Por Sindicato dos Trabalhadores de Ônibus de Teerã
Os protestos e greves em cidades por todo o país já duram onze dias. Apesar da intensificação da segurança, da forte presença policial e das forças de segurança e da violenta repressão, o alcance dos protestos permanece amplo e diversificado. Segundo relatos, pelo menos 174 locais em 60 cidades, distribuídas por 25 províncias, testemunharam manifestações nesse período, e centenas de manifestantes foram presos. Tragicamente, pelo menos 35 cidadãos, incluindo crianças, perderam a vida durante os protestos.
De janeiro de 2018 a novembro de 2019 e setembro de 2022, o povo oprimido do Irã demonstrou repetidamente — ao sair às ruas — que não tolerará a ordem político-econômica vigente e as estruturas construídas sobre a exploração e a desigualdade. Esses movimentos não visam um retorno ao passado. Eles se formaram para construir um futuro livre da dominação do capital — um futuro fundamentado na liberdade, na igualdade, na justiça social e na dignidade humana.
Ao declararmos nossa solidariedade às lutas populares contra a pobreza, o desemprego, a discriminação e a repressão, afirmamos claramente nossa oposição a qualquer retorno a um passado definido pela desigualdade, corrupção e injustiça.
Acreditamos que a verdadeira libertação só é possível por meio da liderança consciente e organizada e da participação da classe trabalhadora e dos oprimidos — não pela reprodução de antigas e autoritárias formas de poder. Nessa luta, trabalhadores, professores, aposentados, enfermeiros, estudantes, mulheres e, especialmente, os jovens — apesar da repressão generalizada, das prisões, das demissões e da piora das condições de vida — permanecem na linha de frente.
O Sindicato dos Trabalhadores da Companhia de Ônibus de Teerã e Subúrbios enfatiza a necessidade de continuarmos com protestos independentes, conscientes e organizados.
Já dissemos isso muitas vezes e repetimos: o caminho para a libertação dos trabalhadores e da classe trabalhadora não passa por “líderes” fabricados e impostos de cima para baixo, pela dependência de potências estrangeiras ou por facções dentro do establishment governante. A união, a solidariedade e a construção de organizações independentes nos locais de trabalho, nas comunidades e em nível nacional são fundamentais. Não podemos nos permitir ser novamente vítimas de jogos de poder e dos interesses das classes dominantes.
O sindicato também condena veementemente qualquer propaganda, justificativa ou apoio à intervenção militar por governos estrangeiros, incluindo os Estados Unidos e Israel. Tais intervenções não apenas levam à destruição da sociedade civil e à morte de pessoas, como também fornecem às autoridades mais um pretexto para continuar a violência e a repressão. A experiência passada demonstra que os Estados hegemônicos ocidentais não valorizam a liberdade, os meios de subsistência ou os direitos do povo iraniano.
Exigimos a libertação imediata e incondicional de todos os detidos e enfatizamos a necessidade de identificar e processar aqueles que ordenaram e executaram os assassinatos.
Viva a liberdade, a igualdade e a solidariedade de classe!
A resposta para os trabalhadores é a união e a organização.
Sindicato dos Trabalhadores da Companhia de Ônibus de Teerã e Subúrbios
7 de janeiro de 2026
