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	Comentários sobre: O mito da culpabilidade alemã – 3ª parte	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/66772/#comment-199984</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Mar 2014 14:02:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Convencer - mas, sobretudo, vencer - é o que interessa numa polêmica. Além da graça e do mérito, o polemista tem acessos de Humpty Dumpty...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Convencer &#8211; mas, sobretudo, vencer &#8211; é o que interessa numa polêmica. Além da graça e do mérito, o polemista tem acessos de Humpty Dumpty&#8230;</p>
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		<title>
		Por: agincourt		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/66772/#comment-199507</link>

		<dc:creator><![CDATA[agincourt]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Mar 2014 22:04:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[“reproduzindo fraseologias prontas difundidas nos espaços acadêmicos.”
Fagner, a “determinação econômica” a priori também é uma fraseologia bastante difundida nos espaços acadêmicos.
Reduzir a eclosão da Segunda Guerra Mundial a uma determinação econômica, mormente o comportamento da Alemanha nazista, não é uma postura metodológica, mas sim, uma postura pararreligiosa.
Nem mesmo a Primeira Guerra Mundial – sempre vista como um exemplo de compêndio – se encaixa perfeitamente no modelo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“reproduzindo fraseologias prontas difundidas nos espaços acadêmicos.”<br />
Fagner, a “determinação econômica” a priori também é uma fraseologia bastante difundida nos espaços acadêmicos.<br />
Reduzir a eclosão da Segunda Guerra Mundial a uma determinação econômica, mormente o comportamento da Alemanha nazista, não é uma postura metodológica, mas sim, uma postura pararreligiosa.<br />
Nem mesmo a Primeira Guerra Mundial – sempre vista como um exemplo de compêndio – se encaixa perfeitamente no modelo.</p>
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			</item>
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		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/66772/#comment-199328</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Mar 2014 16:03:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[&quot;O capitalismo não explica tudo&quot;.

Em se tratando da Segunda Guerra Mundial e dos problemas tratados no artigo, o que é que explica então? Não se trata de ler a história de modo reducionista, trata-se de analisar a história tal como ela se deu realmente, levando em conta as determinações concretas dos acontecimentos, o que são coisas muito diferentes.

Quando você escreveu, em outro comentário, que o artigo de João Bernardo &quot;ao focar no descaso em relação ao extermínio de judeus e na desconsideração por (discutíveis) resistências operárias antifascistas, faz parecer que uma atitude contrária era uma obrigação moral dos aliados ocidentais&quot;, o que você fez foi justamente chegar à raiz do problema, pois os Aliados procederam levando em conta não uma &quot;obrigação moral&quot; mas interesses econômicos bem determinados.

O reducionismo parece vir, portanto, da sua parte, reproduzindo fraseologias prontas difundidas nos espaços acadêmicos. Mesmo quando a determinação econômica aparece como evidente, vem sempre alguém a que não agradam os &quot;reducionismos&quot; para tentar desviar-nos a atenção do que realmente importa.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;O capitalismo não explica tudo&#8221;.</p>
<p>Em se tratando da Segunda Guerra Mundial e dos problemas tratados no artigo, o que é que explica então? Não se trata de ler a história de modo reducionista, trata-se de analisar a história tal como ela se deu realmente, levando em conta as determinações concretas dos acontecimentos, o que são coisas muito diferentes.</p>
<p>Quando você escreveu, em outro comentário, que o artigo de João Bernardo &#8220;ao focar no descaso em relação ao extermínio de judeus e na desconsideração por (discutíveis) resistências operárias antifascistas, faz parecer que uma atitude contrária era uma obrigação moral dos aliados ocidentais&#8221;, o que você fez foi justamente chegar à raiz do problema, pois os Aliados procederam levando em conta não uma &#8220;obrigação moral&#8221; mas interesses econômicos bem determinados.</p>
<p>O reducionismo parece vir, portanto, da sua parte, reproduzindo fraseologias prontas difundidas nos espaços acadêmicos. Mesmo quando a determinação econômica aparece como evidente, vem sempre alguém a que não agradam os &#8220;reducionismos&#8221; para tentar desviar-nos a atenção do que realmente importa.</p>
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		<title>
		Por: agincourt		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/66772/#comment-199273</link>

		<dc:creator><![CDATA[agincourt]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Mar 2014 14:52:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[“Não deve subestimar-se a teia de relações intercapitalistas, que não se rompe mesmo quando as principais potências imperialistas se encontram em guerra.”

Pode ser que o caso seja um bom exemplo, mas sempre se corre o risco de ler a História de modo reducionista.

O capitalismo não explica tudo.

João Bernardo, obrigado pela atenção.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“Não deve subestimar-se a teia de relações intercapitalistas, que não se rompe mesmo quando as principais potências imperialistas se encontram em guerra.”</p>
<p>Pode ser que o caso seja um bom exemplo, mas sempre se corre o risco de ler a História de modo reducionista.</p>
<p>O capitalismo não explica tudo.</p>
<p>João Bernardo, obrigado pela atenção.</p>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/66772/#comment-199217</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Mar 2014 12:30:34 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=66772#comment-199217</guid>

