pontos mais controversos eram &#8220;a militarização do trabalho&#8221; e a &#8220;gestão de um só indivíduo&#8221; na indústria. Podem considerar-se as propostas apresentadas ao Congresso como representativas das opiniões de Lenine e de Trotsky relativas ao período da reconstrução industrial.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">As opiniões de Trotsky sobre a questão da direcção do trabalho eram fortemente influenciadas pela sua experiência como Comissário da Guerra. Tinham-se usado, em larga escala, na silvicultura e outros trabalhos, batalhões que aguardavam a desmobilização. Segundo Deutscher &#8220;mediava apenas um passo entre o emprego das forças armadas como batalhões de trabalho e a organização do trabalho civil em unidades militares&#8221;<b>[9]</b>. &#8220;Não se pode deixar a classe trabalhadora a vagabundar através da Rússia&#8221;, anunciou Trotsky no Congresso. &#8220;Devem ser colocados aqui e ali, ordenados, comandados, exactamente como soldados&#8221;. &#8220;O trabalho obrigatório atingirá o seu zénite durante a transição do capitalismo para o socialismo&#8221;. &#8220;Os desertores do trabalho devem ser reunidos em batalhões punitivos ou postos em campos de concentração&#8221;. Advogava ainda &#8220;prémios incentivos para os trabalhadores eficientes&#8221;, &#8220;emulação socialista&#8221; e falava da &#8220;necessidade de adoptar a essência progressiva do Taylorismo&#8221;<b>[10]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Quanto à gestão industrial, as principais preocupações de Lenine e de Trotsky eram as da &#8220;eficiência económica&#8221;. Tal como a burguesia (antes e depois deles), identificavam &#8220;eficiência&#8221; com gestão individual. Compreenderam no entanto que os operários dificilmente engoliriam esta pastilha. Teriam que proceder cuidadosamente.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">A &#8220;gestão de um só indivíduo&#8221;, proclamava delicadamente a moção oficial, &#8220;não infringe ou limita em qualquer grau os direitos da classe trabalhadora ou os direitos&#8217; dos sindicatos, porque a classe pode exercer o seu domínio de uma forma ou de outra, conforme as conveniências técnicas. É a classe dominante como um todo (novamente identificada com o Partido — MB) que, em todos os casos, nomeia as pessoas para os cargos de gestão e administração&#8221;<b>[11]</b>. Os seus cuidados eram justificados. Os trabalhadores não se tinham esquecido de que o Primeiro Congresso dos Sindicatos (Janeiro de 1919) tinha aprovado uma resolução que proclamava que &#8220;é tarefa do controle operário pôr termo à autocracia no terreno económico, tal como o tinha feito no campo político&#8221;<b>[12]</b>. Foram delineados em breve vários modelos de gestão industrial<b>[13]</b>. Ao esboçarem-nos, é pouco provável que quer Lenine quer Trotsky se tivessem embaraçado com quaisquer considerações doutrinárias, como as de Kritzman, o teórico do comunismo de &#8220;esquerda&#8221;, que tinha definido a gestão colectiva como &#8220;a marca distintiva e específica do proletariado&#8230; distinguindo-o de todas as outras classes sociais&#8230; o mais democrático princípio de organização&#8221;<b>[14]</b>. Na medida em que tinha uma opinião de princípio sobre o assunto, Trotsky apressou-se a declarar que a gestão colectiva era &#8220;uma ideia menchevique&#8221;. No Nono Congresso, Lenine e Trotsky foram veementemente atacados pelos Centralistas Democráticos (Osinsky, Sapronov, Preobrazhensky). Smirnov, manifestamente à frente do seu tempo, perguntou por que razão sendo a gestão de um só indivíduo uma ideia tão boa, a não praticavam no Sovnarkom (Conselho dos Comissários do Povo). Lutovinov, o chefe dos metalúrgicos, que iria desempenhar um papel importante no desenvolvimento da Oposição Operária no fim desse ano, acrescentou que &#8220;a cabeça responsável por cada ramo da indústria só podia ser o sindicato da produção. E da indústria como um todo só pode ser o Conselho Central Pan-Russo dos Sindicatos; não pode ser doutra maneira&#8221;<b>[15]</b>. Chlyapnikov pediu explicitamente uma &#8220;separação de poderes&#8221; entre o Partido, sovietes e sindicatos<b>[16]</b>. Falando pelos Centralistas Democráticos, Osinsky apoiou a ideia de Chlyapnikov. Observou que se assistia a um &#8220;choque de várias culturas&#8221; (a cultura &#8220;soviético-militar&#8221;, a cultura &#8220;soviético-civil&#8221; e o &#8220;movimento sindical que criou a sua própria esfera de cultura&#8221;). Era portanto incorrecto aplicar a todas as culturas alguns métodos particulares (como a militarização) que eram correctos apenas para uma delas<b>[17]</b>. Eis um caso flagrante de como se pode cair na armadilha armada por si mesmo.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">No que se refere à &#8220;gestão de um só indivíduo&#8221;, os Centralistas Democráticos também tinham uma posição que não ia ao âmago da questão. Uma resolução que tinham votado na anterior Conferência Provincial de Moscovo do Partido minimizava o assunto. &#8220;A questão do sistema colegial (gestão colectiva) e autoridade individual não é uma questão de princípio, mas sim prática. Deve ser decidida em cada caso particular conforme as circunstâncias&#8221;<b>[18]</b>. Embora reconhecendo correctamente que a gestão colectiva não tinha por si só virtudes implícitas, não foram capazes de reconhecer que o problema real era o da relação entre a gestão (colectiva ou individual) e os que eram geridos. O problema real era de quem retiravam a sua autoridade &#8220;o gerente&#8221; ou &#8220;os gerentes&#8221;.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Lenine estava decidido a não fazer quaisquer concessões no que se referia à autonomia dos sindicatos: &#8220;o Partido Comunista Russo não pode concordar, em caso algum, que apenas a direcção política pertença ao Partido, enquanto a direcção económica pertenceria aos sindicatos&#8221;<b>[19]</b>. Krestinsky denunciou as ideias de Lutovinov como um &#8220;anarco-sindicalismo de contrabando&#8221;<b>[</b><b>20</b><b>]</b>. Por instigação de Lenine, o Congresso pediu aos sindicatos que &#8220;explicassem às grandes massas trabalhadoras que a reconstrução industrial só pode ser levada a cabo reduzindo ao mínimo a administração colectiva e introduzindo a gestão individual em unidades directamente envolvidas na produção&#8221;<b>[21]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">A gestão individual seria aplicada a todas as instituições desde os Trusts Estatais até às fábricas individuais&#8221;. O princípio electivo deve ser, agora, substituído pelo princípio selectivo&#8221;<b>[22]</b>. A gestão colectiva era &#8220;utópica&#8221;, &#8220;impraticável&#8221; e &#8220;prejudicial&#8221;<b>[23]</b>. O Congresso apelou também para uma luta &#8220;contra os preconceitos ignorantes de elementos demagógicos&#8230; que pensam que a classe trabalhadora pode resolver os seus problemas sem recorrer a especialistas burgueses nos postos de maior responsabilidade&#8221;. &#8220;Não pode haver lugar nas fileiras do Partido do socialismo científico para tais elementos demagógicos que jogam com esse tipo de preconceito das camadas retrógradas dos trabalhadores&#8221;<b>[24]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">O Nono Congresso decidiu explicitamente que &#8220;nenhum grupo de sindicatos poderia intervir directamente na gestão industrial&#8221; e que &#8220;os Comités de Fábrica devem devotar-se a problemas de disciplina do trabalho, de propaganda e de educação dos trabalhadores&#8221;<b>[25]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-122583" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2018/09/main_1200-2.jpg" alt="" width="692" height="499" />Para evitar qualquer reincidência de tendências &#8220;independentes&#8221; entre os dirigentes dos sindicatos, os conhecidos &#8220;proletários&#8221; Bukharin e Radek foram deslocados para o Conselho Central Pan-Russo dos Sindicatos como representantes da chefia do Partido com a missão de vigiar a actuação do CCPR<b>[26]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Tudo isso, evidentemente, estava em flagrante contradição com o espírito das decisões tomadas um ano antes, no Oitavo Congresso do Partido, e em particular com o famoso Ponto 5 da Secção Económica do Programa do Partido de 1919. Isso ilustra, bastante bem, quanto a classe trabalhadora se tornou vulnerável, uma vez forçada a abandonar o seu poder <b>real</b>, o poder que detinha na produção, em troca de um substituto duvidoso: o poder político representado pelo poder do &#8220;seu&#8221; Partido. A política advogada por Lenine devia ser rigorosamente seguida. No fim de 1920, das 2051 empresas importantes e de que se dispunham dados, 1783 já estavam sob &#8220;gestão de um só indivíduo&#8221;<b>[27]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">No Nono Congresso do Partido também se efectuaram mudanças relativas ao regime interno do Partido. O Congresso tinha aberto com uma tempestade de protestos relativos a este assunto. Os Comités Locais do Partido (em princípio, democráticos na forma) tornaram-se subservientes para com os &#8220;departamentos políticos&#8221; locais, burocraticamente constituídos. &#8220;Com a instituição de tais corpos, toda a actividade política na oficina, indústria, organização ou localidade sob a sua jurisdição, ficou sob rígido controle de cima&#8230; Esta inovação&#8230; copiada do exército&#8230; foi concebida para transmitir propaganda à base e não para levar as opiniões da base ao topo&#8221;<b>[28]</b>. Faziam-se frequentes concessões verbais, entre repetidos apelos à unidade. Tanto no Congresso como mais tarde, ainda esse ano, &#8220;os dissidentes cometeram o erro de concentrarem os seus esforços em tentativas de reorganização das instituições políticas de cúpula, para remodelar as formas de controle político ou para introduzir sangue novo entre os dirigentes, deixando, entretanto, as verdadeiras fontes do poder quase intactas&#8230; A organização, como ingenuamente acreditavam, era a arma mais eficaz contra a burocracia&#8221;<b>[29]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Finalmente, o Nono Congresso deu ao Orgburo (constituído um ano antes e composto por 5 membros do Comité Central) o direito de transferir e nomear membros do Partido sem consultar o Politburo. Como já tinha acontecido, e viria a acontecer várias vezes, as mudanças retrógradas na política industrial andavam a par-e-passo com as mudanças retrógradas na estrutura interna do Partido.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>ABRIL </b></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Trotsky foi colocado à cabeça do Comissariado dos Transportes mantendo porém o seu posto na Defesa. &#8220;O Politburo prometeu apoiá-lo em qualquer acção por ele empreendida, por mais severa que fosse&#8221;<b>[30]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Aqueles que acalentam o mito de uma pretensa oposição leninista aos métodos de Trotsky nesta altura, tomem nota.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>6 A 15 DE ABRIL </b></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>Terceiro Congresso Pan-Russo dos Sindicatos. </b></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Trotsky declarou que &#8220;a militarização do trabalho&#8230; é o método básico indispensável à organização da força de trabalho (&#8230;) Será verdade que o trabalho obrigatório é sempre improdutivo?