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	<title>Zona euro &#8211; Passa Palavra</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>Velha Toupeira (36)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Dec 2025 12:21:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cartoons]]></category>
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					<description><![CDATA[]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158209" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/11/vt36-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="853" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/11/vt36-scaled.jpg 2560w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/11/vt36-300x100.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/11/vt36-1024x341.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/11/vt36-768x256.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/11/vt36-1536x512.jpg 1536w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/11/vt36-2048x683.jpg 2048w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/11/vt36-1260x420.jpg 1260w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/11/vt36-640x213.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/11/vt36-681x227.jpg 681w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /></p>
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		<title>Episódios grotescos da politiquice kakaniana</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Apr 2025 12:20:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ideias & Debates]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Govs_nacionais_e_internacionais]]></category>
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					<description><![CDATA[Na leitura do HOMEM SEM QUALIDADES do Musil apercebi-me como  Ulrich podia decifrar  quadro geral das políticas do meu país, que partilha aliás algumas características insólitas com a sua Kakânia. Por Henrique Garcia Pereira]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;"><strong>Por Henrique Garcia Pereira</strong></h3>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>0. A Kakânia Ocidental</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Na minha leitura do HOMEM SEM QUALIDADES do Musil (Fig. 0.1), apercebi-me como o meu alter-ego (e quase-homónimo) Ulrich podia decifrar &#8211; sem grande empenho &#8211; o quadro geral das políticas do meu país, que partilha aliás algumas características insólitas com a sua Kakânia, como se tivesse ocorrido alguma translação no sentido Oeste-Sudoeste da sua Áustria natal (Fig. 0.2).</p>
<figure id="attachment_156319" aria-describedby="caption-attachment-156319" style="width: 933px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-full wp-image-156319" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/KAKANIA01.png" alt="" width="933" height="422" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/KAKANIA01.png 933w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/KAKANIA01-300x136.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/KAKANIA01-768x347.png 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/KAKANIA01-929x420.png 929w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/KAKANIA01-640x289.png 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/KAKANIA01-681x308.png 681w" sizes="(max-width: 933px) 100vw, 933px" /><figcaption id="caption-attachment-156319" class="wp-caption-text">Fig. 0.1 &#8211; O engenheiro-filósofo Musil, a sua magnum opus e o seu anti-herói</figcaption></figure>
<figure id="attachment_156318" aria-describedby="caption-attachment-156318" style="width: 480px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-full wp-image-156318" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania02.png" alt="" width="480" height="232" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania02.png 480w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania02-300x145.png 300w" sizes="(max-width: 480px) 100vw, 480px" /><figcaption id="caption-attachment-156318" class="wp-caption-text">Fig. 0.2 &#8211; Migração da KAKÂNIA em termos idiossincráticos</figcaption></figure>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>1. O intransigente e incorruptível Almirante (e a contestação do seu antecessor)</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">No cenário político da Kakânia ocidental, emergiu &#8211; nos anos 20 do século XXI &#8211; a figura &#8216;incontornável&#8217; de um presuntivo herdeiro à coroa, oriundo de um prestigiado ramo das forças armadas que sempre foi objeto do maior &#8216;orgulho nacional&#8217;. E logo foi visto como a reencarnação contemporânea do Príncipe Perfeito, não só pela sua &#8216;visão estratégica&#8217;, mas também pela fereza contra os seus inimigos e incomplacência em face de qualquer insubordinação (Fig. 1.1).</p>
<figure id="attachment_156317" aria-describedby="caption-attachment-156317" style="width: 554px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-156317" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania03.png" alt="" width="554" height="212" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania03.png 554w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania03-300x115.png 300w" sizes="auto, (max-width: 554px) 100vw, 554px" /><figcaption id="caption-attachment-156317" class="wp-caption-text">Fig. 1.1 &#8211; O redivivo de D. João II faz dos &#8216;drones&#8217; as caravelas do seu tempo e reprime impiedosamente em nome da Pátria a revolta dos marinheiros que se recusaram a embarcar numa lancha assucatada (abril 2024)</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Em finais de fevereiro de 2025, o almirante &#8216;saiu a terreiro&#8217; numa área que não lhe era muito familiar: publicou no Expresso uma súmula do seu &#8216;pensamento político&#8217;, em que transparecia claramente a sua predileção pela &#8216;mão da espada&#8217; relativamente à da &#8216;pena&#8217;, e o seu apego desmedido à hierarquia marcial.</p>
<p style="text-align: justify;">E logo o seu texto foi desancado sem mercê pelos comentadores de serviço, a começar pelo bobo da corte que escreve na última página do &#8216;prestigiado semanário&#8217;.</p>
<p style="text-align: justify;">Na verdade, todas as críticas punham a nu o desconchavo completo daquele artigo, que revelava uma ideologia a-ideológica feita de trivialidades musculadas cujo &#8216;conteúdo&#8217; não tinha conteúdo nenhum.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas a questão que quero aqui levantar &#8211; a propósito do texto produzido pelo pretendente ao trono &#8211; centra-se noutro ponto: ao contrário de alguns exímios esgrimistas da lusofonia africana pós-colonial que fazem das palavras o seu &#8216;campo de batalha&#8217;, <strong>o almirante não sabe escrever em português</strong>, cometendo &#8211; por exemplo &#8211; algumas atléticas calinadas no emprego da vírgula.</p>
<p style="text-align: justify;">De facto, pela sua condição de quase-ágrafo militante, parece que o néscio almirante opta em primeira instância pela comunicação através da linguagem das bandeiras náuticas ou, mais modernamente, por um qualquer código simplificado, caracterizado pelo uso de vocabulário e estruturas gramaticais fáceis de entender (Fig. 1.2).</p>
<figure id="attachment_156316" aria-describedby="caption-attachment-156316" style="width: 368px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-156316" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania04.png" alt="" width="368" height="148" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania04.png 368w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania04-300x121.png 300w" sizes="auto, (max-width: 368px) 100vw, 368px" /><figcaption id="caption-attachment-156316" class="wp-caption-text">Fig. 1.2 &#8211; Comunicação entre navios</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Na verdade, há uma disparidade abismal entre a indigência plumitiva deste aspirante ao trono da Kakânia e a destreza neste domínio de Manuel Teixeira Gomes, Mário Soares ou Jorge Sampaio, homens cultos que ocuparam o lugar da presidência no século XX. Seja qual for o juízo relativamente ao pensamento destes presidentes, o que não há dúvida é que a limpidez dos seus textos permite facilmente avaliar a sua importância e grau de veracidade, fomentando intensamente o espírito crítico do leitor.</p>
<p style="text-align: justify;">Na história da governação do fascismo português, a configuração de outro marinheiro da estirpe do agora pretendente ao sólio da Kakânia pode ser encontrada &#8211; sem muito esgravatar &#8211; através da análise do comportamento do trombudo almirante Américo Tomás em atos públicos, com os seus discursos grotescos de uma tautologia involuntária, objeto de escárnio pertinaz por parte do povo.</p>
<p style="text-align: justify;">Num exercício exemplar de ridicularização contestatária da figura do Tomás, foram largados &#8211; na baixa de Lisboa, em 25 de julho de 1972 &#8211; dois porcos vivos &#8216;fardados&#8217; de almirante. Ao mesmo tempo, eram lançados &#8211; através do rebentamento de alguns petardos &#8211; milhares de panfletos com o desenho da Fig. 1.3, onde se lia: “Em Portugal, as eleições são uma burla e nunca através delas se resolverão os problemas do povo português. Para além disso, a «eleição» de hoje é uma fantochada maior e uma porcaria”.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta ação foi levada a cabo pelas Brigadas Revolucionárias, no sentido de satirizar a figura do Almirante, em alternativa original e criativa às ortodoxas e enfadonhas &#8216;manifestações de massas&#8217;, convocadas em geral pelas organizações antifascistas clássicas. (Fig. 1.3).</p>
<figure id="attachment_156315" aria-describedby="caption-attachment-156315" style="width: 604px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-156315" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania05.png" alt="" width="604" height="228" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania05.png 604w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania05-300x113.png 300w" sizes="auto, (max-width: 604px) 100vw, 604px" /><figcaption id="caption-attachment-156315" class="wp-caption-text">Fig. 1.3 &#8211; Passeata antifascista com cartazes ilegíveis e desenho expressivo num panfleto das Brigadas Revolucionárias (BR) em que o PORCO foi escolhido como símbolo do Tomás e de quem o elegeu</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Na genealogia desta ação das BR, encontra-se a sátira impiedosa e a maledicência demolidora contra os poderosos, com origem nas &#8216;cantigas de escárnio e maldizer&#8217; dos medievos trovadores galaico-portugueses. Este tipo de contestação do <em>status quo</em> atravessou os séculos até vir aterrar nos Cafés do Rossio dos anos 50, onde eu costumava acompanhar o meu Avô nas tertúlias do &#8216;reviralho&#8217; (Fig. 1.4).</p>
<figure id="attachment_156314" aria-describedby="caption-attachment-156314" style="width: 584px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-156314" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania06.png" alt="" width="584" height="204" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania06.png 584w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania06-300x105.png 300w" sizes="auto, (max-width: 584px) 100vw, 584px" /><figcaption id="caption-attachment-156314" class="wp-caption-text">Fig. 1.4 &#8211; Locais de acolhimento da oposição pequeno-burguesa ao regime (meados do século XX)</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Nos Cafés do Rossio, formavam-se ao fim da tarde verdadeiras assembleias informais em que os convivas-intervenientes circulavam de mesa em mesa, comentando sigilosamente os factos políticos do momento. Da leitura engenhosa dos jornais censurados, os cabecilhas deste tráfego extraíam &#8211; &#8216;nas entrelinhas&#8217; &#8211; pistas veladas para uma crítica cerrada ao governo, transmitida boca-a-boca por todos. Para mim, o <em>clou</em> destas tertúlias era uma atividade peculiar de certos especialistas que consistia em &#8216;contar anedotas&#8217; ridicularizando os próceres do regime.</p>
<p style="text-align: justify;">Tal atividade teve um papel importante na minha &#8216;formação política&#8217; enquanto criança, até pela contextualização feita caso-a-caso pelo meu Avô.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas numa análise <em>a posteriori</em>, posso avançar a hipótese de que a propagação de anedotas (em particular, as do Salazar) pela pequena burguesia urbana foi um fator não-despiciendo para uma certa aceitação do 25 d&#8217;Abril por parte de camadas significativas daquele &#8216;povo&#8217; que era suposto apoiar o regime, e que acabou por glorificar a &#8216;revolução&#8217;.</p>
<p style="text-align: justify;">Com base numa quase-investigação sobre o &#8216;fenómeno&#8217; do 25 d&#8217;Abril no que diz respeito à inter-relação entre as forças em presença, posso sugerir a ideia de que o golpe corporativo só teve sucesso em razão de uma certa &#8216;neutralidade&#8217; da pequena burguesia urbana, &#8216;contaminada&#8217; pela imagem negativa do regime que a &#8216;oposição&#8217; fazia passar (incidindo mesmo em considerandos <em>ad hominem</em>).</p>
<p style="text-align: justify;">O facto é que &#8211; no &#8216;caldo de cultura&#8217; resultante de uma correlação de forças contrária ao <em>status quo</em> &#8211; o golpe militar teve, logo a seguir a abril, uma veemente adesão popular.</p>
<p style="text-align: justify;">Na verdade, ao arrepio das ortodoxias sisudas manipuladoras que faziam tudo para conter o movimento em categorias pré-estabelecidas, a aprovação entusiástica do 25 d&#8217;Abril revestiu-se por vezes de algumas formas mais festivas que se transformaram depois numa efémera &#8216;revolução social&#8217; (Fig. 1.5).</p>
<figure id="attachment_156313" aria-describedby="caption-attachment-156313" style="width: 604px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-156313" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania07.png" alt="" width="604" height="202" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania07.png 604w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania07-300x100.png 300w" sizes="auto, (max-width: 604px) 100vw, 604px" /><figcaption id="caption-attachment-156313" class="wp-caption-text">Fig. 1.5 &#8211; A festa e a revolução social, segundo fotos de militares acarinhados pelas gentes a partir de alguma componente etílica, e de acordo com o cartaz produzido por simpatizantes da &#8216;Internacional Situacionista&#8217; (afixado nas paredes de Lisboa em junho de 1974)</figcaption></figure>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>2. O venal e sonso Chico-esperto (e seus cúmplices)</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">O poder executivo na Kakânia Ocidental está nas mãos da direita desde abril de 2024. Como chefe do governo, surge a figura &#8216;incontornável&#8217; de um chico-esperto (Fig. 2.1) de origens nortenhas, &#8216;empresário&#8217; impulsionador de múltiplas atividades, desde o jogo aos eletrodomésticos, do imobiliário à gasolina.</p>
<figure id="attachment_156312" aria-describedby="caption-attachment-156312" style="width: 592px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-156312" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania08.png" alt="" width="592" height="252" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania08.png 592w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania08-300x128.png 300w" sizes="auto, (max-width: 592px) 100vw, 592px" /><figcaption id="caption-attachment-156312" class="wp-caption-text">Fig. 2.1 &#8211; O chico-esperto do casino de Espinho emulando o seu ídolo de juventude (que era de Olhão)</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">No domínio da &#8216;consultadoria&#8217;, uma das empresas do chico-esperto declarou &#8211; numa &#8216;declaração&#8217; tirada a ferros para os anos 2021/22 &#8211; uma faturação de 896 mil euros com um lucro de 366 mil euros, o que conduz a uma obscena taxa de lucro de 70%, obtida para os moderados custos de 530 mil euros (não há dúvida de que esta ordem de grandeza do lucro faz jus à ideia de capitalismo de casino).</p>
<p style="text-align: justify;">O &#8216;empreendedorismo&#8217; do nosso chico-esperto no foro dos jogos de azar só tem paralelo no matemático Giacomo Casanova (1725-98), que inventou a lotaria ao serviço do Rei de França, e no antecessor do atual PM, que adotou a &#8216;raspadinha&#8217; como fonte de financiamento para o Estado (Fig. 2.2).</p>
<figure id="attachment_156311" aria-describedby="caption-attachment-156311" style="width: 604px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-156311" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania09.png" alt="" width="604" height="202" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania09.png 604w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania09-300x100.png 300w" sizes="auto, (max-width: 604px) 100vw, 604px" /><figcaption id="caption-attachment-156311" class="wp-caption-text">Fig. 2.2 &#8211; A cobiça em proveito próprio, do Trono francês e do Estado português</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">O facto é que as negociatas do chico-esperto provocaram uma significativa ampliação da &#8216;pegada de carbono&#8217; deixada no país por uma economia cada vez mais &#8216;extractivista&#8217;. De facto, os Casinos usam intensivamente o plástico como matéria prima para as fichas (dificilmente recicláveis), e o fabrico dos produtos anunciados pela Radio Popular é sempre feito através de processos com grande dissipação de energia (sem falar das gasolineiras e da construção civil).</p>
<p style="text-align: justify;">Esta vertente do nosso chico-esperto não podia passar despercebida aos &#8216;ativistas climáticos&#8217; da Kakânia Ocidental, que contra ele apontaram as suas &#8216;bombas de tinta&#8217;, colorindo a sua face manhosa (Fig. 2.3).</p>
<figure id="attachment_156310" aria-describedby="caption-attachment-156310" style="width: 604px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-156310" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania10.png" alt="" width="604" height="258" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania10.png 604w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania10-300x128.png 300w" sizes="auto, (max-width: 604px) 100vw, 604px" /><figcaption id="caption-attachment-156310" class="wp-caption-text">Fig. 2.3 &#8211; Expressão de placidez inocente e tranquila do chico-esperto depois de ter sido pintado de verde por um ativista climático em fevereiro de 2024</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Em todas as ocasiões, o chefe do executivo teve sempre o apoio diligente do seu encarregado da &#8216;fazenda&#8217;, que &#8211; para clarificar alguma &#8216;aparente opacidade&#8217; (denunciada <em>urbi et orbi</em>) &#8211; o secundava incansavelmente no ajuste das leis às suas traficâncias. No entanto, surgiu uma forte corrente de opinião com origem no Brasil, que aconselhava o chico-esperto a ver-se livre do seu delfim com base em critérios estéticos (Fig. 2.4 e 2.5). Na verdade, este apelo pode também ser fundamentado na reversão do aforismo pré-ambientalista de Nietzsche: “Matar uma borboleta é mais condenável do que matar uma barata”.</p>
