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	Comentários sobre: Um manifesto incómodo. 6	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/09/157154/#comment-1065530</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Oct 2025 14:27:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Num comentário de 30 de Setembro evoquei o caso da maior rede mundial de cafetarias, a Starbucks, que se apresenta como um modelo do politicamente correcto e que, ao mesmo tempo, é totalmente contrária aos sindicatos e às greves. E concluí: «As duas posições não são contraditórias, mas convergentes, e temos aqui &lt;em&gt;in nuce&lt;/em&gt; o antagonismo entre as lutas dos trabalhadores e as reivindicações identitárias». 

Um caso equivalente é o da Ikea, que o Passa Palavra tratou em dois artigos, &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2023/12/150931/&quot; rel=&quot;ugc&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt; e &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2024/03/151903/&quot; rel=&quot;ugc&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;, somando ambos 75 comentários. Todos estes relatos mostram o contraste entre uma empresa que se apresenta como valorizando os trabalhadores e criando um bom ambiente interno e a realidade das humilhações quotidianas e dos mecanismos de exploração sofridos por quem lá trabalha. Acerca disto o colectivo do Passa Palavra publicou um breve texto, &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2024/12/155353/&quot; rel=&quot;ugc&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;.

Hoje, o primeiro daqueles artigos publicou um comentário assinado Sílvia, &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2023/12/150931/#comment-1065514&quot; rel=&quot;ugc&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;, que, entre outras coisas, diz:

«A empresa Ikea aparenta defender a liberdade sindical, mas a realidade não é essa. Apesar de afirmar que permite a atuação dos sindicatos, estes são na prática impedidos de exercer o seu papel. Não existe a entrada de nenhum sindicato em nenhuma loja da Ikea, não existem reuniões, existe apenas uma, uma delegada sindical para todas as lojas Ikea do Pais Portugal, uma pessoa que sendo parte da empresa Ikea, atua mais como representante dos interesses da Ikea do que dos colaboradores. O sindicato não tem acesso livre ás lojas são mesmo proibidos e qualquer tentativa de diálogo é desencorajada. 
As chefias nas lojas adotam um comportamento de vigilância e pressão sobre quem demonstra apoio ou interesse nos sindicatos chegando mesmo a promover colaboradores e chefias que falam mal dos sindicatos, criam uma visão negativa dos mesmo e chegam a dizer que isso não é bom para quem trabalha na Ikea, pois está contra a empresa.
Além disso a única delegada sindical par todas as lojas do país, alguém que participa em reuniões internacionais, mas nada faz para defender os colaboradores.
Não existe informação para os colaboradores, promoção de reuniões».

Uma vez mais, é para isto que serve o verniz dos identitarismos, o politicamente correcto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Num comentário de 30 de Setembro evoquei o caso da maior rede mundial de cafetarias, a Starbucks, que se apresenta como um modelo do politicamente correcto e que, ao mesmo tempo, é totalmente contrária aos sindicatos e às greves. E concluí: «As duas posições não são contraditórias, mas convergentes, e temos aqui <em>in nuce</em> o antagonismo entre as lutas dos trabalhadores e as reivindicações identitárias». </p>
<p>Um caso equivalente é o da Ikea, que o Passa Palavra tratou em dois artigos, <a href="https://passapalavra.info/2023/12/150931/" rel="ugc">aqui</a> e <a href="https://passapalavra.info/2024/03/151903/" rel="ugc">aqui</a>, somando ambos 75 comentários. Todos estes relatos mostram o contraste entre uma empresa que se apresenta como valorizando os trabalhadores e criando um bom ambiente interno e a realidade das humilhações quotidianas e dos mecanismos de exploração sofridos por quem lá trabalha. Acerca disto o colectivo do Passa Palavra publicou um breve texto, <a href="https://passapalavra.info/2024/12/155353/" rel="ugc">aqui</a>.</p>
<p>Hoje, o primeiro daqueles artigos publicou um comentário assinado Sílvia, <a href="https://passapalavra.info/2023/12/150931/#comment-1065514" rel="ugc">aqui</a>, que, entre outras coisas, diz:</p>
<p>«A empresa Ikea aparenta defender a liberdade sindical, mas a realidade não é essa. Apesar de afirmar que permite a atuação dos sindicatos, estes são na prática impedidos de exercer o seu papel. Não existe a entrada de nenhum sindicato em nenhuma loja da Ikea, não existem reuniões, existe apenas uma, uma delegada sindical para todas as lojas Ikea do Pais Portugal, uma pessoa que sendo parte da empresa Ikea, atua mais como representante dos interesses da Ikea do que dos colaboradores. O sindicato não tem acesso livre ás lojas são mesmo proibidos e qualquer tentativa de diálogo é desencorajada.<br />
As chefias nas lojas adotam um comportamento de vigilância e pressão sobre quem demonstra apoio ou interesse nos sindicatos chegando mesmo a promover colaboradores e chefias que falam mal dos sindicatos, criam uma visão negativa dos mesmo e chegam a dizer que isso não é bom para quem trabalha na Ikea, pois está contra a empresa.<br />
Além disso a única delegada sindical par todas as lojas do país, alguém que participa em reuniões internacionais, mas nada faz para defender os colaboradores.<br />
Não existe informação para os colaboradores, promoção de reuniões».</p>
<p>Uma vez mais, é para isto que serve o verniz dos identitarismos, o politicamente correcto.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: arkx Brasil		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/09/157154/#comment-1058938</link>

