Entre milícias e militantes de extrema direita: Rio de Janeiro em janeiro de 2009

Entre milícias e militantes de extrema direita: Rio de Janeiro em janeiro de 2009

em 2 fev

Violência contra grafiteiros expõe o crescimento das milícias de extrema direita no Rio de Janeiro. Por Jefferson Barbosa

O mês de janeiro no Rio é novamente cenário de expressões da cultura política da extrema direita. Organizações milicianas continuam atuando em defesa dos «cidadãos de bem» em nome da «ordem social e moral».

No dia 18 do referido mês artistas que estavam grafitando um muro do Jockey Clube da referida cidade foram abordados por indivíduos que se apresentaram como os «Anjos da Guarda». Os Guardians Angels do Brasil agindo de forma truculenta tomaram os utensílios dos artistas e acionaram a polícia, segundo informação veiculada pelo site Viva Favela.

grafite
Os rappers Emerson Facão e Alexandre Tigrão, e o grafiteiro Carlos Esquivel, o Acme, grafitavam o muro do Jockey desde às 8h da manhã. Às 21h, o trabalho artístico foi censurado após abordagem de uma brigada uniformizada trajando calça e bota pretas, camiseta branca e boina vermelha, todos integrantes da ONG Guardian Angels. Eles acionaram a Guarda Municipal e levaram os artistas para a 15ª DP [Distrito Policial, uma esquadra].

A vigilância e manutenção voluntária do muro do Jockey são feitas pelos Guardian Angels, ONG que afirma atuar «na luta contra a criminalidade», com autorização da direção do Jockey. O gerente de Marketing do clube Urubatan Medeiros informou ao site Viva favela que os Guardian Angels procuraram o clube para fazer a manutenção do muro gratuitamente.

A ONG Guardian Angels foi criada em fevereiro de 1979, em Nova Iorque, com o objetivo de combater a criminalidade no bairro do Bronx. Atualmente, possui núcleos em 67 cidades dos Estados Unidos, além de representações no Canadá, México, Japão e Brasil. No Brasil, há 22 voluntários da organização, todos no Rio. Eles atuam em bairros da Zona Sul e no Centro e se dividem em dois grupos, os adolescentes trabalham com ecologia e preservação ambiental e os integrantes maiores de idade fazem uma espécie de patrulha policial na mesma área.

No site oficial da ONG, em inglês, eles dizem estar prontos para «lutar contra as forças do mal». Os integrantes da Guardian Angels do Brasil, dizem que estão preparados e argumentam que passaram por uma capacitação realizada por integrantes da sede americana.

Os milicianos, segundo informações da comunidade do Orkut do grupo no Brasil, são preparados através de cursos que vão desde Direito, onde aprenderam sobre o código penal, além de emergência médica e defesa pessoal e se submetem a rígidos padrões de conduta.

Segundo entrevista do site Viva favela com membros do grupo, uma das lideranças da milícia afirmou: «Sempre que vemos alguém cometendo um delito, como assalto, ou depredando um bem público, damos voz de prisão e encaminhamos às autoridades. Somos os olhos e os ouvidos da polícia na rua» […]. «Vamos lutar contra o tráfico, somos uma resposta rápida ao Comando Vermelho».

«Os Guardian Angels se encaixam muito bem no papel que alguns, principalmente aqueles que defendem o porte de armas, querem. O fim do monopólio do Estado sobre o uso da força. É proibido que eles o façam por enquanto, mas isso abre uma brecha para a formação de milícias como as que existem no campo, criadas pela UDR [União Democrática Ruralista, um partido de extrema-direita de fazendeiros e latifundiários]. Eu já vi esses caras também, moro no Rio também, só que no subúrbio, mas eles andam assim mesmo, semifardados, estufando o peito e com o nariz para cima, ficam agradando as pessoas e vigiando a saída na porta das escolas. São arredios a conversa, a não ser que eles venham falar com você».

As formações milicianas tornaram-se parte dos cenários da «cidade maravilhosa» há algum tempo e possuem perfis distintos. É notória também a atuação de organizações paramilitares que controlam parte expressiva das regiões periféricas da cidade, recrutando desempregados e policiais como paladinos da ordem, fatos constantemente noticiados pela grande imprensa.

O controle dos sistemas econômicos (oficiais e paralelos) das comunidades pobres de favelas e bairros apresenta-se como interessante campo de empreendedorismo. As milícias obtêm muitas vezes o apoio de segmentos da população que acreditam no controle da criminalidade por parte de tais organizações, muitas vezes, controladas por políticos também empreendedores, como foram destacados pelo noticiário televisivo brasileiro nos últimos meses os vínculos entre vereadores da cidade do Rio de Janeiro e organizações milicianas que sob ameaças intimidavam as comunidades a votarem em candidatos envolvidos com o crime organizado, fato que colocou o exército em algumas favelas para garantir a normalidade das eleições municipais.

A lógica do lucro norteia a maior parte das milícias urbanas e rurais no Brasil, grupos armados também fazem a proteção de muitas fazendas, sob a sombra da União Democrática Ruralista (UDR), organização de produtores rurais brasileiros em oposição aos movimentos sociais no campo. A economia da proteção privada por grupos paramilitares gera empregos e estimula uma economia paralela em defesa da ordem.

Existe também a disposição de certos segmentos da sociedade em defesa da «ordem moral e social» mesmo de forma não remunerada, compromissados com a vigilância e a manutenção da funcionalidade societária para os «cidadãos de bem».

Nesse sentido, também é notória a presença em muitos países de determinados segmentos milicianos autodenominados skinheads que também colaboram com a manutenção da higienização social. Desde a crise econômica da década de 1970 no ocidente, «cabeças raspadas» acreditam estarem prestando serviços as suas comunidades agredindo e expulsando de suas áreas mendigos, migrantes, homossexuais, usuários de entorpecentes [consumidores de estupefacientes] e, tratando-se especificamente de segmentos skinheads White Power, caçando os «não brancos».