<figure id="attachment_156309" aria-describedby="caption-attachment-156309" style="width: 504px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-156309" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania11.png" alt="" width="504" height="228" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania11.png 504w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania11-300x136.png 300w" sizes="auto, (max-width: 504px) 100vw, 504px" /><figcaption id="caption-attachment-156309" class="wp-caption-text">Fig. 2.4 &#8211; Em metamorfose do inseto de Kafka e assombrado pela figura de Newman (esse embirrante carteiro do sitcom SEINFELD), o nerd trasmontano de mochila juvenil sujeita-se a ouvir a sentença do juiz de Brasília que aconselhava o chico-esperto a demiti-lo (sob a influência de Boris Vian)</figcaption></figure>
<figure id="attachment_156308" aria-describedby="caption-attachment-156308" style="width: 584px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-156308" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania12.png" alt="" width="584" height="254" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania12.png 584w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania12-300x130.png 300w" sizes="auto, (max-width: 584px) 100vw, 584px" /><figcaption id="caption-attachment-156308" class="wp-caption-text">Fig. 2.5 &#8211; Receção negativa das moças brasileiras, após desembarque no Rio</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Outro delfim do nosso primeiro &#8211; esse para o lado da &#8216;borboleta&#8217; (e por isso encarregado da &#8216;comunicação polinizante&#8217;) &#8211; encontra-se na figura &#8216;incontornável&#8217; de António Leitão Amaro, que tanto gosta de segredinhos como de interpelar as massas (Fig. 2.6).</p>
<figure id="attachment_156307" aria-describedby="caption-attachment-156307" style="width: 943px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-156307" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania13.png" alt="" width="943" height="370" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania13.png 943w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania13-300x118.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania13-768x301.png 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania13-640x251.png 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania13-681x267.png 681w" sizes="auto, (max-width: 943px) 100vw, 943px" /><figcaption id="caption-attachment-156307" class="wp-caption-text">Fig. 2.6 &#8211; O ministro-borboleta em pose solene de comunicação alargada e em discreta conversa privada</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Apesar da sua argúcia, o ministro-borboleta declara-se PERPLEXO perante uma iniciativa parlamentar de investigação às negociatas do chico-esperto, o que revela a mais profunda ignorância das obras base sobre o assunto (Fig. 2.7).</p>
<figure id="attachment_156306" aria-describedby="caption-attachment-156306" style="width: 604px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-156306" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania14.png" alt="" width="604" height="220" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania14.png 604w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania14-300x109.png 300w" sizes="auto, (max-width: 604px) 100vw, 604px" /><figcaption id="caption-attachment-156306" class="wp-caption-text">Fig. 2.7 &#8211; Desde a obra de um judeu de Córdova do século XII até à de um ateu de Bilbau do século XX, os livros de Ética passam ao lado do ministro-borboleta em razão do seu infinito analfabetismo sobre as letras hispânicas</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">A falta de conhecimento da cultura específica do &#8216;país vizinho&#8217; por parte do ministro-borboleta pode ser imputada ao facto de ele &#8216;ignorar olimpicamente&#8217; o fulgor da <em>herencia cultural de nuestros hermanos</em>, chegando ao ponto de querer &#8216;iluminar&#8217; as suas gentes por deglutinação de parcelas do seu território, na sequela da ambição do seu colega da Defesa (Fig. 2.8).</p>
<figure id="attachment_156305" aria-describedby="caption-attachment-156305" style="width: 604px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-156305" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania15.png" alt="" width="604" height="226" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania15.png 604w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania15-300x112.png 300w" sizes="auto, (max-width: 604px) 100vw, 604px" /><figcaption id="caption-attachment-156305" class="wp-caption-text">Fig. 2.8 &#8211; O ministro da Defesa ao Ataque</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">E o cúmulo é que o Ministro da Defesa aproveitou <em>sournoisement </em>o armamento fornecido a Portugal por um acordo com Macron para ameaçar a fronteira espanhola, num belicismo soez que põe em risco a concórdia europeia (Fig. 2.9).</p>
<figure id="attachment_156304" aria-describedby="caption-attachment-156304" style="width: 604px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-156304" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania16.png" alt="" width="604" height="246" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania16.png 604w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania16-300x122.png 300w" sizes="auto, (max-width: 604px) 100vw, 604px" /><figcaption id="caption-attachment-156304" class="wp-caption-text">Fig. 2.9 &#8211; O ministro da Defesa faz mira para Espanha com armas vendidas pela França para a defesa da Ucrânia</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Em conflito patente (mas velado) com a atitude descabida do ministro da Defesa, surge uma formulação mais atinada sobre as relações com Espanha pleiteada no campo geoestratégico pelo seu colega dos Negócios Estrangeiros (Fig. 2.10).</p>
<figure id="attachment_156303" aria-describedby="caption-attachment-156303" style="width: 556px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-156303" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania17.png" alt="" width="556" height="222" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania17.png 556w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania17-300x120.png 300w" sizes="auto, (max-width: 556px) 100vw, 556px" /><figcaption id="caption-attachment-156303" class="wp-caption-text">Fig. 2.10 &#8211; Os &#8216;órgãos de comunicação social&#8217; espalham uma mensagem de concertação ibérica emitida por Rangel em abril de 2024</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">A concertação ibérica segundo uma novel modalidade é, na verdade, parte constitutiva de um desígnio mais geral que compreende todo o &#8216;Espaço Europeu&#8217; (Fig. 2.11). Num momento em que as ameaças de Oeste e de Leste se avolumam, a indústria francesa de armamento apela para um plano de defesa comum, com um &#8216;esforço&#8217; repartido por todos.</p>
<figure id="attachment_156302" aria-describedby="caption-attachment-156302" style="width: 616px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-156302" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania18.png" alt="" width="616" height="196" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania18.png 616w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania18-300x95.png 300w" sizes="auto, (max-width: 616px) 100vw, 616px" /><figcaption id="caption-attachment-156302" class="wp-caption-text">Fig. 2.11 &#8211; Propósitos voluntaristas sobre a Europa lançados aos quatro ventos pelos Irmãos Dupont et Dupont do Hergé</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Um europeísta convicto é o nosso PR, que mantém aliás uma relação fria com o PM, própria de um tio de Cascais em face de um burgesso rural dos arredores do Porto que vê a ideia de uma Europa transnacional com alguma desconfiança.</p>
<p style="text-align: justify;">O infiltrado do Marcelo nos círculos do governo é o seu Chefe da Casa Civil, o sibilino e astucioso <em>public servant</em> de ar zombeteiro encarregado de ridicularizar engenhosamente a imagem do chico-esperto enquanto beato militante contra a &#8216;escola liberal&#8217; (Fig. 2.12).</p>
<figure id="attachment_156301" aria-describedby="caption-attachment-156301" style="width: 484px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-156301" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania19.png" alt="" width="484" height="176" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania19.png 484w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania19-300x109.png 300w" sizes="auto, (max-width: 484px) 100vw, 484px" /><figcaption id="caption-attachment-156301" class="wp-caption-text">Fig. 2.12 &#8211; Inspirado na figura de Sir Humphrey do YES, MINISTER, o subtil Frutuoso de Melo põe a circular um cartoon que mostra o chico-esperto como professor-jesuíta numa escolinha do Norte em que a cidadania retoma a aceção que tinha nos &#8216;tempos da outra senhora&#8217;</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Num aspeto surgia a lume uma aparente cumplicidade entre o Primeiro Ministro e o Presidente da República: a comum submissão institucional às autoridades eclesiásticas, expressa em missas dominicais &#8216;para inglês ver&#8217;, em peregrinações do culto mariano e em devota obediência papal (Fig. 2.13).</p>
<figure id="attachment_156300" aria-describedby="caption-attachment-156300" style="width: 348px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-156300" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania20.png" alt="" width="348" height="156" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania20.png 348w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania20-300x134.png 300w" sizes="auto, (max-width: 348px) 100vw, 348px" /><figcaption id="caption-attachment-156300" class="wp-caption-text">Fig. 2.13 &#8211; O chico-esperto sonso de inclinação maçónica e o padreca de Cascais em atitude devota, com a bênção do infalível Francisco</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Apesar dos dilacerantes avisos da BANCA sobre os &#8216;elevados custos de eleições antecipadas&#8217; (obliterando os gastos sumptuosos do governo cuja &#8216;estabilidade&#8217; quer preservar), o parlamento &#8211; que estava prestes a reabrir o relatório sobre o &#8216;caso das gémeas&#8217;- foi dissolvido pelo papá Marcelo e o &#8216;poder caiu na <em class="u">rua</em>&#8216;. E logo a <em class="u">rua</em> albergou uma miríade de cartazes e panfletos satíricos, espalhados em Lisboa por ativistas sem filiação política, mas prenhes de esperança numa mudança radical de contornos pacíficos (Figs. 2.14 e 2.15).</p>
<figure id="attachment_156299" aria-describedby="caption-attachment-156299" style="width: 604px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-156299" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania20png.png" alt="" width="604" height="224" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania20png.png 604w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania20png-300x111.png 300w" sizes="auto, (max-width: 604px) 100vw, 604px" /><figcaption id="caption-attachment-156299" class="wp-caption-text">Fig. 2.14 &#8211; O esfumar do chico-esperto no cachimbo de Magritte, o capital a comandar o voto, e os símbolos nacionais a serem achincalhados</figcaption></figure>
<figure id="attachment_156298" aria-describedby="caption-attachment-156298" style="width: 604px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-156298 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania21.png" alt="" width="604" height="280" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania21.png 604w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2025/04/kakania21-300x139.png 300w" sizes="auto, (max-width: 604px) 100vw, 604px" /><figcaption id="caption-attachment-156298" class="wp-caption-text">Fig. 2.15 &#8211; O ressurgir do Zé Mário Branco no seu côté libertário e a poesia contra a eleição burguesa</figcaption></figure>
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		<title>O 25 de Abril está morto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Apr 2024 19:48:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[Migrantes]]></category>
		<category><![CDATA[Outras_lutas]]></category>
		<category><![CDATA[Revoluções]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho_e_sindicatos]]></category>
		<category><![CDATA[Zona euro]]></category>
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					<description><![CDATA[Aceitar a derrota quando ela de fato ocorre é o mínimo que deve fazer um revolucionário. A crença em uma falsa vitória é sempre pior que uma derrota assimilada conscientemente. Por Dois imigrantes em Portugal]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3><strong>Por Dois imigrantes em Portugal</strong></h3>
<div class="level3">
<p style="text-align: justify;">O 25 de Abril está morto. Isto é o que pudemos constatar em poucos meses de vida e trabalho em Portugal. Isto é o que pudemos constatar em nosso primeiro “feriado” comemorativo desta data, que o 25 de Abril está morto. Afirmamos isso ao não notarmos sequer sombra do ímpeto contestatório do Processo Revolucionário em Curso (PREC) de outrora, entre os trabalhadores. A partir de nossas experiências imediatas e daquilo que acompanhamos da vida política recente em Portugal, não de um estudo sociológico, o que vemos é a total apatia dos trabalhadores, concomitantemente a uma ascensão considerável da extrema-direita fascistizada e da xenofobia, capitaneada eleitoralmente pelo Chega. Em nossos trabalhos, o que vemos são trabalhadores rindo dos colegas humilhados por seus chefes e gerentes, regozijando-se quando é o outro que teve seu salário descontado por um “pedido errado” ou uma taça quebrada. Uma total ausência de solidariedade e consciência de classe, mesmo que totalmente prática. Uma colega brasileira, fodida como todos nós, chegou a reclamar que o filho tinha que fazer um trabalho sobre o 25 de Abril, “aquela merda de revolução dos esquerdistas”. A mesma disse que sua maior contradição era gostar de Raul Seixas e Paulo Coelho, pois ela era de direita e ambos “eram comunistas”. Outro colega, português e tão fodido como nós, afirmou que o problema do 25 de Abril era “não ter matado todos os comunistas”. Enquanto isso os patrões podem dormir sossegados. Poderia o 25 de abril não estar morto?</p>
<p style="text-align: justify;">Os patrões jogam ainda com a questão dos contratos de trabalho, pois sabem que os setores como a Restauração (restaurantes, cafés, bares, etc.) e a Construção Civil são a porta de entrada para o trabalho de milhares de imigrantes em busca de trabalho. Ter um contrato de trabalho é condição primordial para tentar uma permanência legalizada no país, por meio das chamadas Manifestações de Interesse. Prometem-se contratos que nunca chegam e, quando chegam, são totalmente inferiores ao que de fato se trabalha, pagando-se “por fora” o restante de horas trabalhadas, o que é muitas vezes muito mais do que o número de horas previstas no contrato. Jornadas de 12 horas são comuns, pois “quanto mais você trabalhar, mais você irá ganhar”, dizem os patrões. Assim como toda a sonegação de impostos realizada com burlas diárias, chegamos a ouvir que “afinal, não estamos aqui a trabalhar para eles [o Estado], não é mesmo?! Prefiro pagá-los por fora do que dar dinheiro a eles!”. Um de nós chegou mesmo a ouvir do proprietário de um bar: “isto aqui é uma família!”. Certos setores econômicos de Portugal se encontram no futuro do pretérito, reproduzindo de forma modernizada relações trabalhistas que há muito já deveriam ter desaparecido, mesmo no capitalismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Portugal vive ainda uma brutal crise habitacional, com aluguéis atingindo patamares sem antecendentes nas últimas décadas. Centenas de trabalhadores dividem apartamentos superlotados, alugando quartos individuais quando muito. Para se alugar um apartamento de 1 quarto, fora dos grandes centros, paga-se quase 1000 euros mensalmente. Mas, para conseguir esse “privilégio” de alugar uma moradia só para a sua família, pede-se de 4 a 6 meses de adiantamento, entre aluguéis e cauções, além de fiador em muitos casos. Isto pode representar um mínimo de 3500 euros só para conseguir começar a morar com um mínimo de decência. Fora a xenofobia. Não vamos gastar o tempo do leitor com longas descrições de situações vividas, mas sim, ela existe. No trabalho, no banco, no mercado, nas ruas, em todo lugar e em diversos níveis, do mais sútil ao mais grosseiro e violento. Aonde vive o 25 de Abril?</p>
<p style="text-align: justify;">Acordamos hoje para trabalhar no feriado (um de nós apenas, pois o outro quase partiu para a ação direta contra um gerente histérico ontem e pediu demissão), assistindo a cobertura do 25 de Abril nos jornais locais. O que vimos foi um “7 de Setembro à portuguesa”, com paradas militares celebrando a hierarquia na corporação e diante dos Chefes de Estado. A declaração do presidente português, que repercutiu pelos maiores jornais do mundo, que afirmou a “dívida histórica” e o “dever de reparação financeira” dos “povos escravizados”, demonstra que a luta anticolonial dos revolucionários de outrora também foi totalmente recuperada, apropriada pelo programa fascistoide “decolonialista” e identitário, hoje hegemônico na esquerda. Não sobra nada. Nas ruas, o que vimos foram apresentações escolares, cravos de papel sendo distribuídos e comemorações vazias. E turistas, muitos turistas circulando e consumindo, conforme já aguardavam os patrões da Restauração. Ontem não havia o menor “espírito” do 25 de Abril nas ruas, e amanhã já não haverá vestígios novamente. Transformando-se em uma “data cívica” como outra qualquer, o 25 de Abril morreu.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, não foi uma vitória para a Democracia, o 25 de Abril? Para aqueles que vendem sua força de trabalho, que insistimos em chamar de proletários, com certeza foi uma vitória a derrubada do fascismo salazarista. Sob o porrete fascista é muito mais difícil para a classe se organizar politicamente. Enfim, Portugal se tornou uma grande Democracia, de fato. Isto significa que instaurou-se um regime político mais adequado ao imperativo da mais-valia relativa, especialmente após o estabelecimento da União Europeia, que retirou Portugal do ostracismo econômico de 5 décadas de fascismo. No entanto, como toda Democracia surgida da derrocada de regimes totalitários, graças à luta de milhares de trabalhadores, trata-se de um regime inerente à dominação capitalista (burguesa e gestorial) de classe. Politicamente, as Democracias são de fato ambientes um pouco mais abertos à organização política. Mas, não nos emocionemos muito com isso, pois sabemos o que acontece com iniciativas que se ponham a questionar a ordem dominante, no “Estado Democrático de Direito”. Neste sentido, que é hoje o mais importante por ser aquele que constitui o real processo em curso, enquanto os democratas e muitos conservadores comemoram a “vitória da liberdade” conquistada pelo 25 de Abril, para os trabalhadores (de fato, independentemente, dos matizes ideológicos), assim como para as debilitadas forças sociais anticapitalistas, significa hoje uma grande derrota, pois foi completamente fagocitado pelo Estado e suas instituições.</p>
<p style="text-align: justify;">Não se trata de uma reflexão ressentida ou derrotista. Aceitar a derrota quando ela realmente ocorre é o mínimo que deve fazer um revolucionário. A crença em uma falsa vitória é sempre pior que uma derrota assimilada conscientemente. Não temos “esperança”, um instrumento dos idealistas. Temos a certeza racional de que, enquanto o capitalismo existir, as contradições que lhe são inerentes podem eclodir em novas lutas e novas formas de organização da classe. Se isto ocorrer novamente em Portugal (não apenas), e é o que desejamos que aconteça, poderemos dizer que o 25 de Abril está vivo novamente.</p>