&#8230; Esse é o preconceito liberal mais vil e miserável: a escravatura também foi produtiva&#8221;&#8230; &#8220;o trabalho&#8230; obrigatório para todo o país, compulsivo para todos os trabalhadores, é a base do socialismo&#8221;. &#8220;Quanto à remuneração&#8230; não deve ser considerada sob o ponto de vista de assegurar a existência pessoal do trabalhador individual&#8221; mas deve &#8220;medir o grau de consciência e eficiência no trabalho de cada trabalhador&#8221;<b>[31]</b>. Trotsky acentuou que a coerção, regimentação e militarização do trabalho não eram simples medidas de emergência. O Estado dos trabalhadores tinha o direito, numa situação normal, de coagir qualquer cidadão a fazer qualquer trabalho e em qualquer altura<b>[32]</b>. A filosofia do trabalho do Trotsky foi uma previsão, no verdadeiro sentido da palavra, da política do trabalho praticada por Staline nos anos trinta.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Neste Congresso, Lenine gabou-se publicamente de ter apoiado a gestão de um só indivíduo desde o início. Declarou que em 1918 tinha &#8220;assinalado a necessidade de reconhecer a autoridade ditatorial de um indivíduo com o fim de realizar a ideia soviética&#8221;<b>[33] </b>e que nessa altura &#8220;não havia disputas à volta desse assunto (da gestão de um só indivíduo)&#8221;. Esta última afirmação é declaradamente falsa, mesmo se nos restringirmos aos membros do Partido. Para o provar temos os números do <b>Kommunist</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>JUNHO A JULHO </b></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Tinha havido muito pouca mudança, se é que houve alguma, na dura realidade da vida da classe operária russa, até meados de 1920. Os anos de guerra, guerra civil e guerras de intervenção, conjugados com a devastação, sabotagem, seca, fome e o nível inicial muito baixo das forças produtivas, tornaram as melhorias materiais difíceis. Mas agora o próprio horizonte se turvava. Na Rússia &#8220;Soviética&#8221; de 1920 os trabalhadores industriais estavam &#8220;de novo sujeitos à autoridade dos gerentes, à disciplina no trabalho, aos incentivos monetários, à gestão &#8220;científica&#8221;, a todas as formas habituais de organização industrial capitalista com os mesmos gerentes burgueses, só que agora as empresas eram propriedade do Estado&#8221;<b>[34]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Um professor &#8220;branco&#8221; que chegou a Omsk no Outono de 1919 vindo de Moscovo relata que &#8220;à cabeça de muitos dos centros e <i>glavki</i> estavam antigos patrões, oficiais responsáveis e homens de negócio. Quem, desprevenidamente, visitasse os centros e estivesse familiarizado com o antigo mundo comercial e industrial, surpreender-se-ia por ver os antigos proprietários de importantes fábricas de curtumes nos <i>Glavkozh</i>, grandes empresários na Central das organizações têxteis, etc&#8221;<b>[35]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Nestas circunstâncias, não é de surpreender que a unidade fictícia conseguida no Nono Congresso não durasse senão uns meses. Ao longo do Verão e do Outono, as diferenças de opinião em assuntos como a burocracia no seio do Partido, as relações dos sindicatos com o Estado e mesmo a natureza de classe do próprio Estado, radicalizaram-se. Apareceram grupos de Oposição a quase todos os níveis. No fim deste ano (depois da conclusão da guerra Russo-Polaca) o descontentamento reprimido veio ao de cima. A autoridade de Lenine foi posta em causa em grau nunca atingido desde o movimento dos comunistas de &#8220;esquerda&#8221; dos princípios de 1918.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-122578" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2018/09/imagem-6.jpg" alt="" width="980" height="637" />JULHO </b></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Publicação do clássico de Trotsky <a href="http://www.pcint.org/40_pdf/18_publication-pdf/ES/Ter_y_com_w.pdf"><b>&#8220;Terrorismo e Comunismo&#8221;</b></a> (imediatamente antes do Segundo Congresso da Internacional Comunista). Essa obra apresenta o ponto de vista de Trotsky acerca da organização &#8220;socialista&#8221; do trabalho na sua forma mais acabada, mais lúcida e menos ambígua. &#8220;A organização do trabalho é na sua essência a organização da nova sociedade: todas as formas históricas de sociedade são fundamentalmente formas de organização do trabalho&#8221;<b>[36]</b>. &#8220;A criação da sociedade socialista significa a organização dos trabalhadores em bases novas, a sua adaptação a essas bases e a reeducação do seu trabalho, sempre com o fim de aumentar a produtividade do trabalho&#8221;<b>[37]</b>. O &#8220;Salário tanto em dinheiro como em espécie deve estar intimamente ligado à produtividade do trabalho individual. Sob o capitalismo, o sistema de trabalho à peça e por empreitada, a aplicação do sistema de Taylor, etc., têm como objectivo aumentar a exploração dos trabalhadores extorquindo-lhes mais-valia. Sob a produção socialista, o trabalho à peça, os prémios, etc., têm como fim o aumento de volume do produto social&#8230; os trabalhadores que mais fizerem pelo interesse geral têm o direito de receber maior quantidade do produto social que os preguiçosos, descuidados e desorganizadores&#8221;<b>[38]</b>. &#8220;O próprio princípio do trabalho obrigatório é para os comunistas uma questão indiscutível&#8230; a única solução para as dificuldades económicas, correcta sob o ponto de vista dos princípios e da prática, é tratar a população de todo o país como o reservatório da necessária força de trabalho, um reservatório quase inesgotável, e introduzir uma ordem severa no trabalho, no seu registo, mobilização e utilização&#8221;<b>[39]</b>. &#8220;A introdução da prestação de trabalho obrigatório é inimaginável sem a aplicação, em maior ou menor grau, dos métodos da militarização do trabalho&#8221;<b>[40]</b>. &#8220;Os sindicatos devem disciplinar os trabalhadores e ensiná-los a colocar os interesses da produção acima das suas necessidades e reivindicações&#8221;. &#8220;O jovem Estado dos Trabalhadores necessita de sindicatos, não para lutar por melhores condições de trabalho, essa é a tarefa do conjunto das organizações sociais e estatais, mas para organizar a classe operária com o fim de produzir&#8221;<b>[41]</b>. &#8220;Seria um erro crasso confundir a questão da supremacia do proletariado com a questão dos conselhos de operários na chefia das fábricas. A ditadura do proletariado é expressa pela abolição da propriedade privada dos meios de produção, pela supremacia sobre todo o mecanismo soviético da vontade colectiva dos trabalhadores (um eufemismo para Partido— M. B.) e de forma alguma pela administração de empresas económicas individuais&#8221;<b>[42]</b>. &#8220;Considero que se a guerra civil não tivesse eliminado os mais fortes, mais independentes, mais activos dos nossos órgãos económicos, teríamos trilhado o caminho da gestão de um só indivíduo na esfera da administração económica muito mais cedo e de uma maneira muito menos penosa&#8221;<b>[43]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>AGOSTO </b></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Devido à guerra civil (e a outros factores raramente mencionados, tais como a atitude dos ferroviários para com o &#8220;novo&#8221; regime), os caminhos de ferro russos tinham praticamente deixado de funcionar. Concederam-se a Trotsky, Comissário dos Transportes, vastos poderes de emergência para experimentar as suas teorias sobre &#8220;militarização do trabalho&#8221;. Começou por colocar os maquinistas e pessoal das reparações sob a lei marcial. Quando o sindicato dos ferroviários protestou, ele demitiu pura e simplesmente os seus dirigentes e, <b>com o apoio completo e total e a aprovação da chefia do Partido</b>, &#8220;nomeou outros, dispostos a sujeitarem-se. Repetiu o processo noutros sindicatos de trabalhadores dos transportes&#8221;<b>[44]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>PRINCÍPIOS DE SETEMBRO </b></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>Constituição do Tsektran</b> (Órgão Administrativo Central dos Caminhos de Ferro). Criação típica de Trotsky, foi conseguida pela fusão forçada do Comissariado dos Transportes, dos sindicatos dos Caminhos de Ferro e dos órgãos do Partido (&#8220;departamentos políticos&#8221;) com eles relacionados. A totalidade dos transportes ferroviários e sistema de transportes fluviais ficaram sob a autoridade do Tsektran. Trotsky foi nomeado seu chefe. Dirigiu o Tsektran segundo moldes estritamente militares e burocráticos. &#8220;O Politburo apoiou-o incondicionalmente, tal como tinha prometido&#8221;<b>[45]</b>. Os Caminhos de Ferro voltaram a funcionar. Mas o que isso custou à imagem do Partido for incalculável. Aqueles que se espantam por Trotsky ter sido incapaz, alguns anos mais tarde, de obter o apoio das massas russas para a sua luta no interior do aparelho contra a burocracia &#8220;estalinista&#8221;, deveriam meditar nestes episódios.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>22 A 25 DE SETEMBRO </b></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>Nona Conferência do Partido. </b></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Zinoviev apresentou o relatório oficial em nome do Comité Central. Sapronov apresentou um relatório em nome dos &#8220;Centralistas-Democráticos&#8221; que estavam bem representados. Lutovinov falou pela recém-formada Oposição Operária. Pugnou pela instituição imediata de todas as medidas da democracia proletária. pela rejeição total do sistema de nomeações pelo topo e sua substituição pela eleição nominal, e pela depuração dos elementos carreiristas, que se alistavam aos magotes no Partido. Também pediu que o Comité Central se abstivesse de intervir constantemente e de modo excessivo na vida dos sindicatos e sovietes.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Os dirigentes tiveram que recuar. Zinoviev escusou-se a responder às principais reclamações. Aprovou-se uma resolução que acentuava a necessidade de &#8220;igualdade completa no seio do Partido&#8221; e denunciava &#8220;a dominação dos membros da base por burocratas privilegiados&#8221;. A resolução obrigara o Comité Central a utilizar o método das &#8220;recomendações&#8221; em vez das nomeações pelo topo e a abster-se de &#8220;transferências disciplinares por motivos políticos&#8221;<b>[46]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-122582" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2018/09/image-2.jpg" alt="" width="620" height="413" />Apesar destas concessões verbais, a chefia, por intermédio do seu porta-voz Zinoviev, conseguiu que a Conferência de Setembro aprovasse a constituição das Comissões de Controle Regional e Central. Estas tiveram um papel importante no acréscimo da burocratização do Partido, quando os indivíduos a quem inicialmente coube essa missão (Dzerzhinsky, Preobrazhensky e Muranov) foram substituídos pelos testas de ferro de Staline.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>OUTUBRO </b></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Assinatura do Tratado de Paz com a Polónia.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>2 A 6 DE NOVEMBRO </b></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>Quinta Conferência Pan-Russa dos Sindicatos. </b></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Trotsky declara que a duplicação de sindicatos e órgãos administrativos era responsável pela confusão reinante e que tinha de ser eliminada. Isso só podia ser realizado pela transformação dos sindicatos (professionalny) em uniões de produção (proizvodstvenny). Se os dirigentes sindicais se opusessem seriam &#8220;sacudidos&#8221; como o tinham sido os dirigentes do sindicato dos Caminhos de Ferro. Tinha sido pronunciada a &#8220;palavra chave&#8221; (Lenine)!</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>14 DE NOVEMBRO </b></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">O General Wrangel evacua a Crimeia. Fim da guerra civil.