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	<title>Espanha &#8211; Passa Palavra</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>[Espanha] A greve continua</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enzo Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Jan 2021 13:22:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Movimentos em Luta]]></category>
		<category><![CDATA[Noticiar]]></category>
		<category><![CDATA[Espanha]]></category>
		<category><![CDATA[Greves]]></category>
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					<description><![CDATA[A grande mídia, como em quase todas as lutas dos trabalhadores, praticamente não cobriu nada deste feito que está sendo levado a cabo pelos trabalhadores na Fresh Tom. É por isso que insistimos na necessidade de uma imprensa independente que dê voz a classe trabalhadora, que conte a história das greves e que mostre que, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A grande mídia, como em quase todas as lutas dos trabalhadores, praticamente não cobriu nada deste feito que está sendo levado a cabo pelos trabalhadores na Fresh Tom. É por isso que insistimos na necessidade de uma imprensa independente que dê voz a classe trabalhadora, que conte a história das greves e que mostre que, apesar dos ataques dos patrões, os trabalhadores não vão desistir de suas reivindicações.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante a primeira semana de greve, a empresa mandou a Guardia Civil para identificar as pessoas no piquete. Como aconteceu no caso da greve provincial no manejo e no campo no último mês de dezembro, as empresas mais uma vez estão tentando dificultar por todos os meios à sua disposição que os trabalhadores exerçam seu direito fundamental à greve.</p>
<p style="text-align: justify;">Confiante, o piquete continua a se orgulhar e a ajudar cada um a superar as dificuldades. No entanto, eles necessitam da solidariedade dos outros trabalhadores das empresas do setor. A luta não acabou em dezembro. A maioria das empresas não está respeitando o salário mínimo, não está pagando todas as horas de trabalho, não está tratando os trabalhadores com respeitando e não estão conciliando as horas de trabalho com a necessidade das famílias dos trabalhadores nestes tempos difíceis.</p>
<p style="text-align: justify;">A repressão aos grevistas já era sentida em dezembro. Não apenas a violência contra o piquete, tanto pelos fura-greves quanto pelos patrões e gerentes. Mas especialmente a violência que vem sendo exercida desde então, ao não contratar os trabalhadores temporários. Portanto, é essencial que a maioria dos trabalhadores entre em greve.</p>
<p style="text-align: justify;">É necessária não só a adesão das outras organizações sindicais, mas também que as organizações sociais levem em consideração o setor mais esquecido de toda a produção, sem cujo trabalho não poderíamos pegar nas prateleiras dos supermercados qualquer alimento.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Precisamos de solidariedade</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Os trabalhadores da Fresh Tom, como todos os trabalhadores do interior da Almeria, não estão sozinhos. Um grande número de camaradas os apóia internacionalmente, porque a luta é a mesma. A partir dessa convicção, pedimos que continue lutando e que compartilhe conosco sua experiência e as lições aprendidas.</p>
<p style="text-align: justify;">Convidamos você a enviar mensagens de solidariedade aos trabalhadores no seguinte e-mail: <a href="mailto:fieldworkerssolidarity@protonmail.com" target="_blank" rel="noopener noreferrer">fieldworkerssolidarity@protonmail.com</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Qualquer ajuda e qualquer ideia são bem-vindas e, se também estiver em greve, conte-nos tudo, queremos apoiá-lo!!!</p>
<p style="text-align: justify;">As empresas Cortes LTD e Beehive distribuem os produtos da Fresh Tom nos mercados irlandês e inglês, mas também no mercado espanhol. As unidades de produção não se limitam apenas a Almeria, mas também produzem nas Ilhas Canárias. Para que os trabalhadores possam ter direitos na empresa Fresh Tom, você pode enviar sua indignação para os patrões nos seguintes endereços:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Centro de produção em Pechina (Almeria) → <a href="mailto:info@freshtomexport.com" target="_blank" rel="noopener noreferrer">info@freshtomexport.com</a>; <a href="administración@freshtomexport.com" target="_blank" rel="noopener noreferrer">administración@freshtomexport.com</a>; <a href="mailto:logistics@freshtomexport.com" target="_blank" rel="noopener noreferrer">logistics@freshtomexport.com</a>.<br />
Centro de produção em Ingenio (Gran Canaria) → <a href="mailto:Ilopezfalcon@gmail.com" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Ilopezfalcon@gmail.com</a>.<br />
CORTÉS LTD (Surrey, UK) → <a href="mailto:cortes@cortesltd.co.uk" target="_blank" rel="noopener noreferrer">cortes@cortesltd.co.uk</a>; <a href="mailto:hernanc@cortesltd.co.uk" target="_blank" rel="noopener noreferrer">hernanc@cortesltd.co.uk</a>; <a href="mailto:jwagstaff@cortesltd.co.uk" target="_blank" rel="noopener noreferrer">jwagstaff@cortesltd.co.uk</a>; <a href="mailto:dsmith@cortesltd.co.uk" target="_blank" rel="noopener noreferrer">dsmith@cortesltd.co.uk</a>.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Você pode ler sobre a greve nos seguintes idiomas:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Espanhol<br />
<a class="urlextern" title="https://socsatalmeria.org/los-trabajadores-de-fresh-tom-export-se-declaran-en-huelga-indefinida/" href="https://socsatalmeria.org/los-trabajadores-de-fresh-tom-export-se-declaran-en-huelga-indefinida/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc noreferrer">https://socsatalmeria.org/los-trabajadores-de-fresh-tom-export-se-declaran-en-huelga-indefinida/</a></p>
<p style="text-align: justify;">Inglês<br />
<a class="urlextern" title="https://letsgetrooted.wordpress.com/2021/01/21/spain-fresh-tom-export-workers-on-strike-solidarity-needed/" href="https://letsgetrooted.wordpress.com/2021/01/21/spain-fresh-tom-export-workers-on-strike-solidarity-needed/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc noreferrer">https://letsgetrooted.wordpress.com/2021/01/21/spain-fresh-tom-export-workers-on-strike-solidarity-needed/</a></p>
<p style="text-align: justify;">Português<br />
<a class="urlextern" title="https://passapalavra.info/2021/01/135818/" href="https://passapalavra.info/2021/01/135818/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc noreferrer">https://passapalavra.info/2021/01/135818/</a></p>
<p style="text-align: justify;">Esloveno<br />
<a class="urlextern" title="http://komunal.org/teksti/623-spain-fresh-tom-export-workers-on-strike-solidarity-needed" href="http://komunal.org/teksti/623-spain-fresh-tom-export-workers-on-strike-solidarity-needed" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc noreferrer">http://komunal.org/teksti/623-spain-fresh-tom-export-workers-on-strike-solidarity-needed</a></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Compartilhe!<br />
APOIE A GREVE POR TEMPO INDETERMINADO DOS TRABALHADORES NA FRESH TOM!</p>
<p style="text-align: justify;">Entre em contato em:<br />
<a href="mailto:fieldworkerssolidarity@protonmail.com" target="_blank" rel="noopener noreferrer">fieldworkerssolidarity@protonmail.com</a>.</p>
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		<title>&#8220;Um escracho não é mais que o colocar em prática da organização civil”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 May 2013 08:40:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Bairros_e_cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Espanha]]></category>
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					<description><![CDATA[Após diversas ações de denúncia, a campanha de escrachos constitui mais uma ferramenta em prol de uma maior visibilidade das propostas em torno da questão da habitação reunidas, na Iniciativa Legislativa Popular (ILP) hipotecária [1]. Por Rita Pérez O início de uma forte campanha de escrachos, iniciada na passada semana e com sinais de se [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Após diversas ações de denúncia, a campanha de escrachos constitui mais uma ferramenta em prol de uma maior visibilidade das propostas em torno da questão da habitação reunidas, na Iniciativa Legislativa Popular (ILP) hipotecária</em> <strong>[1]</strong>. <strong>Por Rita Pérez</strong></p>
<p><span id="more-77286"></span></p>
<p style="text-align: justify;">O início de uma forte campanha de <em>escrachos</em>, iniciada na passada semana e com sinais de se prolongar por mais tempo, levou-nos a entrevistar a Comissão de Escrachos de Madrid, uma comissão aberta de coordenação que surge do seio da Assembleia de Habitação de Madrid, o espaço de coordenação dos grupos de habitação das diferentes assembleias de bairro e populares, junto com a Plataforma contra os Despejos (PAH), a Oficina de Habitação de Madrid e outras organizações.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diagonal</strong>:<em> Qual a atual composição do vosso grupo? É um grupo composto por afetados?</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Comissão de Escrachos de Madrid</strong>: Na Assembleia da Habitação de Madrid tentámos romper com a divisão entre «afetado/solidário». Consideramos que a habitação é um problema que nos afeta a todos, se não diretamente pela hipoteca, por outro tipo de efeitos: o dinheiro investido nos resgates à banca, a criação do Banco Mau <strong>[2]</strong>, a desproteção do inquilino de forma a descriminar a fórmula do aluguer em relação à do empréstimo… o sistema hipotecário prejudica o direito à habitação em todas as suas formas. Mas sim, dentro do nosso grupo existem pessoas que viveram processos hipotecários, outras que não.</p>
<p><strong>D</strong>: <em>O que é isso do </em>escracho<em>?</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>CEM</strong>: Uma ferramenta que consiste na denúncia pública dos responsáveis por certos conflitos. Pode realizar-se de múltiplas maneiras, desde a sensibilização dos vizinhos através de conversas, cartazes… até à intromissão na sua vida quotidiana, de forma a consciencializá-los para as consequências sociais de que são responsáveis.</p>
