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	<title>Inglaterra &#8211; Passa Palavra</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>A morte da ajuda humanitária</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Aug 2025 10:10:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Govs_nacionais_e_internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Inglaterra]]></category>
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					<description><![CDATA[ Peter Kyle, após se formar em Geografia, trabalhou com ajuda humanitária por quase uma década. Por Leo Vinicius]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Leo Vinicius</h3>
<p style="text-align: justify;">Dos 168 funcionários da ONU mortos em 2024, 126 foram mortos por Israel em Gaza. Ano passado foi o ano em que mais trabalhadores de ajuda humanitária foram mortos no mundo: 281. Efeito do genocídio perpetrado por Israel e apoiado ativamente pelos Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido…</p>
<p style="text-align: justify;">De 8 de outubro de 2023 a maio de 2025, mais de 400 trabalhadores de ajuda humanitária e mais de 1500 trabalhadores de saúde foram assassinados por Israel em Gaza. Quase duzentos foram sequestrados por Israel, sendo torturados na prisão. Cabe mencionar também que, até o momento, Israel matou cerca de 270 jornalistas em Gaza desde 8 de outubro de 2023, a maior taxa de assassinato de jornalistas na história. Restam menos jornalistas vivos em Gaza do que o número dos que foram mortos.</p>
<p style="text-align: justify;">Como não é segredo, para além do assassinato de trabalhadores de ajuda humanitária, Israel bloqueou o sistema da ONU de ajuda humanitária para utilizar a fome como arma direta e logística de genocídio. Isso tudo, diante dos olhos do mundo como nenhum genocídio antes e com apoio ou cumplicidade dos Estados dito liberais, talvez seja indicativo de que o próprio sistema de ajuda humanitária, como tem existido, está com os dias contados.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: justify;">Kerry, uma moradora de 54 anos de Hove, cidade da costa sul da Inglaterra, é uma entre milhões de britânicos incomodados, revoltados ou indignados com o genocídio em Gaza. Dia 17 de junho de 2025 era para ser mais um dia como outros para ela. Mas às 4 horas da manhã seus dois cachorros começaram a latir em seu apartamento. Quatro policiais estavam do lado de fora. Levaram a moradora presa, e apreenderam seu computador e telefone celular.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: justify;">O inglês Peter Kyle, de 54 anos, entrou como estudante na Universidade de Sussex aos 25 anos. Após se formar em Geografia, trabalhou com ajuda humanitária por quase uma década. Foi diretor de projetos da ONG Children on the Edge, que tinha como objetivo ajudar crianças e jovens que sofreram as consequências do conflito e genocídio nos Balcãs. De 2007 a 2013 foi vice-presidente executivo da Associação de Presidentes Executivos de Organizações Voluntárias. Em 2006, Peter se tornou consultor especial de combate à exclusão social do Gabinete de Governo britânico.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 2015 ele foi eleito deputado pelo distrito de Hove, tendo sido reeleito três vezes, todas como candidato do Partido Trabalhista. Em 2024, Peter Kyle foi nomeado Secretário [Ministro] da Ciência, Inovação e Tecnologia no governo de Keir Starmer (mais conhecido como Kid Starver).</p>
<p style="text-align: justify;">No dia 8 de junho de 2025 o gabinete de Peter Kyle recebeu um email de Kerry endereçado também a Keir Starmer e outras pessoas ou departamentos do governo. O título do assunto era “Proteja a Flotilha da Liberdade”. Kerry colocou Kyle também como destinatário por ele ser o representante eleito de Hove no parlamento britânico. A ação de Kerry se enquadrava na forma de “controle social” e pressão mais banal na democracia representativa: envio de email a representantes eleitos. A essa mensagem se seguiram nos dias seguintes várias outras de Kerry, todas tratando do genocídio em Gaza, a maioria com cerca de um parágrafo, em linguagem bem escrita, educada e engajada. Também sem papas na língua, como no trecho: “Vocês já têm muito sangue nas mãos e estão do lado errado da história e um dia (inshallah) todos vocês serão julgados em Haia por suas ações”. Em nenhuma das mensagens havia ameaças ou algo ilegal.</p>
<p style="text-align: justify;"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-157242 aligncenter" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/gettyimages-2167956445-3115533585.jpg" alt="" width="1480" height="833" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/gettyimages-2167956445-3115533585.jpg 1480w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/gettyimages-2167956445-3115533585-300x169.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/gettyimages-2167956445-3115533585-1024x576.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/gettyimages-2167956445-3115533585-768x432.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/gettyimages-2167956445-3115533585-746x420.jpg 746w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/gettyimages-2167956445-3115533585-640x360.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/08/gettyimages-2167956445-3115533585-681x383.jpg 681w" sizes="(max-width: 1480px) 100vw, 1480px" />Chris Henry, assessor de Peter Kyle, acionou a polícia contra Kerry no dia 16 de junho.</p>
<p style="text-align: justify;">Peter Kyle era vice-presidente do Labour Friends of Israel até assumir a pasta de Ciência, Inovação e tecnologia. O Labour Friends of Israel é uma bancada de defesa de Israel no Partido Trabalhista britânico.</p>
<p style="text-align: justify;">A morte da ajuda humanitária não pode parar. Ai de quem…</p>
<p style="text-align: justify;">Os pequenos operadores desse assassinato possuem nome e endereço, de email.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>O caso da prisão de Kerry (nome fictício), que aguarda em liberdade se será indiciada, foi exposto pelo escritor Greg Hadfield. Aqui o leitor encontrará mais detalhes sobre o caso: </em><a class="urlextern" title="https://greghadfield.medium.com/exclusive-how-labour-mp-peter-kyle-triggered-a-4am-police-raid-on-a-constituent-for-writing-to-dd012f23122e" href="https://greghadfield.medium.com/exclusive-how-labour-mp-peter-kyle-triggered-a-4am-police-raid-on-a-constituent-for-writing-to-dd012f23122e" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://greghadfield.medium.com/exclusive-how-labour-mp-peter-kyle-triggered-a-4am-police-raid-on-a-constituent-for-writing-to-dd012f23122e</a></p>
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		<title>Políticos britânicos entre a cruz e a espada (1)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 Jan 2021 13:04:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Govs_nacionais_e_internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Inglaterra]]></category>
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					<description><![CDATA[Nosso principal interesse é destacar como a atual crise desnuda a frágil espinha dorsal produtiva da economia do Reino Unido e seu sistema nervoso central. Por Angry Workers / Lets get rooted]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Angry Workers / Lets get rooted</h3>
<p style="text-align: justify;">Caros camaradas,</p>
<p style="text-align: justify;">Este é o segundo <a href="https://letsgetrooted.wordpress.com/2020/06/26/whats-going-down-on-Covid-island-a-uk-report-june-2020/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">relato</a> do Reino Unido para os camaradas no exterior.</p>
<p style="text-align: justify;">O foco desse relato serão as limitações estruturais que a classe dominante no Reino Unido enfrenta. Qualquer governo enfrentaria restrições semelhantes, quer queira “fazer o Brexit” ou aprovar um programa de nacionalização “socialista”.</p>
<p style="text-align: justify;">Nós iremos olhar para dois principais aspectos destas restrições.</p>
<p style="text-align: justify;">Primeiramente, há o forte impacto econômico que vem desde a pandemia e forçou o governo a tomar medidas financiadas através do endividamento, e que agora ele terá dificuldade em “retirar” da sociedade. Aqui eles estão espremidos entre dois riscos principais. Por um lado, uma redução repentina no gasto financiando pelo endividamento iria levar a um verdadeiro <em>crash</em>, envolvendo falências e desemprego massivos. Por outro lado, o crescente endividamento vai minar a estabilidade da Libra como uma moeda internacional e, o que é mais importante, a “disciplina econômica” tanto da classe dos capitalistas quanto dos trabalhadores.</p>
<p style="text-align: justify;">Em segundo lugar, há a dependência internacional da economia do Reino Unido, tanto em termos financeiros quanto de investimentos e conhecimento industrial, melhor exemplificada pela disputa em torno do uso de empresas chinesas para construir a rede 5G ou financiamento de reatores nucleares. Essa dependência limita o escopo para obtenção de um “Brexit soberano”. O Reino Unido foi pego no meio de uma guerra tecnológica e comercial entre os Estados Unidos, a União Europeia e a China. O governo compensa a sua falta de “poder de fogo industrial e financeiro” com joguinhos políticos, que ameaçam desestruturar o Reino Unido.</p>
<p style="text-align: justify;">Nós não queremos especular sobre os resultados do Brexit neste relato. Nosso principal interesse é destacar como a atual crise desnuda a frágil espinha dorsal produtiva da economia do Reino Unido e seu sistema nervoso central. A crise nos permite entender a composição e as contradições da economia do Reino Unido.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Nossos desafios políticos novamente são duplos</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Primeiramente, nós temos que tornar esse entendimento em uma crítica mais clara das ideais do “socialismo democrático”, que ainda acreditam na possibilidade de superação do capitalismo por meios parlamentares. No final deste relato, abordaremos brevemente a atual crise da esquerda “pós-Corbyn” no Reino Unido, que é abalada tanto pelo “socialismo realmente existente dos Conservadores” de intervenção estatal quanto pela virada conservadora da nova liderança trabalhista.</p>
<p style="text-align: justify;">Em segundo lugar, e mais importante, nós temos que analisar as mudanças nas relações de poder entre chefes e trabalhadores. O lockdown e o foco público nos “trabalhadores essenciais” têm aumentado a confiança dos trabalhadores manuais com baixa remuneração, aumentando a pressão salarial vinda de baixo. Ao mesmo tempo, a crise e o crescente aumento do desemprego faz uma pressão de cima sobre os trabalhadores. A tensão cresce. Nós iremos destacar algumas disputas recentes no final deste relato e apresentar nossa ideia de uma série de entrevistas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> * * * </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O impacto econômico</strong></p>