O movimento skinhead é multifacetado, nem todos os grupos são racistas, mas em sua maioria prestam culto ao uso da força e a cultura militarista. No Brasil surgiram no início da década de 1980 e a cidade do Rio de Janeiro destaca-se atualmente pelo número de organizações, segundo dados obtidos pela internet. Uma rápida pesquisa através do Google, Orkut e You Tube evidencia a articulação entre grupos skinheads no Brasil e, em muitos países da América Latina, com destaque para a Argentina e Chile, sendo Portugal e Espanha também destaque pelo número de organizações.

Neste mesmo mês de janeiro o Rio de Janeiro também sediou o denominado «III Congresso Integralista para o século XXI» entre os dias 22 a 25, ocasião em que apresentaram seu novo manifesto político, o denominado Manifesto da Guanabara. Os integralistas são também notórios personagens da cultura política de extrema-direita no Brasil; atuando desde 1932 os integralistas tornaram seu movimento um partido de massas até 1937, quando foram colocados na ilegalidade por Getúlio Vargas; naquele contexto as milícias integralistas armadas e sob treinamento militar prestaram serviços às elites na repressão a militantes comunistas e o partido tinha explícitos vínculos com o partido fascista italiano.

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Os herdeiros do integralismo no Brasil contemporâneo também se apresentam como defensores da «ordem moral e social» e antigos e novos militantes pleiteiam possibilidades para a reestruturação de sua militância articulando organizações por todo o país, impulsionados pelas tecnologias de comunicação. Fato destacado em recentes pesquisas acadêmicas que apontam as relações de integralistas com organizações skinheads, como os Carecas do ABC, atuantes na região metropolitana de São Paulo, com ramificações também em cidades do interior do país. Os «Carecas do ABC» apresentam-se como skinheds integralistas e cultuam o mesmo lema dos integralistas da década de 1930: «Deus – Pátria – Família».

Os últimos dois «Congressos Nacionais» dos integralistas, segundo dados obtidos em pesquisa de doutorado em História da Universidade Federal Fluminense (UFF), contaram com a presença de outras organizões políticas de direita, como militantes do Partido de Reeestruturação da Ordem Nacional (PRONA) e da organização Tradição Família e Propriedade (TFP), organização existente em vários países.

As milícias civis, em sua diversidade, são um componente característico das organizações de extrema direita na contemporaneidade e deram sustentação para elites reorganizarem a ordem moral e social em momentos de agravamento de conflitos sociais. No Rio de Janeiro as milícias existem desde a década de 1970, controlando algumas comunidades da cidade onde comerciantes locais se organizaram para pagar proteção contra a criminalidade.

No início século XXI, estes grupos paramilitares começaram a competir pelas áreas controladas pelas facções do tráfico de drogas. Em dezembro de 2006, segundo dados disponíveis na internet, as milícias controlavam 92 das mais de 500 favelas cariocas.

Entre o caos e a violência que marcam a «cidade maravilhosa», os «cidadãos de bem» no mês de janeiro de 2009 podem ficar mais tranquilos, pois os paladinos da ordem, os «cães de guarda da burguesia» estão atuantes, por interesses materiais ou ideológicos, organizando-se e articulando-se com congêneres sob a égide do conservadorismo.

Para extremistas de ontem e hoje a ordem é pressuposto fundamental, velhas bandeiras se confundem com novas siglas e adereços estéticos e, como colocou em evidência o grupo Guardian Angels do Brasil, alguns ainda acreditam em arte degenerada, como o fizeram antigos nazistas na também notória exposição ocorrida na Alemanha na primeira metade do século XX.


Comentários 44

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      fev 7, 2009

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      Numa outra vertente, mas também perigosa é a Revista Nova Águia. É uma revista essencialmente portuguesa pertencente ao Movimento Internacional Lusófono, que por sua vez integra outros movimentos como a Associação Agostinho da Silva (filósofo e escritor português).

      A sua ideia passa por recuperar os “saudosos” tempos do colonialismo português, ligando culturalmente Portugal e as suas ex-colónias em África, Índia e o Brasil. Não se definem como fascistas, nem sequer de direita, na realidade existe muita gente ligada à Esquerda (não me perguntem como) nesse colectivo. Mas claro, é fogo de vista – eles simpatizam com o Estado Novo, o seu problema maior era o facto de ser cristão.

      Mas porque é que estou a fazer este paralelismo? Porque os seus núcleos mais importantes são em Portugal e no Brasil, e embora não sejam militarizados, são uma facção mais intelectual da extrema-direita que poderá vir a tornar-se mais perigosa. E é perigosa precisamente porque nem se percebe bem o que aquilo é.

    • Fernando Emílio

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      fev 8, 2009

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      Não querendo desmerecer a qualidade do artigo, e muito menos sua função de denúncia sobre o crescimento dos tentáculos de grupos de extrema-direita pelo mundo, acho de uma desinformação lamentável envolver os Skinheads nesse mesmo caldo.

      Como bem sabem (ou deveriam saber) os skinheads não “prestam culto ao uso da força e à cultura militarista”. Associá-los com o fascismo é a mesma coisa que associar todos os marxistas ao estalinismo ou todos os anarquistas a Stirner. Ou seja, uma prática típica de pessoas desinformadas ou mal-intencionadas.

      Novamente, parabéns pelo artigo e pelos alertas que traz, mas um pouco mais de informação torná-lo-ia melhor ainda.

