De cliente a súdito: o regime da CPTM

De cliente a súdito: o regime da CPTM

em 7 out

Ao implementar severas medidas de controle,  que tendem a subordinar mentes e corpos dos usuários de seus serviços, a CPTM instituiu um verdadeiro Estado sobre trilhos, onde quem legisla, julga e executa é a própria empresa. Por Ronan

policiaisQuem observa os mecanismos de segurança instalados junto aos trilhos e estações de trem de uma vasta rede sob comando da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – dá-se conta de que se montou um verdadeiro micro Estado para gestão do transporte sobre trilhos. São 1,9 milhão de pessoas por dia, 89 estações, que abrangem 22 municípios. O quadro tem que ser entendido comparando-se a situação existente quando não havia a CPTM e a gestão ficava por conta da CBTU – Companhia Brasileira de Trens Urbanos.

A CPTM foi criada em 1992 e, embora existissem seguranças nas estações, boa parte dos usuários desfrutava do transporte sem pagar. O serviço era um horror, com superlotação, em que pessoas eram obrigadas a viajar penduradas nas portas, pelo lado de fora e outras, por dentro, amontoadas como animais. Para se ter idéia, somente em 1996, 29 pessoas morreram ao viajar penduradas e 351 ficaram feridas, além de 9 surfistas [pessoas que andam em cima do trem] mortos. Em muitas estações, como Franco da Rocha, Baltazar Fidelis e pulando-a-estacaooutras mais, havia uma série de buracos e espaços nas grades que permitiam a entrada gratuita. Acabava pagando a passagem somente aquela parcela cujo pudor moral impedia de adentrar livremente. Como os serviços eram muito ruins – atrasos, trens sujos, falta de segurança, falta de estrutura mínima – a população levava diuturnamente uma silenciosa luta que consistia em procurar fazer as viagens sem pagar. Sendo o transporte uma verdadeira tortura, buscava-se ao menos não pagar para ser torturado.

Em situações em que o sofrimento cotidiano extrapolava um dado limite ocorriam revoltas populares, em que a população punha-se a destruir e incendiar trens e estações. Eram corriqueiras, espontâneas, e ocorreram muitas. De memória, a última revolta do tipo quebra-quebra ocorreu em 1997, simultaneamente em várias estações. Geralmente as revoltas ocorriam por conta de alguma morte decorrente de falta de estrutura, como o caso de um jovem que desmaiou, caiu na linha e foi atropelado pelo trem e, principalmente, pelos longos atrasos que colocavam os trabalhadores na situação de terem que aguentar broncas, humilhações e/ou despedimentos de seus patrões por atrasos causados pela empresa de transporte.

Antes da CPTM havia uma ampla liberdade para os usuários. Bem ou mal, a empresa anterior se limitava a oferecer transporte e não se intrometia muito na vida das pessoas, não procurava determinar em detalhes os comportamentos delas dentro da rede. Era o contexto propício para vendedores ambulantes, que foram os astuciosos a descobrirem e implantarem um mercado interno às estações e vagões de trens. Também permitia a atuação livre de evangélicos cantarolando sua fé, pedintes clamando pela solidariedade popular, artistas populares e etc., de forma que fazer uma viagem de trem era oportunidade para se ter contato com uma infinidade de grupos e práticas culturais, além de se poder comprar até peixe. Encontrava-se desde o samba batucado em caixinhas de fósforo ao quase batismo evangélico feito ali mesmo, havia, também, espaço para os conhecidos vagabundos e a estética criminal de matiz popular, ambos minoritários. O último vagão celebrizou-se como lugar de ex-presidiários, criminosos e iniciantes no meio, além de usuários de entorpecentes.

As estações de trem foram, desde sempre, local de militância política, principalmente os arredores. Para além da sabotagem coletiva e pacífica de não pagar passagens e das revoltas populares violentas, em cidades dormitório como Franco da Rocha, Caieiras e muitas outras similares, somente marcando ponto nas estações de trem é que se conseguia e se consegue ter acesso aos trabalhadores, uma vez que a grossa parcela da população utiliza esse transporte para o trabalho. Em períodos de agitação, praticamente não havia dia em que não se encontrava um grupo ou outro panfletando nas estações, discursando com megafones, fazendo abaixo-assinados.

rondas-dentro-do-tremAs mudanças que ocorreram após a saída da CBTU em que assumiu a CPTM acabaram por alterar significativamente esse quadro. A empresa implantou um regime severo para o qual montou todo um aparato policial. São 1,3 mil policiais submetidos diretamente à CPTM, além da polícia civil e militar. Em 2003, instalaram 802 câmeras de TV nas estações comerciais. Adotou-se o uso de cães de ataque – pastor alemão e rottweiller – que são colocados ostensivamente com o interesse de apavorar a população. Criou-se um disque denúncia próprio e campanhas incentivando os usuários a denunciarem o que a CPTM considera infração: ter um skate, por exemplo. Criou-se sistema de treinamento policial próprio, além da rede de quartinhos para espancamento, cárcere privado e torturas.

Com a implantação de empresas privadas de segurança para além da polícia ferroviária, mais o reforço em grades, muros e materiais de segurança, conseguiu-se praticamente eliminar as possibilidades de que qualquer pessoa conseguisse adentrar as estações sem pagar os bilhetes, o que dificultou a vida de toda uma parcela mais precária. O sofrimento permaneceu, mas agora deveria se pagar completamente para ser supliciado. Essa mudança não foi conseguida sem o recurso à brutalidades e foram utilizados intensivamente a tortura, o cárcere privado e espancamentos de usuários que, eventualmente, estivessem tentando entrar na estação sem pagar.

Cenas de seguranças com armas, canos de ferro, correntes, passaram a ser corriqueiras. Impedida a entrada gratuita, iniciaram o combate aos vendedores ambulantes. Para tal, no entanto, não houve polícia que resolvesse sozinha, uma vez que a miserabilidade lança 50 novos jornal1vendedores onde a polícia conseguiu expulsar 10. Assim, a CPTM teve que recorrer ela própria à venda de produtos, abrindo os espaços das estações para lojinhas. Com os usuários comprando das lojinhas oficiais conseguiram diminuir drasticamente o mercado dos vendedores não oficiais, os marreteiros. Para estes, restou somente a possibilidade de vender coisas não ofertadas nas estações, como cervejas, certos salgadinhos e etc., até porque os produtos oferecidos nas lojinhas acabam sendo mais baratos do que os ofertados pelos marreteiros. Curiosamente, a CPTM teve que assumir o mercado criado pelos marreteiros como forma de combatê-los. Buscou-se a repressão econômica diante do fracasso da repressão política.