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>NOVEMBRO </b></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>Conferência do Partido na Província de Moscovo. </b></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Os grupos de oposição no seio do Partido crescem rapidamente. A recém-formada Oposição Operária, os Centralistas-Democráticos e o grupo de Ignatov (uma fracção local de Moscovo intimamente relacionada com a Oposição Operária com a qual se fundiria mais tarde) apresentaram 124 delegados a esta Conferência contra 154 favoráveis ao Comité Central<b>[47]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>8 A 9 DE NOVEMBRO </b></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>Reunião Plenária do Comité Central. </b></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Trotsky submete ao Comité Central um &#8220;esboço preliminar de teses intitulado &#8220;Os sindicatos e o seu papel futuro&#8221;, que seria publicado mais tarde, a 25 de Dezembro, ligeiramente alterado sob a forma de panfleto: &#8220;O papel e tarefa dos sindicatos&#8221;. &#8220;É necessário começar a reorganizar imediatamente os sindicatos, i. e., a escolher o seu pessoal dirigente&#8221; (Tese 5). Embriagado com o seu êxito, Trotsky ameaça &#8220;sacudir&#8221; de novo vários sindicatos da maneira como tinha &#8220;sacudido os sindicatos dos transportes&#8221;<b>[48]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">O que era necessário era &#8220;substituir os agitadores irresponsáveis (sicl) por sindicalistas preocupados com a produção&#8221;<b>[49]</b>. As teses de Trotsky foram votadas e derrotadas pela margem mínima de 8 votos contra 7. Nessa altura, Lenine &#8220;dissociou-se bruscamente de Trotsky e persuadiu o Comité Central a fazer o mesmo&#8221;<b>[50]</b>. Como alternativa, Lenine propôs uma resolução que foi aprovada por 10 votos contra 4. Preconizava a &#8220;reforma do Tsektran&#8221;, advogava &#8220;formas concretas de militarização do trabalho&#8221;<b>[51]</b> e proclamava que &#8220;o Partido devia educar e apoiar um novo tipo de sindicalista, o organizador enérgico e imaginativo da economia que abordaria os assuntos económicos segundo o ponto de vista da expansão da produção e não da distribuição e consumo&#8221;<b>[52]</b>. O ponto de vista dominante era nitidamente este último. O &#8220;erro&#8221; de Trotsky foi tê-lo desenvolvido até à sua conclusão lógica. Mas o Partido necessitava de um bode expiatório. A Reunião Plenária &#8220;proibiu Trotsky de falar em público sobre as relações entre os sindicatos e o Estado&#8221;<b>[53]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>2 DE DEZEMBRO </b></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Trotsky, num discurso à Reunião Plenária alargada do Tsektran, declarou que &#8220;um serviço oficial competente e hierarquicamente organizado tinha os seus méritos. A Rússia sofria, não de um excesso de burocracia, mas da falta de uma burocracia eficiente&#8221;<b>[54]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">&#8220;A militarização dos sindicatos e a militarização dos transportes exigia uma militarização ideológica interna&#8221;<b>[55]</b>. Posteriormente, Staline descreveria Trotsky como &#8220;o patriarca dos burocratas&#8221;<b>[56]</b>. Quando o Comité Central o repreendeu de novo, &#8220;Trotsky, irritadamente, lembrou a Lenine, aos outros membros, a frequência com que eles tinham instado junto dele, em privado&#8230; para que actuasse implacavelmente e sem considerações democráticas. Era desleal da parte deles&#8230; pretenderem, em público, estar a defender o princípio democrático contra ele (Trotsky NtfT)&#8221;<b>[57]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>7 DE DEZEMBRO </b></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Numa <b>Reunião Plenária do Comité Central</b>, Bukharin apresentou uma resolução sobre a &#8220;democracia industrial&#8221;. Estes termos enfureceram Lenine. Eram &#8220;um floreado verbal&#8221;, &#8220;uma frase ardilosa&#8221;, &#8220;confusa&#8221;, &#8220;um pasquim&#8221;. &#8220;A indústria é sempre necessária. A democracia nem sempre é necessária. O termo democracia industrial dá origem a um sem número de ideias completamente falsas&#8221;<b>[58]</b>. &#8220;Pode dar a ideia de que se está a repudiar a ditadura e a gestão de um só indivíduo&#8221;<b>[59]</b>. &#8220;Sem prémios em géneros e tribunais disciplinares era pura e simplesmente uma balela&#8221;<b>[60]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">A oposição mais dura aos esquemas da &#8220;militarização do trabalho de Trotsky&#8221; vieram das secções do Partido mais enraizadas nos sindicatos. Alguns destes membros do Partido não só dominavam o Conselho Sindical como também &#8220;eram os beneficiários directos da doutrina que advogava a responsabilidade sindical autónoma&#8221;<b>[61]</b>. Por outras palavras, já eram, parcialmente, burocratas sindicais. Em parte, foi a partir destes elementos que a Oposição Operária se desenvolveu.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Nesta altura, contudo, o aparelho político-económico dirigente era bastante diferente daquele a cujo aparecimento assistimos em 1918. Apenas em pouco mais de 2 anos o aparelho do Partido tinha conquistado um controle político do Estado incontestado (por intermédio dos sovietes burocratizados). Também tinha conquistado um controle quase completo do aparelho económico (por intermédio dos dirigentes sindicais e gerentes industriais nomeados). Os vários grupos tinham adquirido a competência e experiência necessárias para se tornarem numa categoria social com uma função específica: a de gerir a Rússia. A sua fusão era inevitável.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-122579" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2018/09/imagem-5.jpg" alt="" width="980" height="625" />22 A 29 DE DEZEMBRO </b></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Realizou-se em Moscovo o <b>Oitavo Congresso Pan-Russo dos Sovietes. </b>Ele proporcionou a oportunidade para um debate público de pontos de vista divergentes sobre a questão dos sindicatos, que se tinha desenvolvido no seio do Partido e que já não se podia restringir a ele.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Pode-se avaliar o grau da oposição que se tinha desenvolvido a politica oficial do Partido pelo discurso de Zinoviev: &#8220;Estabeleceremos contactos mais íntimos com as massas trabalhadoras. Realizaremos reuniões nos aquartelamentos, no campo e nas fábricas. As massas trabalhadoras&#8230; perceberão, então, que não estamos a brincar quando proclamamos que vai começar uma nova era, que, assim que recuperarmos o fôlego, transferiremos as nossas reuniões políticas para as fábricas&#8230; Perguntam-nos o que queremos dizer com democracia operária e campesina. Eu respondo nem mais nem menos do que queríamos dizer com essa frase em 1917. Devemos restabelecer o princípio electivo na democracia operária e campesina&#8230; Se privámos dos direitos democráticos mais elementares os operários e camponeses, é altura de acabar com esse estado de coisas&#8221;<b>[62]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">A preocupação de Zinoviev pela democracia pouco contava, visto ser motivada pelas querelas entre facções (fazia parte da campanha para desacreditar Trotsky). Os oradores públicos da época que quisessem provocar o riso da audiência conseguiam-no facilmente escolhendo cuidadosamente afirmações de Zinoviev sobre os direitos democráticos<b>[63]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>30 DE DEZEMBRO </b></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Realiza-se uma reunião conjunta da fracção do Partido ao Oitavo Congresso dos Sovietes, de membros do Partido no Conselho Central Pan-Russo dos Sindicatos e de membros do Partido numa série de organizações, no Teatro Bolshoi, Moscovo, para discutir a &#8220;questão sindical&#8221;. Todos os protagonistas principais estavam presentes para defender a sua causa. Podem resumir-se os vários pontos de vista, tal como foram expostos na reunião (ou apresentados em artigos escritos na altura ou nas semanas seguintes), desta maneira<b>[64]</b>:</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Trotsky, e sobretudo Bukharin, modificam as suas propostas originais de modo a formarem um bloco no Congresso.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Para Lenine, os sindicatos eram &#8220;reservatórios do poder estatal&#8221;. Deviam fornecer uma base social alargada &#8220;para a ditadura do proletariado exercida pelo Partido&#8221;, base essencial tendo em vista a natureza camponesa predominante do país. Os sindicatos deviam ser a &#8220;ligação&#8221; ou &#8220;correia de transmissão&#8221; entre o Partido e a massa de trabalhadores sem partido. Os sindicatos não podiam ser autónomos. Não podiam ter um papel independente em iniciativas ou realizações políticas. Tinham que estar fortemente influenciados pelo pensamento do Partido e empreenderiam a educação política das massas segundo linhas determinadas pelo Partido. Assim transformar-se-iam em &#8220;escolas de comunismo&#8221; para os seus 7 milhões de membros<b>[a]</b> O Partido seria o professor. &#8220;O Partido Comunista Russo, na pessoa das suas organizações regionais e centrais, guia <b>incondicionalmente</b>, como o tem feito até aqui, todo o aspecto ideológico do trabalho dos sindicatos&#8221;<b>[65]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Lenine sublinha que os sindicatos não podem ser instrumentos do Estado. A premissa de Trotsky, de que os sindicatos já não precisam de defender os operários visto o Estado ser um estado operário, é falsa. &#8220;O nosso Estado está de tal maneira organizado que a totalidade do proletariado organizado deve defender-se: nós (sic) devemos usar estas organizações operárias para defender os operários do seu próprio Estado <b>e também para que os operários defendam o nosso Estado</b>&#8220;.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">(As palavras em negro são muitas vezes omitidas quando se cita esta famosa passagem).</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Segundo Lenine não devia considerar-se a militarização como uma característica permanente da política do trabalho socialista. Tinha de se usar a persuasão tanto como a coerção. Se era <b>normal</b> (sic!) a nomeação de dirigentes pelo Estado (entre isto e as afirmações de 20 de Maio de 1917 medeia uma enorme distância — M.B.) seria pouco prático que os sindicatos fizessem o mesmo. Os sindicatos podiam fazer sugestões para certas tarefas económico-administrativas e deviam cooperar no planeamento. Deviam inspeccionar, por intermédio de departamentos especializados. o trabalho da administração económica.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">A fixação das remunerações devia ser transferida para o Conselho Central Pan-Russo dos Sindicatos. No que se refere ao salário, tinha que se combater o igualitarismo extremista da Oposição Operária. A política salarial tinha de ser elaborada com o fim de &#8220;disciplinar o trabalho e aumentar a produtividade&#8221;<b>[66]</b>. Os membros do Partido &#8220;já tinham tido demasiada conversa sobre princípios no (Instituto) Smolny. Agora, 3 anos depois, há decretos que regem todos os aspectos do problema da produção&#8221;<b>[67]</b>. &#8220;As decisões sobre a militarização do trabalho, etc., foram incontroversas e de modo algum retirarei os meus sarcasmos a propósito das referências à democracia feitas pelos que contestaram essas decisões&#8230; estenderemos a democracia às organizações operárias, mas não faremos dela um ídolo&#8230;&#8221;<b>[68]</b> Trotsky reafirma a sua crença em que &#8220;a. transformação dos sindicatos em uniões de produção&#8230; constitui a maior tarefa da nossa época&#8221;. &#8220;Os sindicatos deviam sistematicamente avaliar a qualidade dos seus membros segundo o ponto de vista da produção e deviam possuir uma descrição permanente, completa e precisa da produtividade de cada trabalhador&#8221;. Os corpos dirigentes dos sindicatos e da administração económica deviam ter em comum um terço ou metade dos seus membros de modo a evitar qualquer antagonismo entre eles. Deviam-se autorizar os técnicos e administradores burgueses, que se tinham tornado membros de pleno direito de um sindicato, a exercerem cargos de gerência, sem a supervisão de comissários. Depois de se ter assegurado um salário mínimo real para todos os operários, era necessário estimular a concorrência entre os operários no &#8220;trabalho de choque&#8221; (udarnichestvo) na produção.