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	<title>Itália &#8211; Passa Palavra</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>Operários da indústria de armas italiana dizem não à guerra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Mar 2026 14:16:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
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					<description><![CDATA[ Com base em um histórico de resistência à militarização, os trabalhadores da Leonardo estão se organizando contra a cumplicidade da empresa no genocídio em Gaza. Por Futura D’Aprile]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Futura D’Aprile</h3>
<p style="text-align: justify;">Quando Israel recomeçou os bombardeios a Gaza em outubro de 2023, ativistas da solidariedade à Palestina na Itália imediatamente fizeram a ligação com a empresa nacional de armamentos, a Leonardo, e lançaram uma campanha contra ela. A corporação é uma das maiores produtoras de armas do mundo e desempenha um papel importante na produção de componentes para os aviões F-35, usados ​​por Israel no genocídio em Gaza, além de trabalhar em conjunto com empresas israelenses de armamentos como a Elbit Systems.</p>
<p style="text-align: justify;">Instalações da Leonardo têm sido alvo de protestos, interrompendo a produção e aumentando a conscientização sobre o papel que a Itália e seu setor de defesa desempenham na destruição em curso. Crucialmente, a oposição também está crescendo dentro da empresa, com trabalhadores se manifestando contra a venda de armas para Israel e lutando para impedir que uma fábrica da Leonardo no sul do país seja convertida em produção militar.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>Trabalhadores se posicionam</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Em outubro, um grupo de trabalhadores de uma unidade de produção da Leonardo em Grottaglie, no sul da Itália, publicou uma petição exigindo que a empresa e suas subsidiárias suspendessem todo o fornecimento de material bélico a Israel. A petição pedia o fim de todos os acordos comerciais e relações de investimento com instituições, startups, universidades e organizações de pesquisa israelenses envolvidas em operações militares contra a população palestina.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais de 23.000 pessoas assinaram a petição, que dizia: “A Itália repudia a guerra como instrumento de agressão contra a liberdade de outros povos e como meio de resolver disputas internacionais”.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de Roberto Cingolan, presidente da Leonardo, ter declarado em setembro que a empresa não havia autorizado novas exportações para Israel “desde o início do conflito”, a declaração dos trabalhadores afirmava que a empresa mantinha uma sólida cooperação comercial e militar com Israel e que as licenças de exportação aprovadas antes de outubro de 2023 nunca foram canceladas.</p>
<p style="text-align: justify;">Um dos peticionários de Grottaglie, que pediu para permanecer anônimo, afirma que essa declaração pública ajudou a abrir um diálogo com trabalhadores de outras fábricas da Leonardo: “Mais do que um aumento imediato na oposição explícita, o resultado mais importante foi trazer o assunto para o centro das discussões, fomentando momentos de debate e análise aprofundada.”</p>
<p style="text-align: justify;">Alguns meses depois, um grupo de trabalhadores da Divisão de Helicópteros de Turim, no norte da Itália, redigiu um boletim sobre a cumplicidade da Leonardo no genocídio em Gaza, que foi distribuído entre seus colegas. A mobilização contra a empresa os inspirou a investigar as relações da Leonardo com seus parceiros estratégicos, particularmente com Israel. Eles estudaram as leis sobre exportações, importações e o trânsito de produtos de defesa na Itália.</p>
<p style="text-align: justify;">“Os relatos amenizados ou flagrantemente distorcidos oferecidos pela grande mídia sobre os eventos em Gaza estão se enraizando entre nossos colegas”, explica um dos trabalhadores de Turim. “Eles não compreendem a gravidade desses eventos, especialmente no que diz respeito aos usuários finais do produto de seu trabalho.”</p>
<p style="text-align: justify;">“Em relação a Israel, nunca tivemos conhecimento dos contratos assinados e das relações internacionais envolvidas.” Eles continuam explicando que, em parte devido a restrições de sigilo industrial, os trabalhadores não têm uma ideia clara de quem usará os equipamentos que produzem; a empresa usa nomes fictícios para os projetos e dá indicações vagas sobre para onde os equipamentos são enviados.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa falta de transparência deixou os trabalhadores profundamente despreparados diante da indignação pública contra a empresa para a qual trabalham.</p>
<p style="text-align: justify;">O que esses funcionários querem é reafirmar sua integridade, explica o trabalhador de Turim: “Fomos ensinados que é nosso dever denunciar irregularidades, desfalques e violações do código de ética em nosso local de trabalho. Existe algo mais repreensível do ponto de vista ético do que colaborar com um governo criminoso que viola abertamente o direito internacional e cujos crimes contra a humanidade são flagrantes e notórios?”</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158860" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/Leonardo_Students_SOCIAL.png" alt="" width="678" height="455" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/Leonardo_Students_SOCIAL.png 678w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/Leonardo_Students_SOCIAL-300x201.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/Leonardo_Students_SOCIAL-626x420.png 626w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/Leonardo_Students_SOCIAL-537x360.png 537w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/Leonardo_Students_SOCIAL-640x429.png 640w" sizes="(max-width: 678px) 100vw, 678px" />Não aos aviões de guerra</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Os trabalhadores de Grottaglie também enfrentam outra luta, enquanto fazem campanha para impedir que sua fábrica se torne uma engrenagem ativa na máquina de guerra. A fábrica faz parte da Divisão de Aeronáutica do Grupo Leonardo e produz as seções da fuselagem da aeronave Boeing 787, empregando aproximadamente 1.200 pessoas diretamente e 300 em indústrias relacionadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde 2020, quando a pandemia de Covid-19 atingiu duramente a indústria aeronáutica, a produção despencou e a unidade corre o risco de fechar. Em julho de 2024, os sindicatos conseguiram evitar uma paralisação temporária, mas a produção ainda diminuiu. Para evitar o fechamento, a Leonardo quer redirecionar a produção para o setor militar.</p>
<p style="text-align: justify;">Em um documento compartilhado “offline” entre os trabalhadores, juntamente com a petição sobre ligações com a violência de Israel, os trabalhadores denunciam essa mudança de prioridades. Para os trabalhadores que assinaram a petição, a Leonardo está fazendo uma escolha política.</p>
<p style="text-align: justify;">“O setor civil sempre foi mais estável e resiliente do que o militar, que tem encomendas mais limitadas e é muito mais influenciado por flutuações geopolíticas e decisões governamentais”, explica um dos peticionários, que pediu para permanecer anônimo. “A aviação civil, por outro lado, responde a uma demanda estrutural por mobilidade global, que estagnou durante a pandemia, mas agora retornou a níveis recordes, com previsão de crescimento ainda maior nas próximas décadas”.</p>
<p style="text-align: justify;">Para os trabalhadores de Turim e Grottaglie, o objetivo tem sido promover o diálogo e a conscientização sobre a cumplicidade das empresas com a violência israelense, visando construir uma massa crítica de trabalhadores motivados e bem informados, capazes de se engajar e se mobilizar para mudar a empresa. Eles também buscaram apoio dos principais sindicatos, mas receberam uma resposta morna.</p>
<p style="text-align: justify;">Em Turim, os sindicatos estão focados na renovação dos contratos metalúrgicos e não estão dando atenção à petição, enquanto em Grottaglie os sindicalistas criticaram abertamente a oposição dos trabalhadores à empresa, pois temem que isso coloque ainda mais em risco o futuro da unidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda assim, os trabalhadores se organizaram fora dessas estruturas tradicionais, compartilhando suas petições com outras unidades de produção da Leonardo na Itália. E estão recebendo uma resposta positiva. A campanha também encontrou eco nos movimentos mais amplos de solidariedade à Palestina e pela paz.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>Aprendendo com o passado</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Os trabalhadores da Leonardo estão construindo sobre um legado de oposição dentro da indústria de defesa italiana. Na década de 1980, Elio Pagani, um funcionário da Aermacchi (agora Leonardo), documentou como a empresa forneceu aeronaves à Força Aérea Sul-Africana em janeiro de 1980, durante o apartheid, em violação ao embargo da ONU ratificado pela Itália em 1977. A denúncia de Pagani desencadeou um movimento popular que, em 1990, levou à aprovação pelo parlamento da primeira legislação italiana sobre controle de exportação e importação de armas: a Lei 185/90.</p>
<p style="text-align: justify;">Na década de 1980, a Valsella Meccanotecnica &#8211; empresa conhecida por vender minas antitanque ao Iraque durante a guerra com o Irã &#8211; foi abalada por 18 meses de greves. As trabalhadoras, lideradas por Franca Faita, finalmente venceram: a empresa perdeu importantes parceiros de produção e foi forçada a se dedicar à fabricação para o setor civil devido a uma moratória governamental de 1994 sobre a produção de minas terrestres. A empresa foi liquidada e, em 2005, fundiu-se com uma fabricante de caminhões.</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, alguns fatores contextuais fizeram das décadas de 1980 e 1990 um contexto muito diferente para os trabalhadores rebeldes. O sentimento antiguerra na sociedade civil italiana era mais forte nas décadas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, e os sindicatos também eram mais independentes e mais antagônicos à política.</p>
<p style="text-align: justify;">“O que favoreceu essas iniciativas foi a presença de fortes movimentos de desarmamento e a existência de conselhos de fábrica abertos à discussão interna entre os trabalhadores e eleitos diretamente por eles”, explica Pagani.</p>
<p style="text-align: justify;">“Delegados, trabalhadores e conselhos de fábrica foram incentivados a questionar o verdadeiro significado do trabalho nas instalações militares e os efeitos das exportações de armamentos. Agora, estamos vivenciando mais de 30 anos de desertificação cultural que afetou tanto as pessoas &#8211; tornando-as mais individualistas &#8211; quanto os sindicatos, cuja atuação enfraqueceu o ímpeto dos trabalhadores.”</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda assim, as conquistas das décadas de 1980 e 1990 foram fruto de muitos anos de trabalho, afirma Pagani. “Os trabalhadores da Leonardo em Grottaglie e Turim devem persistir e buscar apoio em outras unidades de produção da empresa e em outras empresas de defesa. Sua iniciativa deve estar ligada à luta contra a logística bélica travada por estivadores, trabalhadores aeroportuários, ferroviários e de terminais intermodais na Itália.”</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto isso, à medida que os Estados continuam a aumentar os gastos militares em meio a novas e devastadoras guerras, os trabalhadores de fábricas de armamentos em todo o mundo fariam bem em seguir as táticas italianas para desmantelar a militarização a partir de dentro.</p>
<p style="text-align: justify;">Com a guerra sempre à espreita e os Estados aumentando os gastos militares, os trabalhadores do negócio de armas podem ter um papel fundamental a desempenhar, conforme o movimento global contra a militarização grita: Não em nosso nome.</p>
<p style="text-align: center;"><em>Traduzido do original que pode ser acessado aqui: <a class="urlextern" title="https://newint.org/arms/2026/italian-arms-factory-workers-say-no-war" href="https://newint.org/arms/2026/italian-arms-factory-workers-say-no-war" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://newint.org/arms/2026/italian-arms-factory-workers-say-no-war</a></em></p>