					<description><![CDATA[Agincourt,
A minha preocupação quando escrevo história nunca é pesar culpas e méritos. No caso desta série de três artigos, desvendei o mito da culpabilidade alemã, e exclusivamente esse, por um motivo que indiquei logo no início da 1ª parte http://passapalavra.info/2012/11/66768 .
Quanto ao choque entre imperialismos na segunda guerra mundial, é sem dúvida interessante verificar que o mesmo &lt;em&gt;manifest destiny&lt;/em&gt; que presidiu à expansão dos Estados Unidos primeiro no interior do continente e depois além-mares foi invocado por Mussolini em Tripoli (Pierre MILZA, &lt;em&gt;Mussolini&lt;/em&gt;, [Paris]: Fayard, 1999, pág. 426), pelos fascistas japoneses na Ásia (BA Maw, &lt;em&gt;Breakthrough in Burma. Memoirs of a Revolution, 1939-1946&lt;/em&gt;, New Haven e Londres: Yale University Press, 1968, págs. 106, 308) bem como pelo marechal Keitel, chefe do supremo comando das forças armadas nazis desde 1938 até ao final da guerra (G. M. GILBERT, «Psychologie de la Dictature: Frank, Keitel, Hoess», &lt;em&gt;Les Temps Modernes&lt;/em&gt;, 1954, X, nº 107, pág. 686). Também a doutrina Monroe foi invocada antes da guerra pelo jurista nazi Carl Schmitt para justificar a política expansionista do Führer (Manuel de LUCENA, «Ensaios sobre o Tema do Estado», &lt;em&gt;Análise Social&lt;/em&gt;, 1976, XII, nº 47, pág. 661; Georg LUKÁCS, &lt;em&gt;The Destruction of Reason&lt;/em&gt;, Londres: The Merlin Press, 1980, pág. 661). No seu discurso perante o Reichstag em 28 de Abril de 1939, respondendo às propostas de paz efectuadas por Roosevelt duas semanas antes, Hitler afirmou que «nós, os alemães, professamos a mesma doutrina [Monroe] quanto à Europa, pelo menos no que diz respeito à esfera de influência e aos interesses do Reich germânico» (BENOIST-MECHIN, &lt;em&gt;Histoire de l’Armée Allemande&lt;/em&gt;, Paris: Albin Michel, 1964-1966, vol. VI, págs. 87-88). Também em Novembro do ano seguinte, ao encontrar-se em Berlim com Molotov, o Führer disse-lhe que o Reich estava a conduzir conversações com a França, a Itália e a Espanha para estabelecerem na Europa e na África «uma espécie de Doutrina Monroe» (J. NOAKES e G. PRIDHAM (orgs.), &lt;em&gt;Nazism 1919 – 1945. A Documentary Reader&lt;/em&gt;, vol. III: &lt;em&gt;Foreign Policy, War and Racial ExterminationI&lt;/em&gt;, Exeter: University of Exeter Press, 2010, pág. 194).
Quanto ao massare dos judeus (a anti-raça) e dos eslavos (a sub-raça) não o considero de modo nenhum «um elemento relativamente secundário». Pelo contrário, parece-me um elemento crucial para a compreensão de tudo o que se passou, por motivos que indiquei no meu livro &lt;em&gt;Labirintos do Fascismo. Na Encruzilhada da Ordem e da Revolta&lt;/em&gt; (Porto: Afrontamento, 2003, págs. 259-301, 581-638).
Mas vou concentrar-me agora no tema que originou esta troca de comentários. A questão não é a de a população civil poder contar-se entre as vítimas de bombardeamentos, porque nem sempre há a possibilidade de separar claramente os alvos militares dos alvos civis. A questão é a de se ter dado prioridade aos bombardeamentos sobre a população civil. Em Setembro de 1940 o Gabinete de Guerra britânico decidiu que, se os pilotos fossem incapazes de encontrar os alvos militares e económicos que lhes haviam sido designados, largassem as bombas em quaisquer outros lugares, indicando no mês seguinte que, se o mau tempo impossibilitasse o bombardeamento dos objectivos previstos, os pilotos deveriam lançar as bombas sobre grandes cidades e determinando também que esta orientação não fosse levada ao conhecimento do público (Martin GILBERT, &lt;em&gt;The Second World War&lt;/em&gt;, vol. I: &lt;em&gt;From the Coming of War to Alamein and Stalingrad, 1939-1942&lt;/em&gt;, Londres: The Folio Society, 2011, págs. 147, 157). Em Fevereiro de 1942 o marechal do ar Arthur Harris recebeu o comando dos bombardeiros da RAF com instruções do Gabinete de Guerra para desencadear uma ofensiva sistemática contra as cidades alemãs «tendo como alvo principal o moral da população civil e especialmente dos operários da indústria» (Angus CALDER, &lt;em&gt;The Myth of the Blitz&lt;/em&gt;, Londres: Jonathan Cape, 1991, pág. 39; George VASSILTCHIKOV (org.), &lt;em&gt;The Berlin Diaries 1940-1945 of Marie “Missie” Vassiltchikov&lt;/em&gt;, Londres: The Folio Society, 1991, pág. 71). Como escreveu nessa época um alto funcionário britânico que entrara para o Ministério da Aviação em 1930, onde chegara ao cargo de Principal Secretário Assistente, o comando dos bombardeiros «demonstrou ser um eficiente organizador de migrações de massa» (J. M. SPAIGHT, &lt;em&gt;Bombing Vindicated&lt;/em&gt;, Londres: Geoffrey Bless, 1944, pág. 94). E apesar de a directiva emanada em Junho de 1943 do comité conjunto dos chefes de estado-maior anglo-americanos, confirmada dois meses depois por Roosevelt e Churchill na conferência de Québec, ter dado prioridade aos objectivos industriais, o marechal do ar Harris continuou a considerar mais importantes os alvos civis. De novo em Setembro de 1944 o comité conjunto dos chefes de estado-maior insistiu que os bombardeiros procurassem instalações industriais, mas o resultado prático foi o oposto («Combined Bomber Offensive» e «Portal, Marshal of the Royal Air Force Sir Charles», em I. C. B. DEAR e M. R. D. FOOT (orgs.), &lt;em&gt;The Oxford Companion to the Second World War&lt;/em&gt;, Oxford e Nova Iorque: Oxford University Press, 1995, págs. 253 e 910). E tudo isto apesar de novos instrumentos, novos aviões e novas técnicas de combate permitirem que os Aliados começassem a proceder sistematicamente a operações durante o dia e que, mesmo de noite ou com nuvens, atingissem os alvos com grande precisão (A. N. FRANKLAND, «Strategic Air Offensives, 1. Against Germany», em I. C. B. DEAR et al., op. cit., págs. 1071-1073; Martin GILBERT, op. cit., pág. 453; D. RICHARDS, «Air Power», em I. C. B. DEAR et al., op. cit., págs. 19-20).
A questão fundamental é que se atingiram as cidades, sobretudo os bairros operários, e se pouparam as fábricas. Passando por Koblenz em Agosto ou Setembro de 1944, o fascista francês Lucien Rebatet verificou que, embora estivesse «no coração do Ruhr, o alvo número um da Royal Air Force e das fortalezas voadoras americanas», «as fábricas [...] estão muito menos atingidas do que as cidades» (Lucien REBATET, &lt;em&gt;Lés Mémoires d’un Fasciste&lt;/em&gt;, vol. II: &lt;em&gt;1941-1947&lt;/em&gt;, [s. l.]: Pilon, 2007, pág. 109 http://www.vho.org/aaargh/fran/livres10/Rebatet2.pdf ). O balanço final foi feito por um dos principais especialistas franceses da economia alemã do imediato pós-guerra: «É um facto de importância capital, e que domina toda a economia alemã de hoje, que os bombardeamentos tivessem sido muito mais sensíveis sobre as cidades e os nós de comunicação do que sobre as forças produtivas. [...] &lt;em&gt;a indústria pesada&lt;/em&gt;, base essencial da indústria de guerra, &lt;em&gt;saía do conflito menos atingida do que qualquer outra&lt;/em&gt; [...] Esta situação das estruturas de produção, que foram relativamente poupadas, contrastava com &lt;em&gt;as destruições muito mais graves dos meios de comunicação&lt;/em&gt;. [...] Mas nenhuma ruína se comparava às das &lt;em&gt;grandes cidades&lt;/em&gt;. [...] Os elos resultantes de interesses económicos ou financeiros passando por cima das fronteiras [...] foram em alguns casos um factor de protecção [...] No mesmo sentido pôde exercer efeitos o desejo de proteger certas empresas na vanguarda do progresso técnico» (André PIETTRE, &lt;em&gt;L’Économie Allemande Contemporaine (Allemagne Occidentale) 1945-1952&lt;/em&gt;, Paris: M. Th. Génin, 1952, págs. 65-67, subs. orig.). Quando o Reich capitulou, estavam ainda operacionais três quartos da sua capacidade industrial (James BACQUE, &lt;em&gt;Other Losses, The Shocking Truth Behind the Mass Deaths of Disarmed German Soldiers ans Civilians Under General Eisenhower’s Command&lt;/em&gt;, Roseville, Ca: Prima, 1991, pág. 63).