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Os pontos de vista de <b>Bukharin</b> evoluíram rapidamente. As teses que agora advogava eram uma tentativa de estabelecer uma ponte entre o ponto de vista oficial do Partido e o da Oposição Operária. Tinha que haver &#8220;democracia operária na produção&#8221;. &#8220;A governamentalização dos sindicatos&#8221; tinha que ser acompanhada pela &#8220;sindicalização do Estado&#8221;. &#8220;O fim lógico e histórico&#8221; desse processo &#8220;não será a absorpção dos sindicatos pelo Estado proletário, mas o desaparecimento de ambas as categorias, tanto os sindicatos como o Estado, e a criação de uma terceira: a sociedade organizada em princípios comunistas&#8221;<b>[69]</b>. Lenine atacou a plataforma de Bukharin considerando-a como &#8220;uma quebra completa com o comunismo e a transição para uma posição sindicalista&#8221;<b>[70]</b>. &#8220;Destrói a necessidade do Partido&#8221;. &#8220;Se os sindicatos, em que 9/10 dos membros são trabalhadores que não são do Partido, nomeia os gestores da indústria, para que é que serve o Partido?&#8221;<b>[71]</b> &#8220;Portanto&#8221;, acrescentou ameaçadoramente, &#8220;de pequenas divergências &#8216;passamos&#8217; a um desvio sindicalista, o que significa uma ruptura completa com o comunismo e uma cisão inevitável no Partido&#8221;<b>[72]</b>. Podem encontrar-se outros ataques de Lenine a Bukharin no seu famoso artigo <a href="https://www.marxists.org/portugues/lenin/1920/12/30.htm">&#8220;Novamente os Sindicatos&#8230;&#8221;</a>, que critica as posições de Trotsky<b>[73]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Os pontos de vista da <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Oposi%C3%A7%C3%A3o_Oper%C3%A1ria"><b>Oposição Operária</b></a> foram explicitados, na reunião de Moscovo, por Chlyapnikov, operário metalúrgico (e mais tarde elaborados de modo mais completo por Kollontai e outros). Explícita ou implicitamente, a Oposição Operária preconizava o domínio do Estado pelos sindicatos. &#8220;A Oposição Operária referia-se, evidentemente, ao &#8216;Ponto 5&#8217; do Programa de 1919 e acusava os dirigentes do Partido de terem violado as suas promessas aos sindicatos&#8230; Nos dois últimos anos, os dirigentes do Partido e dos organismos governamentais restringiram sistematicamente o alcance do trabalho sindical e reduziram quase que a zero a influência da classe operária&#8230; O Partido e as autoridades económicas foram invadidos por burgueses e elementos não-proletários, que manifestaram hostilidade aberta para com os sindicatos&#8230; O remédio era a concentração da gestão industrial nas mãos dos sindicatos&#8221;. A transição deveria ser efectuada a partir da base. &#8220;Ao nível de fábrica, os Comités de Fábrica deveriam reconquistar a sua antiga posição dominante&#8221;. (Os bolcheviques levaram muito tempo para chegar a essa conclusão! — M.B.) A Oposição Operária propôs maior número de representantes sindicais nos vários organismos de controle. &#8220;Não se devia nomear uma única pessoa para qualquer cargo administrativo ou económico sem o consentimento dos sindicatos&#8230; Os dirigentes nomeados pelos sindicatos são responsáveis pela sua conduta perante os sindicatos, que também deviam ter o direito de revogá-los em qualquer altura. O programa culmina com a exigência da convocação de um &#8220;Congresso Pan-Russo dos Produtores&#8221; para eleger a gerência nacional. De modo semelhante deveriam realizar-se Congressos Nacionais dos vários sindicatos para eleger a gerência dos vários ramos da economia. A gerência local e regional devia ser formada por conferências sindicais, enquanto que a gestão das fábricas individuais pertencia aos Comités de Fábrica, que deveriam formar uma parte da organização sindical&#8230; &#8220;Deste modo&#8221; afirma Chlyapnikov, &#8220;unifica-se a vontade que é um factor essencial na organização da economia, e também a possibilidade real da influência da iniciativa das mais vastas camadas trabalhadoras na organização e desenvolvimento da nossa economia&#8221;<b>[74]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><i>Last but not least</i>, propunha uma revisão radical da política salarial dentro de um espírito extremamente igualitário: a remuneração monetária devia começar a ser progressivamente substituída por remuneração em géneros. A Oposição Operária representava indiscutivelmente — no interior do Partido — uma tentativa tardia para manter os ideais revolucionários de <a href="https://www.marxists.org/portugues/lenin/1917/08/estadoerevolucao/index.htm"><strong>O Estado e a Revolução</strong></a> no campo da participação autónoma e democrática das massas nas funções de direcção da economia.</p>
<h3 lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Notas</h3>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[1] Sobraniye Uzakonenii, 1920</b>, N.° 8, Art. 49. E também <b>Treti vserossiiski lyeid professionalnykh soyuzov</b> (Terceiro Congresso Pan-Russo dos Sindicatos), 1920. I, Reuniões Plenárias, pp. 50-51. (Referido daqui em diante como Terceiro Congresso Sindicai).</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[2]</b> Ibid., p. 493.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[3] </b>V. I. Lenin, Discurso no Terceiro Congresso dos Conselhos Económicos, <b>Sochineniya</b>, XXV, p. 17.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[4] </b>E. H. Carr. ob. cit., II. p. 193.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[5]</b> Tomsky, Nono Congresso do Partido &#8220;Zadachi prosoyuzov&#8221; (As Tarefas dos Sindicatos). Apêndice 13. p. 534.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[6] </b>R. V. Daniels, ob. cit., p. 126.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[7]</b> Nono Congresso do Partido, Teses do Comité Provincial de Moscovo do PCR, Apêndice 15 p. 542.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[8]</b> Vmesto programmy: rezolyusisii I i II vserossiskikh konferentsii anarkho-sindikalistov (Berlim, 1922). p. 28.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[9] </b>I. Deuhcher, <a href="https://www.marxists.org/archive/deutscher/1950/soviet-trade-unions/index.htm"><b>Soviet Trad</b><b>e </b><b>Unio</b><b>ns</b></a>, (Sindicatos Soviéticos), p. 36.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[10]</b> L. Trostky, <a href="https://archive.org/stream/trotsky_sochineniia_2_201711/%D0%A1%D0%BE%D1%87%D0%B8%D0%BD%D0%B5%D0%BD%D0%B8%D1%8F%20-%20%5B%D1%82.%2015%5D%20%D0%A5%D0%BE%D0%B7%D1%8F%D0%B9%D1%81%D1%82%D0%B2%D0%B5%D0%BD%D0%BD%D0%BE%D0%B5%20%D1%81%D1%82%D1%80%D0%BE%D0%B8%D1%82%D0%B5%D0%BB%D1%8C%D1%81%D1%82%D0%B2%D0%BE%20%D0%A1%D0%BE%D0%B2%D0%B5%D1%82%D1%81%D0%BA%D0%BE%D0%B9%20%D1%80%D0%B5%D1%81%D0%BF%D1%83%D0%B1%D0%BB%D0%B8%D0%BA%D0%B8.%20%D0%AD%D0%BF%D0%BE%D1%85%D0%B0%20%D0%B2%D0%BE%D0%B5%D0%BD%D0%BD%D0%BE%D0%B3%D0%BE%20%D0%BA%D0%BE%D0%BC%D0%BC%D1%83%D0%BD%D0%B8%D0%B7%D0%BC%D0%B0.%201919-1920%20%D0%B3%D0%B3%20-%20RAW#page/n5/mode/2up"><b>Sochineniya</b></a>, vol. XV. p. 126.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[11]</b> Nono Congresso do Partido, p. 128.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[12] </b>Primeiro Congresso Sindical, pp. 269-272.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[13]</b> I. Deutscher, ob. cit., p. 35.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[14]</b> L. Kritzman <a href="https://archive.org/details/lnk-dhpdgrr"><b>Geroicheski period russkoi revolyutsii</b> </a>(O Período Heróico da Revolução Russa). Moscovo e Leninegrado, 1926. p. 83. 15.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[15]</b> Nono Congresso do Partido, pp. 254-255.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[16]</b> Ibid., p. 564, m. 32.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[17] </b>Ibid., pp. 123-124.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[18]</b> Ibid., p. 571, M. 75.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[19] </b>Ibid., &#8220;As organizações do PCR (b) sobre a questão da agenda do Congresso do Partido&#8221;. Apêndice 2. p. 474.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[20]</b> <b>Pravda</b>, 12 de Março de 1920.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[21] </b>Nono Congresso do Partido. <b>Povoprosu o profe</b><b>ss</b><b>ionalny</b><b>k</b><b>h soyu</b><b>z</b><b>o</b><b>k</b><b>h i ikh organi</b><b>s</b><b>a</b><b>ts</b><b>ii </b>(Sobre e questão dos sindicatos e sua organização). Resoluções, I, p. 493.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[22]</b> Ibid., &#8220;Os Sindicatos e as suas Tarefas&#8221; (teses de Lenine, Apêndice 12, p. 532).</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[23]</b> Ibid., pp. 26, 28.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[24]</b> lbid.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[25]</b> No Undécimo Congresso, em 1922, Lenine afirma: &#8220;É absolutamente indispensável que toda a autoridade nas fábricas se concentre nas mãos dos gerentes&#8230; Nestas condições qualquer intervenção directa dos sindicatos na gestão das empresas será considerada como decididamente prejudicial e não será permitida&#8221;, (Resoluções, I, pp. 607 , 610-612).</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[26] </b>V. I. Lenine, Nono Congresso do Partido, p. 96.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[27] </b>L. Kritsman, ob. cit., p. 83.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[28] </b>R. V. Daniels, ob. cit., p. 114.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[29]</b> Ibid., pp. 115, 117.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[30]</b> I. Deutscher, <b>The Prophet Armed</b>, p. 498.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[31] Treti vserossiiski s&#8217;yezd professionalnykh soyuzov: stenograficheski </b><b>otchet </b>(Terceiro Congresso Pen-Russo dos Sindicatos: relato estenográfico), Moscovo, 1920. pp. 87-97. (Referido daqui em diante como Terceiro Congresso Sindical).</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[32] </b>I. Doutscher, ob. cit., pp. 500-507.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[33] Trade Unions in Soviet R</b><b>u</b><b>ssia (Os Sindicatos na Rússia Soviética) </b>(Labour Research Department and ILP Information Committee), Novembro, 1920, British Museum (Press Mark: 0824-bb-4l).</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[34] </b>R. V. Daniels, ob. cit., p. 107.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[35] </b><a href="https://translate.google.com/translate?hl=pt-BR&amp;sl=ru&amp;tl=pt&amp;u=https%3A%2F%2Fru.wikipedia.org%2Fwiki%2F%D0%93%D0%B8%D0%BD%D1%81%2C_%D0%93%D0%B5%D0%BE%D1%80%D0%B3%D0%B8%D0%B9_%D0%9A%D0%BE%D0%BD%D1%81%D1%82%D0%B0%D0%BD%D1%82%D0%B8%D0%BD%D0%BE%D0%B2%D0%B8%D1%87">G. K. Gins</a>, <a href="https://translate.googleusercontent.com/translate_c?depth=1&amp;hl=pt-BR&amp;rurl=translate.google.com&amp;sl=ru&amp;sp=nmt4&amp;tl=pt-BR&amp;u=http://istmat.info/node/25476&amp;xid=17259,15700023,15700043,15700124,15700149,15700168,15700186,15700191,15700201,15700208&amp;usg=ALkJrhjfXpUBHoUXAmPiNKAAKbjLWAuZTg"><b>Sibir, Soyuzniki, Kolcha</b><b>k</b></a>, Pequim, 1921, p. 429.