A Rússia Soviética que vi em 1920: o Congresso no Kremlin

A Rússia Soviética que vi em 1920: o Congresso no Kremlin

em 20 ago

Militante sufragista e comunista britânica faz rápido relato de sua participação no II Congresso da Internacional Comunista, em 1920. Por Sylvia Pankhurst

Sylvia Pankhurst iniciou sua vida política em 1906 no movimento sufragista na Inglaterra, do qual viria a ser expulsa por suas posições abertamente socialistas. Em 1914, sua dissidência funda nos bairros operários do leste de Londres a Woman’s Suffrage Federation (WSF), que ao longo dos anos se radicaliza e muda de nome para Worker’s Solidarity Federation – vindo a ser a primeira seção britânica da III Internacional. Publicado no jornal do grupo, o Worker’s Dreadnought (“Encouraçado Operário”), este texto é um relato de sua viagem à Rússia como delegada ao II Congresso da Internacional Comunista realizado entre 19 de julho e 7 de agosto de 1920. Sylvia foi expulsa do Partido Comunista em 1924 por seu alinhamento às posições conselhistas e comunistas de esquerda. Morreu em 1960 na Etiópia. Este artigo foi traduzido do inglês pelo Passa Palavra e integra o esforço de traduções de 100 anos da Revolução Russa (confira aqui o chamado e a lista completa de obras).

Quase imediatamente após minha chegada ao Djelavoi Dvor[1], chegou uma mensagem: “Lênin escreveu para que você venha imediatamente ao Kremlin.”

V. I. Lênin no terreno do Kremlin em 1920.

O comandante expediu um pequeno probusk[2] rosa. O automóvel me conduziu sobre os paralelepípedos até o Kremlin. Os guardas vermelhos, cinco ou seis deles, revistaram o carro para examinar meu probusk, e três outras vezes fui obrigada a mostrá-lo antes de alcançar meu destino. Houve uma vez, posteriormente, quando eu estava indo ao Kremlin para um compromisso com Lênin, em que fui parada por vinte minutos no portão, porque eu tinha apenas o passe com visto para a Conferência, que naquele momento já tinha passado. Eu corri através do vão de um arco pelos guardas com seus rifles e baionetas em punho, até um telefone do outro lado. “Você podia ter sido baleada”, contou-me um companheiro depois. “Qual seria a utilidade de atirar em mim, que mal eu poderia causar?”, “Foi uma mulher que atirou em Lênin!”.

Passando pelo grande sino do Czar, que repousa no chão com uma parte arrancada, o caminho levava aos apartamentos privados do czar e à Sala do Trono, onde ocorria o Congresso. Olhando pela entrada principal, vemos uma imponente escadaria. Hoje ela estava toda enfeitada com longas bandeiras vermelhas ilustradas com a foice e fachos de milho com a palavra “Trabalho”, enorme e sem adornos, pintada na extremidade, quebrando as correntes que prendem a terra, horríveis e mal proporcionadas, mas dando um certo efeito de vigor. As paredes dos corredores e antessalas estavam cobertas de fotografias, cartazes e literatura[3]. Os comunistas russos são de fato ótimos propagandistas!

Lênin

No mais recluso dos apartamentos privados do Czar, Lênin, com um rosto sorridente, vem rapidamente em direção a um grupo de homens que esperava para falar com ele.

Ele parecia mais vívido e enérgico, mais realmente vivo que outras pessoas.

Ao primeiro olhar sentimo-nos como se sempre o houvéssemos conhecido, e ficamos deslumbrados e deliciados pela gratificante sensação de familiaridade ao observá-lo. Isto não é porque já vimos muitas fotos suas, pois ele não se parece com elas, que representam um homem inteiramente mais pesado, obscuro e soturno, ao invés deste ser magnético e dinâmico.

