Cantariam eles «A Internacional»? Territórios dissidentes, práticas insurgentes e as contradições do “hiperprecariado” (4ª parte)

Cantariam eles «A Internacional»? Territórios dissidentes, práticas insurgentes e as contradições do “hiperprecariado” (4ª parte)

em 1 maio

Por que esteve o “hiperprecariado” sub-representado durante a onda de protestos de 2013? Por Marcelo Lopes de Souza.

Leia aqui a 3ª parte desse artigo

Onde estava o “hiperprecariado” durante a onda de protestos de 2013 nas cidades brasileiras?

26_Francisco César FF_0026 Em sua maioria, o “hiperprecariado” — não diferentemente da maioria dos trabalhadores e das trabalhadoras pobres — estava lá, em junho de 2013, onde ele vive e, em parte, atua politicamente (comissões pró-melhoramentos, associações de moradores, “coletivos” e “coordenações”) há muito tempo: nas favelas, nos loteamentos de periferia, nas ocupações de sem-teto, e assim sucessivamente. Ele protestou, às vezes, nesses seus espaços tradicionais, que são seus ambientes imediatos e palcos de suas agruras; mas seus protestos, aí, não são novos: seja contra a brutalidade policial, seja contra a falta de passarelas para pedestres, seja por qualquer outra razão (e razões não faltam), ele também protestou durante a onda de protestos que em parte empolgou e em parte assustou várias cidades brasileiras em meados de 2013. Protestou, portanto, ainda que de modo renovado, na esteira da onda de protestos, contra temas que, de resto, frequentam, quando frequentam, as páginas policiais dos jornais, não as páginas políticas, como os abusos e os crimes cometidos pela polícia.

Além disso, o “hiperprecariado” também esteve presente naqueles espaços públicos das áreas centrais onde se concentraram os protestos, e que, por uma questão de número de manifestantes, de classe e de “visibilidade”/centralidade espacial, receberam o essencial da atenção da mídia corporativa. Contudo, esteve sub-representado (como sub-representado esteve, aliás, o conjunto dos trabalhadores e das trabalhadoras pobres), ao mesmo tempo em que a classe média, muito principalmente o seu estrato jovem e estudantil, esteve sobrerrepresentada.

Os dados disponíveis, divulgados em geral pela grande imprensa, são poucos, e ademais suscitam algumas dúvidas. Entretanto, a tendência para a qual apontam não deixa de ser cristalina.

Em São Paulo, em 20 de junho de 2013, em uma enquete conduzida pelo Datafolha com 551 entrevistas feitas na Avenida Paulista, na área central da cidade (margem de erro informada de 4% para mais ou para menos), 78% dos manifestantes relataram possuir grau de instrução superior (contra 24% da população do município em geral); 63% possuíam entre 21 e 35 anos de idade; 39% eram assalariados com registro formal (contra 34% da população do município em geral) e 22% eram estudantes (contra 5% da população do município em geral). [11]

FotoPara Belo Horizonte, núcleo da terceira maior metrópole brasileira, a agência Innovare, com base em 409 entrevistas realizadas na Praça Sete no dia 22 de junho de 2013 (margem de erro informada de 5% para mais ou para menos), constatou que a maioria dos participantes do protesto naquele dia era formada por jovens (apenas 26,5% possuíam mais de 40 anos de idade, ao passo que 54,5% tinham menos de 25 anos). A grande maioria (70,7%) fazia parte da População economicamente Ativa (PEA), e 20,8% eram estudantes. Cerca de 33% dos que protestavam possuíam curso superior completo, e outros 32% curso superior incompleto. Os meios de informação mais utilizados pelos manifestantes para se informarem sobre os protestos era o Facebook para 69,9% dos respondentes. [12]

Para além desses dados que apontam na direção de uma sub-representação dos trabalhadores pobres (“hiperprecariado” incluído) e de uma sobrerrepresentação dos jovens de classe média — mas em cujas consistência, confiabilidade e falta de enviesamento é difícil apostar sem reservas, além de serem francamente insuficientes para fornecer um panorama ao mesmo tempo amplo e pormenorizado —, há toda uma série de indícios ou mesmo evidências, colhidos por mim na base da observação in loco durante protestos no Rio de Janeiro e por meio de depoimentos de manifestantes e ativistas, que corroboram a tese das referidas sub-representação e sobrerrepresentação. Ora, por que esteve o “hiperprecariado” sub-representado? Que condições objetivas e (inter)subjetivas (ou uma mistura de ambos os tipos) teriam contribuído para isso?