</div>
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		<title>Portugal : sortie de l’euro et fascisme</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Feb 2024 08:34:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Traduções]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Extrema_direita]]></category>
		<category><![CDATA[Outras_lutas]]></category>
		<category><![CDATA[Zona euro]]></category>
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					<description><![CDATA[Nous ne devons pas fermer les yeux devant le danger d’une radicalisation politique qui s’opérerait à droite dans un contexte de discrédit du parlement et des partis parlementaires. Par Passa Palavra]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;"><strong>Par <a href="https://npnf.eu/spip.php?article6" target="_blank" rel="noopener">Passa Palavra</a></strong></h3>
<p style="text-align: justify;">Le Portugal peut quitter l’euro pour deux raisons. Soit parce que les pressions populaires seraient tellement fortes que le gouvernement, quel qu’il fût, ne réussirait pas à répondre aux exigences de la Troïka (Commission européenne, Banque centrale européenne et Fonds monétaire international) et que les dirigeants de l’Europe préfèreraient expulser de la zone euro le Portugal, dont l’économie en 2011 ne représentait que 1,35% du Produit intérieur brut européen.</p>
<p style="text-align: justify;">Soit parce que les pressions populaires amèneraient au pouvoir un gouvernement qui aurait pour mandat explicite de quitter l’euro.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>1.</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Mais ce n’est pas parce qu’il renoncerait à l’euro que le Portugal quitterait cette planète, même s’il est probable que le monde serait indifférent au sort de ce pays.</p>
<p style="text-align: justify;">Le capitalisme a désormais dépassé sa phase d’internationalisation et est entré dans la phase de la transnationalisation <strong>[1]</strong>. Aujourd’hui, aucune économie n’est prisonnière de ses frontières nationales, ou d’une monnaie spécifique ; quant aux crédits et aux financements extérieurs ils sont indispensables dans tous les pays. La sortie de l’euro, par la défaillance financière qu’elle impliquerait, rendrait ses crédits et ses financements externes encore plus onéreux qu’ils ne le sont déjà. Il semble que ces questions aient peu d’importance pour ceux qui prônent l’abandon de l’euro. Les solutions alternatives économiques qu’ils évoquent rappellent soit les années 1930, lorsque la grande récession et l’effondrement de la circulation mondiale des capitaux et du commerce extérieur contraignirent les Etats à se confiner à l’intérieur de leur frontières ; soit les économies qui vivent comme des forteresses assiégées et sont victimes de sanctions économiques comme Cuba.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-118071" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2018/02/Bartolomeu-1-300x272.jpg" alt="" width="300" height="272" />Dans les deux cas, ces solutions ont historiquement été liées à des facteurs de crise. Les Etats se sont battus pendant une décennie pour surmonter la crise qui commença en 1929 et la Seconde Guerre mondiale fut nécessaire pour mener à bien ce processus; et aujourd’hui Cuba lutte désespérément pour se libérer des sanctions qui affaiblissent son économie. Mais rien de tout cela ne décourage la gauche et l’extrême gauche, qui, à l’époque de la transnationalisation économique, nous présentent le nationalisme comme une solution économique.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainsi nous vivons dans une situation où le nationalisme est dépourvu de raison d’être sur le plan économique, mais s’affirme uniquement sur les plans idéologique et politique. Nous sommes devant un cas extrême de fausse conscience : obéissant à la dynamique inéluctable de ce processus, moins l’idéologie correspond aux faits économiques, plus elle cherche à s’imposer par des moyens exclusivement idéologiques – y compris, si cela lui est possible de le faire, par la répression politique.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>2.</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Il serait bon que les forces politiques ou les personnalités qui défendent la sortie de l’euro nous expliquent clairement quels seraient les coûts de cette option. Au lieu de cela, ils en mentionnent seulement les avantages et prétendent que l’adoption d’une monnaie indépendante permettrait de la dévaluer et rendrait ainsi compétitives les exportations de ces pays. Dans tous les cas, l’adoption de l’ancien <em>escudo </em>dans des conditions de défaut de paiement impliquerait automatiquement une dévaluation considérable. Mais les exportations en profiteraient-elles ?</p>
<p style="text-align: justify;">Si l’on observe l’intensité technologique des produits industriels portugais exportés entre 2006 et 2010, on constate que entre 35,7% (en 2006 et 2008) et 39,1% (en 2009) se caractérisaient par une faible intensité technologique, alors que seulement entre 11,5% (en 2006) et 7,8% (en 2009) jouissaient d’une forte intensité technologique. Cette situation découle de la baisse catastrophique de la productivité de l’économie portugaise.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-118070" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2018/02/Bartolomeu-3-228x300.jpg" alt="" width="228" height="300" />Le taux de croissance de la productivité fut de 5,8% en 1995 et de 3,6% en 1996, mais, dix ans plus tard, il est descendu à 0,2% en 2005 et 2006. Pour aggraver cette situation, le taux de croissance des salaires nominaux, qui était de 6,7% en 1995 et de 9,0% en 1996 a chuté à 3,3% en 2005 et à 2,6% en 2006. Le calcul est simple. Alors qu’en 1995, le taux de croissance de la productivité équivalait à 87% du taux de croissance des salaires, et à 40% en 1996, il est tombé à 6% en 2005 et 8% en 2006. Or, la productivité d’une économie dépend des patrons et, accessoirement, des infrastructures éducatives et scientifiques. Et ce sont les patrons, et pas seulement le secteur bancaire, qui sont responsables de la situation catastrophique de l’économie portugaise.</p>
<p style="text-align: justify;">Incapables d’augmenter la productivité – en termes marxistes, incapables de développer l’exploitation de la plus-value relative – les patrons portugais sont obsédés par l’autre terme de l’équation : les salaires. Si la productivité n’augmente pas, les salaires doivent, selon eux, baisser. Telle est la fonction principale des mesures imposées par la Troïka.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>3.</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">C’est aussi la fonction de la sortie de l’euro que défendent de nombreux groupes et individus de gauche et d’extrême gauche. D’un seul coup, les dépôts bancaires et les comptes d’épargne en général seraient dévalorisés, sans que cette mesure n’atteigne les grands capitalistes, qui ont accès aux réseaux économiques et détiennent les connaissances qui leur permettraient, longtemps à l’avance, de mettre leurs capitaux en sécurité.</p>
<p style="text-align: justify;">Les victimes seraient d’un côté, les petits et moyens capitalistes, les propriétaires de magasins et de bureaux qui, s’ils ne faisaient pas faillite, devraient cesser d’investir et ainsi réduire encore davantage la productivité ; et de l’autre, l’ensemble de la classe ouvrière, y compris les couches aux revenus intermédiaires qui aiment être considérées comme la «<em>classe moyenne»</em>. Néanmoins, comme c’est dans ces couches que sont concentrés la plupart des travailleurs les plus qualifiés, la crise économique dans ce secteur contribuerait encore davantage à compromettre la productivité.</p>
<p style="text-align: justify;">Si le retour à l’<em>escudo </em>augmentait le volume des exportations portugaises, dans une situation de déclin croissant de la productivité, la concentration s’accroîtrait dans les branches à faible intensité technologique pour ces exportations. Cependant, pour mettre sur le marché mondial des produits à faible technologie fabriqués par une main-d’œuvre sous-payée, le Portugal souffrirait de la concurrence d’autres pays qui fabriquent ce genre de produits, à la fois mieux et en plus grand volume, grâce à une main-d’œuvre encore plus misérable. Dans ces conditions, une pression encore plus forte s’exercerait pour réduire davantage les salaires des travailleurs portugais.</p>
<p style="text-align: justify;">Il resterait le tourisme, solution toujours invoquée par ceux qui sont incapables d’imaginer d’autres propositions. Mais la stagnation de la productivité n’affecterait-elle pas les services touristiques ? Selon les prévisions du World Travel &amp; Tourism Council, durant la prochaine décennie, le Portugal sera l’un des pays où la contribution directe du tourisme au PIB augmentera le moins. De plus, dans un pays en crise et dont les infrastructures sont en ruine, dans quel genre de tourisme nous spécialiserons-nous ? Peut-être dans les safaris humains, bien que, pour les amateurs de ce genre d’«activités», il existe déjà une forte concurrence en Somalie et même au Mali.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>4.</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Il nous faut aussi penser à l’autre côté de la question, qu’oublient d’analyser les partisans de la sortie de la zone euro.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-118069" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2018/02/Bartolomeu-7-186x300.jpg" alt="" width="186" height="300" />Si une monnaie dévaluée fait baisser les prix des produits exportés, elle augmente ceux des marchandises importées. Or, le Portugal a déjà une balance commerciale négative, puisque ce pays doit importer une grande partie de ce qui est consommé par les «ménages» et les entreprises. Si les marchandises importées pour satisfaire la consommation individuelle devenaient plus coûteuses, cela réduirait donc immédiatement le pouvoir d’achat des salaires, c’est-à-dire baisserait les salaires réels. Et si les biens importés nécessaires aux entreprises devenaient plus coûteux, ces sociétés investiraient encore moins dans la modernisation technologique, et donc la productivité serait encore plus compromise.</p>
<p style="text-align: justify;">Si la situation économique portugaise actuelle est critique, la sortie de l’euro ne ferait que l’aggraver.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>5.</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">L’appauvrissement total de la population implique une situation sociale grave, mais la dynamique interne de ce processus est encore plus grave. En effet, si ceux qui étaient déjà pauvres le deviennent encore davantage, ceux qui avaient réussi à sortir de la pauvreté et avaient finalement accès aux biens et aux services de meilleure qualité se trouvent tout à coup confrontés à l’effondrement de tous leurs espoirs. Cependant, les conséquences politiques de cette dynamique ne sont pas les mêmes pour les uns et les autres.</p>
<p style="text-align: justify;">Il est possible que la détérioration de la situation des travailleurs qui étaient déjà pauvres contribue à un renforcement de leur conscience de classe et suscite ainsi une radicalisation politique à gauche. Un tel processus n’est nullement automatique, mais nous disposons de beaucoup d’exemples historiques qui nous permettent de l’espérer.</p>
<p style="text-align: justify;">D’un autre côté, cependant, lorsque les couches aux revenus intermédiaires sont frappées par la pénurie, leur réaction habituelle est de refuser idéologiquement leur prolétarisation économique. Dans ce cas, l’idéologie fonctionne comme une fausse conscience, comme un écran sur lequel ces couches projettent leurs désirs, et en même temps un paravent qui cache la réalité. Cette réaction n’est également pas inévitable, mais la grande majorité des exemples historiques indique qu’une crise économique provoque une radicalisation à droite des couches disposant de revenus intermédiaires.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>6.</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Un tel phénomène se produirait dans un contexte politique où la démocratie parlementaire issue de la défaite du mouvement révolutionnaire de 1974-1975 apparaîtrait comme la grande responsable de la situation actuelle.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-118068" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2018/02/Bartolomeu4-300x233.jpg" alt="" width="300" height="233" />Cependant, l’institutionnalisation d’une nouvelle démocratie représentative à la suite du coup d’Etat contre-révolutionnaire du 25 novembre 1975 n’est pas considérée par la plupart des gens – même par ceux qui auraient l’obligation de savoir ce qu’ils disent – comme le résultat de la défaite du processus révolutionnaire, mais comme un développement naturel de ce processus. Ceux qui accusent les gouvernants actuels d’avoir trahi la «révolution des œillets» et la démocratie commettent une erreur qui a conséquences très graves.</p>
<p style="text-align: justify;">La trahison de la «révolution d’avril», il y a déjà longtemps, fut notre défaite, la défaite des commissions des travailleurs, des comités de quartier et des unités collectives de production<strong>[2]</strong>. La démocratie sous laquelle nous vivons aujourd’hui est l’héritière légitime de cette défaite des travailleurs. Mélanger ces événements c’est éliminer de l’horizon idéologique toute perspective révolutionnaire. Beaucoup de gens amalgament et fusionnent en un seul phénomène le 25 avril 1974, la révolution sociale de 1975, la contre-révolution finale de novembre 1975 et la démocratie parlementaire qui a suivi, et ils attribuent la cause de la crise actuelle à cet ensemble hétéroclite.</p>
<p style="text-align: justify;">Personne n’échappe à cette culpabilisation, parce que le Parti communiste fait partie du système parlementaire et que le Bloc de gauche<strong>[3]</strong> – ou ce qu’il en reste – a rapidement abandonné ses quelques velléités d’action extra-parlementaire initiales et est devenu un parti comme les autres.</p>
<p style="text-align: justify;">Nous ne devons pas fermer les yeux devant le danger d’une radicalisation politique qui s’opérerait à droite dans un contexte de discrédit du Parlement et de tous les partis parlementaires.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>7.</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Pour le moment, il ne semble pas non plus qu’il existe la possibilité de développer une lutte économique qui compenserait une radicalisation à droite de la vie politique.</p>
<p style="text-align: justify;">En raison de leurs liens avec les partis politiques, les deux grandes centrales syndicales<strong>[4]</strong> subissent le même discrédit qui affecte ces partis et, de toute façon, l’une d’elles compte très peu. Mais la question fondamentale ici n’est pas politique et concerne l’organisation du processus de travail. Le développement de la sous-traitance et de l’externalisation<strong>[5]</strong> a servi, entre autres, à briser les solidarités à l’œuvre dans les entreprises et, dans de nombreux cas, à isoler les travailleurs dans des lieux de travail qui ne se distinguent pas de leur domicile. Ainsi, dans le monde entier, le nombre d’adhérents aux syndicats a diminué au cours des dernières décennies et le Portugal ne fait pas exception. Les quatre- cinquièmes de la force de travail portugaise ne sont pas syndiqués, même si dans de nombreux autres pays, la situation est encore pire.</p>
<p style="text-align: justify;">Dans cette perspective, le principal problème au Portugal est que la Confédération générale des travailleurs portugais, la CGTP, a perdu une grande partie de ses bastions. Ses manifestations peuvent sembler imposantes par leur taille et rassembler des centaines de milliers de personnes, mais ces rituels durent pendant quelques heures et ne laissent pas de traces politiques majeures.</p>
<p style="text-align: justify;">D’autre part, dans les entreprises où elle conserve encore une certaine influence, comme dans les transports publics, les initiatives de la CGTP se limitent à lancer des actions limitées et veiller à ce qu’elles ne débordent pas du cadre légal. Il suffit d’observer le malaise de la Confédération quand trois cents travailleurs chargés de l’entretien et de la maintenance des avions ont voulu protester contre la réduction de leurs salaires et de leurs prestations sociales et ont tenté de bloquer l’accès aux bureaux de TAP<strong>[6]</strong>. La CGTP promeut dans les rues la contestation qui devrait être menée au sein des entreprises, et il ne peut en être autrement, parce qu’elle dispose de très peu de militants sur les lieux de travail.</p>
<p style="text-align: justify;">Appeler les travailleurs à descendre dans la rue c’est les priver de leur arme de classe la plus puissante : les relations de solidarité qui se tissent sur les lieux de travail. La lutte dans les entreprises ne pourra se développer à l’avenir que si les syndiqués et les non syndiqués se mobilisent, et ce combat les conduira à affronter aussi les directions syndicales, ce qui rend la tâche encore plus difficile.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-118067" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2018/02/cgtp-redi2.jpg" alt="" width="550" height="300" /></p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>8.</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">La situation est aggravée par le fait que la gauche et l’extrême gauche rendent toutes deux le capital financier responsable de la crise, absolvant ainsi les autres capitalistes. Mais quand nous observons la stagnation de la productivité, l’archaïsme du tissu entrepreneurial, le fait que le pourcentage de chômeurs parmi les patrons est beaucoup plus faible que parmi les salariés, nous comprenons que les banques servent ici de bouc émissaire commode derrière lequel se cachent les autres capitalistes.</p>
<p style="text-align: justify;">Dans le capitalisme contemporain l’argent sert essentiellement de véhicule pour les informations économiques et le crédit permet de relier la production actuelle avec la production future, ce qui n’a rien à voir avec la «<em>spéculation» </em>ou «<em>l’économie de casino» </em>que dénoncent la gauche et l’extrême gauche. Ceux qui raisonnent à partir de ces paramètres le font à leurs dépens, et cette erreur d’analyse les conduit à ne pas comprendre les mécanismes économiques.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>9.</strong></h4>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-118066" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2018/02/Bartolomeu-6-204x300.jpg" alt="" width="204" height="300" />Inévitablement, dans une situation de discrédit mondial des partis politiques et du Parlement, la rage qui se concentre sur les questions financières ouvre la porte à la question de la <em>corruption</em>. Ceux qui s’indignent de la corruption ignorent les relations d’exploitation entre les capitalistes et les travailleurs, relations qui constituent le fondement et le moteur du capitalisme. Ils ne se soucient pas non plus des relations qui se nouent directement entre les capitalistes. Ceux qui sont indignés par la corruption ne s’intéressent qu’aux «affaires» dans lesquelles les hommes politiques apparaissent comme des intermédiaires dans les processus économiques. Et même dans ce cas ils brament seulement lorsque les règles du jeu sont violées. Or, protester contre la tricherie c’est légitimer implicitement les règles du jeu.</p>