Um tanto baixo e encorpado, ele é rápido e ágil em cada gesto, assim como é no pensamento e fala. Ele não usa um casaco russo pitoresco, mas roupas europeias comuns folgadas. Seus cabelos castanhos são bem raspado, sua barba é de um marrom reluzente, seus lábios são vermelhos, e sua pele bastante brilhante parece arenosa, porque está queimada e sardenta de sol. A pele de seu rosto e sua cabeça parecem desenhadas à força. É como se não houvesse partes sobrando para desperdiçar. Cada polegada de seu rosto é expressiva. Ele é essencialmente um russo de tipo tártaro. Seu jeito é franco e modesto. Ele parece não ter consciência de si mesmo, e se reuniu conosco como um simples camarada. Seus olhos castanhos muitas vezes brilham com uma amabilidade, mas logo mudam para um olhar frio e duro, como se transpassasse os pensamentos mais profundos de alguém. Ele desconcerta seus interlocutores fechando subitamente um olho e fixando-lhes o outro com força, quase ferozmente.

Eu havia sido enviada para participar da Comissão para Assuntos Ingleses, que fora criada pela Terceira Internacional.

HG Wells entrevista Lenin em 1920

Sentamos numa mesa redonda no quarto do Czar. Lênin estava ao meu lado direito e, à minha esquerda, [David] Wynkoop, da Holanda[4], que estava traduzindo as falas do alemão para o inglês. Lênin tinha um domínio fluente do inglês: mais de uma vez, ele interrompeu Wynkoop com bom humor por más interpretações das falas.

Bukhárin, Radek, Zinóviev, Trótski

Bukhárin, editor da Pravda, e um dos líderes da esquerda no Partido Comunista Russo, encarou os debatedores exaltados de outros países com olhos azuis sorridentes. Jovem e vigoroso, tinha a expressão de uma pessoa para quem a vida é cheia de satisfação. Numa blusa holandesa marrom de mangas enroladas até os cotovelos, ele parecia um pintor que acabara de guardar seus pincéis. Durante as reuniões do Comitê, ele ficava o tempo todo desenhando caricaturas dos delegados, mas não deixava escapar nenhum ponto da discussão. Hoje ele desenhou Wynkoop como uma coruja solene e pomposa.

Radek, que iria para a frente polonesa em alguns dias, estava também sorridente e animado, com um ar distante e sonhador. Fico constantemente impressionada com a falta de tensão ou excitação entre os russos. Esses homens, posicionados contra um mundo de inimigos, parecem encarar a situação com a mais perfeita calma e muito humor.

Zinóviev é de outro tipo: as controvérsias parecem entediá-lo. Ele era um pouco impaciente com a oposição e criticou-a, com um tom de desprezo que provavelmente avaliou ser saudável para os Partidos Comunistas que ainda não houvessem aprendido como conseguir ligar-se exitosamente às massas. Um dos delegados americanos disse que Zinóviev sempre fala com as pessoas como se estivesse tomando um banho.

Numa conversa, ele em geral parecia inclinado a fugir de qualquer outro compromisso. Incansável panfletista, ele provavelmente estava escrevendo, ali mesmo, outra tese; mas ele estava pronto para entrar com vigor na discussão e falar por um tempo considerável quando chegasse sua vez.

Sua voz não é musical, mas ele claramente é um orador bem popular.

Na grande reunião no maior teatro de Moscou, evento final do Congresso, Zinóviev e Trótski foram os principais oradores. Trótski teve, de longe, a maior acolhida. Vindo da frente polonesa, com a antecipação da queda de Varsóvia para o Exército Vermelho aguardada dia a dia, ele era naturalmente o herói da ocasião. Falou sem esforço, sem qualquer excitação bradante ou esbaforida, mas com perfeitas calma e controle. Com a aparência bem vestida, ele tinha, evidentemente, um excelente aparato mental. Passeou lenta e descontraidamente pelo palco, com um fluxo de tom e de gesto sempre variado. A audiência imóvel escutava-o ansiosamente, mas falou por tanto tempo que, ao final, acabou cansando a todos, apesar do grande interesse e admiração[5].

Zinoviev discursando.

Zinóviev, por outro lado, cativou a todos até a última palavra e terminou em meio a uma viva salva de aplausos[6].