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      abr 22, 2009

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      sr. Jefferson Barbosa.Solicito que retire do ar em 48 horas esse comentário sobre a Guardian Angels Brasil, pois a nossa organização é legalmente registrada como associação civil sem fins lucrativos e registrada no cadastro nacional de entidades de utilidade pública, para não ser interpelado judicialmente, pois está deturpando a atividade de uma organização que atua em 14 países com 144 filiais

    • Seu artigo está equivocado,1- o fato criminoso aconteceu em julho de 2003, pela lei brasileira no art 301 Código de Processo Penal”Qualquer do povo poderá e as autoridades deverão prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito” 2-Os autores do fato responderam em juízo em janeiro de 2004 e foram sancionados na forma da lei 3-O art 65 da lei de crimes ambientais informa que é crime com pena de 3 meses a 1 ano de prisão “pichar, “grafitar” ou por qualquer outro meio conspurcar edificação urbana. 4-Na ocasião estavamos com autorização do proprietário do muro em questão por escrito para limpar, um dos trabalhos comunitários que realizamos, e ao surpreender os autores do delito informamos isso, em face a ameaça verbal de um deles não tivemos outra alternativa senão levar o caso a autoridade competente. 5-O seu artigo fere a imagem de uma organização de direitos humanos,humanitária,organização educacional e segurança que atua em 144 filiais em 14 países, não temos nenhum tipo de opinião política muito menos de extrema direita, só que durante 3 décadas desde que não eramos filiados a Guardian Angels e tinhamos o nome de Anjos da Guarda, efetuamos desarmados a prisão de mais de 1.000 ladrões em flagrante nas ruas do Rio de Janeiro, GRATUITAMENTE, ora se o senhor está mal informado, não divulgue notícias mentirosas ou serei obrigado a processá-lo na forma da lei por difamação e calúnia, pois somos uma associação legalmente constituida e credenciada no Ministério da Justiça como utilidade pública nacional.

    • Leo Vinicius

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      abr 24, 2009

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      Qual é a “mentira” caro advogado do Guardian Angels?

      O sr. tenta coagir o autor do artigo mas não apresenta qual “mentira”.

      O artigo apresenta uma leitura política da atuação de organizações como o Guardian Angels, e outras. Isso é liberdade de pensamento e de expressão. Essa atitude do Guardian Angels através do seu advogado apenas corrobora a leitura feita no artigo. Está aí a liberdade de expressão do ideal de sociedade por trás das práticas dessa organização, é o que podemos deduzir.

      O sr. advogado cita leis, mas em nenhum momento o artigo afirma que a prática do Guardian Angels era ilegal. A Polícia muitas vezes têm atitudes que podemos classificar de fascistas, embora dentro da legalidade (que tal o Caveirão para ficar só num exemplo?)

      Guardian Angels mostra que não aceita uma sociedade com pluralidade de leituras e de idéias.

      Não sei quanto ao autor do artigo, mas para mim me parece sim que Guardian Angels tem uma prática próxima do espectro político de extrema-direita.

      Recentemente o mundo ficou de certa forma chocado com nova lei que vigora na Itália, que permitiu as rondas civis. Lá é bastante claro que tal tipo de rondas, formadas na maioria das vezes por fascistas declarados, foi mais uma guinada do governo Berlusconi nas suas políticas de extrema-direita. Os nomes mudam mas as práticas se assemelham.

    • Paulo

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      abr 24, 2009

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      Congratulações ao autor do artigo. Ainda que morador do Rio de Janeiro, não dispunha de nenhuma referência à milícia em questão. Lamentável notícia e, contudo, não surpreendente, dado o apoio tácito da classe média carioca e da grande mídia a esse tipo de organização.

      Quanto à tosca ameaça do Sr. Henrique Maia, salta aos olhos a declaração de que “não temos [os Guardian Angels] nenhum tipo de opinião política”, como se isso fosse possível.

    • Luther Blisset

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      abr 24, 2009

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      Mas qta arrogância dos “homens da lei” não?! Ferir a imagem da organização??? Façam-me o favor …

      Parece que ferindo-a estão seus próprios membros ao se demonstrarem parvos. É o que sou levado a pensar ao ler que alguns de seus militante/milicianos, em entrevista, acreditam serem “uma resposta rápida ao Comando Vermelho”. Acham que com ONG vão combater o outro braço do Estado que é o crime organizado?

      Entretanto, nós da esquerda que fiquemos em alerta, pois foi gente deste tipo – que afirmava até mesmo “não ter nenhum tipo de opinião política” (como nosso “homem da lei” ao se referir à sua ONG) – que engrossaram mto facilmente as fileiras do fascismo.

    • José Guedes

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      abr 24, 2009

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      Para tentar ser um homem honesto e de princípios, passei toda a minha vida cometendo actos que – no parecer deste advogado como, outrora, no parecer dos defensores do regime salazarista – são “actos ilegais”. E confrontei-me com organizações “legais”, como a polícia política (PIDE), a Legião Portuguesa e outras, que defendiam de armas na mão a “legalidade” do fascismo e do colonialismo. E, como dezenas de milhares de jovens portugueses, paguei essas minhas “ilegalidades” com várias prisões e com 11 anos de exílio.
      As organizações fascistas ou protofascistas, como a do chefe dos Anjos da Guarda, quanto não estão no poder à força de baionetas, apresentam-se sempre como defensoras da “legalidade”. Até ao dia em que os “camisas de qualquer cor” saem à rua para apoiar um caudilho e aterrorizar as multidões pobres.
      Este advogado das milícias privadas deve ter esquecido que esse tipo de organizações têm um cheiro histórico nauseabundo que se sente a grande distância.
      E, já que dá tanta importância às leis da República, que tal se nos explicasse qual é a hierarquia que ele estabelece nessas leis? Porque as leis têm uma hierarquia: as que estabelecem direitos (como o de expressão, de opinião, de reunião ou de associação); e outras, criadas pelas necessidades de repressão da classe dominante, que pretendem limitar essas liberdades.
      O acto de propagandear uma mentira qualquer na grande mídia é “legal”? Porque não há-de sê-lo a expressão livre, em um muro qualquer da cidade, de um cidadão a quem a mídia nega o direito de expressão?
      O direito de propriedade privada é sacrossanto? Porque não há-de sê-lo o direito à vida e à sobrevivência dos explorados que ocupam terras ociosas e improdutivas para as cultivar?
      Defender a primazia do homem sobre a propriedade e ser contra o domínio de uma classe sobre outra, isso é ser de esquerda.
      Ao contrário, é de direita a defesa da primazia da propriedade privada sobre os direitos humanos. E, associada a esta, a defesa de uma “ordem” em geral que assenta na grande desordem que é a vida dos miseráveis que não têm terra, nem tecto nem salário.
      Sr. advogado: quais são as reais ambições dos seus Anjos da Guarda como força supletiva – privada – das polícias do sistema, por elas apoiados e favorecidos? Que seja reconhecida a sua utilidade, e amanhã a sua indispensabilidade, como garantes da ordem contra a pequena ladroagem dos subúrbios pobres? E que fazem os seus Anjos da Guarda para denunciar e reprimir a grande ladroagem, essa outra que está na base do próprio sistema, em que a classe dominante se apropria da riqueza em desfavor dos seus produtores?
      Não nos venha com hipocrisias. Qualquer direitista poderá defender esses interesses da classe dominante. O que é típico da extrema-direita – como é o seu caso e dos seus Anjos protectores – é essa amálgama de fundo entre a segurança dos ricos e a total insegurança dos pobres.