<p style="text-align: justify;">De todos os países da UE, o Reino Unido foi o mais duramente atingido pela crise da Covid-19, tanto em termos econômicos quanto de saúde. A economia do Reino Unido encolheu um quinto no segundo trimestre de 2020, entrando na mais profunda recessão já registrada. Investimentos privados registrados ao longo do ano até setembro de 2020 caíram 30%. O tropeço está relacionado a uma tendencia de longo prazo: no Reino Unido, a produtividade estagnou desde a crise financeira de 2008 e não conseguiu se recuperar. Desde o segundo trimestre de 2008, a falta de crescimento do Reino Unido contrastava com uma expansão de 9%, em média, na produtividade do trabalho nos 36 países membros da OCDE.</p>
<p style="text-align: justify;">Em termos de crise de saúde, o Estado mostrou que as ligações entre o “alto comando” e as várias instituições da “sociedade civil” do Estado (administração local, organizações de saúde, estruturas comunitárias) são frágeis e muitas vezes a comunicação e as decisões são mal transmitidas através de várias formas de empresas &#8216;públicas/privadas&#8217;, o que levou ao caos. O setor industrial não foi capaz de fornecer os serviços e bens necessários, como testes ou máscaras. Essa combinação explica o alto numero de fatalidades, que passava de 42.000 em setembro de 2020. É a expressão da falência de um sistema de acumulação baseado na terceirização e na financeirização e também da desintegração da classe politica, que foi levada mais longe no Reino Unido nas últimas quatro décadas, em particular sob o Novo Trabalhismo <strong>[1]</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-135830" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/01/london1.jpg" alt="" width="500" height="333" /></p>
<p style="text-align: justify;">O governo tenta conter a queda livre com um aumento do gasto e da dívida, ou seja, se endividando para pagar os salários dos trabalhadores e para dar crédito barato para as empresas. O déficit do governo de £221,2 bilhões nos primeiros cinco meses de 2020-21 foi 11 vezes mais do que o registrado no mesmo período no ano contábil passado. O endividamento líquido saltou de 2,6% do PIB no ano passado para 19% neste ano — o maior em tempos de paz. Desde a crise da Covid-19, no Reino Unido, como em muitos outros países, o controle da oferta de dinheiro passou discretamente do banco central (Banco da Inglaterra) para o governo. O Estado está em destaque. Esta é uma situação de risco para a classe dominante, tanto econômica quanto politicamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Há riscos econômicos imediatos. Nos últimos dois anos o déficit comercial do Reino Unido aumentou, enquanto o valor da Libra caiu, com o resultado de que os bens importados (itens alimentícios, bens de consumo de massa) ficaram mais caros. Apesar de todo o papo sobre os superpoderes das “moedas soberanas” como a Libra, uma espiral de dívidas pode levar a instabilidade e a queda do valor da moeda nacional. A Libra foi recentemente comparada ao Peso mexicano por causa de seus altos e baixos. Outro risco imediato é a reação em cadeia imprevisível de falência de pequenos atores econômicos que não podem pagar suas dívidas. Mesmo o Estado tem pouca noção de como as várias empresas e instituições estão entrelaçadas economicamente, por exemplo, como os governos locais são dependentes dos aumentos de preços no setor imobiliário ou como os fundos de pensão dependem do desenvolvimento do mercado de ações. Nos últimos meses, vários elos fracos da cadeia econômica começaram a se quebrar. Uma pesquisa divulgada em 8 de abril pela Câmara Britânica de Comércio sugeriu que 57% das empresas britânicas não tinham dinheiro suficiente para sobreviver além de três meses de lockdown, enquanto 6% já haviam ficado sem dinheiro. Mas a crise não afeta apenas o “setor privado”. Autoridades locais anunciaram um déficit de financiamento adicional de £2 bilhões. Em Croydon, por exemplo, o governo disse que terá que despedir 175 trabalhadores devido às dívidas de £11 bilhões e aos custos crescentes por causa da covid. Os fundos de pensão de trabalhadores nas universidades e nas ferrovias declararam um déficit de financiamento de mais de £15 bilhões. Os níveis de dívida também estão aumentando para as famílias. O Citizens Advice estima que mais de 6 milhões de famílias atrasaram pelo menos uma conta doméstica. Ao mesmo tempo, os bancos aumentaram as tarifas de cheque especial nos cartões de crédito pessoais. Há um risco econômico concreto de que essas cadeias se rompam e saiam do controle. É por isso que o Estado é forçado a distribuir dinheiro, enquanto ainda não descobrem “quem é grande demais para falir” e quem pode falir sem um risco maior.</p>
<p style="text-align: justify;">Há um risco político mais profundo. Decisões econômicas que anteriormente eram mediadas por forças de mercado aparentemente “impessoais” agora são vistas como resultado de decisões políticas, por exemplo, não resgatar essa ou aquela empresa. O Estado, como corpo representativo e administrativo, está sujeito a uma pressão e escrutínio crescente por parte tanto da classe dos capitalistas quanto dos trabalhadores. Da Virgin Atlantic a City de Londres, todos os capitalistas tentam forçar o Estado a compensar as suas perdas. O Estado tenta evitar resgates diretos e principalmente fornece as garantias para empréstimos tomados por meio de bancos comerciais, em vez de diretamente por meio do Estado. Esses esquemas de empréstimos forneceram quase £53 bilhões para mais de 1,2 milhão de empresas. Também há pressão vinda de baixo, por exemplo, os trabalhadores questionam por que o sistema de licença financiado pelo Estado que compensou as perdas salariais durante o lockdown foi abandonado e substituído por um esquema pior no outono de 2020, enquanto os governos de outros países ocidentais continuam “pagando os seus trabalhadores”. Mais uma vez, o Estado tenta evitar ficar sob os holofotes entregando o dinheiro da licença aos patrões, em vez de diretamente aos trabalhadores.</p>
<p style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-135831" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/01/london3.jpg" alt="" width="500" height="361" /></p>
<p style="text-align: justify;">Neste sentido, a principal tarefa do regime de crise do Estado é reforçar a disciplina econômica, o que é difícil se o Estado está acumulando dívidas e sinalizando que os “pagamentos” podem ser adiados. O regime de crise deve obrigar os capitalistas a reestruturar e aumentar a exploração de seus trabalhadores. O Estado pode intervir neste processo, por exemplo, com um aumento da tributação. A crise força o governo a repensar os baixos niveis de tributação no Reino Unido. Ironicamente, os Conservadores consideraram um aumento dos impostos para as empresas, enquanto os Trabalhistas sob a direção de Starmer avisaram que esse poderia ser um passo prematuro. De acordo com o FMI, a receita tributária do governo do Reino Unido foi de 37% do PIB, bem abaixo dos 40% no Canadá, 44% na Holanda e 46% na Alemanha. A questão da tributação é uma área de lutas políticas internas da classe dominante. Já em outros aspectos, existe uma unidade: para reagir aos buracos nos fundos de pensões, a idade da aposentadoria foi aumentada para 66 anos em 2020 e irá aumentar ainda mais. O governo também planeja avançar com cortes no benefício social básico do Universal Credit em abril de 2021, o que afetará até 8 milhões de pessoas na faixa de renda mais baixa. Isso aumentará ainda mais a diferença salarial entre a classe trabalhadora e a “classe de renda média&#8217;, que o lockdown agravou: enquanto as pessoas de renda mais alta que podiam trabalhar em casa podem na verdade até ter economizado dinheiro durante o lockdown, aquelas que tiveram licença recebendo 80% de seus salários terá se endividado ainda mais. A fim de administrar o aumento do número de desempregados, o governo anunciou a contratação de mais 13.500 “coaches de empregos” para “levar as pessoas de volta ao trabalho”.</p>
<p style="text-align: justify;">O regime de crise também determinou quem deve ser resgatado e quem pode ser deixado falir com segurança. O governo criou o “Projeto Birch” com esse propósito, um órgão que deve determinar os termos do auxílio estatal ao setor privado, o que pode levar o Estado a assumir ações e funções de gestão nas empresas beneficiárias. No caso da Tata Steel e da maior fabricante de automóveis do Reino Unido, Land Rover/Jaguar, que emprega mais de 30.000 pessoas no Reino Unido e perdeu cerca de £1 bilhão entre janeiro e julho, o Estado decidiu que, em vez de adquirir ações dessas empresas por meio de apoio financeiro, é melhor deixar a reestruturação futura para a “mão privada”. O Estado admite que seus próprios poderes financeiros são limitados e aceita a dependência internacional da indústria no Reino Unido: no final, um grupo de bancos chineses, que também financiam fornecedores da Land Rover/Jaguar na China, emprestou à fabricante de automóveis £560 milhões para manter o “Fabricado na Inglaterra”. Este é um bom exemplo de outra grande restrição estrutural, além da atual crise econômica, que limita o alcance político do Estado no Reino Unido: uma posição de dependência internacional e status enfraquecido no sistema de Estados internacionais, embora tenha que defender a ideia de “soberania” durante o processo atual do Brexit.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O dilema do Brexit</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não queremos nos aprofundar nos altos e baixos das negociações do Brexit. A principal questão controversa refere-se a quanta autonomia o Estado do Reino Unido terá para intervir em “sua própria” economia, por exemplo, através de subsídios. Embora esses detalhes sejam importantes, para nós é mais interessante que a estrutura econômica e a dependência internacional do capitalismo regional sejam reveladas de forma mais clara durante as negociações do Brexit e que fique mais visível a posição do Reino Unido em relação aos principais blocos de poder globais, ou seja, UE, EUA e China. Antes de passarmos para alguns exemplos recentes concretos, queremos resumir rapidamente como a competição global entre esses principais blocos de poder e a dependência econômica do Reino Unido interagem entre si.</p>