Na Comissão de assuntos privados, no quarto de dormir do Czar, Zinóviev sentou-se um pouco distante da mesa. Reclinou-se suavemente num sofá macio. Atrás dele estava [Paul] Levi, do PC alemão. Os franceses, austríacos e outros também estavam representados na Comissão. Caracteristicamente, os italianos não ficaram representados porque não conseguiram entrar em acordo acerca de qual número dos seus deveria representá-los. Mesmo assim, estiveram presentes em grande número e participaram da discussão, com [Amadeo] Bordiga apresentando até uma Tese contra a ação parlamentar para o debate[7].

Obviamente, Lênin gostava de uma discussão, mesmo quando o assunto não lhe parecia de primeira importância, e mesmo que os adversários fossem pouco qualificados. Naquele momento ele estava com um humor zombeteiro, e lidou divertidamente com os delegados britânicos. A maioria deles objetava-se a certas passagens de Tese que estava agora em debate, escrita pelo próprio Lênin, sobre as tarefas do Partido Comunista[8].

Lênin e o Partido Trabalhista Britânico

As passagens em disputa tratavam sobre os partidos comunistas britânicos e diziam que eles deveriam se filiar ao Partido Trabalhista Britânico para usar sua atividade parlamentar[9]. Lênin, evidentemente, não considera nenhuma dessas questões como fundamental. Na verdade, ele considera que não são absolutamente questões de princípio, mas de táticas, que podem ser vantajosas se empregadas em alguns momentos de mudança de conjuntura e descartadas se desvantajosas em outros. Nenhuma questão, em sua opinião, é suficientemente importante para causar um racha nas fileiras comunistas. Eu sou até inclinada a suspeitar que ele não ficou imune a ser influenciado pela crença de que o caminho que escolheu é aquele que atrairá a maioria dos comunistas, e irá, portanto, cimentar o maior número deles numa ação unificada. Quanto à questão da filiação ao Partido Trabalhista (questão que, provavelmente, aparecerá de forma semelhante para os partidos comunistas do Canadá e dos EUA), Lênin diz:

Milhões de membros de base estão filiados ao Partido Trabalhista, portanto os comunistas devem estar presentes para fazer propaganda entre eles, desde que a liberdade de ação e propaganda não se encontrem limitadas nesse meio.“ Quando, posteriormente, argumentei em particular com Lênin no Kremlin que as desvantagens da filiação superam as da desfiliação, ele descartou o assunto como desimportante, dizendo que o Partido Trabalhista provavelmente se recusaria a aceitar a filiação do Partido Comunista, e que, de qualquer maneira, a decisão poderia ser alterada no ano seguinte.

Lênin e o parlamentarismo

A mesma coisa com o parlamentarismo; ele descartou o assunto por ser desimportante, dizendo que se a decisão de empregar a ação parlamentar for um erro, ela poderá ser alterada no Congresso do próximo ano.

Quando se argumenta, porém, que os comunistas não devem entrar nos partidos trabalhistas reformistas ou nos parlamentos burgueses porque podem acabar sendo influenciados pelo ambiente e perdendo a pureza de sua fé e fervor comunista, Lênin responde que a tentação de fraquejar nos princípios será muito maior após a conquista proletária do poder. Ele diz que aqueles que não conseguirem manter-se firmes em todos os testes antes da revolução, certamente não se manterão depois dela.

Ele defende que se enfrente toda dificuldade do tipo, ao invés de contorná-las: ele defende lançar as polêmicas comunistas em praça pública, e não encerrá-las em círculos seletos de entusiastas.

Ele não teme que o comunismo seja postergado ou abafado pela chegada dos reformistas ao poder. Convicto de que reformas não podem curar nem suavizar substancialmente o sistema capitalista, ele está impaciente para que os reformistas cheguem ao poder para que sua importância seja demonstrada. Quando conversei com ele no Kremlin, ele propôs que os comunistas britânicos deveriam dizer aos líderes do Partido Trabalhista:

Sr. [Arthur] Henderson[10], por favor, tome o poder. Sabemos que, atualmente, você representa os anseios da maioria dos trabalhadores britânicos; sabemo-lo, pois ainda não os representamos; por isto não podemos, neste momento, tomar o poder. Mas você, que representa os anseios das massas, você deve tomar o poder.