    • Fernando Araujo

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      abr 24, 2009

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      Excelente artigo.
      Longe de serem um problema policial, as milícias e o crime organizado são apenas dois reflexos negativos das políticas neoliberais impostas ao povo brasileiro. Quando o Estado se ausenta cria-se o ambiente propício ao surgimento de tais fenômenos e em seguida o aproveitamento político pela extrema direita.
      O relatado em relação aos “Anjos”, ao meu ver, caminha a passos largos nesta direção. Em contradição com o discurso dos representantes desta “ONG” – objetivos aparentemente nobres e inofensivos – os fatos indicam um direcionamento claro e inegável: a opção pela violência como forma de controlar (não se trata de resolver) os problemas decorrentes das tensões criadas pelo modelo político-econômico excludente e concentrador. Senão vejamos:
      1) a vestimenta preta e com características militares (botas, boinas, etc.);
      2) o auto intitularem-se “defensores” da sociedade;
      3) confundir a defesa da sociedade como defesa da propriedade privada
      4) o auto elogio em relação aos feitos realizados: “mais de 1000 prisões de ladrões em 3 décadas” – mais uma vez fica aqui evidente a fixação com a “propriedade” ou será que em 3 décadas não tiveram a oportunidade de coibir nenhum outro tipo de delito?
      5) a ameaça de “sansões legais” – via advogado, contra aqueles que, cumprindo o dever de informar, façam análises críticas sobre a “ong” e seus reais objetivos.
      Não há que ter dúvidas, caso não sejam impedidos de agir, movimentos como esses logo logo estarão fazendo manifestações em formações militares, empunhando brasões e estandartes e em breve espancando pretos, pobres, prostitutas e nordestinos.

    • Alexandre

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      abr 24, 2009

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      Muito bom artigo, de fato esclarecedor. O autor merece a nossa consideração e respeito. Quanto as ameaças do “dr. advogado” elas se inscrevem no contexto de ascenso das forças reacionárias no estado do Rio de Janeiro. O protesto é típico daqueles que querem, pelo constrangimento, calar as posições e análises lúcidas da esquerda. O raciocínio desenvolvido pelo “dr.” é explicitamente de natureza burguesa. E quando ele afirma que não há identidade ideológica para o grupo “Guardians Angels”, por outro lado, seus próprios argumentos delimitam o campo dentro do qual ele se encontra. Esse movimento vem, inclusive, se estendendo de forma escandalosa nas universidades brasileiras. Professores e antigos serventuários do regime militar tentam atenuar os crimes dos torturadores e demais grupos de repressão dando lugar a uma aliança conservadora hoje chamada de “Ditabranda”. Não há novidade, infelizmente. E hoje, como ontem, temos que divulgar posições corajosas como as de Jefferson Barbosa.

    • Helton

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      abr 24, 2009

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      No cenário de crise atual, reaparecem de forma mais aguda esses movimentos de extrema-direita, de extração fascista, com o discurso da Ordem.
      A história já mostrou até onde esses movimentos chegaram. Temos que ficar atentos e denunciar essa forma de loucura.
      Apoio ao autor do artigo pelas informações prestadas e solidariedade contra a tentativa de intimidação, através de uso da instância jurídica.

    • Lívia Moraes

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      abr 24, 2009

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      Todos nós temos conhecimento de que não há neutralidade nas leis, e que, portanto, citá-las a esmo e reproduzi-las não apaga as questões abordadas pelo artigo.

      A crise econômica ganhou relevância nos últimos meses, deixando claro que não se trata de uma crise conjuntural, mas uma crise estrutural do capitalismo, que traz em seu bojo a contradição entre o seu desenvolvimento e a queda de taxa de mais-valia. A crise atual toma um novo caráter, que é a importância que ganhou o capital financeiro. Ou seja, a acumulação capitalista tem gerado um enorme investimento em capital fictício ao invés de se investir no capital produtivo, o aumento da composição orgânica do capital, ratificada pela reestruturação produtiva neoliberal, que procurava dar respostas à crise dos anos 1970, reduziu enormemente a participação do setor industrial no total da economia. Era preciso gerar lucro de outras maneiras, e uma delas foi a indústria do medo, algo que ficou explícito nos EUA pós 11 de setembro de 2001. Segurança privada, câmeras, alarmes, cercas elétricas, etc. Para não dizer a venda de artefatos que mantém as pessoas trancafiadas em suas casas, tais como internet, TV a cabo, videogames etc. e o crescimento do número de shopping centers, que garante a segurança pela segregação. E agora milícias!

      E esta questão econômica traz consigo uma questão política, que é o fato de a extrema direita ganhar espaço no cenário social. E neste sentido, concordo plenamente com o colega, Fernando Araújo: “Não há que ter dúvidas, caso não sejam impedidos de agir, movimentos como esses logo logo estarão fazendo manifestações em formações militares, empunhando brasões e estandartes e em breve espancando pretos, pobres, prostitutas e nordestinos”.