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[36] </b>L. Trotsky. <a href="http://www.pcint.org/40_pdf/18_publication-pdf/ES/Ter_y_com_w.pdf">&#8220;Terrorism and Communism&#8221;</a> (Terrorismo e Comunismo), edição de Ann Arbor, p. 133.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[37]</b> <a href="http://www.pcint.org/40_pdf/18_publication-pdf/ES/Ter_y_com_w.pdf">Ibid.</a>, p. 146.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[38]</b> <a href="http://www.pcint.org/40_pdf/18_publication-pdf/ES/Ter_y_com_w.pdf">Ibid.</a>, p. 149.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[39] </b><a href="http://www.pcint.org/40_pdf/18_publication-pdf/ES/Ter_y_com_w.pdf">Ibid.</a>, p. 135.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[40]</b> <a href="http://www.pcint.org/40_pdf/18_publication-pdf/ES/Ter_y_com_w.pdf">Ibid.</a>, p. 137.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[41]</b> <a href="http://www.pcint.org/40_pdf/18_publication-pdf/ES/Ter_y_com_w.pdf">Ibid.</a>, p. 143.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[42]</b> <a href="http://www.pcint.org/40_pdf/18_publication-pdf/ES/Ter_y_com_w.pdf">Ibid.</a>, p. 162.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[43]</b> <a href="http://www.pcint.org/40_pdf/18_publication-pdf/ES/Ter_y_com_w.pdf">Ibid.</a>, pp. 162-163.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[44]</b> I. Deutscher, <b>The Prophet Armed</b>, pp. 501-502.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[45]</b> Ibid., p. 502.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[46] </b>Izvestiya do Comité Central. 12 de outubro de 1920.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[47] </b>Décimo Congresso do Partido, p. 829, nota 2.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[48]</b> I. Deutscher, ob. cit., pp. 502-503.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[49]</b> I. Deutscher. <a href="https://www.marxists.org/archive/deutscher/1950/soviet-trade-unions/index.htm"><b>Soviet Trade Union</b><b>s</b></a>, p. 41.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[50]</b> I. Deutscher, <b>The Prophet Armed</b>, pp. 502-503</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[51] </b>V. I. Lenine, <b>Obr</b><b>as</b><b> Escolhida</b><b>s</b>, vol. IX, p. 30 (da ed. inglesa).</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[52] </b>G. Zinoviev, <b>Sochineniya</b>, Moscovo 1924-1926, VI pp. 599-600.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[53]</b> I. Deutscher, ob. cit., pp. 502-503. Esta sanção seria levantada pelo Comité Central na sua reunião de 24 de Dezembro, que decidiu também que toda a questão devia ser discutida publicamente.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[54]</b> Ibid., p. 503.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[55]</b> L. Trotsky, <a href="https://archive.org/stream/trotsky_sochineniia_2_201711/%D0%A1%D0%BE%D1%87%D0%B8%D0%BD%D0%B5%D0%BD%D0%B8%D1%8F%20-%20%5B%D1%82.%2015%5D%20%D0%A5%D0%BE%D0%B7%D1%8F%D0%B9%D1%81%D1%82%D0%B2%D0%B5%D0%BD%D0%BD%D0%BE%D0%B5%20%D1%81%D1%82%D1%80%D0%BE%D0%B8%D1%82%D0%B5%D0%BB%D1%8C%D1%81%D1%82%D0%B2%D0%BE%20%D0%A1%D0%BE%D0%B2%D0%B5%D1%82%D1%81%D0%BA%D0%BE%D0%B9%20%D1%80%D0%B5%D1%81%D0%BF%D1%83%D0%B1%D0%BB%D0%B8%D0%BA%D0%B8.%20%D0%AD%D0%BF%D0%BE%D1%85%D0%B0%20%D0%B2%D0%BE%D0%B5%D0%BD%D0%BD%D0%BE%D0%B3%D0%BE%20%D0%BA%D0%BE%D0%BC%D0%BC%D1%83%D0%BD%D0%B8%D0%B7%D0%BC%D0%B0.%201919-1920%20%D0%B3%D0%B3%20-%20RAW"><b>Sochinneniya</b></a>, XV. pp. 422-423.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[56]</b> J. Stalin, Sochineniya, VI. p. 29.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[57]</b> I. Deutscher, ob. cit., p. 503.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[58]</b> V. I. Lenine, <b>Obr</b><b>as</b><b> Escolhida</b><b>s</b>, vol. IX, p. 12.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[59] </b>Ibid., p. 53.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[60]</b> Ibid., p. 26.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[61]</b> R. V. Daniels, ob. cit., p. 125.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[62] Vosmoi vserossiisti s’yezd sovetov: stenograficheski otchet</b> (Oitavo Congresso Pan-Russo dos Sovietes: relato estenográfico), Moscovo 1921, p. 324.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[63]</b> L. Schapiro, <b>The Origin of Communist Autocracy</b> (A Origem de Autocracia Comunista). Praeger, New York, 1965, p. 271.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[64] </b>Este sumário é baseado no relato detalhado de Deutscher em <a href="https://www.marxists.org/archive/deutscher/1950/soviet-trade-unions/index.htm"><b>Soviet Trade Unions</b></a>, pp. 42-52. &#8220;No decurso das discussões prévias ao Congresso surgiu um grande número de facções e grupos, cada um com o seu ponto de vista e &#8216;teses&#8217; sobre os sindicatos. As diferenças entre alguns destes grupos eram tão subtis, e atendendo a que quase todos os grupos se referiam a um sem-número de princípios comuns, que por vezes o objecto do debate parecia irreal&#8221;. Finalmente só 3 moções foram apresentadas ao Congresso: a de Lenine (A Plataforma dos Dez), a moção de Trotsky-Bukharin e as propostas da Oposição. &#8220;Comparando essas moções — observa Deutscher— confunde-se mais do que se esclarece o problema que o Congresso tentava resolver, pois os autores de cada uma das moções tinham, por razões tácticas, incorporado passagens das dos adversários, encobrindo assim até alto ponto as verdadeiras divergências”.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[a]</b> Segundo os números dados por Zinoviev no Décimo Congresso do Partido, o número de membros dos sindicatos era, em Julho de 1917, 1.500.000, em Janeiro de 1918, 2.600.000, em 1919, 3.500.000, em 1920, 4.300.00 e em 1921, 7.000.000.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[65] </b>Décimo Congresso do Partido, <b>O roli i </b><b>z</b><b>adachakh profsoyu</b><b>z</b><b>ov</b> (Sobre o papel e tarefa dos sindicatos), Resoluções. I, pp. 436-542.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[66]</b> I. Deutscher, <a href="https://archive.org/details/in.ernet.dli.2015.227603"><b>Soviet Trade Union</b><b>s</b></a>, p. 51.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[67]</b> V. I. Lenine, <b>Obra</b><b>s</b><b> Escolhida</b><b>s</b>, vol. IX. p. 6. (ed. inglesa).</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[68]</b> Ibid.. p. 76.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[69] </b>Bukharin, Décimo Congresso do Partido. <b>O zadacha</b><b>k</b><b>h i stru</b><b>k</b><b>ture profesoyuzov</b> (Sobre as tarefas e estrutura dos sindicatos), Apêndice 16 . p. 802.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[70] </b>V. I. Lenine, <b>Obras escolhidas</b>, vol. IX, p. 35. (ed. inglesa).</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[71]</b> Ibid., p. 36.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[72] </b>V. I. Lenine, <b>Krisis partii</b> (A crise no partido). <b>Pravda</b>, 21 de Janeiro de 1921.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[73]</b> V. I. Lenin, &#8220;<a href="https://www.marxists.org/portugues/lenin/1920/12/30.htm">Novamente sobre os sindicatos, a situação actual </a><a href="https://www.marxists.org/portugues/lenin/1920/12/30.htm">e os erros dos camaradas Trotsky e Bukharin</a>&#8220;, <b>Obras Escolhidas</b>, vol. IX, pp. 40-80, (ed. inglesa).</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[74]</b> M Chlyapnikov, Décimo Congresso do Partido. Organizatsiya narodnogo khoiyaistva i zadaehi soyuzov (A organização da economia e as tarefas dos sindicatos), Discurso de 30 de Dezembro de 1920, Apêndice 2, pp. 789-793.</p>
<blockquote>
<p lang="pt-PT">Fotografias de Alexander Nemenov, feitas em 1991 durante os últimos dias da URSS.</p>
</blockquote>
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		<title>Os bolcheviques e o controle operário: 1921</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Aug 2018 03:00:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[Tinha-se proclamado em 1917 que "todos os cozinheiros deviam aprender a governar o Estado". Em 1921 o Estado era suficientemente poderoso para mandar em todos os cozinheiros! Por Maurice Brinton]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por Maurice Brinton</h3>
<h4 lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>1921</b></h4>
<h5 lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>JANEIRO</b></h5>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">O Comité de Petrogrado do Partido, fortemente leninista (nas mãos de Zinoviev), lança uma campanha &#8220;oficial&#8221; preparatória do Décimo Congresso. Antes do Congresso foram tomadas numerosas medidas administrativas para assegurar a derrota da Oposição. Algumas dessas medidas eram tão irregulares que o Comité do Partido de Moscovo em determinada altura votou uma resolução censurando publicamente a organização de Petrogrado &#8220;pela não observação das regras de uma discussão correcta&#8221;<b>[1]</b>.</p>
<p lang="pt-PT"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-122341 aligncenter" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2018/08/600px-Члены_Политцентра_РСДРП_и_ВРК_Петросовета_1917_октябрь.png" alt="" width="600" height="419" /></p>
<h5 lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>13 de JANEIRO </b></h5>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">O Comité de Moscovo do Partido denunciou a &#8220;tendência da organização de Petrogrado pára se transformar num centro especializado na preparação de Congressos do Partido&#8221;<b>[</b><b>2</b><b>]</b> . Os leninistas estavam a usar a organização de Petrogrado como base de pressão sobre o resto do Partido. O Comité de Moscovo insistiu junto do Comité Central para que este &#8220;assegurasse uma distribuição equitativa de material e de oradores&#8230; de tal maneira que todos os pontos de vista estivessem representados&#8221;<b>[3]</b>. Esta recomendação foi descaradamente violada. No Congresso, KoIlontai afirmou que a circulação da sua brochura tinha sido deliberadamente boicotada<b>[4]</b>.</p>
<h5 lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>14 DE JANEIRO </b></h5>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Publicação da <b>&#8220;Plataforma dos 10&#8221;</b> (Artem, Kalinin, Kamenev, Lenin, Lozovsky, Petrovsky, Rudzutak, Stain, Tomsky e Zinoviev). Esse documento apresentou, em forma mais elaborada, as teses de Lenine ao Congresso.</p>
<h5 lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>16 DE JANEIRO </b></h5>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">A <b>Pravda</b> publica a plataforma de Bukharin, descrita por Lenine como o &#8220;supra-sumo da desintegração ideológica&#8221;<b>[5]</b>.</p>