Arthur Henderson

Estes dias, chegaram notícias de que os Conselhos de Ação foram acionados para impedir que a Inglaterra declare guerra contra a União Soviética em apoio à Polônia.

Lênin declarou que deveríamos informar Henderson que ele não precisava mais ter escrúpulos em tomar o poder por meio de uma revolução, uma vez que ele e seu partido já se haviam comprometidos com isso ao criar um Coselho de Ação encarregado de preparar uma greve geral caso a Inglaterra tomasse possíveis medidas de guerra contra a Rússia. Tal greve, como Henderson, [Daniel] Clyne e seus colegas frequentemente declaram, seria um ato revolucionário. O Partido Trabalhista tem agora um compromisso com isso.

Lênin disse que a criação de Conselhos de Ação se deveu a uma onda de sentimentos revolucionários nas massas britânicas, que forçaram seus líderes trabalhistas a tomar algum tipo de ação. Que as declarações do Conselho de Ação tenham falhado em satisfazer os comunistas, e que o Conselho estivesse inativo, isso apenas significava que a onda de sentimentos das massas ainda não conseguira ir muito longe e acabou baixando.

Os sentimentos das massas, argumentou, sobem e descem numa maré irregular; ele não se mantém na maré alta.

Nós na Rússia“, explicou, ”tomamos o poder no momento em que as massas se levantaram. Quando elas recuaram de nós, fomos obrigados a esperar até que uma próxima onda de sentimentos as trouxessem de volta.

Lênin defendeu que, para explodir a futilidade do reformismo e abrir passagem ao comunismo, o Partido Trabalhista precisava ter um desafio em seu interior. Por isto, os comunistas britânicos deveriam filiar seu partido ao Trabalhista e chegar a acordos com ele para formar um bloco de articulação parlamentar e compartilhar mutuamente eleitorados. Além da Tese em debate, Lênin havia preparado e traduzido, já para a Conferência, um livro chamado “Esquerdismo: A Doença Infantil do Comunismo”. Tal livro pretendia confundir e convencer aqueles de nós que discordávamos dele, e aqueles que acreditavam que o Partido Trabalhista iria de qualquer forma chegar ao poder, e que o Partido Comunista Britânica não poderia se dissociar de sua política reformista tão claramente tão cedo, não podendo portanto de forma alguma entrar em alianças ou arranjos com ele. Nós também afirmávamos que os comunistas britânicos poderiam afastar muito mais as massas da crença no parlamentarismo burguês com a recusa em participar dele.

Lênin e o sindicalismo

As passagens nas teses de Lênin e de Zinóviev sobre o sindicalismo por ofício e por ramo de indústria também foram tema de caloroso debate.

Lênin e os outros russos de sua escola consideram os sindicatos fundamentalmente como agrupamentos de trabalhadores que dão oportunidade aos comunistas ganharem as massas para o comunismo. Os dissidentes, que pertencem às democracias burguesas ocidentais altamente industrializadas, não incapazes de se separar do ponto de vista de que uma organização de fábrica é uma organização para a luta contra o patrão capitalista. Além disso, a maior parte deles está influenciada pela noção de que, se as organizações de fábrica que os trabalhadores criam para si próprios sob o capitalismo não vierem a ser, de fato, as organizações que administrarão as fábricas no comunismo, elas ao menos servem como um campo de treinamento que prepara os trabalhadores nas empresas a administrar as indústrias comunistas em moldes soviéticos. (…)[10]

Seja lá quais fossem os méritos que as teses contrárias pudessem ter, as teses de Lênin e Zinóviev, e na verdade todas as teses e resoluções vindas dos líderes comunistas russos, em razão de seus grandes feitos, certamente seriam adotadas neste primeiro aniversário de fundação da Terceira Internacional.

Ainda que seus sessenta delegados não tivessem mais que cinco votos, tal como os britânicos, os russos podiam passar o rolo compressor sobre qualquer coisa que quisessem no Congresso.

Nós, que estávamos na oposição em certos assuntos, defendemos nossa visão mesmo assim, embora sabendo do desespero da tarefa, e Lênin argumentou contra nós, como se nossa derrota não tivesse sido uma conclusão inevitável.