<p style="text-align: justify;">O principal parceiro comercial do Reino Unido é a UE, o que representa o principal problema para o Brexit. Nesse sentido, o Brexit vai causar prejuízo econômico, seja qual for o acordo. As estimativas oficiais mais recentes em 2018 estimam que o Reino Unido perderia 4,9% da receita futura em 15 anos se deixasse a UE com um acordo comercial básico. Em um cenário de nenhuma acordo, isso aumentaria para 7,7% no mesmo período. Para conseguir o melhor acordo possível, o Reino Unido precisa da perspectiva de aprofundar as relações comerciais e de um acordo comercial favorável com outras grandes potências econômicas, principalmente os EUA e a China. Em negociações comerciais anteriores, o governo dos EUA sinalizou que não haveria um bom acordo se o Reino Unido a) concordasse em permanecer dentro da união aduaneira com a UE — o que não permitiria o aumento das exportações dos EUA e facilitaria o acesso de investimento ao Reino Unido — e b) continua a aprofundar as relações comerciais com a China. Este último ponto representa um problema significativo, dada a dependência do conhecimento financeiro e produtivo da China, da tecnologia 5G à energia nuclear. Durante a fase final das negociações do Brexit entre o Reino Unido e a UE, o governo do Reino Unido estava ansioso para fechar pelo menos um acordo com uma nação comercial significativa, a fim de ter uma melhor participação nas negociações com a UE. O acordo comercial com o Japão no verão de 2020 pretendia desempenhar esse papel. O problema era que, mesmo na relação com o Japão, o Reino Unido está na “extremidade receptora”, ou seja, o Reino Unido depende de investimentos produtivos do Japão, e não o contrário — veja os exemplos abaixo. Os negociadores do Reino Unido teriam que engolir um corte nas tarifas de importação para carros japoneses de 10% — que é a taxa atual da UE — para zero.</p>
<p style="text-align: justify;">Resumindo: enquanto tenta afrouxar seus laços com a UE (Brexit), o Reino Unido foi pego no meio da guerra comercial e tecnológica entre EUA e China. Isso aumenta a tensão dentro da classe dominante no Reino Unido, onde um eixo pró-EUA se opõe àqueles que enfatizam a necessidade de uma colaboração mais estreita com a UE e a China. O governo do Reino Unido se envolve em uma diplomacia bastante patética do tipo “ainda-quero-ser-imperial” para sinalizar submissão aos interesses dos EUA <strong>[2]</strong>, por exemplo, oferecendo asilo a dissidentes de Hong Kong, voltando “para casa”. Isso não pode diminuir a tensão econômica entre os EUA e o Reino Unido: a questão mais significativa é se o governo do Reino Unido vai reduzir o imposto de serviço digital (afetando grandes empresas dos EUA, como Google e Apple) e abrir ainda mais a agricultura e o setor de saúde do Reino Unido para os interesses estadunidenses. Os exemplos a seguir, tirados dos últimos meses, podem ilustrar das restrições e dependências materiais.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-135833" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/01/london4.jpg" alt="" width="500" height="333" /><strong>Serviços Financeiros</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Este é um setor significativo no Reino Unido, que emprega cerca de 1 milhão de pessoas e contribui com cerca de 7% do PIB. Não é de se surpreender que o caráter global do setor se choca gravemente contra o plano do Brexit. Uma questão importante é se o setor financeiro do Reino Unido ainda pode lucrar com a “delegação”, ou seja, oferecer serviços financeiros na forma de gestão de fundos de hedge e ativos de empresas com sede na UE. Atualmente, £1,7 trilhão de ativos de investidores da UE são administrados no Reino Unido e a concorrência, em particular com bancos da França e dos EUA, está esquentando. Em 2015, seis dos dez maiores fundos de hedge do mundo foram listados como baseando sua gestão de recursos total ou conjuntamente fora do Reino Unido. Cinco anos depois, esse número caiu para três.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Setor Automotivo</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A indústria automobilística ainda é o principal setor industrial do Reino Unido, empregando cerca de 180.000 pessoas e contribuindo com pouco menos de 1% do PIB. O setor é altamente dependente do comércio com a UE e o Japão. Cerca de 78% dos carros fabricados são exportados e mais de 50% das peças necessárias para a fabricação são importadas — principalmente da UE. Como mencionamos acima, o setor automobilístico foi duramente atingido pela crise e pela perspectiva do Brexit, que ameaça abalar as cadeias de suprimentos just-in-time. Durante 2020, a produção de automóveis deve cair 40%. Em setembro, durante o auge das negociações comerciais entre o Reino Unido e o Japão, a Nissan (principal fabricante de automóveis no Reino Unido) adiou a produção de seu novo modelo Qashqai até meados do próximo ano.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Indústria Química</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A indústria química e farmacêutica é a segunda maior indústria do Reino Unido e foi igualmente abalada pela perspectiva do Brexit. Isso se deve principalmente ao trabalho burocrático adicional que se torna necessário caso as empresas químicas sediadas no Reino Unido abandonem os registros de segurança da UE (exigidos para o comércio internacional) e tenham que se registrar com o equivalente do Reino Unido, UK Reach. É provável que isso resulte em realocações, por exemplo: A fabricante de produtos químicos alemã BASF, que tem 10 pequenas fábricas no Reino Unido, cada uma empregando cerca de 100 pessoas, disse que a empresa teria cerca de 1.200 substâncias para registrar e calculou que o custo combinado seria em torno de £60 a £70 milhões. Os custos totais para a indústria são estimados em £1 bilhão.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Indústria Têxtil</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Os casos da Covid-19 dispararam em Leicester e a cidade entrou em lockdown. As pessoas começaram a se perguntar qual era motivo e só então ouviram falar da nova indústria têxtil local. Leicester costumava ser uma cidade fabril, mas a maioria das fábricas têxteis foi fechada na década de 1970. Nas ruínas industriais, uma nova “economia de oficina” cresceu, estruturada por relações de tipo mafioso, fabricando roupas para grandes empresas de moda, como a Boohoo. Estima-se que cerca de 10.000 desses trabalhadores recebam cerca de £3,50 por hora, menos de meio salário mínimo. As más condições de trabalho e de vida contribuíram para o aumento de casos da Covid. “Prefiro fabricar em Bangladesh do que em Leicester, porque eles estão muito mais avançados [em termos de proteção trabalhista]”, disse o executivo-chefe da varejista Esprit em entrevista ao Financial Times. A Boohoo, que recebe um terço de seus suprimentos para seu negócio de roupas no valor de £5 bilhões de dentro do Reino Unido, anunciou que formalizará a economia de oficina e construirá uma fábrica de roupas local com 250 trabalhadores. Mesmo com os custos globais de transporte e, portanto, as importações provavelmente ficando mais caras, a competição com fornecedores sediados na Ásia exercerá uma grande pressão sobre os salários e as condições de trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Notas</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1] </strong>O legado do Novo Trabalhismo: Sob Blair e Brown, a participação das finanças na economia cresceu mais acentuadamente do que nos Estados Unidos, e a da indústria caiu mais abruptamente do que sob os Conservadores. A dívida hipotecária per capita era maior do que na América, e as desigualdades de renda e riqueza só aumentaram. Um quinto dos gastos públicos foi subcontratado ao setor privado; 90 por cento das despesas de capital em saúde. No ensino superior, a quant-mania deu um passo patológico ainda maiore com o Research Excellence Framework (ref). Em nome da Guerra ao Terror, a legislação repressiva se intensificou e o número de encarcerados aumentou. (…) Na política externa, o atlantismo tradicional do Trabalhismo assumiu uma nova reviravolta, uma hiper-subalternidade para os Estados Unidos em uma era em que os EUA se tornaram a única superpotência, cuja recompensa no exterior era uma soma imensamente maior de matança e tortura do que sob Macmillan, Thatcher ou Major: por si só, razão suficiente para o Novo Trabalhismo ser expulso do cargo.” (…) “Os governos de Blair-Brown viram uma contração contínua da indústria; regulamentação mais frouxa do sistema bancário; entradas ainda maiores de capital estrangeiro — a propriedade estrangeira de ações quadruplicando novamente; uma bolha imobiliária ainda mais distendida; e níveis mais elevados de endividamento das famílias. A essa altura, o balanço de pagamentos estava se deteriorando, junto com um maior aprofundamento da divisão regional entre Londres/Sudeste e o Norte. Depois de 2004, um aumento acentuado na imigração da UE ajudou a sustentar o modelo de crescimento de baixa qualificação/baixo salário da Ukania, poupando os custos de treinamento das empresas. Nos mesmos anos, a desigualdade aumentou novamente, para um coeficiente de Gini de 0,36, “seu nível mais alto desde que a série temporal comparável começou em 1961”. Resumindo o histórico do Novo Trabalhismo, uma pesquisa de 2007 observou que ele havia contado com uma farra de consumo para impulsionar a demanda, cuja ressaca ainda estava por vir, e “lavou as mãos para a crescente desigualdade”, com um conjunto de políticas que simplesmente “refinou e desenvolveu o thatcherismo que o precedeu (Perry Anderson: <a class="urlextern" title="https://newleftreview.org/issues/II125/articles/perry-anderson-ukania-perpetua" href="https://newleftreview.org/issues/II125/articles/perry-anderson-ukania-perpetua" rel="ugc nofollow">https://newleftreview.org/issues/II125/articles/perry-anderson-ukania-perpetua</a>)<br />
<strong>[2] </strong>Sobre o declínio do Reino Unido: “Na verdade, regressão lenta e bem amortecida ao status de subalterno: 1914-18, perda da liderança mundial; 1947-62, perda do império e em 1956 da soberania internacional; na década de 1980, a conversão da City em um centro de serviços para bancos estrangeiros, dissolvendo reconhecidamente a riqueza nacional em participações globais mais difusas; na década de 1990, rebaixamento do status regional com a reunificação da Alemanha; no novo século, do status global com a ascensão da China.” (Anderson)</p>
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		<title>O Movimento de Ação Direta Britânico dos anos 1990</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Apr 2017 22:29:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Inglaterra]]></category>