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		<title>Adeus, Gianfranco Sanguinetti (1948-2025)</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/11/158049/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Nov 2025 16:13:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Extrema_esquerda]]></category>
		<category><![CDATA[Itália]]></category>
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					<description><![CDATA[Foi o primeiro a expor o uso do terrorismo de “bandeira falsa” pelos Estados.  Por Elhajoui]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por Elhajoui</h3>
<p style="text-align: justify;">É com tristeza que anunciamos o falecimento de Gianfranco Sanguinetti, ocorrido a 3 de outubro. Ele tinha 77 anos. As notícias foram compartilhadas em seu <a class="urlextern" title="https://www.gianfrancosanguinetti.com/" href="https://www.gianfrancosanguinetti.com/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">site</a>, com o seguinte comunicado de imprensa:</p>
<p style="text-align: justify;">Gianfranco Sanguinetti, escritor e figura importante da Internacional Situacionista, que denunciou o terrorismo de estado, a crise do capitalismo e o surgimento do “despotismo ocidental” a partir da década de 1970, faleceu em Praga em 3 de outubro de 2025, aos setenta e sete anos.</p>
<p style="text-align: justify;">Nascido em Pully, Suíça, em 16 de julho de 1948, filho de Teresa Mattei, membro da resistência e político francês, e Bruno Sanguinetti, membro da resistência e industrial francês.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde a sua juventude, fez parte dos movimentos de vanguarda e rebeldes que, a partir de meados da década de 1960, abalaram a Europa e o mundo todo. Membro da Internacional Situacionista, fundou a seção italiana em 1969. Três anos depois, com Guy Debord, afirmou a necessidade de ultrapassar este período, co-assinando a dissolução da organização (<em>A verdadeira divisão na Internacional</em>).</p>
<p style="text-align: justify;">Conhecedor das obras e do pensamento da Antiguidade, utilizou-as como uma poderosa ferramenta para interpretar a realidade contemporânea com uma crítica aguda e implacável, levantando o véu que ocultava a verdade das coisas e destacando as subversões realizadas pelos poderes estabelecidos.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1975, sob o pseudónimo Censor, escreveu e publicou o <em>Rapporto veridico sulle ultime possibilità di salvare il capitalismo in Italia</em>. Foi um embuste retumbante que manteve os políticos, as autoridades, os serviços de segurança e a imprensa ocupados durante meses, todos empenhados em descobrir a identidade do autor deste diagnóstico político-econômico cínico e impiedoso, saudado como obra de um grande agente de direita.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais tarde, ele revelou sua identidade em <em>Proofs of the Inexistence of Censor Stated by its Author</em> (1976), explicando as intenções subversivas do relatório, ao revelar verdades indizíveis.</p>
<p style="text-align: justify;">Prosseguiu o seu trabalho de desmistificação com <em>Sobre o Terrorismo e o Estado</em> (1979), em que foi o primeiro a expor o uso do terrorismo de “bandeira falsa” pelos Estados — em primeiro lugar o Estado italiano da época — e seus aparelhos.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi responsável pela publicação da obra de Leopardi na França.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante os anos do seu “exílio” voluntário em Praga, Gianfranco Sanguinetti, enquanto enriquecia a sua vasta biblioteca pessoal, acumulou uma importante colecção de arte erótica. Ele também continuou a escrever e publicar sobre arte, pensamento e dinâmica política internacional, sempre de olho no que a propaganda dominante se esforça para esconder e denunciando a orquestração das aparências, bem como as formas de autoritarismo contemporâneo, que ele chamou de “despotismo ocidental”.</p>
<p style="text-align: justify;">Seus arquivos estão alojados na Biblioteca de Livros Raros e Manuscritos de Beinecke, na Universidade de Yale. O <a href="https://www.gianfrancosanguinetti.com/" target="_blank" rel="noopener">site</a> oferece uma biografia completa e fotos.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Traduzido do <a class="urlextern" title="https://situationnisteblog.com/2025/10/10/farewell-gianfranco-sanguinetti-1948-2025/" href="https://www.gianfrancosanguinetti.com/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">original em inglês</a> por Marco Tulio.</em></p>
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		<item>
		<title>A report of the pro-Palestinian demonstrations in Italy</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/10/157767/</link>
					<comments>https://passapalavra.info/2025/10/157767/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Oct 2025 16:00:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Traduções]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Greves]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
		<category><![CDATA[Itália]]></category>
		<category><![CDATA[Outras_lutas]]></category>
		<category><![CDATA[Palestina]]></category>
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					<description><![CDATA[ Perhaps the Palestinian issue has become the unifying theme of a set of diffuse social dissatisfaction. By Pérez Gallo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;"><a href="https://passapalavra.info/2025/09/157669/" target="_blank" rel="noopener">By Pérez Gallo</a></h3>
<p style="text-align: justify;">I took part, somewhat by chance, in the demonstration in Milan on September 22, which had wide international repercussions due to the violent clashes with the police that took place at the entrance to the Central Railway Station. I was in Germany during the previous week, where I was attending an academic event and, being originally from Italy, I decided to extend my trip a few more days in Milan, to visit friends and family. I arrived on the evening of Friday, the 19th, and it soon seemed to me that the mood was different from the usual &#8211; more tense, in expectation. The Palestinian genocide, in fact, is a powerful theme in the Italian debate, either because of the presence of an important Arab and Palestinian community in the territory or because of the geographical and geopolitical proximity. But also &#8211; I believe &#8211; because hopes have converged in recent years on the Palestinian issue for the resumption of some movement after more than a decade of ebb and flow of struggles. The retreat that in Milan feels even stronger: a city completely dominated by <em>gentrification</em> and real estate speculation, by the great fashion events and gourmet food fairs, by the increase in urban transport and an economic rhythm (and exploitation) in full swing. And where, for a long time, social struggles have been something kind of absent from the horizon of urban life.</p>
<p style="text-align: justify;">On the 19th, just as I was returning from the airport, there was a small demonstration and work stoppage organized by the CGIL, the largest trade union confederation, in solidarity with Gaza. Contrary to what one might think, the CGIL decision was not the brave choice to organize a political strike, but the cowardly attempt to recover the struggle, advancing the strike that had already been scheduled for the 22nd by the grassroots unions USB, Cobas, ADL Cobas, CUB, SGB, under the impulse of the Genoa Port Workers collective. The idea would be to make a stoppage of only two hours, on a Friday afternoon, and not adhere to — and in this way weaken — the other strike scheduled for the whole Monday (a day in which a blockade would do much more damage). The maneuver, apparently, did not work out. Throughout the weekend, people around me — even many of my acquaintances who hadn&#8217;t participated in a demonstration in 15 years &#8211; kept talking about the upcoming event on the 22nd. Rain was forecast, and this raised some doubts about the success of the mobilization.</p>
<p style="text-align: justify;">On Monday morning, in fact, the rain was intense and constant. Despite this, when I arrived in Piazza Cadorna a little before the scheduled time for the concentration, you could tell that the demonstration would be huge. Thousands of people were gathering there under umbrellas, to the point that when the front of the demonstration began to move, people were still arriving in the square. The demonstration, with more than 50,000 people, marched in a confused way for almost 5 kilometres to the Central Station, not before making a detour to pass in front of the United States Consulate, where the flags of the United States, Israel, the European Union and NATO were burned. What surprised me, perhaps because I had been away from Italian protests for many years, was its political composition, that is, not the division into blocks organized by the entities and the social centers, but rather a long heterogeneous and indefinite human serpent, all behind a single sound truck of the USB union, in which the social composition was mixed: students and retirees, Arab immigrants, young secondary school students from the periphery and families with children, workers and middle class, and here and there small groups that made some specific intervention, such as a group of fanfare or healthcare workers under the banner of “healthcare workers for Gaza”. In general, it also seemed to me a not-so-loud demonstration, almost silent at times, as if the lack of a sound speaker left more room for the atrocious emptiness of the moment we are living in.</p>
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</div>
</blockquote>
<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script><em><strong>Milan demonstration seen from above.</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">When we arrived, around 1 p.m., in the Central Station Square, the general feeling was one of strangeness: the demonstration seemed to be over, but we had not yet blocked anything, while news arrived of occupations of stations, highways, and ports in other cities. The police had a huge contingent lined up for the defence of the station, and it seemed crazy to try to challenge them, apart from the fact that no group seemed to be organised for such. Little by little, however, frustrations and expectations were leading a group of people down the stairs of the subway, from where they would have a passage to the station by underground. Just below, however, was another police contingent. The pressure was building until we managed to get to the bottom of the station thanks to a lot of shouting and some pushing. From there, however, to occupy the tracks, we had to go up to another floor by an escalator, above which the confrontation began, and continued through the glass doors of the station hall, defended by the police and destroyed by the protesters. Finally, the police began throwing tear gas canisters, many at face height. The battle lasted an hour and a half inside the station, plus a couple of hours in via Vittor Pisani, the large avenue outside the station, with the police advancing and the crowd resisting, without retreating, throwing stones and other objects. Although it did not reach the tracks, for a long time the station was closed, with the trains, already accumulating delays of more than two hours due to the strike, stopping for some time instead of passing through the station. From what I read afterwards, the participation in the most heated clashes was of a thousand people, with as many supporting from the outside. The toll was 60 police officers injured, with 24 hospitalised, 11 protesters detained (including two minors), and about ten taken away by ambulance. I was really surprised by the disposition of the crowd: I do not remember, since I was a teenager, a demonstration with such lengthy and at the same time unprepared confrontations. In the past, the most common were “performative” confrontations of the crowd from the ex <em>tute bianche</em>, with a little melee from the first lines with the police to have a photo in the media and then retreat, or moments of a more planned <em>riot</em>, with burning of cars during the demonstration by a smaller group but completely disconnected with the general feeling of the crowd, as occurred in the large “No Expo” demonstration of May 1, 2015. From there, the desert.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DO6hXCqAP2w/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DO6hXCqAP2w/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by Federação Árabe Palestina (@fepal_brasil)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script><em><strong>Videos of the confrontation</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">If Milan, due to its violent outcome, was the centre of the news and images that passed through the media and social networks — and obviously echoed by Prime Minister Giorgia Meloni, who at no time attacked the Israeli barbarism in Gaza with the same harshness that she dedicated to the “Milan vandals” —, in the rest of Italy the struggles were also giant. According to the union USB, more than 1 million people in 84 cities participated in the demonstrations.</p>