A reunião do Congresso na tarde seguinte, na Sala do Trono do Czar, permitiu-me estender de 5 para 25 minutos o tempo que me fora determinado para cumprir a estupenda tarefa de rebater a Tese, o livro de Lênin e inúmeras falas.

Sylvia Pankhurst

O Congresso havia durado um mês. As falas eram feitas em várias línguas e traduzidas, delegados entravam e saíam ininterruptamente de uma sala ao lado, onde as mesas estavam cheias de fatias de pão, manteiga, sardinha, caviar, conservas de carne, queijo e pratos cheios de doces embrulhados em papéis coloridos[12]. Copos de chá quente estavam sempre à mão ali. Angélica Balabanova[13] em geral precisava reclamar que pouquíssimas pessoas ficavam para ouvir sua tradução. Dando não mais que um esboço de falas desconexas, vazias de questões reais, Balabanova sempre expressava bem e plenamente as palavras daqueles que tinham alguma coisa a dizer, embora estivesse doente e muito cansada.

Artistas sentavam-se entre os delegados, fazendo desenhos deles ou vagando em busca de modelos. Balbanova reclamou, como sempre o fizera, contra este tipo de retratismo.

Com a derrota das emendas inglesas e a adoção das teses de Lênin, com as quais, no principal, tenho total acordo, o Congresso terminou. Os delegados se levantaram cantando “A Internacional”, e o editor do jornal socialista italiano “Avanti!” puxou o canto do “Carmanol”[14]. John Reed e outros pegaram Lênin e, ainda que ele resistisse, levantaram-no sobre seus ombros. Ele parecia um pai feliz entre seus filhos.

 