		<dc:creator><![CDATA[arkx Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Oct 2025 11:50:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[É também impressionante a lucidez em identificar (de modo talvez inédito) a origem histórica do atual beco sem saída. O labirinto de labirintos no qual &quot;nos encontramos perdidos&quot;. 

Ou seja:
《A derrocada do vasto movimento autonomista internacional pujante na década de 1960 e ainda na primeira metade da década seguinte》.

Então, neste diagnóstico já se tem a linha de fuga: a Autonomia. 

Compreendida como meio e fim, a Autonomia ver a ser a forma como a Revolução se materializa num processo de lutas concretas tendo como alicerce a organização popular pela base. 

Não se trata de tomar o Estado e criar novas instituições, sendo necessário um permanente processo destituinte.

☆ Como se dá na prática um processo destituinte?

• Destituir não implica em atacar as instituições, e nem mesmo em criticá-las, pois o Poder Destituinte atua nos libertando de nossa dependência das instituições.

Exemplos:
- Destituir a medicina de mercado é nos tornarmos capazes de gerir coletivamente nossa saúde, a partir de técnicas alternativas e saberes ancestrais, conscientes de não ser possível estar saudável num meio ambiente doentio;
- Destituir a indústria alimentícia se dá pela organização de coletivos capazes de produzir e colocar em circulação alimentação saudável;

O processo destituinte se fundamenta na autonomia: auto-organização, auto-gestão, auto-suficiência e auto-defesa.

Autonomia exige posse de território e formação de comunidade.
Comunidade não implica em formalizar uma entidade, seja através de contrato jurídico ou de relações institucionalizadas, e sim gerar uma forma de habitar o mundo.
Enquanto meio de produção primordial, a terra torna possível a existência da comunidade, mas é esta quem dá sentido à terra através da formação do território.

☆ Neste sentido, Autonomia vem a ser a caminhada de uma comunidade avançando num território, num processo onde os termos se auto-constituem através do próprio movimento.