Tendo diminuído o número de marreteiros, a CPTM conseguiu empregar mais eficazmente a força física como forma de repressão. Quem viaja pelos trens atualmente fica sem saber se aqueles rapazes de braços fortes, altos e postura carrancuda é um simples passageiro ou um membro da polícia secreta da CPTM. Pode-se estragar todo um domingo sendo obrigado a ver esses policiais sem uniforme espancar um marreteiro dentro do vagão e tomar os seus produtos na frente de crianças, idosos, mulheres, adultos e ainda ficarem olhando feiamente para todos como se todos fossem bandidos. Em 2008, foram 35.216 apreensões que tomaram dos marreteiros mais de um milhão de itens. Já presenciei situação em que esses guardas, na Estação da Luz, agarraram uma mulher negra pelos cabelos e a arrastaram 60 ou 70 degraus escada acima a puxando pelo couro cabeludo, assim como vi um passageiro ser esbofeteado inúmeras vezes porque se queixou do fato de seguranças estarem espancando um marreteiro na frente de todos.

Destruída a possibilidade de não pagar passagens e diminuído o número de marreteiros pode-se, então, avançar sobre todos os passageiros aumentando o controle e a fiscalização, impondo normas e proibindo determinadas práticas culturais. O aparato criado com o pretexto de lotacao-maxima1punir os que burlavam as regras passou a enquadrar a todos. É assim que vemos aumentar drasticamente a quantidade de câmeras de vigilância, algumas delas também instaladas secretamente nos trens, filmando o seu interior. Vimos a CPTM proibir a atuação de pedintes, de sambistas e até mesmo os cultos de evangélicos. Há regras ilógicas que proíbem alguém de sentar no chão, o que levou à situações em que jovens foram espancados pelo fato de, passando mal, serem obrigados a sentar no único lugar que havia para tal no momento, o chão. O autoritarismo da CPTM chegou ao ponto de proibirem a freqüência unissexual nos vagões, destinando uns para homens e outros pra mulheres e crianças, mas fracassou por insubordinação coletiva. Todas essas arbitrariedades se juntam ao submetimento hostil da população às revistas, onde são tratados como bandidos – foram 1710 blitzes somente em 2008, em que passageiros têm suas bolsas revistadas e suas mãos cheiradas, algumas vezes ao olhar de cães e sob xingamentos. Essa repressão sobre os passageiros demandou um gasto gigantesco com aparelhos e empresas de segurança que salta aos olhos quando comparados com a falta de preocupação com o bem-estar das pessoas. Mesmo afirmando ter investido 1,6 bilhões de dólares entre 1995 e 2006, estações de trem, como a de Franco da Rocha, não possuem sequer banheiro em um dos lados e bebedouros nos dois sentidos, não há unidades ambulatoriais de emergência, nem sequer materiais para primeiros socorros. Sequer foram eliminadas as lotações e o amontoamento de pessoas em padrões penitenciários de pessoa por metro quadrado: aumentou o número de trens e diminui o intervalo entre eles, mas a população transportada dobrou, saindo de 800 mil para 1,9 milhão. Erros de engenharia que durante anos têm causado acidentes com crianças que prendem as pernas em espaços vagos entre a plataforma e os trens permanecem virando décadas. Ao mesmo tempo, tem aumentado a atuação policialesca da CPTM, responsável por legislar, judiciar e executar conforme preceitos próprios que fazem seus agente secretos atuarem sem a menor consideração com a legislação e no resguardo de total impunidade.

dentro-do-tremTal como no filme Laranja Mecânica, os usuários são submetidos forçadamente a um conjunto de imagens e sons no trajeto diário. Tratam-se de imagens empresariais que a CPTM acoplou até mesmo nas catracas. Agora, além de ter o corpo esmagado pelo espaço penitenciário que é ofertado, também disciplinado pelos policiais e cães e vigiado pelas câmeras e seguranças, o usuário tem a mente invadida pelas imagens e sons que, de telões, cartazes, outdoors e televisores instalados nos trens e estações, são emitidos pela CPTM. A empresa instalou um verdadeiro regime disciplinar. Os milhões de clientes foram transformados em súditos de um regime rotineiramente árido, muitas vezes violento e absolutista em sua verve tecnocrática. Nem votos, nem nascimento, mas cursos de administração e engenharia são a caução para os terrores praticados. Num Estado em que a esmagadora maioria dos 645 municípios não possui sequer 100 mil habitantes, a CPTM governa soberana sobre uma população diária de 1,9 milhão de pessoas. Sem eleições e sem controle popular.

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Comentários 48

    • Punk

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      out 8, 2009

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      E os seguranças contratados para a CPTM ainda batem em mendigo na porta do trem, e agridem pobres dentro do trem. Já vi um vendedor ser preso e espancado a cassetetes.
      E mais ainda: os trabalhadores dos trens morrem de medo de fazer greves. Existem historias que na ultima greve varios sofreram ameaças sobre sua integridade fisica e de seus familiares.

    • Jordelino

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      out 9, 2009

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      Aquilo sempre foi uma bagunça, se hoje há os espacamentos dos seguranças, antes eram os estupros, os assaltos, as agressões sem motivo porque o sujeito ficava bravo só de voce olhar ele. Uma amiga foi estuprada quando voltava da fcauldade de Moji. Tem que ter ordem, sim, mas sem exagero repressivo.

    • C

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      out 9, 2009

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      Para quem pega trem e metrô diariamente em São Paulo, é notável agora em estações como na Sé a presença de muitos seguranças armados de cassetetes, chamados de algo como “Orientadores de Fluxo” (eles não são aqueles guardas que já existiam nos metrôs, são outros, identificados por coletes fluorescentes)…a intenção é barrar, à força o número elevado de trabalhadores que tentam embarcar rumo suas casas. O objetivo é diminuir de 2000 pessoas por embarque para algo como 600. É a tal da operação “Embarque melhor”