22_ Thiago Carminati FF_0022Naturalmente, dizer que a eficácia da persuasão das organizações de esquerda junto à massa do povo está deixando muito a desejar equivale a incorrer em um truísmo, em dizer uma verdade acaciana: afinal, se estivessem tão sensibilizados e motivados quanto os estudantes, os trabalhadores teriam estado lá, nas áreas centrais de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Belo Horizonte e de outras cidades, protestando. Não possuiriam eles, afinal, razões objetivas para protestar maciçamente? Ora, é lógico que o ponto não é esse. “Problemas objetivos” abundam, e nem mesmo o bombardeio diário de ideologia faz com que passem despercebidos. Contudo, para além do testemunho a esse respeito dado por explosões de fúria e cólera pontuais, desencadeadas nos palcos imediatos de alguma tragédia ou problema grave — um quebra-quebra de trem, estação ferroviária ou ônibus após mais uma pane ou longo atraso, um protesto por passarela no local de uma estrada em que mais uma criança morreu atropelada, uma manifestação contra a polícia depois de mais uma vítima inocente da inépcia e da selvageria de policiais em uma favela —, atrair centenas de milhares de trabalhadores pobres para uma manifestação programada e convocada por Facebook na Avenida Paulista ou na Avenida Rio Branco/Candelária não parece nada trivial. Pode-se alegar, para isso, um conjunto de fatores imediatos, e todos eles terão o seu quinhão de responsabilidade, como o cansaço após uma longa e extenuante jornada de trabalho diária ou semanal, sem contar o custo financeiro e físico do deslocamento, em muitos casos. Porém, problemas práticos e materiais provavelmente seriam parcialmente contornados ou não chegariam, com frequência, a ser totalmente impeditivos, se o convencimento, a motivação e a organização fossem realmente maciços. É preciso levar em conta fatores de outra ordem, como o papel desorganizador, “amansador” (ou mesmo “domesticador”) e desmobilizador das igrejas (especialmente neopentecostais) que proliferam nos espaços segregados, da cooptação governamental por meio de políticas públicas compensatórias e, para os trabalhadores sindicalizados do setor formal, a dinâmica essencialmente estabilizadora e conservadora que os sindicatos há muitíssimo tempo vêm exercendo. Tais fatores de desorganização e conformismo não excluem, decerto, a indignação “doméstica” ou mesmo o cinismo, a expressar-se através de críticas genéricas contra a corrupção, a “insensibilidade” e a ineficácia de governos e políticos profissionais, ao mesmo tempo em que não raro se admira a “esperteza” de tal ou qual político. Mas é flagrante, tantas e tantas vezes, a contradição observada entre aqueles que fazem críticas aos protestos (pelos incômodos que podem momentaneamente acarretar, ou por puro e simples conservadorismo), ao mesmo tempo em que se acostumaram a desferir críticas à “passividade” dos brasileiros…

27_Francisco César FF_0027A mistura de alienação em relação à “política” (em geral reduzida ao aparelho de Estado e aos políticos profissionais), embrutecimento cultural, receio e temor perante a perspectiva de repressão policial (coisa que conhecem bem de seu quotidiano), sensação de melhorias materiais, acomodação ideológica e desconfiança em face de uma dinâmica iniciada por jovens estudantes predominantemente brancos e de classe média certamente colaborou para a ausência de adesão maciça dos trabalhadores pobres à onda de protestos iniciada em junho de 2013 nas cidades brasileiras. Todavia, o fenômeno não foi isolado; inscreve-se em uma tendência mais ampla e de longo prazo. Por que as “acampadas” de 2011, em tantas praças de tantas cidades brasileiras, basicamente protagonizadas e animadas por jovens estudantes, emulando territorializações temporárias de espaços públicos iniciadas em outras cidades do mundo, não conseguiram fazer com que outros personagens (os trabalhadores e as trabalhadoras pobres) entrassem substancialmente em cena, assim justificando verdadeiramente uma versão à brasileira do famoso slogan do movimento Ocupy “we are the 99%”? Com facilidade, os exemplos poderiam ser multiplicados.