<p style="text-align: justify;">De même que la concentration des critiques contre le secteur bancaire sert à disculper tout le reste du capitalisme, de même la concentration des attaques contre la corruption sert à justifier les mécanismes capitalistes considérés comme normaux.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>10.</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Pour résumer, nous assistons à l’émergence de plusieurs phénomènes :</p>
<p style="text-align: justify;">&#8211; le transfert d’un nationalisme sans base économique sur les plans idéologique et politique,</p>
<ul style="text-align: justify;">
<li>une chute brutale de l’épargne, effondrement qui touche les travailleurs ainsi que les petits et moyens capitalistes et provoque la dilution des barrières de classe,</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">&#8211;  une paupérisation de la population et surtout des couches aux revenus intermédiaires,</p>
<ul style="text-align: justify;">
<li>un discrédit de la démocratie parlementaire et des partis politiques de droite comme de gauche,</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">&#8211;  une mobilisation des syndicats les plus revendicatifs principalement à l’extérieur des lieux de travail,</p>
<ul style="text-align: justify;">
<li>une légitimation de la majorité écrasante des capitalistes permise par la transformation des banques et des politiciens corrompus en boucs émissaires.</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">Quel peut-être le résultat de ce mélange de facteurs ?</p>
<p style="text-align: justify;">Contrairement à certains mythes trop répandus, les processus de radicalisation déclenchés par les crises économiques ne se produisent pas nécessairement à gauche. Il suffit de rappeler que, dans les années 1930, dans de nombreux pays même si ce ne fut pas dans tous, le mouvement ouvrier recula et la vie politique connut un virage vers la droite et l’extrême droite. A contrario, dans les années 1960 et la première moitié des années 1970, alors que l’économie était en plein essor, la classe ouvrière fut en mesure de dicter les termes de la confrontation politique et inventa des formes de lutte novatrices.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-118065" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2018/02/Bartolomeu-9.png" alt="" width="240" height="220" />Certes, l’histoire ne se répète pas, ou, ce qui revient au même, elle se reproduit de différentes façons. Nous ne sommes pas en train de regarder dans une boule de cristal pour y détecter l’apparition massive d’individus au crâne rasé, le bras tendu et brandissant des drapeaux arborant diverses croix. Mais on m’objectera : si ces individus prolifèrent aujourd’hui en Russie et certains d’entre eux ont l’oreille du président, pourquoi ne recruteraient-ils pas demain ici ? Pour le moment, ce que nous voyons apparaître (et ce ni dans les cartes du tarot ni dans le marc de café, mais dans la réalité actuelle), ce sont des personnages singuliers, issus de l’industrie du divertissement ou de la technocratie universitaire, jusqu’à ce que l’un d’eux se montre un jour capable d’unifier des forces extrêmement disparates.</p>
<p style="text-align: justify;">L’abandon de l’euro aggraverait une crise qui, à notre avis, trouverait dans le fascisme la solution la plus probable, même si le fascisme adoptait un autre nom et surgissait sur un terrain confus se réclamant de la gauche.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://npnf.eu/spip.php?article6" target="_blank" rel="noopener"><em>Traduit du portugais par Y.C. pour la revue Ni patrie ni frontières</em></a></p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;">(Un article plus récent sur le Brexit et qui propose une comparaison entre les situations très différentes du Portugal et de l’Angleterre se trouve ici en portugais <a href="https://passapalavra.info/2016/06/108612" target="_blank" rel="noopener">https://passapalavra.info/2016/06/108612 </a>)</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>Notes</strong></h4>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1] </strong>Cf. deux textes de João Bernardo sur ce sujet : «Transnationalisation du capital et fragmentation du prolétariat» (<em>Ni patrie ni frontières </em>n° 4/5, 2004) <a href="http://www.mondialisme.org/spip.php?article313">http://www.mondialisme.org/spip.php?article313</a> et «Classe    ouvrière    ou    travailleurs    fragmentés»    (<em>Ni    patrie    ni    frontières    </em>n°    25/26,    2008) <a href="http://mondialisme.org/spip.php?article1128">http://mondialisme.org/spip.php?article1128 </a>(<em>NdT</em>).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[2] </strong>On trouvera de nombreuses interviews de travailleurs en lutte dans les années 1974-1978 dans le journal <em>Combate</em>. Sur l’histoire de cette publication méconnue en France, on pourra lire deux articles en portugais qui seront bientôt traduits par nos soins : <a href="http://jornalcombate.blogspot.fr/">http://jornalcombate.blogspot.fr/</a> <u>https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2008/06/28/joao-bernardo-o-jornal-combate/</u></p>
<p style="text-align: justify;">En français le meilleur livre sur la question est sans doute <em>Portugal, l&#8217;autre combat. Classes et conflits dans la société, </em>F. Avila, Carla Ferreira, B. Lory, C. Orsoni et Charles Reeve, Editions Spartacus, 1975 disponible en <a href="http://www.mediafire.com/file/1kwtdtmq62ez1dl/Portugal+-+L%27Autre+Combat+Classes+et+conflits+dans+la+soci%C3%A9t%C3%A9+-+Vosstanie+-+Arqoperaria.pdf" target="_blank" rel="noopener">PDF</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Pour une bibliographie plus détaillée on consultera <a href="https://arqoperaria.blogspot.fr/2014/01/pour-une-bibliographie-engagee.html" target="_blank" rel="noopener"><u>https://arqoperaria.blogspot.fr/2014/01/pour-une-</u><u>bibliographie-engagee.html</u></a> . Et on écoutera aussi sur le site Radio Vosstanie cinq émissions passionnantes : <a href="https://vosstanie.blogspot.fr/2014/09/la-lutte-des-classes-au-portugal.html" target="_blank" rel="noopener"><u>https://vosstanie.blogspot.fr/2014/09/la-lutte-des-classes-au-portugal.html</u></a></p>
<p style="text-align: justify;">Rappelons qu’à l’époque l’éditeur trotskophile François Maspero préféra éditer les inepties maostaliniennes du MRPP (<em>Le Portugal de près</em>. <em>Textes et documents, </em>Maspero, 1976), parti dont José Manuel Barroso fut un dirigeant, que les interviews de travailleurs publiées dans le journal <em>Combate </em>qui lui furent proposées par mes soins. Où l’on voit que l’intelligentsia d’extrême gauche préfère toujours donner la parole aux petits bureaucrates gauchistes qu’aux prolétaires (<em>NdT</em>).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[3]</strong> Le <em>Bloque de Esquerda</em>, fondé en 1999, résulte de la fusion entre des maoïstes, des trotskistes et des anciens du Parti communiste portugais (<em><u>NdT</u></em>).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[4]</strong> Selon le site fr. worker-participation.eu : «<em>Il existe deux principales confédérations syndicales au Portugal : la CGTP-IN, (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses, Confédération générale des travailleurs portugais) et l’UGT (União Geral de Trabalhadores, Confédération générale des travailleurs). La CGTP-IN est plus importante : lors de son dernier congrès, qui s’est tenu en janvier 2012, elle déclarait représenter 614 088 travailleurs. Dans une interview datant de novembre 2010, le secrétaire général de l’UGT, João Proença, a indiqué que la confédération totalisait environ 500 000 membres. Le pays compte par ailleurs un grand nombre de petits syndicats non affiliés, dont on peut évaluer le nombre de membres à 50 000</em>.» Mais, précise le même site, «<em>selon les observateurs, le nombre de personnes syndiquées est en réalité moindre : environ 500 000 affiliés pour la CGTP-IN et 200 000 pour l’UGT»</em>, ce qui correspond à l’analyse des camarades de Passa Palavra (<em>NdT</em>).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[5] </strong>Ces deux mots sont employés indifféremment, pourtant l’externalisation est potentiellement plus pérenne et plus large que la sous-traitance. «<em>La sous-traitance met en relation un sous-traitant qui s’engage à réaliser une tâche en sous-œuvre, pour le compte d’un entrepreneur principal qui dirige toutes les opérations. Une entreprise “donneur d’ordres” confie la réalisation d’une tâche à une entreprise “sous-traitante”, selon des spécifications techniques établies dans un cahier des charges. Ces missions sont généralement ponctuelles ou temporaires. L’externalisation est basée sur le même principe que la sous-traitance, à la différence que l’externalisation revêt un caractère de pérennité ou, au moins, de longue durée. De manière générale, l’externalisation consiste à confier l’intégralité d’un processus métier à un prestataire. Ces processus peuvent concerne la comptabilité, la gestion de la paie, la gestion des ressources humaines, la gestion de la relation clients, la permanence téléphonique, le télémarketing, ou autres»</em>, selon le site offshore-developpement.com (<em>NdT</em>).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[6]</strong> On trouvera un récit journalistique de cette action spontanée des travailleurs de la TAP dans <a href="http://www.jn.pt/economia/interior/animos-exaltados-em-protesto-de-trabalhadores-da-tap-contra-cortes-2268252.html?id=2268252" target="_blank" rel="noopener">cet article</a>. Action qui fut suivie par un communiqué commun des syndicats de la TAP annonçant «<em>qu’il fallait trouver des solutions qui n’aient rien de commun avec des actions industrielles de lutte, raison pour laquelle nous faisons appel à TOUS nos représentants afin que, dans la sérénité et le bon sens, ils attendent les développements futurs</em>» (<a href="http://www.sitema.pt/pt/noticias/comunicado-conjunto-dos-sindicatos-fev-2012/">http://www.sitema.pt/pt/noticias/comunicado-conjunto-dos-sindicatos-fev-2012/</a> ). Difficile d’être plus clair.</p>
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		<title>Velha Toupeira (13)</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Jan 2024 03:01:32 +0000</pubDate>
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		<title>Velha Toupeira (2)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Bastos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Mar 2023 11:54:46 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-148037" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/toupeira2.jpg" alt="" width="900" height="300" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/toupeira2.jpg 900w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/toupeira2-300x100.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/toupeira2-768x256.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/toupeira2-640x213.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2023/03/toupeira2-681x227.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px" /></p>
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		<title>Amizades Inesperadas: cooperação de ultranacionalistas ucranianos com agentes russos (5)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Apr 2022 05:10:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
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					<description><![CDATA[A história aqui demonstrada ilustra essa faceta das relações internacionais da extrema-direita mundial. Por Taras Tarasiuk &#038; Andreas Umland.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por Taras Tarasiuk &amp; Andreas Umland</h3>
<h4><strong>Extrema-direita ucraniana e atores pró-Kremlin ao redor do mundo</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Contatos diretos entre a extrema-direita ucraniana e o Kremlin são, por razões óbvias, raros. Quaisquer contatos seriam arriscados à extrema-direita, se fossem eventualmente desejados, e, se conduzidos, seriam escondidos o máximo possível. A política ucraniana mais <em>mainstream</em> não tolera qualquer colaboração com forças pró-Moscou, em razão da Guerra Russo-Ucraniana. Os casos que já listamos continuam sendo alianças eventuais que não sugerem contatos estáveis entre forças pró-russas na Ucrânia e movimentos ucranianos de extrema-direita. No entanto, a situação com os aliados da extrema-direita ucraniana na União Europeia e na América do Norte é mais cinzenta no que diz respeito a este aspecto.</p>
<p style="text-align: justify;">A maior parte das linhas de comunicação entre a extrema-direita ucraniana e atores pró-Kremlin no exterior foram cortadas após a Revolução da Dignidade, a anexação da Crimeia e o início do conflito no Donbass. Alguns grupos, contudo, conseguiram construir novas relações ou aprofundar antigas conexões com grupos não-russos de extrema-direita. No entanto, o problema para os nacionalistas radicais da Ucrânia com essas novas e velhas conexões é que muitas, se não a maioria, das agremiações radicais de direita da Europa possuem simpatias ou mesmo contatos com a Rússia de Putin <strong>[243]</strong>. Muitos grupos radicais nacionalistas da Europa Ocidental defendem abertamente visões pró-Kremlim e alguns até mesmo possuem uma lealdade especial para com Vladimir Putin. Além disso, alguns desses grupos foram publicamente acusados de praticarem lobby em defesa dos interesses do Kremlin nas nações da União Europeia. No entanto, a extrema-direita ucraniana após o Euromaidan manteve ou expandiu parcialmente seus contatos com grupos na Europa centro-oriental (Polônia, os Estados bálticos, Hungria), na Europa Ocidental (França, Alemanha, Suécia e Itália) e nos Estados Unidos.</p>
<h4><strong>A extrema-direita ucraniana e grupos anti-ocidentais na Europa Oriental.</strong></h4>
<h5><em>O Movimento Azov e seu Grupo de Apoio Intermarium.</em></h5>
<p style="text-align: justify;">Depois que o Svoboda rompeu a maior parte das suas relações estrangeiras em 2014, o movimento azovista se tornou o grupo ucraniano líder no quesito cooperação internacional. Ele obteve sobretudo novos parceiros, ao invés de sustentar as velhas conexões estrangeiras. O principal ramo do Azov conduzindo suas relações estrangeiras é um grupo paralelo semi-intelectual, chamado Grupo de Apoio Intermarium <strong>[244]</strong>. A palavra “intermarium” é a variante latina da expressão polonesa “międzymorze” (entre mares). Um esquema geopolítico com tal nome foi promovido após a Primeira Guerra Mundial por Józef Pilsudski, o qual desejava criar uma aliança antialemã e antissoviética de nações da Europa Oriental localizadas nos mares Báltico, Negro e Adriático. <strong>[245]</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">O Grupo de Apoio Intermarium se tornou um meio de contato da direita ucraniana com radicais nacionalistas da Croácia, Bielorrússia, Polônia, Hungria e dos países bálticos <strong>[246]</strong>. Os grupos se encontram através de conferências sobre o futuro dos projetos Trymor’ia (Três Mares) e Mizhmor’ia (Entre Mares) <strong>[247]</strong>. O discurso atual da extrema-direita da Europa Oriental vai além dos planos originais do projeto Intermarium e busca estabelecer um reino civilizacional separado na Europa Centro-Oriental que seria distinto tanto da União Europeia e seu liberalismo quanto da Rússia e seu autoritarismo. Nacionalistas ucranianos, croatas e poloneses também estão reelaborando sua visão quanto à antiga estrutura do Intermarium em um novo conceito de defesa multinacional e bloco econônomico entre os mares Báltico, Negro e Adriático que seria oposto tanto ao Ocidente pluralista quanto à Eurásia imperial <strong>[248]</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Baseado em tais visões, o Grupo de Apoio Intermarium se engajou em uma variedade de atividades incluindo discussões e eventos comemorativos. Um dos maiores é a conferência anual do Grupo de Apoio Intermarium em Kyiv <strong>[249]</strong>. Através desta e outras atividades similares, o departamento internacional do Batalhão Azov se tornou um ator notável no discurso da extrema-direita da Europa Oriental. Nos últimos anos, as conferências do Intermarium aglutinaram representantes e participantes de 13 países da Europa Central e Oriental <strong>[250]</strong>.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-143576 size-large" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/04/realismo2-1024x751.jpg" alt="Amizades Inesperadas: cooperação de ultranacionalistas ucranianos com agentes russos (5)" width="640" height="469" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/04/realismo2-1024x751.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/04/realismo2-300x220.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/04/realismo2-768x563.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/04/realismo2-573x420.jpg 573w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/04/realismo2-80x60.jpg 80w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/04/realismo2-640x469.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/04/realismo2-681x499.jpg 681w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/04/realismo2.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px" /></p>
<p style="text-align: justify;">Essa atividade não é por si só algo fora da curva no contexto do presente estudo e não se localiza fora do espectro da ideologia e dos comportamentos previsíveis do nacionalismo ucraniano. Contudo, dentro dessa rede internacional, a extrema-direita ucraniana por vezes trabalha com certas organizações não-ucranianas da direita radical com possíveis ligações com o Kremlin. Desde 2014, a maioria dos contatos da extrema-direita ucraniana se tornaram empreendimentos arriscados tendo em vista a ampla simpatia para com a Rússia de Putin nos grupos antidemocráticos ocidentais e não-ocidentais por todo o planeta. A posição oficial dos nacionalistas ucranianos, é claro, é que eles não cooperam com parceiros internacionais que apoiam Moscou. Contudo, isso não é o que sempre acontece na prática, mesmo após o início da Guerra Russo-Ucraniana em 2014.</p>
<h5><em>Ultranacionalistas ucranianos e poloneses.</em></h5>