<p style="text-align: justify;">In Rome, 200 to 300 thousand people marched for 8 hours, for 10 kilometres, through the streets surrounding the Termini Station (the largest in the city), causing a momentary blockade of rail traffic, and occupying the university campus of La Sapienza and the Eastern Ring Road for hours in both directions. There, many drivers stopped in traffic didn&#8217;t react with anger but with applause, horns, and demonstrations of complicity.</p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/NnNe1MzD2_4?si=8egqsDkgr8mFK5L3" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Drivers&#8217; support for the demonstration</strong></em></p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DO51pJfjNPJ/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p>&nbsp;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DO51pJfjNPJ/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by Welcome to Favelas (@welcometofavelas)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script><em><strong>Demonstration in Rome seen from above</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Another huge demonstration happened in Bologna, with 50,000 people filling the streets of the centre to later occupy the Ring Road, where there was a police crackdown with four people arrested.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/DO5i_llCCTG/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p>&nbsp;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/p/DO5i_llCCTG/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by HubAut Bologna (@hubautbologna)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script><em><strong>Demonstration in Bologna</strong></em></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/6dD2wHPrU-c?si=_4tH6CwGyNZZv0ZJ" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Clashes on the Ring Road in Bologna</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Demonstrations with 15 to 20 thousand people also took place in Naples and Turin (where the railway station was occupied); Genoa (with the occupation of the port); and in Venice, where the social centres of the Northeast blockaded Porto Marghera and had clashes with the police, who made use of water jets.</p>
<p><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/HhCYfSOTMdQ?si=wvIlGmwayluEcGh3" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Venice</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Other clashes and arrests took place in Brescia as 10,000 protesters attempted to occupy the railway station after blocking the city&#8217;s Metro, while a similar number of people paraded in Palermo, Florence, and Pisa. In the latter city, protesters managed to block the bus station, the train station and even the Firenze-Pisa-Livorno Highway. Five thousand people took to the streets in southern cities such as Cagliari, Catania, and Bari. There were also blockades and disruptions at other major port terminals such as those in Trieste, Ravenna, Ancona, Civitavecchia and Salerno. In Livorno, the blockade of the Valessini terminal turned into a permanent protest aimed at the next day, when the passage of a US cargo ship bound for Israel was expected.</p>
<p style="text-align: justify;">As a whole, the journey was undoubtedly successful and surprising. Surprisingly, in the first place, because Italy had stayed away from the last cycles of global upheavals. Social movements are totally fragmented, and what has prevailed among comrades in recent years is a constant sense of disillusionment and impotence, feelings heightened in recent times by the rise of a far-right government. Since the beginning of the genocide in Palestine, the occupations on university campuses have shown a certain reactivation of the youth composition, certainly dominant also in the demonstrations of Monday, but extremely reduced in demographic terms in what is the second-oldest country in the world. At the same time, under the impetus of the small Palestinian youth organisation, protests in solidarity with Gaza have acquired a certain frequency, becoming, in the case of Milan, even weekly, with some small demonstrations that take place every Saturday. Possibly, the departure of the global Sumud Flotilla must have given some inspiration, as well as the French “let&#8217;s block everything” movement that has emerged in recent weeks against Macron&#8217;s policies. Perhaps the outrage has crossed some threshold with the escalation of the “final solution” to the Palestinian Holocaust set in motion by Israel in recent months. Perhaps the Palestinian issue has become the unifying theme of a set of diffuse social dissatisfaction. Maybe it is, today, <a class="urlextern" title="https://ilmanifesto.it/palestina-e-il-nome-del-nostro-scontento" href="https://ilmanifesto.it/palestina-e-il-nome-del-nostro-scontento" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">“the name of our discontent”</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">The demonstrations were undoubtedly successful, but above all, the strategic choice to block the main communication routes. Very quickly, from the blockades of the docks of the ships loaded with weapons and ammunition to directly supply the Israeli army, the understanding came that all the logistics of war are inseparable from the logistics of global capitalism in this destructive stage. If the bottlenecks of transport and communications of goods and people make up the material skeleton of the global economy, the understanding arose that it is from there that it would perhaps be possible to exercise some kind of “counterpower” to fascist barbarism.</p>
<p style="text-align: justify;">Less successful, however, was the result of the stoppage in the strict sense. Faced with the convergence between the obvious difficulties of carrying out a “political” strike (in fact, this was the first experience since the genocide in Gaza began) and the cowardice of the CGIL and the other major trade union confederations, which has hegemony of affiliates in production and public employment, the participation rate seems to have been <a class="urlextern" title="https://www.tag24.it/1353021-dati-adesione-sciopero-generale-per-gaza-22-settembre-la-percentuale" href="https://ilmanifesto.it/palestina-e-il-nome-del-nostro-scontento" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">below 10%</a> in many sectors, with probable exceptions in the public education sector and in some sectors of the circulation, which in some cities joined en masse. This opens up many questions about whether it is possible to paralyse economic life without the mass participation of the organised working class, but manage to hit the main bottlenecks of the global economy. At a time when wage pressure, unemployment, blackmail in the workplace, job insecurity and coward union leaders make it more difficult to effectively exercise the instrument of the strike, to what extent can a very effective revolt itself become a form of general stoppage?</p>
<p style="text-align: justify;">But the main question, here and now, is whether this new movement will have the strength and the capacity to move forward, to grow, to put in crisis a Meloni government that so far still sails with some degree of consensus, and above all to spill over to other countries to make a real contribution to ending the ongoing genocide. As announced by the Genoa Port Workers collective, the current strike was launched as a rehearsal for the moment when there would be some kind of aggression against the Global Sumud Flotilla, which is approaching the Gaza Strip. If this happens, the dock workers have already threatened that they will not carry “not even a nail” and would stop “the whole of Europe”. Time will tell. For now, we are left with the feeling that, for once, we have raised our heads, we have overcome resignation. Maybe it&#8217;s just a flash, a feeling that, together in the streets, we can still feel alive. That we can still shout, even if it makes almost no sense given the level of the present tragedy, that “the peoples in revolt write their history, intifada until victory!”</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Um relato das manifestações pró-Palestina na Itália</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/09/157669/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Sep 2025 09:59:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Greves]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
		<category><![CDATA[Itália]]></category>
		<category><![CDATA[Outras_lutas]]></category>
		<category><![CDATA[Palestina]]></category>
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					<description><![CDATA[Talvez a questão palestina tenha se tornado o tema aglutinador de um conjunto de insatisfações sociais difusas. Por Pérez Gallo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Pérez Gallo</h3>
<p style="text-align: justify;">Participei, meio por acaso, da manifestação em Milão do dia 22 de setembro, amplamente repercutida internacionalmente devido aos violentos confrontos com a polícia que ocorreram na entrada Estação Central ferroviária. Eu estava na Alemanha durante a semana anterior, onde participava de um evento acadêmico e, sendo eu originário da Itália, decidi estender minha viagem mais uns dias em Milão, para visitar amigos e familiares. Cheguei na noite da sexta-feira, dia 19, e logo me pareceu que o clima era diferente do habitual — mais tenso, em expectativa. O genocídio palestino, de fato, é um tema muito forte no debate italiano, seja pela presença de uma importante comunidade árabe e palestina no território, seja pela proximidade geográfica e geopolítica. Mas também — acredito eu — porque na questão palestina chegaram a convergir, nos últimos anos, esperanças de retomada de alguma movimentação depois de mais de uma década de refluxo das lutas. Refluxo que em Milão se sente mais forte ainda: uma cidade completamente dominada pela <em>gentrification</em> e a especulação imobiliária, pelos grandes eventos de moda e as feiras de comida gourmet, pelo encarecimento do transporte urbano e um ritmo econômico (e de exploração) a todo vapor. E onde, faz tempo, as lutas sociais são algo meio ausente do horizonte da vida urbana.</p>
<p style="text-align: justify;">No próprio dia 19, na hora em que eu voltava do aeroporto, estava em curso um pequeno ato e paralisação organizado pela CGIL, a maior confederação sindical, em solidariedade à Gaza. Ao contrário do que se poderia pensar, a decisão da CGIL não foi a corajosa escolha de organizar uma greve política, mas a tentativa covarde de recuperar a luta, adiantando a greve que já havia sido marcada para o dia 22 pelos sindicatos de base USB, Cobas, ADL Cobas, CUB, SGB, sob impulso do coletivo de trabalhadores portuários de Gênova. A ideia seria fazer uma paralisação de apenas duas horas, na parte da tarde de uma sexta feira, e não aderir — e desta forma enfraquecer — a outra marcada para o dia inteiro da segunda-feira (um dia no qual um bloqueio faz muito mais prejuízo). A manobra, aparentemente, não deu certo. Durante todo o fim de semana, pessoas no meu entorno — até mesmo muitos conhecidos meus que não participavam de uma manifestação há 15 anos — não paravam de falar do próximo ato do dia 22. Era prevista chuva, e isso gerava dúvidas sobre o êxito da mobilização.</p>