<h5 lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>21 </b><b>DE JANEIRO</b></h5>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Num artigo da <b>Pravda</b> sobre a crise do Partido, Lenine escreve: &#8220;Neste momento acrescentamos à nossa plataforma o seguinte: temos de combater a confusão ideológica dos elementos nocivos da oposição que chegam ao ponto de repudiar toda a &#8220;militarização da economia&#8221;, de repudiar não só o &#8220;método da nomeação&#8221; que tem sido o método predominante até agora, mas inclusive <b>todas</b> as nomeações. Em última instância, isso significa repudiar o papei dirigente do Partido em relação às massas sem-Partido. Temos de combater o desvio anarco-sindicalista que matará o Partido se este não o eliminar completamente&#8221;. Pouco depois, Lenine escreveria que &#8220;o desvio anarco-sindicalista conduz à queda da ditadura do proletariado&#8221;<b>[6]</b>. Por outras palavras, o poder da classe operária (&#8220;a ditadura do proletariado&#8221;) é impossível se houver militantes no Partido que pensam que a classe operária deve ter mais poder na produção (&#8220;o desvio anarco-sindicalista&#8221;)<b>[a]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Reunião da fracção comunista durante o Segundo Congresso do Sindicato dos Mineiros. Kiselev, um mineiro, defendeu a plataforma da Oposição Operária, que obteve 62 votos — contra 137 para a plataforma leninista e 8 para a de Trotski<b>[</b><b>7</b><b>]</b>.</p>
<h5 lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>25 DE JANEIRO </b></h5>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">A Pravda publica as <a href="https://www.marxists.org/archive/shliapnikov/1921/workers-opposition.htm"><b>&#8220;Teses sobre os Sindicatos&#8221;</b></a> da Oposição Operária. Alexandra Kollontai publica <a href="https://www.marxists.org/archive/kollonta/1921/workers-opposition/index.htm"><b>&#8220;A Oposição Operária&#8221;</b></a>, que desenvolve as mesmas ideias mas a um nível mais teórico<b>[</b><b>8</b><b>]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Atendendo à tempestade política desencadeada pela Oposição Operária deveria haver muito mais documentos dignos de confiança sobre essa tendência. A pouca informação que existe é de fontes leninistas<b>[9]</b>. A virulência dos ataques contra a Oposição Operária sugere que esta tinha um apoio considerável dos operários fabris da base e que isso alarmou seriamente os chefes do Partido. Chlyapnikov (que foi o primeiro Comissário do Trabalho), Lutovinov e Medvedev, dirigentes dos operários metalúrgicos, eram os seus porta-vozes mais notáveis.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">&#8220;Geograficamente parece ter-se concentrado no Sudeste da Rússia Europeia: a bacia do Donets, as regiões do Don e Kuban e em Samara, província do Volga. Na verdade, em Samara, em 1921, a organização do Partido estava sob o controle da Oposição Operária. Antes da crise do Partido da Ucrânia, em fins de 1920, os membros da oposição tinham uma maioria de simpatizantes no conjunto da república. Outros pontos de apoio localizavam-se na Província de Moscovo onde a Oposição Operária recolheu cerca de 1/4 dos votos do Partido e no sindicato dos metalúrgicos, espalhado por todo o país&#8221;<b>[</b><b>10</b><b>]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Quando Tomsky abandonou os sindicalistas e se juntou ao campo leninista nos fins de 1921, &#8220;explicou&#8221; a influência da Oposição Operária pela popularidade das ideias de &#8220;democracia industrial&#8221; e anarco-sindicalistas dos metalúrgicos<b>[11]</b>. Lembremo-nos que estes mesmos metalúrgicos tinham sido a espinha dorsal dos Comités de Fábrica em 1917.</p>
<h5 lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>FEVEREIRO </b></h5>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Durante as discussões préviaa ao Congresso, a facção leninista utilizou-se a fundo da recém estabelecida Comissão de Controle. Conseguiu a demissão de Preobrazhensky e Dzerzhinsky (considerados demasiado &#8220;moles&#8221; em relação à Oposição Operária e aos trotsquistas, respectivamente) e a sua substituição por &#8220;apparatchiks&#8221; como Solts que começou por repreender a chefia do Partido, que estava dividida pela sua fraqueza em reprimir a &#8220;ultra-esquerda&#8221;.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Os leninistas desencadearam uma ruidosa campanha em que focavam insistentemente os temas da unidade e dos perigos internos que a Revolução tinha de enfrentar. E de novo se refugiaram no culto da personalidade de Lenine. Todas as outras tendências foram etiquetadas como &#8220;objectivamente contra-revolucionárias&#8221;. Conseguiram apoderar-se do controle da máquina do Partido, inclusive em zonas com uma longa tradição de apoio à Oposição.</p>
<p lang="pt-PT"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-122347 aligncenter" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2018/08/5a7315cf15e9f976bd3153ea.jpg" alt="" width="850" height="478" /></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Foram tão &#8220;bem sucedidas&#8221; algumas dessas &#8220;vitórias&#8221; que há sérias dúvidas quanto à sua autenticidade e se não terão sido conseguidas por fraude. Por exemplo. diz-se que em 19 de Janeiro uma Conferência do Partido da Frota do Báltico deu 90% dos votos aos leninistas <b>[12]</b>. Contudo, dentro de duas a três semanas vai desenvolver-se uma forte oposição da Frota, a qual distribuirá em profusão panfletos que proclamam: &#8220;O Departamento Político da Frota do Báltico perdeu todo o contacto, não só com as massas mas também com todos os operários politicamente activos. Tornou-se num órgão burocrático sem autoridade&#8230; Liquidou toda a iniciativa local e reduziu todo o trabalho político ao nível de correspondência entre secretarias&#8221;<b>[13]</b>. Fora do Partido ainda se diziam coisas mais acerbas.</p>
<h5 lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>2 A 17 DE MARÇO </b></h5>
<h5 lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>Revolta de Cronstadt</b></h5>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Esse acontecimento chave, que teve um profundo efeito sobre o Congresso cuja abertura se deu uns dias mais tarde, já foi pormenorizadamente analisado noutro lugar<b>[</b><b>*</b><b>][14]</b>.</p>
<h5 lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>8 A 16 DE MARÇO </b></h5>
<h5 lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>Décimo Congresso do Partido </b></h5>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Este Congresso veio a revelar-se como uma das assembleias mais dramáticas da história do bolchevismo. No entanto, os argumentos utilizados e as batalhas nele travadas eram um reflexo muito distorcido da crise infinitamente mais profunda que o país atravessava. Nos fins de Fevereiro, estalaram greves na zona de Petrogrado e Cronstadt tinha-se revoltado. Ambos os acontecimentos eram apenas a parte visível de um grande icebergue em que a parte submersa representa o descontentamento e frustração.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Desde o início até ao fim do Congresso este esteve sob o controle do Partido. Pairava uma atmosfera de quase histeria como até então nunca tinha sucedido nas reuniões bolcheviques. Nesta altura tornou-se vital para os chefes do Partido suprimir a Oposição que, quer ela o soubesse ou não, e quer o quisesse ou não, se tinha transformado no porta-voz de todas essas aspirações frustradas. Era necessário, acima de tudo, ocultar a imagem de Cronstadt como um movimento que defendia os princípios da Revolução de Outubro contra os comunistas (a ideia da &#8220;terceira revolução&#8221;), que era exactamente o que os habitantes de Cronstadt proclamavam: &#8220;Nós lutamos&#8221;, afirmavam os rebeldes, &#8220;pelo verdadeiro poder da classe trabalhadora, enquanto que o sangrento Trotski e o voraz Zinoviev e seu bando de sequazes lutam pelo poder do Partido&#8221;<b>[15]</b>. &#8220;Cronstadt levantou, pela primeira vez, a bandeira da Terceira Revolução, a da revolta dos trabalhadores&#8230; A autocracia caiu. A Assembleia Constituinte foi para o diabo. Agora é a comissariocracia que se desmantela&#8230;&#8221;<b>[16]</b> .</p>
<p lang="pt-PT"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-122344 aligncenter" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2018/08/Dia-do-Amigo-Trotsky-Stálin.jpg" alt="" width="423" height="308" /></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">No Congresso, Trotski atacou a Oposição Operária. &#8220;Ela propôs palavras de ordem perigosas. Transformaram em ídolo os princípios democráticos. Colocaram o direito dos trabalhadores de eleger representantes acima do Partido. Como se o Partido não tivesse o direito de exercer a sua ditadura mesmo se essa ditadura entrasse em conflito temporário com os devaneios da democracia operária!&#8221; Trotski falou do &#8220;direito revolucionário histórico de primogenitura do Partido&#8221;. &#8220;O Partido é obrigado a manter a sua ditadura&#8230; sem atender às vacilações temporárias da própria classe operária&#8230; A ditadura não se baseia, em cada instante, no principio formal da democracia operária&#8230;&#8221;.</p>
<figure id="attachment_122345" aria-describedby="caption-attachment-122345" style="width: 251px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-122345" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2018/08/marinheiros-de-kronstad.jpg" alt="" width="251" height="177" /><figcaption id="caption-attachment-122345" class="wp-caption-text">Marinheiros de Kronstadt, 1921.</figcaption></figure>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">O ataque físico a Cronstadt, no qual participaram para cima de 200 delegados do Congresso, foi acompanhado por um assalto verbal maciço contra a Oposição Operária e tendências semelhantes. Embora alguns dos membros dirigentes da Oposição tenham lutado contra os habitantes de Cronstadt (porque ainda tinham ilusões acerca do &#8220;papel histórico do Partido&#8221; e porque ainda estavam amarrados a lealdades organizativas caducas), Lenine e os chefes do Partido perceberam perfeitamente as profundas afinidades entre os dois movimentos. &#8220;Ambos atacaram a chefia do Partido por ter violado o espírito da revolução, por ter sacrificado os ideais democrático e igualitário no altar do oportunismo e da &#8220;eficácia&#8221; e por se deixarem levar por preocupações burocráticas do poder pelo poder&#8221;<b>[</b><b>17</b><b>]</b>. As suas exigências também coincidiam em parte em numerosos pontos concretos. Os habitantes de Cronstadt (entre os quais muitos membros dissidentes do Partido) proclamaram que &#8220;a República Socialista Soviética só pode tornar-se forte quando a sua administração pertencer à classe trabalhadora, representada por sindicatos renovados&#8230; Graças à politica do partido dirigente os sindicatos não tiveram nenhuma oportunidade para se tornarem organizações de classe&#8221;<b>[1</b><b>8</b><b>]</b>. A linguagem era a mesma, inclusive no &#8220;feiticismo&#8221; sindical.</p>
