Ainda acerca da crise económica

Ainda acerca da crise económica

em 21 out

Embora a situação dos Estados Unidos tenha melhorado, não creio que esteja a edificar uma base sólida para retomar o crescimento. A administração Obama permanece de olhos postos nos principais países emergentes, especialmente na China. Porém, como esperar uma ajuda desse lado se a economia norte-americana e as novas economias em ascensão revelam não só situações distintas, mas tendências divergentes? Ultimamente, nos debates económicos em língua inglesa tem-se falado muito de decoupling, a acção de desenganchar ou desengatar, como quando se separam dois vagões de caminhos-de-ferro [estradas de ferro], por exemplo. Será que os países emergentes com maior taxa de crescimento seguirão velozmente pela via principal enquanto os Estados Unidos se encaminham para uma via de garagem? Por João Bernardo

1) O declínio dos Estados Unidos

A administração Obama permanece de olhos postos nos principais países emergentes, especialmente na China. Porém, como esperar uma ajuda desse lado se a economia norte-americana e as novas economias em ascensão revelam não só situações distintas ou até opostas, mas tendências divergentes?

2) A nova hegemonia

Será que, através de investimentos nas infra-estruturas e em indústrias e serviços, o Brasil, a Rússia, a Índia e a China conseguirão vencer a secular resistência à proletarização oferecida pelas populações africanas? Na nova distribuição do poder parece-me ser este um dos desafios principais.

3) A China em primeiro plano

Existem na China condições favoráveis ao pleno desenvolvimento do capitalismo. A elevada taxa de crescimento económico permite aumentar os salários e o consumo privado, permitindo que aumentem mais ainda os lucros das empresas e os investimentos.

4) O problema da produtividade

Os países emergentes que adquiriram a proeminência não foram aqueles onde os patrões se limitam a deixar o proletariado morrer de fome, mas aqueles onde mais se tem feito sentir o crescimento da produtividade.

5) Transnacionalização e espaços nacionais

A transnacionalização conjugou-se com a manutenção das nações e com a formação de conglomerados nacionais, dando origem a um sistema contraditório, em que o dinheiro cumpre funções harmonizadoras.

6) A crise do neoliberalismo

A crise financeira e a recessão económica mostraram a insuficiência do mercado enquanto quadro regulador, e o sintoma mais patente da derrocada do neoliberalismo foi a intervenção maciça do Estado para debelar a recessão.

7) Uma crise de regulação

É paradoxal que uma moeda nacional seja usada como principal reserva de uma economia transnacionalizada, e que a transnacionalização da economia não esteja coordenada com a manutenção dos espaços nacionais. 

8) A crise de regulação na zona do euro

Os problemas económicos da Grécia puderam converter-se numa crise devido à insuficiente supranacionalização da União Europeia e da zona do euro.


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