    • Ricardo Noronha

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      abr 24, 2009

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      O Dr. Henrique Maia está a tentar tomar por estúpidos os que escrevem e lêm textos neste site.
      Ao avançar uma ameaça desta natureza, julga poder intimidar pessoas que todos os dias lutam contra o capitalismo e o Estado e não temem dar a cara pelas ideias que defendem.
      E pensa realmente que o debate acerca das formas que assume actualmente a reacção, a extrema-direita e os corpos separados do Estado, pode ser criminalizado com a facilidade com que os seus rufias de bóina levam alguns jovens para a esquadra por terem pintado paredes.
      Temos pena, mas denunciar a fascização da «sociedade civil» e o ridículo folclore com que se mascara a repressão, não é ainda, nem será tão rapidamente, um assunto de tribunal.
      Tudo isto permanece assim aquilo que nunca deixou de ser – uma grotesca manifestação da mentalidade policial alastrante e da sua vontade de amordaçar todas as vozes que não são do seu agrado. Dos dois lados do atlântico, a reacção não esconde as suas pretensões. Toda a solidariedade para com Jefferson Barbosa. Aquele abraço.

    • David Rehem

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      abr 24, 2009

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      Bom artigo, nunca é demais denúnciar acontecimentos como esse. O Guardian Angels demonstra o que eles vem como a raíz do problema da sociedade brasileira. Seria interessante ver esses senhores e senhoras se utilizando dessa “legalidade” para armar operações de prisão da elite brasileira que é a grande responsável pela miséria do nosso país, mas, como fazer isso se eles mesmo são e são financiados por essas elites (vide autorizaçao do jockey)? Grafite é arte!! Como num comentário acima, seria bom que o advogado da organização dissesse em que o artigo mente! Milícias como essas sempre desembocam em movimentos reacionários e que se auto-determinam como os paladinos da justiça… Todo apoio ao companheiro autor do artigo, o Jefferson, e ao site Passa Palavra pela publicação…

    • Ronan

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      abr 24, 2009

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      Se havia alguma dúvida com relação à Guardian Angels sobre o seu caráter injusto e autoritário a prova está dada diante da tentativa de intimidação sobre o autor do texto. Os fatos foram relatados e o autor apresentou a sua leitura. O que quer a Guardian Angels, determinar o que pode ser dito a seu respeito? Acaso ela ficará vigiando todas teses, dissertações, monografias que forem feitas sobre ela na Universidade? Vigiará todas as noticias, revistas, blogs, jornais?

      Curioso que tal organização se pretende defensora da ordem e da lei mas só é capaz de fiscalizar e intimidar violentamente os pobres. Acaso ela atua perseguindo os empresários que sonegam impostos, os políticos que desviam verbas, os ricos que cometem inúmeras falcatruas?

      Além de cercear manifestações artísticas públicas, tal organização pretende agora colocar uma trava na cabeça das pessoas: quer que elas sejam proibidas de pensar sobre os fatos e divulgar suas opiniões. No entanto, a Constituição garante a liberdade de expressão e de pensamento, como um direito civil constituinte da cidadania. O problema parece ser que a Guardian Angels possui uma visão muito própria de cidadania, de direitos e de ordem. Uma visão autoritária e truculenta.

    • John

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      abr 24, 2009

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      Como pode uma organização não-governamental efetuar mais de 1000 prisões? Prender pessoas não é tarefa do Estado, da polícia? Alguma coisa está errada.
      Cabe dizer que esse grupo não é apolítico, mas sim uma organização fascista mesmo. Isso é bem evidente

    • Pedro Albuquerque

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      abr 24, 2009

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      Parabens ao Passa Palavra por ter denunciado isso! Repassei para todos meus colegas e contatos a matéria.

    • José Luiz

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      abr 24, 2009

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      Envio meu apoio ao Jefferson Barbosa que num artigo claro e objetivo faz uma análise séria e importante sobre esses grupos que agem respaldados em idéias fascistas.

    • Marcos Del Roio

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      abr 25, 2009

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      Muito importante e sério o trabalho de pesquisa e de denúncia feita pelo professor Jefferson. A crise do capitalismo mostra as as suas faces mais horrendas em grupos neofascistas que se pretendem defensores da ignóbil ordem social na qual vivemos (mas não aceitamos). Ameaças de fascistas não devem assustar nem o autor e nem a qualquer um daqueles que estão aqui para lutar por uma humanidade emancipada da exploração do trabalho e do medo do Estado ou de qualquer de seus aparatos legais ou ilegais.
      saudações aos lutadores sociais pela liberdade.
      Marcos

    • Caio

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      abr 25, 2009

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      Gostaria de parabenizar o autor do artigo pela bela pesquisa empreendida. É claro que um artigo como este não tem por proposta a exposição minuciosa, e no sentido do esgotamento, de todas as mediações envolvendo organizações como os Guardian Angels. No entanto, querendo o autor ampliar e aprofundar tais mediações, comunico-lhe por aqui que coloco ao seu dispor material recolhido (entrevistas com lideranças, documentos das organizações, filmagens de suas ações etc) ao longo de mais de 15 anos de pesquisa. O que foi exposto neste artigo de agora é, infelizmente, ainda pouco para que tenhamos uma idéia clara das ligações – principalmente as ligações, e desde o âmbito familiar – que sustentam, não só materialmente, organizações como esta.

      Grato pelo belo trabalho,
      Caio.

    • Dr. Rubão

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      abr 25, 2009

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      Por mais obscuro que seja o bacharel em direito, sempre este saberá recitar o princípio da legalidade (direito e gararantia fundamental)como: fazer ou deixar de fazer algo somente em virtude de lei.
      Já a liberdade de expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação independentemente de censura ou licença é outro Direito Fundamental do cidadão, um dos diversos Direitos Humanos conquistados às duras penas, seja em regimes totalitários como o feroz fascismo militar de triste lembrança, seja em regimes ditos democráticos.
      Toda vez que essas garantias constitucionais (que hierarquicamente estão muito além de pretensas mílicias alienígenas que existem para manter a ordem, a moral, o patrimônio e a família… como a TFP-golpista) são obstaculizadas e sofrem gravames e ameaças, como fez o pretenso advogado em espaço eletrônico alheio, ou por quem quer que seja, há normas e demais previsões inseridas em nosso ordenamento jurídico para recompor a situação no mesmo estado em que se encontrava, sem prejuízo da reparação de danos patrimoniais e extrapatrimoniais.
      É que, nenhum estatuto garante a quem quer seja, ameaças ostensivas ou veladas, e quaisquer outros constrangimentos com o intuito de obrigar a fazer ou deixar de fazer algo.
      Advogados se valem da forma da lei para alcançar êxito nas pretensões que deduzem em juízo ou fora dele!