Se quisermos compreender a estratégia seguida pelos Aliados nos bombardeamentos aéreos devemos pô-la a par de um dos episódios menos conhecidos da segunda guerra mundial. O Banco de Pagamentos Internacionais fora estabelecido em Basileia, na Suíça, em 1930, para permitir que os bancos centrais dos vários países cooperassem no plano técnico sem intromissões políticas, e o seu conselho de administração ainda hoje é composto por governadores de bancos centrais. O economista sueco Per Jacobsson, que desde 1956 até ao seu falecimento em 1963 haveria de ser director do Fundo Monetário Internacional, entrou em 1931 para o BPI como conselheiro económico e chefe do Departamento Económico e Monetário, situação em que se manteve durante a guerra. Deixou um volumosíssimo diário, que a sua filha utilizou como base para uma biografia, recheada de informações interessantes e que, entre outras coisas, realça a «harmonia em que todos os funcionários internacionais do BPI conseguiam viver lado a lado, no mais estreito contacto, sem discórdia, apesar de entre eles se contarem beligerantes de ambas as partes. Quando começou a guerra todos os funcionários receberam indicações dos seus próprios bancos centrais para trabalharem amigavelmente em conjunto, de maneira a que o BPI pudesse continuar a funcionar» (Erin E. JACOBSSON, &lt;em&gt;A Life for Sound Money. Per Jacobsson. His Biography&lt;/em&gt;, Oxford: Clarendon, 1979, pág. 141). Não creio que durante os seis anos do conflito tivesse existido outro organismo onde os países inimigos prosseguissem oficialmente uma colaboração sistemática, a ponto de Per Jacobsson ter servido de intermediário entre os Aliados e o banco central do Reich, durante a fase preparatória da conferência de Bretton Woods, na preparação conjunta do sistema financeiro do pós-guerra (Erin E. JACOBSSON, op. cit., págs. 163-166). A filha de Jacobsson descreveu o resultado destes contactos: «Em 1943 as opiniões de P[er] J[acobsson] acerca dos Planos Monetários anglo-americanos estavam a ser discutidas tanto em Berlim como em Washington. [...] Os alemães, em especial, pretendiam obter informações e opiniões. O seu interesse era tão grande que uma pequena delegação de banqueiros, chefiada por Emil Puhl, o vice-governador do banco central alemão, encontrou-se discretamente com P[er] J[acobsson] e com Hechler [membro alemão do conselho de administração do BPI] em Zurique, a 1 de Maio de 1943. [...] Depois de um novo encontro na Suíça, aquele grupo, através do seu presidente, conseguiu que P[er] J[acobsson] fizesse um discurso aos directores dos bancos comerciais em Berlim, a 1 de Junho. Este discurso foi repetido várias vezes na Suíça [...] O texto definitivo [...] foi traduzido pela Legação Americana e telegrafado na íntegra para Washington. [...] Em breve P[er] J[acobsson] começou a desenvolver a noção de “um sistema de colaboração internacional que permitisse a outros países exercer influência não só sobre a política do país mais poderoso, os EUA, mas também sobre a de outros grandes países. Esta influência seria uma condição absolutamente necessária para iniciar uma política relativamente equilibrada; os EUA teriam mesmo todo o interesse em favorecer tal influência, pois os EUA teriam dificuldade em conceber e aplicar uma política apropriada a um papel dirigente nas questões mundiais. Portanto, seriam necessárias organizações internacionais -- não uma única, mas muitas -- de maneira a não colocar todos os ovos no mesmo cesto. E para os alemães seria mais fácil conseguir influência num organismo de carácter técnico do que num conselho político”» (Erin E. JACOBSSON, op. cit., págs. 178-180). Dois anos antes de terminar o conflito, e em resultado das suas conversações com os representantes da alta finança de ambos os lados, Per Jacobsson pôde prever o lugar que a República Federal Alemã veio a ocupar no pós-guerra.
Não deve subestimar-se a teia de relações intercapitalistas, que não se rompe mesmo quando as principais potências imperialistas se encontram em guerra. Penso que é esta a chave da questão.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Agincourt,<br />
A minha preocupação quando escrevo história nunca é pesar culpas e méritos. No caso desta série de três artigos, desvendei o mito da culpabilidade alemã, e exclusivamente esse, por um motivo que indiquei logo no início da 1ª parte <a href="http://passapalavra.info/2012/11/66768" rel="ugc">http://passapalavra.info/2012/11/66768</a> .<br />
Quanto ao choque entre imperialismos na segunda guerra mundial, é sem dúvida interessante verificar que o mesmo <em>manifest destiny</em> que presidiu à expansão dos Estados Unidos primeiro no interior do continente e depois além-mares foi invocado por Mussolini em Tripoli (Pierre MILZA, <em>Mussolini</em>, [Paris]: Fayard, 1999, pág. 426), pelos fascistas japoneses na Ásia (BA Maw, <em>Breakthrough in Burma. Memoirs of a Revolution, 1939-1946</em>, New Haven e Londres: Yale University Press, 1968, págs. 106, 308) bem como pelo marechal Keitel, chefe do supremo comando das forças armadas nazis desde 1938 até ao final da guerra (G. M. GILBERT, «Psychologie de la Dictature: Frank, Keitel, Hoess», <em>Les Temps Modernes</em>, 1954, X, nº 107, pág. 686). Também a doutrina Monroe foi invocada antes da guerra pelo jurista nazi Carl Schmitt para justificar a política expansionista do Führer (Manuel de LUCENA, «Ensaios sobre o Tema do Estado», <em>Análise Social</em>, 1976, XII, nº 47, pág. 661; Georg LUKÁCS, <em>The Destruction of Reason</em>, Londres: The Merlin Press, 1980, pág. 661). No seu discurso perante o Reichstag em 28 de Abril de 1939, respondendo às propostas de paz efectuadas por Roosevelt duas semanas antes, Hitler afirmou que «nós, os alemães, professamos a mesma doutrina [Monroe] quanto à Europa, pelo menos no que diz respeito à esfera de influência e aos interesses do Reich germânico» (BENOIST-MECHIN, <em>Histoire de l’Armée Allemande</em>, Paris: Albin Michel, 1964-1966, vol. VI, págs. 87-88). Também em Novembro do ano seguinte, ao encontrar-se em Berlim com Molotov, o Führer disse-lhe que o Reich estava a conduzir conversações com a França, a Itália e a Espanha para estabelecerem na Europa e na África «uma espécie de Doutrina Monroe» (J. NOAKES e G. PRIDHAM (orgs.), <em>Nazism 1919 – 1945. A Documentary Reader</em>, vol. III: <em>Foreign Policy, War and Racial ExterminationI</em>, Exeter: University of Exeter Press, 2010, pág. 194).<br />
Quanto ao massare dos judeus (a anti-raça) e dos eslavos (a sub-raça) não o considero de modo nenhum «um elemento relativamente secundário». Pelo contrário, parece-me um elemento crucial para a compreensão de tudo o que se passou, por motivos que indiquei no meu livro <em>Labirintos do Fascismo. Na Encruzilhada da Ordem e da Revolta</em> (Porto: Afrontamento, 2003, págs. 259-301, 581-638).<br />
Mas vou concentrar-me agora no tema que originou esta troca de comentários. A questão não é a de a população civil poder contar-se entre as vítimas de bombardeamentos, porque nem sempre há a possibilidade de separar claramente os alvos militares dos alvos civis. A questão é a de se ter dado prioridade aos bombardeamentos sobre a população civil. Em Setembro de 1940 o Gabinete de Guerra britânico decidiu que, se os pilotos fossem incapazes de encontrar os alvos militares e económicos que lhes haviam sido designados, largassem as bombas em quaisquer outros lugares, indicando no mês seguinte que, se o mau tempo impossibilitasse o bombardeamento dos objectivos previstos, os pilotos deveriam lançar as bombas sobre grandes cidades e determinando também que esta orientação não fosse levada ao conhecimento do público (Martin GILBERT, <em>The Second World War</em>, vol. I: <em>From the Coming of War to Alamein and Stalingrad, 1939-1942</em>, Londres: The Folio Society, 2011, págs. 147, 157). Em Fevereiro de 1942 o marechal do ar Arthur Harris recebeu o comando dos bombardeiros da RAF com instruções do Gabinete de Guerra para desencadear uma ofensiva sistemática contra as cidades alemãs «tendo como alvo principal o moral da população civil e especialmente dos operários da indústria» (Angus CALDER, <em>The Myth of