    • Joao D

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      out 9, 2009

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      De fato, é uma situação complicada, e que fica evidente para qualquer um que pega trem com frequencia, esse crescente aparato violento nos trens.
      E se antes haviam situações complicadas (por exemplo, o pessoal mais de idade se virava com ônibus, pois morria de medo do trem, que acabava servindo só o pessoal mais novo e tal) muitos dos excessos já tavam resolvidos em 2003, por exemplo. Já não tinham estupros, o consumo de drogas era restrito a um vagão, etc… é dessa época o aumento na quantidade de pessoas na linha.
      O foda é que depois disso a repressão continuou a aumentar – como o autor da matéria diz bem, em controles e situações idiotas. A ultra-repressão ao consumo de maconha levou ao aumento do uso de cocaína – que não deixa fumaça e é mais fácil de esconder, mas que envolve interesses maiores. Os ambulantes, que em certa medida são colegas de quem pega o trem todo dia, hoje são quase todos cartelizados, assalariados que trabalham pra ‘cooperativas’ de ambulantes, onde o grosso dos lucros nem fica com eles. E isso, novamente, foi viabilizado pelo aumento da perseguição da Polícia Ferroviária, que forçou os ambulantes independentes nas mãos desses caras, pra poderem sobreviver.
      Por fim, o regulamento de não poder sentar no chão é um absurdo – quem pega trem há tempos sabe que existem modos e modos de se sentar, por exemplo, no lado das portas que não abrem, que não atrapalha ninguém e que é na verdade um lugar muito confortável. Quanto à violência, digo ainda que a única vez em que sofri uma forte violência no trem foi após o incremento desse aparato policialesco, em uma briga provocada dentro do trem com outro usuário, pela falta de espaço, e que foi resolvida na frente da estação, sem que guarda nenhum apartasse a mesma. Afinal os PFs são uma polícia privada (tipo segurança de condomínio) que não estão nem aí pra nada, e cuja única preocupação é proteger o patrimônio da empresa.

    • A.

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      out 13, 2009

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      Os pontos fundamentais que se colocam nesse artigo, seriam, ao meu ver:

      1) Como uma empresa pode ter poder normatizador maior que o Estado, e sem controle popular nenhum?

      2) Sim, é necessário organização, mas esta não pode se dar de forma não-repressiva? É abominavel que haja estupro e assaltos no trem, mas não é igualmente abominável que hajam surras e repressão violenta?

      3) O problema crucial: a falta de investimento em transporte, que faz com que aquilo vire uma superlotação e crie um caos. Se houvessem mais trens disponiveis, e viajassem com pouca gente, haveria menos problemas.

      Ou seja, a questão social vira caso de policia. É mais fácil bater em trabalhadores do que aumentar a porção de investimento social que se destina a melhorar suas condições de vida.

    • A.

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      out 13, 2009

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      As pessoas muitas vezes pensam que a antítese do modelo hierarquico de organização social seria uma completa aporia caótica, uma ausencia completa de organização e regras, puro niilismo. Na verdade, é preciso ter regras e organização sim, mas a questão é quem estabelece essas regras e a serviço de quem são estabelecidas. É possível haver formas de organização e controle coletivo estabelecidas pelos trabalhadores para garantir o funcionamento social, sem que haja escalada repressiva.

    • Ronan

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      out 14, 2009

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      Há os perigos, mas eles eram/são minoritários. Ao contrário, buscou-se usar o pretexto do combate à bandidagem para edificar o controle sobre todos. Tanto é que, mesmo depois de extintos os problemas graves, a linha da repressão e do disciplinamento continua se estendendo.

      Uns problemas despertam atenção e outros não. Como é o caso de não se preocuparem em oferecer banheiro, água e abrigo da chuva para as pessoas.

    • Rafael

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      out 14, 2009

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      Como sempre: o Estado precisa usar algo pra se legitimar e reprimir os trabalhadores. Não importa se esse algo é um inimigo externo em caso de guerra, se são fanaticos que fazem ataques suicidas ou se são bandidos de quadrilha. No fim, tudo isso serve pra legitimar a repressão contra a classe trabalhadora.

    • A. Nônimo

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      out 14, 2009

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      Quando entro dentro da rede da CPTM ou mesmo do metrô, sinto-me dentro do 1984, do Orwell. Sem nenhum exagero!

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      out 19, 2009

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      Isso não tem nada de novo… esse processo já é antigo. São famosas as histórias de 20 ou 30 anos atrás que contavam que pequenos delinquentes eram presos em salinhas escuras e jogados do trem em movimento na linha, no útimo trem da noite, o famoso “trem da viração”, onde não ia nenhum passageiro.

    • @julianoleme

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      out 20, 2009

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      Antes os trens de suburbio eram um caos total aqui em SP, além de tudo tinha a constante insegurança de circular em meio à criminosos e pessoas sem educação. Infelizmente vivemos em um país que a falta de educação e desrespeito aos demais fazem parte da “cultura” de boa parte da população, sendo assim se faz necessária a utilização de outros meios, inclusive repressivos, para que se possa ter uma boa convivencia dentro do ambiente. Eu utilizo este meio de transporte diáriamente pela manhã para ir ao trabalho e tarde da noite quando volto da faculdade e NUNCA tive nenhum problema com a segurança da CPTM, por que será? Será que as pessoas “incomodadas” com as ações da segurança estavam respeitando o ambiente e os demais usuários? Os seguranças foram “reprimir” a pessoa porque ela estava ali paradinha só utilizando o trem? Acho muito difícil! Vamos acabar com essa hipocrisia! Já vi seguranças retirarem mercadorias de ambulantes e solicitarem q usuários deitados em bancos disponibilizem o lugar ocupado indevidamente, JAMAIS vi uma pessoa ser agredida como dizem acima e penso que se foi a gredida por uma força de segurança é porque algum motivo teve. Apoio a postura da segurança da CPTM e graças à isso hoje todos podem usufruir de um transporte mais seguro.

    • João Bernardo

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      out 20, 2009

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      Caro Juliano,
      Por que será que prevalece o espírito cívico e o respeito pelos outros em países onde existe desde há muito uma preocupação igualitária, pelo menos no plano social, se bem que não no plano dos rendimentos, como sucede no norte da Europa e ainda em alguns antigos capitalismos de Estado da época soviética? E por que será que, para empregar os seus termos, há tantas «pessoas sem educação» num país como o Brasil, em que a chamada classe média herdou a mentalidade escravocrata e gosta de culpabilizar os pobres por todos os defeitos da pobreza, a começar pela falta de dinheiro? Eu não sei o que você vê, mas sei o que as estatísticas revelam, e parece-me que, se os policiais e os seguranças têm realmente as funções pedagógicas que você lhes atribui, então deviam começar por eles mesmos.