<p style="text-align: justify;">Em 2019, hackers do grupo “Distributed Denial of Secrets” publicaram 175 gigabytes de informações entre correspondência virtual e outros dados de funcionários russos <strong>[251]</strong>. De acordo com o arquivo “O Lado Negro do Kremlin”, o empreendedor político Alekansdr Usovskii (nascido em Belarus) propôs ao conhecido deputado da Duma e chefe do Instituto CIS, Konstantin Zatulin, um projeto para a criar uma rede de forças antiucranianas na Europa Oriental <strong>[252]</strong>. Usovskii se ofereceu para organizar comícios nas quatro capitais do Grupo de Visegrado durante os Encontros da Parceria Oriental. Na Polônia, o projeto de Usovskii foi aprovado, e o empreendedor passou a requisitar financiamento <strong>[253]</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">De acordo com o projeto, Usovskii queria utilizar e mobilizar “condenações de Bandera” públicas por movimentos políticos poloneses. Isso incluía tanto organizações explicitamente pró-russas quanto grupos de extrema-direita como o Szturm e o Obóz Narodowo-Radykalny (ONR), esta uma das principais organizações da direita radical na Polônia <strong>[254]</strong>. Estes grupos concordaram em assinar uma declaração conjunta condenando a integração da Ucrânia na Europa por causa do apoio disseminado à “ideologia banderista” no país.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse episódio por si só foi algo nada surpreendente e que se encaixa perfeitamente no esquema de operações russas similares com outros atores internacionais. Exemplo de tais operações envolveram o antigo Manuel Ochsenreiter (1976-2021), um prolífico membro do Movimento Eurasianista Internacional de Alexander Dugin e antigo funcionário do Bundestag alemão, o Parlamento alemão. Em 2018, Ochsenreiter empregou dois ativistas poloneses de extrema-direita para realizar uma provocação contra a Ucrânia. Na cidade ucraniana ocidental de Uzhhorod, Ochsenreiter e seus agentes conduziram um ataque incendiário em um centro cultural húngaro com a intenção de incentivar tensões entre as populações locais de etnia húngara e ucraniana <strong>[255]</strong>. O projeto de Usovskii portanto continuava uma tradição vinda da era soviética de operações clandestinas de Moscou no Ocidente com a ajuda de radicais nacionalistas estrangeiros <strong>[256]</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">É de se notar que se por um lado a ONR estava trabalhando para prevenir a entrada da Ucrânia na União Europeia, alguns de seus membros estavam em contatos com e participavam em ações do Batalhão Azov <strong>[257]</strong>. Similarmente, o Szturm tem sido relativamente pró-ucraniano em comparação com outros movimentos nacionalistas na extrema-direita polonesa. Ele possui contatos bem estabelecidos com o movimento Azov nos marcos de projetos com o Grupo de Apoio Intermarium <strong>[258]</strong>. Ao mesmo tempo, ambos movimentos poloneses não perceberam que haviam se tornado alvos de uma operação secreta russa conduzida por Usovskii que, além do mais, também estava com o contato com o funcionário dos National Corps ucranianos Korotkikh.</p>
<h4><strong>A Extrema-direita ucraniana e os atores pró-Kremlin na Europa Ocidental.</strong></h4>
<h5><em>Azov e CasaPound</em></h5>
<p style="text-align: justify;">Um dos novos contatos estrangeiros dos ultranacionalistas ucranianos têm sido o grupo fascista extra-parlamentar CasaPound, que possui uma posição ambivalente na Guerra Russo-Ucraniana. Este movimento, basicamente desconhecido fora da Itália, começou como uma ocupação habitacional em Roma para “italianos verdadeiros”, recebendo as famílias de seus apoiadores ideológicos. Ao longo do tempo, esta prática se espalhou pela Itália, e o grupo se tornou um notável ator neofascista na Europa Ocidental<strong> [259]</strong>. Alguns membros da CasaPound já vocalizaram seu apoio à Ucrânia em sua guerra contra a Rússia, enquanto outros apóiam o Kremlin e até mesmo lutaram ao lado de militantes pró-russos na Ucrânia oriental <strong>[260]</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde 2014, a Carpathian Sich junto com o departamento internacional do movimento Azov conduziram conferências conjuntas em Uzhgorod e Lviv com a CasaPound. De acordo com a FOIA Research, representantes do Grupo de Apoio Intermarium e da CasaPound participaram de uma comemoração em Acca Larentia em 2019 <strong>[261]</strong>. O encontro multinacional de representantes da extrema-direita, incluindo representantes do Batalhão Azov, foi parte de uma série de eventos anuais que ocorrem em Roma para recordar a morte de três jovens ativistas neofascistas em 1978 em conflitos violentos na rua Acca Larentia <strong>[262]</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Como em outros casos do gênero, a cooperação conjunta da extrema-direita ucraniana com a CasaPound foi paradoxal em vista da posição ambivalente da organização italiana em relação à Ucrânia e à Rússia. Por um lado, a liderança da CasaPound apoiou o Pravy Sektor durante a revolução de Maidan <strong>[263]</strong>. Mas ela também manifestou simpatias para com a Rússia de Putin antes e depois do início da Guerra Russo-Ucraniana <strong>[264]</strong>. Anton Shekhovtsov relata que “no dia 18 de Outubro de 2014, a L[ega] N[ord], a CasaPound e outras organizações de extrema-direita fizeram um protesto anti-imigração em Milão, e a &#8216;massa levava placas saudando Putin&#8217; e agitando bandeiras da República Popular de Donetsk” <strong>[265]</strong>. Em 2018, a CasaPound organizou uma discussão pública em Roma com Alexander Dugin. Na ocasião, o representante da CasaPound falou com a audiência, e o <em>website</em> extrema-direita italiana “Il Primato Nazionale” fez um relato sobre o evento.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-143577 size-large" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/04/realismo-1024x754.jpg" alt="Amizades Inesperadas: cooperação de ultranacionalistas ucranianos com agentes russos (5)" width="640" height="471" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/04/realismo-1024x754.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/04/realismo-300x221.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/04/realismo-768x565.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/04/realismo-571x420.jpg 571w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/04/realismo-80x60.jpg 80w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/04/realismo-100x75.jpg 100w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/04/realismo-640x471.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/04/realismo-681x501.jpg 681w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/04/realismo.jpg 1064w" sizes="auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px" /></p>
<p style="text-align: justify;">A intervenção do Secretário Nacional da CasaPound, Simone Di Stefano, se focou na idéia de uma Itália eterna: “Fora da União Europeia e da Aliança Atlântica, a Rússia é um aliado estratégico para nós. Nós nunca fomos &#8216;anti&#8217; qualquer coisa ou qualquer um, porque nós sempre agimos de acordo com o interesse nacional. Eu aprecio muito o conceito de &#8216;Rússia eterna&#8217; expresso no livro de Dugin. Uma idéia que deve existir e que perdura no tempo. O mundo não precisa ser a massa sem identidade que liberais culturais e mundialistas desejam. Nós gostaríamos de poder afirmar na Itália esse pensamento também. O farol que nós italianos precisamos buscar, no entanto, é o de uma Roma eterna, olhando para o Mediterrâneo e a África” <strong>[266]</strong>.</p>
<h5><em>Svoboda e direitistas da Europa Ocidental</em></h5>
<p style="text-align: justify;">Como o mais relevante e antigo partido de extrema-direita da Ucrânia, as relações do Svoboda com outros grupos de extrema-direita datam dos anos 90, quando ele ainda operava sob seu nome o original, o Partido Social-Nacional da Ucrânia (PSNU). Desde cedo, o PSNU se filiou à EuroNat — uma associação semi-formal de partidos europeus de extrema-direita fundada pelo Front National francês em 1997 e hoje inativa <strong>[267]</strong>. Foi naquele momento que o PSNU estabeleceu contato com Jean-Marie Le Pen e o Front National francês. Nesse meio tempo, o Front National francês também estava desenvolvendo relações com o imperialista Partido Liberal-Democrata Russo liderado por Vladimir Zhirinovsky <strong>[268]</strong>. Por exemplo, em 2000, sob convite do PSNU, Le Pen — ainda secretário do Front National — visitou a Ucrânia <strong>[269]</strong>. Artem Yovenko detalhou a situação:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">“A cooperação [entre os dois partidos] também se desenvolveu ao nível de suas organizações juvenis. Um campo de treinamento francês […], além de contar com representantes dos grupos de jovens franceses e ucranianos, incluía também jovens nacionalistas da Itália, Espanha e Bélgica. Alguns dos objetivos do acampamento foram apontados como sendo fortalecer a cooperação, trocar idéias, propaganda e trabalho organizacional. As atividades de tempo livre no campo incluíam festas, música, esportes e boxe francês” <strong>[270]</strong>.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Os ativistas franceses de extrema-direita também podem ter ajudado o Svoboda — enquanto partido de um país de fora da UE — a ganhar status de observador na Aliança de Movimentos Europeus Nacionalistas (AENM), fundada em 2009 <strong>[271]</strong>. A AENM foi, por um tempo, uma organização guarda-chuva oficial de alguns dos maiores partidos radicais de direita e populistas da UE. Sua criação foi iniciado pelo partido húngaro ultranacionalista Jobbik (quando ele ainda era ultranacionalista), o qual reunía partidos com mentalidade parecida da UE em seu sexto congresso em Budapeste, em 2009 <strong>[272]</strong>. Após entrar no Parlamento em 2012 e antes de se iniciar o Euromaidan em 2013, o Svoboda já havia sido expulso da AENM <strong>[273]</strong>. A expulsão aparentemente foi motivada pelas queixas do Jobbik quanto às “declarações anti-húngaras” do Svoboda <strong>[274]</strong>. Essa expulsão foi, talvez, um desenvolvimento sortudo para os membros do Svoboda. Em 2014, a AENM declarou que o novo governo em Kyiv, que incluía membros do Svoboda, não tinha legitimidade que a AENM apoiava a anexação russa da Crimeia <strong>[275]</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Svoboda também tinha contatos bilaterais com partidos de extrema-direita da Europa Ocidental, incluindo neofascistas italianos. Em Abril de 2013, dois líderes do Svoboda, Andrei Ilenko e Taras Osaulenko, visitaram a Itália sob convite oficial do partido italiano extremista de direita Forza Nuova (Força Nova) para discutir uma possível cooperação entre os dois partidos. Um mês antes, em Março de 2013, Taras Osaulenko, que era responsável pelas relações internacionais do Svoboda, tinha participado da Conferência “Vision Europa” em Estocolmo, organizada pelo Partido dos Suecos — um grupo neonazista <strong>[276]</strong>. Roberto Fiore, líder do Forza Nuova, estava entre os palestrantes na conferência <strong>[277]</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">O primeiro contato informal entre o Svoboda e Fiore já tinha começado em 2009. Esse ano Tiahnybok encontrou-se com Fiore em Strausburgo durante uma reunião com membros da extrema-direita do Parlamento Europeu. Em 2013, Fiore convidou Osaulenko e Ilenko para Roma para discutir a cooperação entre o Svoboda e o Forza Nuova <strong>[278]</strong>. A delegação do Svoboda também visitou o acampamento da juventude do Forza Nuova onde Ilenko foi uma apresentação da história e ideologia do Svoboda e compartilhou suas visões sobre como os dois partidos poderiam somar forças para “lutar contra as forças liberais do multiculturalismo e degradação das tradições nacionais na civilização europeia” <strong>[279]</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Em Junho de 2013, representantes da Forza Nuova, incluindo Fiore, foram à Ucrânia para discutir a criação de um novo movimento nacionalista europeu e para “desenvoler uma cooperação estratégica visando criar um nova classe política europeia” <strong>[280]</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">E ainda assim desde 2014 alguns dos outrora parceiros do Svoboda — o Jobbik da Hungria, o Front National da França e o Forza Nuova da Itália — se tornaram alguns dos mais barulhentos apoiadores ocidentais das políticas de Putin no que diz respeito à Ucrânia <strong>[281]</strong>. Em Dezembro de 2014, Fiore participou na Conferência “Ucrânia. Novorossiia [Nova Rússia]. Rússia”, em Ialta sob ocupação russa. Lá ele expressou apoio aos interesses russos na Ucrânia <strong>[282]</strong>. Segundo relatos, o Forza Nuova chegou mesmo a enviar voluntários para o Donbass para lutar com separatistas pró-russos contra as forças do governo ucraniano <strong>[283]</strong>. Hoje, o Svoboda alega não possuir mais relações com partidos europeus pró-Putin. Se pode imaginar o quão envergonhados os líderes do Svoboda devem estar de seus contatos mais antigos com vários partidos de extrema-direita da Europa, seja na Itália, França, Hungria, Grã-Bretanha (British National Party &#8211; BNP) e Alemanha (Nationaldemokratische Partei Deutschlands &#8211; NPD). A maior parte deles pública e repetidamente vocalizaram sua simpatia pela ou mesmo forte apoio à Rússia de Putin desde o início da Guerra Russo-Ucraniana em 2014.</p>
<h5><em>Caprichos do internacionalismo racista: Asgardei e Plomin</em></h5>
<p style="text-align: justify;">Desde 2014 os National Corps assumiram um papel proeminente nos contatos internacionais da extrema-direita ucraniana, depois que o Svoboda rompeu a maior parte de suas antigas relações com o Ocidente <strong>[284]</strong>. Já que a maior parte dos maiores partidos ultranacionalistas do Europa Ocidental possuem posições pró-russas, a maior parte da sua cooperação internacional se moveu do plano político para as subculturas de extrema-direita. Todavia, isso se mostrou quase tão arriscado quanto um campo minado para os ultranacionalistas ucranianos em relação à esfera partidária. Muito do <em>underground</em> racista ocidental está também encantado por Putin e apóia as políticas exteriores russas assim como a retórica direitista do Kremlin no que tange a medidas domésticas.</p>
<p style="text-align: justify;">Um exemplo lapidar para o novo formato de cooperação internacional é o “Asgardei”, um festival anual de música voltado ao metal de extrema-direita em Kyiv organizado pelo movimento azovista desde 2015. Em 2019, o supremacista branco Greg Johnson e o neonazista alemão Hendrik Möbus visitaram os seus shows <strong>[285]</strong>. O festival também inclui discussões políticas; Möbus deu uma palestra em 2018 <strong>[286]</strong>. As bandas que já tocaram no festival incluem a banda italiana Bronson, ligado ao CasaPound; <strong>[287]</strong> a banda alemã neonazista Path of Resistance; a banda eslovaca antissemita Krátky Proces; e o M8L8TH de Aleksei Levkin, um grupo neonazista russo de hardcore <strong>[288]</strong>. Esses e outros grupos não se tornaram conhecidos publicamente por fazer declarações pró-Kremlin. Ainda assim, eles vêm de um meio que, em muitos casos, são caracterizados pela simpatia ao invés de antipatia pela Rússia de Putin.</p>
<p style="text-align: justify;">Um incidente de 2019 em Kyiv ilustra os riscos de se relacionar com as subculturas fascistas para a extrema-direita ucraniana no mundo pós-EuroMaidan <strong>[289]</strong>. Em Dezembro de 2019, o clube literário de extrema-direita ucraniano Plomin (“Chama”), que também funciona como um ramo cultural-intelectual do movimento azovista, organizou uma apresentação pública sobre o Franco Freda (n. 1941), um neofascista italiano e supremacista branco. O livro de Freda, “A desintegração do sistema”, foi traduzido para o ucraniano e estava sendo vendido pela Plomin <strong>[290]</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Freda tem um apelo especial para a cena de extrema-direita porque ele combina as qualidades de um neofascista que é ao mesmo tempo ativista, debatedor público e terrorista. Ainda que seja amplamente desconhecido ao público mais amplo, Freda se tornou objeto de culto dentro da cena subcultural da extrema-direita. Os jovens ativistas de extrema-direita de Kyiv estavam portanto ansiosos em dar uma maior audiência na Ucrânia à tradução de seu principal livro. Todavia, como Michael Colborne notou, a visão de Estado ideal defendida por Freda é problemática para leitores ucranianos:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">“É um Estado que não só traz à mente os frutos de uma fantasia totalitária, mas pode lembrar a alguns ucranianos os horrores dos anos 30 do século XX sob Stálin. A propriedade privada será abolida, segundo Freda, e vários &#8216;comissários&#8217; (&#8216;commissario&#8217; no original italiano) supervisionarão tudo de assuntos externos e finanças até mesmo aos “combinados” agrícolas coletivos, onde trabalhadores comporão o que Freda chama de Comitê de Administração do Combinado” <strong>[291]</strong>.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Ainda pior, as décadas que Freda passou advogando a desintegração do sistema ocidental o levaram a aprovar os vários esforços anti-ocidentais de Vladimir Putin e Moscou. Em sua investigação sobre o contexto pretérito relativo ao incidente de 2019 em Kyiv, Colborno sublinha:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">“Ainda mais dissonante para o movimento azovista e sua feroz atitude anti-Kremlin, Franco Freda é um fã aberto do presidente russo Vladimir Putin. Em uma entrevista de Novembro de 2018, Freda não só falou muito bem do populista de extrema-direita pró-russo Matteo Salvini, mas reservou os melhores elogios para o homem que literalmente maquinou a anexação russa da Crimeia e invasão da Ucrânia oriental. &#8216;Putin é um campeão da raça branca&#8217;, disse Freda. &#8216;Eu penso nos povos eslavos, foram eles que ganharam a Segunda Guerra Mundial […] eles são indivíduos brutais, é claro, mas eles são os únicos que podem resistir&#8217;. Essa não foi a primeira oportunidade que Freda se aventurou a fazer elogios a Putin. Em 2014, Franco Freda também elogiou o presidente russo. &#8216;A minha impressão é que o único político europeu decente é Vladimir Putin&#8217;, disse Freda em Outubro de 2014” <strong>[292]</strong>.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">É digno de nota, além disso, que Freda, apesar de ter feito essas declarações após o início da Guerra Russo-Ucraniana na Primavera de 2014, ainda assim seja reivindicado e tenha seu trabalho traduzido por ativistas da extrema-direita ucraniana. Além disso, o livro traduzido foi apresentado na renomada Academia Kyiv-Mohyla, uma universidade respeitada tanto por nacionalistas ucranianos moderados quanto radicais. A administração da universidade tentou impedir a apresentação, mas os ativistas seguiram com seus planos. Eles ocuparam um auditório de palestras no museu da Academia, onde reuniram cerca de 40 pessoas e apresentaram o livro, criando um escândalo dentro e fora da universidade <strong>[293]</strong>.</p>
<h4><strong>Contradições e riscos da cooperação internacional entre agrupamentos de extrema-direita</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Nosso breve estudo não cobre todas as linhas de conexão direta e indireta entre o nacionalismo radical ucraniano pós-soviético e a Rússia. Em particular, as conexões da extrema-direita ucraniana com grupos russófilos direitistas não-russos só foram brevemente apresentados aqui e precisam de mais pesquisa. Contudo, nosso estudo ilustra passados divergentes das narrativas e modos de cooperação paradoxal entre nacionalistas radicais ucranianos com a Rússia ou agentes políticos relacionados com a Rússia.</p>
<p style="text-align: justify;">Nosso ensaio aponta para os contextos em mutação da cooperação de extrema-direita com russos, com Moscou ou com agentes pró-Kremlin nas diferentes fases históricas seguintes: a) os anos de transição da década de 90; b) a presidência de Viktor Yushchenko de 2005 a 2010; c) a presidência de Viktor Yanukovich de 2010 a 2014; e d) o período após a vitória do Euromaidan e o início da Guerra Russo-Ucraniana em 2014. Durante os anos 90, as relações entre o recém-independente Estado ucraniano e o Estado russo não estavam ainda determinadas. Essa situação fluida permitiu a associação quase simultânea da UNA-UNSO com o apoio indireto ao separatismo pró-russo na Transnístria, com a atividade paramilitar contra o separatismo pró-russo na Geórgia e com a participação no separatismo antirrusso na Chechênia.</p>