the Blitz</em>, Londres: Jonathan Cape, 1991, pág. 39; George VASSILTCHIKOV (org.), <em>The Berlin Diaries 1940-1945 of Marie “Missie” Vassiltchikov</em>, Londres: The Folio Society, 1991, pág. 71). Como escreveu nessa época um alto funcionário britânico que entrara para o Ministério da Aviação em 1930, onde chegara ao cargo de Principal Secretário Assistente, o comando dos bombardeiros «demonstrou ser um eficiente organizador de migrações de massa» (J. M. SPAIGHT, <em>Bombing Vindicated</em>, Londres: Geoffrey Bless, 1944, pág. 94). E apesar de a directiva emanada em Junho de 1943 do comité conjunto dos chefes de estado-maior anglo-americanos, confirmada dois meses depois por Roosevelt e Churchill na conferência de Québec, ter dado prioridade aos objectivos industriais, o marechal do ar Harris continuou a considerar mais importantes os alvos civis. De novo em Setembro de 1944 o comité conjunto dos chefes de estado-maior insistiu que os bombardeiros procurassem instalações industriais, mas o resultado prático foi o oposto («Combined Bomber Offensive» e «Portal, Marshal of the Royal Air Force Sir Charles», em I. C. B. DEAR e M. R. D. FOOT (orgs.), <em>The Oxford Companion to the Second World War</em>, Oxford e Nova Iorque: Oxford University Press, 1995, págs. 253 e 910). E tudo isto apesar de novos instrumentos, novos aviões e novas técnicas de combate permitirem que os Aliados começassem a proceder sistematicamente a operações durante o dia e que, mesmo de noite ou com nuvens, atingissem os alvos com grande precisão (A. N. FRANKLAND, «Strategic Air Offensives, 1. Against Germany», em I. C. B. DEAR et al., op. cit., págs. 1071-1073; Martin GILBERT, op. cit., pág. 453; D. RICHARDS, «Air Power», em I. C. B. DEAR et al., op. cit., págs. 19-20).<br />
A questão fundamental é que se atingiram as cidades, sobretudo os bairros operários, e se pouparam as fábricas. Passando por Koblenz em Agosto ou Setembro de 1944, o fascista francês Lucien Rebatet verificou que, embora estivesse «no coração do Ruhr, o alvo número um da Royal Air Force e das fortalezas voadoras americanas», «as fábricas [&#8230;] estão muito menos atingidas do que as cidades» (Lucien REBATET, <em>Lés Mémoires d’un Fasciste</em>, vol. II: <em>1941-1947</em>, [s. l.]: Pilon, 2007, pág. 109 <a href="http://www.vho.org/aaargh/fran/livres10/Rebatet2.pdf" rel="nofollow ugc">http://www.vho.org/aaargh/fran/livres10/Rebatet2.pdf</a> ). O balanço final foi feito por um dos principais especialistas franceses da economia alemã do imediato pós-guerra: «É um facto de importância capital, e que domina toda a economia alemã de hoje, que os bombardeamentos tivessem sido muito mais sensíveis sobre as cidades e os nós de comunicação do que sobre as forças produtivas. [&#8230;] <em>a indústria pesada</em>, base essencial da indústria de guerra, <em>saía do conflito menos atingida do que qualquer outra</em> [&#8230;] Esta situação das estruturas de produção, que foram relativamente poupadas, contrastava com <em>as destruições muito mais graves dos meios de comunicação</em>. [&#8230;] Mas nenhuma ruína se comparava às das <em>grandes cidades</em>. [&#8230;] Os elos resultantes de interesses económicos ou financeiros passando por cima das fronteiras [&#8230;] foram em alguns casos um factor de protecção [&#8230;] No mesmo sentido pôde exercer efeitos o desejo de proteger certas empresas na vanguarda do progresso técnico» (André PIETTRE, <em>L’Économie Allemande Contemporaine (Allemagne Occidentale) 1945-1952</em>, Paris: M. Th. Génin, 1952, págs. 65-67, subs. orig.). Quando o Reich capitulou, estavam ainda operacionais três quartos da sua capacidade industrial (James BACQUE, <em>Other Losses, The Shocking Truth Behind the Mass Deaths of Disarmed German Soldiers ans Civilians Under General Eisenhower’s Command</em>, Roseville, Ca: Prima, 1991, pág. 63).<br />
Se quisermos compreender a estratégia seguida pelos Aliados nos bombardeamentos aéreos devemos pô-la a par de um dos episódios menos conhecidos da segunda guerra mundial. O Banco de Pagamentos Internacionais fora estabelecido em Basileia, na Suíça, em 1930, para permitir que os bancos centrais dos vários países cooperassem no plano técnico sem intromissões políticas, e o seu conselho de administração ainda hoje é composto por governadores de bancos centrais. O economista sueco Per Jacobsson, que desde 1956 até ao seu falecimento em 1963 haveria de ser director do Fundo Monetário Internacional, entrou em 1931 para o BPI como conselheiro económico e chefe do Departamento Económico e Monetário, situação em que se manteve durante a guerra. Deixou um volumosíssimo diário, que a sua filha utilizou como base para uma biografia, recheada de informações interessantes e que, entre outras coisas, realça a «harmonia em que todos os funcionários internacionais do BPI conseguiam viver lado a lado, no mais estreito contacto, sem discórdia, apesar de entre eles se contarem beligerantes de ambas as partes. Quando começou a guerra todos os funcionários receberam indicações dos seus próprios bancos centrais para trabalharem amigavelmente em conjunto, de maneira a que o BPI pudesse continuar a funcionar» (Erin E. JACOBSSON, <em>A Life for Sound Money. Per Jacobsson. His Biography</em>, Oxford: Clarendon, 1979, pág. 141). Não creio que durante os seis anos do conflito tivesse existido outro organismo onde os países inimigos prosseguissem oficialmente uma colaboração sistemática, a ponto de Per Jacobsson ter servido de intermediário entre os Aliados e o banco central do Reich, durante a fase preparatória da conferência de Bretton Woods, na preparação conjunta do sistema financeiro do pós-guerra (Erin E. JACOBSSON, op. cit., págs. 163-166). A filha de Jacobsson descreveu o resultado destes contactos: «Em 1943 as opiniões de P[er] J[acobsson] acerca dos Planos Monetários anglo-americanos estavam a ser discutidas tanto em Berlim como em Washington. [&#8230;] Os alemães, em especial, pretendiam obter informações e opiniões. O seu interesse era tão grande que uma pequena delegação de banqueiros, chefiada por Emil Puhl, o vice-governador do banco central alemão, encontrou-se discretamente com P[er] J[acobsson] e com Hechler [membro alemão do conselho de administração do BPI] em Zurique, a 1 de Maio de 1943. [&#8230;] Depois de um novo encontro na Suíça, aquele grupo, através do seu presidente, conseguiu que P[er] J[acobsson] fizesse um discurso aos directores dos bancos comerciais em Berlim, a 1 de Junho. Este discurso foi repetido várias vezes na Suíça [&#8230;] O texto definitivo [&#8230;] foi traduzido pela Legação Americana e telegrafado na íntegra para Washington. [&#8230;] Em breve P[er] J[acobsson] começou a desenvolver a noção de “um sistema de colaboração internacional que permitisse a outros países exercer influência não só sobre a política do país mais poderoso, os EUA, mas também sobre a de outros grandes países. Esta influência seria uma condição absolutamente necessária para iniciar uma política relativamente equilibrada; os EUA teriam mesmo todo o interesse em favorecer tal influência, pois os EUA teriam dificuldade em conceber e aplicar uma política apropriada a um papel dirigente nas questões mundiais. Portanto, seriam necessárias organizações internacionais &#8212; não uma única, mas muitas &#8212; de maneira a não colocar todos os ovos no mesmo cesto. E para os alemães seria mais fácil conseguir influência num organismo de carácter técnico do que num conselho político”» (Erin E. JACOBSSON, op. cit., págs. 178-180). Dois anos antes de terminar o conflito, e em resultado das suas conversações com os representantes da alta finança de ambos os lados, Per Jacobsson pôde prever o lugar que a República Federal Alemã veio a ocupar no pós-guerra.<br />
Não deve subestimar-se a teia de relações intercapitalistas, que não se rompe mesmo quando as principais potências imperialistas se encontram em guerra. Penso que é esta a chave da questão.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: agincourt		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/66772/#comment-198930</link>