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      out 20, 2009

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      Primeiramente, parabéns pelo artigo, muito bom mesmo. Precisamos divulgar!
      Gostaria de relatar um experiência vivida por mim mesmo na estação de trem central de Mogi das Cruzes: estava eu a caminho do trabalho quando, de longe, observei certo tumulto. Ao me aproximar vi que se tratava de um tipo de apreensão ao um idoso. Com um truculência espantosa, três vigias arrastavam um senhor de idade pelo pescoço enquanto ele relutava – as pessoas oservavam passivamente – quando intervi, perguntando o que estava acontecendo. Citei o Estatuto do Idoso e disse que não podiam tratar o senhor daquela maneira. Me perguntaram se eu era advogado, disse que não. Me ignoraram. Puxei o sr. no intuito de os soltarem, até que um funcionário da CPTM vei ter comigo e falou que o sr havia usado um bilhete que não o pertencia. Perguntei como eles podiam afirmar aquilo, já que todos os dias uso o trem e nunca vieram verificar se meu bilhete era verdadeiro. Perguntei a uma senhora que assistia a cena se alguma vez já pediram seu bilhete, ela disse que não. O senhorzinho estava tão desesperado que não encontrava em suas coisas o tal do bilhete, enquanto isso os seguranças tentavam conduzi-lo, até que ele mostrou o bilhete com nome e foto. Não suportei comecei a esculachar os valentões, disse que eram covardes, que não tinham critérios, que eram puxa-sacos, que a CPTM não estava nem aí pra eles, tentaram me intimidar. Ao entrar no trem, fui surpreendido por um soco. Dentro do trem fiz uns contatos e consegui umas testemunhas. Ao conversar com o senhor abordado, descobri que ele apresentava problemas mentais e que dirigia-se ao Hospital de Saúde Mental de Ferraz de Vasconcelos. Como meu irmão era jornalista na época, foi fácil divulagar o caso na rádio que ele trabalhava. Fiz boletim de ocorrência. Isso faz quase um ano e até hoje, não obtive resposta nehuma da polícia acerca do andamento do caso.

    • Jura

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      out 20, 2009

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      Recentemente, a CPTM retirou uns bancos que serviam de espera e ponto de encontro na Estação de Mogi das Cruzes sob alegação de reformas, no entanto, algumas denúncias afirmam que a retirada dos bancos foi uma estratégia para afastar moradores de rua que ficavam deitados. Além de todas acusções, cabe a de higienista. Que promove o processo de gentrificação do estado de São Paulo.

    • Jon Zezão -

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      out 20, 2009

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      Um(@) amigo que trabalha na CPTM participou de uma greve há um tempo atrás. Insatisfeit(@) com a atuação burlesca do sindicato, resolveu produzir um panfleto por conta própria de maneira autônoma. Alguns dias depois foi convidad(@) por um de seus superiores a acompanhá-lo. Achando que se tratava de mais uma auditoria – a CPTM faz auditorias esporadicamente com seus funcionários -, el(@) seguiu o capataz, que o levou a um outro, que também pediu para que el(@) o seguisse. Este a conduziu até um lugar ermo no subterrâneo da estação Barra Funda – local que el(@) desconhecia a existência. Com medo, el(@) perguntou para onde estava sendo levad(@) , mas por se tratar de seus superiores, foi. Ao chegar numa saleta onde um cara que el(@) jamais tinha visto na vida, ouviu por parte do sujeito coisas particulares da vida del(@), como o horário que seus familiares costumavam passar por determinados lugares, falou até do vestibular que el(@) sempre prestava na USP mas nunca passava. Indagando o que a vida pessoal del(@) tinha a ver com aquela situação, foi interrompid(@) com um elogio: “você escreve bem”. Sacando do que se tratava aquela intimidação, el(@) dissimulou e disse não saber do que ele estava falando. Quando o cara advertiu que apesar de el(@) escrever bem, deveria ter cuidado com o que escrevia.

      Um sinal evidente de intimidação espúria e nojenta que parte de toda a administração, não apenas dos capachos vigilantes

    • Juka

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      out 20, 2009

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      Caro Juliano

      Eu pego trem para trabalhar todo dia, e acho que você deve estar muito distraído, porque muitas vezes já vi truculências desnecessárias. Não se pode confundir organização com repressão. O artigo mostra que organização é muito importante sim, mas não deve ser repressiva. Ou seja, não se deve admitir assaltos e estupros. Mas o problema é que estão reprimindo trabalhadores honestos, e isso não é organização, mas é faxina social sobre pobres. E eu, como trabalhador, me sinto atingido quando vejo um vendedor ambulante, pai de familia, ser espancado. Organização sim, repressão não!

    • Haiser

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      out 20, 2009

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      Pra começar, há uma série de inconsistências e tendências na sua postagem. Quem implementou o serviço de carros unissex foi o Ministério Público, não foi idéia da CPTM.

      Seu texto dá uma grande impressão de que isto é uma constante na empresa e que há qualquer repressão por qualquer coisinha. E concordo plenamente com o comentário do julianoleme.

      Sou usuario diário das Linhas 10, 11 e 12 e nunca presenciei agressão, maus tratos. Nunca!. Foi um grande desgosto ler o seu texto. Quem não é usuário diário e frequente, vai acreditar que seu texto é plena realidade absoluta.

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      out 20, 2009

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      Ao senhor Haiser
      Cara, uso trem todos os dias há três anos. Pelo menos três vezes já presenciei agressões nos trens, inclusive fui vítima de uma delas (eu sou o Anomalia Caótica, relatei acima o que aconteceu, tenho até boletim de ocorrência!), nas outras duas, vi moradores de rua serem agredidos – do lado de fora -, sem mais nem menos.
      E fico pensando: agressão não é só física. Não sei se já teve o desprazer de usar o trem em horário de pico, pois bem: pessoas se degladiando por um espaço ínfimo sem respeito algum por ninguém, pessoas embrutecidas que canalizam a raiva, por causa dessas condições degradantes, uns nos outros. Isso é agressão!
      Cansei de presenciar ações sádicas da CPTM nos comunicados pelo sistema de som:’trem com destina a estação tal, partirá da plataforma x’, daí todo mundo ia pra onde mandavam para outro comunicado informar uma mudança de plataforma, enfim. Acho que cada um tem um relato a fazer a respeito desta companhia que faz de seus trilhos cercados por muros, uma cidade independente, onde vigoram somente as leis convenientes a empresa.

    • Clovis Ramos

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      out 20, 2009

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      “antes da CPTM havia uma ampla liberdade para os usuários. Bem ou mal, a empresa anterior se limitava a oferecer transporte e não se intrometia muito na vida das pessoas, não procurava determinar em detalhes os comportamentos delas dentro da rede.”