<p style="text-align: justify;">Com a ascensão de Putin e a consequente mudança na política externa russa desde 2000, os riscos da associação da extrema-direita ucraniana com agentes russos aumentaram. Quando o político pró-ocidente Viktor Yushchenko se tornou presidente da Ucrânia em 23 de Janeiro de 2005, tanto a burocracia estatal russa quanto os nacionalistas russos fora do governo passaram a ver a Ucrânia de forma mais ácida do que antes. Mesmo anteriormente à vitória eleitoral de Yushchenko, no fim de 2004, forças pró-Kremlin haviam lançado uma operação de “medida ativa”, que envolveu a questão Kovalenko, a qual visava desacreditar o movimento Laranja que levou Yushchenko ao poder.</p>
<p style="text-align: justify;">A virada pró-ocidental inequívoca da Ucrânia como resultado da Revolução Ucraniana forçou a extrema-direita ucraniana a se reposicionar em face tanto do Ocidente quanto da Rússia. A associação de Korchinsky com Dugin e com o Kremlin durante a presidência de Yushchenko ilustra que, para alguns ultranacionalistas ucranianos, a virada radical da Ucrânia para o Ocidente foi difícil de digerir. Essa virada foi, de certos pontos de vista neofascistas, um desenvolvimento tão negativo que levou o grupo de Korchinsky à aliança com os neo-eurasianistas antiucranianos de Dugin.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Ao mesmo tempo, certas forças pró-russas dentro da Ucrânia viram o partido Svoboda como uma oportunidade para influenciar a política ucraniana. Eles começaram o que poderia parecer uma promoção contraintuitiva na mídia ucraniana do radical partido antirrusso para fortalecer e legitimar sua causa nos assuntos domésticos ucranianos. O Svoboda tinha potencial para exercer muitos papéis positivos para forças ucranianas pró-Moscou, inclusive a) um agente subversivo que rachasse o campo político nacionalista da Ucrânia; b) um espantalho ultranacionalista para o Ocidente; e c) um parceiro conveniente nas várias competições políticas para criticar outros candidatos, especialmente durante eleições presidenciais. Possivelmente sob conselho do Paul Manafort, o Partido das Regiões de Yanukovich e vários oligarcas leais a Yanukovich usaram impérios midiáticos para promover a ascensão do Svoboda.</p>
<p style="text-align: justify;">Após a vitória de Yanukovich nas presidenciais em 2010, o Svoboda passou a se beneficiar direta e indiretamente das manipulações feitas pelo novo presidente, seu governo e pelos esquemas dos “tecnólogos políticos” do Partido das Região. Eventualmente, os vários fatores e esquemas secretos que estavam ajudando o Svoboda desde 2009 conduziram à sua mais bem-sucedida performance eleitoral até hoje nas eleições parlamentares de 2012.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-143575 size-large" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/04/realismo3-1024x813.jpg" alt="Amizades Inesperadas: cooperação de ultranacionalistas ucranianos com agentes russos (5)" width="640" height="508" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/04/realismo3-1024x813.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/04/realismo3-300x238.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/04/realismo3-768x610.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/04/realismo3-1536x1219.jpg 1536w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/04/realismo3-529x420.jpg 529w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/04/realismo3-640x508.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/04/realismo3-681x540.jpg 681w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2022/04/realismo3.jpg 2016w" sizes="auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px" /></p>
<p style="text-align: justify;">A associações contraditórias do Svoboda — como o partido que mais visceralmente vocalizava uma posição antirrussa — vão além do apoio direto e indireto que ele recebia até 2013 do pró-russo Partido das Regiões. Ele também construiu uma plêiade de relações estrangeiras com partidos de extrema-direita russófilos na Europa Centro-Oriental e Ocidental, posição que era em um primeiro momento latente e depois se tornou ostensiva. Como resultado da vitória da revolução do Euromaidan e início da Guerra Russo-Ucraniana em 2014, ambos estes desenvolvimentos sofreram um corte abrupto. O antigo apoiador secreto do Svoboda, o Partido das Regiões, tinha desaparecido, e a maioria dos parceiros estrangeiros tinham se tornado uma verdadeira saia justa para os nacionalistas ucranianos, em vista de suas expressivas tomadas de posição pró-putinismo desde 2014.</p>
<p style="text-align: justify;">A vitória do Euromaidan e a Guerra Russo-Ucraniana iniciaram um novo capítulo da história levando a um realinhamento da extrema-direita russa, que se fragmentava ao redor da questão dos apoiadores e inimigos da integridade territorial e independência nacional da Ucrânia. Como resultado, um número de ultranacionalistas russos pró-ucranianos se mudaram para a Ucrânia. Em certos casos, eles se tornaram combatentes armados, se juntando à luta pela soberania ucraniana no Donbass. Alguns também conseguiram se integrar no novo e emergente movimento azovista.</p>
<p style="text-align: justify;">A Guerra Russo-Ucraniana também significou que contatos abertos entre nacionalistas ucranianos e agentes russos — como os similares à relação que se desenvolveu entre Korchinsky e Dugin nos anos entre 2005 e 2007 — se tornaram impossíveis. No entanto, o movimento do Batalhão Azov passou a ocupar um novo nicho na absorção de exilados ultranacionalistas russos em vários braços armados e não-armados, além de sua organização chapa-branca, o Centro Russo. O movimento azovista também tinha ou ainda tem uma relação peculiar com jornalistas politicamente ambivalentes, incluindo Antoliy Shariy e Dmytro Hordon, assim como com canais de TV sob o controle de oligarcas pró-Moscou como Viktor Medvedchuk. O tratamento benevolente dado ao Batalhão Azov por esses agentes midiáticos estava e ainda permanece sendo um contraste feroz com a posição beligerante que esses canais assumirão diante do Svoboda, do Pravy Sektor e de outros grupos ucranianos ultranacionalistas.</p>
<p style="text-align: justify;">Se a absorção de imigrantes russos pelo Batalhão Azov e sua peculiar presença na mídia ucraniana indica um padrão herdeiro da “tecnologia política” que permanece ativo até o momento, essa é uma questão em aberto. Pode haver um esquema coordenado por trás da presença pública desproporcional do marginal Batalhão Azov, o qual recebe apoio eleitoral de cerca de ou abaixo de 1%. Se uma tal operação secreta for verdadeira, o esquema desenvolvido lembraria o fenômeno incomum da alta publicidade que o Svoboda recebeu em programas de entrevista populares entre 2010 e 2012.</p>
<p style="text-align: justify;">A posição doméstica ambivalente dos National Corps é, em certos aspectos, paralela com a ambiguidade considerável nas relações domésticas que o movimento vêm desenvolvendo agressivamente desde 2015. Alguns dos ramos do movimento estão ansiosos para se tornar parte totalmente respeitada do meio subcultural de extrema-direita europeu mais amplo. Em seus esforços multifacetados para se somarem a outros atores europeus, o National Corps e ONGs a ele relacionadas, como o Svoboda antes de 2014, estabeleceu relações com parceiros europeus que ocupam posições ambivalentes ou mesmo positivas com relação à Rússia de Putin. Diferentemente dos parceiros estrangeiros relativamente proeminentes do Svoboda antes de 2014, contudo, os contatos internacionais do Azov são, até aqui, somente grupúsculos políticos neofascistas e marcadamente marginais, além de subculturas racistas fechadas. Esses círculos, ao contrário dos partidos na antiga AENM, não têm muito potencial eleitoral ou peso político, e são amplamente desconhecidos do público tanto na Ucrânia quanto no Ocidente.</p>
<p style="text-align: justify;">Usando a Ucrânia pós-soviética como exemplo, nosso estudo ilustra a observação talvez trivial, politicamente geral e geograficamente ampla de que para nações-Estado novas o ultranacionalismo é em alguns aspectos um empreendimento ainda mais problemático que para países mais antigos. Ele não é somente normativamente destrutivo, potencialmente criminoso e internamente subversivo <strong>[294]</strong>, mas o fanatismo dos ultranacionalistas é também um perigo para as relações internacionais da nação, especialmente se aquela nação está em conflito com um vizinho agressivo, como a Ucrânia hoje. Ultranacionalistas gostam de ser vistos como os principais defensores da pátria. As práticas políticas de organizações como o Svoboda, Bratstvo e Azov são, contudo, mais complicadas e quase sempre contraditórias.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda que tal conclusão seja, em sua substância, pouco surpreendente, ela tem uma dimensão estratégica digna de nota. Nosso estudo indica que alinhamentos aparentemente pragmáticos entre nacionalistas moderados e radicais, como o multifaccional Comitê contra a Ditadura, com posição anti-Yanukovich, o qual incluía o Svoboda, podem acabar se revelando problemáticos para partidos políticos democráticos que optam por se engajar nesse tipo de cooperação. Tais alianças além da linha divisória entre democratas e antidemocratas vêm com vários riscos em razão da lealdade insuficiente dos ultranacionalistas aos valores liberal-democratas <strong>[295]</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Forças políticas radicais costumam estar sempre prontas para moldar suas relações internacionais de modos mais aventureiros e menos restritivos que suas contrapartes moderadas. Os últimos pertencem a famílias ou redes partidárias internacionais estáveis e grandes que parcialmente condicionam a direção de seus contatos internacionais e parcerias. Em contraste, as relações internacionais de partidos de extrema-direita podem ser erráticas, como o exemplo dos grupos de extrema-direita ucranianos pós-soviéticos aqui estudados demonstra. Aliados políticos moderados de nacionalistas radicais podem se tornar reféns da lealdade limitada de seus parceiros aos procedimentos constitucionais.</p>
<p style="text-align: justify;">Partidos de centro-direita podem se achar em situações onde eles se tornam desacreditados pelas dúbias conexões internacionais de seus aliados domésticos radicais. As escolhas de contatos externos feitas pelos ultranacionalistas têm pouco a ver com uma posição ideológica particular. Ela pode ao invés disso ser o resultado do fato de que partidos extremistas operam dentro de contextos internacionais e padrões de comportamento distintos das forças políticas moderadas. Extremistas podem não ser particularmente seletivos ou avessos ao risco quando se trata de construir parcerias internacionais. A história aqui demonstrada de conexões ultranacionalistas com a Rússia e com agentes pró-Kremlin na Ucrânia e em outros lugares ilustra essa faceta das relações internacionais da extrema-direita mundial.</p>
<p><em>A publicação deste artigo foi dividida em cinco partes, acessíveis nos links abaixo à medida em que forem publicados:<br />
<a href="https://passapalavra.info/2022/04/142974/" target="_blank" rel="noopener">Parte 1</a><br />
<a href="https://passapalavra.info/2022/04/143076/" target="_blank" rel="noopener">Parte 2</a><br />
<a href="https://passapalavra.info/2022/04/143258/" target="_blank" rel="noopener">Parte 3</a><br />
<a href="https://passapalavra.info/2022/04/143383/" target="_blank" rel="noopener">Parte 4</a></em></p>
<p><em><br />
</em><em>A tradução se deve ao grupo Camarilha Rachada.</em></p>
<p><strong>Notas</strong></p>
<p><strong>[243]</strong> Anton Shekhovtsov, Russia and the Western Far Right: Tango Noir (Abingdon: Routledge, 2017).<br />
<strong>[244]</strong> “Intermarium Support Group,” FOIA Research, 17 Janeiro 2019, <a class="urlextern" title="https://www.foiaresearch.net/organization/intermarium-support-group" href="https://www.foiaresearch.net/organization/intermarium-support-group" rel="ugc nofollow">https://www.foiaresearch.net/organization/intermarium-support-group</a>.<br />
<strong>[245]</strong> Marlène Laruelle and Ellen Rivera, “Imagined Geographies of Central and Eastern Europe: The Concept of Intermarium,” IERES Occasional Papers, Março 2019. <a class="urlextern" title="http://www.ifri.org/en/publications/publications-ifri/articles-ifri/imagined-geographies-central-and-eastern-europe-concept" href="http://www.ifri.org/en/publications/publications-ifri/articles-ifri/imagined-geographies-central-and-eastern-europe-concept" rel="ugc nofollow">www.ifri.org/en/publications/publications-ifri/articles-ifri/imagined-geographies-central-and-eastern-europe-concept</a>.<br />
<strong>[246]</strong> “‘Intermarium’ krokue Evropoiu,” Natsional’nyi korpus, 8 Fevereiro 2019, nationalcorps.org/intermarum-kroku-evropoju/.<br />
<strong>[247]</strong> “Natskorpus vidvidav Khorvatiiu: rozbudova Intermariumu nabyrae obertiv,” Natsional’nyi korpus 12 Julho 2019, <a class="urlextern" title="https://nationalcorps.org/nackorpus-vdvdav-horvatju-rozbudova-intermarumu-nabira-obertv/" href="https://nationalcorps.org/nackorpus-vdvdav-horvatju-rozbudova-intermarumu-nabira-obertv/" rel="ugc nofollow">https://nationalcorps.org/nackorpus-vdvdav-horvatju-rozbudova-intermarumu-nabira-obertv/</a>.<br />
<strong>[248]</strong> Nonjon, “Olena Semenyaka.”<br />
<strong>[249]</strong> “Intermarium Support Group.”<br />
<strong>[250]</strong> “Intermarium Support Group.”<br />
<strong>[251]</strong> “The Dark Side of the Kremlin,” Distributed Denial of Secrets, 25 Janeiro 2019, <a class="urlextern" title="https://bird.bg/kremlin?q=%D1%83%D0%BA%D1%80%D0%B0%D0%B8%D0%BD%D0%B0" href="https://bird.bg/kremlin?q=%D1%83%D0%BA%D1%80%D0%B0%D0%B8%D0%BD%D0%B0" rel="ugc nofollow">https://bird.bg/kremlin?q=%D1%83%D0%BA%D1%80%D0%B0%D0%B8%D0%BD%D0%B0</a>.<br />
<strong>[252]</strong> Paweł Reszk and Pavla Holcova, “The Man who Wanted more October,” <a class="wikilink2" title="stopfake" href="https://wiki.passapalavra.info/doku.php?id=stopfake" rel="nofollow" data-wiki-id="stopfake">StopFake</a>, 18 de Outubro de 2017, <a class="urlextern" title="http://www.stopfake.org/en/the-man-who-wanted-more/" href="http://www.stopfake.org/en/the-man-who-wanted-more/" rel="ugc nofollow">www.stopfake.org/en/the-man-who-wanted-more/</a>.<br />
<strong>[253]</strong> Jan Holzer, Martin Laryš and Miroslav Mareš, Militant Right-Wing Extremism in Putin’s Russia: Legacies, Forms and Threats (Abingdon: Routledge, 2019): 214.<br />
<strong>[254]</strong> Ryszard Machnikowski and Arkadiusz Legieć, “The Favored Conflicts of Foreign Fighters From Central Europe,” Terrorism Monitor 15:19 (2017). jamestown.org/program/favored-conflicts-foreign-fighters-central-europe/.<br />
<strong>[255]</strong> Sabine am Orde, “Brandanschlag in der Ukraine: Spur nach Deutschland,” Taz.de, 24 Março 2020, taz.de/Brandanschlag-in-der-Ukraine/!5673875/.<br />
<strong>[256]</strong> Shekhovtsov, Russia and the Western Far Right.<br />
<strong>[257]</strong> Vladislav Mal’tsev, “Soiuz svastiki i vol’chego kriuchka: Shturmoviki ‘Azova’ nashli pobratimov v Pol’she,” Ukraina.ru, 25 Outubro 2018. ukraina.ru/exclusive/20181025/1021547860.html.<br />
<strong>[258]</strong> Witold Dobrowolski, “O narodowcach co pokochali Murzynkę,” Szturm, 30 Novembro 2017, <a class="urlextern" title="http://szturm.com.pl/index.php/miesiecznik/item/642-witold-dobrowolski-o-narodowcach-co-pokochali-murzynke" href="http://szturm.com.pl/index.php/miesiecznik/item/642-witold-dobrowolski-o-narodowcach-co-pokochali-murzynke" rel="ugc nofollow">http://szturm.com.pl/index.php/miesiecznik/item/642-witold-dobrowolski-o-narodowcach-co-pokochali-murzynke</a>.<br />
<strong>[259]</strong> Caterina Froio, Pietro Castelli Gattinara, Giorgia Bulli, Matteo Albanese, <a class="wikilink2" title="casapound" href="https://wiki.passapalavra.info/doku.php?id=casapound" rel="nofollow" data-wiki-id="casapound">CasaPound</a> Italia: Contemporary Extreme-Right Politics (London: Routledge 2020).<br />
<strong>[260]</strong> “I fascisti italiani fanno i mercenari per Putin,” Espresso.repubblica, 11 Outubro 2017, <a class="urlextern" title="https://espresso.repubblica.it/inchieste/2017/10/11/news/i-fascisti-italiani-fanno-i-mercenari-per-putin-1.311735" href="https://espresso.repubblica.it/inchieste/2017/10/11/news/i-fascisti-italiani-fanno-i-mercenari-per-putin-1.311735" rel="ugc nofollow">https://espresso.repubblica.it/inchieste/2017/10/11/news/i-fascisti-italiani-fanno-i-mercenari-per-putin-1.311735</a>.<br />
<strong>[261]</strong> “Karpats᾽ka Sich,” FOIA Research, 14 Janeiro 2019. <a class="urlextern" title="http://www.foiaresearch.net/organization/karpatska-sich" href="http://www.foiaresearch.net/organization/karpatska-sich" rel="ugc nofollow">www.foiaresearch.net/organization/karpatska-sich</a>.<br />
<strong>[262]</strong> “‘Presente!’ Nationalrevolutionäre Aktivisten beim ‘Acca Larentia’ Gedenken in Rom,” Der Dritte Weg, 12 Janeiro 2019, <a class="urlextern" title="https://der-dritte-weg.info/2019/01/presente-nationalrevolutionaere-aktivisten-beim-acca-larentia-gedenken/" href="https://der-dritte-weg.info/2019/01/presente-nationalrevolutionaere-aktivisten-beim-acca-larentia-gedenken/" rel="ugc nofollow">https://der-dritte-weg.info/2019/01/presente-nationalrevolutionaere-aktivisten-beim-acca-larentia-gedenken/</a>.<br />
<strong>[263]</strong> Giovanni Savino, “From Evola to Dugin: The Neo-Eurasianist Connection in Italy,” In: Marlène Laruelle, ed., Eurasianism and the European Far Right: Reshaping the Europe-Russia Relationship (Lanham: Lexington Books, 2015): 97-124, here p. 114.<br />
<strong>[264]</strong> Shekhovtsov, Russia and the Western Far Right, p. 184.<br />
<strong>[265]</strong> Shekhovtsov, Russia and the Western Far Right, p. 186.<br />
<strong>[266]</strong> La Redazione, “Dugin a <a class="wikilink2" title="casapound" href="https://wiki.passapalavra.info/doku.php?id=casapound" rel="nofollow" data-wiki-id="casapound">CasaPound</a>: ‘Il populismo è la sfida al pensiero unico’,” Il Primato Nazionale, 23 Junho 2018, <a class="urlextern" title="http://www.ilprimatonazionale.it/primo-piano/dugin-a-casapound-il-populismo-e-la-sfida-al-pensiero-unico-88026/" href="http://www.ilprimatonazionale.it/primo-piano/dugin-a-casapound-il-populismo-e-la-sfida-al-pensiero-unico-88026/" rel="ugc nofollow">www.ilprimatonazionale.it/primo-piano/dugin-a-casapound-il-populismo-e-la-sfida-al-pensiero-unico-88026/</a><br />
<strong>[267]</strong> Anton Shekhovtsov, “The old and new European friends of Ukraine’s far-right Svoboda party.” Searchlight, 9 Janeiro 2013, <a class="urlextern" title="http://www.searchlightmagazine.com/archive/the-old-and-new-european-friends-of-ukraine%E2%80%99s-far-right-svoboda-party" href="http://www.searchlightmagazine.com/archive/the-old-and-new-european-friends-of-ukraine%E2%80%99s-far-right-svoboda-party" rel="ugc nofollow">http://www.searchlightmagazine.com/archive/the-old-and-new-european-friends-of-ukraine%E2%80%99s-far-right-svoboda-party</a><br />
<strong>[268]</strong> Shekhovtsov, “The old and new European friends of Ukraine’s far-right Svoboda party.”<br />