		<dc:creator><![CDATA[agincourt]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Mar 2014 03:25:42 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=66772#comment-198930</guid>

					<description><![CDATA[“1) Os bombardeamentos aliados seguindo a táctica «bombardeamento de áreas» não atingiram só a população civil...”
É fato. Porém, não nos esqueçamos que, em princípio, alvos na França ocupada, na Itália ou na Romênia – caso dos campos petrolíferos de Ploesti – eram militarmente justificáveis. Os dois últimos países eram inclusive parte do Eixo. Não discordo, no entanto, que a estratégia de bombardear a população  alemã para que esta se insurgisse contra Hitler – proposta tanto por Bomber Harris quanto pelo próprio Churchill - constitui  verdadeiro crime de guerra.
Repito: é um fato.
Contudo, os alemães não bombardearam a Grã-Bretanha na mesma escala simplesmente porque a Luftwaffe – uma excelente força aérea tática,  mas com limitadíssima capacidade estratégica – não dispunha de bombardeiros eficazes.
...
“2) A força aérea britânica relegou para um plano mais do que secundário”
Não li a obra referida; porém, até maiores informações, não percebo como tal cooptação da suposta resistência poderia ser proficuamente operacionalizada.
Em rigor, o peso militar dos movimentos guerrilheiros de resistência  - salvo na União Soviética, onde teve um caráter muito particular, na Iugoslávia e, talvez, na Grécia – foi desprezível. 
...
“3) Quanto ao comportamento adoptado pela União Soviética”
“5) Quanto à última linha e meia do comentário, remeto”
Aqui, li o teu outro artigo e dou-me por satisfeito.
...
“4) Quanto ao facto de os bombardeamentos aliados não terem apoiado os insurrectos”
Há dúvidas se a operação era viável; mas também concordo que os aliados ocidentais não se mostraram verdadeiramente preocupados com o extermínio de judeus.
...
Feitas as observações acima, permanece a minha crítica geral ao teu artigo. Qual seja; a de não se deve desconstruir um mito, sub-repticiamente, construindo um outro.
Parece-me que a crítica ao unilateralismo da história oficial – contada pelos vitoriosos – no caso da Segunda Guerra Mundial, na Europa, salvo melhor juízo, poderia se beneficiar do ponto de visada de O IMPÉRIO DE HITLER, do historiador britânico Mark Mazower. Nessa obra buscou-se compreender a ascensão do  nazismo e a eclosão da guerra na perspectiva da história alemã desde a unificação e suas relações com a política das grandes potências europeias.
Destarte, mostra-se  que o expansionismo alemão preconizado por Hitler subverte a ordem europeia não porque fosse moralmente condenável, mas tão-somente por aplicar às próprias potências neocoloniais – Grã-Bretanha, França , Bélgica e Holanda – a lógica do colonialismo levado a cabo em América Latina, África ,  Ásia e Oceania.
(Em A HISTÓRIA DAS COLONIZAÇÕES, de Marc Ferro, há uma citação de Aimée Cesaire que resume bem esse ponto vista. Infelizmente, não pude recuperá-la.)  
Nesse contexto, o massacre de judeus e, de modo geral, de eslavos, sem que se negue o terrível impacto humano, é um elemento relativamente secundário. Mesmo considerando que , para os interesses imediatos da Alemanha em guerra , tenha se revelado contraproducente , além de um imenso desperdício de mão-de-obra. Por exemplo: a insatisfação de ucranianos com o stalinismo , mediante algumas concessões alemães, poderia ter sido aproveitada para arregimentar aliados  em medida muitíssimo maior do que efetivamente se arregimentou.
O teu artigo, ao focar no descaso em relação ao extermínio de judeus e na desconsideração por (discutíveis) resistências operárias antifascistas, faz parecer que uma atitude contrária era uma obrigação moral dos aliados ocidentais.
Ora, o que tínhamos eram países em guerra, e não um confronto entre o bem e o mal. Não se pretendia simplesmente depor Hitler e instaurar um outro regime, mas sim, derrotar a Alemanha e seus aliados.
(Curiosamente, na tua condenação aos aliados não mencionas a larga cooptação de ex-nazistas no imediato pós-guerra e a facilidade com que muitos foram “reabilitados”.)
Enfim, o heroísmo humanitário dos aliados ocidentais e a Grande Guerra Patriótica soviética são tão mitológicos quanto uma  isenção da culpabilidade alemã.
Aliás, a Segunda Guerra Mundial é um caldeirão de mitos...