<p style="text-align: justify;">Na manhã da segunda-feira, de fato, a chuva caía intensa e constante. Apesar disso, já ao chegar em Piazza Cadorna um pouco antes do horário marcado para a concentração, dava para saber que o ato seria grande. Milhares de pessoas iam se acumulando sob os guarda-chuvas, ao ponto de quando a frente do ato começou a se mover, na praça ainda estava chegando gente. A manifestação, com mais de 50.000 pessoas, foi desfilando de maneira confusa por quase 5 quilômetros até a Estação Central, não sem antes realizar um desvio para passar na frente do consulado dos Estados Unidos, onde foram queimadas as bandeiras dos EUA, de Israel, da União Europeia e da OTAN. O que me surpreendeu, talvez por ter ficado muitos anos afastado das manifestações italianas, foi a composição política do ato, ou seja, a não divisão em blocos organizado pelas entidades e os centros sociais, mas sim uma longa serpente humana heterogênea e indefinida, todos atrás de um único carrinho de som do sindicato USB, na qual se misturava a composição social: de estudantes e aposentados, imigrantes árabes, jovens secundaristas de periferia e famílias com crianças, trabalhadores e classe média, com aqui e acolá grupinhos que faziam alguma intervenção específica, como um grupo de fanfarras e os trabalhadores da saúde sob a faixa de “sanitários por Gaza”. Em geral, me pareceu também um ato pouco barulhento, quase silencioso em momentos, como se a falta de caixa de som deixasse mais espaço para o vazio atroz do momento que estamos vivendo.</p>
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<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DO6jl2KDJNA/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by MIM (@milanoinmovimento)</a></p>
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</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Ato de Milão visto de cima<br />
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<p style="text-align: justify;">Ao chegar, por volta das 13 horas, na praça da Estação Central, a sensação geral foi de estranhamento: o ato parecia ter acabado, mas a gente ainda não tinha bloqueado nada, enquanto chegavam notícias de ocupações de estações, rodovias e portos em outras cidades. A polícia estava com um enorme contingente alinhado para a defesa da estação e parecia loucura tentar desafiá-los, além do fato de que nenhum grupo parecia ter se organizado para isso. Pouco a pouco, todavia, frustrações e expectativas foram levando um grupo de pessoas a descer as escadas do metrô, de onde teria uma passagem para a estação por via subterrânea. Logo abaixo, porém, estava outro contingente policial. A pressão foi se acumulando, até que com muita gritaria e alguns empurrões, conseguimos entrar na parte de baixo da estação. Dali, porém, para chegar a ocupar os trilhos, a gente precisava subir até o andar de cima por uma escada rolante, acima da qual começou o confronto, que continuou nas portas de vidro da hall da estação, defendida pelos policiais e completamente destruídas pelos manifestantes. Finalmente, a polícia começou lançar bombas de gas lacrimogêneo, muitos na altura do rosto. A batalha durou uma hora e meia dentro da estação mais umas duas horas na via Vittor Pisani, a grande avenida do lado de fora, com a polícia avançando e a galera resistindo, sem recuar, lançando pedras e outros objetos. Apesar de não ter chegado aos trilhos, por um bom tempo a estação ficou fechada, com os trens que, já acumulando atrasos de mais de duas horas devido à greve, por um tempo pararam de vez de passar pela estação. Pelo que li depois, a participação nos confrontos mais acesos foi de um milhar de pessoas, com outros tantos apoiando do lado de fora. O saldo foi de 60 policiais feridos, com 24 hospitalizados, 11 manifestantes detidos (entre eles dois menores de idade), e uns dez levados embora pela ambulância. Me surpreendeu realmente a disposição da galera: não lembro, desde que era adolescente, uma manifestação com esse tipo de confrontos tão demorados e ao mesmo tempo sem preparação prévia. No passado, o mais comum eram confrontos “performáticos” da galera das ex <em>tute bianche</em>, com um pouco de corpo a corpo das primeiras linhas com a polícia para ter foto na mídia e depois recuo, ou momentos de <em>riot</em> mais planejados, com queima de carros no meio do ato por parte de um grupo menor mas completamente desconectado com o sentimento geral da manifestação, como ocorreu na grande manifestação “No Expo” de 1º de maio de 2015. De lá para cá, o deserto.</p>
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<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DO6hXCqAP2w/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by Federação Árabe Palestina (@fepal_brasil)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Vídeos do confronto</em><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Se Milão, pelo seu desfecho violento, foi o centro das notícias e das imagens que passaram na mídia e nas redes — e obviamente repercutida pela primeira ministra Giorgia Meloni, que em momento nenhum atacou a barbárie israelense em Gaza com a mesma dureza que dedicou aos “vândalos de Milão” —, no resto da Itália a jornada de luta também foi gigante. Segundo o sindicato USB, a participação nos atos foi de mais de 1 milhão de pessoas em 84 cidades.</p>
<p style="text-align: justify;">Em Roma, de 200 a 300 mil pessoas desfilaram durante 8 horas, por 10 quilômetros, pelas ruas da cidade, cercando a Estação de Termini (a maior da cidade), provocando o momentâneo bloqueio do trânsito ferroviário, e ocupando o campus universitário de La Sapienza e o anel rodoviário Leste durante horas em ambas direções. Lá, muitos dos motoristas parados no trânsito, reagiram não com raiva mas com aplausos, buzinas e manifestações de cumplicidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/NnNe1MzD2_4?si=l4MwbHI_3XiygMhn" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Apoio dos motoristas à manifestação</strong><br />
</em></p>
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<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DO51pJfjNPJ/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by Welcome to Favelas (@welcometofavelas)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Manifestação em Roma vista de cima<script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script></em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Outra manifestação enorme foi em Bolonha, com 50.000 pessoas enchendo as ruas do centro para depois ocupar o anel rodoviário, onde houve repressão policial com quatro pessoas detidas.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-captioned="" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/DO5i_llCCTG/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/p/DO5i_llCCTG/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by HubAut Bologna (@hubautbologna)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p><strong><em><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script>Ato em Bolonha</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/6dD2wHPrU-c?si=imycw_5Ag6L3Dwtl" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe>Confrontos no anel rodoviário em Bolonha</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Atos de 15 a 20 mil pessoas ocorreram também em Nápoles e Turim (onde foi ocupada a estação ferroviária); Gênova (com a ocupação do porto); e em Veneza, onde os centros sociais do Nordeste foram bloquear Porto Marghera e tiveram confrontos com a polícia que fez uso de jatos de água.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/HhCYfSOTMdQ?si=lEA5lhXiMEkB7Hpr" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></strong></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Veneza</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Outros confrontos e detenções ocorreram em Brescia, na tentativa dos 10.000 manifestantes de ocupar a estação ferroviária depois de bloquear o metrô da cidade, enquanto um número similar de pessoas desfilou em Palermo, Florença e Pisa. Nesta última cidade, os manifestantes conseguiram bloquear a rodoviária, a estação de trens e até mesmo a rodovia Firenze-Pisa-Livorno. Cinco mil pessoas tomaram as ruas em cidades do sul como Cagliari, Catania e Bari. Houve também bloqueios e interrupções em outras importantes terminais portuárias como as de Trieste, Ravenna, Ancora, Civitavecchia e Salerno. Em Livorno o bloqueio da terminal Valessini se transformou em um protesto permanente visando o dia seguinte, quando era esperada a passagem de um navio cargueiro norte-americano dirigido a Israel.</p>
<p style="text-align: justify;">Em seu conjunto, a jornada foi sem dúvida exitosa e surpreendente. Surpreendente em primeiro lugar porque a Itália tinha ficado afastada dos últimos ciclos de revoltas globais. Os movimentos sociais estão totalmente fragmentados, e o que tem imperado entre os camaradas nos últimos anos é uma sensação constante de desilusão e impotência, sentimentos acrescidos, nos últimos tempo, pela ascensão de um governo de extrema-direita. Sim, desde o começo do genocídio na Palestina, as ocupações nos campi universitários tinham mostrado certa reativação da composição juvenil, certamente dominante também nas manifestações da segunda-feira mas extremamente reduzida em termos demográficos naquilo que é o segundo país mais idoso do mundo. Ao mesmo tempo, sob impulso da pequena organização dos Jovens Palestinos, os protestos em solidariedade com Gaza tem adquirido certa frequência, chegando a ser, no caso de Milão, até mesmo semanais, com alguns pequenos atos que acontecem todos os sábados. Possivelmente, a saída da Global Sumud Flotilla deve ter dado alguma inspiração, assim como o movimento francês “bloqueemos tudo”, surgido nas últimas semanas contra as políticas de Macron. Quiçá a indignação tenha ultrapassado algum limiar com a escalada da “solução final” do holocausto palestino posta em marcha por Israel nos últimos meses. E quiçá a questão palestina tenha se tornado, hoje em dia, o principal tema aglutinador de um conjunto de insatisfações sociais difusas. Talvez ela seja, hoje, <a class="urlextern" title="https://ilmanifesto.it/palestina-e-il-nome-del-nostro-scontento" href="https://ilmanifesto.it/palestina-e-il-nome-del-nostro-scontento" rel="ugc nofollow">“o nome do nosso descontentamento”</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Exitosas foram sem dúvidas as manifestações, mas sobretudo a escolha estratégica dos bloqueios das principais vias de comunicações. Muito rapidamente, a partir dos bloqueios dos portuários dos navios carregados de armas e munições para abastecer diretamente o exército israelense, chegou-se a entendimento que toda a logística da guerra é inseparável da logística do capitalismo global nessa sua etapa destrutiva. Se os gargalos dos transportes e das comunicações de mercadorias e pessoas configuram o esqueleto material da economia global, surgiu o entendimento que é a partir dali que seria quiçá possível exercer algum tipo de “contrapoder” à barbárie fascista.</p>
<p style="text-align: justify;">Menos exitoso, todavia, foi o resultado da paralisação em sentido estrito. Diante da convergência entre as dificuldades evidentes de realizar uma greve “política” (de fato, essa foi a primeira experiência desde que começou o genocídio em Gaza) e a covardia da CGIL e das outras grandes confederações sindicais, que tem hegemonia de filiados na produção e no público emprego, a taxa de adesão parece ter sido <a class="urlextern" title="https://www.tag24.it/1353021-dati-adesione-sciopero-generale-per-gaza-22-settembre-la-percentuale" href="https://www.tag24.it/1353021-dati-adesione-sciopero-generale-per-gaza-22-settembre-la-percentuale" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">abaixo de 10%</a> em muitos setores, com prováveis exceções no setor da educação pública e em alguns setores da circulação, que em algumas cidades aderiram em peso. Isso abre muitas perguntas sobre se é possível paralisar a vida econômica sem a adesão em massa da classe trabalhadora organizada, mas conseguindo atingir os principais gargalos da economia global. Em tempos em que arrocho salarial, desemprego, chantagem nos locais de trabalho, precarização do emprego, direções sindicais pelegas, tornam mais difícil o efetivo exercício do instrumento da greve, até que ponto uma revolta bem efetiva pode se tornar ela mesma uma forma de paralisação geral?</p>