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					<description><![CDATA[O autodenominado movimento de ação direta britânico teve importância destacada no ciclo de protestos, que teve em Seattle seu momento mais marcante. Contaremos aqui uma breve história dele. Por Leo Vinicius O Movimento de Ação Direta Britânico dos anos 1990 (I) O movimento de resistência global, antiglobalização, foi uma invenção dos ativistas ingleses. Por Leo [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O autodenominado movimento de ação direta britânico teve importância destacada no ciclo de protestos, que teve em Seattle seu momento mais marcante. Contaremos aqui uma breve história dele.</em> <strong>Por Leo Vinicius</strong><br />
<span id="more-111632"></span></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-thumbnail wp-image-11023" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2009/08/i_-_earth_first-70x70.jpg" alt="" width="70" height="70" /></p>
<h4><a href="http://passapalavra.info/2009/08/11022" target="_blank" rel="noopener noreferrer">O Movimento de Ação Direta Britânico dos anos 1990 (I)</a></h4>
<p><em>O movimento de resistência global, antiglobalização, foi uma invenção dos ativistas ingleses. </em><strong>Por Leo Vinícius</strong></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-thumbnail wp-image-11361" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2009/09/ii_-_claremontroad_1994-70x70.jpg" alt="" width="70" height="70" /></p>
<h4><a href="http://passapalavra.info/2009/08/11360" target="_blank" rel="noopener noreferrer">O Movimento de Ação Direta Britânico dos anos 1990 (II)</a></h4>
<p><em>A luta da M11, em 1993 e 1994, foi um marco para o movimento de ação direta britânico. Entre outras coisas, pela questão social ter aparecido de forma mais clara ao movimento, para além da questão ambiental.</em><strong> Por Leo Vinicius</strong></p>
<p><em><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-thumbnail wp-image-11558" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2009/09/acdirectaiii_6-70x70.jpg" alt="" width="70" height="70" /></em></p>
<h4><a href="http://passapalavra.info/2009/08/11548" target="_blank" rel="noopener noreferrer">O Movimento de Ação Direta Britânico dos anos 1990 (III)</a></h4>
<p><em>De 1996 ao final da década, o movimento de ação direta britânico começa a criar laços com lutas trabalhistas e a identificar de forma mais clara o capitalismo como a fonte dos problemas, num caminho trilhado do particular ao geral. <strong>Por </strong><strong>Leo Vinicius</strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Noite tranquila</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Sep 2011 17:04:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Flagrantes Delitos]]></category>
		<category><![CDATA[Inglaterra]]></category>
		<category><![CDATA[Outras_lutas]]></category>
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					<description><![CDATA[Um participante dos distúrbios e saques ocorridos em Londres respondeu algumas perguntas para um programa televisivo. Quando perguntado se ele conseguia ter a consciência tranquila para dormir à noite depois do que fizera, respondeu de pronto: “não preciso mais dormir agora que tenho uma televisão de plasma pra assistir”. (de Ian Bone, fundador do grupo [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Um participante dos distúrbios e saques ocorridos em Londres respondeu  algumas perguntas para um programa televisivo. Quando perguntado se ele  conseguia ter a consciência tranquila para dormir à noite depois do que  fizera, respondeu de pronto: “não preciso mais dormir agora que tenho  uma televisão de plasma pra assistir”. <em>(de Ian Bone, fundador do grupo Class War, retirado <a class="urlextern" title="http://ianbone.wordpress.com/2011/08/15/we-come-from-the-slums-of-london-2/" rel="nofollow" href="http://ianbone.wordpress.com/2011/08/15/we-come-from-the-slums-of-london-2/">daqui</a>)</em></p>
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		<title>03 FEVEREIRO 2011 (INGLATERRA) Estudantes perseguidos na Universidade de Birmingham</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Feb 2011 15:40:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Movimentos em Luta]]></category>
		<category><![CDATA[Inglaterra]]></category>
		<category><![CDATA[Ocupações]]></category>
		<category><![CDATA[Outras_lutas]]></category>
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					<description><![CDATA[Eles pedem-nos para assinar a petição [em inglês] que diz: Nós, abaixo-assinados, Apoiamos os 12 estudantes da Universidade de Birmingham que enfrentam processos disciplinares que poderão resultar no cancelamento dos seus diplomas. Esse estudantes são alvo de procedimento disciplinar na sequência de uma ocupação pacífica na segunda-feora, dia 17 de Janeiro. O grupo alvo de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span id="more-35578"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Eles pedem-nos para assinar a petição [em inglês] que diz:</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nós, abaixo-assinados,<br />
Apoiamos os 12 estudantes da Universidade de Birmingham que enfrentam processos disciplinares que poderão resultar no cancelamento dos seus diplomas. Esse estudantes são alvo de procedimento disciplinar na sequência de uma ocupação pacífica na segunda-feora, dia 17 de Janeiro. O grupo alvo de processo disciplinar era parte de um grupo maior de estudantes que se opõem aos planos da Universidade para eliminar departamentos e duplicações de pessoal. Condenamos o isolamento arbitrário de alguns membros do [grupo] &#8220;Não às Taxas e aos Cortes na Universidade de Birmingham&#8221; como uma forma imprópria de reagir a tão graves preocupações.</p>
<p style="text-align: justify;">Condenamos o uso desproporcionado da força, no fim da ocupação, por parte do pessoal de segurança da universidade, o qual teve como consequência vários ferimentos de manifestantes pacíficos. Condenamos a recusa da universidade em permitir aos funcionários atingidos e aos sindicalistas o acesso ao edifício para testemunharem a expulsão como testemunhas imparciais.</p>
<p style="text-align: justify;">Estamos convictos de que os estudantes envolvidos estavam agindo de forma altruísta e, embora possam ter desrespeitado algumas normas dos regulamentos da universidade, pedimos a benevolência da universidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Pedimos à Universidade que apresente desculpas públicas aos estudantes e aos funcionários pelo uso indevido da força e que, no caso de futuras ocupações, assegure a possibilidade de acesso a testemunhas imparciais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Assine esta petição aqui: <a href="http://www.ipetitions.com/petition/defendbirminghamstudents" target="_blank">http://www.ipetitions.com/petition/defendbirminghamstudents</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Tradução do Passa Palavra.</strong></em></p>
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		<title>A autogestão como alternativa para os trabalhadores</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Mar 2010 16:42:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ideias & Debates]]></category>
		<category><![CDATA[Inglaterra]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho_e_sindicatos]]></category>
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					<description><![CDATA[As discussões que em tempos estiveram no centro do movimento trabalhista sobre o controlo e a autogestão pelos trabalhadores estão agora novamente a ser retomadas, tanto por ativistas britânicos como a nível internacional. Por Chris Kane As discussões que em tempos estiveram no centro do movimento trabalhista sobre o controlo e a autogestão pelos trabalhadores [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>As discussões que em tempos estiveram no centro do movimento trabalhista sobre o controlo e a autogestão pelos trabalhadores estão agora novamente a ser retomadas, tanto por ativistas britânicos como a nível internacional. </em><strong>Por Chris Kane</strong></p>
<p><span id="more-20320"></span></p>
<p style="text-align: justify;">As discussões que em tempos estiveram no centro do movimento trabalhista sobre o controlo e a autogestão pelos trabalhadores estão agora novamente a ser retomadas, tanto por ativistas britânicos como a nível internacional. A rede de comunistas que produz o <em>The Commune</em> é das mais determinadas defensoras da auto-gestão entre a esquerda radical na Inglaterra e no País de Gales, e tem encontrado, na maior parte, uma resposta positiva. No entanto, ainda existe muita confusão acerca da autogestão, inclusive um forte antagonismo de muitos que se consideram socialistas ou marxistas. Parte da explicação para estas atitudes pode ser encontrada em conceitos errados tanto sobre aquilo que é o capitalismo como sobre a alternativa comunista.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O método do marxismo crítico</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong></strong><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright  size-full wp-image-20341" title="phpvlvhng-200x300" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/03/phpvlvhng-200x300.jpg" alt="phpvlvhng-200x300" width="196" height="312" /></p>
<p style="text-align: justify;">Marx, ao contrário de muitos dos seus seguidores, estava preparado para repensar as suas opiniões tendo em conta os acontecimentos históricos, adoptando o ponto alto da última revolução como ponto de partida da seguinte; em contraste com aqueles que advogam o socialismo-vindo-de-cima ele via as massas como as criadoras da história e achava que devíamos aprender com elas. Foram as massas em Paris que criaram a Comuna, não Blanqui ou Marx, da mesma forma que foram os trabalhadores que criaram os sovietes na Rússia, não Lenin ou Trotsky. Por mais de meio século a classe trabalhadora pôs sempre a autogestão na ordem do dia, com especial intensidade nos conflitos no Bloco de Leste, onde vários dissidentes marxistas tentaram conceptualizar um comunismo humanista e emancipatório como alternativa tanto aos regimes de &#8216;Estado socialista&#8217; como ao capitalismo privado. Desde a “queda do comunismo” tem havido um esforço concertado para arquivar esta experiência no cofre da História, com o capitalismo global a declarar que &#8216;não existe alternativa&#8217;. Se a nossa geração quer ter sucesso em renovar e atualizar o comunismo para o século XXI, então temos que adoptar estes pontos altos anteriores como nossos pontos de partida.</p>