<p><strong>D</strong>: <em>Como surgiu a ideia de recorrer ao uso de</em> escrachos<em>?</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>CEM</strong>: O termo <em>escracho</em> é oriundo da Argentina, da associação H.I.J.O.S, como instrumento na denúncia dos responsáveis pelo genocídio na última ditadura militar. Contudo, a ferramenta foi utilizada em diversos momentos e em diferentes conjunturas. De todas elas, retiramos as particularidades que se adequam à nossa situação e aos nossos objetivos.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://passapalavra.info/2013/05/77286/botella_escrache-644x362" rel="attachment wp-att-77290"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-77290 aligncenter" title="botella_escrache--644x362" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2013/05/botella_escrache-644x362.jpg" alt="" width="515" height="290" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2013/05/botella_escrache-644x362.jpg 644w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2013/05/botella_escrache-644x362-300x168.jpg 300w" sizes="(max-width: 515px) 100vw, 515px" /></a></p>
<p> <strong>D</strong>: <em>Qual o objetivo desta campanha de</em> escrachos <em>no âmbito da ILP?</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>CEM</strong>: Informar os deputados que declaram não tencionar aprovar a proposta mínima da ILP na sua integridade – apresentada pela PAH e assinada por quase um milhão e meio de pessoas – da dimensão da tragédia social em causa.</p>
<p><strong>D</strong>: <em>A quem se vão dirigir?</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>CEM</strong>: Em particular aos deputados desses partidos, o <abbr title="Passa Palavra">PP</abbr>, a UPyD, a UPN e o PNV <strong>[3]</strong>.</p>
<p><strong>D</strong>: <em>Receiam uma estratégia de criminalização da campanha?</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>CEM</strong>: Um <em>escracho</em> não significa mais que o colocar em prática da organização civil; nem sequer nos atrevemos a caracterizá-lo como desobediência. O cumprimento escrupuloso das regras do jogo democrático é tão óbvio quanto as más práticas dos governantes. A estratégia de criminalização por parte de certos setores indica o caminho certo que vimos seguindo. A tentativa de criminalização revela a sua falta de interesse na oferta de soluções. Recorremos a todos os meios que tínhamos à disposição: votámos, denunciámos a lei das hipotecas, manifestámo-nos, tentámos parar os despejos, criámos uma rede de apoio… o <em>escracho</em> é apenas mais uma ferramenta.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>D</strong>: <em>Imaginem que alguns desses</em> escracháveis <em>fica com medo, temendo que a qualquer momento a coisa lhes fuja das mãos (medo assim é raro). Pára-se o</em> escracho<em>?</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>CEM</strong>: Os <em>escracháveis </em>são pessoas que com as suas omissões e decisões colocam diariamente muitas vidas em perigo. O medo é coisa rara, às vezes muda de lado e ao atacar gente rígida, crente da sua absoluta segurança, esta pode perder a cabeça… O <em>escracho</em> é o mínimo que podemos fazer. Aliás, deviam agradecer-nos – e não temer-nos – uma vez que estamos a canalizar de forma pacífica toda a raiva e sentimento de injustiça nutridas por muitas pessoas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://passapalavra.info/2013/05/77286/escrache-marcha" rel="attachment wp-att-77291"><img decoding="async" class="alignleft  wp-image-77291" title="escrache-marcha" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2013/05/escrache-marcha.jpg" alt="" width="455" height="185" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2013/05/escrache-marcha.jpg 722w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2013/05/escrache-marcha-300x122.jpg 300w" sizes="(max-width: 455px) 100vw, 455px" /></a>D</strong>: <em>Como foram as primeiras experiências de</em> escracho<em>?</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>CEM</strong>: Acreditamos que estas ações devem estender-se a muitos bairros e a muita gente que, embora apoie a campanha, ainda não enveredou pela sua dinamização e participação. Ficámos surpreendidos pelo apoio espontâneo da vizinhança durante a realização dos <em>escrachos</em>. Chegam-nos constantemente novas moradas e localizações de possíveis <em>escrachos</em> e são cada vez mais as pessoas que nos perguntam como participar… A coisa vai aumentar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>D</strong>: <em>As convocatórias dos</em> escrachos <em>são públicas? Como saber? Como comunicar, por exemplo, o bar onde toma o pequeno-almoço um determinado</em> escrachável<em>?</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>CEM</strong>: Toda a informação que nos chega relativa a lugares onde realizar os <em>escrachos</em> é comunicada às assembleias de bairro para que elas organizem a ação. A ideia é que a Comissão de Escrachos constitua um mero órgão de gestão que facilite o trabalho importante, da responsabilidade dos bairros. A Comissão de Escrachos é aberta e reúne-se às segundas-feiras no Patio Maravillas. Toda a informação considerada útil ou é comunicada por viva voz na assembleia ou pode ser enviada por correio eletrónico ( escrachemadrid@gmail.com ).</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://passapalavra.info/2013/05/77286/escrache-2" rel="attachment wp-att-77292"><img decoding="async" class=" wp-image-77292 aligncenter" title="escrache 2" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2013/05/escrache-2.jpg" alt="" width="554" height="306" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2013/05/escrache-2.jpg 615w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2013/05/escrache-2-300x165.jpg 300w" sizes="(max-width: 554px) 100vw, 554px" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>D</strong>: <em>A repressão acompanha-vos em cada ação, a maioria das vezes tomando a forma de presença policial e de identificações. Temem algum tipo de sanções? Têm previsto formas de responder a essas possíveis multas? Têm apoio legal?</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>CEM</strong>: Acreditamos que alguma multa poderá surgir, mas enquanto movimento organizado consideramos que as multas individuais devem ser assumidas coletivamente. Assim o serão. No seio das redes responsáveis pela criação do 15M, existe uma grande quantidade de advogados e estruturas anti-repressivas que formam parte do movimento.</p>
<p><strong>D</strong>: <em>E uma vez votada a ILP?</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>CEM</strong>: Consideramos que a ILP é uma proposta mínima e, como tal, a sua aprovação compreenderia uma das muitas pequenas vitórias que, dia a dia, fruto de um trabalho comum, conquistaríamos. A ILP não é um fim, é apenas mais uma etapa no processo de desenvolvimento e consolidação de uma luta com muito caminho a percorrer.</p>
<p><strong>Notas do tradutor</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1]</strong> Iniciativa legislativa popular que defende as seguintes propostas: pagamento da dívida ao banco por cedência da habitação a pagar; aluguer social ao longo de um período de cinco anos a afetados; proibição de despejos quando se trata do imóvel habitado e quando os motivos do não pagamento de dívida são alheios à sua vontade.<br />
<strong>[2]</strong> Entidade bancária (parcialmente financiada por fundos públicos) responsável pela compra de ativos tóxicos a bancos privados.<br />
<strong>[3]</strong> Respetivamente, o Partido Popular, a União Progresso e Democracia, a União do Povo Navarro e o Partido Nacionalista Basco.</p>
<p>Traduzido por <em>Passa Palavra</em> a partir <a href="http://www.diagonalperiodico.net/movimientos/escrache-no-significa-mas-la-puesta-practica-la-organizacion-civil.html " target="_blank">daqui</a>.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">Os leitores encontrarão <a href="http://passapalavra.info/2013/04/76628" target="_blank"><em>aqui</em></a> um glossário de gíria e de expressões idiomáticas,<br />
tanto de Portugal como do Brasil.</p>
</blockquote>
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		<title>Pamplona: chaveiros dizem que não vão mais ajudar em despejos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Jan 2013 10:54:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[Bancos espanhóis em busca da execução das hipotecas devedoras em Pamplona e nos seus arredores não terão mais a ajuda dos chaveiros da comunidade.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;"> <strong>Por PRI&#8217;s The World</strong></h3>
<p style="text-align: justify;">Na Espanha, em 2012, mais de 50.000 famílias foram despejadas das suas casas quando não conseguiram pagar o seu aluguel ou hipoteca.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-147319" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2013/01/crh-300x300-1.jpg" alt="" width="300" height="300" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2013/01/crh-300x300-1.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2013/01/crh-300x300-1-70x70.jpg 70w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" />À medida que o ano ia passando, algumas pessoas cometeram suicídio após descobrirem que seriam despejadas. Agora, em <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pamplona" target="_blank" rel="noopener">Pamplona</a>, um grupo de especialistas que ajudam a realizar os despejos disse “Não mais”. Esses especialistas? Chaveiros.</p>
<p style="text-align: justify;">É uma forma bastante engenhosa de impedir despejos, realmente.</p>
<p style="text-align: justify;">A polícia pode chegar e arrastar devedores das suas casas. Mas se ninguém mudar as fechaduras do apartamento, o banco não consegue se apossar deste, porque os despejados podem voltar para dentro.</p>
<p style="text-align: justify;">E os procedimentos legais para tirá-los de lá de novo levariam meses, até anos.</p>
<p style="text-align: justify;">Os bancos e as autoridades governamentais vêm despejando uma média de duas famílias por dia nos últimos meses em Pamplona e nos arredores. Chaveiros como Iker de Carlos esperam conseguir acabar com isso. De Carlos diz que nessa pequena cidade existe uma dúzia de chaveiros, que frequentemente conhecem as pessoas que eles têm de trancar de fora.</p>
<p style="text-align: justify;">De Carlos disse a uma estação de TV local que os chaveiros trabalhavam frequentemente com a polícia e oficiais de justiça, despejando famílias ou pessoas idosas que mal tinham tempo de se vestir antes de serem jogadas na rua.</p>
<p style="text-align: justify;">De Carlos disse que ele e seus colegas chaveiros decidiram no último mês que  não poderiam mais ignorar tal sofrimento.</p>
<p style="text-align: justify;">“Somos gente,” disse ele “e enquanto gente não podemos continuar realizando despejos enquanto pessoas estão se matando.”</p>