<p style="text-align: justify;">Mas a principal pergunta, aqui e agora, é saber se esse novo movimento terá a força e a capacidade de seguir em frente, de crescer, de colocar em crise um governo Meloni que até agora ainda navega com algum grau de consenso, e sobretudo de transboradar para outros países para dar um aporte real ao fim do genocídio em curso. Conforme anunciado pelo coletivo de portuários de Gênova, a atual greve foi lançada como ensaio geral para o momento em que houvesse algum tipo de agressão à Global Sumud Flotilla, que nesses mesmos dias está se aproximando da Faixa de Gaza. Caso isso venha a ocorrer, os portuários já ameaçaram que não irão carregar “nem sequer um prego” e parariam “a Europa inteira”. O tempo nos dirá. Por agora, ficamos com a sensação que por uma vez, levantamos a cabeça, vencemos a resignação. Quiças seja apenas por um lampejo, uma sensação de que, juntos nas ruas, podemos ainda nos sentir vivos. Que ainda podemos gritar, mesmo que quase não faça sentido dado o nível da tragédia presente, que “os povos em revolta escrevem sua história, intifada até a vitória!”.</p>
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		<title>O bom, o mau e o militante</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Jan 2024 04:00:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Extrema_esquerda]]></category>
		<category><![CDATA[Itália]]></category>
		<category><![CDATA[Socialismo]]></category>
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					<description><![CDATA[O otimismo inabalável de Negri começou lentamente a ter um sabor cada vez mais amargo, como se a única estratégia que restasse fosse repetir ferozmente “estamos a ganhar” perante a derrota óbvia. Por Luhuna Carvalho]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Luhuna Carvalho</h3>
<p style="text-align: justify;">Os Situacionistas uma vez reivindicaram ter tido um genitor amado, o Dadaísmo, e um rejeitado, o Surrealismo. Para muitos de nós, Toni Negri era ambos. Muito novos para tê-los testemunhado em primeira mão, os anos setenta italianos constituem um dos nossos últimos mitos reinantes. Quer saibamos disto ou não, a maior parte das nossas experiências de luta, desde as ocupações até às praças, desenrolou-se no âmbito dos seus vestígios e registos fragmentados, como a única coletividade real que conhecemos.</p>
<p style="text-align: justify;">O Negri que adorávamos foi o Negri que relegou uma promissória e confortável carreira acadêmica para se tornar um agitador. Foi o Negri que nos ensinou como a ira, a raiva, o desespero, o ódio e a alienação que sentíamos era nada mais que um desejo febril por um mundo e uma vida diferentes, nada a não ser uma estranha e profunda paixão pelos nossos camaradas, nada além de uma exaustiva e obsessiva dedicação a abolir a tirania do Capital. Foi o Negri que disse que “começar de novo não significa voltar para trás” <strong>[1]</strong>, transformando <em>Poder Operário</em> em <em>Autonomia</em>, estabelecendo um método de ruptura que celebrasse a recusa proletária à melancolia e memória institucional da esquerda. Foi o Negri que leu cada conceito da economia vulgar como uma categoria antagônica. O Negri que nos apresentou a dignidade, ardor, e a inerente alegria no ato de luta que está fora do alcance do cinismo da crítica. O Negri que tomou os dizeres de Marx que comunismo era “um movimento real de abolição” de um jeito literal, compreendendo como momentos de luta são também momentos de comunismo, portanto são também instantes de algo por vir.</p>
<p style="text-align: justify;">O Negri que rejeitamos, com uma impaciência reservada apenas àqueles que se ama, foi o Negri da perseguição de Sísifo ao próximo sujeito coletivo, cada nova hipótese dissolvendo-se em fumo, uma após outra. Era o Negri que reivindicou que cada modismo social era uma nova expressão de “resistência”, sem nunca explicar realmente por que ou como. Foi o Negri que converteu o pós-operaísmo em uma sociologia branda. Foi o Negri da União Europeia, o Negri da renda básica universal, o Negri constituinte, o Negri democrático, o Negri aceleracionista, etc.</p>
<p style="text-align: justify;">Não há, na realidade, qualquer oposição entre o Negri de balaclava e o Negri cidadão. Após a sua morte, temos de admitir, com toda a honestidade, que essa distinção foi uma invenção nossa. Negri era totalmente coerente. A continuidade do seu pensamento residia no modo como o seu otimismo beckettiano estava intrinsecamente tecido na sua obra filosófica e política.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-151589" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/01/Oase7_2_2400dpi-sm-821x1024.jpg" alt="" width="640" height="798" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/01/Oase7_2_2400dpi-sm-821x1024.jpg 821w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/01/Oase7_2_2400dpi-sm-241x300.jpg 241w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/01/Oase7_2_2400dpi-sm-768x957.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/01/Oase7_2_2400dpi-sm-337x420.jpg 337w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/01/Oase7_2_2400dpi-sm-640x798.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/01/Oase7_2_2400dpi-sm-681x849.jpg 681w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/01/Oase7_2_2400dpi-sm.jpg 1123w" sizes="auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px" /></p>
<p style="text-align: justify;">Tudo começou com o lendário parágrafo vermelho de <em>Classe operaia</em>, a “virada copernicana” de Tronti, agora quase um salmo: “temos de inverter o problema, mudar o sinal, recomeçar do princípio, e o princípio é a luta de classes”. Foram as próprias lutas que obrigaram os capitalistas a criar o capitalismo e as suas expressões mais avançadas continuam a dirigir o desenvolvimento capitalista. A tradução inglesa da declaração seminal de Tronti, no entanto, sempre soou um pouco estranha. No original lê-se <em>lotta di classe operaia</em> (luta de classe operária), e não apenas <em>lotta di classe</em> (luta de classes). A primazia das lutas baseava-se no ser social específico representado pela classe operária industrial italiana do pós-guerra, e não no trabalho como um todo. O antagonismo espontâneo e criativo desta classe operária industrial provinha de uma conjunção singular entre inclusão econômica e exclusão política, que só se manifestava verdadeiramente no espaço fechado da fábrica. A ontologia política do operaismo baseava-se na diferença entre o <em>operai</em> e a classe trabalhadora enquanto tal.</p>
<p style="text-align: justify;">A abordagem de Negri à teoria de Tronti sobre a primazia das lutas sobre o capital aboliu esta diferença, um gesto simultaneamente brilhante e maldito. A essência de tal antagonismo não era qualquer tipo de trabalho produtivo em si, mas antes as condições muito específicas de separação e alienação sofridas por esses operários. A extensão do comando capitalista sobre a reprodução social significava que essa separação e alienação podiam agora ser encontradas em todo o lado.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao observar a mudança através da qual o antagonismo de classe se espalhou da fábrica para a metrópole, Negri desenvolveu as ferramentas conceptuais para nomear, armar e organizar esse antagonismo difuso. Ao fazê-lo, desenvolveu uma teoria de um comunismo que era imediato e imanente às lutas em si mesmas. O comunismo não era o prêmio que aguardava o trabalho árduo e interminável através das fases aleatórias do materialismo dialético, estava já aqui, presente na inteligência violenta, radical e coletiva que se desenrola em mil atos de antagonismo, insurreição e comunização.</p>
<p style="text-align: justify;">A primazia absoluta que Negri concedeu às lutas deu um conteúdo positivo à recusa do trabalho. Por detrás da sabotagem no chão de fábrica e da subversão metropolitana, havia uma forma proletária de trabalho que se esforçava por se materializar. Esta ideia constituiria a base da ontologia de Negri ao longo das décadas seguintes. “Auto-valorização” foi um dos seus primeiros nomes, “multidão” um dos últimos.</p>
<p style="text-align: justify;">Este antagonismo operário generalizado a toda a esfera social foi evidente durante os anos setenta, mas quando o longo <em>maio italiano</em> chegou ao fim, essa primazia da luta parecia cada vez menos defensável. Como poderia o “conteúdo positivo” de Negri, implícito na recusa proletária do trabalho, exprimir-se quando essa recusa do trabalho já não era evidente? Se o método de Negri pretendia sustentar uma primazia social, não fabril, das lutas, então tinha de se tornar uma teoria de pleno direito da vida social contemporânea. O pós-operaísmo passou a ver cada pequena contração do corpo social como “auto-valorização” e como uma possibilidade de “resistência”, sem nunca desenvolver um critério exaustivo para avaliar tal pretensão. O resultado final foi que a “resistência” estava em todo o lado e em lado nenhum ao mesmo tempo.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-151590" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/01/42-sm-1024x701-1.jpg" alt="" width="1024" height="701" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/01/42-sm-1024x701-1.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/01/42-sm-1024x701-1-300x205.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/01/42-sm-1024x701-1-768x526.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/01/42-sm-1024x701-1-614x420.jpg 614w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/01/42-sm-1024x701-1-640x438.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2024/01/42-sm-1024x701-1-681x466.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></p>
<p style="text-align: justify;">Os críticos de Negri acusam-no recorrentemente de não ter sido suficientemente “dialético”. Seus defensores — além dele mesmo — concordariam de bom grado. Mas se ele pode ser acusado de algo, é talvez de ser dialético demais. Se Tronti foi, segundo suas próprias palavras, antes um político e só então um “pensador”, Negri foi — orgulhosamente — primeiro um militante e somente então um filósofo. Negri escreveu para o “movimento”, consciente de que abordar esse tema era, de certa forma, um método para o conceber. Não havia um ponto de vista da razão externo ao movimento subjetivo da classe trabalhadora, à afirmação do seu conteúdo positivo, e por isso a consistência do trabalho conceitual de Negri encontrou seu fundamento e confirmação precisamente nessas lutas. A “auto-valorização” e a “multidão” eram conceitos válidos precisamente na medida em que a ideia de Negri sobre o que constitui um movimento se reconhecia neles, e nos processos políticos neles pressupostos. Por outras palavras, a “multidão” só existia quando acreditava que existia. Pertence à natureza de tal movimento pressupor suas próprias condições materiais e históricas (Estado e Capital). O seu antagonismo triunfante só existia na medida em que partilhava o campo de disputa com a força adversária, mas isso significava que cada objetivo marcado significava uma aceitação das regras do jogo. Por isso Negri nunca foi um anarquista, nem jamais sugeriu ser, apesar de seus escritos terem sempre uma roupagem vagamente libertária. Para ele, conceitos e ideias somentem existem quando se tornam movimento, e movimento só existe quando articulado com realidades institucionais concretas de seu próprio período — Seja ele o Partido Comunista Italiano ou a União Europeia, seja a Fiat Mirafiori ou o empreendedorismo neo-liberal.</p>
<p style="text-align: justify;">De qualquer maneira, como insurreições vieram e se foram, a coerência interna de cada instância do “movimento” pareceu se dissipar ainda mais. O <em>negrismo</em> funcionou como suposição de que o núcleo dinâmico da política contemporânea reside na oscilação entre formas constituintes e constituídas. Mas o poder de hoje se afirma entre sua capacidade de destruir, desmantelar e aniquilar seu próprio corpo social através da austeridade, ostracismo, ou a guerra total. A integridade de qualquer substância revolucionária positiva só poderia manter-se enquanto essa dialética constitucional também se mantivesse, mesmo que o “poder constituinte” permanente de Negri pretendesse pará-la no seu caminho. O otimismo inabalável de Negri começou lentamente a ter um sabor cada vez mais amargo, como se a única estratégia que restasse fosse repetir ferozmente “estamos a ganhar” perante a derrota óbvia. A autonomia, para Negri, existia como forma de libertar o PCI da sua ortodoxia e complacência, não como forma de o destruir. Mas a UE não é o PCI, e bitcoin não é Mirafiori.</p>