      O autor desse texto não usou os trens da CBTU que eu usei, quer na Santos Jundiaí, quer na zona leste linhas variate e tronco, discordo caro autor, não tinhamos liberdade, não desfrutávamos de segurança operacional, não sabiamos se nossa viagem chegaria ao fim, convivíamos com arrastões, portas abertas, mas parece ki o autor se orgulha do samba que havia no trem,do tráfico de drogas que rolava solto no primeiro carro. As proibiçoes de sentar no chão são pela própria segurança dele mesmo, daquele que pode se machucar no vai e vem de pessoas embarcando e desembarcando da composição, esse mesmo tipo de gente já foi autuado filmando com celular entre saias e vestidos de mulheres que poderiam ser sua mãe ou irmã, o SMS é uma ferramenta importante pra coibir o consumo de entorpecentes, o vandalismo e o abuso sexual contra as mulheres.

      Foi uma boa tentativa de deturpar a realidade. mas não é usando as palavras “cães de ataque” “repressão” “espaço penitenciário” que se noticia veridicamente os que acontece no sistema de trens metropolitanos de São Paulo.

    • Renato

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      out 21, 2009

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      Ao que parece a empresa mandou seus capatazes escrever no tópico ou eles próprios chegaram a tal. Nunca vi nenhum usuário utilizar o termo linha 10, 11, 12. Senhor Haiser é alguém de dentro tentando esconder os horrores praticados pela CPTM. Essa empresa possui um verdadeiro sistema de tortura e repressão, tanto explícito quanto oculto. Qualquer equipe de pesquisadores que se dedicassem a estudar com seriedade o cotidiano interno descobriria o horro CPTM implantando contra aqueles que eles consideram um verdadeiro lixo social. E não se trata somente de vendedores, mendigos etc. Não! Lixo social pode ser um senhor que acham que está com o passe errado, uma criança que acham que não pagou passagem, um jovem passando mal que teve que se sentar no trem, pessoas interessadas em trabalhar e/ou voltar pra casa num dia em que trens não funcionam e a lista é enorme. A preocupação social com os usuários é tão grande que sequer existe banheiro e bebedouro para as pessoas, primeiros-socorros e outras indispensáveis a um sistema por onde transitam milhões. Empresa sem controle social, sem participação da sociedade civil, faz de sua rede a corporificação de um horror estético só superável em bizarrice pelo horror das torturas secretas e espancamentos públicos.

    • Lothário Blissétio

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      out 21, 2009

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      Os senhores Julianus Cesares, Kaiser e Clovis Salgado estão bem coesos defendendo a companhia. Serão eles membros dela? Serão gestores? Ou serão parte dos extrema-direitistas organizados, que acessam tambem e espiam as midias de esquerda?
      Não importa! Já sabemos muito bem que essa sociedade está dividida e que tem cães de guarda dispostos a defender essa sodomia sistêmica a qualquer custo…

    • Eli

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      out 21, 2009

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      “parece ki o autor se orgulha do samba que havia no trem,do tráfico de drogas que rolava solto no primeiro carro” –
      engraçado, o que tem a ver o samba do trem com o crime? Parece discurso de higienista isso…
      Uma vez eu fazia percurso de trem, quando vi um vendedor ambulante. Ele foi chamado por duas moças, sentadas, para lhes vender o produto. Quando ele foi fazer a venda, uma delas agarrou seu pulso e o algemou – eram duas policiais a paisana. Logo, imediatamente, na estação seguinte, ele foi levado para fora e os seguranças o espancaram com golpes de tomfa (aquele cassetete oriental), e as pessoas no trem ficaram imobilizadas, com medo de contestar e ter o mesmo destino dele. Inclusive eu não tive coragem de intervir, sendo que sou advogado. Penso que isso é um absurdo e é uma violação de direitos humanos, porque o sujeito não era um criminoso, mas apenas um vendedor, que sustenta seus filhos com isso.
      É fato, e muita gente sabe sim dos crimes cometidos contra os pobres, dos espancamentos, torturas, do “trem da viração”, do controle social, dos trens lotados, da falta de banheiros e bebedouros absurda, além do alto preço da tarifa. Os caras estão querendo esconder o quê? O que todos já sabem? O que o povo há anos já fala…

    • José Fernandes

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      out 21, 2009

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      Vamos ver se eu entendi.

      Você está achando que a CPTM deveria permitir a evasão de renda (não pagar passagem), pedintes, sambistas, cultos de evangélicos, vendedores e sentar no chão em seus trens?

      Onde fica o respeito ao patrimônio público, a ordem e o respeito ao espaço individual.

      A pessoa que está voltando de onde quer que ela esteja tem o direito de não ser importunada por “Rodas de samba” ou cultos evangélicos.

    • Alexandre

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      out 21, 2009

      |

      Estranho isso…

      Falam como se os ASOs (o termo exato para os Policiais Ferroviários Federais associados da CPTM) fossem pessoas ligados a ditadura.

      A culpa das superlotações, dos problemas de atrasos e de vários outros fatores, é de todos. Não só da CPTM, que hoje ao meu ver ainda procura corrigir muitos dos problemas do passado, mas sim dos políticos (não importa o partido), que pensam mais no seu bolso do que no público, e ainda se dizem a favor do povo, e da população (incluindo eu e vocês do blog), que não fiscalizam e cobram com justiça e parcimonia as ações devidas.

      Se o segurança age com agressão, não querendo defender o mesmo, provavelmente é porque a pessoa a ser averiguada reagiu contrário ao pedido deles para avergiuação.

      Vamos fazer uma analogia rápida: se vocês, do blog, tivessem uma casa, e uma pessoa dentro dela quebrasse tudo e ameaçasse alguém lá dentro, ou seja, faria algo contrário ao interesse de vocês, o que fariam?

      Há abusos de segurança? Há. Mas não é um problema grandioso, e que com vocês mesmos mostraram no Blog, são casos isolados, notíciados e punidos como tal. E não, não sou defensor da CPTM ou funcionário de tal empresa. Só um usuário comum do transporte público paulista.

      Cês querem melhorias no transporte? Façam sua parte! Denunciem abusos, cobrem das autoridades, mas com argumentos verdadeiros e sem sensacionalismos.

    • Robson

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      out 21, 2009

      |

      Tentam colocar a CPTM como heróína pra justificar as atrocidades. A empresa resolveu problemas com uma minoria a parte mas usou tal fato pra criminalizar a vida de todos os usuários, subemtidos às revistas, como se fossem todos criminosos.

      Se há discordância sobre práticas efetuadas dentro dos trens elas devem ser discutidas pelos usuários e não ditatorialmente proibidas pelos tecnocratas da empresa. Falam do samba, acaso os usuário também devem ser importunados com as mensagens empresariais, com os alto-falantes das empresas, com as imagens, com o som tocado no trem e etc. Até ao passar nas roletas se é obrigado a ter enfiada dentro da cabeça uma mensagem, que não é o objetivo da viagem.

