Polícia Militar reprime manifestação na Avenida Belmira Marin

Polícia Militar reprime manifestação na Avenida Belmira Marin

em 1 jun

Os manifestantes não chegaram a andar quinhentos metros e foram fechados pelos policiais da Rocam, sendo cobertos, em seguida, por uma nuvem de gás e pelo barulho das explosões de bombas de efeito moral. Houve correria, uma das faixas foi tomada pelos policiais e a marcha se dispersou. Por Rodrigo Andrade

dsc00199Cerca de cem pessoas realizaram uma manifestação na Avenida Dona Belmira Marin, distrito do Grajaú (SP), nesta sexta-feira, 28, exigindo ações do poder público para diminuir o caos no trânsito da região. Portando faixas, cartazes, apitos e manifestos, os manifestantes começaram a se reunir por volta das seis horas da manhã, em frente ao Circo-Escola Grajaú, chamando os passageiros dos ônibus e lotações [dois tipos de autocarros] para descer e participar do ato. A profissional autônoma Gorete, que não quis dizer o sobrenome, disse que é preciso a população fazer alguma coisa, pois, assim como outras pessoas, sua filha “leva duas horas a mais no trajeto e corre risco, pois volta andando sozinha”. De acordo com André, que também não quis dizer o sobrenome, membro da Juventude do PT, o objetivo do ato era chamar atenção do poder público “para construir uma audiência pública e debater o problema da Belmira Marin”, defendendo que não é mais possível “o pai de família descer lá na linha do trem e vir andando até o Cocaia, porque o trânsito não flui”. A Polícia Militar, que já estava à espera dos manifestantes desde as cinco horas, levou grande efetivo ao local e estava determinada a não permitir a ocupação da avenida pela população. Desde o início das negociações os policiais diziam que só deixariam a marcha adentrar a via após as oito horas. Mesmo assim, os organizadores do ato levaram adiante o planejamento, que havia sido amplamente divulgado por meio de manifestos que convidavam a população para o ato, de realizar uma marcha e parar o trânsito da Belmira Marin.

Reação Violenta

Os manifestantes, porém, não chegaram a andar quinhentos metros e foram fechados pelos policiais da Rocam [Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas], sendo cobertos, em seguida, por uma nuvem de gás e pelo barulho das explosões de inúmeras bombas de dsc00157efeito moral lançadas pelos policiais da Força Tática. Houve correria, uma das faixas foi tomada pelos policiais e a marcha se dispersou. A Polícia Militar acabou fechando, ela mesma, a avenida e desviando o tráfego no sentido centro por outras ruas da região. Cerca de 15 minutos depois a população se reuniu no estacionamento de uma padaria e, após nova conversa com os policiais, decidiu prosseguir a marcha pela calçada. A polícia acompanhou a marcha a bordo dos veículos, espirrando, vez por outra, spray de pimenta sobre os manifestantes. Paulo, outro que não quis dizer o sobrenome, vice-presidente da Associação dos Moradores do Jardim Eliana, teve o rosto queimado pelo spray que lhe foi atirado diretamente: “jogou assim, o jato na minha cara mesmo… tá queimando”. Além disso, quando algum manifestante se colocava na via, os policiais aceleravam violentamente os carros, chegando algumas vezes a atingir a pessoa para que essa voltasse para a calçada. Os participantes começaram a gritar palavras de ordem como “abaixo a ditadura” e “o povo na rua, Kassab a culpa é sua” e a cantar “eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”, como única forma de reagir à truculência policial, já que o número de manifestantes era pequeno em relação ao número de policiais. Como resposta, a Polícia Militar soou as sirenes dos carros, tornando o canto quase inaudível a quem estava do outro lado da avenida.

Final Infeliz

Na chegada da marcha ao Terminal Grajaú a polícia cercou o local para impedir os manifestantes de o ocuparem. A população fez uma roda no estacionamento do Banco Bradesco, onde decidiu dar fim ao ato, prometendo realizar novas manifestações se o poder público não tomar providências quanto à situação do trânsito na região. Nenhum representante do poder público, governo ou secretaria de transportes compareceu à manifestação. Após a decisão de dispersar, um grupo de policiais se aproximou de onde estavam os organizadores do ato, querendo conversar com Dheison Silva, membro da juventude do PT. Houve correria e Dheison adentrou a Escola Estadual Professor Carlos Ayres, perseguido por três policiais. A população tentou acompanhá-lo, mas foi impedida por policiais que fizeram uma barreira no portão de entrada, não permitindo manifestantes nem imprensa no local. Após meia hora Dheison foi liberado.

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Comentários 10

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      jun 1, 2010

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      Ótimo texto!

      Como sempre os cachorros do Estado estão fazendo o seu trabalho sujo de repressão a uma manifestação de reivindicação!

      Somos tratados como lixo pelo por poder Estatal, somos meros servos deste sistema corrupto e fascista!

