Vidas revolucionárias: Ivan Minovich Chuchko (1893-1938)

Vidas revolucionárias: Ivan Minovich Chuchko (1893-1938)

em 8 jun

Breve biografia de um veterano makhnovista perseguido e executado pela polícia stalinista nos anos 1930. Por Nick Heath

Ivan Chuchko nasceu em 13 de julho de 1893, na vila de Huliáipole, vila natal de Nestor Makhno na Ucrânia. Nascido numa família camponesa, recebeu educação básica. De 1914 a 1917, serviu nas forças armadas do czar. Após a guerra, ele voltou à Huliáipole e começou sua própria fazenda. Juntou-se ao movimento makhnovista em 1918, tornando-se comandante de uma unidade insurgente, e em seguida chefe-assistente da equipe operacional, ajudante de Makhno e membro da equipe da 3ª Brigada Makhnovista de Zadneprovskiy. No início dos anos 1920, adoeceu de tifo e foi enviado de volta à Huliáipole. Depois, após sua recuperação, foi convidado por Makhno para juntar-se de volta aos seus destacamentos, mas recusou a proposta. Ele decidira aderir ao Exército Vermelho.

Com o fim dos conflitos em 1921, ele passou a viver e trabalhar em Huliáipole. Todavia, as autoridades soviéticas jamais o perdoaram por seu envolvimento no movimento makhnovista, e por isso cassaram seus direitos eleitorais em 1926. A perseguição continuou, e em 31 de julho de 1931 foi preso pelo Braço Especial de Dnepropetrovsk da GPU (antiga Cheka), acusado de atividade contrarrevolucionária. Durante o inquérito, ele negou todas as acusações, confirmando apenas seu serviço nas posições de comando das forças makhnovistas. Condenado em 8 de outubro de 1931, foi enviado a um campo de concentração por 5 anos, no qual fez trabalhos forçados à OGPU/NKVD (ainda novos nomes da Cheka) de Dmitrov. Após sua libertação, voltou a viver em Huliáipole e trabalhou como ferreiro na fábrica da Metalúrgica Vermelha de lá. Em 8 de março de 1938, foi preso pela NKVD sob acusação de ser “partidário da organização guerrilheira da Makhno com o objetivo de derrubar o poder soviético”. A resolução da junta regional da NKVD de Dnepropetrovsk em 11 de abril de 1938 foi de que ele era culpado, por ter sido membro da guerrilha makhnovista que existiu na Ucrânia em 1921, e que teria continuado suas atividades subversivas até 1938. Foi sentenciado à morte. A sentença foi executada em 26 de abril de 1938 em Dnepropetrovsk.

Foto num campo de trabalhos forçados, 1932

O assassinato de Chuchko foi só uma parte da perseguição aos veteranos makhnovistas na Ucrânia. Inúmeros outros foram presos e executados entre 1937-38, num último esforço selvagem para exterminar o movimento. Como observou Anatoly Dubovik, “nós provavelmente jamais saberemos quanto esses casos eram completamente inventados pelos investigadores ou se havia alguma atividade clandestina de fato…” [1].

Nota
[1] SHARPLEY, Kate. The Anarchist underground in the Ukraine in the 1920s and 1930s: Outlines of history in After Makhno, 2009.

Traduzido por Passa Palavra a partir do original disponível no Libcom. Este artigo faz parte do esforço coletivo de traduções do centenário da Revolução Russa mobilizado pelo Passa Palavra. Veja aqui a lista de textos e o chamado para participação.


Comentários 1

    • Bocha da Silva

      |

      jun 13, 2017

      |

      Como pode, a história das guerrilhas ucranianas até hoje dos demonstram como era enraizado a ideologia anarquista com os camponeses e a brutalidade do partido único sendo mais uma vez desmascarada, o bolcheviques assim se formaram tão criminosos quanto os exércitos czaristas de décadas anteriores. Parabéns pelo esforço dos compas em contribuir com mais essa tradução

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