<strong>[269]</strong> “Molodizhnyy Natsionalistychnyy Front Frantsii v hostiakh u ukrainsʹkykh patriotiv,” Narodnyy Ohliadach 22 Agosto 2003, <a class="urlextern" title="https://www.ar25.org/article/molodizhnyi-nacionalistychnyi-front-franciyi-v-gostyah-u-ukrayinskyh-patriotiv.html" href="https://www.ar25.org/article/molodizhnyi-nacionalistychnyi-front-franciyi-v-gostyah-u-ukrayinskyh-patriotiv.html" rel="ugc nofollow">https://www.ar25.org/article/molodizhnyi-nacionalistychnyi-front-franciyi-v-gostyah-u-ukrayinskyh-patriotiv.html</a>; R. Zelyk, “Istoriia SNPU – VO ‘Svoboda’,” in: Kurs I. Osnovy natsionalizmu (Ivano-Frankivs’k: Instytut politychnoi osvity VO “Svoboda,” 2008): 56-71; Anton Shekhovstov, “The Ukrainian far-right Natsional`nyi Korpus picks up where Svoboda left off,” Tango Noir, 15 Maio 2018. <a class="urlextern" title="http://www.tango-noir.com/2018/05/15/the-ukrainian-far-right-national-corps-picks-up-where-svoboda-left-off/" href="http://www.tango-noir.com/2018/05/15/the-ukrainian-far-right-national-corps-picks-up-where-svoboda-left-off/" rel="ugc nofollow">www.tango-noir.com/2018/05/15/the-ukrainian-far-right-national-corps-picks-up-where-svoboda-left-off/</a>.<br />
<strong>[270]</strong> Artem Iovenko, “The ideology and development of the Social-National Party of Ukraine, and its transformation into the All-Ukrainian Union ‘Freedom,’ in 1990–2004,” Communist and Post-Communist Studies 48:2-3 (2015): 229–237, here p. 233.<br />
<strong>[271]</strong> Vitaliy Chervonenko, “Le Pen i Tiahnybok: chomu druzi staly vorohamy?” BBC Ukraine, 3 Junho 2015, <a class="urlextern" title="https://www.bbc.com/ukrainian/politics/2015/06/150527_le_pen_svoboda_vc" href="https://www.bbc.com/ukrainian/politics/2015/06/150527_le_pen_svoboda_vc" rel="ugc nofollow">https://www.bbc.com/ukrainian/politics/2015/06/150527_le_pen_svoboda_vc</a>.<br />
<strong>[272]</strong> Shekhovtsov, “The old and new European friends of Ukraine’s far-right Svoboda party.”<br />
<strong>[273]</strong> Anton Shekhovtsov, “Svoboda is no longer an observer in the AENM,” Anton Shekhovtsov’s blog, 11 Abril 2013, <a class="urlextern" title="http://anton-shekhovtsov.blogspot.com/2013/04/svoboda-is-no-longer-observer-in-aenm.html" href="http://anton-shekhovtsov.blogspot.com/2013/04/svoboda-is-no-longer-observer-in-aenm.html" rel="ugc nofollow">http://anton-shekhovtsov.blogspot.com/2013/04/svoboda-is-no-longer-observer-in-aenm.html</a>.<br />
<strong>[274]</strong> Shekhovtsov, “The old and new European friends of Ukraine’s far-right Svoboda party.”<br />
<strong>[275]</strong> Chervonenko, “Le Pen i Tiahnybok: chomu druzi staly vorohamy?”<br />
<strong>[276]</strong> Jens Rydgren “Radical Right-wing Populism in Denmark and Sweden: Explaining Party System Change and Stability,” SAIS Review 30:1 (2010): 57-71.<br />
<strong>[277]</strong> Shekhovtsov, “The old and new European friends of Ukraine’s far-right Svoboda party.”<br />
<strong>[278]</strong> Shekhovtsov, “The old and new European friends of Ukraine’s far-right Svoboda party.”<br />
<strong>[279]</strong> Shekhovtsov, “The old and new European friends of Ukraine’s far-right Svoboda party.”<br />
<strong>[280]</strong> Shekhovtsov, “The old and new European friends of Ukraine’s far-right Svoboda party.”<br />
<strong>[281]</strong> Shekhovtsov, Russia and the Western Far Right, p. 184.<br />
<strong>[282]</strong> “Politicheskaia partiya ‘Novaia sila.’ (‘Forza Nuova’),” CACDS.Posipaka, 25 Julho 2017, <a class="urlextern" title="https://www.posipaka.org/uk/baza-posipak/organizatsii/politicheskaya-partiya-novaya-sila-forza-nuova/" href="https://www.posipaka.org/uk/baza-posipak/organizatsii/politicheskaya-partiya-novaya-sila-forza-nuova/" rel="ugc nofollow">https://www.posipaka.org/uk/baza-posipak/organizatsii/politicheskaya-partiya-novaya-sila-forza-nuova/</a>.<br />
<strong>[283]</strong> Rexhino Abazaj, “Don’t Be Fooled by the Red Fascists: A brief introduction to the ‘red-brown’ movement,” Libero, 4 Janeiro 2016, liberolehti.fi/dont-be-fooled-by-the-red-fascists/.<br />
<strong>[284]</strong> Anton Shekhovtsov, “The Ukrainian Far-right National`nyi Korpus Picks up where Svoboda Left off,” Tango Noir, 15 Maio 2018, <a class="urlextern" title="https://www.tango-noir.com/2018/05/15/the-ukrainian-far-right-national-corps-picks-up-where-svoboda-left-off/" href="https://www.tango-noir.com/2018/05/15/the-ukrainian-far-right-national-corps-picks-up-where-svoboda-left-off/" rel="ugc nofollow">https://www.tango-noir.com/2018/05/15/the-ukrainian-far-right-national-corps-picks-up-where-svoboda-left-off/</a>.<br />
<strong>[285]</strong> “Dispatches from Asgardsrei: Ukraine’s Annual Neo-Nazi Music Festival,” Bellingcat 2 Janeiro 2020, <a class="urlextern" title="https://www.bellingcat.com/news/2020/01/02/dispatches-from-asgardsrei-ukraines-annual-neo-nazi-music-festival/" href="https://www.bellingcat.com/news/2020/01/02/dispatches-from-asgardsrei-ukraines-annual-neo-nazi-music-festival/" rel="ugc nofollow">https://www.bellingcat.com/news/2020/01/02/dispatches-from-asgardsrei-ukraines-annual-neo-nazi-music-festival/</a>.<br />
<strong>[286]</strong> “Asgardsrei festival,” FOIA Research (2019). <a class="urlextern" title="https://www.foiaresearch.net/event/asgardsrei-festival" href="https://www.foiaresearch.net/event/asgardsrei-festival" rel="ugc nofollow">https://www.foiaresearch.net/event/asgardsrei-festival</a>.<br />
<strong>[287]</strong> “Dispatches from Asgardsrei: Ukraine’s Annual Neo-Nazi Music Festival.”<br />
<strong>[288]</strong> “Dispatches from Asgardsrei: Ukraine’s Annual Neo-Nazi Music Festival.”<br />
<strong>[289]</strong> Michael Colborne, “Ukraine’s Far Right Is Boosting a Pro-Putin Fascist,” Bellingcat, 22 Janeiro 2020. <a class="urlextern" title="http://www.bellingcat.com/news/2020/01/22/ukraines-far-right-is-boosting-a-pro-putin-fascist/" href="http://www.bellingcat.com/news/2020/01/22/ukraines-far-right-is-boosting-a-pro-putin-fascist/" rel="ugc nofollow">www.bellingcat.com/news/2020/01/22/ukraines-far-right-is-boosting-a-pro-putin-fascist/</a>.<br />
<strong>[290]</strong> Franko Dzh. Freda [Franco J. Freda], Dezintehratsiia systemy (Kyiv: Nuovi Arditi, 2019).<br />
<strong>[291]</strong> Colborne, “Ukraine’s Far Right Is Boosting a Pro-Putin Fascist.”<br />
<strong>[292]</strong> Colborne, “Ukraine’s Far Right Is Boosting a Pro-Putin Fascist,” quoting from: Raffaella Fanelli, “Fedele Alla Razza.” Estreme Conseguenze, 29 Novembro 2018. estremeconseguenze.it/2018/11/29/fedele-alla-razza/; “Intervista a Franco G. Freda a cura di Karel Veliky, in occasione dell’uscita dell’edizione boema della Disintegrazione del Sistema,” Edizioni di Ar, 21 Outubro 2014. <a class="urlextern" title="http://www.facebook.com/EdizionidiAr/posts/10152493748002428?__tn__=-R" href="http://www.facebook.com/EdizionidiAr/posts/10152493748002428?__tn__=-R" rel="ugc nofollow">www.facebook.com/EdizionidiAr/posts/10152493748002428?__tn__=-R</a>.<br />
<strong>[293]</strong> Nuovi Arditi, “Franko Freda – ‘Dezintehratsiia Systemy’ – Prezentatsiia,” Facebook, 17 Dezembro 2019, <a class="urlextern" title="https://www.facebook.com/events/2881052415261309/" href="https://www.facebook.com/events/2881052415261309/" rel="ugc nofollow">https://www.facebook.com/events/2881052415261309/</a>.<br />
<strong>[294]</strong> Estudos comparativos mais amplos da extrema-direita europeia que, ao invés da maioria das outras pesquisas, incluem o caso ucraniano são: Sabrina Ramet, ed., The Radical Right in Central and Eastern Europe Since 1989 (University Park, PA: Pennsylvania State University Press, 1999); Anton Shekhovtsov, Novye pravoradikal’nye partii v evropeiskikh demokratiiakh: Prichiny elektoral’noi podderzhki (Stuttgart: ibidem-Verlag, 2011); Alina Polyakova, The Dark Side of European Integration: Social Foundations and Cultural Determinants of the Rise of Radical Right Movements in Contemporary Europe (Stuttgart: ibidem-Verlag, 2015); Michael Minkenberg, ed., Transforming the Transformation? The East European Radical Right in the Political Process (Abingdon, UK: Routledge, 2015); Lenka Bustikova, Extreme Reactions: Radical Right Mobilization in Eastern Europe (Cambridge, UK: Cambridge University Press, 2019).<br />
<strong>[295]</strong> “Re-consider the Inclusion of Svoboda into the CAD: Open Letter to the Leaders of Ukraine’s Democratic Opposition Regarding the Inclusion of the ‘Svoboda’ Party into the Committee Against Dictatorship,” Change.org, 2011. <a class="urlextern" title="http://www.change.org/p/committee-against-dictatorship-re-consider-the-inclusion-of-svoboda-into-the-cad" href="http://www.change.org/p/committee-against-dictatorship-re-consider-the-inclusion-of-svoboda-into-the-cad" rel="ugc nofollow">www.change.org/p/committee-against-dictatorship-re-consider-the-inclusion-of-svoboda-into-the-cad</a>.</p>
<p><em>Os quadros que ilustram este artigo são do pintor russo Aleksandr Deineka (1899 &#8211; 1969).</em></p>
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		<title>Imagens do futuro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enzo Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Apr 2020 03:15:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Diabo da economia]]></category>
		<category><![CDATA[Capitalismo]]></category>
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		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
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		<category><![CDATA[Zona euro]]></category>
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					<description><![CDATA[Numa crise que resiste a ser medida com a régua de crises anteriores, as imagens do futuro são fragmentadas. Por Raquel Azevedo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por Raquel Azevedo</h3>
<p style="text-align: justify;">Enquanto a Europa ocupou o lugar de epicentro da pandemia, o colapso dos sistemas de saúde italiano e espanhol (e mais tarde também do britânico) funcionou como uma espécie de imagem futura do que poderia se passar no Brasil caso medidas de isolamento social não fossem adotadas para desacelerar o contágio. A União Europeia segue emitindo imagens do futuro, mas agora com o impasse a respeito do financiamento da expansão dos gastos dos países-membros. O desafio do bloco não é exatamente o aumento necessário da dívida pública em resposta aos efeitos econômicos das medidas de isolamento, mas o arranjo institucional particular em que essa mobilização se dá: trata-se de “um banco central compartilhado que, por um lado, não possui um Tesouro comum como suporte e, de outro, está proibido de apoiar diretamente os 19 Tesouros [dos 19 países-membros] que devem emprestar em euro para combater a crise”, explica Yanis Varoufakis em um <a class="urlextern" title="https://www.theguardian.com/world/commentisfree/2020/apr/11/eu-coronavirus-relief-deal-enemies-debt-eurozone?utm_term=Autofeed&amp;CMP=twt_gu&amp;utm_medium&amp;utm_source=Twitter#Echobox=1586584805" href="https://www.theguardian.com/world/commentisfree/2020/apr/11/eu-coronavirus-relief-deal-enemies-debt-eurozone?utm_term=Autofeed&amp;CMP=twt_gu&amp;utm_medium&amp;utm_source=Twitter#Echobox=1586584805" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer">artigo</a> no <em>The Guardian</em>. Ou seja, a oferta de liquidez é compulsoriamente supranacional e o endividamento, nacional. Parecia que todos os limites dessa arquitetura monetária tinham sido testados ao longo da última década, mas a pandemia é uma volta a mais no parafuso. A saída seria que o endividamento fosse compartilhado pela zona do euro através dos chamados <em>coronabonds</em>, ainda que os tratados de criação do bloco excluam a possibilidade de uma dívida comum. Na reunião dos países-membros no dia 9 de abril, a demanda de Itália e Espanha pelo endividamento conjunto foi negada por Alemanha e Holanda. A chanceler alemã Angela Merkel argumenta que a emissão de dívida através dos <em>coronabonds</em> exigiria uma reformulação dos tratados do bloco e que a crise requer respostas mais rápidas. A novidade pode ser a posição da França nessa disputa. Embora o país tenha sido um aliado da Alemanha nas crises da última década, o presidente francês Emmanuel Macron tem indicado, timidamente, que o arranjo econômico do bloco pode ter graves consequências políticas, como a emergência do populismo nos países mais atingidos pela pandemia.</p>
<p style="text-align: justify;">A verdade é que aquilo que vemos na União Europeia não são bem imagens do futuro, mas do passado. O arranjo institucional específico do bloco produz uma repetição nietzschiana daquilo que se passou depois da crise de 2008 — aumento da austeridade e do populismo.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>*   *   *</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O Departamento do Trabalho dos EUA contabiliza um total de 26 milhões de pedidos de seguro-desemprego no país no último mês. Não há uma estimativa oficial do impacto das medidas de isolamento no nível de emprego no Brasil. Até o dia 23 de abril, a Caixa Econômica Federal pagou a renda básica emergencial para 31 milhões de pessoas e estima que o total de beneficiários chegue a 70 milhões, mas esses números misturam o efeito econômico da pandemia à precarização do trabalho resultante do longo período de baixo crescimento dos últimos anos. Na China, o PIB do primeiro trimestre sofreu uma redução de 6,8%. Consultorias estimam que a taxa de desemprego tenha subido de 5,2% para 6,2% nos dois primeiros meses do ano, o que significaria que cerca de cinco milhões de chineses perderam o emprego. <a class="urlextern" title="https://glineq.blogspot.com/2020/03/the-world-after-corona.html?spref=tw" href="https://glineq.blogspot.com/2020/03/the-world-after-corona.html?spref=tw" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer">Branko Milanovic avalia</a> que o movimento de queda da desigualdade de renda entre os países asiáticos e os países ocidentais pode continuar não exatamente pela retomada do crescimentos chinês, mas pelo empobrecimento de EUA e Europa nessa crise. A redução da renda de americanos e europeus viria exatamente quando o período de austeridade e baixo crescimento parecia ter ficado para trás, lembra Branko. O mal-estar com a globalização, que até então mascarava os efeitos do crescimento chinês, deve se intensificar.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>*   *   *</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Considerando a falta de conhecimento a respeito da imunidade ao vírus e o tempo necessário para que os especialistas produzam a vacina e os medicamentos adequados para o tratamento da doença, é possível que as quarentenas intermitentes nos acompanhem por algum tempo. Isso significa, em termos econômicos, que a recuperação não deve ser linear, mas deve acompanhar as idas e vindas das medidas de isolamento. Como escreveu Monica de Bolle em sua <a class="urlextern" title="https://outline.com/ZZpjcp" href="https://outline.com/ZZpjcp" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer">coluna</a> no Estadão, será um sistema que soluça e engasga. Neste cenário, a renda básica terá de perder a qualificação de emergencial e precisará ser incorporada ao sistema de proteção social. Além disso, a reconversão industrial para produção de equipamentos hospitalares, desde proteção individual até respiradores, pode ajudar a diminuir a volatilidade da recuperação econômica. Embora haja meios de mitigar os efeitos dessa recuperação tão peculiar, a ausência de linearidade é um dos aspectos mais importantes dessa crise.</p>
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		<title>Um breve relato do Reino Unido</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2020 14:18:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Govs_nacionais_e_internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Nacionalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Reino Unido]]></category>
		<category><![CDATA[Zona euro]]></category>
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					<description><![CDATA[Por Angry Workers World Johnson ganhou as eleições com a mais fácil de todas as promessas: se você me conseguir uma maioria, eu conseguirei obter o Brexit através do parlamento dentro de semanas e depois disso eu gastarei dinheiro em hospitais e na polícia. Isto manifesta uma viragem populista dentro do campo conservador. A estratégia [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por Angry Workers World</h3>
<p style="text-align: justify;">Johnson ganhou as eleições com a mais fácil de todas as promessas: se você me conseguir uma maioria, eu conseguirei obter o Brexit através do parlamento dentro de semanas e depois disso eu gastarei dinheiro em hospitais e na polícia. Isto manifesta uma viragem populista dentro do campo conservador. A estratégia dos Tory resultou, mas o seu sucesso baseia-se no desenho de uma nova fronteira política em torno da nação inglesa, para desvantagem de outras regiões do Reino Unido. O acordo de Johnson para o Brexit esgotou a integridade do Reino Unido e, assim, também ajudou o partido nacionalista escocês SNP a obter sucesso eleitoral. O SNP [Partido Nacional Escocês] se beneficia do anúncio de Johnson de que não haverá um segundo referendo sobre a independência — tudo isso pode se transformar em uma versão mais lamentável da disputa nacional catalã. Não fez mal à popularidade de Johnson entre as pessoas que veem a classe política atual como incapaz e arrogante e que não pensam muito sobre o sistema político em geral o fato de que, pouco antes das eleições, ele havia mandado o parlamento entrar num recesso prolongado (e ilegal). Três anos de negociações grotescas de Brexit foram frustrantes e muitas pessoas queriam que o resultado do referendo fosse reconhecido, mesmo que elas próprias tivessem votado para permanecer na União Europeia. Os trabalhistas perderam mais votos para os partidos &#8216;remanescentes&#8217; (LibDem, SNP, Verdes) do que para os conservadores, mas provavelmente ainda mais para as pessoas que não se deram ao trabalho de sair para votar. O comparecimento diminuiu de 68,8% em 2017 para 67,3% em dezembro de 2019. A mídia mostrou de que lado estava. A esquerda continua chamando a atenção para o fato de que, desde que Murdoch deteve uma posição de monopólio na mídia, nenhum candidato trabalhista além de Tony Blair ganhou uma eleição — e que Blair agiu como o padrinho de um dos pirralhos de Murdoch.</p>
<p style="text-align: justify;">A maioria dos eleitores Tory tem mais de 45 anos, com níveis de educação relativamente mais modestos, votaram no Brexit e não vivem em cidades metropolitanas. Os trabalhistas se perguntam por que a parte marginalizada da população votou em um palhaço elitista como Johnson e não em um programa partidário que lhes prometeu acesso livre à internet de banda larga e às universidades e a defesa do icônico Serviço Nacional de Saúde. Existem algumas explicações que vão além de culpar o mau marketing eleitoral. Os trabalhadores das regiões desfavorecidas do país não confiam no aparelho político que os Trabalhistas agora querem usar para lhes fornecer novos programas sociais. Há pouca ligação entre a participação popular e a administração do Estado, o que significa que o manifesto Trabalhista apareceu como uma lista de presentes de Natal. Os Trabalhistas não apresentaram um inimigo de classe explícito que teria de ser vencido para obter os meios financeiros necessários para o programa do partido. Ao contrário, os trabalhistas falaram de uma aliança com empresários criativos e pequenas empresas e McDonnell anunciou com certo orgulho que uma parte significativa dos banqueiros seria simpática ao seu programa. De fato, após o colapso do prestador de serviços privados Carillion em maio de 2018, até mesmo o setor financeiro viu uma renacionalização parcial da infra-estrutura terceirizada como uma opção viável.</p>