      Os casos de tortura, cárcere privado e espancamentos não são fatos isolados, mas os aspectos fisicamente mais árduos de um sistema de intimidação de toda a população que é de antemão posta em desconfiança e tratada como criminosa.

      Pedintes, vendedores, sambistas e evangélicos nunca incomodaram a população, de onde saem os mesmos e com os quais se convive na escola, nos bairros, associações e igrejas. Incomodam aos tecnocratas da companhia, ex-estudantes de colégios como o Vértice e o Santa Cruz, criados na USP e na FGV, acostumados a ver o Brasil da janela fechada de seus carros blindados e tendentes a criminalizar todos os aspectos de vida da população.

      Enquanto impera a estética autoritária de higienização social CPTM, os trens continuam superlotados e os usuários sem banheiro e bebedouros. Piores que gados, pois a estes ainda dão o que beber.

    • Antonio

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      out 21, 2009

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      Vou lhes contar um fato que presenciei pessoalmente.
      Um dia, as seis da manhã, viajava numa linha superlotada na zona leste. Como todos devem saber, em linhas superlotadas, onde as pessoas viajam espremidas, é muito comum que rapazes meio libidinosos aproveitem o roçar de corpos com pessoas quando há alguma moça bonita de pé – passar a mão, “encochadas” e outros comportamentos desrespeitosos com as mulheres.
      Bom, naquele dia, um sujeito completamente psicopata que viajava apertado atrás de uma moça, abriu a braguilha da calça (!) e ejaculou na perna dela (!), em público e completamente descontrolado. Imediatamente ela começou a chorar. Na mesma hora, vários operários e pessoas simples, que estavam no vagão, agarraram o sujeito, e logo que o trem parou na próxima estação, eles arrastaram ele para fora do trem e aplicaram-lhe uma tremenda sova, da qual nunca vai se esquecer. Outra pessoa acompanhou a moça, que chorava, para se limpar e procurar ajuda de algum funcionário.
      Ou seja, como se pode ver, o povo trabalhador, bem ou mal, tem bom senso e senso de limites, e capacidade sim de se autoregular sem depender de opressão carcerária imposta por tecnocratas e agentes externos.

    • Antonio

      |

      out 21, 2009

      |

      De uma vez por todas, ninguem aqui está defendedo bandidos e atos de barbárie. Apenas estamos percebendo, no debate, que todo esse aparato repressivo agrava a barbárie na medida em que priva completamente o povo de capacidade de organização e reação. Tem que ter organização sim, mas com participação e controle popular, e sem opressão carcerária.

    • Clovis Ramos

      |

      out 21, 2009

      |

      sou usuário do sistema de que nasci, moro no itaim paulista, em todo esse tempo fui um crítico fervoroso do sistema, a CPTM tem sim falhas, mas reconheço que todas elas estão em fase de serem atenuadas ou erradicadas, eu tive a oportunidade de me manifestar minhas opniões sobre o sistema diretamente com a empresa, nesse programa dirigente de plantão, assim como muitos o fizeram, o que ganhamos desde então? no lugar de pingentes, trens reformados, além de uma compra de mais 20 trens com ar condicionado; os intervalos variam entre 5 e 6 minutos nos horários de pico, partem trens vazios a cada 12 minutos de manoel feio no pico da manhã, o vagão antes ocupado por repito, vendedores de bebidas alcólicas(cerveja e até vodka) usuários soltando fumaça de cigarro de maconha na cara de trabalhadores) e evangélicos pertubando a paz de quem quer apenas ter uma viagem tranquila, esses foram substituidos por um programa onde embarcam nesse mesmo vagão grávidas idosos e mãe com crianças pequenas com condiçoes de irem sentadas.

      Obs. peguei trem hoje as 17:00 no tatuapé com destino ao itaim paulista como faço sempre há mais de 15 anos, já fui abordado em revista e nunca fui agredido ou vitima de truculencia.

    • |

      out 22, 2009

      |

      Uma imagem às vezes vale mais do que muitas palavras. Não é esse o clichê? Pois bem, vejam reportagem da Globo no SPTV de hoje e concluam se a CPTM tem ou não o respeito devido com as pessoas.

    • Dalton

      |

      out 22, 2009

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      Pois é, está evidente que aquilo é um imenso navio negreiro que leva a mão de obra barata pro trabalho. Depois dos links que o Caio mandou acima e desse video do Q, não há mais o que discutir. As coisas estão muito evidentes, ainda mais para mim, que tomo o trem todo dia há mais de 10 anos.

    • legume

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      out 23, 2009

      |

      Certamente há uma modernização dos trens da cptm e a diminuição do intervalo dos trens, que pode ser entendido como um investimento estatal a objetivar o aumento de produtividade, pois mesmo para os capitalistas é importante que as pessoas circulem. Este aspecto de modernização já foi analisado em outro artigo neste site sobre o expresso tiradentes (http://passapalavra.info/?p=971).
      Porém há que se observar que isto não invalida as criticas apontadas pelo artigo no que tange a repressão dos usuários e ambulantes. Já vi algumas vezes os marreteiros serem agredidos e na estação de Jandira foi colocado um rotweiler para evitar que os usuários entrassem sem pagar tarifa.
      Ou seja é uma modernização que mantem as pessoas alijadas do processo decisório e sem o direito ao transporte porque reforça a exclusão pela tarifa.

    • cebola

      |

      out 25, 2009

      |

      O momento em que estamos juntos parece
      interminável…

      Nossos corpos estão tão unidos que posso
      sentir as batidas do seu coração.

      Nossa respiração confunde-se com a do outro

      Nossos movimentos são sincronizados

      … indo e voltando…

      … para frente e para trás …

      Às vezes pára, e então, quando nos cansamos
      da mesma posição,

      nos esforçamos para mudar, mesmo que seja só
      por pouco tempo.

      O suor de nossos corpos começa a fluir

      Sem nada que possamos fazer…

      Um calor enorme parece que nos fará desmaiar

      Uma força ainda maior nos faz ficar ainda
      mais colados um ao outro

      e, quando não agüentamos mais segurar…

      Uma voz ecoa em nossos ouvidos:

      ” Estação Sé, desembarque
      pelo lado esquerdo do trem.”

    • |

      out 26, 2009

      |

      Ótimo poema, não fosse tão trágico. O que será que poderíamos fazer em relação a essa companhia exdrúxula, além de discutir e divulgar essa discussão? Será que poderíamos fazer uma carta aberta, um moção, uma panfletagem?
      Acredito que tem muita gente boa aqui participando desta discussão e, para não deixá-la morrer, poderíamos transformá-la em outra coisa, para quem sabe, iniciar um movimento que seja mais amplo, mas que parta de um problema, no caso crônico, no caso, o da CPTM.