<p lang="pt-PT"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-122343 aligncenter" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2018/08/Lenin_4-900x600-1024x585.jpg" alt="" width="1024" height="585" /></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">O Congresso abriu com um virulento discurso de Lenine apelando para a lealdade ao Partido e denunciando a Oposição Operária como uma ameaça à Revolução. A Oposição era um refugo &#8220;pequeno burguês&#8221;, &#8220;sindicalista&#8221;, &#8220;anarquista&#8221;, &#8220;originado em parte pela entrada nas fileiras do Partido de elementos que ainda não tinham adoptado integralmente o ponto de vista comunista&#8221;<b>[</b><b>19</b><b>]</b>. (Na verdade, a Oposição era precisamente o contrário. Era a reacção da base proletária do Partido contra a entrada em massa desses elementos). Os argumentos básicos da Oposição não foram discutidos a nenhum nível. A argumentação não injuriosa era frequentemente confusa. Por exemplo, além de ser: (a) &#8220;genuinamente contra-revolucionária&#8221;, e (b) &#8220;objectivamente contra-revolucionária&#8221;, a Oposição Operária era igualmente &#8220;demasiado revolucionária&#8221;. As suas reivindicações eram &#8220;demasiado avançadas&#8221; e o Governo Soviético tinha que se concentrar, ainda, em eliminar o atraso cultural das massas<b>[20]</b>. De acordo com Smilga, as reivindicações exageradas (da Oposição Operária) iam contra os esforços do Partido ao dar esperanças aos operários que teriam que ser contrariadas<b>[21]</b>. Mas, acima de tudo, as reivindicações da Oposição Operária não eram revolucionárias no bom sentido da palavra, elas eram anarco-sindicalistas. Era a maldição final. &#8220;Se sucumbirmos&#8221; disse Lenine numa conversa particular, &#8220;é extremamente importante preservar a nossa linha ideológica e dar o exemplo aos nossos continuadores. Nunca nos devemos esquecer disto, mesmo em circunstâncias desesperadas&#8221;<b>[22]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Os dias da lua-de-mel de 1917 há muito que tinham passado, assim como a retórica de <a href="https://www.marxists.org/portugues/lenin/1917/08/estadoerevolucao/index.htm"><b>O Estado e a Revolução</b></a>. Iam ser desenterrados os cadáveres da ruptura da I Internacional. O crime máximo da Qposição era que alguns dos seus elementos (e mais particularmente os seus elementos marginais, tais como Myasnikov e Bogdanov) faziam perguntas bastante embaraçosas. De uma maneira atabalhoada e ainda confusa, alguns punham em causa a primazia do Partido, outros a natureza de classe do Estado russo. Enquanto as críticas se referiam às &#8220;deformações ou distorções burocráticas&#8221; desta ou daquela instituição, ou mesmo do próprio Partido, este acomodava-se (de facto jé tinha bastante prática no assunto!). Mas levantar dúvidas sobre esses outros assuntos básicos é que já não podia ser tolerado. A ameaça, apesar de, na altura, estar apenas implícita nos pensamentos da Oposição, era séria. As teses de Ignatov já tinham chamado a atenção para os possíveis perigos da &#8220;entrada maciça nas fileiras do Partido de indivíduos das camadas burguesa e pequeno-burguesa&#8221; combinada com &#8220;as pesadas perdas suportadas pelo proletariado durante a Guerra Civil&#8221;<b>[23]</b>. Mas era inevitável que determinadas pessoas extraíssem todas as conclusões dessas teses. Pouco depois do Congresso, Bogdanov e o grupo <b>Verdade Operária</b> afirmavam que a revolução se tinha saldado por uma &#8220;derrota completa da classe trabalhadora&#8221;. Declaravam mais tarde que &#8220;a burocracia, juntamente com os indivíduos da NEP, tinha-se transformado numa nova burguesia, que vivia da exploração dos trabalhadores e se aproveitava da sua desorganização&#8230; Com os sindicatos nas mãos da burocracia, os trabalhadores ficaram indefesos como nunca até então tinham estado&#8221;. &#8220;O Partido Comunista&#8230;, depois de se ter tornado no Partido dirigente, o partido dos organizadores e chefes do aparelho estatal e da economia em bases capitalistas&#8230; tinha irrevogavelmente perdido o contacto e identidade de interesses com o proletariado&#8221;<b>[</b><b>24</b><b>]</b>. Este tipo de raciocínio ameaçava a própria base do regime bolchevique e tinha de ser energicamente eliminado da mente dos trabalhadores.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">&#8220;O marxismo ensina-nos&#8221;, diz Lenine, &#8220;que só o partido político da classe trabalhadora, isto é o Partido Comunista, tem possibilidade de unir, educar, organizar&#8230; e dirigir todas as frentes do movimento proletário e portanto de toda a massa trabalhadora. Sem isso, a ditadura do proletariado não tem significado&#8221;<b>[25]</b>.</p>
<p lang="pt-PT"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-122342 aligncenter" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2018/08/bogdanov__meninos.jpg" alt="" width="600" height="399" /></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Claro que o &#8220;marxismo&#8221; também ensinava outras coisas. Dizia sem equívoco possível que &#8220;a emancipação da classe trabalhadora ó uma tarefa da própria classe trabalhadora&#8221;<b>[26]</b> e que &#8220;os comunistas não formam um Partido separado, oposto aos outros partidos da classe operária&#8221;<b>[27]</b>. O que Lenine pregava agora não era na verdade o &#8220;marxismo&#8221; mas o leninismo puro de <a href="https://www.marxists.org/portugues/lenin/1902/quefazer/index.htm"><b>&#8220;Que Fazer?&#8221;</b></a> (escrito em 1902), o leninismo que afirmava que a classe operária por si só apenas podia desenvolver uma consciência sindicalista e que havia que introduzir-lhe a partir de fora a consciência política através dos &#8220;veículos da ciência&#8221;: a <i>intelligentsia</i> pequeno-burguesa<b>[</b><b>b</b><b>]</b>. Para os bolcheviques, o Partido representava os interesses históricos da classe operária, quer ela o percebesse ou não, e quer ela o quisesse ou não. Partindo dessas premissas, <b>qualquer</b> ameaça à hegemonia do Partido, quer em acção ou pensamento, era equivalente a &#8220;trair&#8221; a Revolução, a violar a História.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">&#8220;Unidade&#8221; foi o tema que permeou todo o Congresso. Devido às ameaças de fora e às &#8220;ameaças&#8221; de dentro, não foi muito difícil aos dirigentes do Partido fazerem com que o Congresso aceitasse medidas draconianas. Estas vieram a restringir ainda mais os direitos dos membros do Partido. O direito de constituir facções foi abolido. &#8220;O Congresso aconselha a dissolução rápida de todos os grupos, sem excepção, que se tenham formado em volta desta ou daquela plataforma&#8230;; o não cumprimento desta decisão do Congresso levará à expulsão imediata e incondicional do Partido&#8221;<b>[28]</b>. Uma cláusula secreta dava ao Comité Central poderes disciplinares ilimitados, incluindo a expulsão do Partido e até do próprio Comité Central (para o efeito era necessária uma maioria de 2/3). Estas medidas, ponto de viragem na história do bolchevismo em assuntos organizativos, foram aprovadas por esmagadora maioria. Não sem certa apreensão, Karl Radek afirma: &#8220;Tinha o pressentimento de que se estava a estabelecer uma lei sem que soubéssemos seguramente contra quem podia ser aplicada. Quando o Comité Central foi escolhido, os camaradas da maioria formaram uma lista que lhes dava o controle (do Comité). Todos sabemos que isso se passou no momento em que as dissensões começaram a aparecer no Partido. Não sabíamos&#8230; as complicações que poderiam surgir. Os camaradas que propuseram essa lei julgam que ela é uma arma contra os camaradas que pensam de maneira diferente. Embora vote a favor dessa resolução, pressinto que pode inclusive ser virada contra nós&#8221;. Sublinhando a perigosa situação em que se encontravam o Partido e o Estado, Radek conclui: &#8220;que o Comité Central nos momentos de perigo tome as medidas mais severas contra os melhores camaradas, se tal considerar necessário&#8221;<b>[29]</b>. Esta atitude, ou por outra esta mentalidade [o Partido não pode estar errado em relação à classe; o Comité Central não pode estar errado em relação ao Partido] viria a explicar muitos acontecimentos posteriores. Veio a provar ser um autêntico nó corredio em volta do pescoço de milhares de revolucionários honestos. Encontramo-la em Trotsky ao negar publicamente em 1927 que Lenine tivesse deixado um testamento político, e nas &#8220;confissões&#8221; da Velha Guarda bolchevique durante os Julgamentos de Moscovo de 1936-1938. Era a reificação do Partido, como instituição. Representa o resumo da alienação do homem em relação à política revolucionária.</p>
<p lang="pt-PT"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-122346 aligncenter" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2018/08/lenin-embalsamado.jpg" alt="" width="768" height="511" /></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Face a essa transformação política (ou por outra, face à brusca aparição do que tinham sido até então alguns dos elementos básicos subjacentes do bolchevismo) as &#8220;discussões&#8221; reais na Conferência foram pouco significativas. Foram deliberadamente deixadas para o fim. Argumentando ainda dentro do esquema ideológico do &#8220;Partido&#8221;, Perepechko. membro da Oposição Operária, apontou a burocracia (no Partido) como a origem da clivagem entre a autoridade dos Sovietes (e o aparelho soviético no seu conjunto), e a imensa massa trabalhadora<b>[30]</b>. Medvedev acusou o Comité Central de &#8220;desvio que consistia na desconfiança acerca do poder criador da classe operária e em concessões à casta dos funcionários pequeno-burgueses e burgueses&#8221;<b>[31]</b>. Para minimizar essa tendência e preservar o espírito proletário do Partido, a Oposição Operária propôs que &#8220;todos os membros do Partido fossem obrigados a viver e trabalhar 3 meses por ano como proletários ou camponeses vulgares, realizando um trabalho físico&#8221;<b>[</b><b>32</b><b>]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">As teses de Ignatov exigiam que um mínimo de 2/3 de cada organismo fosse composto por operários. Há muitos anos que não se ouviam críticas tão duras contra os dirigentes. Um delegado causou um tumulto indescritível ao denunciar Lenine como &#8220;o maior dos Chinovnik&#8221; (arcebispo da burocracia czarista)<b>[33]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Os chefes fizeram o seu jogo habitual. Uma extensa resolução sobre os sindicatos apresentada por Zinoviev foi aprovada por 336 votos — contra 50 para a posição de Trotsky, e 18 para a Oposição Operária<b>[34]</b>. &#8220;Zinoviev esforçou-se imenso neste documento por reivindicar uma continuidade absoluta com a doutrina sindicalista&#8230; estabelecida pelo Primeiro Congresso Sindical e afirmada no programa do Partido de 1919. Era o truque habitual de criar uma barreira de fumo de afirmações ortodoxas para encobrir a mudança de rumo&#8221;<b>[35]</b>. O documento, que falava muito de &#8220;democracia operária&#8221;, prosseguia sublinhando em termos inequívocos que o Partido dirigiria todo o trabalho sindical.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">No penúltimo dia do Congresso, no fim duma sessão, sem qualquer discussão prévia no Partido e depois de já terem saído alguns delegados, Lenine fez as suas famosas propostas relativas à Nova Política Económica (NEP). Propôs a substituição da requisição forçada de cereais aos camponeses, uma das medidas mais odiadas do &#8220;comunismo de guerra&#8221;, pelo &#8220;imposto em géneros&#8221;. O controle governamental sobre o <i>stock</i> de cereais terminaria e, como consequência, dar-se-ia a liberalização do comércio de cereais. A esta proposta de extrema importância apenas se seguiram quatro intervenções de dez minutos cada. O relatório oficial do Décimo Congresso ocupa trezentas e trinta páginas das quais só 20 são dedicadas à NEP!<b>[36]</b> As principais preocupações do Congresso eram obviamente outras!</p>
<p lang="pt-PT"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-122349 aligncenter" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2018/08/171024-Chagall.jpg" alt="" width="1100" height="534" /></p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Foi então que começou o verdadeiro endurecimento interno. Votou-se uma resolução segundo a qual &#8220;a tarefa mais imediata do Comité Central era a uniformização estrita da estrutura dos comités do Partido&#8221;. O número de membros do Comité Central passou de 19 para 25, dos quais 5 devotar-se-iam ao trabalho dentro do Partido (visitando especialmente os comités provinciais e assistindo às Conferências provinciais do Partido)<b>[37]</b>. O novo Comité Central efectuou imediatamente uma mudança radical na composição do Secretariado. Os trotsquistas (Krestinsky, Preobrazhensky e Serebriakov), demasiado brandos no apoio à linha leninista, foram demitidos do Comité Central. Também se efectuaram mudanças radicais no Orgburo e na composição de determinadas organizações regionais do Partido<b>[</b><b>38</b><b>]</b>. Colocaram-se medíocres &#8220;disciplinados&#8221; e &#8220;seguros&#8221; a todos os níveis. &#8220;As mudanças organizativas de 1921 foram uma vitória decisiva para Lenine, para os leninistas e para a filosofia leninista da vida partidária&#8221;<b>[39]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">O Partido, tendo desejado o fim, começava agora a desejar os meios.</p>