<p style="text-align: justify;">De Carlos estava se referindo ao suicídio de uma mulher no último outono, fora de Pamplona. Enquanto as autoridades, inclusive o juiz Juan Carlos Mediavilla, estavam chegando para despejá-la, ela pulou da varanda. Logo após a sua morte o juiz Mediavilla se pronunciou publicamente.</p>
<p style="text-align: justify;">“Não podemos deixar problemas econômicos resultarem em tragédias como esta”, disse Mediavilla.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-147318" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2013/01/Christina-Dimitriadis-294x300-1.jpg" alt="" width="294" height="300" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2013/01/Christina-Dimitriadis-294x300-1.jpg 294w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2013/01/Christina-Dimitriadis-294x300-1-70x70.jpg 70w" sizes="auto, (max-width: 294px) 100vw, 294px" />O juiz apelou ao governo para revisar as leis existentes de modo que o número crescente de espanhóis que não conseguem pagar suas hipotecas não acabe nas ruas.</p>
<p style="text-align: justify;">O governo de centro-direita da Espanha disse inicialmente que tomaria passos imediatos para proteger os cerca de 600.000 mais vulneráveis do país, inclusive famílias com crianças pequenas e os idosos.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma lei foi aprovada permitindo a algumas pessoas negociar pagamentos mais baixos com os bancos. Mas ela exclui aposentados e qualquer mãe solteira com filho de mais de 3 anos de idade.</p>
<p style="text-align: justify;">Ativistas dizem que os bancos, que haviam prometido aliviar nos despejos para evitar um desastre social, não cumpriram a promessa.</p>
<p style="text-align: justify;">A tensão social em volta dos despejos tem levado a vários protestos no país inteiro e cresce na medida em que o desemprego também cresce cada vez mais.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas os chaveiros de Pamplona dizem que a sua pequena rebelião pode ser o método mais eficaz de impedir despejos, mesmo que seja uma fechadura de cada vez.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Fotografias, de cima para baixo, de</em> crh <em>e</em> Christina Dimitriadis.<br />
<em>Tradução do Passa Palavra a partir do original em inglês </em><a href="http://www.pri.org/stories/business/spanish-city-s-locksmiths-say-they-ll-no-longer-assist-with-evictions-12548.html" target="_blank" rel="noopener"><span style="color: #ff0000;">aqui</span></a><em>. </em></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Astúrias: os conflitos laborais alastram</title>
		<link>https://passapalavra.info/2012/06/59909/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Jun 2012 10:50:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Espanha]]></category>
		<category><![CDATA[Greves]]></category>
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					<description><![CDATA[A classe mineira asturiana é um referente histórico do movimento operário e tem um enorme sentimento de identidade colectiva, construído em mais de um século de lutas. Por Miguel Pérez A greve do sector hulheiro em Espanha está a ganhar novas dimensões e a atrair as atenções dos media. A luta entra na terceira semana [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>A classe mineira asturiana é um referente histórico do movimento operário e tem um enorme sentimento de identidade colectiva, construído em mais de um século de lutas</em>. <strong>Por Miguel Pérez</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-59909"></span><br />
A greve do sector hulheiro em Espanha está a ganhar novas dimensões e a atrair as atenções dos media. A luta entra na terceira semana e a perspectiva de uma solução consensuada parece mais afastada do que nunca. É difícil perceber o carácter radical e directo das mobilizações dos mineiros espanhóis sem levar em conta as tradições de combate desse sector da classe trabalhadora, que se confronta com a extinção virtual da indústria extractiva no país. Saber se os operários das minas conseguirão arregimentar uma larga resposta social nas regiões afectadas, como conseguiram sempre, e quais os efeitos que terá um conflito social duro sobre o clima social geral são as questões que se colocam neste momento.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/?attachment_id=59929" rel="attachment wp-att-59929"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-medium wp-image-59929" title="Astúrias 1" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/06/Astúrias-1-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/06/Astúrias-1-300x199.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/06/Astúrias-1.jpg 599w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a>O início desta terceira semana de greve no sector carvoeiro está a cumprir as previsões. Os cortes de estrada endurecem e a tendência é para se estenderem, tanto em Leão como nas Astúrias. Nesta província registaram-se na segunda-feira, dia 4 de Junho, duras batalhas com as forças policiais, com pelo menos 8 detidos. Entretanto, há encerramentos em três poços.</p>
<p style="text-align: justify;">A pessoa detida em Madrid na semana passada ficou em liberdade provisória (com recurso já feito pela procuradoria), acusado de actos terroristas, nomeadamente por ter partido o nariz a um polícia (o que parece difícil observando os capacetes que os “antidistúrbios” usam). As imagens que estão a circular (veja <em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=CiEb7C7p88c&amp;feature=related" target="_blank">aqui</a></em> e <em><a href="http://www.youtube.com/watch?NR=1&amp;feature=endscreen&amp;v=UqI_eyt26jc" target="_blank">aqui</a></em>)  são bastante esclarecedoras. Na greve do transporte já são mais de 50 os veículos sabotados pelos piquetes, um deles completamente queimado.</p>
<p style="text-align: justify;">Na segunda semana de conflito a greve dos mineiros radicalizou-se com rapidez. A manifestação do dia 31 de Maio em Madrid foi um sucesso &#8211; congregando cerca de 10.000 pessoas &#8211; e terminou com sérios confrontos com a força pública, que mostrou mais uma vez a sua brutalidade. A violência policial tornou-se a <em>marca da casa</em> nas relações do governo de Rajoy com os protestos sociais que se vão multiplicando. Desde a greve geral do passado 29 de Março um termo voltou ao nosso vocabulário político: o de preso social.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/?attachment_id=59934" rel="attachment wp-att-59934"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright size-medium wp-image-59934" title="Astúrias 5" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/06/Astúrias-5-300x213.jpg" alt="" width="300" height="213" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/06/Astúrias-5-300x213.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/06/Astúrias-5.jpg 666w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a>“<em>No estamos indignados, estamos hasta los cojones</em>” era uma das palavras de ordem lida nas faixas, para além de referências directas ao resgate do Bankia. Com efeito, o sentimento geral é já de qualquer coisa que vai além da indignação…</p>
<p style="text-align: justify;">O conflito do carvão foi provocado pelo anúncio do corte de mais de 60% dos subsídios às empresas mineiras. A actividade, do ponto de vista capitalista, é inviável e as companhias só se mantêm com os subsídios nacionais e da União Europeia. O corte proposto implica, segundo os sindicatos, a falência imediata de todas elas e o fim da indústria. Isto afectaria uns 5.000 trabalhadores entre Astúrias (1700 na empresa pública Hunosa e várias centenas em empresas privadas) e Leão (mais de 2.000); e Aragão, em muito menor medida. Há vinte anos eram mais de 20.000 só nas Astúrias.</p>
<p style="text-align: justify;">As formas de luta duras têm sido habituais entre os mineiros do Noroeste. No caso das Astúrias fazem mesmo parte da imagem construída da região proletária e bastião da esquerda, que existe dentro e fora das suas fronteiras. Das míticas greves do início do século XX à paralisação geral no meio do terror franquista de Maio de 1962, passando pela greve revolucionária de 1917 e a heroicidade da Comuna de Outubro de 1934, o certo é que a classe mineira asturiana é um referente histórico do movimento operário e tem um enorme sentimento de identidade colectiva construído em mais de um século de lutas. Se há oitenta anos o recurso a sabotagens e acções violentas já se tornam habituais, em tempos mais recentes, desde o fim da ditadura e nas grandes greves de 1987, 1992 e 1998, as paralisações são marcadas pela ocupação do espaço e do tempo em manifestações (não muitas) e numa espécie de guerrilha dos mineiros com o objectivo de bloquear vias de comunicação, o que leva necessariamente a intervenções policiais que se vão endurecendo com o passar dos dias, do mesmo modo que endurece a própria luta. Uma experiência que os leoneses também sofridamente conhecem.</p>
<p style="text-align: justify;">A implicação total das populações na luta levou em muitos momentos à instauração na prática de uma verdadeira ocupação policial de vilas e comarcas inteiras, com centenas de polícias de choque e intervenções indiscriminadas, que levantam, obviamente, a indignação geral e o encontro com uma memória presente e real.</p>
<p style="text-align: justify;">Em relação às recentes barragens nas estradas, vale a pena assinalar o seu carácter simbólico e o seu carácter organizado, quase militar. Ainda não houve uma estratégia de fechar estradas por períodos longos nem encerrar percursos completamente, nem os polícias se viram obrigadas ao corpo-a-corpo. Por enquanto parece mais uma demonstração das capacidades do movimento, do que pode acontecer se “isto não se arranjar” rapidamente. Mas o certo é que também parece que o governo do Partido Popular tem muito pouca capacidade de manobra e que existe um descontentamento profundo com a política do governo e a situação económica e social. Ele não pode dar sinais de fraqueza, mas um confronto total nas minas é uma jogada de enormes riscos. E neste sentido assinalamos também a estratégia sindical que tem colocado o conflito nas capas dos media, com acções radicais mas controladas e uma greve por tempo indeterminado, de grande força mas que também pode evitar o colapso das empresas sem financiamento, e obrigando os patrões e as autoridades locais a tomar partido na defesa do sector.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://passapalavra.info/?attachment_id=59939" rel="attachment wp-att-59939"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter  wp-image-59939" title="Astúrias 3" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/06/Astúrias-3.jpg" alt="" width="566" height="299" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/06/Astúrias-3.jpg 944w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/06/Astúrias-3-300x158.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 566px) 100vw, 566px" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Seria também arriscado estarmos a fazer previsões sobre o que pode vir a acontecer nas próximas semanas, mas para já esta que começa será mais uma <em>semana horrível</em> para este governo de chouriços. Para além de taxas de risco e taxas de juros e bancos radioactivos, no Noroeste vai ser uma boa. A greve na mina continua (com um trabalhador na prisão?). Na segunda-feira, dia 4 de Junho, inicia-se nas Astúrias outra paralisação estratégica nos transportes rodoviários de passageiros e mercadorias, também por tempo indeterminado e que necessariamente se misturará com a dos mineiros. Pode ser que os chouriços sejam assados no carvão.</p>