<figure id="attachment_130507" aria-describedby="caption-attachment-130507" style="width: 400px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-130507" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2020/03/Brexit-Corbyn.jpg" alt="" width="400" height="260" /><figcaption id="caption-attachment-130507" class="wp-caption-text">&#8220;Você não pode parar um Brexit tory com um Brexit trabalhista&#8221;. Manifestantes provocam Jeremy Corbyn, que buscou apoio no Partido Trabalhista para o Brexit.</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">No final, a única coisa que o corbinismo [campo político do líder trabalhista Jeremy Corbyn] conseguiu renacionalizar foi extrema-esquerda. A campanha eleitoral foi frenética, milhares de voluntários levaram dias de viagem pelo país para baterem às portas em lugares marginais. Pouquíssimas pessoas na extrema-esquerda deixaram de participar da campanha e da agitação eufórica de uma forma ou de outra. Para eles, os resultados eleitorais são um pontapé nos dentes. Pelo menos os resultados eleitorais criaram um pouco de debate coletivo, não só sobre o resultado, mas sobre a política em geral. O Brexit já tinha forçado a esquerda — e os trabalhadores em geral — a concentrar-se em banalidades como a composição da economia nacional, por exemplo, se os seus medicamentos para diabetes eram importados ou produzidos localmente. Agora os resultados eleitorais forçam a esquerda a olhar para algo semelhante à composição de classe, mesmo que sua visão seja distorcida pelas lentes da política eleitoral. O que torna a perspectiva política de uma classe trabalhadora mais jovem e mais educada na área metropolitana diferente da geração mais velha e mais provincial? Esta última não vê muita da riqueza metropolitana (que poderia ser redistribuída) e não testemunha os poucos momentos de ação coletiva, como as greves nas universidades ou os tumultos em Londres. Esta lacuna não pode ser colmatada por alguns dias de safari eleitoral para o interior profundo. Estas são considerações mais inteligentes. Uma parte diferente do projeto Corbyn, sob a liderança ideológica de pessoas como Paul Mason, fala da necessidade de “alianças progressistas” contra a extrema-direita no governo e apela para que o Partido Trabalhista volte ao terreno central da política. Outros, como o vigarista stalinista George Galloway, formam o Partido dos Trabalhadores da Grã-Bretanha para um Brexit de esquerda, fazendo um favor à “verdadeira” classe trabalhadora que bebe cerveja, assiste ao futebol e fala em dialetos locais. Em seu primeiro discurso de candidatura, Long-Bailey, o candidato à liderança, que é amplamente visto como o verdadeiro representante da linha de Corbyn, fala sobre a necessidade de um “patriotismo progressista”, flertando com uma compreensão cultural semelhante do que constitui a classe trabalhadora. Deixando de lado estes desvios políticos, muitos falam agora da necessidade de um “verdadeiro processo de enraizamento” dentro da classe. Organizações comunitárias, como a Acorn, que organiza sindicatos de inquilinos, entre outras coisas, têm visto um aumento significativo no número de membros desde o resultado das eleições. Embora &#8216;enraizar&#8217; dentro da classe seja um bom passo, a questão continua a ser como e com que objectivo. A Acorn tem origem nos EUA, onde a organização recolheu os dados dos eleitores para os Democratas. No Reino Unido, o seu financiamento inicial teria vindo de fontes governamentais do projecto “Big Society” de Cameron. A ironia aqui é que a decisão inicial de se envolver na política eleitoral não vai de mãos dadas com esforços sérios e enraizados para construir o poder da classe, mas sim para desviar sua força e foco dele. É surpreendente como muitos jovens camaradas “socialistas democráticos” nos dizem que a transformação social do <em>status quo</em> neoliberal para um governo socialista levará de 20 a 30 anos. Onde está o espírito jovem e a impaciência?! Da mesma forma, nas discussões, alguns desses camaradas descrevem as greves do “Inverno do Descontentamento” de 1979 como “lamentáveis”, pois ajudaram a levar o governo Thatcher ao poder.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto a esquerda cura as suas feridas, o governo cria os fatos. Johnson não só conseguiu fazer passar o seu acordo pelo parlamento, mas também uma nova lei que limita o período de negociações para um novo acordo comercial a onze meses. Isto significa que a aposta de um Brexit “sem acordo” ainda está sobre a mesa. Johnson não tem mais nada a oferecer além de uma aceleração imprudente quando se aproxima de um muro de tijolos. Na declaração política do seu acordo, Johnson concorda que o Reino Unido e a UE evitariam uma espiral descendente de concorrência, rebaixando os padrões das normas ambientais e de outras normas reguladoras. Os burocratas da UE podem usar isso como um tampão formal que eles podem puxar quando as negociações não seguirem seu caminho. Trump, por sua vez, anunciou em outubro que o acordo de Johnson não permitirá nenhum acordo comercial com os EUA, já que impediria uma expansão das exportações americanas de produtos agrícolas ou farmacêuticos. A UE representa 49% do comércio externo do Reino Unido, os EUA 15%, e o sistema de produção da UE e do Reino Unido está muito mais entrelaçado. Mais cedo ou mais tarde, mesmo uma maioria considerável no parlamento é um tigre de papel quando se trata de “conseguir fazer o Brexit”. As consequências dos recentes ataques militares dos EUA mostram que a classe política britânica está espremida entre o regime dos EUA, que os relega para a posição de parceiro subalterno, e a burocracia da UE, que pode usar a dependência econômica do Reino Unido como alavanca política.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto o debate prolongado sobre “votar ou não votar” e sobre as eleições espalhou depressão e ansiedade entre os (antigos) radicais de esquerda, criou frustração entre os trabalhadores de quatro fábricas de alimentos onde os nossos camaradas tentaram organizar uma greve por £1 [1 libra] para todos. Os camaradas organizaram piqueniques familiares, jogos de cricket e protestos no portão da fábrica para mobilizar os seus colegas de trabalho. A liderança e a direção sindical forçaram os trabalhadores a votar por uma eleição indicativa (isto ainda é apenas uma partida de teste, não é para valer!) para decidir se aceitavam ou não a mísera oferta salarial da direção. Isto significou que as negociações salariais se arrastaram por mais de um ano. A gerência ficou satisfeita com isso e o GMB [central sindical] temia as consequências legais caso não esgotassem todas as vias de negociação. O GMB exige uma participação de 66% nas eleições indicativas (enquanto as eleições reais exigem legalmente apenas 50%) por medo de “perder eleição”. Eles definitivamente fizeram com que os trabalhadores perdessem essa eleição, atrasando-a até que todos estivessem completamente fartos, quando uma greve teria pouco impacto, e as pessoas só queriam dinheiro no bolso. No final, os trabalhadores aceitaram um aumento de salário de 16p [16 centavos de libra] acima do salário mínimo atual. Abaixo o circo eleitoral! Alguns dias depois de os trabalhadores terem concordado com a oferta, o governo Johnson anunciou um aumento no salário mínimo de 6% para £8,74 — um aumento de 53p. Agora a gerência da fábrica de alimentos terá de pagar o que eles disseram que não seriam capazes de pagar — e muitos trabalhadores acreditaram neles. Para as mulheres nas linhas de montagem é um sinal de que elas podem esperar mais de um governo populista do que do seu &#8220;próprio&#8221; sindicato. É tempo de organizar o poder de classe para além dos procedimentos frustrantes da política parlamentar e sindical!</p>
<p><strong>Traduzido pelo Passa Palavra a partir do <a class="urlextern" title="https://libcom.org/blog/short-report-uk-06012020" href="https://libcom.org/blog/short-report-uk-06012020" rel="nofollow">original disponível no site Libcom</a>.</strong></p>
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		<title>&#8220;De pé, ó mortos!&#8221;: a radicalização da luta dos imigrantes na França</title>
		<link>https://passapalavra.info/2019/07/127301/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jul 2019 16:53:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Migrantes]]></category>
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					<description><![CDATA[Estariam eles falando de quais mortos? Os ali enterrados – alguns deles heróis da Revolução Francesa que dois dias depois comemoraria o seu aniversário – ou de todos aqueles que tombaram nas fronteiras? Por Passa Palavra]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por Passa Palavra</h3>
<p style="text-align: justify;">Na primavera de 2016, a partir de uma ocupação da Praça da República, em Paris, contra a Lei El-Khomri – uma substancial reforma do código trabalhista francês – trabalhadores, levando a reboque e não sem conflitos as tradicionais centrais sindicais, criaram o movimento <a class="urlextern" title="https://passapalavra.info/2016/11/110211/" href="https://passapalavra.info/2016/11/110211/" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer">Nuit Debout</a>. Quase dois anos após, em um movimento que está por ser explicado, trabalhadores espalhados por todo o país vestiram seus <a class="urlextern" title="https://passapalavra.info/2018/12/124106/" href="https://passapalavra.info/2018/12/124106/" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer">coletes amarelos</a> e passaram a questionar o aumento do custo de vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Em maio deste ano, entretanto, uma confluência entre esses dois movimentos se deu. Um dos coletivos derivados do Nuit Debout, o <a class="urlextern" title="https://twitter.com/chapelledebout" href="https://twitter.com/chapelledebout" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer">La Chapelle Debout</a><strong>[1]</strong>, parece estar na origem de um movimento de imigrantes ilegais, que se autodenominou <em>Gilets Noirs</em>, os Coletes Negros<strong>[2]</strong>. A sua primeira ação foi <a class="urlextern" title="https://www.infomigrants.net/fr/post/16998/gilets-noirs-des-centaines-de-sans-papiers-manifestent-a-l-aeroport-de-roissy" href="https://www.infomigrants.net/fr/post/16998/gilets-noirs-des-centaines-de-sans-papiers-manifestent-a-l-aeroport-de-roissy" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer">ocupar durante duas horas</a> um dos terminais do maior e mais importante aeroporto de Paris, o Charles de Gaulle. O objetivo era denunciar o papel da companhia aérea Air France na deportação dos imigrantes ilegais. Desde então os coletes negros vêm se definindo enquanto um movimento de “imigrantes moradores de rua e em centros de acolhimento na região de Paris, em luta”.</p>
<figure id="attachment_127305" aria-describedby="caption-attachment-127305" style="width: 1280px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-127305 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2019/07/XVM1ee01152-7b1e-11e9-a1ee-efbcdba30545.jpg" alt="Ocupação do terminal do aeroporto Charles de Gaulle" width="1280" height="580" /><figcaption id="caption-attachment-127305" class="wp-caption-text">Ocupação do terminal do aeroporto Charles de Gaulle</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">No seu primeiro manifesto, ainda referente à ocupação do terminal do aeroporto Charles de Gaulle, <a class="urlextern" title="https://twitter.com/chapelledebout/status/1130362454763028481/" href="https://twitter.com/chapelledebout/status/1130362454763028481/" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer">os coletes negros afirmaram</a>: “atacaremos aquelas e aqueles que exploram e tiram proveito dos ‘sem documentos’, assim como atacaremos aquelas e aqueles que organizam e vivem do racismo na França” (…) “Não temos medo da morte, mas da humilhação”.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde então o movimento vem se organizando e realizando outras intervenções. Porém, foi no último 12 de julho que aconteceu a ação mais ousada: ocuparam o Panteão, o vasto monumento onde estão os túmulos de mortos considerados ilustres. Os coletes negros exigiram uma reunião com Édouard Philippe, primeiro-ministro francês, nomeado pelo presidente Emmanuel Macron. Ameaçavam sair do local apenas quando tivessem a garantia de regularização de todos ali presentes (ver abaixo o manifesto). Mais de 300 imigrantes gritavam: “<a class="urlextern" title="https://vimeo.com/348120820" href="https://www.youtube.com/watch?v=P4wxLGGztq4" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer">O que a gente quer? Os documentos! Para quem? Para todos!</a>”. Do lado de fora, outros imigrantes e apoiadores do movimento sofriam com a repressão policial.</p>
<p style="text-align: justify;">Os coletes negros batizaram a ação de “De pé, ó mortos!”, aparentemente em referência à primeira estrofe d&#8217;A Internacional. Mas estariam eles falando de quais mortos? Os ali enterrados – alguns deles heróis da Revolução Francesa que dois dias depois comemoraria o seu aniversário – ou de todos aqueles que tombaram nas fronteiras?</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://player.vimeo.com/video/348120820" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Na noite desse 12 de julho, o primeiro-ministro, sem apresentar nenhuma concessão aos manifestantes, declarou <a class="urlextern" title="https://twitter.com/EPhilippePM/status/1149730434051452929" href="https://twitter.com/EPhilippePM/status/1149730434051452929" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer">em sua conta do Twitter</a>:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Todas as pessoas que se colocaram dentro do <a href="https://twitter.com/hashtag/Panth%C3%A9on?src=hash" target="_blank" rel="noopener noreferrer">#Panthéon</a> foram evacuadas. A França é um Estado de Direito, com tudo que isso implica: o respeito pelas regras que se aplicam ao direito de permanência, o respeito pelos monumentos públicos e pela memória que representam.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Até então, <a class="urlextern" title="https://www.lexpress.fr/actualite/societe/les-gilets-noirs-des-gilets-jaunes-noircis-par-la-colere_2089481.html" href="https://www.lexpress.fr/actualite/societe/les-gilets-noirs-des-gilets-jaunes-noircis-par-la-colere_2089481.html" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer">21 pessoas estavam em prisão administrativa</a>, porém o movimento ameaça bloquear o avião caso eles sejam deportados. Há promessas de novas ações.</p>
<h2 style="text-align: justify;">Manifesto dos Coletes Negros:</h2>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong>DE PÉ, Ó MORTOS!</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Hoje, nós, imigrantes sem documentos, habitantes dos abrigos, moradores de rua, ocupamos o Panteão.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Somos os sem papéis, os sem voz, os sem rosto para a República Francesa. Estamos perante os túmulos dos vossos grandes homens para denunciar as vossas profanações, as profanações das memórias dos nossos camaradas, dos nossos pais, das nossas mães, dos nossos irmãos e irmãs no Mediterrâneo, nas ruas de Paris, nos centros de acolhimento e nas prisões. Na França a escravidão continua de outra forma. Nossos pais morreram pela França.</p>
<p style="text-align: justify;">E aqueles que estão mortos, estão mortos. A responsabilidade cabe aos vivos, àquelas e àqueles que hoje têm o poder. Que os mortos repousem em paz.</p>
<p style="text-align: justify;">Anteontem atacámos a fronteira, quando ocupámos o terminal da Air France no aeroporto Charles de Gaulle. É aí que a polícia francesa nos mete em aviões rumo a Argel, Dakar, Khartoum, Bamako e Kabul. É aí que Djiby foi deportado.</p>
<p style="text-align: justify;">Ontem invadimos a torre de Elior, em La Défense, e a Diretoria Geral do Trabalho. Nós fomos dizer aos patrões que nos humilham e vergam: o medo mudou de lado!</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje respondemos ao Estado e ao seu racismo, na França e na Europa. Vimos defender a nossa dignidade! Já não faremos súplicas, e pela luta vamos conquistar os nossos direitos!</p>
<p style="text-align: justify;">Viemos vos dizer que o lema da França para os estrangeiros é: humilhação, exploração, deportação. A França que faz guerra lá longe, que pilha nossos recursos e decide em nosso nome com os nossos Estados corruptos. A França que nos faz guerra aqui.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NÓS OCUPAMOS</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Porque há 200 mil residências vazias em Paris, e porque os nossos dormem embaixo dos viadutos da auto-estrada que circunda Paris, e porque ontem a Prefeitura colocou vedações nas ruas do acampamento da Avenida Wilson, em Saint-Denis. Porque no centro de acolhimento de Thiais, como em todos os outros, a polícia vem pela manhã apreender os moradores, até nos seus quartos.</p>
<p style="text-align: justify;">Exigimos a libertação de nossos camaradas Coletes Negros, retidos nos centros de detenção, bem como a de todos os outros.</p>
<p style="text-align: justify;">Exigimos a abolição dessas prisões para estrangeiros!</p>
<p style="text-align: justify;">Não nos limitamos a lutar pelos sem-documentos, mas lutamos contra o sistema que cria os sem-documentos.</p>
<p style="text-align: justify;">Não pagaremos mais a um policial ou a um agente de guichê para obter audiências.</p>
<p style="text-align: justify;">Não queremos mais ter que negociar com o Ministério do Interior e as suas prefeituras.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>QUEREMOS FALAR COM O PRIMEIRO-MINISTRO EDOUARD PHILIPPE, AGORA!</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Continuaremos aqui até que o último de nós tenha documentos e para que aquelas e aqueles que virão depois tenham a liberdade de permanecer!</p>
<p style="text-align: justify;">A todas aquelas e todos aqueles que se revoltam aqui, no Sudão ou na Argélia, aos nossos camaradas, a todas aquelas e todos aqueles que lutam contra os exploradores, a todas aquelas e todos aqueles que pensam que nenhum ser humano é ilegal, a todas aquelas e todos aqueles que já estão cansados de barrar a extrema-direita de 5 em 5 anos, e que estão convictos de que a luta contra o racismo que aí vem é o combate contra o racismo existente.</p>
<p style="text-align: justify;">Documentos e moradia para todas e todos! Liberdade de circulação e instalação! Viva a luta dos Coletes Negros!</p>
</blockquote>
<figure id="attachment_127313" aria-describedby="caption-attachment-127313" style="width: 1048px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-127313" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2019/07/66862.HR_.jpg" alt="" width="1048" height="700" /><figcaption id="caption-attachment-127313" class="wp-caption-text">Panteão ocupado pelos Coletes Negros</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;"><strong>Notas</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1]</strong> La Chapelle é um bairro do norte de Paris, tipicamente de imigrantes, hoje em sua maioria indianos. Sob uma das estações de metrô próximas ao bairro, a de Stalingrado, costumam ser montados os acampamentos dos imigrantes “sem papeis” recém-chegados, quase todos da África Subsaariana.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[2]</strong> Após os Coletes Amarelos [Gilets Jaunes], muitos outros movimentos surgiram se apropriando do mesmo nome, mudando apenas a cor. <em>Gilets Noirs</em> são, literalmente, Coletes Negros.</p>
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