As fotografias que ilustram o artigo são de Thiago Carminati/Favela em Foco, excetuando a segunda.

Notas

[11] Consulte-se aqui (on-line em 15/04/2013).

[12] Consulte-se aqui (on-line em 15/04/2013).

Leia aqui a 5ª parte desse artigo.


Comentários 2

    • Eduardo Tomazine

      |

      maio 3, 2014

      |

      Caro Marcelo, imagino que ainda venham outras partes do artigo, e por isso deixarei para depois os comentários de ordem mais abrangente. Por ora, gostaria de chamar a atenção para o período dos protestos de 2013 que serviram de base para as suas reflexões e constatações (que seguramente são preliminares) na presente seção. O que se passou em junho – dos protestos convocados pelo MPL até as manifestações multitudinárias do dia 20 – parece ter sido qualitativamente distinto da onda de protestos que se manteve depois da Copa das Confederações (e em parte dela) até o incidente com o Santiago. Tanto nas manifestações em solidariedade à greve dos professores no Rio de Janeiro quanto nos inúmeros atos de moradores de favelas, o perfil dos manifestantes foi bastante diverso daquele das manifestações de junho, contando com a presença considerável de jovens moradores de favelas e periferias os quais, valendo-se dos seus critérios, seriam integrantes da juventude hiperprecária. Tenho em mente as manifestações dos moradores da Rocinha e Vidigal contra a construção do teleférico, e, em seguida, em protesto pelo desaparecimento do Amarildo; os protestos dos moradores da Maré e Manguinhos contra as execuções de jovens moradores pela PM e os vários (e tensos) protestos no Complexo do Alemão que ocorrem até hoje. Tenho conversado com pessoas que andam acompanhando de perto os recentes protestos nas favelas, com queimas de ônibus e confrontos com a polícia, e, ao que tudo indica, a revolta desses jovens assumiu um caráter mais aguerrido depois de tudo o que se passou desde junho. Além disso, parte não negligenciável dos integrantes dos Black Blocs e outros “mascarados” a engrossar barricadas contra a polícia, em várias cidades do Brasil, era de jovens hiper-precários.

      Ainda assim, parece evidente que os hiperprecários seguem sendo sub-representados nos grandes protestos. Acho que os medos e opressões superados pelos jovens pobres que saíram para protestar e as táticas repressivas e ideológicas usadas pela polícia e a grande mídia podem nos oferecer algumas chaves importantes de compreensão do porquê da relativa passividade do hiperprecariado frente às suas condições de vida. Algumas das possíveis respostas você já aventou, como a desconfiança para com os jovens de classe média que convocam os protestos pelas redes sociais. Outras talvez sejam: 1) não sentirem pertencimento para com os “palcos” tradicionais dos grandes protestos, a saber, as avenidas das áreas centrais das cidades e os símbolos do poder, espacialidades que sempre lhes foram apenas autorizadas com muitas restrições, uma decorrência (e reprodução) do longo e cruel processo histórico de segregação sócio-espacial brasileiro; 2) a intensidade da repressão policial contra os pobres, e sobretudo os negros, nas cidades brasileiras, que recai sobre eles sempre mais letal do que sobre a classe média; além, ainda, da maior vulnerabilidade jurídica do hiperprecariado. (Não por acaso, excetuando-se os dois rapazes presos por terem acendido o rojão que matou acidentalmente o cinegrafista da Band, o único preso político que ainda permanece na prisão é um morador de rua negro, acusado de portar substâncias inflamáveis: um desinfetante Pinho…)