<p style="text-align: justify;">Negri estava correto de um jeito que poucos outros alguma vez foram, nomeadamente em sua insistência de que o comunismo está sempre prontamente presente. Sua vida consistiu, em suas próprias palavras, em uma “vida comunista”. Alegar que a vida é comunista não significa afirmar que o comunismo se realizou na integridade ética das ações e dos afetos de cada um, nem acreditar que uma história pessoal única possa representar o significado do comunismo. Significa em vez disso que este escolheu viver pela questão comunista, com seus singulares e coletivos prazeres e tentativas. A morte de Negri, junto da de <a class="urlextern" title="https://illwill.com/interregnum" href="https://illwill.com/interregnum" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">Tronti</a> e outros, põe a questão da continuidade, especialmente àqueles que, de uma forma ou outra, foram formados em tradições militantes devidas a estas figuras imponentes. Em um mundo que permite pouca esperança, sua lendária tenacidade é inspiradora e onerosa. Talvez a única maneira honesta de permanecer fiel a isso é, em nossos termos, uma vez mais assumir a inerente ruptura em seus pensamentos. É precisamente porque podemos prezar pelo otimismo de Negri que podemos sugerir que, agora mesmo, começar de novo pode ter passado a significar voltar atrás — voltar atrás à questão: o que é uma vida comunista?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Notas</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1]</strong> Ricominciare da capo non significa andare indietro.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Originalmente publicado em inglês em Dezembro de 2023 pelo blog <a class="urlextern" title="https://illwill.com/the-good-the-bad-and-the-militant" href="https://illwill.com/the-good-the-bad-and-the-militant" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">ILL WILL</a>, este artigo foi traduzido por Alan Fernandes.</p>
</blockquote>
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		<title>Milão: vigília pela libertação de Assange no consulado britânico</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/07/144948/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Enzo Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 Jul 2022 23:13:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Movimentos em Luta]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[Itália]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia/comunicação_social]]></category>
		<category><![CDATA[Reino Unido]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão_e_liberdades]]></category>
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					<description><![CDATA[Aqueles que apoiam esta causa são aqueles comprometidos com o progresso e a emancipação. Por Comitê para a Libertação de Julian Assange – Itália e Comitê contra a Guerra – Milão]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Comitê para a Libertação de Julian Assange – Itália e Comitê contra a Guerra – Milão</h3>
<p style="text-align: justify;">Domingo, 3 de julho de 2022 às 17h30, na Piazza del Liberty em Milão.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 3 de julho de 2022, Julian Assange fará 51 anos, um aniversário e tanto. Na verdade, Assange está prestes a ser extraditado para os Estados Unidos.</p>
<p style="text-align: justify;">Na quinta-feira, 16 de junho, fomos à prefeitura de Milão entregar um formulário com mais de 2.000 assinaturas ao presidente da república, Sergio Mattarella. No nosso apelo ao chefe de Estado, pedimos que assumisse um papel ativo na defesa do jornalista Julian Assange. Sergio Mattarella declara frequentemente seu apoio à liberdade de imprensa, então pensamos em fazer mais essa tentativa.</p>
<p style="text-align: justify;">Os advogados de Assange estão recorrendo aos tribunais britânicos para que reavaliem o caso. Seu objetivo é impedir a Grã-Bretanha de extraditar Julian Assange, entregando-o aos Estados Unidos.</p>
<p style="text-align: justify;">A imprensa e os meios de comunicação não têm visto as coisas com clareza; de fato, era de se esperar que houvesse mais vozes em defesa de Julian Assange. Não tem sido este o caso.</p>
<p style="text-align: justify;">Pode-se até pensar que, tendo renunciado há muito à sua independência, a nossa imprensa e meios comunicação não têm qualquer motivo para defendê-lo. O verdadeiro jornalismo investigativo é raramento praticado em nosso país.</p>
<p style="text-align: justify;">Julian Assange pode ser condenado a não menos do que 175 anos de prisão nos Estados Unidos. Washington o que, entre outras razões, por causa das ações dos militares americanos no Afeganistão e no Iraque. Julian Assange, através do WikiLeaks, tornou públicos só crimes de guerra cometidos nesses países, crimes pelos quais a Casa Branca tem responsabilidade, tais como a tortura durante interrogatórios no Iraque e em Guantánamo.</p>
<p style="text-align: justify;">O WikiLeaks também tornou públicos os e-mails da Sra. Hillary Clinton, mediante os quais a então Secretária de Estado norte-americana expressava o desejo de desestabilizar Estados como a Síria e de sabotar a candidatura de Bernie Sanders durante a campanha presidencial de 2016.</p>
<p style="text-align: justify;">Sabemos que este jogo trágico não chegou ao fim. Como afirmamos em 16 de junho, na entrega de assinaturas a Sergio Mattarella, manteremos o respeito e a gratidão devidos à grande coragem de uma figura, um homem raro, como Julian Assange.</p>
<p style="text-align: justify;">Não esqueçamos que os países mais interessados em atacar o nosso direito de saber para poder decidir, um direito reconhecido pelo próprio Julian Assange, são dos Estados Unidos e a Grã-Bretanha.</p>
<p style="text-align: justify;">Vamos nos reunir no domingo, 3 de julho de 2022, às 17h30, em frente do consulado britânico, na Piazza del Liberty, em Milão.</p>
<p style="text-align: justify;">Comitê para a Libertação de Julian Assange – Itália<br />
Comitê contra a Guerra – Milão</p>
<p style="text-align: justify;">Aqueles que apoiam esta causa são aqueles comprometidos com o progresso e a emancipação. É por isso que pedimos que tragam bandeiras de países, incluindo México, Venezuela, Cuba e Síria, que se pronunciaram em defesa de Assange ou lutam pela sua libertação e independência em relação a Washington, Londres, Paris, etc.</p>
<p>Evento no Facebook: <a href="https://www.facebook.com/events/577523800423644?ref=110" target="_blank" rel="noopener">https://www.facebook.com/events/577523800423644?ref=110</a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>* * *</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dedico esta canção a Julian Assange, para que resista até sua libertação.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas também a todos os jornalistas chantageados em seus locais de trabalho e que sofrem psicopatologias por não serem livres para escrever a verdade.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, acima de tudo, dedico aos corajosos jornalistas que, apesar de serem constantemente boicotados e ameaçados, lutam pela verdade, escrevem-na corajosamente e defendem-na com toda a sua tenacidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Ultimo &#8211; Equilibrio mentale (vídeo com legendas)</p>
<p><iframe loading="lazy" title="Ultimo - Equilibrio mentale - Home piano session (Lyrics video)" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/fsNQavX-pgc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<blockquote><p>Traduzido do italiano pelo Passa Palavra.</p></blockquote>
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		<title>Perdendo o medo</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/03/142778/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Mar 2022 12:10:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[PassaPalavraTV]]></category>
		<category><![CDATA[Itália]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho_e_sindicatos]]></category>
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					<description><![CDATA[Uma resistência enérgica e forte tem se formado na base da escala salarial. Por labournet tv]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por LabourNet</h3>
<p><iframe loading="lazy" src="https://labournet.tv/iframe_embed_v2.php?clipId=6894" width="425" height="245" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" data-mce-type="bookmark" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
<p>Italiano com legendas em inglês.</p>
<div class="table sectionedit34">
<table class="inline" style="height: 51px;" width="365">
<tbody>
<tr class="row0">
<td class="col0">80 min</td>
<td class="col1">2021</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p style="text-align: justify;">Desde 2008, coisas incomuns vêm acontecendo no norte da Itália. As empresas, a classe política e a mídia estão usando o início da crise para minar ainda mais os direitos dos trabalhadores, que foram esmagados até agora. Por outro lado, uma resistência enérgica e forte tem se formado na base da escala salarial.</p>
<p style="text-align: justify;">De todas as pessoas, foram os trabalhadores precários e em grande parte migrantes do setor logístico que, por meio da solidariedade e de uma organização eficaz, tiveram sucesso em superar o isolamento e as condições de trabalho degradantes. Uma luta que mudou não apenas as condições de trabalho, mas também toda a sua vida.</p>
<p style="text-align: justify;">“Eu estava conversando com as meninas desde 2012 porque eu conheci esse sindicato chamado SI Cobas. Mas há muito medo porque eles colocam você em uma condição de servidão, você está escravizado a ponto de não poder dizer nem &#8216;a&#8217;. Você não diz nada, você trabalha item após item após item… Então eu estava falando com as garotas desde 2012 e não sei como isso aconteceu. Foi sorte.” (trabalhador da Yoox, no filme)</p>
<p style="text-align: justify;">Equipe: <a class="urlextern" title="http://labournet.tv/" href="http://labournet.tv/" rel="ugc nofollow">labournet.tv &#8211; Rosa Cannone / Johanna Schellhagen</a></p>
<p style="text-align: justify;">Mais Informações<br />
<a class="urlextern" title="https://libcom.org/blog/ditching-fear-warehouse-workers-struggles-italy-their-wider-significance-12072015" href="https://libcom.org/blog/ditching-fear-warehouse-workers-struggles-italy-their-wider-significance-12072015" rel="ugc nofollow">AngryWorkersOfTheWorld, relatando as lutas</a> (inglês) [versão em português: <a class="urlextern" title="https://passapalavra.info/2017/08/114361/]" href="https://passapalavra.info/2017/08/114361/]" rel="ugc nofollow">https://passapalavra.info/2017/08/114361/]</a><br />
<a class="urlextern" title="http://effimera.org/the-revolution-in-logistics-di-anna-curcio/" href="http://effimera.org/the-revolution-in-logistics-di-anna-curcio/" rel="ugc nofollow">Anna Curcio falando sobre as lutas</a></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Itália: armazém da Amazon bloqueado em Piacenza e grevistas atacados em Prato</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/10/140663/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Oct 2021 04:44:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Greves]]></category>
		<category><![CDATA[Itália]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho_e_sindicatos]]></category>
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					<description><![CDATA[Todo o setor de logística está mobilizado, principalmente no norte do país. Por LibCom]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por LibCom</h3>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Original em inglês: <a class="urlextern" title="https://libcom.org/news/italian-general-strike-amazon-warehouse-blockaded-piacenza-strikers-attacked-prato-12102021" href="https://libcom.org/news/italian-general-strike-amazon-warehouse-blockaded-piacenza-strikers-attacked-prato-12102021" rel="ugc nofollow">https://libcom.org/news/italian-general-strike-amazon-warehouse-blockaded-piacenza-strikers-attacked-prato-12102021</a></p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Segunda-feira, dia 11 de outubro, uma greve geral foi convocada por vários sindicatos de base da Itália, tendo o dia sido marcado pelo bloqueio massivo de um armazém da Amazon e um violento ataque contra trabalhadores que faziam piquete.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma greve geral foi convocada em toda a Itália por vários sindicatos de base, incluindo Si Cobas [Sindicato Intercategorial Comitês de Base], CUB [Confederação Unitária de Base], USB [União Sindical de Base] e USI [União Sindical Italiana].</p>