Já não se trata de lutar em meio ao povo, &quot;como um peixe na água&quot;, mas ser a própria água, na qual se afogam os nossos inimigos. Uma vanguarda não separada da Comunidade e do Território.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É também impressionante a lucidez em identificar (de modo talvez inédito) a origem histórica do atual beco sem saída. O labirinto de labirintos no qual &#8220;nos encontramos perdidos&#8221;. </p>
<p>Ou seja:<br />
《A derrocada do vasto movimento autonomista internacional pujante na década de 1960 e ainda na primeira metade da década seguinte》.</p>
<p>Então, neste diagnóstico já se tem a linha de fuga: a Autonomia. </p>
<p>Compreendida como meio e fim, a Autonomia ver a ser a forma como a Revolução se materializa num processo de lutas concretas tendo como alicerce a organização popular pela base. </p>
<p>Não se trata de tomar o Estado e criar novas instituições, sendo necessário um permanente processo destituinte.</p>
<p>☆ Como se dá na prática um processo destituinte?</p>
<p>• Destituir não implica em atacar as instituições, e nem mesmo em criticá-las, pois o Poder Destituinte atua nos libertando de nossa dependência das instituições.</p>
<p>Exemplos:<br />
&#8211; Destituir a medicina de mercado é nos tornarmos capazes de gerir coletivamente nossa saúde, a partir de técnicas alternativas e saberes ancestrais, conscientes de não ser possível estar saudável num meio ambiente doentio;<br />
&#8211; Destituir a indústria alimentícia se dá pela organização de coletivos capazes de produzir e colocar em circulação alimentação saudável;</p>
<p>O processo destituinte se fundamenta na autonomia: auto-organização, auto-gestão, auto-suficiência e auto-defesa.</p>
<p>Autonomia exige posse de território e formação de comunidade.<br />
Comunidade não implica em formalizar uma entidade, seja através de contrato jurídico ou de relações institucionalizadas, e sim gerar uma forma de habitar o mundo.<br />
Enquanto meio de produção primordial, a terra torna possível a existência da comunidade, mas é esta quem dá sentido à terra através da formação do território.</p>
<p>☆ Neste sentido, Autonomia vem a ser a caminhada de uma comunidade avançando num território, num processo onde os termos se auto-constituem através do próprio movimento.</p>
<p>Já não se trata de lutar em meio ao povo, &#8220;como um peixe na água&#8221;, mas ser a própria água, na qual se afogam os nossos inimigos. Uma vanguarda não separada da Comunidade e do Território.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/09/157154/#comment-1058427</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Oct 2025 16:39:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A ambição de fundar uma humanidade é central no projeto revolucionário. Infelizmente, ao contrário do que pensam os pós/pré-modernos, enunciar não é igual a fazer existir. No caso concreto de muitos grupos &quot;ortodoxos&quot;, o que se vê é uma grande dificuldade de aceitar que os termos dessa humanidade pré-configurada não eram perfeitos, especialmente para as companheiras. 
O problema não é errar, dado que &quot;errar é humano&quot;, e assim entramos em comunhão com essa humanidade projetada. O problema é não reconhecer os erros. Assim, muitos grupos &quot;ortodoxos&quot; terminam reivindicando uma humanidade, mas se veem reduzidos, por exemplo, a contar quase exclusivamente com integrantes do sexo masculino. 
O problema são as feministas?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A ambição de fundar uma humanidade é central no projeto revolucionário. Infelizmente, ao contrário do que pensam os pós/pré-modernos, enunciar não é igual a fazer existir. No caso concreto de muitos grupos &#8220;ortodoxos&#8221;, o que se vê é uma grande dificuldade de aceitar que os termos dessa humanidade pré-configurada não eram perfeitos, especialmente para as companheiras.<br />
O problema não é errar, dado que &#8220;errar é humano&#8221;, e assim entramos em comunhão com essa humanidade projetada. O problema é não reconhecer os erros. Assim, muitos grupos &#8220;ortodoxos&#8221; terminam reivindicando uma humanidade, mas se veem reduzidos, por exemplo, a contar quase exclusivamente com integrantes do sexo masculino.<br />
O problema são as feministas?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: LL		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/09/157154/#comment-1058379</link>