    • Fernando de Oliveira

      |

      fev 5, 2010

      |

      Sou totalmente à favor da presença dos seguranças nas estações. Como diz o ditado: ruim com eles, pior sem eles.
      Acredito que quem apenas se preocupa com a sua vida, que não deve nada, que não se envolve em confusões, enfim, qualquer pessoa digna, que não toma conta da vida alheia, não tem porque ficar preocupada com a presença dos seguranças.
      Se você não está fazendo nada de errado, nada que vá contra as normas da empresa, então, é só ignorar os seguranças.
      Eu mesmo, uso o Metrô apenas para meus deslocamentos, não fumo dentro dos vagões, não consumo bebida alcoólica ou drogas, não ouço música, não promovo algazarrra ou tumulto, não vendo merccadoria sem autorização, ou seja, não tenho motivos para ficar preocupado.
      Como diz outro ditado: quem não deve não treme e não teme.

    • isaias souza

      |

      abr 23, 2010

      |

      Para conhecimento,
      Nenhum (aso) que atua como agente de segurança na CPTM é policial Ferroviário Federal ou PFF associado a CPTM. Para que todos saibam, esses agentes pertencem a empresa, treinados pela PFF, contratados em regime recisório com base nas consolidações das leis do trabalho (CLT). A segurança foi criada pela CPTM para substituir a PFF que deixou de realizar o patrulhamento desde a privatização das ferrovias e, inclusive alguns PFF hoje nem estão mais na ativa, enquanto alguns, esquecidos pelo governo federal, lutam para a serem reconhecidos e retornarem ao posto de forma digna. Poderão caso algumas dúvidas, verificarem o veiculo da empresa, é particular, o brasão não é com a informação PFF e sim policiamento ferroviário, seu funcionários são proibidos do uso do porte fora de serviço e também fica restrito o uso de uniformes fora do horário de trabalho. Como ja disse; a empresa criou o seu próprio corpo de segurança; esta é uma informação do próprio funcionário que hoje trabalha como aso na empresa há quase 10 anos. A cptm visando diminuir o indice de violencia entre gangues e conforntos entre torcidas nas estações, assaltos, ato de vandalismo e o uso de intorpecentes resolveu criar uma segurança que é treinada pela PFF. Não sei qual é a função da PFF, acredito que ela ainda fiscaliza, mas não sei como e aonde os encontrar. Aqueles de uniformes marron são civis, funcionários privados, ex-policias, que prestaram concursos para ocuparem o cargo de agente de segurança operacional. Inclusive deixo bem claro, eles tem autorização legal dentro das ferrovias para autuarem, averiguarem, dar voz de prisão, enfim…mas não podem exercererm papeis de policia fora das ferrovias, somente em transito. A PFF briga na justiça para retornarem aos cargos que hoje é ocupado por funcionários de empresa privatizada, esta é a informação que tenho. Resumindo, aso não é policia muito menos policial ferroviário federal.

    • pedro alcantara

      |

      maio 4, 2010

      |

      Caro, isaias vc foi quase perfeito! na minha opiniao errou em seu resumo,” aso não é policia “, a frase esta correta, mas a interpretação tem que ser analisada, POLICIA é a instituição, e não o seu agente, o soldado da POLICIA militar não é policia, ele é um agente da POLICIA militar, que é o orgão que lhe da o poder de POLICIA. SE o aso pode averiguar, dar voz de prisão, conduzir o infrator ou o criminoso a delegacia, é porque ele tem o poder de POLICIA, A ferrovia tem uma lei federal especifica, onde se enquadram seus agentes.

    • isaias

      |

      maio 5, 2010

      |

      Olá Pedro, boa tarde!
      Obrigado pela informação positiva, e é claro, sua ajuda é sempre benvinda.
      Abraço.

    • gilberto

      |

      jun 13, 2010

      |

      PORTARIA Nº 855 DE 4 DE JUNHO DE 2010
      O SECRETÁRIO EXECUTIVO DO MINISTÉRIO DA
      JUSTIÇA, no uso de suas atribuições legais, e
      Considerando o dispositivo Constitucional que elenca a Polícia
      Ferroviária Federal como Órgão de Segurança Pública;
      Considerando que tal Órgão é inexistente atualmente;
      Considerando que há servidores públicos federais lotados no
      Ministério dos Transportes e no Ministério das Cidades que pertenciam
      à polícia especializada em ferrovias;
      Considerando que o Ministério da Justiça enviou ao Ministério
      do Planejamento, Orçamento e Gestão a intenção de transposição
      desses servidores ao Ministério da Justiça, em um primeiro
      momento para serem lotados na Secretaria Nacional de Segurança
      Pública/MJ;
      Considerando o crescimento brasileiro e o setor ferroviário
      como estratégico;
      Considerando a proposta da Comissão Nacional dos Representantes
      da Polícia Ferroviária Federal, resolve:
      n
      o- 855 – Art. 1º Criar Grupo de Estudos para examinar as reais
      necessidades de segurança especializada em ferrovias, em especial
      nos seguintes orgãos: ANTT, DNIT, INVENTARIANÇA RFFSA,
      SPU, CBTU, VALEC e Concessionárias das Ferrovias Federais.
      Art. 2º Também será objeto de estudo a forma de transferência
      dos analistas, assistentes e agentes de segurança ferroviária
      de seus órgãos de origem para o Ministério da Justiça.
      § 1º O exame de transferência não impede o já em curso no
      Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.
      § 2º As conclusões do Grupo de Estudos sobre a transferência
      serão encaminhadas imediatamente ao Ministério de Planejamento,
      Orçamento e Gestão.
      § 3º O Grupo de Estudos será composto por:
      I – Um representante da Secretaria Executiva do Ministério
      da Justiça, que o presidirá;
      II – Um Representante da Secretaria Nacional de Segurança
      Pública/MJ;
      III – Um representante da Consultoria Jurídica/MJ;
      IV – Um representante da Secretaria de Assuntos Legislativos/
      MJ e
      V – Um representante da Comissão Nacional dos Representantes
      da Polícia Ferroviária Federal.
      Art. 4º O Grupo de Estudos apresentará as suas conclusões
      em até 60 dias.
      Art. 5º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação

    • Naldo Valença

      |

      jul 1, 2010

      |

      Parabéns pelo artigo e os comentários críticos. É bom saber que temos paulistas que não aceitam a lobotomia.
      Sou usuário deste transporte a 30anos e é extremamente lamentável ter que compartilhar impotentemente da arrogância e o despreparo dos seguranças desta empresa que não civilizou o sistema, mas sim abusam do artifício da truculência com o intuito de intimidar todos os usuários.
      O fato é que não podemos ser coniventes ao desrespeito a qualquer cidadão. É inadimissível pessoas serem brutalmente agredidas por motivos pífios. Se poderosos acham um “horror” suspeitos de colarinho branco serem algemados, não é nada civilizado a forma que pessoas são conduzidas dentro de um transporte público. Pois é, esse é o modo que nossos governantes tratam o cidadão comum. Afinal educação em SP é “casu di puliça”.