<p style="text-align: justify;">A natureza desumanizante e exploradora da sociedade capitalista não é óbvia para a maioria das pessoas por mais dura que seja na verdade &#8211; o capitalismo é, e parece que será sempre, o modo de vida normal. Tal como no filme <em>A Matriz</em> [em Portugal, <em>Matrix</em>] a realidade da sociedade está dissimulada. Marx descreveu o &#8216;fetichismo das mercadorias&#8217;. Chama-se fetiche um objeto ao qual são atribuídos poderes que este não tem, tal como ídolos religiosos criados por humanos que depois permitem ser governados pelas suas próprias criações mitológicas. Vivemos num mundo onde cada vez mais aspectos da nossa vida são mercantilizados; a fabricação das mercadorias com o fim de gerarem lucros é universal. Estas mercadorias assumem características fetichistas ganhando vida própria, separadas dos trabalhadores que as criaram. O mercado passa então a controlar-nos como uma entidade independente cuja liberdade tem de ser garantida.</p>
<p style="text-align: justify;">Estas formas de fetichismo identificadas por Marx não são uma ilusão: no capitalismo as relações entre as pessoas aparentam ser relações entre objetos. Este fetiche até tem levado muitos socialistas a verem o mercado como sendo crucial, prestando relativamente menos atenção às relações sociais de produção. Já experimentámos vários remédios para resolver este problema tais como o planeamento e a regulação mas todos falharam porque acreditámos sempre que o Estado pode controlar o mercado. Ao contrário, em vez de o Estado controlar o capital, é o capital que acaba sempre por dominar o Estado.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O beco sem saída dos conceitos antigos</strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<figure id="attachment_20324" aria-describedby="caption-attachment-20324" style="width: 194px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-20324" title="phpgavslj-200x300" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/03/phpgavslj-200x300.jpg" alt="Lenin na Tribuna de Alexander Mikhailovich Gerasimov" width="194" height="370" /><figcaption id="caption-attachment-20324" class="wp-caption-text">Lenin na Tribuna de Alexander Mikhailovich Gerasimov</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">O antagonismo em relação à auto-gestão por parte daqueles que se dizem socialistas e comunistas revela uma profunda antipatia pelo próprio conceito de revolução social. Apesar do slogan muitas vezes usado de &#8216;um outro mundo é possível&#8217;, o retrocesso no movimento trabalhista é tão grande que estamos presos às políticas do possível &#8211; como melhor lutar dentro do capitalismo. Poucos genuinamente consideram de que modo a sua atividade está ligada à criação de uma nova sociedade, ou sequer se o está. Entre as estratégias que existem, a que domina todas as outras é  do caminho parlamentar para o socialismo. Sintomático disto é o programa do Partido Comunista Britânico, que propõe o Caminho Britânico para o Socialismo que consiste na busca da criação de “um novo tipo de governo de esquerda, com fortes bases numa maioria constituída pelo Partido Trabalhista, socialistas e comunistas no parlamento de Westminster, um governo que tem origem nas multifacetadas lutas do movimento de massas fora do parlamento”. Aqui o papel das massas é subsidiário em relação ao aparelho de Estado. Isto é refletido no sistema, “nacionalização democrática de setores estratégicos da economia”, que seria feito “numa nova base que garanta a representação tanto do trabalhador como do consumidor na gestão”. A palavra importante aqui é &#8216;representação&#8217;, significando que não é auto-gestão. Esta mentalidade é reproduzida em várias tendências do socialismo que vêm as hierarquias atuais como sendo imunes à mudança.</p>
<p style="text-align: justify;">A alternativa da esquerda revolucionária tradicional consiste em dois elementos chave: a legitimidade do &#8216;partido&#8217; para assumir a liderança, e uma oportunidade histórica milenarista. O maior destes partidos é o Socialist Workers Party que até advoga &#8216;o socialismo vindo de baixo&#8217; e a importância dos concelhos operários. Mas a importância dada a estes princípios é corrompida pelo papel fundamental que é dado ao &#8216;partido revolucionário&#8217;. Estes socialistas de partido acreditam que a conquista do poder pelo partido, soberano sobre todas as outras organizações de trabalhadores, constitui o &#8216;Estado operário&#8217;. Em <em>Caminho Revolucionário para o Socialismo</em>, Alex Callinicos <strong>[1]</strong> afirma que “todo o futuro do socialismo na Grã-Bretanha depende da criação de um partido revolucionário independente”. Encontramos também incongruências em Chris Harman <strong>[2]</strong>, que vê os primeiros passos para a extinção do capitalismo como sendo a nacionalização de “todo o sistema bancário… Da mesma maneira a resposta para a crise energética global… é a nacionalização das indústrias do petróleo, gás e carvão”. Tal como os especialistas equacionaram a intervenção do Estado como sendo “socialismo e segurança social para os ricos”, também Harman exige “socialismo para os trabalhadores”. Estas estratégias podem parecer antagónicas, mas não são: ambas rejeitam o papel das massas como organizadoras plenamente conscientes da sua própria emancipação, prendendo assim as suas aspirações e iniciativa num enquadramento socialista de Estado.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Um conceito vivo de revolução</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Presentemente vários defensores do socialismo de Estado digladiam-se dentro do movimento trabalhista, com a maioria dos socialistas e comunistas ainda partilhando conceitos estadistas. Se no início do século XX a principal linha de separação era entre reforma ou revolução, no início do século XXI os comunistas precisam de tornar a linha de separação entre que sistema é que é pretendido: auto-gestão ou estadismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma revolução será necessariamente difícil. Desde a derrota do Cartismo <strong>[3]</strong> a nossa classe tem sido infiltrada por um</p>
<p style="text-align: justify;">pacifismo cumpridor da lei, cretinismo parlamentar e mitos de &#8216;excepcionalismo britânico&#8217;. No entanto também temos numerosos exemplos de organização com base na auto-determinação da classe trabalhadora, como os comitês de greve, os grupos de apoio aos mineiros e a revolta anti Poll Tax <strong>[4]</strong>. O importante para os comunistas atuais é que a ideia de auto-gestão não seja conceptualizada fora da relação entre o capital e o trabalhador. Um método dialético percebe que dentro desta relação conflituosa os trabalhadores não são só escravos do seu salário mas que também estão envolvidos em lutas constantes e criativas. Eles persistem nestas lutas com ou sem as organizações do movimento trabalhista. Uma expressão concreta desta criatividade é que esta não é apenas uma tendência para tentar procurar reformas que melhorem as condições de vida dentro das relações capitalistas: existe uma tentativa de obter mais controlo sobre a vida no trabalho; isto vindo diretamente da resposta às condições de trabalho alienado. Este conceito de revolução flui organicamente da luta de classes em numerosos casos durante o século XX, mesmo que seja bastante mal visto pelo CBI <strong>[5]</strong>, pelo TUC <strong>[6]</strong>, pelo Trotskismo e pelo Estalinismo. Mas esta negação de uma alternativa é apenas concebida externamente, pela intelligentsia da classe média, os gestores socialistas que se querem impor à classe trabalhadora.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Impulsionando a autogestão</strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<div class="mceTemp" style="text-align: justify;">
<dl id="attachment_20343" class="wp-caption alignright" style="width: 310px;">
<dt class="wp-caption-dt"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20343" title="phpyvsw8u-300x250" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/03/phpyvsw8u-300x250.jpg" alt="A fábrica Grissinopoli recuperada pelos trabalhadores argentinos. Foto de Darío Doria." width="300" height="250" /></dt>
<dd class="wp-caption-dd">A fábrica Grissinopoli recuperada pelos trabalhadores argentinos. Foto de Darío Doria.</dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;">A experiência da luta de classes indicou o caminho a seguir em termos de uma disputa pelo poder na qual os limites do controlo dos trabalhadores é empurrado para a auto-gestão. O controlo dos trabalhadores significa mais influência sobre o processo de trabalho e a erosão das prerrogativas patronais, mas com a auto-gestão os trabalhadores teriam controlo total: os gestores seriam abolidos, e a gestão seria eliminada como uma função separada do trabalho em si. O comunista italiano Antonio Gramsci viu no controlo dos trabalhadores o caminho para a vitória no futuro, no sentido que ensinaria a classe trabalhadora a dominar a organização da produção: dessa maneira a auto-gestão significaria uma revolução cultural.</p>
<p style="text-align: justify;">Os órgãos de auto-gestão dos trabalhadores rapidamente entrariam em forte conflito com as instituições do capital. O objectivo dos comunistas é de desmantelar todas as instituições sociais que reforçam o capital. Um conceito reduzido da auto-gestão que prenderia os trabalhadores ao seu local de trabalho seria inevitavelmente auto-destrutivo, como foi o caso em Itália em 1920 e na Polónia em 1981 onde os trabalhadores tomaram conta das fábricas mas não desafiaram o Estado. Por ignorarem o Estado, os anarcossindicalistas e os socialistas parlamentares são gémeos; apenas através de um ataque total ao capitalismo em todas as esferas onde este exerce poder é que é possível ter sucesso. O objectivo é desenvolver as organizações da auto-gestão numa força alternativa de governação. Tal visão significa quebrar a dicotomia falsa entre propriedade do Estado e propriedade privada que tanto cegou a esquerda como vemos pelas suas respostas à crise atual do capitalismo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que é a propriedade social?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A recapitalização dos bancos pelo Estado tem sido utilizada como uma oportunidade para exigir mais nacionalizações. Estas exigências têm sido embelezadas por todos os tipos de retórica socialista com pedidos contraditórios de &#8216;nacionalização&#8217; pelo Estado capitalista &#8216;sob controlo dos trabalhadores&#8217;. As nacionalizações são agora chamadas de &#8216;propriedade social&#8217; e é aconselhado aos trabalhadores que resistem à recessão que adotem este objectivo. A desadequação deste método é facilmente visível nas recentes ocupações de fábricas. Os trabalhadores por trás das ocupações fizeram-nas não porque algum grupo lhes disse mas apenas por terem seguido os seus instintos. Na sua atividade autónoma eles puseram em prática as características essenciais da auto-gestão. Os comunistas precisam de compreender o espírito progressivo dessas formas de luta para que possam entender a sua dinâmica e potencial. No Manifesto Comunista, Marx afirmou que aquilo que distingue os comunistas é que “no movimento do presente eles também representam o futuro do movimento.” Mas responder a este movimento vindo de baixo com uma nacionalização disfarçada como propriedade social não é nem um remédio adequado à luta respectiva ou uma perspectiva válida para um futuro para além do capitalismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Um exemplo didático é o Partido Comunista dos Trabalhadores da Bósnia e Herzegovínia que, utilizando lições obtidas da sua própria experiência, diz o seguinte: “A nacionalização dos meios de produção não pode trazer liberdade à classe trabalhadora, visto que as empresas na posse do Estado estão sob o controlo do Estado, ou por outras palavras, sob controle do partido no poder. A exploração continua. Apenas a socialização dos meios de produção pode produzir mudanças reais nas condições da classe trabalhadora. A propriedade social está ligada à auto-gestão socialista… por concelhos operários eleitos por todos os trabalhadores.”</p>