		<dc:creator><![CDATA[LL]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Oct 2025 11:30:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[João,
Este artigo me remete a algo que tenho conversado com alguns amigos, em geral em tom de brincadeira, que seria a possibilidade de escrever um texto com o título &quot;Israel é a realização do programa decolonial&quot;, claro que esse título é para mim uma continuidade do seu artigo sobre o sionismo, e nesse mesmo sentido cabe pensar na reparação proposta para um povo oprimido por 2 mil anos, que precisaria ser compensado perante as violências que sofreu, para isso precisa receber terras, recursos, reafirmar sua própria língua (ou mesmo recriá-la se pensarmos que abriu-se mão do iídiche para se adotar o hebraico), incentivar os &quot;exilados&quot; a retornar para sua terra. A lista poderia continuar por um tanto de linhas, mas acho que já se aborda aqui o central, mas o que impressiona é como a embora a esquerda consiga identificar claramente estes problemas em Israel, não consegue dar o passo seguinte.
Outra questão que me chama a atenção é sobre o identitarismo abertamente de direita. Podemos ver isso na afirmação da masculinidade dos bolsonaristas, ou ainda na construção trumpista de fazer a América para os americanos. Penso que na Europa também esse fenômeno se encontra bem desenvolvido, temos o exemplo do Brexit, ou mesmo os setores da extrema-direita francesa que abertamente se reivindicam identitários. Seria o fascismo na esquerda um espelho da direita, ou o reverso?  Ainda cabe pensar em como a resposta de parte da esquerda ao identitarismo nela, tem sido um &quot;retorno ao comunismo&quot; que me parece ter a mesma gramática de identidades, se afirma pela força masculina, pela capacidade de combate físico que Stalin teria tido contra os fascistas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João,<br />
Este artigo me remete a algo que tenho conversado com alguns amigos, em geral em tom de brincadeira, que seria a possibilidade de escrever um texto com o título &#8220;Israel é a realização do programa decolonial&#8221;, claro que esse título é para mim uma continuidade do seu artigo sobre o sionismo, e nesse mesmo sentido cabe pensar na reparação proposta para um povo oprimido por 2 mil anos, que precisaria ser compensado perante as violências que sofreu, para isso precisa receber terras, recursos, reafirmar sua própria língua (ou mesmo recriá-la se pensarmos que abriu-se mão do iídiche para se adotar o hebraico), incentivar os &#8220;exilados&#8221; a retornar para sua terra. A lista poderia continuar por um tanto de linhas, mas acho que já se aborda aqui o central, mas o que impressiona é como a embora a esquerda consiga identificar claramente estes problemas em Israel, não consegue dar o passo seguinte.<br />
Outra questão que me chama a atenção é sobre o identitarismo abertamente de direita. Podemos ver isso na afirmação da masculinidade dos bolsonaristas, ou ainda na construção trumpista de fazer a América para os americanos. Penso que na Europa também esse fenômeno se encontra bem desenvolvido, temos o exemplo do Brexit, ou mesmo os setores da extrema-direita francesa que abertamente se reivindicam identitários. Seria o fascismo na esquerda um espelho da direita, ou o reverso?  Ainda cabe pensar em como a resposta de parte da esquerda ao identitarismo nela, tem sido um &#8220;retorno ao comunismo&#8221; que me parece ter a mesma gramática de identidades, se afirma pela força masculina, pela capacidade de combate físico que Stalin teria tido contra os fascistas.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Napoleão		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/09/157154/#comment-1058232</link>

		<dc:creator><![CDATA[Napoleão]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Sep 2025 23:40:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Aos identitarismos não cabe apenas a negação da história, como também à falsificação da história.
&quot;A produção dos quilombolas era frequentemente vendida para as fazendas e engenhos próximos, estabelecendo uma forma de comércio e troca mútua, mesmo em um cenário de dominação colonial&quot;. Ou pior, tomaram como um símbolo anti-escravidão, Zumbi dos Palmares, &quot;que  escravizava outros negros e cometeu outros crimes contra a humanidade, conforme mostram documentos históricos&quot;, e ainda justificam que a escravidão negra por negros não é a mesma que a escravidão negra por brancos... 
A situação beira o surreal. O sistema jurídico brasileiro chegou ao ponto de de afirmar que condutas masculinas contra as mulheres tem a presunção de culpa. Não bastasse, em Espanha, os animais de estimação são presumidos como membros da família, com direito, inclusive, a sucessão de bens...
E dizem que louco, sou eu...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aos identitarismos não cabe apenas a negação da história, como também à falsificação da história.<br />
&#8220;A produção dos quilombolas era frequentemente vendida para as fazendas e engenhos próximos, estabelecendo uma forma de comércio e troca mútua, mesmo em um cenário de dominação colonial&#8221;. Ou pior, tomaram como um símbolo anti-escravidão, Zumbi dos Palmares, &#8220;que  escravizava outros negros e cometeu outros crimes contra a humanidade, conforme mostram documentos históricos&#8221;, e ainda justificam que a escravidão negra por negros não é a mesma que a escravidão negra por brancos&#8230;<br />
A situação beira o surreal. O sistema jurídico brasileiro chegou ao ponto de de afirmar que condutas masculinas contra as mulheres tem a presunção de culpa. Não bastasse, em Espanha, os animais de estimação são presumidos como membros da família, com direito, inclusive, a sucessão de bens&#8230;<br />
E dizem que louco, sou eu&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/09/157154/#comment-1058211</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Sep 2025 20:59:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Toni,