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		<title>Madrid: «Perante a miséria, saímos para as praças»</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 May 2012 08:23:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Espanha]]></category>
		<category><![CDATA[Outras_lutas]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão_e_liberdades]]></category>
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					<description><![CDATA[18 pessoas foram detidas durante a intervenção policial na Porta do Sol. Após um 12M reivindicativo e pacífico, no domingo várias cidades responderam à chamada #volvemosalas5. Por El Diagonal Um grupo de manifestantes reunidos, de forma pacífica, na Porta do Sol [em Madrid] foram violentamente expulsos pela polícia de intervenção. Aquilo que parecia uma cena [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>18 pessoas foram detidas durante a intervenção policial na Porta do Sol. Após um 12M reivindicativo e pacífico, no domingo várias cidades responderam à chamada #volvemosalas5.</em> <strong>Por El Diagonal</strong></p>
<p><span id="more-58557"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Um grupo de manifestantes reunidos, de forma pacífica, na Porta do Sol [em Madrid] foram violentamente expulsos pela polícia de intervenção. Aquilo que parecia uma cena já vivida, em particular no dia 15 de Maio de 2011, voltou a tornar-se realidade 363 dias depois, após uma noite que decorria de forma tranquila. Um 12 M reivindicativo e festivo havia culminado numa assembleia na Porta do Sol, participada por cerca de 2000 pessoas. Porém, às 5h da manhã, os 300 manifestantes que permaneciam na praça viram-se cercados por mais de 20 carrinhas da polícia de intervenção. Enquanto aclamavam “Não à violência, Não à violência” e resistiam pacificamente no chão, os manifestantes foram brutalmente removidos da área.  Algumas imagens podem ser vistas <a href="http://passapalavra.tv/?p=44380" target="_blank">aqui</a>. De acordo com o grupo legal do Sol, após se terem voltado a reunir-se por duas vezes, 18 deles foram detidos. Segundo informações da polícia, no domingo estas 18 pessoas ainda se encontravam detidas na esquadra de Moralatz.</p>
<p style="text-align: justify;">A expulsão de quem exprimia, enérgica e pacificamente, a recusa da atual situação constituiu, segundo um comunicado da AcampadaSol, mais uma demonstração destes “momentos de fraude, em que a falência dos bancos está a ser paga pelo conjunto da sociedade e em que os cortes nos direitos nos lançam no abismo de uma séria crise social”. O momento é, então, de voltar a tomar as praças: “Perante a miséria, saímos de novo para as praças, participando nas atividades organizadas para os próximos dias. Tomamo-las como espaços de criação coletiva, conforme o temos feito desde há um ano. Para além disso, esta tarde, pelas 17h, voltamos a concentrarmo-nos, demonstrando assim que quando estamos juntos, não temos medo!”.</p>
<p style="text-align: center;"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-58558   aligncenter" title="expulsãonosol" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/05/expulsãonosol.jpg" alt="" width="440" height="293" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/05/expulsãonosol.jpg 440w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/05/expulsãonosol-300x199.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 440px) 100vw, 440px" /></p>
<p style="text-align: justify;">As cargas policiais da madrugada de domingo não se verificaram apenas na Porta do Sol, onde ocorreram as duas primeiras detenções: de acordo com fontes do Grupo Legal Sol, um rapaz e uma moça que tentavam resistir à intervenção policial no centro da Praça. As pessoas que se solidarizavam com o pequeno grupo que resistia foram empurradas para as ruas adjacentes, voltando a reunir-se em diversos pontos. Alguns dos presentes relatam que a polícia os terá obrigado a dirigir-se à Praça Carmen, para ali os identificar. Outro grupo conseguiu chegar à Praça Callao, aonde se registaram quatro detenções. Segundo o Grupo Legal, “Foi depois, na Gran Via, que se verificou uma carga policial e os agentes à paisana detiveram 11 pessoas”. Uma delas, conforme o relato de uma conta Twitter (Pablo Soto &#8211; @pabloMP2P), era um homem que não tinha nada a ver com os manifestantes: “[Estou] com uma senhora de meia idade que estava à espera junto às carrinhas; tinha acabado de sair de um bar com o marido e a polícia levou-o, sem mais nem menos”. Minutos antes, testemunhava o modo como a polícia de intervenção “agredia um jovem algemado” na Praça Callao. O Grupo Legal recebeu, até ao momento, cerca de vinte chamadas de pessoas feridas, “e sabemos que, entre os detidos, outras se encontram em semelhantes condições”.</p>
<p style="text-align: justify;">A polícia tentou igualmente impedir que vários jornalistas presentes assegurassem a cobertura dos acontecimentos, como comprovam os testemunhos publicados por muitos deles (do diário <em>20 Minutos</em>, entre outros) nas redes sociais. Contudo, vários vídeos e fotos publicadas no Youtube e na rede permanecem como prova da brutal agressão, isto sem que se tenham verificado incidentes ou acampadas. Acontece que o Ministério do Interior havia comunicado à meia-noite que as concentrações não seriam dissolvidas caso não se registassem “incidentes violentos” ou tentativas de acampada.</p>
<p style="text-align: center;"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-58559  aligncenter" title="operaçãopolicial" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/05/operaçãopolicial.jpg" alt="" width="440" height="205" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/05/operaçãopolicial.jpg 440w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/05/operaçãopolicial-300x139.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 440px) 100vw, 440px" /></p>
<p style="text-align: justify;">Ao mesmo tempo, despejos eram efetuados em Valência e Sevilha, sem qualquer registo de detenções. Ao longo da noite, um forte contingente policial acabou com todas as concentrações nas praças, após manifestações que decorreram em cidades como Saragoça, Cádis ou Palma de Malhorca. Nesta última, verificaram-se cargas policiais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Maio Global</strong></p>
<p style="text-align: justify;">À convocatória para o 12M Global, vários manifestantes acabaram em Londres à frente do Banco da Inglaterra. Durante o seu despejo, 11 pessoas foram detidas. Em Moscovo, na sequência da repressão das manifestações anti-Putín que decorreram no dia da sua reeleição, centenas de pessoas acamparam no centro da cidade. Segundo notícias das agências internacionais, a acampada comunicou às autoridades tratar-se de uma “celebração indefinida” por ocasião do Dia da Vitória sobre a Alemanha nazi (9 de Maio), feriado nacional, de forma a evitar a intervenção das autoridades.</p>
<p style="text-align: justify;">Traduzido e adaptado pelo <em>Passa Palavra</em> a partir de <a title="http://www.diagonalperiodico.net/Ante-esta-miseria-salimos-a-las.html" href="http://www.diagonalperiodico.net/Ante-esta-miseria-salimos-a-las.html" target="_blank">http://www.diagonalperiodico.net/Ante-esta-miseria-salimos-a-las.html</a></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Imagens: Expulsão na Praça do Sol. Fotografia: Olmo Calvo e Operação Policial durante a expulsão, captada pela camera da RTVE.es que transmitia em directo.</em></p>
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		<title>Valência: o frio não é o inimigo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Mar 2012 09:54:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Espanha]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão_e_liberdades]]></category>
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					<description><![CDATA[As imagens falavam por si só: polícias espanhóis batendo de modo indiscriminado em estudantes indefesos para desmobilizar um protesto pacífico em Valência. As objetivas das câmaras ofereceram-nos o detalhe, o acusador instantâneo. Ampliemos agora a perspetiva.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;"> <strong>Por Passa Palavra</strong></h3>
<p style="text-align: justify;">As imagens falavam por si só: polícias espanhóis batendo indiscriminadamente em estudantes indefesos para desmobilizar um protesto pacífico em Valência. Logo apareceram publicadas nas principais rotativas da imprensa internacional. O primeiro-ministro espanhol, surpreendido pelo acontecimento em Londres, mostrou-se muito preocupado com a “imagem do país”. Entretanto, no Estado espanhol, a venda dos olhos caía para muitos: as imagens de estudantes com a cabeça aberta ou das cargas policiais contra adolescentes atemorizados criavam uma onda de indignação naqueles que nunca tiveram problemas com a autoridade. As posteriores declarações dos responsáveis políticos e policiais só serviram para aquecer mais a situação.</p>
<p style="text-align: justify;">Os acontecimentos ocorreram em Valência, uma comunidade autónoma governada desde há muitos anos pelo mesmo partido da direita (PP, Partido Popular), vencedor também nas últimas eleições gerais. Os cortes nas despesas públicas, política oficial contra a crise capitalista, deixaram, entre outras vítimas, vários liceus [escolas secundárias e médias] sem aquecimento. Fartos desta situação, os alunos do liceu Lluis Vives decidem protestar na rua. Resultado disso será uma carga policial e um menor de idade detido. No dia seguinte (16 de Fevereiro) Valência vive uma mobilização maior em solidariedade com os estudantes. Mas antes de tratar das manifestações, falemos de Valência.</p>