<p style="text-align: justify;">Simplificando, o Estado não é a sociedade. A propriedade implica controle e a propriedade social no sentido marxista implica controlo por toda a sociedade. Isto só pode realmente acontecer quando os trabalhadores-produtores gerem de maneira ativa os recursos da sociedade. O próprio Marx foi enfático na sua oposição às cooperativas patrocinadas pelo Estado “que o Estado, não os trabalhadores, criam”; essas iniciativas teriam “apenas valor se fossem criações independentes dos trabalhadores”. (Crítica do Programa de Gotha).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O fim da alienação e as novas relações sociais</strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<figure id="attachment_20347" aria-describedby="caption-attachment-20347" style="width: 314px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20347 " title="phpizydco-280x230" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/03/phpizydco-280x230.jpg" alt="Banquete dos trabalhadores de uma Usina ocupada em 1936" width="314" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-20347" class="wp-caption-text">Banquete dos trabalhadores de uma usina ocupada na França.</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Uma das críticas à auto-gestão tecidas pela esquerda é que não passa da gestão pelos trabalhadores da sua própria alienação. Esta crítica baseia-se na premissa que as organizações de auto-gestão apenas conseguem manter-se estáticas dentro da sociedade capitalista. Isto é outro ponto de vista daqueles que só conseguem imaginar a existência da auto-gestão enquanto inserida no contexto duma futura sociedade comunista, não considerando possível a auto-gestão dos trabalhadores como parte do processo revolucionário. Mas existe uma escola de pensamento que advoga a auto-gestão numa forma que de facto recria a auto-alienação dos trabalhadores e a inevitável dissolução da própria auto-gestão. Essa forma pode ser encontrada no revivalismo presente do socialismo de mercado.</p>
<p style="text-align: justify;">Um exemplo disto é Gerry Gold, que argumenta a favor de “cooperativas de trabalhadores” e de “um mercado genuinamente livre e competitivo”. Isto é em parte uma reação às falhas das economias socialistas de Estado, mas é precisamente a conclusão errada que se pode tirar. O mercado não existe separadamente mas é sim uma manifestação direta das relações de produção. Enquanto se produz para o mercado, competindo e tentando aumentar o rendimento obtido, os trabalhadores inevitavelmente vão entrar em conflito com outras cooperativas de trabalhadores e assumirão o papel de exploradores. Ao invés de propriedade social, teríamos cooperativas capitalistas em competição direta. Tal como locais de trabalho locais e atomizados não conseguem afastar a burocracia, também estas cooperativas desapareceriam numa economia de mercado. Tal foi a experiência na Jugoslávia.</p>
<p style="text-align: justify;">A produção de mercadorias gera relações sociais capitalistas: o trabalho continuaria alienado, uma mercadoria se relacionando com outros humanos através da produção de mercadorias para um mercado. O capital (sobre)vive através da obtenção de cada vez mais valor acrescido do trabalhador que o produz. Por esta razão todos os esforços para controlar o capital sem primeiro destruir a base da produção de valor é derrotista e é inevitavelmente o capital que recupera o seu controlo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Conclusão</strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<figure id="attachment_20323" aria-describedby="caption-attachment-20323" style="width: 335px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20323" title="php3x4em9-350x300" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/03/php3x4em9-350x300.jpg" alt="Trabalhadores da fábrica ocupada Zanon na Argentina. Foto por lava.org" width="335" height="369" /><figcaption id="caption-attachment-20323" class="wp-caption-text">Trabalhadores da fábrica recuperada Zanon na Argentina. Foto por lavaca.org</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">O comunismo deve ser entendido como um sistema com base na disseminação por toda a sociedade da propriedade social e da auto-gestão. Se reconhecermos isto então temos que ter em consideração implicações profundas na organização e estratégia comunista. Uma sociedade destas apenas pode ser criada por organizações que são baseadas em princípios semelhantes. Isto cria uma linha de demarcação na reconstrução do comunismo atual entre os conceitos de auto-gestão e de socialismo de Estado da mesma forma que existia essa demarcação entre os conceitos de reforma e revolução no início do século XX. A maneira em que os comunistas compreendem isto requer bastante mais debate. É interessante notar que tanto na Jugoslávia como na Alemanha Oriental os dissidentes que defendiam a auto-gestão ambos chegaram à conclusão que uma liga de comunistas unida à volta da ideia da emancipação universal era uma alternativa essencial ao Partido Comunista.</p>
<p style="text-align: justify;">É através do movimento de auto-gestão que a consciência amadurece, reunindo conhecimento e força para uma transformação social mais abrangente. Longe de ser um assunto secundário, a auto-gestão é um elemento chave na transformação da economia. Não queremos reorganizar o capital duma maneira diferente. Por outro lado, a auto-gestão também não oferece uma solução integral ao problema de ultrapassar o capitalismo numa nova sociedade comunista. O que oferece, no entanto, é uma estrutura dentro da qual se pode conseguir o fim da alienação do trabalho e a criação de novas relações de produção. É um eixo do processo revolucionário comunista que abole o sistema de classes, transcende o Estado substituindo-o por auto-gestão comunitária, e abole a produção de mercadorias.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Notas</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1]</strong> Membro do comitê central do SWP desde os anos 80 e conhecido intelectual trotskista.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[2]</strong> Membro do comitê central do SWP desde os anos 60 recentemente falecido.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[3]</strong> Movimento social inglês que se iniciou na década de 30 do século XIX tendo como base a carta escrita pelo radical William Lovett, intitulada Carta do Povo, e enviada ao Parlamento Inglês. Naquele documento percebem-se as seguintes exigências:<br />
• Sufrágio universal masculino (o direito de todos os homens ao voto);<br />
• Voto secreto através da cédula;<br />
• Eleição anual;<br />
• Igualdade entre os direitos eleitorais;<br />
• Participação de representantes da classe operária no parlamento;<br />
• Remuneração aos parlamentares.<br />
Inicialmente as exigências não foram aceitas pelo Parlamento e um movimento rebelde teve início. Gradualmente as propostas da carta foram sendo incorporadas e o movimento foi-se enfraquecendo até sua desintegração.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[4]</strong> Imposto criado pelo governo de Margaret Thatcher em 1989 na Escócia, e em 1990 no restante Reino Unido, o qual custearia os governos locais (“councils”, semelhantes a prefeituras) por meio de uma taxa única a ser cobrada por habitante. Ele substituiria o sistema anterior, no qual o imposto era calculado de acordo com o valor dos imóveis, de forma semelhante ao IPTU brasileiro.<br />
A população britânica resistiu fortemente à implantação desse imposto, se recusando a fornecer os dados necessários ao governo, se recusando a pagar, e dificultando a punição dos inadimplentes.<br />
A impossibilidade de implantar este imposto, e a derrota do governo frente à população, foi a principal razão da queda de Thatcher como Primeira-Ministra.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[5]</strong> Organização sem fins lucrativos onde estão filiadas mais de 200 mil empresas britânicas e que organiza estudos e tenta influenciar o governo britânico além de manter os seus membros bem informados.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[6]</strong> Federação de sindicatos do Reino Unido que conta com cerca de 7 milhões de membros e que existe desde 1860.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Traduzido do inglês por Carlos Ferrão. Publicado originalmente por <a href="http://thecommune.wordpress.com/2009/09/04/the-workers-self-management-alternative/" target="_blank">The Commune</a></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Imagem em Destaque: Lenin e o Mapa de M. Kordonsky<br />
</em></p>
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		<title>Protestos em Londres (II) &#8211; Hyde Park em 28 de Março</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Apr 2009 12:19:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Protestos contra a Cimeira dos 20 em Londres (II) (no Hyde Park, em 28 de Março) vídeo realizado e legendado por José Figueiredo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span id="more-2695"></span></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Protestos contra a Cimeira dos 20 em Londres (II)</strong><br />
(no Hyde Park, em 28 de Março)<br />
vídeo realizado e legendado por <strong>José Figueiredo</strong></p>
<div id="flashcontainer1482" style="text-align: center;"><object width="470" height="360" data="http://politube.org/flvplayer.swf" type="application/x-shockwave-flash"><param name="flashvars" value="file=http://politube.org/flv/media_1482.flv&amp;image=http://politube.org/thumb/1482&amp;largecontrols=false&amp;showdigits=true&amp;callback=http://politube.org/flv_callback/1482&amp;autostart=false" /><param name="src" value="http://politube.org/flvplayer.swf" /><param name="id" value="embed_1482" /></object></div>