Saudações.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“1) Os bombardeamentos aliados seguindo a táctica «bombardeamento de áreas» não atingiram só a população civil&#8230;”<br />
É fato. Porém, não nos esqueçamos que, em princípio, alvos na França ocupada, na Itália ou na Romênia – caso dos campos petrolíferos de Ploesti – eram militarmente justificáveis. Os dois últimos países eram inclusive parte do Eixo. Não discordo, no entanto, que a estratégia de bombardear a população  alemã para que esta se insurgisse contra Hitler – proposta tanto por Bomber Harris quanto pelo próprio Churchill &#8211; constitui  verdadeiro crime de guerra.<br />
Repito: é um fato.<br />
Contudo, os alemães não bombardearam a Grã-Bretanha na mesma escala simplesmente porque a Luftwaffe – uma excelente força aérea tática,  mas com limitadíssima capacidade estratégica – não dispunha de bombardeiros eficazes.<br />
&#8230;<br />
“2) A força aérea britânica relegou para um plano mais do que secundário”<br />
Não li a obra referida; porém, até maiores informações, não percebo como tal cooptação da suposta resistência poderia ser proficuamente operacionalizada.<br />
Em rigor, o peso militar dos movimentos guerrilheiros de resistência  &#8211; salvo na União Soviética, onde teve um caráter muito particular, na Iugoslávia e, talvez, na Grécia – foi desprezível.<br />
&#8230;<br />
“3) Quanto ao comportamento adoptado pela União Soviética”<br />
“5) Quanto à última linha e meia do comentário, remeto”<br />
Aqui, li o teu outro artigo e dou-me por satisfeito.<br />
&#8230;<br />
“4) Quanto ao facto de os bombardeamentos aliados não terem apoiado os insurrectos”<br />
Há dúvidas se a operação era viável; mas também concordo que os aliados ocidentais não se mostraram verdadeiramente preocupados com o extermínio de judeus.<br />
&#8230;<br />
Feitas as observações acima, permanece a minha crítica geral ao teu artigo. Qual seja; a de não se deve desconstruir um mito, sub-repticiamente, construindo um outro.<br />
Parece-me que a crítica ao unilateralismo da história oficial – contada pelos vitoriosos – no caso da Segunda Guerra Mundial, na Europa, salvo melhor juízo, poderia se beneficiar do ponto de visada de O IMPÉRIO DE HITLER, do historiador britânico Mark Mazower. Nessa obra buscou-se compreender a ascensão do  nazismo e a eclosão da guerra na perspectiva da história alemã desde a unificação e suas relações com a política das grandes potências europeias.<br />
Destarte, mostra-se  que o expansionismo alemão preconizado por Hitler subverte a ordem europeia não porque fosse moralmente condenável, mas tão-somente por aplicar às próprias potências neocoloniais – Grã-Bretanha, França , Bélgica e Holanda – a lógica do colonialismo levado a cabo em América Latina, África ,  Ásia e Oceania.<br />
(Em A HISTÓRIA DAS COLONIZAÇÕES, de Marc Ferro, há uma citação de Aimée Cesaire que resume bem esse ponto vista. Infelizmente, não pude recuperá-la.)<br />
Nesse contexto, o massacre de judeus e, de modo geral, de eslavos, sem que se negue o terrível impacto humano, é um elemento relativamente secundário. Mesmo considerando que , para os interesses imediatos da Alemanha em guerra , tenha se revelado contraproducente , além de um imenso desperdício de mão-de-obra. Por exemplo: a insatisfação de ucranianos com o stalinismo , mediante algumas concessões alemães, poderia ter sido aproveitada para arregimentar aliados  em medida muitíssimo maior do que efetivamente se arregimentou.<br />
O teu artigo, ao focar no descaso em relação ao extermínio de judeus e na desconsideração por (discutíveis) resistências operárias antifascistas, faz parecer que uma atitude contrária era uma obrigação moral dos aliados ocidentais.<br />
Ora, o que tínhamos eram países em guerra, e não um confronto entre o bem e o mal. Não se pretendia simplesmente depor Hitler e instaurar um outro regime, mas sim, derrotar a Alemanha e seus aliados.<br />
(Curiosamente, na tua condenação aos aliados não mencionas a larga cooptação de ex-nazistas no imediato pós-guerra e a facilidade com que muitos foram “reabilitados”.)<br />
Enfim, o heroísmo humanitário dos aliados ocidentais e a Grande Guerra Patriótica soviética são tão mitológicos quanto uma  isenção da culpabilidade alemã.<br />
Aliás, a Segunda Guerra Mundial é um caldeirão de mitos&#8230;</p>
<p>Saudações.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/66772/#comment-198866</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Mar 2014 23:07:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Quanto ao que escreve o comentador acima:
1) Os bombardeamentos aliados seguindo a táctica «bombardeamento de áreas» não atingiram só a população civil do Terceiro Reich (não exclusivamente alemã), sobretudo população &lt;em&gt;operária&lt;/em&gt;. Atingiram igualmente a população civil da Itália e da França ocupada. A resistência francesa chegou a reclamar diversas vezes contra esse tipo de bombardeamentos.
2) A força aérea britânica relegou para um plano mais do que secundário o auxílio à resistência operária antifascista nos países onde ela existia, na França, na Checoslováquia e na Polónia. Há uma bibliografia razoável a este respeito, mas bastará ler, para se iniciar no problema, o livro de M. R. D. Foot sobre o SOE, e faço notar que Foot é, na matéria, quem mais se aproxima de um &lt;em&gt;historiador oficial&lt;/em&gt;.
3) Quanto ao comportamento adoptado pela União Soviética relativamente a esses resistentes, remeto o comentador para o que escrevi no artigo «Os náufragos (2ª Parte)» http://passapalavra.info/2009/09/9960 .
4) Quanto ao facto de os bombardeamentos aliados não terem apoiado os insurrectos do ghetto de Varsóvia nem os organismos de resistência dos campos de concentração ou de extermínio situados na Polónia ocupada pelo Terceiro Reich, quando poderiam tecnicamente tê-lo feito, o autor do comentário deveria ter lido pelo menos o que escreveram as fontes citadas nas nn. 55, 56 e 57.
5) Quanto à última linha e meia do comentário, remeto para o que escrevi no artigo «Os náufragos (2ª Parte)», já citado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quanto ao que escreve o comentador acima:<br />
1) Os bombardeamentos aliados seguindo a táctica «bombardeamento de áreas» não atingiram só a população civil do Terceiro Reich (não exclusivamente alemã), sobretudo população <em>operária</em>. Atingiram igualmente a população civil da Itália e da França ocupada. A resistência francesa chegou a reclamar diversas vezes contra esse tipo de bombardeamentos.<br />
2) A força aérea britânica relegou para um plano mais do que secundário o auxílio à resistência operária antifascista nos países onde ela existia, na França, na Checoslováquia e na Polónia. Há uma bibliografia razoável a este respeito, mas bastará ler, para se iniciar no problema, o livro de M. R. D. Foot sobre o SOE, e faço notar que Foot é, na matéria, quem mais se aproxima de um <em>historiador oficial</em>.<br />
3) Quanto ao comportamento adoptado pela União Soviética relativamente a esses resistentes, remeto o comentador para o que escrevi no artigo «Os náufragos (2ª Parte)» <a href="http://passapalavra.info/2009/09/9960" rel="ugc">http://passapalavra.info/2009/09/9960</a> .<br />
4) Quanto ao facto de os bombardeamentos aliados não terem apoiado os insurrectos do ghetto de Varsóvia nem os organismos de resistência dos campos de concentração ou de extermínio situados na Polónia ocupada pelo Terceiro Reich, quando poderiam tecnicamente tê-lo feito, o autor do comentário deveria ter lido pelo menos o que escreveram as fontes citadas nas nn. 55, 56 e 57.<br />
5) Quanto à última linha e meia do comentário, remeto para o que escrevi no artigo «Os náufragos (2ª Parte)», já citado.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: agincourt		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/11/66772/#comment-198736</link>