<p><strong>O caso de Valência</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-142520" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/03/valencia-1-300x232-1.jpg" alt="" width="300" height="232" />Cabe destacar que o governo de Valência é especialmente paradigmático em relação à grande mentira na qual vivemos. Um governo autonómico (regional), que é constante foco da atenção mediática por estar afundado em corrupções e levar a região à ruína (vendas de favores, empresários entregando dinheiro em sacos do lixo, o presidente de Valência no banco dos réus… uma grande trama de corrupção que foi resolvida com a maior obscenidade e sem consequências políticas, demonstrando que a separação entre poderes é uma fraca piada no Estado espanhol). Um governo que afirma não ter dinheiro para a saúde ou o ensino público, mas que mantém grandes eventos desportivos graças a obscenas injeções do dinheiro dos cidadãos: fórmula 1, regatas e até uma visita papal que exigiu um grande investimento de dinheiro público… A comunidade de Valência converteu-se no exemplo mais claro do benefício de uns poucos a custo do dinheiro de todos. Sirva como exemplo o aeroporto de Castelló, dotado de grandes instalações: 3000 vagas para carros, uma pista de 2.700 metros, um diretor que recebe 84.000 euros anuais, uma inversão geral de 150 milhões de euros… o aeroporto de Castelló tem tudo, excepto aviões. E a inutilidade desta instalação era bem conhecida antes da sua construção. Ao pai da criatura, o político (do PP) e homem de negócios Carlos Fabra, imputado por tráfico de influências e delito fiscal, entre outros cargos, ergueram-lhe uma estátua à porta do edifício principal: mais 300.000 euros.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos últimos meses, os principais responsáveis políticos da comunidade apresentaram-se perante um juiz. O presidente de Valência, Francisco Camps, foi absolvido por um tribunal popular sem que de nada servissem as imagens e gravações incriminatórias. Para além disto tudo, os grandes casos de corrupção surgidos nos últimos tempos, o mais recente envolvendo a casa real, têm algum dos seus tentáculos no dinheiro público da comunidade de Valência. Não é de estranhar que os ânimos estejam quentes.</p>
<p><strong>Voltando às manifestações</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-142519" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/03/valencia-3-300x174-1.jpg" alt="" width="300" height="174" />Esta segunda manifestação juntou muito mais gente, contra a qual a polícia, sob as ordens da delegada do governo Paula Sánchez de León, atuou com a brutalidade habitual. A polícia acusou os manifestantes de vandalismo, mas os repórteres gráficos, que acompanharam a notícia e as suas imagens, negaram tal facto.</p>
<p style="text-align: justify;">Devido às reacções da polícia e à situação geral no país e em particular em Valência, foi convocada uma grande manifestação no dia 20 de Fevereiro, seguindo a corrente das mobilizações que, timidamente, começam a surgir no Estado espanhol contra o novo governo. A situação laboral, económica, o ataque ao sector público e a nova reforma laboral, unidas na repressão aos estudantes, levam os cidadãos para a rua. A polícia reage de forma especialmente violenta e ataca estudantes, manifestantes e jornalistas sem motivo algum. O violento comportamento da polícia e os vexames (“Não tens corpo nem de puta”, gritou um agente a uma miúda [garota] que não chegava aos 15 anos) não deixam lugar para dúvidas de que o governo envia uma mensagem através do cacete: Não vai permitir protestos nem desordem.</p>
<p style="text-align: justify;">As imagens e os vídeos falavam por si só e logo se espalharam pela península toda e pelo resto de Europa, apanhando um recente primeiro-ministro em Londres, que, como já contámos, se mostrou mais preocupado pela imagem do país do que pelo acontecimento em si.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">Veja vídeos <em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=pFC84E7V0Bo" target="_blank" rel="noopener">aqui</a></em>, <em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=nNtZMnyenMg" target="_blank" rel="noopener">aqui</a></em> e <em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=YLKU2KA38vY&amp;feature=related" target="_blank" rel="noopener">aqui</a></em>.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-142518" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/03/valencia-5-300x206-1.jpg" alt="" width="300" height="206" />O efeito mediático abriu os olhos a muitos. A actividade da polícia espanhola cai frequentemente em excessos violentos, especialmente no referente ao País Basco e não só, mais o facto de bater em adolescentes e cidadãos que se manifestam pacificamente (coisa que já fora relevante com os Indignados, contra os quais os agentes da polícia catalã cometeram selvajarias com total impunidade). A reação espalhou-se por todo o Estado espanhol. As imagens estavam na memória daquelas pessoas mais velhas, só mudavam as cores: da polícia franquista e a sua farda cinzenta (eram alcunhados <em>los grises</em>) ao azul escuro da chamada polícia nacional. Mas a brutalidade era a mesma.</p>
<p style="text-align: justify;">No dia seguinte, diferentes manifestações protestaram pela actuação da polícia em Valência, enquanto o governo deitava água na fervedura e falava, sem muita convicção, de investigar os possíveis excessos. Os meios de comunicação afins ao governo e os responsáveis políticos têm tentado justificar de mil maneiras a intervenção policial, mas as fotografias e os vídeos desarticulam as suas mentiras. E no meio da polémica, o chefe de polícia e principal responsável tático do acontecido (Antonio Moreno, relacionado com a extrema-direita) chama aos manifestantes “inimigos” numas declarações oficiais.</p>
<p><strong>Ressaca e conclusões</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Desde a manifestação do dia 20 tem havido diversas manifestações populares em todo o Estado espanhol, sem se terem detetado novos abusos policiais. Não sabemos se esta nova onda de indignação levará a sociedade espanhola a agir, mas temos claro que os miúdos [garotos] espancados que saíram à rua para protestar pelo frio e pelos injustos cortes na educação pública têm agora claro quem é o verdadeiro inimigo: Não o frio, mas sim aqueles que, roubando o dinheiro público para os bolsos privados do capital, lançam agora os seus cães para calar o povo. Esperemos que esta terrível lição não saia da memória.</p>
<p style="text-align: center;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-142521" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2012/03/valencia-2-300x200-1.jpg" alt="" width="300" height="200" /></p>
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		<title>Andaluzia (Espanha): autogestão e sindicalismo na base</title>
		<link>https://passapalavra.info/2010/07/25992/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Jul 2010 15:35:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Espanha]]></category>
		<category><![CDATA[Migrantes]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho_e_sindicatos]]></category>
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					<description><![CDATA[Combatividade de classe e autogestão libertária: são as duas características principais deste movimento sindical do sudoeste do Estado espanhol. E um inusual conceito de “greves gerais regionais”. Entrevistámos um dos seus principais dirigentes. A seguir, um pequeno vídeo e uma crónica sobre a greve referida. Por Passa Palavra Entrevista com Diego Cañamero, dirigente do SAT-SOC [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Combatividade de classe e autogestão libertária: são as duas características principais deste movimento sindical do sudoeste do Estado espanhol. E um inusual conceito de “greves gerais regionais”. Entrevistámos um dos seus principais dirigentes. A seguir, um pequeno vídeo e uma crónica sobre a greve referida. </em><strong>Por Passa Palavra</strong></p>
<p><span id="more-25992"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Entrevista com Diego Cañamero, dirigente do SAT-SOC</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Porque é que foi convocada a vossa greve geral regional de 14 de Abril?</em></p>
<p style="text-align: justify;">O motivo da greve é a crise, é o desemprego, é a situação económica das aldeias da comarca. Concretamente na Serra de Cádis, que é uma comarca da província de Cádis que tem 19 aldeias e 120.000 habitantes. Nessa comarca, 39% da população activa está no desemprego. Então convocou-se a greve, consultou-se o povo e foi unânime: toda a comarca faz greve. E fizemos uma grande manifestação em Arcos [de la Frontera], que é a aldeia “capital” da comarca e tem 30.000 habitantes, e foi uma manifestação de mais de 5.000 pessoas.</p>
<p style="text-align: justify;">
<figure id="attachment_26007" aria-describedby="caption-attachment-26007" style="width: 423px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/f_canamero5.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26007 " title="f_canamero5" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/f_canamero5.jpg" alt="O secretário-geral do SAT, Diego Cañamero, em segundo plano, de punho ao alto. (Foto EFE)" width="423" height="367" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/f_canamero5.jpg 470w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/f_canamero5-300x260.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 423px) 100vw, 423px" /></a><figcaption id="caption-attachment-26007" class="wp-caption-text">O secretário-geral do SAT, Diego Cañamero, em segundo plano, de punho ao alto. (Foto EFE)</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">A segunda comarca que entrou em greve foi a de Serra Sul de Sevilla, de outra província. Aqui há 17 municípios, 80.000 habitantes, e 32 a 33% da população activa está desempregada. A greve foi convocada, e foi unânime: 17 aldeias, todas em greve.</p>
<p style="text-align: justify;">O sindicato está a demonstrar a todas as demais forças políticas e sindicatos que, se todos nos unirmos, pode-se convocar a greve geral na Andaluzia e no Estado espanhol.</p>