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      abr 25, 2009

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      Esse grupos fascistas não podem prosperar, temos mesmo que denunciar a sua existência. Sabemos que eles dedicam seu tempo e esforço a combater a esquerda, prestando um grande favor aos opressores do povo. Para mim que sou ateu, soa patético esse nome “anjos”, mas para a maioria das pessoas, alijadas das discussões políticas, alienadas, que inocentemente engolem a falácia das crenças religiosas, esse nome pode ter uma grande simpatia, pois consegue esconder sua verdadeira face psicopática em relação a quem é ou pensa diferente deles.
      Excelente seu artigo Jefferson. Tens meu apoio.

    • Bruno

      |

      abr 25, 2009

      |

      Pena que no Brasil não existe grupos como os Antifa, da alemanha… porque esses caras aí são na verdade gangues fascistas! Não adianta esconderem dizendo que é educacional e etc, porque educam as pessoas na porrada. E ainda metidos a polícia.
      Fascistas! Não passarão!

    • Otavio Frederico Estarque da Silva

      |

      abr 25, 2009

      |

      DR HENRIQUE MAIA

      Qual das inscriçoes abaixo é a sua?
      Nos informe para podermos reclamar na OABRJ de sua atuação
      Otávio

      CARLOS HENRIQUE LOPES MAIA
      Número de Inscrição: 44284
      Tipo de inscrição: PRINCIPAL
      Telefone comercial:

      Nome: HENRIQUE PEREIRA MAIA VINAGRE
      Número de Inscrição: 1127
      Tipo de inscrição: PRINCIPAL
      Telefone comercial: (0)

      Nome: HENRIQUE JOSÉ VIEIRA MAIA
      Número de Inscrição: 144320
      Tipo de inscrição: PRINCIPAL
      Telefone comercial: (0)

    • Camila

      |

      abr 25, 2009

      |

      É notório como atuam as milícias, enquanto empresas que buscam sua lucratividade com a promessa da mais segurança, pautadas na repressão às classes populares. O histórico desenvolvido aqui pelo Jeferson, só vêm a descortinar ainda mais tais práticas, assim como as ameaças do advogado do Guardian Angels, só vêm também a reforçar as táticas autoritárias que o Guardian Angels deve aplicar em escalas abissais quando se trata de trabalhadores pobres e negros.
      Parabéns ao Jeferson e ao Passa Palavra por não se renderem às ameaças desse advogado.
      Camila

    • |

      abr 25, 2009

      |

      O texto é importante por, entre outras coisas, mostrar o processo de crescimento das forças extremistas de direita através de um exemplo concreto. É um resultado das dificuldades crescentes de reprodução do capitalismo, que aumenta as contradições e certos setores conservadores se organizam em agrupamentos de tendência fascista ou neonazista para impor suas idéias. Várias outras instituições, com fachada de instituição educacional, religiosa, etc., estão se proliferando pelo mundo. Há algum tempo atrás um site da Revista Ruptura (Movaut) foi retirado do ar por ter um artigo que denunciava a Nova Acrópole como sendo nazista, utilizando entrevistas e dados de dirigentes da própria instituição. A ameaça acima se manifesta da mesma forma, ou seja, se utiliza discurso “legal” para proibir a liberdade de expressão.

    • Mauricio

      |

      abr 25, 2009

      |

      Ótimo texto. As teses sobre os “anjos” são comprovadas pela resposta da organização reacionária.
      Os “guardiões” deveriam publicar a lista de quem os financia. Aí teríamos o embrião da rede neointegralista brasileira.

    • Antonio

      |

      abr 25, 2009

      |

      “Como bem sabem (ou deveriam saber) os skinheads não ‘prestam culto ao uso da força e à cultura militarista’. Associá-los com o fascismo é a mesma coisa que associar todos os marxistas ao estalinismo ou todos os anarquistas a Stirner. Ou seja, uma prática típica de pessoas desinformadas ou mal-intencionadas.”

      Caro Fernando Emílio, acho que você deveria mover um processo contra holyood. Pois em seus filmes, é esta, a imagem transmitida a cerca dos skinheads.

      Ao autor, parabéns pelo artigo!
      ficou ótimo!

    • Márcia Carneiro

      |

      abr 25, 2009

      |

      Como todo texto na imprensa, em um país democrático, trata-se de uma opinião que deve ser respeitada. Independentemente deste fato, a pesquisa do Professor Jefferson Barbosa ultrapassa estas informações. Como pesquisador ele conhece bem o tema e, de forma alguma, este texto trata-se de especulação sem bases. Quanto à existência de poderes paralelos, é preciso ter em conta que acima das “ações de ordem” está a liberdade de expressão, direito assegurado pela Constituição.

    • Edilson José Graciolli

      |

      abr 25, 2009

      |

      O direito é um campo de forças, por mais que signatários de outras perspectivas acreditem que não. O artigo do professor Jefferson Barbosa explicita uma prática crescente no capitalismo de nossos dias, qual seja, a de grupos de extrema direita se travestirem de defensores de um suposto “bem comum”, para o que se utilizam de todos os meios, inclusive a força paramilitar. Nada de novo sob o sol… Assim é a face mais autêntica dos que tentam abafar as manifestações dos que não consentem com a desigualdade sócio-econômica sobre a qual se apoiam a intolerância e a arrogância desses grupos. Repudio, portanto, veementemente a tentativa de se calar quem denuncia a reedição do integralismo! Em tempo: a Opus Dei e a TFP também são legais, assim como a UDR…

    • Marcelo Phintener

      |

      abr 26, 2009

      |

      Descendo ao coração das trevas
      Caro Jefferson Barbosa,
      vosso artigo vai ao ponto! Chamando atenção para a atuação das organizações milicianas, notadamente para a sua atuação no campo da limpeza de classe do espaço público. Trata-se de um texto que torna mais compreensível o potencial penal e punitivo das organizações milicianas, especialmente organizações como os Anjos da Guarda, que são desdobramentos do Estado Penal, do Estado-Penitência, nos termos do pesquisador Loïc Wacquant, cujas ações, orientadas pelo viés policial e penal, visam criminalizar os conflitos sociais.
      Repudio, pois, o apetite ameaçador e punitivo do signatário miliciano que, com seu aspecto sinistro, parece querer engolir a todos em nome dos “cidadãos de bem”.