		<dc:creator><![CDATA[agincourt]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Mar 2014 17:32:05 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=66772#comment-198736</guid>

					<description><![CDATA[Enfim, o longo artigo é um exemplo de como , a partir de fatos historiográficos – basicamente: descaso com a situação judaica, utilização de bombardeios para gerar terror na população alemã, relativo fracasso de bombardeios para debilitar o parque industrial alemão – que visariam desconstruir um mito constrói-se outro mito.
Malgrado os vitoriosos da Segunda Guerra Mundial – estadunidenses, britânicos e soviéticos - tenham-na reduzido a um conflito entre o bem e o mal, negar a culpabilidade  alemã – mesmo que esta possa e deva ser, em alguns pontos relativizada – é negacionismo rasteiro.
...
Selecionei dois trechinhos...
“Ou os Aliados bombardeavam a população operária dos países submetidos ao fascismo ou procuravam ampliar e fortalecer as suas redes de contactos com a resistência operária antifascista”
Mesmo supondo que essa tal resistência operária antifascista tivesse alguma expressão significativa, como se dariam as operações de cooptação?
Equipes do SAS e da SOE – todas fluentes em alemão -  se infiltrariam na Alemanha , por terra, mar e ar, e iriam puxar greves e operações de sabotagem na indústria alemã?
... O articulista deve ser fã do  BASTARDOS INGLÓRIOS, do Tarantino.
Se era tão fácil, por que o pessoal do  NKVD, bem mais próximo da Alemanha, não adotou a tática?