      Finalmente, não sei se é muito apropriado utilizar a onda de protestos de junho para se avaliar a passividade ou engajamento do hiperprecariado brasileiro. A bem da verdade, na longa conjuntura inaugurada com o processo de reabertura política (ou seja, dos anos 80 pra cá), as mobilizações de massa nesse país contam-se nos dedos de uma mão (Diretas Já!, Fora Collor e o 20 de junho), e todas tornaram-se multitudinárias, em grande medida, pelo papel exercido diretamente pela grande mídia para convocar e, assim, controlar os rumos dos protestos. Evidente que isso dá um caráter branco e de classe média à coisa toda. Mas ora, fazendo justiça ao histórico de lutas do povo brasileiro, do Quilombo dos Palmares à Revolta da Vacina, passando pelas revoltas do período regencial e as greves gerais anarquistas do começo do século XX, parece-me que a sub-representação da raia miúda nos protestos pode ser um ponto fora da curva – e, tendo em vista os desdobramentos da última onda de protestos, com as coisas que se passam nos subterrâneos da sociedade, talvez não seja absurdo esperar, ainda no médio prazo, futuras rebeliões do hiperprecariado brasileiro. É verdade que o enquadramento policial, jurídico e ideológico; o embrutecimento cultural, as longas jornadas de trabalho, a precariedade dos transportes e as políticas públicas compensatórias; tudo isso são fortes amarras a conter o trabalhador hiperprecário. Mas ora, não havia amarras ainda mais fortes quando, no passado, a “ralé” ameaçou a ordem com as suas revoltas? Por ora, nossos embriões de revoltas do hiperprecariado, do Complexo do Alemão à favela da Telerj, são acusados pela Estado Maior da PM e pela grande mídia de terem “envolvimento com o tráfico”. A seguir por essa toada, chegará um dado momento em que vai faltar traficante para tanto envolvimento…

    • Marcelo Lopes de Souza

      |

      maio 4, 2014

      |

      Caro compa Eduardo:

      Como lhe conheço, sei que o seu comentário, refletido como sempre, não tem a mera intenção de ser “politicamente correto” às minhas custas (no sentido de opor-se a uma suposta negligência minha para com o “histórico de lutas do povo brasileiro”, como você sugere em seu último parágrafo). Causa-me uma certa perplexidade, no entanto, que você, leitor geralmente muito atento, e que conhece inclusive o artigo em três partes que publiquei neste mesmo PP a propósito das chamadas “Jornadas de Junho” (e seus desdobramentos), incorra em algumas aparentes críticas ou em alguns aparentes reparos que, a meu ver, deixam um pouco de lado aquilo que eu efetivamente escrevi.

      Vamos lá:

      1) Não tomei a participação do “hiperprecariado” nos protestos do ano passado para avaliar, em seu conjunto e de uma vez por todas o engajamento ou a passividade desse sujeito coletivo (ou que, muitas vezes, atua como tal). Analisei aquele momento em si e por si, mas também pelo que puder valer como ilustração da sobrerrepresentação da classe média e sub-representação dos trabalhadores pobres (note-se que, quanto a isso, fui ainda mais longe do que você sugere, pois nem sequer me restringi ao “hiperprecariado”, nesse momento). Não pretendi fazer com que aquilo tivesse algum valor de “amostra estatisticamente representativa” (me perdoe a brincadeira) de um arco temporal de décadas e gerações de história. Você mencionou a Revolta da Vacina e até o Quilombo dos Palmares, fenômenos que não têm relação direta com aquilo que eu estou propondo para debate e problematização.

      2) Por mais que eu tenha mencionado, explíciat e destacadamente, os eventos de junho, também levei em conta alguns de seus desdobramentos. Porém, aqui me parece que você misturou coisas demais, e que eu não pretendi misturara e não misturei. Note que você se refere ao caso Amarildo e a outras situações de indignação e protesto (e que têm se multiplicado), as quais, salvo engano de minha parte, me pareceram estar contempladas por mim no primeiro parágrafo desta quarta parte do artigo. Ei-la, para facilitar:

      “Em sua maioria, o ‘hiperprecariado’ — não diferentemente da maioria dos trabalhadores e das trabalhadoras pobres — estava lá, em junho de 2013, onde ele vive e, em parte, atua politicamente (comissões pró-melhoramentos, associações de moradores, “coletivos” e “coordenações”) há muito tempo: nas favelas, nos loteamentos de periferia, nas ocupações de sem-teto, e assim sucessivamente. Ele protestou, às vezes, nesses seus espaços tradicionais, que são seus ambientes imediatos e palcos de suas agruras; mas seus protestos, aí, não são novos: seja contra a brutalidade policial, seja contra a falta de passarelas para pedestres, seja por qualquer outra razão (e razões não faltam), ele também protestou durante a onda de protestos que em parte empolgou e em parte assustou várias cidades brasileiras em meados de 2013. Protestou, portanto, ainda que de modo renovado, na esteira da onda de protestos, contra temas que, de resto, frequentam, quando frequentam, as páginas policiais dos jornais, não as páginas políticas, como os abusos e os crimes cometidos pela polícia.”

      Por outro lado, insisto quanto ao seguinte: os protestos nas favelas e periferias, por mais que tenham sido, também eles, parcialmente renovados e reimpulsionados na esteira da onda geral de protesto e indignação – e isso foi explicitamente reconhecido por mim, quando disse que . “[o ‘hiperprecariado’] protestou, portanto, ainda que de modo renovado, na esteira da onda de protestos, contra temas que, de resto, frequentam, quando frequentam, as páginas policiais dos jornais, não as páginas políticas, como os abusos e os crimes cometidos pela polícia – não constituem uma verdadeira novidade. “Novidade”, se existe é, talvez, esse reimpulsionaamento (momentâneo), e essa maior visibilidade pública (momentânea?) de protestos e manifestações que ocorrem há muito tempo, na esteira do “clima” das Jornadas de Junho. (Essa foi, entre outras razões, o motivo pelo qual eu me recusei a encarar as tais “Jornadas de Junho” de um ponto de vista basicamente ou essencialmente negativo, conforme deixei claro no artigo em três partes ao qual me referi acima.) Me parece que, curiosamente, você me critica por me cobrar algo que eu disse.

      3) Você parece concordar comigo em um ponto: “Ainda assim, parece evidente que os hiperprecários seguem sendo sub-representados nos grandes protestos.” No entanto, me permita observar que, ao acrescentar possíveis outras causas para a referida sub-representação, (“1) não sentirem pertencimento para com os “palcos” tradicionais dos grandes protestos, a saber, as avenidas das áreas centrais das cidades e os símbolos do poder, espacialidades que sempre lhes foram apenas autorizadas com muitas restrições, uma decorrência (e reprodução) do longo e cruel processo histórico de segregação sócio-espacial brasileiro; 2) a intensidade da repressão policial contra os pobres, e sobretudo os negros, nas cidades brasileiras, que recai sobre eles sempre mais letal do que sobre a classe média; além, ainda, da maior vulnerabilidade jurídica do hiperprecariado.”), você, em grande medida, trouxe, com outras palavras, dois fatores que eu tinha mencionado em meu texto: “(…) receio e temor perante a perspectiva de repressão policial (coisa que conhecem bem de seu quotidiano)” – ora, isso é o mesmo, essencialmente, a que você alude em (2) – e a “(…) e desconfiança em face de uma dinâmica iniciada por jovens estudantes predominantemente brancos e de classe média” – o que, em grande parte, é algo que se acopla e parcialmente se superpõe com o que você quis dizer em seu ponto (1), embora tenha um caráter parcialmente complementar (e bem lembrado por você). É claro que os fatores que eu elenquei não pretenderam “esgotar” o assunto. Mas espero que o caráter sintético do que escrevi não induza o leitor a acreditar que negligenciei aspectos que, na verdade, estão (ao menos em grande parte) contemplados.

      4) Você diz que “talvez não seja absurdo esperar, ainda no médio prazo, futuras rebeliões do hiperprecariado brasileiro” – no que eu só posso concordar. Se você tiver a paciência e a generosidade de esperar pela quinta e última parte (ufffffff!!!!) de um artigo escrito como um único texto, você verá, exatamente, o que quero dizer com isso. Não que eu vá dedicar-me a profecias, para o que me falta o necessário talento; mas porque a razão de muito do que eu escrevi até agora (inclusive o próprio título, de maneira direta) ficará evidente – assim espero – ali.

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