Notas da tradução
[1] Certamente por não estar familiarizada com o idioma russo, memorizando-lhe apenas poucas palavras, Sylvia Pankhurst cometeu vários erros de grafia neste artigo. A grafia correta do nome do hotel onde se hospedaram os delegados ao II Congresso da Internacional Comunista em 1920 é Delevoi Dvor (Деловой Двор, “Quintal de Negócios”).
[2] Sylvia Pankhurst deve querer referir-se aqui ao propíska (пропи́ска), sistema de passaportes herdado do regime czarista, e optamos por manter a grafia tal como a autora a empregou. O sistema soviético de passaportes, especialmente entre 1932 e 1991, quando foi regulamentado em sua forma definitiva, serviu não apenas para identificar os cidadãos soviéticos no exterior, mas também no interior do país, havendo passaportes externos e passaportes internos. Servia, igualmente, para registrar todos os dados possíveis dos cidadãos (idade, estado civil, profissão, etnia etc.) e para monitorar o local de residência de cada cidadão.
[3] O II Congresso da Internacional Comunista foi palco, entre outras coisas, para o lançamento internacional dos livros Terrorismo e comunismo, de Trótski (em espanhol aqui – a tradução para o português editada pela Flama em 1969 nunca mais foi reeditada, pois trata-se de um dos livros mais polêmicos do autor), e Esquerdismo: doença infantil do comunismo, de Lênin. Neste último, há um capítulo inteiro dedicado à crítica aos comunistas britânicos, Sylvia Pankhurst entre eles.
[4] David Wynkoop (1876-1941), parlamentar comunista judeu holandês.
[5] A íntegra do discurso de Trótski pode ser lida, em inglês, aqui. [6] A íntegra do discurso de Zinóviev pode ser lida, em inglês, aqui.
[7] Amadeo Bordiga (1889-1970), comunista italiano defensor do absenteísmo eleitoral. As teses sobre o parlamentarismo apresentadas por Bordiga ao II Congresso da Internacional Comunista podem ser lidas em inglês aqui.
[8] As Teses sobre o papel do Partido Comunista na revolução proletária podem ser lidas, em inglês, aqui.
[9] Os debates em plenária sobre a questão da participação dos comunistas britânicos no Partido Trabalhista podem ser lidos, em inglês, aqui. Outro documento de referência sobre a questão são as famosas 21 Condições de Admissão na Internacional Comunista (clique neste link para ler a tradução para o português feita entre 2013 e 2014 por Erick Fishuk, bastante completa e documentada).
[10] Arthur Henderson (1863–1935) foi um moldador e político britânico, filiado ao Partido Trabalhista. Foi o primeiro trabalhista a integrar um gabintete ministerial, ganhou o prêmio Nobel da paz em 1934 e serviu como líder do Partido Trabalhista três vezes em três décadas diferentes. Popular entre seus colegas, que o chamavam de “Tio Artur” em reconhecimento à sua integridade, devoção à causa trabalhista e imperturbabilidade, era considerado por Lênin como “tão estúpido quanto Kérenski”, e por isto mesmo, continuava, “trabalha para nós”. Curiosamente, em 1924, o Partido Trabalhista liderou um governo de coalizão, e retornou à liderança entre 1929 e 1931 à frente de um governo minoritário.
[11] As reticências entre parênteses aparecem em todas as versões do texto disponíveis na internet. Durante a tradução, não conseguimos confirmar se um trecho do texto foi suprimido ou se a própria autora usou o sinal para resumir a discussão.
[12] Já outra fonte (RIDDELL, John Riddell (org.). Workers of the world and oppressed peoples, unite!: proceedings and documents of the Second Congress, 1920. Nova Iorque: Pathfinder Press, 1991, vol. 1, p. 11) indica que, em meio à Guerra Civil, a comida estava em falta e as refeições fornecidas aos delegados eram bem pobres, alguns deles sobrevivendo inclusive graças à comida que haviam trazido de seus países de origem.
[13] Angélica Balabanova (1878-1965), comunista judia italiana.
[14] Talvez pouco familiarizada com o francês, mas conhecedora do cancioneiro revolucionários de seu tempo, Sylvia Pankhurst escrveu erroneamente o título da canção “La Carmagnole”, um dos hinos da revolução francesa, que pode ser ouvida na voz de Marc Ogeret neste link. “Carmanhola” era o nome de uma jaqueta curta comum entre os sans-culottes no fim do século XVIII. A canção descreve o ataque ao palácio das Tulherias na noite de 9 para 10 de agosto de 1792: as massas revolucionárias de Paris forçaram o rei Luís XVI a fugir deste palácio para o prédio da Assembleia Nacional e, no processo, massacraram a guarda suíça do monarca. Enquanto alguns historiadores dizem que a canção teria surgido em meio às comemorações por parte da multidão revolucionária exultante, outros remetem sua origem à batalha de Valmy (20 set. 1792) ou à batalha de Jemappes (6 nov. 1792); o certo é que, de 1792 em diante, ela foi usada para humilhar nobres e reacionários, postos a dançá-la à força em público pelos revolucionários. “La Carmagnole”, tal como “Ça Ira” (conheça a canção na versão original e na versão sans-culotte clicando neste link) e a própria “Marselhesa” (ver aqui a versão original, aqui a versão da Comuna de Paris e aqui a “Marselhesa Operária” russa de 1875, com letra escrita por Piotr Lavrov), eram canções conhecidas e cantadas por revolucionários do século XIX e início do século XX, que tinham na revolução francesa uma de suas grandes referências.

Traduzido do original no Libcom pelo Passa Palavra, este relatório integra o esforço de traduções de 100 anos da Revolução Russa (confira aqui o chamado e a lista completa de obras).


Comentários 1

    • Rubens

      |

      ago 21, 2017

      |

      Excelente contribuição! Apenas um reparo, quanto à questão da tradução: no começo da seção Lênin e o sindicalismo, onde se lê “Os dissidentes, que pertencem às democracias burguesas ocidentais altamente industrializadas, NÃO incapazes de se separar do ponto de vista de que uma organização de fábrica é uma organização para a luta contra o patrão capitalista.”, o correto seria SÃO. Isso porque faz referência à concepção que os comunistas de conselhos (esquerda germano-holandesa) na e antiparlamentaristas tinham acerca dos sindicatos. Parabéns pelo trabalho!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *



Passa Palavra


Copyleft © 2017 Passa Palavra

Atualizações RSS
ou Email