<p style="text-align: justify;">Porque a crise e o desemprego não pode ser uma espécie de espada de Démocles contra o povo simples, o povo trabalhador – os trabalhadores independentes, as pequenas e médias empresas, os camponeses, os jornaleiros [assalariados agrícolas]. Não. Nós dizemos que a crise, não fomos nós que a provocámos. A crise tem de ser suportada por aqueles que a provocaram: os bancos, as multinacionais, as imobiliárias, os concessionários de automóveis, os orçamentos gerais do Estado – esses sim, têm de fazer todo o possível para que a crise não vá afectar os trabalhadores e as aldeias.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Eram maioritariamente trabalhadores dos campos, ou também das indústrias e dos serviços? </em></p>
<p style="text-align: justify;">Na greve? Sim, todos. Comércio, empresas, trabalhadores independentes, camponeses, cooperativas, trabalhadores, todos. Todos juntos, todos em greve.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>O SOC é um sindicato que tem as suas raízes no movimento anarcossindicalista de Espanha. Existe desde quando? </em></p>
<p style="text-align: justify;">Em 1 de Agosto de 1976 nasceu o Sindicato dos Operários do Campo, na Andaluzia. Com uma tradição do movimento anarcossindicalista, colhemos a sua base fundamental, que são as assembleias, que é a pessoa nova, com esse espírito, com essa cultura nova. Colhemos a herança da acção directa, do sindicalismo a pié de tajo <strong>[1]</strong> nas empresas, etc. A linha dos sindicatos anarquistas é uma herança presente nas nossas actuações.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>E o SAT – Sindicato Andaluz de Trabalhadores – que diferença faz, ou que relação tem com o SOC? </em></p>
<p style="text-align: justify;">O SOC deu origem, juntamente com outras organizações, ao SAT. O SOC é a base fundamental do Sindicato Andaluz de Trabalhadores. De facto eu sou o porta-voz nacional do SAT, e sou o secretário-geral do SOC. O SAT é mais amplo, abarca todos os sectores da produção, sejam do regime geral sejam do regime agrário, de todos.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Existem muitos latifúndios ocupados pelos trabalhadores? </em></p>
<p style="text-align: justify;">Não muitos. Temos cooperativas, que conseguimos arrancar à Junta da Andaluzia – o governo andaluz – e também arrancadas à propriedade privada. O sindicato tem cooperativas, algumas de 1.200 hectares, de 300 hectares, de 50 hectares. Mas não temos muitas terras, ocupadas em permanência, dos terratenentes.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Sabemos dos casos de Duquesa de Alba e de Marinaleda. Essas são ocupações de latifúndios privados? </em></p>
<p style="text-align: justify;">O do Duque do Infantado (Marinaleda), outro que temos em Cádis que se chama Ruiz Mateo (Rumasa), e algumas mais que são públicas. Estas são as privadas.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Como funcionam as relações sociais nessas cooperativas, as hierarquias, o regime de salários, a ligação às comunidades, a inserção da produção no mercado? </em></p>
<p style="text-align: justify;">Bem, funciona como nos permitem as normas vigentes e a realidade em que vivemos, não é? Gostaríamos de ter o nosso próprio mercado, a nossa própria economia, distribuindo [as mercadorias] ao seu preço justo. Mas quando precisamos de vender os nossos produtos, pois temos de vendê-los, seja a cooperativas de segundo grau que existem, ou então a alguma empresa de propriedade privada ou alguma empresa multinacional. Por exemplo, para vendermos o azeite – e nós temos actualmente um milhão de kg-azeite – não há possibilidade de termos mercados locais onde se possa distribuir essa quantidade. Então temos de o vender às grandes multinacionais que o queiram comprar. E, se produzirmos favas, azeitona verde [de mesa], alcachofras ou pimentos – para as quais temos fábricas de manipulação e de embalagem em latas – pois temos de as vender ao grande comércio, infelizmente.</p>
<p style="text-align: justify;"><em></em></p>
<figure id="attachment_26008" aria-describedby="caption-attachment-26008" style="width: 400px" class="wp-caption alignright"><em><em><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/f_canamero6.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26008" title="f_canamero6" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/f_canamero6.jpg" alt="Libertação de Cañamero, com Sánchez Gordillo e outros 16 sindicalistas do SAT, acusados de cortarem as vias do AVE (trem de alta velocidade). (Foto EFE) " width="400" height="300" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/f_canamero6.jpg 400w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/f_canamero6-300x225.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a></em></em><figcaption id="caption-attachment-26008" class="wp-caption-text">Libertação de Cañamero, com Sánchez Gordillo e outros 16 sindicalistas do SAT, acusados de cortarem as vias do AVE (trem de alta velocidade). (Foto EFE) </figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;"><em>E como se traduzem nas relações de produção, nas vossas cooperativas, as ideias libertárias do sindicato? </em></p>
<p style="text-align: justify;">As nossas cooperativas assentam na liberdade. Todo o trabalho é feito em assembleias. Explica-se às pessoas que não há mais-valia, que não há exploração do homem pelo homem, que é trabalho socialista, que todo o benefício é para a colectividade, que não há repartição de benefícios pelos cooperativistas, mas que todo o resultado é aplicado no investimento, no fortalecimento do centro de trabalho. Uma passagem da teoria à prática, para as pessoas entenderem que essa cooperativa e essa produção é dos trabalhadores e não de um patrão que lhes saque a mais-valia e os explore.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Existem hierarquias de mando nas cooperativas? </em></p>
<p style="text-align: justify;">Todos os dois ou três anos há eleições, para que as pessoas possam ratificar, propor, sempre no regime de assembleias públicas.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>E nesses momentos os responsáveis mudam, ou são sempre os mesmos?</em></p>
<p style="text-align: justify;">Podem mudar, sim. Mudar de gestor, mudar de encarregado. Sim, podem mudar.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Os salários são semelhantes para todos?</em></p>
<p style="text-align: justify;">Sim, os salários são iguais para todos. Nessas cooperativas toda a gente ganha por igual.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Independentemente da composição das famílias? </em></p>
<p style="text-align: justify;">Independentemente da família que tiverem.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Lemos que o SOC tem uma actividade educativa. São mesmo escolas para as crianças, ou formação para adultos? </em></p>
<p style="text-align: justify;">Não, só temos formação para adultos. Jornadas educativas, de educação, ou jornadas para tratar temas. Agora vamos, a 7, 8 e 9 de Maio, uma jornada internacional sobre o tema da Reforma Agrária.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Como se passa a vossa intervenção ao nível dos órgãos do poder político? O sindicato tem eleitos para cargos políticos? Nesse contexto funcionaram como um partido político? Os eleitos candidataram-se com a sigla do sindicato? </em></p>
<p style="text-align: justify;">Participamos na política e temos vários alcaides [prefeitos, presidentes de Câmara], vários deputados no parlamento da Andaluzia. Também participamos nos órgãos políticos com uma organização que se chama CUT <strong>[2]</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Uma organização política independente do sindicato? </em></p>
<p style="text-align: justify;">Sim. Independente do sindicato.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>E que funciona, portanto, como um partido político? </em></p>
<p style="text-align: justify;">Correcto.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Que importância tem a presença de imigrantes na Andaluzia, e de que países vêm? </em></p>
<p style="text-align: justify;">Vêm de muitos lugares: da África, da América Latina e da Europa do Leste. Esses imigrantes vêm para as campanhas sazonais que ocorrem com muita força em algumas províncias. Nas estufas de Almeria, a azeitona em Jaén, a laranja na várzea do Guadalquivir, e os morangos em Huelva – são as colheitas grandes onde há mão-de-obra de outros lugares.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Isso provoca contradições entre os trabalhadores andaluzes e os estrangeiros? </em></p>
<p style="text-align: justify;">Sim. Temos alguns problemas. Não é bem racismo, é mais incompreensão; porque é que vem essa gente de tão longe, havendo aqui desempregados e desempregadas. Essa incompreesão existe, mas conseguimos aguentá-la bem, orientá-la bem.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Sabemos que em El Ejido [pequena cidade da província de Almeria onde se verificaram discriminações xenófobas e racistas contra os imigrantes magrebinos] o SOC conseguiu instalar uma sede para dar apoio aos imigrantes. É verdade? </em></p>
<p style="text-align: justify;">Sim, é verdade. Trabalhamos muito com os imigrantes.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Há muitos imigrantes filiados no sindicato? </em></p>
<p style="text-align: justify;">Sim. Em Almeria, justamente, há muitos que são do sindicato. Aliás dos três companheiros que estão à frente do sindicato em Almeria, um é marroquino, outro é senegalês e outro é argentino. Os nossos dirigentes em Almeria são todos imigrantes.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Agora fala-se de recrutadores que, por conta da agro-indústria, vão ao norte de África contratar, para as campanhas sazonais, mulheres que têm de ter entre 25 e 45 anos de idade, desde que tenham filhos pequenos como garantia de que, finda a campanha, elas quererão regressar aos seus países. Uma vergonha a que os governos, Estados e autoridades europeias chamam “imigração ética”. Tens conhecimento disso? </em></p>
<p style="text-align: justify;">Sim, temos denunciado esses “contratos na origem”. Continuamente os temos denunciado. Antes iam à Roménia, à Polónia ou à Bulgária; mas como estes países agora já fazem parte da União Europeia agora não lhes fazem esses “contratos na origem” porque há livre circulação dos trabalhadores europeus. Mas temos denunciado e condenado os “contratos na origem” que são feitos noutros países, especialmente contra o facto de exigirem condições de família que os obriguem a regressar. E para terem alguma dignidade das condições em que vivem. As pessoas são tratadas como ferramentas de trabalho, ou em todo o caso como animais. Isso é algo que a toda a hora nós denunciamos. E isso acontece sobretudo na agro-indústria do morango em Huelva. Todos os anos temos centenas de casos de denúncias – nos tribunais, na Guardia Civil, na Junta da Andaluzia [governo regional], na Inspecção do Trabalho – denunciando todos esses casos que detectamos com a nossa presença física nas comarcas do morango em Huelva. A esta hora temos dois companheiros que estão a fazer esse trabalho de denúncia e resolvendo os problemas que os trabalhadores lhes vão colocando no dia-a-dia.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Há grupos universitários de investigação que estudam os vários aspectos do vosso trabalho? </em></p>