Os identitarismos são ideologias de elite para arrebanhar bases. Daí a política de quotas. Nunca ouvi dizer que, por exemplo, as feministas reivindicassem quotas como serventes de pedreiro, para quebrar a hegemonia masculina nessa profissão. Mas reivindicam a participação nas administrações das empresas de construção. É muito interessante ver a este respeito o site da McKinsey (&lt;a href=&quot;https://www.mckinsey.com/&quot; rel=&quot;nofollow ugc&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;), a maior empresa mundial de consultoria estratégica, que tem insistido na conveniência de as administrações de empresa se abrirem à participação de mulheres, pessoas não brancas, homossexuais e outras identidades. A McKinsey defende que deste modo se cria um bom ambiente de trabalho, em que todos os trabalhadores, independentemente da sua identidade, se sentem bem e, portanto, são mais produtivos — o que condiz perfeitamente com as necessidades do toyotismo. 

A partir daqui podemos levar mais longe a análise. Como é sabido, todos os impedimentos à mobilidade dos trabalhadores no mercado de trabalho diminuem a sua capacidade de concorrência e, portanto, são um factor que leva a salários mais baixos do que no resto da profissão. Há estudos que mostram que, por exemplo, empresas geridas por administradores homossexuais e recrutando sobretudo trabalhadores homossexuais praticam salários mais baixos do que os verificados em empresas em que os trabalhadores se inserem em todo o leque de opções sexuais. E o mesmo para as restantes identidades. Os trabalhadores sentem-se mais confortáveis nessa empresa, não têm vontade de mudar e, portanto, esse é um obstáculo à mobilidade no mercado de trabalho, com os inevitáveis efeitos salariais. E note o cinismo da situação. Ao mesmo tempo que os trabalhadores se sentem bem e por isso são mais produtivos, também por isso a sua mobilidade é menor, o que leva os salários a serem inferiores à média da profissão. São mais produtivos e ganham relativamente menos.

Um exemplo interessente é o da Starbucks, a maior rede mundial de cafetarias. Por um lado, essa empresa é um modelo do politicamente correcto, sempre atenta para punir qualquer infracção à cartilha identitária, mesmo quando se deva aos clientes. Por outro lado, e como mostrou um caso recente, a Starbucks é ferozmente contrária aos sindicatos e às greves. As duas posições não são contraditórias, mas convergentes, e temos aqui &lt;em&gt;in nuce&lt;/em&gt; o antagonismo entre as lutas dos trabalhadores e as reivindicações identitárias. 

Penso que valerá a pena ler a este respeito o livro de Pablo Polese, &lt;em&gt;Machismo, racismo, capitalismo identitário: as estratégias das empresas para as questões de gênero, raça e sexualidade&lt;/em&gt;, publicado pela Hedra em 2021.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Toni,</p>
<p>Os identitarismos são ideologias de elite para arrebanhar bases. Daí a política de quotas. Nunca ouvi dizer que, por exemplo, as feministas reivindicassem quotas como serventes de pedreiro, para quebrar a hegemonia masculina nessa profissão. Mas reivindicam a participação nas administrações das empresas de construção. É muito interessante ver a este respeito o site da McKinsey (<a href="https://www.mckinsey.com/" rel="nofollow ugc">aqui</a>), a maior empresa mundial de consultoria estratégica, que tem insistido na conveniência de as administrações de empresa se abrirem à participação de mulheres, pessoas não brancas, homossexuais e outras identidades. A McKinsey defende que deste modo se cria um bom ambiente de trabalho, em que todos os trabalhadores, independentemente da sua identidade, se sentem bem e, portanto, são mais produtivos — o que condiz perfeitamente com as necessidades do toyotismo. </p>
<p>A partir daqui podemos levar mais longe a análise. Como é sabido, todos os impedimentos à mobilidade dos trabalhadores no mercado de trabalho diminuem a sua capacidade de concorrência e, portanto, são um factor que leva a salários mais baixos do que no resto da profissão. Há estudos que mostram que, por exemplo, empresas geridas por administradores homossexuais e recrutando sobretudo trabalhadores homossexuais praticam salários mais baixos do que os verificados em empresas em que os trabalhadores se inserem em todo o leque de opções sexuais. E o mesmo para as restantes identidades. Os trabalhadores sentem-se mais confortáveis nessa empresa, não têm vontade de mudar e, portanto, esse é um obstáculo à mobilidade no mercado de trabalho, com os inevitáveis efeitos salariais. E note o cinismo da situação. Ao mesmo tempo que os trabalhadores se sentem bem e por isso são mais produtivos, também por isso a sua mobilidade é menor, o que leva os salários a serem inferiores à média da profissão. São mais produtivos e ganham relativamente menos.</p>
<p>Um exemplo interessente é o da Starbucks, a maior rede mundial de cafetarias. Por um lado, essa empresa é um modelo do politicamente correcto, sempre atenta para punir qualquer infracção à cartilha identitária, mesmo quando se deva aos clientes. Por outro lado, e como mostrou um caso recente, a Starbucks é ferozmente contrária aos sindicatos e às greves. As duas posições não são contraditórias, mas convergentes, e temos aqui <em>in nuce</em> o antagonismo entre as lutas dos trabalhadores e as reivindicações identitárias. </p>
<p>Penso que valerá a pena ler a este respeito o livro de Pablo Polese, <em>Machismo, racismo, capitalismo identitário: as estratégias das empresas para as questões de gênero, raça e sexualidade</em>, publicado pela Hedra em 2021.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Toni		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/09/157154/#comment-1058189</link>