      Provos Brasil

    • Flávio Barboza

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      jun 2, 2010

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      Parabéns ao povo por ocupar as ruas em manifestação e ao site “Passa a palavra” por divulgar o verdadeiro pensamento do povo que é distorcido pela grande mídia!
      O povo não aguenta mais ter que caminhar mais de uma hora pra chegar em casa!

      Enquanto estivermos sob um governo de direita tucano e essa mídia, instrumento da elite, o povo vai ter que se conformar com as diversas formas de humilhação e injustiça que compõem nosso dia-dia!

      Caso contrário haverá um exercito muito bem preparado para nos reprimir VIOLENTAMENTE!

      Mas a justiça divina está do nosso lado, a recompensa virá!

    • André Graciano

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      jun 3, 2010

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      Parabéns.

      É com este trabalho na blogosfera que vamos desmontar a elite branca, racista e separatista deste Estado, a internet terá o papel de fazer a consolidação democrática desta nova sociedade civil.

      Eu, estava ao lado do Dheison quando adentramos a escola para mais uma vez fugir testa PM do Estado de SP, que ainda carrega nas suas mãos resquícios nítidos de uma ditadura que para o grupo governante do Estado de SP ainda persiste e vindoura.

      Parabéns para todos os companheiros e companheiras que ainda acreditam na “manifestação popular”. Pois como nós relata o Art 1° parágrafo único da CF/88 “O poder emana do povo e é exercido indiretamente pelos seus representantes”

      E claro, Parabéns Passa Palavras.

    • André Graciano

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      jun 3, 2010

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      Foi você quem gravou as imagens dentro da Escola?

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      jun 4, 2010

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      EU, ouvi gente dizer que votaria no Kassab, pois ele prometera resoolver o problema da Belmira…Quanta ilusão. O povo está sem refugio, não há a quem recorrer, quem deveria nos atender nos reprime. A polícia garante a segurança da elite, para o povão é gás, cacete e todo o bélico que podem uitlizar alegando ‘manter a ordem’. É uma pena que a participação popular, grande e talvez única chave para a questão, seja mínima. Alguém saberia me informar, quando será a próxima manifestação????

      Obrigada Passa Palavra, sempre passando aquilo que as grandes mídia manipuladoras passam por cima…

    • admilson

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      jun 6, 2010

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      ótimo texto todos nós tem que cutucar os vereador deputado e todos, fazer mais passeata para chamar atenção das autoridades para esta nossa situação caotica que vivemos não aquentamos mais com esse transito na belmira marim vamos nós organizar e fazer uma manifestação supresa sem avisar e chamar a emprensa, para registrar tudo com muitos cartaz planfleto e muita organização ok….

    • Os Brasileiros

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      jun 8, 2010

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      Nossa é incrivel como os governantes de nossa cidade,não fazem questão de acompanhar um protesto…
      Em época de eleição todos eles ficam otimos…prometem tudo do bom e do melhor mais acabam não fazendo nada…
      ISSO É UM ABSURDO!!!
      apesar deste protesto…das pessoas feridas…(como o vice-presidente da Associação dos Moradores do Jardim Eliana)…
      A BELMIRA MARIM ESTÁ LÁ DO MESMO GEITO…
      Quem passa la apartir das 17:30…naos sai mais e um verdadeiro INFERNO…

    • leandro santos

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      jun 17, 2010

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      Graças a Deus eu não pego onibus e nem vou de carro para o serviço eu vou de moto mas só que a minha mãe pega onibus todos os dias e quando eu vejo a belmira marim travada eu imagino o sufoco que ela deve passar e as milhares de pessoas como ela que trabalha o dia todo e na hora de chegar em casa para descamsar fica parada na avenida ..Ai ´´e a hora que da vontade de vaser uma besteira imvadir aporra da garagem da bola branca e picar fogo nos onibus porque essa garagem é um dos principais motivo do transito talves assim alguem toma alguma providencia..eu tenho serteza que se foce eles(deputados,vereadores,essas pessoas que tem dinheiro)moracem na nossa região eles ja terião tomado uma providencia…A marta falou que ia duplicar a belmira mas o filha da p…. do Kassab copiou a ideia dela e acabou ganhando e não fez porra nenhuma e agora agente que se fode ..vamos prestar atençao em quem a gente vota para nos pararmos de sofrer……..

    • Lilian

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      out 3, 2010

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      Vamos votar e lembrar do nome de nossos candidatos, e exigir que tomem providencias quando problemas como esse assolar nossas vida, nós que pagamos os salários deles e temos o direito de cobrar, porque nossa luta não se´ra vencida por enquanto não aprendermos a exercer a nossa cidadnia. Vamos cobrar gente. temos todo o poder em nossas mãos, não vamos deixar que esse bando de burgueses acreditem que somos leigos e ignorantes!!!

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      fev 14, 2013

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      na parte da manha as ruas proximas a av dna belmira marim passa tantos carros que nao da nem para atravessar a rua de um lado para o outro todos os carros desviam porque nao tem como andar por la isso e uma vergonha!

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