    • Isabel Loureiro

      |

      abr 26, 2009

      |

      Bom artigo, muito informativo e assustador. Traz-nos à memória outros tempos sombrios em que milícias de extrema direita reinaram sem freios, até acabar com uma incipiente democracia, como foi a República de Weimar. O resto é conhecido. A denúncia feita pelo articulista da tentativa de ressuscitar o famigerado integralismo é importante, porque em tempos de crise é fácil fazer passar por novidade uma ideologia fascista provinciana, como a dos galinhas verdes. Quanto à tentativa do advogado de intimidar o articulista faz parte dos métodos de trabalho da direita, que tem pavor da liberdade de expressão.

    • |

      abr 27, 2009

      |

      É preciso que se note que a incipiente democracia da República de Weimar é que recorreu a essas milícias, nomeadamente para assassinar Rosa Luxemburg.
      Mas antes de tudo quero agradecer ao autor pelo seu trabalho de desvelar o carácter desse tipo de organizações e louvar a sua coragem por não se deixar intimidar por esses inimigos da liberdade.

    • thiago

      |

      abr 27, 2009

      |

      Qual o número de inscrição na OAB do Dr Henrique Maia? Se ele se lembrasse, quando o indivíduo atua no exercício da advocacia, é obrigatório que ele se identifique com seu respectivo número de inscrição.

    • Erika Batista

      |

      abr 27, 2009

      |

      Parabéns ao querido colega Jefferson, à Revista Passa Palavra e a todos que manifestaram aqui sua indignação e apoio à liberdade de expressão, e, principalmente, de denúncia aos “homens da lei”! Não podemos calar e tampouco nos intimidar diante das ofensivas descaradas e dissimuladas da “ordem e da lei”, que por meio de discursos retóricos tentam ocultar a natureza de uma forma de sociabilidade exploradora, repressora e covarde. Neste caso, não seria surpresa o Sr. Henrique Matias (ele fez doutorado?)reproduzir o “palavrório” que constitui sua “organização” como pseudolegítima, afinal, este é o papel subalterno dos funcionários da classe dominante: deshistoricizar as relações sociais para que estas se reproduzam acriticamente.
      Erika

    • Alexandre Lopes

      |

      abr 27, 2009

      |

      Parabens ao professor Jefferson pelo artigo.
      Denunciar organizações conservadoras e ideologicamente situadas no campo da direita política é a tarefa que todo pensador autonomo deve realizar afim de desmascarar organizações mal intencionadas, como esta em evidencia neste artigo.
      Vivemos por muito tempo clandestinamente, sem poder dizer abertamente o que pensavamos. Agora, novamente, surgem organizações reacionárias que pretendem intimidar através da força bruta e da lei burguesa intelectuais que realizam denuncia social.
      Camarada Jefferson força e não se deixe intimidar por denuncias torpes como estas.

    • Geraldo Magella Neres

      |

      abr 27, 2009

      |

      Muito bom e esclarecedor o artigo do Jefferson. Este advogado não poderá impedir a crítica de um grupo, no mínimo suspeito, como este “anjos da guarda”. Será talvez um candidato a Führer tupiniquim? Ou, talvez, um aspirante a Duce carioca? Parabéns e solidariedade ao camarada Jefferson!

    • Marcos Antônio Gigante

      |

      abr 28, 2009

      |

      O artigo de Jefferson Barbosa não faz difamação de uma “organização [que] é legalmente registrada como associação civil sem fins lucrativos e registrada no cadastro nacional de entidades de utilidade pública”. Realiza sim uma análise essencialmente política que mostra preocupação com o crescimento de milícias de direita, defensoras da “ordem social e moral” de si mesmas, muitas delas ligadas a ONGs. A ONG citada, Guardian Angels, segundo seu advogado, preocupa-se sobretudo com o ferimento da própria imagem, já que o artigo a coloca como de extrema direita. Ver-se pelo espelho é ver uma imagem ferida? Isso depende, porque alguém pode se orgulhar de ser o que é, importando pouco quem seja. Basta ver a foto do artigo, aquela com os orgulhosos integralistas. Pelo tipo de postura ética e estética mostradas nas linhas e entrelinhas dos dizeres do Dr. Henrique Maia, sou levado a pensar que, contrariando o Sr. Maia, essa organização tem sim uma posição política bem delimitada, tal como mostra o artigo. Até aí tudo bem, pois as posições políticas são várias mesmo, especialmente quando uma não tem tanta força a ponto de massacrar completamente a outra. Mas se o artigo não diz mentira, e não diz porque identifica essa posição política com bastante precisão, não está difamando nem ferindo imagem de quem quer que seja. Agora se o advogado dos Guardian Angels pretende disfarçar tal posição, alegando serem apolíticos, talvez a mentira resida aí.
      De qualquer forma, se os Guardian Angels é uma organização de promoção dos direitos humanos, tal como afirma seu advogado, não deixa de ser estranho que tente coagir o autor do artigo justamente reafirmando uma posição policialesca e de censura. Aliás, essa instituição toma como “crime” uma manifestação estética afastada do tipo de estética que ela própria pretende promover a partir de seus “trabalhos comunitários” e educacionais. A história nos mostra que esse tipo de organização se arroga representante da lei, pouco antes de colocar abaixo leis e instituições mais democráticas, nos momentos de acirramento dos conflitos sociais, sempre com o intuito de comprimir os trabalhadores numa submissão política, ética e estética. Daí a relevância do artigo. Daí minha solidariedade ao autor, Jefferson Barbosa.