<p style="text-align: justify;">Sim. Vamos enviar-vos materiais sobre isso. E também notícias, fotos, áudios e vídeos sobre as nossas diversas lutas. Agradecemos ao <em>Passa Palavra</em> que nos ajude a divulgar essas lutas noutros países.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Notas:</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1]</strong> Expressão muito usada no SAT e no SOC que significa “sindicalismo no local de trabalho”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[2]</strong> Colectivo de Unidade dos Trabalhadores, que na Andaluzia apresenta a sigla CUT-BAI (Bloco Andaluz das Esquerdas).<br />
O <a class="media mediafile mf_" title="http://www.cut-bai.org/" href="http://avanteetc.dreamhosters.com/passapalavra/wiki/lib/exe/fetch.php?cache=cache&amp;media=http%3A%2F%2Fwww.cut-bai.org%2F">CUT-BAI</a> apresenta-se assim:<br />
«O CUT-BAI é a organização política anticapitalista e revolucionária dos trabalhadores e trabalhadoras da Andaluzia que luta pela consecução dos Direitos Nacionais da Andaluzia (autodeterminação e soberania nacional), a emancipação da classe trabalhadora andaluza, de uma sociedade livre de toda a opressão, na busca que uma ordem internacional superadora do sistema capitalista e cujo objectivo final é uma sociedade sem classes.<br />
«As finalidades do CUT-BAI são:<br />
«1) A defesa dos interesses sócio-políticos da classe trabalhadora andaluza, lutando contra qualquer tipo de exploração capitalista e de opressão nacional.<br />
«2) A consecução da paz, do desarmamento e do desaparecimento dos blocos militares, assim como o desmantelamento das bases militares estrangeiras na Andaluzia (Rota, Morón e Gibraltar) e a saída da Andaluzia da NATO.<br />
«3) O desenvolvimento da identidade nacional andaluza, mediante a protecção e a recuperação da sua cultura e da sua história.<br />
«4) A luta pela igualdade e contra todo o tipo de discriminação da mulher em todos os planos da vida social, potenciando a sua participação em todas as actividades e órgãos.<br />
«5) A luta contra a destruição do meio ambiente e a degradação da natureza.<br />
«6) A luta contra o imperialismo e o colonialismo, pela superação da actual divisão internacional do trabalho que consagra a desigualdade das relações norte-sul.»</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>(Vídeo) Primeiras palavras de Diego Cañamero ao ser libertado da prisão, onde esteve retido com outros 16 sindicalistas acusado de tentativa de corte de vias férreas:</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><object width="500" height="375" data="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=12764357&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=00ADEF&amp;fullscreen=1" type="application/x-shockwave-flash"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=12764357&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=00ADEF&amp;fullscreen=1" /></object></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Crónica da esperança: o SAT volta à carga contra o bloco PSOE-PP</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Manuel M. Navarrete<br />
<a title="http://www.rebelion.org/noticia.php?id=104133" rel="nofollow" href="http://www.rebelion.org/noticia.php?id=104133" target="_blank">http://www.rebelion.org/noticia.php?id=104133</a></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Em Abril o SAT liderava um movimento de greve geral na Andaluzia (sudoeste do Estado espanhol). Publicamos, em complemento à entrevista que fizemos a Diego Cañamero, dirigente carismático desse sindicato, a crónica então publicada no </em>Rebelión<em> por Manuel Navarrete. Siglas referidas: o PSOE é o partido socialista espanhol, actualmente no poder;e o PP é o Partido Popular, da direita.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Suponho que existam muitas maneiras de comemorar o 14 de Abril, dia da República. Algumas baseiam-se em mero folclore nostálgico. Outras procuram ligar de algum modo o passado ao presente. Mas, hoje, muitos de nós, andaluzes, tiveram a oportunidade de celebrar o 14 de Abril da forma mais autêntica possível: com uma Greve Geral.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta Greve, convocada pelo SAT-SOC, paralizou quase a 100% dezassete municípios da província de Sevilha, habitados por mais de 84.000 pessoas. Assim sendo, depois de o PSOE ter anunciado uma liberalização dos despedimentos, depois das obscenas injecções de dinheiro público na banca privada, depois de tantos abusos, estes admiráveis assalariados agrícolas escaparam-se do beco-sem-saída lamentável em que está armadilhada a suposta esquerda deste país.</p>
<p style="text-align: justify;">Com um PCE [Partido Comunista de Espanha] que afirma que só promoverá uma Greve “se assim o decidirem as CC OO [Comisiones Obreras], seu único sindicato de referência”; com umas CC OO que anunciam que só farão greve se também for convocada pela UGT, correia de transmissão do PSOE, a equação equivalerá ao seguinte: só haverá Greve quando assim o quiser o PSOE, quer dizer, quando estiver o PP no governo.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta mudança de atitude, conforme o governo seja do PSOE ou do PP, só se pode explicar da perspectiva de que os sindicatos maioritários não são realmente sindicatos, mas sim aparelhos do Estado controlados pelo Partido Socialista. Já que, a serem sindicatos, defenderiam os interesses dos trabalhadores independentemente da cor do governo de turno.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando se analisam as políticas do PSOE e do PP acontece o contrário de quando se analisa qualquer outra coisa. O normal é que, ao aprofundar uma análise qualquer, se vá percebendo cada vez mais matizes diferenciadores entre os elementos analisados. Mas, neste caso, acontece precisamente o contrário: quanto mais se estuda o assunto, menos diferenças se notam entre o PSOE e o PP.</p>
<p style="text-align: justify;">Como se este panorama não fosse já de si bastante deprimente, as CC OO e a UGT comportaram-se como vulgares fura-greves na Greve Geral da serra de Cádis no passado dia 9 de Fevereiro, incitando os trabalhadores a não fazerem greve e a comparecerem nos seus postos de trabalho (apesar de, para cúmulo, carecerem de representação sindical na zona).</p>
<p style="text-align: justify;">E, todavia, o SAT acaba de nos mostrar que, neste país, e em todos os países do Estado [espanhol], e em todos os Estados do mundo, para os oprimidos existe esperança. Esta manhã nós madrugámos e, a partir de múltiplos pontos da Andaluzia, deslocámo-nos para estarmos às 7h00 nas praças de Osuna e Estepa e organizarmos os piquetes. O trabalho prévio tinha sido excelente: todo o pequeno comércio apoiava a greve e estava fechado. As carrinhas sonorizadas deambulavam pela capital da comarca avisando os habitantes da mobilização. O desafio era agora conseguirmos superar a ambição parasitária dos donos da Mercadona e da Eroski que, ajudados pela Guardia Civil, procuravam desmantelar a Greve obrigando os seus assalariados a trabalhar. Apesar do frio, ganhámos a aposta e impedimos as grandes superfícies de trabalhar.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/f_canamero1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-26006" title="f_canamero1" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/f_canamero1.jpg" alt="f_canamero1" width="200" height="154" /></a>A Greve foi um êxito impressionante. Os dezassete municípios pararam a sua actividade praticamente por completo, apesar das chantagens dos alcaides [prefeitos, presidentes de Câmara] do PSOE que ameaçaram retirar o subsídio agrário a quem apoiasse a Greve. No comício final desta emocionante mobilização, tomaram a palavra nada menos que oito alcaides da comarca apoiando a Greve, assim como numerosos activistas de movimentos sociais ou históricos sindicalistas do calibre de Diego Cañamero.</p>
<p style="text-align: justify;">O momento mais emocionante aconteceu quando falou Juan Manuel Sánchez Gordillo, o célebre alcaide de Marinaleda. Gordillo atacou vigorosamente o carácter fascista dos “cães” da Guardia Civil; explicou que o Estado não é “neutro”, mas sim um Estado de classe que assegura a exploração da classe trabalhadora pelos terratenentes e pela burguesia; que não vivemos numa verdadeira democracia, mas sim numa ditadura encoberta do capital; que o PSOE é um cavalo de Tróia do capitalismo, e por isso não o devemos introduzir nas nossas muralhas: há que pegar-lhe o fogo de todos os lados e atirá-lo ao mar; que a esquerda, ou é anticapitalista e faz oposição ao regime, ou não é esquerda…</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo isso para vergonha da “esquerda oficial” que apenas podia desviar o olhar para outro lado, enquanto a massa dos operários do campo e de militantes solidários das cidades rompia em aplausos e gritos de “Viva a Andaluzia livre”. Também foi emocionante ver um moço da comarca, de apenas 17 anos, pegar no microfone e incitar toda a gente a continuar a luta, recordando quem eram, nas palavras de Bertolt Brecht, “os imprescindíveis”: os que lutam toda a vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Estes factos demonstram que o Povo Trabalhador Andaluz, encurralado pela fome e pelo desemprego, pode sair da sua letargia. E isso acontecerá se tivermos a maturidade política e a generosidade de, ultrapassando as habituais quezílias partidaristas, juntar os nossos esforços para que estes gérmenes de unidade e Poder Popular prosperem, se desenvolvam e se generalizem.</p>
<p style="text-align: justify;">Como dissémos no começo, este 14 de Abril foi mais longe do que as habituais bandeiras, do que as habituais comemorações folclóricas. A melhor homenagem que podemos prestar a tantos companheiros assassinados pelo fascismo é continuar a sua luta. Talvez por isso o SAT anunciou que, hoje mesmo 15 de Abril, começará a preparar a sua terceira Greve Geral de 2010, e que assim continuará até alcançar o objectivo de uma Greve Geral de toda a Andaluzia. Para que a Andaluzia viva livre, viva a Andaluzia <em>viva</em>.</p>