<h4 class="western" style="text-align: justify;">Epílogo</h4>
<h5 lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>MAIO DE 1921 </b></h5>
<h5 lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>Congresso Pan-Russo do Sindicato dos Metalúrgicos </b></h5>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Este sindicato foi a espinha dorsal dos acontecimentos de 1905. Foi conquistado pelos bolcheviques logo em 1913. Esteve no centro do movimento dos Comités da Fábrica e preencheu muitos destacamentos de Guardas Vermelhos. Nesta altura estava profundamente influenciado pela Oposição Operária. O seu líder, Medvedev, era membro activo da Oposição. Era preciso acabar com a sua liderança no sindicato.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">No Congresso dos Metalúrgicos, o Comité Central do Partido deu à fracção do Partido no sindicato uma lista dos candidatos recomendados para chefia do sindicato (sic!). Os delegados dos metalúrgicos, assim como a fracção do Partido no sindicato, recusaram essa lista por 120 votos contra 40. Fizeram-se todos os esforços possíveis para os dominar. A Oposição tinha de ser esmagada. O Comité Central do Partido não tomou em conta a votação e nomeou um Comité de Metalúrgicos da sua lavra<b>[40]</b>. Adeus &#8220;delegados eleitos e revogáveis&#8221;! Eleitos pela base do sindicato e revogados pelos chefes do Partido!</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-122348 aligncenter" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2018/08/Câmara-dos-Sindicatos-Moscou-11-de-dezembro-de-1918..jpg" alt="" width="960" height="513" /></p>
<h5 lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>17 A 25 DE MAIO </b></h5>
<h5 lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>Quarto Congresso Pan-Russo dos Sindicatos </b></h5>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Este Congresso devia discutir o papel dos sindicatos no novo sector privado sancionado pela NEP. Tomsky, como presidente do Conselho Central Pan-Russo dos Sindicatos, foi encarregado pelo Comité Central do Partido da preparação das &#8220;teses&#8221; apropriadas, e de as fazer aprovar primeiro pela fracção do Partido e mais tarde por todo o Congresso. Tudo correu bem, até que o Congresso aprovou por 1.500 votos contra 30 uma moção de aspecto inofensivo, proposta por Riazanov em nome da fracção do Partido, e que viria a provocar um enorme escândalo. A secção chave da resolução afirmava: &#8220;o pessoal dirigente do movimento sindical deve ser escolhido sob a orientação geral do Partido, mas o Partido deve fazer um esforço especial para permitir que os métodos normais de democracia proletária vigorem, em particular nos sindicatos, onde a escolha dos dirigentes deve ser deixada aos próprios sindicalistas&#8221;<b>[41]</b>.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">O Comité Central ficou furioso. Atirou-se ao Congresso como um leão: retiraram imediatamente a Tomsky, que nem sequer tinha apoiado a proposta, mais ou menos impessoal, o lugar de representante do Comité Central no Congresso. Esse lugar foi ocupado por sindicalistas famosos como Lenine, Staline e Bukharin cuja tarefa era a de dominar a fracção rebelde. Proibiram Ryazanov de voltar alguma vez a participar em trabalho sindical.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Constituiu-se uma comissão especial chefiada por Staline para &#8220;investigar o comportamento de Tomsky&#8221;. Concluída a investigação, decidiu-se repreendê-lo severamente pela sua &#8220;negligência criminosa&#8221; (a de permitir que o Congresso exprimisse os seus próprios desejos). Tomsky foi demitido de todas as suas funções no Conselho Central Pan-Russo dos Sindicatos.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;">Quanto è fracção do Partido, &#8220;convenceram-na&#8221; a voltar atrás na sua decisão do dia anterior. Relativamente às outras centenas de delegados não há documentação sobre a sua reacção. Mas que importa? Tinha-se proclamado em 1917 que &#8220;todos os cozinheiros deviam aprender a governar o Estado&#8221;. Em 1921 o Estado era suficientemente poderoso para mandar em todos os cozinheiros!</p>
<h3 class="western" style="text-align: justify;">Notas</h3>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[1] </b>L. Trotsky, Décimo Congresso do Partido, <b>Otvet petrogradekim tovarishcham</b> (Resposta aos camaradas de Petrogrado). pp. 826-827, nota I.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[2]</b> Ibid., p. 779, Apêndice 6.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[3]</b> Ibid.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[4]</b> A. Kollontai, Décimo Congresso do Partido, p. 103.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[5] </b>V. I. Lenin, <b>Obras Escolhidas</b>, vol. IX, p. 35 (ed. inglesa).</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[6]</b> Ibid., p. 577.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[a]</b> Lenine levanta aqui claramente a questão &#8220;poder do Partido&#8221; ou &#8220;poder da classe&#8221;. Opta pelo primeiro sem nenhuma ambiguidade (sem deixar, é claro, de racionalizar a sua escolha através de uma amálgama forçada entre Partido e classe). Mas vai mais além. Não se limita a identificar o &#8220;poder operário&#8221; com o domínio do Partido. Identifica-o ainda com a aceitação das ideias dos dirigentes do Partido!</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[7] </b>Ibid., p. 79.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[8]</b> O texto completo foi publicado na revista <b>Socialisme ou Barbarie</b>, n,° 35, e no <b>Solidarity Pamphlet</b>, nº 7. [<i><b>Nota do Passa Palavra:</b></i><i> o livro de Alexandra Kollontai com sua versão das teses da Oposição Operária foi primeiramente publicado em língua portuguesa pela editora </i><i>portuense Afrontamento em 1973 e 1977, e em seguida </i><i>foi publicado em 1980 pela editora Global com as notas históricas e a cronologia elaboradas pelo grupo inglês </i><i><b>Solidarity. </b></i><i>Depois disto, nunca mais foi reeditado em língua portuguesa, e hoje custa uma fortuna em sebos. </i><i>Já as teses de Shliapnikov permanecem inéditas em língua porguesa.</i>]</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[9]</b> Ver por exemplo K. Shelavin, <b>Rabochaya oppozitsya</b> (a Oposição Operária), Moscovo 1930.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[10] </b>R. V. Daniels, ob. cit., p. 127.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[11]</b> Tomsky, Décimo Congresso do Partido, pp. 371-372.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[12] Pravda</b>, 27 de Janeiro de 1921.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[13]</b> Citado am A. S. Pukhov Kronshtadtski myatezh v 1921-9. (A Revolta de Kronstadt de 1921), Leninegrado 1931. p. 52. O panfleto de Ida Mett sobre A Comuna de Kronstadt dí uma boa ideia do &#8220;descontentamento&#8221; crescente na altura em Petrogrado.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[</b><b>*</b><b>]</b> Ver o volume <b>Cronstadt — Último Soviet Livre</b>, de Ida Mett, n.° 3 da colecção <b>O Saco de Lacraus</b>, Afrontamento. [<i><b>Nota do Passa Palavra:</b></i><i> trata-se da única edição desta obra em língua portuguesa. Nunca houve qualquer outra reedição, republicação ou nova tradução.</i>]</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[14]</b> Ver a seguinte documentação útil: <b>A Comuna de Kronstadt</b> de Ida Mett, <b>Solidarity Pamphlet </b>nº 27, ou <b>Cahiers Spartacus</b> n° 11 Série B, e <b>Kronstadt 1921</b> de Victor Serge.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[15] Isv</b><b>est</b><b>iya vr</b><b>e</b><b>m</b><b>e</b><b>nnogo revolyutsionnogo kom</b><b>i</b><b>t</b><b>e</b><b>ta</b> (Notfcias do Comité Revolucionário Provisório). 10 de Março de 1921.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[16]</b> Ibid., 12 de Março de 1921.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[17]</b> R. V. Daniels, ob. cit„ pp. 145-146.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[18] Notícias do Comité Revolucionário Provisório</b>. 9 de Março de 1921.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[19] </b>Décimo Congresso do Partido. <a href="https://www.marxists.org/portugues/lenin/1921/03/projeto.htm"><b>O sindikalistskoy i anarkhistskoy uklone v nashey partii</b> {Sobra os desvios sindicalista e anarquista no nosso partido)</a>. Resoluções I. p. 530.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[20]</b> Ibid., pp. 382-383.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[21]</b> Ibid- p. 258.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[22] </b>Trotsky, Carta a Amigos na URSS. 1930. (Arquivo de Trotsky T 3279).</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[23] </b>Décimo Congresso do Partido (Teses de Ignatov).</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[24] </b>N. Karev, <b>O gruppe &#8220;Rabochaya Pravda&#8221;</b> (Sobre o Grupo &#8220;A Verdada Operíria&#8221;), <b>Bolshevik</b>, IS de Julho de 1924, pp. 31 e seg.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[25]</b> Décimo Congresso do Partido, Resoluções I, p. 531.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[26] </b>K. Marx e F. Engels, Manifesto do Partido Comunista, <b>Obra</b><b>s</b><b> Escolhidas</b>, Moscovo (FLPH), 1958, vol. I, p. 28.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[27] </b>Ibid., p. 46.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[</b><b>b</b><b>]</b> Mas não se deveria confiar muito nesses elementos. A primeira edição russa de <b>&#8220;Que fazer?&#8221;</b> incluía no frontispício a celebre máxima de Lasalle: &#8220;o Partido fortifica-se depurando-se&#8221;.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[28] </b>Décimo Congresso do Partido, &#8220;Sobre a unidade do Partido&#8221;, Resoluções I, pp. 527-530.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[29]</b> Radek, ibid., p. 540.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[30]</b> Ibid.. p. 93.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[31]</b> Ibid., p. 140.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[32] </b>Ibid., &#8220;Resolução sobre o organização do Partido proposta pela Oposição Operária&#8221;, p. 663.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[33] </b>Yaroslavsky. ibid., referindo-se e afirmações de Y. K. Milonov.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[34]</b> Ibid., p. 828, pouco claro.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[35] </b>R. V. Daniels, ob. cit., p. 156.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[36]</b> L. Schapiro. ob. cit. p. 308.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[37] </b><b>D</b><b>écimo Congresso do Partido</b>, Resoluções, pp. 522-526.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[38]</b> R. V. Daniels, ob. cit., pp. 151-152.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[39] </b>Ibid., p. 152.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[40] </b><b>Iz</b><b>vestiya Ts. K.</b>, nº 32, 1921. pp. 3-*. Ver também Schapiro, ob. cit., pp. 323-324.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: justify;"><b>[41]</b> Ryazanov. <b>Undécimo Congresso do Partido</b>, pp. 277-278. Ver também Schapiro, ob. cit., pp. 324-325.</p>
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