		<dc:creator><![CDATA[Toni]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Sep 2025 19:42:51 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=157154#comment-1058189</guid>

					<description><![CDATA[Se o trabalhador é produzido como parte do sistema produtivo, a produção de trabalhadores identitários (posto que, seja qual for a identidade e a anti-identidade proclamada, o trabalho continua a ser a base das relações sociais), os identitarismos não iriam ao encontro das técnicas e tecnologias como o Toyotismo, a pejotização e a uberização? Enfim, os identitarismos não seriam um reforço na exploração do tempo de trabalho e no consumo para a reprodução desta mesma força de trabalho identitária?

&lt;strong&gt;*** *** ***&lt;/strong&gt;

Fazendo um adendo... Sendo , por exemplo, o toyotismo um sistema flexível de trabalho (e também de acumulação), tanto no tempo laboral, quanto no tempo cognitivo, essa flexibilidade refletida nas identidades não se encaixaria na forma de exploração ampliada do capital?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se o trabalhador é produzido como parte do sistema produtivo, a produção de trabalhadores identitários (posto que, seja qual for a identidade e a anti-identidade proclamada, o trabalho continua a ser a base das relações sociais), os identitarismos não iriam ao encontro das técnicas e tecnologias como o Toyotismo, a pejotização e a uberização? Enfim, os identitarismos não seriam um reforço na exploração do tempo de trabalho e no consumo para a reprodução desta mesma força de trabalho identitária?</p>
<p><strong>*** *** ***</strong></p>
<p>Fazendo um adendo&#8230; Sendo , por exemplo, o toyotismo um sistema flexível de trabalho (e também de acumulação), tanto no tempo laboral, quanto no tempo cognitivo, essa flexibilidade refletida nas identidades não se encaixaria na forma de exploração ampliada do capital?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: José Manoel		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/09/157154/#comment-1058181</link>

		<dc:creator><![CDATA[José Manoel]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Sep 2025 19:18:02 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=157154#comment-1058181</guid>

					<description><![CDATA[Pior que o silêncio covarde, é a efetiva colaboração de tantos com o fascismo identitário. 
João Bernardo mata a cobra e mostra o pau, com galhardia, digna de um ser humano!
Parabéns João Bernardo!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pior que o silêncio covarde, é a efetiva colaboração de tantos com o fascismo identitário.<br />
João Bernardo mata a cobra e mostra o pau, com galhardia, digna de um ser humano!<br />
Parabéns João Bernardo!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: YVES FRANCIS COLEMAN		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/09/157154/#comment-1058099</link>

		<dc:creator><![CDATA[YVES FRANCIS COLEMAN]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Sep 2025 11:18:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Querido Joao, o &quot;sentido de culpa&quot; existe so na tua imaginacao ! Que seja no coracao dos dirigentes politicios o dos povos a &quot;culpa&quot; nao exista so o odio dos Judios que começo ha ja mais de 2000 anos. Se a historia funcionava com a força do sentido de culpa o mundo seria muito differente !]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Querido Joao, o &#8220;sentido de culpa&#8221; existe so na tua imaginacao ! Que seja no coracao dos dirigentes politicios o dos povos a &#8220;culpa&#8221; nao exista so o odio dos Judios que começo ha ja mais de 2000 anos. Se a historia funcionava com a força do sentido de culpa o mundo seria muito differente !</p>
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