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		<title>Alguns panfletos, em Londres&#8230;</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Apr 2009 07:08:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[… enviadas pelo companheiro José Figueiredo. “Financial Fools Day” &#8211; g-20meltdown.org Apelo à manifestação por ocasião das conversações das Nações Unidas sobre o clima (5/12/09 em Londres e 12/12/09 em Copenhaga) &#8211; www.campaigncc.org Organização Revolution, provavelmente os “heróis” do 1º de Abril em Londres &#8211; www.worldrevolution.org.uk Outro panfleto distribuído pelos Revolution (“Depois de uma onda [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span id="more-2640"></span></p>
<p style="text-align: center;">… enviadas pelo companheiro José Figueiredo.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2009/04/f090401_londres1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-2642 alignnone" title="f090401_londres1" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2009/04/f090401_londres1-300x225.jpg" alt="f090401_londres1" width="300" height="225" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2009/04/f090401_londres1-300x225.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2009/04/f090401_londres1.jpg 640w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2009/04/f090401_londres2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-2641 alignnone" title="f090401_londres2" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2009/04/f090401_londres2-300x225.jpg" alt="f090401_londres2" width="300" height="225" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2009/04/f090401_londres2-300x225.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2009/04/f090401_londres2.jpg 640w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a></p>
<p style="text-align: center;">“Financial Fools Day” &#8211; g-20meltdown.org</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2009/04/f090401_londres31.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-2674" title="f090401_londres31" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2009/04/f090401_londres31.jpg" alt="f090401_londres31" width="574" height="446" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2009/04/f090401_londres31.jpg 574w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2009/04/f090401_londres31-300x233.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 574px) 100vw, 574px" /></a></p>
<p style="text-align: center;">Apelo à manifestação por ocasião das conversações das Nações Unidas sobre o clima (5/12/09 em Londres e 12/12/09 em Copenhaga) &#8211; <a class="urlextern" title="http://www.campaigncc.org" rel="nofollow" href="http://www.campaigncc.org/">www.campaigncc.org</a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2009/04/f090401_londres4.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-2643" title="f090401_londres4" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2009/04/f090401_londres4.jpg" alt="f090401_londres4" width="512" height="384" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2009/04/f090401_londres4.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2009/04/f090401_londres4-300x225.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 512px) 100vw, 512px" /></a></p>
<p style="text-align: center;">Organização Revolution, provavelmente os “heróis” do 1º de Abril em Londres &#8211; <a class="urlextern" title="http://www.worldrevolution.org.uk" rel="nofollow" href="http://www.worldrevolution.org.uk/">www.worldrevolution.org.uk</a></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2009/04/f090401_londres61.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-2675" title="f090401_londres61" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2009/04/f090401_londres61.jpg" alt="f090401_londres61" width="460" height="390" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2009/04/f090401_londres61.jpg 460w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2009/04/f090401_londres61-300x254.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 460px) 100vw, 460px" /></a></p>
<p style="text-align: center;">Outro panfleto distribuído pelos Revolution (“Depois de uma onda de ocupações, vamos organizar um movimento radical dos estudantes”, coordenado a partir do University College of London)</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2009/04/f090401_londres51.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-2673" title="f090401_londres51" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2009/04/f090401_londres51.jpg" alt="f090401_londres51" width="549" height="376" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2009/04/f090401_londres51.jpg 549w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2009/04/f090401_londres51-300x205.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 549px) 100vw, 549px" /></a></p>
<p style="text-align: center;">“Como queres que seja o mundo?”, da organização The Simultaneous Policy (SimPol) &#8211; <a class="urlextern" title="http://www.simpol.org.uk" rel="nofollow" href="http://www.simpol.org.uk/">www.simpol.org.uk</a> &#8211; que também esteve na organização do acto do dia 28 de Março no Hyde Park, “Put People First” [As pessoas primeiro]</p>
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		<title>Protestos em Londres (I) &#8211; quarta-feira, dia 1/4</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Apr 2009 02:40:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Protestos contra a Cimeira dos 20 em Londres (I) (quarta-feira, dia 1 de Abril) vídeo enviado por José Figueiredo (ver relato abaixo) Companheiros da Passa Palavra: Tenho andado a filmar e a fotografar os acontecimentos aqui em Londres, por ocasião da Cimeira dos 20. Penso que foi um acontecimento único. Já no Hyde Park sentira [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span id="more-2322"></span></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Protestos contra a Cimeira dos 20 em Londres (I)</strong><br />
(quarta-feira, dia 1 de Abril)<br />
vídeo enviado por <strong>José Figueiredo</strong> <em>(ver relato abaixo)</em></p>
<div id="flashcontainer1447" style="text-align: center;"><object width="470" height="360" data="http://politube.org/flvplayer.swf" type="application/x-shockwave-flash"><param name="flashvars" value="file=http://politube.org/flv/media_1447.flv&amp;image=http://politube.org/thumb/1447&amp;largecontrols=false&amp;showdigits=true&amp;callback=http://politube.org/flv_callback/1447&amp;autostart=false" /><param name="src" value="http://politube.org/flvplayer.swf" /><param name="id" value="embed_1447" /></object></div>
<div style="text-align: left;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Companheiros da Passa Palavra:<br />
Tenho andado a filmar e a fotografar os acontecimentos aqui em Londres, por ocasião da Cimeira dos 20. Penso que foi um acontecimento único. Já no Hyde Park sentira o mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">Este filme refere-se (1) ao arranque da manifestação na London Bridge, tendo depois essa e outras manifestações convergido para a City [zona da bolsa, dos bancos e sociedades financeiras] (2) à frente do Banco da Escócia (RBS) e depois (3) à frente do banco HSBC.<br />
Ao minuto 1.03, penso que dizem “cash deliver” [entrega em dinheiro contado].<br />
Ao minuto 1.20, alguém diz, voz de homem, “they are smashing windows…” [estão a partir janelas/montras…].<br />
Ao minuto 1.58, parece-me que dizem “our street” [a rua é nossa] seguido de “shame on you!” [tenham vergonha!].<br />
Ao minuto 2.41, dizem “seat down!” [sentem-se!], para a polícia não avancar, momento que tenho o microfone no plano devido aos empurrões anteriores.<br />
Nesse momento um indivíduo de camisola azul diz “estás mais para trás? eu estou ao pé da rua no passeio [na calçada]”.<br />
Ao minuto 3.20, ”have a rest” [descansem um bocado] seguido de ”people united…” qualquer coisa [povo unido…].<br />
Ao minuto 4.24, “horses are now getting involved, poor animals &#8211; it&#8217;s all right, a pig to ride a horse, but he is not a real pig” [estão a entrar com os cavalos, pobres animais &#8211; está certo, um porco (porco = pig = polícia) a montar um cavalo, mas não é um porco de verdade].<br />
Ao minuto 5.30, dizem “here they come” [aí vêm eles], seguido de “butcher” [carniceiro, açougueiro]…</p>
<p style="text-align: justify;">As pessoas não estão contentes, estão como se diz “pelos cabelos”, por razões várias:<br />
Vivemos numa sociedade capitalista e individualista. Elevado número de desemprego, mesmo entre pessoas formadas e de classe média, elevadas taxas de crédito, muita gente sem habitação, a grande diferenca entre riquezas, não só entre classes, mas também entre os países mais desenvolvidos e os mais pobres, que necessitam de novas medidas de importação e exportação, e não de ajuda humanitária, para recuperarem a sua agricultura e ajudarem os seus agricultores.<br />
Para além do nosso ambiente, o planeta, o aquecimento global que se sente em várias partes do mundo e não é uma mentira.<br />
Mentiras, sim, são as promessas feitas pelos políticos. É bom ver que as pessoas ainda não baixaram os braços e não têm medo de vir para a rua e perderem os empregos, aquelas que o têm, já não era sem tempo. Agora não sei se basta o que aconteceu ontem… até porque o poder esconde-se atrás dos uniformes dos polícias, e não só.</p>
<p style="text-align: justify;">Ontem morreu um dos manifestantes.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje manifestantes mais radicais voltaram à zona do banco por causa disso, uma das organizações chama-se Revolution (são os que se veem com bandeiras vermelhas no RBS).</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje estive em Excel [o espaço onde se reune a Cimeira] e na City novamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais tarde envio email do que penso fazer com todas as filmagens, montagem, etc.</p>
<p style="text-align: justify;">Abraco, José Figueiredo</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Acrescento recebido posteriormente (domingo, dia 5 de Abril)</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Companheiros,</p>
<p>Às manifestações de 1 de Abril, os organizadores deram o título genérico:</p>
<p>PARTY IN THE CITY [Festa/Encontro na cidade]</p>
<p>chamando às quatro manifestações THE FOUR HORSMEN of the APOCALYPSE [os quatro cavaleiros do Apocalipse]</p>
<p>As quatro começaram às 11h da manhã e começavam em estações de combóio [trem]:</p>
<p>1 &#8211; War [Guerra] &#8211; Red Horse [O cavalo vermelho] &#8211; estação Moorgate<br />