<p style="text-align: justify;">Em Piacenza, na Emília-Romanha, mais de mil trabalhadores se reuniram para bloquear um armazém da Amazon:</p>
<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true">
<p lang="fr" dir="ltr">Grève de la logistique en Italie ! A l’appel des syndicats de base (SiCobas), l’ensemble du secteur est mobilisé, particulièrement dans le nord du pays. Depuis ce matin, la plateforme Amazon de Piacenza est encerclée et bloquée par plus d&#39;un millier d’ouvriers&#8230; <a href="https://t.co/kU4NO2qap0">pic.twitter.com/kU4NO2qap0</a></p>
<p>&mdash; David Gaborieau (@DavidGab_) <a href="https://twitter.com/DavidGab_/status/1447586329110491139?ref_src=twsrc%5Etfw">October 11, 2021</a></p></blockquote>
<p><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p>
<h6 style="text-align: center;">Greve do setor de logística na Itália! Na convocatória dos sindicatos de base (Si Cobas), todo o setor está mobilizado, principalmente no norte do país. Desde esta manhã, a plataforma da Amazon em Piacenza foi cercada e bloqueada por mais de mil trabalhadores&#8230;</h6>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto isso, na cidade de Prato, na Toscana, um piquete na companhia têxtil Dreamland foi violentamente atacado, e quatro grevistas foram hospitalizados:</p>
<p><a href="https://twitter.com/i/status/1447801574697410561">https://twitter.com/i/status/1447801574697410561</a></p>
<h6 style="text-align: center;">#Prato. Agressão de quadrilha fascista contra os sindicalistas do #SiCobas. Enquanto isso a polícia só observa. A solidariedade nesse caso é opcional? #Draghi [primeiro-ministro italiano] vai apoiar os trabalhadores espancados?</h6>
<p>&nbsp;</p>
<p><a class="urlextern" title="https://www.facebook.com/sicobas.lavoratoriautorganizzati.9/posts/1636381549893869" href="https://www.facebook.com/sicobas.lavoratoriautorganizzati.9/posts/1636381549893869" rel="ugc nofollow">O Si Cobas escreveu</a>:</p>
<blockquote><p>“Acampamentos e ações de luta em toda a Itália em prol da greve geral pelo sindicalismo de base.<br />
Mais de 2000 trabalhadores do Si Cobas estão bloqueando a Amazon em Piacenza.<br />
O tráfego de mercadorias foi interrompido nos portos de Nápoles e Gênova, piquetes em grande parte da cadeia logística, parando a maior parte do transporte público local.<br />
Fechamos tudo!!!”</p></blockquote>
<p>Respondendo especificamente ao ataque em Prato, <a class="urlextern" title="https://www.facebook.com/sicobas.lavoratoriautorganizzati.9/posts/1636732683192089" href="https://www.facebook.com/sicobas.lavoratoriautorganizzati.9/posts/1636732683192089" rel="ugc nofollow">o Si Cobas acrescentou</a>:</p>
<blockquote><p>“Há algumas horas, durante o movimento de greve geral em curso no distrito têxtil de Prato, o acampamento dos trabalhadores fora da Dreamland foi brutalmente atacado por um bando de fascistas armados com bastões.<br />
Quatro trabalhadores foram parar no hospital!!!<br />
Mais uma vez, a polícia estava presente no local, filmando tranquilamente o ataque!!!<br />
Deve-se salientar que a Dreamland é uma empreiteira da infame Texprint, conhecida pela demissão ilegítima de trabalhadores do Si Cobas que estavam lutando contra o excesso de trabalho e os turnos massacrantes.<br />
Nesse momento em que se fala muito sobre paramilitares e fascistas, as instituições enchem a boca com palavras vazias e hipócritas, enquanto os trabalhadores que relatam a exploração em turnos massacrantes de 12 horas diárias são agredidos por milícias, com o silêncio e o consentimento daquelas forças do governo que nessas horas agitam de modo instrumental o fantasma do neo-fascismo nos eventos em Roma para impor uma nova restrição às greves e lutas sociais.<br />
Nestes instantes, chegou a Piazza del Município uma passeata espontânea de trabalhadores em solidariedade, vinda de Macrolotto.<br />
Todos podem apoiar os grevistas agredidos!”</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Traduzido por Marco Túlio Vieira.</em></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Segreti</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enzo Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Sep 2021 03:30:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Flagrantes Delitos]]></category>
		<category><![CDATA[Itália]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[Em Bérgamo, cidade italiana que mais sofreu e aterrorizou o mundo no início da pandemia, uma mulher pede apoio a uma amiga: “Minha filha pode passar a tarde em sua casa?” As crianças eram colegas na escola comunitária antroposófica, então seria uma diversão. Sempre que necessário, era na casa da avó que a criança ficava, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em Bérgamo, cidade italiana que mais sofreu e aterrorizou o mundo no início da pandemia, uma mulher pede apoio a uma amiga: “Minha filha pode passar a tarde em sua casa?” As crianças eram colegas na escola comunitária antroposófica, então seria uma diversão. Sempre que necessário, era na casa da avó que a criança ficava, mas agora que a sogra tinha cedido às pressões do sistema e se vacinado contra a covid, a mulher temia o risco de contágio com as substâncias desconhecidas que estavam sendo disseminadas através das vacinas. Escondendo a perplexidade (e o fato de que também havia se vacinado), uma desculpa foi inventada na hora, era melhor não, afinal o marido teve febre à noite. <strong>Passa Palavra</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Greves e mobilizações invisíveis na pandemia italiana</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/01/135728/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Jan 2021 04:14:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Itália]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho_e_sindicatos]]></category>
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					<description><![CDATA[Por Into the Black Box e Officina Primo Maggio Publicado originalmente aqui. Este artigo é parte do livro Lutas na pandemia, publicado em inglês pelo coletivo Notes from below e cuja Introdução foi publicada em português aqui. Fizeram parte da publicação os artigos A chamada da morte: pânico no atendimento, Atento: resistindo à chamada da [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por Into the Black Box e Officina Primo Maggio</h3>
<blockquote><p>Publicado originalmente <a class="urlextern" title="https://notesfrombelow.org/issue/struggle-pandemic" href="https://notesfrombelow.org/issue/struggle-pandemic" rel="ugc nofollow">aqui</a>. Este artigo é parte do livro <strong><em>Lutas na pandemia</em></strong>, publicado em inglês pelo coletivo <a class="urlextern" title="https://notesfrombelow.org/issue/struggle-pandemic" href="https://notesfrombelow.org/issue/struggle-pandemic" rel="ugc nofollow">Notes from below</a> e cuja Introdução foi publicada em português <a class="urlextern" title="https://passapalavra.info/2020/07/132906/" href="https://passapalavra.info/2020/07/132906/" rel="ugc nofollow">aqui</a>. Fizeram parte da publicação os artigos <a class="urlextern" title="https://passapalavra.info/2020/03/130437/" href="https://passapalavra.info/2020/03/130437/" rel="ugc nofollow">A chamada da morte: pânico no atendimento</a>, <a class="urlextern" title="https://passapalavra.info/2020/04/131169/" href="https://passapalavra.info/2020/04/131169/" rel="ugc nofollow">Atento: resistindo à chamada da morte</a>, <a class="urlextern" title="https://passapalavra.info/2020/05/131484/" href="https://passapalavra.info/2020/05/131484/" rel="ugc nofollow">Odisseia da morte: persiste a luta pela vida na Atento</a> e <a class="urlextern" title="https://passapalavra.info/2020/07/133043/" href="https://passapalavra.info/2020/07/133043/" rel="ugc nofollow">AnkerMag: uma imagem da Bélgica</a>.</p>
<p>A tradução é de Marco Túlio Vieira.</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">O progressivo surgimento da emergência sanitária causada pela pandemia de COVID-19 não foi simplesmente um processo regular de medidas impostas por cima para contê-la. Pelo contrário, a Itália presenciou uma onda bastante relevante de lutas no interior e contra este cenário radicalmente novo. Ao invés de uma rota passiva em direção à “unidade nacional” para confrontar o “inimigo invisível” nesta nova “guerra” (para usar a linguagem do Governo e da mídia), nós vimos formas heterogêneas de rebelião nas cadeias, abstenção massiva do trabalho, greves, ações de solidariedade e formas de protesto que tornaram visíveis o jeito como, mesmo durante uma pandemia, as desigualdades e injustiças ainda têm um papel crucial na formação de nossas sociedades contemporâneas. Em outras palavras, a “exceção” representada pela erupção da COVID-19 iluminou os modos “normais” pelos quais as pessoas são hierarquizadas.</p>
<p style="text-align: justify;">A divisão de classes está mais manifesta do que nunca, e as maneiras pelas quais gênero e raça influenciam diariamente as desigualdades estão mais evidentes. Nós podemos dizer que um conjunto de contradições está ficando mais evidente e alcançando a percepção das massas. Primeiramente: o embate brutal entre saúde e lucro e a distinção entre reprodução social e reprodução do capital. A demanda por suspender a produção — especialmente nas regiões mais afetadas pelo vírus no norte da Itália — foi duramente combatida pela Confindustria, a associação comercial nacional dos industriais, representando um sério risco para milhões de trabalhadores.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma nova constelação de pontos relacionados a essas contradições está surgindo. Apenas para dar alguns exemplos: a abordagem política neoliberal e quase uma década de medidas de austeridade se tornam emblemáticas agora por seus efeitos necrogênicos devido aos cortes nos sistemas públicos de saúde e à privatização de ramos da saúde; a noção de “essencialidade” se tornou o centro da discussão pública para definir quais tipos de trabalho deveriam ser suspensos e quais não, definindo uma nova percepção pública de qual é o real papel de alguns trabalhos.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma terceira camada analítica, intimamente relacionada com a última reflexão, deve levar em consideração as formas como as economias contemporâneas são organizadas e o que a crise da COVID-19 nos diz sobre elas. A lógica das cadeias globais de valor foi profundamente abalada e rompida. A ideia de se organizar os processos de trabalho através da fragmentação, individualização e de subsistemas hierárquicos está sob um escrutínio radical por sua incerta sustentabilidade do ponto de vista do capital. A logística, um dos elementos-chave para as cadeias globais de valor, passou nos últimos dez anos de um setor marginalizado e invisível para um setor estratégico e “essencial”. A nova logística metropolitana representada por plataformas como a Amazon e por aplicativos de entrega como o Deliveroo se tornaram infraestruturas centrais da vida cotidiana. Trabalhadores de entrega costumavam ser classificados como “trabalhadores precários” [<em>gig workers</em>] e agora são empregados em uma espécie de “setor essencial” que precisa continuar funcionando durante a pandemia. As milhões de pessoas que ainda estão indo para seus locais de trabalho todos os dias nos lembram o quanto a condição “tradicional” da classe trabalhadora ainda é crucial para as economias contemporâneas, demostrando como o capital é capaz de integrar “novas” e “velhas” condições e explorações dos trabalhadores. Finalmente, a desestruturação <img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-135737" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/01/Vie-vuote-04-2.jpg" alt="" width="457" height="305" />dos mercados de trabalho ocorrida nas últimas décadas está manifestando seus efeitos violentos agora. Centenas de milhares de pessoas que estão trabalhando como autônomos com contratos precários ou em mercados informais estão agora sem renda.</p>