    • Souza

      |

      jul 8, 2010

      |

      A cptm tem as suas normas e regulamentos que devem ser cumpridas, além é claro, do poder de policia que a instituição exerce, onde aplica-se; á infratores, criminosos, vândalos, pichadores, usuários, traficantes e, outras práticas consideradas legais, além de proporcionar segurança. Tais dispositivos é para garantir o direito de ir e vir, e mais, incolumidade aos usuários, o livre exercicio dos colaboradores e prestadores de serviços, a preservação do bem público e privado, quanto a sua administração. Mas como disse o nosso colega Naldo Valença, a empresa não civilizou o sistema, está ai a razão de tantas reclamações em relação a truculência, a arrogância, imponência e a prepotência desses seguranças, tudo em razão da lei federal em especifico (poder de policia), os seguranças confundem. Mas pra que poder de policia? A sim, para que seja legal o trabalho preventivo em relação ao exercicio da profissão. Mas porque abusar do poder da instituição? Os seguranças não portam armas fora do expediente, não podem ou utilizam – se do poder fora do local de trabalho. Jamais poderão utilizar-se do uniforme para passeio (visto que a empresa não recomenda), policia é uma instituição e não o agente, muito menos privado. A funcional (crachá), o que está discriminado nela, policia federal, militar, civil, promotor, juiz? Como ja disse, a policia ferroviária federal não policia mais a cptm, foram substituidos por funcionários CLT com vincúlo empregatícios e recisório. Então porque eles cometem tantos abusos e absurdos? Será que existem ordem superiores para que estes por sua vez pratiquem tantas irregularidades e arbitrariedades em relação a constituição, desfazendo dos deveres individuais e coletivos? Acho que está na hora da CPTM mudar o conceito majoritário, para com a violência se não o povo vai reagir também. O povo (vitima) uma hora se cansa, e começarão a perseguirem os seguranças quando forem reconhecidos nas ruas em horas de folga por causa dos laranjas podres, devendo viver em absoluto anonimato. O regulamento e as regras, podem comprometer a integridade e a liberdade dos funcionários. CPTM, o povo está cansado de serem maltratados, humilhados e constrangidos de forma ilegal, e vcs estão partindo para a inconstitucionalidade, vi práticas de abusos muitas vezes, em estações, inclusive a menores, ja comentei, denúnciei, inclusive a instituição não gostou. Ou mudem ou povo fará valer seus princípios legais. Afinal, “as coisas, as pessoas e as leis estão mudando…”

    • timótio brasil

      |

      set 15, 2010

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      Saiu na Folha de hoje (10/09/10):

      “A colisão entre um ônibus e um trem de carga deixou nove mortos e 15 feridos no centro de Americana (127 km de SP), anteontem à noite.
      Carregado de milho, soja e açúcar, o trem atingiu em cheio o ônibus municipal da viação Cidade de Americana, que levava 28 pessoas.
      O veículo foi arrastado por cerca de 200 m e partiu-se ao meio -os passageiros foram ‘lançados’ pelo buraco. Acabou sendo prensado em outra locomotiva parada.
      Os mortos são quatro homens e cinco mulheres entre 37 e 76 anos -todos estavam no ônibus. Oito feridos continuavam internados ontem à noite, sem risco de morrer.
      A Polícia Civil investiga as hipóteses de imprudência do motorista e de falhas na sinalização. Também apura se o motorista se confundiu sobre a locomotiva parada e desrespeitou a sinalização”

      Existe uma polícia chamada polícia ferroviária federal no Brasil. Ao menos em teoria. Ela, na verdade, é a polícia especializada mais antiga no Brasil (criada em 1852, ainda no império. Mais ou menos na mesma época de nosso Código Comercial), e a Constituição de 1988 confirmou (ou, como dizemos em direito, recepcionou) sua existência.

      Em teoria ela deveria ser responsável por todos os aspectos relacionados às ferrovias brasileiras, incluindo a fiscalização e prevenção de acidentes nos 26 mil quilômetros de malha ferroviária (trilhos).

      Essa é uma polícia que caiu no esquecimento e cuja a carreira praticamente desapareceu por falta de regulamentação, mas que, segundo a nossa Constituição, deveria existir. A existência dessa polícia não é facultativa: a Constituição estabelece que ela existe. Quando a Constituição estabelece algo facultativo, ela deixa isso claro. Por exemplo, no artigo 154 ela diz que “a União poderá instituir (…) imposto não previsto (…)”. Não é o que ocorre com o artigo 144, onde ela determina a existência da polícia ferroviária:

      “A segurança pública (…) é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: (…) polícia ferroviária federal”
      A maior parte dos antigos policiais ferroviários federais acabaram demitidos, aposentados (o último concurso que consegui localizar foi em 1989), ou emprestados a outras instituições (especialmente as de gerência e controle dos trens urbanos). Hoje, segundo uma pesquisa rápida na internet, existe menos de oitocentos policiais ferroviários no Brasil e a fiscalização e prevenção de acidentes nas ferrovias acaba, na prática, tendo de ser feita por outras instituições (incluindo outras polícias) e por seguranças privados

    • marcos cristiano

      |

      set 20, 2010

      |

      não ligo para o que os outros falem vendo no trem mesmo vou passar necessidade por causa dos outros

    • claudia

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      set 11, 2012

      |

      engraçado o METRO desde de que eu me conheço por gente tem essa politica “autoritaria”e ninguem nunca se importou com isso , agora que a CPTM esta seguindo os padroes metroviarios as pessoas que só tem educação lá (repare qualquer dia os usuarios mudam de comportamento quandop fazem transferencia do METRO para CPTM)ESTÃO ACHANDO RUIM SEREM OBRIGADAS A TEREM EDUCAÇÃO NOS TRENS TAMBEM , O QUE ESTA LONGE DE ACONTECER , PORQUE OS HOMENS PARECEM ANIMAIS E NÃO RESPEITAM MULHERES CRIANÇAS E IDOSOS um monte de marmanjo da bunda cansada que jogam os deficientes nos vãos para poderm sentar.
      acho que a culpa é da população …………

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