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		<title>O Interesse Cultural</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Apr 2010 19:28:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Flagrantes Delitos]]></category>
		<category><![CDATA[Espanha]]></category>
		<category><![CDATA[Nacionalismo]]></category>
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					<description><![CDATA[Em reacção ao debate no Parlamento da Catalunha sobre a petição popular de abolição das touradas, a Comunidade de Madrid declarou este espectáculo “Bem de Interesse Cultural”. Argumentam os conservadores que a supressão da fiesta taurina é um ataque à Espanha (resta saber de que classe de esquizofrenia sofrem os antitaurinos que se sentem espanhóis) [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em reacção ao debate no Parlamento da Catalunha sobre a petição popular de abolição das touradas, a Comunidade de Madrid declarou este espectáculo “Bem de Interesse Cultural”. Argumentam os conservadores que a supressão da <em>fiesta</em> taurina é um ataque à Espanha (resta saber de que classe de esquizofrenia sofrem os antitaurinos que se sentem espanhóis) e que as touradas inspiraram grandes obras de arte, citando Picasso e Hemingway. Nós sabemos que as atrocidades da guerra têm servido de inspiração da arte desde o início dos tempos. Ora bem, nunca nos passaria pela cabeça achar que o genocídio deva ter protecção devido ao seu “Interesse Cultural”.<strong><em> Passa Palavra</em></strong></p>
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		<title>30 NOVEMBRO 2009 &#8211; (ESP-Galiza) Rede Feminista Galega: contra a violência machista</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Nov 2009 15:33:01 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Sexualidade]]></category>
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					<description><![CDATA[Rede Feminista Galega denuncia a violência machista Domingo, 29 Novembro 2009 Por volta de 60 mulheres participárom na manhá do sábado numha acçom no mercado de Compostela, que tinha como objecto a denúncia da violência machista. As mulheres, de pé sobre cadeiras e situadas em fileira desde a Praça do Pam até o mercado, sustinham [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span id="more-15665"></span></p>
<h4 style="text-align: center;">Rede Feminista Galega denuncia a violência machista</h4>
<p style="text-align: center;"><span class="ecxApple-style-span" style="text-transform: none; text-indent: 0px; border-collapse: separate; font: medium 'Times New Roman'; white-space: normal; letter-spacing: normal; color: #000000; word-spacing: 0px;"><span class="ecxApple-style-span" style="font-family: Arial; color: #505050; font-size: 11px; font-weight: bold;">Domingo, 29 Novembro 2009</span></span></p>
<div style="text-align: justify;">Por volta de 60 mulheres participárom na manhá do sábado numha acçom no mercado de Compostela, que tinha como objecto a denúncia da violência machista. As mulheres, de pé sobre cadeiras e situadas em fileira desde a Praça do Pam até o mercado, sustinham cartazes com diferentes legendas alusivas às causas desta violência: “Estou na rua porque se os curas emprenhassem o aborto seria sacramento”, “Estou na rua porque quero que às casas de acolhida vaiam eles”, “Estou na rua porque se nos tocam a umha tocam-nos a todas”, “Estou na rua porque quero berrar que a revoluçom começa na cozinha”, “Estou na rua porque estou solteira, independente e feliz”, “Estou na rua porque nom sou nem quero ser tamanho 36” e assim até mais de quarenta palavras de ordem.</div>
<p style="text-align: justify; padding: 0px;">
<p style="text-align: center; padding: 0px;"><a class="ecxthickbox" style="color: #000000; text-decoration: underline; padding: 0px;" title="narua5" rel="same-post-5615" href="http://primeiralinha.org/home/wp-content/uploads/2009/11/narua5.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="ecxalignnone ecxsize-medium ecxwp-image-5628" style="border: #cccccc 1px solid; padding: 2px;" title="narua5" src="http://primeiralinha.org/home/wp-content/uploads/2009/11/narua5-201x300.jpg" alt="" width="201" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: justify; padding: 0px;">Ao mesmo tempo, um outro grupo de mulheres armadas com fouces e sachos, acompanhadas por tamboris e pandeiretas, faziam soar diferentes ritmos enquanto caminhavam ao longo da fileira. Durante o acto, foi despregada umha gigantesca faixa de um dos prédios da Praça do Pam e repartírom-se centenas de panfletos.</p>
<p style="text-align: center; padding: 0px;"><a class="ecxthickbox" style="color: #000000; text-decoration: underline; padding: 0px;" title="narua3" rel="same-post-5615" href="http://primeiralinha.org/home/wp-content/uploads/2009/11/narua3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="ecxalignnone ecxsize-medium ecxwp-image-5624 ecxaligncenter" style="border: #cccccc 1px solid; padding: 2px;" title="narua3" src="http://primeiralinha.org/home/wp-content/uploads/2009/11/narua3-201x300.jpg" alt="" width="201" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: justify; padding: 0px;">A seguir, reproduzimos o texto distribuído.</p>
<p style="text-align: justify; padding: 0px;"><strong style="padding: 0px;">Dia contra a violência machista</strong></p>
<p style="text-align: justify; padding: 0px;">
<p style="text-align: justify; padding: 0px;">Passar dum “cala” ou dum “tu nom sabes de que estás a falar” a umha agressom física, é só um degrau na escalada da violência machista que, muitas vezes, passa despercebido.</p>
<p style="text-align: justify; padding: 0px;">Porque as mortes nom se produzem de súpeto, porque antes de umha mulher ser assassinada produzem-se pequenas mortes todos os dias:</p>
<p style="text-align: justify; padding-bottom: 0px; padding-left: 30px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;">a morte nas escolas: silenciando o papel da mulher na história…</p>
<p style="text-align: justify; padding-bottom: 0px; padding-left: 30px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;">a morte laboral: quando continuamos a cobrar menos polo mesmo trabalho…</p>
<p style="text-align: justify; padding-bottom: 0px; padding-left: 30px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;">a morte na família: educando-nos no eterno papel de cuidadoras, como maes, esposas ou filhas…</p>
<p style="text-align: justify; padding-bottom: 0px; padding-left: 30px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;">a morte sexual: negando-nos o nosso próprio prazer, convertendo-nos em meros objectos reprodutores…</p>
<p style="text-align: justify; padding-bottom: 0px; padding-left: 30px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;">a morte a partir dos fundamentalismos religiosos: quando todos e cada um dos seus credos subordinam as mulheres ao homem…</p>
<blockquote style="border-bottom: #dddddd 1px solid; padding-bottom: 0px; background-color: #ececec; padding-left: 10px; padding-right: 10px; font: 1em/1.5em Arial; border-top: #dddddd 1px solid; padding-top: 10px;">
<p style="text-align: justify; padding: 0px;">Por iso estamos hoje na rua, por todas essas pequenas grandes mortes, por todas as mulheres assassinadas, porque já estamos fartas!!!!</p>
<p style="text-align: justify; padding: 0px;">REDE FEMINISTA GALEGA 2009</p>
</blockquote>
<p style="text-align: center; padding-bottom: 0px; padding-left: 30px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"><a class="ecxthickbox" style="color: #000000; text-decoration: underline; padding: 0px;" title="narua2" rel="same-post-5615" href="http://primeiralinha.org/home/wp-content/uploads/2009/11/narua2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="ecxalignnone ecxsize-medium ecxwp-image-5621 ecxaligncenter" style="border: #cccccc 1px solid; padding: 2px;" title="narua2" src="http://primeiralinha.org/home/wp-content/uploads/2009/11/narua2-300x201.jpg" alt="" width="300" height="201" /></a></p>
<p style="text-align: center; padding-bottom: 0px; padding-left: 30px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"><a class="ecxthickbox" style="color: #000000; text-decoration: underline; padding: 0px;" title="narua4" rel="same-post-5615" href="http://primeiralinha.org/home/wp-content/uploads/2009/11/narua4.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="ecxalignnone ecxsize-medium ecxwp-image-5626" style="border: #cccccc 1px solid; padding: 2px;" title="narua4" src="http://primeiralinha.org/home/wp-content/uploads/2009/11/narua4-201x300.jpg" alt="" width="201" height="300" /></a></p>
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		<title>Espanha: A insuportável hipocrisia da Conferência Episcopal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Mar 2009 14:36:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Flagrantes Delitos]]></category>
		<category><![CDATA[Espanha]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
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					<description><![CDATA[Andrés e Javier são dois irmãos espanhóis muito unidos. As células de Javier permitiram que Andrés fosse a primeira criança do mundo a ser curada da beta-talasemia maior, uma enfermidade que lhe deixava uma esperança de vida de 35 anos. As células-mães do cordão umbilical de Javier, aplicadas na medula do irmão, permitiram operar o [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Andrés e Javier são dois irmãos espanhóis muito unidos. As células de Javier permitiram que Andrés fosse a primeira criança do mundo a ser curada da beta-talasemia maior, uma enfermidade que lhe deixava uma esperança de vida de 35 anos. As células-mães do cordão umbilical de Javier, aplicadas na medula do irmão, permitiram operar o milagre científico. Mas a Conferência Episcopal espanhola não tardou a lançar um comunicado denunciando estas “práticas horrendas e inaceitáveis” &#8211; a mesma organização que acaba de lançar uma enorme campanha publicitária contra a lei do aborto, onde mostra um lince marcado como “protegido” ao lado de um bebé de meses que pergunta “E eu? Protege a minha vida!” (ver <a href="http://www.gentedigital.es/upload/fotos/noticias/200903/imagen2_8.jpg" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>). Para além da demagogia e da manipulação da verdade (um bebé não é um feto), é, mais uma vez, a hipocrisia de uma Igreja que, protegida pelo Estado, continua a espalhar mentiras a partir dos púlpitos.<em><strong> Passa Palavra<br />
</strong></em></p>
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