    • Marcelo Lopes de Souza

      |

      abr 29, 2009

      |

      Estamos, no Brasil e em muitos outros países, presenciando uma crescente “militarização da questão urbana” ou, mais amplamente, uma “militarização da questão social”. Com isso não me refiro somente às intervenções do Exército com a finalidade, por exemplo, de “combater o tráfico de drogas”, cercando e ocupando favelas, como já ocorreu diversas vezes no Rio de Janeiro desde os anos 90, e como, de maneira a um só tempo distinta e análoga, vem ocorrendo em diversas cidades mexicanas sob a presidência do ultraconservador Calderón. Refiro-me, também, em sentido amplo, à multiplicação de empresas privadas de vigilância e segurança (legais e clandestinas), ao aumento da presença dos grupos de extermínio formados por (ex-)policiais (“esquadrões da morte”, “milícias” etc.) e à disseminação de uma mentalidade mais e mais belicista e repressora entre a população − muito especialmente no que se refere aos seus estratos médios. Militantes de organizações de movimentos sociais vêm sendo intimidados, humilhados, agredidos e mesmo assassinados por policiais, em uniforme ou não (isto é, na qualidade de “milicianos”), há muitos anos no Rio de Janeiro − e aquilo que já é há muito parte do quotidiano das favelas começa a se repetir em relação ao movimento dos sem-teto. A “segurança privada”, em seu sentido usual (segurança, leia-se, fundamentalmente para empresas/empresários e moradores de “condomínios exclusivos” e congêneres), já é um grave risco do ponto de vista da luta por liberdade e justiça e contra a exploração e a heteronomia; quanto aos grupos de “vigilantes” e às “milícias”, então, nem se fala: mesmo quando travestidos de “ONGs”, são uma das melhores expressões do ambiente extremamente reacionário que se vem gestando em muitos lugares, ambiente esse propício à saudação de “soluções” fascistóides (eliminar mendigos, cercar favelas e assemelhá-las ainda mais a campos de concentração, recrudescimento da legislação penal…). Não esqueçamos do que foi a experiência histórica com “milícias” e coisas desse tipo, no âmbito dos fascismos clássicos, nos anos 20 e começo dos anos 30: grupos paramilitares “especializados” em intimidar e espancar trabalhadores, sindicalistas de esquerda e todos aqueles que representassem uma verdadeira negação emancipatória da “ordem” capitalista que a extrema direita totalitária, ao mesmo tempo, pretendia “renovar”/”purificar” e, na sua essência, defender. Tardará ainda para assistirmos, nas ruas do Rio de Janeiro, de Buenos Aires, de São Paulo, da Cidade do México etc. “milícias” e “vigilantes” não apenas extorquindo moradores e intimidando ativistas (como já ocorre), mas também reprimindo greves de trabalhadores, espancando participantes de protestos em espaços públicos, dissolvendo piquetes de trabalhadores a cacetadas ou mesmo a tiros?… Diante disso, eis que um suposto advogado reage, de maneira agressiva − ameaçando com represálias o exercício da liberdade de expressão −, em face de um texto bem redigido e documentado, que denuncia alguns aspectos da realidade que acima sintetizei. Sintomático! A nossa resposta deveria ser multiplicar as denúncias, aprofundar as análises, disseminar a nossa indignação, seguindo o bom exemplo do Jefferson Barbosa.

    • David

      |

      abr 29, 2009

      |

      Sobre o comentário de Otávio, acho que poderíamos enviar para o dito advogado Henrique Maia…

    • Simone Maria

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      maio 1, 2009

      |

      Aqui manifesto o meu apoio e solidariedade ao Jefferson que, com muita seriedade e responsabilidade, em seu artigo oferta-nos a possibilidade de conhecer algumas das multifacetadas expressões fascistas que permanecem e se renovam ainda hoje.

      Simone Maria

    • |

      maio 3, 2009

      |

      a propósito do comentário do Youri (7 Fev. 2009, 03:27)

      Concordo que existem contornos nebulosos na Revista Nova Águia e no Movimento Internacional Lusófono, assim como algumas das práticas da Associação Agostinho da Silva são vistas como herméticas.
      Também não entendo como é possivel, mas enfim…
      No entanto, aquilo que Agostinho da Silva defendia era uma hermêutica do conhecimento, a sua preocupação era a luta contra qualquer tipo de obscurantismo; de facto ele lutou contra as ditadura e o fascismo, quer em Portugal quer no Brasil.
      Mais do que à revista “A Águia” o seu nome deve ser associado à “Seara Nova” e a pensadores (lutadores) como António Sérgio e Jaime Cortesão.

    • Luther Blisset

      |

      maio 4, 2009

      |

      Justificar na lei a ação fascista não adianta, caro advogado dos Angels. Você pode até conseguir tirar o artigo do ar e processar o autor, mas desde já conseguiu informar todas essas pessoas que aqui comentam que sua organização se alinha sim com a extrema direita fascista que emerge de vez em quando. Não fosse assim, sua organização não mobilizaria integrantes semi-militarizados, que passam por um treinamento no qual se inclui táticas de amedrontamento e não tentaria via ameaça o amedrontamento do artigo.
      A continuar sua forma violenta de tentar silenciar o direito de expressão sua atitude alimenta nossa voz e nossa indignação.

    • Fernando Bomfim

      |

      maio 4, 2009

      |

      Excelente artigo de Jefferson Barbosa. Um artigo claro, profundo, importante no quadro atual da luta contra a violência e contra o militarismo que assola nosso planeta. Acredito que deveríamos pesquisar minuciosamente as ações da ONG Guardian Angels, desde financiadores da ONG até seus principais colaboradores. Isto para traçarmos estratégias de ação coletiva contra essa forma de milícia armada privada, e nos precavermos para futuros ataques ou conflitos similares. Penso que o advogado da ONG, Henrique Maia, poderia ser convidado a um debate público para esclarecer alguns pontos nebulosos das ações truculentas e sombrias da ONG, pois através do excelente relato encontrado no artigo percebi a ONG Guardian Angels como uma das representantes do Terceiro Setor da indústria da violência – base da economia capitalista contemporânea.

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