<p style="text-align: justify;">Dado este esboço geral, nós agora vamos focar em algumas pesquisas atuais que estamos conduzindo durante a crise.</p>
<p><strong>Logística</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A logística foi constantemente considerada crucial nas constantes mudanças das ordens do novo Primeiro Ministro durante a crise da COVID-19. O Decreto do Primeiro Ministro do dia 22 de março (chamado “Chiudi Italia” — “Fechar a Itália”) confirmou os serviços de transporte e logística como atividades essenciais que deveriam permanecer abertas, não mencionando nenhuma restrição em termos de quais itens “essenciais” deveriam ser entregues. Enquanto isso, greves e bloqueios aconteceram em muitos armazéns e empresas de logística antes e depois desta data. Desde o início da crise da COVID-19 muitos protestos espontâneos e organizados aconteceram demandando a garantia das medidas sanitárias de distanciamento social nos locais de armazenamento, limpeza, luvas de plástico, máscaras de proteção e outras medidas de segurança. Do Vale do Pó aos bairros de Roma, da Lombardia ao Piemonte, assim como em outras partes da Itália, muitos trabalhadores pararam. GLS, TNT, DHL, BRT, Amazon (se juntando à Declaração Internacional dos Trabalhadores na Amazon) e outras empresas de logística ainda estão enfrentando greves diárias: os trabalhadores demandam somente a movimentação das mercadorias essenciais e o direito à saúde no trabalho. Logo antes da Páscoa, alguns sindicatos alcançaram um acordo com algumas das empresas de logística, fazendo-as assinar um documento pelo qual as empresas concordavam com os seguintes termos: os trabalhadores garantiriam a movimentação completa indispensável de remédios e alimentos; em relação a outras mercadorias não essenciais, os armazéns deveriam funcionar com um percentual reduzido de suas capacidades. Apesar do acordo inicial, nem as poucas empresas de logística que assinaram o documento respeitaram os termos. A situação ainda está fluída e sem definição, mas a insatisfação dos trabalhadores continua.</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, a cadeia de suprimentos agroindustriais está sob tensão porque as colheitas de muitos produtos estão se aproximando, mas as medidas de confinamento estão bloqueando o suprimento de força de trabalho. Na verdade, trabalhadores imigrantes representam a maioria da força de trabalho neste setor, caracterizado pela hiperexploração e uma hierarquização baseada na cor: o regime de mobilidade restrita das leis de imigração italianas criminaliza estruturalmente os trabalhadores imigrantes para expô-los a mais exploração, sem a possibilidade de apelar por direitos básicos nas condições de trabalho. É por isto que várias organizações e sindicatos estão reivindicando um ato de indenização para legalizar as condições civis de tais trabalhadores, já que a pandemia está chamando a atenção para o seu papel fundamental na cadeia de suprimentos agroindustriais.</p>
<p><strong>Entregadores</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo que os entregadores estejam extremamente expostos ao risco de infecção, as plataformas de entrega de comida nunca suspenderam o serviço. Deliveroo aumentou seu alcance para incluir alguns produtos “essenciais”, como remédios, para ganhar novas fatias de mercado. Além disso, as empresas diminuíram a <img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-135732" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/01/Vie-vuote-03-2.jpg" alt="" width="377" height="464" />renda mínima garantida por hora e aumentaram a comissão cobrada dos restaurantes. No começo, muitos restaurantes suspenderam os serviços, mas, à medida que a quarentena se estendeu, voltaram a fornecer serviços de entrega para os clientes.</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, as plataformas não forneceram nenhum tipo de medida de proteção ou benefício emergencial para os trabalhadores, se livrando de qualquer responsabilidade frente a um suposto trabalho autônomo. Uma espécie de reembolso foi prometido aos trabalhadores afetados pelo coronavírus se conseguissem provar o contágio (e nós sabemos que não é exatamente fácil, já que os exames são feitos apenas em pessoas extremamente doentes). Entregadores reclamaram da falta de apoio e organizações sindicais autônomas locais convocaram uma paralização dos serviços e a instituição de uma renda de quarentena. O problema, na verdade, é que grande parte dos entregadores precisam trabalhar para sustentar suas famílias e não possuem outras formas de renda.</p>
<p style="text-align: justify;">Em tal contexto, as plataformas de entrega de comida estão reforçando seu papel de infraestrutura social para a vida urbana e podem lucrar com a economia fechada pós-emergência sanitária.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao mesmo tempo, à medida em que esse serviço parece ser essencial nas cadeias de suprimento contemporâneas do capitalismo, os trabalhadores ganham uma nova visibilidade e podem explorar tal papel para reivindicar melhorias nas suas condições de trabalho.</p>
<p><strong>Trabalhadores autônomos</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A situação criada pela disseminação do coronavírus afetou empresas e trabalhadores (empregados e autônomos) e provavelmente será muito pesada para muitos freelancers que não podem contar com benefícios sociais, políticas de bem-estar ou reservas e poupanças devido a rendas muitas vezes abaixo do nível de pobreza.</p>
<p style="text-align: justify;">No início de março, a associação de freelancers italiana ACTA, que organiza “a condição profissional”, lançou uma pesquisa (<em>inchiesta-lampo</em>) para coletar dados sobre os efeitos das medidas de combate à disseminação do coronavírus no trabalho dos freelancers. O que é preocupante, em particular, é a perda de renda que já está acontecendo e que irá continuar nos próximos meses. Os serviços tipicamente executados por esse grupo de trabalhadores são programados com bastante antecedência e são fortemente afetados não apenas pelas condições da indústria italiana e estrangeira em geral, mas também pela falta de movimentação de pessoas, na Itália e em outros países. Os resultados mostram que as mulheres aparentemente são mais afetadas do que os homens, em parte porque as profissões que mais sofreram são do tipo que conta com grande número de mulheres, e também porque o fechamento de escolas e creches tem um impacto maior na disponibilidade de mulheres para trabalhar. Na verdade, muitas pessoas acham que deveriam haver medidas compensatórias em favor daqueles que foram impedidos de trabalhar devido ao fechamento das escolas.</p>
<p style="text-align: justify;">Os setores mais afetados ainda são aqueles diretamente impactados pelo lockdown, mas a desaceleração geral da economia está começando a ter um impacto no cenário mais amplo.</p>
<p style="text-align: justify;">De acordo com as medidas tomadas pelo governo italiano durante a emergência, há um bônus de 600 euros no mês de março para freelancers. Isso é muito pouco se comparado a uma perda que promete ser muito maior, mas é um primeiro passo para aqueles que nunca forem cobertos pelas redes de segurança social. Além disso, outras medidas devem ser tomadas quanto às datas de vencimento dos impostos. Finalmente, essa crise reafirma a importância das políticas de bem-estar, não apenas em relação ao serviço de saúde, cujas virtudes e limitações ficaram em evidência, mas também em relação ao trabalho, onde sistemas já testados estavam disponíveis para empregados, mas não para todos os outros trabalhadores.</p>
<p><strong>Alguns elementos de discussão</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em uma era histórica marcada por crises humanitárias, relativa intensificação de fluxos migratórios e pandemias, o transporte de mercadorias representa um dos setores fundamentais para uma economia globalizada. Por outro lado, a emergência sanitária resultante da disseminação da COVID-19 aumentou a percepção de que, em um contexto de cadeias globais de valor e fortes interdependências entre as economias, um choque que atinja um dos elos da corrente vai se propagar e ter um impacto sistêmico. Quando a emergência acabar, de acordo com alguns observadores, o processo de desglobalização vai se acelerar. As interrupções que empresas, indivíduos e governos estão experimentando atualmente nos levam a pensar que a globalização está posta em risco por tais emergências sanitárias.</p>
<figure id="attachment_135739" aria-describedby="caption-attachment-135739" style="width: 444px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-135739" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2021/01/vie-vuote-02-2.jpg" alt="" width="444" height="312" /><figcaption id="caption-attachment-135739" class="wp-caption-text">Bologna ai tempi del coronavirus &#8211; fotógrafa: Francesca Blesio</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">As empresas provavelmente vão levar em consideração as lições aprendidas sobre o potencial colapso das cadeias de suprimentos globais em função desses choques, e isso se refletirá, no futuro, em uma reconfiguração dos modelos de negócios adotados até então.</p>
<p style="text-align: justify;">O que os trabalhadores podem aprender com essa experiência inesperada? Se, como dizem os observadores, por um lado a pandemia demonstrou a fragilidade das cadeias globais de valor e isso vai acelerar a tendência à desglobalização, por outro lado, eles previram um crescimento do setor de logística (apesar da desaceleração do comércio internacional), transportadoras e entregadores (devido à crescente demanda por entregas em domicílio). O novo cenário que está surgindo nos incita a refletir sobre as próximas lutas disruptivas, aprendendo com os conflitos do passado.</p>
<p style="text-align: justify;">Além do mais, existe a possibilidade de uma economia fechada depois da emergência com um crescente papel das plataformas e empresas de varejo. Gigantes da tecnologia estão lucrando com a crise com suas infraestruturas digitais se tornando fundamentais para a vida em sociedade. Isso criará um impulso para mais automação e digitalização dos trabalhos e serviços. A distinção entre trabalho remoto e trabalho presencial parece refletir uma composição técnica do capital diferenciada pela capacidade de digitalização e terceirização. No entanto, a casa do trabalhador não pode ser encarada como um lugar melhor e mais seguro, mas um lugar onde o trabalho se cruza com outras condições como renda, raça e gênero. Nem todas as pessoas têm o mesmo acesso à internet ou têm as mesmas condições de habitação; a casa também pode ser um local para violência de gênero ou hierarquias.</p>
<p style="text-align: justify;">Dito isto, a pandemia está produzindo uma experiência de massas que está abrindo novas energias de conflito em potencial. Portanto, é importante orientar as pesquisas e elaborar hipóteses para as tendências emergentes. Nós precisamos estar prontos para agarrar as oportunidades para verticalizar rupturas potenciais em direção à desestruturação do comando capitalista. Os contornos do sujeito social que vai emergir dentro deste novo cenário ainda são vagos, mas é possível apostar na possibilidade da expressão política de um campo social que não vai aceitar pagar o alto preço desta crise. O desafio é organizar as novas possibilidades de lutas de classes, encontrando as forças motrizes dos sujeitos que possuem visões antagônicas em relação ao sistema atual nos enfrentamentos que já estão em curso. Neste sentido, nós achamos que novas oportunidades para as lutas de classe estão emergindo e que irá crescer o potencial de ação de uma multiplicidade de “novas e velhas” formas de trabalho. Além disso, dois outros campos serão estratégicos: a “digitalização” do trabalho e da vida — incluindo formas invasivas de vigilância social — provavelmente se tornará um novo terreno de conflitos, com formas e dinâmicas a serem inventadas; a reprodução social é um campo de tensão onde novos processos de conflito podem emergir. Dentro deste conjunto heterogêneo de possibilidades, nós achamos que a crise deve ser vista não apenas como um espaço/tempo para a restruturação do capital e de medo social, mas também como a possibilidade de relançar novas configurações de luta.</p>
<p><strong>Mais informações:</strong></p>
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