“Pela mesma via, o governo polaco no exílio em Londres recebeu em Maio de 1943 um pedido de socorro dos insurrectos do ghetto de Varsóvia [55], sem que os Aliados tivessem reagido.”
O que o articulista sugeriria?
O lançamento da 82ª ,  da 101ª divisões aerotransportadas estadunidenses e da 1ª divisão paraquedista britânica (reforçada pela brigada polonesa de paraquedistas) em Varsóvia?
Se Arnhem era uma ponte longe demais, imagina Varsóvia...
Em 1944, durante o Levante de Varsóvia – não confundir com o Levante do Gueto de Varsóvia – realizado pela resistência polonesa, os soviéticos, distando menos de 100km da cidade, pouquíssimo fizeram –se é que fizeram alguma coisa - para ajudar os insurretos.
(Pelo contrário: um grande número de resistentes poloneses que escaparam dos nazistas foi morta ou aprisionada pelo soviéticos.)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Enfim, o longo artigo é um exemplo de como , a partir de fatos historiográficos – basicamente: descaso com a situação judaica, utilização de bombardeios para gerar terror na população alemã, relativo fracasso de bombardeios para debilitar o parque industrial alemão – que visariam desconstruir um mito constrói-se outro mito.<br />
Malgrado os vitoriosos da Segunda Guerra Mundial – estadunidenses, britânicos e soviéticos &#8211; tenham-na reduzido a um conflito entre o bem e o mal, negar a culpabilidade  alemã – mesmo que esta possa e deva ser, em alguns pontos relativizada – é negacionismo rasteiro.<br />
&#8230;<br />
Selecionei dois trechinhos&#8230;<br />
“Ou os Aliados bombardeavam a população operária dos países submetidos ao fascismo ou procuravam ampliar e fortalecer as suas redes de contactos com a resistência operária antifascista”<br />
Mesmo supondo que essa tal resistência operária antifascista tivesse alguma expressão significativa, como se dariam as operações de cooptação?<br />
Equipes do SAS e da SOE – todas fluentes em alemão &#8211;  se infiltrariam na Alemanha , por terra, mar e ar, e iriam puxar greves e operações de sabotagem na indústria alemã?<br />
&#8230; O articulista deve ser fã do  BASTARDOS INGLÓRIOS, do Tarantino.<br />
Se era tão fácil, por que o pessoal do  NKVD, bem mais próximo da Alemanha, não adotou a tática?</p>
<p>“Pela mesma via, o governo polaco no exílio em Londres recebeu em Maio de 1943 um pedido de socorro dos insurrectos do ghetto de Varsóvia [55], sem que os Aliados tivessem reagido.”<br />
O que o articulista sugeriria?<br />
O lançamento da 82ª ,  da 101ª divisões aerotransportadas estadunidenses e da 1ª divisão paraquedista britânica (reforçada pela brigada polonesa de paraquedistas) em Varsóvia?<br />
Se Arnhem era uma ponte longe demais, imagina Varsóvia&#8230;<br />
Em 1944, durante o Levante de Varsóvia – não confundir com o Levante do Gueto de Varsóvia – realizado pela resistência polonesa, os soviéticos, distando menos de 100km da cidade, pouquíssimo fizeram –se é que fizeram alguma coisa &#8211; para ajudar os insurretos.<br />
(Pelo contrário: um grande número de resistentes poloneses que escaparam dos nazistas foi morta ou aprisionada pelo soviéticos.)</p>
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