2 &#8211; Climate chaos [Caos climático] &#8211; Green horse [O cavalo verde] &#8211; estação Liverpool<br />
3 &#8211; Money crimes [Crimes financeiros] &#8211; Silver horse [O cavalo prateado] &#8211; estação London Bridge<br />
4 &#8211; Land grabbers [Usurpadores da terra] &#8211; Black horse [O cavalo negro] &#8211; estação Cannon Street</p>
<p>Marcaram encontro às 12h00 no Bank of England [Banco de Inglaterra], que é o que se vê naquele plano onde diz &#8220;capitalism isn&#8217;t working&#8221; [o capitalismo não está a funcionar].</p>
<p>Tornou-se numa manifestação em parada, tomaram conta de uma ampla área, com várias frentes, vários acontecimentos ao mesmo tempo; a estação mais perto, também dentro da area, era a Bank.</p>
<p>Abraços, José Figueiredo.</p></div>
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		<title>Inglaterra: Defesa do salário ou racismo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Feb 2009 16:00:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autorais]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Inglaterra]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo]]></category>
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					<description><![CDATA[A defesa pelos sindicatos da «preferência nacional» no emprego para os trabalhadores britânicos da energia lembra o apoio da Internacional a uma greve insurreccional dos mineiros brancos da África do Sul, em 1922, que esteve na origem do apartheid. Por Passa Palavra Os operários de uma refinaria da empresa petrolífera Total, situada em Lindsey, na [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>A defesa pelos sindicatos da «preferência nacional» no emprego para os trabalhadores britânicos da energia lembra o apoio da Internacional a uma greve insurreccional dos mineiros brancos da África do Sul, em 1922, que esteve na origem do </em>apartheid<em>. <strong>Por Passa Palavra</strong></em><span id="more-772"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-114995 alignleft" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2009/02/f090209_art0402.jpg" alt="" width="232" height="307" />Os operários de uma refinaria da empresa petrolífera Total, situada em Lindsey, na Grã-Bretanha, decidiram a 9 de Fevereiro terminar a greve selvagem [greve iniciada fora dos sindicatos] que durava há uma semana. Os grevistas protestavam contra o facto de a empresa empregar mão-de-obra portuguesa e italiana, que aceitava trabalhar com remunerações inferiores às dos seus colegas britânicos encarregados do mesmo tipo de trabalho, pondo em perigo o nível salarial. O movimento foi suspenso quando os sindicatos assinaram com a administração da empresa um acordo prevendo a oferta de uma centena de empregos a trabalhadores britânicos qualificados.</p>
<p style="text-align: justify;">Guglielmo Epifani, dirigente da Confederação Geral dos Trabalhadores Italianos, a principal central sindical italiana, declarou que este tipo de movimento podia propiciar o racismo. «[…] se o medo do desemprego for usado contra os trabalhadores estrangeiros, quer sejam italianos ou não, o problema pode tornar-se muito delicado», acrescentou Epifani. «Isso significaria que os italianos se arriscam a ter de trabalhar somente na Itália, os britânicos na Grã-Bretanha e os franceses em França». <img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-114998 alignright" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2009/02/f090209_art0408.jpg" alt="" width="488" height="624" />Curiosamente, alguns meios da extrema-esquerda europeia apoiaram aquela greve com o argumento de que não se tratou de uma acção racista mas de um movimento em defesa do valor do trabalho. Com efeito, um panfleto posto a circular por alguns dos grevistas anunciava: «Estamos em greve contra os patrões […] que se recusam a empregar os trabalhadores locais. Estamos em greve contra as leis europeias que favorecem o patronato e contra as decisões judiciárias que legalizam o aproveitamento da mão-de-obra de baixo custo para maximizar os lucros dos patrões. […] A imprensa e os grandes órgãos de comunicação dizem que a nossa greve é contra os trabalhadores estrangeiros. NÃO É VERDADE. […] Aceitamos os trabalhadores estrangeiros mas não aceitamos que eles sejam explorados com condições de trabalho piores do que as nossas […] e que sejam utilizados pelos empregadores para minar os nossos acordos nacionais e a nossa força sindical». Isto é muito bonito, mas as palavras de ordem finais do panfleto, em vez de exigirem que os empregados estrangeiros da refinaria recebam tanto como os britânicos, o que estaria no âmbito das possibilidades dos grevistas, reivindicam «a sindicalização de todos os trabalhadores imigrantes», remetendo a iniciativa para burocracias sindicais, cuja atitude bem conhecemos. Convém a este respeito ver a lição dos factos. Todos ouviram falar do <em>apartheid</em>, o sistema de segregação racial que vigorou na África do Sul até 1993, mas poucos conhecem a sua origem.</p>
<p style="text-align: justify;">Na penúltima década do século XIX descobriu-se ouro no Transvaal, uma das províncias sul-africanas, e os proprietários das minas dispunham de dois tipos de mão-de-obra: o proletariado branco recém-imigrado era na maioria de origem britânica e constituía uma força de trabalho qualificada; e os autóctones, mal preparados, ficavam relegados para tarefas que não exigiam qualquer habilitação especial. Esta dicotomia repercutia-se numa diferenciação salarial acentuada, e como os negros estavam confinados em funções que os brancos jamais desempenhavam e, reciprocamente, como os postos de trabalho dos brancos não estavam abertos aos negros, o baixo nível salarial dos nativos não exercia pressões negativas sobre a remuneração dos brancos. Tratava-se de dois mercados de trabalho distintos. Todavia, o exercício da actividade produtiva constitui uma forma, embora lenta, de qualificação, e muitos mineiros negros revelaram-se progressivamente capazes de cumprir certas funções que antes só os brancos sabiam desempenhar. Os patrões perceberam que tinham interesse numa evolução deste tipo se pretendessem reduzir também as despesas com a mão-de-obra mais habilitada, porque as diferenças salariais de base eram tão grandes que um trabalhador africano qualificado ganharia consideravelmente menos do que o seu colega branco possuidor de um nível de aptidões similar. Se o processo continuasse e começasse a verificar-se a concorrência entre ambos os tipos de mão-de-obra, desaparecendo a demarcação rigorosa dos mercados de trabalho, o nível salarial dos brancos sofreria pressões no sentido do declínio, por efeito das remunerações muito inferiores recebidas pelos nativos mais qualificados.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi neste contexto que em 1907 os operários brancos desencadearam um movimento de greve, recomeçado em 1913 e reiniciado em algumas regiões em 1914, com confrontos tão violentos que as autoridades chegaram a usar canhões para bombardear as sedes dos sindicatos. E o que exigiam os grevistas? Simplesmente que a lei garantisse aquela dicotomia do mercado de trabalho que a evolução económica contribuía para diluir, e que os baixos salários dos negros não pusessem em perigo o nível salarial dos brancos. Em consequência destas pressões, foi promulgada em 1911 uma lei estabelecendo uma demarcação rigorosa entre a mão-de-obra branca e a negra nas minas e na indústria. Com este primeiro reconhecimento jurídico de uma modalidade embrionária de <em>apartheid</em>, os governantes aceitaram as exigências do proletariado branco e forneceram-lhe o quadro em que de então em diante ele apresentaria todas as reivindicações.<img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-114997 alignleft" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2009/02/f090209_art0405-300x270.jpg" alt="" width="439" height="396" /></p>
<p style="text-align: justify;">Mas a contradição entre a legislação e as forças económicas não desapareceu. Em 1921 e 1922, pressionados pela descida mundial dos preços do ouro, os donos das minas procederam a uma grande ofensiva salarial, atenuando a demarcação entre os dois mercados de trabalho e permitindo que os mineiros negros mais aptos tivessem acesso a funções semiqualificadas. Dada a enorme diferença entre os níveis de remuneração dos nativos e dos brancos, a inevitável subida dos salários pagos a alguns negros seria muito menor do que o declínio dos salários pagos à generalidade dos brancos, e deste modo os patrões ambicionavam obter uma acentuada redução dos custos médios do trabalho. A resposta não se fez esperar. Uma enorme vaga de greves agitou toda a província mineira, em defesa da preservação dos privilégios da mão-de-obra de origem europeia. Conduzido por elementos ligados à Internacional Comunista, o movimento depressa se transformou numa vasta insurreição e certos sindicatos formaram até destacamentos armados. Ao mesmo tempo que defendiam a clivagem entre os mercados de trabalho, os grevistas procuravam fundar uma república dos trabalhadores − desde que fossem trabalhadores brancos! Ao som da <em>Bandeira Vermelha</em> e mobilizada em torno da extraordinária palavra de ordem «Proletários de todo o mundo uni-vos, por uma África do Sul branca», esta vanguarda operária apelava ao internacionalismo para promover uma das formas mais abjectas do preconceito nacional. E fê-lo com um tal radicalismo que o governo e os proprietários das minas tiveram de reunir consideráveis forças militares para suprimir a <img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-114999 alignright" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2009/02/f090209_art0406-300x228.jpg" alt="" width="425" height="323" />revolta, só o conseguindo após vários dias de batalha, que deixaram mais de centena e meia de mortos.</p>
<p style="text-align: justify;">Derrotados no plano insurreccional, os trabalhadores brancos prosseguiram a campanha no plano legal e parlamentar, conseguindo afinal que entre 1924 e 1929 fossem promulgadas diversas leis com o objectivo de reforçar as reservas do mercado de trabalho em benefício dos brancos. Destas peças legislativas talvez a mais importante fosse o <em>Mines and Works Amendment Act</em>, que renovou e ampliou as medidas tomadas pela lei de 1911. Ficou assim criado o quadro que permitiu converter a reserva de mercado de trabalho numa segregação racial generalizada. O <em>apartheid</em> correspondeu, no plano das medidas legais, ao que havia sido, no plano insurreccional, o grito «Proletários de todo o mundo uni-vos, por uma África do Sul branca».</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez fosse conveniente meditar um pouco sobre estes factos.</p>
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